Platô - Número 6 - Volume 3 - Políticas Linguísticas na Guiné Equatorial - V05

 

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Platô - Número 6 - Volume 3 - Políticas Linguísticas na Guiné Equatorial - V05

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ÍNDICE PLATÔ V.3 N.6 2016

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Pede-se permuta On demande l’echange We ask for exchange Se pide intercambio Contato: Instituto internacional da Língua Portuguesa (IILP) Av Andrade Corvo, nº 8 Plateau, Cidade da Praia - Cabo Verde Telefone: (238) 261 95 04 www.iilp.org.cv www.riilp.org e-mail: revistariilp@gmail.com Políticas Linguísticas na Guiné Equatorial Rosângela Morello Susana Castillo-Rodriguez (organizadoras) Revista do Instituto Internacional da Língua Portuguesa - PLATÔ Editores Gilvan Müller de Oliveira Rosângela Morello Secretaria Executiva Denise Fonseca Comitê editorial Ana Isabel Soares (Instituto Camões, Portugual) António Branco (Universidade de Lisboa, Potugal) Clémence Jouët-Pastré (Universidade de Havard, Estados Unidos da América) Emir José Suaiden (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/IBICT, Brasil) Gregório Firmino (Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique) Guadelupe Teresinha Bertusse (Universidade Pedagógica do México, México) Manuel Monteiro da Veiga (Universidade de Cabo Verde, Cabo Verde) Maria José Grosso (Universidade de Macau, Macau) Equipe Técnica Rosângela Morello: supervisão técnica Rosângela Morello e Denise Fonseca: revisão Ana Paula Seiffert: divulgação Felipe de Almeida: design gráfico Vanessa de Luca Bortolato: design gráfico Ficha catalográfica (em tramitação) Revista do Instituto Internacional da Língua Portuguesa - PLATÔ - Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) - V.3, N.6 (2016), Cidade da Praia, Cabo Verde: Editora do IILP, 2016. Semestral ISSN 2311-6625 on line Arte da capa: Felipe Almeida e Vanessa de Luca 1. Língua Portuguesa - Periódicos. 1. Instituto Internacional da Língua Portuguesa Todos os direitos autorais estão reservados a PLATÔ/IILP

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ÍNDICE 04 Apresentação - Políticas Linguísticas na Guiné Equatorial Rosângela Morello 06 La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez 20 O estatuto do pichi na Guiné Equatorial Kofi Yakpo 42 La situación lingüística de Guinea Ecuatorial: obstáculos para la implantación de una política lingüística exitosa. Mikel Larre Muñoz 60 La lengua bubi: ¿desaparición o rehabilitación? Justo Bolekia Boleka 74 Os primeiros passos do português no mais novo país lusófono da CPLP. Susana Castillo Rodríguez 82 Políticas linguísticas e multilinguismo:usos e circulação do fá d´ambô nas redes das línguas da Guiné Equatorial Rosângela Morello PLATÔ V.3 N.6 2016

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Apresentação Políticas Linguísticas na Guiné Equatorial Rosângela Morello A Guiné Equatorial é reconhecida por suas muitas e distintas línguas que entretecem uma rica história linguística e cultural, foco de atenção desse número 06 da Revista Platô. Contando com línguas nacionais amplamente faladas como o fang, o pichi, o fá d´ambô, o bubi, entre outras, a Guiné Equatorial é o único país africano onde se tem o espanhol como língua oficial do Estado, fruto da colonização do país pela Espanha a partir de 1777. É também um dos poucos países africanos onde sobrevive a histórica presença da língua portuguesa, fruto dessa mesma colonização. Em meados do século XV, os portugueses começaram a tomar posse de territórios no golfo de Benin e de Biafra, entre eles, as ilhas de Fernando Pó (hoje Bioko) e Annobón. Mas essa era uma época de ocupação e disputas das terras da África e América pelas metrópoles europeias, e em 1777, para retomar a posse da Colônia do Sacramento e da Ilha de Santa Catarina, ocupada pelos espanhois, Portugal cede à Espanha suas possessões no referido golfo. No entanto, a presença da língua portuguesa perdurou na Ilha de Annobón, derivando para o fá d´ambô, língua hoje falada pelos annoboneses. Por essa razão, ao lado de São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Cabo Verde, a Guiné Equatorial está entre os países crioulófonos de língua portuguesa do Atlântico. Mas a relação com a língua portuguesa não está apenas nessa herança. Em 2011, o governo oficializou o Portugês como língua do Estado, ao lado do Espanhol e do Francês, em decorrência do interesse do país por tornar-se membro pleno da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), objetivo atingido em 2014, na Cimeira de Dilli. Com a oficialização do português, a Guiné Equatorial passa a ser o único país do mundo a ter como idiomas oficiais as três grandes línguas românicas, faladas em seu conjunto por mais de 800 milhões de pessoas em 56 países. Reúne, assim, condições para protagonizar ações inovadoras para o um mundo mais plurilíngue. Esse conjunto de fatos alicerça as reflexões em cada um dos textos. Desde a perspectiva das políticas linguísticas, os autores nos fazem conhecer as condições históricas, ideológicas e políticas que afetam as línguas no contexto equatoguineano, mas também nos colocam diante de questionamentos que atravessam as fronteiras daquele país, retrantando situações presentes também em outras partes, outros países, outros continentes. No texto La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial, que abre o número, Susana Castillo Rodríguez apresenta um panorama da colonização linguística empreendida pela Espanha nos territórios que atualmente formam a Guiné Equatorial. Adotando uma perspectiva histórica, a autora caracteriza a atual situação linguística do país e argumenta que o imperialismo linguístico espanhol, articulando as ideologias da espanholidade, no início, e 04 PLATÔ V.3 N.6 2016

