Revista Fragmentos

 

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Revista Celebrativa dos 25 anos do SECI - Ano 2010

Popular Pages


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revista celebrativa dos 25 anos do sindicato dos empregados no comércio e serviços de ipatinga seci · ano 2010

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agnaldo bicalho vereador algemiro de oliveira servidor público lindacir c pereira auxiliar administrativo Ângela maria p da silva recepcionista anselmo ribeiro comerciário carlos castilho alves advogado jeoson alves de oliveira autônomo carlos castilho ramos comerciário carlos constantino servidor público cláudio m letro de castro cientista social geraldo francisco lemos professor francisco césar da cruz neto padre francisco de abreu neto auditor fiscal josé renato de c barbosa eletricitário sérgio andrade advogado cláudio marconi f tomaz comerciário estes narradores tornaram esta revista possível mas muitos outros funcionários diretores e amigos que embora não tenham participado desta narrativa foram igualmente importantes na construção desses 25 anos de história a todos e todas o nosso agradecimento geraldo lúcio de oliveira comerciário josé lopes sobrinho ativista cultural helenice viana de oliveira jornalista sandra helena do nascimento comerciária antonio ademir da silva comerciário leila aparecida da cunha historiadora mair tranvezole coelho comerciária marcos túlio eletricitário robinson ayres pimenta economista sávio tarso p da silva jornalista verônica t da paz assistente social marilene tuler ramalho historiadora lourival g dos santos comerciário marli da consolação r faria comerciária otarcízio josé dutra contador maria de fátima f da silva comerciária humberto marcial fonseca advogado lucilene binsfeld comerciária samuel do nascimento comerciário vito giannotti formador social em comunicação lene teixeira s gonçalves pedagoga expediente revista celebrativa dos 25 anos do sindicato dos empregados no comércio e serviços de ipatinga seci av 28 de abril 621 sala 302 centro ipatinga/mg cep 35160-004 telefax 313822-1240 e-mail seci@seci.com.br site www.seci.com.br diretoria cláudio marconi coordenador geral ­ geraldo lúcio coord de administração e finanças ­ antonio ademir coord de secretaria geral ­ sandra helena coord de assuntos especiais ­ adriana pereira diretora ­ elias alves diretor ­ josiney aristóteles diretor ­ magda aparecida diretora ­ minervina félix diretora produção diretor responsável antonio ademir jornalista 11938-mg editora-redatora helenice viana jornalista 12133-mg projeto gráfico fotolito e impressão art publish 31 3822-6019 artpublish@artpublish.com.br tiragem 1.000 exemplares

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editoria imagine-se numa roda de amigos que você não vê há algum tempo nesse encontro são muitas as novidades as perguntas sobre o rumo que a vida de cada um tomou mas grande parte da conversa é ocupada pelas recordações de momentos importantes que vocês passaram juntos a revista fragmentos convida você a participar de um encontro como esse reunimos preciosos minutos de conversa para contar uma parte da história de 25 anos do sindicato dos empregados no comércio e serviços de ipatinga os companheiros que participam dessa narrativa nos ajudaram a reunir fragmentos de fatos que marcaram a luta dos trabalhadores no vale do aço aqui nós falamos da origem dos sindicatos e por que o seci foi criado narramos o enfrentamento dos trabalhadores quando o horário livre estava em discussão mostramos a atuação do sindicato na defesa e ampliação dos direitos trabalhistas ressaltamos como o seci tem se envolvido na política e na luta dos movimentos sociais destacamos o papel da formação política e da comunicação na transformação social identificamos os benefícios que o seci tem oferecido na área do esporte lazer cultura e saúde contamos a história dos trabalhadores que ajudam a construir o sindicato e por fim apontamos os desafios dos movimentos sociais nos próximos anos nessas páginas você terá a oportunidade de conhecer mais sobre a história de trabalhadores como você esperamos que esse encontro reanime a nossa capacidade de perceber que juntos sempre fomos fortes e assim mostre que a transformação social não só é possível como necessária boa leitura e até o próximo encontro seci 4 6 11 14 18 22 24 28 30 36 39 43 47 49 50 para que surgiram os sindicatos união de trabalhadores surge para buscar melhores condições de trabalho fundação do seci seci nasce da luta pela regulamentação do horário do comércio luta contra o horário livre horário do comércio é preocupação frequente dos comerciários defesa dos direitos dos trabalhadores sindicato busca ampliar diariamente conquistas dos trabalhadores negociação coletiva seci é representante das categorias na negociação de salários e benefícios envolvimento na política manifestações regionais e nacionais tiveram participação do seci movimentos sociais solidariedade impulsiona movimento sindical e popular no vale do aço formação política para uma melhor atuação seci investe na formação de sua equipe comunicação sindicato busca meios para formar o trabalhador sobre problemas sociais esporte cultura e lazer vida de empregados no comércio e serviços não se resume só a trabalho sede do seci espaços são feitos para atender necessidades dos sócios e seus dependentes construtores do seci primeiros diretores do sindicato contam as dificuldades que passaram amigos do dia a dia funcionários do seci ajudam na defesa cotidiana dos trabalhadores trabalhadores são base das mudanças empregados no comércio e serviços formam categorias com diversidades desafio dos próximos 25 anos entrevistados falam sobre o que o movimento sindical precisa enfrentar

