O Campo - 16ª edição

 

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Revista O Campo - publicação do departamento de comunicação da Coopermota.

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Edição 16 • setembro | outubro • 2016 PIMENTA CULTIVADA EM LARGA ESCALA Integração lavoura pecuária em Paraguaçu Paulista com resultados Eventos culturais dão ênfase ao cooperativismo o camposetembro | outubro 2016 1

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Diversificação de culturas Cultivar grandes extensões de terra com apenas uma cultura, mantendo a sua opção de cultivo na sequência das safras por vários anos pode apresentar bons resultados a curto prazo diante de possíveis condições atrativas de mercado frente a determinado grão ou qualquer que seja a cultura extensionista optada. Para a garantia da competitividade e garantia da biodiversidade do solo e do ambiente, no entanto, a diversificação agrícola se mostra extremamente indicada para o produtor consciente da importância de uma atuação sustentável tanto ao ambiente quanto aos critérios econômicos. Nesta edição da O Campo, abordamos o sucesso de diferentes culturas praticadas em áreas de atuação da Coopermota, seja com o cultivo de pimenta, ou com recursos de tecnologia alternativa como é o caso da bomba movida a energia solar. Tais resultados foram obtidos em atuações realizadas em áreas de maior porte, como é o caso da pimenta cultivada em cerca de 20 alqueires, ou em pequenas propriedades como foi verificado no sitio de Maracaí, em que a bomba será utilizada para a manutenção do alambique que será construído pela família. Esta edição confere uma atenção especial à diversificação de culturas, trazendo ainda a implantação do sistema de integração lavoura e pecuária em propriedade de Paraguaçu Paulista. A sucessão de culturas entre a soja, o feno ou a braquiária, o boi e novamente a soja vem sendo considerada atrativa pelo produtor rural responsável pela área. A diversificação continua abordada nesta edição com informações sobre variedades de mandioca cultivadas em ensaio realizados pelo IAC em diferentes municípios e com bons resultados para a região. No setor destinado a reportagens do setor cultural, a revista O Campo traz algumas ações que compõem o Circuito Sescoop de Cultura, com o teatro que teve sucesso de público, em Presidente Prudente, oficinas sobre o cooperativismo junto a estudantes do ensino fundamental, em Assis, e a abordagem ao tema ambiental a partir do teatro encenados a crianças atendidas pelo Centro Vocacional Frei Paulino, em Cândido Mota. A formatura de educadoras no curso sobre o cooperativismo em Iepê encerra o espaço dedicado a este tema. Boa leitura! Vanessa Zandonade Expediente COLABORAÇÃO Bruna Reis MTb 55404/SP setembro | outubro 2016 o cammppo 3

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olhar Cooperativo Sumário Inicia-se mais uma safra verão 05 Picância na mesa e rendimentos nos negócios Entre os meses de setembro e novembro, os produtores da região de abrangência de atuação da Coopermota realizam o plantio de mais uma safra verão, com prioridade para a cultura da soja em detrimento ao milho na maior parte da área a ser cultivada. Tendo em vista o período importante para a obtenção de bons resultados, a Coopermota vem buscando auxiliar o produtor a ampliar a sua produtividade oferecendo assistência técnica eficiente, bons insumos e equipamentos adequados para o seu trabalho diário. Sabemos que a safra inverno de 2016 foi concluída com o registro de intempéries climáticas como a seca, no início de plantio, e a geada, na conclusão do ciclo do milho, porém as consequências desta situação trouxeram reflexos variados entre uma região e outra. Para as culturas que serão plantadas a partir dos próximos meses, a expectativa, mais uma vez, é de bons resultados. Trabalhamos sempre para buscarmos a maior eficiência possível de nossas atividades, em parceria com o produtor rural. Neste final de agosto, passamos por um momento importante na política do país, com a votação definitiva dos senadores sobre o Impeachment da, então presidente, Dilma Roussef, o que a destituiu do cargo de maneira conclusiva neste processo que se estendeu por nove meses. Aguardamos agora as definições da condução política que o presidente Michel Temer determinará em seu governo, vislumbrando que as suas decisões auxiliem os agricultores em seu trabalho diário. Boa safra!! Edson Valmir Fadel Presidente da Coopermota 08 11 14 17 22 26 29 Mandioca para indústria Produtividade na soja Energia solar para gastar menos Geada e pecuária: efeitos ainda em vigor Lançamento ADAMA Soja, feno ou braquiária e gado Literatura e ação social nos palcos 32 Kusodama e cooperação 37 Teatro, escola e meio ambiente 4 o cammppo setembro | outubro 2016

