Jornal Empresários - Caderno Especial - Outubro 2016

 

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Estiagem Governo investe para reduzir prejuízos O secretário de Agricultura, Otaciano Neto, defende novo modelo e anuncia investimentos. Página 5 CADERNO ESPECIAL www.jornalempresarios.com.br OUTUBRO DE 2016 FOTO: FRED LOUREIRO/SECOM-ES Uma dura lição Produtores rurais, industriais e consumidores residenciais aprendem a economizar a água para reduzir o impacto da seca, que já dura mais de três anos Vazão da barragem de Rio Bonito, no rio Santa Maria, forma uma paisagem desoladora que mostra a gravidade da situação provocada pela seca em todo Estado

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2 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES Seca já atinge todo o Estado Milhares de produtores rurais e consumidores residenciais sentem no dia-a- dia o problema da falta de água Ogado morre, a lavoura seca, o comércio para e o medo da falta de água invade milhares de consumidores, que sentem no dia-a-dia o impacto de uma das piores secas na história do Espírito Santo. As chuvas estão abaixo da média há mais de três anos e mais de meio milhão de residências já estão sofrendo com a falta de água, seja pelo racionamento ou pela total ausência do líquido em suas torneiras. A situação levou o Governo do Estado a declarar a existência de "cenário de alerta". "Tanto a legislação, quanto a política industrial de recursos hídricos e quanto a política nacional colocam que o abastecimento humano é o prioritário. Portanto, diante do cenário de escassez, a resolução sinaliza claramente que essas companhias revejam seus contratos de fornecimento com essas indústrias, de modo a reduzir a vazão para esses consumidores e manter o atendimento prioritário para a população", ressalta Paulo Monteiro, presidente da Agência de Recursos Hídricos do Estado. A estiagem atinge municípios do Sul, Norte e Noroeste do Espírito San- to. Em Cachoeiro de Itapemirim, Alegre e Itapemirim, a situação é considerada grave, o mesmo ocorrendo em Barra de São Francisco e Pedro Canário, com elevadas perdas na lavoura. Na Região de Grande Vitória houve rodízio de racionamento de água e pela primeira vez o rio Jucu, que abastece a região, não conseguiu ultrapassar a barragem da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), que aumentou a altura do dique para criar uma lagoa que permita o abastecimento, em Caçaroca, município de Vila Velha. Uma série de ações que visamminimizarosefeitos da falta de chuva foram anunciadas pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). Uma delas é voltada para a agricultura: estão proibidas novas instalações de irrigação, assim como a liberação de crédito para equipamentos desse tipo. O setor consome 70% dos recursos hídricos do estado. Outra determinação do governo é que as companhias de abastecimento de água priorizem o atendimento à população e revisem seus contratos com o setor industrial. FOTO: ARQUIVO JE Em algumas regiões a falta de água é quase total Perdas na cafeicultura ultrapassam os 30% As lavouras de café são as mais prejudicadas. As folhas estão caindo e os grãos amadurecendo antes da hora. Nas Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa), as medidas para conter os estragos do verão começam com o resfriamento das frutas mais sensíveis ao calor, como o caqui. De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em todo o estado as perdas nas lavouras de café variam de 20% a 32%; na produção de leite, entre 23%e28%; e na fruticultura, entre 20% e 30%. Isso representa perda de cerca de R$ 960 milhões na cafeicultura, R$ 300 milhões na fruticultura e R$ 130,7 milhões na pecuária de leite, com base na produção e no faturamento dos produtores rurais no ano de 2014. Governo cria Comitê Hídrico Governamental Três anos de seca! Um cenário forte que alterou a vida da população do Espírito Santo no dia a dia. Nenhum