MANUAL DAS INDULGENCIAS

 

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manual das indulgÊncias normas e concessões

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enchiridion indulgentiarum 3 ed maio de 1986 tradução conferência nacional dos bispos do brasil revisão edson gracindo a 1

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apresentaÇÃo o papa paulo vi na sua imensa e acertada tarefa de complementar o concílio ecumênico vaticano ii publicou a constituição apostólica indulgentiarum doctrina recordando algumas verdades propostas pelo magistério da igreja e pelos santos padres assim fazendo deu embasamento doutrinário às indulgências retirando-as do terreno do devocionismo É esta valiosa obra intitulada enchiridion indulgentiarun publicada em terceira edição em 1986 que hoje a linha 4 da cnbb apresenta traduzida em português com o título de manual das indulgências nela encontrarão não só a constituição apostólica documento solene de grande valor mas também as normas e concessões de indulgências É à luz da constituição apostólica que deverão ser lucradas as indulgências por isso o devocionário incluso muito rico deverá ser usado com o equilíbrio sugerido pelo documento de paulo vi É de crer que esta obra vai trazer um esclarecimento doutrinário e também muitos frutos espirituais as indulgências e o desejo de lucrá-las são um elemento da piedade católica mas não o único assim a leitura da palavra de deus tem um valor intrínseco que transcende a indulgência que com ela se pode ganhar a igreja abre largamente o tesouro dos merecimentos de cristo e dos santos para ajudar nossa fraqueza saibamos aproveitar desta generosidade com a devida discrição brasília 28 de setembro ele 1989 clemente josé carlos isnard osb responsável pela linha 4 da cnbb 2

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paenitentiaria apostolica 310/89 a penitenciaria apostólica nada tem em contrário que a versão portuguesa do manual das indulgências apresentada pela conferência nacional dos bispos do brasil seja publicada observando o estabelecido pela lei dado em roma da penitenciaria apostólica a 19 de julho de 1989 luiz card dadaglio penitenciário-mor luiz de magistris regente 3

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prefÁcio da terceira ediÇÃo a penitenciaria apostólica editou o manual das indulgências a 29 de junho de 1968 solenidade de são pedro e são paulo quanto ao uso da palavra de deus da qual deriva toda a vida da igreja quanto à celebração dos ritos sagrados e quanto à regulamentação disciplinar desde então se realizaram mudanças e progressos de muita importância para o assunto das indulgências sobre isso convém lembrar a nova edição da sagrada escritura dita vulgata as novas normas e textos das celebrações litúrgicas e por fim a promulgação do novo código de direito para a igreja latina essas novidades nada mudaram de fato na regulamentação das indulgências e até o citado código confirmou expressamente o que se continha nas regras já prescritas entretanto para a expressão exata dessas normas e para a apresentação da coleção de ações e preces enriquecidas de indulgências devem-se levar em conta a anotação dos textos da sagrada escritura a indicação das rubricas em vigor para as ações litúrgicas e enfim a numeração de referências ao direito canônico assim pareceu necessário preparar nova edição conforme os critérios aqui determinados para que o manual das indulgências se harmonizasse com outros textos autênticos dotados de valor litúrgico e canônico com isso oferece-se ocasião para acrescentar ao manual algumas novas indulgências concedidas pelo sumo pontífice joão paulo ii ele próprio foi quem aprovou esta mesma edição na audiência de 13 de dezembro de 1985 todavia o texto anexo da constituição apostólica doutrina das indulgências sendo apresentado conforme o documento original por respeito à verdade histórica não requer mudança alguma igualmente se reproduz nesta edição antes da introdução o texto do decreto da penitenciaria apostólica como saiu a 29 de junho de 1968 a fim de aparecerem com clareza os critérios que determinam o valor jurídico do manual a penitenciaria apostólica publicando pela terceira vez o manual das indulgências deseja com isso ajudar valiosamente os fiéis a alcançar sua santificação quer pelo uso piedoso das indulgências quer pelo fervor da caridade e boas obras as quais são por assim dizer a raiz e a vida intima das indulgências dado em roma da penitenciaria apostólica a 18 de maio de 1986 na solenidade de pentecostes luiz cardo dadaglio penitenciário-mor luiz de magistris regente 4

