Gazeta Valeparaibana

 

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Edição Novembro 2016

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Ano X - Edição 108 - Novembro 2016 Distribuição Gratuita RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! Patriotismo: Identificação com a Pátria “A identificação com os valores da pátria faz toda a diferença na formação do cidadão. Sem essa identificação o indivíduo não exerce a cidadania sequer no seu lar, na sua rua, no seu bairro, na sua cidade e no seu estado, quanto mais na defesa do País.” Assim relaciona Antonio Fernando Pinheiro Pedro cidadania com sentimento de identificação, do indivíduo com o meio em que vive. Para o advogado e consultor ambiental, sem esse “sentimento de pertencimento, não há como exercer o indivíduo a sua cidadania”. ” Grande parte dos problemas relacionados à educação e ao civismo, está justamente na falta de ambientação dos jovens no bairro onde moram. O avanço da conurbação urbana, desacompanhada da presença efetiva do governo na melhoria das condições de vida da população, sem infraestrutura, educação, e sem criação de espaços de lazer, arborização e segurança, faz com que imensos espaços sejam destinados à marginalidade, relegados a bairros-dormitórios, destinados ao desprezo dos próprios ocupantes”. “Pergunto, que sentimento podem os jovens nutrir pelo pedaço de chão onde vivem, se não se sentem queridos ali, pelo Estado que os gerencia?” “De toda forma”, alerta o advogado, “devemos resgatar o patriotismo a partir da educação básica, pois, se o governo, hoje, nada entende desse assunto, a geração educada com esses valores poderá mudar a situação e reivindicar, com amor à pátria, as mudanças necessárias para dignificar a Nação.” Educação Um dos aspectos mais destacados pelos entrevistados foi a importância da educação no desenvolvimento de um genuíno comportamento cívico. Vale lembrar que, até meados da década dos 80, os então chamados cursos primário e secundário (atuais fundamental e médio) e até superior, de instituições de ensino público ou privado, tinham na grade curricular disciplinas como Educação Moral e Cívica ou Organização Social e Política Brasileira, cujo objetivo era promover o conhecimento e sentimento de patriotismo nos alunos desde tenra idade. Taxativo, o jornalista Heródoto Barbeiro diz que ressuscitar essas matérias não surtiria o efeito desejado. “É hora de entendermos a expressão patriotismo sob o olhar da cidadania, e não de uma classe social, que se apropria disso e aqueles que forem contrários à sua perspectiva são tidos como antinacionalistas, antibrasileiros e por aí afora”, comenta Heródoto. “Se hoje estamos falando sobre a falta de patriotismo do povo brasileiro é porque essas aulas não deram certo. Esse não é o caminho. O patriotismo não é para ser imposto, mas sim conquistado pelas pessoas por meio de acesso a educação de boa qualidade, emprego, vida digna”, aponta o jornalista, enfatizando que é preciso manter essa questão longe do uso político. O Rei Davi e a música Se há um nome que nos faz pensar na música e em músicos da antiguidade, esse nome é Davi, um homem notável que viveu há cerca de três mil anos. De fato, muito do que sabemos sobre a música daquela época se deve aos relatos bíblicos sobre as atividades de Davi. Página 4 Por que a Lusofonia? Todos os povos da Terra valorizam as suas raízes ancestrais e históricas. Muitos povos de história antiga se orgulham do seu passado glorioso, mesmo não se destacando na geopolítica e geoeconomia atuais. Página 5 - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu www.culturaonlinebr.org Baixe o aplicativo IOS NO SITE Um símbolo Nacional A Importância da Cultura O NOVO ENSINO MÉDIO: No Brasil, comemora-se o dia da Ban- na Formação do Cidadão SOBRE O NOTÓRIO SABER deira no dia 19 de novembro de cada ano, data que foi Cultura – somatória de costu- mes, tradições e valores - é um A Medida Provisória 746 de 2016, a MP do Ensino Médio, vem instituída à nossa bandeira nacio- jeito próprio de ser, estar e sentir o sendo discutida aqui neste espa- nal republicana pelo decreto nº 04 mundo, ‘jeito’ este que leva o indi- ço. No mês passado procurei tra- em 1889. víduo a fazer, ou a expressar-se, zer a discussão para a questão da Após a Proclamação da República em 15 de novembro do mesmo ano, esse decreto foi preparado de forma característica. Ora, SER é também PERTENCER – a algum lugar, a alguma fé ou a infraestrutura. Neste mês pretendo discutir um pouco sobre a polêmi- por Benjamin Constant, membro um grupo, seja família, amigos ou ca do “Notório Saber”. Vamos ex- do governo provisório da época, povo. plicar. elaborado por Raimundo Teixeira Mendes, um positivista, Página 9 Página 6 Páginas 8 e 13 Dez anos a serviço da educação, da cidadania e valorização das culturas e tradições brasileiras

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial Olá caros leitores e leitoras, Sejam muito bem vindos ao ler mais uma publicação da Gazeta Valeparaibana, um jornal/revista desenvolvido pensando exclusivamente em você e em vossos alunos, caros professores ou educadores. Os nossos artigos tem como foco as datas comemorativas do mês e assuntos pontuais nas mídias, no mês anterior, onde procuramos desenvolver opiniões e suscitar reflexões. Nossa intenção é possibilitar o espírito crítico nas discussões em sala de aula ou em família, afim de se desenvolver o raciocínio lógico, contribuindo-se com isso para a formação cidadã de nossa juventude, capacitando-a para o seu atual e futuro papel na sociedade. Botar a cabeça de nossos jovens para trabalhar ao invés de decorar, é a única forma de traze-los para dentro dos problemas sociais e políticos, de forma agradável, despertando-lhes o interesse por novas pesquisas. A sua participação, caro leitor, cara leitora, caro professor, professora, educador ou educadora é fundamental para que possamos aprimorar a qualidade de nosso Jornal/Revista. Se gosta de escrever e se interessa por algum tipo de assunto que gostaria de ver publicado, fique à vontade para nos enviar para o endereço abaixo mencionado. Creiam que sempre serão bem vindas críticas e chamadas de atenção para possíveis erros, bem como elogios que nos ajudam a superar as dificuldades que não são poucas; por isso agradecemos seu contato, nos enviando seu comentário ou artigo para: gazetavaleparaibana@gmail.com. Um grande abraço, uma profícua leitura e um mês de muito sucesso. Equipe Gazeta Valeparaibana Darcy Ribeiro Antropólogo e educador, completaria no passado dia 27 de Outubro, 94 anos “Ultimamente a coisa se tornou mais complexa porque as instituições tradicionais estão perdendo todo o seu poder de controle e de doutrina. A escola não ensina, a igreja não catequiza, os partidos não politizam. O que opera é um monstruoso sistema de comunicação de massa, impondo padrões de consumo inatingíveis e desejos inalcançáveis, aprofundando mais a marginalidade dessas populações.” ”O ruim no Brasil e efetivo fator do atraso, é o modo de ordenação da sociedade, estruturada contra os interesses da população, desde sempre sangrada para servir a desígnios alheios e opostos aos seus…O que houve e há é uma minoria dominante, espantosamente eficaz na formulação e manutenção de seu próprio projeto de prosperidade, sempre pronta a esmagar qualquer ameaça de reforma da ordem social vigente” “Somos um povo novo” A Guiné-Bissau foi em tempos o reino de Gabu, parte do Império do Mali, e partes do reino sobreviveram até ao século XVIII. Além do território continental, o país integra cerca de oitenta ilhas que constituem o arquipélago dos Bijagós, separado do Continente pelos canais do rio Geba, Pedro Álvares, Bolama e Canhabaque. Mais sobre a Guiné-Bissau Localizada na costa ocidental da África, a Guiné-Bissau faz fronteiras com o Senegal (ao norte), Guiné (ao sul e leste) e com o oceano Atlântico (a oeste). Também faz parte do território da Guiné-Bissau o arquipélago dos Bijagós, formado por mais de 80 ilhas. A nação integra a Comunidade dos Países de Língua Estrangeira. O território que atualmente corresponde ao país da Guiné-Bissau foi colonizado por portugueses em 1446. Os colonizadores instalaram feitorias para a realização do tráfico de escravos com a população nativa. Somente no dia 24 de setembro de 1974, a Guiné-Bissau conquistou sua independência, tornando-se a primeira colônia portuguesa na África a conseguir esse feito. A economia do país é pouco desenvolvida. A agricultura, responsável por absorver mais de 80% da força de trabalho local, baseia-se no cultivo de castanha de caju (o país é o sexto maior produtor mundial), algodão, arroz, inhame, banana, manga e cana-de-açúcar. Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente Todas as matérias, reportagens, fo- para download na web tos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, poden- Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J do seus conteúdos não corresponde- rem à opinião deste projeto nem Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal deste Jornal. Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da E- ducação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 3 12- Dia do Diretor de Escola A Reforma do Ensino Escolar Calendário Caro leitor e cara leitora, neste momento há uma polêmica sobre a intenção do governo federal querer reformar o Ensino Médio. Eu não estou aqui, neste artigo, apoiando as intenções do governo federal em específico, estou expondo a minha opinião pessoal sobre reformar o ensino escolar. Que haja uma reforma no ensino escolar, no currículo de disciplinas, eu sou plenamente a favor. Cada aluno tem o seu perfil. Alguns alunos se dão bem com ciências humanas, outros com ciências exatas, outros, com ciências biológicas, outros com esportes e outros com artes. Eu pessoalmente não acho justo obrigar um aluno que vai fazer faculdade de Direito ou de Letras ter que estudar Física e Química com profundidade, fazer prova de vestibular dessas disciplinas. E também acho injusto que um aluno que vai fazer faculdade de Engenharia Civil tenha que estudar História e Literatura com profundidade, ter que fazer prova no vestibular dessas disciplinas. Eu sou a favor de dividir o currículo escolar em pelo menos dois grupos, um com ênfase em ciências humanas e outro com ênfase em ciências exatas e biológicas. Contudo, eu concordo que há disciplinas e assuntos que todo aluno vai ter que aprender por serem usuais no decorrer da vida em sociedade. Língua Portuguesa (Gramática, Ortografia, Interpretação de Texto e Redação), uma Língua estrangeira, Matemática Básica/ Essencial e noções de Matemática Financeira, noções básicas/essenciais de Biologia e Saúde, conhecimento jurídico básico (código de trânsito, código de defesa do consumidor, CLT, Constituição Federal, etc), Informática Básica... aquilo que as pessoas em geral vão deparar no decorrer de