Revista EasyCOOP - Floriano Pesaro

 

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Entrevista exclusiva com o secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Floriano Pesaro

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EASYcoop1 Cooperativismo em revista Floriano Pesaro: “Desafio é combater a pobreza, a extrema pobreza, gerando renda” Educação e cooperativismo, os alicerces para a inclusão Págs. 4 a 7 Pioneira, Coober aposta em energia renovável Págs. 8 Papa apoia ação para as crianças refugiadas Pág. 13 Oficializado sindicato para empregados de cooperativas Pág. 11Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16

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Easycoop Tiragem 20.000 exemplares Índice Editorial Olá amigos, 04 Entrevista com Floriano Pesaro: Mundo do trabalho cada vez mais abraça o cooperativismo Nossa revista EasyCoop está com conteúdo cada vez mais diversificado, 08 Nasce no Pará 1ª cooperativa de energia renovável do país resultado de grande esforço para levar a nossos leitores informação de qualidade. Esta edição, a penúltima do ano, começa com a rica entrevista – no tama- nho e no debate de idéias – com o secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Floriano Pesaro. Como sociólogo, ele nos deixa uma mensagem importante, que fizemos questão de destacar em manchete, a de que o cooperativismo e a educação são os dois grandes pilares para a inclusão social. Foi uma entrevista feita com o coração. Você pode discordar de algumas ideias do nosso secretário, mas guarde, em especial, uma consideração: o cooperativismo, por gerar emprego e renda, é parte do futuro do mundo do 09 Angola deve ganhar ainda nesse ano sua 2ª cooperativa de crédito trabalho. E, no final da entrevista, ainda recordamos a batalha que travamos juntos na Câmara Municipal de São Paulo em 2014, quando conseguimos a 10 Cooperativa de assentados é exemplo de sucesso no MS aprovação do Projeto de Lei 198, derrubando a exigência de as cooperativas fazerem o registro compulsório em uma ONG para poderem participar de 11 Oficializado, Sintrecesp acelera luta em defesa de empregados de cooperativas licitações na capital. Nas páginas centrais da edição, você encontra reportagens sobre o avan- 12 Cooperativismo compete como gente grande em Minas Gerais ço do cooperativismo em vários estados brasileiros. Em Paragominas, no Pará, o pioneirismo está presente nos paineis de captação de energia solar 13 Cooperativa italiana abriga crianças refugiadas e recebe o apoio do papa Francisco 14 Confiança alimenta expansão do cooperativismo de crédito da Cooperativa Brasileira de Energia Renovável, a primeira do Brasil nesse setor. No município de Terrenos, no Mato Grosso do Sul, encontramos um exemplo de sucesso e produtividade na Cooperativa Agrícola Mista da Pecuária de Corte e Leiteira e da Agricultura Familiar, formada por pequenos 15 Você já pensou em ser Mestre de Cerimônia? 16 Artigo: Saudades, sim. Tristeza, não. produtores rurais de um assentamento. Em pouco mais de dois anos e meio de existência, reúne 480 cooperados, que produzem grande quantidade de leite, verduras e legumes. Você também poderá conhecer a força do cooperativismo em Minas Gerais, em especial no campo, onde a união de agricultores familiares os transforma em gente grande. 17 Galeria de Fotos No ramo crédito, destacamos o 11º Concred Rio (Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito), realizado no final de setembro, no qual foi 18 Coopernotas discutida a expansão do setor, alimentada pela confiança nele depositada pelos cooperados. Temos ainda duas reportagens do exterior, uma sobre o avanço do coopera- Expediente A Revista EASYCOOP é uma publicação do Instituto Nacional de Desenvolvimento e Valorização do Ser Humano Os exemplares são distribuídos gratuitamente, não podendo ser vendidos sob nenhuma hipótese. As reportagens e artigos não podem ser reproduzidos para nenhum fim sem a autorização prévia dos seus autores. Editora Chefe - Sandra Campos tivismo de crédito em Angola e outra sobre a Cooperativa Social Auxilium, da Itália, que ganhou a simpatia do papa Francisco por dedicar, entre inúmeros trabalhos de inserção e assistência, atenção especial a crianças refugiadas que chegam ao país, fugindo de conflitos na África e no Oriente Médio. Por fim, na área de comportamento, você encontrará reportagem sobre o que é a bela profissão de Mestre de Cerimônia e um artigo especial sobre como devemos lidar com a dor da separação ao perdermos um ente querido. Boa leitura! Redator Chefe - Daniel Wendell Jornalista Responsável - Manoel Paulo - MTB 48.639-SP Redação - Manoel Paulo e Carlos Dias Beijos e até a próxima edição! Sandra Campos Fotos - Manoel Paulo Editora-chefe Editoração, Projeto Gráfico e Finalização - Carlos André Silva Instituto Nacional de Desenvolvimento e Valorização do Ser Humano Alameda dos Jurupis, 1005 - Moema - São Paulo - CEP 04088-033 - Telefone: +55 11 5533-2001 Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16 3

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4 Mundo do trabalho cada vez mais abraça o cooperativismo O cooperativismo é frequentemen- te lembrado como uma alternativa para a falta de emprego, artigo de fato escasso no mercado brasileiro, mas, há quem pense o contrário: em vez de alternativa, é o melhor caminho para a geração de renda num mundo em profunda trans- formação nas relações de traba- lho. Esse é o caso do Secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, o sociólogo Floriano Pesaro. “Não tenho a menor dúvida de que o cooperativismo é parte do futuro do mundo do trabalho”, diz Pesaro, eleito vereador em 2008 e 2012, e deputado federal em 2014. “Emprego é uma coisa, geração de renda é outra”, acrescenta em en- trevista exclusiva à EasyCoop. “O mundo do trabalho inclui as duas coisas. E o mundo do trabalho ca- minha cada vez mais para modelos cooperativistas.” Pesaro: Cooperativismo é o melhor caminho para gerar renda EasyCoop/Sandra Campos - Como se deu o processo de sua indicação para secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo? Floriano Pesaro - Em primeiro lugar, parabéns pelo trabalho executado pela Fetrabras junto aos cooperados e às cooperativas. O cooperativismo é a mais poderosa ferramenta de inclusão social que temos hoje no mundo do trabalho. E uma das mais importantes fronteiras de um país civilizado. No Estado de São Paulo, temos uma dificuldade imensa de inclusão social. É um Estado com regiões metropolitanas que constituem verdadeiros países, como o caso da região metropolitana de capital. É praticamente uma Argentina. Pelo menos um terço de sua população vive na pobreza ou abaixo da linha da pobreza. São centenas de milhares de pessoas – especificamente 1,1 milhão – que ainda vivem em condições sub-humanas. Esse é o enorme desafio que recebemos do governador Geraldo Alckmin, o de amenizar os efeitos dessa pobreza extrema, dando às pessoas a oportunidade e ferramentas para que possam sair de uma situação de precariedade social, possam conseguir gerar renda e, dessa forma, conseguir dar os passos para um futuro melhor. É nessa direção que a gente trabalha. O governador sempre nos alerta que é importante dar o peixe e, mais importante, ensinar a pescar. Toda a nossa política pública está voltada, em algum momento, para o encontro com a educação, formal e informal, uma educação para a vida, uma educação de valores, uma educação do trabalho, que de certa forma liberta as pessoas da pobreza. EasyCoop - O Brasil é carente. Como analisa o fato de a educação, de que o país tanto precisa, ser a que menos avança entre as políticas públicas e sociais? Pesaro - É uma tristeza. Tivemos avanços imensos com o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), do ponto de vista da regulamentação, da tipificação de serviços. E o que considero mais importante, a criação de marcos regulatórios para o terceiro setor. Hoje, a área de assistência social é realizada de forma pública, não governamental. É o terceiro setor, são as organizações não-governamentais, as organizações filantrópicas que prestam serviço ao Estado brasileiro nos seus três níveis (federal, estadual e municipal), executando políticas públicas de forma complementar à política estatal e de forma capilarizada. São as entidades sociais que estão mais próxi- REVISTA EASYCOOP

