Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 29

 

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mineracão sustentabilidade revJuislthaomE.idAniegçrãoaosct2aoo9d..ceoA2mn0o.1b56r Entrevista Raphael Azeredo do Ministério das Relações Exteriores analisa a COP-22 Internacional O aprendizado canadense após desastres com barragens Surpreenda-se Sustentabilidade na confecção das medalhas olímpicas Memória A evolução da mineração brasileira Na contramão da crise Investimento bilionário da Vale Fertilizantes em mina de fosfato traz ânimo e alívio para as cidades mineiras de Patrocínio e Araxá

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CLIQUE Fernando Frazão / Agência Brasil CERIMÔNIA DE ALERTA O espetáculo da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 trouxe, além dos esperados efeitos especiais, coreografias e shows musicais, um recado para a comunidade internacional: o aquecimento global é uma ameaça do presente, com potencial de afetar decisivamente a vida no planeta. Uma iniciativa inédita, oportuna e elogiada mundialmente. Nota 10! EXPEDIENTE Diretor-Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor-Geral Thobias Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Sara Lira Bruna Nogueira Márcio Antunes redacao@revistamineracao.com.br Projeto gráfico e Diagramação Daniel Felipe W. Tourinho Distribuição e Assinaturas + 55 (31) 3544 . 0045 atendimento@revistamineracao.com.br Assessoria Jurídica Dias Oliveira Advogados Tiragem 10 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Arte / Can Stock Photo Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guacuí, 82 . Brasileia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. /RevistaMineracao @RevMineracao 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016

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ESTANTE Mineralogia Óptica Fábio Braz Machado e outros Editora Oficina de Textos Mecânica dos solos experimental Faiçal Massad Editora Oficina de Textos Mecânica dos solos - vol. 1 Manuel de Matos Fernandes Editora Oficina de Textos O livro aborda a forma como se dá identificação de minerais ao microscópio petrográfico, com base na Física Óptica e das características particulares de cada mineral como cores e relevos. Possui ilustrações e escrita didática, apropriada para alunos e professores. Apresenta estudos de caso de ensaios laboratoriais e experimentos de campo nos quais foram realizadas análises detalhadas de solo. São abordadas diferentes características do solo que vão desde permeabilidade e densidade à compactação e adensamento. Trata os conceitos que são essenciais para se fazer um estudo a respeito da mecânica dos solos, a partir de características de identificação e características físicas como cor ou estado de tensão. Possui adaptação de termos técnicos e colocação de solos brasileiros para melhor representação. • Ano: 2016 • 128 páginas • R$ 48 • 17 x 24,5 cm • Brochura • ISBN: 978-857975-245-2 • Ano: 2016 • 287 páginas • R$ 108 • 21 x 28 cm • Brochura • ISBN: 978-857975-200-1 • Ano: 2016 • 442 páginas • R$ 135 • 16 x 23 cm • Brochura • ISBN: 978-857975-180-6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 5

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SUMÁRIO revistamineracao.com.br Julho . Agosto de 2016 Edição 29 . Ano 5 26 Matéria de Capa Nova mina de fosfato gera investimento de R$ 1 bilhão em Minas Gerais 10 Entrevista Raphael Azeredo analisa a COP-22 e sua importância para o Acordo de Paris 44 Surpreenda-se As medalhas da Rio 2016 e a sustentabilidade 18 Internacional O que o Canadá aprendeu com desastres como o de Mariana 42 Informe O supressor de poeira 30 vezes mais eficiente que a água Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Mercado 16 Siderurgia 18 Internacional 21 Equipamentos 22 Meio Ambiente 26 Matéria de Capa 32 Ceamin 35 Informe Publicitário 36 Cidades Minerárias 40 Produto Final 42 Informe Publicitário 44 Surpreenda-se 46 Memória 50 Agenda 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 46 Memória História da mineração moderna no Brasil 14 Mercado Alcoa fecha acordo milionário com a Embraer 40 Produto Final Tântalo, o mineral dos deuses

