eisFluências - Revista Literária e Informação

 

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eisFluências - Revista Literária e Informação eisFluências - Literary Magazine and Information Revista de Dezembro de 2009 Magazine December 2009 Revista literária e informação em lingua portuguesa e eventualmente com artigos em espanhol Literary

Popular Pages


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dezembro/2009 ano i num ii letras chÁ e simpatia com deana barroqueiro carmo vasconcelos anunciámos na nossa revista anterior o lançamento em lisboa do livro o espião de d joão ii da escritora deana barroqueiro a nossa directora cultural carmo vasconcelos esteve presente em representação da eisfluências evento digno de relevo na panorâmica actual da literatura portuguesa onde mais uma vez a insigne escritora fez jus ao seu já reconhecido mérito literário a sala do restaurante do el corte inglés fez-se pequena para acolher a enorme afluência de altas personalidades artífices do mundo das letras e outros convidados aí se iniciou o contacto desde logo agradabilíssimo entre deana barroqueiro e carmo vasconcelos tendo ficado agendado entre ambas um novo encontro para uma conversa informal e uma entrevista para a eisfluências e o esperado dia chegou que dizermos dessa tarde tão especial dessa ilustre escritora e grande senhora deana barroqueiro recebeu-nos em sua casa com letras chÁ e simpatia senhora de vasta cultura e de uma contagiante comunicabilidade falou-nos da sua obra das suas viagens do seu percurso literário das suas motivações do trabalho denodado e persistente e das apuradas pesquisas que antecedem a feitura dos seus livros tudo isto com a afabilidade e simplicidade que são apanágio dos grandes de entre os vários temas de conversa não podia passar em branco o calvário dos novos escritores e poetas que buscam em vão a publicação das suas obras uma verdadeira via crucis face aos interesses e complicados critérios das editoras em suma trocaram-se palavras muitas palavras porém todas plenas de conteúdo e significado e ainda recebemos generosos presentes dos mais valiosos para quem ama a leitura e a escrita livros livros da autora que para além de fascinantes no seu conteúdo se tornam preciosos porque enriquecidos com o autógrafo duma das mais brilhantes prosadoras portuguesas contemporâneas cujo nome ficará sem dúvida na história da literatura portuguesa e a terminar a maravilhosa tarde em que as horas voaram pois breve se fez noite a entrevista exclusiva para a eisfluências

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entrevista com deana barroqueiro eisfluências i ii c.v ­ desde quando a paixão pela escrita d.b ­ mal aprendi a ler e a escrever ainda antes de frequentar a escola onde só entrei aos sete anos senti a paixão de jogar com as palavras c.v ­ sabemos da sua vasta obra porquê a predominância do romance histórico d.b ­ como professora de português quando os programas tinham uma componente muito forte de literatura eu recorria à escrita criativa com os alunos para ensinar as obras clássicas sobretudo a narrativa de viagens levando-os a criar contos e até peças de teatro sobre personagens dos descobrimentos a história a ciência e a cultura portuguesas desse período são riquíssimas possuindo um verdadeiro manancial de heróis e de histórias épicas ou dramáticas para explorar que me maravilhavam e me deram a possibilidade de contaminar os alunos com essa minha paixão pela escrita assim quando pensei em escrever para fora do âmbito da escola foi natural que me tivesse surgido a ideia de uma colecção de romances de viagens e aventuras com esses heróis e posteriormente dedicar-me ao romance histórico visto que estas obras permitem dar a conhecer aos leitores muito mais do que uma simples intriga por muito boa que seja o contexto histórico social e político da época em que se passa a acção quando investigado a fundo e descrito com rigor e isso é condição necessária para um romance histórico é a mais-valia deste género literário c.v ­ intitula-se uma contadora de histórias É essa faceta que faz dos seus livros o sucesso que conhecemos inclusivamente com prémios recebidos e traduções em várias línguas d.b ­ puseram-me esse rótulo por mais de uma vez e eu tenho de concordar com ele pois o meu maior prazer consiste em partilhar com os ouvintes ou com os leitores as histórias que vou descobrindo e me fascinam como passei vinte anos da minha vida a estudar os mundos e as gentes do período que vai do século xv ao xviii e o conheço melhor do que à minha própria época creio que consigo fazer com que os leitores mergulhem nele e vivam as mesmas sensações que as personagens c.v ­ nasceu nos estados unidos diplomou-se em língua inglesa em sussex fez mestrado em comunicação educacional em portugal e tem feito inúmeras viagens identifica-se essencialmente com as suas raízes portuguesas ou sente-se mais uma cidadã do mundo d.b ­ fiz a minha escolha quando decidi ficar a viver em portugal em vez de voltar aos estados unidos as minhas raízes são profundamente portuguesas e orgulho-me disso no entanto como a carmo diz adoro viajar falo várias línguas e adapto-me perfeitamente à vida de qualquer país democrático onde o pensamento seja livre e os direitos humanos sejam respeitados c.v ­ como analisa o movimento literário actual em portugal d.b ­ como tenho muitas condicionantes falta de visão e de tempo à leitura leio quase exclusivamente obras que estão relacionadas com os meus romances e quase não me sobra tempo para outras leituras vou procurando manter-me a par contudo há tantas obras e tantos autores ­ com esta política suicida das editoras portuguesas publicarem centenas de livros por mês a grande maioria sem qualquer qualidade literária ­ que é quase impossível separar o trigo do joio havendo ainda muitas livrarias que parecem supermercados a vender livros como quem vende frangos ou detergentes e muitas vezes perde-se uma obra de génio que mal viu a luz e quando falamos de novos escritores não devemos esquecer o mundo da internet onde existe gente de muito talento à espera de uma oportunidade que não chega c.v ­ acha que o livro digital e toda a informação cultural serão a leitura do futuro d.b ­ creio que se complementarão não vejo qualquer razão para que haja substituição pois cumprem funções e propósitos diferentes o livro enquanto objecto físico com o seu corpo de papel o seu cheiro a sua alma não morrerá enquanto houver bons leitores e estes também não vão desaparecer c.v ­ começou por escrever poesia porque a trocou pela prosa d.b ­ a poesia era demasiado íntima voraz e destruía-me um dia uma aluna perguntou-me o que era para mim a poesia sem pensar disse-lhe É como um punho fechado com um coração lá dentro doía demasiado na prosa continuo a ser eu e a sentir mas por interposta pessoa consome-me muitas energias mas sofro menos e divirto-me mais c.v ­ qual o livro que lhe deu mais prazer escrever d.b ­ talvez os novos contos eróticos do velho testamento que são mais irónicos que eróticos continua na página seguinte 2

