Revista O Campo - 15ª edição

 

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Revista O Campo - publicação do departamento de comunicação da Coopermota.

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Edição 15 • julho | agosto • 2016 Segunda Safra Milho colhido, dados avaliados Coopermota entre as 24 empresas que mais cresceram Comercialização da soja atinge alta histórica julho | agosto 2016 o campo 1

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2 o campo mjulahio | jaugnohsoto22001166

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COLHER E SE ORGANIZAR Ao final do mês de julho a colheita do milho esteve intensa em algumas localidades e em fase inicial em muitas outras. A atividade agrícola é baseada em uma estreita parceria entre a natureza e as ações do homem. Os cuidados com esse equilíbrio muitas vezes chegam a ser questionados, mas é desta relação que são retirados o sustento alimentar da população, principalmente na agricultura de subsistência. Nas grandes lavouras, destinadas ao comércio de exportação, os altos investimentos prezam por alcançar o potencial produtivo dos materiais cultivados. Porém, é a natureza que realmente determina qual será o produto final. Neste ano, algumas dificuldades foram registradas pelos produtores rurais na região de abrangência da Coopermota, seja por ausência de chuva ou pelo frio intenso que acabou em geadas que queimaram lavouras em fase de conclusão de ciclo. O resultado disso foi uma produtividade reduzida, quando não inexistente, nas localidades próximas a vales e rios. O resultado desta colheita da safra do milho será bastante variado e exigirá do produtor a sua organização para evitar prejuízos com tal redução produtiva. O manejo, desta vez, não será somente de ordem técnica, no controle de pragas e doenças, mas também de cunho financeiro e de planejamento. Investir corretamente para buscar os melhores resultados. Nesta edição teremos três matérias que tratam da cultura do milho, tendo a primeira delas abordando um balanço nas condições das lavouras na região, a segunda sobre os dias de campo realizados para a orientação aos produtores e a terceira sobre o CampoCooper, evento de demonstração técnica agrícola para agricultores da região de Palmital, com a participação de dezenas de empresas. Teremos ainda nesta revista, o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Coopermota a partir do destaque alcançado na Revista Exame. No quesito, incentivo à cultura, traremos uma série de reportagens que abordam as festas juninas realizadas pela Coopermota em junho e julho, tendo ainda o acompanhamento das peças teatrais apresentadas em escolas da região de abrangência da Coopermota. Tenha uma boa leitura. Vanessa Zandonade Expediente julho | agosto 2016 o campo 3

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Olhar Cooperativo Sumário Crescer com o cooperado 05 Segunda safra sofre com as adversidades climáticas Na edição especial da Revista Exame tivemos destaque diante do crescimento que a Coopermota apresentou entre 2014 e 2015. A evolução positiva nas contas da Coopermota fez com que subíssemos em um ano, 70 posições no ranking elaborado pela publicação. Com este crescimento registrado, ficamos entre as 24 empresas que mais cresceram no país. Essa constatação e reconhecimento nos impulsiona a continuar na busca do desenvolvimento da Coopermota, porém só alcançamos esse patamar devido a parceria que estabelecemos nestes 57 anos de existência, com a atuação direta do produtor, nosso sócio neste empreendimento, com nossos colaboradores, que trabalham para dar o melhor serviço e atendimento àqueles que fazem negócios com a cooperativa, e com nossos fornecedores, que nos auxiliam na oferta dos produtos de melhor tecnologia aos nossos cooperados e clientes. Estamos em fase de colheita em toda a área de atuação da Coopermota, com essa operação mais avançada em algumas localidades tendo plantações fase de conclusão de ciclo e outras ainda no início deste período. Tivemos situações complicadas no ponto de vista climático que afetaram o milho que vem sendo colhido, com seca no início da safra e geada na conclusão do período. Em algumas áreas as consequências foram mais severas e, em outras, a redução de produtividade variou conforme a região. O crescimento que verificamos junto aos dados divulgados pela revista, no entanto, demonstram que o cooperado e a cooperativa têm condições de realizar as tomadas de decisão mais adequadas para driblar as dificuldades tão pertinentes ao meio agrícola. Sabemos que o momento é de dificuldade, somada à crise econômica do país, mas juntos continuamos nesta caminhada de evolução. 09 13 17 21 24 27 29 Edson Valmir Fadel Presidente da Coopermota 32 36 Comercialização de soja atinge pico de preço Piscicultor faz manejo alternativo para vender peixes no inverno Dias de campo mostram realidade do milho nesta safra Coopermota está entre as empresas que mais cresceram em 2015 Campocooper atrai quase 600 em Palmital Sudeste supera estimativa de cadastros no CAR Sete Festas Juninas são realizadas pela Coopermota Teatro encenado em Maracaí e Frutal aborda importância do cooperativismo Mais de mil estudantes assistem espetáculos por meio de programa do Sescoop 4 o campo julho | agosto 2016

