Revista Secovi Rio 103

 

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REVISTA NOVEMBRO/DEZEMBRO 2016 � venda proibida nº103 CURTINHAS pág. 5 » 6 ENTREVISTA pág. 8 » 13 CAPA pág. 16 » 19 JURÍDICO pág. 21 » 26 www.secovirio.com.br PRIMEIRA INFÂNCIA Com atividades desenvolvidas no próprio condomínio, bebês ganham estímulo em seu processo de desenvolvimento

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Há 42 anos representando e valorizando os empresários do mercado imobiliário ASSOCIE-SE. NÃO PERCA TEMPO! CONHEÇA OS NOSSOS SERVIÇOS: Pareceres à disposição do associado Atendimento e consultoria jurídico Comissão de conciliação e arbitragem Cursos profissionalizantes Pós-Graduação em Direito Imobiliário Reuniões de empresários Encontro de Síndicos Encontro Nacional de Inquilinos e Locadores Encontro Estratégico para associados

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SUMÁRIO DIRETORIA/EXPEDIENTE PALAVRA DO PRESIDENTE CURTINHAS NOVEMBRO•DEZEMBRO 2016 / nº 103 ENTREVISTA 2 CAPA 4 JURÍDICO 5 8 16 21 MATÉRIA ESPECIAL INSTITUCIONAL INDICADORES HABITACIONAIS 30 NOSSOS LUGARES BOO! 34 37 SERVIÇOS E PRODUTOS 38 46 53 É PRECISO DESAPRENDER Um humorista norte-americano certa vez criou uma grata definição: um bebê é uma ótima forma de começar uma pessoa. O apontamento de Don Herold pode ganhar um novo sentido se observado à luz da ciência. Nas últimas décadas, descobriu-se que bebês já desvendam o mundo de modo análogo ao dos cientistas: com experimentos, análises estatísticas e formação de teorias intuitivas − isso com poucas semanas de vida. A explicação está na capacidade de olhar para o ambiente sem preconceitos ou vícios de aprendizado. Cientes da importância de valorizar as habilidades que surgem na primeira infância, muitos pais têm investido em iniciativas que estimulem a criatividade de seus bebês já nesse período. A tendência chegou aos condomínios fluminenses, que passaram a adotar atividades especiais para esse público tão cheio de energia e delicadeza. Na matéria de capa desta edição, você vai poder entender como tais experiências têm contribuído para trazer uma perspectiva mais ampla ao desenvolvimento das novas gerações. Com um pequeno empurrãozinho, essas crianças têm dado vida não só à própria inteligência psicomotora, mas também ensinado aos adultos como é simples conviver com as diferenças. EQUIPE SECOVI RIO

