Revista Comando Rock 113

 

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Revista com entrevistas, resenhas e muito mais sobre rock e heavy metal

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Editor Marcos Filippi Repórteres Antonio Rodrigues Junior Paula Fabri Renan Marchesini Traduções Paula Higa Jornalista Responsável Marcos Filippi (MTB 24.477) Correspondentes Londres Denis Augusto Fabrício Tramontin Miguel Freitas Barcelona Mauricio Melo Colaboradores Alexandre Macia André Fiori Adriano Coelho Bruno Juliano Fernando Guilherme Ferreira Heverton dos Santos Márcia Helena Naldinni Marcio Carlos da Silva Marcos Franke Roberto Nartes Sandro Walterio Fotógrafos Aline Messias Flávio Hopp Vivi Carvalho Wanderley Perna Editor de Arte Wanderley Perna www.wanderleyperna.com.br Publicidade E Anúncio comandorock@comandorock.net Tel.: 11 5093-9490 Assinatura comandorock@terra.com.br Impressão e Acabamento Print Express _______________________________ Comando Rock – A Revista + Rock do Brasil é uma publicação mensal da Editora 9 de Julho Ltda. Todos os artigos aqui publicados são de responsabilidade dos autores, não representando necessariamente a opinião da revista. Proibida a cópia ou reprodução (parcial ou integral) das matérias, transcrições e fotos aqui publicados. Ninguém está autorizado a vender assinaturas da revista, a não ser diretamente com nosso Departamento Administrativo, respondendo à mala direta da editora ou acessando diretamente nosso site. Redação e Correspondência: Rua Arizona, 729 – Brooklin – São Paulo/SP – CEP: 04567-002. Tel.: 11 3895-2029 E-mail: comandorock@comandorock.net Site: www.comandorock.net Fotos da Capa Steve Vai (Divulgação) Opeth (Divulgação) Curtas do Rock ................................................... 4 Mammoth Storm ............................................... 8 Draconian .......................................................... 12 Obituary ............................................................ 14 Opeth .....................................................16 Steve Vai .................................................18 Pôster ................................................................. 20 Independentes...Por Enquanto ......................... 22 Guia de Lançamentos CDs ................................ 28 Guia de Lançamentos DVDs ............................. 32 Estivemos Lá ..................................................... 34 AS TRÊS FRANQUIAS QUE MAIS CRESCEM NO BRASIL Olá roqueiros. A palavra que mais se ouve hoje em dia no Brasil é “crise”. E não é para menos. “Nunca antes na história deste País” passamos por um período de crise econômica tão difícil quanto agora. Aliado ao monstro da inflação que voltou a rondar estes lados depois de quase duas décadas está o desemprego. Milhões de brasileiros perderam suas vagas na indústria, no comércio e na área de serviço. São mais de 12 milhões de chefes de família que viram seu emprego desaparecer. Isso sem contar o número gigantesco de micros e pequenos empresários que teve de fechar as portas depois de anos de batalha. Hoje, pode-se dizer que as únicas três franquias que estão crescendo no Brasil são a “aluga-se”, a “vende-se” e a “passo o ponto”. Como vem mostrando a “operação Lava-Jato” da Polícia Federal, dezenas de políticos e empresários acabaram sucumbindo à tentação da corrupção. Envolvidos em escândalos milionários (ou até mesmo bilionários), poucos efetivamente estão atrás das grades. Munidos de excelentes advogados, aproveitando as várias brechas que existem na nossa legislação ou por meio das agora famosas delações premiadas, estes criminosos acabam ficando poucos dias detidos e voltam rapidamente para suas luxuosas mansões. Praticamente não passa mais do que uma semana sem que as notícias que determinado político foi flagrado recebendo propina não estampem as manchetes dos jornais. E, enquanto isso, o Brasil atravessa a sua maior recessão econômica da história. E, o que é pior: mesmo com todos estes escândalos de corrupção que estão sendo divulgados hoje em dia, aparentemente, não servem para intimidar vários de nossos parlamentares. Políticos de quase todos os partidos, segundo a delação de alguns réus confessos pegos na “Lava-Jato”, receberam pomposas quantias de empresas privadas e estatais para se elegerem nas últimas eleições. Além da crise econômica, o País enfrenta uma grave situação política. Enquanto não se definir se a presidente Dilma realmente irá ou não perder seu cargo no executivo (que, se não mudarem nenhum prazo, o caso está previsto para ser julgado no fim deste mês), praticamente nada é votado ou aprovado em Brasília pelos nossos deputados e senadores. Michel Temer não sabe se é presidente de fato ou apenas provisório. As medidas econômicas (que, pasmem, inclui aí a provável volta da CPMF ou a criação ou aumento de impostos) não serão adotadas até que a situação de Dilma seja definida. Mas, o que podemos fazer para mudar esta história. A melhor solução continua sendo o voto. Em outubro teremos eleições para prefeito e vereadores de todos os municípios do Brasil. O País atingiu um momento em que não há mais espaço para corruptos. Chega de votar em alguém simplesmente porque ele é de tal partido ou porque prometeu construir tantas escolas e outros x hospitais. Ou votar em determinado vereador porque ele é amigo do vizinho do amigo de seu parente ou porque ele é famoso. Deveria existir uma lei em que todo cidadão que desejasse se candidatar a algum cargo no legislativo ou no executivo devesse abrir seus sigilos bancários e telefônicos para a justiça. Mas, convenhamos, é esperar demais que isso ocorra um dia... Então, o que resta é “estudarmos” a vida pregressa daquele candidato que estamos pensando em votar na próxima eleição. Ao contrário do que muitos de nós pensamos, há pessoas honestas e com boas intenções que entram na política. Não adianta “brincarmos” de votar agora para depois criticarmos ou lamentarmos aqueles que chegaram ao poder. Todos os prognósticos mostram que o País ainda estará em recessão no ano que vem. Mesmo os estudos mostrando que o Brasil começará a melhorar neste segundo semestre, 2017 ainda será bem complicado economicamente falando. Infelizmente muitas franquias de “aluga-se”, “vende-se” e “passo o ponto” abrirão em seu bairro. Espero realmente que este turbilhão que estamos passando sirva para, pelo menos, tirarmos algum aprendizado. E que, já nesta próxima eleição municipal, consigamos votar corretamente. Uma boa leitura e até a próxima edição. Marcos Filippi COMANDO ROCK - 3