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MINERAÇÃO À ESPERA DA REGULAÇÃO EDITORIAL Resolvido o “imbróglio” institucional do País, caberá ao governo aproveitar este final de ano e dar prosseguimento, no Congresso Nacional, à tramitação do projeto do Novo Marco Regulatório do setor mineral, que está paralisado há quase três anos. Amarrado por uma legislação ultrapassada, a mineração brasileira precisa urgentemente de disciplinar-se para poder competir em igualdade de condições num mercado cada vez mais disputado. Um detalhe importante é que ao empresariado da mineração é necessária a mobilização para fazer as coisas andarem. Dos partidos políticos espera-se que indiquem para as comissões por onde o projeto caminhará, parlamentares com conhecimento na área, principalmente nas funções de presidente e relator. Se o desempenho brasileiro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro não faz do País uma potência esportiva, pelo menos na produção de medalhas de ouro, prata e bronze a tecnologia brasileira se esmerou. A Casa da Moeda, encarregada da fabricação, exigiu, no edital de licitação, a utilização de material de origem ambientalmente responsável, na madeira dos estojos, fitas e metais. Isso está sendo mostrado nesta edição pela repórter Bruna Nogueira, na editoria Surpreenda-se. Também nesta edição e sob o título “A Salvação da Lavoura”, a repórter Sara Lira assina reportagem mostrando que a Vale Fertilizantes investirá R$ 1 bilhão na abertura de mina de fosfato em Patrocínio e beneficiamento do produto em Araxá. A iniciativa significará um alento para toda a região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais e põe fim ao risco de a Vale Fertilizantes encerrar suas atividades no Estado. Em novembro próximo as atenções do mundo estarão voltadas para Marrakesh, no Marrocos, onde será realizada a Conferência da ONU sobre mudanças climáticas e se discutirá a colocação em prática das estratégias definidas no Acordo de Paris. Quase 200 países estarão representados com o objetivo de frear o aquecimento global, que já afeta a rotina de bilhões de pessoas e provoca quedas expressivas na produção de alimentos pela instabilidade das chuvas. Um dos representantes do Brasil no Marrocos será o diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, Raphael Azeredo, entrevistado pelo jornalista Thobias Almeida nas páginas verdes. Ele destacou o papel do Brasil na articulação do Acordo de Paris e manifestou otimismo quanto ao rumo das negociações multilaterais. Para ele, as alterações políticas no Brasil não mudam a posição defendida sobre o aquecimento global, lembrando que o país assumiu um compromisso firme como política de Estado. Ainda que apenas 19 países que representam 1% das emissões globais de ga- Francisco Stehling Neto Diretor de Relações Institucionais Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria de política do Estado de Minas. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunica- ção Empresarial da Cemig. ses que causam o efeito estufa tenham ratificado o acordo, é preciso que este número chegue a 55, totalizando 51% das emissões para que as metas de redução acordadas se tornem válidas. Mas Azeredo mantém o otimismo e explica que ainda há tempo para que outras nações manifestem adesão, uma vez que o acordo deve entrar em vigor em 2020. Em outra declaração, o diretor lembrou que o Brasil está bem posicionado perante os outros países, afirmando que o desmatamento na Amazônia está reduzido e nossas emissões foram 41% menores em 2012 do que em 2005. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 7