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DIRETORIA/EXPEDIENTE DIRETORIA SECOVI RIO Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles Suplentes Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade CONSELHO FISCAL Efetivos Dorzila Irigon Tavares; Marco Antonio Moreira Barbosa Suplentes Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Efetivos Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia Suplentes João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense Av. Governador Roberto Silveira, 470, sala 412, Centro, Nova Iguaçu - RJ (Edifício Top Commerce) CEP: 26210-210 Telefone: (21) 2667-3397 E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Regional Lagos Rua Francisco Mendes, 350, loja 5, Centro, Cabo Frio - RJ (Leste Shopping) CEP: 28907-070 Telefone: (22) 2647-6807 E-mail: lagos@secovirio.com.br Regional Litorânea Av. Ernani do Amaral Peixoto, 334, sala 1.009, Centro, Niterói - RJ CEP: 24009-900 Telefone: (21) 2637-1633 E-mail: litoranea@secovirio.com.br Regional Noroeste Fluminense Praça São Salvador, 21, sala 904, Centro, Campos dos Goytacazes - RJ CEP: 28010-000 Telefone: (22) 2738-1046 E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Regional Norte Fluminense Avenida Rui Barbosa, 1.043, sala 201, Centro, Macaé - RJ CEP: 27910-362 Telefone: (21) 2772-3714 E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br Regional Serra Imperial Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95, sala 406, Centro, Petrópolis - RJ CEP: 25680-195 Telefone: (24) 2237-5413 E-mail: serraimperial@secovirio.com.br Representante: José Roberto Bittencourt Sauer Regional Serra Norte Rua Doutor Ernesto Brasílio, 45, sala 205, Centro, Nova Friburgo - RJ CEP: 28610-120 Telefone: (22) 2523-7513 E-mail: serranorte@secovirio.com.br Representante: Gabriel de Freitas Ruiz Regional Serra Verde Av. Feliciano Sodré, 460, loja 3, Várzea, Teresópolis - RJ CEP: 25963-082 Telefone: (21) 2742-2102 E-mail: serraverde@secovirio.com.br Representante: Henrique Luiz Rodrigues Regional Sul Fluminense Rua Dezesseis, 109, sala 1.101/A3-cobertura, Vila Sta. Cecília, Volta Redonda - RJ (Edifício Vila Shopping) CEP: 27260-110 Telefone: (24) 3339-2272 E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br Representante: Vanisi de Oliveira Ferreira SEDE Av. Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 - Fax: (21) 2272-8001 E-mail: secovi@secovirio.com.br A Revista Secovi Rio é uma publicação institucional, bimestral, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo o Estado do Rio de Janeiro. EXPEDIENTE Conselho Editorial: Pedro Wähmann, João Augusto Pessôa e João Fernandes Filho Gerente de Marketing e Comunicação: Marcos Mantovan REDAÇÃO imprensa@secovirio.com.br Jornalistas responsáveis: Gustavo Monteiro (25.140 MTE/RJ) e Igor Augusto Pereira (2.629 MTE/GO) Redação: Gustavo Monteiro, Igor Augusto Pereira e Amanda Gama Projeto gráfico e diagramação: Henrique Vasconcellos Ilustração: Daniel Santos de Abreu Revisão: Sandra Paiva Fotografias: Daniel Wander PUBLICIDADE Elcias Teodoro (21) 2272-8009 - (21) 97377-7913 (21) 99789-6454 teodoro@secovirio.com.br parcerias@secovirio.com.br Thiago Bogado (21) 2272-8007 - (21) 97226-8936 revista@secovirio.com.br thiago@secovirio.com.br A revista reserva-se o direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa. Os anúncios veiculados são de responsabilidade dos anunciantes. IMPRESSÃO Gráfica Colorset Tiragem: 24.000 exemplares. Distribuição gratuita. Auditada pela: BKR Lopes, Machado Auditors, Consultants & Business Advisers. Distribuição nacional: Treelog S.A. Logística e Distribuição. SECOVI RIO / 2016 / nº 103 / 2

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senior CRECI J101 / ABADI 2 / SECOVI 11 Síndicos e condôminos precisam contar sempre com a experiência de uma empresa pioneira, que evoluiu com o mercado. Há 70 anos a Zirtaeb vem conquistando a con ança dos síndicos e proprietários de imóveis. ................................ O BRAÇO DIREITO DO SÍNDICO E PROPRIETÁRIOS /zirtaeb | acesse: www.zirtaeb.com | Tel. 3233.3500 Administração de Condomínios e Imóveis para renda, compra e venda.