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‘Educação é a política pública mais atrasada do Brasil’ mas das pessoas. Portanto, exercem um serviço mais próximo da realidade local. Na área da saúde, com o SUS, nós temos uma capilaridade enorme de serviços, muitos deles ‘parceirizados’, muitos hoje coordenados e administrados por organizações sociais. São organizações de excelência – como o Santa Marcelina (em Itaquera, zona Leste da capital paulista) – que prestam um serviço de excelência e a um custo menor do que o do Estado brasileiro. E na educação? Na educação, nada pode. A educação é, na minha opinião, a política pública mais atrasada do Brasil – a que mais recebe recursos –, porque é a mais corporativa. Diria que, no caso da educação, tanto os sindicatos como as associações de professores acabam, de certa forma, rechaçando mudanças do ponto de vista da gestão da educação brasileira. Há posturas refratárias a questões de conteúdo da educação. Mas a pior coisa que nós temos na educação hoje é a posição refratária a mudanças de gestão. Por que, hoje, não se pode discutir, por exemplo, uma educação conveniada com entidades sociais? Por que não se pode ter no Brasil o que tem nos Estados Unidos, em várias cidades americanas, que são as “charter schools”. São escolas cuja administração é não-governamental, privada ou contratada por entidades sociais sem fins lucrativos. O problema da educação brasileira é gestão. Não sei se todos sabem, mas a educação brasileira é a que mais recebe recursos de todos os orçamentos da União. No caso do Estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin põe mais recursos na educação – 31%. O mínimo constitucional é 25%. A educação é a política pública que tem mais dinheiro e é a mais atrasada. E é a mais atrasada porque é a mais corporativa. E não são os professores, individualmente. É o coletivo da educação que impede o avanço necessário. Nós vimos recentemente no estado de São Paulo uma mudança fundamental, sine qua non, para o avanço da educação, que era a mudança de ciclos. Pois houve uma mobilização político-partidária, ideológica, que contaminou os jovens estudantes, que foram usados por pessoas que não têm compromisso com a educação, simplesmente para desestabilizar o PSDB em São Paulo e o governo Alckmin. Resultado: ficou como está. Ou seja, a educação se mobiliza para ficar como está, e não para avançar. EasyCoop - Na sua opinião, quais são os desafios do desenvolvimento do Brasil no segmento social? Pesaro - Combater a pobreza, a extrema pobreza, gerando renda. Nós tivemos nos últimos 13 anos, que nós chamamos de período lulopetista, uma ideologia nefasta para o desenvolvimento humano. ‘Foi distribuída renda sem contrapartida. Não se deu a vara, se deu simplesmente o peixe’ Foi uma distribuição de renda sem contrapartida. Não se deu a vara, se deu simplesmente o peixe. E, muitas vezes, o peixe já cozido. Considero que isso foi uma política proposital. Em certa ocasião, escutando um assessor do presidente Lula que cuidava da parte social, ele dizia: ‘Nós teremos esse povo dependente do governo por muitos, muitos e muitos anos’. Havia ali uma estratégia claramente ideologizada, ideológica, talvez com algum verniz marxista, que era no sentido de manter o povo aprisionado dentro de uma lógica de programas sociais. Todos sabem que a história de que se tirou o Brasil do mapa da fome, da pobreza, é uma grande farsa, uma grande mentira. Nós continuamos com problema de extrema pobreza. O Brasil saiu da pobreza e sairia da pobreza extrema e do mapa da fome por uma evolução econômica do país e não necessariamente pelas políticas que foram implementadas. O Brasil volta à pobreza porque justamente a mais importante das políticas públicas, que é a educação, não foi mexida nem devidamente avaliada. A prova do que estou dizendo é que nós chegamos em 2016, véspera de 2017, e não conseguimos universalizar o ensino médio no Brasil. E o governo federal, sob a liderança do Lula, da Dilma e, no município de São Paulo, do (Fernando) Haddad, investiu no ensino superior, enganando as pessoas, a população, dizendo que todos teriam ensino superior, faculdade – também outra grande mentira –, sem dar às pessoas a oportunidade de concluir o ensino médio. Então, propositalmente, quiseram dar um passo maior do que a perna, no sentido de não entender o processo evolutivo do ser humano. Eu acho isso grave, porque nós não concluímos o ensino médio e gastamos uma fortuna com o ensino mais caro, que é o ensino superior. O resultado disso é que o Brasil continua com uma baixa escolaridade e um péssimo nível de educação em relação a países correspondentes no mundo. A minha grande preocupação hoje, e sei que é a preocupação do governador Geraldo Alckmin, é dar a esses jovens a oportunidade de um ensino médio mais flexível, de um ensino médio mais técnico e tecnológico, visando um futuro de emprego ou geração de renda. Lembro que são duas coisas diferentes. No mundo, não mais todos terão emprego, porque não há e não haverá emprego para todos. Mas isso não significa que as pessoas não poderão gerar renda a partir do seu conhecimento, do seu trabalho. ‘Geração de renda vem de conhecimento e competência, de forma autônoma ou a partir do cooperativismo’ EasyCoop – O senhor falou de emprego e renda. Pode conceituar a diferença entre os dois? Pesaro - É uma diferença fundamental para entender o futuro das nações. Emprego é quando você tem carteira assinada e trabalha para um patrão. Basicamente é isso. Você trabalha em algum lugar em alguma missão que lhe é confiada diante de suas competências e Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16 5

