Confrades da Poesia78

 

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Poemas Lusófonos

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Boletim Bimestral Nº 78 | Set. / Outubro 2016 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 8,13 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneir os: 4 Retalhos Poéticos: 5 Tr ibuna do Poeta: 7 Contos e Poemas: 9 Bocage: 6,10,14,21,22 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Pedestal da Poesia: 23 Ponto Final: 24 EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fr ater nal e poético. Pr etendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono" ; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que pr aticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 João Coelho dos Santos Maria Fraqueza Luiz Poeta Pedestal da Poesia pág. 23 Nesta edição colaboraram 77 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Fundadores: Pinhal Dias - Presidente / Conceição Tomé - Vice Presidente Colaboradores: Adelina Velho Palma | Air es Plácido | Alber tino Galvão | Alfr edo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Bar r oso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lauro Portugal | Lili Laranjo | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Set / Outubro 2016 «A Voz do Poeta» Terno Vir a Ser ORQUESTRA DA NATUREZA. O dia vai anoitecendo, já é tarde, O sol se deitou e vem vindo a lua - inspiração para quem vaga pela rua, O sonho chega sem qualquer alarde Tudo é lindo, e pergunto, quem há de ter essa imagem que a vista nua consegue enxergar a Deus, na força Sua, seja no mar, na montanha ,na cidade É a vida, acontecendo, no seu vai e vem, hoje um alguém, amanhã outro também Ao mais doce do melhor sentimento... Oh, sina cruel! Oh, sina em vigília! Que preserve um vão contentamento Frutifiquem sonhos do arrebatamento! Quando os últimos raios de sol vão dormir E a manta escura tapa as franjas do arrebol Acordam, no amago da selva, os ruídos!... Paulatina, na surdina da noite, irrompe Como que musicada por unhas felinas, Uma grande e consonântica orquestra!... Cadenceiam árvores na dança do vento! Cumplicia o capim, no afinar de cada som, Na farta, emaranhada e verde carapinha. Crocitam os corvos; chirriam as corujas Pipilam os morcegos; cricrilam os grilos Coaxam os sapos; sibilam as cobras; Regougam raposas; ululam as hienas… Filomena Gomes Camacho - Londres Efigênia Coutinho – Balneário Camboriú/BR OS AMIGOS Astral Antes do aniversário, vivemos – dizem – nosso inferno astral Eu sempre observo isso e não me conformo Completar mais idade não é mal, é bem Se você tem 18 e eu muito mais, azar seu Eu já cheguei onde estou, você não Tanto eu quanto você temos é que agradecer O dom da vida não se mede pela quantidade de dias vividos E sim pelos sonhos acordados E deve ser por isso que atravessei mais décadas Quantas? Não seja imprudente, perguntar idade é falta de educação Digamos que sou um jovem em pele de lobo, mas de lobo bom, ouviu De resto, manda um beijo pra mim, o meu já está mandado. Edson G. Ferreira – Divinópolis/BR Fazer amigos é arte Que nasce no coração E tê-los por toda a parte É ter o mundo na mão. Ter amigos é riqueza Que faz a alma vibrar A mais humana nobreza Que Deus à vida quis dar. Amigos são como as flores Mais perfumadas e belas Que adornam a vida a cores Em brilhantes aguarelas. Na vida termos alguém P'ra comungar a amizade É virtude que contém Mais força que afinidade. Amigos são a família Que foi por nós escolhida Qual sentinela e vigília Com quem se partilha a vida. Euclides Cavaco – Canadá

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 3 «Olhos da Poesia» POEMA ANGOLANO. Teu nome, Maria INTERNET O calor era grande! Parecia era fogo!... A barriga da terra, de saudade gemia Dos verdes rebentos, no ventre gretado… Do fresco cacimbo, qu’a pele lhe cobria… Secos e tristes, das frutas, os paus Das folhas e copas que o frio crescia... Caninguiri, andwa..nenhum passarinho Lhes cantava pousado, fugira a alegria… Filomena Gomes Camacho - Londres AGOSTO Ainda é agosto. Há lembranças na cesta e fartas merendas untadas de aprumo. A doce alfazema deixou no meu sumo aroma e sabor, a lembrar uma festa. Estendo a toalha no chão, onde resta saudades escritas, num breve resumo, às vezes cobertas por riscos de fumo limando o destino, aguçando uma aresta. Os dois nos sentámos na pedra dos anos; e sobre os joelhos pousámos os panos bordados com brilho que temos nos olhos. Colhemos amoras, fizemos licor. Lembrando alegrias, distâncias e dor, dos grandes amores que vencem escolhos. Glória Marreiros - Portimão Saudade A saudade é um lago cheio de jasmins no encanto de um universo infinito É o sabor de uma despedida na incongruência dos tempos Saudade é uma criança perdida na ingenuidade de uns pais São pétalas que caem ao sabor dos ventos como lágrimas sem fim. Pedro Valdoy - Lisboa Admirar-te o colo, os ombros nus Banhar-me em ti em tépido suor E deixar-me ficar, doce torpor Louvando o Éden a que fazes jus… No mundo da internet Há coisas boas e más Quem por bem nela se mete Muita ajuda a todos traz. Maria, em Deus nasceste para amar Qual Eva fascinante e corruptora Que incitações efluis, tu, tentadora E que prazeres promete o teu olhar! Maravilhosa invenção Que veio o mundo mudar Veloz comunicação De utilidade sem par. És no meu ser o mote principal Que me povoa os sonhos venturosos Louvando – inconsciente - o crucial; Maria, dos meus ais mais gloriosos Cumpres o apogeu do natural Entre êxtases e ais prodigiosos. Eugénio de Sá - Sintra Podemos através dela Fazer novas amizades É como que uma janela Espreitando as novidades. Faz-se nela transacções Reencontra conhecidos Concretizam-se uniões Entre esposas e maridos. Princesinha Ser avó duma princesa Com cara de madrasta má È entrar na realeza Eterna e Feliz por cá. Tudo em ti é um encanto Até quando dizes “Santinho” Ao avô que tanto espirra Só para ter um miminho. Meio de consulta e ciência Ensino e mais benefícios Mas por gente sem prudência Para fins menos propícios. O valor lhe seja dado Com mérito mais profundo Por ter tão aproximado Os povos de todo o mundo Euclides Cavaco - Canadá Teu sorriso, Marianita Insinua tua sina Uma menina bonita Que nossa Vida ilumina. NUNCA (à minha esposa in memoriam) Vindo eu ao Face- Book Delirei extasiada A Mariana com tal look Deixou gente encantada. Boa noite Marianita Nunca mereces tau tau Comes a sopinha toda Co` a história do Lobo Mau. Maria Vitória Afonso Cruz Pau / Amora – Me esquecerás - tu me disseste um dia; – Não creio - respondi por entre abraços ninguém jamais me desfará dos laços que te uniram à minha fantasia! Tão indeléveis são teus níveos traços quanto os momentos de sensual magia, nos quais teu corpo ardente sucumbia em ânsias de prazer entre os meus braços! Mesmo quando, da morte, o vão mistério der-me o desterro de seguir sozinho, relegando-te à cruz de um cemitério, não creias que este amor tua morte dome, pois ali me ouvirás, coxo e velhinho, junto aos ciprestes soluçar teu nome! Humberto Rodrigues Neto – SP/BR