setor da economia escapou dos impactos. Não poderia ser diferente. Afinal, o Estado passa pela mais grave crise hídrica dos úl- timos 80 anos. O Governo do Estado não ficou inerte diante do desafio. Muito pelo contrário! Arregaçou as mangas e partiu para o enfretamento. Já no início de 2015, foi criado o Comitê Hídrico Governamental. Ele atua na busca de soluções para enfrentar o desafio. São medidas de curto, médio e longo prazos. Entre elas, a construção de 60 barragens, que armazenarão 67,2 litros bilhões de água. Já o Águas e Paisagens é considerado o maior conjunto de ações ambientais e de saneamento da história do Estado. São R$ 12 bilhões em saneamento básico, recuperação de florestas e proteção de rios e nascentes com financiamento do Banco Mundial. Ainda nesse cenário, o Programa Reflorestar, que também se apresenta como uma alternativa positiva para enfrentar o problema, tem a expectativa de aumentar a cobertura florestal em 80 mil hectares, até 2018. ■

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VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2016 3 As ações reduzem prejuízos O Estado do Espírito Santo firmou o Pacto da Água visando o desenvolvimento de ações para diminuir o impacto Uma série de ações primeira vez, o governo foi adotada pelo decretouSituaçãodeEmergovernodoEstado gência em todo o território FOTO: SECOM-ES visando reduzir o do Espírito Santo, em vir- impacto causado pela tude da grave estiagem que seca. Um deles é o Progra- atinge o Estado pelo ter- ma Estadual de Constru- ceiro ano consecutivo, çãodeBarragensque pre- como forma também de vê investimentos de R$ 90 sensibilizar o Governo Fe- milhões para a implanta- deral da importância des- ção de mais de 60 reser- sa renegociação. vatóriosdeáguanointerior O Governo do Estado do Estado até 2018, além junto à bancada capixaba, da retomada das obras de irá continuar dialogando implantação da barragem com o Governo Federal do Rio Jucu e da constru- em busca de melhores ção de outras seis barra- condições para os produ- gens por um convênio tores rurais capixabas que entre a Seag e a Cesan, ór- sofrem com impactos da gãosquegerenciamopro- estiagem. grama. Implantação do OUTRAS MEDIDAS - Técnicos transmitem novos conhecimentos sobre a água a especialistas e produtores rurais Programa “Rural Susten- Adesão ao Pacto Nacional leta e tratamento de esgo- tável” e criação do Fundo de Gestão das Águas para to no total de R$ 87 mi- Planejamento começou em 2015 de Construção de Barra- promover a melhoria no lhões (Cesan). gens Mobilização junto balanço oferta e deman- A Cesan faz, sistemati- ao Governo Federal soli- da hídrica; Estudo para camente,campanhaspara citando a renegociação construção de represa no estimularousoracionalda dasdívidasdosprodutores Rio Jucu. A empresa ven- água. No verão de 2016, o rurais prejudicados pela cedora da licitação vai fa- slogan foi “Acabe com o seca, também estão em zer os projetos necessá- desperdício antes que a andamento. rios para a contratação águaacabe”econtoutam- No dia 14 de setembro, da obra. bém com abordagens nas oConselhoMonetárioNa- A represa, que terá múl- praias e distribuição de cional (CMN) aprovou re- tiplos usos, vai possibilitar materialcomdicassobreo solução que autoriza a re- a armazenagem de 20 bi- uso da água e quanto se negociação das dívidas lhões de litros de água, co- pode economizar mu- dos produtores rurais do laborando para regular a dando hábitos. Espírito Santo em decor- vazão do rio em períodos Em Guarapari, além do rência da seca que atinge de seca; Reuso da água de reservatório de Perocão o Estado. A medida per- Estações de Tratamento com capacidade para 2,5 miteaprorrogaçãodeope- deEsgotodeAraçáseBan- milhões de litros de água, rações de crédito rural de deirantes para regas de em 2015, a Companhia custeio e investimento jardins, lavagens de cal- implantou duas novas para os produtores capi- çadasepraçaseaplicações