Cultivo de Figo

 

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universidade federal de santa maria cultivo de figo frederico westphalen 2007 1

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introduÇÃo a figueira é uma das espécies frutíferas com grande expansão mundial pois apesar de ser considerada uma espécie de clima temperado apresenta boa adaptação a uma grande quantidade de climas e solos desde regiões frias do hemisfério norte até regiões quentes como o nordeste brasileiro a turquia é o maior produtor mundial o brasil produz apenas um tipo pomológico de figo ao passo que os outros países produzem vários tipos ampliando a oferta e oferecendo figos mais aptos para o consumo in natura apesar disso a aceitação do figo brasileiro é bastante boa especialmente por ser oferecido como fruta fresca na entressafra da turquia e outros produtores do hemisfério norte o brasil é considerado o 13º maior produtor mundial e o maior produtor das américas e do hemisfério norte o estado do rio grande do sul é o maior produtor nacional em área seguido de são paulo e minas gerais rs e mg possuem a produção quase que totalmente destinada a fabricação de doces no estado de são paulo a região do circuito das frutas detém a maior produção com destaque para os municípios de valinhos vinhedo louveira e campinas em minas gerais destaca-se são sebastião do paraíso e lavras para o cultivo é aplicada muitas técnicas como a poda tecnologias vem sendo implantadas para melhorar a qualidade do figo 2

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4 1 cultivo de figo 1.1 importância econômica do figo 1.1.1 importância econômica do figo no mundo a produção de figo nos países localizados na bacia arábica do mediterrâneo representam a maior parte da produção mundial em 2004 a turquia respondeu por 26 do total o egito 18 a grécia e o irã por 7 cada um marrocos e espanha por 6 e o brasil na 10a colocação por 2 da produção mundial hoje é o 13ª a produção mundial de figo corresponde a 1.777.639 toneladas área de 410.705 hectares no ano de 1998 e rendimento médio de 28.640 kg/ha conforme dados da fao iea,1999 cultivado em cerca de trinta países a saber egito grécia irã marrocos turquia itália e espanha a turquia e portugal possuem a maior área em produção 260.000 e 85.900 hectares respectivamente sendo importantes consumidores e exportadores de figo embora haja países com grandes produções estas se destinam principalmente ao mercado interno 1.1.2 importância econômica do figo no brasil a produção de figo é de extrema importância econômica para o brasil o brasil ocupa a 13ª colocação entre os maiores produtores mundiais está entre as vinte principais frutas exportadas pelo brasil e vem mantendo a terceira posição no ranking de volume comercializado entre as frutas de clima temperado atingindo o patamar de us fob 2,109 mil milhões em 2004 o cultivo da figueira no brasil baseia-se praticamente na plantação de uma única variedade roxo de valinhos com maior expressão econômica nos estados do rio grande do sul minas gerais e são paulo em regiões bem delimitadas no rio grande do sul a região mais importante de produção de figo é a de pelotas em minas gerais destacam-se as áreas produtoras ao redor de poços de caldas andradas e 3

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guaxupé cujas colheitas encontram colocação nas fábricas da região muitas delas de caráter familiar em são paulo os municípios produtores de maior importância são os de valinhos 90 da produção total do brasil para o produtor que exportou na safra de 2003 por exemplo o ganho foi entre us 2,00 e r 5,00 por caixa dependendo da época de embarque e do tipo de figo quando no mercado interno este preço variava entre r 3,00 e r 6,00 a receita total obtida com a cultura nesta safra 2002/2003 ficou entre r 8 milhões e r 10 milhões sendo r 4 milhões apenas com exportação diz o agrônomo da prefeitura de valinhos outra cidades de produção em são paulo são campinas louveira e bragança paulista com a principal produção voltada para mesa destinada tanto ao mercado interno quanto ao externo em 2004 essa região exportou 40 de sua produção de figo a área no estado de são paulo em 1998 era estimada em 616 hectares correspondendo a 678.000 pés em produção e 64.000 pé novos a produção de figo de mesa foi de 2.898.000 engradados de 3,5 kg e 990 toneladas para a indústria o figo sulino cultivado na região de pelotas-rs é fornecido principalmente para a indústria para a produção de conservas nos últimos anos vem-se expandido o cultivo do figo para a região de sul de minas gerais como jacuí e são sebastião do paraíso com uma área em torno de 100 ha e a produção de 1.000 toneladas de figo para a indústria os seguintes dados são fornecidos pelo ibge sobre a produção de figo no brasil quantidade produzida de 1487 toneladas valor da produção de 2382 mil reais área plantada de 179 hectares área colhida de 179 hectares rendimento médio de 8307 kg/hectare na figura 1 estão tabelados as principais procedências do figo no brasil ano de 2006 figura 1 figo fonte http www.jornalentreposto.com.br 4

