Confrades da Poesia79

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Boletim Bimestral Nº 79 | Nov. / Dezembro 2016 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 8,13 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneir os: 4 Retalhos Poéticos: 5 Tr ibuna do Poeta: 7 Contos e Poemas: 9 Bocage: 6,10,14,21,22 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Pedestal da Poesia: 23 Ponto Final: 24 EDITORIAL Feliz Natal O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fr ater nal e poético. Pr etendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono" ; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que pr aticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Carmo Vasconcelos José Branquinho Pedro Valdoy Pedestal da Poesia pág. 23 Nesta edição colaboraram 82 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Fundadores: Pinhal Dias - Presidente / Conceição Tomé - Vice Presidente Colaboradores: Adelina Velho Palma | Air es Plácido | Alber tino Galvão | Alfr edo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Bar r oso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Delmar Fernandes | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ismael Gaião | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lauro Portugal | Lili Laranjo | Luís Fernandes | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «A Voz do Poeta» Margens da Vida A vida... É como um rio Onde em frágil desafio Navegamos todos nós E logo desde a nascente Enfrentamos a corrente Navegando até à foz. Alguns têm à partida Logo a rota protegida Em fortes embarcações Outros em débeis barquinhos Têm de remar sozinhos Com muitas tribulações. Por destino ou maus presságios Há os que têm naufrágios E ficam no rio perdidos Outros conseguem nadar Sem se deixar naufragar Nem se darem por vencidos. Contra a fúria da corrente Há que remar persistente Sempre em constante corrida Só lutando com coragem Pode chegar salvo à margem Deste rio chamado vida !... Euclides Cavaco - Canadá CORAÇÃO DE POETA      C anta as belezas da vida  O amor vem como semente  R epr oduzir de for ma sentida  A alma, o cor ação e a mente    C onduz ver sos de esper anÇa  A cr edita no melhor   O que tr ansfor ma ao r edor   D eixa fir me uma nova aliança    E sua missão é levar adiante  P ar a no mundo pr opagar   O fr uto madur o pr esente    E m cada ver sos que faz  T enha o ver bo amar .  A ssim o leitor , lê e se satisfaz.    Angélica Gouvea - Luminárias / BR  Poema de todo o tempo Miseráveis ricos Há ricos, sem serem ricos, Pelos ricos invejados. São reputados, benquistos Por dons pelo Céu doados E por si bem cultivados. Não importa a idade que um poeta tenha quando abandona este mundo, ele sempre morrerá jovem! (Tennessee Williams in: “Suddenly, Last Summer”) Há ricos que pobres são: Sem honra, sem seriedade… Gente de má condição, Que prenhe anda de maldade Disfarçada, falsidade!... Foi numa foto que te conheci E na ternura de umas poucas linhas Em pensamentos ternos me perdi Sonhando vidas que não eram minhas. Fiam-se no mealheiro, Mas lhes falta excelência, Ter é seu valor primeiro Que lhes tolda a consciência E ao ser não dão preferência. ENTARDECER. Triste-me sempre o entardecer … Pelos acordes tangidos nos dedos cansados do dia… Pelas cores esbatidas na borracha da noite. Filomena Gomes Camacho - Londres Natal Cristão Símbolo da cristandade Faz lembrar à humanidade A vinda do Redentor: De Deus que feito menino Mostrou que ser pobrezinho É ser mais rico em amor! É estender amigas mãos E abraços fortalecidos Aos amigos e irmãos E também aos inimigos! Hoje o Natal do cristão Mais parece ser pagão: Vive-se o faz-de-conta Da paz e da harmonia Que dura apenas um dia! Compra-se sem contenção Para ostentar a vaidade Que nos dá a sensação De comprar a felicidade… As ruas são enfeitadas Com luzes de muitas cores E as lojas ornamentadas Atraem os consumidores… Vive-se um Natal diferente Onde se partilha a ilusão De existir a comunhão Na troca de cada “presente”! No coração guardei a tua imagem Segredada aos sentidos exultantes Qual de um oásis fosses a miragem Sedutora visão, tal foras dantes. A vida quis que já no meu ocaso - Perdido há muito o ímpeto maior Ainda gema os ais doutro Parnaso E mesmo que suspenso, esse amor Num recanto do tempo dará aso A que viva encantado o seu sabor Eugénio de Sá - Sintra A quem possui justa honra Não chegam ao calcanhar, Mas provocar-lhe desonra Nunca deixam de tentar Pra seu ciúme vingar. Casimiro Soares - Amora Conceição Tomé (São Tomé) -Amora /PT VISÃO GLOBAL Se te afastares muito, vês apenas um Planeta Azul, quase redondo, por enquanto, onde as retas não existem, porque se curvam num abraço a Quem lhes permite vir à janela. Simples, né? Para quê projetar elevação Se é no chão que se vê a projeção da nossa altura? José Jacinto "Django" - Casal do Marco

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Olhos da Poesia» 3 Balada de Outono Impiedoso Setembro … Traz a balada de Outono Que muda na folha as cores Seduz e despe as flores Num sestro de abandono... Em toada persistente As folhas , essas coitadas Vão caindo lentamente Das árvores amarguradas Ao ficarem desnudadas De cada folha cadente... Será que uma folha sente Na despedida a tristeza ?… Como dom da Natureza !… E que em secreta amargura Sofre, mas nunca se queixa Como alguém que a Pátria deixa Por destino ou desventura ?!… E em cada folha caída Resta uma angústia profunda Num frágil sopro de vida A sussurrar moribunda: Não fez sentido viver Esta tão curta existência… Outono… Sem clemência Tão cedo me fez morrer !… Euclides Cavaco - Canadá DESANIMO O Desanimo… Escurece a visão, Declina a vontade, Magnifica o problema, Desmorona os sonhos, Esvazia a alma... Filomena Gomes Camacho Londres Universo Mulher Todas as horas, todos os minutos todos os segundos são Universo Mulher! Mulher é essência, flor perfeita exalando perfume. Mulher é mãe, irmã, amiga, esposa! Doce, risonha, atenta! Puro encanto em todas as emoções da imprevisível vida! Mulher é puro amor, que renasce mais forte após as contrariedades da vida! Mulher é sorriso, oceano azul que embeleza a escuridão. Mulher é estrela brilhante que guia em todos os sentidos. Mulher é mar que embala as agruras da vida. Mulher é sereia que enfeitiça o Universo com a sua beleza! Anabela Gaspar Silvestre Covilhã Espera Aves matinais Tanto gorjeio me acorda Dia novo, presente O quotidiano vira novidade Até o vento que alisa meus cabelos é jovem Nós somos vividos e estamos na espera Quem sabe outra manhã nalgum lugar Não fiquemos tristes Transformação é o nome certo da vida, sempre surpreendente! Edson Gonçalves Ferreira - Divinópolis / BR Natal dos meninos O Deus Menino nasceu, para dar luz ao mundo! Mundo que continua cego pela ambição do poder, Pela ganância, intolerância e outras desumanidades. É tempo de abrirmos o coração e os braços, E abraçarmos todos as crianças do mundo, Para que tenham um Natal cheio de luz e amor! Conceição Tomé - Laranjeiro 18º Aniversário - 5/11/2016 Festejado na SFOA - Amora Mensageiro da Poesia José Jacinto (mensageiro) Luís Fernandes - Presidente do Mensageiro Ambos são nossos Confrades da Poesia Entre mãos e pés. Gira o mundo entre mãos e pés que agradecem Ter um corpo e alma que fala por ti Mãos trabalhadoras, sagradas, que enaltecem E são os pés descalços que falam por si Para lá do horizonte que se vislumbra Como um rio direcionado à sua foz Vendo almas e que sobrevivem, sem sombra Nas artes, pescando, entoando a sua voz Olho por olho, mão por mão e pé por pé Lá entraram na Arca, mostrando a sua fé No Hebraico se cumpriu a lei de Moisés Homens discipulados, pescadores d’almas Fez o Senhor Jesus Cristo, em águas calmas A Tua Palavra é a luz para meus pés. Pinhal Dias (Lahnip) - PT

