Caminho de Santiago de Compsotela - História, Lendas e Turismo

 

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Descreve o Caminho de Santiago, rota francesa, em seus aspectos históricos, de lendas e atrações turísticas civis e religiosas

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CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA História, Lendas e Turismo Inácio Stoffel 2016 1

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APRESENTAÇÃO Todas as grandes religiões – judaísmo, hinduísmo, budismo, cristianismo e islamismo – têm seus lugares sagrados, para os quais os fiéis peregrinam. Judaísmo, cristianismo e islamismo convergem para Jerusalém como cidade sagrada comum. Além de Jerusalém, os cristãos católicos voltam seus passos para Roma e Santiago de Compostela como destino de peregrinação. Este livro objetiva dar ao leitor informações históricas, culturais e turísticas sobre o Caminho de Santiago de Compostela, incluindo algumas de suas lendas, para que faça melhor proveito de sua peregrinação, tornando-a mais atrativa, intensa e proveitosa. Apesar de seguir a mesma sequência de localidades que o peregrino percorre desde Saint-Jean-Pied-de-Port até Santiago de Compostela -, não há sugestão de etapas diárias, pois não se trata de um guia passo-a-passo. Sugiro que o peregrino deva ter em mente não apenas sua peregrinação e as questões interiores que a envolvem, mas, que ao caminhar em direção a Santiago de Compostela, o peregrino o faz por regiões ricas em acontecimentos históricos, cujos personagens dão pistas de sua passagem pelo mesmo palco, em outras épocas e em cenários que ainda se apresentam aos olhos dos caminhantes modernos. O leitor ficará surpreso ao saber que mesmo povoados que hoje nos parecem insignificantes tiveram seus momentos de glória no passado, seja por algum evento histórico importante, seja por razões políticas ou econômicas, seja por edificações religiosas ou laicas das quais pouco ou nada restam, que agregavam uma população significativa para a época, além de visitantes trazidos pelos mais diversos interesses. Exemplo disso é Foncebadón, tão icônico, abandonado e assustador. Quanto às lendas, estas sobrepõem-se umas às outras, contando milagres similares atribuídos a um mesmo santo ou a vários outros santos, em diferentes épocas e situações. Outras cobrem lendas mais antigas e lhes dão um verniz cristão, em especial as que se referem à Virgem Maria, em substituição às lendas de deusas ancestrais. Também há lendas que são representações fantasiosas de fatos reais, dando-lhes ares místicos ou heroicos. ¡Buen Camino! 2

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INTRODUÇÃO No ano de 813, o eremita Pelayo descobriu uma sepultura na mata de Libradón. Comunicado do fato, o bispo Teodomiro afirmou que – por inspiração divina – os restos mortais encontrados pertenciam a São Tiago Maior, apóstolo de Jesus. Porém uma análise mais crítica sobre a origem do Caminho, podem nos levar a pensar em fraude, pois, além do empenho do bispo Teodomiro, nada prova que os restos encontrados por Pelayo eram de São Tiago Maior. Numa época em que muitas relíquias, milagres e mitos foram forjados, seja para enganar, lucrar, cativar ou incentivar para uma causa, cabe a dúvida: mito ou verdade? (No ano de 326, a mãe do imperador Constantino – Helena - afirmou ter encontrado a Verdadeira Cruz de Cristo, em Jerusalém. Esta foi uma das primeiras relíquias do cristianismo, que também serviu para consolidar um mito anterior: em 312, Constantino teria tido uma visão com a cruz de Cristo e as palavras “Com este sinal vencerás!”, antes de uma batalha. Mandou, então, pintar uma cruz sobre os escudos de seus soldados e, tendo vencido, adotou o cristianismo como religião oficial do Império Romano). Se traçarmos uma linha de Roncesvalles a Santiago de Compostela, teremos a linha de defesa cristã contra a invasão islâmica. Não muitos anos após a Reconquista ter sido consolidada, o Caminho entrou em declínio. Coincidência? Além disso, com a política de repovoamento, a partir do século X, a peregrinação ao extremo oeste da Espanha, o afluxo não só de peregrinos vindos de muitos países, mas também de comerciantes, artesãos, religiosos e soldados criou populações - uma flutuante e outra fixa - suficientemente grandes para garantir os territórios conquistados aos mouros. Uma viagem ao passado nos ajudará a compreender a importância do Caminho para a Espanha e para a Europa. Existem evidências arqueológicas da presença humana na Península Ibérica de 200 mil anos atrás. Buscando abrigo das intempéries e segurança em cavernas próximas de campos de caça e pesca, esses homens primitivos deixaram rastros de artefatos feitos em pedra, madeira e ossos. Com a adoção da agricultura, foram em busca de terras férteis, onde se estabeleceram em precárias moradias por eles construídas e desenvolveram novas tecnologias: potes cerâmicos e utensílios e armas de bronze, substituídos posteriormente pelo ferro. (Uma das jazidas arqueológicas mais importantes está em Atapuerca, por onde o peregrino vai passar). Devido a seu vasto e pouco explorado território, diferentes povos – com suas culturas, crenças e armas – foram invadindo a Península numa contínua marcha para o oeste, subjugando ou convivendo com os povos que lá já se encontravam. Aos poucos, foram-se criando pequenos povoados; alguns cresceram para tornarem-se vilas ou cidades, ensejando a criação de pequenos reinos, dos quais existem registros escritos em documentos oficiais de reis, de nobres e de ordens 3

