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04ECONOMIA 18 LITORAL NORTE CEARÁ 24 28 DECORAÇÃO Edição 160 | Ano XX | Setembro 2015 www.revistafacil.net | FÁCILTV - www.faciltv.tv Sumário Economia 04 Gestão 08 Business 09 Perspectivas 10 Na Visão do Consultor 12 Fazendo as contas 13 Capa 14 Litoral Norte 18 Opinião 23 Ceará 24 Sociologia 26 Cultura 27 Decoração 28 Gastronomia 30 Vinhos 34 NutriFácil 35 Moda 36 O Direito 40 Abrajet 41 Coluna PB 42 Expediente Presidente Fernando La Greca Diretora de Negócios Nilza Guerra Diretora de Produção Ana La Greca Diretor de Relacionamento de mercado José Luiz Spencer Editor de Turismo Luiz Felipe Moura Projetos Especiais Roberto Nóbrega Colaboradores de Fotos Evaldo Parreira Ivaldo Régis Roberto Souza Ademilton Barbosa Colaboradores André Dantas Bento R. P. de Albuquerque Carlota Aymar Evaldo Parreira Gilson B. Feitosa Jaques Cerqueira José Cláudio Pires de Souza Leandro Ricardo Leopoldo Albuquerque Loy Longman Luiz Felipe Moura Marcos Alencar Marco Polo Mariana Trajano Ney Anderson Roberta Monteiro Silvio Romero Rogério Almeida Cristina Lira Colaborador São Paulo Renato Cury Fone: 11 2864.1636 Revisão Josilene Corrêa Administração Rua D. Maria Vieira, 88-E - Ilha do Retiro Recife-PE - CEP 50830-020 Tel. 55 81 3039.0594 | 0596 Redação Tel. 55 81 3039.0595 | redacao@revistafacil.net Comercial Tel. 55 81 3039.0594 | comercial@revistafacil.net Projeto Gráfico e Capa Contorno Ideias e Soluções Tel. 55 81 3031.6987 | www.contornoideias.com.br Site Brando Nascimento brando.interface@gmail.com Tel. 81 9974.9492 Assinaturas Tel. 55 81 3039.0594 Auditada por Baker Tilly Brasil Ceará SUCURSAL FORTALEZA Diretor Mario Pinho Rua Coronel Manuel Albano, 900, torre V, Sl. 405 Maraponga - Fortaleza - CE Tel. 85 32 98 1506 | 85 98856 5149 OI 85 99764 4290 TIM | 11 96031 2011 OI/SP Brasília | Rio de Janeiro | São Paulo Linkey Representações e Publicidades LTD. (61) 3202-4710/ 9984-9975/ 8423-0318 linda@linkey.com.br Contato São Paulo: Maria Marquezini (11) 99701-5278 | 97284-1919 | 98288-1919 mmarquezini@linkey.com.br A Fácil Lazer e Negócios é uma publicação da EBI - Editora Brasileira de Imprensa Ltda Opinião dos colunistas não reflete a opinião da Revista Proibida a reprodução total ou parcial de matérias ou fotos sem a autorização da Revista. FÁCIL | Lazer e Negócios NE 3

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Um Brasil diferenteECONOMIA PorFernandoLaGreca|Fotos:Divulgação Na contramão da crise Setor de beleza e estética, indústria de bebidas, shoppings e fabricação de veículos mantêm crescimento e continuam investindo firme, apesar da crise econômica. Os investimen- tos somam bilhões de reais em 2015 Nem tudo está perdido. Em meio à crise econômica alimentada pelo mau desempenho dos principais indicadores da economia, desponta um Brasil que continua crescendo e mantendo investimentos. Esse Brasil é feito de empresas que adotaram estratégias bem-sucedidas para expandir seus negócios e que vão continuar a investir porque têm de atender a uma demanda dos clientes também em crescimento. A locomotiva desse País que contabiliza taxas positivas de desempenho, seja das vendas, seja da produção ou do faturamento da iniciativa privada, é conduzida pelo setor de beleza e estética, sem receio de apostar numa ascensão astronômica de 160% da atividade em 2015, depois de apurar a bolada de R$ 3,5 bilhões no ano passado, incluindo o comércio de produtos e serviços na casa do consumidor, o chamado home care. O mercado de beleza brasileiro tem chamado a atenção de diversas marcas em todo o mundo. Ele já representa 11% do mercado mundial e deve ocupar o 2º lugar em consumo nos próximos cinco anos, segundo dados do Euromonitor Internacional. Segundo o cofundador e CEO da Vaniday no Brasil, Cristiano Soares, o mercado de beleza online no Brasil ainda é muito pouco explorado. “O mercado brasileiro é enorme e ainda não há plataformas onlines estruturadas, completas e com um bom produto. O nosso País é um dos mercados com mais potencial no segmento de beleza no mundo, atrás apenas de grandes potências como EUA e Japão”, compara. Serviço de beleza- Em 2014, foram gastos com serviço de beleza no Brasil em torno de R$ 20 bilhões sendo que 20% das compras de produtos de higiene/beleza já acontece online. Ainda de acordo com Soares, “há hoje mais de 4.6 milhões de profissionais de beleza atuando no Brasil e 550 mil salões de beleza registrados, por isso existe um grande mercado para explorarmos”. Vaniday é uma plataforma online onde o consumidor, de acordo com a sua localização atual, encontra estabelecimentos de beleza e bem-estar no local desejado. A produção de bebidas é outro segmento que também torce o nariz para a crise. Em Pernambuco, o Grupo Petrópolis investiu R$ 600 milhões na fábrica de Itapissuma (Região Metropolitana 4 FÁC IL | Lazer e Negócios NE

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Cervejarias um dos setores que mais crescem no País em meio à crise do Recife) para produzir 600 milhões de litros de cerveja por ano, gerando mil empregos diretos. Ao completar um ano em operação, a unidade pernambucana comemora a participação de 20% do mercado estadual. Até o fim do ano, o Grupo Petrópolis pretende introduzir mais uma das suas 12 marcas no estado. Além da Itaipava, o grupo é dono da Crystal, Lokal, Black Princess, Petra e Weltenburger, dos energéticos TNT Energy Drink e Magneto, do isotônico Ironage, das vodkas Blue Spirit Ice e Nordka e da água mineral Petra. Por sua vez, a Ambev promete investir nos próximos dois anos mais R$ 400 milhões na ampliação de sua fábrica em Itapissuma, que hoje tem capacidade de produzir 8 milhões de hectolitros por ano. A unidade será a primeira a produzir as long necks Budweiser, Stella Artois e Skol Senses e a importar a Corona. Na unidade pernambucana já são produzidas as principais marcas da cervejaria, como Skol, Antarctica, Brahma, Guaraná Artarctica e Soda. Com a mesma estratégia de investir para sobreviver à crise, a Brasil Kirin, dona da Schin e Devassa, concluiu as obras de expansão de sua unidade industrial em