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eisfluências i ii c.v ­ e porque nasceu nos e.u.a o que lhe diz barack obama entrevista com deana barroqueiro d.b ­ a sua eleição para presidente reconciliou-me com os estados unidos cujas políticas sobretudo a de bush me tinham afastado há anos eleger um negro para o maior cargo do país mostra que os estados unidos têm uma capacidade imensa de mudança esse espírito que eu gostaria de ver em portugal c.v ­ e o prémio nobel da paz 2009 d.b ­ um disparate e um presente envenenado para obama que ainda não teve oportunidade para fazer algo de concreto mostra como alguns prémios nobel principalmente o da paz há muito que deixaram de ter outro sentido que não seja o do mero jogo político c.v ­ josé saramago na generalidade da sua obra e o seu polémico e último caim d.b ­ sempre gostei de josé saramago como escritor trabalhei as suas obras com os alunos considerei-o merecedor do prémio nobel da literatura quanto à indignação dos crentes ofendidos com caim decerto que não leram o romance nem tão pouco o antigo testamento este episódio é uma triste e ridícula repetição do que aconteceu com o seu evangelho segundo jesus cristo o caim é uma obra cheia de humor e inofensiva ­ muitíssimo mais violenta fui eu nos meus contos eróticos do velho testamento na denúncia dos maus exemplos e da brutalidade cega exercida sobre as mulheres na bíblia porém como então era uma escritora pouco conhecida ninguém se indignou c.v ­ e para terminar uma palavra para a revista eisfluências d.b ­ ainda é cedo para ajuizar do seu valor mas promete se publicar apenas textos de qualidade será uma óptima iniciativa para criar uma ponte entre escritores de vários países lusófonos e os dar a conhecer neste mundo vastíssimo que é a comunidade virtual dos internautas em nome da eisfluências e de toda a equipa que a integra muito obrigada deana barroqueiro breve biografia da escritora deana barroqueiro é autora de numerosos romances inspirados em conhecidos personagens da história a sua pesquisa minuciosa leva-a a recriar com riqueza de pormenores os ambientes onde se passam as histórias fazendo com que seus leitores viajem no tempo e no espaço e vejam o mesmo que o aventureiro viu observem a estranheza dos lugares e costumes sofram a mesma surpresa e o medo dos heróis ouçam os mesmos sons cheirem e saboreiem as mesmas iguarias nasceu em new haven connecticut nos estados unidos da américa em 23 de julho de 1945 filha de pais portugueses e veio viver para portugal aos dois anos de idade onde passou a residir em lisboa embora mantendo a dupla nacionalidade licenciou-se em filologia românica na faculdade de letras de lisboa obteve em inglaterra o certificate of proficiency da cambridge university de língua inglesa e mais tarde fez um mestrado em comunicação educacional multimedia na universidade aberta de lisboa foi professora de português e francês tempo durante o qual aplicou a maioria dos seus projectos de teatro e de escrita criativa com os seus alunos publicou várias obras com o grupo de trabalho do m.e para as comemorações dos descobrimentos portugueses a câmara municipal de lisboa e o instituto de inovação educacional o sucesso dessas publicações escolares foi um incentivo para recomeçar a escrever para um público mais lato ainda que num diferente registo literário o do romance histórico tendo publicado de 2000 a 2008 nove romances históricos e dois livros de crónicas da antiguidade o primeiro dos quais ­ contos eróticos do velho testamento ­ se encontra traduzido e editado em espanha em itália e no brasil deana barroqueiro confessa-se uma apaixonada da língua e cultura portuguesas em particular dos séculos xvi a xviii que estuda há mais de vinte anos e sendo por natureza ou vício uma contadora de histórias não resistiu ao desejo de partilhar com quem a quiser escutar essas surpreendentes descobertas das vidas aventurosas ou trágicas por isso mesmo tão humanas e próximas de personagens históricas que fazem parte do nosso imaginário colectivo no dia 21 de novembro de 2003 nos estados unidos da américa durante o sarau para atribuição de prémios do concurso literário proverbo de cujo júri fez parte a escritora recebeu um louvor pela câmara de newark em reconhecimento do seu contributo para a divulgação e promoção da língua e cultura portuguesas entre as comunidades de emigrantes da américa canadá e europa o seu romance d sebastião e o vidente que a porto editora escolheu para se lançar na área da ficção foi agraciado com o prémio máxima de literatura 2007 prémio especial do júri veja toda a obra da escritora no seu blog em http deanabarroqueiro.blogspot.com texto fotos de carmo vasconcelos lisboa em 22 de outº/2009 3

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coluna de marco bastos entrevista com deana barroqueiro eisfluências i ii eisfluências pag.2 a propÓsito das rubras rosas que voaram em uma rua que nÃo essa povoada um dia que nÃo hoje por sonhos que se foram salgando o mar ao fundo que nÃo esse dando-lhe vida sem ser essa fotografia se perguntasses e rosas voam responderia tu viste rosas eu margaridas são os sonhos é a vida marco bastos viagem anunciada navegando um arco-íris fecho e não findo sidnei olívio marco bastos priscila l coelho ana da cruz marco bastos apenas as estrelas atravessam o olho da agulha brilhando a curiosidade dos que procuram enxergar do outro lado espiai essas estrelas tão banais alinham os meus olhos as estrias do universo iluminam a trajetória por onde dirijo o meu olhar luz claridade que se expande na largura do mar no meu sonho submerso lastro de minha história no meu inquietante buscar se abro estrada tem mais estrada que se abre viagem anunciada mural dos escritores grupo trovas poetrix e haicais discussões e parcerias http muraldosescritores.ning.com/group/trovaspoetrixehaicais revelação josé antonio jacob nada sabeis de mim e sabeis nada porque venho regresso de outra lida nada me perguntastes na chegada e nada vos direi na despedida se eu cheguei de uma alegre caminhada ou se deixei tristeza na partida pode ser que ao final dessa jornada nada ainda sabereis da minha vida não entendeis do céu que nos assiste trago nos olhos grandes o olhar triste tais quais olhos da noite arregalados tantos mundos distantes revelados mas que aos olhos dos homens são iguais do livro almas raras ed artculturalbrasil 2007 pistas líria porto cada saudade um buraco um oco um vazio um furo emental meu caro watson coração é isso um queijo suíço marco bastos é engenheiro professor poeta escritor e artista plastico É brasileiro e colaborador na redacção da revista eisfluências 4