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6 capacidades, em geral capacidades técnicas. O fato é que hoje isso é muito limitado, porque as empresas trabalham de forma terceirizada, ‘quarteirizada’, contratando e subcontratando serviços. Isso também vale para o poder público, e não há mal nenhum nisso, no fato de o poder público não fazer diretamente determinadas ações, como ter motoristas nas secretarias – você loca os automóveis com motorista. As locadoras alugam o carro para a administração pública e contratam uma cooperativa, por exemplo, de motoristas. Esse tipo de terceirização dos serviços, ou de ‘parceirização’, é algo cada vez mais comum. E insisto: não é no Brasil, é no mundo inteiro. Eu estive numa empresa norte-americana, que nos Estados Unidos tem uma capilaridade enorme. É uma empresa de logística, que tinha 22 duas pessoas trabalhando em sua sede e movimentava US$ 1 bilhão por ano. Tinha aproximadamente 400 pontos de trabalho em logística, todos contratados ou subcontratados de forma terceirizada. O CEO e as 22 pessoas comandavam 400 negócios simultaneamente. Isso é tecnologia, capilaridade de ação. Isso é o novo emprego. A geração de renda é algo REVISTA EASYCOOP ‘Cooperativismo é equidade, igualdade de oportunidades’ que vem a partir do seu conhecimento e da sua competência. Você pode gerar renda hoje de forma autônoma, desde um autônomo com pouca renda, como é o MEI (Microempreendedor Individual), até aqueles que geram renda a partir do cooperativismo. Você pratica as mesmas ações de trabalho, se associa a outros para reduzir custos, para enfrentar problemas legais. Em lugar de você ter o seu advogado, você tem o profissional que advoga para toda a cooperativa. Você tem um contador coletivo. Você diminui custos e gera a sua própria renda, sem ter um patrão. Esse é o futuro. Não tenho a menor dúvida de que o cooperativismo é parte do futuro do mundo do trabalho. Repito: emprego é uma coisa, geração de renda é outra. O mundo do trabalho inclui as duas coisas. E o mundo do trabalho caminha cada vez mais para modelos cooperativistas. EasyCoop - Como o senhor vê hoje o desenvolvimento social em relação ao cooperativismo? Pesaro - Fundamental. Acho que o cooperativismo é uma ferramenta – e muito mais que uma ferramenta – estratégica para unir pessoas em torno de ações similares. O cooperativismo traz muitos benefícios, na medida em que diminui custos operacionais, na medida em que agrega valor, como a capacitação e a formação, e cria igualdade de oportunidades. O cooperativismo traz esta palavra maravilhosa que é a ‘equidade’, a igualdade de oportunidades a partir de uma ideia comum, de um objetivo comum daqueles cooperados. E traz uma grande vantagem para o ser humano, que é o fato de ele poder gerar renda, sustentar sua família, pagar suas contas, de forma autônoma, não dependente do Estado brasileiro, e sobretudo gerando sua própria riqueza a partir do seu conhecimento. E sem ter patrão. Ele é empregado de si próprio, gera sua renda e seus custos são divididos entre todos os cooperados.

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‘A política do lulopetismo fragmentou a sociedade entre ‘nós’ e ‘eles’, ricos e pobres, centro e periferia’ 7 EasyCoop - Na sua opinião, por que as políticas públicas no Brasil demoram tanto tempo para se consolidar? Acha que falta consenso? Pesaro - Falta consenso e há uma questão ideológica grave no Brasil, na medida em que ela é extremamente irresponsável. A política que nós chamamos de lulopetismo foi extremamente irresponsável, uma política que desagregou a sociedade, fragmentou a sociedade entre ‘nós’ e ‘eles’, entre brancos e negros, ricos e pobres, centro e periferia. E hoje nós temos um trabalho imenso a fazer, que é unificar novamente a sociedade. O que o governo do presidente Lula fez, além de ser uma grande farsa do ponto de vista social – os números batem às nossas portas todos os dias –, foi desagregar a sociedade. E isso leva tempo para reconstruir. Isso deixou uma herança nefasta. E a falta de consenso sobre políticas públicas hoje é maior do que foi no passado. Quando nós criamos os primeiros programas de transferência de renda, como o Bolsa Escola, na época do presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro Paulo Renato, logo em seguida veio o Cristóvão Buarque, em Brasília, que era do PT, e criou o Bolsa Escola do Distrito Federal. Veio o Magalhães Teixeira, o Grama, prefeito de Campinas, que criou o renda mínima lá. Veio o próprio Eduardo Splicy, que criou a proposta, o conceito de renda mínima. Havia uma forma de buscar o consenso sobre os programas de transferência de renda, que depois se transformaram no Bolsa Família. O que o lulopetismo fez foi tirar esse consenso. Em lugar de construir juntos modelos que poderiam ser utilizados em qualquer governo, passaram a tentar construir a ideia de modelos que só existiam se existisse, por exemplo, o PT. O que é uma grande mentira, uma grande farsa. Buscamos agora recuperar o tempo perdido, numa grande ação nacional em torno do Sistema Único de Assistência Social, o SUAS. Luta contra registro compulsório marcou cooperativas EasyCoop - Antes de finalizar, queria destacar que o senhor teve atuação decisiva, ao lado da Fetrabras, na luta pela derrubada de artigo de uma lei paulistana que exigia das cooperativas o registro compulsório a uma ONG para poderem participar de licitações municipais. A lei 15.944, de 23 de setembro de 2013, havia sido sancionada em 23 de dezembro do mesmo ano pelo prefeito Fernando Haddad. O senhor esteve ao lado de centenas de cooperados nessa luta, atraindo para nossa causa vereadores de diversos partidos, inclusive do PT e PMDB. O Projeto de Lei 198, derrubando a exigência do registro compulsório para participar de licitações em São Paulo, foi aprovado pela Câmara Municipal em 17 de setembro de 2014 e deu origem à Lei Municipal 16.073, publicada dois dias depois. Em fato inédito, o PL 198, com três autores inicialmente, acabou tendo 35 coautores e todos votaram a favor dos cooperados. Gostaria que o senhor recordasse essa luta. Pesaro - É incrível, porque as pessoas vão produzindo leis muitas vezes influenciadas por setores que querem dominar parte do mercado. Aquele era um caso típico de um agente externo que queria produzir uma legislação que restringisse a liberdade de produção do comércio solidário, das cooperativas. E foi um grande embate na Câmara por- PL 198 foi aprovado pela Câmara Municipal em 17 de setembro de 2014 que os vereadores não se aperceberam naquele momento da gravidade do que se estava propondo, na verdade um monopólio privado, de uma federação única, na produção de riqueza e produção de renda. A nossa luta sempre foi essa – e tem um projeto de minha autoria de uma lei municipal de São Paulo que criou a rede de comércio solidário na cidade. Há até uma lojinha de comércio solidário na rua Líbero Badaró, esquina com a avenida São João, na Secretaria de Desenvolvimento Social da cidade de São Paulo. A lojinha é bárbara e traduz o espírito de permitir que as pessoas possam fazer produtos, vendê-los e gerar renda, sem intermediários. Mas isso não significa que elas não possam fazer isso também de forma cooperada. Acho que o Brasil está caminhando nessa direção. Mas nós temos que lutar. E nós temos que ter pessoas que lutem por essas causas nos governos e nos parlamentos – assembleias, câmaras federais e municipais – para que as leis proporcionem sempre a maior liberdade possível para que as pessoas possam gerar seu próprio negócio e sua própria renda. EasyCoop - Suas considerações finais... Pesaro - Obrigado Sandra. Obrigado a todos os cooperados. Contem comigo como deputado federal das cooperativas nessa luta. Eu acredito muito nisso. Tenho profundo respeito pelo seu trabalho. Tenho profunda admiração pela Fetrabras. Quero estar sempre ao lado de vocês. Muito obrigado. Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16

