Jornal Vida Missionária - Edição 81

 

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Jornal Vida Missionária - Edição 81

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ANO XXII - EDIÇÃO 81 - MARÇO, ABRIL E MAIO de 2016 Publicação Conjunta dos Missionários do Verbo Divino e das Missionárias Servas do Espírito Santo Nosso planeta exige cuidados Cuidar do planeta Terra é cuidar de nossa própria casa e garantir o futuro das novas gerações. Não é uma opção, é questão de sobrevivência e responsabilidade de todos nós. A Campanha da Fraternidade traz um grande apelo para cuidarmos de nossa Casa Comum cuidando do saneamento básico. Água e esgoto tratados são indispensáveis para a vida humana saudável e uma cidade habitável. Mas para que esse direito humano possa ser realidade, precisamos sanear o mundo a partir do nosso próprio coração, cuidando de nossas relações com cada pessoa e com cada ser vivo. Na Criação tudo está interligado e se uma criatura sofre, todo o Universo sente as consequências. LEIA MAIS MIX MISSIONÁRIO Buscando a conversão ecológica Pág 2 BÍBLIA E VIDA Responsabilidade e cuidado com a Criação Pág 2 MISSÃO NAS ESCOLAS CEF 2016 mobiliza crianças e jovens MEIO AMBIENTE Denúncia aos riscos de mineração Pág 3 Pág 3 TESTEMUNHO Uma quilombola em Moçambique PELO MUNDO Festa da água no México Pág 4 Pág 4

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MIX MISSIONÁRIO Conversão ecológica urgente Paula Lima de Faria Foto: INTERNET Onosso planeta está na UTI e precisa de uma ação urgente para salvá-lo. As mudanças climáticas com recordes de frio e de calor, o aumento das tempestades, furacões, ciclones e consequências do El Niño e até mesmo o surgimento de doenças como a chicungunya, mostram que algo grave está acontecendo no planeta. O que fazer diante disso? Desenvolver uma cons- Padre Fernando Doren: ‘‘Podemos salvar o nosso planeta’’ ciência ecológica, ou seja, viver, respirar e transpirar a A Campanha da Fraternidade, ecologia e seguir o que o Papa Francis- que neste ano é ecumênica, assume o cuidado da natureza, pondo em questão o saneamento, essencial para garantir a saúde humana e a do meio ambiente. co fala sobre uma conversão ecológica global (Laudato Si’, 216 a 221), fazendo uma mudança radical dentro de nós, tanto no pensar como no agir, para criar o hábito de cuidar da natureza. Sem conversão ecológica, nossa casa comum, o planeta, vai virar um inferno para todos, sem exceção, começando pelos mais pobres, que são indefesos e vivem em áreas de risco, em situação de rua, sem terra, sem teto e em condições precárias de moradia. Mas os ricos também não vão escapar. Conversão ecológica significa: • Avaliar criteriosamente qualquer produto antes de colocá-lo no mercado, para que não prejudique o ambiente. • Mudar o critério do consumo. Não é porque tenho dinheiro que compro o que quiser. É preciso pensar e adquirir apenas o que não prejudica a natureza. • Reutilizar e reciclar os sacos plásticos e outros bens materiais que podem ser prejudiciais quando jogados no meio ambiente. • Educar, especialmente a geração mais nova, para a consciência ecológica, criando outro tipo de atitude. Usar sim, mas com responsabilidade, sem esgotar a capacidade do planeta de suprir as necessidades da população mundial. Algumas dicas bem práticas: • Mais responsabilidade no uso da água e da energia elétrica. Além do gasto financeiro, pensar também no gasto ecológico. Ao terminar de usar um aparelho elétrico, desligá-lo da tomada. • Fazer coleta seletiva do lixo em casa. Onde o sistema governamental não favorece a reciclagem ou a coleta seletiva, procurar alternativas para o aproveitamento do lixo. • Plantar uma árvore, cuidar