Jornal Vida Missionária - Edição 80

 

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Jornal Vida Missionária - Edição 80

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ANO XXI - EDIÇÃO 80 - DEZEMBRO de 2015, JANEIRO E FEVEREIRO DE 2016 Publicação Conjunta dos Missionários do Verbo Divino e das Missionárias Servas do Espírito Santo Sejamos misericordiosos Luciney Martins LEIA MAIS MIX MISSIONÁRIO Como viver bem o Ano da Misericórdia ESPIRITUALIDADE ARNALDINA Theresia Messner: uma líder servidora 120 ANOS DE BRASIL Presença SVD entre os povos tradicionais Pág 2 Pág 2 Pág 3 MISSÃO NO TOCANTINS Serviços aos jovens, pobres e indígenas TESTEMUNHO Um irmão comunicador da vida PELO MUNDO A acolhida na cultura togolesa Pág 3 Pág 4 Pág 4 O Ano da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco, é um presente para todos nós e um apelo à transformação de nossas vidas e do mundo em que vivemos. Tratar as pessoas com amor e misericórdia, fazendo a elas o que gostaríamos que nos fizessem, é uma atitude básica dos cristãos que, vivida com responsabilidade por todos, seria suficiente para eliminar a violência e as guerras da face da terra. “Sede misericordiosos como o Pai” é o convite que Jesus nos faz. Vamos traduzí-lo em gestos concretos, especialmente com as pessoas mais necessitadas de nossa atenção, cuidado, carinho e ajuda concreta.

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MIX MISSIONÁRIO Como viver bem o Ano da Misericórdia? “Misericordiosos como o Pai” é o lema do Jubileu Extraordinário da Misericórdia que vivenciamos de 8 de dezembro a 20 de novembro de 2016. Será um tempo privilegiado para experimentar e anunciar a misericórdia de Deus que perdoa e acolhe todas as pessoas. OPapa Francisco, ao abrir o Ano Santo da Misericórdia, convida toda a Igreja a uma profunda experiência de renovação e de conversão, tendo em vista uma sociedade fundada no amor e na justiça. O Ano da Misericórdia, além de celebrar os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, é uma oportunidade única para aprofundar a fé em Deus e o compromisso com as pessoas marginalizadas e excluídas da sociedade, e as que estão afastadas da Igreja. Para viver bem este Ano Santo e receber as graças próprias do ano jubilar, trazemos algumas das propostas do Papa Francisco. • Sair em peregrinação: cada pessoa, segundo as próprias forças, deverá ir em peregrinação e, ao passar pela “Porta Santa” (numa catedral, santuá- rio ou local designado pela diocese), deixará ser abraçada pela misericórdia divina e se comprometerá a ser misericordiosa com as outras pessoas como Deus é misericordioso conosco. • Aprofundar a Palavra de Deus: há muitos trechos da Bíblia que falam sobre a misericórdia. O Evangelho de Lucas (Lc 6, 37-38) traz a atitude para vivenciar a misericórdia: – “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados...”. • Abrir o coração aos que sofrem: aproximar-se e cuidar das pessoas que estão em situação de abandono, feridas pela vida e privadas da própria dignidade. • Refletir e fazer obras de misericórdia corporal: como dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos. • Cuidar também das obras de misericórdia espiritual: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência quem nos incomoda e rezar pelos vivos e defuntos. • Dar e receber o perdão: buscar a reconciliação em todos os aspectos, tanto sacramental como na reaproximação dos que nos ofenderam. Ir. Ana Elídia Caffer Neves, SSpS Paula Lima de Faria ESPIRITUALIDADE ARNALDINA Uma líder servidora Quando Madre Josefa morreu, em 1903, irmã Theresia Messner (foto), de 35 anos, foi nomeada em seu lugar como a pri- meira Superiora Geral