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eisfluências i ii coluna de humberto rodrigues neto noÇÕes simples de poesia rimada por humberto rodrigues neto quadras quem deseja ingressar no mundo maravilhoso da poesia rimada deve iniciar o aprendizado pelas quadras que é um tipo de poema rimado bem simples composto de 4 versos setissílabos denominam-se setissílabos os versos compostos de sete sílabas mas este pormenor explicaremos mais detidamente no item metrificação quando veremos que a contagem das sílabas poéticas diferem frontalmente daquela empregada para separação de sílabas gramaticais as quadras devem conter quatro versos ou quatro linhas e só rimam o 2o verso com o 4o o 1o e o 3o não precisam rimar entre si como acontece na trova e devem expressar um pensamento completo em apenas 4 versos eis dois exemplos de quadras bem conhecidas batatinha quando nasce lança ramas pelo chão a menina quando dorme põe a mão no coração o anel que tu me deste era vidro e se quebrou o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou É interessante fazer bastante quadrinhas utilizando o modelo acima mas usando palavras diferentes mesmo que o conceito resulte num absurdo ajudará a trabalhar com as rimas e a treinar a métrica setissílaba exemplo de uma quadra absurda outro exemplo mais conforme com o modelo o brinco que me compraste era lata e enferrujou o afeto que me deixaste foi como flor que murchou morreu ontem meu gatinho de maçã e jabuticaba quem gosta de comer carne um grande amor não se acaba a primeira quadra é absurda pois não tem sentido mas serve de bom treino para assimilação da métrica procure montar outros ainda que absurdos para treinar a métrica dos setissílabos aos poucos você irá absorvendo a técnica de compor quadras e já as fará de modo aceitável como no segundo exemplo pois contém um pensamento completo notar que no primeiro exemplo não entram na contagem as últimas sílabas dos quatro versos por que por que ao recitá-los seus sons são quase inaudíveis ou nem são pronunciados trovas se diferenciam das quadras pois além de rimarem o 1º com o 3º verso devem também rimar obrigatoriamente o 2o com o 4o também podem rimar o 1o com o 4o e o 2o com o 3o usam portanto o seguinte esquema exemplo do 1o caso todo o meu amor não cabe na trova que você lê mas eu sei que você sabe como eu gosto de você abab ou a b b a exemplo do 2o caso vejo o sol no teu sorriso nessas tardes esmaltadas e nos teus beijos escadas pra quem sonha o paraíso devem também conter sentido completo ou seja expressar em apenas 4 versos o pensamento integral do poeta sobre um determinado assunto não tente fazer versos com um número maior de sílabas ou de versos até que tenha dominado a técnica de compor quadras ou trovas humberto rodrigues neto ­ pseudónimo humberto-poeta nasceu em são paulo capital em 11 de novembro de 1935 filho de pai português soure e de mãe brasileira mas descendente de pais ilhéus ilha da madeira É cronista e poeta destacado no género de soneto tem vários e-books publicados entre eles metrificando sonhos É colaborador na redacção da revista eisfluências e-mail ­ vate2006@gmail.com 5

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opiniÃo eisfluências i ii caim em saramago o centenário da república exigia saramago por antÓnio justo os ideais sociais e republicanos parecem só se poderem afirmar numa relação social de dois grupos antagónicos caim e abel saramago um apologista da velha física mecanicista e materialista deita mão da sua ignota sebenta sobre o velho testamento para afoguear o ânimo dos portugueses e reavivar os velhos ressentimentos republicanos e materialistas cada vez mais presentes numa sociedade decadente esta polémica em torno de caim no centenário da república portuguesa procura dar continuidade a um republicanismo barato e atrevido que vive de forma discreta e parasitária num estado em estado de graça e de sonho saramago fez como os bons promotores de vendas fazem dias antes do seu livro caim aparecer nos balcões de venda o negociante da opinião presta uma série de declarações provocantes aos media para chamar as atenções para si e motivar os correligionários e curiosos à compra do livro a polémica ajuda o negócio a arte cada vez se reduz mais ao escândalo a opinião publicada em torno de nobel camarada revela um país assombrado como se tratasse dum galinheiro de galinhas de olhar fixo na crista vermelha do galo que brilha no poleiro da sua importância os negociantes da cultura e os traficantes das ideologias e do poder sabem bem que os ingredientes que melhor servem os seus interesses cínicos e logo atraem as atenções do galinheiro são religião sexo e dinheiro saramagos parecem dar-se bem nos baixios da nação por isso persistimos em viver na mediocridade do medo do recalque da inveja e do sonho os jornalistas por avidez de escândalo que lhes simplifica o trabalho ou por razões ideológicas aproveitaram a deixa para o seu negócio moendo e remoendo continuamente a mesmo assunto saramago com uma machadada consegue encher os bolsos e ao mesmo tempo fazer a maior propaganda contra a igreja católica como se a bíblia só fosse propriedade dos católicos e estes só conhecessem a leitura literal da mesma como numa acção concertada nos media ouvia-se continuamente falar do cândido saramago e da inocência de caim como se tivesse sido a igreja católica a matar abel saramago banaliza o nobel e banaliza a bíblia À maneira de pilatos lava as suas mãos nas águas turbas da ignorância e do oportunismo terapia os seus medos inconscientes atacando o artista quer dizer aos cristãos que deus fez o mundo em seis dias porque ao sétimo descansou quando os cristãos sabem que aqui se trata não de dias de 24 horas mas de épocas da evolução muito embora de cariz antropológico onde se apresenta o processo do desenvolvimento do primitivo para o mais desenvolvido a nível biológico moral e existencial na sua interpretação interesseira saramago até sabe que caim matou o irmão porque não podia matar deus e na sua inocência primitiva o escritor afirma o seu dogma revelador da sua lógica um deus que não existe nunca ninguém o viu o que é estranho é que deus e o catolicismo parecem ser o bombo da sua festa e do seu negócio saramago faz uma leitura ingénua e tendenciosa da bíblia fala como um iletrado para justificar a sua fé ateia joga com a não informação das pessoas e com interesses baixos de desacreditação e com uma mentalidade ávida do insólito estamos perante um caso de desinformação para que o povo desça à praça das ideologias e se sirva de ânimo leve nas bolsas dos dogmas da opinião o azedume de saramago ao afirmar que sem a bíblia seríamos outras pessoas provavelmente melhores luta contra o seu fantasma do medo falando mal dos outros para melhor poder branquear-se e branquear os seus patronos marxistas o que ele parece desconhecer é que o socialismo a fé que professa é um produto da bíblia um filho da tradição judaico ­ cristã o maior documento da história humana é categorizado por saramago como um manual de maus costumes um catálogo de crueldade e da pior da natureza humana saramago querer desconhecer a bíblia na abordagem que ela faz do homem e do seu desenvolvimento no que ele tem de positivo e negativo o autor julga sai-se melhor apostando num deus que quer cruel invejoso e insuportável a guerra contra deus serve-o a ele e à sua desilusão ideológica saramago procura espantar o medo que tem porque combate tanto o que para ele não existe isto torna-o suspeito a velhice parece aproximar muita gente da religião pela positiva e pela negativa psicologicamente poder-se-ia dizer que nele há qualquer recalque ou medo do depois da morte quando alguém combate algo tão veementemente a nível externo quer dizer que isso não o deixa em paz a nível interno É uma luta substituta como um crente se sente na necessidade de combater as próprias dúvidas inconscientes um ateu também tem as suas dúvidas inconscientes sobre o ateísmo que professa e tem de combater externamente no inconsciente e nos medos reside as raízes de fanatismos mais ou menos explícitos sejam eles religiosos ou ideológicos segundo freud combate-se fora o que não se quer ver e reconhecer em si próprio quer dizer o que é inconsciente nos fundilhos psicológicos das suas calças saramago luta contra o seu medo nele se catalizam também muitos medos de seus defensores e atacantes a bíblia possibilita a descoberta da imagem do homem onde este pode descobrir as suas pegadas encontrando aí testemunhado o seu desenvolvimento ao longo dos tempos desde o seu estado mais primitivo ao mais desenvolvido no seu falar de deus e do homem revela-se uma história comum continua na página seguinte 6