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Capa Adversidades climáticas Inverno com um pouco de tudo! O cenário conclusivo desta safra traz variações de resultados entre uma localidade e outra, tendo severos prejuízos em parte dos produtores, outros medianos e os demais com reduções de produtividade Alguns dos produtores rurais que optaram em fazer o plantio do milho no início do calendário da segunda safra tiveram dificuldades devido às chuvas registradas no período, que atrasaram o início desta ação. Já os agricultores que plantaram o milho mais tarde, acompanharam suas lavouras sentirem os efeitos das geadas ocorridas no enchimento de grãos, principalmente nas regiões de baixadas, onde as plantações apresentaram queima mais significativa devido às baixas temperaturas. Além disso, em algumas áreas, as altas temperaturas interferiram no pendoamento das espigas. O cenário conclusivo desta safra traz variações de resultados entre uma localidade e outra, tendo severos prejuízos em parte dos produtores situados na abrangência da Coopermota, outros medianos e os demais com reduções de produtividade. Entre março e abril, chegou a ser registrado em algumas áreas uma estiagem prolongada em cerca de 35 dias, tendo altas temperaturas também durante à noite. Dados da Embrapa destacam a importância do equilíbrio dos fatores climáticos na cultura do milho para que os híbridos atinjam o seu potencial genético produtivo. Contudo, na região este fator foi oscilante em quase todo o ciclo do milho. Neste aspecto, o agrônomo da Coopermota, José Roberto Gonçales Massud explica que em situações onde a temperatura fica abaixo de 10°C o híbrido interrompe o seu desenvolvimento natural e acima de 30°C o metabolismo é acelerado. “Caso haja alta temperatura por um longo período o pólen passa a ser estéril. Tivemos momentos em que tivemos 28°C à noite”, comenta. Ele explica que em situações de alta temperatura ocorre um desequilíbrio no que se refere ao período de emissão do pendão e a espiga. O pendão é fecundável em 12 dias, e, em alguns casos, o pendão foi emitido pela planta na fase que ela ainda não possuía espiga a ser fecundada. Em outros casos, a incidência da Diabrótica, conhecida como Vaquinha, também interferiu no desenvolvimento do milho, já que este inseto comeu os cabelos das espigas, o que também prejudicou o seu desenvolvimento. As lavouras colhidas em julho apresentaram melhor produtividade julho | agosto 2016 o campo 5

