Maceió Duzentos Anos

 

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Um trabalho cuidadoso, restaurador incondicional da História da Maceió, a qual todos nós amamos e onde temos nossas raízes, os nossos ancestrais. Homens e Mulheres que, efetivamente, construíram esta querida cidade.

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Presidente do Conselho Estratégico Carlos Alberto Mendonça Diretor Executivo Luis Amorim Instituto Arnon de Mello (82) 3326-1604 Presidente Carlos Alberto Mendonça Coordenação Geral Leonardo Simões História Douglas Apratto Tenório Economia Cícero Péricles de Carvalho Geografia Rochana Campos de A. Lima Cultura Cármen Lúcia Dantas Revisão Ivone dos Santos Fotografia José Ronaldo Hamilton Cruz Direção de Arte e Diagramação Wellington Charles Cavalcanti Tratamento de Fotos Victor Paiva Impressão - Gráfica Moura Ramos Tiragem - 15.000 Exemplares Foto capa: Ricardo Lêdo Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 5 19/02/2016 18:43:20

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“MACEIÓ, 200 ANOS” Émagnífico, e feito com muito zelo e especial cuidado, este Trabalho sobre os 200 anos de Maceió, realizado pelo Instituto e a Organização ARNON DE MELLO, através dos competentes Mestres, Especialistas Pesquisadores e doutos Historiadores, a exemplo dos Professores Douglas Apratto Tenório, Cármen Lúcia Dantas, Cícero Péricles de Carvalho e Rochana Campos de A. Lima, auxiliados por um bom grupo de Fotógrafos, Redatores e Colaboradores, sob os cuidados do diretor Leonardo Simões. É um prazer entregá-lo à sociedade, registrando, com maestria exemplar, o valor da Efeméride de grande significado para todos nós que temos a felicidade de presenciar, esse marco histórico, desta acolhedora Maceió, completando seu segundo século como Capital. É uma obra notável, ímpar, sobre o “Torrão dos Marechais”. Um trabalho cuidadoso, restaurador incondicional da História da Maceió, a qual todos nós amamos e onde temos nossas raízes, os nossos ancestrais. Homens e Mulheres que, efetivamente, construíram esta querida cidade. Maceió, hoje verdadeira metrópole, dona das mais belas praias e dos mais agradáveis recantos deste sofrido Nordeste, foi berço de grandes homens que continuam ajudando a construir e solidificar a nossa República. Os que tiveram a felicidade alcançar uma cidade onde o transporte principal era o bonde, indo para todos os bairros, após, inteligentemente, circular o Centro, e daí seguindo para os seus destinos, são orgulhosos de terem vivido num dos recantos mais agradáveis deste Brasil. Pelas suas belezas naturais, lagoas, praias, cidade alta, cidade baixa e muitas outras maravilhas, Maceió recebeu o merecido título de “Cidade Sorriso”, onde, dizem os mais antigos, “não havia dificuldade para a vida das famílias”. Ao fazer esta saudação à querida cidade de Maceió, a qual aprendi, logo cedo, a querer bem, amando-a com o coração, e que me deu família e bons amigos, orgulho-me de integrar o Instituto e a Organização ARNON DE MELLO, poder testemunhar a realização de um Trabalho magnificamente elaborado por uma Equipe de Estudiosos Profissionais que engrandecem a todos nós, como este MACEIÓ, 200 ANOS. Maceió, dezembro de 2015. Carlos Alberto Mendonça Presidente do Instituto ARNON DE MELLO Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 6 19/02/2016 18:43:20

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A História Índice Os Símbolos de Maceió Capítulo I Dos primórdios ao Período Colonial As raízes indígenas, a origem e as dúvidas Porto e porta abertos ao comércio com os franceses O registro no diário holandês Dirimindo dúvidas sobre a origem O povoado inicial A padroeira e a transferência de São Gonçalo As entrelinhas da escritura Entre jacutingas e araçás, uma restinga estratégica O povoado se expande Os sambaquis - Maceió antes dos índios A toponímia tupi de Maceió A rede e a jangada, vestígios de um legado esquecido Capítulo II Elevação à vila - Uma cidade em gestação num país nascente O Alvará Régio e a primeira Câmara Póvoas queria Maceió como capital Uma vila com vocação mercantil A reação dos comerciantes A planta de Mornay e um destino manifesto Sociedade urbana com essência patriarcal A luta pela independência e a lusofobia Transferência da capital e mudança do cofre Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 7 17 18 20 21 22 23 24 25 26 27 28 30 31 32 34 35 37 39 41 43 44 45 19/02/2016 18:43:21