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 «Pioneiros» SONHO. O tic-tac Sonho-me…num bem-estar forjado pelo fictício delírio das emoções… Na alma…chora-me o vazio! Filomena Gomes Camacho - Londres O BANHO DAS GAIVOTAS Meus olhos poisados sobre o mar... Entre os azuis esbranquiçados... Ondas num vaivém sem parar... Gaivotas agrupadas a beira mar... Melodia de aguas em movimento... Pensamentos em tormento... Ao longe o horizonte... E... a direita o monte... Gaivotas belas a descansar... Molham seus pés no mar... Algumas esgravatam na areia... Alimentos para levar... Voz do Povo Eu vou-te cantar um fado; Vou falara da minha vida: Parti num barco parado Que encalhou logo à partida. Fiz a viagem sentado, Mas num banco de jardim. Fiquei também encalhado; Sem zarpar cheguei ao fim. Pelo meio houve aventura; Houve sonhos cor-de-rosa, Acabaram em amargura Da viagem desditosa. O tic-tac que o dia sufoca No sufoco que apenas dura Até a noite que chega e toca Seu instrumento de tortura. O tic-tac é tudo o que ouço No vazio dessa noite escura Com a alma presa no calabouço Próxima aos domínios da loucura. O tic-tac é um pobre coitado Sofre o golpe da minha infâmia. Ele nunca foi o culpado, É uma vítima da minha insônia. O tic-tac não tem defesa Sem culpa em meus tormentos... A minha alma é que ficou presa No emaranhado dos meus pensamentos. O tic-tac na hora certa Agora já não me alcança Porque a alma esta liberta E o corpo agora descansa! Ivanildo - Volta Redonda/Brasil E... os olhos esses ... Cansados de observar... Encontram ao longe... A lua e o luar ... ali chegar.. Ando a viajar, sem norte, No meio da tempestade, Num trajecto de má sorte Que não me deixa saudade. Escuta-se um barulho São as gaivotas a se molhar... Umas paradas ..Outras a esvoaçar... E só EU ali ...parada a olhar... Vou, então, num fado novo Cantar minha desventura. E, assim, os ditos do povo Têm força de escritura… Maria Margarida Moreira (MAGUI) Sesimbra João Ferreira - Qtª do Conde Amor Alado Se amar demais é pecado Confesso que já pequei Hoje, o meu amor alado Tornou-se um fora de lei. Porém, foi correspondido Um ano, um dia, uma hora. Por isso não faz sentido Deitar as saudades fora. Não estudei para saber Gerir as minhas emoções Mas aprendi a viver Com as minhas convicções. Desfolhei um malmequer Deixei as pétalas no chão. Um “Ser” não ama quem quer A escolha é do coração. Amor meu Na bela penumbra do belo recinto, Vejo-te calma respirando amor. Na cama fosca com lençóis tão brancos, Onde fizemos nosso ninho de amor. Que maravilha quando juntos estávamos, E juntos saciávamos nossos desejos. Numa sequência de beijos tão puros... Que a cada um aguçava mais e mais nossos desejos. Para mim no mundo só existe uma mulher, Encantadora que me encanta, Que me transforma em escravo seu. Esta mulher és tu anjo divino, Amor meu. SER ÚTIL Eu não sei palavras bonitas nem sei falar demais, só sei que gosto de fazer bem a quem falta faz... Eu aprendi a plantar semente, de ternura em cada coração, para que toda a gente viva com mais união. Eu aprendi a cantar canções de esperança e de amor, para que alivie a cada um nos momentos tristes e de dor, Eu aprendi a seguir caminhos, onde os seres não têm cor, onde frutificam os caminhos em nome de deus nosso senhor, e aprendi a ser assim, a ser paz e útil ao semelhante, para que tudo pra mim esteja perto e não distante eu aprendi a orar em silêncio e lembrar de quem me esquece, pedir saúde para toda a gente, Em cada momento de prece!... Luís Fernandes – Amora José Chilra - Elvas Vivaldo Terres – Itajaí / BR

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Relações Pai conta-me uma simples história para eu adormecer; olha, uma daquelas tão lindas, tão belas, que, em sonhos, ficam na memória até a manhã nascer. Promete, pai, promete. Meu filho, não tenho tempo. Ando com um trabalho na net que requer muita atenção, e eu bem preciso disso para que lá, no serviço, possa ter uma promoção. Pai, e aquele brinquedo que te pedi, muito a medo, com receio de recusares? Meu filho, não tenho tempo. Quanto mais tu me atrasares mais me esqueço de to dar, mas tu que tens o tempo inteiro, toma lá este dinheiro e vai, com alguém, comprar. Pai, preciso muito de ti, um instante, um só bocado, para tu me ensinares, ou talvez me explicares, aquilo que eu não percebi dum novo tema. Meu filho, não tenho tempo. Gostaria de estar contigo, como já te confessei, mas é que combinei com um amigo irmos hoje ao cinema. Fica, então, para depois. Pai, e no próximo fim de semana? Pensei que talvez… pudéssemos ficar os dois a conversar… jogar xadrez… Meu filho, não tenho tempo. Estes dias são de praia e temos de aproveitar pois o tempo já consente. Preciso correr, nadar, antes que a chuva caia e o stress aumente. Pai, sabes, no próximo feriado, se não estiveres cansado, queria a tua opinião sobre uma certa questão que me traz angustiado Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 5 «Retalhos Poéticos» Meu filho, Não tenho tempo. Precisamente, nesse dia tenho uma conferência marcada com antecedência e, na verdade, não imaginava, não sabia que havia na tua vida, uma situação desconhecida, com tal ansiedade. Pai não sei se vais à reunião dos professores, no liceu. Os outros pais sempre vão e nunca dizem que não… sozinho fico sempre eu!... Meu filho, não tenho tempo. Tens de perceber, com a agenda carregada, que tenho mais que fazer que aturar os outros pais. E para além de tudo o mais, aquilo dá sempre em nada. Pai, dizem-me que, para crescer, eu terei de frequentar toda a discoteca ou bar e, para tudo esquecer, não ter medo de beber. Será verdade, meu pai? Meu filho, não tenho tempo. Pensa no que é importante, tu já sabes discernir. Se queres ir, pois vai, nem precisas de pedir, mas não percas o sentido, e como nada garante que o teu grupo não se atrasa, melhor é estares prevenido, levas a chave de casa. Meu pai… oh!,,, meu pai… Filho… sim...meu filho… Sei que precisas de mim e vim logo assim que pude… mas não me olhes assim, que teu olhar desilude. Tu precisas dum amigo nesta hora de desgraça. Eu não sei o que se passa, mas mesmo não tendo tempo, tu podes contar comigo, sem censuras, cara a cara... Pára…meu pai… pára… Tu ignoraste os porquês dos meus gritos de atenção. Não… não digas que não… eu não te censuro, bem vês, e peço a Deus que te guarde, mas… meu pai… Tu nunca, tiveste tempo… E agora…já é tão tarde!