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Pioneiros» Outon...Ânsias Especialmente para a inspiração dos meus irmãos Eugénio de Sá e Humberto Poeta. No solo triste e solitário do jardim, As folhas caem como lágrimas ao vento E cada lágrima que cai dentro de mim Forma um jardim onde repousa o sentimento. Depois de um tempo, nesse espaço onde o pranto Fortaleceu meu coração pleno de dor, As flores brotam... e dentro do desencanto, Nasce o encanto mais sublime que há na flor. Nas hibernais imprecisões silenciosas Que há nessas rosas temporãs e ocasionais, O meu olhar procura flores nebulosas Dentro das rosas dos meus sonhos... outonais. Luiz Poeta - RJ/BR Luiz Gilberto de Barros Outono da vida Das árvores, no Outono vão-se as folhas que as abandonam no rigor do inverno, num ciclo natural e sempre eterno, imune a alternativas ou escolhas. Árvore fui, carregada de amores, que eram quais flores vivas e mimosas a balouçar nas ramarias viçosas da minha mocidade aos esplendores. O outono vem pra que o verão regrida; o inverno surge, e a limpar se esmera todo o ambiente pra que a primavera faça eclodir o renascer da vida! As folhas verdes, de brotar não param; renascem ao chegar nova estação, mas meus amores do extinto verão secaram todos e não mais brotaram! Humberto Rodrigues Neto São Paulo - BR Falam todos do meu povo E de mim, mas com inveja Por ter um relógio novo, Do Benfica e assim seja Arménio Domingues Melgaço Soneto de Outono Filosofia da Felicidade Esta janela que parecia feia E se abre ao vasto campo em frente dela Mostra quanto a paisagem tem de bela Nos outonais matizes que alardeia. Não chores coisas perdidas Preza o que tens p'ra vencer E sem lesares outras vidas Faz o que te dá prazer. São os rubores doirados pelo sol Que cai no horizonte, preguiçoso E dão a cada folha o tom vistoso tornando inda mais lindo o arrebol. Não lamentes o passado Estima o que vai surgindo Sem te mostrares revoltado Desfruta a vida sorrindo. Ah natureza, quanto é promissor Este desfrute das tuas entranhas Nesta visão mostrada plo pintor Que tem virtudes tais e tão tamanhas Como as só pode ter Nosso Senhor E por d'Ele serem não nos são estranhas! Não revivas a tristeza que outrora te magoou Com a mesma natureza Esquece quem te deixou. Não antecipes as penas Que te possam causar dor Faz grandes, coisas pequenas Que têm p'ra ti valor. Eugénio de Sá - Sintra Jamais saberás À Márcia Maria Sei que milhões de anos não bastarão Para saberes o muito que te amo. O sofrer a ferir o coração, Falta da tua presença que reclamo. Não penses em quem te odeia Ama quem está contigo Não cobices coisa alheia Nem atraiçoes um amigo. Segue esta filosofia Escuta o que o sábio diz Vive em perfeita harmonia Luta para seres feliz !... Euclides Cavaco - Canadá Falho sou…imensos, vários, os meus erros, Porém, quanto amor há dentro de mim; E, no maior de todos os desterros, Eu não concebo tanto amor assim. Vão-se os anos…a vida continua… Um sentimento igual não encontrarás. Eu a sofrer de tanta saudade tua, O quanto te amo, jamais saberás! Os nossos olhos. São olhos a contemplar Alegres no horizonte Lacrimejam por amar Ser molhados nessa fonte Com vistas do seu olhar Choram Portugal Querido Veem muitos a mamar Povo!? Continua ferido! Saudoso – Marcus Vinícius de Moraes Poços de Caldas Brasil No piscar de olhos juntos E juntinhos adormecem E andam por aí muitos P’la amizade!? Qu’arrefecem! Tantos olhos que merecem A verdade de seus filhos Pela razão que oferecem Menina dos nossos olhos Visão!? Dádiva Divina Essa alma de refolhos, Com humilde disciplina Unidos: “-os nossos olhos” Pinhal Dias (Lahnip) - PT

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Retalhos Poéticos» 5 A VIDA É GANHAR E PERDER Olhar GANHA-SE o primeiro choro O abrir dos olhos, o peito da mãe O estranho do espaço, do ar respirado E um primeiro momento de vida Naquilo que mundo para nós tem Ainda não querido nem desejado Numa carícia que se repete sentida O começo, quem sabe, dum amanhã. GANHA-SE o pranto no sucesso Do deslumbre de haver nascido E como fonte límpida há um berço Com beijos sôfregos e abraços Um mágico som já destemido Que ainda não tem poema nem verso Nos perfumes carnais dos regaços Numa doçura sedutora mas não vã. GANHA-SE o espaço em volta Para expandir, atingir a gatinhar Num sem fim de movimentos Que vão até ainda bem perto O descobrir mais e alcançar Em vitórias, bons momentos Num percurso ainda incerto Que a leva nos pés se equilibrar. GANHA-SE o gargalhar de criança Num amor que vai crescendo Na força poderosa da mente Que se vai aperfeiçoando No parque infantil, na escola Mostra já o que é ser inteligente Construindo e engendrando Formas e gestos em crescimento. GANHA-SE o correr dos anos A puberdade, já se sente, aí vem Ondas de um mar em nós agitado Uma troca e aproximação no olhar Uma sedução, um desejo doutro alguém Um beijo breve – namorada ou namorado Que faz adulto ser, que faz adulto ficar Nos diálogos, na troca de sentimentos. GANHA-SE um futuro em cada lua nova Um sentido de aprumo e de orientação Agora como pais, e avós, uma outra visão E um renovar dos tempos sempre incerto As engelhas, as cãs, na velhice a gratidão De se ter percorrido o que já não está por perto Trazendo dentro do peito o apelo a cada canção Até ao dia final – quem sabe quando, como ou onde. PERDE-SE tudo o que se ganhou O ar que nos sustentou, o tempo que nos devorou Os avós, os pais, os tios, que enfim nos rodeavam Cada paixão que pelo caminho ficou Vozes, gestos, lágrimas, risos, que nos animavam Cada ensejo de paz e cada esperança que nos tocou. Olhar doce... Dá segurança... Olhar meigo... Ajuda a superar... A vida... A tristeza... A solidão... Mas... Ao ver os olhos... De verdade... E de Amor... Sentimos... Que os olhos... São mesmo... O espelho da alma… Lili Laranjo - Aveiro Mário Matta e Silva – Benfica A vida atirou-me, muitas vezes, de grandes precipícios! Não me assustam as montanhas! Filomena Gomes Camacho - Londres (poetisa Angolana) Hoje Sejamos felizes ao menos hoje Enquanto o amanhã não chega Não questionemos a vontade deles Desses deuses que nos comandam Como simples marionetas Como ratinhos na roda Cobaias no laboratório Incapazes de reagir e compreender Somente damos às patinhas Para fazer rolar a roda Agitamos os bracinhos Incapazes de reagir! Mas não, não somos ratinhos Somos humanos Meros aprendizes é certo Subjugados pelas dores Pelos sofrimentos Jesus morreu na Cruz! Quantos mais terão que morrer? Todos os dias há quem morra na cruz dando a sua vida pela humanidade! Então sejamos gratos Sejamos compassivos Saibamos compreender e perdoar E pelo menos hoje, Vamos extrair o último pedacinho de felicidade! Olhar a Lua, olhar as estrelas Sentir a brisa no rosto, Ouvir o canto dos passarinhos Ver o por do sol E compreender que somos amados! Não precisas de me dizer. Tudo que fazes fala por ti, Quando vences o medo que te não deixa dormir Quando os pesadelos te acordam aos gritos Quando continuas a ser um menino assustado Mas não foges e ficas aí para mim! Não precisas de dizer eu te amo Eu tenho esse amor em mim E então só hoje amor Vamos ser felizes Enquanto o amanhã não chega! Arlete Piedade - Santarém Se... Se eu pudesse segurar as horas. e transformar cada segundo em arco-íris multicoloridos de ti. Iara Melo - Mira de Aire