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Cultivo de pimenta Picância na mesa e rendimentos nos negócios Resolvi que além de ter a pimenta no prato, já que gosto bastante de acrescentar o molho de pimenta na comida, também a cultivaria no solo de minha propriedade”, diz agricultor “Jalapeño”. A origem dela é mexicana, mas essa pimenta vem trazendo bons resultados no que se refere à fonte de renda ao agricultor, nas proximidades da região de Presidente Prudente. O produtor Antônio Telles possui propriedade em Presidente Bernardes, próximo a Pirapozinho, e vem ampliando a sua atuação neste setor de forma gradativa, de acordo com os resultados que vem obtendo. Produtor já tradicional de cana e soja, encontrou nesta cultura uma importante alternativa de renda, há pelo menos três anos. Jalapeño é uma variedade híbrida de pimenta, originária da cidade mexicana que lhe dá nome, Jalapa. É considerada mediana, no ponto de vista de sua picância, tolerável para a produção de molho e derivados, porém apresenta frutos bastante grandes e com muita polpa. A produção é cultivada de forma escalonada, de dezembro a maio, quando a temperatura está mais elevada, oferecendo panhas a partir de 90 dias. Normalmente são realizadas três colheitas em cada planta. Contudo, Telles destaca que o clima é o maior entrave que ocorre no desenvolvimento desta cultura. As chuvas e, neste ano especificamente, a geada, alteraram de alguma forma a produtividade da plantação. Embora a geada não tenha sido de grande intensidade na região, as baixas temperaturas afetam a produtividade das plantas. Aliado a isso, as chuvas registradas neste ano contribuem para a disseminação da Antracnose nos frutos. Em casos de muita chuva, esta doença pode ocasionar a perda de até 100% da produção. O produtor cultiva 20 alqueires de pimenta, totalmente irrigados pelo método de aspersão, impulsionado com carretel autopropelido. “Eu sempre tive um sonho de ter alguma cultura alternativa. Já cultivava o tomate antes de começar com a pimenta. Há 12 anos, trabalhei em uma empresa em que eu atuava na produção da pimenta e então, quando parei com o tomate, resolvi que ia cultivar esta planta. Resolvi que além de ter a pimenta no prato, já que gosto bastante de acrescentar o molho de pimenta na comida, também a cultivaria no solo de minha propriedade”, diz Teles. Pimentas Jalapeño Capa setembro | outubro 2016 o cammppo 5