da Congrega- ção Missionárias Servas do Espírito Santo. A Congregação, com apenas 14 anos de existência, contava com 205 irmãs professas, 65 noviças e 44 pos- tulantes. Além disso, as missionárias já estavam na Argentina, Togo, Pa- pua-Nova Guiné, Estados Unidos e Brasil. gação se tornou autônoma no senti- Irmã Theresia tinha sérios proble- do organizacional e administrativo, mas de saúde, tanto que em 1906 mantendo-se unida espiritualmente teve seu pé esquerdo amputado. As- à Sociedade do Verbo Divino. Numa sumir a coordenação foi para ela um época em que as mulheres eram grande desafio, mas com fé e deter- muito submissas aos homens, esse minação, levou adiante a responsa- foi um passo muito arrojado. bilidade e, apesar da dificuldade de Entre os feitos de Madre Theresia, locomoção e das dores que sentia, talvez o mais importante tenha sido foi reeleita por várias vezes. a maneira como cuidou e se relacio- Durante os 19 anos de seu man- nou com as irmãs, apoiando e en- dato, buscou sempre a melhor ma- corajando-as na missão, assumindo neira de servir as irmãs e ajudar a uma atitude misericordiosa diante jovem Congregação a se abrir cada das fragilidades e dificuldades hu- vez mais para a missão. Enviou mis- manas. sionárias para a China, Japão, Alema- Sua maneira de liderar, firme, nha, Áustria, Filipinas, Moçambique, mas também compreensiva, ajudou Paraguai, Polônia e Indonésia. Ela vi- a consolidar as relações de afeição sitou a maioria das comunidades do entre as irmãs e a ousadia no servi- Extremo Oriente à América Latina, ço missionário. Hoje, Theresia Mess- enfrentando meses de viagem em ner continua inspirando as irmãs no condições extremas. serviço da liderança, colocando em Foi graças ao empenho e dedica- primeiro lugar o amor e o respeito a ção de Madre Theresia que a Congre- cada pessoa. EXPEDIENTE Vida Missionária vidamissionária@ssps.org.br Missionários do Verbo Divino e Missionárias Servas do Espírito Santo CONSELHO SUPERIOR Província SSpS Brasil Norte: Ir. Maria Percila Vieira Região Amazônica SDV: Pe. José Cortes Província SVD Brasil Centro: Pe. Edson Castro Província SVD Brasil Norte: Pe. Anselmo Ribeiro Província SVD Brasil Sul: Pe. Ronaldo Lobo Jornalista Responsável Ir. Ana Elídia Caffer Neves, MTB 20.383 Redação e Edição Ir. Ana Elídia Caffer Neves Revisão Alessandro Faleiro Marques Diagramação: Paula Lima de Faria Impressão: Gráfica Unisind (11) 3271-1137 Tiragem: 23.300 mil exemplares Curtas daqui e de lá ENCONTRO DE ESPIRITUALIDADE Representantes das equipes de espiritualidade de todas as províncias SSpS e SVD e da Região Amazônica participaram do Encontro Nacional de Espiritualidade de 7 a 10 de outubro, em Juiz de Fora-MG. Além de aprofundar a espiritualidade missionária, os participantes partilharam a caminhada dos últimos dois anos e planejaram os passos até o próximo encontro, em 2017. COMPROMISSO COM A CRIAÇÃO As Missionárias Servas do Espírito Santo, em sua assembleia anual, de 20 a 22 de novembro, em São Paulo-SP, aprovaram uma declaração de compromisso com a natureza, inspirada na encíclica “Louvado Sejas”, do Papa Francisco. Elas assumiram o uso responsável dos recursos, buscando reduzir, reutilizar e reciclar; apoiar iniciativas de cuidado e preservação, entre outros. ORDENAÇÃO E VOTOS O diá- cono Weder Vieira Lima será ordenado sacerdote padre no dia 12 de dezembro, na Paróquia Senhor Bom Jesus, em Rubim-MG. Ele tem destino missionário para região amazônica. Irmão Douglas Simonetti (foto) emitiu votos perpétuos em Toledo-PR, no dia 8 de novembro. Familiares, amigos e missionários verbitas de várias províncias participaram da celebração. ENCONTRO DE LEIGOS E LEIGAS O VII Encontro de Leigos e Leigas Verbitas reuniu 68 pessoas em JacareíSP, em 24 de outubro. Com o objetivo de aprofundar a pastoral familiar na Igreja e na sociedade atual, os participantes traçaram, por meio de palestras e dinâmicas, algumas pistas de ação a serem realizadas com base no contexto de suas paróquias e da espiritualidade do Verbo Divino. 2 - Vida Missionária DEZEMBRO DE 2015, JANEIRO E FEVEREIRO DE 2016 FAMÍLIA ARNALDINA