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Desde 2011, quando havia sido registrada a última geada na região, os agricultores vinham acumulando altos índices de produtividade na segunda safra. Contudo, as diversas intempéries ocorridas no período apenas alteraram um pouco essa realidade, e, consideravelmente, em outras localidades. “Nos últimos anos registramos altas produtividades dos híbridos cultivados na segunda safra, mas neste ano aconteceu de tudo! As reduções de produção neste caso não foram por culpa do híbrido”, avalia Walter Rossi, um dos consultores presente em um dos diversos dias de campo realizado pela Coopermota e parceiros. Diante de todas as interferências ocorridas, ava- lia-se que os melhores resultados de produtividade no milho ocorreram nas lavouras onde o plantio foi mais cedo. Nestes casos, a rentabilidade das lavouras ainda está atrativa, pois muitos híbridos apresentaram bom peso e estabilidade frente às intempéries. No sítio São João, por exemplo, na Água do Almoço, em Cândido Mota, a estimativa de colheita estava em torno de 220 sacas por alqueire. Tal produtividade foi alcançada mesmo sem o investimento em fungicidas e cobertura. Já em outra propriedade, Sítio Nova Es- 6 o campo julho | agosto 2016

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perança, onde já foi cultivado café e agora há a plantação de milho, a produção ficou em torno de 300 sacas por alqueire. Massud comenta que nos casos em que o produtor investe em cobertura e aplicações de fungicida, o ganho de produtividade gira em torno de 80 sacas por alqueire. Ele explica que quatro fatores estão ligados à manutenção das plantas em condições ainda favoráveis em caso de geada. Entre eles estão a qualidade do híbrido, a fase em que a geada foi registrada, a quantidade de sal solúvel dentro do híbrido e a sanidade das plantas. “Quando há queima devido à geada, o colmo ajuda a encher o grão. A formação dos grãos é mantida se duas folhas acima e duas abaixo da espiga se mantiverem em boas condições”, comenta. Ora a seca, ora a geada, afetaram a produtividade do milho de segunda safra julho | agosto 2016 o campo 7

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} Produtividade mediana A maioria dos híbridos cultivados na região possuíam um potencial produtivo avaliado em torno de 250 sacas por alqueire. Contudo, a seca e a geada registrada de forma abrangente na região de abrangência da Coopermota, resultou em queda na produção estimada. A maioria dos híbridos cultivados, cerca de 70%, possui ciclo precoce, mais resistentes à estiagem, tendo 20% superprecoce e 10% com ciclos mais tardios. Na região de Iepê, a colheita começou na segunda quinzena de agosto. O agrônomo da Coopermota, Minoru Azato, avalia que as primeiras lavouras colhidas, cerca de 15% do total, apresentaram produção razoável, tendo produtividade média em torno de 190 sacas por alqueire. Em contrapartida, também tiveram casos de produtores que registraram a produção de até 350 sacas por alqueire, em áreas irrigadas. “O que mais afetou a produção aqui nesta região foi a seca registrada em abril”, afirma. A geada do início de junho teria sido responsável pela redução de apenas 10% de produtividade, frente a cerca de 25% em decorrência da seca. Para aqueles que tiveram a produtividade afetada por estas intempéries, o seguro foi a solução. Pelo menos 50% deles acionaram o seguro devido aos resultados negativos. A previsão é que a colheita a ser realizada em meados de agosto apresentem produtividae melhor, já que estas serão provenientes de lavouras que não sentiram os efeitos ocasionados pela seca de abril, que atingiu as plantações em fase de pendoamento. Já na região de Maracaí, que também iniciou a colheita mais ou menos no mesmo período, a média de produtividade das primeiras produções apresentadas estavam em torno de 200 sacas por alqueire. Contudo, a estimativa para as colheitas das plantações que tiveram o plantio mais tardio, a produtividade espe- rada era de aproximadamente 160 sacas. “Em Iepê a seca afetou mais as plantações daquela região, que não sofreu muito com a geada, mas aqui o frio foi mais intenso. Além disso, foram três geadas. Aquelas plantações que escaparam de primeira não escaparam da segunda ou terceira”, avalia o agrônomo e gestor da unidade da Coopermota de Maracaí, Rafael Nascimento. Além da queda de produtividade, o agrônomo da unidade da Coopermota de Palmital, Sérgio Logo, estima que deva haver alguns casos de queda de qualidade do milho cultivado no período mais tardio. “Pode ser que haja espigas com milho brotando, ardido ou com má formação. A seca e a geada afetaram algumas propriedades com queda de produtividade em até 50% sobre o esperado. O milho mais tardio deve ter um rendimento de aproximadamente 90 sacas por alqueire”, estima. Embora haja muitos casos de uso de recursos do seguro para aqueles que tiveram perdas no milho, o agrônomo e gestor da unidade da Coopermota de Campos Novos Paulista, Rogério Azanha, avalia que muitos não fizeram o seguro das lavouras nesta segunda safra, seja por questões de época de plantio, tipo de solo ou outros. A média produtiva, porém, foi razoável. “O milho com plantio antecipado, até mesmo por conta de já ter sido realizada a colheita antecipada da soja, teve melhores resultados. Já aqueles plantados em março sentiram mais. Será um ano para empatar (financeiramente)”, afirma. Na região de Cândido Mota e Palmital, as lavouras colhidas a partir de meados de agosto registraram pior produtividade, já na área de abrangência de Iepê, os resultados foram melhores entre as lavouras colhidas a partir desse período. 8 o campo julho | agosto 2016