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religiosas, ou por historiadores que viveram os fatos ou que estiveram muito próximos a eles. Além dos povos que se estabeleceram na Espanha migrando do Leste, outros chegaram pelo Mediterrâneo: gregos - que criaram suas cidades no que hoje é a Cataluña - e fenícios, que fundaram Gadir, hoje Cádiz. Gadir foi tomada pelos cartagineses, que se transferiram e fundaram Cartagena, no Centro-Sul da Espanha, em 227 a.C. Em 218 a. C., o general cartaginês Aníbal saiu de Cartgena com um exército de 38 mil infanrtes, 8 mil cavaleiros e 37 elefantes de guerra para atacar Roma, no que foi malsucedido. Com a vitória sobre os cartagineses, os romanos iniciaram a conquista do território que chamariam de Hispânia. Aos poucos, os romanos foram ampliando seus territórios, disputando-os com as tribos iberas. Eles construíram estradas e pontes, para ligar as cidades e dar escoamento às riquezas que exploravam. Por outro lado, trouxeram aos povos locais costumes, leis e tecnologias de construção, agrícolas e militares sofisticadas para a época. No final de 46 a.C. Júlio César vem à Hispânia para combater as tropas ainda fieis a Pompeu e ataca acampamentos, vilas e cidades, dizimando suas populações, onde encontrava resistência. No século I, com a expansão do cristianismo, também a Espanha recebeu evangelizadores e grande parte da população foi convertida. O Império Romano, aos poucos, entrou em decadência. Em 476 d.C. Roma foi tomada pelos hérulos. Este é o ano que se convencionou como sendo o fim do Império. Em 711, tropas islâmicas do norte da África, sob o comando do general Tárique, cruzaram o estreito de Gibraltar e venceram o rei visigodo Rodrigo, na Batalha de Guadalete. Nos séculos seguintes, os invasores foram alargando suas conquistas, assenhorando-se do território ao qual denominaram al-Andaluz, que governaram por quase oitocentos anos. A partir deste enclave, expandiram-se em direção ao Norte, encontrando fraca resistência. (Ao longo dos séculos, os califados de Sevilha, Córdoba e Granada, usufruíram de extraordinário progresso econômico e cultural, com grandes avanços nas artes médicas, ciências, matemática, astronomia e filosofia, fruto do encontro das culturas muçulmanas, judaica e cristã, que ali conviviam em relativa harmonia). Porém, numa parte das Astúrias, no Norte, o rei visigodo Pelayo descia as montanhas e assaltava os acampamentos dos muçulmanos e as aldeias despovoadas de cristãos. Pelayo e seus asturianos venceram os invasores na Batalha de Cavadonga, em 722, assegurando a soberania cristã na região. Em 778, Carlos Magno, rei dos francos de 768 a 814, atravessando os Pirineus, irrompeu com suas tropas na Hispânia, mais defendendo seus próprios interesses em proteger a Aquitânia - província da França – que para dar apoio aos cristãos. Em suas incursões, não por acaso, seguiu rumo ao Oeste, pela rota que mais tarde se tornaria o Caminho de Santiago. (No ano de 800 é coroado em Roma pelo papa Leão III Imperador do Sacro Império. Com a restauração do título em desuso desde o ano de 476, tanto o papa quanto o Imperador agiram em benefício mútuo: um representado o poder divino e definindo o outro como 4