… António Barroso - Parede Aqui Foi aqui, ao redor deste lugar Que senti todos os acordes, de uma vida a começar! Rodeada de carinho De amor, de compreensão De espaço, de Liberdade De luz, de Sol, de Luar. Nunca soube o que era o medo Nem a vontade de chorar! Aceitei com alegria, a vida, que me daria Razões para a louvar... Para a agradecer, para a cantar! E tanta é a gratidão, que sinto por pertencer, a essa árvore de que sou ramo, Que todo aquele sítio, em mim, soa, como um belo e eterno Hino A que me rendo, e que amo! Felismina mealha - Lisboa DOMINGO DE CHUVA Domingo chuvoso, de parda tristeza, Com vento zangado coa mãe natureza. Chapéu todo nuvens, o tempo mudou A roupa vestida no ontem passado. Trocou roupa leve e botas calçou, Vestiu o casaco de pelo forrado. E pôs meias altas tapando as canelas, De lã fabricadas à noite à lareira. As calças são grossas, largas, amarelas, E lenço ao pescoço, atado à maneira. Vestido prá chuva, pró vento e pró frio, Percorre esta rua de língua de fora. A chuva a cair, a valeta é um rio, Ajudam bombeiros, chamados na hora. Os ramos, que dançam nos troncos seguros, Me trazem o medo de alguma desgraça. Por sorte, paredes, as telhas e muros Estão no lugar e ninguém aqui passa. O vidro molhado mostra a ventania E encosto à janela a cabeça vazia. Janela fechada, no vidro a chorar, Colei a mudez vã do meu triste olhar. Tito Olívio - Faro

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» A Paz Tenho pena, realmente, De não poder concorrer Ao novo desafio da poesia Mas sou sócio correspondente E, como tal, Nada posso fazer Para mostrar a alegria Pelo tema que foi escolhido Em torno dum ideal A paz é a base, é o sustento Dum mundo unido; A paz não existe de mão beijada. Sendo tudo, vem do nada, Do pequeno sentimento Da fraternidade Que não escolho momento, Nem idade; A paz constrói-se com amor, Está no verso do poeta, No cinzel do escultor, Na mais célebre paleta, Ou na ponte que o engenheiro Lança para unir As margens do mundo inteiro; A paz sente-se num sorrir, Numa palavra amiga Que na busca recompensa, É cmo o amealhar da formiga Que, devagar, Enche a despensa. Enfim, não poder entrar Num tema que tanto me apraz, Não estar presente, Há que aceitar em paz, Mas tenho pena, realmente. António Barroso (Tiago) Parede, Portugal Entardecer na Serreta. A tarde vai sossegando Numa paz habitual E o sol se vai deitando Mesmo em frente ao quintal. As nuvens logo se enlaçam Com o sol que até dá pena E no horizonte traçam O melhor que vejo em cena. Adeus que te vais embora Para amanhã voltares Ao mesmo poiso fiel. Sempre em frente à Senhora Vais tecendo os seus ares Como o Sol do meu papel. Rosa Silva ("Azoriana") AROMA DE AMORA (HOMENAGEM A AMORA DE ONDE É A MINHA ESCOLA) Amora com as suas Quintas Desfila em tapete de poesia E no mapa são belas pintas Que dão Aroma à Geografia. Amora, até agora, cora, Quando o Rio a abraça e beija E também sabe ser dura Com quem quer e não deseja. Amora namora o “Judeu” Que se deita no seu colo E lhe rega o seio e solo E lhe diz não sou só teu. Amora, fruto silvestre, Para ter graça e doçura, Nunca precisou de mestre, Amora é, por essência, pura! Do seu valor, da sua imagem Amora está bem segura, Não quer Senhor nem vassalagem, Amora é Dona Senhora! Amora é mais que “predial”, Amora é titular da sua Margem, Amora é histórica e fundamental, Amora merece esta Homenagem! José Jacinto "Django" Casal do Marco VINHO Néctar dos deuses, Fruto do trabalho do homem, Milagre divino nas escrituras. Aquece o coração dos enamorados, Proporciona prazer e bem-estar. Promove longevidade como remédio No dia-a-dia, em pequenas porções. Saboroso, fino e requintado. De várias texturas e sabores. Elemento importante, Em eventos especiais. Metáfora do sangue de Cristo, Derramado para salvar a humanidade. Beber é pecado, dizem alguns. Mas vinho é sagrado, Jesus Transformou água em vinho e, Matou a sede do homem. É usado nas celebrações religiosas. Quem aprecia leva as palavras Como um mandamento: Tomai e bebei em memória de mim. Como sou cristã, digo o que me cabe: Seja feita a vossa vontade! Isabel C S Vargas - Pelotas/RS/Brasil A Nossa Bica AO SR. RA MA LHO e sua atenciosa esposa D. ROSA A bebida dos génios é café; E dos alienados cola-cola. A vida é como um café quente, Se tomamos rapidamente queimamos a boca. SR. RAMALHO e D. ROSA. A BICA é produto nacional português, Que pobre ou rico ou qualquer, não dispensa, Um vício (?) ou porventura mais:-- doença Mas é tão gostosa, que causa rotina…talvez! Há quem o critique com irónica ofensa, Quando a mim, é snobismo ou insensatez, A BICA dizem, acalma qualquer, d’uma vez Faz parte da família, com razão imensa! À volta da BICA anda o amor, amizades, Negócios! Pactos! Segredos e, outras afinidades, Não olvidando o rei futebol, Sporting e Benfica! Seja lá como for a BICA é aqui na RAMALHO, É s melhor do bairro, aqui fazemos atalho Por todos motivos aqui é, gostosa a BICA…! Nelson Fontes Carvalho / Amora / Belverde Para lá da espuma dos dias Nós somos o projecto de nós mesmos Donos somente de um querer original somos a soma daquilo que fazemos; Produto afim de um meio seminal E tudo em nós será subjectivo Pois só mesmo pra nós é crucial. É esse o livre arbítrio, assertivo Sublimada vontade, querer maior A mais-valia de todo o nosso activo. Sejamos, a um tempo, juiz e promotor Da nossa acção em chãos entretecidos Com a bondade dos passos do Senhor. Ponderemos os dias já vividos C’0 a consciência de os continuarmos Com o amor dos mais comprometidos. Eugénio de Sá – Sintra Agosto e Setembro Ó meu lindo mês de Agosto Eu te conto se me lembro; Do tanto que entrei a gosto, Quando saía em Setembro. Arménio – Melgaço

