Mini-guia para identificação: "A águia-imperial-ibérica e as outras aves de rapina de Portugal"

 

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Mini-guia para identificação de aves de rapina de Portugal (LIFE Imperial)

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A ÁGUIA-IMPERIAL-IBÉRICA e as outras aves de rapina de Portugal GUIA PARA IDENTIFICAÇÃO

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Projeto LIFE Imperial (LIFE13 NAT/PT/001300) “Conservação da Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) em Portugal” Duração: 1 de julho de 2014 a 31 de dezembro de 2018 Beneficiário coordenador: LPN – Liga para a Protecção da Natureza Beneficiários associados: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF); Câmara Municipal de Castro Verde (CMCV); Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL); Guarda Nacional Republicana (GNR); EDP Distribuição – Energia S.A.; Sociedade Española de Ornitologia (SEO/Birdlife) e TRAGSATEC S.A. www.lifeimperial.lpn.pt Guia para identificação de aves de rapina de Portugal Coordenação da edição: Bruno Martins Produção e revisão de textos: Bruno Martins, Carlos Pacheco, Gonçalo Elias, Liliana Barosa, Paulo Marques, Raquel Alcaria e Rita Alcazar Ilustrações: Davina Falcão (águia-imperial-ibérica); Marcos Oliveira (peneireiro-vulgar, peneireiro-das-torres e mocho-galego); Juan Varela (restantes espécies); CERVAS e RIAS - ALDEIA, Bruno Martins e Liliana Barosa (fotografias das crias de rapinas noturnas) Fotografia de capa: Jose Pesquero Gomez Design gráfico: Laranja - Comunicação Original Impressão: Loures Gráfica Edição: 1ª Edição, Castro Verde, LPN – Liga para a Protecção da Natureza (2016) Tiragem: 250 exemplares, em português Impresso sobre papel 100% reciclado, inteiramente proveniente de resíduos pós-consumo, através de processos totalmente isentos de cloro e não procedente de bosques primários.

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APRESENTAÇÃO Foto: José Luis Barros O Projeto LIFE+ “Conservação da Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) em Portugal” pretende criar condições para o aumento da população de águia-imperial através da aplicação de um conjunto de ações de conservação. Estas ações visam reduzir o impacte das ameaças sobre a espécie e melhorar as condições de sustentabilidade dos territórios para a manutenção dos casais existentes e fixação de novos casais, contribuindo assim para a conservação da espécie a longo prazo. Este guia é uma ferramenta base de apresentação da águia-imperial e das restantes aves de rapina que ocorrem em Portugal, diurnas e noturnas, e pretende contribuir para o aumento do conhecimento e da divulgação deste grupo junto das entidades envolvidas diretamente na sua conservação e da população em geral. As aves de rapina que ocorrem em Portugal são bastante diversificadas e extremamente importantes, apresentando um papel preponderante enquanto predadores ou necrófagos, sendo que algumas se encontram muito ameaçadas. O conhecimento abrangente sobre este grupo animal revela-se assim muito importante para a sua conservação e para a preservação dos ecossistemas.