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eisfluências i ii opiniÃo a bíblia não é um livro mas um conjunto de 73 livros em que se encontram cristalizadas as mais diferentes disciplinas religião filosofia história literatura sociologia antropologia psicologia artes bélicas física etc a bíblia é a radiografia do homem e das sociedades É um tesouro em antropologias e sociologias nela se encontra a tentativa de descrição do alvorecer da criação do início da evolução em sete épocas dias do desenvolvimento do homem até ao ser do homem divino o resumo e fim de toda a criação onde jesus cristo é apresentado como homem no fim da sua evolução com a queda de adão a essência do mal e do pecado não se encontram cabalmente explicadas a história de caim e de abel além de mostrar a complexidade da convivência de duas culturas diferentes tal como no caso de esaú e jacob onde se documentam a evolução da sociedade na concorrência entre a antiga sociedade nómada pastorícia e a nova sociedade sedentária agrária é mais um contributo para a compreensão do mal e do homem o mal cometido tem uma alcance de responsabilidade que além da intenção transcende o acto as diferentes interpretações permitem a continuidade na descoberta de algo comum essencial a todo o homem o ser humano permanece sempre igual a si mesmo independentemente de ser religioso ou ateu estou certo que se o senhor saramago tivesse estado atento na escola à aprendizagem dos meios de interpretação de os lusíadas do nosso camões não poderia fazer uma leitura tão ingénua e tendenciosa da bíblia o problema é que a leitura da epopeia do nosso maior escritor português que é camões também não interessa à sua ideologia quando descobrirmos caim e abel em nós mesmos então estaremos mais lúcidos para entender a bíblia e deixar de combater fora o que está dentro de nós caim e abel tal como adão e eva são duas partes complementares da mesma realidade o homem © antónio da cunha duarte justo antÓnio da cunha duarte justo nasceu em várzea-arouca portugal e-mail a.c.justo@t-online.de professor de língua e cultura portuguesas professor de Ética delegado da disciplina de português na universidade de kassel publicaÇÕes chefe redactor de gemeinsam revista trimestral do conselho de estrangeiros de kassel em alemão com secções em português italiano turco françês grego editada pela cidade de kassel tiragem 5 000 exemplares editor da brochura bilingue pontes para um futuro comum ­ brücken in eine gemeinsame zukunft editada na caritas kassel editor de o farol jornal de carácter escolar e social em colaboração com alunos pais e portugueses das cidades de bad wildungen hessisch lichtenau kassel bad arolsen e diemelstadt de 1981 a 1985 editor de boletim da fracção portuguesa no conselho de estrangeiros de kassel 1984 autor da brochura kommunalwahlrecht für ausländer ­ argumente editada pela câmara municipal de kassel fevereiro de 1987 co-autor da brochura ausländerbeiräte in hessen aufgaben und organisation editada pela agah e hessische landeszentral für politische bildung wiesbaden 1988 colaborador de vários jornais e do programa de rádio semanal de português de hamburgo consulte o blogue do escritor em http antonio-justo.blogspot.com notícia a revista eisfluências parabeniza o seu prezado colaborador e membro do conselho de redacção dr luiz gilberto de barros luiz poeta pelas recentes e merecidas distinções recebidas voto de louvor e reconhecimento da câmara municipal do rio de janeiro ao mestre da palavra cantada em 7 de outubro de 2009 tomada de posse na confederação das academias brasileira s de letras como segundo vice-presidente da academia pan-americana de letras e artes em 29 de outubro de 2009 1º prémio e menção honrosa na categoria de poesia livre no 1º encontro nacional de poesia de são fidélis ­ r.j realizado de 27 a 29 de novembro de 2009 pensamento escrever é fácil você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final no meio você coloca idéias pablo neruda 7