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O Alter Bridge anunciou oficialmente todos os detalhes de seu novo álbum de estúdio. O 5º disco da banda se chama The Last Hero e será lançado dia 7 de outubro O último violão jamais tocado pelo frontman do Nirvana, Kurt Cobain, e aquele usado no famoso set MTV Unplugged, virou caso de Justiça. A filha do músico, Frances Bean, preencheu um pedido de divórcio de seu marido, Isaiah Silva, no começo deste ano, após juntarem os laços em 2014. De acordo com o TMZ, ele afirma que o violão Martin D-18E foi dado como presente de casamento, mas Frances Bean rebate e está buscando agora a posse do instrumento, que já foi avaliado em US$ 1 milhão. Courtney Love, mãe de Frances, disse ao TMZ: “Não é dele. É um tesouro de família. Ele não pode mantê-lo”. E, quando pressionada sobre o significado do instrumento, ela disse: “É o último violão que ele tocou” Segundo o Axl Rose Fã Clube, a Mercury Concerts será a produtora que trará o Guns N’ Roses ao Brasil para a turnê Not In This Lifetime, que deve ser realizada entre os três últimos meses deste ano. O mesmo veículo relata informações que teriam sido obtidas de forma segura dos bastidores do grupo: dentre elas consta que o valor do cachê é de cerca de US$ 1,1 milhão e as apresentações seriam em Curitiba, São Paulo, Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre, além de um show surpresa no interior do Paraná. O site reitera que as informações ainda não são oficiais Dee Snider comentou, via twitter, a declaração feita pelo guitarrista Jay Jay French ao programa de Mitch Lafon, onde ele diz que o Twisted Sister “não pode, obviamente, ficar ausente por mais 14 anos novamente”, se referindo ao período entre 87 e 2001, quando a banda esteve oficialmente separada: “Não sei sobre a banda... mas, por mim, sim (a banda vai acabar). Talvez eles tenham planos de prosseguir sem mim. Eles têm minha benção!”. O Twisted Sister está fazendo os shows de sua turnê de despedida batizada de Twisted Sister – A Concert to Honor AJ Pero, em homenagem ao baterista AJ Pero falecido em março do ano passado. Mike Portnoy está tocando com o grupo Celebrando os 60 anos de sua fundação, a Official Charts, instituição responsável pela averiguação dos números de vendas de discos no Reino Unido, publicou em seu site a lista com os 60 álbuns mais vendidos na Grã-Bretanha nas últimas seis décadas. Greatest Hits (81), do Queen, ficou na primeira posição com 6,1 milhões de cópias vendidas. Gold: Greatest Hits (92), do Abba, com 5,2 milhões de unidades; e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (67), dos Beatles, com 5,1 milhões de cópias; estão na segunda e terceira posição, respectivamente. A lista completa pode ser conferida no link http://www.officialcharts.com/ chart-news/the-uks-60-official Durante conversa com a Radio.com, Gene Simmons comentou a possibilidade do Kiss gravar um novo álbum de estúdio (o último trabalho de inéditas da banda foi Monster, lançado em 2012). “Vai acontecer. No momento estamos ocupados excursionando, fazendo os cruzeiros, cuidando do nosso time de futebol, L.A. KISS. Mas, faremos um novo disco. Gravei duas músicas novas há uns três dias e elas podem ou não ser para o Kiss. Sigo compondo”, explicou Gene O ex-vocalista do Motley Crue, Vince Neil, pode enfrentar até seis meses de ca- 4 - CO4M-ACNODMOARNODCOKROCK deia por agressão. Ele é acusado de ter agredido uma mulher que estava tentando coletar autógrafos no Aria Hotel, em Las Vegas, em abril deste ano, onde o músico estava almoçando com o ator Nicolas Cage. As notícias sugerem que Neil reagiu violentamente após uma fã abordar sua mesa, o que acabou gerando um desentendimento entre os dois famosos. Michael Roriguez, do departamento de polícia de Las Vegas, falou em uma entrevista: “O Sr. Neil e o Sr. Cage foram ao Aria, uma mulher estava tentando pegar um autógrafo do Sr. Cage. O Sr. Neil subsequentemente a derrubou ao chão puxando-a pelo cabelo”. A polícia decidiu receber as queixas após revisar o circuito interno de tevê do local. Neil originalmente negou a acusação A banda norueguesa Sirenia anunciou a saída da vocalista espanhola Ailyn Giménez García por “motivos pessoais”, mas disse que está tudo bem entre eles e que deseja a Ailyn o melhor possível em seus futuros projetos, agradecendo pelo privilégio e alegria de trabalhar com ela. A banda informa que está contratando uma nova vocalista, que passará os próximos dois meses finalizando as gravações do novo álbum e que as turnês e shows agendados para setembro e diante seguirão como planejados. Recentemente o Sirenia cancelou um show por causa da morte da mãe de Ailyn e realizou outro show com Emmanuele Zoldan, que faz backing vocal como convidada na banda desde 2004 Tudo começou em 2009 quando, durante entrevista à Rolling Stone, Dave Mustaine contou que o Metallica pensou em demitir Lars Ulrich em 86. Depois, Scott Ian disse a mesma coisa em sua biografia de 2014 chamada I’m The Man e, em novembro do ano passado, Kirk Hammett confirmou para uma rádio dos EUA que realmente houve esta ideia, mas ela foi deixada de lado com a trágica morte de Cliff Burton. E agora, em conversa com a Metal Forces, Lars admitiu que nem de perto desconfiava que os parceiros pensavam em chutá-lo pra fora da banda. “Certamente não é algo que eu soubesse, mas no fundo sempre tivemos alguns atritos entre nós. Em uma entidade coletiva como o Metallica, com integrantes que estão juntos há 35 anos, muitas coisas acontecem com o passar do tempo. Estou certo que Scott Ian ficou sabendo de algo que eu não sabia, mas tudo bem para mim. Foi apenas algo que eu não percebi”. Lars

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disse que não falou com Kirk sobre o assunto. “Decidi não ler nenhuma das entrevistas dele. Na verdade, não leio entrevista alguma. Sei lá, este lance de passar 20 anos vendo aqui e ali o que Mustaine disse para a revista tal, o que Bruce Dickinson pensa sobre aquilo, eu não perco tempo com isto. Dou uma checada nas minhas páginas online e vejo as chamadas das notícias sem prestar atenção ao que Kirk falou ou o que alguém comentou. Claro, é complicado em pleno 2016 passar sem que as notícias caiam no seu colo, mas eu não leio e não acompanho estas coisas”. Sobre o próximo trabalho de estúdio do Metallica, durante conversa com a revista Humanity, Lars falou sobre o direcionamento musical do novo álbum, que deve sair entre setembro e novembro deste ano. “Definitivamente soa como o Metallica. Talvez um pouco menos frenético que o último disco, onde o produtor Rick Rubin nos encorajou a ir buscar nossas raízes, a olhar nossa história pelo retrovisor. Mas, desta vez, a coisa é um pouco diferente. Não estamos trabalhando com Rick, mas sim com o engenheiro de som da época, Greg