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Comercializar A PRODUÇÃO Alta histórica da soja em junho O preço da oleaginosa empolgou muitos agricultores, já que alcançou um patamar histórico na região; a alta foi influenciada por fatores como o grande volume de exportação da soja, as vendas antecipadas da oleaginosa e alta do dólar P rimeiro trimestre do ano de 2016. Nas lavouras, o milho é quem está em fase de desenvolvimento e, nas unidades armazenadoras, ainda há sobras da safra de soja 2015/2016. Nas lousas das Unidades de Negócios da Coopermota e de uma série de outras cooperativas e cerealistas da região, o preço determinado para os lotes da soja gira em torno de R$ 70,00 para a saca de 60 quilos. Naquele momento, o valor já era considerado bom pelos produtores que ainda mantinham o grão estocado desde a colheita. A situação começou a ficar ainda melhor a partir de meados de junho até a penúltima semana daquele mês, quando o valor de comercialização da saca de 60 quilos de soja para o produtor chegou a R$ 86,00 na Coopermota. O preço da oleaginosa empolgou muito agricultores, já que alcançou um patamar histórico na região. Segundo dados do setor de comercialização da Coopermota, esta alta considerável no valor da saca de soja foi influenciada por diversos fatores internos e julho | agosto 2016 o campo 9

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externos, tendo como principais a alta do dólar e o grande volume de exportação da soja para os mercados da China e EUA e as vendas antecipadas da oleaginosa. A mesma avaliação foi divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que registrou um total de 10 milhões de toneladas de soja exportadas somente no mês de junho. As exportações já vinham em alta desde o início do ano, chegando a um, aumento na quantidade total de exportação no índice de 60% em relação ao mesmo período de 2015. O volume deste grão comercializado com o mercado externo afetou a relação de demanda e procura da oleaginosa, o que se refletiu no estoque interno do produto e, na consequente, alta do preço da saca. Segundo dados de analistas de mercado de diferentes consultorias, naquele momento o país estava com um estoque negativo em torno de 400 mil toneladas. O valor do dólar, como já mencionado, também foi um fator determinante nesta alta. A referência para a composição do valor da saca de soja alcançou patamares bastante altos, próximos aos R$ 4,00, elevando toda a cadeia de valores da saca no mercado interno. 10 o campo julho | agosto 2016