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6 na figura 2 temos os preços do figo no brasil em 2006 figura 2 seção de economia e desenvolvimento fonte http www.jornalentreposto.com.br 1.2 porta enxertos para variedades de figo ao contrário do que se verifica com a grande maioria das plantas frutíferas na propagação da figueira é dispensável a enxertia esta se justifica quando deseja atingir um ou mais dos seguintes aspectos adaptação a diferentes tipos de solo resistência a pragas e doenças de solo redução do porte da planta e para melhorar a produção e a qualidade das frutas embora a enxertia não seja utilizada no brasil para a propagação da figueira ressaltase a importância de trabalhos de pesquisa voltados à obtenção de porta-enxertos resistentes a nematóides considerados um dos grandes problemas fitossanitários da cultura as espécies ficus racemosa l f.cocculifolia baker e f pumila são consideradas resistentes a nematóides e por serem compatíveis com f carica l podem ser utilizados como porta5

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enxertos para a enxertia podem ser usados tanto a garfagem enxertia feita através dos ramos galhos este deve ser do mesmo dia perto do porta enxerto cavalo para ter um maior índice de pegamento do enxerto quanto a borbulhia efetuada através das gemas broto 1.3 práticas culturais como em qualquer outra cultura ao implantar-se uma área com figueiras deve-se fazer em primeiro lugar um levantamento de informações sobre o mercado também é importante verificar a experiência de outros produtores na região a adaptação da cultura no local e a possibilidade de colocar a fruta em períodos de menor oferta e maior preço primeiramente é feita uma escolha e preparo da área que devem ser de pouca declividade solos bem drenados e bem providos de matéria orgânica profundidade superior a 1 metro textura areno-argilosa feita rotação de culturas por no mínimo 2 anos orientação para a face norte não apresentar nematóides e que não esteja em área com grande ocorrência de geadas quanto ao espaçamento tem sido observado que o melhor espaçamento para o cultivo da figueira é de 2,5-3,0 x 1,5-2,0 m especialmente se a produção for destinada para mesa para produção de figo verde o espaçamento pode ser reduzido para 2,0-2,5 x 1,0-1,5 m o espaçamento varia em função da topografia tratos culturais e fertilidade do solo as linhas de plantio não devem ultrapassar 60 m e os carreadores estarem localizados no mínimo a cada 20 linhas antes do plantio é necessário fazer a análise do solo completa nas camadas de 0-20 e 20-40 cm de profundidade também é útil fazer-se a análise da água especialmente se for utilizada a irrigação o terreno destinado à plantação do pomar deve estar bem limpo sendo conveniente submetê-lo a uma aração profunda e uma ou mais gradagem colocando metade do calcário indicado pela análise antes da aração e a outra metade antes da gradagem podendo ser esparramado manualmente ou usando implementos a quantidade a ser aplicada pode ser indicada pelo método de saturação de base ou pelo método do al ca e mg trocáveis ou smp estas operações devem ser feitas 03 três meses antes do plantio a abertura das covas pode ser feita manualmente ou com o uso de sulcador acoplado ao trator faz-se covas com cerca de 40 x 40 x 40 cm e se possível faz-se a separação entre solo 6

