Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 30

 

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Entrevista José Fernando Coura fala sobre o WMC e a inovação no setor Eventos Rio de Janeiro sedia o 24o World Mining Congress Setermevbisrtoa.mEOidnuietçurãabocr3aoo0d..ceoA2mn0o.1b66r Meio Ambiente Mineração dá exemplo de recuperação de áreas exploradas Comunidade As ações sociais do S11D em Canaã dos Carajás O MAPA DAS MINAS Fundação Getúlio Vargas e entidades do setor lançam estudo que mostra como a mineração impulsiona Minas Gerais

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CLIQUE Stockphoto JUBARTES EM ALTA Segundo o Projeto Baleia Jubarte, o Brasil pode assistir a um recorde de procriação da espécie. Pesquisadores calculam que dois mil filhotes nascerão ao longo da costa brasileira em 2016. Atualmente, a população da Jubarte é estimada em 17 mil indivíduos, sendo metade fêmeas. A reprodução ocorre por todo litoral nordeste do Brasil, sendo o Arquipélago de Abrolhos o maior ambiente reprodutivo do Atlântico Sul. EXPEDIENTE Diretor-Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor-Geral Thobias Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Sara Lira Bruna Nogueira Márcio Antunes redacao@revistamineracao.com.br Projeto gráfico e Diagramação Daniel Felipe W. Tourinho Distribuição e Assinaturas + 55 (31) 3544 . 0045 atendimento@revistamineracao.com.br Assessoria Jurídica Dias Oliveira Advogados Tiragem 10 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Arte / Fotolia Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guacuí, 82 . Brasileia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. /RevistaMineracao @RevMineracao 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016

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ESTANTE Relevo Antropogênico: Mineração de Ferro e a Interferência Humana Fábio Cecília F. A. Silva e outro Editora Appris Acidentes com Barragens de Rejeitos da Mineração e o Princípio da Prevenção André de Paiva Toledo e outros Editora Lumen Juris Estudo da Quebra de Leitos de Partículas Minerais Pantoja Barrios Gabriel Kamilo Novas Edições Acadêmicas A obra mostra como a exploração de recursos naturais afeta a paisagem e o meio ambiente ao redor, apresentando características do relevo de natureza antropogênica e comprovando que a atividade minerária modifica a estrutura natural daquele espaço. O livro apresenta o acidente com a barragem de rejeitos de mineração ocorrido na cidade de Mariana, em Minas Gerais, por meio de pontos de vista acadêmico, reunindo visões de profissionais técnicos, pareceres constitucionais e jurídicos. O livro é um estudo da quebra de partículas minerais feitas com britadores cônicos, prensas e moinhos de bola. O texto retrata como a quebra é feita, analisando o impacto, a calibração e a validação de cada modelo apresentado. • Ano: 2016 • 147 páginas • R$ 26 • Ebook • ISBN: 978-85-4730003-6 • Ano: 2016 • 176 páginas • R$ 70 • 20,8 x 13,4 cm • Brochura • ISBN: 978-858440-669-2 • Ano: 2016 • 132 páginas • R$ 293,70 • 22 x 15 cm • Brochura • ISBN: 978-384171-963-8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 5

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SUMÁRIO revistamineracao.com.br Setembro . Outubro de 2016 Edição 30 . Ano 6 28 Matéria de Capa Estudo da FGV mostra como a mineração impulsiona Minas Gerais. 10 Entrevista José Fernando Coura avalia a importância do WMC no Brasil. 14 Eventos Rio de Janeiro é a capital da mineração mundial durante o 24º WMC. 32 Mercado S11D se prepara para entrar em operação. Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Eventos 18 Mercado 22 Meio Ambiente 26 Ceamin 28 Matéria de Capa 32 Mercado 36 Comunidade 40 Cetem 42 Cidades Minerárias 46 Produto Final 48 Surpreenda-se 50 Agenda 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 36 Comunidade Canaã dos Carajás se beneficia com o maior projeto da história da Vale. 22 Meio Ambiente Os exemplos de recuperação ambiental da mineração. 18 Mercado Minas-Rio se prepara para entrar na Fase 2 de operação. 46 Produto Final Tungstênio, o metal dos extremos.