suas vidas e vão ter que lidar. No caso da Redação, além de Narração, Descrição e Dissertação, eu defendo o ensino de Redação Jurídica/Formal (Ofício, Memorando, Declaração, Ata, Procuração, Requerimento, etc). Eu sou defensor do Ensino Escolar utilitário, pragmático, que respeite a vocação disciplinar de cada aluno, não tome o tempo do aluno com algo que ele não vai utilizar quando adulto. Eu tenho a crença de que, para que a alfabetização seja bem-sucedida, o aluno tem que gostar da escola, tem que se sentir bem lá. Ele não pode ver as aulas como um sacrifício, como algo desagradável. E tem que ter uma visão positiva dos professores. E o que vocês acham, caro leitor e cara leitora? João Paulo E. Barros Algumas datas comemorativas 01- Dia de Todos os Santos 01- Dia Mundial do Veganismo 02- Finados 05- Dia do Radioamador 05- Dia Nacional da Língua Portuguesa 07- Dia do Radialista 12- Dia do Diretor de Escola 12- Dia Mundial da Pneumonia 14- Dia do Bandeirante 14- Dia Nacional da Alfabetização 15- Proclamação da República 15- Dia Nacional da Umbanda 16- Dia Internacional da Tolerância 17- Dia da Criatividade 17- Dia Internacional dos Estudantes 19- Dia da Bandeira 19- Dia Internacional do Homem 20- Dia Nacional da Consciência Negra 21- Dia Mundial da Saudação 22- Dia do Músico 25- Dia do Doador Voluntário de Sangue 25- Dia Inter. da Violência Contra Mulheres 27- Dia Nacional de Combate ao Câncer 28- Dia do Soldado Desconhecido Mensagem a você Dia do Diretor de Escola "Queremos que saiba que sua ajuda é de grande valia. Que pessoas tão especiais como vocês estão sempre prontas para fortalecer o aprendizado e a cultura, ultrapassar barreiras e viver novas experiências. Como reconhecemos o trabalho que é cuidar de uma escola, homenageamos essas pessoas super esforçadas, parabenizamos e desejamos-lhe todo o sucesso. Obrigado(a) por sua atenção e carinho dedicado! Parabéns pelo seu dia!" Diretoria da Gazeta Valeparaibana Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 22- Dia do Músico Gazeta Valeparaibana Página 4 O Rei Davi e a música “Instrumentos nos tempos bíblicos”.) Não te- o levou para a corte. Quando os pensamentos mos certeza nem mesmo do tipo de harpa de Saul o angustiavam e perturbavam, Davi ia que Davi usava. No entanto, é digno de nota até ele e com sua harpa produzia um som que os israelitas inventaram vários instrumen- melodioso e suave que tranquilizava o cora- tos, tais como raras e preciosas harpas de ção do rei. Os pensamentos que assombra- madeira.. vam Saul desapareciam, e ele ficava mais Mas uma coisa é certa. A música tinha um calmo. papel importante na vida dos hebreus, especi- A música, que Davi tanto amava e que tanta almente na sua adoração a Deus. Era tocada felicidade lhe dava, também lhe causou pro- em coroações, cerimônias religiosas e tinha blemas. Um dia, quando Davi e Saul estavam seu lugar nas guerras. Também animava a voltando vitoriosos da guerra contra os filis- corte real, dava vida a casamentos e reuniões teus, uma música triunfante e alegre chegou familiares, e criava um ambiente alegre du- aos ouvidos do rei. As mulheres cantavam: rante as festividades da colheita das uvas e “Saul golpeou os seus milhares, e Davi as su- Se há um nome que nos faz pensar na músi- dos cereais. Infelizmente, a música também as dezenas de milhares.” Por causa disso, ca e em músicos da antiguidade, esse nome estava associada a lugares de má reputação. Saul ficou tão furioso e ciumento que ‘daquele é Davi, um homem notável que viveu há cerca E, quando morria alguém, ela era usada para dia em diante olhava continuamente com sus- de três mil anos. De fato, muito do que sabe- aliviar a dor dos enlutados. peita para Davi’. mos sobre a música daquela época se deve Em Israel, a música tinha ainda outras fun- Inspirado pela música aos relatos bíblicos sobre as atividades de Davi — desde o tempo em que ele era um jovem pastor até quando se tornou rei e hábil organizador. ções. Era conhecida por ajudar as pessoas a meditar em coisas importantes e por fazer com que os profetas ficassem espiritualmente receptivos. Foi ao som de um instrumento de Os cânticos que Davi foi divinamente inspirado a compor sobressaem de várias maneiras. Suas músicas incluem salmos contemplativos e pastorais. Eles contêm desde expressões Podemos aprender muito sobre a música dos cordas que Eliseu encontrou inspiração divi- de louvor a narrativas históricas, de expres- tempos bíblicos por meio de Davi. Por exem- na. A música também era usada para comuni- sões de alegria pela colheita das uvas à pom- plo, que instrumentos eram tocados e que tipo car eventos anuais. As luas novas e as festivi- pa da inauguração do palácio, desde memó- de música era cantada? Que papel a música dades eram anunciadas pelo som de duas rias a palavras de esperança, de pedidos a tinha na vida de Davi e, numa escala maior, trombetas de prata. No dia do Jubileu, o som súplicas. Quando Saul e seu filho, Jonatã, na nação de Israel? de buzina proclamava liberdade aos escravos morreram, Davi compôs um poema triste, ou O papel da música no Israel antigo e a devolução de terras e casas aos seus do- endecha, chamado “O Arco”, que começa Quando repetimos a letra de uma música é comum nos lembrarmos da melodia que a acompanha. A Bíblia contém a letra de muitas músicas. Infelizmente, até hoje não sabemos nos. Com certeza, as pessoas pobres se sentiam muito alegres ao ouvir a música anunciar que estavam livres ou que teriam suas propriedades de volta! com as palavras: “A formosura, ó Israel, foi morta sobre os teus altos.” O tom era triste. Davi sabia expressar uma grande variedade de sentimentos tanto em palavras como na a melodia delas, mas deviam ser belas, até Alguns israelitas deviam ser músicos ou can- música de sua harpa. mesmo sublimes. A grandeza poética do livro tores extraordinários. De fato, de acordo com Davi era uma pessoa cheia de vida e amava dos Salmos sugere que a música que os a- um baixo-relevo assírio, o Rei Senaqueribe música alegre, animada e com bastante ritmo. companhava tinha a mesma beleza. pediu ao Rei Ezequias cantores e cantoras Quando trouxe a arca do pacto para Sião, ele Sobre os instrumentos, a Bíblia nos nas breves descrições. (Veja dá apeabaixo como tributo. Pelo visto, eram artistas de alto gabarito. Mas entre todos esses virtuosos, quem se destacava era Davi. pulou e dançou com toda sua energia comemorando o acontecimento. O relato da Bíblia indica que a música devia ser extremamente Um músico notável contagiante. Consegue imaginar a cena? É Davi era notável por ser ao mesmo tempo verdade que sua esposa Mical o repreendeu, músico e poeta. Mais da metade dos salmos mas isso não importava para Davi. Ele amava são atribuídos a ele. Quando era menino, Da- a Jeová, e aquela música, que o deixou tão vi era pastor, e sua mente sensível e percepti- feliz, o levou a demonstrar essa alegria peranva era influenciada pelas cenas pastorais de te seu Deus. Belém. O som de riachos borbulhantes e de Como se tudo isso não bastasse, Davi tam- cordeiros respondendo quando ele os chama- bém era um notável inventor de instrumentos va eram pequenas alegrias que lhe eram bem musicais. familiares. A “música” do mundo em sua volta Resumindo, parece que Davi foi um artista emocionava Davi, e ele pegava sua harpa e excepcionalmente talentoso. Ele fazia instruelevava a voz em louvor a Deus. Deve ter si- mentos, era poeta, compositor e músico. do uma experiência incrível ouvir a música que Davi compôs para o Salmo 23! Fonte: wol.jw.org/. Quando era rapaz, Davi tocava tão bem a Edição: Filipe de Sousa harpa que o recomendaram ao Rei Saul. Ele www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Cidadania Gazeta Valeparaibana Página 5 porque é muito importante para cada um de os problemas comunitários, e não ficar nós. esperando sempre só pelo governo e pelo Por outro lado, também não é sábio Estado. contar só com a política para a solução de É necessário prestar muita atenção na todos os problemas, individuais, familiares ou política, mas não é sábio ficar contando só comunitários. Neste ano houve eleições com os políticos para solucionar os municipais no Brasil, e o município está mais problemas sociais e mesmo os problemas perto do cidadão do que o estado e a união pessoais. A própria sociedade civil precisa se estão. Mas, não podemos desconsiderar que empenhar em solucionar os problemas o político é, antes de tudo, uma pessoa sociais. A população também precisa ter comum como qualquer um de nós. Seja consciência de união, de parceria, pensar no vereador, prefeito, deputado estadual, bem-estar alheio, pensar na coletividade. governador, deputado federal, senador ou Seja na geração de trabalho e renda, seja presidente, o político tem os seus próprios sobre tratamento de saúde, seja sobre anseios como ser humano, os seus próprios ensino escolar, a comunidade precisa objetivos pessoais, os seus próprios aprender a ser mais colaborativa entre si. O problemas para resolver, no meio político há político não é salvador da pátria, é um ser disputa de poder, de influência, choque de humano comum como cada um de nós. Os interesses discordantes entre si, os políticos candidatos pedem votos, fazem promessas e O outro lado da moeda não são deuses e nem anjos, são pessoas propostas, fazem propaganda, porém, o como nós. Foi a grande lição que eu aprendi eleitor tem que correr atrás das informações, Como afirmava o filósofo grego Aristóteles, o homem é um animal político. O ser humano é um ser que necessita de coisas e dos outros. Não é um ser autossuficiente. Por um lado, eu concordo que não podemos viver fingindo que a política não é importante para nós todos, desde que o primeiro mandato do Lula começou em 2003, que não se deve esperar tudo da política para solução de problemas sociais. Muitos de nós cidadãos precisamos aprender a ter senso de comunidade, aprender a ser mais unidos, começar a unir forças e tomar iniciativa para tentar resolver tem que procurar se informar, se instruir para não ser enrolado por candidatos com promessas absurdas e impossíveis de serem cumpridas. João Paulo E. Barros Nossa Língua fricanos de diversas etnias, e descendente de imigrantes diversos, italianos, alemães, japoneses, espanhóis, sírio-libaneses, poloneses e ucranianos, etc. O povo brasileiro é um povo pluralista, multicultu- ral, multiétnico. Mas de todos os povos que formaram o Brasil, quem Por que a Lusofonia? organizou o Brasil como país, como Estado, e lhe legou um idioma oficial, foram os portugueses. Uma característica típica de uma nação próspera é dar impor- tância às suas raízes, às suas matrizes nacionais. O primeiro elo de ligação do Brasil com o mundo é a língua portuguesa. Para o brasi- Todos os povos da Terra valo- leiro se autoconhecer como brasileiro, convém que ele valorize as rizam as suas raízes ancestrais e históricas. Muitos povos de história