magazine cultura urbana n 0 marco 2010

 

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00 mar 2010 gratuito magazine de cultura urbana b fachada novo concerto na zdb richard câmara o artista nómada

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magazine de cultura urbana 00 mar 2010 mais positivo propriedade projecto editorial e gráfico paginação vasco lopes www.vlgraphicdesign.com vlgraphicdesign@gmail.com colaboradores arlete gonçalves ivo meco jorge castro nuno nóbrega paulo lopes todos os conteúdos textos imagens anúncios têm todos os direitos dos autores reservados qualquer reprodução com fins profissionais ou comerciais mesmo que parcial e por qualquer processo é formalmente proibida e dará lugar a sanções penais.

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índice 06 38 08 40 18 44 48 22 50 28 54 32 56 36 4

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no meu bairro texto nuno nóbrega no meu bairro já não há grafittis existia um muro de um velho quintal onde se escrevera joana amo-te para sempre ass paulo mas quando com a mesma tinta de spray riscaram a frase e escreveram puta por cima a junta de freguesia decidiu deitá-lo abaixo e usar o baldio para colocar um ecoponto eu não gosto de ecopontos porque à semelhança do que sucede com as manadas que tantas cidades gostam de ver a modorrar por ocasião da pirosa cowparade aqueles rapidamente se transformam em instalações de lixo através das quais os habitantes locais personalizam em vez de vacas de fibra de vidro conjuntos tricolores de contentores plásticos até consigo usufruir de um certo prazer estético quando observo lixo o que não suporto são esses petulantes exercícios artísticos contemporâneos a que se designam por instalações já tendo perdi6 do a conta ao número de exposições nas quais dei por mim a questionar-me se o extintor de incêndio colocado na parede fazia parte ou não da obra criativa adjacente os miúdos do meu bairro felizmente também não gostam de ecopontos ­ e tal como eu presumo prefeririam deitar o lixo em cestas gigantes de vime madeirense criadas pela joana vasconcelos revestidas a arame farpado colocado pelas próprias mãos da artista ­ e assim sendo decidiram uma noite incendiar o dito cujo impelidos com certeza pelo prazer que a admiração pirotécnica suscita como estava a dormir perdi este espectáculo de fogo mas em compensação quando o sol começou a raiar no horizonte pude contemplar a massa derretida e ainda fumegante e apenas nesse momento tive em conta a sensibilidade artística daqueles que na sociedade ponto verde decidiram

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já tendo perdido a conta ao número de exposições nas quais dei por mim a questionar-me se o extintor de incêndio colocado na parede fazia parte ou não da obra criativa adjacente atribuir as cores primárias a tais contentores a raison d être desta escolha e logo dos ecopontos é só pode ser serem derretidos e assim transformarem-se em expressões artísticas locais singulares pois os habitantes das ruas servidas por um ecoponto terão padrões de consumo de produção de lixo e da respectiva triagem únicos e em suma cada ecoponto derretido será sempre uma obra inusitada sociologicamente determinada a junta de freguesia adivinhava-se não concordou comigo e por isso recusou a minha colaboração na tentativa de encontrarmos os autores daquela façanha para colocarmos junto do ecoponto uma pequena placa com os dizeres fulano sicrano beltrano plástico papel e vidro 2010 ao invés decidiram-se pela construção de um jardim moderno e assim após poucas semanas o pequeno e velho baldio recebeu três palmeiras com as folhas amarradas um pavimento em cimento um pequeno caixote de lixo plástico e dois bancos de jardim metálicos fornecidos por uma empresa de gosto duvidoso mas com boas e saudáveis relações com a divisão camarária para o mobiliário urbano do ecoponto derretido não ficou qualquer vestígio e talvez revoltados por se sentirem artistas caídos no esquecimento os miúdos do meu bairro queimaram primeiro o pequeno caixote e em seguida convenceram os seus pais e demais familiares a transformar aquele espaço num reservatório de crescente e deveras criativa deposição de lixo no meu bairro já não há grafittis porque tal como a joana e o paulo ninguém se ama 7

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richard câmara o artista nómada metódo disciplina objectividade persistência versatilidade afinal a vida de um ilustrador não é `só fazer bonecos texto vasco lopes ilustrações richard câmara

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serigrafia do projecto falsos amigos da mostra portuguesa de 2009