Fidelman. Então há alguns dos mesmos elementos em jogo, mas estamos expandindo-os na sonoridade. Provavelmente o disco é mais diversificado que o último” O Black Sabbath trará a sua longa carreira ao fim no país nativo da banda, a Inglaterra, com sete shows lá agendados em janeiro e fevereiro. Os dois últimos, nos dias 2 e 4 de fevereiro, ocorrerão na cidade natal do grupo, Birmingham. “Tony Iommi quer fazer 80 shows como parte da turnê The End”, disse o vocalista Ozzy Osbourne à Billboard.com. “Eu não me importaria em estender a turnê por mais alguns shows. Há um monte de pessoas que não poderá nos ver, mas eu não acho que isso vai acontecer”. Osbourne também deixou claro que não era sua intenção parar de excursionar com o conjunto. “Não sou eu quem quer se aposentar; é o Black Sabbath”, disse. “Continuarei a minha própria carreira musical” Com quase 40 anos de estrada, finalmente o grupo de punk rock californiano Descendents tocará pela primeira vez no Brasil e em outros quatro países da América Latina. Com suas letras com muito humor e ironia, logo conquistaram uma legião de fãs mundo afora. Mesmo sem lançar nada desde o CD Cool To Be You (2004), os californianos continuam sendo uma das maiores referências do estilo e já contam com muitos fãs Durante conversa com a Gulfshorelife, Cliff Williams revelou que vai se aposentar do AC/DC após o fim da turnê Rock or Bust. Ele explica que sua saída se deve, em parte, às mudanças pelo qual a banda passou nos últimos anos, com a saída do guitarrista e fundador Malcolm Young por demência, depois o baterista Phil Rudd pelos problemas legais e por último Brian Johnson, substituído nos shows provisoriamente por Axl Rose, devido a problemas auditivos. Isso significa que as pessoas com quem trabalhou pelas últimas décadas não estão mais presentes. “Depois desta turnê irei me aposentar dos palcos e dos estúdios. Perder Malcolm, a coisa com Phil e agora Brian foi uma mudança animal. Sinto que é a coisa certa a fazer”, disse Cliff. Ele sente que viveu uma vida que todos os jovens músicos roqueiros gostariam de viver. “Quando você começa a tocar, espera atingir o sucesso. É para isto que você trabalha. Mas nunca tem certeza se vai chegar lá. Tem sido muito surreal, na verdade”, explica ansiosos para sua única passagem agendada pelo Brasil, que será dia 3 de dezembro, no Carioca Club, em São Paulo. Em setembro, a banda começa a divulgação de Hypercaffium Spazzinate programado para ser lançado dia 29 de julho nos EUA. Esse será o primeiro CD de inéditas em 12 anos De acordo com o jornalista José Norberto Flesch, do Jornal Destak, Joe Satriani vai se apresentar no Brasil em dezembro em locais e datas que ainda serão definidos. Na turnê, o guitarrista fará um resumo de sua carreira que abrange o álbum Surfing With Alien, de 87, até Shockwave Supernova, de 2015 O Suicidal Tendencies anunciou o título de seu novo álbum, sucessor de 13, lançado em 2013. The World Gone Mad, que sairá dia 30 de setembro, conta com dois novos integrantes: Dave Lombardo na bateria e Jeff Pogan na guitarra Aparentemente o novo álbum do Body Count vai se chamar Bloodlust e será lançado no ano que vem pela Century Media. A banda está trabalhando com o produtor Will Putney (Thy Art Is Murder, The Acacia Strain) e está atualmente na fase de composição COMACNODMOARNODCOK R- O5 CK - 5

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O Guitar World recentemente se encontrou com Brent Hinds, do Mastodon, que falou sobre o novo álbum da banda. “Está se tornando um álbum duplo. Um deles eu escrevi sozinho e gravei com Brann (Dailor, bateria) e Taylor (Sanders, baixo/vocal) durante as sessões de Once More Round The Sun. Minha parte é chamada Cold Dark Place e tem a ver com uma terrível separação pela qual passei. Escrevi algumas músicas bem sombrias, belas, assustadoras, etéreas e melancólicas, que também soam um pouco como Bee Gess (risos). Os outros caras estão escrevendo outro álbum, que ainda não ouvi, então não posso lhe dizer como ele soa. Mas, vou dar alguns pitacos aqui e ali” O Testament marcou para 28 de outubro o lançamento de seu novo álbum The Brotherhood Of the Snake. O guitarrista Eric Peterson falou ao Metal Maniac sobre o novo disco: “Está pronto, gravado e finalizado, e agora está a caminho de Andy Sneap (produtor britânico) para ser mixado. Ele ficou muito, muito bom”, adicionou. “Estou realmente feliz com ele. É bem diverso, mas é bem épico. Nada que pareça comercial. Acho que por 30 anos gravamos músicas e tentamos diferentes fórmulas e coisas assim. Acho que encontramos uma fórmula que é bem metal. Se for tão bom quanto Dark Roots Of Earth, de 2012, já estaremos com sorte” Mat Sinner revelou que o Primal Fear registrou profissionalmente uma apresentação recente para um CD e DVD ao vivo que vai sair no próximo ano. O baixista disse ainda que a produção será finalizada logo que a banda encerrar a atual turnê do álbum Rulebreaker, que se estenderá até o final deste ano O Evergrey irá lançar seu novo álbum The Storm Within, no dia 9 de setembro, pela AFM Records Durante conversa com o Hatrford Courant, o vocalista Chris Cornell falou sobre o novo álbum de estúdio do Soundgarden: “Estamos no meio do processo de composição. Iremos gravar depois que acabar esta turnê. Há muita coisa vindo por parte do Soundgarden. Vou tocar com minha banda e também sairei em shows solo”. O guitarrista Kim Thayl disse, no ano passado, que o sucessor de King Animal, de 2012, deveria sair este ano. Então, parece que as coisas estão se encaminhando Você é um grande fã do Pink Floyd e decide pagar US$ 500 (cerca de R$ 1.700,00) por uma edição luxuosa do The Wall em edição limitada de três mil cópias que vem assinada por Roger Waters. Todo contente, você recebe o pacote e, ao abrir, se depara não com a assinatura do lendário músico, mas sim com a assinatura de um sujeito chamado Jimmy Smith! Foi isto que aconteceu com um fã chamado Jim Clarke, o que gerou a especulação descrita a seguir: “O que está acontecendo aqui? Quem é este tal de Jimmy Smith? Estaria Roger tão entediado ao assinar três mil boxes que decidiu trolar os fãs (vamos ser francos, algo que não é de costume dele) e assinar o nome de terceiros? Presumivelmente. Ou talvez um sujeito chamado Jimmy Smith tenha sido contratado para assinar no lugar de Roger e, acidentalmente, escreveu seu próprio nome? Quem sabe?”