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Apresentação - Políticas Linguísticas na Guiné Equatorial Rosângela Morello mais tarde a da hispanidade, é marcado por três momentos: a batalha contra o inglês, o monopólio do espanhol, língua colonial, como língua oficial e a obliteração das línguas nativas. É justamente a relação entre as políticas e as ideologias linguísticas relacionadas ao pichi, o crioulo de base lexical inglesa da Guiné Equatorial e a segunda língua nacional mais amplamente falada do país, que constitui o foco das análises de Kofi Yakpo, em O estatuto do pichi na Guiné Equatorial. Denunciando a ausência de políticas governamentais de apoio e fomento do pichi, o autor demonstra, no entanto, a crescente ampliação das funções dessa língua e a necessidade de questionar os valores negativos que a circundam, advindos dos processos de colonização. Para Muñoz, a questão central é como conceber e implantar uma política linguística integradora, que considere as distintas línguas do país, em especial, as línguas autóctones, de modo a modificar a atual situação. Em La situación lingüística de Guinea Ecuatorial: obstáculos para la implantación de una política lingüística exitosa, o autor sinaliza alguns passos que poderiam ser dados, apresentando seus pontos positivos e negativos. Justo Bolekia Boleka, em La lengua bubi: ¿desaparición o rehabilitación? detalha os processos de instrumentalização da língua bubi para questionar o fato de que, embora esteja hoje amplamente descrita, essa língua não entrou em nenhum programa de ensino governamental. Para o autor, as investigações sobre o bubi não têm conduzido a políticas linguísticas e educacionais destinadas a promovê-la. Urge, então, segundo Bolekia, reconhecer a “oficialidade territorial” dessa e de outras línguas nacionais e propor programas educativos consistentes e ajustados à realidade multilíngue do país. Os primeiros passos do português no mais novo país lusófono da CPLP, de Emmanuel R. Laureano, constitui um relato circunstanciado das ações voltadas a promoção da língua portuguesa no país. O autor mostra o crescente interesse pela língua portuguesa impulsionado por sua recente oficialização e pelo fato da Guiné Equatorial integrar, desde 2014, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPLP. Para Laureano, trata-se de um processo que tanto contribui para a expansão do português, uma das sete línguas mais faladas no mundo, quanto beneficia a Guiné Equatorial, que, com uma nova língua, abre mais portas para o desenvolvimento e oportunidades, para o crescimento pessoal de sua população e para a diversidade. Fechando o número, temos o texto Políticas linguísticas e multilinguismo: usos e circulação do fá d´ambô nas redes das línguas da Guiné Equatorial em que Rosângela Morello apresenta e discute os resultados de um diagnóstico sociolinguístico sobre a língua fá d´ambô, realizado em Malabo e Annobón no âmbito de um protocolo de cooperação técnica assinado entre o Governo da Guiné Equatorial e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP). Considerando a relação histórica entre o fá d´ambô e o português, a autora traça o perfil sociolinguístico de grupos de annoboneses e discute o funcionamento das línguas nas situações pesquisadas, visando a contribuir para gestão do fá d´ambô e demais línguas equatoguineanas. Acreditamos que o conjunto dos trabalhos proporciona uma compreensão sobre o multilinguismo equatoguineano, e possibilita a abertura de novas indagações para futuras investigações. PLATÔ V.3 N.6 2016 05

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez Sobre o autor Susana Castillo Rodríguez Saint Anselm College, NH Contato: scastillorodriguez@anselm.edu Resumo La historia de España en Guinea Ecuatorial fue un caso de ‘colonialismo en competencia’ no sólo con potencias europeas como Gran Bretaña o Francia sino también con los poderes locales. Desde 1827 y hasta la independencia de la República de Guinea Ecuatorial en 1968, el imperialismo lingüístico español pasó por diversos momentos caracterizados por una primera batalla contra el inglés, el monopolio de la lengua colonial, el español, como lengua oficial, y la obliteración de las lenguas nativas. Este artículo tiene como objetivo principal el presentar, desde una panorámica general, la historia de la colonización lingüística española en los territorios que forman actualmente la República de Guinea Ecuatorial. Entiendo esta historia como un ejercicio de poder, donde los agentes sociales (en este caso, misioneros y administración colonial) pusieron en juego no sólo ideologemas sobre la jerarquización de las razas y las lenguas sino, de manera particular, la ideología de la españolidad y de la hispanidad como medios para conquistar el ser y conocimiento de los nativos. Por consiguiente, como objetivo secundario, me planteo poner de relieve los ideologemas que sustentaron las acciones sobre las lenguas durante el periodo colonial español. El desarrollo del artículo es el siguiente: tras un breve marco teórico, presento la historia lingüística colonial donde contextualizar glotopolíticamente las acciones sobre las lenguas (Del Valle y Narvaja de Arnoux, 2010; Narvaja de Arnoux, 2010; Marcelesi y Guespin, 1986). Posteriormente, analizo las etapas de la colonización lingüística desde 1827 y hasta el momento presente. Cierro este artículo con una breve conclusión. Palavras-chave Colonização lingüística. Glotopolítica. Guiné Equatorial. 06 PLATÔ V.3 N.6 2016