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120 ANOS DA SVD NO BRASIL Verbitas defendem direitos de indígenas e quilombolas Evangelizadores da nascente à foz do Iguaçu Nos 120 anos de presença verbita no Brasil, Padre Edvino Sicuro, SVD narra o esforço heróico dos missionários do Verbo Divino na evangelização do Paraná. Fotos: Arquivo SVD BRS Fotos: Arquivo SVD BRA tradicionais; a promoção da cultura de paz e solidariedade e a sensibili- NCasa típica da Região Amazônica onde missionários verbitas acompanham as comunidades a Região Amazônica concen- a necessidade de se gerar uma constra-se o maior número de po- ciência de respeito e valorização desvos indígenas, quilombolas e ses povos, de suas culturas e de seus comunidades ribeirinhas. Esses po- projetos de ‘Bem Viver’. Dezenas de vos tradicionais são constantemente povos que saíram do silêncio em que ameaçados pelos grandes projetos foram forçados para sobreviver, res- desenvolvimentistas, como hidrelé- surgindo das cinzas e lutando pelos tricas, mineração e agronegócio, im- seus direitos, necessitam do apoio da plantados sem consulta popular e Igreja para serem reconhecidos. sem suficiente avaliação dos impac- Por isso, os verbitas na Amazônia tos para a população e o meio am- definiram como seu objetivo mis- biente. sionário “fortalecer e intensificar sua Para os missionários verbitas que presença nas áreas indígenas do Oia- atuam há mais de trinta anos na Re- poque, Xingu e Arapiuns, como tam- gião, assumir a causa indígena junto bém junto aos quilombolas e povos com a Igreja na Amazônia, marcan- tradicionais”. do presença solidária e apoio incon- Entre as ações concretas para o tri- dicional à luta por seus direitos, é ênio estão as visitas às comunidades fundamental para a sobrevivência e indígenas e quilombolas; o aprofun- demarcação das terras dos povos tra- dar-se na cultura amazônica; ser pre- dicionais. sença efetiva junto aos povos da terra O superior regional dos verbitas e das águas; a imersão nas lutas pela na Amazônia, Pe. José Cortes, aponta terra e pelos direitos das populações zação dos confrades e da sociedade civil em favor das lutas dos povos e populações amazônicas. Padres João König e Bernardo Luebe, também pioneiros no Sul do Brasil. EPadre José Cortes avalia que a atuação corajosa dos missionários, alguns derramando seu sangue pela vida desses povos, propiciou o surgimento de articulações e organizações dos povos indígenas, essenciais para a conquista de seus direitos e sua autonomia. Mas muitos grupos indígenas em estado de isolamento voluntário ainda sofrem o risco de extermínio. Diante disso ele afirma que “mesmo estando na região amazônica há tanto tempo, ainda é pouco o nosso envolvimento nesta causa. Das 8 paróquias verbitas na Amazônia, apenas três têm uma equipe que se dedica à pastoral indígena”. A esperança é que vários missionários estejam inseridos nas lutas junto com as organizações quilombolas e populações tradicionais. m 1899, chegaram os primeiros verbitas a São José dos Pinhais, onde nasce o rio Iguaçu, e dali expandiram sua atividade evangelizadora até o oeste do Estado, onde desemboca esse grande rio. As condições de transporte e alimentação eram precárias. Para chegar às