Jornal Empresários - Outubro 2016

 

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Jornal Empresários - Outubro 2016

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Sonegação chega aos R$ 500 bilhões. Pg9 ANO XVII - Nº 202 www.jornalempresarios.com.br ® do Espírito Santo OUTUBRO DE 2016 - R$ 4,50 FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Criatividade vence a crise A comida de rua contribui para superar dificuldades e dar um novo colorido às ruas da cidade. Página 10 Governo investe contra a seca. Especial Estado lança o maior Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem. Página 5

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2 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES 16 ANOS EXPEDIENTE Nova Editora – Empresa Jornalística do Espírito Santo Ltda. CNPJ: 09.164.960/0001-61 Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A- Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Diretor Executivo: Marcelo Luiz Rossoni Faria E-mail: rossoni@vitorianews.com.br Jornal Empresários® Av. Nossa Senhora da Penha, 699/610 - Edifício Century Towers Torre A, Santa Lúcia CEP: 29.056-250 Praia do Canto – Vitória-ES Telefone: PABX (27) 3224=5198 E-mail: jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Diretor Responsável Marcelo Luiz Rossoni Faria Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 15 Reportagem Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 14 e 17 Fotos Antonio Moreira Diagramação Liliane Bragatto Colunistas Antônio Delfim Netto Jane Mary de Abreu Eustáquio Palhares Luiz de Almeida Marins Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 11 Circulação Fabrício Costa Telefone: (27) 3224-5198 Ramal: 18 Venda avulsa R$4,50 o exemplar Edições anteriores R$ 9,00 o exemplar Assinatura anual R$ 108,00 Contabilidade Jeanne Martins Site www.jornalempresarios.com.br E-mail jornalempresarios@jornalempresarios.com.br Impressão Gráfica JEP - 3198-1900 As opiniões em artigos assinados não refletem necessariamente o posicionamento do jornal. EDITORIAL A guerra contra a seca Um posicionamento corajoso. Desse modo se apresentam as ações emergenciais adotadas pelo governo do Estado para minimizar o impacto causado pela grande estiagem que há mais de três anos atinge todo o Espírito Santo. Isso porque algumas das medidas colocadas em prática alteram o dia-a-dia da população, de forma equivocada acostumada a hábitos há muito considerados nocivos à oferta de água, segundo os parâmetros de organismos especializados e de alta credibilidade em escala mundial. O enfrentamento da crise hídrica anunciado logo no início da atual gestão faz parte do planejamento estratégico do atual governo traçado a fim de minimizar os impactos negativos que já se levantavam há alguns anos, em decorrência de um modelo ultrapassado e totalmente oposto às orientações técnicas. Ou seja: o uso irracional da água, com elevado nível de desperdício, em todos os setores de atividade humana, está na raiz da crise, agravada com a prolongada falta de chuva. Foram colocadas em andamento medidas emergenciais e de curto e longo prazos. O novo modelo de gestão levou em conta a diferença entre ações emergenciais, sem as quais a população não pode sobreviver, e as ações de longo prazo. Entre as ações imediatas, optouse pelo racionamento de água e campanhas educativas para mudar velhos hábitos de consumo desse líquido, considerando que o Espírito Santo tem um dos mais altos índices de demanda do mundo. Além disso, o modelo de con- sumo dos produtores rurais e de setores industriais seguem o mesmo padrão, sem a preocupação de poupar ou mesmo de praticar o reuso da água. Nas lavouras, o sistema de pulverização por aspersão, que se caracteriza por um alto consumo, ou desperdício, começa a ser substituído pelo gotejamento, como parte de uma série de ações a fim de estimular a mudança de hábitos em todas as áreas. Técnicos do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf ) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) realizam reuniões com gestores municipais em todo o Estado para auxiliar os municípios na montagem de processos de reconhecimento da situação de emergência/calamidade em virtude da grave seca que assola o Espírito Santo. O objetivo é garantir que os procedimentos sejam elaborados de acordo com as normas técnicas para que possam ser mais rapidamente homologados pela Defesa Civil. Outra medida anunciada pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) é a suspensão temporária da proibição do abate de vacas prenhas nos últimos três meses de gestação. A iniciativa atende a um pedido da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (FAES) e de proprietários de frigoríficos e tem a finalidade de minimizar as perdas do setor pecuarista capixaba. A iniciativa permitirá a adequação das propriedades rurais, já que a escassez de chuvas tem diminuído a disponibilidade de alimentos para o rebanho bovino. O Espírito Santo possui um rebanho total de 2.291.000 cabeças. Dos 143.139 animais abatidos nos frigoríficos com serviço de inspeção estadual, 51.942 foram machos e 91.197 fêmeas, o que mostra a importância da medida anunciada pela Seag. O secretário de Estado da Agricultura, Otaciano Neto, já se reuniu com as instituições que operam crédito agropecuário no Espírito Santo (Banco do Brasil, Banestes, Bandes, Banco do Nordeste, Caixa, Sicoob e Cresol) para discutir prorrogação e renegociação de dívidas e abertura de novas linhas de crédito para os agricultores e pescadores. Os encontros do secretário estão se realizando, como forma de ampliar a participação de todos os setores e estimular as ações emergenciais. Ele tem se reunido com diretores e chefes de todos os escritórios regionais do Idaf e do Incaper para discutir novas medidas capazes de amenizar os impactos e prejuízos que vêm sendo registrados pelos produtores rurais