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A MINERAÇÃO NO MUNDO EDITORIAL A mineração mundial estará reunida para debater o setor no 24º World Mining Congress, sediado no Rio de Janeiro, entre 18 e 21 de outubro. O congresso contará com a nata da indústria mineral e tratará de temas que vão das novas tecnologias, comercialização, produção, segurança e convivência com a sociedade. Realizado a cada três anos, o certame surgiu da necessidade de se reunir as mineradoras para a participação da reconstrução mundial no pós-Segunda Guerra. Sediado na Polônia, com status de organização associada à ONU, a escolha do Brasil como palco é o reconhecimento do país como um dos grandes da mineração, nas palavras do presidente do Ibram, Fernando Coura. Defensor intransigente da busca permanente da inovação pela melhor tecnologia, Coura destaca que esse evento apresentará um número recorde de trabalhos e se caracterizará pelo viés técnico. E vaticinou: “Quem não inovar cairá fora. Quem não tiver sustentabilidade ambiental, função social e competitividade não permanecerá no mercado”. O futuro da mineração será tratado em um talk show pelos representantes de grandes companhias, como Vale, Grupo Votorantim, Anglo American do Brasil e Eurasian Resources Group Sàrl. Estão previstas discussões sobre manejo de rejeitos e segurança de barragens. Segurança do trabalhador e sua saúde, gestão de recursos naturais, uso de explosivos e vários outros temas também estão na programação. O diretor executivo da Agenda Pública, Sérgio Andrade, destaca a parceria entre prefeituras e mineradoras e exporá cases de sucesso em várias cidades. Ele entende que um dos frutos dessa parceria, e que espera ser bastante abordado, “é a importância de se insistir na transparência das indústrias extrativas perante a sociedade”. O certo é que cada empresa, de cada país, trará consigo uma cultura própria, uma forma de lidar com legislações diferentes. E desse caldo complexo cada uma poderá absorver novas tecnologias, normatizações eficientes, enfim, olhares distintos sobre problemas iguais. Quem participar só terá a ganhar. Além de entrevista com Fernando Coura nas páginas verdes, esta edição traz também, sob o sugestivo título ‘O Mapa das Minas’, um inédito estudo da Fundação Getúlio Vargas em parceria com entidades do setor mineral mostrando a mineração em Minas Gerais em todos seus aspectos. Além de ter contribuído até para o nome de Minas Gerais, onde mineiro não significa só quem trabalha em extração mineral, mas o habitante do estado, a mineração, segundo o estudo, representa 24,41% do setor industrial e 8,01% da economia de Minas. A extração do ferro representa 90% da atividade no estado. Outro aspecto interessante é que, do ponto de vista de infraestrutura, em 2010 mais de 99% das cidades minerárias de Minas tinham energia elétrica e banheiro com água encanada, índices superiores aos nacionais. A Fundação Getúlio Vargas registra que a mineração é muito mais do que extrair minério: “É todo um mundo que gira e que se multiplica em emprego, em renda, em produção e em outros aspectos”. Apesar da queda dos preços dos minérios no mercado internacional, que pe- Francisco Stehling Neto Diretor de Relações Institucionais Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria de política do Estado de Minas. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunica- ção Empresarial da Cemig. gou a atividade de surpresa, o estudo revela que as empresas já ajustaram as operações e o setor mostra que foi o que menos sofreu com a crise econômica. Ao concluir, resta lembrar que nesta 30ª edição a revista “Mineração & Sustentabilidade” comemora 5 anos de circulação ininterrupta. Aos leitores, anunciantes e colaboradores, o nosso muito obrigado e a reafirmação do nosso compromisso de apresentar uma cobertura dos fatos da mineração de maneira isenta e com profundo senso profissional. Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 7