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8 Nasce no Pará 1ª cooperativa de energia renovável do país Na Coober, são vinte e três pessoas que produzem e consomem a própria energia gerada, com investimento muito menor Uma rápida consulta ao dicionário nos revela o caráter ou a qualidade do pioneiro, do precursor - aquele que se antecipa na adoção ou defesa de novas ideias ou doutrinas. Esta capacidade de inovar e criar soluções para seus membros, econômicas ou sociais, é uma das marcas históricas do cooperativismo. Pois é justamente essa marca que está presente na Cooperativa Brasileira de Energia Renovável, a primeira do Brasil nesse setor. A Coober, inaugurada em 5 de agosto passado, nasceu pouco antes, precisamente no dia 24 de fevereiro de 2016, com a realização da Assembleia de Constituição e o lançamento da pedra fundamental de suas instalações em Paragominas, no Pará, a cerca de 300 quilômetros da capital, Belém. Objetivo: aproveitar o Sol para produzir energia limpa e de forma consciente, por meio de placas fotovoltaicas, em um município que já ganhou fama e visibilidade como “município verde”. Seus 23 membros, com idade média de 41 anos, chamados de sócios-fundadores, são empresários, empreendedores e profissionais liberais. A iniciativa ganhou simpatizantes em todos os setores, atraiu a atenção de estudantes da região e ganhou o apoio da Prefeitura de Paragominas e do governo do Pará, além de entidades como a Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV). De acordo com informações de Raphael Sampaio Vale, presidente da Coober, em artigo publicado no site Paranoá Energia, a fundação ocorreu sintonizada com a entrada em vigor, em 1º de março, da Resolução 687/2015 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que aprimorou a Resolução Normativa 482, de 2012, possibilitando a geração compartilhada de energia renovável. “Se fôssemos produtores individuais, iríamos investir muito mais e ter mais trabalho, além de ter de lidar com diversas questões burocráticas e tributárias. Na Coober, são 23 pessoas que produzirão e consumirão a própria energia gerada, transformando cada um em ‘prosumidor’ (termo empregado para designar as pessoas que produzem e consomem seus produtos)”, afirma Raphael. “Todos nós temos sido consultados por pessoas de outras partes do país, que perguntam a razão pela qual nos lançamos nessa empreitada. A resposta é simples: queremos gerar a própria energia elétrica que consumimos”, enfatiza o advogado Raphael. “Nosso maior desafio é o pioneirismo da união de dois universos no Brasil: o cooperativismo e a produção de energia renovável. Nossa inspiração têm sido as cooperativas de energia renovável de outros países, em especial da Alemanha, que conta com mais de 700 cooperativas de energia instaladas”. O presidente da Coober enumera as vantagens em gerar energia limpa por meio de cooperativa: menor valor in- vestido individualmente, pois são 23 investidores; mobilidade na produção – pode-se mudar de endereço sem se preocupar com os equipamentos; desenvolvimento de uma cultura de colaboração; melhor escolha/avaliação das opções - mais pessoas pensando com o mesmo objetivo; melhor relação com a concessionária; e tratativas mais adequadas de benefícios e isenções fiscais. De acordo com informação assinada por Larissa Vilhena no site da Prefeitura de Paragominas, o investimento inicial da Coober é R$ 700 mil a R$ 1 milhão. Na primeira fase, a geração de energia, a partir da usina de fonte solar fotovoltaica, ficará entre 12.000 e 17.000kWh/ mês, que serão injetados na rede de distribuição da concessionária local (CELPA). A partir daí, a concessionária será informada para creditar determinado percentual da energia gerada na unidade consumidora (conta de luz) dos cooperados - crédito baseado de acordo com a média de consumo de cada cooperado. A usina está instalada no distrito industrial do município, em área de aproximadamente 17.000m². Iniciativa pioneira atrai os estudantes Alunos da escola municipal Irmã dantes que teremos a honra de receMaria Angélica Dantas, de Parago- ber”, afirma Raphael Sampaio Vale, minas, visitaram no dia 13 de outu- presidente da Coober. A visita faz bro passado a usina de geração de parte do projeto pedagógico “Memóenergia renovável da Coober. Esse rias de Paragominas”, pelo qual os foi o primeiro grupo de alunos a vi- alunos da escola resgatarão a histósitar o local. “Ficamos felizes com ria ambiental da cidade. O prefeito a iniciativa da escola, de levar seus de Paragominas, Paulo Tocantins, alunos para conhecer o empreendi- também esteve presente. Ele foi um mento. Temos certeza que esse é o dos grandes incentivadores da consprimeiro de muitos grupos de estu- trução da usina. REVISTA EASYCOOP