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As plantas de pimenta possuem estatura baixa, cerca de 30 centímetros. Cada planta pode produzir aproximadamente 30 frutos, dependendo do manejo que recebe, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa). Na propriedade de Antônio Telles, o principal volume de mão-de-obra é contratado de forma temporária para os picos de produção, chegando a ter cerca de 100 trabalhadores em atuação no local. Fatores como a grande quantidade de pessoas contratadas para colheita e plantio, além do manejo que chega a receber até 20 aplicações de defensivos, com fungicidas e inseticidas durante todo o ciclo de desenvolvimento da planta, fazem parte da planilha de investimentos necessários para o desenvolvimento da plantação de forma satisfatória. O custo estimado de produção de um alqueire de soja gira em torno de 4,5 mil reais, enquanto que a produção de um alqueire de pimenta custa cerca de 40 mil reais. Proporção que também se aplica para a rentabilidade da cultura, chegando a reverter lucros até quatro vezes maiores da lavoura de pimenta em relação ao obtido à soja. } Pré-processamento A produção de pimenta em Presidente Bernardes reúne a mão-de-obra na gestão do empreendimento de toda a família Telles. O pai Antônio Telles também conta com a ajuda dos filhos Rafael da Silva Telles, Lucian da Silva Telles e Antônio Telles Filho. Além da absorção do trabalho dos filhos na lavoura de pimenta, o agricultor também conta com a ajuda deles na sua indústria de pré-processamento, instalada no distrito de Nova Pátria. No local as pimentas são selecionadas, lavadas e trituradas para serem acondicionada em barris de 240 litros, aproximadamente, e comercializadas efetivamente. “Criei a indústria de pré-processamento para agregar mais valor à minha produção”, comenta Telles. As máquinas processam mil caixas de 8 quilos de pimenta por dia, produção total da lavoura. Nos barris, elas são guardadas em uma solução de sal e ácido, onde podem permanecer por até um ano em bom estado de conservação. Em cinco minutos são trituradas pimentas suficientes para encher um barril. De acordo com o produtor, além do pré-processamento que atualmente realiza, os seus planos são de ampliar a indústria que possui e chegar a concluir o processamento dos molhos de pimenta, aumentando ainda mais o valor agregado de sua produção. Para se adequar às demandas de sabor do molho conforme diferentes mercados consumidores, Telles vem fazendo testes de mistura da pimenta Jalapeño com a Habaneira, na proporção de 10% desta nova variedade, que possui característica com maior picância, porém sua estrutura é menor. 6 o cammppo setembro | outubro 2016 Pimentas passando pelo primeiro processamento: seleção, lavagem e trituração.

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} As pimentas no brasil Dados da Embrapa listam que a pimenta teve um papel secundário no mercado do setor de hortaliças, mas este cenário vem sendo alterado há mais de uma década, impulsionado por mudanças de hábitos alimentares do brasileiro e a absorção de novos produtos processados a partir da pimenta como conservas, geleias e outros derivados. A divulgação midiática de suas propriedades termogênicas medicinais também ajuda na sua aceitação popular. Tal característica acelera o metabolismo do corpo humano e consequentemente o consumo de energias durante o processo de digestão, auxiliando no emagrecimento. A produção de pimentas vermelhas se estende por todo o território nacional, tendo os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás como os principais centros produtores. Contudo, são diversas variedades cultivadas com maior abrangência conforme a região. As mais conhecidas, no entanto, são a Jalapeño e Cayenne, cultivadas justamente nestes três estados com maior volume de produção no país. “Aqui na região falta a Jalapeño no mercado e por isso a nossa produção é 100% absorvida por uma empresa de Presidente Prudente. 100% da produção é absorvida. setembro | outubro 2016 o cammppo 7

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Região de Assis Mandioca para indústria Mais variedades indicadas para a região Q uais as variedades que apresentam menor variação de produtividade e produção frente ao genótipo do material, relacionado ao ambiente em que foram cultivadas? Pesquisas da Agência Paulista de Tecnologia do Médio Paranapanema (Apta), vinculada ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC), ainda com resultados preliminares, avaliam diversas variedades de mandioca destinada à indústria e já indicam duas variedades ainda não utilizadas na região, mas que apresentam bom comportamento nos ensaios realizados, principalmente em solos mais arenosos. As variedades Nega Maluca e Iapar União, testadas em Echaporã, responderam bem aos manejos e às condições do solo disponíveis. O pesquisador da Apta/IAC, Sérgio Doná explica que as duas variedades substituíram outros dois materiais que não vinham respondendo bem à realidade climática e à especificidade de solo regional. “Es- tas duas cultivares já são cultivadas em outras regiões e estando sendo introduzidas aqui em pesquisas realizadas pela Apta, com bons resultados preliminares”, comenta. As variedades Nega Maluca e Iapar União que vêm sendo testadas em Echaporã são de ensaios recentes, cultivados em 2011 e 2013, e ainda estão em fase de conclusão de análises. Além destas duas, o acompanhamento de regularidade inclui outras variedades comerciais, em um total de 10 cultivares. Outros dois ensaios foram cultivados também em solos mais férteis, com cultivos datados de 2011 e 2013. Doná explica que nos solos arenosos, as variedades IAC 14, IAC 90, Clone 9/90 e a Baianinha tiveram boa resposta à produção de raiz e matéria seca. Já a Cascuda, não se portou com bons índices nestes ambientes. Por sua vez, nos solos argilosos, cultivos dos ensaios instalados em Cândido Mota e Palmital, a IAC 90 8 o cammppo setembro | outubro 2016