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máquinas substituem trabalho artesanal neuza era artesã concentrada em seu trabalho a vizinha a interrompe para dar-lhe a notícia uma indústria estava chegando à cidade aquilo que elas fabricavam em uma semana poderia ser feito em algumas horas na tal fábrica a artesã não deu muita importância ao fato mas com o passar do tempo suas encomendas diminuíram o jeito foi pedir emprego naquela indústria em troca de seu serviço o dono das máquinas lhe daria um salário mesmo trabalhanÉ importante que tenhamos uma do em torno de 16 horas por dia o que ela recebia organização para estar à frente e era pouco assim como nos defender no que for preciso neuza centenas de homens mulheres e crianças trabalhavam nas indústrias mair tranvezole comerciária em condições extremante precárias além de não ganhar o suficiente para suas necessidades básicas eles então resolveram criar a associação de ajuda mútua dos trabalhadores nela cada um contribuía com um pouco para socorrer aquele que estivesse com mais dificuldades com esses recursos a associação ajudava aos trabalhadores em caso de morte doença e acidentes de trabalho que não eram poucos certo dia numa das reuniões da associação ao assistir a entrega de mais uma ajuda ela questiona será essa a solução acho que ten tando resolver o problema de cada um acabamos não resolvendo problema algum na fábrica neuza via que enquanto ela passava dificuldades seu patrão engordava e adquiria cada vez mais bens por isso pensou se ele está lucrando com o nosso trabalho por que não nos unimos para exigir a nossa parte nesse bolo os trabalhadores presentes na reunião aprovaram aquela idéia no outro dia eles foram para a porta da fábrica reivindicar melhores salários e condições de trabalho desse movimento eles conquistaram melhorias dessa união de trabalhadores surgem os sindicatos os primeiros sindicatos toda ação provoca uma reação esse princípio da física vale revista fragmentos · 2010

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também para a história os sindicatos nascem da necessidade de contrapor às atrocidades do capitalismo nesse sistema os empresários exigem o máximo dos trabalhadores pagam baixos salários e reduzem benefícios para aumentar ainda mais seu lucro por outro lado os operários lutam para receber o maior salário e mais benefícios para garantir condições dignas de vida como os capitalistas se tornam a cada dia mais vorazes os sindicatos se fazem cada vez mais necessários as primeiras organizações de trabalhadores surgiram na inglaterra berço do capitalismo no século xviii a partir da revolução industrial na medida em que esse modo de produção se expandiu no mundo as lutas operárias também eram iniciadas tinidade os operários que dele participavam eram muitas vezes demitidos direitos não vieram de mão beijada o sindicato profissional é então uma entidade formada por um conjunto de trabalhadores dispostos a buscar melhorias e lutar pelo bem estar de seus companheiros para se ter idéia do que isso significa basta observar o caso das cidades onde não existe sindicato dos comerciários por exemplo geralmente nesses municípios os donos de lojas e supermercados fazem o que querem pagam salário mínimo aos funcionários funcionam até tarde não pagam hora extra nem comissão e ou não há sindicato forte respeitado pelo empregador se os trabalhadores não se unem em torno da entidade que os representa pois somente a união é que conduz ao fortalecimento do sindicato e da respectiva categoria o sindicato não é da diretoria que o administra mas sim de toda a categoria que representa sérgio andrade advogado curiosidades syndic palavra derivada do francês significa representante de uma determinada comunidade trade-unions significa união de ofício de profissões sindicato palavra de origem grega que significa exatamente o mesmo que união sindicato significa junto todos juntos para se defender e com elas os sindicatos mas essa forma de organização não surgiu de uma hora pra outra os trabalhadores passaram por muitos conflitos até descobrirem que eram necessárias atitudes conjuntas para enfrentar o poder dos patrões as trade unions como eram chamados os sindicatos na inglaterra funcionavam na clandestros direitos trabalhistas admitem empregados sem registro na carteira e demitem sem pagar as verbas rescisórias as conquistas que os trabalhadores têm hoje não caíram do céu nem foram frutos da bondade do governo ou dos empresários foram resultados da organização dos trabalhadores através de sindicatos borges altamiro origem e papel dos sindicatos in i modulo do curso centralizado de formação política ­ escola nacional de formação da contag ­ enfoc 14 a 25 de agosto de 2006 brasília ­ df disponível em