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Angola deve ganhar em 2016 sua 2ª cooperativa de crédito A primeira do setor foi criada há 1 ano e já conta com 800 cooperados O cooperativismo em Angola teve em agosto dois bons motivos para comemoração. A ex-colônia portuguesa na África, que só conquistou a independência em 1975, celebrou o aniversário de 1 ano da primeira cooperativa de crédito da história do país. A outra razão de festa é que o país deve ganhar a segunda da mesma natureza até o final do ano. Inaugurada no final de agosto de 2015, a Cooperativa de Crédito dos Funcionários da Presidência (COOCREFP) nasceu para atender aos funcionários dos órgãos auxiliares da Presidência de Angola. “A cooperativa arrancou com 100 cooperados e estamos agora com perto de 800 cooperados”, celebra a diretora de operações, Carla Pataca. Agora, uma nova cooperativa de crédito será criada na província do Namibe, pelo Fórum Angolano de Jovens Empreendedores (Faje), assegura o coordenador regional da agremiação, Miguel Tropa. Segundo ele, a cooperativa terá a missão de apoiar projetos de jovens empreendedores filiados. Entidade sem fins lucrativos, o Faje terá o apoio de outros órgãos, como o Instituto Nacional de Pequenas e Médias Empresas (Inapem) e o Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança. Tropa disse que também a instituição pretende complementar suas ações com outras atividades, especialmente feiras de autoemprego. A COOCREFP, com o crescimento multiplicado por oito em apenas um ano, já tem uma história para contar. “A cooperativa funciona na base da solidariedade da cooperação”, afirma Manuel Neto, secretário-geral da COOCREFP e da presidência da república. “Trata-se da primeira cooperativa de crédito no país criada com a visão de servir de instrumento catalisador no reforço da solidariedade e do serviço em prol da melhoria das condições sociais e econômicas dos seus cooperados e respectivas famílias”, completa Carla Pataca. “As cooperativas de crédito contribuem para a segurança alimentar e promovem o empreendedorismo”, acrescenta. Cooperativismo na África deu grande salto a partir de 1989 O cooperativismo na África é algo mais antigo do que se pensa e – embora não tivesse esse nome – nasceu antes da conhecida história de Rochdale, em 1844, na Inglaterra, onde 28 operários (27 homens e uma mulher), em sua maioria tecelões, criaram a primeira cooperativa moderna. Associações rurais com sistemas semelhantes precedem até a chegada dos colonizadores europeus ao continente e pode-se dizer que cooperar é uma vocação dos africanos. As cooperativas estão presentes em quase todo o continente e são uma parte significativa do setor privado na maioria dos países africanos. Além disso, a onda neoliberal que varreu o mundo no final do século 20 não teve grande impacto na África, que viu o crescimento do cooperativismo crescer. Segundo dados do li- vro Cooperating out of Poverty (numa tradução livre, “cooperando para sair da pobreza), de 2008, as cooperativas no continente passaram por uma fase de estagnação até 1989 e depois deram um grande salto. O Senegal, por exemplo, passou anos com 29 mil cooperativas, mas em 2005 elas chegaram a 50 mil. Veja no quadro abaixo a força do movimento em alguns países até 2008, com dados extraídos de Cooperating out of Poverty. O peso do cooperativismo em 6 países africanos País População (em milhões) Número de Número de cooperativas membros Etiópia Gana Quênia Nigéria África do Sul Uganda 72,4 21,4 32,4 127,1 45,2 26,6 14.400 2.850 10.640 50.000 5.000 7.476 4,5 milhões 2,4 milhões 3,3 milhões 4,3 milhões 75 mil 323 mil Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16 9

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10 Divulgação/Incra Cooperativa de assentados é exemplo de sucesso no MS Em pouco mais de dois anos e meio de existência, a Cooperativa Agrícola Mista da Pecuária de Corte e Leiteira e da Agricultura Familiar se transformou em um exemplo de produtividade e sucesso do cooperativismo no Mato Grosso do Sul. A Cooplaf, como é conhecida, foi fundada em 23 de abril de 2014, tendo inicialmente como atividade econômica principal a pecuária leiteira. Está instalada no assentamento Campo Verde, no município de Terrenos, a 40 quilômetros de Campo Grande, a capital do Estado. De acordo com os resultados apresentados em julho passado, durante o encontro anual realizado na sede da cooperativa, no lote 16 do assentamento, os ganhos triplicaram e as atividades foram expandidas dentro e fora do Estado. “Aproveitamos para fazer uma análise completa da situação, enfatizando as condições da cooperativa em todos os setores”, disse o gerente financeiro da Cooplaf, Daniel Alves Neto, ao frisar que, apenas do primeiro para o segundo ano, o faturamento da cooperativa saltou de R$ 500 mil para quase R$ 1,5 milhão. O número de sócios, que era de 387 em 2015, chegou a 480 neste ano. Hoje, além da comercialização de 400 mil litros de leite mensalmente, para uma empresa de lácteos, os cooperados fornecem 100 toneladas de legumes e verduras para a Associação de Bares e Restaurantes de Campo Grande. De acordo com o presidente da cooperativa, Maycon Rezende de Queiroz, neste ano ninguém retirou parcela do lucro. “Deixamos o dinheiro como está, visando ao fortalecimento financeiro da organização. Esse procedimento vai permitir acompanhar mais de perto o desenvolvimento da Cooplaf, que por sinal está ocorrendo de forma dentro do satisfatório para alguns dos sócios, mas para “a maioria chega a impressionar”. Enquadramento dos negócios em objetivos ”do milênio leva ONU a reconhecer Cooplaf O modelo de negócio adotado – que inclui práticas diferenciadas de produção em toda a cadeia da pecuária leiteira e de corte, investimento na formação de profissionais de ponta e manutenção permanente de assistência técnica – levou o trabalho da cooperativa a ser reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A distinção, recebida em 2015, durante a terceira edição da Bienal dos Negócios da Agricultura no Brasil Central, significa que a Cooplaf atua com base em objetivos do milênio, que são oito: acabar com a fome e a miséria; oferecer educação básica de qualidade para todos; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde das gestantes; combater a Aids, a malária e outras doenças; garantir qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; estabelecer parcerias para o desenvolvimento. A inserção da cooperativa no Movimento Nacional da Cidadania e Solidariedade da ONU tem facilitado à organização expandir os negócios também fora de Mato Grosso do Sul, principalmente na cadeia produtiva da pecuária de leite e de carne. Entre os projetos em andamento estão a prestação de serviços de assistência técnica e extensão rural a agricultores de outros estados por meio de convênios. Durante o encontro de julho passado, o superintendente do Incra no Mato Grosso do Sul, Humberto César Mota Maciel, ressaltou a presença maciça dos associados da Cooplaf, destacando que ela já nasceu forte. “A mesma disposição de 2014, quando foi implantada por 44 produtores assentados do Incra, é notória agora. Um dos detalhes marcantes dessa organização é o fato de ter sido reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU). É a única do gênero no estado”. Além de moradores dos assentamentos Campo Verde, Santa Mônica, Patagônia, Nova Querência, Paraíso, Nova Canaã, Guaicurus e pequenos produtores de mais seis municípios, grandes produtores da região resolveram apostar na iniciativa. “Temos pelo menos 25 sócios de bastante expressão comercial. Durante 2017 vamos continuar a trabalhar no sentido de angariar mais adesões de fazendeiros vizinhos”, adianta Queiroz. Nesses dois anos e meio de existência da Cooplaf, os cooperados também puderam contar com os cursos e o apoio de técnicos oferecidos no âmbito do programa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Mato Grosso do Sul (Senar/MS), que oferece orientação nas atividades de bovinocultura de corte, leite, hortifrutigranjeiros, florestas e piscicultura. A meta do Senar/MS para 2016 é chegar a 2.154 propriedades. *Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Incra/MS REVISTA EASYCOOP