suas raízes no passado. E a melhor forma de conhecer tais raízes é antiga se orgulham do seu passado glorioso, mesmo não se desta- ter contato cultural com os demais países lusófonos espalhados pecando na geopolítica e geoeconomia atuais. As civilizações primá- los continentes da Terra. rias, primárias no sentido de não serem derivadas de outras anterio- Mesmo os brasileiros afrodescendentes, muito de suas origens res, surgiram como originais, como as dos grandes rios como Tigre e ancestrais estão em países como Angola, Moçambique, Guiné- Eufrates, Nilo, Indo, Amarelo, etc. Outras civilizações são derivadas Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, assim como em países de anteriores, como a Austrália é derivada da Grã-Bretanha, a Ar- africanos não lusófonos, como o Benin e a Nigéria. gentina é derivada da Espanha (e fortemente influenciada pela Itá- lia), etc. Regiões asiáticas como Goa, Macau e o país Timor-Leste tam- bém têm o que ensinar aos brasileiros sobre legado cultural. Eu con- O Brasil é, na realidade, uma junção de culturas, o conjunto das vido os brasileiros à conhecerem mais sobre a Lusofonia mundial. antigas nações indígenas pré-cabralinas, que eram diversas etnias e culturas, os portugueses (católicos romanos e judeus sefarditas), a- João Paulo E. Barros Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 6 19 - Dia da Bandeira Um símbolo Nacional astronomia e priorizou a disposição estética das estrelas e não a perfeição sideral. A primeira versão da nossa Bandeira era com- No Brasil, comemora-se o dia da Bandeira no posta por vinte e uma estrelas representando dia 19 de novembro de cada ano, data que foi os Estados existentes na época. Outras estre- instituída à nossa bandeira nacional republica- las foram inseridas a partir da Lei nº 5.443 de na pelo decreto nº 04 em 1889. 28 de maio de 1968 que permite atualização Após a Proclamação da República em 15 de do número de estrelas sempre que houver crianovembro do mesmo ano, esse decreto foi pre- ção ou extinção de algum Estado e, essa foi a parado por Benjamin Constant, membro do go- única alteração sofrida desde que ela foi adotaverno provisório da época, elaborado por Rai- da e, seis delas, foram inseridas representando mundo Teixeira Mendes, um positivista, Miguel o Acre, Mato Grosso do Sul, Amapá, Roraima, Lemos, diretor do Apostolado Positivista do Rondônia e Tocantins. Brasil, Manuel Pereira Reis, astrônomo e, Dé- Ao contrário do que muitos pensam, a estrela cio Vilares, um pintor. que está acima da faixa branca, ela não repre- Durante a história, o Brasil teve várias Bandei- senta o Distrito Federal e sim o Estado do Pará ras até que ficasse definida a oficial. que, na época, era o maior território próximo ao eixo equatorial. A Bandeira anterior à que temos hoje, confor- me figura abaixo foi provisória no período de Nessa data ocorrem várias comemorações cí- 15 a 19 de novembro e, a imagem da Bandeira vicas acompanhadas do Hino à Bandeira com- seguinte foi instituída em 19 de novembro até posto por Olavo Bilac e Francisco Braga. Ao os dias de hoje. meio dia com as bandeiras rasgadas, descolo- ridas e sem serventia acontece o Cerimonial Peculiar onde são incineradas. A Bandeira Nacional é um dos símbolos mais importantes da nação e obrigatoriamente de- vem ser hasteadas em todos os órgãos públi- cos, escolas, secretarias do governo e outros. O hasteamento é feito pela manhã e arriada no Nossa Bandeira é formada por um retângulo final da tarde e, não pode ficar exposta durante verde, com um losango amarelo e no centro a noite, a não ser que o local em que estiver um círculo azul com estrelas brancas (cada es- lhe permita ser bastante iluminada. trela representa um Estado e o Distrito Fede- Algumas regras devem ser seguidas para que ral) e uma faixa branca com os dizeres: se garanta o respeito a “ela” e garantida pelo “Ordem e Progresso”. artigo 31 da Lei nº 5.700 de 1º de setembro de A frase “Ordem e Progresso” foi por influência 1971: de Auguste Comte, filósofo francês e fundador É considerado desrespeito e proibido: do positivismo que defendia a ideia de que as superstições, religiões e demais ensinamento - Apresentá-la em mau estado de conservação teológicos deveriam ser ignorados, pois não - Mudar-lhe a forma, as cores, as proporções, colaboram para o desenvolvimento da humani- o dístico (frase expressa), ou, acrescentar-lhe dade. Ele defendia que o progresso era uma outras inscrições. das únicas dade. saídas para a evolução da humani- - Usá-la como roupa, reposteiro (cortina, no), pano de boca, guarnição de mesa. ador- Cada cor tem um significado: o verde representa as matas brasileiras, o amarelo simboliza a riqueza dos nossos minerais, o azul nosso - Revestimento de tribuna, cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar. céu, o branco a paz. - Reproduzi-la em rótulos ou invólucros de pro- As estrelas estão distribuídas na Bandeira con- dutos expostos à venda. forme o céu da cidade do Rio de Janeiro às Mesmo sendo importante esse símbolo e essa 08:30 horas do dia 15 de novembro de 1889 data para o país, esse dia não é considerado onde a Constelação do Cruzeiro do Sul apre- feriado nacional. sentava-se verticalmente em relação ao hori- zonte da capital. No entanto, Raimundo Teixeira fez um desenho contrariando aspectos da Genha Auga – Jornalista – MTB:15.320 Carl Jung .O sonho é uma pequena porta secreta abrindo-se durante a noite cósmica que a- alma era muito antes do surgimento da consciência. ***** Um homem que não cruzou o inferno de suas paixões, nunca as superou. ***** As pessoas fazem o que for, não importa o absurdo que seja, para evitar o confronto com sua própria alma. ***** Eu não sou o que me aconteceu. Sou o que escolhi ser. ***** Podemos chegar a pensar que não controlamos nada por completo. Porém, um amigo pode facilmente nos contar algo sobre nós de que não fazíamos nem ideia. ***** ’Mágico’ é apenas outra palavra para definir a alma. ***** De uma forma ou de outra, somos partes de uma só mente que tudo engloba, um único ’grande homem (...)’. ***** “Se você é uma pessoa talentosa, isso não significa que você ganhou alguma coisa. Sig- nifica que você tem algo a dar.” ***** “Não nos tornamos iluminados imaginando figuras de luz, mas fazendo a escuridão consciente.” ***** “Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que eu optei por me tornar.” ***** 1 - a Bandeira Nacional. 2 - o Hino Nacional. 3 - as Armas Nacionais. 4 - o Selo Nacional. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Crônicas, Contos e Poesia É GUERRA! Página 7 QUE BANDEIRA SOU EU? Noite fria! Nada como um banho e um chocolate quente, um pijama confortável, chinelos felpudinhos e escovar os dentes bem rapidinho por conta da água estar muito gelada. Olhando uma nos olhos da outra, escovam com movimentos frenéticos para livrarem-se do frio e correr para debaixo das cobertas bem quentinhas. Eis que surge uma dúvida... Uma olhou bem séria para a outra e perguntou: - O que foi, porque está me olhando assim? - Por nada, respondeu a companheira. Não posso olhar? - Pode, respondeu a que argumentou primeiro com cara de invocada, espirrando água fria no rosto dela. - Ah! Reivindicou a vítima, fazendo o mesmo. - Bem furiosa, aquela que tudo começou, molhou o cabelo da coitadinha e, esta também se invocou e molhou o pijama da adversária e num instante ficaram “ensopadas” e tremendo de frio. O banheiro ficou alagado, o papel higiênico encharcado e, a gata olhava assustada sem entender nada. Entraram debaixo do chuveiro quentinho novamente e rindo demais dessa “Guerra Fria”. A garotinha olhou com os olhos bem apertadinhos e disse: - Vó, amanhã você se prepara que isso não vai ficar assim e rindo foram dormir. No dia seguinte choveu muito e fomos andar na chuva com os pés descalços no barro da estrada de terra do sítio. Pronto! Iniciou-se outra “guerra” a de lama... Nosso tempo juntas é sempre bom, mesmo com frio e chuva. Genha Auga – Jornalista MTB: 15.320 Hino à Bandeira Nacional Brasileira Apresentado pela primeira vez em 15/08/1906 Letra de Olavo Bilac e Música de Francisco Braga Salve lindo pendão da esperança! Salve símbolo augusto da paz! Tua nobre presença à lembrança A grandeza da Pátria nos traz. Recebe o afeto que se encerra em nosso peito juvenil Querido símbolo da terra, Da amada terra do Brasil! Em teu seio formoso retratas Este céu de puríssimo azul, A verdura sem par destas matas, E o esplendor do Cruzeiro do Sul. Recebe o afeto que se encerra Em nosso peito juvenil, Querido símbolo da terra, Da amada terra do Brasil! Contemplando o teu vulto sagrado, Compreendemos o nosso dever, E o Brasil por seus filhos amado, poderoso e feliz há de ser! Recebe o afeto que se encerra Em nosso peito juvenil, Querido símbolo da terra, Da amada terra do Brasil! Sobre a imensa Nação Brasileira, Nos momentos de festa ou de dor, Paira sempre sagrada bandeira Pavilhão da justiça e do amor! Recebe o afeto que se encerra Em nosso peito juvenil, Querido símbolo da terra, Da amada terra do Brasil! Genha Auga SOU BANDEIRA DO BRASIL VARONIL! RESPEITADA JÁ FUI, HOJE SOU USADA COMO PANO DE CHÃO ADORNO DE CAIXÃO, REPRESENTO MELHOR O FUTEBOL DO QUE A HONRA QUE JÁ NÃO TENHO MAIS. SOU BANDEIRA DO BRASIL IDOLATRADA... ESTOU DESVALORIZADA, MOTIVO DE VERGONHA. ESSA BANDEIRA NÃO REPRESENTA MAIS MOTIVO DE COMEMORAÇÃO. SOU BANDEIRA DO BRASIL DESONRADA! DESPEDAÇADA PELOS MEUS PRÓPRIOS AMADOS BRASILEIROS. FUI BANDEIRA DO BRASIL MOTIVO DE HONRA! HOJE MOTIVO DE TRISTEZA E ABANDONADA. MEU HINO NEM SE CANTA MAIS, ESTOU DEBOCHADA CADÊ MEU POVO? CADÊ OS REPRESENTANTES DESSA NAÇÃO... SOFRO COM ESSA HISTÓRIA QUE A CADA DIA ME AMARROTA E QUE TRANSFORMOU-ME EM SUCATA... www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org Genha Auga