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sagrada penitenciaria apostÓlica decreto na constituição apostólica indulgentiarum doctrina de primeiro de janeiro de 1967 lê-se o seguinte para que o próprio uso das indulgências seja elevado a maior dignidade e estima a santa mãe igreja julgou oportuno inovar algo nessa disciplina e decretou a promulgação de novas normas na norma 13 da mesma constituição eis o que se determina o manual das indulgências seja revisto com o critério de se enriquecerem com indulgências somente as obras principais de piedade caridade e penitência cumprindo a vontade do sumo pontífice manifestada tanto pela constituição apostólica indulgentiarum doctrina como pelas novas determinações por ele próprio indicadas esta sagrada penitenciaria diligentemente cuidou de compor um novo manual das indulgências o sumo pontífice paulo vi recebeu em audiência de 14 ele junho desse ano ao cardeal penitenciário-mor abaixo assinado este lhe apresentou o novo manual das indulgências impresso na tipografia vaticana a 15 de agosto do mesmo ano o sumo pontífice o aprovou e mandou que o reconhecessem como autêntico ab-rogando todas as concessões de indulgências não contidas no mesmo manual ab-rogou além disso no assunto de indulgências as ordenações do código de direito canônico das letras apostólicas mesmo as dadas de motopróprio dos decretos da santa sé enfim o que não estivesse incluído nas normas sobre as indulgências revogam-se as disposições em contrário mesmo as de especial menção dado em roma pela sagrada penitenciaria apostólica a 29 de junho de 1968 na festa dos santos apóstolos pedro e paulo josé cardo ferretto bispo titular da igreja suburbana sabinense e mandelense penitenciário-mor joão sessolo regente 5

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introduÇÃo geral 1 quando pela primeira vez foi editado este manual pôs-se em prática a norma 13 da constituição apostólica o manual das indulgências seja revisto com o critério de se enriquecerem de indulgências somente as principais orações e as principais obras de piedade caridade e penitência 2 a respeito disso as principais orações e as principais obras se consideram aquelas que tendo em conta a tradição e a mudança dos tempos parecem aptas de modo especial não só para ajudarem os fiéis na satisfação das penas merecidas por seus pecados mas ainda e excelentemente para impulsionarem a um maior fervor de caridade neste princípio se apoiou o modo de composição do manual com nova ordem 1 3 segundo a tradição a participação no sacrifício da missa e nos sacramentos não é enriquecida de indulgências por causa de sua superior eficácia para a santificação e purificação 2 contudo dão-se acontecimentos especiais como a primeira comunhão a primeira missa do neo-sacerdote a missa no encerramento de congresso eucarístico nestes casos concede-se a indulgência mas ela não se atribui à participação da missa ou dos sacramentos mas a essas circunstâncias extraordinárias deste modo com o auxílio da indulgência se promove e se premia por assim dizer o desejo de consagração que é próprio dessas celebrações o bom exemplo que se dá aos outros a honra que se presta à santa eucaristia e ao sacerdócio contudo segundo a tradição pode conceder-se a indulgência a várias obras de piedade particular ou pública além disto podem enriquecer-se com indulgências aquelas obras de caridade e penitência a que o nosso tempo atribui maior importância todas estas obras dotadas de indulgências como qualquer outra boa ação e qualquer outro sofrimento suportado com paciência não se separam de modo algum da missa e dos sacramentos como fontes principais de santificação e purificação 3 pois as boas obras e sofrimentos tornam-se oblação dos próprios fiéis que se ajunta à oblação de cristo no sacrifício eucarístico;4 e também porque a missa e os sacramentos levam os fiéis ao cumprimento de seus deveres de modo a cumprirem na vida o que acolheram na fé 5 e a disporem com os deveres cumpridos os corações para mais frutuosa participação dos sacramentos.6 4 porque os tempos são outros atribui-se agora maior importância à ação do cristão operi operantis e por esta razão não se enumeram em longa lista obras de piedade opus operatum como se fossem distintas de sua vida apresenta-se apenas um número moderado de concessões 7 que levem com maior eficácia o fiel a tornar sua vida mais útil e mais santa desta forma se tira aquele desequilíbrio entre a fé que muitos professam e a vida cotidiana que vivem e assim todos os esforços humanos familiares profissionais científicos ou técnicos numa síntese vital se ajuntam com os bens religiosos e com esta altíssima coordenação tudo coopera para a glória de deus 8 foi preocupação principal abrir amplo espaço à vida e informar os corações no espírito e exercício da oração penitência e virtudes teologais mais do que propor repetições de fórmulas e atos 5 no manual antes de se agruparem as várias concessões expõem-se as normas tiradas da constituição apostólica e do código de direito canônico pois pareceu útil para precaver possíveis dúvidas sobre o assunto apresentar num só conjunto bem ordenado todas as 1 2 cf aloc de paulo vi ao colégio dos cardeais e à cúria a 23 de dezembro de 1966 aas 59 [1967 p 57 cf const apost indulgentiarum doctrina 1o de jan de 1967 n 11 3 cf ib 4 cf conc vat ii const dogm sobre a igreja,lumen gentium 34 5 missal romano oração da 2a feira da páscoa 6 cf conc vat ii const sobre a sagrada liturgia sacrosanctum concilium 9-13 7 cf abaixo principalmente nn i-iii 8 cf conc vat ii const past sobre a igreja no mundo de hoje gaudium et spes 43 6