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rei dos reis, o outro por assumir o compromisso de defender e expandir a cristandade). No ano de 813, o eremita Pelayo encontra os restos mortais de São Tiago Maior, conforme o testemunho do bispo Teodomiro. No ano seguinte, o rei de Astúrias Alfonso II ordena a construção de uma igreja no local, para guardar e cultuar a relíquia. Assim deu-se o início à peregrinação. O rei Ramiro I de Astúrias, em 844, derrota o general mouro Abderramán II na Batalla de Clavijo. Na noite anterior, o rei havia sonhado com Santiago, que lhe garantira que iria estar presente na batalha, ao lado das forças cristãs. Animados, os cristãos venceram e convenceram-se do milagre. Muitos relataram ter visto o santo montado num cavalo branco, lutando contra os mouros. Nascia e criava corpo o mito de Santiago apóstolo, peregrino e guerreiro. Alimentada por pretensos milagres, a crença na relíquia foi um impulso importante no ânimo dos cristãos, o que levou à consagração do santo como padroeiro de León y Castilla. A peregrinação a Santiago de Compostela, traçou uma linha de defesa de leste a oeste - Rncesvalles a Santiago -, a partir da qual os cristãos avançaram em direção sul. Um volume crescente de peregrinos espanhóis e estrangeiros punha-se a caminhar em direção ao oeste espanhol, e a consequente necessidade de dar-lhes apoio – albergues, tavernas, hospitais, igrejas, ferrarias, estábulos, – criou ao longo do Caminho uma grande quantidade de vilas e cidades, atraindo artesãos de todas as qualificações existentes. Assim, cada território conquistado era repovoado com cristãos, muitas vezes vindos de outros países, em especial da França. Em locais estratégicos foram construídos fortificações e castelos, para ocupar e manter os territórios reconquistados. Além disso, foram criadas Ordens religioso-militares cuja missão era a reconquista da Península Ibérica e proteger os peregrinos. A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, conhecida como Cavaleiros Templários, fundada em 1118, se fez presente na Espanha e várias fortificações lhes foram destinadas ao longo do Caminho, como a de Ponferrada. A Ordem Militar de Santiago, foi instituída por Alfonso VIII de Castilla e aprovada pelo Papa Alexandre III, em 1175, tornandose uma ordem supranacional; sua insígnia era a espada crucífera, a cruz de Santiago. Também a Igreja se expandiu, com a construção de mosteiros, igrejas e catedrais. O mosteiro francês de Cluny teve grande influência na romanização da igreja espanhola, fundando mosteiros, dando melhor formação ao clero e trazendo à Espanha o estilo gótico de construção de catedrais. Tendo sido expandida por várias vezes, em estilo pre-românico e românico, a catedral dedicada a Santiago, foi consagrada em 1211, após o término da Porta da Glória, magnífica obra de arte de Mestre Mateo. (Porém sua fachada, em imponente estilo barroco, só foi construída no século XVIII). 5

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O processo de reconquista foi lento porque os reis cristãos mais guerreavam entre si que aos invasores muçulmanos. E estranhas alianças se formaram. Cristãos e muçulmanos aliados guerreavam contra cristãos ou contra muçulmanos. Estes, por sua vez, também lutavam entre si, cada qual defendendo seus interesses. Após séculos de luta contra os mouros, a Reconquista finalmente terminou sob o reinado de Fernando de Aragón e de Isabel de Castilla, chamados de Reis Católicos, em 1492, mesmo ano em que Cristóvão Colombo, patrocinado por eles, chegava à América. E, não menos importante, Fernando e Isabel unificaram a Espanha tal como a conhecemos hoje, seja por alianças ou pela força e ordenaram a derrubada de castelos, fortalezas e muralhas, para impedir que fossem usadas para guerras separatistas e para enviar uma mensagem de união e paz entre os antigos reinos. Não satisfeitos com a expulsão dos árabes - com o consequente declínio dos antigos califados de Sevilha, Córdoba e Granada - os Reis Católicos, Fernando e Isabel, decretaram a expulsão dos judeus da Espanha, em 1503, revertendo a política de repovoamento adotada por quase cinco séculos, arruinando muitas vilas e cidades, para as quais artesãos, comerciantes e banqueiros judeus em muito contribuíam para seu desenvolvimento e riqueza. Por essa época, em 1517, Martinho Lutero, monge agostiniano alemão, lança suas “95 Teses de Reforma da Igreja”, motivo que o levou à excomunhão. Enquanto em outras partes da Europa a Reforma de Lutero abria novos horizontes à interpretação da doutrina cristã e, em Veneza e Florença, iniciava o movimento que viria ser chamado de Renascimento, a Espanha tomava o caminho inverso. Apesar das riquezas vindas das colônias da América e da Ásia, da reconquista do território e da unificação do país, a Espanha viveu décadas de obscurantismo devido ao poder absoluto dos Reis Católicos e da voracidade com que o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, criado por Fernando e Isabel, em 1478. (A Inquisição Espanhola - a mais cruel de toda a cristandade - aplicou seus estreitos limites doutrinários até 1834). Tanto o sucesso da Reconquista – que tornou a linha de defesa Roncesvalles/Santiago superada -, quanto os movimentos de Reforma Protestante – de cunho não apenas religioso, mas também político e social - e do Renascimento - que cultuava um maior valor ao uso da razão individual e à análise das evidências empíricas - foram decisivos para a drástica diminuição da peregrinação a Santiago de Compostela. No entanto, ainda nos dias atuais - apesar da polêmica e da dúvida resultante, e até mesmo da descrença -, não há como não se emocionar com a visão da Catedral de Santiago de Compostela, ponto de chegada dos peregrinos após quatro semanas de caminhada, durante as quais estavam imersos em si mesmos. Cada uma das pedras da vetusta catedral há séculos é impregnada de incontáveis preces e votos de fé peregrina de gerações de celebrantes e fiéis. No altar, Santiago parece reconhecer em si próprio o mítico e místico personagem cultuado ali como se fosse um semideus. O ambiente medieval do templo tem algo de teatral, obscuro e misterioso, ao som metálico e vigoroso do imponente órgão. A benção do celebrante aos peregrinos, em seus respectivos idiomas, 6