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PALAVRA DO PRESIDENTE Em linhas gerais, a função de um sindicato é defender os interesses da categoria que representa. Mas, no caso do Secovi Rio, nossa missão vai além: “Promover o desenvolvimento dos condomínios e das empresas do setor de comércio e serviços imobiliários, contribuindo para a geração de melhores resultados e melhoria da sociedade.” Isso significa que procuramos pautar nossas ações não apenas no bem-estar de nossos representados, mas também na criação de um ambiente social, político e econômico favorável para todas as pessoas que vivem no Estado do Rio. Por isso, ao longo do ano de 2016, procuramos dialogar com atores que não necessariamente estão ligados ao nosso setor, mas que, de alguma maneira, podem influenciar na nossa atividade. Nas eleições municipais do Rio, por exemplo, trouxemos dois candidatos para conhecer de perto as propostas do setor imobiliário, discutir o futuro e os problemas da cidade: Marcelo Freixo e Carlos Osório. Para os demais, que não puderam vir ao Secovi Rio, entregamos um caderno com as principais demandas de nossos representados. Este foi mais um projeto que demonstra o quanto estamos preocupados em ultrapassar os limites de nossa representatividade, buscando mais qualidade de vida para a sociedade como um todo. Quando uma entidade sindical se fecha em si mesma, esquivando-se do contexto social em que está inserida, ela perde a oportunidade de agregar valores e melhorar sua prestação de serviços. O Secovi Rio está atento não apenas à área geográfica à qual pertence, mas também à realidade do mundo atual. Ao convidarmos o administrador espanhol Pepe Gutiérrez, um dos maiores especialistas em administração imobiliária no mundo, para uma palestra, em outubro, a intenção foi mostrar aos representados do Sindicato da Habitação as tendências da administração condominial, ampliando nossos horizontes. Para 2017, pretendemos continuar seguindo a mesma dinâmica, buscando dialogar cada vez mais com a sociedade, a fim de assimilar valores atuais como o respeito às diferenças, a ética, a inovação, a sustentabilidade, o compartilhamento, entre outros. O futuro promissor que queremos para nós é o mesmo que desejamos para todos os cidadãos. Pedro Wähmann Presidente do SECOVI RIO SECOVI RIO / 2016 / nº 103 / 4

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CURTINHAS Arquitetura antidivórcio Um escritório holandês desenvolveu o projeto de uma casa com dois módulos que podem ser separados caso os moradores se divorciem. A edificação é construída em fibra de carbono e uma camada de madeira. Se o casal se separar, as unidades se dividem e podem ser transportadas para outro ambiente. Será que a moda pega? Estúdio Penha Studio OBA Varanda moderna Para muita gente, ter um imóvel com varanda é um verdadeiro sonho. Queridinhos dos habitantes de edifícios mais novos, esses espaços muitas vezes são integrados e transformados na extensão da sala de estar. Com uma pegada industrial, a varanda da foto é delimitada pelo ladrilho hidráulico. Os pendentes, localizados acima da mesa, foram recuperados de um centro cirúrgico desativado e revitalizados. Mas fique de olho: antes de modificar esse ambiente, consulte um arquiteto sobre as regras de zoneamento urbano e veja se a Convenção do condomínio dispõe sobre alterações em varandas. Gesso ou massa corrida? Na hora de reformar, muitos donos de imóveis ficam em dúvida sobre os prós e contras da utilização do gesso e da massa corrida. Os dois materiais são usados para preencher imperfeições e nivelar superfícies de alvenaria não molháveis. Para entender qual é a melhor opção, fique de olho nessas dicas do portal Casa. O gesso seca mais rápido, não precisa de selador e pode ser aplicado diretamente em blocos cerâmicos e de concreto. Em contrapartida, precisa ser misturado com água, demanda o uso de preparador e é mais poroso, portanto consome mais tinta. Já a massa corrida é formulada para receber pintura, utilizando menos tinta, tem fácil aplicação, não precisa de preparador e tem melhor isolamento acústico. Por outro lado, é necessário selador e, para ser aplicada em blocos cerâmicos e concreto, deve receber chapisco, emboço e reboco. Legado na moradia Se no Rio de Janeiro os imóveis que abrigaram os atletas da Rio 2016 estão começando a ser ocupados agora, em Londres, sede da edição anterior dos Jogos, a antiga Vila Olímpica já tem ocupação completa e identidade própria. Localizado em Stratford, o empreendimento ajudou a revitalizar uma área antes degradada e violenta. Metade das unidades está alugada a preços populares e, embora se trate de uma iniciativa privada, o governo é que estabelece um índice de reajuste anual. “Na parte externa, há várias iniciativas para estimular a prática de esporte”, contou à BBC Brasil o paulista Frank da Silva, que vive na Inglaterra há 25 anos. SECOVI RIO / 2016 / nº 103 / 5 Padmayogini / Shutterstock.com