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IDENTIFICAÇÃO DE UMA AVE DE RAPINA Para uma correta identificação, é necessário ter em conta diferentes detalhes: Tamanho - permite uma primeira avaliação, sendo habitualmente efetuada com recurso à comparação da espécie observada com outra espécie conhecida ou com um objeto de tamanho conhecido (por exemplo: apoio de linha elétrica). Habitat - onde se observa a ave pode ser um bom indicador da espécie ou do grupo em que se insere, pois há espécies que frequentam preferencialmente determinados tipos de habitat, como zonas húmidas, áreas estepárias, zonas escarpadas, florestas de coníferas, etc. Época do ano - é necessário atender à fenologia das espécies e ao facto de umas serem residentes, enquanto outras são estivais ou invernantes. Distribuição - algumas espécies apresentam uma distribuição ampla enquanto outras possuem uma distribuição mais localizada em determinadas zonas. Marcas e cores - algumas espécies possuem diferentes marcas, padrões, cores e formas distintivas, sendo ainda necessário atender às variações de idade, sexo e ao desgaste da plumagem. Silhueta e forma de voo - as aves de rapina apresentam silhuetas, proporções e posturas de voo distintas entre si. Estas características particulares podem facilitar a identificação da ave, particularmente quando observada à distância ou com fracas condições de luminosidade. Comportamento - diversas espécies ou grupos de espécies apresentam comportamentos únicos ou característicos, que permitem identificar a espécie ou o grupo taxonómico restrito a que pertencem. Vocalizações - permitem a identificação de algumas espécies mesmo quando não é possível observá-las. O recurso a gravações é um bom meio de aprendizagem já que a identificação pelos sons requer alguma prática. Condições de observação - a cor ou os padrões das aves podem variar para o observador consoante a distância, a luminosidade e a visibilidade. É necessário conhecer estes possíveis efeitos, bem como quais os principais aspetos a focar. 2

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TOPONÍMIA DE UMA AVE DE RAPINA 3

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COMO USAR ESTE GUIA Este guia apresenta com maior detalhe a águia-imperial-ibérica e, de uma forma mais simplificada, todas as restantes espécies de aves de rapina diurnas e noturnas que ocorrem regularmente em Portugal. As aves de rapina diurnas estão divididas em 8 grupos (águias, abutres, águias-pesqueiras, bútios, açores e gaviões, tartaranhões, milhafres e falcões) e as aves de rapina noturnas em 3 grupos (bufos, corujas e mochos). Para além do maior destaque da águia-imperial, é ainda dada uma especial atenção às restantes águias e aos abutres cuja identificação é normalmente mais confundida com esta espécie. Para cada espécie é indicado o seu nome comum e o nome científico, acompanhado pelas respetivas ilustrações (não representadas à escala), por uma breve descrição e pelos códigos de informação referentes ao estatuto de conservação, à fenologia e às dimensões. Estatuto Fenologia CR EN VU NT LC DD Res Est Inv Comprimento Comp Envergadura Env Criticamente em perigo Em perigo Vulnerável Quase ameaçado Pouco preocupante Dados insuficientes Residente (ocorre todo o ano e nidificante) Estival (apenas ocorre na primavera/verão e nidificante) Invernante (apenas ocorre no outono/inverno e não nidificante) Distância do bico à ponta da cauda Distância entre as pontas das asas abertas 4

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ÁGUIA-IMPERIAL-IBÉRICA (Aquila adalberti) A águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) é uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa e das mais raras do mundo. Atualmente, exclusiva da Península Ibérica, foi considerada extinta em Portugal, enquanto reprodutora, entre finais da década de 1970 e inícios da década de 1980. Apesar das observações ocasionais de indivíduos isolados, apenas em 2003 foi novamente confirmada a sua nidificação, na Beira Baixa. Desde então, tem vindo a colonizar lentamente o território nacional, apresentando atualmente o estatuto de conservação de “Criticamente em Perigo”. Os principais fatores de ameaça da águia-imperial em Portugal são a eletrocussão em linhas elétricas, o envenemamento devido ao uso ilegal de venenos, o abate a tiro, a perda e a degradação de habitat, o declínio das populações de coelho-bravo e a perturbação nas áreas de nidificação. É uma espécie territorial que constrói os seus ninhos em árvores de grande porte e a sua principal presa é o coelho-bravo. Alimenta-se ainda de outras presas, como mamíferos de médio porte (lebres e pequenos carnívoros), aves de médio porte (perdizes, pombos e até outras aves de rapina) e alguns répteis. Apresenta ainda comportamento necrófago. É uma águia que necessita de densidades elevadas de coelho-bravo para uma boa produtividade, podendo não se reproduzir se o alimento for escasso. Trata-se de um predador de topo e é uma espécie típica dos montados e matagais mediterrânicos intercalados com áreas abertas de cerealicultura extensiva e pastagens. Juntamente com as outras espécies animais e vegetais, é um elemento fundamental para manter o equilíbrio do ecossistema em que ocorre. 5