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A História Capítulo III Maceió torna-se a capital - O Período Imperial O fascínio dos estrangeiros A escravidão e a presença negra em Maceió O trem e a modernização conservadora do século XIX As linhas arquitetônicas, serviços básicos e posturas A visita do imperador, a matriz e a Santa Casa “Voluntários” forçados a ir à Guerra do Paraguai Acirramento político Lisos x Cabeludos As tensões e os movimentos sociais e políticos As campanhas abolicionista e republicana Educação e cultura Capítulo IV Os turbulentos anos republicanos – De 1889 ao fim da República Velha A vida intelectual nascente e o Instituto Histórico Um período de turbulência na consolidação da República A queda dos Malta, Maceió incendiária A Quebra dos Terreiros. Ato de perseguição religiosa A Belle Époque sururu e a miséria dos pobres Maceió das imagens e a expansão das associações Do outro lado da ribalta, os excluídos As novas invenções, Maceió se civiliza Os gansos do Salgadinho salvam o governador Os banquetes e as lutas políticas O irrompimento da questão obreira A época de ouro da cultura Capítulo V Maceió, da Revolução de 30 aos dias atuais - Os desafios do século XXI Os revolucionários entram na cidade-restinga O grand finale de uma era Bebedouro é destaque na era de ouro da cultura O Estado Novo e a II Grande Guerra 48 O Anjo Americano, Angústia e Ninho de Cobras 50 O petróleo é de Alagoas, é do Brasil, é nosso 51 Maceió em tempos de cólera 53 O fim da guerra e a redemocratização de 45 54 O Gogó da Ema 56 O primeiro prefeito eleito, em 1953 57 As surpreendentes mudanças dos anos 50 58 A novidade do banho de mar e a praia das acanhadas 60 O episódio do impeachment abala a política 62 As vilas operárias, o voto urbano e as universidades 63 Nova perda de autonomia A resistência de uma época de medo A televisão insere Maceió na aldeia global Presença das mulheres na ribalta política A Praça do Centenário Bibliografia / Intendentes municipais de Maceió Prefeitos de Maceió 64 66 67 69 70 71 73 74 76 78 79 80 81 82 83 84 85 86 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 104 105 Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 8 19/02/2016 18:43:21

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A Economia A Comunicação O papel da OAM na modernização de Alagoas Capítulo VI Os desafios de Maceió no século XXI - A busca da qualidade de vida A cidade do comércio e dos serviços A economia informal 57% da economia alagoana estão na região metropolitana A cidade polarizada O Estado onipresente A questão habitacional O consumo popular O mercado de trabalho Oportunidade de desenvolvimento A capital dos serviços - Uma urbe dinâmica Maceió, moderno centro comercial Um dinâmico polo de saúde Uma rede educacional qualificada Moderna estrutura de turismo A indústria da construção civil TI e Business Services A economia criativa Porto e aeroporto, as portas de Maceió Um porto para o mundo Na era da aviação Capítulo VII IAM, uma década de obras sobre Alagoas e sua gente O papel da OAM na modernização de Alagoas O Século XX - Esse extraordinário mundo novo As empresas que formam a OAM Arnon de Mello, um homem apaixonado pela informação 108 110 115 118 123 125 128 129 132 134 136 138 140 142 144 146 149 150 154 155 156 158 159 160 165 166 Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 9 19/02/2016 18:44:01

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A Geografia Capítulo VIII e IX Maceió, 200 anos - 1815 a 2015 - Uma visão temporal da cidade Maceió, de 1815 a 2000 O ambiente natural – A geologia A geomorfologia A cobertura vegetal A Hidrografia As águas superficiais –As águas subterrâneas – As unidades de conservação Evolução dos limites municipais As primeiras ocupações Evolução urbana Vias de comunicação Evolução populacional Maceió no século XXI – O desafio de se reinventar – Região metropolitana Divisão dos bairros Os bairros – Os bairros da planície lagunar Os bairros da planície marinha Os bairros do planalto Maceió e sua população atual Mobilidade e acessibilidade – Os desafios para que a cidade se mova Glossário 190 192 193 194 195 196 197 198 199 201 207 214 216 217 219 220 222 224 227 230 Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 10 19/02/2016 18:44:02

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A Cultura Capítulos X e XI A construção da identidade – Literatura Artes plásticas Teatro Cinema Fotografia Música Bibliografia 236 244 252 256 262 263 276 Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 11 19/02/2016 18:44:03