adutoras de água tratada. xabas com vencimento industriais. Uma em Meaípe e outra em 2016 e parcelas venci- Investimento em am- em Perocão e está prestes das ou que vencerão em pliação e melhorias em a receber mais uma de 2016, inclusive aquelas sistemas de Abastecimen- água bruta até o final do prorrogadas por autoriza- to de Água no valor de R$ ano. O investimento total ção do CMN. 95 milhões e também am- será de R$ 35 milhões, be- No início do mês de pliação ou implantação neficiando mais de 170 maio de deste ano, pela de novos sistemas de co- mil pessoas; Desde o início, o Governo do Estado vem se preocupando com o problema das águas. Tanto é assim que as diretrizes adotadas no Planejamento Estratégico 20152016 para as áreas de meio ambiente e agricultura também preveem a construção de 60 novas barragens e a ampliação da cobertura vegetal m 80 mil hectares. Com relação à captação de água nos rios, o objetivo é ampliar o volume de água reservada em 100 milhões de metros cúbicos, que serão distribuídos em barragens públicas e privadas em todo o Espírito Santo. O Programa Águas e Paisagens, anunciado recentemente pelo Governo, vai possibilitar investimentos superiores a R$ 1 bilhão em saneamento básico, na ampliação da preservação e conservação das margens de rios e regiões de nascentes e na cobertura vegetal em áreas estratégicas, o que vai contribuir para que o Espírito Santo alcance uma maior segurança hídrica em períodos extremos de alta e excesso de água. De acordo com o planejamento estratégico do Governo, de 2015 a 2017 o Programa Reflorestar irá possibilitar o início de processos de recuperação em aproximadamente 20 mil hectares, envolvendo o atendimento de cerca de quatro mil propriedades e investimentos da ordem de R$ 80 milhões, provenientes do Fundágua. ■

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4 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES FOTOS: SECOM-ES Em algumas regiões do Esatdo o gado sofre em consequência da falta de água que destrói as pastagens Produtor rural renegocia dívida A medida pode ser aplicada às operações de crédito rural dos municípios atingidos pela estiagem Como resultado após o vencimento final melhores, apesar de tude da grave estiagem também de sensibilizar de forte mobili- do contrato de finan- não atender plenamen- que atinge o Estado o Governo Federal da zação junto ao ciamento para custeio te à necessidade, em pelo terceiro ano con- importância dessa re- Governo Fede- prorrogado e investi- comparação aos crité- secutivo, como forma negociação. ■ ral, o Conselho Mone- mento. rios estabelecidos. tário Nacional autori- A renegociação se Além disso, as normas zou a renegociação das aplica às operações de do CMN impedem o dívidas dos produtores crédito rural, contrata- acesso a novo crédito rurais do Espírito Santo das nos municípios durante o parcelamen- prejudicados pela seca. onde tenha sido decre- to, o que prejudica o A medida permite a tada situação de emer- produtor. O índice de prorrogação de opera- gência ou estado de ca- inadimplência no Esta- ções de crédito rural de lamidade pública, em do é baixo, inferior a custeio e investimento decorrência de seca ou 1%. para os produtores ca- estiagem, a partir de No Espírito Santo, pixabas com venci- primeiro de janeiro de existem R$ 8 bilhões mento em 2016 e par- 2015 no Espírito Santo. aplicados na carteira de celas vencidas ou que Contudo, os critérios crédito agrícola, sendo vencerão em 2016, in- definidos para a rene- que R$ 1,7 bilhão ven- clusive aquelas prorro- gociação das dívidas cem este ano. No início gadas por autorização não atendem às neces- do mês de maio de des- do CMN. O prazo de sidades dos produtores te ano, pela primeira reembolso será em até rurais. vez, o governo do Esta- cinco anos, para cus- Os bancos já estavam do decretou Situação teio, e em até um ano negociando condições de Emergência, em vir- Equipamentos de irrigação parados ampliam os prejuízos