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e a própria Cascuda apresentou boa produção por estar em solo de melhor fertilidade, produzindo satisfatoriamente tanto no que se refere à raiz como à renda. Neste mesmo ambiente, a IAC 14, vem apresentando um patamar intermediário de produção. “Em solo mais fértil, a IAC 14 tem um crescimento muito vigoroso de folhas e este excesso de vigor prejudica a raiz”, explica. Ele destaca que a mandioca é altamente influenciada pelo ambiente, com interação entre o genótipo dos materiais e as condições de clima e solo disponível para o seu desenvolvimento. Diante dos dados já coletados nestes ensaios preliminares, o pesquisador enfatiza a importância da pesquisa para trazer novas variedades para a região, considerando a regularidade dos cultivares, conforme identificado nas análises. Tendo em vista a alta interação da mandioca frente à realidade do local em que está cultivada, ele reforça que o ideal para o produtor é que ele opte por plantar pelo menos duas variedades para reduzir os riscos, tendo a compensação de uma pela outra em caso de redução de produtividade. Nos ensaios de Assis, região de solo arenoso, a colheita foi realizada em 2016. No entanto, nesta área foram registrados problemas com chuva, que comprometeram os materiais ocasionando o apodrecimento da raiz de algumas plantas. Mesmo assim, o pesquisador afirma que a Nega Maluca e a Iapar União se destacaram no quesito de teor de matéria seca, alcançando 40,4% de índice neste item. Nesta mesma avaliação, a IAC 90 apresentou o percentual de 37,4% de teor de matéria seca. Já no quesito produtividade, nos solos arenosos, a média foi de 21,75 toneladas por hectare, enquanto que nos argilosos, a produção por hectare foi de 30,2 toneladas. } Abrangência da mandioca na região Entre 1996 e 2014, período analisado em pesquisa desenvolvida pelos engenheiros agrônomos do IAC, Sergio Doná, do Pólo da Apta/IAC do Médio Paranapanema, e Teresa Losada Valle, do IAC – Campinas/SP, a abrangência da mandioca na região apresentou um avanço considerável, principalmente nas regiões de solos arenosos devido a adoção do cultivar IAC 14. O comparativo realizado por estes dois pesquisadores entre os dois anos citados mostra uma ampliação na área plantada com mandioca de 4.160 hectares em 1996, frente aos 12.384 hectares registrados em 2014. O aumento geral chegou a ser de 198%. No entanto, se este comparativo considera apenas as áreas de solo arenoso, o crescimento passa de 300%. Esta evolução na extensão de cultivo da mandioca nos solos arenosos, principalmente com o IAC 14, se deve ao fato de ter havido um bom desenvolvimento do cultivar nestes ambientes com menor fertilidade. Ele possui característica de alta rusticidade e estabilidade de produção, suportando condições de intempéries climáticas. setembro | outubro 2016 o cammppo 9

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Conforme dados do IEA/CATI - SAA (2014), pelo menos 71% da área ocupada com esta cultura na região estão localizadas em cidades que possuem o solo com característica arenosa, como Echaporã e Campos Novos Paulista. “Em Campos Novos temos áreas grandes cultivadas com mandioca. Na maioria dos casos estes produtores fornecem a produção para as fecularias da região”, diz o pesquisador Sérgio Doná. A instalação de fecularias com maiores estruturas de processamento e a mecanização da cultura influenciaram nesta mudança agrícola na região. Além disso, o melhoramento do manejo de controle de pragas e plantas daninhas também impulsionou a maior abrangência da mandioca de forma regional no Médio Paranapanema, entre outros. 10 o cammppo setembro | outubro 2016