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} Produção internacional Conforme dados da consultoria FCStone, entre as safras de 1989/1990 e de 2016/2017, a produção de soja praticamente triplicou mundialmente. Se neste primeiro momento de registros da consultoria, a produção girava em torno de 110 milhões de toneladas, neste último, a quantidade de soja colhida em todo o mundo supera as 325 milhões de toneladas. O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo e vem ampliando a sua participação na proporção de produtividade em relação ao maior produtor, os EUA. A diferença da quantidade de produção da oleaginosa na safra 1989/1990 entre esses dois maiores produtores era de 20 milhões de toneladas, disparidade praticamente reduzida a zero nesta última safra. Dados da FCStone destacam a produção a 36 milhões de toneladas de soja até aquele momento, com projeção de chegar a sete milhões de toneladas até o final primeiro semestre. Com a confirmação dessa perspectiva, o país já teria acumulado 43,7 milhões de toneladas exportadas, valor próximo ao total estimado de comercialização com o exterior para todo o ano de 2016. Em palestra realizada em Goiás, o consultor da INTL FCStone, Glauco Monte, afirmou que a volatilidade do dólar no país tem afetado o mercado interno de forma mais intensa do que se esperava. “O câmbio mudou a dinâmica do mercado. Eu estou olhando mais para o noticiário econômico do que para as perspectivas de safra neste momento. Mais importante do que saber se a safra de soja vai ser de 100 (milhões de toneladas) ou de 95 (milhões de toneladas), é importante saber se o câmbio vai estar R$ 4,20 ou R$ 3,20”, disse o consultor em reportagem publicada pelo Notícias Agrícola. Ele explicou que tal fato se deve à importância do dólar na relação de competitividade das exportações brasileiras, já que ele interfere nos custos de produção e consequentemente de venda. Essas circunstâncias se refletem na decisão de produção do produtor, que analisa essa conjuntura para definir seus investimentos. julho | agosto 2016 o campo 11

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A COOPERMOTA ESTÁ NO FACEBOOK, NO INSTAGRAM, E O MAIS IMPORTANTE, SEMPRE AO LADO DO AGRICULTOR ; fb.com/ COOPERMOTA COOPERTATIVA AGROINDUSTRIAL instagram.com/ COOPERMOTA 12 o campo julho | agosto 2016 www.coopermota.com.br

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PREVENIR E BUSCAR RENDA Manejar o peixe no inverno? Antes do inverno, os peixes são manejados para evitar essa ação seja feita em dias de baixas temperaturas; ter os peixes em condição prévia de boa sanidade e nutrição é a medida mais adequada para passar pelo período de inverno sem problemas mais significativos Os termômetros climáticos chegaram a 0°C na região no Vale Paranapanema no mês de junho, registrando geada em boa parte da área. Enquanto isso, nas águas das represas localizadas no Vale, a temperatura começava a baixar gradativamente, já que neste ambiente a mudança térmica demora mais para se concretizar. Água gelada e piscicultura costuma não ser uma combinação muito lucrativa. A queda de temperatura das represas faz com que o metabolismo dos peixes se tornem mais lento. O peixe é um animal pecilotérmico, com temperatura oscilante conforme o ambiente onde está inserido e isso se reflete nas práticas de manejo a ser adotado pelo piscicultor de forma a evitar a incidência de uma série de fatores negativos à sua criação. Em situações de mudanças bruscas de temperatura na água, os peixes ficam mais suscetíveis a sofrerem enfraquecimento fisiológico e estarem sujeitos à ataques de fungos e bactérias. Diante disso, a prevenção é a palavra considerada regra na Piscicultura Bonanza, em Cândido Mota. Antes do início do inverno, os peixes são manejados entres os tanques de crescimento e finalização, para evitar que esta ação ocorra nesse período considerado mais crítico para a piscicultura no ponto de vista de controle da sanidade dos peixes. Manter os peixes com boa condição de saúde e nutrição é a medida mais adequada para passar pelo período de frio sem problemas mais significativos, conforme afirma o piscicultor Ivo Guiotti. Durante o verão são mantidos 0,7 peixe por metro quadrado nos tanques da piscicultura de Guiotti, o que representa uma população de aproximadamente 7 mil peixes nos tanques de 10 mil metros quadrados. São 70 tanques de alevinos e oito represas de engorda. “O ideal é que haja uma boa alimentação para os peixes antes do inverno e não mexer com eles no período frio. Atualmente, porém, o clima está ajudando e o inverno não está muito rigoroso. Não se pode arriscar porque o valor agregado em uma piscicultura é muito grande”, afirma. Contudo, tal medida ainda não exclui o outro pro- julho | agosto 2016 o campo 13