. Descobriu-se depois que Clarke não foi o único contemplado com uma assinatura não esperada. Outros fãs reportaram terem recebido boxes assinados por Lord Jelly e Johnny Dodds que, na verdade, são músicos respeitados de jazz já falecidos. E o empresário de Waters confirmou que as assinaturas são dele, que resolveu se divertir e homenagear os falecidos jazzistas. “A assinatura de Roger é autêntica e, mais que isto, esta homenagem é única desta edição limitada do The Wall”, explicou Artimus Pyle, um dos únicos músicos que sobreviveu à tragédia que se abateu sob o Lynyrd Skynyrd em 77, está por trás do roteiro de um filme chamado Freebird, cujas filmagens começarão em julho. O longa vai relatar não somente o acidente, mas também a trajetória da banda antes disto, vista sob a ótica de quem participou dela. “A história deste filme – a minha história – não é só sobre o acidente de avião, mas também a minha relação pessoal com o gênio que foi Ronnie Van Zant, a quem eu amava como irmão e tenho saudades até hoje”, disse Artimus Tom Araya, do Slayer, fez um discurso inflamado a favor da posse de armas que está sendo debatida nos EUA depois do massacre de Orlando, onde 49 pessoas foram assassinadas. As declarações de Tom foram feitas antes de a banda tocar “Mandatory Suicide”, no fim de junho, na Suíça. “É verdade que cada casa tem que ter um rifle ou uma arma? Não? Eu acho que todos devem ter armas em casa. Isto não é certo? Como você vai defender seu país? Todos devem poder se proteger. Não um do outro, mas dos invasores. E vocês sabem do que estou falando, certo? Você deve ser capaz de poder se defender daqueles que vem te machucar. Pois, quando você não pode se defender, o que acontece? As pessoas morrem. Vocês viram o que aconteceu? Não vou citar nomes, mas vocês sabem o que está acontecendo em outros países, onde as pessoas não podem se defender e é disto que estou falando. É sério, não é piada, é uma m... quando pessoas morrem, pois você não pode protegê-las” Em conversa com o Metal-Maniac durante o Hellfest, na França, Bobby “Blitz” Ellsworth, do Overkill, falou da relação da banda com a Internet e a queda na venda de álbuns. “Quando a Internet foi inventada, o Overkill já existia. Já estamos na estrada desde antes da www. Podemos ver a Internet de duas maneira: certamente é fantástica, pois torna o mundo bem próximo, é uma qualidade óbvia. Aproxima as pessoas que tem os mesmos gostos. As mídias sociais nos conectam com pessoas iguais, não há mais a coisa de ser de contra, todos os amigos pensam da mesma maneira e isto, na verdade, destrói a cena. Mas, ao invés de ficar reclamando, temos que encontrar maneiras de nos reinventar, encontrar as pessoas certas, nos focar no 6 - CO6M-ACNODMOARNODCOKROCK

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nosso mercado, descobrir onde estão os colecionadores, os que querem vinil ou outros itens colecionáveis. Então precisamos pensar diferente para sobreviver na era da Internet. Por causa da Internet, a cena do metal vai morrer. A Internet ajuda você a se promover, mas ela lentamente está fazendo a cena se consumir” O Kansas vai lançar um novo álbum de inéditas após um hiato de 16 anos. The Prelude Implicit sai no dia 16 de setembro, pela InsideOut Music Após o sucesso com o Lindemann, projeto com o vocalista do Rammstein, Till Lindeman, o produtor e multi-instrumentista Peter Tägtgren voltou ao seu Abyss Studios para trabalhar no novo álbum do Pain. Intitulado Coming Home, o novo álbum da banda será lançado no dia 9 de setembro, via Nuclear Blast. A arte da capa é da autoria de Stefan Heilemann (Epica, Lindemann, Indica). “Estava trocando muitas ideias sobre a capa com o Heile novamente e, finalmente, conseguimos o resultado que realmente queríamos. Eu aluguei uma roupa espacial e coisas assim para a foto da arte”, comentou Tägtgren. “Musicalmente, o álbum é um desenvolvimento de onde o Pain e o Lindemann pararam. É o trabalho mais experimental que já fiz. Há violões e o Clemens, do Carach Angren, me ajudou com os arranjos orquestrais e também fez alguns vocais. Sebastian Tägtgren também fez um grande trabalho na bateria” O frontman do Alice in Chains, William DuVall, disse que a banda vai começar a pensar sobre seu sexto álbum após a turnê com o Guns N’ Roses. O sucessor de The Devil Put Dinosaurs Here será o terceiro lançamento após a substituição do falecido Layne Staley, em 2006. O grupo estará na estrada com Axl e companhia até meados de agosto. DuVall falou ao WRIF: “Eu sei que provavelmente vamos pensar sobre esse tipo de coisa nos próximos meses. Ainda é cedo, pois temos que fazer essa turnê primeiro. Temos um hábito de começarmos praticamente do zero toda vez que vamos lá. Isso te desafia. Nós temos que ver o que se manifesta dessa vez. Mas, ainda não estamos lá”. No meio tempo, o grupo está feliz de que Rose, Slash e Duff McKagan estão trabalhando juntos de novo. “Eles chamam essa turnê de Not In This Lifetime (Não Nessa Vida) por uma razão: nunca acharam que isso fosse acontecer. Nós estamos muito animados de ou- O júri decidiu em favor do Led Zeppelin na ação que corria nos Estados Unidos há mais de uma década sobre uma disputa envolvendo a autoria do clássico “Stairway To Heaven”. Os representantes do falecido Randy Wolfe (Randy California), da banda Spirit, afirmavam que o Led havia roubado trechos da faixa “Taurus” para compor “Stairway To Heaven” e buscavam por compensações. Depois de uma semana de depoimentos, que incluíram Jimmy Page e Robert Plant, o espólio do compositor Randy Wolfe, outros integrantes da banda Spirit, estudiosos de música e outras testemunhas, o júri formado por oito californianos decidiu que, apesar de Page e Plant terem tido acesso à faixa “Taurus” antes de compor “Stairway To Heaven”, as similaridades entre as duas não eram suficientes para caracterizar plágio. Provavelmente devem ainda haver apelos e desdobramentos. Jimmy Page e Robert Plant postaram uma curta nota comentando a vitória no tribunal: “Agradecemos o serviço de forma consciente feito pelos jurados e ficamos muito satisfeitos com a decisão a favor da banda, confirmando o que a gente já sabia há 45 anos. Agradecemos o apoio dos fãs e esperamos que esta questão legal fique enterrada no passado”. Mas, nem tudo é comemoração entre os dois integrantes do Led. Ao que consta, o grupo teria recebido uma oferta de US$ 14 milhões (cerca de R$ 47 milhões) para duas apresentações no Desert Trip, que será realizado em Indio, na Califórnia, no mês de outubro. Este é o cachê que está sendo pago a todos os participantes do mega evento: Paul McCartney, Rolling Stones, Bob Dylan, The Who, Roger Waters e Neil Young. Mais uma vez, a recusa teria vindo de Robert Plant e isto deixou Jimmy Page irritadíssimo: “Jimmy ficou louco, ele queria realmente fazer os shows”, disse uma fonte de bastidores vir que isso vá acontecer. Ainda mais estar juntos como parte disso. Estamos honrados de fazê-lo” Sai em 26 de agosto Mechanical Resonance