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 7 Confrade desta Edição «Jorge Humberto» COMO Como ter sem saber que tenho? Como ser sem saber quem sou, Verdadeiramente? Como dar sem que a isso só me agarre? Como gritar, ao vento, sem que uma Única voz, se faça ouvir? Como cão. sem osso, que se Abandonou, no deserto? Como amar sem ser amado? Como longe, na distância, mas perto do coração? Como o silêncio, ensurdecedor, de quem Morre por dentro? Como a ilusão, nas mãos da razão? Como a liberdade, roubada a uma esquina? Como a natureza, em perfeita Sangria, aplaudida pelos poderosos? Como a criança, que cresceu depressa Demais? Como a fobia e o vício nos olhos, De um adolescente? Como o vinho para curar todas as dores, De mais um dia de exploração no trabalho? Como trabalhar, de sol a sol, sendo Esbofeteado pelo patrão? Como a mulher, de mil sevícias se calando? Como sendo violada e ultrajada, anteSeu bom-nome? Como um bebé que morreu prematuramente? Como o choro e o grito, dos que Há muito perderam o senso comum? Como explicar-me e ninguém me Entender? Como morrer por asfixia, na sobredosagem Da eterna solidão? Como um jardim sem flores? Como dizer, bem alto, NÃO, ao passado? Como sofrer as dores de quem não Se reconhece mais? Como quem caminha sem saber qual Dos lados escolher? Como apelar, a todos os sentidos, Para afastar os maus presságios? Como ser o povo, que luta diariamente, Para se realizar? Como ser a poesia, esquecendo-me de mim? Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia NA PASTELARIA…“RAMALHO” Quadras ao Gosto Popular Na Pastelaria, “Ramalho” Deixem-me vos explicar: Há alegria e há trabalho Clientes, sabendo estar. Os donos, da “Casa”, são Incríveis: Dona Rosa, Brinca, e mostra o coração; Seu Fernando, é a prosa, E os gestos, dos que lá estão… E a Amizade é um sol Que luz e reluz, desde então. Quem aqui vier por bem, Pode entrar à vontade, Que assim não há quem Fugindo ao libelo da verdade. Se te dizem que sim, Querendo dizer que não, Perdoa-os, enfim, Tanta indecisão. Mais vale um amigo na mão, Que dois amigos Em contradição: A tais não deis ouvidos. Sei, de todos, por vossa assunção; Cada qual caminha, em prol De algo maior, na palma de sua mão. Uns dizem, outros Fazem… tamanha a diferença, Entre uns e outros, E aos que julgam sentença. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia Quadras ao gosto popular III É preferível pouco ter e ter amigos, do que muito mostrar aos inimigos. Nunca digas desta água não beberás, pois não sabes o que vem lá atrás. O pecado é o gesto por ti praticado, quem não assume o erro sai vexado. Muito melhor viver com a verdade, com inteligência e mui acuidade. Há muitos por aí a falarem da vida, dizendo que a outros tantos é indevida. Mas quem a leva de bom-tom, é como na boca dócil bombom. Quem tudo julga na aparência, mostra ao mundo pouca inteligência. Nem todos saem da mesma fornalha, só ao melhor, é dado ver sua talha. Mostrar esforço e muita dedicação, tem-se de ter grande coração. Porque nada nesta vida nos é dado, Cai a noite no meu quintal, Foi-se o dia aziago, E ainda há quem leve a mal, Sair sem ter pago. Para quê ser-se rico, E no entanto ser mau vizinho? Eu por aqui me fico, Deixando ao outro sozinho. Jorge Humberto - S. Iria D’Azoia MENTIR? MINTA QUEM PODE Se bastasse um bastar-me das coisas simples da vida, não teria muito que preparar-me: Simples assim eu sou – e à devida. E acaso viesse um duvidar-me, bastar-me-ia a retorquida sem alaridos: a esforçar-me na condução, da que já foi havida. Julgo, às vezes, perder a “razão”; Não sei quantos sou e aos que vão de mim para mim, em convulsão. que o diga o comum do empregado. Quem faz da humildade sabedoria, é recto e mostrar não precisa. Porque, toda a luz do dia, aos olhos de todos se divisa. Nunca eu soube o que é mentir: Como nada pode nem vive, a se fingir: Como quando não tem - porque vir. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ Monte S. Michel MENTE QUE SOFRE No combate entre a luz e as trevas, Sempre foste fiel! Em tua honra ergueram a Abadia, No monte de Saint-Michel. Qual Jerusalém que desce do Céu! Eterna luta entre o Bem e o Mal, Melhor testemunho não há, Da era Medieval. Filipe Papança – Lisboa A gaveta dos sonhos… Aprisionei:-te, na minha mente, Sou o ladrão, da tua liberdade, Quero:-te minha, para sempre De ti não terei, mais saudade, Ou será que me enganei, E é tanta a tua maldade, E penso que te aprisionei, E continuas em liberdade, Se minha mente reclamar, Que meu coração, está vazio, Vou:-te de novo aprisionar, E nunca mais em ti confio, Sentado ali, à minha escrevaninha, Abri então a gaveta dos sonhos, Com coisas banais ou coisas comezinhas, Entre outras especiais, pelo que eu suponho… Ficarás presa, ao meu coração, Só terás, liberdade para o amar, Depois quer queiras, quer não, Outro não voltas a procurar, Em antevisão…, me quedo pensativo, Olhando, aquele monte de poemas, Alguns já nem recordo, de tão antigos, Qual a forma poética, ou até os temas… a,guilhermemartins, S. Salvador do Campo E é assim, que em tal confusão N’amalgama de pedaços de papel, Palavras aos milhares e em profusão Neste monte de poemas a granel… Em sossego então…, fico a reflectir…, Suave a sensação em que me aprazo, Discreta na emoção e no sentir, Mergulho a mão, nos poemas ao acaso… Por onde começar? Qual escolher? Alguns mesmo…, o papel amarrotado… Hesito…, e pego então em um qualquer, “Trovas de amigo”, já tão amarelado…! “Numa trova bem tirada, Eu também quero topar, Porque se não disser nada Poderei amarelar…” António Boavida Pinheiro - Lisboa Mariana Momentos vagos de expectativa Antecedem o mágico acontecimento Renascemos rodos para a tua vinda Imbuídos de alegrias promissoras Antevendo o próximo Natal Nascemos antes de ti para o sonho Aleluias cantaremos joviais. Maria Vitória – C. Pau / Amora Tenta outra vez! Não digas que a canção está perdida tem fé em Deus tem fé na vida. Tenta outra vez! A água viva ainda está na fonte tu tens dois pés para passar a ponte nada acabou! Levanta a cabeça e começa a andar não penses que as pernas aguentam se tu parares. Há uma voz que canta uma voz que dança uma voz que gira bailando no ar. Basta ser sincero e acreditar tu és capaz de sacudir o mundo. Tenta outra vez! E não digas que a vitória está perdida se é de batalhas que se vive a vida. Tenta outra vez! Joaquim Maneta Alhinho Qtª do Conde Choram as pedras da rua Amigo quando partiste Não sei como conseguiste Partir sem dizer adeus. Foi um dia dos mais tristes Porventura já não vistes O carpir dos olhos meus ! Nesse dia acinzentado Chorou a lua a meu lado E uma nuvem lá no céu. Ouvi o murmúrio do vento E as estrelas do firmamento, A chorarem quanto eu ! Murcharam as flores do campo Nesse dia de dor e pranto O sol não brilhou mais. Choraram as avezinhas E as penas das andorinhas Escureceram muito mais ! Partistes precocemente Meu amigo, toda a gente Lastimou a sorte tua. Hoje a saudade vai alta Por cá fazeres tanta falta Choram as pedras da rua ! Sendo que a vida é uma ponte Talvez um dia te encontre No outro mundo e depois Ainda que seja tarde Vamos a rir da saudade E abraçar-mos os dois ! José Chilra (Tiago Neto) - Elvas Quimera Se o homem adulto tornasse À pureza e governasse Com a ternura E a candura De uma criança O mundo tornar-se-ia mais belo E mais puro. Assim, como adulto Com soberba E arrogância governa Com exacerbada Ganância de um predador. Sem fome Tudo come. Sem dor Sem um ui Nem sequer Um ai Destrói: sua mulher Sua mãe seu irmão e seu pai. Carmindo Carvalho - Suíça