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Tatuzão no pódio O projeto da Linha 4 do metrô no Rio de Janeiro está entre os finalistas do ITA Tunneling Awards, considerado o Oscar dos Túneis. O sistema de escavação, feito sob medida para o solo carioca, disputa a categoria “Inovação Técnica do Ano” com representantes de Cingapura, Finlândia, Noruega e Inglaterra. O resultado sai em 11 de novembro. Jardim vertical Viver em um imóvel pequeno não é mais desculpa para não ter plantas. Com a popularização dos jardins verticais, só é preciso um pouquinho de criatividade e dedicação para trazer a natureza para dentro de casa. E, muitas vezes, você nem precisa gastar com material para isso. Na foto ao lado, o morador utilizou caixinhas de leite ou suco para abrigar suas flores e temperos. Para conseguir um visual mais coeso, você pode, ainda, cobrir as embalagens com tecido. Reprodução: Instagram Divulgação Au revoir, plástico! Comuns nas festas infantis e redes de fast-food, os copos e pratos plásticos devem ser banidos da França em 2020. É que o país aprovou uma medida contra a produção e o uso desse material. Um dos objetivos é reduzir em até 30% a produção de gases do efeito estufa até 2030 e diminuir pela metade o consumo de energia até 2050. Natal sustentável Com a crise, muita gente tem descoberto os benefícios do faça-você-mesmo e dado um show na decoração de suas casas no fim de ano. Veja só essa árvore de Natal feita a partir de um palete. A madeira pode ser deixada na cor natural, com o desenho do pinheiro pintado. Depois, basta utilizar pregos para pendurar seus enfeites. Mapa vivo Um grupo de pesquisadores da UFRJ desenvolveu uma ferramenta cartográfica que permitirá a qualquer pessoa pesquisar intervenções temporárias já ocorridas ou em desenvolvimento na capital fluminense. A partir de um mapa colaborativo, é possível consultar eventos esportivos, instalações artísticas, festas populares, entre outros, em sua região de interesse. O projeto visa identificar como os espaços públicos são utilizados pelos cidadãos, permitindo também que sejam formuladas iniciativas para transformar regiões mais esquecidas. A plataforma pode ser acessada gratuitamente no endereço eletrônico www.intervencoestemporarias.com.br. Reprodução: Pinterest SECOVI RIO / 2016 / nº 103 / 6

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ENTREVISTA • DOMINIC BARTER POR UMA LÓGICA DO AFETO Igor Augusto Pereira É possível conversar sobre temas espinhosos sem ferir? Para muita gente, não. Com o tempo, esse silêncio sobre os pequenos conflitos vai dando espaço a uma insustentável dureza nas relações, ou, em outras palavras, a uma comunicação mais violenta. Sem formação acadêmica, mas com bagagem adquirida no trabalho em centros comunitários, o pesquisador social inglês Dominic Barter, que vive no Brasil desde 1992, especializou-se nesse tipo de problemática e acabou se transformando em referência das chamadas práticas restaurativas. Com projetos em escolas, empresas, prédios e até mesmo no sistema judiciário, Barter aplica os princípios da Comunicação Não-Violenta – um tipo de pesquisa aberta fundada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, baseada na boa convivência e na inteligência dos relacionamentos. Em entrevista à Revista Secovi Rio, o pesquisador fala sobre as dificuldades de construir relações de compreensão, entendimento e parceria entre vizinhos.