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representa a invocação da proteção de uma divindade universal e arquetípica, enraizada profundamente nos corações de crentes e descrentes. “A Europa se fez peregrinando a Compostela”, afirmou Johann Wolfgang von Goethe, filósofo, literato e estadista alemão. (Os os reis espanhóis receberam ajuda militar de outros países cristãos, cujos reis encontraram uma causa comum, apesar de suas diferenças e ambições: a defesa do cristianismo, solicitada e apoiada pelo papa e bispos, que desaguaria nas Cruzadas à Terra Santa). Também é de Goethe a afirmação: "Todas as coisas no mundo são metáforas". Assim é o Caminho de Santiago: uma metáfora de nosso próprio caminho interior, razão pela qual o Caminho é tantos caminhos quantos são os peregrinos porque é pessoal e único para cada um. E são os peregrinos que tornam sagrado o Caminho, por sua fé, solidariedade e determinação, pois quanto mais avançam pelo seu leito, mais tornam-se contemplativos e reflexivos, mergulhando em estados mais profundos de consciência. Então, passa a ser secundário se as relíquias atribuídas a São Tiago Maior são verdadeiras ou forjadas. 7

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O CAMINHO A CONHECER O Caminho serpenteia por entre cidades e vilas, montanhas, campos e matas, tal qual o leito de um rio, por onde correm as águas peregrinas. Assim, todos os dias, ao longo de todo o percurso e a um só tempo os peregrinos derramam-se neste leito, escorrendo pelas estreitas vielas dos povoados ou pelas largas avenidas das cidades para desaguar continuamente em sua foz: Santiago de Compostela. Saint-Jean-Pied-de-Port – FRANÇA - 772 Km de Santiago Mesmo antes de sua existência, Saint-Jean era um local de passagem, mas já era integrada às vias romanas desde que estes se estabeleceram no norte da França e na Península Ibérica. O povoado foi a última escala da grande Calzada Romana Bordéus-Astorga. Por esta mesma estrada transitaram - no século VIII - as tropas de Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, a caminho da Espanha, para apoiar os reis locais contra a invasão muçulmana e consolidar seu poder como imperador. Por isso, o caminho pelos Pirineus é chamado de Rota Imperial, ou – mais tarde - Rota de Napoleão, quando suas tropas invadiram a Espanha, no século XIX. Saint-Jean-Pied-de-Port só passou a existir como vila no século XII. A cidade tornou-se um centro de comércio e comunicações importante, estabelecida e fortificada pelos reis navarros que a denominavam de “a chave de meu reino”. Por algum tempo foi capital navarra. Ainda se podem visitar o que restou do castelo-fortaleza de Mendiguren que assegurava o controle da região. Felipe III de Navarra lhe concedeu foros de comarca em 1329. Em 1512, o exército do rei de Castilla Fernando, o Católico, invadiu e conquistou a Navarra. Contudo, os reis depostos continuaram os enfrentamentos; assim como outras localidades, Saint-Jean sofre ataques e incêndios. Em 1529, diante dos custos de manter o domínio, o novo rei espanhol Carlos I abandona a Baixa Navarra (França), que retorna aos reis locais. Em 1620, o rei Luis XIII de França une as coroas francesa e navarra sob o governo do cardeal e primeiro ministro Richelieu e Saint-Jean é amuralhada, prevenindo ataques que pudessem vir do sul. À época da Revolução Francesa, mais precisamente em março de 1789, os reis navarros reuniram-se em Saint-Jean e decidiram recusar-se a enviar representantes às assembleias dos Estados Gerais em Paris, declarando que a Baixa Navarra não era uma província francesa, mas um reino independente. Atualmente a região faz parte da região de Aquitânia, França, mas tem grande identidade com a região basca espanhola e, igualmente, luta por sua independência. Em 1807, a artilharia do marechal Soult usou a passagem dos Pirineus para invadir a Espanha em nome de Napoleão, pois, embora mais íngreme, era pouco arborizada, dificultando as emboscadas. 8

