eisFluências - Revista Literária e Informação

 

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eisFluências - Revista Literária e Informação eisFluências - Literary Magazine and Information Revista de Agosto de 2010 Magazine August 2010 Revista literária e informação em lingua portuguesa e eventualmente com artigos em espanhol Literary mag

Popular Pages


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issn 2177-5761 issn 2177-5761 9 772177 576008 revista bimestral agosto/2010 ano i núm vi aristides de sousa mendes um herói que parece continuar esquecido nos livros de história por carmo vasconcelos vi há dias a notícia de que este grande português foi homenageado numa emocionante cerimónia na embaixada de paris portuguesa que sou e cuja infância coincidiu com o princípio e o fim da 2ª guerra mundial recordo-me vagamente de ouvir falar dele à boca pequena que a mais não era permitido pelo então regime salazarista hoje memória avivada não resisto a falar-vos deste homem modelo de elevado altruísmo que mesmo sabendo incorrer em grandes riscos não hesitou em desobedecer às ordens superiores para seguir a voz da sua consciência carmo vasconcelos aristides de sousa mendes do amaral e abranches foi um diplomata português nascido em cabanas de viriato distrito de viseu a 19 de julho de 1885 foi cônsul de portugal em bordéus no ano da invasão da frança pela alemanha nazi na segunda guerra mundial sousa mendes desafiou ordens expressas do seu ministro dos negócios estrangeiros antónio de oliveira salazar cargo ocupado em acumulação com a chefia do governo e concedeu 30 mil vistos de entrada em portugal a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da frança em 1940 aristides de sousa mendes salvou dezenas de milhares de pessoas do holocausto chamado de o schindler português sousa mendes também teve a sua lista e salvou a vida de milhares de pessoas das quais cerca de 10 mil judeus aristides pertenceu a uma família aristocrática rural católica conservadora e monárquica ele também católico e monárquico seu pai era membro do supremo tribunal pelo lado familiar sousa descendente de madragana benbekar de quem houve filhos el-rei d afonso iii esta senhora pertencia à comunidade judaica de faro cuja ascendência provinha do próprio rei david de israel aristides instala-se em lisboa em 1907 após a licenciatura em direito pela universidade de coimbra tal como o seu irmão gémeo ambos enveredaram pela carreira diplomática em 1909 nasceu seu primogénito tendo ao todo 14 filhos com sua mulher angelina aristides ocupou diversas delegações consulares portuguesas pelo mundo fora entre elas zanzibar brasil estados unidos da américa em 1929 é nomeado cônsul-geral em antuérpia cargo que ocupa até 1938 o seu empenho na promoção da imagem de portugal não passa despercebido É condecorado por duas vezes por leopoldo iii rei da bélgica tendo-o feito oficial da ordem de leopoldo e comendador da ordem da coroa a mais alta condecoração belga durante o período em que viveu na bélgica conviveu com personalidades ilustres como o escritor maurice maeterlinck prémio nobel da literatura e o cientista albert einstein prémio nobel da física depois de quase dez anos de serviço na bélgica salazar presidente do conselho de ministros e ministro dos negócios estrangeiros nomeia sousa mendes cônsul em bordéus frança aristides de sousa mendes permanece ainda cônsul de bordéus quando tem início a segunda guerra mundial e as tropas de adolf hitler avançam rapidamente sobre a frança salazar manteve a neutralidade de portugal pela circular 14 salazar ordena aos cônsules portugueses espalhados pelo mundo que recusem conferir vistos às seguintes categorias de pessoas estrangeiros de nacionalidade indefinida contestada ou em litígio os apátridas os judeus quer tenham sido expulsos do seu país de origem ou do país de onde são cidadãos entretanto em 1940 o governo francês refugiou-se temporariamente na cidade fugindo de paris antes da chegada das tropas alemãs milhares de refugiados que fogem do avanço nazi dirigiram-se a bordéus muitos deles afluem ao consulado português desejando obter um visto de entrada para portugal ou para os estados unidos onde sousa mendes o cônsul caso seguisse as instruções do seu governo distribuiria vistos com parcimónia já no final de 1939 sousa mendes tinha desobedecido às instruções do seu governo e emitido alguns vistos entre as pessoas que ele tinha então decidido ajudar encontra-se o rabino de antuérpia jacob kruger que lhe faz compreender que há que salvar os refugiados judeus a 16 de junho de 1940 aristides decide conceder visto a todos os que o pedissem a partir de agora darei vistos a toda a gente já não há nacionalidades raça ou religião com a ajuda dos seus filhos e sobrinhos e do rabino kruger ele carimba passaportes assina vistos usando todas as folhas de papel disponíveis confrontado com os primeiros avisos de lisboa ele terá dito se há que desobedecer prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de deus uma vez que salazar tomara medidas contra o cônsul aristides continuou a sua actividade de 20 a 23 de junho em baiona frança no escritório de um vice-cônsul estupefacto e mesmo na presença de dois outros funcionários de salazar a 22 de junho de 1940 a frança pediu um armistício à alemanha nazi mesmo a caminho de hendaye aristides continua a emitir vistos para os refugiados que cruzam com ele a caminho da fronteira uma vez que a 23 de junho salazar demitira-o de suas funções de cônsul apesar de terem sido enviados funcionários para trazer aristides este lidera com a sua viatura uma coluna de veículos de refugiados e guia-os em direcção à fronteira onde do lado espanhol não existem telefones por isso mesmo os guardas fronteiriços não tinham sido ainda avisados da decisão de madrid de fechar as fronteiras com a frança sousa mendes impressiona os guardas aduaneiros que acabariam por deixar passar todos os refugiados que com os seus vistos puderam continuar viagem até portugal o seu castigo no portugal de salazar a 8 de julho de 1940 aristides de volta a portugal será punido pelo governo de salazar que priva o diplomata de suas funções por um ano diminuindo em metade o seu salário antes de o enviar para a reforma para além disso sousa mendes perde o direito de exercer a profissão de advogado a sua licença de condução emitida no estrangeiro também lhe é retirada o cônsul demitido e sua família bastante numerosa sobrevivem graças à solidariedade da comunidade judaica de lisboa que facilitou a alguns dos seus filhos os estudos nos estados unidos dois dos seus filhos participaram no desembarque da normandia ele frequentou juntamente com os seus familiares a cantina da assistência judaica internacional onde causou impressão pelas suas ricas vestimentas e