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mesmo sob pressão nasce um novo sindicalismo anos 80 o brasil está saindo de um período crítico mais ainda há resquícios da ditadura militar repressão arrocho salarial e privação de direitos insatisfeitos com essa situação operários e movimentos sociais passam a se organizar para construir o projeto de país que eles queriam o brasil era como uma panela prestes a explodir chegava a hora da redemocratização era preciso construir uma alternativa dos trabalhadores para não ser apenas uma transição burguesa da ditadura segundo o professor geraldo lemos a formação do sindicato se deu em um momento de efervescência das organizações de trabalhadores na mesma época de acordo com a historiadora marilene tuler acontecem inúmeras greves operárias a fundação do partido dos trabalhadores pt e a campanha pelas eleições diretas para presidente havia um contexto que favorecia o crescimento dos movimentos populares na nossa região um dos fatos marcantes foi a formação da chapa de oposição na eleição do sindipa seci nasce para fazer cumprir a lei da semana inglesa no vale do aço os comerciários começam a se organizar em ipatinga os trabalhadores e militantes dos movimentos sociais como as pastorais sociais da igreja católica e o movimento estudantil também se uniram para reverter a situação de miséria em que viviam dentro desse contexto a insatisfação dos trabalhadores do comércio era sobretudo com relação ao horário de funcionamento das lojas o comércio costumava funcionar até às 22h cada comerciante fazia seu próprio horário sem respeitar as folgas e os finais de semana além de não terem hora para sair do serviço os comerciários lidavam com jornadas extremamente cansativas salários baixos e não recebiam horas extras foi nessa luta pela regulamentação do horário do comércio que a idéia de um sindicato dos comerciários começou a surgir a partir de 1977 na administração de joão lamego um grupo de comerciários começou a discutir como a semana inglesa poderia ser implementada no comércio da cidade o comerciário hoje aposentado anselmo ribeiro participou desse processo que deu origem à lei municipal 644 após várias reuniões e manifestações os comerciários conquistaram a aprovação dessa lei em 15 de março de 1979 o documento permitia o funcionamento do comércio de segunda a sexta das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 12h aos domingos e feriados os estabelecimentos deveriam ficar fechados foi uma luta pra gente conseguir essa lei quando o prefeito assinou a avenida vinte oito de abril parou e nós fizemos um carnaval na avenida macapá conta o comerciário mas a lei só existia no papel conforme relata lindacir campos funcionária do seci o comércio era muito indisciplinado funcionava a hora que queria ninguém respeitava a semana inglesa foi aí que entramos na briga para que eles cumprissem a lei mas as ações trariam mais resultado se fossem organizadas para isso um grupo de comerciários funda em 24 de junho de 1984 a associação dos trabalhadores no comércio de ipatinga as primeiras reuniões eram realizadas às escondidas para que os patrões não identificassem os líderes do movimento reivindicatório o medo de represálias e demissões justificava a precaução uma vez que os ativistas não gozavam de estabilidade no emprego como ocorre atualmente as sedes dos sindicatos dos bancários e dos trabalhadores nas indústrias de papel papelão e celulose alguns bares e ruas mais afastadas foram os primeiros refúgios do comando dos comerciários em 05 de dezembro de 1985 através da certidão emitida pelo ministério do trabalho aquela associação é transformada em sindicato dos empregados no comércio de ipatinga o ex-diretor do seci lourival gonçalves teve que passar uma semana em brasília para conseguir pegar a carta sindical ter o documento em mãos para ele foi inesquecível eu fiquei tão emocionado na hora de assinar essa carta que até esqueci minha carteira de identidade lá foi a melhor coisa da minha vida porque não era para causa própria era para os comerciários que estavam aqui na expectativa com essa carta nós teríamos mais condições de luta de trabalho sem ter aquele medo de ser mandado embora já que teriamos a estabilidade no emprego com o registro em mãos os comerciários de ipatinga puderam começar a fazer história quem dirige o sindicato o seci é formado por uma diretoria colegiada ou seja a tomada de decisões é feita sempre em conjunto e não por um presidente essa diretoria é escolhida através de eleições que acontecem de quatro em quatro anos geralmente no mês de julho os empregados no comércio e serviços de ipatinga podem se candidatar e eleger trabalhadores vindos das suas categorias para compor a direção da entidade atualmente o seci é gerenciado por uma equipe de nove comerciários todos eles continuam empregados em suas lojas porém apenas quatro são liberados para prestar serviços exclusivamente ao sindicato os demais são liberados pelas empresas somente para participar de atividades extraordinárias ou da distribução dos informativos da entidade revista fragmentos · 2010