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez 1. Marco Teórico Con ideologema hago referencia a lo que según Bakhtin (1981, the dialogic imagination) constituye “a set of social beliefs, fused with its own discourse, with its own language” independientes de juicios de verdad o falsedad. La aplicación de este concepto a la antropología, la lingüística o la política fue configurando la rama de estudio de las ideologías lingüísticas. Éstas han sido definidas como nociones de sentido común sobre la naturaleza de la lengua y la estructura lingüística además de los intereses políticos y morales que se hallan insertos en las relaciones sociales y lingüísticas1. O de manera más precisa, como “sistemas de ideas que integran nociones generales del lenguaje, el habla o la comunicación con visiones y acciones concretas que afectan la identidad lingüística de una determinada comunidad” (DEL VALLE, 2007: 9). De forma más clara y resumida, son tres los factores que justifican la conceptualización de un sistema de ideas sobre la lengua como ideología lingüística: su contextualización, esto es, el que esté inscrito en un orden cultural, social y político; su función naturalizadora, es decir, que dentro de un orden extra – lingüístico concreto tenga un efecto normalizador, y por último, su institucionalidad, entendida como la poducción y reproducción de este sistema de ideas en prácticas institucionalmente organizadas de formas de poder y autoridad específicas23. Estos tres componentes (contextualización, naturalización e institucionalización) han dado cuerpo a la ideología de la españolización de los nativos, primero, y de la hispanización, después. Co-sustancial a los procesos de cambios sociales y culturales, el idioma se erige como fundamental para explicar las distintas y múltiples funciones que asumieron estas dos ideologías en la historia colonial. Me alejo aquí de un concepto de ideología sinónimo de ideas abstractas que no tienen una evidencia empírica. Más bien lo contrario, las representaciones e ideas sobre la lengua son prácticas, acciones discursivas (con eficacia simbólica pero a su vez real, efectiva y concreta en leyes, por ejemplo) y objetos ‘materiales’ (como capital dentro del mercado lingüístico (Bourdieu, qué significa hablar) en la forma de documentos, leyes, decretos, etc.,). Tanto las unas como los otros decidirán la lucha por el control lingüístico. 2. Encuadre histórico-lingüístico En 1471, el portugués Juan de Santarém le dio el nombre de Anno bõ a la isla más remota de la actual República de Guinea Ecuatorial. Las islas de Santo Tomé y Príncipe separan esta pequeña isla de origen volcánico – situada a 580 Km de Bata y al otro lado del ecuador –, de la capital del país, Malabo. El colonista portugués fue poblando la isla con esclavos de São Tômé y Príncipe y de la costa oeste africana. Como consecuencia, se fue desarrollando un pidgin formado con elementos de esas lenguas africanas y con base lexical portuguesa y española. Ese pidgin ha evolucionado en la actual lengua criolla fá d’ambô o annobonés. La isla de Fernando Poo (hoy Bioko), colonizada primero por los portugueses en el siglo 1 WOOLARD, 1998. Esta visión coincide con la posición teórica de Canagarajah (2011: 123) si entendemos los géneros discursivos como una acción lingüística, esto es, una forma de pensar, comunicar y comportarse informada por las diferentes maneras de representarse y de interpretar la realidad que son intrínsecas a cada individuo. Canagarajah sigue a Kress y Hodge en su planteamiento sobre Language as Ideology (1979), precisando, igualmente, que estos constructos (lengua, discurso, ideología) están en permanente tensión aún siendo interdependientes. 2 DEL VALLE, 2007; 2011. 3 R. Gilmour, con otra denominación, pero con el mismo trasfondo teórico, habla de ‘representations of languages’ para poner de relieve tanto las imágenes, las actitudes y las opiniones sobre la lengua y sus hablantes, como las prácticas lingüísticas, indivisibles de sus correspondientes ramificaciones políticas y materiales (2006: 3). PLATÔ V.3 N.6 2016 07

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez XV aunque apenas se asentaron, fue posteriormente ocupada por los británicos en 1827. Además del bubi como lengua nativa de sus oriundos (llamados Adeeyah, Bubi o Ediya en la literatura), el poblamiento con esclavos liberados de Nigeria, Camerún y Sierra Leona, dio lugar a un Pidgin English, criollizado hoy en el pichi. El bubi es una lengua bantú que, debido a su particular insularidad y consecuente mantenimiento, ha conservado elementos proto bantúes como por ejemplo la vocal inicial de los sustantivos. No obstante, la influencia exterior en la forma de préstamos léxicos del español y el inglés, es notoria. A nivel diatópico, encontramos variantes regionales (norte, noreste, sur, sureste) relacionadas con el léxico (Bolekia en este volumen). Se calcula que unos 60.000 habitantes hablan el bubi4. Annobón y Bioko pasaron a la corona española en 1778, aunque la colonización efectiva no tuvo lugar hasta mediados de 1800. En el archipiélago de Mandji, formado por las islas de Corisco y los Elobeyes, situados en el suroeste de la desembocadura del Río Muni, tenían el benga como lengua nativa. Corisco fue poblada por presbiterianos americanos a principios del siglo XIX, quedando los islotes de los Elobeyes (Elobey Grande y Elobey Chico) casi inhabitados. El benga, también denominado ndowé es, al igual que el bubi, una lengua bantú. El benga se habla en Corisco, Cabo San Juan (zona costera de Rio Muni) y Gabón. Clasificada dentro de la familia lingüística Niger-Congo, Atlantic-Congo, Volta-Congo, Bube-Benga, el benga cuenta con aproximadamente unos 3.900 hablantes5. Por último, la zona continental de Río Muni, colonizada por los españoles a principios del siglo XX, forma parte del continuo de las lenguas bantúes de la zona ecuatorial africana. Allí se habla el fang, el cual, al igual que el benga, se clasifica dentro de la familia Niger-Congo, Atlantic-Congo. El fang se habla en Camerún, Congo y Gabón, y en la zona interior de Guinea Ecuatorial se dan dos de sus variedades, el ntumu y el okak, entre el medio millón de habitantes que lo hablan. Es, asimismo, la lengua de la etnia que está en el poder desde la independencia de la colonia española. Estos territorios, junto con los islotes de los Elobeyes pasaron a ser territorios españoles con el tratado de París firmado en 1900. De norte a sur, en la zona costera continental de Río Muni, se extienden lenguas pertenecientes a distintas ramas lingüísticas tales al mahara, buiko, mari, baseke, one, kombe o balengue. Estas lenguas están en firme peligro de extinción, y algunos de sus hablantes daban la voz de alarma (en conversación con Práxedes Rabat). El español actúa como una lengua franca entre los distintos grupos étnicos puesto que prácticamente todos los ecuatoguineanos son bilingües en su lengua nativa y en español. Los casos de plurilingüismo son más abundantes en la capital, Malabo, donde los cambios de códigos (code switching) entre el español, el bubi, el pichi y otras lenguas maternas (de ecuatoguineanos de Annobón que han emigrado a la capital, por ejemplo) son constantes, sobre todo entre la población joven y escolarizada. En la actualidad, el artículo 4º de la Constitución promulgada el 16 de febrero de 2012 establece que las lenguas de la República de Guinea Ecuatorial son el español, el francés y las que la ley determine6. Hasta 1986 el español era la única lengua oficial. Este hecho parecía ir en detrimento de las potenciales relaciones internacionales con los vecinos africanos, hasta que cambió la situación. Varios acontecimientos (entre ellos la acuñación de moneda nacional y el petróleo) contribuyeron a ello, y ahora el país ocupa una posición fuerte dentro de las relaciones económicas y políticas con los países centroafricanos7. Antes del descubrimiento de los pozos petrolíferos (finales de 1980), el por entonces Ministro 4 RURANGWA, 1985. 5 Ethnologue, 2014. 6 Más adelante veremos el caso del portugués. 7 El 24 de junio de 2011, se inauguraba la Cumbre de la Unión Africana con la 22ª Sesión Ordinaria del Comité de los Representantes Permanentes (COREP) en Sipopo, siendo Guinea Ecuatorial el país organizador. 08 PLATÔ V.3 N.6 2016