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disposições sobre as indulgências em vigor atualmente 6 no manual se apresentam em primeiro lugar três concessões que são como luzeiros para a vida cotidiana do cristão a cada uma dessas três mais gerais para a utilidade e conhecimento dos fiéis se acrescentam notas para declarar que cada concessão se ajusta ao espírito do evangelho e à renovação proposta pelo concílio ecumênico vaticano ii 7 segue-se a isto a lista das concessões que se referem a cada obra de piedade são poucas porque algumas obras estão incluídas nas três concessões mencionadas no que diz respeito às orações pareceu bom lembrar expressamente só de algumas de índole universal sobre outras orações empregadas em vários ritos e lugares pode determinar a competente autoridade eclesiástica 8 ao manual acrescenta-se um apêndice que contém uma série de invocações e apresenta o texto da constituição apostólica indulgentiarum doctrina 7

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normas sobre as indulgÊncias 1 indulgência é a remissão diante de deus da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa que o fiel devidamente disposto e em certas e determinadas condições alcança por meio da igreja a qual como dispensadora da redenção distribui e aplica com autoridade o tesouro das satisfações de cristo e dos santos.1 2 a indulgência é parcial ou plenária conforme liberta em parte ou no todo da pena temporal devida pelos pecados.2 3 ninguém pode lucrar indulgências a favor de outras pessoas vivas 3 4 qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos como sufrágio 4 5 o fiel que ao menos com o coração contrito faz uma obra enriquecida de indulgência parcial com o auxílio da igreja alcança o perdão da pena temporal em valor correspondente ao que ele próprio já ganha com sua ação.5 6 a divisão das indulgências em pessoais reais e locais já não se usa para mais claramente constar que se enriquecem as ações dos fiéis embora sejam atribuídas às vezes a coisas e lugares.6 7 além da autoridade suprema da igreja só podem conceder indulgências aqueles a quem esse poder é reconhecido pelo direito ou concedido pelo romano pontífice 7 8 na cúria romana só à sagrada penitenciaria se confia tudo o que se refere à concessão e uso de indulgências excetua-se o direito da congregação para a doutrina da fé de examinar o que toca à doutrina dogmática sobre as mesmas indulgências.8 9 nenhuma autoridade inferior ao romano pontífice pode conferir a outros o poder de conceder indulgências a não ser que isso lhe tenha sido expressamente concedido pela sé apostólica.9 10 os bispos e os equiparados a eles pelo direito desde o princípio de seu múnus pastoral têm os seguintes direitos 1º conceder indulgência parcial aos fiéis confiados ao seu cuidado 2º dar a bênção papal com indulgência plenária segundo a fórmula prescrita cada qual em sua diocese três vezes ao ano no fim da missa celebrada com especial esplendor litúrgico ainda que eles próprios não a celebrem mas apenas assistam e isso em solenidade ou festas por eles designadas 11 os metropolitas podem conceder a indulgência parcial nas dioceses sufragâneas como o fazem na sua própria diocese 12 os patriarcas podem conceder a indulgência parcial em cada um dos lugares do seu patriarcado mesmo isentos nas igrejas de seu rito fora dos confins do patriarcado e em qualquer parte para os fiéis do seu rito o mesmo podem os arcebispos maiores 13 o cardeal goza do direito de conceder a indulgência parcial em qualquer parte mas só aos presentes em cada vez 14 parágrafo 1 todos os livros opúsculos folhetos etc em que se contêm concessões de indulgências não se editem sem licença do ordinário ou jerarca local 1 2 3 4 5 6 7 8 9 indulg doctr norma 1 const apost indulgentiarum doctrina cf infra ib norma 2 ib norma 3 ib norma 5 cf cân 994 cdc ib norma 12 cf cân 995 1 cdc cf const apost regimini ecclesiae universae 15 de ag de 1967 n 113 aas 59 p 113 cf cân 995 2 cdc 8