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a criação do sindicato foi uma luta quando estive na direção me lembro que o grupo quase todo foi demitido no comércio a rotatividade é muito grande o comerciário tem aquela percepção da profissão como algo temporário até conseguir algo melhor então as primeiras pessoas que estavam no movimento tiveram que lutar muito para construir um sindicato forte geraldo lemos professor a semana inglesa foi uma das principais conquistas dos comerciários o sindicato foi fundado depois disso para nós é uma entidade que representa muito porque se não fosse o seci os comerciários não estariam bem a marca do sindicato é estar sempre procurando o melhor para a categoria maria de fátima comerciária o sindicato é uma forma da gente se proteger contra as injustiças contra a exploração se não houver um sindicato quem é que vai lutar por nós então pra isso nasceu o sindicato ele está nos representando com relação a salário aos horários de trabalho vendo se somos bem tratados depois que o sindicato começou a trabalhar e olhar os direitos dos comerciários mudou muita coisa o seci existe exatamente para isso defender os nossos direitos marli da consolação comerciária o objetivo desse instrumento que é o sindicato é o de você sempre afirmar para o trabalhador que ele não é apenas uma pessoa que está ali atrás daquele balcão para receber dinheiro É fazer desse trabalhador um sujeito da história verônica teixeira assistente social revista fragmentos · 2010

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o papel do sindicato não é só representá-lo na mesa de negociação mas fazer com que ele seja um ator na transformação da sociedade não podemos fazer só sindicalismo de base e isso é o diferencial da cut associar a luta da categoria com a luta da sociedade marcos túlio diretor do sindieletro revista fragmentos · 2010

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os movimentos sociais fazem com que a sociedade seja mais humana principalmente quando é um sindicato mais comprometido porque tem dois tipos de sindicato aquele que só quer ter dinheiro e aqueles que buscam realmente defender os trabalhadores maria josé coelho pedagoga se você compra um lote com uma casa velha há duas opções reformar ou demolir para reconstruir para entender porque o seci é filiado à central Única dos trabalhadores cut é só comparar o modelo de sociedade com essa casa há um sindicalismo que acredita que é possível consertar a sociedade fazendo reformas ou seja os patrões concedem alguns benefícios aos trabalhadores e em troca o trabalhador aceita sua condição de explorado e submisso nada muda ricos continuam cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres É um capitalismo reformado outros sindicalistas acreditam que existe uma luta desigual entre ricos e pobres impossível de ser reformada assim para as coisas melhorarem é preciso combater o capitalismo gerador dessa desigualdade É construir uma sociedade socialista baseada em relações justas e humanas essa é a linha dos sindicatos filiados à cut por isso o seci desde a sua fundação é cutista o sindicato quer mostrar ao trabalhador que para cutistas acreditam que é preciso reconstruir estruturas da sociedade a sua condição melhorar é preciso transformar a sociedade substituir valores se hoje o que é mais valorizado é o lucro nessa outra sociedade o mais importante é o ser humano a crença nesse projeto começou há 27 anos com a fundação da cut em 28 de agosto de 1983 diretor do seci é da direção da cut vale do aço para não perder de vista esse projeto o seci sempre participou das atividades da cut já em 1987 o sindicato através da então diretora verônica teixeira ajudou na construção da cut vale do aço fundada dois anos depois o coordenador geral do seci cláudio marconi também faz parte da direção da cut regional desde 2003 além dele o diretor do seci elias alves passou a compor a direção no último congresso realizado em 2009 a cut-va existe para unificar e fortalecer a luta dos trabalhadores do vale do aço revista fragmentos · 2010