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 8 Cultura A Importância da Cultura na O propagador cultural: Frequentemente o alienado cultural expressa- Formação do Cidadão Há indivíduos que não criam, mas apreciam o se por meios próprios alternativos, através de belo, dedicando suas vidas a promover cultu- uma subcultura, que as elites dominantes A cultura – somatória de costumes, tradi- ções e valores - é um jeito próprio de ser, estar e sentir o mundo, ‘jeito’ este que leva o indivíduo a fazer, ou a expressar-se, de forma característica. Ora, SER é também PERTENCER – a algum lugar, a alguma fé ou a um grupo, seja família, amigos ou povo. Daí ser a cultura um forte agente de identificação pessoal e social, um modelo de comportamento que integra segmentos sociais e gerações, uma terapia efetiva que desperta os recursos internos do indivíduo e fomenta sua interação com o grupo e um fator essencial na promoção da saúde, na medida em que o indivíduo se realiza como pessoa e expande suas potencialidades. ra. Assim, diz-se que ‘o crítico literário é um autor frustrado’, aforismo que pode ser estendido aos comentaristas de arte e de esportes, bem como às demais atividades críticas. Os mecenas são outra categoria de pessoas que extraem prazer estético da arte que promovem e não são capazes de criar. Há que citar os que comercializam a arte, vendendo ou comprando os produtos culturais, grupo hoje em dia acrescido dos profissionais da mídia, com o poder de promoverem no mercado o que lhe convém, à revelia da qualidade. Ainda que interesses de lucro interfiram ou entravem a promoção dos produtos bons, em última análise esses entraves econômicos agem como um desafio motivador, e o julgamento de valor fica para a posteridade: o joio e o trigo separam-se aos olhos desvalorizam, desprezam e que podem adquirir proporções de verdadeira rebelião cultural. Foi o caso do movimento Impressionista na pintura, na França, e da Semana de Arte Moderna de 1922 no Brasil. E nesses casos pode ocorrer o fenômeno da ‘contracultura’. Atualmente temos grafiteiros, descendentes diretos de pichadores marginalizados, que se autodenominam ‘cultura de rua’. E também os raps, as danças de rua, entre outros. Esta polarização entre a elite e os excluídos dá origem a um movimento pendular entre os extremos da comunidade de tal sorte que a História da arte é a história de uma sequencia de movimentos de polaridade: depois do romantismo segue-se o realismo, após longos períodos de valorização do espiritual, seguese um longo período de valorização do carnal A percepção individual do mundo é influencia- da geração futura e os grandes gênios, que etc. da pelo grupo. Aquilo que o grupo aprova ou valoriza tende a ser selecionado na percepção pessoal; já o que é rejeitado ou indiferen- em vida passaram privações e até morreram esquecidos, recebem seu reconhecimento a posteriori. A História está cheia de exemplos A CULTURA A IDENTIDADE Quem mais? SOCIAL te aos valores do grupo tem menor possibili- de ‘vitórias’ fugazes, hoje relegadas ao es- A consciência de SER pode gerar solidão ca- dade de ser selecionado pela percepção do quecimento, e de autores e pintores geniais so não haja a consciência de PERTENCER, sujeito – e se for significativa para o sujeito, desprezados em vida. ou seja, de compartilhar a existência com ou- este o guarda para si ou o elabora de forma a adaptá-lo aos valores grupais, seja de foram lúdica, simbólica ou distorcida, no intuito de evitar a censura coletiva. Assim, agentes culturais diversos dão significado a suas vidas organizando, promovendo e divulgando eventos vários. tros. Assim, o conhecimento de que outros também fazem, divulgam e apreciam o mesmo que o indivíduo, é o meio de integrá-lo à soci- O indivíduo que consegue burlar a censura O espectador cultural: edade. Ser poeta é bom, mas ser um poeta grupal e introduzir nela uma significativa mu- E finalmente, há aquele que não cria nem pro- brasileiro entre outros poetas brasileiros é dança de valores adquire o poder de influenci- move e que no entanto aprecia intensamente melhor. A comparação inevitável com os ou- ar a História, daí o dizer-se que ‘os poetas a arte. Indivíduos assim identificam-se entre si tros é desafiadora e motivadora. Diga-se o são profetas’. Explica-se, assim, o medo que e organizam-se em fãs clubes, cuja penetra- mesmo para qualquer outra modalidade cultu- os governos autoritários e ditatoriais tem da ção varia desde o bate-papo informal com os ral. Ao prazer de criar, soma-se o prazer de elite cultural a a perseguição política acirrada amigos até a distribuição de zines e elabora- cultivar um estilo próprio. Já não se trata mais que os representantes da cultura tem sofrido ção de congressos ou entidades mais ou me- de criar, divulgar ou apreciar arte, mas de cri- através dos séculos – por exemplo, queima nos sofisticadas, com a finalidade de admirar ar, divulgar ou apreciar sob uma ótica diferen- de livros e de sábios nas fogueiras da Inquisi- e cultuar o ídolo. Cito como exemplo o grupo te, peculiar, personalizada. ção, acusados de bruxaria e de pacto com o de admiradores da série Jornada nas Estre- Esta identidade cultural, em diferentes níveis, demônio. las. vai alicerçando a consciência do povo. Fala- Os povos evoluem através de mudanças sig- Uma categoria em especial destaca-se por se e vivencia-se um música brasileira, porém nificativas em sua cultura e as mudanças a- sua importância no resgate cultural de certas há ritmos baianos e, dentro da música regio- contecem rapidamente quando o clima políti- épocas ou certos ídolos: os colecionadores. O nalista baiana, aprecia-se esta ou aquele de- co é de liberdade; caso contrário demora ape- prazer de colecionar começa pela identifica- terminada tendência. Nem por isso deixamos nas mais uma pouquinho, o tempo de o pen- ção com o ídolo, passa pelo orgulho de pos- de sentir que existe uma musicalidade comum samento, que é livre, romper os grilhões da suir objetos raros e culmina na satisfação de a todos os povos e a todas as eras, pois, a- intolerância. deter e divulgar conhecimento. Colecionado- lém de universal, a música é transcendental, A CULTURA E A IDENTIDADE PESSOAL res contribuem significativamente para a pre- ou seja, dá-nos a sensação de união com a Quem sou? A identidade alicerça-se em capacidades e em valores, no que somos capazes de compreender do mundo e no significado que damos às nossas vidas. Destaco a seguir quatro processos de a cultura influir na identidade personalizando a atuação individual: O agente cultural: servação e para o resgate cultural de uma época ou arte específica. Assim, na questão da identidade, a cultura elabora a identidade de quem faz, de quem divulga e de quem conhece um aspecto determinado dessa cultura. Enfim, ser alguém capaz – seja de fazer, de divulgar ou de conhecer arte – estabelece uma identidade pessoal que efetivamente enriquece uma existência. divindade. Esse sentimento de transcender o espaço e o tempo está presente em todas as formas de manifestação cultural. É um sentimento atávico, inerente à espécie. Este atavismo é decorrência da necessidade de comunicação, pois quem vive, comunicase, e o homem que se comunica, o faz necessariamente através de certos meios e símbo- O artista, seja ele escritor, pintor, cantor, compositor – e também o esportista – sente-se alguém. Alguém que é respeitado pelo que é capaz de realizar, e, na velhice, mesmo se incapaz de criar, por limitações decorrentes da idade (mãos trêmulas, declínio da voz, fraqueza muscular etc) é amiúde solicitado a transmitir suas vivências aos mais jovens. Desta forma, o indivíduo sente-se útil e é gra- O alienado cultural Este é um agente às avessas, alguém que denuncia a incapacidade daquela sociedade em particular promover a integração de certos segmentos ou indivíduos. Frequente nos governos ditatoriais, o alienado cultural evidencia a exclusão social, a opressão e a manipulação de segmentos menos poderosos nem por los. Ora, a existência de meios e símbolos de comunicação são, em si, o alicerce da cultura – o jeito de ser – de um grupo. A formação cultural de um grupo estabelecese alicerçada nos fatores climáticos e geográficos inicialmente, passando pelas atividades de sobrevivência mais adequadas àquele grupo pelo tipo de alimento disponível, e a seguir tificante recordar as glórias passadas sentin- isso menos numerosos da sociedade. do que contribui ainda para estimular e incen- Se a alienação cultural é um sintoma, o é an- CONTINUA PÁGINA 13 tivar o ideal de uma vida. tes de um doença social do que individual. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana E agora José? Debatendo a educação Página 9 O Prof. José Carlos LIbâneo, no livro Didática, corrobora essa questão do método de trabalho do professor. O autor afirma que toda prática docente é intencional. Não basta apenas instruir. Instruir, para Libâneo, está subordinado ao ensino, já que esta é muito mais ampla do que aquela. Para ensinar é preciso desenvolver ações, meios e condições para a realização da instrução. Ainda que seja tentador tomar o rumo da conversa para se aprofundar na didática, deixarei essa questão de lado, já que o foco deste trabalho não é este. De qualquer forma, fica a indicação de leitura (inclusive aos que defendem o “notório saber”). Voltando a discussão sobre os critérios de contratação de professores, ou dos profissionais da educação, como está na Medida Provisória, vamos aqui apresentar uma proposta, já que ela está ai e muito provavelmente será aprovada. O NOVO ENSINO MÉDIO: SOBRE O NOTÓRIO SABER Não há dúvidas de que qualquer um que se queira prestar ao trabalho de professor deve possuir conhecimentos pedagógicos mínimos tais como: teorias do currículo, didática, avaliação escolar, teorias de a- A Medida Provisória 746 de 2016, a MP do Ensino Médio, vem prendizagem, métodos e técnicas de ensino e vários outros conheci- sendo discutida aqui neste espaço. No mês passado procurei trazer a mentos que possui o pedagogo. Porém, se o candidato não pretende discussão para a questão da infraestrutura. Neste mês pretendo discu- trabalhar com a educação infantil e com os anos finais do ensino fun- tir um pouco sobre a polêmica do “Notório Saber”. Vamos explicar. damental, talvez não seja tão necessário que ele curse 3 ou 4 anos de pedagogia. Por isso, essa proposta é que os cursos de pedagogia posA Medida Provisória alterou (vai alterar se for aprovada) vários sam adequar seus currículos para criar um curso de um ano ou um aartigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. no e meio para algum tipo de introdução à pedagogia. 