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blema existente neste período entre os piscicultores, compreendido pela redução de lucratividade entre os meses de maio e outubro, durante o inverno. Diante de tal situação, Guiotti adotou um manejo específico na piscicultura Bonanza, na véspera das quedas de temperatura. Essa medida leva em consideração o fracionamento da quantidade de peixes mantidos nos tanques, e da produção do peixe gordo junto ao mercado consumidor durante o inverno. Ao invés de manter grandes tanques com cerca de 8 mil peixes, Guiotti os separa em espaços menores com um limite entre 500 e mil exemplares. Desta forma, o manejo é realizado somente nos casos de retirada total dos animais dos tanques de forma que não haja a permanência de peixes com avarias em escamas ou em situação de estresse exacerbado, como ocorre nos casos de manejo em grandes tanques, o que poderia resultar em ataque de fungos e doenças. Este é o terceiro ano seguido que o manejo de separação dos peixes em quantidades fracionadas vem sendo adotado na piscicultura Bonanza. Guiotti comenta que costuma comercializar um total de 100 mil quilos de peixes por ano, e nestes três anos anos, o montante vem sendo dividido entre 80 mil no verão e 20 mil no inverno. Apenas neste ano o consumo caiu de uma maneira geral, o que afetou um pouco a venda no mercado dos pesqueiros. Essa manutenção de renda no período mais frio é considerada pelo piscicultor como uma importante medida para a contabilidade de seu negócio, já que este é um período que normalmente a piscicultura não tem receita. “Normalmente as pisciculturas trabalham até abril e permanecem cinco meses sem ter esta fonte de renda. Esta é uma maneira de ter dinheiro quinzenalmente, mesmo no inverno. Os pesqueiros sofrem porque os peixes não comem quase nada no frio. Eles precisam de peixe pelo menos para o consumo dos frequentadores”, diz. Na manhã que a reportagem da revista O Campo esteve na piscicultura Bonanza, um pesqueiro de Junqueirópolis acompanhava a retirada dos Tambacus e Patingas de um dos tanques para a sua compra. Guiotti vende estas duas espécies juntas, tendo em vista que as características de ambos se completam no que se refere aos interesses dos donos de pesqueiros. O Tambacu é um peixe maior, que impressiona na pesca com vara, porém, ao ser limpo para o consumo, tem um aproveitamento menor em relação ao Patinga, considerado ideal para o preparo de porções nos pesqueiros. Com este segundo, descartadas a cabeça e as nadadeiras, ainda resta um tamanho bom de costelinha para o preparo de porções, por exemplo, consumo dos visitantes destes ambientes de lazer. 14 o campo julho | agosto 2016 Ivo Guiotti

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} Em busca da temperatura mais agradável O peixe tem o hábito de se manter em movimento constante. Em períodos de queda da temperatura da água, busca o local mais agradável para a sua permanência. Em dias de frio, a lâmina d’água fica mais aquecida em relação às partes mais profundas das represas, o que faz com que os peixes se mantenham nesta região. “Quando esfria muito, o peixe sobe à lâmina d’agua e muitas vezes chega a tirar a costa fora da represa. Isso faz com que ele fique exposto à incidência dos raios ultravioletas, que podem queimar a sua costa. Essa lesão abre caminho para o surgimento de fungos. A prevenção, neste caso, é que ele esteja sadio para estar mais resistente às intempéries”, diz Guiotti. Retirada de peixes julho | agosto 2016 o campo 15

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