Igarassu, orçadas em R$ 400 milhões e anunciou um aporte de mais R$ 500 milhões para as próximas etapas, até 2020. Crescimento- De acordo com Thobias Silva, economista-chefe da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), o crescimento da indústria cervejeira nos últimos anos, a uma média anual de 5%, deu condições para que elas continuem investindo mesmo em tempos de crise. Segundo ele, a mão de obra qualificada e de baixo custo na região, a posição estratégica no crescente mercado nordestino e a melhora da infraestrutura para distribuição também contribuem para atrair as empresas para Pernambuco, onde o setor de bebidas representa 11% da indústria de transformação. Outro atrativo importante para a instalação das fábricas de cerveja na Zona da Mata Norte de Pernambuco - notadamente Igarassu e Itapissuma - foi a existência de lençóis freáticos de qualidade, uma vez que a indústria consome quatro litros de água para cada litro de cerveja produzida. Em Minas Gerais, os fabricantes de bebidas alimentam as máquinas empenhados em planos de crescer 10% e turbinar a oferta de cervejas artesanais. No mercado mineiro, as marcas Backer e Krug Bier estão investindo R$ 7,3 milhões em equipamentos novos e na multiplicação de exemplares das queridinhas do mercado cervejeiro não só no estado, como no Rio de Janeiro e em São Paulo. Remando, da mesma forma, na contramão da crise, os supermercados mineiros vão desembolsar R$ 300 milhões em 85 novas lojas, na expectativa de aumentar a receita em pelo menos 1,5% neste ano. Cervejaria artesanal- Com alta na demanda e ingresso nos mercados do Rio de Janeiro e São Paulo, a cervejaria Krug Bier está investindo cerca de R$ 600 mil na fábrica e num espaço para eventos no pátio de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o sócio-fundador da cervejaria, Herwig Gangl, a crise sentida em outros setores transformou-se em oportunidade para a marca crescer. “O consumo de cerveja artesanal está em ascensão. Nossa produção cresceu 12% no primeiro semestre do ano e os investimentos eram necessários para otimizar a fábrica, garantir a qualidade do produto e, principalmente, atender à demanda desse potencial consumidor”, comenta. Já a cervejaria Backer investiu cerca de R$ 6,7 milhões na implantação do pátio cervejeiro no Bairro Olhos D’Água, na Região do Barreiro, que compreende a fábrica e um restaurante. A marca também prevê lançamentos de receitas artesanais da bebida. Segundo o diretor comercial e de eventos da Backer, João Roberto Pires, a empresa cresceu 15% de janeiro a junho. “Estamos nos preparando desde de outubro de 2014 com a aquisição de equipamentos para suprir a demanda. Nenhum planejamento foi adiado e nossa meta é fechar 2015 com crescimento maior que o registrado no primeiro semestre”, afirma. Setor automotivo- Também resistente aos efeitos danosos da crise, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o setor automotivo, incluindo os fabricantes de autopeças, preveem investimentos de cerca de US$ 15 bilhões no País nos próximos três anos. Levantamento da Rede de Obras – ferramenta de pesquisa e informações da e-Construmarket – mostra que 14 indústrias automobilísticas concluíram ou estão para iniciar obras de porte. Entre as novas fábricas prontas estão a FÁCIL | Lazer e Negócios NE 5

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da Toyota, em Sorocaba (SP); a da Mercedes Benz, em Juiz de Fora (MG); e a da Honda, em Sumaré (SP). Nesse cenário, o destaque fica com o polo automotivo da Fiat Chrysler, em Goiana (PE), que investiu mais de R$ 7 bilhões na produção do Jeep Renegade. Até 2016, a fábrica produzirá mais dois modelos que sairão da mesma plataforma, mas há capacidade para trabalhar com até quatro plataformas distintas. Uma das novidades será a nova picape média da Fiat (que chega em outubro, conforme Autoesporte adiantou), além do sucessor do Jeep Compass. Para desenvolver estes novos projetos, a fábrica contratará 500 novos engenheiros até dezembro deste ano. Nessa mesma trilha de crescimento, os shoppings brasileiros atravessaram mais um ano de crescimento acima do comércio varejista e da inflação, em 2014. Para este ano, a expectativa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) para o setor em 2015 é de 8,5% de crescimento. Até dezembro, serão inaugurados mais 26 desses centros de compras, 16 dos quais em cidades que não são capitais. A estimativa de investimento total nesses projetos, incluindo novos shoppings e expansões é de cerca de R$ 16 bilhões, sendo que 48% estarão concentrados na região Sudeste. O Nordeste ocupa o segundo lugar, com 24% desses investimentos, seguido pelas regiões Norte (16%), Sul (7%) e Centro-Oeste (5%). Mercado aquecido Apesar da crise econômica, alguns setores divulgaram dados positivos sobre o último semestre em relação a 2014. Notícias boas que raramente ganham destaque na mídia tradicional, mais interessada em amplificar o cenário de crise. Vejamos alguns sinais de recuperação da crise. Dona de um faturamento de R$ 7 bilhões anuais, a Riachuelo deverá abrir mais 40 lojas até o final do ano, já a Grendene teve aumento no lucro de 32,4% no primeiro semestre, atingindo R$ 223,7 milhões, segundo balanço divulgado no dia 24 de julho. Cinemas, viagens aéreas e hotéis também tiveram bom desempenho. O semestre contabilizou o maior crescimento do setor de cinemas, com aumento de 5% no público e 12,5% na bilheteria. As viagens de avião pelo País tiveram alta de 3,8% e as viagens internacionais tiveram um aumento ainda mais expressivo: de 13,1%, segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear). As empresas avaliadas no levantamento são Tam, Gol, Avianca e Azul. No ramo de hotéis, a rede executiva Pullman, do grupo Accor Hotels, comemorou saldo positivo nos registros do último semestre. O setor industrial, um dos mais afetados pela crise, também vem dando sinais de recuperação. Segundo relatório da FGV, a confiança dos empresários da indústria no Brasil teve a primeira alta em cinco meses, com crescimento de 0,6%. No Mato Grosso do Sul, a federação das indústrias do estado (Fiems) informou que irá investir R$ 34 bilhões em 10 municípios do estado, com ampliação das indústrias de celulose. E, apesar da má fase do setor automotivo, as montadoras não planejam desacelerar os investimentos. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os planos de negócios da Ford e da FCA (Ford Chrysler Automobile) estão garantidos até 2016. Como sobreviver à crise Quando empreendeu pela primeira vez, aos 22 anos, Francisco Valim criou um CRM e um marketplace – termos que ninguém nem sabia o que significavam – para venda de arroz a granel. Ex-CEO de empresas como Oi, Net e Serasa Experian, Francisco Valim, hoje investe seus recursos na missão de ajudar outras empresas a crescer e acredita que a crise nada tem a ver com isso. Sócio-fundador do Bambuza Capital, Valim participou de um webinar realizado pela Endeavor em formato de mentoria coletiva, compartilhando experiências e respondendo diversas perguntas do público, ao vivo. Otimista, Valim trouxe visões interessantíssimas sobre a crise e deu dicas de como desenvolver uma estratégia de crescimento, independentemente do momento do País. Vindo de um executivo que já enfrentou inflação de 100% ao mês e implementou grandes reestruturações no mundo corporativo, é garantido encontrar conselhos bastante valiosos. Confira, a seguir, as quatro dicas para vencer a crise: 1. Evite trazer a crise para dentro da empresa “O Brasil tem complexidades que em outros lugares já estão mais bem resolvidas. Apesar disso, tenho visto número e qualidade evoluindo – há um novo fluxo de empresas querendo entrar no mercado. Hoje, tem uma vantagem em se trabalhar com startup: não tem crise. A conversa é diferente da de empresas grandes. O que você escuta é “quero crescer 200% esse ano”, e ninguém se preocupa quanto está o dólar. Se a gente parar para discutir a crise, a gente desiste. É algo que eu sempre evitei. Como empreendedor, você não gere variáveis macroeconômicas, você gere um grupo de pessoas. É saudável participar da discussão da crise, mas não levá-la para a empresa”. 2. Aproveite o potencial brasileiro de baixa competitividade “Ainda existe oportunidade de crescimento no Brasil em muitas áreas, além de que temos uma classe média muito robusta. As empresas grandes não conseguem resolver alguns problemas que uma empresa pequena pode resolver. Em empresa menor, 6 FÁC IL | Lazer e Negócios NE

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você tem muito mais flexibilidade, principalmente em termos de receita. É possível pegar uma avenida menos movimentada. No ecossistema empreendedor americano, por exemplo, seria muito mais difícil se diferenciar. Aqui, há um menor contingente de pessoas tentando atingir os mesmos mercados”. 3. Riscos existem sempre, priorize a alocação de recursos “Os riscos não necessariamente são agravados em um momento de crise. O empreendedor só tem que se preocupar com uma coisa: não ter caixa. É a única coisa que mata a empresa. Você pensa: ‘tenho caixa pra passar qualquer momento de aperto? Beleza. Talvez então eu tenha que crescer ou contratar menos, ser mais espartano nos investimentos, mas não preciso parar de crescer’. É impossível encolher a empresa para a grandeza. De forma bem básica, estratégia é alocação de recursos: gente e dinheiro. É preciso estabelecer objetivos para as pessoas, com recursos financeiros alocados para isso. Se der errado, tem aqui guardado pra um outro investimento”. 4. Fomente uma cultura de atenção às pessoas e inovação “Na minha carreira, sendo formado em finanças, a maior dificuldade foi sair da posição de analista para gerente de planejamento. Eu deixei de ser um cara técnico para gerir caras como eu. Era um exercício muito difícil, mas só tinha um jeito de eu crescer na carreira: ter alguém que pudesse me substituir eventualmente. Qualquer chefe tem uma limitação: são as 24 horas do dia. Se ele quer tomar todas as decisões, não dá certo. Se ele consegue fazer com que outros tomem decisões e aceita conviver com erros, ele cresce. Isso porque para não cometer erros, o funcionário se esconde em um canto: não corre risco e a empresa fica estagnada. A criação de uma cultura organizacional que permite a inovação é um processo constante. Quanto mais as pessoas sabem o que é esperado delas, mais eficiente é o processo. Você precisa deixar tudo bem transparente. A pessoa se sente ‘autorizada’ a correr riscos. Se ele erra, a pergunta deve ser ‘ok, erramos, o que vamos fazer agora?’. Se você fala ‘seu burro, por que não conseguiu?’, já era – da próxima vez, ele não tenta”. “Empreender é: ter sucesso com aqueles que atuam junto de você” Valim finaliza a mentoria coletiva com bastante inspiração e compartilha uma lição tirada de sua própria trajetória: “O que me motivou sempre foi a capacidade de fazer a diferença em um determinado lugar. Você está, você não é. Quando você deixa de ser (o executivo, por exemplo), aquele seu contato não te liga mais, não está nem aí pra você”. Quando absorveu isso, disse ter se dado conta de que se ele está em uma posição específica, não é por todos os benefícios materiais, e sim por uma missão. E complementa: “Quando você chega em uma etapa da carreira que você encontra uma oportunidade de fazer muita diferença, você vai. Nós, no Bambuza, dependemos exclusivamente do crescimento dos empreendedores em que investimos. Eu tive oportunidade de aprender muito e muita gente me ajudou nesse processo. Quero dar certo junto com as pessoas e devolver um pouco à sociedade”. FÁCIL | Lazer e Negócios NE 7