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coluna de maria ivone vairinho eisfluências i ii sophia de mello breyner andresen poeta maior do século xx um vulto notável na literatura portuguesa de todos os tempos nasceu no dia 6 de novembro de 1919 e deixou-nos fisicamente no dia 2 de julho de 2004 desde o seu primeiro livro poesia 1944 que nos abriu a porta de um mundo poético limpo transparente liberto de tudo quanto é acessório numa identificação como ela diz com o milagre das coisas que eram minhas com uma obra vasta na poesia merecem igualmente destaque a sua prosa os contos para crianças os ensaios as traduções a dramaturgia sobre sophia escreveram d antónio ferreira gomes bispo do porto no prefácio de contos exemplares 3.ª edição 1970 poderá parecer desmesura ter sugerido que há mais conteúdo cristão na eidética e noética de sophia que nas de cervantes ou camões que são mais exemplares os seus contos que as novelas daquele ou a nossa epopeia nacional e no entanto quase o mesmo se podia afirmar de boa parte da literatura actual mesmo não-conformista em contraste com a literatura conformista dos séculos da fé o que já não será tão comum e de muito poucos se poderia afirmar é esta comunicabilidade essencial esta superação da dialéctica entre a comunicação e a soledade poética esta interioridade riquíssima feita comunhão humana e humaníssima esta relação ao outro em todos os sentidos esta integração da horizontalidade na verticalidade sem jamais usar o santo nome de deus em vão que encontramos em sophia parecerá desmesura afirmá-lo mas impõe-se reconhecer que onde fracassaram os maiores um hölderlin um rilke um shelley ou um pessoa aí ganhou a visão poética de sophia jorge de sena mas o seu jardim familiar e uma praia da granja muito sua em que passou grande parte da infância e da juventude foram os iniciais suportes paisagísticos de uma poesia esplêndida cada vez mais firme e mais sóbria à medida que o tempo passa e também cada vez mais igual a si mesma numa nobreza de dicção que como raras poesias do seu tempo é irmã da majestade subtil de pascoaes e das grandes odes de Álvaro de campos cuja linhagem continua estudos de literatura portuguesa iii lisboa edições 70 1988 alçada baptista descreveu a sua obra como «uma referência essencial do nosso tempo» unindo «com naturalidade o ético e o estético» condição que aplicou à vida «numa permanente manifestação de solidariedade e apreço pela pessoa humana e pela sua liberdade» e essa «aristocracia de comportamento» frisou «foi um exemplo para a minha geração» na cerimónia de entrega do prémio camões em 1999 ­ diário de notícias 20 de novembro de 1999 josé carlos de vasconcelos a atribuição do prémio max jacob a sophia constitui uma mais do que justa distinção para quem é não só uma das figuras maiores da poesia do século xx português e mesmo de qualquer tempo como uma voz rara de uma inultrapassável dignidade e qualidade poética da lírica universal contemporânea além disso a autora de livro sexto sempre foi uma mulher e cidadã corajosa exemplar o que naturalmente contribui para a grande admiração que por ela têm todos que a conhecem sophia jornal de letras -07 de março de 2001 maria alzira seixo toda a segunda metade do nosso século xx teve ao seu alcance a respiração da palavra de grandes poetas em língua portuguesa entre eles sophia de mello breyner andresen é incontestavelmente dos maiores e emerge de facto como a grande senhora da expressão lírica durante as últimas décadas na língua de camões nesta viragem do milénio a lição de sophia não constitui apenas um adquirido patrimonial decisivo a marcar as nossas letras nem é apenas mas sê-lo-á intensamente se a educação cumprir os seus objectivos mínimos um manancial que se oferece à fruição dos leitores que se vão formando ela é sobretudo encarada de uma perspectiva cultural que articule a informação com a experiência uma provocação conseguida à dimensão ética que a estética pode conter uma comunicação de beleza verbal que transporta a necessidade de interpelar o mundo e de nele acentuar valores ou nele denunciar insuficiências e incumprimentos Ética da poesia ­ jornal de letras ­ 21 de março 2001 no site da universidade de salamanca referindo a notícia da atribuição do prémio rainha sofia de poesia em 2003 podia ler-se profundamente mediterrânica na sua tonalidade a linguagem poética de sophia de mello breyner denota a sólida cultura clássica da autora e a sua paixão pela cultura grega a pureza e a transparência na relação da linguagem com as coisas a luminosidade de um mundo em que o intelecto e o ritmo se harmonizam de uma forma melódica perfeita poética não serão só as coisas que sophia amava que continuarão vivas e a ser amadas sophia como camões e pessoa pertence a todos nós faz parte do património cultural português que queremos ver respeitado e preservado renascerá viverá na magia de cada verso de cada palavra que nos deixou será fonte de luz inspiradora para os poetas que nunca deixarão de a amar no dia 6 de novembro de 2009 celebrando o nascimento de sophia recolha de depoimentos e comentários de maria ivone vairinho para oito séculos de poesia portuguesa que desde 2002 lecciona na universidade sénior de oeiras maria ivone vairinho nasceu na cidade da covilhã/portugal escritora e poeta tem vários livros publicados em romance e poesia É colaboradora na redacção da revista eisfluências É presidente da associação portuguesa de poetas 8

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eisfluências i ii coluna de rosa pena e a cor rosa pena passei pelo quarto que estava com a porta totalmente aberta eu olhei curiosa lá para dentro ela estava aparentemente nua apenas com um lençol amarrado em volta dos míseros seios no feitio de uma canga de praia os cabelos ralos e ruivos presos com um lápis no alto da cabeça quando nosso olhar se trocou ela sorriu e eu devolvi achei-a tão bonita que lhe disse num rompante puxa você é um charme ela muito espantada me perguntou se eu não tinha reparado que seu esqueleto estava desprovido de carne que tinha apenas trinta e dois quilos de revestimento em 1.70cm de altura sim reparei e até pensei que você fosse uma dessas manecas anoréxicas quem dera começou no útero agora está em trocentos lugares e essas flores lindas que enfeitam seu quarto trazidas pelo homem que me amou separaram-se quando você adoeceu um pouco antes É deprimente perceber que quem tanto nos envolveu já não gasta seus olhares e sorrisos conosco não se desvia de suas prioridades e nós ah que dó de mim não fazemos mais parte delas apenas nos diz que as coisas estão complicadas e está sempre ocupado atrapalhado mas não se vai de vez pelo que representamos um para o outro um dia flores costumam aplacar crises de consciência muita mágoa misto de sentimentos estranhos ainda existe carinho embora bem retraído não existe desprezo nem hostilidade É um surto de ausências de palavras gestos sorrisos lágrimas comungadas promessas silenciosas chama apagada de quem jurou o eterno e um monte de frases feitas conte comigo a qualquer hora liga pra mim quando precisar tanta formalidade para quem já trocou tanto beijo que droga você ser inteligente o bastante para perceber que não existe infinito quer coisa mais transitória do que a vida a minha então tento lhe dar esperanças não tenta apenas me distrair É sua mãe que você acompanha irmã onde pulmão quer falar sobre isso não você está sempre com livros lê muito sim e também escrevo escreveu algum livro amanhã lhe trago o último sou lia quero dedicatória teve o amanhã e outros poucos depois dele comentou até a minha crônica qual é a cor da saudade permaneço sem saber a cor dela ps a dedicatória a vida acaba nos trazendo conhecidos amigos amores pessoas que estiveram muitos ou pouco conosco mas que farão parte de nossa história algumas chegam no prefácio outras no epílogo Às vezes aquelas que imaginávamos cadeira cativa viram ausências mas não menos história e outras que trocamos apenas dois ou três dedos de prosa dependendo do momento são as que fazem o corpo do livro lia você já é mais que um parágrafo em minha vida beijos rosa rosa pena rio de janeiro-rj escritora professora e administradora de empresas publicou pretextos editora all print 2004 e ui rio de janeiro editora bagatelas 2007 É colaboradora na redacção da revista eisfluências mais em seu site www.rosapena.com futuro oco crianças exploradas rosa pena eu aqui no litoral elas no canavial eu dourando-me ao sol elas buscando milho no paiol eu cheia de endorfinas elas nas chaminés das usinas eu com cristais da baviera elas em compasso de espera eu bebendo mais um elas feitas de farinha e jerimum eu da vida sorrio elas o seco o vazio detonando rosa pena você é meu remédio sem bula o imperfeito mais que perfeito spa cheio de gula lado esquerdo no direito minha face oculta rodovia sem pedágio prêmio e multa eleição sem sufrágio veículo sem condutor sopro na orelha lobo e ovelha coisa confusa que se chama amor 9