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superficial e o solo das camadas mais profundas por ocasião do plantio a camada superficial isto é a proveniente das primeiras camadas até a profundidade de 30cm depois de bem misturada com os adubos é usada para preenchimento das covas completando-se com terra raspada superficialmente ao redor o solo sub-superficial é utilizado para a construção de um cordão ou banqueta do lado de baixo da muda cortando as águas esta operação deve ser feita no mínimo um mês antes do plantio a adubação fundamental ou de base é aquela feita na cova e deve seguir as recomendações da análise do solo o plantio deve ser feito se possível imediatamente depois de arrancadas as mudas estas devem ser reunidas em feixes e protegidas com um saco de estopa úmido e mantido em local sombrio e fresco até o momento do plantio a época ideal de plantio das mudas é junho à agosto e de preferência deve ser feito em dias chuvosos ou encobertos a seqüência das operações de plantio é a seguinte retiram-se do centro da cova uma quantidade de terra suficiente para que caibam as raízes da muda sem dobrá-las ajusta-se a régua de plantio entre as duas estacas laterais regula-se a altura da muda de forma que depois de plantada esteja cerca de 5cm mais baixo do que o viveiro chega-se terra comprimido as camadas sucessivas cuidadosamente com as mãos de modo que haja pleno contato com as raízes constrói-se com a terra do subsolo um cordão cobre-se o solo com uma espessa camada de capim bem seco e fazer-se uma rega abundante para obtenção de um pomar produtivo o fiticultor deverá executar adequadamente diversas práticas culturais que serão mostradas a seguir 1.3.1 nutrição e adubação as adubações de cobertura deverão ter início quando mais de 60 das plantas estiverem com 3 ou mais pares de folhas deve-se fazer esta aplicação quando o solo estiver úmido distribuindo-se bem os fertilizantes e manter um intervalo entre aplicações entre pelo menos 30 dias em geral faz-se quatro adubações de cobertura primeira com 6-10 g n/planta a segunda com 6-10 g n/planta a terceira com 10-15 g n/planta e 10-15 g k2o/planta e a quarta com 15 g n/planta e 15 g k2o/planta as épocas e quantidades das adubações de plantio e pós-plantio na cultura da figueira estão tabelados na figura 3 7

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figura 3 Épocas e quantidades das adubações de plantio e pós-plantio na cultura da figueira fonte http www.editora.ufla.br anualmente a figueira perde as folhas as frutas e os ramos com as podas drásticas o que requer a reposição dos nutrientes perdidos há necessidade de uma ótima adubação anual para o bom desenvolvimento das plantas quando se visa uma boa produção de frutas de boa qualidade logo após a poda faz-se a adubação de manutenção É recomendável ainda fazer adubações em toda a área de projeção da copa da planta a cada 3 anos recomenda-se fazer adubação orgânica caso seja identificada a necessidade de calagem o calcário deverá ser aplicado por toda a área de cultivo ou nas linhas de plantas 1 metro para cada lado durante o período de dormência em quantidades determinadas pela análise de solo além de corrigir a acidez do solo o corretivo constitui-se em importante fonte de cálcio e magnésio os micronutrientes mais exigidos pela figueira são o boro ferro manganês e zinco 1.3.2 poda e condução a poda engloba todos os tipos de intervenções que são efetuados na planta com o propósito de condicioná-la para umas produtividades rápidas elevadas e mais constantes ao longo dos anos a poda pode ser executada durante o inverno poda hibernal ou em seco e durante o período de crescimento vegetativo poda em verde a poda hibernal é mais comumente utilizada na cultura da figueira sendo realizada no final do inverno próximo à época da brotação como a figueira produz em ramos do ano ou seja a produção ocorre nos ramos 8

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novos emitidos no mesmo ciclo em que produzem a principal particularidade da poda desta espécie é a realização de poda drástica na qual são eliminados praticamente todos os ramos emitidos no ciclo anterior há dois sistemas de poda o sistema tradicional e o sistema com desponte no sistema convencional de poda nos primeiros 3 anos após o plantio busca-se formar a estrutura adequada para inserção dos ramos produtivos a esta técnica denomina-se poda de formação figura 4 porém mesmo durante este período inicial a figueira já produz de modo que torna-se difícil distinguir-se entre poda de formação e frutificação figura 4 poda de formação fonte http www.editora.ufla.br as operações de formação da planta prosseguem até o 4 ou 5 anos pós-plantio duplicando-se anualmente o número de ramos da planta a planta é considerada formada quando atinge 8 a 12 ramos por ramo inicial ou no total 24 a 36 ramos por planta em geral em figueiras destinadas à produção de frutas frescas deixa-se um menor número de ramos para favorecer o tamanho e a qualidade dos figos em figueiras destinadas à produção de frutas para indústria deixa-se maior número de ramos após a formação anualmente deve ser realizada a poda de frutificação quando as plantas estiverem em repouso esta operação consiste na retirada dos ramos que já frutificaram os ramos são podados drasticamente deixando-se apenas 5 a 10 cm de forma que possuam duas gemas bem localizadas posteriormente após a brotação são escolhidos 1 a 2 brotos em boa posição por galho podado de modo que os ramos cresçam verticalmente formando um círculo à volta do tronco os demais brotos que aparecem são totalmente eliminados a maioria das espécies de figueira tolera bem a poda drástica 1.3.3 controle de plantas invasoras 9