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ampliar o horário de funcionamento do comércio é pisar no calo do comerciário á passa da meia noite e o patrão espera terminar a missa do galo para fechar a loja mais um ano sem participar das festas natalinas pensa a comerciária se em período de pouco movimento o comércio costumava funcionar de 7h às 22h nos finais de ano a exploração se acentuava nós não tínhamos natal o comércio era fechado em cima da hora afirma lene teixeira ela que já foi comerciária lembra da luta dos trabalhadores pelo direito ao descanso e lazer essa batalha é uma marca que o seci carrega desde a sua fundação a mudança no horário de funcionamento do comércio foi discutido várias vezes era só mudar de prefeito que a questão voltava conta a comerciária mair tranvezole outra comerciária que sempre acompanhou de perto esses momentos foi a maria de fátima todo ano eles colocavam um projeto em votação para acabar com a semana inglesa para a comerciária marli da consolação a participação do seci contra as movimentações dos empresários e governos para instaurar o horário livre foi fundamental eu senti uma força muito grande por parte do sindicato para estar trabalhando em cima disso para evitar a exploração dentre as lutas desse percurso de 25 anos de existência certamente a dura batalha contra as alterações desejadas pelo patronato no horário de comércio são certamente a mais clara demonstração do sobrevivente sindicalismo classista praticado pelo seci robinson ayres economista 10 revista fragmentos · 2010

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para mudar horário é preciso mudar infraestrutura da última vez que o horário do comércio foi debatido na câmara em 2007 como proposta do então prefeito sebastião quintão o seci foi o primeiro a se manifestar o sindicato foi o primeiro a procurar ler o projeto a expor os motivos de ser contra aquela proposta conta o servidor público algemiro de oliveira miro que na época trabalhava como assessor do vereador agnaldo bicalho ele lembra que o seci propunha uma pesquisa para verificar a viabilidade e o impacto da instalação do horário ampliado na cidade para lene teixeira que era vereadora na época e votou contra o projeto o sindicato mostrou sua posição de que essa mudança não poderia ser feita de qualquer forma não era ser contra só por ser nós questionávamos as condições para que esse horário fosse implantado porque para fazer uma mudança dessas era preciso mexer na infraestrutura pensar em como seriam garantidos o transporte a segurança o respeito ao descanso e à jornada dos comerciários outra porta mas ficou indignada com a proibição além de ter impedido vários comerciários de como afirmava seus defensores foi mal recebida até nos estabelecimentos comerciais vereadores e prefeito cedem ao poder econômico muitos comerciários entenderam o posicionamento do sindicato e participaram mais uma vez das reuniões na prefeitura e na câmara municipal a pressão dos trabalhadores foi respondida com cinismo pelos defensores do projeto de lei 51/2005 no dia da votação grande parte dos trabalhadores foram proibidos de entrar pela direção da câmara na época relata algemiro a sindicalista sandra helena foi uma das que foram impedidas de entrar no plenário da câmara ela conta que conseguiu entrar por entrar lá dentro tinha uma trabalhadora que estava sendo colocada pra fora aquilo me marcou profundamente porque a câmara municipal é a casa do cidadão era pra todos poderem entrar mesmo do lado de fora do auditório os comerciários se manifestaram e mostraram aos vereadores sua insatisfação apesar da aprovação do projeto que virou a lei 2.277/07 a participação da categoria revelou a força do sindicato a proposta que prometia modernizar o comércio do centro e beneficiar a cidade segundo o comerciário samuel do nascimento que é gerente da loja em que trabalha o horário não vingou porque o movimento no comércio não está favorável a esse ponto horário para comprar tem o dia inteiro o fluxo é que não está bom a gerente de crediário mair tranvezole tem a mesma opinião para ela até poderia ter horário ampliado se a região tivesse comércio para isso não tem necessidade de ficar esse tempo todo aberto quem dera se fosse possível colocar 20 vendedores revezando o horário se tivesse cliente pra atender o dia todo mas você fica ali de 8h às 18h e não atende o esperado outro fator que para ela foi decisivo é o fato da cidade não estar preparada para esse horário como o seci afirmava desde o início Às vezes a gente vai pro ponto de ônibus fica quarenta minutos e o ônibus não passa isso pra quem mora próximo das avenidas porque pra quem mora lá no alto do iguaçu como eu tem que descer na avenida e subir a pé se o comércio fica aberto até mais tarde a gente corre risco pontua a comerciária horário facultativo é inviável revista fragmentos · 2010 11