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GESTÃO Por Jaques Cerqueira jaquescerqueira@gmail.com Fotos: Divulgação Cimento Brennand 363 O Grupo Ricardo Brennand deu início às operações da primeira fábrica do Cimento Nacional no Nordeste. Com investimentos da ordem de R$ 700 milhões, a nova unidade fica localizada em Pitimbu, litoral sul da Paraíba. A expectativa é produzir 1,5 milhão de toneladas de cimento por ano, para atender os Estados da região, com foco em Pernambuco e na própria Paraíba. Investimentos da Ambev Indiferente à crise econômica, a Ambev vai investir R$ 400 milhões na expansão de sua cervejaria em Itapissuma, Região Metropolitana do Recife. A unidade será a primeira do Nordeste a produzir o portfólio da nova linha Long Neck da cervejaria, que reúne Budweiser, Stella Artois e Skol Senses. A distribuição dos produtos para toda a região “O Brasil precisa convergir para um superávit primário de 2% do PIB para manter estabilidade fiscal” Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa será feita a partir de Pernambuco. Taxação de bancos A Câmara dos Deputados aprovou no início de setembro medida provisória que aumen- ta a alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições fi- nanceiras de 15% para 20%. A medida, que integra o pacto de ajuste fiscal do governo, vale para bancos, seguradoras, administra- doras de cartões de crédito, corretoras de câmbio, entre outras instituições. Cbarinsceoasumenta lucro dos Em um cenário de juros altos e crise econômica, os principais bancos do País têm registrado aumento no seu lucro nos primeiros meses deste ano. O Bradesco encerrou o primeiro trimestre de 2015 com lucro líquido contábil de R$ 4,24 bilhões, um crescimento de 6,3% com relação ao resultado do quarto trimestre de 2014 e de 23,3% frente ao mesmo período do ano anterior. Já o Banco do Brasil teve lucro líquido de R$ 5,81 bilhões no primeiro trimestre, alta de 117,3% ante igual período de 2014. O lucro do Itaú-Unibanco foi de R$ 4,41 bilhões no primeiro trimestre deste ano - crescimento de 27,3% sobre os R$ 3,472 bilhões do primeiro trimestre de 2013. Pesquisa da BBC Brasil revela que, apesar da desaceleração econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 – mais que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%). Agiota envergonhado Reportagem publicada recentemente nas páginas de Economia do “The New York Times” diz que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”. O jornal americano citou os juros cobrados pelos cartões de crédito em mais de 240% ao ano e de 100% cobrados pelos empréstimos bancários. Sem falar nas tarifas bancárias. Reforço da Arno Líder mundial no mercado de eletroportáteis, tendo em seu portfólio 18 marcas, entre elas Arno, Clock, Panex, Rochedo e T-Fal, o Groupe SEB inaugurou uma fábrica em Jaboatão dos Guararapes, com capacidade de produzir 2 milhões de unidades ao ano, ampliando em 112% a produção local, o que contribuirá para o reforço na presença da marca Arno no País, especialmente no Nordeste. Móveis em Bezerros 1 Com investimentos da ordem de R$ 25 milhões, o Grupo Herval anuncia a inauguração de sua planta em Bezerros, no Agreste pernambucano. Fundado em 1959, o grupo gaúcho atua na fabricação de móveis, colchões e produção de espuma. A nova unidade industrial, que ocupa 35 mil metros quadrados de área construída, vai gerar 724 empregos diretos e mais 150 indiretos na região. Móveis em Bezerros 2 A Herval Nordeste, nome da nova unidade fabril, será a primeira do grupo fora do Rio Grande do Sul e tem como foco a fabricação de móveis de madeira. Para viabilizar a fábrica, o Estado garantiu a infraestrutura, sobretudo na questão de energia elétrica e do abastecimento de água. Mais um investimento de peso na economia de Pernambuco, em tempos de crise. 8 FÁC IL | Lazer e Negócios NE

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BUSINESS Por Leopoldo de Albuquerque Presidente da ADVB-PE e Instituto Smart City Business América rAecqiuêenrcia paciência! Ciência, palavra derivada do termo latim scientia, cujo significado era conhecimento ou saber. Refere-se, no sentido estrito da palavra, ao sistema de adquirir conhecimento através de um método científico. No Brasil, apesar de termos avançado muito em ciência aplicada, ainda estamos muito longe dos Países de primeiro mundo (e de alguns de “segundo” mundo, também). Nossa índole cultural é um tanto quanto arredia a métodos científicos, disciplina, administração do tempo e tudo mais que se pareça com o perfil de um alemão, inglês ou japonês, pois é muito sério e formal para se harmonizar com a alegria e a criatividade do povo brasileiro, características que tanto nos enchem de orgulho. Aliás, me permitindo uma rápida digressão, a criatividade está realmente no cerne da índole brasileira. Como explicar, por exemplo, a artimanha contábil do governo brasileiro, que ficou conhecida como criatividade contábil ? Nunca antes na história desse planeta, alguém teve uma ideia tão criativa para tornar algo tão sisudo, como a contabilidade, em brincadeira de criança. Mas voltando à questão, gostaria de fazer um paralelo com a administração pública brasileira, lugar onde a ciência não tem qualquer chance de convivência, é rejeitada e até vista como inimiga. Sim, inimiga! Abordagens e conceitos científicos; uso de tecnologias, técnicas e processos avançados; e tudo que possa dar transparência, produtividade, controle e eficiência ao serviço público, não são bem vistas pelo estamento burocrático brasileiro. A ideia é a de que quanto mais complicado e fora de controle, melhor! Claro, isso não é uma exclusividade brasileira, existem em várias partes do mundo. Na verdade, é uma característica humana, especialmente na questão da falta de transparência, pois ninguém deseja ser transparente, nem nas atividades profissionais e tampouco na pessoal. Podemos identificar claramente esses aspectos na legislação contraproducente que regula e dita tudo em nossa vida. Quer seja em nossas demandas como cidadãos ou as empresariais, vivemos num emaranhado de leis tolas, burocráticas e, na maioria das vezes, sem sentido, que atrapalham, geram custos e emperram o andamento das coisas. Para citar um exemplo, dentre milhões: o Brasil tem devidamente regulamentada a certificação digital. Ora, o que é um certificado digital senão algo que garante que a assinatura (eletrônica) é sua e que ninguém está fingindo se passar por você? Ela é muito mais eficiente e segura que uma assinatura reconhecida em cartório (que pode passar inadvertidamente, por ser bem falsificada, ou deliberadamente reconhecida por um funcionário corrupto). Então se é assim, por que a Receita Federal exige um documento