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normalmente o controle de plantas invasoras em pomares de figueira é feito apenas na linha mantendo-se alguma vegetação roçada na entrelinha alguns produtores porém mantém todo o solo do pomar descoberto o que pode causar problemas de erosão e perda de umidade de solo o controle de invasoras por capina pode ser usado nos primeiros anos e longe das plantas porém devido à superficialidade das raízes pode prejudicar as plantas uma das práticas recomendadas é fazer a cobertura morta na linha com o uso de capim triturado bagaço de cana ou outro material disponível na propriedade esta cobertura além de controlar as invasoras ajuda a manter a umidade do solo em níveis favoráveis à planta 1.3.4 irrigação a figueira é uma planta perene que necessita de 1.200 mm de água bem distribuídos ao longo do ano quando se deseja implantar a cultura em áreas onde não se dispõe desta condição climática pode-se utilizar a irrigação sendo que os métodos recomendados são o gotejamento e a microaspersão ambos são sistemas de irrigação localizada e apresentam como principais vantagens maior eficiência no uso de água possibilitar satisfazer a planta à quantidade de água não prejudica o solo em relação à compactação e a erosão do solo pode ser utilizado para fertilização menor gasto com mão-de-obra em relação a outros sistemas 1.4 tecnologia de colheita o período de colheita vai depender da época de poda e do destino do fruto a ser produzido de modo geral colhe-se o fruto de novembro a maio produtividade normal 20 a 22 t/ha de frutos maduros ou inchados ou 10 t/ha de verdes em pomares adultos racionalmente conduzidos depois de três anos de pesquisa mais uma tecnologia foi desenvolvida pela embrapa para a colheita do figo o novo produto é uma cesta apropriada para a colheita de figo figura 5 que foi desenhada com a ajuda da tomografia de ressonância magnética para proteger os frutos durante a colheita e transporte 10

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figura 5 cesta para colheita de figos fonte http www.agrosoft.org.br o figo é uma fruta bastante sensível e exige muito cuidado em todas as fases da colheita sua fragilidade chega a levar a perdas de até 15 da colheita ao transporte para minimizar os impactos negativos garantir a qualidade e segurança em todo o processo é que a cesta foi desenvolvida para a acomodação dos figos onde cada fruto é colocado em células individuais e anatômicas cada cesta comporta até 40 figos elas são de plástico mais higiênicas e ergonômicas além de terem sido desenvolvidas com material totalmente lavável evitando a contaminação por microorganismos indesejáveis os produtores de figo usam até o momento caixas de pvc ou cestas de bambu que amassam e mancham os frutos está é no momento a melhor tecnologia de colheita de figo que só pode ocorrer manualmente para driblar a alta perecibilidade do figo produtores costumam colhê-lo ainda verde para garantir que ele chegue em boas condições de coloração sabor e aspecto ao mercado consumidor sobretudo à europa nestas condições a fruta dura em média de quatro a cinco dias quem abastece o mercado interno consegue colher a fruta madura mas mesmo assim a comercialização e o consumo devem ser imediatos já que nesse caso a vida útil cai para no máximo três dias 1.5 pós colheita a perda de algumas frutas após a colheita chega a 40 dependendo da espécie 11