comunidades, tinham de abrir caminhos e, a cavalo, demoravam seis meses. Em torno dos templos construídos por esses pioneiros, entre eles os padres Antônio Patui, Antônio Klein e Guilherme Thiletzek, cresceram as cidades de Toledo, Medianeira e Santa Terezinha do Itaipu. A missão nessas paróquias exigia uma fé profunda, paciência e doação total, mas isso foi o que deu base para a formação religiosa, humana e cultural do povo. Tudo foi acompanhado pelas irmãs servas do Espírito Santo, que, em vários lugares, fundaram colégios e deram o toque feminino à evangelização. Padre Edvino conta que onde era uma MISSÃO SSpS NO TOCANTINS Presença que transforma a comunidade Apresença das missionárias servas do Espírito Santo no Estado do Tocantins remonta à pastorais e as obras sociais. Irmã Ilma dá apoio à Pastoral da Criança, à equipe do batis- década de 70, quando iniciaram as mo e a um dos grupos de ora- primeiras comunidades inseridas em ção da paróquia. Irmã Juliana meios populares. As irmãs faziam de estuda Psicologia, acompa- tudo, desde assumir paróquias sem nha a Pastoral Vocacional, a padre a cuidar da saúde e da educa- formação das catequistas e ção do povo, uma vez que não ha- as pessoas que a procuram viam escolas nem hospitais. para tratamento com florais Atualmente são sete missionárias de Bach. assumindo três principais frentes de missão: Palmas, Abreulândia e aldeias xerentes de Tocantínia. Em Palmas Na área indígena de Tocantínia, Ir. Sílvia Wevering, que A animação das comunidades, pastorais e movimentos pertence à comunidade de sociais fazem parte da missão das irmãs. estão as irmãs Ilma Canal, Stela Maris Martins e Juliana Andrade, que se dedicam prioritariamente ao atendimento da Casa de Marta, uma obra social da Arquidiocese de Palmas voltada para adolescentes grávidas e em situação de vulnerabilidade. Além da Casa de Marta, Ir. Stela Maris trabalha na Ação Social da Arquidio- Palmas, vive a maior parte do tempo numa aldeia xerente e ajuda os professores indígenas a organizarem o trabalho educacional a partir de sua própria língua e cultura. Junto com eles, já publicou vários livros e agora pretende apoiá-los no aperfeiçoamento da cartilha usada na alfabetização das crianças. Abreulândia, Diocese de Miracema, onde as irmãs Hilda Monteiro Costa, Irene Rother e Júlia Alves dedicam-se à comunidade local, dando acompanhamento pastoral, formando lideranças e ajudando na organização da paróquia. Também marcam presença religiosa nas comunidades rurais, especialmente em vários assentamen- Fotos: Arquivo SSpS paróquia verbita, hoje, são três arquidioceses e sete dioceses. Para ele, graças à abertura da pastoral paroquial “além-fronteiras”, foi possível a assistência aos pequenos e pobres, incluindo os indígenas que habitavam e continuam vivendo nessas regiões. Segundo ele, uma das características das paróquias verbitas é a colaboração com a Igreja Particular em sua missão de evangelizar, assumindo as diretrizes pastorais de cada diocese. Por isso chegaram a assumir 58 paróquias somente na Região Sul do País. Mas, para iniciar a missão na Amazônia, deixaram o Nordeste do Paraná e as paróquias do Rio Grande do Sul para trabalharem no Mato Grosso do Sul. Segundo Pe. Edvino, a dinâmica da missão exige não se acomodar, mas anunciar o Evangelho onde ele ainda não é conhecido ou não foi suficientemente assimilado. Ele avalia que, devido à “mudança de época” e aos desafios crescentes da secularização, eles estão ainda dando passos na pastoral urbana, mas marcam presença nos meios de comunicação e no apostolado bíblico. cese de Palmas (ASAP) que inclui as Outra frente missionária está em tos existentes na região. Ir. Hilda Ir. Irene Ir. Stela Ir. Juliana Ir. Júlia Ir. Sílvia Ir. Ilma FAMÍLIA ARNALDINA DEZEMBRO DE 2015, JANEIRO E FEVEREIRO DE 2016 Vida Missionária - 3