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VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2016 5 Novo modelo de gestão Secretário de Agricultura aponta as principais causas para a crise hídrica no Estado Osecretário de Estado da Agricultura, Otaciano Neto, de- FOTO: ARQUIVO JE dos, a situação é grave. A construção de bar- ragens, que vão benefi- fende um novo ciar o produtor rural e modelo de gestão para a as cidades, conta com água, apontando a com- R$ 90 milhões para in- binação de três fatores vestimentos e o Bandes principais para a grave lançou uma linha de fi- crise hídrica atual: a fal- nanciamento, de 80 mi- ta de chuva, que já dura lhões, com a mesma fi- três anos, o uso intensivo nalidade. Além disso, foi pelos consumidores resi- simplificado o processo denciais e industriais e a de licenciamento e im- ausência de investimen- plantados cursos para tos provocaram o “colap- formação de técnicos em so na água e não é só construção de barragens. para beber, mas para cor- “Só para ter uma ideia rer no rio mesmo”. em 2013 foram construí- O secretário afirmou das 70 barragens. No ano que o Espírito Santo en- passado, 1.600 e este ano frenta uma situação como nunca houve, porque nun- Otaciano Neto: a crise resultará em aprendizado sobre o uso da água mais de duas mil barragens. Os cursos para am- ca choveu tão pouco em quê, porque a água sem- No campo, os prejuízos ocorre desemprego no pliar essa política são todas as regiões do Estado. pre foi abundante e sen- se elevam a R$ 3,3 bi- interior quem é afetado para engenheiros civil, Para ele, é preciso mudar do dessa forma não hou- lhões de prejuízos, apro- diretamente é o comér- agrônomo ou agrícola. hábitos de consumo e for- ve a preocupação de in- ximadamente três vezes cio. No setor de cafeicul- Se a demanda não tives- mas de investimento, a vestimentos”, explica. a receita do município tura, que carrega a eco- se tão grande, não tería- fim de que o problema O secretário diz que de Vitória. Isso causa de- nomia, mais a produção mos três a quatro candi- possa ser enfrentado. E não é somente a falta de semprego e quando de leite, carne e deriva- datos por vaga”. qual é a mudança neces- chuva, mas a combinação sária?, questiona, e ele mesmo responde: Cobertura florestal é prioridade“Estamosnaportaerra- desses três fatores. “Seca e enchente sempre houve ao longo da história e da de desenvolvimento, sempre haverá.” pois ainda acreditamos O Governo do Estado que o uso intensivo de re- está adotando medidas cursos naturais é a porta emergenciais para reduque poderia sustentar a zir o impacto, principaleconomia do Espírito San- mente no campo, de to. Existe um conjunto de onde vem a sustentação erros. Por exemplo, a nos- do comércio, privilesa porta pela agricultura ir- giando os municípios do rigada: apostamos tudo na interior. Trabalha em três agricultura irrigada, era a frentes, a negociação das porta do futuro, é um dos dívidas do produtor ru- estados que mais irrigam ral, construção de barra- no Brasil, mas, em com- gens e reflorestamento pensação, não temos re- e campanhas educativas. servação de água, uma co- “Já saiu uma resolu- bertura de água suficiente”, ção do Conselho Mone- revela. tário Nacional facilitando O segundo erro, se- a renegociação de dívi- gundo Otaciano Neto, é o das dos produtores ru- alto consumo. A gente rais, que irá solucionar o consome aqui no Espíri- problema no curto prazo. to Santo mais do que o Visando ampliar as op- dobro da média mundial, ções de crédito para o segundo é recomenda- produtor rural, a banca- do. “O terceiro desafio da federal está traba- vem das indústrias, que lhando para melhorar as embora tenham um con- condições de financia- sumo dentro do normal, mento”, afirma Otaciano não praticam o reuso. Por Neto. Uma terceira medida é melhorar a cobertura florestal do Estado, que inclui nascentes, e a integração ao Plano