Live!, gravação ao vivo do disco clássico do Tesla, em comemoração aos seus 30 anos de lançamento. O álbum traz como bônus uma música composta e produzida por Phil Collen, do Def Leppard A T4F confirmou as datas e locais da tour que o Whitesnake fará no Brasil em setembro. O grupo liderado por David Coverdale chega ao País com sua nova turnê mundial. Os shows serão dia 20 (em Porto Alegre, no Pepsi on Stage), dias 22 e 23 (em São Paulo, no Citibank Hall), dia 25 (em Belo Horizonte, no BH Hall), dia 28 (em Brasília, no Net Live Brasília), dia 30 (em Curitiba, no Live Curitiba) e dia 2 de outubro (no Rio de Janeiro, no Metropolitan) Após longos 16 anos sem gravar um álbum, Marcelo D2, vocalista do Planet Hemp, vem dando indícios fortes de que a banda está para lançar novo material. O último trabalho da esquadrilha, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça, foi lançado em 2000 e, desde então, o grupo não lançou material novo. A banda, que havia decretado seu fim em 2001 por conta de desavenças entre seus integrantes, retornou em 2010 com todo o fôlego fazendo shows icônicos como no festival Planeta Atlantida e no Lollapalooza, em 2013. Em uma publicação no Instagram, Marcelo comentou: “Três dias de gravação (temos uma demo do Planet Hemp). Já disse e repito: de volta a 93... Mario Caldato Jr, Icaro Silva, Renato Góes e Eu” A produtora Dark Dimensions confirmou apresentações do vocalista Sebastian Bach no Brasil em outubro. Mais informações serão divulgadas em breve O Superjoint (de Phil Anselmo), que anteriormente se chamava Superjoint Ritual, já tem título para seu segundo trabalho: ele vai se chamar Caught Up In The Gears Of Application e deve sair ainda este ano pelo selo de Anselmo, a Housecore Record. Além de Phil, a banda conta com os guitarristas Kevin Bond (Christ Inversion, Artimys Pyledriver) e Jimmy Bower (Down, Eyehategod), o baterista José Manuel Gonzalez (Warbeast, Philip H. Anselmo & The Illegals) e o baixista Stephen Taylor (Philip H. Anselmo & The Illegals, Woven Hand, 16 Horse Power) COMACNODMOARNODCOK R- O7 CK - 7

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Abanda sueca Mammoth Storm é o Mammoth Storm foi formado em contrato, eles queriam lançar o EP apenas novo filho da onda stoner/doom 2012. Conte um pouco sobre quando para poder promover a banda. Logo depois metal que vem angariando cada decidiu montar a banda? começamos escrever músicas para um ál- vez mais fãs ao redor do mundo. Com Queríamos, há algum tempo, começar bum. Todos que ouviram o EP realmente outros elementos, como o drone metal, algo apenas por curtição de ensaiar jun- gostaram muito, então a pressão para um o grupo do baixista e vocalista Daniel tos, fazer um som... E todos nós curtimos CD novo foi bem alta. Mas, acho que con- Arvidsson (que também é guitarrista do muito a cena de stoner e doom metal. De- seguimos lidar com isto muito bem. Draconian), tenta fugir de todos os tipos cidimos fazer algo juntos nesta direção. de padrões musicais, reinventando as- No começo era mais um stoner doom bá- A música do Mammoth Storm é uma sim um estilo muito bem fundamentado sico, mas com o tempo descobrimos que mistura de doom, stoner e drone. pelo Black Sabbath. queríamos fazer a nossa coisa e não soar Conte um pouco sobre o drone metal A Comando Rock conversou com o como outras tantas bandas. Uma cópia de e como ele interfere na sua música e músico para saber um pouco mais sobre nomes como Electric Wizard, Sleep, Yob. onde pode ser ouvido em Fornjot. o novíssimo álbum Fornjot, planos para Queríamos nosso próprio som e começa- (risos) Bom, não posso dizer que em al- o futuro e a variedade de estilos que mos a misturar elementos de outros esti- gum momento usei a palavra drone quan- compõe um dos grandes álbuns do ano. los. Agora acho que tivemos sucesso com do falo de Mammoth Storm. Mas, claro, isto e descobrimos que o som do Mammo- há alguns momentos que poderiam ser Comando Rock: Fornjot é o título do th Storm é bem único. chamados assim em algumas músicas. novo álbum do Mammoth Storm. O Para mim, drone é como se fosse o som que significa? Rite of Ascension, o álbum lançado em de uma paisagem. Não é sobre a melodia Daniel Arvidsson: Fornjot é o nome de 2014, foi apenas um EP. Fornjot é o e sim uma parede de sons batendo em um gigante na mitologia antiga nórdica. primeiro álbum que Mammoth Storm você. Dentro desta parede há um monte Não tem algo muito escrito sobre ele, mas lança. Conte um pouco quando a ban- de rachaduras de “sons” que a formam e em alguns poemas e histórias antigas da começou a ficar séria e compor mú- a tornam em algo que leva você para um dizem que ele foi rei da Finlândia, Kven- sicas para um disco? estado de espírito. Pode parecer um pou- lândia e Gotlândia. Um dos planetas de Quando fomos contratados pela Napalm co viajante a princípio, eu sei, mas é difícil Saturno também é chamado de Fornjot, Records já havíamos gravado músicas para de definir drone assim. Em Fornjot, no en- como tributo a este velho e gigante rei. o Rite of Ascension e, logo que assinamos o tanto, não há elementos disto na verdade. 8 -8C-OCMOAMNADNODROORCOKCK

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Eu acho que o mais perto que chegamos disto foi no EP com a música “Obscure Horizon”. A parte dos refrões é algo que você pode chamar de drone. Drone metal também é conhecido por power ambient e, às vezes, associado ao post-metal ou metal experimental. Há uma banda famosa que utiliza muito estes elementos chamada Sunn O))). Você tem alguma intenção em fazer música experimental também? Ah sim! Conheço muito bem o Sunn O))) e gosto muito do trabalho deles. Quando penso no Mammoth Storm... Acho que sim, certamente faremos mais experimentos em lançamentos futuros. A banda tem que evoluir e assim os músicos também. Estamos muito ansiosos por poder explorar novos territórios e fazer o nosso som mais pesado e interessante em outros sentidos. Certamente haverá mais experimentos com sons e todas estas coisas nos álbuns que virão. Onde você consegue inspiração para a música do Mammoth Storm? A inspiração vem de todo lugar. Tanto como de outras bandas, estilos, novas ou velhas ou qualquer coisa que estivermos lendo. Seja ela histórica, mitológica, de ordem natural ou qualquer tipo de interesse que nos chame a atenção. Muitas ideias para músicas surgiram de minha cabeça quando estava pescando ou em algumas horas de solidão. A melhor maneira de relaxar é também clarear sua mente e deixar coisas novas entrarem. Mesmo sendo um trio, a banda soa como se tivesse mais integrantes. Como isto é possível? Bem, no álbum podemos apenas agradecer ao nosso engenheiro de som/produtor Johan