do jardim, fazer uma horta... Aproveitar os espaços existentes para cultivar o verde. Somente criando consciência e promovendo a conversão ecológica global podemos salvar o nosso planeta, tirando-o da UTI. Padre Fernando Doren, SVD, atua em Justiça, Paz e Integridade da Criação (Jupic). BÍBLIA E VIDA Casa comum, nossa responsabilidade ACampanha da Fraternidade Ecumênica e a encíclica Laudato Si’ (Louvado Sejas), do Papa Francisco, em perfeita sintonia, clamam pelo cuidado com a nossa casa comum, o planeta Terra. Se a casa é comum, a responsabilidade é de todos, seja qual for a religião, cultura, idade ou sexo. Por séculos, o ser humano tem se apropriado da Terra e de seus bens de forma devastadora, egoísta e inconsequente. Há até quem justifique essas atitudes, dizendo que, na Bíblia, Deus pede que o homem domine a terra e tudo o que há sobre ela (cf. Gn 1,28); esquecendo que os versículos anteriores dizem que Deus fez o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Se fomos feitos à imagem e semelhança do Criador, nossa relação com a natureza deveria ser de amor e de cuidado, como Deus faz com as suas criaturas. Mas, lambuzando-nos com a liberdade recebida, temos, desde o princípio, a tendência de excluir Deus de nosso centro vital. Ao fazer-nos imperadores do Universo, tomamos posse de tudo, inclusive do “fruto proibido” da árvore do conhecimento do bem e do mal, pretendendo determinar o certo e o errado. “Tudo está interligado”, diz o Papa em sua encíclica, clamando por uma ecologia integral e uma espiritualidade ecológica. O cuidado com o “eu” está interligado com o cuidado com o “tu”. As decisões políticas, as posturas na economia, os valores culturais e religiosos fazem parte de um mesmo tecido, de um mesmo corpo. Tudo o que fazemos, por menor que seja, contribui positiva ou negativamente com a nossa casa comum. A devastação da natureza e a exclusão social estão interligadas. Construímos a paz mundial cultivando a paz em nossos corações e em nossas relações familiares. Cuidar da casa comum é missão de todos nós. Pe. Cireneu Khun, SVD, Diretor da Verbo Filmes, cineasta e compositor. EXPEDIENTE Vida Missionária vidamissionária@ssps.org.br Missionários do Verbo Divino e Missionárias Servas do Espírito Santo CONSELHO EDITORIAL Província SSpS Brasil Norte: Ir. Ana Elídia C. Neves Região Amazônica SDV: Pe. Arilson Lima Província SVD Brasil Centro: Pe. Arnaldo Alves de Souza Província SVD Brasil Norte: Pe. Anselmo Ribeiro Província SVD Brasil Sul: Pe. Edivino Sicuro Jornalista Responsável Ir. Ana Elídia Caffer Neves, MTB 20.383 Redação e Edição Ir. Ana Elídia Caffer Neves Rosane Kurzhals Revisão Alessandro Faleiro Marques Diagramação: Paula Lima de Faria Impressão: Gráfica Unisind (11) 3271-1137 Tiragem: 23 mil exemplares Curtas daqui e de lá SSPS INAUGURA CENTRO DE INTEGRAÇÃO DO MIGRANTE O Centro de Integração do Migrante, inaugurado em dezembro pelas Missionárias Servas do Espírito Santo e Pastoral do Migrante da Paróquia São João Batista do Brás, em São Paulo-SP, oferece aulas de Língua Portuguesa e de Informática, além de promover atividades socioeducativas para adultos e crianças. O Centro é um projeto conjunto das missionárias e recebe também o apoio do Colégio Espírito Santo. TOCADO PELOS EXCLUÍDOS CRECHE MARIA HELENA O fráter Agostinho Mevor, de Togo, partilhou uma de suas experiências na SVD: “Depois da celebração da Palavra no Albergue de Santo Amaro, São Paulo, comecei a lavar os pés dos moradores de rua. Lavei os pés de alguns, e cada um começou a lavar os pés uns dos outros. Foi incrível! Isso deixou uma marca indelével em mim; tocar os que são ignorados na sociedade e deixar-se tocar por eles. É o gesto de amor