Nacional de Recursos Hídricos, que prevê: cobrança pelo uso da água, fortalecimento dos comitês de bacias, fazer os órgãos funcionarem, contratação do plano de bacias, enfim, um conjunto de medidas que ajudam a fazer a regulação e o uso racional da água. O secretário coloca um questionamento: “Essa política existe há 20 anos e nós não tivemos a capacidade de colocá-la em prática. Olha os PDMs, por exemplo, nenhum PDM tem conexão com água. Quando uma cidade como Vitória vai discutir só se olha do ponto de vista urbanístico, como se a cidade fosse autossuficiente, e não é. Nas discussões entram também as questões viárias, mas sobre água, o pensamento é que sempre terá água para abastecer e ninguém pergunta, ora, vamos colocar 500 mil pessoas, um milhão de pessoas, mas será que tem água? Precisamos discutir esse modelo de desenvolvimento”. “No setor industrial está sendo comprovado que tem que haver mudança. Os gestores estão vendo que é muito mais barato trabalhar com o reuso de água. , Imagine uma grande indústria ter que parar por causadaágua.A Arcelor Mital e a Vale já estão adotando medidas nesse sentido”, informa. Para ele, a crise tem um papel pedagógico. As pessoas estão trocando descargas, colocando garrafinhas de 600 ml dentro da caixa de armazenamento de água, o produtor rural está mudandoa forma deirrigar, gente que trabalhava com um sistema que mais molhava do que irrigava, está trabalhando com o sistema de gotejamento. “Ao final dessa crise, vamos estar muito mais preparados para enfrentar a próxima, se todo mundo fizer o dever de casa. As prefeitura, o governo do Estado, o produtor, o consumidor comum, a indústria, todos estão olhando com mais cuidado a questão da água e isso é uma luz no fim do túnel”, afirma o secretário Otaciano Neto. ■

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6 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES Cursos formam novos técnicos Profissionais da área estão recebendo aulas gratuitas para a construção de novas barragens no Espírito Santo Uma das medi- cia, Marechal Floriano, das para redu- Anchieta, São Gabriel da zir o impacto Palha, e serão realizados da estiagem no nos municípios Linha- Espírito Santo se re- res, Colatina, Afonso laciona à capacitação Cláudio, Aracruz, Santa de profissionais para Maria de Jetibá, Domin- a construção de bar- gos Martins, Cachoeiro ragens. O governo do deItapemirimeMimoso Estado, por meio da do Sul. As inscrições po- Secretaria de Agri- dem ser feitas no site: cultura (Seag) está www.seag.es.gov.br. realizando uma série No Espírito Santo, e de cursos sobre Ela- principalmente no in- boração de Projetos terior do estado, existe de Barragens e Ges- uma grande deficiên- tão de Recursos Hí- cia de profissionais dricos. para execução e ela- Ao todo, serão 13 boração de projetos de cursos gratuitos, em barragens de peque- todas as regiões capi- no porte. O principal xabas, onde os parti- objetivo do curso é au- cipantes receberão mentar esse número subsídios técnicos de profissionais, a fim quanto à elaboração de que as barragens de projetos de barra- sejam construídas para Os cursos envolvem aulas práticas e teóricas gens, caixas secas, facilitar a vida de co- gestão de recursos hí- munidades e produ- dricos, licenciamento tores rurais, uma vez ambiental, outorga e que as mesmas são vis- manejo de irrigação. tas como alternativas Mais de 500 profis- para reduzir os impac- sionais serão capaci- tos causados pela seca. tados até o final do Adesão ao Desafio ano. 20x20: O Espírito San- A capacitação é vol- to foi o primeiro es- tada para engenhei- tado brasileiro a ade- ros agrônomos, agrí- rir à iniciativa, que é colas ou civis ligados um esforço de países a instituições do sis- da América Latina e tema estadual de do Caribe para res- agricultura e parce- taurar ou evitar o des- rias, aos comitês de matamento em 20 bacias hidrográficas, milhões de hectares às prefeituras, às coo- até 2020. Como con- perativas e associa- tribuição, o Espírito ções e às empresas Santo vai recuperar de consultoria e pro- 80 mil hectares, que fissionais autônomos. também é a meta es- Os cursos já foram tabelecida pelo Go- realizados em Boa Es- verno do Estado em perança, Nova Vené- seu planejamento. ■ Engenheiros civis, agricolas e agônomos formam o público alvo FOTOS: SECOM-ES