capixabas. A previsão de chuva para os próximos três meses no Espírito Santo não vai alterar de imediato os efeitos da crise hídrica. A chuva não deve ser suficiente para recarregar completamente o lençol freático, que em decorrência de três anos consecutivos de chuvas abaixo da média histórica, está muito aquém do normal. O solo está muito seco, degradado e sem cobertura vegetal, o que compromete a infiltração de água. Na Grande Vitória, onde reside 50% da população capixaba, é necessário um esforço conjunto adicional. As vazões dos Rios Jucu e Santa Maria, principais rios que abastecem a Região Metropolitana, vem caindo sucessivamente. Com a falta de chuvas capazes de normalizar o volume de água, há a possibilidade de adoção de medidas mais severas. É necessário economizar a fim de evitar novo racionamento, caso a vazão dos rios não se mantenha em níveis apropriados para o fornecimento de água. No interior do Estado, especialmente nas Regiões Norte e Noroeste, a situação dos rios é ainda mais crítica. Nos municípios atendidos pela Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), de janeiro a julho de 2015, a população atendeu ao alerta do Governo e economizou 7,5 bilhões de litros de água. Nos primeiros sete meses de 2016, a situação se manteve, porém, em função da piora do cenário, é necessário um esforço adicional. O mês de setembro foi marcado pela seca, que manteve a mesma intensidade. Outubro chegou com chuva, melhorando a situação em algumas regiões, mas ainda é cedo para cantar vitória. A crise demonstra que é preciso, com urgência, alterar hábitos de consumo e modelos de desenvolvimento, dentro dos parâmetros estabelecidos por organismos internacionais em face da escassez de água em todo o mundo. Caso isso não ocorra, haverá um colapso na oferta desse produto, indispensável à vida humana, gerando um quadro assustador, idêntico aos que já podem ser vistos em algumas regiões do planeta, onde a escassez de água provoca aumento da violência e até guerras. ■ LUIZ MARINS Os Imperdíveis Anônimos Eurico não é bajulador. Não fica buscando elogios para si mesmo. Não chega cedo demais, nem sai muito tarde. Não faz marketing pessoal. Não diz serem suas, ideias alheias. Mas, quando você precisa de ajuda, lá está ele. Ele parece surgir do nada, nas horas mais necessárias. Ajuda e não cobra depois, o auxílio que deu. Parece gostar de ser um quase-anônimo. Eurico trabalha num departamento sem charme algum. Nem tem lá um cargo ou função de destaque. Ele é apenas o Eurico que participa das semanas de prevenção de acidentes, dos programas de qualidade total, da preparação das comemorações da empresa e ajuda a temperar o churrasco anual do grêmio de funcionários. Se você quer alguém para ajudar, chame o Eurico. Sem nenhum alarde ele lá estará, ao seu lado, o tempo que for necessário. Muita gente acha o Eurico um bobo que se deixa aproveitar pelos outros. Muita gente aconselha o Eurico a não se envolver tanto nas coisas da empresa. Ele parece não ligar para tais opiniões e conselhos. Continua firme, ajudando a todos, ali, presente. O mais incrível é que ele quase nunca falta ao trabalho e o seu serviço está sempre em dia, sempre em ordem. Ele procura inovar, criar formas diferentes e sim- plificadas para encantar clientes e fornecedores. Será que o Eurico existe? A verdade é que existem milhares de Euricos. Euricos homens; Euricos mulheres. Se não existissem os Euricos, as empresas não andariam. Todos sabemos disso. Mas, nem sempre esses Euricos são reconhecidos e valorizados. São quase-anônimos, simplesmente fazendo o seu trabalho e ajudando os outros que fazem menos ou pouco fazem. São simplesmente Euricos. São os imperdíveis anônimos que se alimentam do desejo de ajudar, de colaborar, de participar, de fazer. É mais que chegada a hora de olhar para os Euricos de nossas empresas e dar a eles o reconhecimento de imperdíveis. É hora de parar de poupar os que não participam, os que não ajudam, os que não colaboram, os que vivem apenas de um falso marketing pessoal. É hora de valorizar os Euricos e dizer a eles o quanto são importantes para nós e para nossa empresa e de prestar mais atenção aos seus salários, quase sempre esquecidos, porque os Euricos, raramente pedem aumento. Você conhece algum Eurico? Pense nisso. Sucesso! ■ Luiz Marins é antropólogo e escritor contato@marins.com.br

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4 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES 16 ANOS EUSTÁQUIO PALHARES A cegueira de um tempo Adisrupção vai te alcançar em algum momento. Se não, é porque você é algum espírito errante no tempo e no espaço, longe da Terra e existindo em algum momento do passado. É curioso perceber que tudo decorre da capacidade do engenho humano maximizar a possibilidade de comunicação, ou interação, ou troca de informações que é o movimento elementar da vida que desde a inspiração/expiração às interações bioquímicas no interior das células produz a dinâmica que faz a estrutura orgânica pulsar. Enfim, tudo é comunicação, muito além da comunicação enquanto atividade sistemática ou formal. Alguém já disse que meu universo se estende até onde minha capacidade de expressão alcança e a própria criação da fala traduz o bem sucedido esforço humano de representar uma ideia. Não por acaso Freud se valeu dos desvios ou inciden- tes da fala para encontrar a senda de abertura do porão do inconsciente. E toda essa disrupção referida na abertura desse texto vem na esteira da transformação produzida pelos números binários, pela cibernética e sua banalização no mais elementar mecanismo ou aparelho. Só que a inovação tecnológica precipitada pela informação disponibilizada em escala sem precedentes culmina por produzir transformações de processos e comportamentos, inclusive criando novas configurações das relações sociais Assim, se considera que a informação, hoje