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez de economía, Felipe Hinestrosa instauró el francés como lengua oficial en Guinea Ecuatorial8. El hecho fue debido al giro económico y político del país, que se preparaba para unirse a la francofonía africana, y a la adopción del franco CFA (de la comunidad francesa africana). El francés ocupa una función pragmática a nivel macropolítico orientada hacia el posicionamiento de Guinea Ecuatorial dentro de la africanía francófona y de las instituciones que de ella dependen, tales al CEMAC (Commission de la Communauté Économique et Monetaire de l’Afrique Centrale) y el BEAC (Banque des Etats de l’Afrique Centrale). La fuerte presencia del banco Société Générale así lo corrobora. Sin embargo, más allá de esta función, el francés ocupa un papel simbólico como ‘lengua oficial no de facto’ dentro de Guinea Ecuatorial e incluso la página web del l’Institut Culturel d’Expression Française (ICEF) traduce sus noticias al español9. Esta situación puede ir cambiando puesto que la Televisión de Guinea Ecuatorial (TVGE) emite actualmente algunos programas en francés. La fuerte presencia de migrantes de Malí, Camerún y Senegal está transformando la demografía de Malabo, como también se espera que transforme las relaciones lingüísticas y que éstas den pie al florecimiento de variedades de contacto urbanas, ‘transported languages’ (Hickey, R., 2004) o variedades pluricéntricas de las lenguas estándar10. Respecto al portugués, y acogiéndose a la flexibilidad/indefinición del artículo 4º de la Constitución (“las que la ley determine”), el 3 de noviembre de 2011 se había firmado una modificación de la ley para incluirlo como lengua oficial. Las razones estaban motivadas en “la dimensión afro – ibérica soberana y el lazo histórico luxo-hispánico” que constituyen para Guinea Ecuatorial “una base fundamental de cooperación en los campos económicos, social, cultural, jurídico – diplomático y técnico – científico con los Países del referido espectro tridimensional”. Continúa el texto oficial indicando que además de la cooperación, el portugués como idioma oficial “reforzaría en gran medida las relaciones de acercamiento, buena vecindad y hermandad que Guinea Ecuatorial mantiene con un gran número de Estados luxo – hispánicos (sic), miembros fundadores de la Comunidad de Países de la Lengua Portuguesa (CPLP)”. Aunque no se ha modificado la Constitución en este aspecto, la oficialidad del portugués y su ingreso en la CPLP está generando todo tipo de reacciones que apuntan a turbios intereses políticos y económicos y poco crédito democrático de Guinea Ecuatorial como motivos para negarle la entrada en la comunidad de los países de la lusofonía11. Unir la naturaleza y el reclamo de ser un país lusófono junto al hecho de que el fá d’ambô sea un criollo de base portuguesa12, no parece ni ser justificativo ni convencer a los guineanos o a quienes emiten críticamente su discrepancia con esta iniciativa13. En otros artículos de este volumen se analiza la relación que tiene el fá d’ambô con las demás lenguas nativas y las actitudes de los guineanos respecto a la misma. Brevemente, 8 Agradezco a Benita Sampedro esta información. 9 Durante el trabajo de campo que realicé en Malabo en 2011 y 2013 observé cómo las actividades abiertas al público del ICEF discurrían en español; hubo incluso un momento cuando una persona del público increpó al presentador por hablar en francés y le instó a hablar en español. No sucedió lo mismo cuando en unas jornadas culturales sobre la tradición oral de Annobón casi todas las intervenciones fueron en fá d’ambô. 10 MORGENTHALER, 2012. 11 Véanse las ponencias de Ana Lúcia Sáá y de Gerhard Seibert en la international conference celebrada en Hofstra en 2009: Between Three Continents: Rethinking Equatorial Guinea on the Fortieth Anniversary of its Independence from Spain. http://www.hofstra.edu/Community/culctr/culctr_events_Guinea0409_papers.html. 12 (o, rechazando esta tipología, “la modalidad de lengua portuguesa de Annobón”, según propone Armando Zamora 2010), 13 En noticia de 27 de febrero varios periódicos online se hacían eco de las reacciones de la “deputada Helena Pinto em plenário, na Assembleia da República, numa intervenção em que defendeu que Portugal, em nome dos direitos humanos, “pode e deve exercer o seu direito de veto” à entrada da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP”. http://www.noticiasaominuto.com/politica/181186/bloco-associa-guine-no-cplp-a-dinheiro-no-banif#.Uw-8CUJdWCZ. Ver también: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=140540 PLATÔ V.3 N.6 2016 09