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 9 «Contos / Poemas» Imaturo Pokémon O mundo vivencia o processo de regeneração. Uma nova fase se inicia. A busca pela “verdade” é uma chama que alimenta a centelha dos seres despertos para a construção de um planeta melhor. A humanidade necessita do resgate de si mesma. Libertando-se do julgo pesado e doloroso que nos aprisionou ao longo da caminhada evolutiva. O amor precisa ser plantado, cultivado e compartilhado entre os homens. Ser solidário é o antídoto contra as depressões. Não se deixe alucinar pelas ferramentas que, por sua vez, foram possibilitadas para o progresso dos recursos comunicativos. Por que alienar-se por jogos que promovem a violência, o desequilíbrio e a falta de controle mental? O jogo eletrônico free-to-play “Pokémon GO” venceu os discursos por uma realidade humanitária (tornando-se viral), negligenciando inúmeras mentes que mergulharam nessa novidade virtual. A batalha vai começar, os monstrinhos são capturados com objetivo de colocar os mesmos para confrontar. Não necessitamos de bestialização (crianças, jovens, adultos, percorrem diferentes ambientes em busca de capturar e aprisionar virtualmente os Pokémons). O universo precisa de mentes despertas para o grande advento de transfiguração cósmica. Só venceremos as mazelas que se abrigam em nós, ampliando a nossa capacidade de compreender a vida, não se prendendo nas oportunidades, mas transpondo os apegos permanentes e temporários que cruelmente nos faz sofrer. O modismo e a falta de maturidade moral e espiritual dos homens os levam para os abismos do eu. A superficialidade não pode vencer a profundidade do coexistir, da “verdade” que liberta, da poesia que sensibiliza e do amor que vence as ações bestiais. Quero convidar você para olhar o seu mundo interior, compreendendo o belo que se abriga dentro e fora de nós. Dhiogo J. Caetano – Professor, jornalista.- Uruana/Go A BELEZA DE CADA ESTAÇÃO Recebi uma mensagem que falava a respeito de um homem que desejava que seus filhos aprendessem a não julgar os acontecimentos de forma apressada. Então, ele mandou que os quatro filhos fossem observar uma pereira plantada em um local distante. Mandou cada um deles em uma estação diferente. Ao relatar o que viram as informações foram desencontradas. Um disse que a árvore era feia, torta e retorcida, o outro que ela era recoberta de botões verdes, cheia de esperança. O terceiro disse que ela estava recoberta de flores, com um cheiro tão doce e perfumado que ele até arriscaria dizer que era a coisa mais bela que tinha visto. O último vira uma árvore carregada e arqueada de frutas, de vida e de promessas. O homem então explicou que todos estavam certos, porque cada um tinha visto apenas uma estação na vida da árvore. A sua conclusão é que não se pode julgar uma árvore ou uma pessoa por apenas uma estação. A essência de cada um e o prazer, a alegria e o amor que vêm daquela vida só podem ser avaliados no final, quando todas as estações estão completas. O propósito de contar tal história é para que levemos em conta que a beleza existe em cada estação, temos é que ter sensibilidade suficiente para percebê-la nas pequenas coisas. Estamos na primavera e tão importante quanto esta bela estação que faz desabrochar as flores, o sol brilhar com mais intensidade e a vida parecer mais bela, é cultivarmos esta beleza e este milagre em nossos corações, no dia a dia, valorizando cada um dos dons que recebemos gratuitamente e que temos o dever de multiplicar para melhor dividir com nosso semelhante. O fato de estarmos celebrando a primavera é uma mostra de que na realidade estamos celebrando a vida, a alegria, a amizade, sentimentos que devem ser cultivados em qualquer época de nossas vidas. É uma prova de que não nos deixamos perturbar, nem amedrontar com o avanço da idade, porque mais importante que o número de anos vividos, é a maneira como os vivemos, não como quem carrega um pesado fardo, mas como quem carrega algo precioso, que nos foi dado com amor, e que por isso mesmo é capaz de nos fazer valorizar o azul do céu, o brilho das estrelas, o vôo de um pássaro, o sorriso de um amigo, a inocência do olhar de uma criança. É importante compreender que o fato de comemorarmos a primavera, é importante porque demonstra que a idade não nos faz perder a sensibilidade, não nos tolhe de olhar para o mundo com olhos de eternos aprendizes, que festejamos uma estação, que na realidade está em nossos corações, porque o mundo tem as cores com que nossos olhos o veem. Assim, devemos agradecer a Deus, pela vida, pela alegria, pelo companheirismo, pela amizade e pela possibilidade de renovação, de transmutação que nos é oferecido a cada dia e a cada estação do ano e de nosso ciclo vital. Isabel C S Vargas - Pelotas/RS/Brasil

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» Ser Poeta Dedicado aos poetas da minha Terra (Diz-se que de poeta e de louco, todos temos um pouco!) ***** Mas ser poeta, é ver o mundo numa outra dimensão. E sentir que se faz parte de um todo, dessa infinitude que é o Universo. Ser poeta, é pensar com o coração e sobrepor-se á razão E sentir a dor dos outros como se fosse a sua própria dor. Ser poeta, é olhar mais alto e mais além: É olhar para o sol, para a lua e para as estrelas e sentir o pulsar de cada uma delas. É olhar o mar e deixar o pensamento navegar na sua longitude. É espraiar o olhar na verdura dos campos e sentir os aromas da terra e das flores. É entender o sussurro do vento, o murmúrio das águas, O grito das águias e a ternura dos passarinhos. Ser poeta, é escutar o apelo das montanhas e a voz do silêncio. Porque poesia não é só utopia: Poesia é feita de loucura, dor e muito amor! Conceição Tomé – S. Mamede Ribatua Você tem medo de ficar velho? Você tem medo de ficar velho? Mas é um privilégio chegar a sénior e saber assumir as marcas do tempo. A maioria passou por um advento que lhe permitiu criar família; afectos . De quando em vez tem o carinho dos netos, flores de ternura, as mais lindas dos amores! O coração caminha pelas veredas da saudade, dos que partiram e já não voltam! Mas a sabedoria e a maturidade atingem-se com a idade! Mas não são velhos; - São Sábios ! Esqueça as rugas do rosto, esqueça de vez os postiços. Imprima positivismo nos lábios. Na dieta inclua os pratos favoritos. Delicie-se com a música a seu gosto. Ame o nascer do sol - Fogo posto! Ame as flores, as crianças, os animais. Caminhe junto ao mar, tudo é Poesia.. Deixe-se envolver pelos salpicos das ondas e pelo perfume do amor e da maresia. Virgínia Branco - Oeiras Quero voar nos braços teus ó pátria angola terra fértil onde a fertilidade da riqueza fertiliza as sementes de incertezas onde as cores da liberdade revogam-se