farta e facilmente disseminada desde que digitalizada e conectada, permite a reinvenção dos métodos de produção, da organização do trabalho, do exercício da sociabilidade, da inclusão nos grupos de afinidade, enfim de uma série de interações decorrentes dos nossos vários papéis sociais. Como entender – ou aceitar – a prevalência de padrões e modelos pré-cibernéticos num mundo em que só ainda subsistem por força da inércia? Há coisas que são do jeito que são apenas porque...sempre foram assim. As circunstâncias que as moldaram já não existem e elas se perpetuam pela força do hábito ou porque não se atina para o despropósito da sua continuidade. É triste, sim, a sociedade que necessita de líderes e heróis. Mas a verdade é que estadistas são necessários. Eles queimam etapas com a antevisão das demandas da sociedade que o status quo não concede porque envolve soluções que num primeiro momento soam desconfortáveis ou contrariam interesses – a parte prevalecendo sobre o todo. Estadistas identificam as mudanças e cuidam de catalisa-las, mesmo com o cinismo filosófico de acatar o “zeitgheist”, o espírito do tem- po para não gerar maiores cisões sociais. Os exemplos são dispares, mas demonstram nossa bovina passividade ou alheamento. Veja-se o modelo de representação política que mais nos desserve e nos custa do que atende às demandas efetivas da sociedade. Ou a cultura presidencialista da qual se replica um prefeito ou um governador, como o responsável pelos destinos da coletividade que seria muito melhor cuidada por um colégio de notáveis, de fato a altura desse adjetivo. Rendamo-nos ao princípio de que por muito disfuncional se mostre, a democracia ainda é o sistema menos pior entre tantos outros experimentados pela sociedade. Mas há necessidade urgente de aprimoramento que inclua enraizar na sociedade o valor da meritocracia. E insistir com o Presidencialismo é apenas nutrir a equivocada cultura latina do Presidente-Pai que deve ser o provedor dos pobres que o elegem ´porque, afinal, o voto é quantitativo, não qualitativo. E sobre as instituições que resistem alimentadas apenas pelo temor dos mandatários de plantão serem estigmatizados como seus coveiros, e amaldiçoados pelas respectivas corporações? inquira-se em que de fato um Bandes, Um DIO, uma Codesa, mesmo um Banestes agregam de valor efetivo à comunidade e não aos que emprega. Descobriuse agora, o laudo é cientifico, que as partículas suspensas de hematita inaladas aninham-se nos neurônios cerebrais produzindo ou antecipando o mal de Alzaheimer, a doença que e uma forma de condenação degradante. Então? Porque Vitória continua submersa no pó de minério? ■ Eustáquio Palhares é jornalista eustaquio@iacomunicacao.com.br

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16 ANOS VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2016 5 Hartung lança o maior programa FOTO: DIVULGAÇÃO ambiental da história do ES Em cinco anos serão investidos R$ 1 bilhão e gerados 13 mil novos postos de trabalho Hartung anuncia investimento O governador Paulo Hartung lançou no dia 18 de outubro, em solenidade realizada no Palácio Anchieta, o Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem, com o apoio do Banco Mundial num investimento total de R$ 1 bilhão, em cinco anos. O valor da primeira etapa é de R$ 53 milhões, voltados para a implementação de um moderno sistema ambiental de coleta e tratamento de esgoto em Iúna, Ibatiba, Dores do Rio Preto e Irupi, na Região do Caparaó. Pela primeira vez o ES desenvolve um programa de investimentos com ações integradas para uso coordenado da água, do solo e recursos relacionados ao desenvolvimento sustentável. Hartung lembrou que na região metropolitana de Vitória o programa já foi iniciado em Vila Velha, com uma ampla rede coletora de esgoto. O governador acrescentou ainda que está sendo preparado programa idêntico para Divino São Lourenço, Marechal Floriano e Conceição do Castelo. Em seguida será a vez de Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina. O governador destacou que o investimento proporcionará também maior qualidade de vida para a população, além da contribuição direta para reflorestamento de 21 FOTO: DIVULGAÇÃO O Governo detalhou o projeto e a forma de aplicação dos recursos municípios do Estado, e restauração de 3.850 hectares. Hartung observou que uma outra conseqüência é o incremento da produtividade nas empresas. O programa foi apresentado pelo Governo do Estado como o maior voltado para o setor ambiental, de toda a história do Espírito Santo. Foi estimada a geração de 4.300 empregos diretos, 2.000 indiretos e 6.600 gerados em outros setores correlatos da economia, totalizando 13 mil novos postos de trabalho. Será solicitado às empresas que vão executar o empreendimento que priorizem a contratação da mão de obra local. O Banco Mundial financiará a execução do programa, que estima proporcionar um benefício direto para 34 mil pessoas. O investimento contempla ainda a construção de 14 bombas elevatórias, quatro estações de tratamento de esgoto e 58 quilômetros de rede de coleta. De acordo com a Cesan, atualmente o índice de coleta e tratamento de esgoto na Região do Caparaó é próximo a zero e com essa obra irá alcançar o índice de 100%. Durante entrevista, o presidente da Cesan, Paulo Andreão, garantiu que nenhum morador a ser beneficiado com o sistema de coleta e tratamento de esgoto vai ter qualquer tipo de despesa, pois o custo da interligação com a rede doméstica e empresarial já está incluído no valor para execução do programa. FOTO: DIVULGAÇÃO O investimento foi amplamente debatido durante a entrevista coletiva concedida pelo governador Paulo Hartung SANEAMENTO NO CAPARAÓ Dores do Rio Preto ■ 2.197 habitantes beneficiados ■ Contemplada toda a sede do município ■ 5,6 km de redes ■ 359 ligações intradomiciliares ■ 2 estações elevatórias ■ 1 Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) com capacidade para tratar 6 l/s (litros por segundo) Ibatiba ■ 13.792 habitantes beneficiados ■ Bairros contemplados: Soniter, Bela Vista, Novo Horizonte, Centro, Brasil Novo, São José, Ipê, Boa Esperança, Floresta I, Floresta II, São Sebastião, Trocate, Vila Nova e Lacerda Sodré de Assis ■ 41,4 km de redes ■ 2.130 ligações intradomiciliares ■ 4 estações elevatórias ■ 1 ETE com capacidade para tratar 25 l/s Irupi ■ 4.461 habitantes beneficiados ■ Bairros contemplados: João Butica, Caroline Barbosa, Centro, Vila Bom Pastor, Loteamento Wilson Fernandes Ferreira, João Thomaz Pereira e Loteamento Jequitibá ■ 7,4 km de redes ■ 456 ligações intradomiciliares ■ 2 estações elevatórias ■ 1 Estação de tratamento de esgoto com capacidade para tratar 12 l/s Iúna ■ Bairros contemplados: Vila Nova, Vale Verde, Niterói, Ferreira Vale, Nossa Senhora da Penha, Pito,Quilombo, Centro e Guanabara. ■ 38 km de redes ■ 2.432 ligações intradomiciliares ■ 5 estações elevatórias ■ 1 Estação de tratamento de esgoto com capacidade para tratar 36 l/s Presidente da Cesan diz que as nascentes também serão beneficiadas O Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem vai trazer o benefício direto de zelar pelas nascentes dos Rios Itapemirim e Itabapoana, na Região do Caparaó, “produzindo água em quantidade e qualidade nessas nascentes”. A afirmação foi feita pelo presidente da Cesan. Paulo Andreão, durante entrevista coletiva realizada no Palácio Anchieta, logo após o lançamento oficial do programa pelo governador Paulo Hartung. Ele disse que o tratamento desde as nascentes será aliado ao cuidado na coleta do esgoto. Andreão ressaltou que a execução do programa em plena crise hídrica vai representar mais oferta de água para a população, com a melhoria dos mananciais. O prazo para conclusão da primeira etapa, nos quatro municípios da Região do Caparaó, é de 24 meses, a contar do dia 18 de outubro. Somente nessa área serão reti- rados mais de sete milhões de litros de esgoto por dia, garantiu o dirigente da Cesan. Ele ressaltou que esse é apenas o início de uma etapa do programa. Um outro efeito direto será a potencialização do turismo na região do Caparaó, ressaltou Andreão. “É um marco histórico no Espírito Santo, já que o programa também prevê a construção de barragens”, completou. Para a Grande Vitória, o presidente da Cesan disse que estão inclusos os municípios de Cariacica e Vila Velha, onde a execução das obras já se encontra na metade. Ele disse que também serão contempladas as nascentes dos Rios Santa Maria da Vitória e Santa Leopoldina, o que trará benefício direto para a região metropolitana. ■

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6 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES 16 ANOS JANE MARY DE ABREU Quem perdoa está curado Um cachorro entrou no açougue trazendo um bilhete na boca. O açougueiro pegou o bilhete e leu: "Sou um vizinho seu, estou impossibilitado de andar. Este animal é adestrado. Será que o senhor pode me mandar 12 salsichas e uma perna de carneiro? Obrigado." O açougueiro viu que dentro da boca do cachorro havia uma nota de 50 reais. Ele pegou o dinheiro, separou as salsichas e a perna de carneiro, colocou numa embalagem plástica, junto com o troco, e pôs na boca do cachorro. Impressionado com a inteligência do cachorro, e como já era hora de fechar o açougue, decidiu seguir o animal. O açougueiro e o cão foram caminhando pela rua até que o cão parou em uma casa e pôs as compras na calçada. Como a porta estava fechada, deu alguns passos atrás para ganhar velocidade, correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso. Nin- guém respondeu na casa. Então, o cachorro circundou a casa, pulou um muro baixo, foi até a janela e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes. Depois disso, caminhou de volta para a frente da casa disposto a fazer tudo de novo. Foi quando o dono da casa abriu a porta e, furioso, começou a bater no cachorro com violência. O açougueiro correu até esta pessoa e pediu em tom de súplica: Por Deus, o que você está fazendo? O seu cão é um gênio, ele não merece isso! O dono do animal respondeu: Um gênio? Esta já é a segunda vez esta semana que este estúpido esquece a chave! Isso também acontece na vida da gente. Às vezes uma pessoa faz um esforço máximo para atender nossas expectativas e mesmo assim a repreendemos, cobramos dela a perfeição, sem valorizar o que ela foi capazes de fazer por nós. Se faz 90% de uma tarefa, ficamos agarrados nos 10% que ela não conseguiu realizar. É preciso compreender que cada um de nós se esforça diariamente para fazer o seu melhor, ninguém erra porque quer. Há diferentes níveis de evolução na terra, por isso jamais nossas expectativas jamais poderão ser satisfeitas plenamente por mais que as pessoas se empenhem neste sentido. E sabe o que mais? Na verdade, ninguém nos decepciona, nós é que aprisionamos as pessoas com as nossas expectativas e, quando elas não correspondem, porque não conseguem adivinhar os nossos desejos e necessidades, nós as julgamos severamente e nos sentimos traídos. Bobagem, tudo que temos a fazer é libertar as pessoas das nossas expectativas e aceitá-las do jeito como elas são, em todas as situações, seja de erro ou acerto. Também é importante entender que nada acontece por acaso e nem fora da hora. Tudo obedece a um propó- sito maior da existência para nos fazer evoluir. Se a coisa não aconteceu do jeito como eu planejei, isso não é culpa de ninguém, significa apenas que eu atraí a experiência que precisei viver naquele momento e nada mais. O outro foi apenas o instrumento que o universo usou para me permitir viver a experiência que eu precisava. Por tudo que nos acontece devemos agradecer, porque todas as experiências colaboram para a nossa evolução. O tempo sempre nos mostra isso. Um dia a gente