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AVES DE RAPINA DIURNAS DE PORTUGAL ÁGUIA-IMPERIAL-IBÉRICA (Aquila adalberti) Águia muito grande com asas longas e largas, e cauda relativamente curta, atingindo aproximadamente 3-4,5 kg de peso. As fêmeas são sempre um pouco maiores que os machos (como acontece na maioria das rapinas). A plumagem atravessa distintas fases de coloração até atingir a maturidade. Nos primeiros meses de vida, os juvenis apresentam uma coloração avermelhada, em tons de ferrugem. A plumagem vai depois sofrendo desgaste e descoloração, adquirindo um tom amarelado/dourado, semelhante à cor da palha, sendo denominada palhiço. Posteriormente começam a adquirir penas novas, castanhas escuras, que se destacam da matriz amarela clara, pelo que as aves adquirem um aspeto axadrezado. Usa-se por isso o termo “xadrez”: xadrez claro quando ainda apresentam menos de 50% de penas escuras e xadrez escuro quando esta percentagem se inverte. Juvenil Palhiço Xadrez Claro ÁGUIAS 6

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AVES DE RAPINA DIURNAS DE PORTUGAL ÁGUIA-IMPERIAL-IBÉRICA (Aquila adalberti) Os sub-adultos (ou “adultos imperfeitos”) caracterizam-se por apresentarem uma plumagem castanha escura, quase negra, similar à dos adultos, ainda com alguns vestígios da plumagem anterior (tons claros) e já com algumas evidências dos ombros brancos. A plumagem definitiva de adulto é praticamente negra, com as penas da parte posterior da cabeça e nuca douradas. Um bordo branco de dimensão variável delimita as asas a partir dos ombros e/ou zona escapular. A base da cauda é cinzenta clara com uma barra terminal larga preta. CR Env 180-210cm Comp 72-85cm Res jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Xadrez Escuro Sub-adulto Adulto 7 ÁGUIAS

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ÁGUIA-REAL (Aquila chrysaetos) Maior águia que ocorre na Península Ibérica. Possui asas longas mais estreitas na base e na parte interior da “mão”, e cauda comprida, que lhe confere uma silhueta característica. Plana com as asas ligeiramente subidas formando um ligeiro ”V”. A plumagem é castanha escura com penas amareladas na nuca. Os juvenis distinguem-se dos adultos pelas grandes manchas brancas nas asas e na base da cauda, e pela tonalidade mais escura. Espécie territorial e caçadora bastante versátil, captura principalmente mamíferos de médio porte. Nidifica maioritariamente em escarpas, mas também em árvores, em locais pouco perturbados. EN Env 190-225cm Comp 80-93cm Res jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Juvenil Adulto ÁGUIAS 8

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ÁGUIA DE BONELLI (Aquila fasciata) Águia média-grande, com asas largas e a cauda direita, bastante comprida e quadrada. Apresenta o peito e o ventre brancos com riscas verticais escuras e o bordo anterior da face inferior das asas claro, contrastando com uma barra negra. Cauda cinzenta clara com uma barra escura na orla. Face superior castanha-acinzentada e com uma característica mancha branca de tamanho variável no dorso. Os juvenis apresentam a face inferior do corpo de coloração alaranjada, pontas das asas negras, penas de voo cinzentas claras e a cauda clara sem barra na orla. Habita em zonas de mosaico agroflorestal, onde caça essencialmente aves e alguns mamíferos de médio porte. Nidifica em escarpas ou em árvores de grande porte. EN Env 145-165cm Comp 55-65cm Res jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Juvenil Adulto 9 ÁGUIAS