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fragilidade e do meio utilizado para transportar o produto como é o caso do figo uma fruta delicada que exige muito cuidado na pós-colheita o figo é uma fruta climatérica ou seja com capacidade de amadurecer depois de colhido sofrendo por isso de alta perecibilidade com uma vida útil estimada em menos de uma semana quando armazenado em temperatura ambiente os frutos são geralmente colhidos no período matutino e encaminhados para a comercialização ainda no mesmo dia os frutos que serão utilizados pela indústria para a produção de figo em calda figo tipo ramie doces para cortes devem ser colhidos 20 a 30 dias antes dos frutos para a mesa maduros quando a cavidade central estiver completamente cheia a qualidade inicial dos figos é fundamental para a sua vida pós-colheita razão pela qual recomenda-se o pré-resfriamento a deterioração dos figos será mais ou menos rápida dependendo da temperatura à qual as frutas foram expostas através da refrigeração é possível controlar o crescimento de microorganismos reduzir a taxa respiratória e retardar atividade metabólica o uso de caixas de madeira envolvidas em polietileno e de câmara fria a 90 de umidade relativa e temperatura 0ºc no armazenamento de figos verdes reduz consideravelmente as perdas de peso mesmo após o armazenamento por 30 dias o controle químico das podridões em figos também é usado a podridão interna podridão marrom ou podridão-mole de figos pode ser controlada mergulhando-se as frutas em solução de benomyl 5 logo após a colheita o ferimento da fruta possibilita a penetração de fungos a ocorrência de rachaduras no ostíolo é outro fator que leva à ocorrência de perdas após a colheita e a embalagem de figos em períodos secos o que reduz a incidência de rachaduras as injúrias devem ser evitadas durante a manipulação dos frutos pois elas estimulam a produção de etileno pelos tecidos injuriados diminuindo o seu período de armazenamento além desse efeito tais danos facilitam a penetração de fungos que depreciam a qualidade do figo os principais patógenos responsáveis pela deterioração pós-colheita em figos são alternaria aspergillus niger fusarium moliniforme cladosporium e bactérias o controle químico das podridões em figos também é usado a podridão interna podridão-marrom ou podridão-mole de figos pode ser controlada mergulhando-se as frutas em solução de benomyl 5 logo após a colheita o figo para fins industriais verde ou inchados é comercializado por quilograma de produto transportado a granel usando-se como embalagens sacos ou caixas de madeira ou plástico geralmente cedidas pelas indústrias compradoras 12

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1.6 pragas e doenças a figueira está sujeita ao ataque de diversas pragas e doenças as quais se não forem convenientemente combatidas tornam a cultura antieconômica sucessivas gerações de propagação vegetativa provocam degenerações deixando as plantas mais sensíveis a doenças 1.6.1 pragas broca-dos-ramos broca-da-figueira ou broca-dos-ponteiros azochis gripusalis o adulto é uma mariposa lepidóptera que põe os ovos sobre os ramos ou na base do pecíolo das folhas as larvas atingem 25 mm de comprimento têm coloração rosada e cabeça marrom inicialmente as larvas se alimentam da casca tenra dos ramos onde se deu a eclosão À medida que se desenvolvem atinge a parte lenhosa dos ramos restringindo-se seu ataque à medula no local de penetração da broca notam-se excrementos ligados por uma teia de natureza sedosa que vai obstruir a entrada da galeria protegendo a broca no que se refere aos danos como a broca tem o hábito de penetrar nos ramos à medida que vai se aprofundando as folhas vão murchando e os frutos atrofiam-se e secam podendo comprometer a produção o controle deve ser feito da seguinte maneira fazer podas rigorosas dos ramos e queimá-los esmagar as lagartas nas galerias usando arame e manter a cultura em terreno limpo pode-se fazer armadilhas luminosas e pulverizações sistemáticas após os primeiros ataques coleobrocas larvas de coleópteros que abrem galerias nos ramos e troncos da figueira causam a murcha e a seca dos ramos folhas e frutos localizados acima da região do ataque os troncos atacados podem apresentar feridas e galerias mas em todos os casos acabam secando e levando a planta ao definhamento e morte espécies pricipais:colobogaster cyanitaris marshallius bonelli trachyderes thoracicus e teaniotes scalaris deve-se destruir as larvas com canivete ou esmagando-as introduzindo-se um arame nas galerias como medida preventiva recomenda-se mistura de um inseticida fosforado ou aplicar fosfina ou pasta para as larvas que fazem galerias profundas ou ainda pincelamento dos ramos com calda a 10 de carbofuran-350f 13