olha para trás e descobre que os obstáculos e aquelas pessoas que nos fizeram chorar, foram na verdade os degraus que nos levaram a novos caminhos e a novas descobertas. Eu acredito que chegará o dia em que a humanidade alcançará um determinado grau de maturidade espiritual que o perdão será absolutamente desnecessário, porque todos compreenderão que tudo que nos aconteceu resultou num grande aprendizado. Só existirão motivos para agradecer. Enquanto essa consciência não chega, o melhor que temos a fazer é perdoar quantas vezes forem necessárias, porque o perdão é a cura para todos os males da alma e, consequentemente, do corpo. Tudo que se manifesta no físico, começou primeiro na alma. Doenças são na verdade despertadores que sinalizam que algo no campo das emoções precisa mudar. Como doadora de Reiki, eu constato quase todo dia aquilo que os mestres vêm falando ao longo dos tempos: Quem perdoa está curado. ■ Jane Mary é jornalista, consultora de Comunicação e Marketing, autora do livro Tudo é perfeito do jeito que é. www.janemary.combr janemaryconsultoria@gmail.com

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8 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES 16 ANOS Estrutura metálica da Findes correu risco de desmoronar A afirmação consta do relatório do TCU que determinou a paralisação das obras Análise técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) constatou riscos de desmoronamento das obras do restaurante giratório previsto para funcionar na cobertura do edifício-sede da Federação das Indústrias do Estado do Espírito santo (Findes), na Reta da Penha, paralisadas desde 2013. No mesmo processo, o órgão impediu que a Findes ampliasse o uso indevido de recursos do Serviço Social da Indústria (Sesi) nas obras. A Findes usou mais de R$ 10 milhões de dinheiro público irregularmente e preparava uma nova licitação com o mesmo valor para dar continuidade ao A paralisação das obras resultou na oxidação de grande parte das ferragens da estrutura metálica erguida na cobertura do prédio, chamando a atenção dos transeuntes e provocando questionamentos sobre a segurança, embora a instituição afirme não existir perigo de desabamento. O processo está em andamento em Brasília e, segundo o secretário da Delegacia do TCU no Espírito Santo, Edmur Baita, até agora o entendimento dos analistas é de que os recursos do Sesi não poderiam ter sido aplicados no projeto. Edmur afirmou que o presidente da Findes, Marcos Guerra, já foi ouvido no processo, atualmente em fase de avaliação para averiguar se houve danos maiores, além do uso indevido de dinheiro do Sesi. O secretário disse ainda que a Findes solicitou parcelamento para res- FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Exposta ao tempo, a estrutura metálica do restaurante giratório é corroida pela ferrugem sarcir os recursos, mas o prazo está em análise no TCU, pois o número de parcelas apresentado superou o patamar estabelecido para devolução de recursos federais usados indevidamente. Além disso, há a questão das segurança, que também motivou a suspensão das obras, obrigando a Findes a alterar o projeto. Agora, a pretensão é usar o espaço, depois de resolvidas as questões legais, para a economia criativa. O projeto do restaurante giratório da Findes foi lançado pelo então presidente Lucas Izoton, em 2007. Estavam previstos um centro cultural com biblioteca, cen- tro de memória, piano bar, elevador panorâmico, auditório para palestras e debates, visão panorâmica de 360º, dando uma volta completa. O sonho acabou em 2013, quando, após sucessivas paralisações, o projeto foi suspenso. Seu custo, caso fosse concretizado, é estimado em mais de 26 milhões, quatro vezes o valor inicial, de R$ 6 milhões. PERIGO – Segundo análise técnica do TCU, a suspensão da obra visa também evitar riscos de desmoronamento: “A cessação dos recursos e pagamentos previstos contribui para que haja grande risco de desmoronamentos em decor- rência de falhas no projeto, cujos aditivos parecem, justamente, almejar minimizar ou eliminar”. A análise afirma que “alguns componentes da estrutura existente, como os pilaretes do balcão do pavimento de eventos já apresentam deformações”, e ainda: “A estrutura projetada é bastante susceptível a vibrações de amplitudes significativas induzidas por diversas fontes de excitação, tais como a ação do vento e o caminhar das pessoas”. A estrutura projetada, diz o relatório do TCU, “não pode se concretizar e entrar em operação, pelo risco de colapso.” Federação se recusa a comentar o caso A Federação das Indústria do Estado do Espírito Santo (Findes) recusouse a falar ao Jornal Empresários sobre as obras do restaurante giratório, paralisadas por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), que constatou ainda o uso indevido de R$ 10 milhões de recursos federais do Serviço Social da Indústria (Sesi). A assessoria de imprensa da instituição solicitou que fosse enviado um questionário para ser respondido pelo presidente Marcos Guerra, mas em seguida informou que o posicionamento sobre o assunto seria por meio da seguinte nota: “A Findes esclarece que estudos técnicos atestam que a estrutura metálica do Espaço Cultural não sofreu deterioração e tampouco apresenta riscos à população. A obra encontra-se temporariamente paralisada por determinação do Tribunal de Contas da União”. O email solicitando entrevista enviado por este jornal tem o seguinte teor: “Em prosseguimento à nossa conversa telefônica, gostaria de uma entrevista com o presidente Marcos Guerra sobre o restaurante giratório que seria construído no edifício sede da Findes, para matéria no Jornal Empresários. Caso isso não seja possível, preciso de respostas para os seguintes questionamentos: 1. O presidente Marcos Guerra afirmou em entrevista coletiva à imprensa que as obras estariam concluídas em janeiro deste ano. Por que isso não aconteceu? 