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Maceió, jovem e bela senhora Maceió é uma adolescente de 200 anos, se comparada com milenares cidades europeias e asiáticas, ou mesmo com capitais brasileiras que têm mais do dobro da sua idade. Mas nossa cidade já atrai visitantes como gente grande. Porque é bela e porque tem um povo que sente gosto de mel quando dizem que sua cidade é bonita. Somos vaidosos dos encantos da nossa capital. Vaidosos como mãe de menino traquinas. Reclamamos dos problemas dela entre nós, que somos de casa. Mas vá alguém “de fora” falar mal de Maceió na nossa frente. Viramos bicho, defendemos a cria. Nosso amor pela cidade não é apenas atávico. É herança e tradição, sim, mas Maceió nos dá motivos muito reais para admirar seu passado e gostar de viver aqui no presente. As ruas do Centro histórico, por exemplo. Os nomes originais dessas ruas dão uma ideia de como Maceió exala inspiração e lirismo desde que nasceu. Rua do Sol, Avenida da Paz, Rua da Alegria, Rua Boa Vista, Beco do Moeda, Rua do Imperador, Ladeira da Catedral, Rua do Livramento, Beco de São José, Rua Augusta, também conhecida como Rua das Árvores... Que povo mais poético é esse, para inventar endereços tão bonitos? Houve um tempo em que essas denominações foram trocadas – é a velha mania brasileira de rebatizar locais públicos. Nos regimes autoritários (o Estado Novo e a ditadura de 1964), a Avenida da Paz virou “Avenida Duque de Caxias”. Triste ironia: a paz foi trocada por um símbolo da guerra, Caxias, que aliás nunca pôs as bravas e honradas botinas por aqui. Nasceu e morreu no Rio de Janeiro. A Rua da Alegria virou “Rua Joaquim Távora” – outro militar, cearense e nem um pouco ligado a Alagoas. Na época da mudança, uma anedota local dizia que, lá longe em seu túmulo, o próprio Joaquim Távora lamentava ver seu nome sendo usado para acabar com a Alegria. A Rua do Sol virou “Rua João Pessoa”, paraibano e também sem vínculos com Maceió. E assim por diante: todas as outras principais vias públicas foram rebatizadas com nomes que nada diziam à alma da cidade. O Centro perdeu a identidade, pelo menos nas placas das ruas. Mas o maceioense, mesmo nas décadas seguintes, continuava a chamá-las pelos nomes antigos – é uma qualidade que o povo tem, a teimosia. Felizmente, em 1990, a Câmara Municipal de Maceió aprovou um projeto do então vereador Ênio Lins e devolveu oficialmente os nomes com que Mestre Povo batizou as ruas do Centro histórico de Maceió. Hoje as placas voltam a ostentar os nomes originais, os nomes verdadeiros e belos das nossas ruas, becos, praças e avenidas, que nasceram e cresceram junto com Maceió. E os personagens? Toda cidade que se preza tem seus personagens. São eles que dão vida, humanizam e contam a história de um lugar. Falar de Maceió é falar do Moleque Namorador, do Major Bonifácio dos carnavais e festas de fim de ano; de Rás Gonguila e de Benedito Mossoró. Da Nega Odete e da Miss Paripueira. Do homem do veneno no Mercado, dos anônimos cantadores das feiras e dos poetas Renan Filho Governador bêbados nas madrugadas enluaradas. Ou de um rapaz do Farol que cantava e tocava violão e jogava bola muito bem, chamado Djavan Caetano Viana, filho de um ambulante e de uma lavadeira. Um dia o rapaz saiu daqui e foi mostrar sua arte para o Brasil e o mundo. Mas sempre volta para beber a água da sua fonte, e se inspirar na cidade que o viu nascer para criar sua música. Parabéns à jovem senhora bicentenária, Maceió. A brisa que vem do mar, desde o litoral norte em Ipioca, passando pelas três enseadas de beleza sem igual – a da Jatiúca, a da Pajuçara-Ponta Verde e a da Praia da Avenida, de onde se vê o mais belo pôr do sol –; a brisa que chega ao Pontal das rendeiras e entra pela Lagoa Mundaú, passa pelo Porto do Sururu no Dique-Estrada, vai adiante e refresca velhos casarões e pequenas habitações de pescadores e catadoras em suas margens na Cambona, no Bom Parto, no Mutange e em Bebedouro, até as antigas fábricas nas ladeiras de Fernão Velho, já no extremo sul – essa brisa generosa, que balança os coqueiros e mangueiras de Maceió, sopra as 200 velinhas de seu aniversário. E nós todos cantamos, batemos palmas, fechamos os olhos e abraçamos a nossa cidade querida, desejando-lhe muitos anos de vida e de felicidade para seu povo. Finalmente, nossos merecidos e sinceros cumprimentos à Organização Arnon de Mello, que mais uma vez mostra zelo com a História, preservando a memória e a cultura da cidade com o suplemento comemorativo dos 200 anos de Maceió. A cidade agradece pelo presente. Ela merece. Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 12 19/02/2016 18:44:03