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez apuntaré que el hecho de no ser una lengua africana (bantú como el resto de lenguas de Guinea Ecuatorial) sino indoeuropea, de raíces románicas junto al aislamiento geográfico, político y económico de Annobón y el fuerte sentido de identidad que caracteriza a sus habitantes, ha favorecido la preservación de la lengua. No obstante, según mis observaciones y entrevistas, los annoboneses declaran una cierta vergüenza por hablar este ‘portugués corrompido’, que – según dicen – a duras penas alcanzaría el estatus de lengua. Por el contrario, lingüistas, antropólogos e historiadores como Tjerk Hagmeijer, Armando Zamora o Gabriel Araújo, et al., han dedicado esfuerzo e investigación para dar a conocer en medios académicos la gramática de esta lengua así como sus fundamentos históricos y socioculturales (ver bibliografía). En cuestión de planificación lingüística, desde 2012, el portugués se enseña en el Centro Ecuatoguineano (oficial, adscrito al Ministerio de Cultura) junto con las lenguas autóctonas, ya que ni Portugal ni Brasil tienen Centros culturales como el español o el francés donde aprender estas lenguas14. 3. Las etapas de la colonización lingüística española La historia de la colonización lingüística española en Guinea Ecuatorial pasó por tres momentos bien definidos. 17 1. Una primera etapa de poblamiento misionero baptista y católico se extendió prin- cipalmente desde 1843 y hasta 1868, momento culmen en los enfrentamientos por el control religioso, aunque estos fueron una constante hasta principios del siglo veinte. Tras la batalla por el poder religioso se escondían dos motivos fundamentales: de un lado, el peligro observado por los misioneros españoles al ver cómo ‘lo británico’ se había instalado en la colonia españo- la; de otro, la necesidad de desplazar el inglés (language shift) e imponer el español. En estos años, el ideologema de la españolización echó raíces de la mano de los misioneros. 2. La segunda etapa, de transición, se extiende desde principios del siglo veinte y hasta la Guerra Civil Española. Es el momento de la oficialización del español como lengua en la colonia. Aquí, las relaciones entre los misioneros y la administración colonial pasan por altibajos, poniéndose esto de relieve en sus diferentes posiciones ideológicas sobre la educación y la lengua. Los misioneros mantienen en la práctica una política lingüística doble, y mientras que abanderan la ideología del monolingüismo en la escuela, continúan con sus producciones lingüísticas en las lenguas nativas. 3. Desde el régimen de Franco y hasta la independencia de la colonia se extiende la tercera etapa. Durante estos años hay que destacar cómo la ideología de la hispanidad permea todas capas de control político, social y sobre todo lingüístico. Administración, gobierno en la península y misiones componen una sola agencia al servicio de la Patria y la ‘hispanización’ de los nativos que se extiende más allá de las fronteras de la colonia. 4. En la última etapa que va desde la independencia de la República de Guinea Ecuatorial y hasta la actualidad, se distinguen dos momentos: uno, con la dictadura de Macías su política de ‘africanización’. Otro, con el actual discurso institucional del Presidente de la República, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, resaltando a Guinea Ecuatorial como el único país 14 En ambos centros se ofrecen los diplomas de adquisición de la lengua; el Test de Connaissance en Français (TCF) y el Diploma del Español como Lengua Extranjera (DELE). Si bien tanto guineanos como expatriados (según denominan allí a los migrantes de costas africanas vecinas) acuden al ICEF para la obtención del título del francés, no sucede lo mismo con el centro español, cuyas clases se ofertan para expatriados (tanto de cooperantes como de migrantes). 10 PLATÔ V.3 N.6 2016