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VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2016 7 FOTO: ARQUIVO JE Cenas como esta contribuem para o agravamento da crise Uso racional evita desperdício Os órgãos oficiais promovem campanhas educativas para novas formas de consumo Com a pior crise 17 dias ou 58 mil resi- Cesan reforçou e imper- No Rio Jucu, a Cesan está dois órgãos. Ao todo sehídrica que já dências por um mês. meabilizou o enroca- realizando o projeto bási- rão investidos mais R$90 atingiu o Espírito Ao todo o rodízio al- mento (blocos de pedras co para construção de milhões para as 68 bar- Santo nos últimos cançou 416 bairros nos colocados uns sobre os uma represa que irá ar- ragens. 80 anos, vários municí- municípios de Vitória, outros) no Rio Jucu para mazenar 21 bilhões de li- Até o final de 2015, pios estão sob raciona- Vila Velha, Serra, Caria- acumular mais água na tros de água, garantindo pelo Programa Reflores- mento de água. Na Gran- cica, Viana e Fundão, área de captação da es- abastecimento por quatro tar, foram ainda atendi- de Vitória foi necessário abrangendo uma popu- tação de tratamento de meses sem chuva. Os es- dos mais de 1.800 pro- implantar um plano de lação de mais de 1,7 mi- Caçaroca. No Rio Santa tudos para esse projeto dutores rurais em 73 dos contingenciamento com lhão de habitantes, tota- Maria da Vitória, a água estavam programados 78 municípios capixa- rodízio no abastecimen- lizando 566.807 unida- represada na barragem para iniciar em 2020 e fo- bas, um investimento de to de água que teve início des consumidoras entre de Rio Bonito serve para ram antecipados para R$ 28 milhões, o que está no dia 22 de setembro. residências, comércio e regular a vazão do rio e 2016. permitindo iniciar a res- A operação do rodízio serviços, indústria e setor oferece condições para Por meio do Progra- tauração florestal em aliada à diminuição do público. O plano de con- captar o suficiente para o ma Estadual de Cons- pelo menos 6.000 hec- consumo pela popula- tingência para operar o abastecimento. trução de Barragens, tares de terras e reco- ção permitiu uma eco- rodízio foi elaborado pela Outra medida de curto ocorrerá a retomada da nhecer outros 6.000 hec- nomia dentro da expec- Cesan de forma que o prazo é a construção do obra da barragem de Pi- tares de florestas con- tativa. Nesse período, o abastecimento ocorra de Sistema de Abastecimen- nheiros e a construção da servadas. Atualmente, resultado obtido foi uma forma isonômica para to de Água de Reis Magos, barragem do Jucu, coor- existem 4.300 produtores redução de 18% no siste- todos. que está com 80% das denada pela Cesan. Ou- cadastrados no Reflores- ma que capta água do AÇÕES - O Comitê Hí- obras concluídas e deve tras seis barragens de tar. A meta para 2016 é Rio Santa Maria da Vitó- drico, criado pelo Go- entrar em operação até o médio porte também se- atender mais 1.600 pro- ria e 14% no Rio Jucu. Ao verno em 2015, tem a fim do ano. Esse novo sis- rão construídas em Alto dutores rurais, o que de- todo 756 milhões de li- atribuição de tomar me- tema terá capacidade de Rio Novo, Pedro Canário, verá permitir iniciar a re- tros de água foram eco- didas de curto, médio e tratar 500l/s de água para São Roque, Vila Pavão, cuperação de cerca de nomizados. Esse volume longo prazo para garan- parte da Serra, retirando a Ecoporanga e Barra de 4.600 hectares e investi- daria para abastecer o tir água para a popula- sobrecarga sobre o Rio São Francisco, por meio mentos da ordem de município de Serra por ção. Na Grande Vitória, a Santa Maria da Vitória. de uma parceria entre os R$ 25 milhões. ■