Ericsson. Ele realmente entende o som do Mammoth Storm e tem a habilidade para ajudar a alcançar isto. Também temos um integrante adicional nas gravações chamado Teo Dahnberg (guitarra) e ele é uma parte importante na criação do som pesado que queremos e precisamos no palco. E o truque, claro, é utilizar guitarras/baixo com um tom muito baixo que traz muita distorção e barulho (risos). Então a causa deste barulho é a guitarra elétrica que possui muita ressonância? Como é trabalhar com ressonância em estúdio? Sim! Ressonância é uma parte grande disto. Na verdade isto toma muito tempo no estúdio: acertar a ressonância correta. Tentamos muitos pedais diferentes, amplificadores e coisas que já utilizamos para conseguir este som. A chave para isto é nunca ser preguiçoso no estúdio e apenas ir com aquilo que soa bem quando você ouve. Continuar trabalhando com aquilo que você tem disponível e ouvir atentamente como tudo soa junto. Stoner/doom é um estilo que sempre foi fortemente influenciado por Black Sabbath. O quanto o grupo influenciou a sua música? Claro, é uma grande influência para mim. Sou um grande fã da banda também. Você não pode tocar este tipo de música sem ser fã de Sabbath ou ser influenciado por ele. Mas, quanto às composições do Mammoth Storm, não posso dizer que há uma influência direta deles. Entretanto, o jeito que aprendi a tocar o baixo/guitarra, tudo tem origem no Black Sabbath e, de alguma forma, tudo que componho é influência dos pais do doom metal. Você também é integrante do Draconian, onde toca guitarra. No Mammoth Storm você é baixista e vocalista. Como lida com duas tarefas tão difíceis com funções tão distintas? São tempos ocupados sim (risos). Mas, tudo funciona muito bem. Draconian nunca foi uma banda muito ativa, mesmo com ensaios ou shows, o que me dá muito tempo para trabalhar com o Mammoth Storm. Tenho tocado guitarra minha vida toda e sempre tive a ambição de fazer os vocais numa banda. Com esta formação no Mammoth Storm surgiu naturalmente a ideia de eu fazer o baixo também. Eu quero manter bem claro a separação das bandas. Mammoth Storm nada tem haver com Draconian, exceto que eu toco nas duas bandas. Mas, as bandas não têm nada haver uma com a outra e quero deixar isto assim. Algumas vezes já me aborreci lendo resenhas de Fornjot, onde jornalistas o compararam com Draconian dizendo que ele soa menos daquele estilo e deveria ser mais gótico blá blá blá, que deveria soar mais com Draconian. Eu lamento isto porque é uma banda completamente diferente. Há um compositor principal no Mammoth Storm ou tudo é escrito junto? Como é o processo de composição? Para Fornjot basicamente aconteceu que escrevi as músicas em casa em meu estúdio e as enviei aos caras para que eles O conjunto sueco, que está lançando o CD Fornjot, mostra em seu som o peso do stoner rock com a cadência do doom metal Marcos FRANKE pudessem ouvir. Depois nos encontramos no local de ensaio e passamos as músicas juntos, acrescentando e tirando coisa para formar as músicas até sentirmos que estavam completas. Para mim é difícil aparecer no local de ensaio com um riff na cabeça e criar algo juntos a partir disto. Normalmente resulta em nós voltando para casa sem nada. Eu gosto de criar músicas completas desde o início ao fim e depois destrinchar ela passo a passo para ver o que fica bom ou não. O que pode dizer das letras de Fornjot? Há uma temática em especial para elas? Não há um tema específico para Fornjot, exceto talvez o aspecto místico que você pode encontrar em diversas músicas como “Augurs Echo”, “Fornjot” e “Horns of Jura”. Todas elas também têm elementos de cultos e rituais que aparecem sempre como tema em nossas músicas. Outras coisas além destas variam muito. “Vultures Prey” é basicamente uma história sobre a extinção dos Mamutes e “Hekla” é sobre os mitos que envolvem um vulcão na Islândia que possui este nome. No começo sempre escrevíamos sobre desastres diferentes que arrebataram a humanidade pela história, como a peste bubônica, erupções de vulcões e coisas assim. Agora, apenas escrevemos sobre coisas que achamos inspiradoras e interessantes para o momento. O que recomendaria para um músico que quer lançar seu primeiro álbum? O que recomendo é não ter medo de tentar achar o seu próprio som. Isto vai te trazer muito retorno no final. Apenas baixe o tom de suas guitarras, aumente o volume do amplificador Orange e solte tudo o que está dentro de você. COMANDO ROCK - 9

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sexto álbum da banda sueca vida. Um dos meus grandes heróis, George de inspiração poderá surgir. Você precisa esDraconian traz um marco para Carlin, costumava chamar esta consciência tar no processo sempre. Lição aprendida. Oa discografia do sexteto. Sovran a qual reverenciamos de “O Grande Elec- traz todos os aspectos de uma nova fase tron”. Este não julga ou possui favoritos. Ela Sovran pode ser considerado um mar- musical que a banda decidiu percorrer. apenas existe. O epicentro do amor. co de mudança para a discografia do A mudança de line-up (com a saída da Draconian? cantora Lisa Johansson e a entrada da Conte um pouco sobre como Sovran Sovran para mim é Draconian. Obviamen- norueguesa Heike Langhans) forçou começou a tomar forma. Foi antes ou te as coisas sofreram mutações e a banda o grupo a se renovar e até assumir um após Lisa deixar a banda? mudou seu line-up. Coisas estão mudan- novo estilo musical, o dark metal. Depois. Tenho certeza de que quaisquer no- do, mas não temos nem indício em qual A Comando Rock conversou com vas ideias que estavam entre nós foram parar direção está indo. E também nem quero o vocalista, letrista e poeta Anders Ja- em Sovran. Foi um processo lento, já que es- saber. Apenas muito grato pela resposta cobsson para entender mais sobre esta távamos lidando com outra tarefa difícil: tor- fantástica que o álbum está recebendo. nova fase da banda e também a respei- nar Heike uma residente na Suécia (ps: Heike Fãs do Draconian são provavelmente as to de Sovran. Langhans é norueguesa). Durante os quatro melhores pessoas do planeta e estou agra- anos de pouca atividade da banda, todos fo- decido por poder conhecer algumas delas. Comando Rock: Primeiramente, o mos um pouco para outras direções. Vida, que significa Sovran, título do novo assim por dizer. Ou na procura por ela. Luta, Como Heike Langhans foi selecionada álbum do Draconian? lágrimas de felicidade e tristeza, falhas e su- para ser a nova vocalista do Draconian? Anders Jacobsson: Significa “rei” ou “ma- cessos. Em tudo isto as músicas começaram Diria que a maioria das ideias para as mú- jestade” e se refere ao universo que está a tomar forma. Foi uma pré-produção muito sicas já estava composta quando decidimos conectado, a consciência onisciente que in- lenta e entendemos que, se a gente não conti- por ela. É difícil relembrar procurando terliga tudo com o restante da criação. Seres nuar a trabalhar em músicas continuamente, mais fundo. Heike entrou em contato com em estado de onisciência e consciência de o processo pode nos levar a exaustão e a falta o nosso guitarrista Daniel, enviando clipes 12 - COMANDO ROCK