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PANORAMA W. Tourinho RETRATO DA MINERAÇÃO MINEIRA A Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou um estudo inédito denominado “Panorama da Mineração em Minas Gerais”. O evento de lançamento ocorreu em 8 de agosto, em Belo Horizonte. O documento consolida bases técnicas, científicas, econômicas, sociais e históricas sobre a indústria minerária no estado. O trabalho apresenta dados oficiais compilados e analisados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE) e atesta a relevância do setor mineral no contexto socioeconômico e histórico de Minas Gerais. O evento também marcou a primeira visita oficial a Belo Horizonte do Ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. FALTAM 96% O Brasil fiscalizou apenas 4% das barragens conhecidas entre outubro de 2014 e setembro de 2015. O dado é apresentado no Relatório de Segurança de Barragens, da Agência Nacional de Águas (ANA). O documento afirma que falta estrutura, sendo que as 43 entidades fiscalizadoras da segurança não conseguem cobrir as cinco regiões do país. Existem quatro tipos de barragens no Brasil: de contenção de resíduos industriais, de uso múltiplo da água, de contenção de rejeitos de mineração e para geração de energia hidrelétrica. Segundo o documento, no período de abrangência do relatório, houve um aumento no número de barragens cadastradas, chegando a um total de 17.259 –15% a mais que as 14.966 do relatório apresentado no ano passado. Dessas, apenas 701 foram vistoriadas. OURO VENDIDO A Vale anunciou um terceiro acordo com a canadense Silver Wheaton para vender a produção adicional de 25% de ouro contido no concentrado de cobre da mina de Salobo, em Marabá (PA). A negociação representará US$ 823 milhões para a mineradora. Com o negócio, a Vale completa a venda de 75% do ouro obtidos como subproduto em Salobo para a Silver Wheaton. A primeira, de 25%, foi em 2013, pelo montante total de US$ 3 bilhões. A segunda ocorreu no início de 2015, quando a empresa vendeu mais 25% do metal por US$ 900 milhões. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016

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PDV NÃO ENGRENA A adesão ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) ficou abaixo das expectativas da Samarco. A intenção era demitir 1,2 mil dos três mil trabalhadores, porém, apenas 923 aderiram ao PDV. As demissões eram uma forma de aliviar a situação financeira da companhia, cujas operações estão paralisadas desde o rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015. O retorno das atividades ainda não tem data, mas o mercado aposta que isso não ocorrerá antes de 2017. Para voltar a operar, a empresa depende de novas licenças ambientais para a deposição de rejeitos em Mariana. MRN PREMIADA A Mineração Rio do Norte (MRN) recebeu, em julho, o selo de ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, que estimula a elaboração e publicação de inventários de emissões de gases do efeito estufa (GEE). A premiação atesta a precisão e qualidade do inventário de GEE da mineradora, relativo a 2015, com verificação de auditoria externa feita pela BSI. Segundo a empresa, as emissões de Dióxido de Carbono Equivalente (CO²e) foram reduzidas em 5,5% em 2015 na comparação com o ano anterior, devido à queda no consumo de óleo BPF. Criado nos Estados Unidos em 1998, o GHG Protocol é parâmetro para inventários de GEE. O selo de ouro insere a MRN no Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ainda em julho, a companhia ficou em 4º lugar no ranking Melhores & Maiores 2015 da revista Exame, posicionando a MRN como uma das melhores empresas brasileiras do setor. TGM Divulgação / Mineração Jundu MINERAÇÃO JUNDU NO NORDESTE A Mineração Jundu inaugurou no fim de julho a primeira planta do Nordeste, no município de Estância, em Sergipe. A empresa prevê produção de 55 mil toneladas anuais de areia industrial, matéria-prima direcionada para a Indústria Vidreira do Nordeste (IVN/Verallia). A empresa tinha as atividades concentradas no Sul e Sudeste, com unidades em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Mineração Jundu atua no segmento de mineração de minerais não metálicos, produzindo e comercializando areias-base, areias resinadas, sílica moída, calcário calcítico e dolomita. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 9

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ENTREVISTA Raphael Azeredo Divulgação / MRE COP-22: O passo inicial para implementação do Acordo de Paris Um dos representantes do Brasil na Conferênciadas Partes 22, Raphael Azeredo ressalta o papel do Brasil nas discussões sobre mudanças climáticas e operacionalização do documento firmado na COP-21 Thobias Almeida 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016