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ÁGUIA-COBREIRA (Circaetus gallicus) Adulto Águia média-grande, com asas compridas e largas, e cauda quadrangular, estreita na base. Face superior do corpo castanha, normalmente com um ligeiro contraste nas asas, cuja parte anterior é mais clara, e partes inferiores brancas com uma quantidade variável de manchas escuras. Cabeça castanha ou branca com grandes olhos amarelos. Habita em terreno florestal e matos, e nidifica em árvores, tendo como principal fonte de alimento os répteis. Plana lentamente e por vezes “peneira” com bater de asas lento quando caça. NT Env 162-178cm Comp 62-69cm Est jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez ÁGUIA-CALÇADA (Aquila pennata) Águia mais pequena que ocorre em Portugal. Silhueta compacta e cauda larga e quadrada. Apresenta uma forma clara (peito, ventre e coberturas inferiores da asa brancas e penas de voo pretas) e uma forma escura (peito, ventre e coberturas inferiores da asa castanhos). Pequenas manchas brancas nos ombros (“faróis”), “janela” clara nas primárias interiores e partes superiores das asas com um painel amarelo ocre. Habita zonas de mosaico agroflorestal, alimenta-se principalmente de aves de médio porte, répteis e pequenos mamíferos, e nidifica exclusivamente em árvores. Adulto - forma clara NT Env 110-135cm Comp 42-51cm Est jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez ÁGUIAS 10

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ABUTRE-PRETO (Aegypius monachus) Maior ave de rapina da Europa. Coloração quase negra, asas longas e uniformemente largas, “dedos” compridos, e cabeça e cauda curtas. Patas brancas, e cabeça e gola do adulto também claras, destacando-se em voo. Quando plana mantém as asas ligeiramente arqueadas para baixo (o que o distingue do grifo). É menos gregário que o grifo e pousa com frequência no solo. Realiza deslocações bastante grandes em busca de alimento (cadáveres) e nidifica em colónias esparsas. Constrói o ninho, de grandes dimensões, no topo de árvores. Adulto CR Env 250-285cm Comp 100-115cm Res jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez GRIFO (Gyps fulvus) Adulto Abutre de grandes dimensões e de plumagem bicolor, com penas de voo e cauda escuras, e corpo e coberturas das asas castanhas claras. Asas longas e muito largas, com o “braço” mais largo que a “mão”. Cauda curta e arredondada, e cabeça pouco notória em voo. Pescoço sem penas e gola branca muito visível quando pousado. Voo caracteriza-se por um lento bater de asas e quando plana mantém as asas ligeiramente subidas, formando um “V” muito suave. Espécie necrófaga, cria em escarpas em colónias que podem ter várias dezenas de casais. NT Env 230-265cm Comp 95-110cm Res jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 11 ABUTRES

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ABUTRE DO EGITO (Neophron percnopterus) Adulto Abutre de dimensão média-grande. Asas longas com “dedos” proeminentes, cauda longa em forma de cunha, e cabeça pequena com bico estreito e comprido. Adulto com coloração bicolor, em que as penas de voo pretas contrastam com o corpo branco, e com a cabeça amarela, que se destaca em voo. Os juvenis são normalmente castanhos escuros (praticamente negros) com ligeiros contrastes esbranquiçados. Prefere zonas montanhosas e vales escarpados de rios, nidifica em fragas e alimenta-se de carcaças e de répteis. EN Env 155-170cm Comp 55-65cm Est jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez ABUTRES SILHUETAS DE GRANDES ÁGUIAS E ABUTRES Águia-imperial-ibérica Águia-real Águia de Bonelli Abutre-preto Grifo 12 Abutre do Egito

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SILHUETAS DE GRANDES ÁGUIAS E ABUTRES Águia-imperial-ibérica Águia-real Águia de Bonelli Abutre-preto Grifo Abutre do Egito 13

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