Jornal Vida Missionária - Edição 83

 

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Migrante: O novo rosto do mundo

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ANO XXI - EDIÇÃO 83 - SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2016 Publicação Conjunta dos Missionários do Verbo Divino e das Missionárias Servas do Espírito Santo Migrante: O novo rosto do mundo O mundo está ganhando uma nova cara com o deslocamento de milhares de pessoas que deixam seus países em busca de uma vida melhor, ou para fugir de guerras e perseguições. O migrante, muitas vezes visto com preconceito, como se chegasse para tirar emprego e oportunidades, na verdade, traz uma grande contribuição. No encontro de culturas e etnias, o mundo fica mais rico, mais bonito, mais diversificado. Acolher o migrante não é nenhum favor, é investir num mundo mais solidário, no qual as diferenças se convertem em riquezas e em desenvolvimento mútuo. LEIA MAIS MIX MISSIONÁRIO Como conviver com as diferenças BÍBLIA E VIDA “Eu era estrnageiro, e me recebeste” Pág 2 Pág 2 MISSÃO SSPS E SVD Impacto e desafios da migração HISTÓRIA 85 Anos do Convento Santíssima Trindade Pág 3 Pág 3 TESTEMUNHO MISSSIONÁRIO De refugiada a SSpS no Brasil Pág 4 PELO MUNDO Interculturalidade e serviço aos migrantes Pág 4

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MIX MISSIONÁRIO Como conviver com as diferenças interculturais Ana Elídia Caffer Neves. SSpS Ocontato entre diferentes povos e culturas se torna cada vez mais comum. Exemplo disso foram as Olímpiadas no Rio de Janeiro, que reuniram atletas, delegações e turistas de mais de 200 países. Num evento como esse, a convivência intercultural se transforma numa grande celebração, mas, nas situações normais da vida, a riqueza de se conviver com realidades tão diferentes, como outras línguas, religiões e maneiras de ser e pensar, pode ser um grande desafio. A consequência disso são os conflitos, preconceitos e toda forma de intolerância que pode chegar ao extremo da violência e do terrorismo. Para nossas congregações missionárias, que, por natureza, são interculturais e internacionais, conviver com as diferenças faz parte do “pão nosso de cada dia”. Irmã Carmen Elisa Bandeo, secretária das Missões SSpS, lembra que “nascemos para responder às necessidades dos migrantes alemães daquela época e, hoje, somos chamadas a responder a novos desafios missionários a partir de uma situação privilegiada, pois sabemos o que é o encontro com outras culturas, o que significa deixar sua própria e iniciar uma nova vida entre outros povos”. Irmã Carmen é argentina e viveu muitos anos em Taiwan, tendo de aprender o chinês e a cultura de lá. Atualmente vive em Roma e se relaciona com pessoas da Itália e de várias partes do mundo. Por isso tem conhecimento de causa e dá algumas dicas para a convivência com as diferenças interculturais: • Se aprendemos a viver com as diferenças de todo tipo, superamos a intolerância. • Todos somos diferentes, mas, no centro do nosso ser, somos todos iguais: HUMANOS! • As diferenças nos enriquecem, não devemos vê-las como uma ameaça. • Se eu sei quem sou, posso reconhecer o outro sem temor. • Quando conhecemos o que é próprio nosso, é possível abrir-nos para descobrir o belo, o interessante e o divertido do outro. • O importante é não nos considerarmos o centro do mundo. Em relação aos migrantes e refugiados, Ir. Carmen lembra alguns aspectos práticos, como não se criarem muitas expectativas, uma vez que são apenas seres humanos, com coisas boas e ruins, com sua própria história e que não deve ser idealizada. Muito importante, afirma a missionária, é saber escutar, dando atenção à linguagem verbal e não verbal, deixando espaço para que possam se expressar com liberdade, dando tempo, colocando limites e respeitando os limites que também nos impõem. E recorda que, dentro de tudo isso, somos chamados a “ser sinais de esperança”. Internet BÍBLIA E VIDA “Era estrangeiro e