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11 SINTRECESP: empregados de cooperativas de São Paulo estão agora oficialmente representados O que é um sindicato? É uma associação de trabalhadores que luta pelo interesse dos seus pares. Foi com esse objetivo que, em 2005, foi fundado o Sindicato dos Trabalhadores Empregados em Cooperativas do Estado de São Paulo. Desde então, o Sintrecesp tem atuado em benefício da sua classe, à espera do registro sindical definitivo – obtido em julho passado. Foram anos de intensa atividade para que os trabalhadores estejam bem representados pelo sindicato, além da luta da diretoria para conseguir junto ao governo o registro definitivo. “Nosso objetivo principal é a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos nossos associados. Será com esse objetivo que sempre lutaremos para ajudar os trabalhadores da categoria”, diz a presidente Sandra Campos. O registro sindical é um documento que é liberado pelo Ministério do Trabalho (MT) e que certifica a entidade a representar os trabalhadores da sua base. Esse registro definitivo é de suma importância para garantir a continuidade do trabalho em prol Certidão sindical permite ao Sintrecesp atender a todos os interesses dos trabalhadores dos trabalhadores de forma transparente e juridicamente inquestionável. Com a oficialização, o sindicato ganha ainda mais força. Foi em 15 de julho de 2016 que a Secretaria de Relações do Trabalho do MT deferiu o registro sindical ao Sintrecesp de forma definitiva. Em 15 de setembro, foi emitida a certidão sindical (foto) que legitima a entidade a representar e a atender a todos os interesses dos trabalhadores, bem como a dar a respectiva e necessária assistência a todos os seus integrantes, realizando homologações, assembleias, convenções coletivas, dissídios coletivos etc. O Sintrecesp tem a missão de contribuir para o bem-estar do trabalhador, procurando negociar junto as cooperativas ou com o sindicato patronal o melhor acordo coletivo e reajuste salarial. O Sintrecesp lutará e trabalhará para que os trabalhadores sejam representados de forma honesta e digna. O sindicato já está realizando assembleias e conversando com trabalhadores de várias cooperativas para que juntos se possa garantir melhores condições de trabalho a todos. O Sintrecesp realizou, no final de outubro, assembleia com trabalhadores da Coopmil, para eles decidirem sobre o acordo coletivo e o reajuste salarial. Na foto, o Cel PM Hudson Tabajara Camilli, presidente da Coopmil, fala com os trabalhadores. Na sede, atendimento é às quartas e quintas O Sintrecesp já tem sede para atender aos trabalhadores. Na sede será oferecido atendimento jurídico gratuito, sempre às quartas-feiras e quintas-feiras. O sindicato também oferecerá outros benefícios aos trabalhadores como: descontos em pousadas, hotéis e chalés; descontos em lojas (material esportivo, livraria, entre outros); descontos em convênios médicos, faculdades, universidades e escolas. Se você quer saber mais sobre estes benefícios e tirar suas dúvidas, entre em contato com o sindicato e saiba como ter esses benefícios. Tel: 3256-6009 E-mail: contato@sintrecesp.org.br Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16

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12 Em segundo lugar no país, cooperativismo compete como gente grande em MG Cooperativas de cafeicultores são as que mais se destacam no Estado Quando se fala em cooperativismo no Brasil, quase sempre as primeiras referências são relativas a São Paulo. Afinal, trata-se do estado com o maior número de cooperativas do país. São mais de mil, atuando nos mais variados setores da economia. Mas, Minas Gerais tem um cooperativismo pujante e vem em segundo na lista, à frente dos estados do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São 792 cooperativas cadastradas no Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (OCEMG). Elas contam com quase 1,3 milhão de cooperados e dão emprego a mais de 35 mil pessoas. Em 2015, o PIB do cooperativismo mineiro foi de R$ 32,9 milhões, atrás apenas de São Paulo. Na terra nacionalmente famosa pelo leite e seus derivados, as cooperativas de cafeicultores estão entre as mais bem-sucedidas no estado. A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) é um exemplo de sucesso, com operações em mercados internacionais, inclusive Nova York. É considerada a maior cooperativa de café do mundo. De seus mais de 12 mil cooperados, 80% deles são pequenos produtores que vivem da agricultura familiar. Outro exemplo é a Capebe (Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança), com cerca de 500 funcionários e 7 mil cooperados, que produzem anualmente 700 mil sacas de café e outro tanto de milho. “As cooperativas possibilitam que um agricultor consiga atingir mercados que muitas vezes só uma grande empresa conseguiria. É uma forma competitiva de o pequeno ter o poder de um grande, por meio da união”, destaca o superintendente de Artesanato, Cooperativismo e Apoio ao Setor Terciário da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), Fernando Passalio. “Apesar de estar muito ligada ao agronegócio, por ser O complexo industrial Japy, da Cooxupé, fica na BR 146, em Guaxupé, no sul de Minas Sede da Capebe, cooperativa agropecuária situada no município de Boa Esperança um dos ramos mais fortes do cooperativismo no país, existem 13 ramos de cooperativas, como, por exemplo, saúde, trabalho, educação, entre outros”, explica Passalio. Na maior parte dos casos, as cooperativas mineiras – assim como as de quase todo o país – estão no agronegócio, mas há várias em outros ramos, como saúde, trabalho e educação. Um exemplo bem-sucedido é o da cooperativa de crédito Sicoob Central Cecremge (Central das Cooperativas de Economia e Crédito de Minas Gerais). Fundada em 1994, ela congrega 71 coo- perativas dos mais diversos segmentos econômicos, como comercial, rural, de empregados e profissionais liberais. O governo afirma que dá bastante apoio, visitando territórios e ajudando a disseminar o cooperativismo. “Quando unidos em uma cooperativa, eles têm seu alcance de mercado potencializado”, acrescenta Passalio. “Mas é importante saber que a cooperativa funciona como qualquer outro negócio e precisa de gestão. Assim, trabalhamos com os grupos questões como gestão, estrutura e organização, enfim, dando toda esta consultoria e suporte.” REVISTA EASYCOOP