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» Quadras escritas nas conchas e Dedicadas por Domingos Pereira AO AMIGO LUÍS: És o símbolo bom da Amizade, Não te cansas de fazer amigos, Tens o espírito da humanidade, Junto de ti não há inimigos! Fazes da tua culta poesia, Laços de sã camaradagem, Lanças momentos d’harmonia, Assim, d’amizade és imagem! Foste emigrante, és poeta Tua imaginação é, pureza, Na poesia és um profeta, Afastas da gente a tristeza! Domingos Pereira - Almada Persuasão Voei nas asas do vento Tentando persuadir-me. Dei asas ao pensamento Era chegado o momento Para tentar redimir-me. Cada momento mudei, Dum sonho, fiz um desejo, Ao procurar não achei, Foi sem querer que encontrei Tudo o que de bom almejo. Nesta tão curta viagem Que de mim fez viandante. Bebo nos sons da aragem O elixir da coragem Prá minha alma errante. Ao ver aquilo que sou Quero ser outro, não eu, Sem saber pra onde vou O tempo pra mim parou Com tudo o que Deus me deu. São lembranças sonolentas Do tempo por mim passado, Que passam por mim sedentas De caricias ternurentas Qual sonho imaginado. Arménio L. F. Correia Seixal Mãos de luz Mãos que nunca param Mãos que sempre se agitam. Mãos que sabem agradecer, Pelas mãos que só criticam. Mãos que não se calam, Mãos que precisam dizer. Mãos que não só falam, Mãos que se esforçam em fazer. Mãos que podem curar, Mãos que já não podem ferir. Mãos que podem doar, As mãos que precisam pedir. São mãos solidárias Essas mãos que não escolhem... São mãos santas, benditas, Que a todas as mãos acolhem! Mãos que se erguem ao céu, Mãos que premem o peito na dor, Pelas mãos estendidas do irmão... Essas mãos que imploram amor. Mãos que semeiam amor Nas mãos que pedem a guerra. São as mãos que colhem a paz Nas mãos sofridas da terra. Mãos estendidas ao mundo, Mãos libertas da cruz. São as mãos dos homens unidas Às mãos do Mestre Da Luz! Ivanildo Martins Gonçalves Volta Redonda – R/J Jesus Cristo era pobre, Humildemente trajava; Nunca teve o Dom de nobre, Nem num trono se sentava. De mim há quem diga mal, Na mais ardilosa trama. Inda bem, é bom sinal: Estou no caminho da fama! Ditaduras, digo eu, Não nos dão nada de novo. Nunca alguma resolveu As amarguras dum povo! Hermilo Rogério – Paivas / Amora Recreando Mote Em toda esta conjuntura de colorido e beleza a mulher é a figura mais bela da natureza. (Manuel Inácio) Glosa “Em toda esta conjuntura” deste mistério sem fim... a mulher a formosura mais linda deste jardim. Circundada cingida “de colorido e beleza,” uma fortaleza erguida De ternura e destreza. Coragem graça ternura delicada, corajosa, “a mulher é a figura” mais terna e graciosa. Louvada seja! Louvor pela sua delicadeza, a mulher é a flor “mais bela da natureza.” Aires Plácido - Amadora Época de poda É necessário conhecer a natureza, Para ajudá-la e não prejudicar. O outono é a estação da mudança. Cada planta vai perdendo as folhas. A renovação é sua característica. Disto se aprende uma lição: É preciso livrar-se do que não serve mais. Período de inverno é o que Os homens podam as árvores. Desejando faze-las revigorar. Amealhando força no que permaneceu. Isabel c s vargas Pelotas/rs/brasil

