Revista Alimenta|Edição 3

 

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Edição 3

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Edição 3 2016 FAZ BEM Normas e leis para a produção e a comercialização de alimentos e de bebidas avançam, mas ainda há muito a ser feito para que as empresas desenvolvam os seus processos e o consumidor tenha maior segurança no seu prato VINHOS Espumantes brasileiros ganham espaço no mundo BEBIDAS Cervejarias alternativas para paladares diferenciados LEITE E DERIVADOS Empresas lácteas querem aumentar a competitividade PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA ENVASE BRASIL E BRASIL ALIMENTA

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A revista tem o objetivo de retratar a evolução da cadeia produ- tiva alimentar no Brasil. Nos artigos, entrevistas e reportagens desta edição, o leitor encontrará análises e informações sobre oportunidades de negócios e inovações nas áreas de tecnologia, logística e produção em qua- tro áreas fundamentais da economia nacional: o agronegócio, a produção de leite e derivados, o fornecimento de bebidas e a elaboração de vinhos. DMUNSSAPTEE E IGUAL PARA IGUAL Os espumantes brasileiros vêm evoluindo de maneira tão positiva que já competem com produtos tradicionais e reconhecidos no mercado internacional Por Adriana Bruno 14 DREAMSTIME Segundo informações fornecidas pelo Ibravin, em 2015, 105 dos 143 prêmios internacionais foram entregues a espumantes elaborados no Brasil 14 Vinhos Os espumantes brasileiros vêm evoluindo de maneira tão positiva que competem com produtos tradicionais e reconhecidos no mercado internacional Bebidas 18 Cada vez mais, o consumidor de cerveja muda os seus hábitos, forçando a indústria cervejeira a se adaptar a essa realidade, oferecendo itens diferenciados B E BI DIVULGAÇÃO D A S EM BUSCA D E NOVIDADES O paladar do consumidor de cerveja está mudando, e ele, cada vez mais, prefere produtos diferenciados, exigindo que os fabricantes se adaptem a essa nova realidade Por Adriana Bruno 18 ETELI E UODDSRAVEI NIÃO ESTRATÉGICA Pequenas e médias empresas do setor lácteo reconhecem no modelo associativista uma ferramenta que lhes permite tornarem-se mais competitivas Por Adriana Bruno 22 Leite e derivados Modelo associativista permite que as pequenas e médias empresas do setor lácteo tornem-se mais competitivas, consigam aumentar a produtividade e atuem em grandes áreas do mercado DIVULGAÇÃO FOTOS: DIVULGAÇÃO 22 Melhorar a qualidade do leite e aumentar a produtividade são os principais objetivos Evento 26 Envase Brasil e Brasil Alimenta trazem novidades em produtos, tecnologias e serviços para a cadeia produtiva de alimentos e de bebidas ONVETE REUNIÃO DE BONS NEGÓCIOS Evento será realizado de 26 a 29 de abril, em Bento Gonçalves/RS, e reunirá, em um só lugar, palestras, cases de sucesso e as inovações das empresas participantes Da Redação 26 Edição 3 2016 FAZ BEM Normas e leis para a produção e a comercialização de alimentos e de bebidas avançam, mas ainda há muito a ser feito para que as empresas desenvolvam os seus processos e o consumidor tenha maior segurança no seu prato VINHOS Espumantes brasileiros ganham espaço no mundo BEBIDAS Cervejarias alternativas para paladares diferenciados LEITE E DERIVADOS Empresas lácteas querem aumentar a competitividade PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA ENVASE BRASIL E BRASIL ALIMENTA MUS ORÁI 4 Editorial 6 Capa O Brasil avança em normas, leis e padrões de segurança alimentar, mas ainda há muito a ser feito para que as empresas desenvolvam os seus processos de produção 12 Fique por dentro Notícias do setor agroindustrial de alimentos e bebidas 33 Expositores Todas as empresas que participam da Envase Brasil e Brasil Alimenta 44 Artigo Vicente Puerta, presidente da Envase Brasil e Brasil Alimenta, fala da procura contínua pela qualidade por parte das indústrias de alimentos e de bebidas 3