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200 anos de Maceió, Momento de Celebração Oaniversário de uma cidade é um marco na história e nas conquistas de seu povo. O bicentenário de Maceió é também uma página que revela a chegada de um novo tempo, em que buscamos mais qualidade de vida, melhor infraestrutura e melhores condições de educação, saúde e bem-estar. Maceió completa 200 anos como uma cidade dinâmica, em plena construção de um futuro ainda melhor, que aspira por mais justiça social. Berço ou morada de grandes nomes de relevância nacional e de um povo trabalhador, ordeiro, especial, nossa cidade enfrenta com altivez e coragem o desafio de reduzir as desigualdades e promover a cidadania de nossa gente. Estamos em uma luta incansável pela qualificação dos espaços públicos e áreas de lazer, ampliação do acesso à educação, à saúde e ao esporte, promoção de empregos e da economia solidária e oferta de condições para a expansão da atividade turística, vocação natural inspirada pela beleza de nossas praias e potencializada pela capacidade acolhedora de nossa população. A comemoração dos 200 Anos de Maceió é um momento de grande significado para a cidade. De celebrar o crescimento, de celebrar conquistas, de refletir sobre os desafios e reforçar o compromisso para com nossa população. É o momento de fortalecer a identidade do maceioense e sua relação de pertencimento com a bicentenária Maceió. À frente da Prefeitura de nossa capital, esta tem sido uma de nossas metas, da qual procuramos não nos distanciar: fazer, por meio de uma gestão devotada à causa de nossa cidade, elevar o orgulho que todos nós sentimos em ser maceioenses, alagoanos. O aniversário é de nossa cidade, mas somos todos parte dessa festa. O bicentenário de Maceió é o momento de declarar o nosso amor pela capital onde vivemos e criamos nossos filhos. Onde o legado de nossos antepassados nos inspira e onde a esperança de um amanhã de bem-aventurança só faz aumentar. A publicação Maceió 200 Anos endossa esse compromisso. É o legado da Gazeta de Alagoas à história e à construção do bicentenário. A obra reúne grandes especialistas, que apresentam com muita competência a história, a geografia, a economia, a cultura e a realidade da capital alagoana. É um presente para o maceioense, a preservação da memória e a afirmação do envolvimento com a cidade. Parabéns, Maceió! Rui Soares Palmeira Prefeito Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 13 19/02/2016 18:44:04

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Lembranças do Bicentenário Ahistória de Maceió está em suas ruas, em suas vilas, em seus vultos, canções, tragédias e glórias. Como toda história, invulgar e única. Por isso, bela e incandescente. E quem ousa nos contá-la? Todos aqueles que possuem, cada um a seu modo, a tarefa de evitar que nos esqueçamos. Mesmo que fragmentadamente. E estes compõem um mosaico de seres, objetos, narrativas. Todos indispensáveis. É a raposa de Lêdo Ivo. O itinerário de Luis da Silva, de Angústia de Graciliano Ramos. É Manoel Antonio Duro, habitante primeiro no começo dos 1600, como indica Craveiro Costa. É a Praça do Montepio, em sua honra, em sua degradação. É o Jacintinho e o Benedito Bentes, em biografia, e em sua geografia. O Café Central. O Quebra de 1912. Os faróis. Riachos, mar, lagoa. E os livros. Como este que você tem agora em suas mãos. Obra produzida com esmero e que busca dar, de sua maneira, contribuição a esta tarefa de nos apresentar o ontem e a evolução de nossa Maceió, nossa cidade, nosso chão. Livro que ganha um significado ainda mais especial, diante do marco de ser lançado em sincronia com o bicentenário de nossa cidade. São 200 anos, infinitas histórias, que aqui busca, em parte, condensar e registrar com qualidade editorial, pesquisa acurada, redação primorosa e projeto gráfico editorial que dá gosto de ver, de folhear e de ler. Maceió alcança seus 200 anos vivendo um momento crucial em sua existência. A capital de Alagoas começa a se desfazer da feição que a rotulava como pequena para assumir, gradativamente, sua condição de grande cidade, sede de região metropolitana, polo convergente. E junto às delícias vêm as dores de ser o que é. Desafios que todos nós, na Prefeitura de Maceió, estamos buscando diariamente superar. Mais que isso, para além de bandeira de gestão, desafios que todos nós, filhos desta cidade, temos a missão de enfrentar. E nesta tarefa, estamos todos unidos. Unidos pelo amor a Maceió, vivenciando nosso papel, sendo raposa, Luis, Manoel, Praça da Faculdade, Ipioca ou Moleque Namorador. Construindo com nossas vidas estes retalhos de histórias, necessários ao lembrar de um povo. Clayton Santos Secretário Municipal de Comunicação Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 14 19/02/2016 18:44:04