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parágrafo 2 requer-se licença expressa da sé apostólica para imprimir em qualquer língua a coleção autêntica das orações ou das obras pias a que a sé apostólica anexou indulgências.10 15 os que impetraram do sumo pontífice concessões de indulgências para todos os fiéis são obrigados sob pena de nulidade da graça recebida a mandar exemplares autênticos das mesmas à sagrada penitenciaria 16 a indulgência anexa a alguma festa entende-se como transferida para o dia em que tal festa ou sua solenidade externa legitimamente se transfere 17 para ganhar a indulgência anexa a algum dia se é exigida visita à igreja ou oratório esta pode fazer-se desde o meio-dia precedente até a meia-noite do dia determinado 18 o fiel cristão que usa objetos de piedade crucifixo ou cruz rosário escapulário medalha devidamente abençoados por qualquer sacerdote ou diácono ganha indulgência parcial se os mesmos objetos forem bentos pelo sumo pontífice ou por qualquer bispo o fiel ao usá-los com piedade pode alcançar até a indulgência plenária na solenidade dos santos apóstolos pedro e paulo se acrescentar alguma fórmula legítima de profissão de fé 11 19 parágrafo 1 a indulgência anexa à visita à igreja não cessa se o edifício se arruíne completamente e seja reconstruído dentro de cinqüenta anos no mesmo ou quase no mesmo lugar e sob o mesmo título parágrafo 2 a indulgência anexa ao uso de objeto de piedade só cessa quando o mesmo objeto acabe inteiramente ou seja vendido 20 parágrafo 1 para que alguém seja capaz de lucrar indulgências deve ser batizado não estar excomungado e encontrar-se em estado de graça pelo menos no fim das obras prescritas parágrafo 2 o fiel deve também ter intenção ao menos geral de ganhar a indulgência e cumprir as ações prescritas no tempo determinado e no modo devido segundo o teor da concessão.12 21 parágrafo 1 a indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia parágrafo 2 contudo o fiel em artigo de morte pode ganhá-la mesmo que já a tenha conseguido nesse dia parágrafo 3 a indulgência parcial pode ganhar-se mais vezes ao dia se expressamente não se determinar o contrário.13 22 a obra prescrita para alcançar a indulgência plenária anexa à igreja ou oratório é a visita aos mesmos neles se recitam a oração dominical e o símbolo aos apóstolos pai-nosso e creio a não ser caso especial em que se marque outra coisa.14 23 parágrafo 1 para lucrar a indulgência plenária além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado até venial requerem-se a execução da obra enriquecida da indulgência e o cumprimento das três condições seguintes confissão sacramental comunhão eucarística e oração nas intenções do sumo pontífice.15 parágrafo 2 com uma só confissão podem ganhar-se várias indulgências mas com uma só comunhão e uma só oração alcança-se uma só indulgência plenária parágrafo 3 as três condições podem cumprir-se em vários dias antes ou depois da execução da obra prescrita convém contudo que tal comunhão e tal oração se pratiquem no próprio dia da obra prescrita parágrafo 4 se falta a devida disposição ou se a obra prescrita e as três condições não se cumprem a indulgência será só parcial salvo o que se prescreve nos nn 27 e 28 em favor dos impedidos parágrafo 5 a condição de rezar nas intenções do sumo pontífice se cumpre ao se recitar 10 11 cf cân 826 3 cdc indulg doctr norma 17 12 cf cân 996 cdc 13 indulg doctr norma s 6 e 18 14 ib norma 16 15 cf ib normas 7,8,9,10 9