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Desde seu início, a esta pequena localidade francesa, confluíam as três grandes vias jacobeias que partiam de Paris, Vézelay e Le Puy. Os peregrinos entravam pela porta de Saint-Jacques (São Tiago), descansavam na cidadezinha para, então, continuar rumo a Santiago de Compostela. A igreja de Notre-Dame du Bout du Pont é considerado um dos prédios góticos mais importantes do país basco francês. Sua construção é atribuída ao rei de Navarra Sancho, o Forte, em 1212. O Cárcel de los Bispos é assim chamado pois foi transformado em cárcere no final do século XVIII. Originalmente, nos séculos XIV e XV, era a moradia dos bispos da Diocese de Bayonne. Atualmente é um museu. Além das ruinas do Castelo-fortaleza, vale apreciar os casarões da cidadezinha e a bela ponte medieval sobre o Rio Nive. Até mesmo antes do raiar do dia, peregrinos, a sós ou em pequenos grupos, iniciam a descida da rua principal – Rue de la Citadelle – em direção ao Portal d'España, como se este fosse uma comporta a abrir-se diante das águas peregrinas que, a partir dali, engrossam o caudaloso Caminho-rio. O acesso aos Pirineus se faz por subidas acentuadas, íngremes e longas. O esforço é compensado pela visão da paisagem que se estende ao longe, em todas as direções. O alto das montanhas é inóspito; há poucos sinais de vida, sejam casas, animais ou carros; as matas são escassas e a vegetação rasteira é insossa. Porém, logo abaixo, as árvores parecem arremeter ao topo e, então, desistir. Outras, com menor ímpeto, invejam estar nos vales.O peregrino usufrui da beleza e quietude das paisagens, passando por Honto e Orrison, ainda na França. Logo adiante, há uma imagem da Virgem de Biakorri e a Cruz de Thibault, um bom lugar para descansar e apreciar a paisagem. A meio caminho entre a localidade espanhola de Collado de Bentartea e Roncesvalles, o peregrino alcança o ponto mais alto da Rota Imperial (alusiva a Carlos Magno), também conhecida por Rota de Napoleão: 1.429 metros de altitude. A partir dali, chega-se a Roncesvalles pela estrada à direita, que leva ao porto de Ibañeta, ou seguindo o antigo caminho da Colegiada, em meio a uma floresta de faias, que, se em nada facilita a descida acentuada, enche os olhos de um lusco-fusco esverdeado, em meio ao silêncio apenas quebrado pelo canto dos pássaros. Se optar pela estrada a Ibañeta, o peregrino conhecerá a Cruz de Rolando (ou Roldão), morto em emboscada, em 778. Roncesvalles (ou Orreaga) – Província de NAVARRA - 747,1 Km de Santiago Roncesvalles foi sempre a via de acesso para a Península Ibérica. Por ali passaram os celtas, os bárbaros e os godos, que se estabeleceram às margens do rio Duero. No retorno de sua incursão pela Espanha, em 778, Carlos Magno cruzou os Pirineus a caminho da Aquitânia, província da França. Entre Burguete e 9

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Roncesvalles, no desfiladeiro de Valcarlos, montanheses bascos atacaram a retaguarda dos exércitos carolíngios, composta de vinte mil soldados e comandada por Rolando, sobrinho do Imperador e um dos Doze Pares de França. Emboscada, a elite do exército imperial foi chacinada. Atendendo ao apelo de socorro das trompas, o Imperador retrocedeu, mas chegou tarde: seus homens estavam mortos e os atacantes sumidos. Menestréis passaram a contar e a cantar a história, embelezando-a até chegar-se ao que se conhece como a Canção de Rolando, dando ao personagem auras de herói. Fundado no século IX, o monastério Real Colegiata de Santa María de Roncesvalles segue sendo um dos principais marcos do Caminho. Foi fundado pelo bispo de Pamplona Sancho Larrosa, com a colaboração do rei de Aragón Alfonso I, o Batalhador, e de alguns nobres. Desde sua fundação, os papas o tomaram sob sua proteção e foi regido por um cabido de cônegos regulares de Santo Agostinho. Seu prior segue ostentando o título medieval de Grande Abade de Colônia. Foi uma das mais ricas e desprendidas hospedarias da rota jacobeia, chegando a servir mais de 25 mil refeições aos que ali buscavam abrigo, em 1660. A construção mais luxuosa de Roncesvalles é a Igreja da Real Colegiada de Santa Maria, um dos primeiros templos góticos da Espanha e o melhor exemplo do gótico em Navarra. Nela está uma preciosa imagem da Virgem, datada do século XIV. O templo foi construído pelo rei navarro Sancho VII, o Forte, no século XIII. Num dos vitrais o rei é retratado como vencedor da Batalla de las Navas de Tolosa, ocorrida em 1212. Três incêndios deixaram suas marcas na colegiada e só uma obra de reconstrução do claustro e da igreja, no século XVII, impediu que se deteriorasse totalmente. Nessa época, seu interior sofreu inclusões detalhes em estilo barroco. A capela de Santiago também é conhecida por Torre de San Agustín, Capilla Real e Sala Capitular. Tem planta quadrada e é coberta por uma abóbada de sustentação mais elaborada que a da igreja, apoiada em quatro mísulas decoradas com anjos. Dois capitéis representam o pecado original e a expulsão do Paraíso. Em seu interior está o corpo do rei Sancho VII. Seu exterior lembra uma fortaleza. 10