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Entre 7 e 18 de novembro de 2016, a cidade marroquina de Marrakesh sediará a 22ª Conferência das Partes (COP-22), órgão máximo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O encontro ocorre após a COP-21, realizada em dezembro de 2015 em Paris, onde 195 países assinaram um acordo considerado histórico por muitos, entre analistas, representantes governamentais e atores da sociedade civil. Segundo José Raphael Lopes Mendes de Azeredo, diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais (DME) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a conferência de Marrocos será a da “implementação”. Metas ousadas foram firmadas em Paris e a COP-22 será o momento de articular como as medidas necessárias para reduzir o aquecimento global serão executadas. Desafios existem, como o fato de, até o momento, apenas 19 países, que representam 1% das emissões globias, terem ratificado internamente o acordo firmado na capital francesa. É necessária, no mínimo, a ratificação de 55 países, representando 55% das emissões globais de gases do efeito estufa, para que as metas acordadas se tornem válidas. “Temos tempo para promover a entrada em vigor do Acordo de Paris. Tecnicamente, ele precisa entrar em vigor em qualquer momento até 2020. Ainda assim, os governos estão mobilizados em proceder o mais rápido possível com seus procedimentos domésticos para a ratificação”, avalia o ministro, um dos representantes brasileiros na Conferência de . No Brasil, o texto sobre a matéria foi aprovado na Câmara em julho e se encontra no Senado para apreciação. Na entrevista, Raphael Azeredo ressalta a importância do papel do Brasil na articulação do Acordo de Paris, mostra-se otimista com o rumo das negociações multilaterais visando à redução do aquecimento global e garante que as metas brasileiras no que se refere a, por exemplo, a redução de desmatamento, limpeza da matriz energética e reflorestamento serão mantidas, podendo inclusive ser ampliadas. Ele acrescenta que as mudanças no cenário político não interferem nos propósitos firmados pelo país. “O Brasil assumiu um compromisso firme, através de sua Contribuição Nacionalmente Determinada, e confirmou isto em Paris, em dezembro do ano passado. Trata-se de uma política de Estado”, explica. Quem é: José Raphael Lopes Mendes de Azeredo é diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais (DME) do Ministério das Relações Exteriores desde janeiro de 2014. Como diplomata, serviu nas Embaixadas do Brasil em Washington (19972000), Buenos Aires (2000-2003 e 2008-2011) e na Missão Junto às Nações Unidas em Nova York (2012-2014). É formado em Ciência Sociais pela Universidade de Brasília. Mineração & Sustentabilidade O Acordo de Paris, firmado na 21ª Conferência das Partes (COP-21), foi considerado histórico. Na COP-22, pode-se projetar que estratégias para operacionalizar o Acordo sejam construídas e aceitas? Raphael Azeredo A COP-22 (Marrakesh, novembro de 2016) será uma “COP de implementação”. Já iniciamos a discussão sobre os aspectos técnicos para a operacionalização e regulação do Acordo de Paris e devemos avançar nesse sentido. Contudo, é um trabalho extenso e complexo. Para seguir com cautela e determinação, temos que ter a consciência de que isso provavelmente não será finalizado em Marrakesh. Ao mesmo tempo, confiamos que os países seguirão encontrando caminhos de entendimento e consenso, como foi o resultado da COP-21. Politicamente, a COP-22 deverá enviar uma mensagem para a comunidade internacional sobre o engajamento dos países com a entrada em vigor do Acordo e com a ambição no período pré-2020. M&S O Brasil foi considerado um ator importante para a consolidação do documento construído em Paris, tanto como mediador como propositor. Qual postura o país adotará no encontro de Marrakesh? RA Várias propostas brasileiras contribuíram para o consenso entre os países. A proposta brasileira de “diferenciação concêntrica” está refletida no Artigo 4 do Acordo, determinando que as Partes deverão aumentar gradualmente seus esforços. Países desenvolvidos deverão continuar a tomar a dianteira e não poderão reverter compromissos já assumidos; e países em desenvolvimento devem ser incentivados a fortalecer suas ações ao longo do tempo, com o apoio financeiro, tecnológico e científico dos países desenvolvidos. Também fruto de iniciativa brasileira, em coordenação com a União Europeia, os dispositivos sobre mercados de carbono serão importante instrumento do Acordo de Paris. Continuaremos atuando para que seu desenho reflita a integridade ambiental necessária e promova ações efetivas de combate à mudança do clima. M&S O Brasil prepara um realinhamento no que diz respeito aos esforços para mitigar os efeitos da mudança climática no planeta? RA O Brasil está comprometido com a proteção do sistema climático global. Não se trata de realinhamento, mas sim uma intensificação de esforços, uma vez que o Brasil já é reconhecido por apresentar resultados efetivos de redução de emissões, maiores do que de muitos países desenvolvidos. Entre Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 11