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e músicas de seu projeto com a banda Lorelei e sentimos que ela tinha a voz com uma maior ressonância. Muitas que se candidataram foram fantásticas, mas não sentia Draconian nelas. Heike veio aqui para uma audição e ficou mais tempo com a gente. Ela foi bem destemida (risos). Doom metal sempre é emocional e triste. Com uma cantora para ajudar a reforçar isto é simplesmente de tirar o ar. Como as músicas são compostas? Se o Draconian é doom metal, ele certamente possui um alcance bem longo. Nós temos uma clara inspiração do doom, rock gótico e metal, mas gêneros são realmente subjetivos nestes dias e começamos a chamar o Draconian de dark metal simplesmente. A escuridão sempre deverá existir enquanto Draconian estiver por aí. As músicas são escritas por Johan (ps: Johan Ericson é guitarrista). Começa com uma ideia para uma música e ele a manda para mim para eu poder me envolver e me inspirar para escrever a letra ou fagulhas delas. Mas, sinto falta dos dias dos ensaios rotineiros quando as músicas tomam forma com a gente ensaiando como banda. Sovran possui algumas músicas muito pesadas como “Stellar Tombs”, que no início me lembram o Amon Amarth, por exemplo. Mas, quando Heike começa a cantar tudo muda e o clima fica mais lento. Qual a importância do vocal feminino nas canções do Draconian? É difícil imaginar o Draconian sem uma vocalista feminina e não tenho certeza se quero imaginá-lo. O aspecto feminino de nosso som conecta tudo, adicionando fragilidade e inocência à escuridão. Heike possui uma voz excepcionalmente triste. Ela combina perfeitamente. Sovran possui letras incríveis. Qual é a inspiração para as letras do álbum? Minha vida, minha estupidez, minha inteli- gência, almas de outros e vida, experiências internas profundas, um tópico, um filme... Tudo pode se transformar numa letra. Eu caminho nesta vida observando a realidade de certa maneira. Tudo possui raízes num significado profundo e o que percebo é que tudo retorna para o amor. Ele até conforta quando machuca. Até os olhos escuros da tristeza possuem fagulhas de amor. Tristeza faz parte da transcendência... “Rivers Between Us” e “Pale Torture Blue” possuem uma relação profunda de letra e música que realmente é difícil não se emocionar com elas. Como foi compor estas músicas? Alguma inspiração em especial? Não na verdade. “Pale Torture Blue” foi a primeira música que escrevemos (junto com outra que não foi incluída no álbum) e as letras foram meio que uma experiência de pensamento. Percebo que letras podem ser meio que confusas, mas dá espaço para interpretação, o que aprecio e muito. “Rivers Between Us” foi a última que terminamos. Simplesmente queríamos uma música mais simples, com letras óbvias, indo mais para o lado gótico. Acho que conseguimos atingir isto. Ela fez com que Daniel Änghede (ps: integrante da banda Hearts of Black Science e colaborador em Sovran) se tornasse um grande amigo da banda. O Draconian começará sua turnê pela Europa com o Omnium Gatherum. Fale um pouco destes shows. Serão temáticos ou apenas um show promocional para o álbum Sovran? Iremos com o que sentirmos no dia. Não tenho ideias para temática que usaremos na turnê. Daremos o nosso melhor a cada show. Será a nossa primeira turnê e, sendo bem honesto, estamos um pouco nervosos. Vocês postaram no Facebook um cover para “The Final Cut”, do Pink Floyd, A banda sueca, que sofreu mudanças em sua formação e também no estilo, está lançando o álbum Sovran Marcos FRANKE com Heike e Daniel Änghede, do Hearts of Black Science, uma banda muito mais voltada ao synthpop e a música eletrônica. O quanto estes estilos influenciam o Draconian? É um cover muito cru e cheio de sentimento que eles fizeram. A banda principal de Daniel é o Crippled Black Phoenix e a razão que nos instigou em trabalhar com ele foi esta banda e não seu projeto industrial/eletrônico. Eu não diria que Hearts of Black Science traz qualquer inspiração para o Draconian, mas acho que o Crippled Black Phoenix sim. Heike também participou do novo álbum do Hearts of Black Science com a música “Wolves at the Border”. Como foi pra ela participar do projeto? Deve ter sido uma experiência única. Tenho certeza que foi, mas ali Heike e Daniel já se tornaram grandes amigos e começaram a trabalhar juntos. Quando entrevistei Paul Kuhr, do Novembers Doom, ele recomendou ouvir a música de vocês. Notei também que ele participou do álbum Turning Season Within (2008). Conte um pouco sobre como Paul fez parte do processo de gravação. Você ainda tem contato com ele? Somos amigos no Facebook. Mas, infelizmente, nunca conversamos. Muito legal da parte dele promover o Draconian entre as pessoas. A banda dele é incrível e, para mim e Johan, sua contribuição para o Turning Season Within deixou sua marca. Este álbum certamente é o meu álbum favorito do Draconian. COMANDO ROCK - 13

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A banda norte-americana, que tocou em abril no Brasil, está comemorando 30 anos de carreira e já prepara um novo álbum de estúdio Poucas bandas no mundo conseguem chegar a uma marca de 30 anos de carreira. Ainda mais se o estilo adotado pelo grupo é algo extremo, que tem pouco apoio da mídia e ainda sobrevive graças ao underground como é o caso do death metal. Mas, mesmo passando por todas estas dificuldades, o norte-americano Obituary atingiu este feito. Em abril, o conjunto formado por Terry Butler (baixo), Trevor Peres (guitarra), John Tardy (vocal), Kenny Andrews (guitarra) e Donald Tardy (bateria) passou pelo País com a turnê Classic Set-List Take Over, quando apresentou clássicos de seus três primeiros álbuns – Slowly We Rot (89), Cause of Death (90) e The End Complete (92) –, além de algumas canções que estarão no próximo trabalho de estúdio. Foram quatro apresentações pelo Brasil: dia 24, no Rio de Janeiro; Salvador, dia 25; Olinda, dia 26; e São Paulo, dia 27. Esta foi a quinta passagem do conjunto por aqui. Em entrevista a Comando Rock, o baterista e integrante fundador do quinteto Donald Tardy falou sobre os shows no Brasil, a ideia de montar um repertório com os três primeiros álbuns da banda, a atual fase do Obituary que não está mais na gravadora Roadrunner, do novo CD e também do Marcos Filippi ex-guitarrista Allen West foi preso recentemente por produzir metanfetamina. Comando Rock: Quais as principais diferenças desta turnê Classic Set-List Take Over em relação às outras turnês do Obituary? Donald Tardy: O set list da turnê contará com as canções clássicas dos nossos três primeiros álbuns – Slowly We Rot (89), Cause of Death (90) e The End Complete (92). Geralmente tentamos apresentar algo de cada registro quando tocamos ao vivo. Este será um set list único, com todas as canções clássicas. 14 - COMANDO ROCK