em papel, com firma reconhecida, para que um procurador possa representá-lo numa determinada consulta pessoal? Por que ainda existe reconhecimento de firma nos cartórios, aquele carimbo ridículo com um selo reluzente que custa caro, se já existe uma alternativa digital tão eficiente, rápida, barata e sem a interferência humana? Ih!, acho que sem querer encontrei, nas palavras grifadas da própria pergunta, algumas justificativas bem esclarecedoras. O fato é que estamos bem longe de ver uma mudança concreta que permita um avanço mais rápido da utilização das tecnologias e das técnicas e processos científicos em todas as atividades humanas, inclusive na gestão pública. Sempre desejamos que tudo se resolva em nossa geração, mas tal qual a ciência, as mudanças ocorrem em processo de melhoria contínua, um degrau após outro, e cabe aos nossos descendentes continuar a transformação, até que tudo se torne velho novamente e exija mudanças. A única coisa que podemos ter certeza é a de que o novo sempre prevalecerá sobre o antigo e isso não é ruim, só precisamos entender, aceitar e aproveitar o que vier de bom. E sempre vem. FÁCIL | Lazer e Negócios NE 9

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PERSPECTIVA Por Equipe de Redação | Fotos: Divulgação Crise econômica Xô, pessimismo! Um dos fatores agravantes em qualquer crise é o pessimismo dos atores envolvidos. No caso da crise econômica que castiga o País, esses atores são a população brasileira. E aí, uma boa notícia: o nível de pessimismo do brasileiro em relação à economia caiu. É o que revela pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, divulgada dia 26 de agosto. O levantamento mostra que essa queda está relacionada à melhora nas projeções sobre o comportamento dos preços. Afinal, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), sondagem elaborada pela CNI, subiu 1% em agosto na comparação com julho. O índice atingiu 98,9 pontos. Foi o segundo mês consecutivo de alta no indicador. Portanto, há uma luz no fim do túnel. 10 FÁC IL | Lazer e Negócios NE

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A sondagem ressalta que, mesmo com os dois aumentos, o Inec está 10,2% abaixo da média histórica, que é 110,1 pontos, e 8,7% inferior ao registrado em agosto do ano passado. Isso significa que a população continua pessimista, mas com menor intensidade. Em agosto, o índice de expectativas em relação à inflação aumentou 4,2% na comparação com julho. De acordo com a metodologia da pesquisa, a elevação do indicador mostra que cresceu número de pessoas que espera a queda da inflação. “Apesar da melhora do índice, a desconfiança com relação à evolução da inflação nos próximos seis meses permanece, pois o índice mantém-se 11% abaixo da média histórica”, informa a CNI. As expectativas em relação ao desemprego, à renda pessoal e ao endividamento ficaram praticamente estáveis em relação a julho e continuam abaixo do registrado no ano passado. Mas os consumidores estão mais dispostos a ir às compras. O indicador de expectativas em relação às compras de maior valor aumentou 1,2% em relação a julho. Atento à questão, o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Luiz Moan, disse durante o 1º Encontro Estratégico das Lideranças do Setor Automotivo, em São Paulo, que “a crise de pessimismo é um crime contra o País e, se deixarmos nos envolver, vamos desenvolvendo o mal-estar e o clima de pessimismo”. Na avaliação de Moan, para superar a crise econômica atual é preciso ter primeiro “visão de futuro” e depois, de “médio e curto prazo”. Segundo ele, para o futuro, seria necessário considerar que o Brasil ainda tem uma taxa de motorização baixa, quando comparada à de outros Países, o que significa um potencial alto de crescimento. “Acredito que, a partir do segundo semestre do ano que vem, o País retomará o nível de crescimento mais alto e sustentável”, acrescentou. A sugestão da Anfavea é a de que o núcleo que envolve o setor automotivo tenha reuniões periódicas, para dar continuidade a um trabalho que não funcione só nas crises. Para o presidente da Associação Brasileira de Consórcios (Abac), Paulo Roberto Rossi, um dos desafios para o setor é a dificuldade atual do consumidor em assumir compromissos financeiros de médio e longo prazo. “Este é um momento de confiança abalada. Paralelo a isso, temos a dificuldade de manter o setor produtivo e de ter o consórcio como ferramenta de venda futura. Seria importante que o consórcio fosse considerado como estratégia comercial de todos os participantes da indústria automobilística”. Rossi ressaltou que a solução para a crise é a mudança de comportamento do consumidor e do setor produtivo. “Não é fácil, mas confiamos que unidos poderemos fazer acontecer. A Abac seguirá estimulando programas de educação financeira por meio de ações de divulgação da modalidade de consórcio, focando sobretudo em suas características básicas: autofinanciamento, custos mais baixos e planejamento financeiro”. O diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Leandro Vilain, destacou que os bancos mantêm um compromisso firme com o setor, e que a legislação vem contribuindo para evitar a inadimplência. Para ele, é preciso unir esforços para preservar os empregos no setor, mas é preciso, também, melhorar os mecanismos de localização do bem retomado. “A Febraban trabalhará nos próximos meses em uma proposta a ser apresentada à Fenabrave e à Fenauto para aumentarmos a eficiência nesse processo, e repassarmos esses ganhos para o setor. Hoje, o processo de Diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Leandro Vilain “A Febraban trabalhará nos próximos meses em uma proposta a ser apresentada à Fenabrave e à Fenauto para aumentar- mos a eficiência” localização do veículo é ineficiente, gerando perda da garantia do empréstimo e aumento dos custos da inadimplência”. O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção, ressaltou que os principais desafios na avaliação da entidade é o cenário político e econômico, o PIB negativo, as crises de água e de energia elétrica, o abalo no índice de confiança dos consumidores e investidores, o aumento do desemprego e endividamento, a inflação alta. “Além disso, há a retração na oferta de crédito, o automóvel visto como vilão da mobilidade urbana. O País precisa realizar ajuste fiscal, e retomar a estabilidade política e econômica”. Na avaliação do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, é preciso reconhecer que a crise une as entidades, que todas estão no mesmo barco e não querem que afunde. “É uma oportunidade de todos remarem juntos para uma solução comum, para a soma de pequenas soluções para tirar este setor da situação atual”. Falta somente a população assumir esse mesmo comportamento de união para superar as dificuldades da economia. FÁCIL | Lazer e Negócios NE 11