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PANORAMA VAI E VEM NA USIMINAS Rômel Erwin foi reconduzido à presidência da Usiminas. O retorno do executivo é resultado de decisão tomada em 5 de outubro pela 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), motivada por agravo de instrumento interposto pela Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation. Os japoneses pediram a anulação da eleição que colocou Sérgio Leite como presidente da siderúrgica, nome apoiado pelo grupo ítalo-argentino Techint. As empresas travam uma disputa de longa data pelo comando da Usiminas. Os três desembargadores do TJMG anularam, por unanimidade, a eleição da diretoria realizada em 25 de maio. Em nota, o presidente do Conselho de Administração da companhia, Elias de Matos Brito, informou que o Conselho de Administração respeitará a decisão. ANGLO AMERICAN FINALIZA VENDA A mineradora Anglo American concluiu as negociações de venda dos negócios de Nióbio e Fosfato para a empresa China Molybdenum Co. Ltda (CMOC). O valor do acordo foi de US$ 1,7 bilhão, sendo US$ 1,5 da venda em si e US$ 187 milhões de capital de giro e demais ajustes. A operação de fosfato fica em São Paulo e conta com uma mina, dois complexos químicos, dois depósitos e uma planta de beneficiamento. O negócio de nióbio localiza-se em Goiás e apresenta uma mina ativa, duas inativas, dois depósitos minerais, três plantas de processamento e vendas em Cingapura e Reino Unido. NAS ALTURAS A tecnologia em favor da fiscalização desembarcou no Pará. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) tem usado um drone, ou veículo aéreo não tripulado (Vant), para monitorar a atividade minerária em Santarém. A iniciativa é fruto do Projeto de Extensionismo Mineral, desenvolvido pela Divisão de Desenvolvimento da Mineração da superintendência paraense do DNPM. VALE VENDE PARTE DE ATIVOS EM MOÇAMBIQUE PARA MITSUI A Vale aprovou em setembro a venda de uma parte do negócio de carvão à japonesa Mitsui. O negócio, localizado em Moçambique, renderá US$ 768 milhões, de acordo com projeções divulgadas pela empresa. A operação faz parte do plano da mineradora brasileira de obter até US$ 6 bilhões a partir da venda de ativos. Segundo a Vale, a empresa japonesa deve pagar US$ 255 milhões por 15% da fatia de 95% que a Vale detém na mina de carvão de Moatize. Também pagará US$ 348 milhões por 50 dos 70% de participação que a mineradora tem no corredor logístico. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 Marcelo Coelho

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MP ACIONA SAMARCO CONTRA CONSTRUÇÃO DE DIQUE O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou ação civil pública contra a Samarco, em 29 de setembro, requisitando um estudo sobre proposta de construção de um dique no Complexo Germano, em Mariana, palco do maior desastre ambiental da história do país. O MPMG pede uma confirmação técnica sobre a necessidade da intervenção. O Dique S4 inundará parte do distrito de Bento Rodrigues, hoje soterrado pela lama. De acordo com a mineradora, a intervenção é essencial e urgente, pois promoverá um sistema de contenção de sedimentos que correm o risco de atingir rios e terrenos da região. APETITE CHINÊS A demanda da China por minério de ferro cresceu. Segundo a agência Thomson Reuters, o país importou 82,5 milhões de toneladas do produto em setembro, subindo 2,5% na média em relação ao mês anterior. Um dos motivos foi o recuo de 6% nos preços da commodity em agosto. A China é a maior consumidora de minério de ferro do mundo e abocanha dois terços da produção do planeta. Em contrapartida, as exportações de aço do país também têm crescido, com previsão de bater em 2016 o recorde 2015, quando foram exportadas 112 milhões de toneladas. Divulgação APROVADO A ArcelorMittal Brasil, por meio da subsidiária Armar, adquiriu 40% do capital da processadora de aço Tuper. A negociação foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 20 de setembro e tem o objetivo de promover uma associação estratégica. A Arcelor terá um parceiro com grande consumo de bobinas a quente, bobinas a frio, bobinas galvanizadas e galvalume, produzidas nas unidades industriais de Tubarão, localizada em Serra (ES), e Vega, em São Francisco do Sul (SC). Por outro lado, a Tuper ganha maior segurança no abastecimento de matéria-prima. A sinergia vai possibilitar o desenvolvimento de novos produtos, já que a Tuper atua em setores diversos como automotivo e construção civil. Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 9

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ENTREVISTA José Fernando Coura DivulgWa.çTãoou/riMnhRoE FOCO NA INOVAÇÃO Presidente do Ibram destaca que o único caminho para o futuro sustentável da mineração é inovar; tema é o eixo central do World Mining Congress, no Rio de Janeiro Thobias Almeida e Sara Lira 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016