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aRleimtreantotodsoemdeercbaedboiddaesODRTEI nfim, chegamos ao terceiro número da pu- I blicação, agora na versão digital, para que A você possa acompanhar as notícias na inter- EL net, ou nos smartphones ou em outras pla- a tomada de decisões, desde o pequeno até os grandes atuantes no mercado de alimentação e de bebidas. Nesta edição, empenhamo-nos em procurar saber de que maneira a gestão dos alimentos pode garantir taformas digitais, e esteja você onde estiver e qualidade, segurança e credibilidade para que não se no momento em que quiser e puder. Nosso propósito prejudique a saúde do consumidor, e como as em- foi o de procurar responder às necessidades da vida presas, sejam elas da indústria ou do varejo, precisam moderna recorrendo aos recursos tecnológicos atual- estar atentas às legislações sanitárias e às pressões go- mente disponíveis, os quais tornaram possível a todos vernamentais, dos clientes e de organizações respon- estarem conectados entre si e antenados o tempo in- sáveis para garantir um alimento com uma qualidade teiro no universo das informações, acompanhando as melhor, com mais segurança e mais credibilidade no notícias e as novidades que despontam em qualquer processo de fabricação e de comercialização. área do conhecimento e em qualquer lugar em que Sob esse aspecto, o objetivo da matéria de espuman- se esteja. Essa mobilidade nos possibilitou uma pu- tes consistiu em mostrar como o produto evoluiu, blicação ágil e diferenciada, mas que não perdeu suas ganhou qualidade, conquistou o público e derrubou características, que lhe permitem delinear um retrato as vendas de itens de menor qualidade nos encontros adequado do mercado de alimentos e de bebidas. familiares e nas comemorações. Em particular, ela A ideia básica que nos motiva é a de ressaltar as opor- aborda as perspectivas para esse item que ultrapassou tunidades de negócios que se apresentam nos diver- as fronteiras do País e se impôs no nível internacional. sos mercados envolvidos, desde o de laticínios e deri- Quanto ao mercado de cervejas, com a diversificação vados, passando pelas áreas vitivinícola e de enologia, e o acirramento da concorrência, mesmo entre as pe- até o elo final da cadeia de alimentação e de bebidas. quenas e médias empresas, a busca por nichos especí- E, respondendo à altura a esse novo mundo das inter- ficos na área de bebidas cresce e atrai consumidores, conexões instantâneas e dos acessos imediatos às in- seja pela qualidade da bebida oferecida, seja pela inte- formações, mostrar que há uma sinergia efetiva entre ressante atividade de agregação de valor por meio da RICARDO BAKKER todos esses mercados e operar como um instrumento busca de nomes criativos, embalagens diferenciadas de informações importantes, que permita uma efe- ou sabores inusitados. Até a próxima! tiva geração de conteúdo e de conhecimento, a qual possa funcionar como uma ferramenta eficiente para Cristiano Eloi, editor Editora Brasileira do Comércio Rua Apeninos, 1.126 CEP: 04104-021 | São Paulo - SP Fones: (11) 5572-1221 (11) 5908-8390 ebc@ebceditora.com.br www.ebceditora.com.br Editor Cristiano Eloi cristiano@ebceditora.com.br Redação redacao.db@ebceditora.com.br Repórter Rúbia Evangelinellis rubia@ebceditora.com.br Diretor-Presidente Vicente Puerta vicente@ebceditora.com.br Diretora-Editorial Claudia Rivoiro claudiarivoiro@ebceditora.com.br Revisão Newton Roberval Eichemberg CRIAÇÃO E PRODUÇÃO Criação Fábio Geríbola fabio@ebceditora.com.br Manoel Mendonça mano.mendonca@ebceditora.com.br Produção Gráfica Ronaldo Secundo ronaldo@ebceditora.com.br Jornalista Responsável Cristiano Eloi – MTb 38.052 PORTAL NEWTRADE Repórter Andréia Martins andreiamartins@ebceditora.com.br Mídias Digitais Gabriel Baldin gabriel@ebceditora.com.br Eduardo Silva eduardo@ebceditora.com.br Sulaya Nassif sulaya@ebceditora.com.br Planejamento Jorge Brolio jorge.brolio@ebceditora.com.br REPRESENTANTES Grande SP/Interior SP/ES/ MG/RJ: Julio Angelis julioangelis@newtrade.com.br Grande SP/NO/NE/CO: José Paulo Basílio jose.paulo@ebceditora.com.br Grande SP/RS/DF: Marcos Monaco monaco@ebceditora.com.br PR/SC: Mario Renato Chita representanteprsc@ebceditora. com.br Consultor Comercial Mário Nazar marionazar14@gmail.com Gerência Administrativa de Vendas Fernando Mendes fernando@ebceditora.com.br RELACIONAMENTO Leitores/assinaturas/circulação Fernando Mendes relacionamento@ebceditora.com.br Fale conosco: (11) 5572-1221 redacao.db@ebceditora.com.br Gerência Administrativa/ Financeira Simone Vargas simone@ebceditora.com.br Editora Brasileira do Coméricio filiada ao 4 A revista é destinada a empresários, sócios, diretores, gestores, gerentes, compradores e profissionais das empresas dos setores de bebidas e alimentos