no incolor do vento de uma verdade no silêncio barulhento se ela é Angola em tela se ela é aquela nas janelas do www mas bela é ela nas vestes da utopia Fredy Ngola - Angola SETENTA ANOS Setenta’anos, uma vida Quem me diria à partida Que um dia aqui chegaria Tanto fado, tantos fados Tantos caminhos andados Quantos bens, quanta poesia E se esta graça logrei Poucos sabem como eu sei Que lutei por esta bênção Fiz dos outros meus irmãos Procurei dar-lhes as mãos E fi-lo c’o coração! Eugénio de Sá. - Sintra SETENTA ANOS Serenidade em vida É o segredo Ter em mãos o enredo E protagonizar Neste efêmero palco Tudo sem medo Apenas conjugando o verbo amar Amar sem medida No irmão a acolhida Os passos seguros Segurando a sua mão Angélica Gouvea Luminárias-MG Aviso aos incendiários Porque és incendiário, tonto e vil, pegando fogo à mata portuguesa? Não sabes que destróis uma riqueza e deixas triste o povo e sem ceitil Porque és incendiário e tão hostil? A pátria dos teus pais, a natureza, a verdura do campo; e a subtileza que deveria ornar o teu perfil?! Não vês que és um tirano, sem critério, reverso do bombeiro, honrado e sério, que dá por nós a vida; o coração? Se queimas do pais a verde alfombra um dia vais ficar sem uma sombra... Quem sabe... Até, sem tábuas do caixão! Clarisse Sanches - Vila de Góis Um poema de amor. Êxtase Seu corpo inebriante, perfumado, amanheceu a alma do meu rosto. Numa doçura leve e suave de um alvor, de manhã primaveril. Ao longe incendiando o horizonte, rasgando neblinas matinais, raios de sol raiavam cintilantes num bailado de abraços incontidos. Fecho meus olhos e vejo-a deslumbrante irradiando sonhos escondidos, no calor de uma noite atribulada, na volúpia dos seus lábios de coral. Tateio o seu corpo aveludado em sincronia de gestos repartidos, de palavras segredadas num silêncio de fogo. Num mitigar de desejos ternos. Numa imobilidade indefinida. E fico inebriado... Como quem lê um poema. Arménio Correia - Seixal Monte S. Michel No combate entre a luz e as trevas, Sempre foste fiel! Em tua honra ergueram a Abadia, No monte de Saint-Michel. Qual Jerusalém que desce do Céu! Eterna luta entre o Bem e o Mal, Melhor testemunho não há, Da era Medieval. Filipe Papança - Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 11 «Tempo de Poesia» RADIOSA ESPERANÇA Em mim, um sonho que quero real, Anseio luminoso, qual Sol brilhante! Na planura verde, o leão rampante Vitorioso, como outrora, sem igual. Em mim, esta sede não tem rival, Querendo o meu SPORTING triunfante! Digno dum passado- o mais pujante Que se afirmou para além de Portugal. Em mim, firme, a radiosa esperança Que é bem legítima e se não cansa Fazendo jus a um tão rico historial. Em mim, aliada encorajante, Esta fé bem viva, bem palpitante, No Sporting Clube de Portugal. JGRBranquinho - Sócio n.º 1.565-0 Diretor do Departamento de Cultura e Recreio. SAUDADES Na tua carta amorosa, P'ra disfarçar falsidades... Num lindo botão de rosa, Vermelha muito mimosa, Tu me mandaste saudades. Com carinho eu recebi, As saudades que detinhas; E quando essa rosa abri, Foi com surpresa que vi, Que eram menos que as minhas. Porque nunca me escreveste Cartas de amor e verdades, Ao ler o que não disseste, Nas juras que não fizeste, Cresceram minhas saudades. E essas saudades mesquinhas Que um dia mandaste assim, Ao ver que eram pouquinhas, Juntei as tuas às minhas, Fiquei com todas p’ra mim. Depois de eu dar abrigo Às que mandaste meu bem; Ficaram todas comigo, E agora p’ra meu castigo, Eu tenho mais que ninguém!... Isidoro Cavaco - Loulé Vou dizer-lhe, até, a esmo O que muito nós pensamos: Mereciam fazer-se o mesmo Aos que provocam as chamas! Clarisse Sanches Vila de Góis Mensalão & Petrolão Nos recessos de Brasília age autêntica família de escroques e de ladrões! Não há um só que domina sua patogênica sina de praticar infrações! Nem todos têm tais mazelas, mas se concordam com elas bem pouca decência têm! Se com tal não se comprazem, se vêem tudo e nada fazem, são sem vergonhas também! Já se tornou correlato que a operação Lava Jato levou muitos à prisão... E muitos, por seus excessos, respondem a dois processos: Mensalão e Petrolão! Humberto Neto – SP/BR LISTA INCOMPLETA Ouvir Amália, Deolinda, Celeste, Ouvir um Carlos Ramos, um Farinha, É sentir, Fado amigo, que tu deste A Portugal aquilo que não tinha! O Armandinho, Argentina Santos, Dando ao fado moldura e melodia, João Ferreira Rosa e tantos, tantos, Que andam tão esquecidos hoje em dia… Ouvir o patriarca Marceneiro Rezando puro fado no seu jeito, É sentir um amor tão verdadeiro Que, num rasgo de amor, salta do peito! Fado é amor, é dor, é sacrifício, Uma forma de vida, um destino, Destino de um Macedo, de um Maurício, Dos Duartes, Carlos e Natalino. Honrando a tradição do fado antigo, Hermínia, Carlos Zel, Dona Lucília, Julio Vieitas ou o Pelarigo A Amélia Proença e a Ercília E tantos, tantos outros, que omiti Mas têm seu lugar assegurado!… Embora não o diga, estão aqui, Pois sem eles não haveria Fado!!! Carlos Fragata - Sesimbra A MULHER É ETERNA. As mulheres são como as ondas do oceano; Todas as mesmas, nenhuma semelhante. (daniel Darc) É de Desmosthenes sobre a mulher Ele respondeu: Nobre, pra que me honrasse; Donzela pra que me servisse; Bela, pra que me agradasse; Casta, pra que me não m’enganasse! A MULHER Neste mundo existe um ser, Primor dos seres criados, Traz em si—Anjo e Lúcifer, Inocência e, mil pecados! A poesia da ausência, Só com ele s’encarnou; Desde do alfa da existência, Ele logo a dominou! Dominou, dominará, É lei… a natura o quer -- a trindade que n’ela há Anjo! Demónio e…mulher! Não há mulher que não tenha seu encanto, Uma demais, como tenho provas d’isso Que as boas intenções não vêem o feitiço, É muito complicado – muito—isto garanto! Por isto e, algo mais apenso, um derriço Que se calcula, com saber, tal quebranto, Vale mais um bom coração, cujo manto Seja, carácter, senso, carente, submisso! Que vale ser formosa, deusa se não presta?? Vale mais uma feia, co’o coração em festa, Que podemos confiar como fiel companheira… Diz o rifão; -- Mulher e melão são difíceis d’escolher, Mas quem sabe, exímio em ambas mexer, A mulher n’isso tem certa boa analogia! Nelson Fontes Carvalho - Belverde / Amora O Amor nunca perde a validade O silêncio selou o meu coração Destruiu alegria e entrou a solidão As lágrimas secaram a minha face enrugada E o sorriso deixou de dar brilho ao meu olhar A tristeza ficou vincada no meu jeito de falar E afastei o desejo de mulher apaixonada. O passado é uma ferida difícil de cicatrizar Capaz de destruir a vontade de sonhar Numa vida preenchida pela família e amizade O tempo apaga tudo, até as más recordações E faz pensar que a felicidade é feita de emoções Num Mundo onde o Amor nunca perde a validade. Ana Santos - Vilar de Andorinho