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No momento em que sedia um dos mais importantes encontros mundiais do setor mineral, o Brasil vive momentos agitados. Reviravoltas políticas e depressão econômica trazem contornos indesejáveis à imagem do país. No entanto, para o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), José Fernando Coura, a mineração nacional deve olhar para frente tendo a inovação como foco. Este é o principal eixo temático da 24ª edição do World Mining Congress (WMC), que pela primeira vez é realizado na América do Sul. O Rio de Janeiro sedia o evento. Coura destaca o significado do congresso para a mineração brasileira, uma espécie de selo de reconhecimento do papel do setor no panorama internacional. “Eu entendo que é um momento delicado, difícil, mas é um momento de expectativa, de confiança. A mineração brasileira tem suas próprias características. Grandes jazidas de excepcional qualidade são sempre atrativas para investimentos”, afirma o líder da maior entidade representativa do segmento no país. Ressaltando o viés técnico do WMC, José Fernando Coura evita tecer comentários sobre as implicações para a mineração geradas pelo momento político do Brasil. No entanto, ele espera que o país “possa encontrar três pilares para atrair investimentos: segurança jurídica, respeito aos contratos e atratividade para investimento”. Coura destaca o interesse acima das expectativas pelo WMC e afirma que o número de delegações estrangeiras e de trabalhos inscritos surpreendeu, bem como o de participantes. Para o presidente do Ibram, eventos do tipo têm a grande vantagem de injetar ânimo no empresariado, principalmente a partir do intercâmbio de inovações que contribuem para a produtividade da mineração. Mineração & Sustentabilidade A realização do WMC 2016 no Brasil guarda qual significado para mineração nacional? José Fernando Coura Primeiro, é um forte reconhecimento da importância do papel do Brasil no mundo da mineração. Disputamos esse congresso com outros países, fomos vencedores e escolhidos pelo comitê internacional. Isso significa que a realização desse congresso marca, de uma vez por todas, a importância da mineração brasileira junto aos outros países. M&S E esse momento que a mineração brasileira está vivendo. Isso favorece ou fortalece? JFC Eu entendo que é um momento delicado, difícil, mas é um momento de expectativa, de confiança. A mineração brasileira tem suas próprias características. Grandes jazidas com excepcional qualidade são sempre atrativas para investimento. Esperamos que o Brasil possa encontrar três pilares para atrair investimento: segurança jurídica, respeito aos contratos e atratividade para investimento. vimento de territórios, na economia, geração de emprego e renda e na interiorização do desenvolvimento. Quem não inovar vai ficar de fora. Quem não tiver sustentabilidade ambiental, função social e competitividade vai estar fora do mercado. M&S Quais as expectativas que o senhor tem com relação ao evento? JFC Expectativa é a melhor possível. Nós estávamos um pouco preocupados, mas agora nós estamos tranquilos. O número de delegações estrangeiras está surpreendendo, o número de trabalhos inscritos surpreendeu e também o número de participantes. Portanto, tenho certeza que o congresso, com esse viés técnico, será um sucesso e marcará de vez a competência e a marca do Brasil perante o mundo. Tem ministros, delegações de diversos países como Índia, China, Austrália, Canadá, Cazaquistão, Irã, Estados Unidos, Chile, Peru, da Europa, de todo o mundo estarão representados. M&S Pode-se dizer que eventos do porte do WMC têm o potencial de reavivar os ânimos do empresariado? M&S Como se deu o processo de escolha do Brasil? Como foram as negociações? JFC Foi no IOC, que é o comitê internacional, sediado na Polônia. Foram escolhidos alguns países e no final a organização do evento ficou entre Brasil e Cazaquistão. O Brasil ganhou e a partir de 2012 começamos a trabalhar na realização desse evento. M&S Qual o eixo temático mais importante na edição 2016 do WMC? Por quê? JFC Mineração no mundo da inovação. A inovação é fundamental em todos os setores e não poderia ser diferente na mineração. Nós estamos com um número recorde de trabalhos apresentados. Esse congresso tem um viés técnico, ele é muito específico e trata da inovação da mineração, a sua função social, a sua inserção no desenvol- JFC Esse é o principal objetivo. Porque, como se trata da discussão técnica, temos o debate em torno de estudos e pesquisas. O otimismo e a injeção de ânimos se dão através de inovação. A inovação renova o capitalismo, renova as empresas, faz com que as empresas estejam cada vez mais competitivas, mais lucrativas e possam continuar reinvestindo. M&S A participação das empresas no WMC foi satisfatória? JFC Eu digo que nós queríamos mais, mas é satisfatória porque, mesmo nesse momento de crise, com as dificuldades do presente, as empresas estão chegando, estão participando e isso é muito importante. É uma oportunidade inclusive para seus quadros técnicos. O congresso é extremamente técnico, é uma oportunidade para esses profissionais apresentarem trabalhos e trocarem ideias com autoridades, Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 11