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eu vejo que a categoria passou a ser mais respeitada porque sempre teve um sindicato para brigar por ela o próprio comerciário tomou mais consciência do seu papel de profissional que precisa e merece respeito a mudança em relação a época em que eu trabalhava no comércio para agora é enorme lene teixeira militante do pt 12 revista fragmentos · 2010

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para se posio sindicato fez história se for o no horário o cionar contra qualquer alteraçã assembléia isso comerciário está lá presente na cisa do seu momarcou porque todo cidadão pre ília e o seci mento de lazer de ficar com a fam ra tudo É um conseguiu dizer que tem hora pa cidade marco na vida das pessoas e da carlos constantino servidor púb lico o sindicato conseguiu mobil izar os trabalhadores conscientizá-los a resp eito das consequências negativas do horário livre no comércio essa atuação foi importante porq ue os trabalhadores puderam refletir analisar a proposta dos empresários avaliar e tomar cons ciência do que aconteceria na vida deles com a aprovação da lei francisco cezar pároco da paróquia cristo libertador sindicato impõe respeito são 25 anos de luta pela regulamentação do horário do comércio e respeito à jornada de trabalho mesmo com a aprovação do horário facultativo a diretoria do seci faz uma leitura positiva dessa luta pois foi a partir dessas ações que o sindicato mostrou sua força aos patrões e conseguiu amedrontar muitas empresas com sua posição de enfrentamento muitos comerciantes já sabem que se desrespeitarem o horário e a jornada os comerciários vão denunciar e o sindicato vai tomar suas providências destaca o coordenador geral do seci cláudio marconi nesse sentido um dos fatos marcantes para a historiadora leila cunha foi a manifestação que o seci fez na porta da casas pernambucanas a loja ia abrir um domingo convidou os clientes mas além de não negociar com o sindicato não ia pagar hora extra daí nós pegamos uns instrumentos de percussão e fomos lá pra frente da loja rapidinho a gerência da loja liberou os funcionários e fechou as portas se domingo fosse dia de trabalho se chamaria segunda-feira leila começou a ter contato com o seci exatamente por causa do horário do comércio em uma das votações para liberar o horário do comércio nos anos 90 o sindicato convidou algum comerciário para falar na tribuna da câmara como ela trabalhava numa loja de roupa resolveu representar os co merciários eu subi lá na tribuna e fiz um discurso falei tremendo minha garganta secou mas foi bom porque eu me descobri enquanto cidadã eu percebi que se você briga pelos seus direitos mesmo não conseguindo 100 muita coisa você consegue além de leila algemiro também foi um dos militantes que participou da manifestação na porta da casas pernambucanas como o seci sempre utilizou o teatro para se comunicar miro se vestiu de pastor para ressaltar a importância da folga aos domingos a discussão é antiga até por uma questão religiosa nós sempre brigamos para que não houvesse trabalho aos domingos nós somos pais de família atuamos na igreja e gostamos de realizar atividades culturais ou de lazer revista fragmentos · 2010 13