me recebeste” Um dos maiores problemas sociais da atualidade é a situação desumana de milhões de pessoas deslocadas dos seus locais de origem. Uma consequência é o aumento de xenofobia, racismo e ódio em muitos lugares. Migrações são tão antigas quanto as civilizações. O Povo de Deus nunca se esqueceu das suas raízes nas migrações do antigo Oriente Médio. A tradição ligada à figura de Abraão, o “Pai da Fé”, recordava que ele era migrante: “O Senhor disse a Abrão: ‘Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei’” (Gn 12,1). A Escritura não deixou o povo esquecer as suas origens como migrantes foragidos do Egito, sempre lembrando o Êxodo: “Do Egito chamei o meu Filho” (Os 11,1). Mas, muitas vezes, o migrante era maltratado e desprezado, explorado como mão de obra e sem direitos legais. Por isso existem muitas leis bíblicas visando a garantir os direitos e uma vida digna para essas pessoas. Um dos elementos essenciais da observância do sábado, era garantir o direito do migrante ao descanso (Dt 5,14). O fato de insistir tanto no respeito ao migrante demonstra como era difícil que eles fossem tratados dignamente (cf. Ex 22,21-24; Lv 19,34; Lv 25,35; Dt 10,18; Dt 14,28-29; Dt 15,7-11; Dt 24,17-18; Dt 26,12; Dt 27,19; Dt 31,12; Zc 7,10). Deus mostra que ama todas as raças quando Ele fala aos Israelitas: “Por acaso, israelitas, para mim vocês são diferentes dos cuchitas (etíopes)?” (Am 9,7). Jesus retoma esse tema quando coloca o tratamento dispensado ao estrangeiro como um dos critérios fundamentais do Juízo Final: “Eu era estrangeiro e me recebeu na sua própria casa” (Mt 25,35). Pois o fundamento de tudo é que somos todos, seja qual for a nossa origem, raça, etnia ou religião, filhos e filhas do mesmo Pai. Migração por motivos econômicos, políticos ou sociais é uma realidade do Brasil. As nossas cidades abrigam milhões de pessoas oriundas de outros países latino-americanos, africanos e asiáticos. Muitas vezes, são exploradas e oprimidas como mão de obra barata e frequentemente sentem a realidade do racismo camuflado na nossa sociedade. A Bíblia nos recorda como o tratamento dado aos migrantes indica se realmente acreditamos que somos todos filhos e filhas do mesmo Pai. Devemos lembrar que todos nós, menos os povos indígenas, somos descentes de migrantes. Sejamos fiéis à visão bíblica, defendendo os direitos dos mais fracos hoje. Padre Tomaz Hughes, SVD EXPEDIENTE Vida Missionária vidamissionária@ssps.org.br Missionários do Verbo Divino e Missionárias Servas do Espírito Santo CONSELHO SUPERIOR Província SSpS Brasil Norte: Ir. Ana Elídia Caffer Neves Região Amazônica SDV: Pe. Arilson Lima Província SVD Brasil Centro: Pe. Arnaldo Alves de Souza Província SVD Brasil Norte: Pe. Anselmo Ribeiro Província SVD Brasil Sul: Pe. Edivino Sicuro Jornalista Responsável Ir. Ana Elídia Caffer Neves, MTB 20.383 Redação e Edição Ir. Ana Elídia Caffer Neves Revisão Alessandro Faleiro Marques Diagramação: Paula Lima de Faria Impressão: Gráfica Unisind (11) 3271-1137 Tiragem: 21.050 exemplares Curtas daqui e de lá VIVAT-SP O grupo de Vivat-SP está se reunindo mensalmente com a participação de representantes de várias congregações que fazem parte de Vivat Internacional. O grupo está refletindo sobre a situação do país e elaborando um subsídio para divulgar como a orga- nização funciona e de que maneira pode fortalecer a luta dos grupos e movimentos sociais, especialmente no que se refere à denúncia e à defesa de direitos. MÊS DA BÍBLIA Setembro, no Brasil, é o Mês da Bíblia e, neste ano, a proposta de estudo é sobre o profeta Miqueias, com o tema“Para que n’Ele nossos povos tenham vida”e o lema“Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus”. Para ajudar na reflexão, o Centro Bíblico Verbo publicou o livro “Defesa da família: casa e terra”. Mais informações no site www.cbiblicoverbo. com.br/#!producoes/clms. ENCONTRO DE NEOMISSIONÁRIOS Foi realizado, de 22 a 31 agosto, em Curitiba-PR, o Encontro de