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NA VISÃO DO CONSULTOR Por Bento R. P. de Albuquerque Consultor, professor e Vice-diretor da Faculdade de Administração da Universidade de Pernambuco. bento@jbconsultores.com.br O ESFORÇO CONTINUADO NA RECICLAGEM DO LIXO Ainda tenho em meus arquivos uma das primeiras reportagens sobre a reciclagem do lixo que foi publicada pela revista Exame em outubro de 1992, destacando o fato de que, durante muito tempo, as empresas ganharam dinheiro sem se preocupar com as questões de sustentabilidade e de agressão ao meioambiente. A revista afirmava, de maneira aparentemente futurológica, que garimpar montanhas de lixo seria uma atividade extrativa bastante lucrativa a partir daquela década de 90 para quem se interessasse por ela. Alumínio, vidro, plástico, madeira, ferro, cobre, tecidos, papel e outros materiais recicláveis que eram jogados e esquecidos nos aterros sanitários, já estariam atraindo grandes investimentos de empresas em projetos para seu reaproveitamento. A revista tentava demonstrar, naquela oportunidade, a iniciativa de algumas empresas em seguir o exemplo dos grandes grupos internacionais no desenvolvimento de programas de proteção ambiental, apesar do atraso de mais de 20 anos, publicando depoimentos de executivos de importantes grupos empresariais já envolvidos com programas de reciclagem e todos se mostravam bastante otimistas com o sucesso dessa atividade, colocando-a num patamar de ação de responsabilidade social diretamente ligada às questões de sustentabilidade econômica, social e ambiental. E o que mais me chamou a atenção naquela oportunidade foi a afirmativa de alguns executivos de que suas empresas estariam investindo não somente no recolhimento e na garimpagem das montanhas de lixos dos aterros sanitários, que ainda é um fato concreto em nossas grandes cidades, apesar do tempo transcorrido e de que este tipo de aterro ter sido considerado como um método primário e rudimentar para armazenagem de lixo, mas também no desenvolvimento de novos processos industriais para reaproveitamento de resíduos recicláveis. Durante décadas, prefeituras de inúmeras cidades em nosso País implantaram programas incentivando as atividades de reciclagem de lixo absorvendo a mão de obra disponível entre cidadãos favelados e marginalizados que passaram a ser direcionados para o esforço de garimpagem, coleta e seleção do lixo nos aterros sanitários. O material recolhido era levado para as usinas de reciclagem, recebendo em troca vales-transportes, alimentos e outros tipos de remuneração indireta. E as usinas de reciclagem também ofereciam emprego para essa população marginal, mãodeobra cada vez mais abundante e barata em nosso País. Além disso, várias cidades passaram a ser limpas por adolescentes que estariam perambulando por parques e ruas se não estivessem ocupando suas manhãs na garimpagem de lixo reciclável e suas tardes nas escolas mantidas pelos municípios. Tudo isto me levava a crer que as prefeituras não teriam interesse em levar projetos deste tipo por muito tempo, pois muito mais importante seria conscientizar e educar a população para a prévia seleção e classificação do seu próprio lixo. Mas a garimpagem de lixo ainda me parece bastante influenciada pelos pensamentos do arquiteto Jaime Lerner, três vezes prefeito da cidade de Curitiba, cidade pioneira em programas de recilclagem de lixo, cujos princípios básicos foram destacados pela revista internacional Landscape Architecture em edição de fevereiro de 1993, de que, no Brasil e nos Países subdesenvolvidos, as favelas, hoje chamadas de comunidades, se transformam nas fronteiras do meio-ambiente e do equilíbrio ecológico. Lerner também afirmava que o maior poluidor das paisagens de uma cidade eram as grandes concentrações de alta densidade populacional, criadas pela excessiva verticalização das moradias e pela construção exagerada de edifícios em áreas de alto valor imobiliário, justamente os grandes núcleos geradores de lixo reciclável garimpado pelos moradores dessas favelas. E estes princípios ainda são extremamente válidos em nosso País. A conexão da pobreza com a desnutrição do meioambiente é, inclusive, destacada por H. Jeffrey Leonard em sua obra “Meio-Ambiente e Pobreza”. Neste trabalho ele demonstra que fatores importantes como o rápido crescimento populacional, a distribuição desigual da terra, a modernização agrícola em áreas de grande potencial e o acesso limitado de população rural a terras produtivas são os grandes causadores das migrações e do surgimento das grandes favelas nas áreas urbanas, cujas famílias na sua maioria chefiadas por mulheres, ainda são aproveitadas como garimpeiros do lixo acumulado nos aterros. Nos dias atuais, os problemas relacionados com os programas de reciclagem não são as únicas preocupações das empresas e dos governos com relação a conservação do meio-ambiente. Problemas muito maiores estão relacionados, por exemplo, com a fabricação de produtos industriais e de consumo utilizados na limpeza e conservação de ambientes. Por não serem biodegradáveis são grandes poluidores dos recursos hídricos do nosso planeta. Outros produtos também continuam sendo a grande preocupação das indústrias, dos governos e da toda a sociedade, como termômetros, termostatos, instrumentos científicos e inúmeros outros aparelhos que utilizam o mercúrio como componente. Há