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CAAP CAMINHO A PERCORRER O Brasil está avançando em segurança alimentar, mas ainda há muito a ser feito para que o País impeça fraudes e motive empresas a desenvolverem seus processos de produção por Adriana Bruno 6

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Normas para a fabricação e a segurança de alimentos estão mais avançadas nos segmentos de carnes e de aves FOTOLIA

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CAAP m um país de dimensões continentais como o Brasil, fica difícil afirmar que toda a produção de alimentos é 100% segura. E A indústria é o segmento mais avançado nesse sentido, mas, apesar das significativas discrepâncias existentes entre segmentos da cadeia produtiva e as regiões do Brasil, ocorrem avanços em todos os segmentos de alimentos. A afirmação é de Sílvia Kuhn Berenguer Barbosa, química industrial de Alimentos, auditora líder das normas ISO 9001, ISO 22000 e HACCP e diretora da Simpli Consultoria. Segundo ela, na indústria, os maiores avanços estão presentes no segmento de carnes e aves. “Por oferecerem maior risco por causa da natureza perecível dos produtos envolvidos, eles são mais fiscalizados. Além disso, há exigências por parte de importadores”, comenta. Sílvia também ressalta que avanços ocorrem igualmente na área agrícola. Por exemplo, “por meio dos procedimentos da Produção Integrada de Frutas, que cobrem as culturas de morango, maçã, uva e outras frutas, e também englobam requisitos de segurança de alimentos”, comenta. Normas vigentes O setor de comércio e serviços de alimentação é o que ainda requer avanços importantes. Nesse segmento, o contingente de empresas certificadas ainda é inexpressivo. “Acreditamos que é preciso avançar no entendimento dos requisitos das normas e na qualificação do pessoal perante tais requisitos. Pois há hoje uma verdadeira ‘torre de Babel’, ou seja, há múltiplas normas e esquemas com o mesmo objetivo, sem haver efetivas contribuições para a ciência da segurança de alimentos”, destaca Sílvia Berenguer. As exigências de clientes globais de alimentos e bebidas, como as empresas vinculadas à Iniciativa Global de Segurança de Alimentos (GFSI (Global Food Safety Initiative)) e as normas sanitárias vigentes no País também estão contribuindo para a melhoria da segurança alimentar brasileira.A GFSI é uma iniciativa que surgiu no âmbito do CGF – Consumer Goods Forum, formado por membros da indústria de alimentos, varejos e demais partes interessadas na missão de prover a melhoria contínua da segurança global de alimentos. “O objetivo principal inicial da GFSI foi estabelecer critérios de equivalência entre as normas de segurança de alimentos a fim de que, uma vez certificadas, um produtor de alimentos já estaria aprovado para fornecer a todas as empresas que aceitam uma norma 8 reconhecida pela GFSI”, explica Juliani Arimu- DIVULGAÇÃO ra Kitakawa, gerente de Alimentos e Bebidas da DNV GL Business Assurance Brasil. Segundo ela, no Brasil, as principais indústrias de alimentos e os varejistas estão solicitando que seus fornecedores de alimentos, de ingredientes ou de embalagens busquem a certificação em uma norma reconhecida como etapa de aprovação e de qualificação de seus fornecedores. As normas reconhecidas pela GFSI contemplam pré-requisitos (boas práticas de fabricação), implementação do APPCC/HACCP (análise de perigos e pontos críticos de controle), requisitos de sistema de gestão de segurança de alimentos e food defence (controle contra contaminação intencional). “A GFSI tem uma ferramenta para a implementação de uma norma reconhecida dentro de três anos, chamada Global Markets, a qual preconiza a implementação no primeiro ano de Boas Práticas de Fabricação e controle de perigos, no segundo ano agrega-se o APPCC e alguns requisitos de gestão, e no terceiro ano, a empresa deveria estar apta para cobrir todos os requisitos de uma das normas reconhecidas”, explica Juliani. Atualmente, há dez normas reconhecidas: FSSC 22000, BRC (Food e Packaging) SQF, IFS Food, IFS PacSecure, GLOBALG.A.P, CanadaGAP, The Global Aquaculture Alliance, PrimusGFS e GRMS (Global Red Meat Standard). Sílvia Kuhn Berenguer Barbosa, da Simpli Consultoria: melhorias ainda são necessárias no mercado