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 «Trovador» SANTAREM O FADO ACALMA Santarém, cidade bela Da lezíria és rainha Vês o Tejo da janela Lá do alto onde se aninha O fado pode ser triste Pode ser triste e acalma! O fado que em mim existe Liberta o corpo e a alma! Tens lindos monumentos Velhinhos sem ter idade S. Francisco Santa Clara, Te dão beleza ó cidade Meus amigos e amigas Cantem que o cantar faz bem! Canções, fados ou cantigas, Cantem o que lhes convém! S. Nicolau, a Piedade A Graça o Seminário As tuas portas do sol Passeio de lindo cenário Se estou triste canto o fado Feliz, canto uma canção! Quero sentir meu estado Regular meu coração! S. Domingos, a Ribeira Te amam por majestosa Tudo em redor se deleita E dizem como és formosa Brasileiras, Portuguesas, Dão-nos amor e carinho! Com tão gratas gentilezas Alegram quem está sozinho! Teu mercado centenário O teu coreto também E a fonte das Figueiras Te relembram Santarém, Somos a família assaz Nesta bela “antologia” Gozamos a nossa paz, “Horizontes da Poesia”! O Milagre, e Santa Cruz, Te protegem ó cidade Teus conventos e igrejas São teus postais de verdade Tuas ruas paralelas Com travessas estreitinhas E nos beirais dos telhados Ainda há ninhos de andorinhas Os poetas te cantaram Foste alvo de mil amores Hoje nos jardins tens pedras Se perderam tuas flores Mesmo perdendo espaços Estás em meu coração Te abraço com meus braços Rio e choro de emoção Hei-de voltar para ti É essa minha vontade Quero morrer, onde nasci Santarém, minha cidade Amelia Ferreira – Santarém Paz ao acordar. Bento Tiago Laneiro - Lisboa GRAÇAS AO DESTINO Mote Meu amor, meu rio, de água transparente Minha foz e nascente, espelho cristalino Onde eu campesino, bebo da nascente A frio e a quente, graças ao destino (José Narciso Chilra) ÉS A MINHA FONTE "Meu amor, meu rio de água transparente" Onde lavo meus olhos da dor que sinto Quando sei teu reflexo, de mim ausente E me perco nas curvas dum labirinto "Minha foz e nascente; espelho cristalino" Onde adormeço e acordo, abraçada Nas rias do teu amor peregrino E onde me deixo ficar aninhada "Onde eu campesino bebo da nascente" Que sacia em mim esta sede cega Quando te fazes por horas ausente E voltas depois, em paz, pla sossega Tempo do seu recordar E de nada s’envergonha Nessa paz ao acordar Tem a vida mais risonha Lahnip - Amora "A frio e aquente graças ao destino" És esse caminho onde me encontrei Onde o raiar do sol, puro, matutino Brilha suave, desde que te amei Maria da Encarnação Alexandre - Lisboa 30/08/2016 Quadras Esta vida é como um galho, Seca se não a amparares. Não jogues muito ao bogalho, Se queres ter bons jantares. Esta vida é uma dança, Precisamos de pés leves. Pois, só assim ela avança, Como quando tu escreves. É muito importante ouvir, O que diz o coração. Mas melhor é intervir, No caso duma aflição. Jorge Vicente - Suíça Desgarrada Não se conhece as origens do nosso fado vadio, mas até me dá vertigens de o ouvir ao desafio chamam-lhe de desgarrada esta forma de cantar é uma forma engraçada outro estilo de brincar. o fado nasceu do povo cantado por invisuais ao contrário do mundo novo nesse tempo sem jornais iam para as feiras de gado cantar as desgraças sociais e assim nasceu o fado por não haverem jornais. Vitalino Pinhal - Lisboa Quem És Tu, Bom Trovador? Quem és tu que tão bem cantas e que as donzelas espantas com este cantar de amor ? Vens da medieva idade ou, para falar verdade, é mais velho o teu fulgor? Saís-te de um Amadis ou da trova de um Dinis que foi referência maior? Neste Portugal amante talvez sejas um Infante Quem és tu, bom trovador? Eugénio de Sá - Sintra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 13 Todos nós já nos interrogamos sobre o porquê da nossa existência… Para que nascemos? E porque morremos? São os Mistérios da Mãe Natureza E eu fiz este poema: “Mistérios do Ser” Não somos filhos do acaso, Nem de Deuses inventados; Somos pedaços de barro, Pela Natureza moldados. A Terra, tem seu pulsar, Tem ventre, tem contracções, E veias para sangrar, A lava dos seus vulcões. No tempo que nos é dado, Sujeito a variações, Sentimos o corpo insuflado Com a essência das quatro estações. Somos flores na Primavera, Frutos maduros no Verão, Folhas caídas no Outono, No Inverno, o longo sono, Debaixo do frio chão. E as raízes carcomidas, Que de novo brotarão, Para germinar novas vidas Numa perpétua renovação! Porque na Natureza nada se perde, tudo se transforma! Conceição Tomé – S. Mamede Ribatua “É TÃO DEPRESSA NOITE NESTE BAIRRO” “É tão depressa noite neste bairro” aquela que me levou para a vida desgarrada, para as insatisfações a que fui dando guarida, nesta puta de vida, entorpecida e malvada. Queria seguir em frente, acomodada, mas os gritos bradavam enlouquecidos, e os desencantos, na beira da estrada, surgiam, cada vez mais, embrutecidos. Nada mudou a rota traçada, naquele espaço, aberto e sombrio, onde sobrevivo, cansada e curvada, à espera de um ombro amigo. Queria a felicidade mesmo fantasiada. No seu lugar… tudo eram devaneios, mas era a noite que me atormentava, neste bairro miserável, onde prevalecem os receios. E neste viver inexperiente, traí o meu próprio sonhar, era uma simples adolescente de um bairro pobre, numa noite de luar. Natália Vale - Porto Neste Agosto em Portugal É só oui, oui, oui, oui O que se ouve afinal Eu vou contar o que ouvi Neste Agosto em Portugal São os nossos imigrantes Que da França regressaram Para passar uns instantes Na terra de onde abalaram Não quero fazer pirraça Porque da sua terra abalam É que eu até acho graça Da maneira como falam As crianças ainda tolero Ouvi-las falar em francês Mas amigos, sou sincero Dos adultos é portunhês Não é com feijão e couve Que se faz um bom rôlo Mas aquilo que se ouve Ai não é pão nem bolo Se de melhor não são capazes Confesso que muito me ri E deixo aqui algumas frases Engraçadas que eu ouvi … Vamos * acheter * á feira ... Fabio * Vien ici * imediatamente ... Sim filha * allons manger * á Queijada ... O teu * chien * é lindo ... Olá Manel * bonjour * tudo bem ? ... A minha irmã está toda * jolie * ... Estamos de * vacances * ... Hoje almoçámos * lapin * assado no forno ... Manuel, segura o * chien * ... Eu vou ali comprar * fromage * ... António * c’est lá c’est lá * o azeite ... Tinha mais, mas hoje fico por aqui. Chico Bento - Suíça