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PRODUTIVIDADE DA SOJA Colher mais sem mexer no custo de produção E studos nacionais revelam que uma parcela de apenas 12% das lavouras de soja cultivadas no país tem apresentado uma produtividade média de 70 sacos ou mais por hectare. Outros 13% obtém entre 60 e 70 sacos nesta mesma medida de área. Uma parcela de 20% vem obtendo uma produtividade de 50 sacos e metade está abaixo desta média. Na avaliação do professor da Universidade Federal de Pelotas, Paulo Dejalma Zimmer, com o custo de produção elevado e a relação desta commodity com o câmbio, a situação de estagnação na produtividade da soja é perigosa. Segundo ele, os produtores do país incorporaram muitas tecnologias para a sua cultura, com uso de GPS, agricultura de precisão e outros, com sementes muito superiores em relação aos patamares anteriores, mas o uso destas tecnologias não está funcionando em sintonia com a produtividade, já que são adotadas as mesmas práticas para todas variedades. Ele enfatiza que o produtor precisa adotar boas práticas com as sementes desta oleaginosa e o seu manejo para obter melhores resultados de produtividade. Segundo Zimmer, é possível colher mais sem mexer no custo de produção da cultura. Afirma que o agricultor precisa se conscientizar que é possível colher 100 sacos sem mexer no custo de produção e para isso precisa analisar individualmente a planta na lavoura. Isso dependeria muito mais de gestão do que de investimentos. O alcance de melhores resultados de produtividade seria obtido a partir do uso de insumos adequados. “Toda semente tem uma função, a de virar uma planta de alto desempenho. A gente percebe que atualmente as lavouras em que se colhe próximo a 40 sacos por hectare, normalmente é possível achar espaços de 30 a 40 centímetros vazios, sem planta”, cita. Este assunto foi tema de palestra realizada no Centro de Eventos da Coopermota, realizado pela empresa Lagoa Bonita, em parceria com a coope- setembro | outubro 2016 o cammppo 11

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rativa. Na ocasião, o professor chamou a atenção dos consultores e cooperados sobre a necessidade de buscar uma melhor produtividade para alcançar índices satisfatórios de produção na soja. “O segredo é ocupar o espaço de maneira uniforme. É preciso precisão pois o adubo que falta aqui (espaço com muitas plantas) sobra aqui (espaço sem plantas)”, alerta. Zimmer comenta que a agricultura é composta pela junção de luz, água e ar, componentes que são responsáveis por formar 95% do peso do grão de soja. O restante é formado pelos adubos e minerais. Diante disso, afirma que os produtores precisam posicionar bem as plantas para obter o melhor resultado disso. Entre os requisitos citados por Zimmer para que a semente ofereça melhores respostas na produção está o vigor, incluída na qualidade fisiológica da semente e que se relaciona diretamente com a germinação da planta. Conforme afirma, sementes com baixo vigor resulta em estandes com plantas desuniformes, mal distribuídas e, com isso, com desenvolvimento abaixo do esperado. O professor comenta que a política do ministério da agricultura é de exigir um índice de 80% de germinação às sementeiras do país, tendo o teste de validade em vigência pelo período de seis meses. Contudo, destaca que no país, há regiões muito boas para se produzir uma semente e outras onde há dificuldades. “A análise do vigor da semente deve ser feita o mais próximo possível do momento de seu uso. Eu posso ter uma semente muito boa entre abril e maio e o mesmo material com vigor reduzido em setembro. A capacidade fisiológica da semente se altera com o tempo”, compara. 12 o cammppo setembro | outubro 2016 Produtores e técnicos da Coopermota assitem a palestra.