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Dominic Dominic ENTREVISTA • DOMINIC BARTER Por que é tão difícil conviver? A Comunicação Não-Violenta busca explicar isso? Em parte, porque a maioria das pessoas não aborda o assunto “convivência” nas três diferentes esferas em que atuam. A primeira é a intrapessoal, que define a maneira como nos relacionamos com nós mesmos. A segunda, interpessoal – a mais conhecida, que chama mais atenção, mas que muitas vezes é regida por uma lógica de certo e errado, de que as pessoas deveriam se comportar de certo jeito. Por último, a sistêmica, que busca entender os acordos implícitos que regem a forma como convivemos. Mas como exatamente isso se aplica ao dia a dia de uma vizinhança? Há uma implicação prática. Em uma vizinhança, ou mesmo em uma família, todo mundo sabe que o João tem um problema com a pessoa do (apartamento) 302. Mas, normalmente, não entendem o que João e essa pessoa do 302 estão pensando sobre si mesmos, só em como estão tratando um ao outro, nem sobre os acordos implícitos feitos para conviver nesse condomínio. PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2016 / nº 103 / 9

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ENTREVISTA • DOMINIC BARTER Dominic Dominic Que tipo de acordos? Hoje em dia, praticamos muito pouco uma escuta inteligente. Acordos que faziam sentido quando a gente morava em aldeias ou pequenos bairros, em que todos se conheciam ao andar pela rua. Essa é a época em que a maioria dos acordos de convivência foi estabelecida. Mas, nos últimos 100 anos, temos mudado radicalmente nossa forma de viver. E os condomínios em prédios grandes são um exemplo disso. Muitas vezes, a gente não conhece a pessoa que vive no andar de cima ou no de baixo, cruza apenas no elevador. Então, é óbvio que, em uma configuração dessas, alguns acordos mais antigos vão continuar valendo e outros não. E o que é possível fazer para amenizar ou reverter esse quadro? Primeiro, reaprender a escutar. Nossa tendência é escutar apenas as palavras que os outros nos dizem e prestar atenção ao sentido por trás delas. Quando alguém se expressa, tanto faz quais palavras usa. O que essa pessoa quer é estabelecer inicialmente um sentido compartilhado, checar se o outro é capaz de perceber a situação a partir de sua perspectiva. Se isso não se realiza, começamos a ver as brigas que são aparentemente sobre nada. O que tem um impacto sobre aquilo que é realmente significativo. As relações que ficam tensionadas, estressadas e se rompem por motivos que, vistos de fora, não são suficientes. Hoje em dia, praticamos muito pouco uma escuta inteligente, em que se procura descobrir exatamente o que o outro quer dizer. Muitos de nós até temem que, ao escutar demais, iremos concordar com o outro e, assim, perder posição. Mas é possível aprender a escutar de fato? Escutar é inicialmente uma escolha. Eu escolho conviver positivamente com as pessoas à minha volta, reconhecendo que meu bem-estar é muito impactado pela abertura de diálogo. No prédio onde eu moro, como em muitos condomínios, há uma questão de barulho. Há um vão que faz com que o choro da criança, que é muito jovem, acorda muito cedo e vive dois andares abaixo do meu, chegue muito alto à janela do meu apartamento. Então, a boa relação que tenho com ela facilita muito na construção de uma solução que respeite a família da criança e o meu sono. SECOVI RIO / 2016 / nº 103 / 10 Dominic Dominic