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coluna de mercedes pordeus eisfluências i ii «um sorriso » antónio boavida pinheiro um sorriso é o que se sente e o que vai no coração seja aberto e transparente ou discreto na emoção se é amarelo é diferente do que é satisfação que aquilo que a gente sente no sorriso é sensação o sorriso é uma forma de aos outros comunicar seja ou não para agradar em simpatia se torna e afinal é só por isso que é tão bom ter um sorriso antónio boavida pinheiro dossanctus@gmail.com lírica humildade marise ribeiro hoje o sol demorou-se em acordar entre brumas rendeu-se ao prateado da lua brilho ainda projetado no céu que ele não vinha iluminar ontem ao vê-la plena se achegar e lhe dar seu olhar alaranjado recolheu-se feliz e enamorado a argêntea soberana vem reinar o reinado tornou-se deslumbrante num trono cravejado a diamante sublime criação das mãos de deus súdito ante a notável majestade o sol astro-rei em lírica humildade deixou a lua atrasar seu belo adeus amanhecer de 17/06/08 mcrgil@gmail.com as fendas do meu poetar glória salles quero só papoulas em meu jardim alicerces firmes em minhas paredes costurar poemas bordá-los em mim palavras sutis tecendo as redes nua de pudores despir os sonhos emprestar a vida sorriso e asas deixar as malas de sonhos bisonhos e destemida escancarar vidraças na florescência da fé achando o prumo a cada ciclo da vida deixar-me morrer nessas idas e vindas renovar-me renascer quero nesse compasso traçar o rumo pelas frestas do meu sonho viajar preenchendo as fendas do meu poetar sallesgloria@yahoo.com.br amizade luciane silva riqueza de incalculável valor amigo verdadeiro é um amor na escola fazemos amigos que se tornam irmãos unidos pelo mesmo objetivo todos cidadãos vivendo a democracia respeitando opiniões debatendo problemas encontrando soluções amigos são importantes seja inteligente tenha muitos irmãos e-mail lucilva@oi.com.b r mercedes pordeus é poeta escritora e divulgadora cultural É membro de diversas organizações culturais natural de olinda brasil tem promovido a história e cultura do povo pernambucano e brasileiro através de diversos meios culturais É chefe de redacção da revista eisfluências 10

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eisfluências i ii coluna de luiz poeta portugal pequeno ­ vila sapopemba ­ marechal hermes luiz poeta luiz gilberto de barros ­ às 16 h e 54 min do dia 21 de novembro de 2009 do rio de janeiro ­ brasil não é à toa que portugal me atrai para começo de conversa meu avô paterno chamava-se Áureo monteiro de barros o que guardo dele além do jeito autenticamente lusitano de falar são dois olhos muito azuis os cabelos muito brancos e um nariz que certamente deixou para mim alguns diziam que ele tomava banho de chuveiro com o cigarro aceso e o nariz era tão grande que o cigarro não apagava claro que nunca fiz esta experiência porque não gosto de cigarros e nem de charutos mas meu nariz ­ apesar de menor um pouquinho que o dele não nega as raízes o dna é inequívoco um cirurgião do hospital carlos chagas ­ onde trabalhei durante algum tempo como técnico de enfermagem ­ dr flávio bahia todas as vezes que me via provocava-me vamos operar este narizinho qual nada meu nariz nunca atrapalhou minha vida pelo contrário quando minha mulher me viu quem chegou primeiro foi o nariz que até hoje me dá um certo ar de fidalguia e porque não dizer sensualidade desculpem a modéstia quando minha filha michelle nasceu o nariz português também estava lá e ela reclamava que gostaria de ter puxado o narizinho da mãe há pouco tempo fez uma cirurgia e ficou mais linda ainda mas na minha opinião acho que traiu a nossa lusomorfia por parte de mãe está o meu avô alcino lobo de souza esse era baixinho e gordinho de rosto redondo minha avó é a adelina ventura de sousa com s preciso falar mais claro que temos também italianos na família além dos portugueses somos fruto dos zaniboni e obviamente nos orgulhamos muito disso mas portugal em 1960 mudei-me de bangu para marechal hermes bairro onde resido quando comecei estudar a história do lugar descobri que o nome original era portugal pequeno vila sapopemba que bênção como veem portugal me atrai ou sou atraído por portugal minha rua a general cláudio é repleta de portugueses e de vez em quando sou convidado para um casalinho um porto ou um periquita e aceito de bom gosto embora não despreze ou rejeite uma bela cerveja bem gelada ­ com colarinho ­ de preferência afinal o brasil é um país tropical e moro no rio de janeiro 40 graus aqui as lareiras perdem inevitavelmente para os condicionadores de ar mas voltando ao portugal pequeno ­ segundo historiadores o nome se deve um expressivo grupo de portugueses que aqui se instalaram produzindo e administrando os nossos primeiros estabelecimentos comerciais como padarias açougues quitandas e afins neste lugar as famílias portuguesas criaram seus filhos netos bisnetos tetranetos enfim completaram uma árvore genealógica imensa cujos filhos ainda residem por cá como marechal hermes era primitivamente uma vila operária os primeiros moradores que o construíram foram também os primeiros clientes dos primeiros comerciantes a maioria advinda de portugal vale lembrar que a capital do brasil hoje brasília era o rio de janeiro e nosso bairro fundado em 1913 deve seu nome a um dos nossos mais ilustres presidentes hermes da fonseca o homem que autorizou a obra trata-se de um local de tradição musical e o chorinho um dos nossos estilos musicais mais importantes ainda é ouvido em diversos estabelecimentos como tabernas bares e afins luperce miranda considerado um dos maiores instrumentistas do mundo morava em marechal hermes o bandolim brasileiro lembra muito a guitarra portuguesa e ouvi-lo é unir dois sons parecidíssimos o do fado e o do choro É isto irmãos noutra ocasião falaremos mais sobre o bandolim o cavaquinho e a sua relação sonora com guitarra portuguesa luiz poeta do brasil para portugal luiz poeta é segundo vice-presidente da academia pan-americana de letras e artes cônsul dos poetas del mundo delegado do portal cen ponte lusófona entre brasil e portugal diretor musical da união brasileira de trovadores diretor cultural da associação cultural encontros musicais e acadêmico do inbrasci instituto brasileiro de culturas internacionais e da academia pan americana de letras e artes fazendo parte de diversos grupos literários É colaborador na redacção da revista eisfluências colaborar com a nossa revista É contribuir para a cultura imprima-a e distribua-a na sua área especialmente em escolas e instituições de apoio social esteja em ligação constante com a eisfluências através do nosso blogue e acesse todas as revistas em http eisfluencias.wordpress.com 11