9.394/1996). Uma dessas alterações se dá sobre o artigo 61, que trata do que se considera um “profissional da educação” acrescenta: IV - O leitor mais conhecedor dirá que a Resolução 02/2015 do Conselho profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos siste- Nacional de Educação já prevê isso. Realmente este parecer oferece mas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação ao profissional formado em qualquer área, a possibilidade de se formar para atender o disposto no inciso V do caput do art. 36. O artigo 36 tra- Pedagogo em apenas um ano e meio. Releia: formar um pedagogo em ta do Currículo do Ensino Médio, o inciso V trata do ensino técnico e um ano e meio. O que isso significa? Que este profissional (por exem- profissional. Ou seja, de acordo com a MP o futuro professor do ensino plo, um engenheiro elétrico), em um curso de um ano e meio poderá técnico deverá demonstrar o “notório saber” sobre a área em que vai se tornar um professor alfabetizador. ministrar. Gostaria muito da sua atenção neste ponto. A formação do Pedagogo Sobre essa questão tenho acompanhado diversos debates. U- é algo amplo que pode tomar várias direções. O Pedagogo que fica 3 ma dessas vertentes afirma que isso abriria um pressuposto para que anos (no mínimo, passando para 4 anos em 2017 a partir da Resoludiferentes profissionais pudessem ministrar disciplinas do currículo bá- ção 02/2015) que será o alfabetizador, é o mesmo que será o diretor sico (Geografia, História, Filosofia, etc). Ainda que a Medida Provisória de escola. É o mesmo que será professor dos anos iniciais do ensino não deixe isso claro, como pode ser lido na indicação acima, ela tem fundamental. É o mesmo que será alfabetizador de adultos. É o mesum fundamento de razão. O Senador Cristovam Buarque (PPS-DF) mo que será coordenador de escola. É o mesmo que será assessor tem defendido a ideia de que profissionais aposentados de diferentes pedagógico, e por ai vai. áreas (como engenheiros, por exemplo) possam dar aulas de matemá- Ora, se para formar um Pedagogo leva-se (a toque de caixa) pelo me- tica ou química, ou que um jornalista desempregado ou aposentado nos 3 anos, como que uma resolução permite que um profissional que possa dar aula de Língua Portuguesa, essas declarações você pode tenha o Ensino Superior em qualquer área, se torne Pedagogo em a- acompanhar neste link: https://goo.gl/6f4G1w. penas um ano e meio? Se assim é, gostaria eu de cursar Direito em O que talvez o senador tenha esquecido é que não basta para um pro- um ano e meio! Ou Medicina, quem sabe! Ou Fisioterapia, Odontologifessor saber seu conteúdo. Claramente que isso é importante, mas a, Geologia ou qualquer outra profissão. Totalmente contraditório, não só isso. Essa visão de que qualquer um pode ser um professor é não? uma visão antiga. Claramente uma visão liberal tradicional que enten- Pois bem, gostaria de deixar essa reflexão para você. Se já temos u- de que basta o adulto saber o conteúdo que ele pode transmiti-lo para ma situação capenga na educação brasileira com a formação de pro- qualquer criança. fessores em três anos, imagina como se dará a contratação daqueles Ainda que a tendência liberal tradicional tenha sido cunhada no decor- que deverão demonstrar o “notório saber”? rer dos séculos XVIII e XIX na Europa, essa concepção de que qual- quer um poderia ser um professor, já havia sido combatida por Comênius nos idos de 1600. Comênius, o pai da didática, entendia que o professor deveria ter um método de trabalho e a descreve em seu livro Didactica Magna. Ivan Claudio Guedes, 36 Geógrafo e Pedagogo. ivanclaudioguedes@gmail.com www.icguedes.pro.br www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 10 15 - Proclamação da República CURIOSIDADES 1887, depois de outros atritos entre os milita- pública", respondeu: "Cale a boca, rapaz!". res e o Ministério da Guerra, foi fundado o Deodoro pretendia esperar a volta do impera- Juntamente com a agitação abolicionista da Clube Militar, uma entidade que passou a fun- dor ao Rio de Janeiro, para discutir com ele a década de 1870, chegou também ao Brasil a cionar como órgão político e porta-voz da ca- situação. Dom Pedro 2º estava em Petrópolis, propaganda republicana. Durante a década tegoria. Para a sua presidência, elegeu-se u- alheio a todos aqueles acontecimentos. Ao de 1880, a ideia de República angariou sim- ma das maiores lideranças militares do país: receber as notícias pelo telégrafo, voltou às patizantes no país, mas em número menor o marechal Deodoro da Fonseca. pressas à corte, para tentar formar um novo que o abolicionismo, e num ritmo muito mais Na queda de braço do coronel Sena Madurei- ministério. Não houve tempo. lento. Somente após o fim da escravidão, ela ra com o ministro da Guerra, Deodoro tinha Proclamação da República entrou na ordem-do-dia. Os primeiros a en- ficado ao lado do coronel. Desde então, pas- Entre a queda do ministro Ouro Preto e a vol- grossar as fileiras do novo grupo foram os ca- sou a ser cortejado tanto pelos oficiais insatis- ta de dom Pedro 2º ao Rio, enquanto republi- feicultores, revoltados com a monarquia. Res- feitos com a monarquia, quanto pelos republi- canos e líderes militares se perguntavam o ponsabilizavam o governo imperial pela perda canos. Como militar, efetivamente não apro- que fazer, a Câmara de Vereadores do Rio de dos escravos, sem indenização. vava as atitudes do governo em relação aos Janeiro decidiu proclamar a República por Depois da Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, militares. Mas não identificava o governo com conta própria. A Câmara do Rio, evidente- os líderes do setor cafeeiro rapidamente se a monarquia, nem com a pessoa do impera- mente, não tinha nenhuma autoridade para uniram aos idealistas do Partido Republicano, dor - a quem respeitava e de quem era ami- falar em nome do Brasil, mas, naquele mo- fundado havia quase duas décadas. Até en- go. mento de confusão, seu pronunciamento foi tão, a agremiação contava apenas com mili- Propaganda republicana seguido pelos republicanos, com o apoio ar- tantes jovens e idealistas. Mas o partido não Para a maioria dos militares, o Império talvez mado do Exército. decolou. Durante dez anos, seu desempenho devesse chegar ao fim, mas a República podi- Formou-se então um governo provisório, cuja eleitoral foi pífio: não conseguia eleger seus a esperar pela morte de Pedro 2º O respeito chefia foi entregue ao marechal Deodoro da candidatos à Câmara e ao Senado. ao "velhinho" retardou o rompimento definitivo Fonseca. Informado de que dom Pedro 2º Escravos no exército entre os oficiais e a monarquia. Por isso, a pretendia compor um novo ministério que teri- Entretanto, durante nos anos 1880, a política ação dos grupos republicanos ligados aos ca- a como presidente um inimigo pessoal seu, o não era feita somente na Assembléia, mas feicultores passou a atacar o imperador atra- marechal aderiu à causa republicana, de que também nos quartéis. O Exército foi uma insti- vés de sua herdeira, a Princesa Isabel. até aquele instante fora um simples instru- tuição que saiu fortalecida da Guerra do Para- A sucessão e o futuro reinado foram transfor- mento. guai. Literalmente, os soldados tinham sido os mados em fantasmas assustadores pela pro- Dom Pedro 2º rumo ao exílio salvadores da pátria. Para a tarefa, contribuí- paganda republicana. A idéia de uma mulher No dia seguinte, no Paço da Cidade, dom Pe- ram milhares de escravos incorporados às no trono causava arrepios na mentalidade dro 2º foi notificado de que a monarquia já tropas. Os negros formaram a maioria dos ba- machista da época. Para piorar, pairava sobre não era a forma de governo em vigor no Bra- talhões brasileiros naquele momento. a princesa Isabel a figura do conde D'Eu, anti- sil. Como Ouro Preto, o imperador também Para não morrer nos campos de batalha, os pático e estrangeiro. Em surdina, começou a estava deposto e intimado a deixar o país em aristocratas tinham o direito de mandar os es- conspiração que iria derrubar a monarquia. 24 horas. O governo provisório tinha provi- cravos em seu lugar. Além disso, para au- Desgastado com o poder econômico dos ca- denciado um navio para transportá-lo para o mentar o número de recrutas, o governo ofe- feicultores, com a opinião pública e com os exílio, em Portugal. Dom Pedro 2º não se o- receu liberdade aos escravos que fossem militares, o Império tentou promover reformas pôs, declarando aceitar a vontade da opinião guerrear. Aproximando-se dos soldados nas na ordem política. Em junho de 1889, formou- pública nacional. dificuldes da guerra, os oficiais desenvolve- se um novo ministério, que tinha em sua pre- O navio partiu na madrugada de 17 de no- ram simpatia pelo abolicionismo. Com isso, sidência Afonso Celso de Assis Figueiredo, o vembro. O horário foi escolhido para evitar mais um elemento veio afastar o Exército da visconde de Ouro Preto - que já havia presta- manifestações populares favoráveis ao impe- monarquia. do relevantes serviços ao governo no passa- rador. Um forte esquema de segurança foi Oficiais sem dinheiro nem prestígio do. A ele caberia solucionar os problemas so- montado na cidade para acompanhar a famí- Outro motivo de insatisfação com o governo ciais e garantir a sucessão da monarquia. lia imperial a bordo. Embora fosse improvável era a origem social da maioria dos comandan- Visconde de Ouro Preto que o povo se levantasse para defender dom tes: as classes sociais médias. Para seus Ouro Preto tentou resolver a questão militar Pedro 2º, a República preferia não arriscar. membros, a carreira militar parecia uma opor- enfraquecendo o Exército. Procurou distribuir Na verdade, o povo estava à margem dos a- tunidade de subir na vida. Entretanto, os ofici- as tropas pela imensidão do território nacional contecimentos, mas isso não impedia que ais estavam ganhando pouco. Além disso, e transferiu comandantes e líderes para luga- manifestasse sua opinião, como nos versi- não tinham sequer a contrapartida do prestí- res afastados. Promoveu uma política de va- nhos abaixo, que circularam no Rio de Janei- gio social ou do poder político. lorização de outros grupos armados, como a ro pouco depois do embarque do ex- Nessas circunstâncias, uma grande solidarie- Polícia e a Guarda Nacional, além de criar a soberano: dade conquistou a oficialidade do Exército, Guarda Cívica e a Guarda Negra, formada "Partiu dom Pedro Segundo unindo-a entre si e com as tropas e evidenci- por antigos escravos. Para o reino de Lisboa. ando diferenças entre o militar e o civil. Nos Em contrapartida, os republicanos espalhaquartéis, o poder dos civis logo passou a ser ram o boato de que o governo pretendia aca- Acabou a monarquia E o Brasil ficou à toa." questionado. Em 1886, as opiniões dos milita- bar com o Exército. Não existia nenhuma evi- A avaliação que o escritor Lima Barreto fez res chegaram às ruas através dos jornais. dência nesse sentido, mas o boato incendiou do episódio também merece ser transcri- A Questão Militar os quartéis. Na manhã de 15 de novembro de ta: No Piauí e no Rio Grande do Sul, respectiva- 1889, sob o comando do marechal Deodoro, "Uma rematada tolice que foi a tal república. mente, os coronéis Cunha Matos e Sena Ma- tropas revoltadas saíram às ruas para derru- No fundo, o que se deu em 15 de novembro dureira atacaram o ministro da Guerra, Afredo bar o ministério de Ouro Preto. Os soldados foi a queda do Partido Liberal e a subida do Chaves, um civil. Estava aberta uma série de teoricamente leais ao governo nada fizeram Conservador, sobretudo da parte mais retró- desentendimentos com o governo, que ficou em sua defesa. Ao contrário, seu comandan- grada dele, os escravocratas de quatro costa- conhecida como Questão Militar. te, Floriano Peixoto, simplesmente disse que dos" O Império puniu com a prisão os dois coro- não poderia lutar conta brasileiros. néis, lembrando que, de acordo com a Consti- Após depor Ouro Preto, Deodoro se recolheu * Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista tuição, a participação na política interna do em sua casa, pois estava doente. Ao deixar o e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunica- Brasil não era um dever do Exército. Em palácio, escutou um soldado gritar "Viva a Re- ção (com educacao.uol.com.br). www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Socializando Gazeta Valeparaibana Página 11 Começar ou Recomeçar? Depende... FRASES SOBRE MENTIRAS Do que? Da situação que se está vivendo. Recomeçar segundo o dicionário é : começar de novo; refazer depois de interrupção; retornar a fazer qualquer coisa Começar: estrear, ocasionar o início de; iniciar algo. Parece igual? Mas não é. Recomeçar tem a ver com uma nova tentativa, algo que não tá bom e se tenta de novo. É refazer algo de outra maneira, uma mesma situação com um novo olhar e uma nova atitude, porque daquele jeito não estava funcionando. Começar tem a ver com algo novo, com um início. Muitos de nós começamos e recomeçamos várias vezes, várias coisas durante a vida. Recomeçamos uma vida profissional, relacionamentos, amizades, e isso nada têm a ver com fracassos. Tem a ver com querer melhorar, um novo olhar, uma nova maneira de encarar determinadas situações. Melhorar, aperfeiçoar. Começar de novo pode ter a ver com novos rumos que queremos dar a nossa vida, novos sentidos, poderá ser algo que a gente faça conscientemente. Está na hora de mudar, porque minhas escolhas já não estão mais fazendo sentido pra mim, ou então, o começo ou recomeço acontece involuntariamente. A vida nos obriga. Faz parte da evolução. Muitas vezes toda essa mudança vem acompanhada de dor, às vezes sofrimento. Outras vezes acontece o contrário. O começar ou recomeçar nos enche de alegria e esperança, dá um novo sentido a nossa vida. Fato é que isso faz parte da nossa existência e pasmem, não só da nossa, mas da maioria dos mortais. Só não acontece com quem é perfeito, e posso garantir que nunca encontrei ninguém que não tivesse passado por uma dessas situações. Começar em um emprego novo, em uma nova profissão. Recomeçar a vida em uma outra cidade ou outro país. Retomar uma relação que parecia findada e recomeçar de novo. Começar uma nova amizade, começar um novo amor. Começar uma dieta, um exercício físico. Recomeçar a fazer coisas que me davam prazer e por vários motivos deixei de fazer. Começar coisas novas, aprender a tocar um instrumento, são tantas coisas que começamos e recomeçamos que nem nos damos conta. Parece as vezes que estamos ligados no piloto automático, apenas realizando coisas. Damos-nos conta que algo está mudando, quando aquilo nos causa muito prazer ou muita dor. Às vezes fazemos escolhas erradas, achamos que estamos no caminho certo e num piscar de olhos vemos que nos enganamos. Não sabemos se devemos agir movidos pela emoção ou pela razão. Temos que aceitar a impermanência das coisas. Aceitar quando algo já não nos preenche e já se tornou pesado demais. Começar ou recomeçar é sair da zona de conforto em que nos encontramos. Mesmo que esse lugar já não nos dê mais nenhuma satisfação, por comodismo, às vezes, não conseguimos sair dele. A compreensão pode demorar a chegar, mas quando o começar ou o recomeçar se faz necessário, o véu da ignorância cai e vamos com tudo, cheios de esperança para o novo. Sempre teremos novas oportunidades, novos rumos e direção para seguir e continuar tentando. Só nós podemos mudar o rumo das nossas vidas. As escolhas são nossas. Re...Começar, recriar, refazer,viver,viver,viver... Mariene Hildebrando Email: marihfreitas@hotmail.com “Imaginação: um armazém de fatos gerido em parceria pelo poeta e pelo mentiroso”. Ambrose Bierce *** “Não faça perguntas e não te direi mentiras”. Em Harry Porter e o Cálice de Fogo *** “Há uma razão para a mentira: funciona”. Dr. House *** “O espelho pode mentir, não mostra como você é por dentro”. Demi Lovato *** “Mas o que é real? Você não pode descobrir a verdade, você só escolhe a mentira da qual mais gosta”. Marilyn Manson *** “Meu Senhor, ajude-me a dizer a verdade diante dos fortes e não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos”. Mahatma Gandhi *** “A arte é a mais bela das mentiras”. Claude Debussy *** “A arte é a magia libertada da mentira de ser verdadeira”. Theodore Adorno *** “A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade”. Pablo Picasso *** “A mentira só aos mentirosos prejudica”. Guerra Junqueiro *** “A linguagem política, destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. George Orwell *** “Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário”. George Orwell, de novo *** Mês que vem tem mais... www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 12 + Datas comemorativas 01 - Dia Mundial do Veganismo 12 - Dia Internacional da Tolerância O Dia Mundial do Veganismo ou Dia Mundial Vegano (World Vegan A data foi aprovada pelos estados membros da UNESCO após a ce- Day, em inglês) é comemorado em 1º de novembro. lebração, em 1995, do Ano das Nações Unidas para a Tolerância. A data celebra em todo o planeta a consciência vegana, ou seja, um A celebração do Dia Internacional da Tolerância visa promover o bem ato de protesto contra o consumo de produtos de origem animal. O estar, progresso e liberdade de todos os cidadãos, assim como fo- veganismo não aconselha a ingestão de alimentos de origem animal mentar a tolerância, respeito, diálogo e cooperação entre diferentes e derivados, como leite e ovos, por exemplo. culturas, povos e civilizações. É um dia destinado não só aos gover- Os veganos são ainda mais extremos que os vegetarianos, aliás, vo- nos e organizações mas também às comunidades e aos cidadãos, cê sabe a diferença entre veganos e vegetarianos? cabendo a todos promover a tolerância no seu espaço e no mundo. Os vegetarianos não consomem alimentos de origem animal (carnes, Realizam-se neste dia encontros, debates, campanhas de informa- peixes, frangos e etc). Os veganos, por sua vez, não consomem ab- ção, entre outras iniciativas. O ênfase vai para a educação para a to- solutamente nada que tenha relação com os animais, e isso inclui lerância e para as várias formas de injustiça, opressão, racismo e dis- roupas, cosméticos e até mesmo medicamentos. criminação, assim como para as consequências deste na sociedade. Em suma, ser vegano não se resume apenas a questão alimentar, Declaração Universal dos Direitos Humanos mas também a todo um modo de vida sem contato com produtos deri- A instauração da data é baseada na Declaração Universal dos Direi- vados a partir dos animais. tos Humanos, nomeadamente nos artigos 18, 19 e 26: Origem do Dia Mundial do Veganismo Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, consciên- A data surgiu em 1994, por intermédio de Louise Wallis, presidente cia e religião. da Vegan Society, em comemoração aos 50 anos da fundação da So- Todos têm direito à liberdade de opinião e expressão. ciedade Vegana do Reino Unido, fundada em 1944. Dia Mundial do Vegetarianismo 17 - Dia da Criatividade Por norma, uma pessoa para se tornar vegano passa primeiro pelo vegetarianismo, um estilo menos extremo de "protesto contra o consumo de carne". A educação deve promover a compreensão, a tolerância e a amizade enA criatividade é considerada co- 17 - Dia do Bandeirante mo uma aptidão para inventar ou criar coisas novas. Uma pessoa cri- ativa é uma pessoa inovadora, que A data homenageia os personagens tem ideias originais. responsáveis por desbravar e ajudar a conquistar e proteger grande parte do território brasileiro durante o período da colonização portuguesa: os bandeirantes. Esta característica pode se revelar em várias áreas diferentes, como a música, poesia, pintura, etc. Em algumas profissões a criatividade é um elemento essencial, como nas Bandeirantes eram chamados os ex- agências de publicidade e design. ploradores que saiam do litoral em direção ao interior do Brasil, uma região até então inexplorada, em busca de ouro e pedras preciosas. Foram responsáveis pela expansão do território nacional, mas ao mesmo tempo, um dos principais inimigos dos indígenas da época. Além disso, a criatividade também pode estar relacionadas com áreas como a engenharia (nas suas várias vertentes). Isto porque a criatividade é uma atitude de alguém que cria soluções para resolver um Os bandeirantes caçavam os índios e negros e escravizavam-os du- determinado problema. rante as expedições. Foram um dos grandes protagonistas do siste- ma escravocrata no período do Brasil Colonial. A criatividade está relacionada com a capacidade de fazer perguntas e procurar respostas para essas As expedições organizadas por grupos particulares (senhores do en- perguntas, usando para isso a capacidade de imaginação. genho, fazendeiros, comerciantes) eram chamadas de Bandeiras, já os grupos de desbravadores enviados pelo governo recebiam o nome Uma pessoa criativa é uma pessoa pioneira, que tenta fazer coisas de Entradas. que nunca foram feitas antes. A criatividade faz o mundo avançar, o pensamento criativo do ser humano foi o motor que capacitou gran- Origem do Dia do Bandeirante des invenções e descobertas. O Dia do Bandeirante é celebrado em 14 de Novembro, no entanto No Dia da Criatividade comprometa-se a ser criativo no trabalho, na não há um registro que oficialize a data ou que explique o motivo para escola ou em casa. Faça as coisas de modo diferente, desde as refei- a sua escolha. ções ao desporto que pratique. Aponte as suas ideias. Faça um ví- Mas, as comemorações acontecem em todo o país, principalmente deo, componha uma música ou escreva um texto para partilhar com nas escolas. Os alunos realizam atividades que lembram a importân- os amigos ou para guardar para si mesmo.tre todas as nações, grucia que estes personagens tiveram para a construção da história do pos raciais e religiosos. Brasil. Fonte: Calendar www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 13 Cultura CONTINUAÇÃO DA PAGINA 8 que ela poderá, por sua vez, contar a seus Para o artista, a arte é uma forma de libera- filhos, a criança pode identificar-se com os ção emocional, sendo a criação uma forma ...pela religião e atividades de lazer que se estabelecem em decorrência das primeiras condições citadas. Assim, onde há frio, lê-se muito, come-se grande quantidade de gordura, a solidariedade é sinônimo de sobrevivência. Onde há calor exercita-se o corpo, come-se frutas frescas, impera o espírito de aventura. Há uma psicologia das montanhas diversa da psicologia das planícies; o montanhês sente segurança e proteção onde os nativos das planícies percebe perigos desconhecidos; o montanhês sente-se exposto e vulnerável na amplidão que, para o nativo das planícies é a essência mesmo do seu bem-estar no mundo. É o meio influenciando o homem e moldando -o à sua imagem, sendo a seguir também moldado e modificado por ele. A mídia e as facilidades tecnológicas modernas diminuíram os contrastes sem anular as diferenças. A comunicação entre os povos estimula a compreensão e o respeito mútuo, e enriquece a humanidade. pais, projetar-se no futuro, modelar seus comportamentos e perceber-se como um elo vivo na cadeias de