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez africano de lengua española y reclamando parte del pastel en el pan-hispanismo. Entro a analizar en detalle las etapas: 1. El idioma patrio como sinónimo y mecanismo de legitimación del poder colonial. En 1827, los territorios españoles en el África ecuatorial estaban ocupados por los británicos. El Ministro de Exteriores Aberdeen había apelado a los motivos humanitarios de Gran Bretaña para el establecimiento de la Comisión sobre el tráfico de esclavos en Fernando Poo15. España, por su parte y según consta en la nota de 10 de septiembre de 1827 enviada por el Conde de Ofalía a Lord Dudley, manifestaba “que el Gobierno español estaría siempre dispuesto a entrar en negociaciones con el Gobierno británico para cederle las islas de Fernando Poo y Annobón, bajo condiciones justas y razonables”16. No obstante, la reacción de los gobiernos francés y holandés ante el temor del monopolio británico de la zona africana ralentizó las negociaciones y desembocó en un acuerdo sin salidas. Las bases del mismo murieron en el tira y afloja entre España y Gran Bretaña, demandando ésta que el establecimiento de la Comisión sobre el tráfico de esclavos se hiciera gratuitamente y aquélla que constara la abolición de la deuda contraída con los británicos17. Esta situación derivó en conflictos diplomáticos que se resolvieron con el envío inmediato de españoles para controlar la zona. Los primeros jesuitas y claretianos que llegaron a Clarence (hispanizada en 1858 como Santa Isabel, y guineanizada en 1973 con el nombre de Malabo) se encontraron con una ciudad donde, – se quejaba el padre Coll –, “el espíritu dominante en todo era el inglés: el comercio, las costumbres, y sobre todo el idioma, todo era inglés”. Los ingleses habían llevado a esclavos libres de las costas africanas de la bahía de Biafra y a negros emancipados que fueron expatriados a Jamaica y que hacían ahora el viaje de vuelta a sus tierras de origen. La mezcla de etnias y lenguas condujo a la pidgnización del inglés y a su extensión. Era obvio que “la hermosa lengua de Castilla estaba desterrada de la colonia” según el misionero Coll. Sin embargo, la cuestión del idioma había quedado en un segundo plano ante la perentoria necesidad de los religiosos españoles por tomar control de la hegemonía apostólica (ahora en manos de los baptistas). La corona española proclamaba que la Religión Católica Apostólica y Romana era la única reconocida en todos los territorios españoles y expulsó a los británicos18. La llegada de la Septembrina y las corrientes democratizadoras que se dieron en la península desde 1868, hizo extensiva la libertad de cultos en la colonia. Los británicos regresaron, aprovechando los resquicios legales que permitían la celebración privada de otros cultos. El inglés por tanto volvía revitalizado a las calles y aulas de Santa Isabel. Los misioneros, que habían jugado la baza de la religión tuvieron pues que buscar otra estrategia para defender sus intereses en el vicariato de Fernando Poo. Frente a la adversidad, los religiosos españoles se refugiaron alternativamente en sus servicios administrativos para el Estado, esto es, en la elaboración de informes coloniales. En estos presentaban a la ciudad de Santa Isabel como el exponente de los inconvenientes para la colonización: los británicos la habían incluido en sus mapas cartográficos, habían instalado allí sus buques para el comercio exterior, y el inglés era la lengua vehicular de sus habitantes. Por 15 Robert T. BROWN, 1972: 249. 16 Archivo General de Simancas, legajo 8191, fol.2, citado en De Castro y de la Calle, 1992. 17 Mary H. Kingsley comenta esta situación: “The history of the English occupation of Fernando Po seems often misunderstood and now and then one hears our Government reviled for handing it over to the Spaniards. But this was unavoidable, for we had it as a loan from Spain in 1827 as a naval station for our ships, at that time energetically commencing to suppress the slave trade in the Bights” (1897: 53). 18 El gobierno español, escribe Mary H. Kingsley en 1897, reclamó Fernando Po en 1858 ante “the horror of the Baptist missionaries who had settled in Clarence apparently under the erroneous idea that the island had been definitely taken over by the English” (pg. 53) PLATÔ V.3 N.6 2016 11

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez consiguiente, ya que los misioneros españoles no podían ir contra el Estado en su lucha por la legitimidad y el control religioso, se aliaron con éste. Así, pusieron en juego el ideologema de la españolización de los nativos como única salida a la ‘britanización’ de la colonia. En ‘españolización’ confluían dos semas: el español como sinónimo del idioma patrio y la evangelización como sinónimo de la asimilación cultural. Los misioneros tenían en sus manos los dos espacios donde poner en práctica esta política de españolización: la iglesia y la escuela. Así pues, con la llegada de los Hijos del Inmaculado Corazón de María en 1885 se sentaron las bases para que la colonización del saber, el conocimiento y la lengua de los nativos surtiera efecto. Es imposible saber cuán rápido se produjo la expansión del español entre los nativos si no es acudiendo a las escasas referencias que encontramos en la literatura. En el escenario lingüístico de Fernando Poo y Annobón, el cambio de códigos (code switching), la convivencia de múltiples lenguas y la progresiva criollización del Pidgin English parecían ser la norma. Así lo recoge Mary H. Kingsley en sus impresiones sobre su viaje a la isla cuando se hace eco de varias conversaciones con nativos y otros habitantes de la isla: “‘Señora, you’ll see more bare skin on this island than in a regiment of grenadiers.’ He said in Spanish, and I had to look it up in a dictionary and then think about it afterwards, so the statement irritated me, for I felt that the man knew enough English to be aware that it must work out as a bad pun”. (1897: 57). “‘You go shoot thing with gun. Berrah well-but you no get him thing for sure. No sah. Dem gun make nize. Berrah well. You fren hear dem nize and come look him, and you hab to go share what you done kill. Or bad man hear him nize, and he come look him, and you no fit to get share-you fit to get kill yusself. Chii! chii! traps be best’ I urged that the traps might also be robbed. ‘No, sah’, says he, ‘them bian (charm) he look after them traps, he fit to make man who go tief swell up and bust’” (1897: 61) Ante este Babel y, urgiendo las autoridades españolas a que la colonia española fuera transformada para su explotación económica y dominio colonial, los misioneros lideraron el camino hacia la oficialización del español. Por consiguiente, y abriendo la segunda etapa, el gobierno promulgó en 1904 un Estatuto Orgánico de la Administración local en los territorios españoles africanos legislando sobre el culto y la instrucción pública. En esta se regulaba que el culto católico estaba en manos de las misiones autorizadas por el gobierno y que la enseñanza debería darse en castellano y, en su caso, en los idiomas del país. Esto, leído en términos sociolingüísticos, supondría un desplazamiento del inglés. 2) Etapa de oficialización. Durante esta segunda fase, los misioneros no parecían estar contentos con la ley promulgada en 1904, ya que abría la puerta a la creación de escuelas públicas donde, como fue el caso, maestros indígenas, solicitaron enseñar. Estos maestros habían sido formados en las misiones protestantes, quienes sabiendo entrar en el juego del sistema político educativo de los españoles, conociendo sus prácticas y sus discursos, les mandaron a España para que aprendieran el español. Evidentemente, la respuesta de los religiosos españoles no se hizo esperar, y denunciaron por todos los medios la falta de competencia en español de los solicitantes o la no adecuación de sus titulaciones. Por poner un ejemplo, en el caso de Barleycorn, un maestro indígena fernandino muy bien considerado, se alegaba que el aspirante había presentado un certificado y no un diploma de sus estudios en Barcelona. En la guerra por el español se libraban otras batallas que tenían lugar en la sacristía de la iglesia o en el patio de la escuela. La oficialización del español como lengua de educación y religión se concretó en la ley de 12 PLATÔ V.3 N.6 2016