2. A Findes mantém de pé o projeto do restaurante, apesar dos problemas técnicos apresentados, com o foi largamente noticiado pela imprensa diária? 3. Caso não haja condições técnicas para o restaurante giratório, qual seria o aproveitamento do local e quanto essas obras custariam? Quanto a Findes gastou até agora com esse projeto, em recursos próprios e de outras instituições, detalhando o quantum de cada uma? 4.A estrutura de aço no topo do edifício da Findes está enferrujando. Quais as medidas adotadas para conter a ação da ferrugem e garantir a segurança no local? 5.. O TCU identificou irregularidades - uso indevido de recursos financeiros do Sesi/Senai - nas obras. Em que fase se encontra esse processo, que obriga a Findes a devolver cerca de R$ 10 milhões a essas instituições? 6. Quais os sindicatos que autorizaram esse projeto? Houve o uso de recursos deles no projeto?” ■

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16 ANOS VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2016 9 Empresas sonegam R$ 500 bilhões O volume maior do débito é com o INSS, seguindo-se ICMS e o Imposto de Renda, segundo os procuradores da Receita Federal FOTO: DIVULGAÇÃO São cerca de R$ 500 bilhões, 13% do Produto Interno Bruto (PIB) que o governo deixará de arrecadar em impostos, neste ano, por conta da sonegação fiscal. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), com a estimativa de aproximadamente 40% dessa dívida seja devida por cerca de 400 empresas. O débito principal é com o INSS, o segundo com o ICMS, e o terceiro relacionado ao Imposto de Renda, elevando-se a R$ 1,5 trilhão se for considerado o total acumulado. De acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda, as indústrias de transformação são as maiores devedoras, com 28% do total da dívida, até meados deste ano, o País havia deixado de recolher mais de R$ 286 bilhões, segundo o sonegômetro, instrumento criado pelo Sinprofaz. Como comparação, este valor é 40 vezes maior que o orçamento do programa Minha Casa, Minha Vida, e nove vezes maior que os recursos destinados ao Bolsa Família. O Sinprofaz vem ampliando o debate em várias frentes. Uma delas é a campanha anual da Justiça Fiscal - Quanto Custa o Brasil pra Você? Criada em 2009, visa promover a conscientização tributária, a educação fiscal e alerta para a importância do combate à sonegação, em benefício de toda a sociedade. A entidade realiza estudos permanentes sobre temas relacionados ao assunto e, um deles, de Grazielle David, defende a Justiça Fiscal como al- ternativa à PEC 241, em discussão no Congresso Nacional e que ameaça paralisar os serviços públicos. A autora defende o papel de responsabilidade social do Sinprofaz, que propõe conscientizar a população e a classe política sobre a urgente necessidade de mudanças no sistema tributário do País. A argumentação da entidade de classe é que a carga tributária brasileira é extremamente mal distribuída, pesando muito mais para os pobres e a classe média do que para os ricos, devido à estrutura dos tributos que incidem mais sobre o consumo do que sobre a renda e o patrimônio. Além disso, a sonegação fiscal amplia desigualdades: em resposta à queda na arrecadação, muitos governos recorrem ao aumento da carga tributária. Os Procuradores da Fazenda Nacional desenvolvem ações visando à aprovação de uma Reforma Tributária que altere a incidência primordial da tributação, do consumo para a renda e o patrimônio, atendendo a recomendação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, e ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Nesse contexto, inclui-se, a urgente necessidade do País fortalecer seus instrumentos de controle e combate à sonegação. Esse movimento conta com o forte apelo do painel sonegômetro, instalado em Brasília e percorrendo algumas capitais do País, como São Paulo, Rio e Porto Alegre. Com base em estudos conduzidos por especialistas, esse instrumento vem apontan- do um rombo fiscal de mais de R$ 400 bilhões desde 2013. Esse valor, em termos comparativos com os dados da arrecadação de 2011, representa mais do que toda a arrecadação de Imposto de Renda (R$ 278,3 bilhões). Mais que toda arrecadação de tributos sobre a Folha e Salários (R$ 376,8 bilhões). Mais da metade do que foi tributado sobre Bens e Serviços (R$ 720,1 bilhões). O estudo ainda afirma que a arrecadação .tributária brasileira poderia se expandir em 23,9%, caso fosse possível eliminar a evasão fiscal. Ou, melhor ainda, o peso da carga tributária poderia ser reduzido em quase 30%, com o país mantendo o mesmo nível de arrecadação. Levantamento do Sinprofaz constatou que o rombo fiscal neste ano daria para reduzir a crise atual, sendo equivalente aos seguintes bem e serviços: Mais de 5.156.521 ambulâncias; 1.441.319 postos de saúde equipados; 8.647.916 postos policiais equipados; 12.456.996 salários anuais de policiais (SP); 30.079.710 salas de aula; 20.377.006 salários anuais de professores do ensino fundamental (piso MEC); 612.241.888 salários mínimos; 1.241.699.072 cestas básicas; 2.986.330 ônibus escolares; 4.010.628 km de asfalto ecológico; 18.672.964 carros populares (Fiat Mille Economy 2p); 13.836 presídios de segurança máxima; 143.137.931 iphone 5 (16Gb); 11.860.000 casas populares (40m²); 16.000.000 de bolsas família por 31 anos (básico R$70,00) FOTOS: ANTÔNIO MOREIRA Os empresários, em cotrapartida, acham a carga tributária excessiva e expõem números bastante elevados Heráclio Camargo, do Sinprofaz, no lançamento da campanha contra sonegação Sonegação e corrupção atuam no mesmo círculo O ex-presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Receita Federal, Heráclio Camargo, condutor de uma grande campanha contra a sonegação, afirmou que toda essa movimentação caminha em conjunto com a corrupção. “A sonegação e a corrupção caminham juntas porque a corrupção