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há dias em que já não sei se vivo no estúdio ou se trabalho em casa mas não me queixo a versatilidade de richard câmara não se nota apenas nas ilustrações e obras gráficas É também evidente num `nomadismo constante que o habituou a estar sempre pronto e motivado para os vários desafios profissionais que vão surgindo quem corre por gosto não cansa e se a isto somarmos disciplina e alguma sistematização tudo se faz dedico sempre parte do dia a desenhar e procuro manter um ritmo constante de trabalho que me permita ir desenvolvendo várias colaborações ao mesmo tempo o que me estimula imenso estou de tal maneira habituado a conviver com o trabalho que há dias em que já não sei se vivo no estúdio ou se trabalho em casa mas não me queixo justifica ser nómada também lhe está no sangue no nome na biografia filho de pais portugueses richard nasceu em 1973 em bruxelas e já viveu em milão roma lisboa desde 2006 madrid tornou-se num lar permanente mas são frequentes as deslocações e temporadas em lisboa onde se mantém como docente convidado do centro de imagem estudos arte e multimédia cieam da faculdade de belas-artes de lisboa para dar workshops e formações ligadas à ilustração 11 madrid e lisboa são locais fulcrais para o seu trabalho mesmo nas respectivas culturas urbanas há uma diferença substancial que tem a ver com a escala e que se faz notar na quantidade mas nem sempre na qualidade das manifestações culturais destas duas cidades pessoalmente sinto atracção por ambas e como muitas vezes parece que tenho um pé de cada lado da fronteira não as modificaria em nada porque acho que de alguma forma se complementam arquitecto de formação richard deixou-se conquistar há muito pela banda desenhada e ilustração em muito terão contribuído referências e obras como as de saul steinberg jan mlodozeniec blutch joão abel manta andré françois eduardo muñoz bachs só para citar alguns com colaborações em portugal e no estrangeiro em revistas editoras concursos exposições projectos artísticos e vários jornais el mundo diário de notícias expresso independente público sol e recentemente no i richard assume que o mercado da ilustração nacional já teve melhores dias numa época que coincidiu com as saudosos salões lisboa e as mostras de ilustração portuguesa

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agências de criativos que têm tido um efeito perverso e pouco claro na forma como medeiam o intercâmbio comercial entre os seus agenciados e os seus clientes organizados pela bedeteca de lisboa directo e objectivo aponta o `dedo à ferida e justifica com alguns motivos primeiro o efeito de desvalorização do trabalho de muitos ilustradores devido à mediática `crise da qual ainda tardaremos a sair e que parece estar instalada sobretudo dentro das nossas cabeças segundo o aparecimento e instalação das agências de criativos nos quais se inserem também os ilustradores que têm tido um efeito perverso e pouco claro na forma como medeiam o intercâmbio comercial entre os seus agenciados e os seus clientes editoras jornais revistas agências de publicidade etc a falta de transparência nos preços a ausência ou atrasos injustificados nos pagamentos e outras situações menos claras só têm contribuído para o contínuo mal-estar desconfiança e em nada favorecem todos os que trabalham ou querem trabalhar neste mercado e por último falta-nos um certo sentido de classe profissional o que faz que cada ilustrador esteja virado só para os seus problemas passando por situações evitáveis caso falássemos e aprendêssemos uns com os outros passando informação relativamente 12 aos bons e maus clientes preços praticados processos de trabalho etc noutros países existem sempre uma ou mais associações de ilustradores que regulam e orientam os seus associados de forma a haver tabelas de preços mínimos e procedimentos para tornar tudo mais claro e simples o que ajuda todos os envolvidos no processo desde os ilustradores passando pelas agências até aos clientes finais mas esta ideia nunca vingou em portugal apesar de todos estarmos fartos de saber que `a união faz a força além disso para quem tem interesse ou esteja minimamente atento tornou-se óbvio que a ilustração está mais `democratizada segundo o artista ganhou sobretudo identidade própria houve autores cujo trabalho abriu caminho para o que vivemos hoje mas não eram exclusivamente ilustradores também eram designers gráficos arquitectos de interiores artistas plásticos desenhadores hoje os ilustradores passaram a ser profissionais com maior visibilidade e um espaço mais vasto para desenvolver o seu trabalho nas páginas de livros suportes de campanhas publicitárias embalagens de produtos paredes de galerias de arte blogs,

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ilustração seleccionada para concurso internacional sobre o tema chaves 2008

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vários trabalhos dos seus portfólios de ilustração e diários 2007-2009

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