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez 190719. Las bases para el imperialismo lingüístico estaban dadas y todo apuntaba a su éxito. Las lenguas nativas no suponían ninguna amenaza puesto que, según la ideológica jerarquía de las lenguas mantenida por misioneros y administración colonial, el bubi, el fang, el benga o el fá d’ambô no eran lenguas escritas, eran ‘incompletas’, sin tradición literaria, se desconocía su fonética y su estructura, y por tanto caían bajo la dominación del español como lengua desarrollada. No obstante, en este momento, las acciones encaminadas al imperialismo en español no fueron sinónimo de obliteración de las lenguas nativas sino de exclusión del inglés; el conocimiento de las lenguas nativas era no solo un mandato de Propaganda Fide para las misiones en ultramar, sino un medio necesario para la comunicación con los nativos. De ahí la producción misionera de gramáticas, diccionarios, misales, himnos y evangelios en bubi, benga o fang. La labor lingüística de los misioneros respecto a las lenguas nativas, como no podía ser de otra forma, se centraba en una aproximación de traducción literal desde el español, en tanto que lengua modelo, reduciendo la complejidad de las lenguas nativas a una estructura simplificada, adaptando la fonética a la fonología del español, e inventando, en definitiva, allí donde la evidencia denotativa no parecía una posibilidad20. La administración fue el tercer espacio de poder donde se imponía el español. En 1926 se exigía a los indígenas que prestaban servicio al Estado el dominio del idioma, invocando a los Jefes de las distintas dependencias, a cesar a quienes no lo dominaran. De forma paralela, los comandantes de la guardia colonial indígena eran impelidos a enseñar español a los miembros de sus ejércitos durante dos horas semanales en las cuales, además, les inculcarían sentimientos de amor a la Patria y al Rey y las ventajas que les proporcionaba el trabajo. Se esperaba así, que al regresar a sus pueblos y tribus una vez cumplido su tiempo de servicio, los indígenas que habían sido formados militarmente serían los primeros en proclamar entre sus connaturales los beneficios que habían recibido de la Madre Patria España, y que alabarían lo que trae consigo la civilización. En línea continuista con la ideología de la españolidad iniciada anteriormente, se insistía en que la transformación de los sujetos indígenas en súbditos españoles, y su identificación con la Madre Patria, pasaba inevitablemente, por adquirir el idioma español. 3) En la tercera etapa, coincidente con el franquismo, la anterior ideología de la españolidad se mutó en el proyecto de la hispanidad vis a vis con la filosofía del Estado nacional católico. Dos cuestiones son importantes a tener en cuenta en la puesta en práctica de este ideologema de la hispanidad. En primer lugar, el español ya no es solo el medio para el imperialismo y la colonización del ser de los nativos; el gobierno quiere convertirlo en elemento de identificación de los guineanos, proyectando esta victoria como el lazo que une los países hispanos a través del Atlántico. En segundo lugar, se retoma la cruzada contra el inglés, ahora con el objetivo puesto en el Pidgin English, el Broken English que desde principios del siglo diecinueve había echado raíces en la colonia. Respecto al primer aspecto, administración, escuela, religión y opinión pública unieron sus fuerzas para hacer de la colonia el espacio propicio donde poner en práctica el ideologema 19 En el bando firmado por D. Luis Ramos Izquierdo y Vivar, Gobernador General Interino de los Territorios Españoles del Golfo de Guinea en 1907 se decía lo siguiente: “al objeto de que se difunda y propague nuestro hermoso idioma Castellano entre los naturales de estos Territorios, vengo en disponer: Art 1º. Será obligatoria la enseñanza del idioma Español en todos estos Territorios. Art. 2º. En las misiones protestantes establecidas en los mismos les serán leídos en idioma español los pa sajes de la Biblia a los indígenas que concurran a ellas, debiendo haber en dichas misiones un intérprete español al referido objeto. Art. 3º. Queda prohibido terminantemente se redacten los contratos que se celebren con los indígenas y demás documentos públicos y oficiales en otro idioma que no sea el español. 20 Véase Castillo Rodríguez 2014 PLATÔ V.3 N.6 2016 13

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez de la hispanidad. Se trataba pues de sacar un doble partido a este proyecto. De un lado, se presentaba la Guinea Española como éxito de la política franquista, que unía una España desquebrajada, arruinada y sin poder hacia el exterior. De otro, Guinea ejemplarizaba la capacidad de aumentar humana y económicamente el proyecto de la hispanidad. El objetivo estaba, según Heriberto Ramón Álvarez en: procurar crear en el indígena una conciencia patriótica, difundiendo el idioma y virtudes de la raza hispana con su carácter humanista, evitando el desarraigo del nativo mediante las mejoras de las condiciones de su vida y consiguiendo de este modo la adhesión perfecta con España y con los ideales de la Hispanidad” (ÁLVAREZ, 1948: 133). En la escuela, los manuales así lo presentaban, y se ponía en práctica un sistema de vigilancia y castigo sobre el uso del español, sobre los ideales y los símbolos hispanos, que resultaría en un proceso de asimilación cultural. Donato Ndongo-Bidyogo lo recuerda así: “¿Somos españoles?” -preguntaba el maestro a la clase- “¡¡Soomos españoles por la Gracia de Dioooos!!”. “¿Por qué somos españoles?” -volvía a preguntar- “¡¡Somos españolees por haber tenido la dicha de nacer en un país llamado Españaaaa!!”. Al entrar en la escuela había que formar, hacer cinco o diez minutos de gimnasia militar, cantar el “Cara al Sol”, brazo en alto, el “Lleno de ferviente ardor”, el “Falangista soy, falangista hasta morir o vencer” y, al fin, el “Viva España”. Los sábados se cantaba el “Yo tenía un camarada” y el “¡Salve Franco!”. (NDONGO-BIDYOGO, 1977: 66) Esta comunión con el régimen era unos de los pilares de la hispanidad africana. Los artículos publicados en Ébano, el periódico publicado por Falange Española Tradicionalista y de las Juntas de Ofensiva Nacional Sindicalista (JONS), resaltaban cómo la Guinea Española (llamada así entonces) tenía el papel ejemplificador de “sembrar por todos los ámbitos del mundo”, “las ideas sublimes”, “la bella lengua de Cervantes”, “el tesoro inapreciable de nuestra cultura desparramada a raudales”. No obstante, la colonización española no resultó en una dialéctica hegeliana, sino en una simbiosis de naturaleza antagónica y plural caracterizada por la hibridación cultural. Anacleto Oló en su poema Hispania escribía en 1951:’ “Somos guineanos De amores frágiles Ecuatoriales, Y bastardías hispanas. Somos los que dicen Tres palabras en bantú Y dos en celta latino Somos irremediablemente Las sendas del destino Híbridos con pasión y nostalgia” En relación con la segunda cuestión, la política imperialista y monoglósica del idioma nacional llevaba a que desde todos los resortes coactivos del Estado se denunciase la incómoda presencia del inglés ‘corrupto’, ‘bastardeado’ del Pidgin English. El Inspector de Enseñanza en la colonia, Heriberto Ramón Álvarez, estableció en el reglamento del internado de la Escuela Superior Indígena, que el idioma español era el único permitido en todos los actos oficiales, siendo tolerado el uso de la lengua vernácula en los actos no oficiales, pero que “jamás podrá ser empleado el broken english”. Los ideologemas sobre el primitivismo de las lenguas nativas, su jerarquización bajo las europeas, su poco desarrollo e incapacidad para comunicar pensa- 14 PLATÔ V.3 N.6 2016