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nessas intenções um pai-nosso e uma ave-maria mas podem os fiéis acrescentar outras orações conforme sua piedade e devoção 24 com a obra a cuja execução se está obrigado por lei ou preceito não se podem ganhar indulgências a não ser que em sua concessão se diga expressamente o contrário contudo quem executa obra que é penitência sacramental e é por acaso indulgenciada pode ao mesmo tempo satisfazer a penitência e ganhar a indulgência.16 25 a indulgência anexa a alguma oração pode ganhar-se em qualquer língua em que se recite desde que a tradução seja fiel por declaração da sagrada penitenciaria ou de um dos ordinários ou jerarcas locais 26 para aquisição de indulgências é suficiente rezar a oração alternadamente com um companheiro ou segui-la com a mente enquanto outro a recita 27 os confessores podem comutar a obra prescrita ou as condições em favor dos que estão legitimamente impedidos ou impossibilitados de as cumprir por si próprios 28 os ordinários ou jerarcas locais podem além disso conceder aos fiéis que são seus súditos segundo a norma do direito e que se encontrem em lugares onde de nenhum modo ou dificilmente possam se confessar e comungar para que também eles possam ganhar a indulgência plenária sem a atual confissão e comunhão contanto que estejam de coração contrito e se proponham aproximar-se destes sacramentos logo que puderem 29 tanto os surdos como os mudos podem ganhar as indulgências anexas às orações públicas se rezando junto com outros fiéis no mesmo lugar elevarem a deus a mente com sentimentos piedosos e tratando-se de orações em particular é suficiente que as lembrem com a mente ou as percorram somente com os olhos 16 cf ib norma 11 10