gerações. e- as histórias ampliam o vocabulário infantil e transmitem por estímulos subliminares todo tipo de informação cultural e conhecimentos teóricos sobre a história, a geografia, a religião e os costumes dos povos. A criança, ao aprender algo com o avô ou outro idoso, adquire respeito pela sabedoria adquirida, admira o outro, valoriza a tradição e deseja para si esta sabedoria enriquecida pelos anos. O ancião, por sua vez, ao ensinar, renova seu conhecimento , ao percebê-lo através dos olhos infantis; revive as boas lembranças, consolida sua autoestima. No contato entre velhos e jovens verifica-se um enriquecimento mútuo: os velhos melhoram a atenção, a memória, a saúde e o humor; os jovens ganham em paciência e em humildade. Através da cultura, o conflito pode transformar -se em parceria, a tolerância dar lugar à integração dos novos passos no mesmo caminho antigo. elaborada e complexa de transformar o sofrimento em beleza, o objeto artistíco sendo a forma de comunicação do mundo interno do artista. Em alguns casos extremos, a solução final: comunicar-se ou enlouquecer. Também para o espectador, que se projeta na obra admirada, a catarse acontece. E a emoção do esportista, e do torcedor, também são poderosas formas de catarse. Na emoção do momento, protegido pelo simbolismo cultural, pode o indivíduo soltar as emoções represadas em seu cotidiano. Exemplo impressionante de catarse popular aconteceu quando do falecimento de Airton Senna. Todas aquelas lágrimas, seguramente eram mais do que a tristeza pela perda do ídolo. O símbolo cultural tem esta plasticidade de prestar-se a diversas interpretações em vários níveis de complexidade psicológica. No caso específico da saúde, podemos observar pela época da aposentadoria a eclosão de diversas doenças, com destaque para as depressões, decorrentes do sentimento de inutilidade e pela percepção da proximidade da A CULTURA COMO PONTE ENTRE Uma cumplicidade estabelece-se entre pesso- morte. Também as lutas sociais pelo poder, GERAÇÕES E EXTRATOS SOCIAIS as de todas as idades e de todos os extratos as frustrações e, as desilusões geram toda O fazer e o admirar a arte, utilizando-a como sociais frente a uma manifestação cultural. sorte de sofrimento moral e físico. fator de integração social e formador de iden- Por meio de um elo invisível, já não se trata É quando FAZER arte pode consolar aquele tidade, é comportamento transmitido de pai mais de ser rico ou pobre, branco, negro ou que não pode TER e levá-lo ao equilíbrio psí- para filho, e começa no berço, ao som das mestiço, rural ou urbano – trata-se de SER quico por SER alguém. primeiras cantigas de ninar e das primeiras brasileiro, e neste termo ‘brasileiro’, ao som Grupos que se reúnem por um interesse cul- histórias de fadas. do Hino Nacional, todos sentem-se iguais. tural comum e permitem-se CRIAR obtém ex- Muito há que se falar sobre as histórias de fa- A identificação dos diferentes segmentos da celentes resultados. Ao fazer versos, cantar, das, a linguagem que os adultos encontram coletividade frente a uma equipe esportiva, pintar, representar, o indivíduo percebe apti- para penetrar no universo infantil. defendendo o nome do país nos Jogos Olím- dões inexploradas, e, entretido na atividade As histórias de fadas oferecem muito mais do picos, em um campeonato mundial, ou frente catártica, abandona o mau-humor, a depres- que magia e encantamento à mente de crian- a um filme que concorra a uma premiação in- são, esquece as dores, supera limitações e ças de todas as idades. ternacional, cria um forte vínculo ante o qual por vezes descobre talentos adormecidos. Os contos de fadas, trabalhados há séculos desaparecem as diferenças menos significati- A corrida atrás do dinheiro, a luta pela sobre- por gerações e gerações de crianças, têm u- vas. Em torno do ideal cultural é possível uni- vivência embota aos poucos a sensibilidade. ma sabedoria própria e são o veículo ideal pa- ficar toda uma nação e motivá-la para um im- É na aposentadoria que muitos se permitem ra introduzir a criança em seu contexto cultu- portante trabalho de desenvolvimento social – liberar , ou descobrem pela primeira vez, a ral. lembremos o que ocorreu em diversos países criatividade pelo prazer, desvinculada de qual- As histórias infantis refletem-se no psiquismo após a Segunda Grande Guerra. quer vínculo prático ou monetário, e, como a infantil em vários níveis, conscientes e incons- No Brasil existem atualmente diversos grupos criança, que vive intensamente o presente, o cientes. A utilização destas histórias permite isolados trabalhando a cultura com a intenção indivíduo recupera o amor pela vida, ingredi- uma ampla abordagem da problemática infan- de integrar à sociedade segmentos marginali- ente principal da saúde. til por várias razões: zados – menores, doentes e idosos. No caso A CULTURA COMO RESGATE DA a - a mais óbvia é a razão estética: sendo gradável, capta a atenção da criança. a- do idoso, os cursos e clubes de lazer para a Terceira Idade são um importante fator de melhora de qualidade de vida. Pelo exposto CIDADANIA acima, concluímos que a cultu- b- é uma atividade lúdica que permite o desdobramento do tema utilizando a criatividade e a participação ativa da criança, podendo ser transformada em dramatização simples, peça teatral elaborada, pintura, letra de música e brincadeira de faz de conta. c- contar uma história estabelece e/ou fortalece os vínculos afetivos entre quem conte e A solução cultural é a melhor arma de que dispomos para combater os graves problemas socioeconômicos de nosso país, pois a cultura interfere na autoestima de maneira surpreendente, atribuindo valor, identidade, disciplina e motivação para mudar. A cultura proporciona prazer em SER, FAZER e PERTENCER, sendo este o prazer sadio do bem viver, ra, em todos os seus aspectos, artísticos ou outros, tanto de criação, quanto de admiração e divulgação, tem como resultado fortalecer a identidade pessoal e social do indivíduo, bem como de integrá-lo em sua família e em sua comunidade, fornecendo-lhe, através do bem estar mental e social, condições de bem estar no mundo, ou seja, de saúde, em latu sensu. quem ouve. Através das interações não ver- força capaz de contrapor-se ao medonho pra- O indivíduo comprometido com a cultura é fe- bais que se estabelecem entre o narrador e o zer das drogas e da tendência autodestruição liz, portanto, pois sua vida adquire um signifi- ouvinte, cria-se uma cumplicidade, uma em- para que se dirigem os excluídos sociais. cado útil. patia que fortalece a sensação de segurança e compreensão do outro por parte do narrador quanto do ouvinte. d- ouvir histórias auxilia a criança a sentir-se A CULTURA COMO TERAPIA Do grego vem a palavra ‘catarse’, que dizer purificação. quer Este é – ou deveria ser – o objetivo da sociedade humana: o bem estar do grupo alicerçada na felicidade de cada um. incluída no mundo e integrada à realidade. Como os pais contam para ela que na sua idade ouviam histórias contadas pelos avós, e A arte é uma forma de catarse, em todas as suas manifestações: literatura, teatro, música, canto, dança, pintura etc. E toda catarse tem Autora: Dra. Sonia (Médica e Escritora) Regina Rocha Rodrigues um aspecto terapêutico. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 14 Grandes Mestres O Povo Brasileiro - Darci Ribeiro mar grosso. Quando chegaram mais perto, se O europeu não aceitava como igual. O que horrorizaram. Deus mandou pra cá seus de- era ? Era uma gente "ninguém ", era uma "Nós, brasileiros, somos um povo em ser, im- mônios, só pode ser. gente vazia. O que significavam eles do ponto pedido de sê-lo”. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais Que gente! nham visto Que coisa feia! Porque nunca tigente barbada – os portugueses de vista étnico ? Eles seriam a matéria com a qual se faria no futuro os brasileiros... foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda todos barbados, todos feridentos de escorbu- Um dos primeiros núcleos povoadores surgiu continuamos nos fazendo. to, fétidos, meses sem banho no mar... Mas em São Paulo, chefiado pelo português João Essa massa de nativos viveu por séculos sem os portugueses e outros europeus feiosos as- Ramalho. Há quem afirme que ele tenha che- consciência de si “... Assim foi até se definir sim traziam uma coisa encantadora: traziam gado ao planalto paulista antes mesmo da como uma nova identidade étnico-nacional, a faquinhas, facões, machados, espelhos, mi- chegada de Cabral. de brasileiros..." Darcy Ribeiro, em O Povo çangas, mas, sobretudo ferramentas. Os poucos registros da época supõem que Brasileiro. Para o índio passou a ser indispensável ter ele teve mais de trinta mulheres índias e qua- Brasileiros... Um povo novo? Que tipo de po- uma ferramenta. Se uma tribo tinha uma fer- se oitenta filhos mestiços. Um escândalo co- vo somos nós? A verdade é que muito já se ramenta, a tribo do lado fazia uma guerra pra mentado numa carta do padre Manoel da Nó- escreveu sobre isso. E, no entanto, continua- tomá-la. brega de 1553! mos a fazer as mesmas perguntas... O Povo Crianças indígenas: junto à natureza Edificação antiga em SP: povoamento Brasileiro: vamos ver o que este livro conta. Ao longo da costa brasileira se defrontaram "É principal estorvo para com a gentilidade Meu livro mostra por que caminhos e duas visões de mundo completamente opos- que temos, por ser ele muito conhecido e a- como nós viemos, criando aquilo que eu cha- tas: a selvageria e a civilização. Concepções parentado com os índios. Tem muitas mulhe- mo de Nova Roma. Roma com boa justifica- diferentes de mundo, da vida, da morte, do res. Ele e seus filhos andam com irmãs e têm ção... Roma por quê? A grande presença no amor, se chocaram cruamente. filhos delas... suas festas são de índios e as- futuro da romanidade, dos neolatinos é a nossa presença. Isso é o Brasil, uma Roma melhor porque Aos olhos dos europeus os indígenas pareciam belos seres inocentes, que não tinham noção do "pecado". Mas com um grande defeito: sim vivem andando nus como os mesmos índios... " Trecho da carta de Manoel da Nóbrega mestiça, lavada em sangue negro, em sangue eram "vadios", não produziam nada que pu- O povoamento se fez a partir do litoral. Na índio, sofrida e tropical. Com as vantagens desse ter valor comercial. Bahia, em Pernambuco, no Espírito Santo e imensas de um mundo enorme que não tem inverno e onde tudo é verde e lindo, e a vida é muito mais bela... E é uma gente que acompanha esse ambiente com uma alegria de viver que não se vê em outra parte. Serviam apenas para ser vendidos como escravos. Com a descoberta de que as matas estavam cheias de pau-brasil, o interesse mudou... Era preciso mão-de-obra para retirar a madeira. no Rio de Janeiro, em toda a costa os europeus geraram uma legião de mestiços. Homens e mulheres chamados de mamelucos pelos jesuítas espanhóis, por acusa