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} Erros Além do vigor, Zimmer enfatiza que as reduções de produtividade verificadas no país também se devem a erros no momento do plantio. Comenta que uma semente com alto potencial genético, com uma estimativa de 150 sacos, por exemplo, começa a perder esta capacidade já no momento do plantio por erros como velocidade do equipamento utilizado, irregularidades ocasionadas por problemas em regulagens e outros. Esta mesma variedade que chegou ao talhão com um potencial de 150 sacos perde pelo menos 50 sacos de potencialidade já no plantio. No quesito “velocidade de plantio”, Zimmer salienta que se o trator estiver a 3,6 km/h, por exemplo, será disponibilizado o limite de apenas um segundo para que a plantadeira abra o sulco de plantio, distribua a semente e o feche novamente, estando já pronta para o próximo metro. No entanto, ele diz que não existe uma regra para esta medida, necessitando de avaliações individuais para que se obtenha sucesso na “arte de distribuir sementes de alto potencial na linha e na profundidade de forma correta”. Representantes da Coopermota e Logoa Bonita na palestra do prof. Paulo Zimmer. setembro | outubro 2016 o cammppo 13

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Bomba e placa fotovoltaica Energia solar para gastar menos Com a bomba movida a energia solar o produtor consegue reduzir custos com a energia usada para bombear água ao alambique que está construindo; na avaliação dos familiares, a energia solar permitiu o retorno de lembranças e realizações. N a tribo indígena do povo Munduruku, localizada no estado do Pará, os recursos de utilização de placas fotovoltaicas para a geração de energia a partir da luz solar ofereciam alternativas ao uso da energia elétrica. “A maioria deles ficou surpresa, porque eles nunca tinham visto uma placa fotovoltaica. Para eles foi uma coisa nova. A placa de fato vai ter um efeito muito positivo para eles. O freezer deles também vai ficar ligado diariamente, antes só ficava ligado quatro horas por dia”, dizia a reporta- gem da EBC que retratou a instalação dessas placas. A abordagem à iniciativa reforçava a argumentação da tribo, então contrária à construção da usina Tapajós prevista para as proximidades de sua aldeia, conforme havia sido anunciado pelo governo. Essa realidade foi acompanhada atentamente pelo produtor rural de Maracaí, Vanderlei Simeão. Quando o produtor assistiu a essa história na televisão ficou empolgado com a possibilidade de ter pouco gasto com a energia que seria necessária para 14 o cammppo setembro | outubro 2016

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suprir toda a demanda de água destinada ao funcionamento do alambique que pretendia instalar na sua propriedade. Passou a fazer diversas pesquisas na internet sobre a energia solar, porém, foi na Coopershow que teve contato direto com uma bomba que possuía essa característica. Ele acompanhou a simulação de uso do equipamento realizada durante o evento. Imediatamente soube que deveria comprar a bomba e as placas fotovoltaicas para o seu negócio. Simeão logo percebeu que a aquisição deste equipamento serviria para realizar o seu próprio sonho, que era ter um alambique, como também o de seu pai, que sempre quis ter um açude na propriedade para o seu lazer. A partir de então se deslocou até Belo Horizonte para fazer cursos sobre a produção de cachaça em alambiques, visitou alguns locais mineiros onde ela é produzida e buscou se qualificar para esta iniciativa Foi então dado início à construção do açude e do alambique no Sítio São Pedro, localizado no bairro São Mateus, em Maracaí. No local há um poço artesiano, utilizado para o abastecimento de água da propriedade e um outro poço caipira que estava sem uso há cerca de 50 anos. “Eu já estava pensando em tampar este poço. Não usava mais. Foi então que decidi usar nele a bomba movida a energia solar”, comenta Simeão. O produtor explica que não tem dados muito precisos, porém tem a estimativa de uso de 15 mil a 20 mil litros de água para o alambique, já que a produção da cachaça exige alguns cuidados ligados à agua. Segundo seus cálculos, com uma bomba comum, gastaria entre R$ 400 a R$ 600,00 de energia por mês, fora os demais gastos que teria com a instalação e outros. A estrutura do alambique já está em fase de conclusão e a produção deve ter início em breve. Há pelo menos 60 dias já trabalha no projeto de construção do espaço. O prédio, o alambique de cobre, as dornas de inox e o sistema hidráulico estão parcialmente prontos. Restam apenas alguns detalhes. Estrutura do alambique. setembro | outubro 2016 o cammppo 15

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