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trÊs concessÕes mais gerais introduÇÃo 1 propõem-se em primeiro lugar três concessões de indulgências com as quais se aconselha o fiel a informar de espírito cristão1 as ações de sua existência cotidiana e a tender em seu estado de vida à perfeição da caridade.2 2 a primeira e segunda concessão equivalem a muitas concessões que existiam outrora de maneira· diferente a terceira convém especialmente aos nossos tempos em que os fiéis devem ser movidos à penitência além da obrigação da abstinência e do jejum aliás bastante mitigada.3 3 as três concessões são de fato mais gerais e cada uma delas abraça várias obras do mesmo gênero contudo nem todas essas obras são enriquecidas de indulgências mas só as que são feitas de maneira e intenção particulares considere-se por exemplo a primeira concessão cujos termos são os seguintes concedese indulgência parcial ao fiel que no cumprimento de seus deveres e na tolerância das aflições da vida ergue o espírito a deus com humilde confiança acrescentando alguma piedosa invocação mesmo só em pensamento por esta concessão são enriquecidos de indulgências somente os atos em que o fiel ao cumprir seus deveres e ao suportar as aflições da vida eleva o espírito a deus como se propõe estes atos especiais pela fraqueza humana não são tão freqüentes mas se alguém é tão diligente e fervoroso que estende tais atos a vários momentos do dia então com justiça merece além de copioso aumento de graça mais amplo perdão da pena temporal e pode ajudar com mais abundância de méritos às almas do purgatório quase o mesmo se deve dizer das outras duas concessões 4 as três concessões como é claro de modo especial concordam com o evangelho e com a doutrina da igreja lucidamente proposta pelo concílio vaticano 11 para comodidade dos fiéis os textos tirados da sagrada escritura e das atas do concílio que se referem a cada uma das concessões se aduzem a seguir concessÕes i concede-se indulgência parcial ao fiel que no cumprimento de seus deveres e na tolerância das aflições da vida ergue o espírito a deus com humilde confiança acrescentando alguma piedosa invocação mesmo só em pensamento por esta primeira concessão os fiéis executando o mandato de cristo É preciso orar sempre e não desistir 4 são como que conduzidos pela mão e ao mesmo tempo aconselhados ao cumprimento de seus deveres de modo a conservar e aumentar sua união com cristo mt 7,7-8 pedi e será dado buscai e achareis batei e será aberto pois todo aquele que pede recebe quem procura acha e a quem bate se abre mt 26,41 vigiai e rezai para não cairdes em tentação lc 21,34-36 estai atentos para que o vosso coração não fique insensível por causa das preocupações da vida vigiai sempre e orai at 2,42 freqüentavam com assiduidade a doutrina dos apóstolos as reuniões em comum o partir o pão e as orações rm 12,12 sede alegres na esperança pacientes na tribulação e perseverantes na oração 1cor 10,31 quer carnais quer bebais quer façais qualquer outra coisa fazei tudo para glória de deus 1 2 cf 1cor 10,31 e cl 3,17 conc vat ii decr sobre o apostolado dos leigos apostolicam actuositatem 2 3 4 e 13 cf conc vat ii const dogm sobre a igreja lumen gentium 39 e 40-42 3 cf const apost paenitemini 17 de fev de 1966 ii e aas 58 1966 pp 182-183 4 lc 18,1 11

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ef 6,18 vivei em oração e súplicas rezai em todo tempo no espírito guardai vigilância contínua na oração e intercedei por todos os santos ci 3,17 e tudo quanto fizerdes por palavras ou obras fazei em nome do senhor jesus dando graças a deus pai por ele ci 4,2 aplicai-vos com assiduidade e vigilância à oração acompanhada de ação de graças 1ts 5,17-18 orai sem cessar em todas as circunstâncias dai graças concílio vaticano ii const dogm sobre a igreja lumen gentium 41 portanto todos os fiéis cristãos nas condições ofícios ou circunstâncias de sua vida e através disto tudo dia a dia mais se santificarão se com fé tudo aceitam da mão do pai celeste e cooperam com a vontade divina manifestando a todos no próprio serviço temporal a caridade com que deus amou o mundo concílio vaticano ii decr sobre o apostolado dos leigos apostolicam actuositatem 4 esta vida íntima de união com cristo na igreja alimenta-se por meios espirituais que devem ser de tal sorte utilizados pelos leigos que estes enquanto cumprem corretamente as funções mesmas do mundo nas condições ordinárias da vida não separem a união com cristo de sua vida mas cresçam nela enquanto realizam o próprio trabalho segundo a vontade de deus nem os cuidados pela família nem os demais assuntos seculares devem ser estranhos à espiritualidade da sua vida segundo a expressão do apóstolo o que quer que façais por palavra ou por ação fazei-o em nome do senhor jesus cristo dando graças a deus pai por ele 5 concílio vaticano ii const past sobre a igreja no mundo de hoje gaudium et spes 43 este divórcio entre a fé professada e a vida cotidiana de muitos deve ser enumerado entre os erros mais graves do nosso tempo portanto não se crie oposição artificial entre as atividades profissionais e sociais de uma parte e de outra a vida religiosa alegrem-se antes os cristãos porque podem desempenhar todas as atividades terrestres unindo os esforços humanos domésticos profissionais científicos ou técnicos em síntese vital com os valores religiosos sob cuja soberana direção todas as coisas são coordenadas para a glória de deus ii concede-se indulgência parcial ao fiel que levado pelo espírito de fé com o coração misericordioso dispõe de si próprio e de seus bens no serviço dos irmãos que sofrem falta do necessário o fiel é atraído por esta concessão de indulgência para que seguindo o exemplo e preceito do cristo jesus,6 execute mais freqüentemente obras de caridade ou de misericórdia contudo nem todas as obras de caridade são enriquecidas de indulgência mas só as que são feitas para serviço dos irmãos que sofrem falta do necessário como comida ou roupa para o corpo ou consolação para alma mt 25,35-36 e 40 tive fome e me destes de comer tive sede e me destes de beber fui peregrino e me acolhestes estive nu e me vestistes enfermo e me visitastes estava preso e viestes me ver em verdade vos digo todas as vezes que a fizestes a um destes meus irmãos menores a mim o fizestes jo 13,34-35 um novo preceito eu vos dou que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei amai-vos também uns aos outros todos hão de conhecer que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros rm 12,8.10-11 e 13 se distribuir esmolas faça-o com simplicidade quem exerce a misericórdia que o faça com afabilidade sede cordiais no amor fraterno entre vós rivalizai em honrar-vos reciprocamente não relaxeis no zelo sede fervorosos de espírito servi ao senhor socorrei as necessidades dos fiéis esmerai-vos na prática da hospitalidade 7 1cor 13,3 e se repartir toda a minha fortuna mas não tiver a caridade nada disso me 5 6 c1 3,17 cf jo 13,15 e at 10,38 7 cf também tb 4,7-8 e is 58,7 12