Neomissionários SVD, reunindo 25 verbitas das três províncias brasileiras e da Região Amazônica, e que chegaram ao Brasil nos últimos cinco anos. O objetivo foi conhecer melhor a realidade brasileira a partir do olhar SVD, os desafios antropológicos da Pós-Modernidade e refletir sobre a interculturalidade, Bíblia e outros temas. Dos participantes, 12 são da Indonésia, 2 do Vietnã, 2 da Polônia, 2 da Índia, 1 da Bélgica, 1 de Gana, 1 do Congo e 4 do Brasil. NOVENA MISSIONÁRIA Já está sendo distribuído gratuitamente pelas Pontifícias Obras Missionárias o material da Campanha Missionária para o mês de outubro, com o tema: “Cuidar da casa comum é nossa missão”. A novena missionária vem acompanhada de um DVD produzido pela Verbo Filmes, mostrando testemunhos missionários de pessoas e grupos que se comprometem com o cuidado do meio ambiente e das pessoas. Mais informações: www.pom.org.br. RETIRO PARA LEIGOS E LEIGAS Estão abertas as inscrições para o retiro “A Trindade misericordiosa no cotidiano da vida”, que acontecerá de 18 a 20 de novembro, em Barbacena-MG. O retiro, orientado pela Equipe de Espiritualidade Arnaldo Janssen, além de aprofundar a espiritualidade trinitária, será uma oportunidade de encontro dos grupos leigos SVD e SSpS. Mais informações pelo e-mail redes@ssps.org.br. 2 - Vida Missionária SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2016 FAMÍLIA ARNALDINA

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Ana Elídia Caffer Neves,SSpS MISSÃO SSPS E SVD SSpS abre suas portas aos migrantes Asituação dos migrantes em diferentes partes do mundo mobilizou as missionárias combonianas, com os planos da União Internacional das Superioras-Gerais (UISG), que buscava uma maneira de servas do Espírito Santo a buscarem responder à situação de sofrimento dos alternativas, à luz do Evangelho, para migrantes e refugiados que chegam acolher e facilitar a integração de tantas continuamente pelo Mar Mediterrâneo pessoas que buscam um novo lar em à Ilha de Lampedusa. terras estrangeiras. Irmã Carmen participa da equipe que Exemplo disso foi a iniciativa das lidera o projeto e conta que, com o apoio irmãs da Casa-Geral, em Roma, de de diversas congregações religiosas, já acolher uma família nigeriana com duas conseguiram abrir duas comunidades crianças, oferecendo condições para intercongregacionais na Sicília e que futuramente se mantenha. Além planejam uma terceira. As religiosas da economia do aluguel, essa família ajudam na acolhida e orientam os vai conhecendo a realidade italiana, migrantes em suas necessidades e como aprende a língua, recebe apoio humano conseguir a documentação necessária. e espiritual das irmãs, e assim os pais O processo não é fácil na realidade têm mais tempo e energia para buscar italiana e europeia, onde, segundo Ir. trabalho. Outro passo importante é o Projeto Sicília Migrante, que nasceu da junção dos sonhos da Ir. Carmen Elisa Bandeo, secretária das Missões, em Roma, e de Ir. Fernanda, das missionárias Carmen, as leis mudam continuamente, não há transparência em muitos âmbitos (corrupção) e a economia está em crise. Nesse contexto, “ser ponte entre os refugiados e a população local se transforma em desafio”, mas, segundo Irmã Carmen Elisa com uma das crianças da família nigeriana recebida em Roma. Ir. Carmen, “quando você apalpa com as suas mãos a dura realidade dessas pessoas, o seu coração se alarga”. Centro promove integração OFrente do Centro de Integração do Migrante, no Brás - SP (a esquerda) e benção realizada durante a cerimônia de inauguração. bairro do Brás, em São Paulo, teção de Nossa Senhora de Guadalupe que será realizado nos próximos meses. famoso pelo comércio, tem a (fotos). Ainda em fase de organização, o Em breve, haverá atendimento migração em seu DNA. Come- centro busca ser um espaço de escuta, diário para escuta e orientação sobre çou com os italianos, depois chegaram encontro, partilha, acolhida, acompa- direitos e outras necessidades, como