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trabalhadores sentiam na pele o desrespeito às leis os comerciantes locais tinham aquela concepção de que o lucro da empresa passava necessariamente pelo prejuízo do empregado geraldo lemos professor as vitrines estavam bonitas atraentes criativas cheias de novidades e promoções mas por trás dos arranjos caprichados há sérios problemas nas lojas trabalhadores sem registro desvio de função longas jornadas sem pagamento de horas extras comissões por fora assédio moral e por vezes até assédio sexual o ex-diretor do seci jeoson alves relata que o empregado no comércio nos anos 80 se sentia praticamente violentado nós não tínhamos direito a nada e isso fazia com que muitos até adoecessem segundo ele qualquer atitude do comerciário já era motivo para ser chamado atenção na frente dos colegas geraldo lemos que também trabalhava no comércio na época e fazia parte da direção do seci lembra que havia muitas denúncias de assédio a condição geral dos trabalhadores no comércio era muito ruim havia muita perseguição o pessoal que trabalhava com comissão era sempre massacrado ele conta que as doenças profissionais eram muito comuns principalmente pelo fato dos comerciários ficarem horas em pé e exercerem tarefas desgastantes o dia inteiro o comerciário não era respeitado afirma a ex-diretora do seci verônica teixeira segundo ela o trabalhador além de sofrer com a jornada excessiva de trabalho sofria exageradamente o desvio de função exercendo tarefas de faxineiro vendedor caixa dentre outras comerciário passa a ter com quem contar muitos dos problemas vividos pelos comerciários naquela época ocorrem ainda hoje porém de acordo com o comerciário lourival gonçalves não é na mesma proporção de antigamente hoje os patrões estão mais lights e o trabalhador está mais esperto de uma maneira ou de outra melhorou muito para ele o comerciário de agora conhece mais os seus direitos e sabe a quem recorrer quando são desrespeitados samuel do nascimento comerciário há 27 anos avalia que o seci tem cumprido o seu papel também nesse ponto eu acho que quem precisa quando vem aqui resolve É um sindicato que está sempre ativo para geraldo lemos boa parte do que se conquistou foi em função dos comerciários terem se organizado para combater esses problemas hoje graças ao trabalho do sindicato os comerciários têm mais consciência e organização eles com certeza avançaram no sentido de buscar melhores condições de trabalho de ter uma vida mais digna na sua condição de comerciário sindicato denuncia ministério do trabalho o seci passou a ser mais conhecido por causa da sua presença constante no comércio da cidade acompanhando fiscalizações ou denunciando as injustiças para cumprir esse papel o sindicato já 1 revista fragmentos · 2010

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o sindicato é mesmo pra ajudar quando tem patrão mal intencionado primeiro o sindicato tenta um acordo mas aí depois entra na justiça e faz o que a lei manda anselmo ribeiro comerciário aposentado enfrentou problemas inclusive com o ministério do trabalho e emprego mte a assistente social verônica teixeira relata que nos anos 80 eles tiveram um problema com um subdelegado que não cumpria o seu papel nas fiscalizações certa vez uma determinada loja estava descumprindo o horário e nós chamamos o fiscal ele entrou na loja falou que a empresa podia funcionar e ainda saiu com um embrulho de presente imediatamente nós fizemos uma matéria denunciando a situação outro fato que era comum é que quando as empresas eram multadas essa multa dificilmente era paga os patrões infratores simplesmente engavetavam por causa dessas irregularidades lourival relata que os diretores do seci foram ao chefe do mte em belo horizonte para exigir que não só fiscalizasse e autuasse como também cobrasse as multas das empresas o seci sempre pôde contar está o francisco de abreu neto a diretoria o buscou em sua casa diversas vezes com urgência para fazer fiscalizações sempre deixei a porta aberta pro seci teve um dia que o pessoal foi me buscar mas depois não queriam me levar porque eu estava com dengue mas eu fui mesmo assim e juntos nós corremos o comércio todo ele destaca que as fiscalizações no mês de dezembro eram as que mais encontravam situações de desrespeito a questão da falta de registro e o descumprimento do acordo de natal sempre foram as mais complicadas de acordo com humberto marcial advogado do seci em belo horizonte essa atuação preventiva dos direitos trabalhistas com fiscalizações e agilidade para coibir abusos mudaram as relações de trabalho no vale do aço a atuação jurídica com ações que evitaram abusos no trabalho em feriados e dias santificados geraram respeito do meio empresarial destaca para o advogado o trabalho desumano nas lojas do shopping é uma das questões que o sindicato ainda procura um desfecho favorável a gente não tinha como opinar muito na questão dos horários por exemplo era só o que eles decidiam e ficava por isso mesmo hoje em dia a gente tem mais voz ativa mair tranvezole gerente crediarista nas ruas em busca de respeito depois de muita pressão dos sindicatos o mte foi mudando sua postura dentre os fiscais que toda vez que o sindicato consegue defender os direitos dos comerciários ele acaba defendendo a população como um todo porque todo mundo tem alguém na família que trabalha no comércio leila cunha produtora cultural revista fragmentos · 2010 1

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