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A Casa Priorial possui uma biblioteca de mais de 15 mil volumes. Escritos em diversos idiomas, entre os quais o hebreu, grego, latim e chinês, os livros tratam de questões teológicas, filosóficas e de história eclesiástica. Um dos mais preciosos é o códice La Pretiosa, do século XIV, exposto no museu da Colegiada. Soma-se a isso uma seção de Arquivo Histórico que cobre os nove séculos de existência da Colegiada. Ainda como parte do conjunto, há um museu com pinturas, esculturas, relicários, ourivesaria, móveis, tapetes e moedas. As peças mais antigas remontam ao século XIV, algumas delas envolvidas em lendas, como a esmeralda que se diz ter sido tomada por Sancho VII, o Forte, do turbante do rei mouro na batalha de Navas de Tolosa. Não distante dali, está a capela de Sancti Spiritu, também conhecida como Silo de Carlos Magno por supor-se que sua origem se deve ao enterro dos combatentes francos mortos pelos bascos em 778. Por tal razão, a capela é considerada um templo funerário. Ademais, ali eram oficiadas missas pelos peregrinos falecidos na região e, mesmo que enterrados em outro lugar, seus restos eram depositados no ossário, sob as lajes da capela. A Igreja de Santiago dos Peregrinos, em estilo gótico, do século XII, é uma estrutura de planta retangular. Em seu interior há uma imagem do Apóstolo Santiago. A igreja foi utilizada como paróquia até o século XVII e restaurada no século XX. À noite, todos, crentes e descrentes, são convidados a assistir ao ritual da bênção aos peregrinos no antigo templo gótico de belos vitrais e de clima propício à cerimônia. É uma experiência surpreendente ouvir o padre celebrante relembrar a história de São Tiago Maior, apóstolo de Jesus, que pregou sua fé em terras de Espanha, ainda no alvorecer do cristianismo e os cânticos dos monges retumbar entre as arcadas góticas da capela, enquanto toma consciência da intensa aventura interior que vai enfrentar. Ao final, os caminhantes se aproximam do altar-mor e são abençoados em vários idiomas, num ritual que remonta a muitos séculos atrás. Ao clarear do dia começa a grande experiência. Roncesvalles é deixada para trás por uma trilha que segue paralela à rodovia. À esquerda, logo ao sair, está o primeiro cruzeiro, gótico, do século XIV. Trilhas cobertas por um teto de folhagem e prados bucólicos o vão acompanhar ao longo do dia. Burguete (ou Auritz) – NAVARRA - 744,1 Km de Santiago É a antiga cidade de Roncesvalles, hoje muito crescida ao largo da rodovia. Seus casarões navarros, autênticas fortalezas de tradição familiar, com suas janelas vermelhas e seus escudos nobiliárquicos, talhados em pedra, merecem um olhar mais atento. 11

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Espinal (ou Aurizberri) – NAVARRA - 740,3 Km de Santiago É um povoado típico dos Pirineus, com o qual destoa a modernidade de sua igreja. Espinal foi fundado pelo rei navarro Teobaldo II, em 1269. Alto de Mezkiritz – NAVARRA - 739,4 Km de Santiago De passagem pelo povoado, pode-se fazer uma visita à igreja paroquial de San Cristóbal, de origem medieval, ampliada no século XVI. O retábulo do altar-mor é de estilo neoclássico, de meados século XIX. A ermida de São Miguel guarda uma imagem barroca do santo que lhe dá o nome. Numa inscrição local se lê: “Aqui se reza uma Salve Rainha a Nossa Senhora de Roncesvalles”. Biscarreta (ou Guerendiain) – NAVARRA - 735,6 Km de Santiago Povoado de uma única rua, Biscarreta vive da criação de gado. Até o século XII houve na localidade uma hospedaria de peregrinos, considerada na idade média como final de etapa e que devia complementar os serviços de Roncesvalles. Lintzoain – NAVARRA - 733,5 Km de Santiago É um povoado com serviços precários para o peregrino, porém é interessante mostruário de casas do interior basco-navarro, com inscrições e escudos gravados nas portas. Segundo a lenda por ali passaram Rolando, sua mulher e seu filho. A sua igreja, dedicada a São Saturnino, remonta ao século XIII e foi construída em estilo românico de uma só nave. Alto de Erro – NAVARRA – 728,9 Km de Santiago O Caminho tem sofrido muitas transformações ao longo dos séculos, a maioria em prejuízo dos grandes bosques que o envolviam e o faziam inseguro na Idade Média. Por isso o Alto do Erro tem tanto de especial: nenhuma outra mata como esta abraçará o Caminho até a Galícia, nem em nenhum outro lugar terá o caminhante a oportunidade de submergir no mesmo manto arbóreo pelo qual caminharam seus predecessores por séculos. É difícil não se sentir transportado a mundos antigos neste retalho do passado, coberto ainda de carvalhos, abetos, azevinho e pinheiros centenários. A trilha passa em frente à antiga Venta del Puerto, que foi pousada de peregrinos, atestando efetivamente o traçado original do Caminho. 12