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 7 Confrade desta Edição «Luís Fernandes » Minha Terra Querida Oh Armação de Pêra Oh minha terra querida, Da aurora da minha vida Que os anos não trazem mais... Sinto saudades dos amigos, Dos meus amigos leais, Deles não esqueço mais... Como são belos os dias Do despertar da existência, Do coração de uma criança Como perfume a flor... O mar é lago sereno O céu, um manto azulado, O mundo, um sonho dourado A vida, um hino de amor... Que auroras que sol que vida Juntos da areia a brincar Naquela doce alegria, Corríamos junto ao mar, As ondas beijando areia, Víamos os barcos chegar E os pescadores na faina do mar. As mulheres vinham esperar, E nós, mais tardinha, Íamos para a ribeira brincar... Oh dias da minha infância! Cada momento me faz lembrar, Em vez de mágoas de agora Eu tinha carinho e confiança Dos meus amigos leais, Ficou- me bem da lembrança Deles não esqueço mais!... Luís Fernandes - Amora AMOR E DOR !... Eu trago sempre no pensamento Este, aquele, o outro e a outra irmã Meu olhar procura o talismã, Dias e noites eu digo num lamento. Amor, dor, sofrimento, confraternizar, Léguas e léguas de terra e de mar, Meu amor é verdadeiro em qualquer lugar, Onde os deuses outrora viram voar Pássaros que em versos, Possamos ver! Com abraços e beijos, de homem e de mulher, À luz do sol deslumbrante a brilhar Com gestos para quem quiser colher, na terra que chora vida, Por não ter prazer, Onde meus olhos querem, ver um dia brotar!... Luís Fernandes - Amora AMIGO É… O amigo é a resposta Às tuas necessidades, Alguém sem quem confiar, Um amigo que compreenda E te estenda a mão Para te ajudar... É o campo que semeias Com muito amor, E colhes com gratidão, Esse sim, é amigo do coração. Ele é a tua mesa E o calor do teu lar, Reparte com ele o pão E tudo que tens para dar... É ele quem te vai confortar, Nos momentos tristes da vida Luís Fernandes - Amora O Nosso Poema O Nosso Poema Querida sinto que amo Aquilo que falo e chamo, Ser de raiz profunda Onde o sorriso não muda. Os nossos gestos palpitantes Que a gente sempre sente! Quer de dia, quer de noite Nas límpidas águas das fontes, A nossa felicidade não muda... Se lançarmos raiz profunda Onde a terra é mais linda, Em cada minuto da vida: Se cria no pensamento O que se tem de direito, Por longe ou por perto Na bênção do amor existe! Um tesouro sem explicação... Eis o nosso poema No meu e no teu coração. Luís Fernandes - Amora Sob o Sol Sob o Sol da Graça Divina… Deus do homem espera a mudança Onde floresce a compreensão Em qualquer dia de cada estação Nos olhos de uma criança… Existe cada vez mais esperança, De o homem dar atenção À vida da nova geração. Luís Fernandes - Amora É Preciso Cultivar Amizade união e paz, São palavras maravilhosas Que o homem não é capaz, De utilizar nas coisas. Coisas que prendem a vida, Que nos une e nos consola Não têm preço nem medida, Nem precisa pedir esmola. Porque a vida de cada dia Se faz com união e paz, Música, ternura e poesia, Na verdade, tudo isso se faz. Com amor de quem nos ama, Deus sabe e justifica, O que sentimos na alma No amor não se explica. Precisamos cultivar em paz Para que possamos alcançar: Em qualquer lugar, onde se faz O que se precisa é valorizar. Luís. F. N. Fernandes - Amora Majestosa Amora Que linda cidade és tu… Cidade de Amora Luz da aurora, suspiros das brisas. Tu encantas aqui quem cá mora E também aos turistas, Porque na poesia dos desejos Tens tanta beleza! Nos olhos que te veem crescer E florescer de encanto primaveril, No teu universo…sentem alegria de viver, Porque tu festejas Abril! Eu sinto carinho, amor e afeição, Por ti, mãe acolhedora e linda cidade És a a minha inspiração E o verbo amar da humanidade. Luís Fernandes - Amora

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ Intempérie Fui à janela fechada, Não vi noite nem vi dia, Não vi tarde, não vi nada, Olhei p’ra fora, chovia. Andava na rua, molhado, Vendo a janela vazia, Senti-me desamparado, Olhei p’ra dentro, chovia. Nem o guarda-chuva aberto, Da tormenta, protegia, Quis ir longe, fiquei perto, Olhei p’ro lado, chovia. Vendo o céu tão pardacento, Perguntei o que haveria, Nem me respondeu o vento, Olhei p’ra cima, chovia. Fiquei parado, na rua, Sem me importar se queria Ter o sol ou ter a lua, Olhei p’ra baixo, chovia. Ilusões e sonhos meus Já não me dão alegria, Sejam nobres ou plebeus, Por todo o lado chovia. Terminou tanto aguaceiro Que culminou, por inteiro, No sol quente que chegou. Agora, veio a acalmia, Olhei tudo, não chovia, E a minha alma já secou. António Barroso - Parede Quando a saudade Convida, É na morada da solidão Que vive o coração… …/... Na solidão Joga-se palavras ao tempo Sentimentos ao vento Olhares ao vazio… Última hora ( Aviso à navegação. ) Portugal assolado Por tempo conturbado! Por nortada Destravada Descontrolada! Mar encrespado! Selva marada! Fauna louca! Flora mal cheirosa! Bicharada zangada! Burros zurram! Cães ladram! Gatos assanhados De unhas afiadas! Gansos manhosos! Patos alvoraçados Perseguem patas! E gansas que assustadas esvoaçam aluadas! Tubarões nervosos! Leões irritados! Velhos dinossauros Exibem seus dentes arreganhados. Vampiros medonhos De sangue famintos! Fantasmas horrorosos! Ávidos cercam Rondam ansiosos E assustam! Cherne gorduroso Arrota de odre Bem cheio De cheiro a podre! Pescadinha de rabo Ao léu e cabeça Tresloucada e desvairada! Carapau de rabo entalado! ... Todos aos uis - uis e ais – ais. Com o cu a arder com o que lhes está a acontecer! Carmindo de Carvalho—Suíça “Uso prata e uso oiro E uso o meu coração P’ra alguns valho um tesoiro P’ra outros nem um tostão” 530340 LEITURAS Q uer o pr imeir o agr adecer U nir meu pensamento a Deus I nvocar o teu santo nome N ele e par a Ele a H onr a, o louvor , a glór ia É Dele a vitór ia N esta minha tr ajetór ia T udo aqui colocado O amor foi o maior legado S ustentado por Ele e alimentado. E assim Ele atr aiu T odas estas leitur as R eiter ando a cada dia I r r igando a semente N este campo fér til T odo fr uto nasce A umenta a fé e cr esce M ais que ser instr umento I mplica aber tur a de sentimento L evar a todos uma mensagem L er e ser tocado E se sentir amado I sto é vivenciar o amor T ocar no cor ação U nir -se de fato ao irmão e R eceber o car inho a unção A todos que por aqui passam S ou agr adecida de cor ação. Angélica Gouvea - Luminárias / BR E para celebrar: "Aqui estou eu Mestiço de negro e branco Severo e brando Obstinado e ocioso Modesto e orgulhoso Obsessivo e sereno Manso e prudente Agradável e egocêntrico Talvez a lei dos contrários Impere em mim Ou talvez haja apenas Uma simbiose de antíteses O que faz de mim indivíduo Pois é… Eu sou eu." Delmar Maia Gonçalves Quelimane/MZ Fredy Ngola - Angola Silvais – Alentejo