partilhado”, relata. Aula de capoeira com as crianças Em fevereiro deste ano, as Missionárias Servas do Espírito Santo deram início às aulas no Centro Educacional Maria Helena, em Juiz de Fora-MG. A creche, que antes pertencia às Irmãs Vicentinas, foi assumida pelas Missionárias para não ser fechada. Lá são atendidas gratuitamente 70 crianças durante todo o dia e desenvolvidos trabalhos junto às famílias carentes das periferias. ENCONTRO DE DIMENSÕES DA SVD Dos 65 participantes do Encontro Pan-americano das Dimensões do Verbo Divino, realizado em fevereiro, em Quito, no Equador, cinco eram leigos, entre eles o biblista Luís Catapan. Segundo ele, o encontro deu muita abertura à participação dos leigos na missão verbita, alertou para a necessidade de uma maior parceria com os leigos e leigas e também com as irmãs SSpS. O encontro reuniu lideranças das áreas de Comunicação, Apostolado Bíblico, Animação Missionária e Jupic (Justiça, Paz e Integridade da Criação). 2 - Vida Missionária MARÇO, ABRIL E MAIO DE 2016 FAMÍLIA ARNALDINA

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Foto: INTERNET Fotos: Arquivos SVD e SSpS MISSÃO NAS ESCOLAS Campanha da Fraternidade Vida ameaçada envolve mais de cinco mil alunos Atividades pedagógicas sensibilizam alunos e alunas a cuidarem da integridade da Criação Os colégios das Províncias Brasil Norte dos Missionários do Verbo Divino e das Mis- sobre as questões que a Campanha propõe. Para as Missionárias Servas do Espírito Santo, o destaque sionárias Servas do Espírito Santo foi para o incentivo ao consumo lançaram, em fevereiro deste ano, responsável e o fortalecimento de as suas ações pedagógicas inspira- práticas individuais que garantam das no tema da Campanha da Fra- a integridade do planeta, a casa ternidade Ecumênica 2016: “Casa comum. Já para os Missionários do Comum, Nossa Responsabilidade”. Verbo Divino, o enfoque das ativi- Foram mais de 5 mil alunos alcança- dades foi para as questões do sane- dos, desde as crianças da educação amento básico, um problema que infantil e do ensino fundamental envolve não somente a preservação até os jovens do ensino médio, nos da natureza, mas, principalmente, o estados de São Paulo, Rio de Janeiro cuidado com o ser humano. e Minas Gerais. Os colégios pretendem ainda Nesse lançamento, estudantes e realizar ações durante todo o ano professores realizaram atividades letivo. Segundo o coordenador mis- próprias de reflexão e sensibilização sionário das pastorais na Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, Agostinho Travençolo Jr., durante o ano, será desenvolvida uma agenda de atividades que visa aplicar os conceitos da CFE 2016 por meio de projetos para a criação de uma “cultura ecológica à luz da fé”. Para isso, serão realizadas oficinas de artes com lixo e papel reciclado, teatro, debates, exposições e campanhas para mudanças comportamentais. “Desejamos que os nossos mais de três mil alunos cheguem à compreensão sobre a importância da obra de Deus e das suas atitudes para a integridade da Criação, para que esses valores sejam levados com eles para toda a vida”, frisa Travençolo. Nos colégios verbitas de Juiz de Fora-MG e Barra Mansa-RJ, as reflexões propostas pela CFE 2016 estão sendo conduzidas respectivamente pelo SER (Serviço de Educação Religiosa) e pelas professoras de Ensino Religioso Celi Castro, Fabíola Bandeira e Talita Pereira por meio de programas lúdicos, educativos e sociais. Estão planejadas atividades como brincadeiras de pescaria pelas quais, coletando “sujeira” da água, as crianças possam entender sobre a destinação correta do lixo, construções de brinquedos e jogos pedagógicos com lixo reciclável, exposições fotográficas e até