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8 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES Cesan faz alerta sobre consumo O desperdício é uma das principais marcas da atual crise no fornecimento de água As recentes chuvas secretário de Agricultuaumentaram a va- ra, Otaciano Neto. Prezão do rio Jucu e sente na cadeia produtiva FOTO: BETO MORAIS/SECOM-ES deram segurança de qualquer insumo, o para o retorno a uma qua- desperdício é dura reali- se normalidade, dando dade também na distri- condição para captar para buição e no consumo de o abastecimento e tam- água. Estima-se hoje que bém manter água para a em torno de um quarto da vida do rio. Hospitais, es- água tratada é perdida no colas, creches, indústrias trajeto entre as represas e e comércio são mais im- as torneiras. pactados pelo desabas- A Organização das Na- tecimento. Então, se o rio ções Unidas (ONU) afir- ofereceu condições, foi ma que 110 litros por dia importante voltarmos é suficiente para atender com o abastecimento às necessidades de uma para os bairros atendidos pessoa. Parece bastante, por este rio. mas não é tanto assim. A A conclusão é do diretor cada dois minutos no ba- Amadeu Walter é diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Cesan de Engenharia e Meio nho, o consumidor gasta pis, fica fácil perceber a ginosamente. E muitas mentos que prejudicam o Ambiente da Cesan, Ama- em média 12 litros de importância de cada um pessoas sabiam disso. Re- ciclo da água. Mesmo as- deu Walter, ressaltando água. Demorar 16 minu- economizar ao máximo latórios de organismos sim, quase nada foi feito. que permanece a neces- tos no banho o consumo na sua rotina diária. oficiais informavam des- Por isso, não se pode ape- sidade de um consumo será em torno de 96 li- Claramente a falta de de 2012 que há anos ob- nas culpar a seca pela cri- equilibrado da água, in- tros. Isso sem contar o chuva, é um fator impor- servava-se a redução nos se hídrica atual.. dependente ou não de ra- que se usa para escovar os tante na equação da crise. níveis pluviométricos. Di- CLIMA - A poluição e cionamento. "Com rela- dentes, dar descarga, lavar Mas ela não veio tão de re- versas instituições am- os Gases do Efeito Estufa ção ao Rio Santa Maria, as mãos, cozinhar, lavar a pente assim. Desde 2012, bientalistas também aler- (GEEs) jogados na at- houve pequena melhora roupa, além de matar a e principalmente no ano tavam sobre a falta das mosfera diariamente, têm devido às últimas chuvas sede. Quando esse gasto é seguinte, a quantidade de chuvas, fruto de mudan- alterado o clima e, conse- ocorridas antes do reser- colocado na ponta do lá- chuvas vem caindo verti- ças climáticas e desmata- quentemente, as chuvas. vatório de Rio Bonito, o FOTO: ARQUIVO JE Ainda não há condições que é muito bom. O que apropriadas de saber exa- vai educar sobre o valor da tamente os reais efeitos água em nossas vidas é a das mudanças climáticas, percepção de que este é mas já se observa eventos um bem essencial e que extremos, com grandes não o temos mais de for- secas em algumas regiões ma como há 20, 30 anos. e fortes tempestades em A máxima de 'economizar outras, bem como os seus para não faltar' deve pon- resultados. tuar a vida de todos inde- As mudanças climáti- finidamente", enfatizou. cas, que comprovada- DESPERDÍCIO – Esta é mente foram aceleradas a principal marca do mer- pela ação do homem, tor- cado de água no Brasil e o nam o clima irregular. Espírito Santo não fica de Dessa forma, mesmo os fora. Pelo contrário, o Es- especialistas acabam ten- tado se situa entre os que do dificuldade em prever exibem maior nível de quando, onde e quanto desperdício, segundo o A redução da oferta de água se transforma em cena do cotidiano da população vai chover. ■

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