migrantes coreanos, bolivianos, para- nhamento, capacitação e integração das documentação. Aos domingos, serão guaios, peruanos, equatorianos, sene- culturas. retomadas as sessões de cinema, e um galeses, sírios, libaneses, congoleses e Entre as atividades oferecidas, há au- grupo de homens já está se organizando muitos outros. las de Língua Portuguesa e cursos de para discutir sua situação. Como em outros lugares, o desem- Informática e conserto de computador. Além do trabalho do Centro de prego, a pobreza, a falta de vagas em Toda quarta-feira, os alunos do Colégio Integração do Migrante, as irmãs atuam creches e escolas, o desconhecimento Espírito Santo, do bairro do Tatuapé, par- na Paróquia São João Batista do Brás, da língua e dos próprios direitos, as mo- tilham com as crianças como usar o com- onde há missa em espanhol todas radias precárias, as doenças e as jorna- putador. Há ainda o bazar de roupas aos as quartas-feiras, às 19 horas, com a das extensas de trabalho mal remune- sábados à tarde, que também é ocasião colaboração dos padres scalabrinianos rado são alguns dos sofrimentos que os de solidariedade e de intercâmbio. da Missão Paz. A Pastoral do Migrante migrantes do Brás enfrentam e que mo- Para Ir. Malgarete Scapinelli Conte, se reúne às quintas-feiras e, no segundo bilizaram as missionárias servas do Espí- que está à frente da missão com os domingo de cada mês, realiza a Missa do rito Santo a assumir os migrantes como migrantes, os desafios são muitos Migrante, sensibilizando a comunidade prioridade. para que “saiam desta realidade de paroquial para uma maior abertura e Por isso, o trabalho, iniciado nas ruas, exploração e se integrem à comunidade acolhimento. conta hoje com o Centro de Integração local”. Daí a importância dos cursos de No trabalho pastoral e voluntário, do Migrante, inaugurado no dia 12 de capacitação que, aos poucos, estão também estão participando alguns dezembro do ano passado, sob a pro- sendo promovidos, como o de culinária, seminaristas do Verbo Divino. Ivica Kusiková, SSpS Impacto da migração no Brasil e no mundo Embora o número de migrantes que chega ao Brasil aumentou 160% em dez anos, a porcentagem de migrantes em relação à população brasileira é muito pequena, menos de 1%. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o percentual total de trabalhadores migrantes em toda a América Latina e Caribe, em 2015, foi de apenas 2,9%, contra os 24,7% dos Estados Unidos, 38,8% na Europa, 16,1% na ÁsiaPacífico, 11,7% nos países árabes e 5,8% na África. Portanto o impacto causado pela migração no Brasil ainda é pequeno hoje, se comparado a outros países. Além disso, o Brasil é fruto da miscigenação de várias etnias e contou com a contribuição de migrantes europeus e de várias outras partes do mundo para o seu desenvolvimento. Atualmente a maioria dos imigrantes instalados no Brasil é do Haiti, Congo, Gana, Bolívia e Angola. Essas pessoas vieram em busca de melhores condições de vida ou para fugir da guerra, na esperança de encontrar acolhimento e paz. Mas, quando chegam, encontram somente dificuldades. Padre Paolo Parise, coordenador da Missão Paz, entidade dos padres scalabrinianos que acolhe e acompanha migrantes em São Paulo, conta que, certa vez, chegou um jovem de 18 anos do Congo, vítima de um grupo de delinquentes. Ele teve os pais assassinados na sua frente e permaneceu no domínio dos criminosos por uma semana. Após conseguir fugir, embarcou em um navio desconhecido. Ele só soube onde estava quando desembarcou e viu a bandeira brasileira. Essa, segundo padre Paolo, é uma das situações dos solicitantes de refúgio que chegam ao Brasil, sem saber o idioma e sem conhecer ninguém. Não são apenas os migrantes que vêm de fora a serem vítimas de preconceito, exploração no trabalho e falta de acesso a seus direitos. O mesmo acontece com as populações rurais ou mais pobres que migram para regiões metropolitanas como as do Rio de Janeiro e de