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Entrevista com José Fernando Coura cientistas e representantes do setor de todo o mundo. M&S O Brasil passou por uma guinada política. Como avaliar os impactos dessa mudança no contexto da mineração brasileira? JFC Creio que o mais importante é discutirmos a questão do WMC, um congresso técnico mundial, cujo comitê organizador é da IOC, órgão ligado à ONU, com sede na Polônia. Esse congresso não tem viés político, ele só tem viés técnico, 100% técnico. O próximo será no Cazaquistão, nós, ao final do congresso, passaremos a lâmpada para as mãos do ministro do Cazaquistão e dos organizadores que vão organizar a próxima edição. Esse congresso trata de temas que são de interesse de todo o mercado internacional. Assim, prefiro não comentar política nesse momento. M&S Qual a avaliação do Ibram em relação ao consumo vinculado à cadeia mineral? JFC Creio que se projetarmos o crescimento da população mundial, com sete bilhões de pessoas atualmente e subindo, evidentemente que o cidadão precisa de casa, precisa de alimento, de vestuário, de carro, de mobilidade, de estrada, de aeroporto. Então, há a perspectiva de aumento da demanda por produtos minerais, energia e alimentos. Nós temos ainda que matar a fome de milhões de pessoas no mundo. Só se mata a fome com alimento. Para produzir alimento, não há outro jeito se não for com fertilizantes: nitrogênio, potássio e fósforo. Este é um exemplo de como a mineração é necessária para se enfrentar os desafios que se colocam. M&S Como o senhor analisa o movimento de venda de ativos de grandes players da mineração brasileira? JFC Essa é uma questão que a gente não opina, não cabe à instituição de classe entrar em assuntos nem de natureza comercial, nem de natureza interna das suas empresas. À instituição cabe a representação, a defesa dos interesses da indústria mineral. M&S O senhor avalia essas negociações como normais? JFC Normais. Eu acho até que reduziu bastante. Caso voltemos a ter negociações, isso significa uma retomada de confiança. Especificamente sobre cada negociação, procuramos não dar nenhuma opinião porque são assuntos de natureza comercial e próprios de cada empresa. Mas vejo que, sempre que há retomada de movimentações, isso significa mudança de patamar de interesse. A realização desse congresso marca a importância da mineração brasileira. M&S E em relação aos investimentos, qual o destaque? JFC O maior destaque nesse momento é o projeto S11D, da Vale, na região de Carajás. É um projeto extremamente revolucionário, que tem a marca da inovação e que vai mudar o patamar da indústria do minério de ferro mundial. M&S Com o S11D, é possível que o Pará supere Minas Gerais em produção? JFC Não, pode chegar próximo no minério de ferro, mas Minas é muito diversificado, e eu gostaria também que Goiás crescesse, como está acontecendo, que a Bahia crescesse, como está fazendo. O Brasil tem potencial, a mineração interioriza o desenvolvimento e o que nós queremos é o desenvolvimento de todos os estados. Voltando à pergunta, Minas é muito diversificada, produz minério de ferro, ouro, fosfato, zinco, rochas ornamentais, nióbio, manganês, lítio, dentre outros minerais. Minas tem uma diversificação mineral fantástica. M&S Como o novo programa de concessões do governo influencia o setor? JFC Pode ajudar sim. Nós sempre repetimos: a mineração está pronta para receber o crescimento do país, e o crescimento do país se dá através de investimento em infraestrutura. Precisamos muito de rodovias, ferrovias, hospitais, aeroportos, habitação e saneamento básico. Todos esses investimentos demandam bens minerais: brita, areia, cimento, cal, ferro e todos os outros minerais. Portanto, a retomada da infraestrutura brasileira é uma injeção direta na veia da indústria mineral brasileira, que está pronta para responder e atender essa demanda. M&S Após o ocorrido com a Samarco, quais as preocupações do Ibram com relação à imagem da mineração brasileira? JFC O acidente foi lamentável e triste, queria mais uma vez reiterar minhas condolências às vítimas, minha solidariedade aos atingidos. Por outro lado, temos que tirar proveito de um acidente como esse. Um acidente tem que deixar ensinamentos, para que nunca mais se repita. E, principalmente na questão da imagem, tivemos a oportunidade de lançar um produto da Fundação Getúlio Vargas [o estudo Panorama da Mineração em Minas Gerais, lançado em agosto de 2016] para mostrar com números e informações geográficas, demográficas, econômicas e sociais a importância da mineração para um Estado como Minas Gerais. M&S Qual a principal mensagem que o senhor pretende deixar para os participantes do WMC 2016? JFC A principal mensagem é que é possível fazer uma mineração com responsabilidade social, com sustentabilidade, gerando emprego e renda e melhorando a qualidade de vida de cidades que estão distantes dos grandes centros industriais. 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016