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esses resultados, está a redução do desmatamento na Amazônia, que chegará a 80% abaixo dos níveis de 2005. Além disso, em 2012, nossas emissões foram 41% menores do que 2005. Quanto às negociações, o governo brasileiro seguirá atuando no plano multilateral para fortalecer o regime internacional de mudança do clima, base do esforço global de combate à mudança do clima. A liderança brasileira nas negociações sobre mudança do clima é fruto de posições equilibradas que reúnem conhecimento técnico e sensibilidade política. A enorme capacidade de diálogo do Brasil com o Grupo dos 77, com o BASIC e com os países desenvolvidos lhe confere papel fundamental na articulação de consensos nas negociações, característica que é reforçada pelas credenciais brasileiras no combate à mudança do clima mediante ações domésticas ambiciosas. M&S Como as recentes mudanças no cenário político nacional se refletiram nos preparativos para a participação brasileira no encontro de Marrakesh? RA Não há alteração na determinação do Brasil em cumprir suas metas assumidas internacionalmente. O Brasil assu- miu um compromisso firme, através de sua Contribuição Nacionalmente Determinada, e confirmou isto em Paris, em dezembro do ano passado. Trata-se de uma política de Estado. A implementação das metas brasileiras será conduzida pelos ministérios setoriais – MMA para as metas de redução de desmatamento e reflorestamento; MME para o setor energético; MAPA para agricultura etc –, mas o Itamaraty seguirá desempenhando um papel de coordenação desse esforço, por tratar-se de um compromisso multilateral, assumido internacionalmente. Esse papel de coordenação também se reflete nos preparativos para a COP-22. Como nos anos anteriores, o Itamaraty continuará promovendo a interlocução com o Congresso Nacional, os entes federados, o setor produtivo, a sociedade civil e outros órgãos do governo. M&S Em dezembro de 2015, a ministra do Meio Ambiente do Marrocos, Hakima El Haite, declarou que a COP22 se prestará a apoiar os países em vulnerabilidade. Como avaliar essa declaração? O senhor concorda com essa proposição? RA Por ser uma COP no continente africano, será uma boa oportunidade para a promoção do apoio aos países mais vulneráveis e afetados pela mudança do clima. A posição brasileira tem sempre enfatizado a necessidade de uma abordagem equilibrada entre mitigação (reduzir emissões de gases de efeito estufa) e adaptação (lidar com os impactos da mudança do clima) nas mais diversas discussões da Convenção de Clima da ONU. Fomos um dos muitos países a incluir um componente de adaptação na pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada, na preparação para a COP de Paris. M&S Em 12 de julho, a Câmara dos Deputados ratificou a adesão do Brasil ao Acordo de Paris. O texto foi encaminhado para o Senado. É possível que a participação brasileira seja sancionada pela presidência da República antes da COP-22? RA Sim, existe essa possibilidade. Após a aprovação da Câmara dos Deputados, o texto do Acordo seguiu para a apreciação do Senado Federal, conforme o trâmite previsto. O governo brasileiro está engajado em promover a célere aprovação pelo Congresso Nacional. Temos recebido sinais muito positivos do 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016