precisa do dinheiro da sonegação para financiar as campanhas de políticos inescrupulosos e fomentar o círculo vicioso da lavagem de dinheiro”, disse ele. Isso se deve à legislação brasileira, que permite a inscrição, com o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), de empresas localizadas em paraísos fiscais. Camargo culpa o Estado pela atual situação: “São quase R$ 2 trilhões que estão aí para ser cobrados, e o governo pune os mais pobres e a classe média com uma tributação indireta alta e, notadamente, com a contrapartida baixa que é dada pelo Estado brasileiro, afirmou. PREJUÍZO - Levantamento do pesquisador Gabriel Zucman, autor do livro A Riqueza Escondida das Nações, estima que 8% da renda mundial - ou US$ 7,6 trilhões - estejam depositados em jurisdições popularmente conhecidas como paraísos fiscais. Neles encontramse ativos de pessoas físicas e jurídicas que buscam não pagar - ou pagar menos – impostos em seus países de origem, impostos evadidos que são estimados entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões. Segundo informações dos procuradores da Receita Federal Jorge Antonio Deher Rachid e Carlos M. Cozendey, “no marco do pacto social democrático, o financiamento dos Estados exige que cada cidadão recolha tributos segundo a respectiva capacidade contributiva. Torna-se, portanto, necessário coibir o uso de mecanismos artificiais que permitem evitar o pagamento dos tributos devidos. Um desses mecanismos é o chamado "planejamento tributário agressivo", que explora brechas entre as diversas legislações fiscais nacionais e adota manobras jurídico-contábeis de transferência de lucros/ ativos para jurisdições de tributação favorecida e pouca transparência fiscal”. Segundo eles, certas jurisdições permitem a ocultação do beneficiário final de lucros e rendimentos, impedindo a ação das autoridades fiscalizadoras. Para lidar com esse problema, o G-20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, tem ampliado ações de cooperação tributária no combate às práticas abusivas de evasão, elisão e lavagem de dinheiro. Essas ações incluem o Fórum Global de Transparência e Troca de Informações Tributárias (FG) e o projeto de combate à Erosão da Base Tributária e à Transferência de Lucros (BEPS, na sigla em inglês). O governo brasileiro participa ativamente de ambas as iniciativas por meio da Receita Federal do Brasil e do Itamaraty, que atuam em estreita coordenação. ■

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10 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES 16 ANOS Negócios que florescem na crise A comida de rua começa a tomar a Praia do Canto, dando um novo, alegre e movimentado colorido às ruas do bairro “Crise é igual a nascer feio: é melhor se acostumar”, a frase é do publicitário Nizan Guanaes. Fazer da crise uma oportunidade só tem servido de estimulante e em muitos casos, virou regra desde o ano passado, com o início e o agravamento da crise econômica. Sair do emprego ou ser demitido deixa de ser frustração e se transforma na oportunidade para abrir o próprio negócio. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil no 4º semestre de 2015 chegou a 9%. Em paralelo, uma pesquisa do Monitor Global de Empreendedorismo, realizada simultaneamente em 60 países e financiada no Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, revelou que a taxa de empreendedores estreantes no país em 2015 passou de 29% para 44%. Esse foi o caso de Marcelo Luiz Branquinho, proprietário do foodtruck Petiscaria de Rua, aberto em fevereiro desse ano. Formado em direito, trabalhava como gestor de Recursos Humanos e fez cursos de gastronomia para se especializar e se dedicar exclusivamente ao negócio, assim que foi desligado do emprego. Marcelo considera que servir uma comida totalmente caseira agrega valor ao seu produto, diferencia a Petiscaria de Rua dos outros foodtrucks e conquista os clientes. "Temos uma ótima aceitação do mercado e o nosso diferencial é que toda a comida é caseira, desde o molho de tomate até o corte da batata. Servimos petiscos simples que, com FOTO: ANTÔNIO MOREIRA A rua Chapot Presvot é um dos pontos mais concorridos pelos apreciadores dos petiscos gourmetes nosso tempero, ficam mais saborosos. Vários clientes já me falaram que deixaram de ir a restaurantes por conta da crise, mas que vêm ao foodtruck para comer bem, perto de casa e com um preço justo", comemorou o empresário. O analista do Sebrae ES, Carlos Augusto Castro Perrin, destaca que os setores de primeira necessidade, principalmente alimentação e também cuidados com crianças e idosos, petshops e barbearias, têm crescido durante a crise. “O ramo de alimentação, por atuar com itens de primeira necessidade, acaba sofrendo pouco. Embora tenha aferido algum prejuízo, foi bem aquém do que em outros setores. Os novos negócios do ramo da ali- mentação oxigenam o mercado e mantêm o nível do comércio, já que têm produtos voltados a públicos mais específicos, com a possibilidade de cobrar valores justos e obter margens satisfatórias de lucro", explicou. O analista confirma que muitos profissionais liberais têm procurado o Sebrae para investir em seus próprios negócios. “Nos últimos meses, temos recebido uma taxa crescente de profissionais liberais que deixaram suas atividades corriqueiras para empreender em outras áreas. Em busca de melhor renda e mais qualidade de vida, essas pessoas buscam a realização em uma atividade e o retorno em geral é muito positivo”, descreveu o analista. ■ FOTO:ANTÔNIO MOREIRA Comidas para todos os paladares podem ser encontradas no local