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13 Cooperativa italiana abriga crianças refugiadas e recebe o apoio do papa Talvez tenha sido um dos momentos mais emocionantes na história da Cooperativa Social Auxilium, que entre seus inúmeros trabalhos de inserção e assistência também se dedica a resgatar a dignidade de crianças refugiadas que chegam à Itália, fugindo de conflitos na África e no Oriente Médio. No último dia 6 de agosto, 65 dessas crianças foram recebidas pelo papa Francisco na Sala Paulo VI, no Vaticano. De acordo com relato da Rádio Vaticano, as crianças – eritréias, egípcias e sírias - entregaram ao Pontífice “um urso de pelúcia cheio de band-aids, recoberto com palavras que descrevem aquilo que as guerras e a pobreza tiram das crianças: família, alegria, escola e casa, brincadeiras e deslumbre, dignidade e amor”. Estavam acompanhados por suas mães e por agentes da cooperativa, junto com seu fundador, Angelo Chiorazzo. Também deram a Francisco uma enorme bandeira branca com a África, a Itália e o Vaticano unidos por muitos pés coloridos, “para recordar os passos feitos para buscar uma vida melhor”. Em uma faixa aberta durante a audiência, acompanhada de desenhos e cartas contando suas histórias de fuga e sofrimento, os pequenos escreveram: “A nossa casa é onde habita a paz”. As camisetas que vestiam traziam uma frase significativa: “Não somos perigosos, estamos em perigo”, uma referência a expressões usadas pelo papa para se referir às centenas de milhares de refugiados que em barcos superlotados enfrentam a perigosa travessia do mar Mediterrâneo para chegar à Europa, em especial às costas italianas. Muitos barcos já ficaram – e ainda ficam - pelo “As cooperativas devem continuar a ser o motor que ergue a parte mais frágil da socieda- de civil” caminho, com centenas e centenas de mortos. Ficará para sempre em nossas mentes a imagem do corpo daquele menino sírio que, no início de setembro de 2015, após naufrágio de um barco que tentava chegar à ilha grega de Kos, foi encontrado e recolhido por um policial em uma praia de Bodrum, na Turquia. De acordo com o relatório “Desenraizados”, divulgado em 7 de setembro passado pelo Unicef ((Fundo das Nações Unidas para a Infância), pelo menos 50 milhões de crianças vivem “deslocadas”, longe de seus lares ou de seus países de origem, obrigadas a migrar em busca de oportunidades em consequência de guerras, violência e perseguições. No final de 2015, ao menos 31 milhões de crianças viviam refugiadas no exterior e 17 milhões estavam deslocadas em seus próprios países. Muitas delas viajam sozinhas e se expõem a todo o tipo de riscos. Além do menino de Bodrum, são constantes as imagens chocantes de crianças sírias feridas resgatadas em meio a bombardeios da guerra civil naquele país. O gesto de Francisco com as crianças atendidas pela Auxilium, além de sua constante preocupação com o drama dos refugiados, também confirma seu profundo respeito ao trabalho do cooperativismo, em especial das cooperativas preocupadas com o resgate da cidadania e a inserção social. “As cooperativas devem continuar a ser o motor que ergue a parte mais frágil da sociedade civil”, costuma repetir o papa. Auxilium, sonho realizado de um grupo de estudantes A Cooperativa Social Auxilium nasceu em 1999 por iniciativa de um grupo de jovens estudantes originários da pequena cidade de Senise, situada na região da Basilicata, no sudeste da Itália. No próprio site da entidade afirmase que os jovens carregavam um desejo comum – empenhar-se ativamente no complexo mundo do desconforto, inspirados nos ditames da doutrina so- cial da Igreja. Com o passar dos anos, alcançaram maturidade profissional, adquirida nas iniciativas de desenvolvimento voltadas aos mais fracos, multiplicando atividades e serviços e conseguindo importantes resultados. A Auxilium conta hoje com mais de mil sócios, entre trabalhadores e colaboradores. A sede oficial ainda fica em Senise, mas já possui unidades em Castelnuevo de Porto e em Rocca di Papa, duas pequenas cidades situadas na região do Lácio, província de Roma. A cooperativa administra e desenvolve ações na área da saúde e serviços socioassistenciais e educativos, buscando a promoção humana e a inserção social. É dentro desse princípio que acolhe crianças refugiadas na Itália. Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16

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14 Confiança alimenta expansão do cooperativismo de crédito Concred Rio debateu “Governança, Sustentabilidade e Inovação” O 11º Concred Rio (Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito) teve como tema “Governança, Sustentabilidade e Inovação”. Foi realizado entre os dias 28 e 30 de setembro, no Rio de Janeiro, e reuniu cooperativas de crédito de todo país. O evento foi organizado pela Confebras (Confederação Brasileira de Cooperativismo de Crédito). “Ouso dizer que o Concred, que chega à 11ª edição, é o maior no cooperativismo pela sua repercussão, pela participação das pessoas, pelo interesse, no nosso caso, da autoridade monetária brasileira, o Banco Central do Brasil”, diz o presidente da Confebras, Celso Ramos Régis, destacando a importância da realização desse congresso no Rio. O Concred mostra quão grande está o sistema financeiro cooperativo no Brasil. Em 2015, as cooperativas de crédito tiveram um crescimento maior do que o do sistema bancário nacional - e um dos motivos para esse crescimento é a confiança que a cooperativa transmite para o associado. Celso enfatiza outro ponto sobre esse crescimento: a participação de todos. “As pessoas são participantes diretas do processo de gestão e planejamento, ou seja, dos destinos da instituição financeira.” Inclusão e bancarização O cooperativismo, em todos os seus ramos, tem como um aspecto importante a inclusão social das pessoas e não seria diferente no cooperativismo de crédito. Pessoas que não conseguem participar do sistema financeiro tradicional têm na cooperativa de crédito a opção para fazer parte do sistema financeiro do país. Em muitas cidades do Brasil, onde não exis- tem agências bancárias, a cooperativa de crédito é a única no município. Segundo Régis, há 700 cidades no país em que a única instituição financeira é a cooperativa de crédito. Um dos grandes desafios do cooperativismo brasileiro é fazer com que as pessoas conheçam as cooperativas. Hoje, se comparadas a muitos países, as cooperativas de crédito brasileiras têm uma participação muito pequena no sistema financeiro. São apenas 4%. Nos EUA, as cooperativas de crédito são 25%. “Nós precisamos crescer e, para isso, vocês da comunicação têm um papel preponderante, pois as pessoas de todos os níveis precisam conhecer a cooperativa de crédito”, enfatiza o presidente da Confebras. Em todo o país, segundo dados do Banco Central do Brasil, há 8,3 milhões de pessoas associadas a alguma cooperativa de crédito. Outro dado importante é que no Brasil existem 100 milhões de pessoas que não fazem parte de nenhum tipo de instituição financeira e é nesta fatia da população que as cooperativas de crédito querem aumentar sua presença, contribuindo para elevar o número de pessoas bancarizadas. “Nosso mote de pensar é nesses 100 milhões que estão fora da bancarização. Somos uma instituição que preza a inclusão financeira dos menos favorecidos”, afirma Régis. O Brasil é um território muito grande e de muita diversidade e com o cooperativismo de crédito não seria diferente. Quando falamos em participação das pessoas associadas às cooperativas de crédito, a região Sul se destaca entre as demais. “No Sul a participação é muito maior. Enquanto a média brasileira é de 4%, nos três estados da região Sul é de 14%”, explica Régis. Sul e Sudeste abrigam 75% das cooperativas de crédito O cooperativismo de crédito no Brasil nasceu em 1902, na cidade gaúcha de Nova Petrópolis, por iniciativa do padre suíço Theodor Amstad. Em conjunto com 19 pessoas, ele fundou a 1ª cooperativa de crédito da América Latina. Hoje, 114 anos depois, o Brasil possui cerca de 1.100 Cooperativas de Crédito, 38 Centrais Estaduais e 4 Confederações, sendo alicerçado basicamente em 5 sistemas de crédito - SICOOB, SICREDI, UNICRED, CECRED, CONFESOL (esta última representando as centrais Cresol, Ecosol e Crenhor). A maioria das cooperativas de crédito brasileiras opera nas regiões Sul e Sudeste, que abrigam 75% do total destas cooperativas no país. Dados do Banco Central mostram que mais de dois terços das cooperativas de crédito estão nos seguintes estados: São Paulo (cerca de 300), Minas Gerais (aproximadamente 250), Rio Grande do Sul (cerca de 100), Paraná (cerca de 100) e Santa Catarina (cerca de 100). REVISTA EASYCOOP