também o lixo hospitalar, gerando grande preocupação em virtude de conduzir vírus de doenças infectocontagiosas. E isto para não falar do lixo radioativo gerado nas usinas nucleares e centros de pesquisas atômicas. Onde colocar tudo isto está sendo um grande problema para os Países desenvolvidos. Exportar este tipo de lixo para Países subdesenvolvidos, como continua sendo feito há algumas décadas, pode ser uma solução viável, mesmo que se tenha de pagar aos governos dos Países que aceitam guardar em seu solo este tipo de resíduo altamente poluidor. Há ainda o problema das carcaças de pneus, mesmo que alguns Países já tenham encontrado soluções alternativas, como triturá-los e misturá-los com o asfalto utilizado na pavimentação de ruas e avenidas. O fato é que a reciclagem de lixo e resíduos continua sendo um grande problema nas questões relacionadas com a sustentabilidade ambiental, social e econômica das empresas e da grande maioria das nações do mundo. 12 FÁC IL | Lazer e Negócios NE

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FAZENDO AS CONTAS Por Vitória Cordeiro Advogada e Contabilista O FANTASMA DA CMPF VOLTA A ASSOMBRAR Desde as eleições, em Outubro de 2014, já era possível perceber certos boatos quanto uma possível volta da CPMF. Essa tão temida sigla representava uma contribuição devida sobre movimentações financeiras, incidente desde um simples depósito a operações mais complexas. Definitivamente extinta em 2007, depois de oito anos, e vivenciando o furor de uma crise econômica, seu fantasma volta a assombrar. Na verdade, há muito o Congresso Nacional, juntamente com o governo, vem discutindo possibilidades para a reinserção do tributo. Tecnicamente, o debate surgiu através da discussão da regulamentação da Emenda Constitucional n.º 29/2000, a qual alterou a Constituição Federal (Lei Maior do nosso País) para assegurar recursos mínimos para o financiamento das ações e serviços públicos da área da saúde. O Poder Executivo, por sua vez, já havia se manifestado no sentido de que não teria orçamento para financiar os valores que seriam destinados à saúde, e transferiu a responsabilidade ao Congresso Nacional para indicar qual seria a nova forma de receita para custear a Emenda. A discussão vem se arrastando há anos, sendo rejeitada aqui acolá pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Entretanto, voltou com maior intensidade a partir dos rumores levantados pelo governo em relação à possível volta da CPMF, a fim de amenizar o rombo das contas públicas, o que, de pronto, já vem sendo rechaçado por membros do Legislativo, inclusive também pelo Vice-Presidente Michel Temer. Acredita-se que a repercussão negativa tenha sido determinante para retirar a recriação da CPMF da proposta orçamentária de 2016, já com déficit, apresentada no último mês. A crise fiscal que paira sobre o Brasil, infelizmente, não sugere outras medidas, em curto prazo, para reinjetar recursos e amenizar o impacto econômico do endividamento público: aumento de tributos. Nesse caso, criação. Ou recriação. O que parece esquecer o governo é que a conta precisa fechar. A elevação da carga tributária, por si só, não é suficiente para fazer pagar as contas do governo, sendo medida de extrema urgência um corte substancial nas despesas públicas. Não dá pra ficar tentando tampar o sol com a peneira. A reforma tributária que tanto se exige, só será viável a partir da realização de uma eficiente reforma orçamentária, com a reorganização das despesas públicas. Nos termos da linguagem popular, não adianta encher o balde se não se sabe onde está o vazamento. Logo, o aumento da carga tributária, sem uma efetiva destinação da receita dela oriunda, quando não balizada em uma proposta orçamentária mais justa e calcada na realidade econômica do nosso País, é suicídio pátrio. Na qualidade de pagador de impostos, os brasileiros estão saturados de tanto ver corrupção, má gestão dos gastos e um sistema público ineficaz de saúde, educação e segurança. Essa farra do dinheiro público é à custa do suor do trabalhador honesto, do empreendedor idealizador, daqueles que, de fato, constroem a riqueza do Brasil. A quantidade de tributos que assolam os cidadãos brasileiros, sem a correspondente contrapartida em serviços públicos, aliado aos escândalos de corrupção, às gastanças e má gestão pública, acabam por minar a confiança do povo em relação ao seu governo. Ninguém quer pagar um centavo a mais para o governo, sabendo da incerteza para onde esse dinheiro está sendo destinado. Aumentar a carga tributária, em certos limites, só provoca a redução da arrecadação, pela perda da confiança e o desestímulo à produção. Por isso, é que qualquer aumento é intensamente repugnado, não sem razões. Uma reforma tributária eficiente deve partir de uma atitude mais transparente do governo, uma combate mais agressivo aos escândalos de corrupção e, principalmente, a uma efetiva reforma orçamentária, devidamente calcada na realidade econômica do País. Não dá pra sair aumentando a carga tributária como se fosse a solução de todos os problemas. O povo brasileiro não aguenta mais. cpmf FÁCIL | Lazer e Negócios NE 13

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CAPA Por Equipe de Redação | Fotos: Divulgação Saída é investir no turismo A crise econômica tem jeito. E uma das saídas é o investimento no turismo. A afirmação é do secretário-geral da Fundação Comissão de Turismo Integrado do Nordeste (CTI-Nordeste), Roberto Pereira. Para ele, sem investimento o turismo não acontece, não prospera. “O ministro Henrique Alves, que vem se destacando por suas posições assumidas em defesa da chamada “indústria sem chaminé”, sabe dos benefícios econômicos e sociais gerados pelo turismo que é uma atividade de extensa cadeia produtiva, e de resposta rápida às incursões feitas quando dos investimentos realizados mediante políticas públicas”, argumentou Roberto Pereira. Com razão, a Organização Mundial do Turismo (OMT), nos seus barômetros, tem destacado o crescimento do setor a cada ano, bem como o fato marcante de que, a cada 11 empregos no mundo, um pertence à