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Dominic ENTREVISTA • DOMINIC BARTER O barulho é uma questão central, mas poucos moradores falam diretamente com os vizinhos sobre isso. Todos os problemas são contornados quando a gente é capaz de falar a verdade. Você deve conhecer muitas histórias em que as pessoas acabam sofrendo problemas muito grandes em reuniões de condomínio, em virtude de mal-entendidos, ou até se mudando... Todos os problemas são contornados quando a gente é capaz de falar a verdade e ouvir a intenção por trás da fala e das ações das pessoas. A Comunicação Não-Violenta responde ao fato de que, em nossa sociedade, muitos de nós têm esquecido como fazer isso. Quer dizer que a violência na comunicação tem a ver com nossa recusa em encarar os pequenos conflitos do dia a dia? Acredito que isso seja metade do problema. A outra é que a ideia de privacidade tem feito muitos de nós pensarmos duas vezes antes de bater à porta do outro, estender a mão, expressar gratidão e se conhecer melhor. Então, tendemos a nos refugiar em nosso lugar de moradia. Assim, as relações perdem sua vivacidade e seu potencial para momentos de alegria. Nossa resposta ao conflito, de rotular o outro como sendo problemático, em vez de escutá-lo, combinada ao desestímulo de nosso desejo de conhecer um ao outro, tem diminuído nossa qualidade das relações e a satisfação em conviver. Você também desenvolve um trabalho em Comunicação Não-Violenta em áreas de conflito, como favelas. A favela não é mais conflituosa que o Alto Leblon A favela não é mais conflituosa que o Alto Leblon, por exemplo. Os conflitos se manifestam de formas diferentes, mas não em um nível distinto. Entro em uma empresa grande e vejo muito conflito. Entro em uma escola pública e em uma escola privada e vejo muito conflito. Famílias de todas as classes sociais experimentam conflito. Entendo isso como um aspecto natural, e até saudável, da convivência entre as pessoas. A questão é como a gente lida com o conflito. Dominic Dominic SECOVI RIO / 2016 / nº 103 / 12

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ENTREVISTA • DOMINIC BARTER Dominic Dominic Mas o que diferencia exatamente os conflitos? É preciso recuperar nossa capacidade de enxergar o outro como ser humano Em certas situações, como as favelas, muitas pessoas não têm as condições mínimas adequadas para conviver bem. Isso faz com que os conflitos naturais do dia a dia possam se tornar perigosos à saúde e à integridade física de uma forma mais rápida que em outros ambientes. Mas não é porque o conflito é maior. Nesses contextos, como um prédio de luxo, uma empresa, uma escola, um presídio, procuramos sempre os elementos muito primários e muito fáceis de esquecer, que podem ser resumidos em uma palavra: respeito. Como exercitar o respeito? Etimologicamente, respeito é a capacidade de olhar duas vezes. Primeiro, para tudo que é único em você, o formato do seu rosto, seu cabelo, a cor da sua pele, sua roupa, o gênero com que você se identifica, ideologia política. E não parar por aí, nos rótulos, como “ah, é um cara legal”, “ah, é meio suspeito”, “é uma pessoa problemática”, “é generosa”. Mas de olhar generosamente, re-olhar, enxergar o que está por trás de tudo isso, a humanidade que essa pessoa tem... E encontrar, nessa humanidade, o meu semelhante. E como o trabalho é feito na prática? Como as pessoas são engajadas nesse tema? Temos diferentes maneiras. Há materiais on-line, um grupo no Facebook chamado “CNV – Comunicação Não-Violenta”, o livro do Marshall Rosenberg (versão em português disponibilizada pela Editora Ágora), que é indicado para quem quer começar. Também realizamos eventos mensais abertos ao público, sempre na segunda quarta-feira do mês, em um bairro diferente do Rio de Janeiro. Isso inicia um percurso de aprendizagem, que envolve outros eventos mais longos, grupos de prática... E a terceira forma é se envolver em projetos específicos, que procurem mudar uma realidade. Uma empresa, uma escola ou um condomínio, por exemplo, podem decidir aplicar algumas práticas de boa convivência para facilitar que certa situação se transforme. Como é possível exercitar individualmente esses princípios? Uma coisa que eu acho extremamente importante é que as pessoas tenham apoio para tentar ouvir as verdadeiras intenções do outro. Nossa tendência é pensar que a verdadeira intenção do outro é ganhar algum tipo de vantagem ou nos punir de algum modo. Isso é uma expressão da dor, do incômodo, da desorientação, do medo que sentimos perante o comportamento do outro. É preciso recuperar nossa capacidade de enxergar o outro como ser humano. Então, precisamos pensar “se fosse eu fazendo aquilo, qual seria o motivo?”. A partir do momento em que enxergo que, por trás de uma atitude alheia, há um valor que compartilho, passo a enxergar o outro como gente de novo. E, assim, procuro entender como nos cuidar mutuamente, em vez de estabelecer uma relação adversarial, em que um ganha e outro perde. Dominic Dominic

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