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La colonización lingüística de España en Guinea Ecuatorial Susana Castillo Rodríguez mientos complejos21 sustentaban las acciones para el rechazo del criollo inglés-africano: no era una lengua ‘pura’ y la hablaban los inmigrantes braceros de la costa africana así como los fernandinos, la clase alta que amenazaba con disputar el poder a los colonistas españoles, sobre todo en los asuntos económicos. En este sentido, hay que añadir que la falta de braceros fue siempre un asunto central en la economía de la colonia; en el siglo diecinueve fueron traídos desde Cuba, y desde principios del siglo veinte y durante el franquismo, llegaban desde el golfo de Biafra. Por tanto, había que tomar medidas: una labor de limpieza y saneamiento, o como ahora se dice, “de depuración”, – escribía Cordero Torres en 1941– es inexcusable para que la capital y sus alrededores dejen de ser el asilo de los indeseables de las Colonias vecinas y un centro de propagación del “pichinglis”. La política de prohibición del inglés y de obligatoriedad del español alcanzó también el debate en la esfera pública. En el periódico Ébano se loaba la importancia del monolingüismo como instrumento para la construcción de la hispanidad en la colonia. De entre todas las arengas, una muestra: “Nunca hables públicamente otro idioma, ni otro dialecto que el Español, con ello harás para España la labor que España necesita” “ESPAÑOL, al hablar tu idioma te reconoces hijo de España” o “indigena, eres buen español?....pues, usa siempre este idioma” (sic). Ser hijo de España, unirse a la comunidad panhispánica, identificarse con la Madre Patria y su idioma, fueron los intereses que movieron la política imperialista del español durante el franquismo. 4) La independencia colonial no tardó en llegar una vez que las corrientes panafricanistas y de independentismo habían sacudido todo el continente africano. Macías se proclamó Presidente del país y emprendió una cruzada contra aquello que rezumara a España. Los misioneros fueron expulsados y acusados de ser agentes del neocolonialismo y del imperialismo, las escuelas privadas fueron clausuradas y los desafectos al régimen perseguidos y ejecutados. La filosofía cultural de la ‘africanización’ se tradujo en el proyecto de la ‘guineización’, a modo de búsqueda de la propia identidad cultural que liberara al pueblo guineano de la política, economía y cultura con vestigios coloniales. En 1975 se dictaron varios decretos – leyes que castigaban el uso de expresiones religiosas y limitaba los nombres de los bautizados a nombres propios africanos como Nguema, Mbá, Ndong, prohibiendo los nombres ‘importados por los colonialistas’ como Luis, Anselmo, Benito (F. I. Ondo Ndjeng 1996: 338). La etapa antiespañolista de Macías fue seguida por una ‘reespañolización cultural’ (Nerín 1998: 19). Tras el derrocamiento de Macías el 3 de agosto de 1979 a manos de su sobrino Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, se abrió el segundo periodo de la República de Guinea Ecuatorial que continúa hasta la fecha. Los cambios en política internacional y lingüística estuvieron inicialmente propulsados por una revitalización del ‘afro-ibero-americanismo’ con el que Guinea Ecuatorial trataba de rentabilizar su peculiaridad hispánica ante sus países vecinos, según hemos visto al inicio de este artículo. Su primer acercamiento a la comunidad panhispánica tuvo lugar en Valladolid en 2001 durante la celebración del II Congreso Internacional de la Lengua Española donde el presidente de la república Teodoro Obiang Nguema MBasogo fue invitado a pronunciar el discurso inaugural. Abría el presidente su discurso manifestando que era un día histórico para el pueblo y el gobierno guineano, y agradecía a sus Majestades los reyes de España y al pueblo español – (y cito) “con el que Guinea Ecuatorial se siente estrechamente vinculado por indisolubles lazos históricos y culturales”– la invitación. Sin señalar a nadie, y entonando un medido ‘mea culpa’, Teodoro Obiang dejaba entrever un cierto resentimiento por haber estado alejado de estos encuentros, que, según decía, significaban el reconocimiento de la pertenencia al mundo hispánico y servían como antesala a la participación en las cumbres iberoamericanas; uno de 21 ENGELBERG, 2013, PLATÔ V.3 N.6 2016 15

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