São Paulo. De acordo com o IBGE, de 2004 a 2009, foram 444 mil pessoas que saíram do Nordeste em direção ao Sudeste, em busca de uma vida melhor. FATOS EM FOTOS Convento celebra 85 anos CEBs realizam multirão em Rondônia Arquivo SSpS Arquivo SVD O Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, completou 85 anos de existência, e as irmãs celebraram com uma missa em ação de graças e reinauguraram a capela, depois de um período de reforma. Nas fotos, o convento em 1931, a fachada atual e a entrada da Bíblia durante a missa. A Paróquia Santa Luzia, da Diocese de Ji-Paraná-RO, realizou seu primeiro mutirão das comunidades eclesiais de base (CEBs). Mais de 2.000 pessoas participaram das 11 tendas temáticas e da celebração de encerramento. A preparação com tríduo e visitas envolveu as 58 comunidades da paróquia. FAMÍLIA ARNALDINA SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2016 Vida Missionária - 3

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Site MLDUT Ana Elídia Caffer Neves, SSpS TESTEMUNHO MISSIONÁRIO “Fui migrante e refugiada” mente quando, aos 10 anos de idade, foram obrigados a deixar a Iugoslávia e buscar refúgio na Áustria. Irmã Hermezilda está com 83 anos e ainda recorda, com muitos detalhes, o sofrimento da via- gem. Sua família e seus vizinhos fugi- ram em carroças puxadas a cavalo, levando apenas algumas roupas e um pouco de co- mida. Foi um mês inteiro de viagem em que passaram muita fome e frio. OIrmã Hermezilda conta sua experiência de deixar a pátria. Seu irmão de 6 anos de idade caiu s noticiários do mundo inteiro da carroça, e a roda passou por cima, mostram imagens fortes de quebrando-lhe o seu pé. migrantes e refugiados que Quando chegaram à Áustria, são obrigados a deixar tudo e buscar em Oberösterreich, ela conta que outro país para reconstruir suas vidas. a população não estava preparada As causas são as mais variadas, e, para recebê-los e achava que eram infelizmente, ainda hoje, as guerras ciganos. Como era tempo de guerra, continuam a provocar deslocamentos havia escassez de tudo e pouquíssima em massa. comida. Sua mãe conseguiu trabalho Somente quem passou por isso numa fábrica, e assim podiam comprar conhece a dor de deixar tudo para trás pão e leite. e o desafio de reconstruir uma nova Quando terminou a guerra, o pai e vida em um lugar desconhecido. Essa um dos tios conseguiram encontrá- foi a experiência que Katharina Tipolt, los. O outro morreu nos combates. hoje conhecida como irmã Hermezilda, Conseguiram trabalho e, a partir fez como criança e como jovem, bem daí, a vida começou a melhorar para antes de se tornar uma missionária eles, apesar do preconceito que serva do Espírito Santo. enfrentaram. Ficaram na Áustria Katharina nasceu numa colônia ale- durante seis anos até que, com a ajuda mã na Iugoslávia, onde atualmente fica do governo suíço, puderam vir para o a Croácia. Durante a Segunda Guerra Brasil e reconstruir suas vidas. Mundial, o pai e alguns dos tios foram Irmã Hermezilda conta que, depois obrigados a servir o exército e ir para a de um mês no navio, desembarcaram frente de combate. Foram tempos mui- no Porto de Santos-SP e seguiram to difíceis para sua família, especial- viagem para Guarapuava-PR. Na região, o governo brasileiro disponibilizou terras para o estabelecimento de algumas colônias, mas as áreas precisavam ser desmatadas para que fossem construídas as casas. Enquanto isso, todos ficaram alojados numa escola. Foi nesse período que ela encontrou pela primeira vez as missionárias servas do Espírito Santo, quando procurou, junto com outras jovens, a Igreja local. Por intermédio das irmãs, recebeu apoio para ir trabalhar em São Paulo e, assim, poder ajudar sua família. Já na capital paulista, conheceu o Convento Santíssima Trindade, onde participou de celebrações e momentos de oração com as irmãs e percebeu que era isso o que ela queria para sua vida, e decidiu entrar para a Congregação. Sua vida toda foi dedicada ao