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Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 15 Minha Pátria Lêdo Ivo Minha pátria não é a língua portuguesa. Nenhuma língua é a pátria. Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci e o vento que sopra em Maceió. São os caranguejos que correm na lama dos mangues e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando [sonho. Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas [carcomidas, os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar, e o céu encurvado pelas constelações. Minha pátria são os apitos dos navios e o farol no alto da colina. Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa. São os estaleiros apodrecidos e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais tuberculosos [e impaludados não param de [tossir e tremer nas noites frias e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores e as résteas de cebola enrodilhadas na treva e a chuva que cai sobre os currais de peixe. A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria. Nenhuma língua enganosa é a pátria. Ela serve apenas para que eu celebre a minha grande e pobre pátria [muda, minha pátria disentérica e desdentada, sem gramática e sem dicionário, minha pátria sem língua e sem palavras. 19/02/2016 18:44:05

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Maceió, urbe e polis Cidades são monumentos à civilização. Em graus variados contam a história da evolução, desde o primitivismo às formas mais elaboradas de organização social. Apresentam marcas da engenhosidade humana na longa caminhada que nos retirou das cavernas para o convívio em sociedade. Na escala do tempo, elas são degraus expressivos do processo civilizador. No curso da história atestaram a importância de cada cultura, que nelas deixaram suas digitais, mais ou menos indeléveis, conforme a complexidade que atingiu cada um desses centros econômicos, administrativos e populacionais. O marco dessa evolução foi dado pelos gregos, que, numa síntese das conquistas ocorridas no Mar Mediterrâneo, adicionaram o conceito de polis ao de urbe, a expressão máxima do desenvolvimento social na gestão do poder – aí incluso o conhecimento em várias vertentes –, fazendo com que as suas cidades-estado estabelecessem paradigmas de tudo aquilo que hoje entendemos por civilização. Maceió permite essa leitura. Desde seus primórdios de feitoria dedicada à extração do pau-brasil por tribos primitivas voltadas ao comércio colonial; do engenho de açúcar sob o causticante sol tropical em meio ao mangue úmido, num crescimento social lento e sofrido até os dias de hoje. Da cidade cheia de dualidades, mas já inserida no contexto da modernidade brasileira. Da construção de uma cultura e da identidade, do conhecimento que avança lenta e de forma permanente sobre o analfabetismo, difundindo técnicas, criando atividades econômicas, enfim, saindo do primitivismo tacanho em direção à modernidade. A urbe evoluiu, trocando traçados urbanos toscos e casarios antiquados por linhas urbanisticamente elaboradas e construções não somente mais belas, mas também capazes de oferecer maior conforto aos seus ocupantes. Um esforço desenvolvimentista protagonizado por empresários, engenheiros, arquitetos, profissionais de saúde e artífices de habilidades diversas, que fizeram sua parte na melhoria das condições de vida, criando, em ciclos virtuosos, aperfeiçoamentos a cada geração - aquilo a que chamamos progresso, o que faz o hoje melhor do que o ontem. A cidadania em lenta evolução também é uma conquista desse processo evolutivo. A polis construída nos trópicos iguala direitos e valoriza o primado da lei. Maceió é a cidade cuja maior expressão é Ledo Ivo, de talento poético único, que elevou o caranguejo a figura lírica e o mangue a símbolo de nossa universalidade. Maceió, duas vezes centenária, é ainda imperfeita, mas cheia de qualidades e promessas! Stefani Brito Lins Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 16 19/02/2016 18:44:06

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Casa de Fazenda Frans Post - 1651 Livrao_maceio_duzentos_anos.indd 17 19/02/2016 18:44:07

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