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Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 13

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EVENTOS Divulgação WMC O mundo da mineração se reúne no Rio de Janeiro 24ª edição do World Mining Congress reunirá líderes e especialistas do setor para debater temas como inovação e sustentabilidade 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 Sara Lira

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O Rio de Janeiro vai se tornar a capital mundial da mineração entre 18 e 21 de outubro. Durante esse período, empresários e representantes do setor estarão reunidos no World Mining Congress (WMC), ou Congresso Mundial de Mineração, que, em 2016, traz como tema central “Mineração em um mundo de inovação”. Além de palestras com especialistas de todo o mundo, estão previstos painéis, discussões, apresentações de trabalhos científicos sobre mineração e uma feira com expositores do setor. De acordo com o diretor de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Rinaldo Mancin, discutir a inovação na mineração não é falar apenas sobre tecnologia. “Quando falamos em mais eficiência de processo mineral falamos também de consumir menos recursos minerais, menos água, reduzir as emissões de Gases do Efeito Estufa e, transportando para o campo social e econômico, introduzir novas formas de integrar e trazer a comunidade para o projeto”, destaca. Brasil, Tito Martins; da Anglo American Brasil, Ruben Fernandes; e da Eurasian Resources Group Sàrl, Benedikt Sobotka, do Cazaquistão. Também estão previstas discussões sobre manejo de rejeitos e segurança de barragens, com a moderação do CEO e presidente da Mining Association of Canada, Pierre Gratton. Os temas saúde e segurança do trabalhador serão abordados em uma palestra especial, ministrada por especialistas da organização suíça ISSA Mining. Outros painéis programados são o de mudanças políticas e gestão de recursos naturais; uso de explosivos na mineração; e economia mineral com foco em novos elementos, dentre outros. INTEGRAÇÃO Incluir o poder público no processo de desenvolvimento da mineração é im- O desenvolvimento de novas tecnologias não vai ficar de fora dos debates. “Queremos demonstrar que há muita ciência sendo desenvolvida lateralmente ao setor do ponto de vista de eficiência, como por exemplo a aplicação da automação de processos minerários”, completa. Divulgação / Ibram São esperadas cerca de mil pessoas durante os quatro dias de evento. Entre 60% e 70% devem ser de estrangeiros, conforme projeção do diretor de Assuntos Ambientais do Ibram. Um dos legados do evento é a elaboração de um livro com os trabalhos científicos apresentados no congresso. PROGRAMAÇÃO No primeiro dia o evento tratará do futuro do setor em um talkshow. Os participantes serão os principais executivos de grandes companhias: da Vale, Murilo Ferreira; da Votorantim Metais Para Rinaldo Mancin, debater a inovação significa traçar novos caminhos para a sustentabilidade e relacionamento com comunidades. Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2016 15

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