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Zubiri – NAVARRA - 725,3 Km de Santiago Zubiri está encravado no fundo do vale, totalmente impregnado pela presença de uma indústria de magnesita, que empobrece a paisagem e cobre as botas de pó. O povoado acolhe o peregrino pela ponte gótica de La Rabia, assim conhecida pelo fato de os moradores levarem seus animais para dar três voltas ao pilar central de sua arcada para curá-los do mal da raiva. Vale um passeio por Zubiri, para apreciar seu casario, bem como visitar a igreja de San Esteban Protomartir, uma construção mais recente, pois a anterior foi destruída durante a guerra Carlista. Em 1040, o rei de Nájera-Pamplona Gracia Sanches III doou ao povoado um monastério beneditino, do qual já não existe nem ruínas. Seguem-se os minúsculos povoados de Ilaratz e Ezkirotz, sem atrativos. Larrasoaña (ou Larrasoina) – NAVARRA - 719,7 Km de Santiago Este é um povoado importante na história do Caminho. Já no século XI contava com um hospital-albergue de peregrinos mantido por monges agostinhos. No século XII recebeu foro de zona franca: artesãos estrangeiros, geralmente franceses, atraídos pelas concessões e privilégios que os reis outorgavam aos novos vilarejos. A igreja dedicada a São Nicolás de Bari é do século XIII e parte dela é em estilo gótico. Algumas de suas casas têm mais de cinco séculos e ainda guardam seu estilo original. A partir de Larrosoaña, o rio Arga vai conduzir o caminhante rumo a Pamplona, numa sequência de bosques de faias, pinheiros, fetos e heras, além de povoados congelados no tempo e pequenos em demasia para conter o avanço dos peregrinos, mas que, em sua simplicidade, têm sempre algo a mostrar: Akerreta; Zuriain: igreja de San Millán; Irotz: ponte românica; Zabaldika: igreja de San Esteban, do Século XIII, e Arleta: ermida de Santa Marina e um magnífico casario navarro composto pelo palácio dos senhores locais. Aos poucos, no convívio com outros peregrinos, percebe-se que o Caminho é uma espécie de Babel redimida, abençoada por Deus, onde caminhantes de todos os continentes, por diferentes que sejam seus idiomas e credos, acabam por se entender. Trinidad de Arre (Villava ou Atarrabia) – NAVARRA - 709,1 Km de Santiago Arre é um lugar estratégico, habitado desde a época romana. Ali, ao atravessar a ponte medieval de seis arcos sobre o rio Ultzama, retoma-se ao traçado original do Caminho e, logo adiante, se chega à basílica da Trindade. O templo original é de estilo românico de nave única, com torre e cabeceira com abside semicírculas, edificado no final do século XI. O convento Santísima Trinidad de Arre e albergue de peregrinos provavelmente já estava em funcionamento no século XI. Nos dois séculos seguintes, o convento alcançou seu máximo esplendor como centro eclesiástico que se encarregava da 13