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Contos / Poemas» 9 A verdade se perdeu nas verdades O homem se perdeu em suas buscas, afogando a sua consciência no vale das sombras. Somos inteligências cósmicas vivenciando uma experiência em corpos físicos. Tudo que buscamos no mundo exterior se encontra dentro de nós. A felicidade é uma arte criativa que reaproveita todas as situações. O caminho do meio nos leva ao despertar da consciência. As instituições religiosas promovem a bestialização de seus adeptos, oprimindo a iluminação dos mesmos. A humanidade tem medo da verdade, apoiando-se nas alegorias sociais. O que governa as relações humanas é a hipocrisia. O conhecimento limitado aprisiona os homens nas fronteiras do eu e do meu. Despertemos a nossa energia crística. Não podemos construir um mundo melhor abrigando o egoísmo dentro de nós. Conhecer esta atmosfera que compõe a nossa particularidade existencial é o caminho rumo à libertação. Os impulsos primitivos ainda governam as nossas ações. Colocamo-nos na condição de pecadores, inferiores, condenados, sofredores. As mentes estão condicionadas ao movimento cultural, social e religioso que sufoca a verdade que está dentro de cada um de nós, alimentando as mentiras difundidas como ferramentas alienadoras. Os mestres deixaram os exemplos e os homens distorceram os fatos. Desvendar as interrogações é fácil, mas preferimos complicar com os discursos. A todo instante surge alguém que se diz detentor dos saberes. Olhemos para o infinito, deixemos de lado a insignificância dos caprichos que propomos diariamente. Nada que está fora perturba, tudo conspira... As ações podem até ser julgadas, mas a intenção tudo vale diante das múltiplas reações. O poder ainda envenena o amor que habita os seres. Esta cópia imperfeita de uma realidade surreal ainda será codificada por nossos olhos. Adentremos no lixão interno que indisciplinadamente promove as revoluções no campo íntimo e individual de cada um de nós. Não podemos condenar, estamos em uma escola universal, todos têm o mesmo direito de aprender. Infelizes são aqueles que se dizem imperfeitos; todas as criaturas são perfeitas diante dos olhos do criador. Os indivíduos mergulharam nas utopias ofertadas pela realidade. Criaram inúmeros discursos, múltiplos textos, colocaram vírgulas, pontos, interpretaram e forjaram verdades egoicas. O sentimento de posse encarcerou o homem no eu. O essencialismo negligenciou o progresso do eu menor rumo ao eu maior. Não podemos aceitar os grilhões cerebrais, a nossa capacidade transcende o cérebro. O poder criador vive nas nossas entranhas. Culpa, medo, condenação... Chega! Vejamos além do que enxergamos. Vivenciar as sensações é a referência para rompermos com os distúrbios dos fluxos indesejáveis dos pensamentos. A vida pulsa em todas as direções do universo. As inteligências cósmicas querem se comunicar... Ampliemos a nossa audição. Está chegando o momento da hora mais iluminada da história do planeta Terra. Avante, somos semelhantes, todos capazes de vencer as sombras que coabitam a nossa consciência. Dhiogo J. Caetano - Professor e jornalista Uruana - Go TEMPO Pensamento Despojando-se o tempo da sua materialidade, torna-se inexistente. Por isso, PASSADO e FUTURO são a finidade dessa trajetória. PASSADO – porque deixou de existir. FUTURO – porque apenas é uma conjetura. Se o PRESENTE fosse constante... E não apenas o ápice do momento... PRESENTE, seria ETERNIDADE. ..."não tenho estória, sou feita de silêncios que se rasgam em olhares, e na incerteza do que me resta de vida, sou o céu cinzento e triste de um amor que não tem idade, um olhar de cálida brandura, mãos doces que acenam ao vento, desbotadas em cores de cansaço e onde o sol desfolhou margaridas. Sou um "ser" que ninguém compreende, que vive abstraído parecendo por vezes ausente, que quando partir... a sua ausência ninguém sente"... Filomena Gomes Camacho Londres Natália Parelho Fernandes

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» RONCOS NA NOITE Às vezes tenho sonhos tão reais, Que chego a duvidar que estou dormindo. Murmúrios que no peito vou sentindo, Me lembram a ternura dos teus ais! Teus ais que certas vezes são demais, Quando sei meu amor, que estás fingindo. Teu rebolar, amor, que julgas lindo, Me lembram mascaradas, carnavais. Até nossos lençóis sentem vergonha, Dos trejeitos que pões na tua ronha, Quando teu corpo nu, roça no meu. Eu te juro por Deus, sentir vontade, Para punir a tua falsidade, Prender-te a uma galé, meu camafeu! Alfredo dos Santos Mendes – Lagos Amoresia Quando os olhos sorrirem É a hora dos lábios cumprirem A promessa da mão em outra presa Que deixa a emoção à solta à volta de uma mesa debaixo da inclinação e do prazer, que se repete ao som do bater do coração, e quando se chega a esquecer o que se dizia até então. José Jacinto “Django” - Casal Marco Faz-me sonhar com o barco e o avião Enorme pássaro este passarão Ave barulhento de metal Vai e vem o enorme avião Leva e trás saudades é fatal Este vai para a América do Norte E leva encomenda da Terra Leva grogue e mel num pote Atum e bolacha e peixe-serra Leva a carta para o meu coração E na carta escrevi uma oração Pedindo o meu amor para rezar E saber desta saudade que faz-me amar E nostálgico ver e olhar para o mar Sonhar com o barco e o avião João Furtado – Praia / Cabo Verde Papel escrito De tarde, noite, manhã, segue o som e segue a imagem, olhos ávidos do ecrã afundam-se na mensagem. “Bilhete? Carta? Postal? As notícias por correio? Nem para a semana as leio! Alguém as manda? Acreditas? Ora! Caiam no real, não há tempo para escritas.” Neste discurso actual existe alguma razão, alguma, que o digital tornou-se alienação. O papel do telemóvel, tal como do automóvel, como do computador e da alta tecnologia é já um mal necessário na vida do dia-a-dia, e ninguém, seja quem for, ousa dizer o contrário. Procedimentos, objectos usados antigamente (e mesmo recentemente) já se encontram obsoletos. Mas eu gostava de ter, já por vezes tenho dito, na secretária ou no móvel um papel por ti escrito, algo que pudesse ler sem ligar o telemóvel. Poderias escrever “Amo-te” ou qualquer recado sem usares o teclado. É que a tinta sai da mão directa do coração! Isto mandei-te em papel. Gastei eu o meu latim e tu respondes que sim, mas respondes... por e-mail! Lauro Portugal in A Gloriosa Morte do Escorpião (2013) Ninguém abra a sua porta para ver que aconteceu: saímos de braço dado, a noite escura mais eu. Ela não sabe o meu rumo, eu não lhe pergunto o seu: não posso perder mais nada, se o que houve já se perdeu. Vou pelo braço da noite, levando tudo que é meu: a dor que os homens me deram, e a canção que Deus me deu. Catarina Malanho - Amora Bruxa Abracadabra! Abracadabra! É de varas e de trapos Mas espanta, o espantalho. Ribombam sombrios trovões… Sente vento de lobos e de estrelas frias. Um torpor a invade. Uma miríade de constelações A espreitam do sombrio céu, Nessa noite longa e fria. Até aos paroxismos da anarquia, Reclama a liberdade irresponsável Para se tornar notável. Sai da sombra da sombra. Abre portas e gavetas, Liberta-se de grilhetas. Na amarela abóbora oca Colocada sobre a mesa Abre olhos, nariz e boca, Onde introduz vela acesa. Não lhe importa a sua idade, O que quer é liberdade… Não mais irá ficar presa. Na teia tece a aranha. No alto esvoaça um morcego. Escuta o piar da coruja Nesse espaço noturno De silêncio e medos. Acaricia o sapo e o gato preto. Cobre-se de capa negra, Coloca chapéu pontiagudo, Com luva preta na mão, E segura seu bastão. Cavalga no dorso da vassoura E ela aí vai, a bruxa, Pelo céu fora, Cabeleira ao vento, negra ou loura. Tu dizes que não existe, Mas sua imagem persiste! Abracadabra! Abracadabra! João Coelho dos Santos - Lisboa Do livro “Na Esquina da Vida” BEBIDA PRECIOSA Néctar dos Deuses Delícia saboreada Por enófilos. Para mim que não bebo, Vale a máxima católica Apresentada na Eucaristia: “Tomai e bebei este é o meu Sangue” Isabel C S Vargas Pelotas/RS