seara do turismo. “Esses números revelam e retratam a importância do turismo, inclusive para ajudar o País, mesmo em crise, para se reorganizar economicamente, reorganizar-se até encontrar o seu equilíbrio financeiro”, explicou. Apesar dos tempos de desemprego e dinheiro curto para o trabalhador, a CTI/NE acredita num aumento da demanda de turista vindos de Países estrangeiros. “As Olimpíadas, em 2016, no Rio de Janeiro, deverão gerar turistas aos estados brasileiros, nota- damente entre os do Nordeste, porque despertamos, aos olhos dos visitantes, a cobiça em conhecer as belezas naturais de nossa Região e vivenciar a nossa rica e diversificada cultura”, acentuou. BNTM- Roberto Pereira também lembrou que em nosso nível, a CTI Nordeste realizou em maio, em Fortaleza (CE), a 24ª edição da Brazil National Tourism Mart - BNTM, cujo objeto foi o fomento do turismo junto aos buyers (operadores) estrangeiros e, também, nacionais, e que sempre promovem a demanda turística para o Nordeste brasileiro. “Além disso, realizamos em agosto, em parceria com a Braztoa, o projeto Turismo Week Nordeste, que objetivou a venda de produtos e destinos turísticos, num enlace entre os operadores da Braztoa e os operadores, agentes de viagens e hoteleiros do Nordeste”, afirmou. Como resultado dessa iniciativa da presidente da Fundação CTI Nordeste, Jeanine Pires, foram vendidos mais de mil pacotes, revelando o êxito do Turismo Week Nordeste, o que mostra que com sua experiência e prestígio conseguiu viabilizar esta ação com a Braztoa. Pelos cálculos do ministro do Turismo, há no País cerca de 130 milhões de pessoas com potencial para consumir viagens, no en- 14 FÁC IL | Lazer e Negócios NE

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tanto, apenas 62 milhões de pessoas são viajantes ativos. Ou seja, há 70 milhões de pessoas que podem incluir o Turismo na sua cesta de consumo e que o Ministério do Turismo vai trabalhar para buscá-los. Nessa mesma linha, o Ministério do Turismo realizou pesquisa que revela o fato alvissareiro de que 73% dos brasileiros manifestaram a intenção de viajar pelo Brasil, sendo que, deste total, 47% expressaram o desejo de viajar pelo Nordeste brasileiro. Naturalmente que, entre a intenção e a concretização vai uma distância grande. Importante dizer também que o cenário econômico do Brasil mudou muito, mas o lazer e o entretenimento sempre ocupam espaço nas vontades-desejos dos que têm “olhos de ver” e coração de sentir. “O Nordeste é um cometimento espiritual, um mundo à parte e que se presta bem ao descanso e aos divertimentos, às alegrias dos turistas que se revigoram com as nossas paisagens, o sol e o mar, a arte e a gastronomia, enfim a cultura regional”, exalta Roberto Pereira. Trabalho do Ministério- O secretário-geral da CTI Nordeste tem destacado “o meritório trabalho do Ministério do Turismo e o da Embratur, dando-lhes o mérito das ações realizadas com zelo e profissionalismo, incansavelmente na busca do turista, sempre difundindo a imagem dos destinos brasileiros com o brilho a que fazem jus”. Um ponto a ser salientado é o das feiras e eventos ligados ao turismo. Os estados nordestinos costumam vivenciar as principais feiras e têm por costume tornar essa participação exitosa, seja na promoção institucional, seja no potencial que se abre à comercialização dos produtos e destinos turísticos. Recentemente o presidente da Abav nacional, Antônio Azevedo, um dos ícones do turismo nacional, enfatizou a importância das feiras para o desenvolvimento dos agentes de viagens e do setor como um todo. “Concordamos com o pensamento de Antônio Azevedo, a começar pela Feira das Américas que a Abav realiza sempre com muito sucesso. A Feira da Abav como até hoje é chamada reúne em torno de si um enorme universo de expositores e visitantes, transformando-se num mundo a receber profissionais de todos os recantos deste nosso planeta. Participar da Feira das Américas é um prazer e um dever”, comentou Roberto Pereira. Aviesp - Entre outras feiras realizadas no Brasil e nos Países de maior demanda para o Brasil. Por isso, quando das mais importantes à divulgação do Nordeste, os estados e os municípios de interesses turísticos, ênfase para as capitais, comparecem e participam de forma cada vez mais profissional. Por sua vez, o presidente da Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp), Marcelo Matera, outro ícone do turismo brasileiro, afirmou recentemente ser o turismo mais forte do que a crise, reiterando, inclusi- Robero Pereira - secretário-geral da CTI Nordeste ve a contribuição do interior paulista espécie de mola propulsora da economia nacional. “Nós nos alinhamos a este pensamento, tanto porque temos a compreensão de que o turismo tem musculatura para vencer a crise, quanto porque o interior de São Paulo tem de fato essa força propulsora, seguido por outros destinos de adensada atratividade, como é o caso do Nordeste, que está, no Plano Aquarela da Embratur, como um dos cinco destinos de maior cobiça do turismo nacional e internacional”, comparou o secretário-geral da CTI-Nordeste. Reconhecimento - Na avaliação de Roberto Pereira, o turismo no Nordeste está cada vez mais reconhecido por turistas brasileiros e internacionais. “Estamos numa espiral de crescimento maior do que os índices mundiais destacado pela OMT. É verdade que estamos vivenciando, há alguns poucos anos, um crescimento maior na nossa demanda nacional do que no fluxo internacional, exceção para o ano de 2014, este um ano atípico porque o Brasil sediou, inclusive em quatro estados nordestinos, a Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta”, observou. Em seguida, ponderou que os estados nordestinos estão crescendo em qualidade, na infraestrutura, no atendimento, na limpeza pública, na segurança, da divulgação. Isso tem dado relevo aos estados nordestinos, que veem os seus esforços premiados por um incremento da ordem de 7,2% da sua demanda, e, mais do que isto, nos depoimentos favoráveis, a cada um dos estados do Nordeste brasileiro. FÁCIL | Lazer e Negócios NE 15

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