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cochonilhas vivem na superfície de diversos órgãos vegetais aéreos onde se fixam e sugam a seiva dos tecidos enfraquecendo a planta as principais cochonilhas que causam danos à cultura da figueira são morganella longispina e asterolecanium pustulans o controle das cochonilhas deve ser feito no período de entressafra após a poda dos ramos devem ser feitas duas a quatro pulverizações com óleos emulsionáveis juntamente com fosforados a cada 20 dias eriofiídeo-da-figueira aceria ficus ou eriophyes ficus são pequenos ácaros vermiformes que se desenvolvem nas gemas sobre as folhas mais novas e entre as sépalas das flores É vetor de uma virose denominada mosaico da figueira os sintomas resultantes diretamente da alimentação dos ácaros são a distorção foliar com leves clorosos de bronzeamento a ocorrência é em rebolirás e as plantas apresentam internódios curtos o controle consiste na pulverização com enxofre cigarrinha-das-frutíferas aethalion reticulatum suga a seiva da planta e o excesso é expelido por via anal atraindo formigas o controle é feito através do controle para a broca da figueira 1.6.2 doenças ferrugem cerotelium fici considerada a doença de maior importância da cultura É uma ameaça séria e constante e quando não controlada pode ocasionar prejuízo de 50 ou mais na produção a doença caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas manchas verde-amareladas nas folhas sendo que na parte inferior delas corresponde à área das lesões formam-se pústulas recobertas por uma massa pulverulenta ferruginosa constituída de esporos do fungo causa a queda prematura de folhas fazendo com que os figos cresçam minguados com péssima qualidade e caiam prematuramente isso provoca o depauperamento da planta se o ataque se der muito precocemente pode impedir totalmente a frutificação o controle da ferrugem deve começar com os tratamentos de inverno poda eliminação de todos os órgãos passíveis de se constituírem em fonte de inóculo primário para a estação seguinte inclusive as folhas caídas no chão as quais devem ser queimados pulverizações com calda-sulficálcia a 32obe na proporção de 1:8 de água são úteis como 14

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preventivos na época da vegetação desde a brotação até a maturação dos frutos toda a folhagem principalmente aquela em desenvolvimento deve ser protegida com calda bordalesa a 1 fazendo-se pulverizações quinzenais das plantas pode-se utilizar outros fungicidas a base de cobre insolúvel antracnose colletotrichum gloesporioides conhecida como podridão do fruto pois pode causar a formação de manchas necróticas e o apodrecimento dos frutos em estágio adiantado de maturação inutilizando-os ou reduzindo seu valor comercial a antracnose caracteriza-se pelo aparecimento de manchas deprimidas mais ou menos circulares sobre as quais se observa um crescimento branco constituído das hifas do fungo as frutas são internamente flácidas e de gosto ruim apodrecidas o fungo persiste de um ano para outro no solo nos restos de cultura a disseminação dentro de uma cultura se dá pelos respingos de chuva após a colheita deve-se fazer a imediata destruição pelo fogo de todas as partes vegetativas atacadas pelo fungo além disso podem-se fazer pulverizações com fungicidas à base de maneb a 0,2 a cada 12 a 15 dias reduzindo o intervalo das aplicações em caso se chuvas e altas infestações murcha ou seca da figueira ceratocystes frimbriata agente casual o fungo ceratocystes frimbriata o qual é transmitido pelo besouro broca phloetribus picipennis eggers os danos ocasionados pela doença são economicamente importantes pois as plantas atacadas geralmente morrem e o plantio de novas mudas na mesma área torna-se inviável para combater a doença deve-se evitar a ocorrência de ferimentos nos troncos eliminação de plantas mortas ou em vias de secamento queimando-as em local distante da cultura no início do aparecimento do sintoma faz-se poda e queima dos ramos atacados tratando as áreas feridas com pasta cúprica o controle preventivo da broca é feito pulverizando o tronco e ramos com calda bordalesa adicionada de inseticidas fosforados e espalhante adesivos após a poda drástica liminando todas as plantas doentes e adjacentes colocando cal virgem e não fazendo plantio no local durante um ano queimando todo o material descartado pela poda tratando com calda sulfocálcia no inverno desinfestando ferramentas aplicarndo inseticida junto com o fungicida para matar o besouro não utilizando estacas provenientes de regiões onde ocorre à doença desinfestando as estacas evitando o contato com o solo antes do plantio e não utilizando mudas de rebentos 15

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