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opiniÃo eisfluências i ii dia nacional da consciência negra augusta schimidt dia 20 de novembro data de conscientização e reflexão sobre a importância do povo africano na formação da nossa cultura onde muito colaboraram nos aspectos sociais políticos e religiosos negro na historia brasileira povo escravizado explorado torturado e humilhado sem vez sem voz sem direitos por mais de três séculos viveu sob o regime de servidão era considerado um bem uma mercadoria sofreu todo tipo de rejeição cercado de preconceitos foi colocado à margem da sociedade que ele mesmo ajudou a construir com a assinatura da lei Áurea em 1888 ganhou a liberdade mas não a liberdade do preconceito e da discriminação por parte das instituições e da própria população apesar das evidências e das cenas contundentes que vemos todos os dias nos meios sociais ruas,escolas clubes shoppings há quem discorde afirmando que no brasil o racismo não existe mas existe e nada tem de cordial pois deixa marcas terríveis na vida de suas vitimas É preciso entender que ter consciência negra significa compreender que os negros são diferentes por pertencerem a uma raça e não por serem inferiores ter consciência negra significa não ter a visão elitista da história clássica brasileira responsável por afirmações falsas que resultam em interpretações distorcidas do processo histórico brasileiro desde o inicio a historia do brasil tem sido escrita com o sacrifício de vidas humanas dizimadas pelo projeto colonizador negros africanos arrancados de suas culturas eram trazidos para sustentar a colonização e transformados em escravos sofreram violências sevicias e mortes para construir a nação brasileira a idéia de que o negro se submeteu à escravidão sem reagir é uma grande falsidade pois ao contrario nossa história é em grande parte a história da luta do negro pela liberdade luta que se expressou em diferentes momentos e formas o negro sempre reagiu à escravidão muitas vezes suicidando-se muitas outras evitando a reprodução assassinando feitores e proprietários a fuga que por diversas vezes empreendiam constituía a forma mais comum de reação pois a partir dela formavam quilombos onde tentavam reconstruir suas raízes africanas nas matas brasileiras os negros também tiveram participação em importantes rebeliões nas épocas da colônia e do império no brasil a prática da democracia racial no ensino de nossa história é um dos mitos mais arraigados a realidade nos mostra que o que temos na verdade é uma espécie de tolerância racial símbolo da resistência negra contra a escravidão zumbi chefe do quilombo dos palmares na fase mais decisiva de sua luta ousava sonhar com a liberdade e igualdade dos homens em 20 de novembro foi morto e exposto num requinte de crueldade mas deixou um sonho o sonho da liberdade e através desse sonho zumbi está cada vez mais vivo em nossa história não só como herói do povo negro mas como um ícone da luta pela liberdade campinas/20/11/2009 10.15h augusta schimidt professora escrevedora de historia infantil tem várias publicações em coleções pedagógicas editadas pela opet e editora do brasil efemÉrides 15 de dezembro de 1859 ­ nasce ludwic zamenhof em 15 de dezembro de 1859 nasce em varsóvia ludwic zamenhof o criador do esperanto oftalmologista e filólogo seus idiomas nativos eram o russo iídiche e polonês mas ele também falava alemão fluentemente posteriormente aprendeu francês latim grego hebraico e inglês além de se interessar por italiano espanhol e lituano zamenhof criou-se na cidade de bialystok que naquela época era parte do império russo mas atualmente pertence à polônia naquela época falavam-se muitas línguas em bialystok gerando muitas dificuldades de compreensão entre as diversas culturas isto lhe motivou buscar uma solução para o problema e durante anos foi desenvolvendo o esperanto em um processo longo e trabalhoso continuou com os seus esforços apesar de no ano de 1879 ter aparecido o volapük que era um projeto de língua internacional criado por johann martin schleyer e que desapareceu depois do lançamento do esperanto zamenhof havia aprendido o volapük mas os defeitos dessa língua motivaram-no a prosseguir com os seus planos finalmente no ano 1887 logrou publicar um pequeno manual intitulado internacia lingvo língua internacional em esperanto com pseudônimo de doutor esperanto pois temia retaliações do governo russo contra seu projeto sua origem remete à profissão e à esperança de zamenhof ao lançar a língua para o mundo visto que esperanto em esperanto significa aquele que tem esperança apesar de a língua ter nascido apenas como lingvo internacia língua internacional ela recebeu o nome de seu autor com o passar do tempo palavra que acabou por se converter no nome de sua criação zamenhof morreu em varsóvia em 1917 os seus três filhos foram assassinados pelos nazistas durante a segunda guerra mundial os zamenhof eram uma família judia subsídios wikipédia pesquisa e composição carmo vasconcelos 12

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eisfluências i ii publicidade novidades vega editora sobre o livro william c carter o aclamado biógrafo de proust retrata as aventuras e desventuras do escritor francês da adolescência à idade adulta evocando as próprias observações sensíveis inteligentes e não raras vezes desiludidas de proust sobre o amor e a sexualidade através das suas cartas por vezes surpreendentemente explícitas proust é retratado como um homem dolorosamente dividido entre o medo constante da exposição pública da sua homossexualidade e a necessidade de encontrar e expressar o amor ao contar a história dos amores e desamores de proust william c carter demonstra também como as expe-riências amorosas do escritor se tornaram temas centrais do seu romance em busca do tempo perdido sobre o autor william c carteré professor de estudos franceses na universidade do alabama em birmingham especialista em proust e em literatura francesa dos séculos xix e xx é autor de marcel proust a life eleito pelo new york times um dos melhores livros de 2000 e de the memoires of ernest a.forssgreen proust s swedish valet 2006 É ainda co-produtor do documentário premiado marcel proust a writer s life e membro do conselho editorial da revista bulletin marcel proust press release editorial nova vega 244 páginas ano 2009 1ª edição preço 18,90 compras através do site http www.novavega.pt edição e distribuição nova vega alto dos moinhos 6a 1500-459 lisboa tel 21 77 81 028 fax 21 77 86 295 telemóvel 961621394 e-mail editorial@novavega.mail.pt www.novavega.pt 13