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Entrevista com Raphael Azeredo Legislativo. É provável que possamos realizar o depósito do instrumento de ratificação ainda este ano. Temos todo o interesse em ratificar o mais rápido possível. Queremos demonstrar nosso compromisso com a entrada em vigor do Acordo de Paris e também assegurar a plena participação do Brasil em seu processo decisório. M&S O Brasil tem como compromisso, até 2025, cortar as emissões de carbono em 37% e, até 2030, reduzir em 43% as emissões de GEE, tendo como base o ano de 2005. Além disso, plantar 12 milhões de hectares de florestas e ampliar o combate ao desmatamento. Há possibilidade de revisão dessas metas? RA Somos o país que mais tem reduzido suas emissões no plano global desde 2005. Essa ambição continuará e poderá até ser aumentada, se estiver em sintonia com o imperativo de desenvolvimento sustentável do país. A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira parte dos resultados positivos já alcançados pelo Brasil na redução de gases de efeito estufa e estabelece compromissos ainda mais ambiciosos. A contribuição Divulgação Marrakesh, no Marrocos, será a sede da COP-22, em novembro brasileira inclui, além de compromissos de mitigação, ações de adaptação, oportunidades de cooperação internacional e referências a meios de implementação. Ressalte-se que somos um dos únicos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões, tão ou mais ambiciosa que as metas de países desenvolvidos. Para subsidiar a elaboração da NDC, o Ministério das Relações Exteriores conduziu amplo processo de consultas à sociedade civil, ao setor privado e à academia. A ambição dessa contribuição fortaleceu a posição negociadora do Brasil em Paris e posiciona o país na vanguarda dos esforços de combate à mudança do clima. M&S Poderia citar exemplos de ações práticas que terão de ser adotadas pelo país, tanto na esfera governamental quanto na iniciativa privada, para que os objetivos firmados em Paris sejam alcançados? RA A informação adicional sobre a pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil apresenta alguns desses exemplos de ações práticas. Na matriz energética, o Brasil pretende assegurar 45% de fontes renováveis, incluindo as hidrelétricas, enquanto a média global é de apenas 13%. No setor de uso da terra, a previsão é restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de vegetação em território nacional, além de acabar com o desmatamento ilegal. M&S Na avaliação do senhor, por que, depois de vários fracassos, o Acordo de Paris foi alcançado? RA Não considero que tenham sido vários fracassos. É preciso considerar a dinâmica complexa do multilateralismo. Se em Copenhague, na COP-15, não se logrou consenso, também não deixamos de avançar em importantes aspectos, como a sinalização de compromissos voluntários para 2020 por diversos países. A cada COP caminhamos para a construção de entendimentos tanto técnicos como políticos. É um processo gradativo próprio do multilateralismo ambiental. M&S Até agora, 19 países ratificaram o Acordo de Paris, representando menos de 1% das emissões globais. É necessária a ratificação de 55 países, representando 55% das emissões globais, para que os termos firmados na COP-21 entrem em vigor. Olhando por esse ângulo, a concretização do avanço não parece muito distante? RA O avanço já é concreto e presente. O Acordo de Paris foi adotado por consenso pela COP-21. Em 22 de abril, durante uma cerimônia especial para promover sua assinatura, 175 Partes assinaram o Acordo, demonstrando seu inequívoco compromisso. Temos tempo para promover a entrada em vigor do Acordo de Paris. Tecnicamente, ele precisa entrar em vigor em qualquer momento até 2020. Ainda assim, os governos estão mobilizados em proceder o mais rápido possível com seus procedimentos domésticos para a ratificação. M&S Quais as principais medidas a serem adotadas nos âmbitos corporativo e de políticas públicas para fortalecer a indústria do alumínio? RA O Brasil sofre por não ter uma política industrial para a indústria de base. A Abal está levando ao governo uma proposta de política industrial para o setor do alumínio. A proposta abrange oito áreas sensíveis à competitividade da nossa indústria: política comercial, política energética voltada ao desenvolvimento industrial, política de apoio à reciclagem, medidas para reduzir o custo do investimento, incentivo ao desenvolvimento tecnológico, formação de capital humano e redução de custos trabalhistas, política mineral, política de compras do Estado, além de questões estruturais e regulatórias que afetam toda a indústria. Se adotadas, as medidas vão resgatar a competitividade do setor e assegurar o avanço balanceado de toda a cadeia produtiva, recuperando a produção primária e mantendo o que foi investido na etapa de transformação. Com a recuperação da rentabilidade dos negócios vêm os investimentos e o aumento da produtividade. Assim a indústria vai poder manter os empregos e promover a geração de postos de trabalho e de riquezas para o Brasil. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 13