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No que se refere à nossa legislação sanitária, Sílvia Berenguer destaca que ela é clara e funciona. Para Sílvia, o que falta são avanços na fiscalização. “Isso abre um precedente para fraudes em alimentos, e não motiva as empresas a evoluírem na implementação de melhorias em seus processos”, diz. Berenguer também ressalta que no Brasil há empresas em todos os graus de desenvolvimento. “É difícil obter uniformidade em um determinado produto ou segmento da cadeia produtiva. Não há um segmento que se possa afirmar que atenda totalmente aos requisitos de segurança de alimentos, como se pode afirmar do Uruguai, em relação à carne bovina. Lá, esse segmento é constituído por cerca de 40 empresas, e a maioria da produção é exportada para os mercados mais exigentes dos Estados Unidos e da Europa”, comenta. Ela acrescenta que a carne bovina está para o Uruguai assim como a Petrobras está para o Brasil, responsáveis por parcelas significativas de ambos os países. “Se, por um lado, o mercado externo exige mais e paga mais, por outro lado, tornar uniforme a qualidade dos produtos no mercado interno é um desafio para o Brasil. A segurança é um componente indissociável da qualidade, e todos os brasileiros merecem ter esses produtos à sua disposição”, afirma. Fazendo tudo certo Sílvia Berenguer também cita dois exemplos de empresas que estão no caminho certo, que os levará à excelência em segurança alimentar, as vinícolas Chandon e Sinuelo. “A Chandon é uma empresa que procura se alinhar com as melhores práticas internacionais. Posicionando-se no mercado de produtos de luxo, prioriza a qualidade, da qual a segurança de alimentos é um componente indissociável. A Chandon adota essa política em todas as suas unidades no mundo, e em Garibaldi/RS todos os tipos de espumante elaborados estão no escopo da certificação pelas normas ISO 9001 e ISO 22000”, conta. Por sua vez, a Vinícola Sinuelo, de São Marcos/RS, é, segundo Sílvia, movida pela mesma política que baliza a Chandon e fornece sucos integrais e orgânicos de uva no escopo da certificação pela norma ISO 22000 e no esquema FSSC 22000. “Preza pela qualidade dos produtos, que são elaborados por meio de processos térmicos, dispensando aditivos e conservantes, e sendo envasados em garrafas de vidro, que protegem melhor o produto”, afirma. Os processos de industrialização ocorridos no século XIX e consolidados no século XX geraram consequências nos hábitos alimentares das populações no mundo todo. O desenvolvimento da in- Dicas valem para todo o mercado Para ajudar a desenvolver o conceito de segurança alimentar, é preciso entender quais são os requisitos pertinentes, a saber, da legislação e das normas, por meio de: ✓ treinamento ✓ ações de benchmarking ✓ atualização de políticas públicas existentes no sentido de valorização de produtos, processos, tecnologias e serviços que adotem práticas excelentes e divulgação para a população em geral Fonte: Simpli Consultoria dústria alimentícia no tocante às questões de embalagem e refrigeração facilitaram a preservação e a diversificação de produtos alimentícios. “Tudo isso fez com que os consumidores apreciassem muito as inovações tecnológicas e essa apreciação é uma característica marcante do padrão de consumo atual de alimentos e bebidas, além de uma necessidade de economia e de conveniência na escolha e na seleção desses produtos”, comenta Leonardo Machado, coordenador de Inteligência de Mercado da Apex-Brasil. Para ele, atualmente, e por causa da grande intensidade de consumo de fast food e de produtos industrializados em geral, há uma grande preocupação com os problemas da obesidade e da saúde pública. “Essas características estão conduzindo a um novo movimento de procura por alimentos funcionais, mais saudáveis e convenientes, e que atendem tanto às necessidades de consumo da vida moderna como aos padrões de saúde e à busca pela alimentação saudável. As empresas brasileiras precisam estar atentas a esse fato se quiserem ter sucesso nos mercados internacionais”, reforça. Empresas buscam aliar qualidade com segurança Demanda crescente Cada vez mais, os consumidores estão com menos tempo, suas refeições precisam ser mais práticas e isso se converte em uma crescente demanda por produtos alimentícios que podem ser consumidos ao longo do dia, inclusive fora de casa. Outra forte tendência é a do aumento da procura por alimentos saudáveis. “É preciso, portanto, que as empresas brasileiras que pretendam se posicionar nos mercados internacionais com alimentos e bebidas sejam sensíveis a essas questões e, mais ainda, estejam dispostas a investir na adaptação de seus produtos às exigências técnicas e de qualidade tanto dos órgãos de segurança alimentar como dos consumidores em geral”, indica.