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Rituais Perversos Aqui, onde a razão é escarnecida E a Lusitânia tem raízes fundas Megeras há que urdem, furibundas Feitas com bruxos c'o a alma vendida No palco cai o manto e os celerados Fazem do mal o lema que os condena À mais vil condição quase obscena Das lesmas que carregam os seus fados Na podridão da cátedra que inventam Para ocultar as mentes truculentas Escondem os restos que ainda os sustentam Que mais hás de pagar, que essas ventas Fauces horríveis, garras que desventram Inda te habitam, pátria, inda os ostentas? Eugénio de Sá - Sintra POSSUAMOS O amor de Cristo A perfeição dos anjos A abnegação dos santos A beatitude dos místicos A simplicidade dos génios A compreensão dos filósofos A inteligência dos deuses A determinação dos generais O detalhe dos investigadores A persistência dos analistas A sensibilidade das crianças… Filomena Gomes Camacho Londres Ficar_nú (inspirado no quadro de Bé Cabrita) desamarro-me! a máscara rejeito livro-me não serei ninfa num casulo à medida voarei em busca da perfeição que sou una ancas, torso, seios ventre de abrigar e criar mundos como sempre quis agora viverei sem norma sem forma sem canga eu sou nua inteira flor mulher céu e mar terra e fogo legítima! Maria Petronilho - Almada Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 11 «Tempo de Poesia» Aquela vereda Por entre pedras e mato, Aquela vereda Que parecendo queda, Descia … ou subia Pelo monte, Como se fosse para o céu! Hoje voltei E da encosta defronte, Constatei Que o matagal cresceu E a vereda morreu! Tal como os que a moldavam... E lhe davam vida Homens, mulheres, Animais diversos, E até os raros malmequeres Que a ladeavam! Também não vi tentilhões, Rolas, cotovias, perdizes... Eis a razão dos meus versos Sentidos, Por vividos, Em momentos menos felizes! José Maria Caldeira Gonçalves – F. Ferro NA CIDADE Uma cidade.. Uma praça.. Um jardim.. Um banco de madeira.. Sento-me e observo.. Pessoas que passam apressadas Outras que descansam sentadas Um velhote dormita Embalado no doce calor do sol Pombos arrulhando Comem migalhas aqui e ali Ou fazem danças de acasalamento Pardais atrevidos Quase me pulam p’ro colo Em busca de comida Na relva verde Salpicada p’lo branco De pequenos malmequeres Borboletas esvoaçam De flor em flor Num colorido frenesim Enquanto pássaros chilreiam Nos ramos altos das árvores... Indiferentes À vida no jardim Os carros passam na avenida Numa correria desenfreada Travam...param...buzinam... Em busca Sabe-se lá de quê… Maria da Encarnação Alexandre - Santarém "Para quem não me conhece" SOU EU * Sou do povo lusitano Sou europeu e latino Sou homem, já fui menino Sou um bom Alentejano Sou do mundo, sou mundano Sou mestre de sete ofícios Sou pobre, “não tenho vícios” Sou camponês por engano * Sou da Mina, sou mineiro Sou também do Alandroal Sou homem do meio rural Sou “formiga” de carreiro Sou amigo e companheiro Sou na vida, um aprendiz “Sou dono do meu nariz” Sou homem de corpo inteiro ! * Sou avô, filho e sou pai Sou casado, isso me apraz Sou adulto, não sou rapaz “Sou árvore que um dia cai” “Sou pedra p’ra quem me trai” Sou eu, heterossexual Sou como qualquer mortal Sou caminhante que vai! * Sou defensor de animais Sou amante da natureza Sou a favor da riqueza Sou hostil aos marginais Sou ídolo dos meus pais Sou do meu lar, um pilar Sou amigo, em partilhar Sou do amor, nada mais ! * Sou elo do socialismo Sou por quem trabalha a terra Sou avesso a qualquer guerra Sou contra o capitalismo Sou do tempo do fascismo Sou adepto benfiquista Sou talvez saudosista Sou de Abril , Touro, de signo! * Sou perito em gastronomia Sou bom garfo, por defeito Sou humano e imperfeito Sou fã da boa harmonia Sou amador de fotografia Sou p’la vida, multicores Sou fiel aos meus amores Sou poeta e não sabia! * Sou de fé, não sou ateu Sou devoto de São Braz Sou católico e de paz “Sou duma estrela no céu” “Sou um rio que pereceu” Sou tudo e em abstracto Sou um resumo…de facto Sou eu, apenas, …só eu! José Chilra – Elvas

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Trovador» OS POKÉMONS Está agora muito na moda Um Pokémon apanhar Andam todos na mesma roda No novo jogo a partilhar. De nariz bem empinado Para um Pokémon caçar Mas que jogo inventado Não deixa ninguém parar. Em 15Julho2016, lançado O Pokémon em Portugal Anda tudo a correr e cansado Para o Pokémon apanhar. É um jogo revolucionário Obriga as pessoas a andar Por vezes é lindo o cenário Os Pokémons a procurar. Uma realidade inventada Em criaturas ficcionais Jogos de casa, rua e estrada Com jogadas adicionais. Parece coisa maravilhada Atrai os miúdos e graúdos Joga o patrão e a empregada No jogo querem ser sortudos. Olha um Pokémon a correr Pega já no teu telemóvel Mas se o quiseres ainda ver Tens que levar o automóvel. Deodato António Paias Lagoa - PT Quadras Soltas Com Melgaço bem ao lado Minha aldeia se enraíza Para ver o seu murado, Viro as costas á Galiza… … / ... Pedias força e amor E eu ouvia sinfonia; Agora pedes calor, bem estar com harmonia. Arménio Domingues – Melgaço DESCOBRIR O SEGREDO Para descobrir o segredo Muito cuidado deve ter A rosa pica no dedo No coração, a mulher Deixo este meu parecer E falo nisto sem medo Muita experiência deve ter Para descobrir o segredo Desde sempre ouvi falar E não me canso de dizer Quem começa a namorar Muito cuidado deve ter Para colher uma rosa Deve saber o segredo Diz-se dessa flor mimosa A rosa pica no dedo Se a mulher, á rosa comparar Quem não sabe fica a saber Qualquer uma pode picar No coração, a mulher. Chico Bento - Dällikon - Suíça AMIGOS POUCOS E…BONS Os amigos devem ser bons – Isto é bem escolhidos! (De Foe) Nenhum caminho é longo demais Quando um amigo nos acompanha. (?) Amigo? ‘E real, falar d’eles muitas vezes, Porque nunca se sabe quem é essa pessoa, Que se lida há anos; será má? Será boa? É sempre bom saber algo mais d’esses “fregueses”! O “bicho” homem tem faces soberbas e soezes, Sobre isto há muita coisa que bem não soa, É preciso que a convivência tenha proa, Nem sempre os bons, ou maneiras são corteses! Cuidado, com muito zelo, muitas louvaminhas, Isso quase sempre oculta coisas daninhas, Assim como o conviver, não deve ser perto… Todos tentam abusar – Nada pior que o abuso— Uma relação amistoso não pode ser confuso, Breve põem as garras de fora é, mais que certo! Nelson Fontes Carvalho (Nelfoncar) Belverde/Amora O TEU DIÁRIO Pus-me a ler, o teu diário Para saber, do teu coração Eu que o julgava, celibatário Fiquei sem nenhuma, razão Enganou:-me a tua vida Pelo que no diário pude ler Desculpa a ideia atrevida Mas assim, fiquei a saber Que chora o teu coração Por um amor que perdeu Ficou só, e desde então Esse amor não esqueceu Amou tanto um amor Que o julgava, sempre seu Hoje recorda-o com dor Esse amor não esqueceu Não ames quem não é teu Se esse amor foi embora Seu coração, já te esqueceu E o teu por ele ainda chora a,guilhermemartins S.Salvador do Campo Trovas O amor ainda é gratuito, Mas tem de ser verdadeiro. Ele é, sim, sempre fortuito, Para quem sair do carreiro. Amor com amor se paga, Numa amizade exemplar. Assim, nunca se estraga, Deve servir pra acalentar. Por ti a minha alma sofre, És a musa que eu amo. Guardo teu amor num cofre, Agora, o teu corpo clamo! Se passas à minha porta, É como um nascer do dia! A minha alma te importa, É um momento de poesia. Jorge Vicente - Suíça