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MERCADO Parceria Fechada Divulgação / Embraer Alcoa fecha contrato milionário com Embraer Negócio de US$ 470 milhões prevê fornecimento de peças e chapas de alumínio para a fabricante brasileira de aeronaves Sara Lira Duas gigantes firmaram uma parceria de peso que promete movimentar o mercado do alumínio. A Alcoa assinou um contrato de longo prazo com a Embraer, no valor de U$ 470 milhões, para fornecimento de material aeronáutico a ser usado nos novos modelos fabricados pela empresa. O contrato é plurianual, mas as companhias não divulgaram quando ele termina. O acordo prevê que a Alcoa seja o único fornecedor da Embraer para as peças de alumínio que compõem a estrutura 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 das asas do avião, chamadas de wing skins, além de chapas para fuselagem da linha de jatos E-Jet E2, segunda geração da família de E-Jets de aeronaves comerciais. São modelos de jatos com fuselagem estreita de médio alcance. A previsão é que os aviões entrem em operação em 2018. Também serão fornecidas placas usadas nos reforços das asas, quadros da fuselagem e outras partes estruturais da aeronave. Estes materiais serão usados também nas aeronaves de trans- porte militar da Embraer KC-390 e nos jatos executivos. Segundo a Alcoa, o segmento para o qual o programa do E2 foi elaborado é projetado para fabricar 6.350 aviões nos próximos 20 anos. O material será fornecido para a Embraer a partir das plantas em Davenport, Iowa e Kitts Green, nos Estados Unidos, e de unidades do Reino Unido. NOVA EMPRESA Este não é a primeira vez que a Alcoa fecha acordos para fornecimento de

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Contrato entre Alcoa e Embraer prevê o fornecimento de chapas para o modelo E2 material aeroespacial. De acordo com a empresa, “a maior parte das ligas de alumínio aeroespaciais dos aviões que estão em serviço e cada grande programa de novas aeronaves incorporam os produtos” feitos pela companhia. Alguns dos exemplos são o novo Boeing 787, primeiro que empregou placas de alumínio-lítio desenvolvidas pela Alcoa para a aviação comercial, além de fixadores nos 787 e também nos Airbus A380. Há uma expectativa de que a Alcoa transfira os projetos de aviação para a Arconic, a nova empresa de Valor Agregado da companhia, que será lançada neste semestre. A fabricante pretende fornecer plataformas de motores de aeronaves e jatos, estruturas aeroespaciais, motores a jato e aerofólios de turbinas a gás industriais, e de fixadores aeroespaciais. VANTAGENS O mercado aeronáutico aposta no alumínio há tempos. Conhecido por ser um metal leve, o uso do material acarreta em uma série de benefícios como redução do consumo do combustível, aumento da capacidade de carga ou de transporte humano, e maior resistência. “O principal foco na aeronáutica é você reduzir a massa das aeronaves mantendo o mesmo conjunto de propriedades mecânicas e elétricas. Com isso ela teria performances melhores. Os motores são os mesmos, mas uma vez que eu consigo reduzir a densidade (índice de massa) da aeronave, vou poder ter mais passageiros, ou mais cargas, melhorando a eficiência das aeronaves”, explica o químico, doutor em engenharia de materiais e coordenador do curso de Engenharia Química da Universidade Fumec, em Belo Horizonte, Kássio André Lacerda. O especialista acrescenta que a indústria aeronáutica usa o alumínio para diversas partes dos produtos, principalmente fuselagem, trem de pouso, asas e motor. Lacerda também destaca que o metal possibilita a formação de ligas com outros materiais que influenciam na resistência e outras características. Além do alumínio, é comum o uso de aço, ligas de titânio, superligas a base de níquel, dentre outros. UM BOEING 737 TEM... 81% de alumínio 3% de Titânio 6% de aço 3% de materiais compostos avançados 7% de outros materiais 81% 3% 6% 3% 7% Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2016 15

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