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CAAP Com tantas mudanças nos hábitos de consumo, as pessoas ainda não têm um conhecimento claro sobre as diferenças entre o conceito de segurança de alimentos (food safety, inocuidade) e o de segurança alimentar (food security, abastecimento e inocuidade), mas ele as percebe de outras maneiras, por exemplo, nas latas de conservas estufadas, em um fio de cabelo na comida, na presença de um cheiro estranho ou, então, no passar mal depois de comer. “O consumidor pode se proteger se aprender a observar condições básicas essenciais para que o alimento não se torne impróprio para o consumo. Por exemplo, não comprar alimentos industrializados sem rótulo, sem indicação de procedência, não consumir alimentos fora da condição de refrigeração, não descongelar carne deixando-a de molho na água, não deixar carne cozida fora da refrigeração, e muitos outros exemplos”, comenta Sílvia Berenguer. Ela acrescenta que a segurança dos alimentos é um direito do consumidor, previsto no Código de Defesa do Consumidor, e que a segurança alimentar está prevista na Declaração dos Direitos Humanos. “Denúncias podem ser encaminhadas às Vigilâncias de Saúde municipais, e no Rio Grande do Sul ao Ministério Público, por meio do site http://segurancaalimentar.mprs.mp.br/”, orienta. Abrindo portas Fortalecer o mercado interno e ganhar credibilidade e espaço no mercado externo é uma dupla intenção da indústria de alimentos brasileira. O País é um grande produtor e exportador de alimentos que ainda são considerados “commodities”, e a certificação da indústria de alimentos é o caminho para colocar as empresas do País de igual para igual no que se refere à segurança e à qualidade das empresas globais, fortalecendo as indústrias brasileiras tanto para o atendimento nacional como para o internacional. “Muitos estudos de caso apresentados anualmente nas conferências da GFSI mostram que a certificação traz aberturas de mercados e novos clientes. Acredito que, futuramente, pode não abrir tantas portas, mas com certeza a ausência da certificação impedirá o crescimento no mercado de alimentos”, comenta Juliani Kitakawa. Ela também reforça que as certificações do sistema de gestão ainda são as mais usadas dentro do B2B, mas o objetivo final é a proteção do consumidor final dentro da cadeia. “Infelizmente, a maioria das normas não permite o uso de selos nos produtos finais, mas acredito que haja outras formas de marketing capazes de levar a informação ao consumidor e de gerar mais confiança na marca que ele estará adquirindo”, diz. Frutas e verduras também seguem regras rígidas para a sua produção e distribuição 10