projetos de ação social. “Deus proporcionou uma vida digna a todos, porém não é a realidade de muitos. Entender a realidade e instigar o olhar de mudança, carinho e afeto sobre as adversidades é nossa função no Ensino Religioso”, diz Fabíola. Com essas ações, os colégios das duas redes pretendem ainda impactar indiretamente cerca de 15 mil pessoas, entre familiares dos alunos e comunidade. OBrasil está entre as sete maiores economias do mundo, porém, 100 milhões de brasileiros ainda vivem sem saneamento básico, sem água limpa para as necessidades vitais, sem tratamento de esgoto e sem coleta de lixo. Com a falta de saneamento básico, não sofrem somente os moradores das periferias, mas toda a comunidade que vive na casa comum. Algumas das consequências são os rios poluídos, a carência de água potável e o elevado gasto na saúde pública para combater as epidemias. A Avaliação Ecossistêmica do Milênio, inventário feito pela ONU com a participação de 1.360 especialistas de 95 países e a revisão de outros 800 cientistas, trouxe resultados amedrontadores. Entre os 24 serviços ambientais, como água, ar limpo, climas regulados, sementes, alimentos, energia, solos, nutrientes e outros, 15 estavam altamente degradados, o que sinaliza que as bases de sustentação da vida estão ameaçadas. O planeta Terra já ultrapassou sua biocapacidade para atender às necessidades humanas. Precisa-se de 1,6 planeta para atendê-las, sem contar as demandas dos outros seres. Isso demonstra que o atual estilo de vida da humanidade é insustentável. Para refletir: • Que significa, em nossa prática diária, cuidar do planeta Terra? • Das nossas atitudes, quais estão destruindo a Criação de Deus? • Que podemos fazer para reverter a situação de devastação e de poluição que enfrenta nosso Planeta? Fotos: INTERNET MEIO AMBIENTE Desastres como o de Mariana podem ser evitados Adenúncia dos problemas gerados pela mineração está se tornando um dos focos de atuação da Vivat Internacional na ONU. O objetivo é pressionar os governos dos países a tomarem providências em favor das populações atingidas e evitar a degradação ambiental. Desastres como o que ocorreu em Bento Rodrigues, município de Mariana, que transformou o Rio Doce num mar de lama, poluindo e destruindo a vida ao longo do seu percurso, poderiam ser evitados se as questões relacionadas à mineração fossem mais discutidas com a população e mais bem fiscalizadas pelo governo. Na opinião do padre verbita Prof. Ozanan Carrara, advogado e apoiador da Vivat, “O acordo final que os governos de Minas Gerais - e Federal assinaram é criminoso e dá às empresas o poder de negociar as indenizações diretamente com as vítimas”. Em repúdio a esse acordo, 114 movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores, associações comunitárias, igrejas e instituições da sociedade civil publicaram o “Manifesto aos Mineiros e ao Povo Brasileiro”pedindo, entre outras reivindicações, a participação e deliberação dos trabalhadores e das comunidades potencialmente atingidas por atividades de mineração em comissões de segurança. “As políticas públicas de mineração não podem ceder a um desenvolvimentismo depredador e a um extrativismo que submete países com grandes reservas de matérias-primas, transformando-os em meros fornecedores para o mercado internacional”, afirma Pe. Ozanan. Os danos ambientais e os causados às populações locais, tanto no Brasil como em vários países da América Latina e do mundo, devem ser denunciados. “Temos de levar isso até a opinião pública por todos os meios e, por meio de Vivat, à ONU”, afirma Pe. Ozanan. Ele incentiva também o “apoio aos movimentos de resistência à mineração e a denúncia dos abusos de direitos humanos e ambientais, como a poluição de rios e a inutilização de fontes de água potável, além da retirada forçada da população local que não tem poder de veto aos projetos das mineradoras”. Para entender melhor os problemas causados pelas mineradoras sugerimos assistir ao vídeo “Igrejas e Mineração”, acessando o link: www.youtube. com/watch?v=Fw0cxGoIiMQ. Cenas da destruição causada pela lama proveniente da Barragem do Fundão, em Mariana-MG FAMÍLIA ARNALDINA MARÇO, ABRIL E MAIO DE 2016 Vida Missionária - 3