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TESTEMUNHO MISSIONÁRIO Alegria e afeto mesmo na dor Ana Elídia Neves, SSpS Irmão Paulinho, nos seus 25 anos de vida consagrada, fala de sua gratidão a Deus, sua paixão pelo cinema e pela poesia e seu sonho de futuro para a humanidade. Paulo Eugênio de Lima (foto), conhecido como Ir. Paulinho, faz parte da equipe da Verbo Filmes e trabalha na produção de documentários e filmes. Com um coração de artista, ele cuida do contato com as pessoas aos mínimos detalhes do cenário e do figurino. Sua preocupação é unir a estética com a ética para que os filmes transmitam beleza e as pessoas, mesmo as mais marginalizadas, apareçam com dignidade. Paulinho, 56 anos, nasceu em Recife, de frente para o mar e conta que “carrega ainda hoje o barulhinho do mar e das gaivotas”. De sua infância veio também o gosto pelos filmes aos quais assistia no cinema do outro lado da sua rua. Cresceu apaixonado pela sétima arte e tornou-se um estudioso de tudo o que se refere à linguagem cinematográfica e história do cinema. Como jovem, deixou-se tocar pelo testemunho de Dom Helder Câmara e se engajou na Pastoral da Juventude. Foi para São Paulo e deu continuidade à sua militância na pastoral da juventude, onde descobriu sua vocação. Tinha claro que não queria ser padre, mas desejava a vida consagrada para viver e rezar em comunidade, trabalhar junto com as outras pessoas e ser uma presença de amigo e irmão. Idealista, ele e um grupo de amigos foram morar numbarracode ocupação. Lá, ele reunia as crianças e lhes contava histórias “para enganar a fome e ajudar a sonhar com outras possibilidades”. Lembra que “pedia pão dormido à padaria e fazia chá de capim santo bem docinho para dar às crianças”. Quando Paulinho descobriu a Congregação do Verbo Divino, teve certeza que era esse o seu caminho. Foi convidado para uma experiência de um ano e ficou. Neste ano ele festejou seu jubileu de 25 anos de consagração como irmão missionário e fala com entusiasmo de sua gratidão a Deus e a tantas pessoas amigas que fazem parte de sua vida. Extrovertido e sem “papas na língua”, Paulinho mistura poesia, literatura, cinema e filosofia às situações mais inesperadas, alegrando e descontraindo o ambiente. Parece tudo brincadeira, mas ele sabe falar coisas sérias de um jeito que encanta e desmonta até os mais mal-humorados. Seu propósito de vida é “ser presença”, o que segundo ele não é “aparecer”, mas viver intensamente, cuidando que cada pessoa seja bem acolhida e colocando amor em cada pequeno gesto. Para quem não o conhece, pode até parecer exagerado, mas Paulinho é coerente. Vive o que acredita e não mede esforços para servir e ser, de fato, irmão de todos. Mesmo com sua presença alegre e afetuosa, Ir. Paulinho enfrenta também a dor e o sofrimento. Por causa da síndrome de Crown, já passou por várias cirurgias e complicações intestinais. Conta com emoção que, alguns anos atrás, durante o Curso de Verão, no qual é voluntário, foi levado da PUC de São Paulo direto para a UTI, e os participantes do curso, logo que souberam, fizeram fila no hospital para lhe doar sangue. Mesmo diante dos sofrimentos e limitações que a doença provoca, Paulinho partilha que nunca reclamou. Nos momentos difíceis ele encontra forças justamente em todas as “delícias” que já viveu, ou seja, o carinho das pessoas amigas, os momentos de alegria, os filmes a que assistiu, os poemas que o tocaram e as tantas situações em que experimentou o amor de Deus. Falando sobre o futuro, Ir. Paulinho