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“Uma vez certificado, um produtor de alimentos já estaria aprovado para fornecer a todas as empresas que aceitam uma norma reconhecida pela GFSI” Juliani Kitakawa, gerente de Alimentos e Bebidas da DNV GL Business Assurance Brasil Para Leonardo Machado, nossa política de segurança alimentar é muito robusta e não deixa nada a desejar comparativamente à dos países desenvolvidos. “Os padrões de qualidade da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária garantem que nossos produtos alimentícios tenham condições de atender às exigências dos mais variados mercados. Ao atender às normas da Anvisa, nossas empresas já estão, por tabela, preparando-se para garantir a qualidade necessária para que seus produtos tenham condições de competir nos mais variados mercados”, diz. Mas também devemos levar em consideração o fato de que cada País tem normas e legislações específicas, e que muitos deles fazem uso desses padrões para impor barreiras não tarifárias aos produtos estrangeiros. “Por isso mesmo, é muito importante que os exportadores estudem bem a política de segurança alimentar dos mercados que pretendam acessar para que façam as adequações necessárias e que proporcionarão melhores condições de acesso de seus produtos ao mercado internacional”, esclarece Machado. Novas oportunidades Em conformidade com as mudanças nos hábitos de consumo das pessoas em todo o mundo, um novo nicho de mercado vem ganhando força tanto no mercado interno como no externo. DIVULGAÇÃO A diferenciação entre produtos alimentícios de maior e de menor valor agregado e que atendam às exigências dos compradores é um caminho a ser seguido. Segundo Leonardo Machado, exemplos desse diferencial são os produtos gourmet e orgânicos, denominados specialty foods. “Os produtos orgânicos provêm de sistemas agrícolas que usam processos naturais e não agridem o meio ambiente, e, por isso, têm maior valor agregado. Os produtos gourmet, por sua vez, embora não se enquadrem em uma definição específica, referem-se aos itens produzidos em quantidade limitada, com origem específica em determinada região, podendo ser de denominação de origem protegida, especialidade tradicional garantida ou indicação geográfica protegida”, explica. Para ele, há, dessa maneira, um nicho de mercado para os specialty foods, que constituem alternativas interessantes para o posicionamento de produtos brasileiros por meio de agregação de valor e trabalho em segmentos de mercado especializados. “Para que se tenha uma ideia, dados fornecidos pela Specialty Food Association indicam que 74% dos consumidores nos Estados Unidos compram alimentos dessa categoria”, diz, e acrescenta que quando se fala em exportação de alimentos e bebidas, percebe-se que existe um significativo potencial para que o Brasil amplie sua participação em mercados mais exigentes e conquiste os públicos norte-americano e europeu. “No entanto, a alta competitividade desses mercados exige que as empresas brasileiras estejam dispostas a investir na qualidade e na sofisticação dos seus produtos. Alimentos e bebidas do Brasil, em especial produtos diferenciados e exóticos, tais como superfrutas, castanhas, tapiocas e alimentos industrializados, têm maiores oportunidades, uma vez que a estratégia de venda pode ser focada em segmentos específicos de mercado, de modo a aproveitar a abertura dos consumidores para experimentar novos sabores”, finaliza Machado. Importados Os produtos importados precisam atender às exigências da legislação brasileira para a maioria dos segmentos da cadeia produtiva. Mas há aspectos de acordos comerciais que precisam ser levados em consideração, e há falhas na estrutura da legislação, e, por isso, pode não haver uniformidade nas exigências para todos os tipos de produtos. Fonte: Simpli Consultoria

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fique por dentro MNAATELI Estratégia Pernod Ricard quer mostrar seu gin A Pernod Ricard desenvolveu um plano de quatro anos para divulgar conhecimentos sobre seu gin, destilado à base de cereais com especiarias. Além de ampliar as opções de drinques, multiplicou o número de seus pontos de venda e investiu em eventos. Com um plano de quatro anos para o País, a empresa irá focar em eventos, bares, supermercados e personalidades influentes. Seu objetivo é apresentar a marca e mostrar que gin pode ser usado em drinques modernos. A companhia também detém as marcas Absolut Vodka, os uísques Ballantine’s e Chivas Regal, o rum Havana Club, os licores Kahlúa e Malibu e as champanhes Perrier- Jouët. ARQUIVO ABE Sessão de Degustação do Concurso Internacional de Vinhos Bacchus Premiação Brasil amplia ranking de medalhas O Brasil vitivinícola dá uma arrancada em 2016, ampliando seu ranking de medalhas em concursos internacionais. Três Medalhas de Ouro e quatro Medalhas de Prata vêm do Concurso Internacional de Vinhos Bacchus, realizado em março em Madri, na Espanha. Ao todo, só neste ano já obteve nove Medalhas de Ouro e 13 de Prata. As amostras de 21 países foram degustadas por 65 especialistas. O Brasil esteve representado por André Gasperin, diretor da ABE – Associação Brasileira de Enologia, que destacou a seriedade e a boa organização do concurso, que “chamou a atenção pela sua excelência em cada detalhe e por reunir vinhos e espumantes de alto nível de qualidade”, disse. 12 JACINTA BURILLE VALENTE Espaço ampliado para atender às demandas Biscotteria Itallinni Novo espaço A Biscotteria Itallinni, presente há cinco anos no Vale dos Vinhedos, ganha agora um espaço mais amplo e totalmente voltado para o turismo. A nova sede é três vezes maior que a anterior, passando de 60 metros quadrados para 184 metros quadrados. Fábrica, varejo, pequena cafeteria, espaço para eventos e pomar com frutas da estação compõem as instalações de uma casa construída em 1968 e totalmente reformada. “Tínhamos uma demanda reprimida de pelo menos o dobro da nossa capacidade. Agora conseguiremos atender o Brasil com mais agilidade, melhor eficiência e, acima de tudo, oferecendo o mesmo sabor e a qualidade de sempre”, garante Jacinta Burille Valente, que, junto com a irmã, Lúcia Burille, ambas engenheiras de alimentos, conduzem o negócio.