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Você já pensou em ser anfitrião de eventos como Mestre de Cerimônia? A profissão é antiga e muito importante. com elegância, entender a responsabili- função, resultando em responsabilidades A figura do Mestre de Cerimônia, res- dade que é conduzir um evento, além de totalmente diferentes. ponsável pela condução de solenidades, ter sólidos conhecimentos em cerimonial, O Cerimonialista trabalha nos bastidores; está presente em todos os grandes even- protocolo e etiqueta. Portanto, apresentar cabe a ele montar o roteiro da cerimônia, tos, tanto na esfera pública como priva- o evento é apenas uma das tarefas do sem a função de apresentá-la. O Mestre da. Sua presença já é detectada nas de Cerimônia conduz a cerimônia antigas Grécia e Roma. Mesmo an- de forma linear, seguindo exata- tes de Cristo, no Japão e na China, mente aquilo que está no script. Sua ele era o responsável pela condu- voz e sequência de condução são no ção dos torneios de arco e flecha. mesmo tom, é uma pessoa presente Na Idade Média, era conhecido durante todo o evento, mas neutra como o arauto (porta-voz real), que durante sua aparição. O Apresen- recebia os convidados em festas e tador conduz a cerimônia com um banquetes ou anunciava atos do rei. tom mais informal; mesmo respei- A demanda por este profissional é tando todas as convenções, pode muito grande e pode entrar na área acrescentar um toque pessoal à sua de interesse do cooperativismo. condução. Somente a cidade de São Paulo O Mestre de Cerimônia é respon- abriga 120 mil eventos por ano, ou sável por interligar as fases do seja, a cada 5 minutos um evento evento, bem como promover a in- é iniciado. É um número maior tegração entre os participantes e do que os de Nova York, Tóquio e os convidados. É imprescindível Pequim, sem falar nos eventos que numa solenidade em que se quei- acontecem no Interior paulista e ra dar um tom oficial e clássico. em outras cidades do país. O Mes- Para a escolha desse profissional, tre de Cerimônia é o anfitrião ofi- considera-se a sua experiência e cial. Deve fazer seu trabalho com um profundo conhecimento em técnica, classe e profissionalismo. Cerimonial & Protocolo (nor- “A presença marcante do anfitrião mas que devem ser observadas e é um dos elementos mais importantes para eternizar a memória de Nicoli: Mestre de Cerimônia deve ter elegância e discrição regras de precedência frente aos diversos níveis hierárquicos). um evento”, diz Nicoli Miranda, expe- mestre de cerimônia. Há diferenças im- O sucesso vem de sua capacidade de riente profissional do setor. portantes entre Cerimonialista, Mestre conduzir a solenidade, sem ofuscá-la O Mestre de Cerimônia deve se envolver de Cerimônia e Apresentador. De acordo com seu brilho pessoal. Quanto menos em todas as fases de uma solenidade, au- com o conhecimento popular, todos rea- ele aparecer, mais importante ele irá se xiliar, quando for o caso, em sua organi- lizam as mesmas atividades. Entretanto, tornar, pois se trata de um mediador, zação, ser disciplinado, saber improvisar existem características intrínsecas a cada controlador da cerimônia. 15 Nicoli Miranda, 18 anos na profissão e conselhos preciosos Nicoli Miranda, publicitária e Mestra de com segurança, retidão de caráter, moral currículo entre cerimônias oficiais de go- Cerimônia, com formação diplomática, e ética”, diz Nicoli. verno, celebrações matrimoniais (casa- nasceu em Portugal e mora no Brasil des- O profissionalismo é fundamental e exige mento laico), solenidades diplomáticas, de menina. Já foi protagonista de novela infantil na RedeTV, âncora de programa de humor na TV Gazeta e bailarina do Corpo de Baile do Ballet Ismael Guiser, famoso coreógrafo argentino e renomado bailarino internacional. Atualmente, dedica-se somente à profissão que abraçou há 18 anos: Mestra de Cerimônia. Para conduzir seu trabalho, que não per- conhecimento dos termos de tratamento, bem como ordem de precedência, decretos federais e profundo conhecimento dos ritos protocolares. Como todo ser humano, sublinha Nicoli,“o Mestre de Cerimônia tem emoções, mas, assim como um âncora de telejornal, não convém transparecer sentimentos pessoais durante a interpretação do roteiro sociais, sindicais, empresariais e corporativas. Tem sido com frequência convidada para ministrar palestras em cursos de pós-graduação na área de organização de eventos. Quem estiver precisando de orientações sobre essa profissão e também de uma profissional experiente, pode encaminhar um e-mail para nicoli@mestra- mite amadorismo, “é necessário ao pro- solene, mantendo sempre um tom sereno decerimonia.com.br ou consultar as fissional ter elegância, discrição, que atue e seguro sem jamais esquecer a transpa- páginas que a profissional mantém no de acordo com as exigências do mercado, rência apresentada em cada palavra pro- Facebook – Nicoli Miranda; Mestra saiba redigir um roteiro, utilize correta- nunciada, técnica conquistada ao longo de Cerimônia/Nicoli Miranda; e O mente seus recursos vocais, tenha uma de anos de experiência e aprimoramento”. Jardim de Lorenzo (onde semeia palapostura de extrema fidalguia e que atue Nicoli tem mais de 5 mil eventos em seu vras positivas e de esperança). Ano 3 • Edição 27 • out-nov.16

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