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livros e autores eisfluências i ii quem foi marcel proust carmo vasconcelos o amor é o espaço e o tempo medidos pelo coração marcel proust valentin louis georges eugène marcel proust foi um importante escritor e poeta francês nasceu na cidade de paris em 10 de julho de 1871 e faleceu na mesma cidade em 18 de novembro de 1922 a obra mais conhecida de proust foi em busca do tempo perdido um conjunto de sete novelas considerada uma das grandes obras da literatura do século xx É considerado um dos grandes escritores românticos do começo do século xx no ano de 1891 entrou para a faculdade de direito da sorbonne -proust preparou-se para seguir a carreira de diplomata porém desistiu para ser escritor fundou com alguns amigos em 1892 a revista le banquet escreveu para revista francesa la revue blanche em 1919 ganhou o prêmio literário francês goncourt pela obra À sombra das raparigas em flor principais obras de proust os prazeres do dia ­ 1896 em busca do tempo perdido ­ 1913 a 1927 no caminho de swann À sombra das raparigas em flor o caminho de guermantes i e ii sodoma e gomorra a prisioneira a fugitiva o tempo redescoberto paródias e miscelâneas crônicas 1927 jean santeuil obra póstuma de 1952 contra sainte-beuve ensaio obra póstuma de 1954 agradecimento a revista eisfluências agradece reconhecida ao jornal poetas trovadores a gentil divulgação chegou-nos às mãos o nº 50 do jornal dos poetas trovadores trimensário informativo literário artístico burlesco onde numa generosa gentileza do seu director o escritor e editor joão barroso da fonte pode ler-se a seguinte notícia eisfluências nova revista cultural online saiu em outubro o primeiro número de uma nova revista cultural que procura ser um refreshing no panorama actual via net/pessoa física diversificando entre poetas e escritores eventos actualidades notícias culturais político/sociais e outras mas sempre virada à directriz cultural nas suas várias facetas eisfluências é uma revista que tem na sua equipa de trabalho poetas e escritores brasileiros e portugueses que irmanados em torno da mesma língua procuram trazer aos leitores o que se lhes afigura relevante no plano cultural de periodicidade bimestral tem depósito legal na biblioteca nacional do brasil com uma pequena tiragem em papel sugerindo-se aos leitores que imprimam a revista e a distribuam na sua área a revista e dirigida por victor jerónimo portugal/brasil tendo como directora cultural carmo vasconcelos portugal o conselho de redacção é constituído por maria ivone vairinho portugal humberto rodrigues neto brasil luiz gilberto de barros brasil marco bastos brasil e rosa pena brasil contacto eisfluencias@gmail.com 14

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eisfluências i ii dando a palavra a o belo rodrigo octavio pereira de andrade o belo é a essência encontrada no nosso imaginário pois só há o belo quando houver um sentido diante da imagem refletida ao objeto o sentido do belo é subjetivo diante do objeto que possui o papel objetivo de informar o que lhe representa o belo possui um significado conceito e um significante objeto físico pois o belo sempre estará acima do seu criador diante de seu espírito à matéria ou seja o belo é a arte e arte é um símbolo que está acima do seu próprio criador assim sendo não só o poeta o pintor o escritor o artesão são os donos do imaginário por serem artistas pelo dom da criação mas também as pessoas comuns pois possuem ambas tudo em relação à imagem só que não estão capacitadas a distinguir a essência da matéria ou seja o corpo do espírito diante do belo o pensador socialista italiano antonio gramsci 1891 ­ 1937 diz todos os homens são intelectuais mas nem todos os homens desempenham na sociedade a função de intelectual hoje vivemos num momento contemporâneo onde o belo se encontra em difícil definição aos seres comuns que vivem do consumismo da matéria esquecendo o espírito do próprio objeto deste modo o belo é interpretado como o natural da imagem do ser em constante funcionamento a serviço da criação da matéria através do espírito imaginativo perante a isso,fica arte fica o nome para história e se vai o homem que fez a arte e que teve um nome rodrigo octavio pereira de andrade natural de cabo frio-rj nascido em 29 de setembro de 1977 poeta pesquisador ativista cultural e professor conselheiro islâmico de assuntos shiita do centro estudantil Árabe iman ali de são paulo-sp.conselheiro de assuntos sociais e culturais afro-brasileiro pela ftabh de são paulo-sp faculdade de teologia afro brasileira e holística livre ocupa a cadeira de n°29 na academia cabista de letras artes e ciências de arraial do cabo-rj email poesiarte@hotmail.com preciso quebrar o silÊncio por naldovelho preciso quebrar o silêncio libertar o verbo aprisionado em mim desentranhar sentimentos materializar substantivos enfatizar adjetivos construir uma oração onde o tempo seja o eterno recomeçar preciso quebrar correntes revelar segredos atirar pela janela todos os meus guardados móveis tapeçarias utensílios quadros deixar a casa vazia inclusive de espelhos preciso me reconstruir por inteiro preciso telefonar urgentemente para aquele amigo que se fez ausente preciso saber onde errei e se ainda há tempo e se não errei preciso saber aceitar seu silêncio preciso abrir portas e janelas deixar o vento varrer toda a casa e que os pássaros invadam a sala preciso alimentá-los principalmente de amor preciso me apaixonar outra vez reler tuas cartas escrever outras dizer que te amo e ainda quê há tanto tempo ao meu lado te abraçar com ternura tratar de ti com cuidado preciso cuidar melhor do meu jardim regar na medida certa flores e folhagens podar alguns galhos secos retirar ervas daninhas partes amareladas apodrecidas preciso do abraço amigo dos olhos nos olhos sem máscaras da palavra que exorcize o medo de falar daquilo que gosto e ainda assim deixar bem claro que respeito quem prefira de um outro jeito e compreendo a vida que têm para viver preciso caminhar por este mundo respirar o ar que ainda posso rever lugares pessoas cidades varar madrugadas desertas saborear frutas colhidas sem pressa curtir o som das águas de um rio a lapidar pedras margens caminhos sentir o cheiro da chuva das ervas escolhidas remédios preciso rever lua cheia e que não seja contaminada pelas luzes que vêm da cidade e ao amanhecer forasteiro num lugar distante de tudo entender que a vida podia ser diferente daquela que eu escolhi pra viver preciso acreditar que ainda existem muitas vidas a serem vividas e muitos outros lugares por onde eu possa me conhecer preciso caminhar pela praia sentir a areia entre os dedos colher pedrinhas conchinhas reencontrar aquela sereia mergulhar com ela nas águas pedir a benção madrinha licença pro teu filho vim te visitar preciso morrer daqui a algum tempo e que seja uma morte sem dor que eu encerre como se fosse um poema escrito por urgências de vida por inquietudes estranhas latentes e eu fiz o melhor que pude fui um poeta ainda que tardio da linguagem da minha gente pois sou caboclo mestiço cafuzo visceralmente confuso sem medidas métricas ou rimas confessadamente insano pelo muito que semeei preciso comer certas sementes deixar que elas germinem e no tempo certo floresçam dentro de mim naldo velho poeta compositor artista plástico natural de niterói brasil filiado à ane associação niteroiense de escritores à apperj associação dos poetas profissionais do estado do rio de janeiro e ao sindicato dos escritores do estado do rio de janeiro livro publicado mania de colecionador http naldovelhopoesia.blogspot.com naldoovelho@yahoo.com.br 15

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