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Piqueniques Peterlongo incentiva em enoturismo A Vinícola Peterlongo, de Garibaldi/RS, inaugurou seu jardim, que está recebendo um novo gramado no entorno dos vinhedos, e que acolherá piqueniques nos fins de semana. A novidade já está pronta desde a metade de abril. Assim, os visitantes poderão, depois de efetuarem suas visitas técnicas e culturais, sentar-se à sombra da tradicional nogueira, vizinha das parreiras, degustando o melhor de um champanhe, espumante, vinho ou suco de uva. A vinícola disponibiliza cestas de vime, almofadas, mesas de paletes, toalhas e champanheiras com gelo, torradas, queijos e frutas. A atração será oferecida durante todo o outono e sempre nos fins de semana, bastando, para isso, fazer um agendamento prévio. Vinícola abre seus jardins para piqueniques ANDREANE PAGANI 85 anos de existência da Vinícola Aurora foram comemorados com uma grande festa celebrada em fevereiro em Bento Gonçalves/RS. Fundada por 16 famílias de produtores em 1931, a maior cooperativa vinícola do País conta com 1.100 famílias associadas, que produzem uma safra média anual de 65 mil toneladas de uvas, entre viníferas e de mesa, para a elaboração de 13 marcas, e mais de 200 itens do portfólio da vinícola Parceria Miolo retorna ao pódio O Grupo Miolo renovou sua parceria com a Mitsubishi Brasil e retorna ao pódio das corridas Mitsubishi Motors Brasil em 2016 com o Miolo Cuvée Tradition Brut, espumante premium elaborado pelo Método Tradicional – o mesmo usado nas maisons francesas para a produção de champanhe –, que será adotado para brindar os campeões da temporada. Entre os circuitos que compõem a intensa programação deste ano, estão os ralis de regularidade – abertos a toda a família – e as corridas de alto desempenho, direcionadas a empresários e profissionais liberais que estreiam no universo da velocidade. “Será mais uma temporada muito especial para nós, pois, além de estarmos presentes em todas as etapas das competições da Mitsubishi, iremos compartilhar da alegria e da satisfação junto aos vitoriosos”, enfatiza Adriano Miolo, superintendente do Grupo Miolo. Expectativa Lançamentos em pauta A Famiglia Zanlorenzio tem boas expectativas para as embalagens redesenhadas e as novidades, que serão lançadas, que ocorrerão ainda neste ano. Entre as novidades, estão o espumante Celebrare, a linha Lunar Perfetto, o detox Simmm! versão laranja, e o suco Campo Largo Kids, produzido com mix de frutas e vegetais e voltado para o público infantil.

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ONHSVI DE IGUAL PARA IGUAL Os espumantes brasileiros vêm evoluindo de maneira tão positiva que já competem com produtos tradicionais e reconhecidos no mercado internacional Por Adriana Bruno 14

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DREAMSTIME Segundo informações fornecidas pelo Ibravin, em 2015, 105 dos 143 prêmios internacionais foram entregues a espumantes elaborados no Brasil

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