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 13 Modos de ver Sim, confesso, sou um romântico. Mas um romântico que não entende aquela poesia barata tão pobre, tão reles, tão banal, tão recheada de nada, tão abstracta, que apenas passa ou se vende com rótulo de intelectual, por entre o clamor dos louvores forjados nos bastidores. É que a verdadeira poesia alia o real à fantasia, mas deixa vogar a mente ao sabor dum sonho, dum impulso. Não alinha, simplesmente, meras palavras avulso para que o leitor, desprevenido, numa obrigação singular, lhes tente dar um sentido que não consegue alcançar. À falta de talento, medra a demagogia, e grassa a mediocridade que, para além de deselegante, é demasiado frustrante para quem gosta de poesia e a pretende com verdade. Nesta, tenta descrever-se o belo, aprende-se a apreciar o mais suave tom da melodia, no céu, o esvoaçar mais singelo, a folha que se agita na corrente de ar, o raiar do sol ao nascer do dia e, à noite, o doce encanto do luar com o seu cortejo de estrelas. Ah! Tantas, tantas coisas belas, tanta ilusão, tanto desejo, tanta palavra a definir um beijo que se manda, em pensamento, em sonho fugaz, passageiro, embalado pelo vento percorrendo o mundo inteiro. Ao longe, já se ouve um cântico de agradecimento e louvor e que se escuta com amor. Sem dúvida, sou um romântico! António Barroso - Parede Para ti, minha querida, Para que possas recordar. Não foi uma fase perdida, Na qual vivíamos para amar. JV - Suíça TROCADILHOS Trocadilhos, trocadilhos, Na Internet cirandar, Quero trocar co'os amigos, A sorrir e a folgar. E, as minhas redondilhas Da primavera, enviar, Às minhas q'ridas amigas Prò dia a dia enfeitar. Sol, azul,gorjeios, aves, Convosco trocadilhar, Mais o aroma das flores, Todo o bem compartilhar. Trocadilhos, redondilhas, Amizade a viajar Para o Sul e seus Poetas, Que vivem além do mar. Maria Fonseca - Lisboa JOLI UM COMPANHEIRO INTEIRO! De todos os animais, o homem é aquele a quem mais custa viver em rebanho ROUSSEAU Os animais são amigos tão agradáveis: não fazem perguntas, não criticam George Eliot Estimados CONFRADES: Gosto d’escrever sobre humanos sentimentos, Amigos! Amizades! Amor, em todas vertentes, Temas inesgotáveis, belos sem procedentes, Que absorve a sociedade em todos momentos! Pra variar, digo o JOLI é canito dos obedientes, É do poeta PINHAL alvo de seus pensamentos, O JOLI é o companheiro com encantamentos, Um canito doce, meigo com mimos ardentes! O JOLI tem todos requisitos necessários, Alimentação devida e...passeios diários, Ali na relva, a brincadeira é completa… Creio qu’esta cumplicidade PINHAL—JOLI, Por tanto amor e união…Vejo, descobri O JOLI no coração do PINHAL vai sair POETA! Nelson Fontes Carvalho - Belverde/Amora Voz duma criança que não nasceu Não me quiseste ver, mãe desalmada, Naquele dia trinta e um de Agosto, Em que eu já tinha, até, um lindo rosto E cabeleira bem caracolada. O coração pulsava e eu aposto Que nem sentiste a alma amargurada, Quando eu saí do ventre, escorraçada, Como um verme qualquer, por ti deposto! Se não quiseste ser a minha mãe, Mas, sim, ter o prazer de me gerar E me roubaste a Vida sem piedade… Eu não posso querer-te muito bem, Porque tu me privaste de gozar, Talvez, um lindo Céu na Eternidade! Clarisse Barata Sanches - Góis Amor (ap - Amadora) Senhor Policarpo, o que é para si o amor? -Para mim o amor é: eu e a minha Rosa Maria companheiros há sessenta anos, eu dizer: - qualquer dia morro, e ela responder: Se morreres o que fico cá a fazer? O POVO O Povo é o herói da nossa História, Num desfiar de feitos com glória, Descendente de Cruzados, De Conquistadores, De Descobridores, De Homens-Bons, De rosto anónimo, Porém imprescindível. Já não lava no rio, Já não anda de burro, Já não anda descalço, Já não é analfabeto, Já não está amordaçado. Conquistou direitos, Adquiriu visão e conhecimento, Melhorou o país com o seu esforço. Acreditou nos ideais de abril, Pugnou para que eles se cumprissem. Mas… Vê crescer as injustiças,‫٭‬ Prosperar as desonras,‫٭‬ Triunfar as nulidades,‫٭‬ A torto e a direito. Então… Começa a desanimar da virtude‫٭‬ E a questionar a honestidade. Rosa Branco - Amora _____________ ‫٭‬Referência a Rui Barbosa.