lembrou dos acontecimentos que abalaram o Brasil e o mundo, como o desastre ecológico em Mariana-MG e os ataques terroristas em Paris. “Espero que os jovens pensem nas pessoas, pensem nos rios e nas florestas que estão morrendo... Esse é o mundo que temos e precisamos tratá-lo com carinho, no lugar em que vivo e com as pessoas com quem me relaciono, para torná-lo melhor”, disse. Depois concluiu, afirmando que seu sonho é “ter um mundo onde possamos dizer ‘louvado sejas’ ”, referindo-se à encíclica do Papa Francisco, sobre o cuidado com a criação. PELO MUNDO A acolhida na cultura Ewe ANIMAÇÃO VOCACIONAL Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua “O que realmente importa é fazermos coisas ordinárias extraordinariamente bem” Maria Michaela Tönnies CONVENTO N. SRª DO CENÁCULO Rua Nunes Machado, 150 Cep: 840045-410 Ponta Grossa-PR Tel: (42) 3229-1629 Missionárias Servas do Espírito Santo “Sacrifícios e labuta não atrapalham. Podem aumentar a alegria e a paz.” Theresia Messner PROVÍNCIA BRASIL NORTE Rua São Benedito, 2146 Cep: 04735-004 - São Paulo - SP Tel: (11) 5687-7229 Site: www.ssps.org.br E-mail: vocacional@ssps.org.br Missionários do Verbo Divino “O coração humano só pode ser conquistado com benevolência, amor e amabilidade.” Arnaldo Janssen Acolher bem é característico das diversas culturas do Togo. Como são mais de 40 etnias e línguas diferentes, o missionário verbita togolês Agostinho Mevor (foto), há dois anos no Brasil, partilha como é feita a acolhida na sua própria cultura, a ewe, predominante no sul do Togo. Nela, acolher é uma virtude fundamental. Quando alguém chega pela primeira vez, o chefe da família o acolhe para uma conversa. Após o introduzir na casa, convida-o para sentar-se e oferece-lhe um copo de água. O visitante deve tomá-la mesmo que não esteja com sede ou seguro quanto à higiene. 4 - Vida Missionária Somente depois de a visita refrescar-se tomando a água é que o chefe da casa diz: “Mía gbó fã”, (–a paz está conosco). Essa saudação significa boas-vindas e que a casa acolhe de braços abertos. O visitante responde: “Nye mule a fó vuè déke di wo”, que quer dizer que ele também veio na paz. Só então tem início a conversa e o visitante conta o motivo de sua visita. Durante a conversa, o dono da casa partilha uma bebida e, dependendo do objetivo da visita, a família e a casa são apresentadas em seguida ao visitante. A acolhida é mais simples quando é uma pessoa da família e mais formal para um desconhecido. Agostinho conta que, para uma vi- sita importante, a acolhida é pública, com danças e músicas folclóricas. Mistura-se água com farinha numa cabaça, simbolizando a união do visitante com o povo que o acolhe, e essa mistura é espalhada no chão. Quando se trata de um visitante de suma importância, sacrifica-se um carneiro e o sangue também é derramado no chão. Então, o visitante é considerado como “rei no meio do povo” e deve passar por cima da água e do sangue despejados como gesto de aceitação da acolhida. DEZEMBRO DE 2015, JANEIRO E FEVEREIRO DE 2016 Fotos: Arquivo SVD BRC REGIÃO AMAZÔNICA Caixa Postal, 229 Cep: 68100-970 - Santarém - PA Tel: (93) 3523-2059 E-mail: verdiama@yahoo.com.br PROVÍNCIA BRASIL CENTRO Cep: 09932-080 - Diadema - SP Tel: (11) 4091-5297 Site: www.verbodivino.org.br Email: pvsvd@hotmail.com PROVÍNCIA BRASIL NORTE Rua Halfeld, 1179 Cep: 36016-015 - Juiz de Fora - MG Tel: (32) 3229-9820 e 3221-3656 pastoralvocacionalsvd.blogspot.com E-mail: provocasvd@bol.com.br PROVÍNCIA BRASIL SUL Rua Prof. Brandão, 155 Cep: 80040-010 - Curitiba - PR Tel: (41) 3023-2893 E-mail: pasvoc@yahoo.com.br FAMÍLIA ARNALDINA

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