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16 ANOS VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2016 11 Comércio parado espera mais ações da Fecomércio Comerciantes acham que a Federação poderia desenvolver um trabalho mais articulado com a classe Ocomércio vem enfrentado dificuldades durante a crise econômica. As cenas de lojas fechadas no centro de Vitória e em diversos shoppings e centros comerciais de toda a região dão a dimensão do impacto sofrido pelo segmento. Por isso, a relação entre as entidades representativas e os comerciantes se torna fundamental. No Estado, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) é a entidade de maior representatividade e que lidera negociações em prol do comércio. Líderes de associações comerciais do Estado elogiam a abertura e a qualidade dos eventos organizados pela Fecomércio, além da capacidade de negociação com os trabalhadores. Porém, afirmam que a comunicação entre as associações e a federação poderia ser mais próxima e que esta última poderia centralizar ainda mais a força dos comerciantes, que hoje está espalhada por diversas organizações, além de oferecer capacitação para empresários e funcionários. O presidente Associação Comercial da Praia do Canto, Carlos Sardenberg, expõe que a Fecomércio sempre foi solícita e cumpre seu papel de negociadora, atuando em questões trabalhistas com sindicatos e nas demandas junto ao poder legislativo. Enfatiza, também, que os comerciantes sempre são ouvidos com relação às suas reivindicações. Porém, opina que a federação poderia ter maior proximidade diretamente com os lojistas e avalia que a organização dos diversos setores por várias associações dispersa o poder do empresariado capixaba. "Nós participamos de diversas reuniões da Fecomércio para alinhar bem o posicionamento e levar nossos anseios. Penso que a federação poderia ser mais próxima dos lojistas e que todas as diversas organizações e associações do comércio poderiam se unir. A existência de várias entidades espalha muito a força do empresariado. No final das contas, o objetivo é um só: desenvolver nossas atividades da melhor forma possível", considerou Sardenberg. Outro que elogia a atuação da Fecomércio é o presidente da Associação Comercial de Vitória (ACV), Moacyr Bonelli. "Nós temos uma ligação muito forte com a Fecomércio. Estamos sempre presentes nas reuniões e debatemos as condições de reivindicação salarial. Temos parcerias com a federação para que nossos associados tenham os benefícios que os comerciários têm", descreveu Bonelli. Já o presidente da Associação dos Comerciantes de Material de Construção do Espírito Santo (Acomac-ES), Fernando Villaschi, acredita que a Fecomércio poderia oferecer ainda mais suporte ao micro e pequeno empresário. "A Acomac-ES sempre teve um bom relacionamento com a Fecomércio. A federação apoia nossos eventos e sempre busca aten- FOTO: ANTÔNIO MOREIRA Lojas fechadas no Centro de Vitória mostram a gravidade da crise der às nossas demandas. Acredito que, atualmente, poderia haver uma maneira de oferecer mais treinamento para o empresário, principalmente para o pequeno e micro, que muitas vezes não consegue ter domínio da legislação vigente", sugeriu Villaschi. Diante de todas as reivindicações apresentadas pelo setor, o presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri, disse que a federação sempre está aberta e em constante diálogo com os representantes dos setores comerciais. "Este posicionamento nos causa surpresa, porque recebemos de braços abertos todas as sugestões encaminhadas e assim é feito". Também se colocou à disposição de todas as entidades comerciais, inclusive aquelas que não tenham vínculo sindical, para que abram um caminho de diálogo. "Estamos próximos de todas as demandas, mas há uma necessidade de comunicação direta com a Fecomércio. As instituições e associações que não têm vínculo sindical devem nos procurar, porque estamos à disposição", recomendou. Sepulcri ressaltou, ainda, que a Federação do Comércio congrega 22 sindicatos de todos os segmentos comerciais de bens, serviços e turismo. "Recentemente, criamos a câmara empresarial do turismo, que congrega 15 instituições do setor turístico. A Fecomércio é uma entidade que sempre esteve e sempre estará à disposição de qualquer tipo de empresário, seja ele de pequeno, médio ou grande porte", enfatizou. Investimentos para superar a recessão Sobreviver à crise não é uma tarefa simples e nem compreende apenas os investimentos básicos de um negócio. Os retornos positivos de muitos empresários vieram justamente de investimentos, principalmente em comunicação, estrutura e bem estar dos funcionários, além de melhorias na qualidade e disponibilidade de serviços ao consumidor. Oferecer brindes e promoções aos clientes, além de investir na estrutura física da loja, foram as ações realizadas por Paulo Sérgio Nascimento Rangel e Kátia Ximenes, proprietário e administradora das Ópticas Capixaba. Eles destacam que bonificar os funcionários por cumprirem as metas do mês e oferecer planos de carreira são formas de estimular a equipe e aprimorar o ambiente de trabalho. "Também fizemos melhorias na nossa comunicação visual e melhoramos a divulgação pelas redes sociais. Nosso diferencial é oferecer um serviço exclusivo e bastante rápido de montagem de óculos. Eles ficam prontos em 40 minutos", detalhou Kátia. Já o proprietário do restaurante Gaúcho Gourmet, Fernando Rohrig, garante que conseguiu recuperar 18% dos 25% de clientes que perdeu com a crise. A alternativa foi oferecer ainda mais variedade no cardápio, ampliando as opções com comida árabe e italiana, além de fazer parcerias com empresas para fidelizar clientes e oferecer descontos para os mais cativos. "As pessoas costumam variar de restaurante porque querem diferenciar o cardápio. Com essa variedade, demos uma opção a mais para os clientes. Não adianta reclamar da crise, temos que tentar contornar e buscar novas alternativas para essas dificuldades", declarou o empresário. ■

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12 OUTUBRO DE 2016 VITÓRIA/ES 16 ANOS

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