do aspecto rústico e da violência com que captu- Esse país tropical, mestiço, orgulhoso de sua mestiçagem... Isso é que me levou muito tempo. Entender como isso se fez... Havia muita bibliografia sobre aspectos particulares, mas não uma visão de conjunto. Deixa eu contar pra vocês como é que isso se fez? "Os iberos se lançaram à aventura no alémmar... desembarcavam sempre desabusados, atentos aos mundos novos, querendo fruí-los, recriá-los, convertê-los e mesclar-se racialmente com eles... " Onde tinha algum europeu instalado na costa em contato com as naus, e portanto capaz de fornecer mercadoria, cada aldeia, e eram milhares de aldeias, levava uma moça pra casar com ele. Se ele transasse com a moça, então ele se tornava cunhado. Ele passou a ter sogro, sogra, genros... ele passou a ser parente. Então o sabido do português, do europeu, conseguia desse modo pôr milhares de índios a serviço dele, pra derrubar pau-brasil... ravam e escravizavam os indígenas, de quem descendiam. "A expansão do domínio português terra adentro, na constituição do Brasil, é obra dos mamelucos...” “O mameluco abriu seu mundo vasto andando descalço, em fila, por trilhas e estreitos sendeiros, carregando cargas no próprio ombro e no de índios e índias cativas..." O Povo Brasileiro O Povo Brasileiro No Brasil a mestiçagem sempre se fez com muita alegria, e se fez desde o primeiro dia... Eu prometi contar como. Imagine a seguinte situação: uns mil índios colocados A porta de entrada do branco na cultura indígena foi o "cunhadismo". Através desse costume foi possível a formação do povo brasileiro. E da união das índias com os europeus nasceu uma gente mestiça que efetivamente Esses filhos das índias aprendem o nome das árvores, o nome dos bichos dá nome a cada rio... Eles aprenderam, dominaram parcialmente uma sabedoria copiosa, que os índios tinham composto em dez mil anos. na praia e chamando outros: "venham ver, ocupou o Brasil. Em dez mil anos os índios aprenderam a viver venham ver, tem um trem nunca visto"... E achavam que viam barcas de Deus, aqueles navios enormes com as velas enfurnadas... "O que é aquilo que vem?" Eles olhavam, encantados com aqueles bar- No ventre das mulheres indígenas começavam a surgir seres que não eram indígenas, meninas prenhadas pelos homens brancos – e meninos que sabiam que não eram índios... que não eram europeus. na floresta tropical, identificaram 64 tipos de árvores frutíferas, domesticaram muitas plantas, essas que a gente usa: mandioca, milho, amendoim... Quarenta e tantas que nós demos ao mundo... cos de Deus, do Deus Maíra chegando pelo CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Novembro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Capitalisnma oEuerdoepma ocraciaWalter Benjamin entre 91 instituições testadas (ou seja, que havia oitenta bancos em situação ainda pior). Os bancos europeus estavam sobrecarregados com títulos de dívida soberana (dos tesouros nacionais). A agência Moody’s rebaixou a classificação de crédito de doze instituições financeiras do Reino Unido e nove de Portugal. No Reino Unido a reclassificação incluiu entidades de peso como a Lloyds, o RBS (Royal Bank of Scotland), o banco hipotecário Nationwide, o Co-operative, além do Banco Santander. O BCE passou a fazer o que antes negara: recomprar dos bancos europeus os títulos da dívida pública, recomprando no mercado secundário títulos da Grécia, Portugal e A 10 de maio de 2010 foi criado o fundo de estabilização coletiva da Europa, cuja função foi definida como a de dar cobertura de liquidez a países membros do bloco do euro; ele dispunha de 440 bilhões de euros (o equivalente ao passivo de um só banco privado) e, ainda assim, seus estatutos deviam ser previamente aprovados nos parlamentos de cada país. Enquanto isso, as notícias a respeito do possível rebaixamento francês pelas agências internacionais de classificação de risco foram suficientes para derrubar as cotações dos bancos: as ações da Société Générale, por exemplo, chegaram a despencar 21% e fecharam em fortíssima baixa de 14% – num único pregão. PARTE XI Irlanda, que a rede bancária não vinha A possibilidade de quebra em cadeia dos ... A UE não tinha mecanismos institucionais conseguindo manter em carteira. Problemas bancos de todo o mundo entrou na agenda que pudessem prestar socorro a sócios que semelhantes começaram a acontecer na Itália política internacional, e foi verificada nos enfrentassem graves problemas de caixa. e Espanha, países com dívidas três ou quatro ataques ao Bank of America (Estados Europa continuava sendo o “gigante vezes maiores que as de Grécia, Portugal e Unidos); ao Crédit Agricole, ao BNP Paribas e econômico e pigmeu político”, com seus Irlanda. Estes três últimos são responsáveis à Societé Générale (França). O economista quase 500 milhões de consumidores (o maior só por 6% do PIB da zona do euro, enquanto Nouriel Roubini estimou que “a menos que se “mercado interno” do planeta), mas incapaz Espanha e Itália são responsáveis por 30%. triplique o montante do Fundo Europeu de de ter uma política unificada diante problemas internos ou externos graves. de Reformas e Resgates Estabilidade Financeira – movimento contra o qual a Alemanha resistirá –, só restará, como Em 2008, no início da crise, a dívida pública opção, a reestruturação ordeira, mas Na Europa, assim, a crise iniciada nos EUA espanhola equivalia a 40% do seu PIB. Em coercitiva, das dívidas de Itália e Espanha, se aprofundou, mostrando uma face dupla: os 2011 já equivalia a 68%. Além disso, a dívida como aconteceu na Grécia”. “2009” tinha sido bancos europeus ficaram atolados pública fazia parte de um endividamento total um ponto de inflexão, não o pico passageiro duplamente, pelos “ativos tóxicos” dos EUA e (de bancos, empresas e famílias) que de uma crise também passageira. pela exposição no Leste europeu. O custo dos swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês) dos bancos – operações pelas quais o mercado compra um seguro contra o calote de um título – disparou. A saída à crise pela injeção de fundos públicos no setor financeiro falido, em proporções gigantescas, nos EUA e na Europa, adiou por pouco tempo sua reaparição como explosão da dívida pública. chegava a quase quatro vezes o PIB espanhol, metade do qual era dívida externa. Na Itália, a dívida pública era equivalente a dez vezes a dívida da Grécia. A cada mês a Itália ia a leilão com 25 bilhões de euros em títulos, equivalente ao que Grécia leiloava em todo um ano. Os países “pequenos” só haviam dado o chute inicial da crise. A União Europeia não tinha mecanismos França e Alemanha defenderam nesse momento a implantação de uma “regra de ouro”, estipulando metas de controle do déficit público, para ser incluída na Constituição dos países membros da zona do euro.[26] As reformas propostas seriam um passo em direção da união fiscal da Europa, o que equivaleria à sua absorção pela Alemanha. Como fazê-las aceitar pelos parlamentos Os novos episódios da crise puseram fim às institucionais para conter crises dessa nacionais? Na sua intervenção no parlamento afirmações de sua superação a partir da envergadura, carecendo até de um sistema para defender o “pacote” de austeridade, o segunda metade de 2009. O espectro dos único de dívida pública. O projeto de ministro de Fazenda, Giulio Tremonti, defaults soberanos, desde Grécia até a Constituição Europeia fracassou quando foi comparou a situação da Itália à do Titanic. O Irlanda, sacudiu o conjunto da Eurozona, e rejeitado em vários plebiscitos nacionais e, “plano de ajuste reforçado” da Itália visou revelou o impacto catastrófico das montanhas por isso, abandonado. aumentar os ganhos financeiros em até 20% de dívidas dos Estados em todo o planeta, começando pelos EUA. Em inícios de 2010, os bancos franceses e alemães alertaram à UE e ao BCE que o déficit público grego e de outros países os punha sob um risco grave de falência. A partir de março de 2010, a Zona Euro e o FMI debateram conjuntamente um pacote de medidas destinadas a resgatar a economia grega, que foi bloqueado durante semanas devido a divergências entre a Alemanha e os outros países membros da zona (sem (para atingir o equilíbrio fiscal em 2013): todos os títulos financeiros teriam taxas entre 12,5% e 20%. O resultado disso tudo? Um ano depois de seu primeiro “resgate”, a Grécia, brutalmente golpeada, não podia garantir os pagamentos do mês de julho e só lhe faltava A condição imposta pelo BCE e do FMI para trocadilho). Durante essas negociações, a declarar-se falida. Todos os créditos do “salvar” os países endividados foi a adoção de “desconfiança” aumentou nos mercados primeiro “resgate” foram utilizados para pagar drásticos planos de austeridade, que financeiros, enquanto o euro teve uma queda empréstimos anteriores, e quanto mais se provocaram revoltas sociais (explosão social regular e as praças bolsistas apresentaram pagava, mais dinheiro se devia, com juros em em Atenas, até se chegar à greve geral em 5 fortes quedas. Finalmente, em maio de 2010, cima de mais juros, uma situação típica de um de maio de 2010, os “indignados” espanhóis, a União Europeia (UE) e o FMI acordaram um empréstimo de caráter usurário. Na sua as greves gerais em Portugal e Irlanda) como plano de resgate para evitar que a crise grega senilidade, o capitalismo volta aos métodos já acontecera na “periferia da periferia” se estendesse por toda a Zona Euro. Ao de sua acumulação primitiva, desta vez, europeia (os países bálticos e balcânicos). mesmo tempo, os maiores países europeus porém, não para nascer, crescer e se Impuseram-se medidas draconianas sobre tiveram que adotar os seus próprios planos de desenvolver, mas para se salvar da morte. Irlanda e um programa mais duro, como o ajuste das finanças públicas, inaugurando Um novo resgate europeu tornou-se anteriormente aplicado na Letônia, foi uma “era de austeridade” geral. Esse primeiro necessário. Desta vez, diferentemente do apresentado pela UE como ultimato à Grécia. pacote de ajuda à Grécia tinha um valor de primeiro, o “contágio” (expresso no “prêmio de O resultado foi maior crise financeira e fuga 110 bilhões de euros, sendo 80 bilhões de risco” ou “risco-país”: a diferença entre a taxa de capitais (os “mercados” fugiram dos países responsabilidade da UE e 30 bilhões do FMI. de juros entre a dívida paga pelo país e a “contaminados”), e novas explosões sociais. Em contrapartida o país assumiu o paga pela Alemanha) não só afetou Portugal Os principais bancos europeus foram compromisso de realizar um forte ajuste fiscal e Irlanda como também atingiu à Espanha e, submetidos a “testes de estresse”, nos quais e reduzir seu déficit público de 13,6% para pela primeira vez, à Itália. o falido Dexia ocupou um honroso 12º lugar 3,0% em 2014. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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