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» VELHICE Do moço que brincava nas ruas da aldeia Nada ficou, Nem ao menos a ideia Que lhe povoava a mente de criança. O tempo que tudo mata e tudo cria Impiedosamente assassinou A loucura da esperança, A demência da ousadia. Do moço que brincava nada resta, Perdeu-se no caminho de lutas E canseiras, De sonhos e disputas, De verdades imaculadas e asneiras De coisas boas e tudo o que não presta… Perdeu-se quando buscava o seu caminho E na longa estrada De escolhos e dores pejada Ficou sozinho. Do moço que brincava resta um velho Pernas pesadas Das longas caminhadas, Mãos gastas do muito trabalho, Olhos sem brilho que vê no espelho, Rugas profundas o seu agasalho, E quase inaudível a rouca voz Que já ninguém escuta… Palavra cicuta Que é grito sem eco dos que falam sós. Foi moço e brincava, Mais tarde já homem sonhava, Sonhava e lutava Por um mundo melhor… O inexorável tempo assassino Matou o menino E o homem também, Ficou só o velho a morrer de dor E maldizer a sorte Quando ouve os novos chamar-lhe “ninguém” E desejar-lhe a morte. Nogueira Pardal – Verdizela Partiste… Do ventre pátrio de tua mãe! Escorraçado pelo vento solar … na quietude dos dias longos. Partiste…! Pela sombra dos caminhos (des)feitos em pó… Partiste…! Em lágrimas vertidas em chão de pedra! Enleado em braços armados ao vento Partiste…! Em socalcos de parábolas… Que para ti inventaram… Versos invertidos na espuma dos dias. Manuel Gonçalves da silva – Fogueteiro POESIA... VÁDIA Sem querer, ouvi alguém, dos meus poemas falar, Com um certo ar de entendido... e que os estaria a criticar, Talvez por escrever poemas longos, de difícil compreensão... Mas eu, sinceramente, não consigo doutra forma escrever, Pois de rimas e demais regras, eu não consigo entender, E será talvez por isso que escrevo... como sinto no coração. Eu sei que a poesia tem princípios... e até outras questões, Sei que existem entendidos que a lêem, e emitem opiniões, Para que esta sociedade depois... muitos livros vá comprar... Mas eu, que rico não sou, nem penso vir a enriquecer, Já não vou, certamente, arranjar forma de aprender, E nem me importo, pois escrevo… para na gaveta guardar. E também, sinceramente, que isso não me está preocupando, Pois se uns dizem que não gostam... outros estarão gostando, E escrevo, sem me preocupar com o que possam pensar... Porque como tenho tempo livre... e tanto gosto de escrever, Escrevo poesia vadia, e na gaveta, logo a vou lá esconder, José Carlos Primaz - Olhão da Restauração A Rosa de Outra Manhã As notícias de ontem foram engolidas pelo manto eterno e negro, devoradas pela chama das estrelas e o vento mudou de rumo levando as nuvens carregadas de estupor, nostalgia e desespero. hoje, mal o sol floriu o céu, abri janelas, descerrei cortinas e cantei com as avezinhas! chovera e as pedras da rua estavam brilhantes e limpas. as beatas passavam compostas, os velhos jogavam às cartas, os meninos corriam nas bicicletas, e os namorados passeavam de mãos dadas uma doçura inaudita paira e afaga num abraço que eleva e mitiga até escutarmos outras notícias falando de miséria e ruína... façamos de conta que só existe o agora! sorvamos a hora que passa sabendo quanto é transitória desoprimamos a alma esquecendo os espinhos em riste entre as folhas da roseira e olhemos com enlevo as pétalas que vão abrindo ainda fascinantes de orvalho carpe diem! Maria Petronilho - Almada

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 78 - Setembro / Outubro 2016 15 «Faísca de Versos» Fogos em Portugal Em cada Verão que passa Volta o fogo e ameaça Danificar Portugal Queimando matas e casas Deixando um rasto de brasas De extermínio infernal !... De proporções desmedidas Destrói bens e ceifa vidas Veste em tristeza o Verão Em onda assaz violenta Nosso País atormenta Com negro véu de carvão !... Nossos bombeiros valentes Já não são suficientes Para os fogos apagar Por isso pedem ajuda A qualquer fim que lhe acuda Prós incêndios dominar !... Os fogos são na verdade Flagelo e calamidade E tragédias horrorosas Alguns são mesmo atentados Quantas vezes ateados Por certas mãos criminosas. Porquê meu Deus tal castigo? Deste eminente perigo Que nos causa tanto mal Com meu Povo solidário Sofro este triste cenário Dos fogos em Portugal !... Euclides Cavaco - Canadá Portugal arde em chamas. Portugal arde em chamas Mão criminosa!? Pavor! Arde o país que tu amas! Bombeiros salvam p’lo amor Pinhal Dias (Lahnip) PT (In: “Memórias em versos”) HÁ DE HAVER TEMPO Debates, comícios… Há de haver tempo em mim para gritar: A revolta que sinto no meu peito. Não quero ficar preso, estar sujeito, A quem quer minha voz amordaçar! Debates, comícios e arruadas, São cenas importantes, De participações ordenadas, Dos políticos e apoiantes, A minha boca, alguns querem calar, E modelar meu ser a seu preceito. Mordaça posta em mim eu não aceito, Meu tempo de falar, há de chegar. Há de haver tempo então para exprimir, E em luta de palavras esgrimir… A razão da revolta no meu peito! Se acompanhados da honestidade!... Quantas almas desfeitas, Quantos valores recusados, Por acções de forças eleitas E de políticos mal formados, Esquecidos da honestidade!... Eu juro, há de haver tempo p’ra provar, Que meio mundo nos anda a enganar, Com milhares de cifrões em seu proveito! Os seus contraditórios São novelos emaranhados, Para entreter os simplórios... Alfredo dos Santos Mendes - Lagos «Vós que lá do vosso império prometeis um mundo novo, calai-vos, que pode o povo querer um mundo novo a sério.» Ativamente empenhados, Numa ansiedade louca Procuram a cenoura, Com que encherão a boca Quando sentados à manjedoura! Já terão então perdido a honestidade! António Aleixo Glosa José Maria Caldeira Gonçalves Fernão Ferro Vós que lá do vosso império fazeis sofrer nosso povo olhai para ele de novo e desvendai o mistério. Com vossas promessas chochas prometeis um mundo novo, meteis o povo num ovo deixando de fora as “coxas”. Sois um bando de lesivos os milhares vão p’ro Covo, calai-vos, que pode o povo enterrar-vos todos vivos… Fazei rodar o “hemisfério” para termos claridade. Pode alguém de mais ruindade, querer um mundo novo a sério. Dai-nos outra vida mais nobre que a do sofrimento! Versos controversos. Versos controversos, e que chegam a nós adversos e que chocam a alma por dentro. Trovador declama, com potência de voz! Desgarradas são desafiadas ao centro Controversos, animados ao desafio fado que virou a cancioneiro imortal brilham as pautas, com músicas de arrepio o turismo aplaude – nosso Portugal Versos controversos e deixados ao vento mão do autor, desafiando o parlamento desmascarando a política dos perversos Controversos, que andam à sombr a da r osa descarrilam na problemática duvidosa… Há versos de revolta, que andam imersos Jorge Vicente - Suíça Pinhal Dias (Lahnip) PT

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