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aproveita gi 6,10 por conseguinte enquanto dispomos de tempo façamos bem a todos especialmente aos irmãos na fé ef 5,2 progredi na caridade segundo o exemplo de cristo que nos amou 1ts 4,9 vós mesmos a prendestes de deus a vos amar uns aos outros hb 13,1 perseverai no amor fraterno tg 1,27 a religião pura e imaculada diante de deus pai é visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e conservar-se sem mancha neste mundo.8 1pd 1,22 em obediência à verdade vos purificastes para praticardes um amor fraterno sincero amai-vos pois uns aos outros ardentemente do fundo do coração 1pd 3,8-9 finalmente tende todos um mesmo sentir sede compassivos fraternais misericordiosos humildes não pagueis mal com mal nem injúria com injúria ao contrário abençoai pois fostes chamados para serdes herdeiros da bênção 2pd 1,5-7 por estes motivos esforçai-vos quanto possível para unir à piedade a estima fraterna e à estima fraterna o amor 1jo 3,17-18 quem possuir bens deste mundo e vir o irmão passando necessidade mas lhe fechar o coração como poderá estar nele o amor de deus meus filhinhos não amemos com palavra nem de boca mas com obras e verdade concílio vaticano ii decr sobre o apostolado dos leigos apostolicam actuositatem 8 onde quer que haja alguém que carece de comida e bebida de roupa casa medicamentos trabalho instrução de condições necessárias para uma vida realmente humana que esteja atormentado pelas tribulações ou doença que sofra exílio ou prisão aí a caridade cristã deve procurá-lo e descobri-lo aliviá-lo com carinhosa assistência e ajudá-lo com auxílios oportunos para que o exercício desta caridade esteja acima de qualquer crítica e se apresente como tal olhe-se no próximo a imagem de deus segundo a qual foi criado e o cristo senhor a quem na realidade se oferece o que é dado ao indigente concílio vaticano ii decr sobre o apostolado dos leigos apostolicam actuositatem 31c uma vez que as obras de caridade e misericórdia apresentam testemunho luminoso de vida cristã a formação apostólica deve levar também à prática das mesmas para que aprendam os fiéis desde a infância a sofrer com os irmãos e a auxiliar de coração generoso os que sofrem concílio vaticano ii const past sobre a igreja no mundo de hoje gaudium et spes 93 lembrados da palavra do senhor nisto todos conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros 9 os cristãos nada podem desejar mais ardentemente do que prestar serviço aos homens de hoje com generosidade sempre maior e mais eficaz pois o pai quer que reconheçamos cristo como irmão em todos os homens e amemos eficazmente tanto em palavras como em atos iii concede-se indulgência parcial ao fiel que se abstém de coisa lícita e agradável em espírito espontâneo de penitência por esta terceira concessão é impelido o fiel a refrear suas más inclinações a aprender a sujeitar o corpo e a se conformar com cristo pobre e paciente.10 pois a penitência tanto mais vale quanto mais se une à caridade conforme as palavras de são leão magno demos à virtude o que subtrairmos ao prazer torne-se refeição dos pobres a abstinência do que jejua 11 lc 9,23 se alguém quiser seguir-me negue-se a si mesmo tome a cruz cada dia e me siga.12 8 9 cf também tg 2,15-16 jo 13,35 10 cf mt 8,20 e 16,24 11 sermão 13 ou 12 sobre o jejum do décimo mês 2 pl 54 172 12 cf lc 14,27 13