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» Enfim… um poema (a meus amigos) Neste nosso corpo em chama Habita uma fogueira maior É como a voz quando clama É como o viço quando aflora E é um grito a florescer De saudade e bem-querer E é um raio de esperança No homem e seu viver Uma flor quando alcança A razão do seu querer Uma criança a sorrir Num jardim de bem dizer Neste nosso corpo cansado Há mil vozes a gritar Há um partir só de olhar O horizonte a se perder. Jorge Humberto P.Stª Iria Azoia Quadras A morte jamais escolhe os próximos a partir. Aí, o pão ninguém o molhe que em breve podemos ir. Esta vida é como um galho; nascemos e então morremos. Depois de vir o grisalho, a Deus nós agradecemos. Estar vivo é bem sagrado, Que Deus dá ao ser humano: Nascemos com dia marcado; Morremos em certo ano! Tudo deixamos com saudade, Sem nunca saber qual destino! Dizemos adeus à amizade, Embarcamos para o Divino. Jorge Vicente - Suíça “Eu gostava de morrer Um dia no meio do mar P’ra terra não me comer E os peixes alimentar” Silvais – Alentejo O Natal dos Poetas Da infinita bondade de Jesus Dessa inefável matéria Qual substrato psíquico De insustentável leveza É que se fez a magia De que são imbuídos os Poetas. Por isso cantam o Natal Com a harmonia dos Anjos Celestes E com a alma inundada de Esperança Antevêem um mundo melhor Sem consumismo. Sem guerras nem cinismo. Onde reine a Paz Como se o Mundo fosse O tal Poema Que o Poeta faz Cheio de Bonomia Cheio de Alegria Dando ao Natal O verdadeiro sentido O ESPIRITUAL. Maria Vitória Afonso - Amora LOUCURA NA CIDADE Sou o meu sonho controverso Raios de luz em água pura Sou o vento que viaja pelo universo A chama do sol Que descansa no firmamento O pensamento que se torna ilusão Por isso meus versos são embriagados Cegos pela beleza do amor E em cada manhã com a sua origem Sem pressas Na alma onde a vida mora Esta chama que em meu corpo habita Realizo minhas quimeras Em gestos de palavras sinceras Uma sensação de um sopro divino És a bússola de meu destino Que me guia e protege Da loucura na cidade JoaKim Santos - Loures Noite de inverno Sinto a noite de inverno, seu ar frio refrigera meus pulmões, na poeira da estrada escrevo meus desejos e meus encantos, a estação passa a vida voa nas asas onduladas do vento. JORGE HUMBERTO Poeta luso que na ARGENTINA Sua poesia foi tão argentina Que mereceu honor o pelouro Ganhou medalha de ouro, Cujo (re)nome será um louro Ao seu trabalho… imorredouro! Loa a um fã de PESSOA, Poeta que mereci devida proa, Dos melhores da mesma c’roa Esquecido com poesia tão boa! Ilustre poeta, amigo JORGE HUMBERTO: Não! Não tenho a mania dos preitos, Digo o que sei, vejo: o confrade merece Escreve bem, é loquaz, a poesia que tece Deixa os amantes da Musa satisfeitos! Poetas há poucos, é dom, talvez benesse Que se tem elogiar os poemas que tem feitos, Excelentes! Dignos! Lindos, cultos, sem defeitos, Dá-lhe nome eterno que ninguém o esquece! Não exagero, nem me sinto esse experto, Pra dizer com realidade JORGE HUMBERTO; Tem classe poética, pra cobrir sua imagem… Não salvou um Lusíadas, foi um português Que ganhou Medalha d’OURO uma vez, Que de toda nação merece homenagem! Nelson Fontes Carvalho (Nelfoncar) Amora == Portugal Pantanal Isto é um pantanal… mas… do pantanal (muitas vezes) -saem as MAIS BELAS FLORES! (que nos enchem de Alegria!) confirmando que PORTUGAL -é a Pátria (dos Amores! dos Primores!) da Mãe-POESIA ! Santos Zoio – Paço de Arcos Divino Ângelo – MG/BR

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O teu retrato Quem és? Não me mintas E logo que me pressintas Diz me quem és… Serás as tuas decisões Serás os teus sonhos Serás as tuas ações Envia me o que serás, em aviõezinhos Serás tuas atitudes Serás tuas ilusões Serás o espelho das inquietudes Ou o resultado de várias missões… Um sonho só não chega Precisas mudar de estação De incoerência, de incerteza, de ilusão Chegaste junto da alfândega… Onde estás? Em que abraço Nesta hora, onde estás? Em que pedaço Quero acreditar nas minhas vontades O nevoeiro está a dissipar A lua e o sol prometem felicidades Na esperança de te voltar a encontrar O vento bate, junto da porta Leva com ele, as feridas mais profundas Ficou o que realmente importa As relações mais fecundas Carla Carvalho – Oliv. Azeméis Tentativa falhada Quis fazer um poema que falasse De carinho, de esperança, de bondade, Mas vejo neste mundo tal maldade Que não fiz nada que se aproveitasse!... Quis mentir, falar bem da Humanidade, Mas a pena, como se adivinhasse, Não queria, por muito que tentasse, Aceitar a mentira por verdade. Praticamos o mal a cada instante... O ser humano rouba, fere, mata, Sem respeito nenhum p'lo semelhante! De que serve tentar cobrir com prata Ou enfeitar com falso diamante Algo que vale menos do que lata?... Carlos Fragata - Sesimbra Confrades da Poesia - Boletim Nr 79 - Nov. / Dezembro 2016 15 «Faísca de Versos» MÃOS VAZIAS Nascemos de mãos vazias E vamos morrer da mesma forma. Porque esqueces isto? Porque pensas que as mordomias, Que são a tua norma, Te acompanharão para o além-túmulo? Por mais que tente não resisto A dizer-te que és o cúmulo Da estupidez, Que ages pior que qualquer irracional, Que roubas o teu irmão Com total desfaçatez, Que és o retrato visível do mal, Que és apenas um ladrão, Que vais à igreja não para rezar, Não para ergueres os olhos aos céus Mas para pedires ao teu deus Para a tua fortuna aumentar, Que aumente o número de pobres Para que mais gente possas explorar. És um gatuno covarde, Roubas como quem ajuda o roubado, Com o manto da bondade te cobres, Dás migalhas Àqueles a quem roubas o pão, Pertences à classe dos canalhas, Dos piores que o mundo tem criado. És tão estúpido, tão imbecil, Tão mau caracter, tão vil Que nem pensas nos teus netos A quem deixarás um planeta Apodrecido. A riqueza dos teus projectos, Tua megalomania sem sentido, Teu ouro guardado na gaveta É tudo o que te importa. Tornarás o mundo num deserto E depois de toda a terra morta Nem netos terás Para herdar-te as mordomias. Teu fim está perto Em breve partirás, Como todos, de mãos vazias. Nogueira Pardal – Verdizela Sociedade (Acróstico) São os filhos de um povo Opr imidos na madr ugada Condicionados pelo poder Intimados pela amar gur a do ser Escr utínio da pacificidade pér fida Doença afetada ao sabor do nãoter Ao míser o cidadão comum Dói-lhe a revolta escondida Em luta de uma for ça per dida… Ana Alves - Melgaço Atentado... (Poema em versos brancos) O dedo do homem Prime o gatilho... Acende o rastilho E dá-se a explosão! Há fumo... Um clarão... E o berro da bala Rasgando o azul Ecoa no tempo... Atinge e abala O canto arrastado Seco e abafado Do vento suão. Passa um segundo... Trava-se a vida... E a bela da ave Do seu voo livre Cai já sem vida Aos pés do vilão! Avermelha-se a terra Onde cresçem papoilas Dispostas em ilhas... E as flores das urzes E das tremocilhas Perfumam as asas Inertes e frias Da pobre avezinha. Gemem as plantas... Choram as árvores... Cala-se o vento... Se ensombra a charneca... E assola-me o corpo Um frio arrepio Porque ali... Mais além... Do ramo altaneiro Dum velho sobreiro Chega-me um som... Um lúgubre pio Da cria com fome Triste e sozinha Chorando no ninho A ausência da mãe. Abgalvão – Fernão Ferro CAMBADA DE LADRÕES Lei contra a corrupção? Não vê a luz do dia, não! E é bem simples a razão: A grande maioria Dos legisladores nunca votará Contra o enorme maná Do qual essa maioria Também beneficia! Este e outros problemas só têm solução Sendo o povo a fazer a revolução! Hermilo Rogério – Paivas / Amora

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