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O que você pode falar sobre o repertó- Por que levaram cinco anos para lan- por 30 anos fazendo isso e tendo bons rio dos shows desta turnê? çarem o novo álbum? tempos. Somos muito felizes e afortuna- Para estes shows estamos tocando o set list Você já tentou escrever um álbum? Ago- dos por isso. clássico junto com algumas novas músicas ra tente escrever dez álbuns (risos)! Es- do próximo álbum. Queremos dar aos nos- tamos apenas curtindo ser uma banda, Como foi tocar no cruzeiro 70000 sos fãs um gostinho do novo trabalho. sermos amigos e escrever música e não Tons of Metal? empurrar o processo. É preciso um longo O cruzeiro foi uma explosão. Como não Quais as lembranças que vocês têm do tempo para chegar com grandes canções e poderia ser? Foram 40 bandas, 2.500 fãs, show realizado em 2012 no Brasil? grandes álbuns. Estamos tentando fazer o toda a cerveja que você pode beber e todos Tivemos sempre grandes momentos na nosso melhor. os alimentos que você pode comer. Preci- América do Sul e esse show no Brasil de- sa dizer mais? verá ser uma explosão. Em 2012 foi diver- A gravação do novo CD foi possível com tido para nós, mesmo a agenda estando a ajuda dos fãs, que contribuíram com Este show no navio foi muito diferen- muito agitada. Desta vez será apenas para US$ 10 mil. Por que resolveram pedir o te dos shows “normais” do Obituary? shows no Brasil. Assim iremos encontrar auxílio dos fãs para a gravação do CD? Não realmente. Apenas foi que agora to- nossos fãs brasileiros e detonar no palco. As coisas estão mudando no mundo e camos no meio de um oceano. estamos simplesmente nos adaptando Naquele ano, vocês tocaram no fes- como uma banda. Estamos tendo o apoio No ano passado, o ex-guitarrista Allen tival Metal Open Air (MOA), no Ma- dos fãs envolvidos com a compra de mer- West foi preso por produzir metanfe- ranhão. O festival foi um verdadeiro chandising para nos ajudar a gravar um tamina. Vocês sabiam que ele estava desastre devido à falta de profissio- álbum por conta própria. Fomos contra- tendo problemas com esta droga? nalismo das produtoras. O que se tados por uma gravadora durante 20 anos Não. lembra daquele festival? e nunca ganhamos qualquer dinheiro com Lembro-me de ficar trancado no hotel por vendas de álbuns, por isso agora estamos Qual foi a reação de vocês ao saberem quatro dias e não tocar! Que m... tentando fazer as coisas de forma diferen- que ele foi preso? te. Agora, temos de fazer e custear nossas Allen fez algumas más decisões na sua Em 2012, o Obituary veio ao Brasil próprias gravações. É um momento muito vida e agora está pagando o preço por com o guitarrista Ralph Santolla (ex- emocionante para o Obituary e, no futu- tudo isso. -Deicide). Por que ele saiu da banda? ro, tenho certeza de que mais bandas es- Simplesmente não deu certa a relação en- tarão fazendo isso. Vocês ainda mantinham contato com tre Ralph e o Obituary. Ele ainda é um bom Allen? amigo meu e estamos compondo música Este ano o álbum Slowly We Rot (o pri- Não. juntos também. Seremos sempre amigos meiro da carreira do Obituary) comple- e estou ansioso para gravar novas músicas ta 25 anos. Vocês pretendem relança-lo Aliás, Allen saiu da banda por ter com Ralph em alguns projetos diferentes. com bônus track ou remasterizado? problemas com o álcool. A convivên- Com esta questão, temos de lembrar de cia com ele já era insuportável desde No fim do ano passado vocês termina- que fomos contratados por 20 anos por aquela época? ram as gravações do novo álbum da ban- uma gravadora e ela possui os direitos Muito... da. O que pode falar sobre o CD e quando sobre as músicas. Não podemos recriar ele será lançado? ou relançar o álbum porque ele não nos Qual a opinião de vocês sobre o death Na verdade, ainda estamos gravando o pertence. Essa é a triste realidade com a metal atualmente? álbum, então não posso dizer um título maioria das bandas que assinaram contra- Há algumas boas bandas por aí. Não es- ou qualquer coisa assim ou eu teria que tos nos anos 80 e início dos anos 90. As cuto muito death metal. Assim como toda matá-lo (risos). Brincadeirinha. Estamos gravadoras foram espertas o suficiente e a música, há bandas boas e bandas ruins. tendo um processo de gravação matador os integrantes das bandas eram estúpidos Cabe aos fãs de death metal encontrar os deste novo álbum e ele está com um ótimo o suficiente para assinar estas regras. É bons e, quando você achar, apoiá-los. som. Terá muito death metal old-school por isso que estamos tendo muito cuida- da Flórida. Terá aquela sonoridade clás- do com o que estamos fazendo agora com World Demise sempre foi meu álbum sica no perfeito estilo Obituary. Estamos essas novas músicas e o novo álbum. preferido do Obituary. Sei que ele foi muito animados com isso e não podemos criticado por ser um pouco diferente esperar para que os fãs ouçam o álbum. Este ano vocês completam 30 anos de naquela época. Para você, qual o me- carreira. Vocês estão planejando al- lhor álbum do Obituary? Quais as principais diferenças entre o guma comemoração? Esta é uma resposta que é sempre difícil novo álbum e Darkest Day (2009)? Sim, com uma colonoscopia (risos)! Es- para os integrantes de uma banda, porque Nunca tentamos mudar de propósito o es- tamos apenas pensando em fazer o que acredito que o álbum mais recente é sempre tilo da banda ou o estilo dos álbuns indi- amamos: escrever canções juntos, gravar o melhor. Isso não é o que os fãs querem ou- vidualmente. Este álbum é Obituary clás- álbuns e fazer turnês pelo mundo. É um vir, mas estou apenas sendo honesto. Amo sico. Não estamos tentando reinventar a grande trabalho que temos a honra de nosso novo álbum, que vai ser ótimo. roda com este trabalho. Só estamos fazen- sermos capazes de fazer para ganhar a do o que fazemos bem. Os fãs que gostam vida. É fácil subir no palco e tocar músi- Quais os próximos projetos? de Obituary irão adorar este novo álbum. ca, mas é muito difícil ficar numa banda O novo álbum! COMANDO ROCK - 15

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