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lc 13,5 digo-vos que se não vos converterdes todos vós perecereis do mesmo modo cf também o v 3 rm 8,13 se pelo espírito mortificardes as obras da carne vivereis rm 8,17 soframos com ele para sermos também com ele glorificados lcor 9,25-27 quem se prepara para a luta abstém-se de tudo e isto para alcançar uma coroa corruptível porém nós para alcançar uma incorruptível e eu corro mas não vou sem direção eu luto mas não como quem dá socos no ar porém castigo meu corpo e o domino 2cor 4,10 trazemos sempre no corpo a morte de jesus para que também a vida de jesus se manifeste em nosso corpo 2tm 2,11-12 verdadeira é a palavra pois se padecemos com ele também com ele viveremos se com ele sofremos com ele reinaremos tt 2,12 veio para nos ensinar a renúncia aos desejos mundanos para vivermos sóbria justa e piedosamente neste século lpd 4,13 deveis alegrar-vos na medida em que participais dos sofrimentos de cristo para que na revelação de sua glória possais exultar e alegrar-vos concílio vaticano ii decr sobre a formação sacerdotal optatam totius 9 com particular solicitude sejam de tal modo formados na obediência sacerdotal na vida de pobreza e no espírito de abnegação que estejam prontos a renunciar até as coisas lícitas para se conformarem a cristo crucificado concílio vaticano ii const dogm sobre a igreja lumen gentium 10 os fiéis no entanto em virtude de seu sacerdócio régio concorrem na oblação da eucaristia e o exercem na recepção dos sacramentos na oração e ação de graças pelo testemunho de uma vida santa pela abnegação e caridade ativa concílio vaticano ii const dogm sobre a igreja lumen gentium 41 todos os que movidos pelo espírito de deus obedecem à voz do pai e adoram a deus pai em espírito e verdade cultivamos vários gêneros de vida e ofícios mas uma única santidade eles seguem a cristo pobre humilde e carregado com a cruz para que mereçam ter parte na sua glória const apost paenitemini iii c a igreja convida a todos os fiéis a corresponderem ao preceito divino da penitência que além das renúncias impostas pelo peso da vida cotidiana pede alguns atos de mortificação também de corpo a igreja quer indicar na tríade tradicional oração jejum caridade os modos fundamentais para obedecer ao preceito divino da penitência ela defendeu a oração e as obras de caridade mas também e com insistência a abstinência de carne e o jejum tais modos foram comuns a todos os séculos todavia no nosso tempo motivos particulares existem pelos quais segundo as exigências dos diversos lugares é necessário inculcar de preferência a outras alguma forma especial de penitência por isso onde quer que seja maior o bem-estar econômico dever-se-á de preferência dar um testemunho de abnegação a fim de que os filhos da igreja não sejam envolvidos pelo espírito do mundo e ao mesmo tempo dever-se-á dar um testemunho de caridade para com os irmãos também de regiões longínquas que sofrem de pobreza e de fome 13 13 aas 58 1966 pp 182-183 14

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