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Fotos: Arquivos SVD Foto: Ana Elídia Neves, SSpS TESTEMUNHO MISSIONÁRIO Uma quilombola em Moçambique Irmã Nadir descobriu que a acolhida, o sorriso e os pequenos gestos são tão importantes na missão quanto a coragem para enfrentar grandes distâncias. Irmã Nadir Vieira Pereira nasceu na comunidade rural quilombola de Nhunguara, Município de Eldorado, no Vale do Ribeira, região que ainda hoje conserva o maior número de comunidades remanescentes de quilombos do Estado de São Paulo. Com os pais, suas cinco irmãs e dois irmãos, Nadir aprendeu a importância da fé, da união, da partilha e a viver com liberdade em meio às diferenças. “Somos muito diferentes na idade, no jeito de ser e no pensar. A gente discute, mas não sabe viver separado uns dos outros, estamos sempre juntos”, explica. A partir da vida comunitária e familiar no quilombo, Nadir tornou-se catequista e, aprofundando a fé, descobriu sua vocação. Quando conheceu as Missionárias Servas do Espírito Santo, sentiu-se atraída pela missão e decidiu fazer uma experiência vocacional, convivendo com as irmãs. Gostou e entrou na Congregação. Fez os primeiros votos em 1994 e, em janeiro de 2011, foi enviada como missionária para Moçambique. Conta que escolheu a África como campo de missão por causa de suas raízes: “Pensava que ali ia sentir mais liberdade, que o lugar que eu pisasse seria o meu chão”. E assim foi. Quando lá chegou, sua primeira impressão foi “a alegria e o acolhimento muito sincero da Igreja e do pessoal”, como ela mesma narra. Sair de sua pátria e ir para um país até então desconhecido foi desafiador e Nadir sentiu muitas saudades. Logo percebeu que, apesar de a língua oficial do país ser o português, cada lugar tinha uma língua diferente e que era preciso aprender o jeito de falar do povo, acostumar-se com suas comidas e o que é próprio de sua cultura. O que mais gostou foi que “os moçambicanos são muito festeiros”, e “a música e a dança estão no sangue, na vida deles”. Ela conta ainda que a religiosidade é muito forte e eles deixam tudo para participar dos momentos de oração. Tudo é motivo para se reunir e celebrar. Cada um leva o que tem e reparte também com os que não têm. “É muito forte a solidariedade e a partilha entre eles”, acrescenta Nadir. Chegando a Moçambique, dedicou-se à catequese e assim foi fazendo amizade e conhecendo as pessoas. Depois as irmãs pediram que assumisse a formação das jovens que queriam entrar na Congregação, um desafio para quem mal conhecia o país. Com muita oração e coragem, Ir. Nadir assumiu as jovens e buscou preparação na Escola para Formadores. A cada três anos, Ir. Nadir retorna ao Brasil para as férias com sua família. Agora sua mãe já está idosa e custa ainda mais deixá-la. Mesmo assim, em fevereiro, ela voltou para Moçambique preparada para novos desafios, pois irá para uma nova comunidade e, como membro da Equipe de Coordenação Regional, terá de viajar mais. Em Moçambique, as Missionárias Servas do Espírito Santo são menos de 20, distribuídas em cinco comunidades situadas em Maputo, Nampula, Guro, Liúpo e Nyakafula. Com Nadir, são cinco missionárias brasileiras no país. Lá, trabalho