cuidado dos doentes. Estudou Enfermagem e trabalhou em vários hospitais. Aposentou-se no Hospital Santa Helena, em São Paulo, e continuou a trabalhar por muitos anos, dando assistência pastoral aos enfermos e cuidando da capela do hospital. Sua família saiu de Guarapuava e foi para Curitiba, onde conseguiu se estabelecer, mas nunca pôde voltar para a terra de origem. Irmã Hermezilda conta que tem parentes na Europa que puderam visitar o local em que viviam, mas que não retornaram para lá. Ela mesma nunca mais voltou. Apesar de doente, Ir. Hermezilda continua com uma força de vontade férrea que a impele a querer trabalhar e estar sempre a serviço. Por isso sofre ainda mais quando é obrigada a ficar de cama. Mas sente muita alegria por todos os anos vividos no cuidado com os doentes e reza para que Jesus dê a ela forças para enfrentar as dificuldades atuais e assumir na fé sua missão até o momento do encontro definitivo com o Senhor. PELO MUNDO SVD E SSpS a serviço dos migrantes Responder aos apelos da missão hoje significa abrir-se à situação dos migrantes e refugiados que estão por toda a parte, no mundo inteiro. E é isso o que as congregações do Verbo Divino (SVD) e das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) estão fazendo, especialmente por serem internacionais e interculturais, e suas comunidades constituídas de migrantes. De acordo com o Pe. Daisuke Narui, 4 - Vida Missionária coordenador de Jupic SVD, em Roma, “é difícil encontrar uma província que não atenda aos migrantes ou refugiados nos cerca de 60 países onde os missionários SVD atuam”. O atendimento se dá pelo acompanhamento das pessoas, especialmente das que não têm ninguém para ajudá-las, passando pelos serviços pastorais e litúrgicos, aconselhamento espiritual, tratamento psicossocial, visitas a hospitais e prisões, suporte material para medicamentos, alimentação e outras necessidades básicas. Além disso, animam e sensibilizam a população local para o acolhimento, proporcionam formação profissional, cursos de línguas e de aprendizagem da cultura, aconselhamento jurídico e encontros sociais. Também atuam em situações de emergência, providenciando habitação e protegendo pessoas que escaparam de situação de escravidão, violência doméstica, tráfico de seres humanos, casos de doença, acidentes e morte. Também as irmãs SSpS atuam numa linha muito semelhante e desenvolvem projetos específicos com refugiados na Alemanha, Áustria, Eslováquia, Sudão, Espanha, Portugal e Itália, e com migrantes na Holanda, Espanha, Portugal, Alemanha, Taiwan, Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Itália e Brasil. Tanto as irmãs como os verbitas trabalham em parceria com profissionais e outras entidades, ONGs, governos locais e embaixadas, desenvolvendo projetos em rede para um resultado mais eficaz de suas ações. SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2016 JUNTE- SE A NÓS FAÇA PARTE DE NOSSA FAMÍLIA MISSIONÁRIA Esperamos você de portas e braços abertos MISSIONÁRIAS SERVAS DO ESPÍRITO SANTO PROVÍNCIA BRASIL NORTE Rua São Benedito, 2146 Cep: 04735-004 - São Paulo - SP Tel: (11) 5687-7229 Site: www.ssps.org.br E-mail: vocacional@ssps.org.br MISSIONÁRIOS DO VERBO DIVINO REGIÃO AMAZÔNICA Caixa Postal, 229 Cep: 68100-970 - Santarém - PA Tel: (93) 3523-2059 E-mail: verdiama@yahoo.com.br PROVÍNCIA BRASIL CENTRO Cep: 09932-080 - Diadema - SP Tel: (11) 4091-5297 Site: www.verbodivino.org.br Email: pvsvd@hotmail.com PROVÍNCIA BRASIL NORTE Rua Halfeld, 1179 Cep: 36016-015 - Juiz de Fora - MG Tel: (32) 3229-9820 e 3221-3656 pastoralvocacionalsvd.blogspot.com E-mail: provocasvd@bol.com.br PROVÍNCIA BRASIL SUL Rua Prof. Brandão, 155 Cep: 80040-010 - Curitiba - PR Tel: (41) 3023-2893 E-mail: pasvoc@yahoo.com.br SERVAS DO ESPÍRITO SANTO DA ADORAÇÃO PERPÉTUA CONVENTO N. SRª DO CENÁCULO Rua Nunes Machado, 150 Cep: 840045-410 Ponta Grossa - PR Tel: (42) 3229-1629 FAMÍLIA ARNALDINA

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