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arrecadação de tributos e em torno do qual se desenvolviam novos caminhos, indústrias, centros artesanais e vilas. A igreja de San Román de Arre que se localiza sobre uma colina, é do século XIII, num estilo de transição entre o românico e o gótico, o que a torna interessante do ponto de vista arquitetônico. Burlada – NAVARRA – 707,7 Km de Santiago Em Burlada, os reis de Navarra tinham um palácio que estava conectado com a antiga igreja românica por uma passagem de uso privado. Ambas as construções hoje são ruinas. A ponte românica que cruza o rio Arga, construída sobre seis arcos e várias vezes reformada, dá uma medida da importância atribuída à localidade no passado. São do início do século XX os vários palacetes da cidadezinha, sendo o mais significativo o palácio Uranga, no qual são realizadas exposições de arte. Tanto em seu interior quanto no exterior há cafeterias, onde o peregrino pode restaurarse, enquanto aprecia a vista do parque que rodeia a propriedade. Pamplona (ou Iruña) – NAVARRA - 704,5 Km de Santiago Pamplona foi fundada em 74 a.C. pelo general romano Pompeu sobre um povoado basco já existente, chamado Iruña ou Bengoda. Mas, os vestígios de ocupação humana da zona remontam a 75 mil anos. Após as invasões bárbaras no século VI, a cidade fez parte do Reino Visigótico de Toledo e, a partir do século VIII, do califado Al-Andalus. Entre 778 e 816 a região foi disputada aos muçulmanos por Carlos Magno, que veio em socorro dos reis cristãos de Zaragoza Marsílio e Baligando e consolidar um estado-tampão para proteger seu próprio reino, denominado Marca Hispânica. Após derrotar em definitivo o rei mouro Aigolando e o príncipe basco Furro de Monjardim, Carlos Magno sentiu-se traído pelos reis aos quais veio socorrer, que não cumpriram sua parte no trato. Por vingança, o rei francês destruiu as muralhas de Naverría - atual Pamplona-, provocando a emboscada dos bascos à retaguarda de seu exército, em Roncesvalles. Durante a primeira metade do século IX a nobreza local, aliada à família cristã convertida ao islamismo Banu Qasi, conseguiu consolidar um reino cristão vassalo dos muçulmanos, o Reino de Pamplona, que depois se tornaria o reino independente de Navarra, em 905, cujo auge ocorreu no século XI, quando Sancho III se tornou o monarca cristão mais poderoso da Península Ibérica, reinando sobre quase todos os territórios ibéricos cristãos e algumas partes do que é atualmente a França (a Baixa Navarra). Em 1164, o nome de Reino de Pamplona é definitivamente abandonado e passou a denominar-se Reino de Navarra. A Pamplona atual foi formada a partir de três vilas rivais: a Naverría, ocupada por bascos; San Cernin e San Nicolás, ocupadas por francos. Cada uma chegou a ser uma pequena cidade autônoma, com suas muralhas, leis e armamentos. A corte navarra tentou uma aliança com a coroa de Aragón, com a qual tinha mais 14

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afinidade cultural que com os francos. Em resposta, o rei da França Felipe II atacou e dizimou a população da Naverría, em 1276. A vila ficou abandonada por cinquenta anos. A paz só foi definitivamente alcançada em 1423, quando a cidade foi unida sob uma mesma administração e as muralhas que separavam os burgos foram demolidas. Em 1512 foi ocupada por tropas castelhanas do rei Fernando, o Católico, tendo o reino navarro sido oficialmente anexado à coroa espanhola em 1521. Após a Revolução Francesa, Pamplona foi cercada por forças francesas em 1794, que não lograram entrar na cidade. Entre 1808 e 1813 a cidade foi ocupada por tropas de Napoleão Bonaparte. A cidade também se viu envolvida nas Guerras Carlistas que marcaram o século XIX, tendo sido palco do movimento popular e político em defesa dos fueros que ficou conhecido como a "Gamazada". Apesar da vitória dos republicanos nas eleições autárquicas que conduziram à Segunda República Espanhola, de 1931 a 1939, Pamplona foi controlada pelas forças franquistas desde o primeiro dia da guerra civil, o que não a livrou de assistir ao fuzilamento de centenas de republicanos. Durante o franquismo, a cidade transformou-se de uma cidade rural numa cidade industrial, tendo mais que triplicado a sua população. Pamplona é a primeira grande cidade à qual o peregrino chega, tirando-o de sua introspecção, da simplicidade e do desapego desenvolvidos nos primeiros dias no Caminho. O peregrino entra no centro histórico de Pamplona pelo imponente Portal de Francia, a parte melhor conservada das muralhas que cercavam a cidade, construída em meados século XVI. Vale diminuir o passo e admirar o conjunto. O património histórico e as diversas festividades que ocorrem ao longo do ano contribuem para que a cidade atraia milhares de turistas espanhóis e estrangeiros. Os eventos mais concorridos são os Sanfermines - Festa de San Cernín, ou San Fermín -, que se realizam todos os anos em julho, com a corrida de touros pelas ruas do centro histórico. (Ernest Hemingway escreveu vários livros sobre os acontecimentos na Espanha de sua época, incluindo a Guerra Civil, as touradas – pelas quais era apaixonado – e a Corrida de Touros nas ruas de Pamplona). Um passeio pela capital da Navarra, em especial pelo centro histórico, é essencial para absorver a cultura basca. Suas amplas praças, monumentos, prédios públicos e privados, igrejas e catedrais e museus são encantadores. O conjunto escultórico em bronze que representa a Corrida de Touros é magnífico. A catedral de Pamplona é sede da Arquidiocese e tem características próprias, pois, além de igreja, claustro e sacristia, ainda conserva sua chancelaria, sala capitular e dormitório, já eliminadas das demais catedrais espanholas. Sua atual aparência se deve a reformas em diferentes épocas e estilos. (Originalmente era de estilo românico; nela trabalhou mestre Esteban, que também se fez presente na construção da catedral de Santiago). Destruída por um incêndio em 1390, a Catedral de Pamplona foi reinaugurada em 1525, já com marcado estilo gótico. 15

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