missionário não falta, nem a boa vontade das irmãs, explica Nadir. O que faltam são recursos para projetos sociais e o sustento da missão. Outra grande dificuldade em algumas comunidades é a escassez de água. O povo vive do trabalho nas roças e da venda daquilo que consegue colher. Diante da situação do país e da missão, Nadir tem clareza de que sua presença ainda é muito necessária e afirma: “Tenho alegria de voltar porque quero ver a missão de Moçambique crescer e de nossa terra seca brotar bons frutos”. Por isso ela dá a vida na missão, seja no trabalho pastoral, na animação da infância missionária, na catequese ou no enfrentar as longas estradas para chegar às comunidades mais distantes. Mas também nas pequenas coisas de cada dia, como ouvir e acolher cada pessoa com um sorriso ou oferecer um copo de água ou um suco. Parece que isso não é nada, mas as pessoas sentem e são agradecidas. Talvez a maior contribuição de Ir. Nadir não seja o que ela faz, mas sim o que ela é: uma quilombola no continente de seus antepassados, partilhando tudo o que aprendeu e procurando viver o Evangelho na simplicidade do dia a dia. PELO MUNDO Rito de oferenda à mãe natureza Na festa da água (foto), o povo Ch’ol, de cultura Maia, oferece os melhores frutos de seu trabalho à mãe natureza para que não lhes falte as suas bênçãos, evitando assim as catástrofes. Eles acreditam que a natureza tem vida, tem seu próprio espírito e a oferenda é uma forma de comunicar-se com essa vida. O povo Ch’ol habita o sudeste mexicano, no Estado de Chiapas. Recebeu esse nome devido ao cultivo do milho. Numa tradução livre, eles são o povo do milharal. Totalmente dependentes da natureza, da terra e da água, cada comunidade reserva um tempo para festejar esses elementos. Na festa da água, sobem as montanhas até a nascente, onde fazem suas orações tradicionais e oferendas. As orações são conduzidas pelo ancião ou anciã da comunidade. A “cruz maia” é traçada sobre a terra e velas marcam os pontos cardeais. O ponto de intercessão da cruz representa o centro do mundo, que para eles, é o próprio espaço em que habitam. Cada membro da comunidade leva o melhor de sua comida e de seus animais para a partilha. Como se acredita que a mãe natureza tem vida, ela deve participar da partilha, recebendo as primícias. A natureza constantemente dá do seu melhor, nada mais justo que, nessa festa, ela receba dos seus filhos. Ali mesmo, no alto do monte, preparam-se os alimentos, a música e as orações. É dia de festa e partilha entre os irmãos e de reconhecimento pelos dons recebidos. 4 - Vida Missionária MARÇO ABRIL E MAIO DE 2016 JUNTE- SE A NÓS FAÇA PARTE DE NOSSA FAMÍLIA MISSIONÁRIA Esperamos você de portas e braços abertos MISSIONÁRIAS SERVAS DO ESPÍRITO SANTO PROVÍNCIA BRASIL NORTE Rua São Benedito, 2146 Cep: 04735-004 - São Paulo - SP Tel: (11) 5687-7229 Site: www.ssps.org.br E-mail: vocacional@ssps.org.br MISSIONÁRIOS DO VERBO DIVINO REGIÃO AMAZÔNICA Caixa Postal, 229 Cep: 68100-970 - Santarém - PA Tel: (93) 3523-2059 E-mail: verdiama@yahoo.com.br PROVÍNCIA BRASIL CENTRO Cep: 09932-080 - Diadema - SP Tel: (11) 4091-5297 Site: www.verbodivino.org.br Email: pvsvd@hotmail.com PROVÍNCIA BRASIL NORTE Rua Halfeld, 1179 Cep: 36016-015 - Juiz de Fora - MG Tel: (32) 3229-9820 e 3221-3656 pastoralvocacionalsvd.blogspot.com E-mail: provocasvd@bol.com.br PROVÍNCIA BRASIL SUL Rua Prof. Brandão, 155 Cep: 80040-010 - Curitiba - PR Tel: (41) 3023-2893 E-mail: pasvoc@yahoo.com.br SERVAS DO ESPÍRITO SANTO DA ADORAÇÃO PERPÉTUA CONVENTO N. SRª DO CENÁCULO Rua Nunes Machado, 150 Cep: 840045-410 Ponta Grossa - PR Tel: (42) 3229-1629 FAMÍLIA ARNALDINA

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