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02 eisfluências agosto 2010 sua presença certo dia teve de confirmar nós também nós somos refugiados em 1945 salazar felicitou-o por portugal ter ajudado os refugiados recusando-se no entanto a reintegrar sousa mendes no corpo diplomático a sua miséria será ainda maior venda dos bens morte de sua esposa em 1948 emigração dos seus filhos com uma excepção após a morte da mulher aristides de sousa mendes viveu com uma amante francesa que segundo testemunhos da época muito contribuiu para a sua miséria aristides de sousa mendes faleceu muito pobre a 3 de abril de 1954 no hospital dos franciscanos em lisboa não possuindo um fato próprio foi enterrado com um hábito franciscano reconhecimento em 1966 o memorial de yad vashem memorial do holocausto situado em jerusalém em israel presta-lhe homenagem atribuindo-lhe o título de justo entre as nações já em 1961 haviam sido plantadas vinte árvores em sua memória nos terrenos do museu yad vashem em 1987 dezassete anos após a morte de salazar a república portuguesa inicia o processo de reabilitação de aristides de sousa mendes condecorando-o com a ordem da liberdade e a sua família recebe as desculpas públicas em 1994 o presidente português mário soares desvela um busto em homenagem a aristides de sousa mendes bem como uma placa comemorativa na rua 14 quai louis-xviii o endereço do consulado de portugal em bordéus em 1940 em 1995 a associação sindical dos diplomatas portugueses asdp cria um prémio anual com o seu nome em 1996 o grupo de escuteiros de esgueira aveiro homenageou-o criando o clà 25 asm aristides de sousa mendes em 1998 a república portuguesa na prossecução do processo de reabilitação oficial da memória de aristides de sousa mendes condecora-o com a cruz de mérito a título póstumo pelas suas acções em bordéus em 2005 na grande sala da unesco em paris o barítono jorge chaminé organiza uma homenagem a aristides de sousa mendes realizando dois concertos para a paz integrados nas comemorações dos 60 anos da unesco em 2006 foi realizada uma acção de sensibilização reconstruir a casa do cônsul aristides de sousa mendes na sua antiga casa em cabanas de viriato carregal do sal e na quinta de crestelo seia são romão em 2007 um programa televisivo da rtp1 os grandes portugueses promoveu a escolha dos dez maiores portugueses de todos os tempos sousa mendes foi o terceiro mais votado ironicamente o primeiro lugar foi atribuído a salazar e o segundo lugar a Álvaro cunhal em 2007 o barítono jorge chaminé realizou dois concertos de homenagem a aristides de sousa mendes em baiona e em bordéus em viena Áustria no vienna international center onde estão sediados diversos organismos da onu como a agência internacional de energia atómica existe um grande passeio pedonal com o nome do ex-diplomata português denominado aristides de sousa mendes promenade pesquisa e composição de carmo vasconcelos fontes biblioteca da autora e wikipédia carmo vasconcelos foi nomeada directora de eventos literários da academia virtual sala de poetas e escritores avspe http www.avspe.eti.br/poetas/carmo.htm a revista eisfluências apresenta à digníssima poeta e escritora portuguesa os nossos parabéns ficha tÉcnica director victor jerónimo portugal/brasil directora cultural carmo vasconcelos portugal responsável pela redacção mercêdes pordeus brasil design gráfico e composição victor jerónimo blogue http eisfluencias.wordpress.com contacto eisfluencias@gmail.com conselho de redacção abilio pacheco brasil humberto rodrigues neto brasil luiz gilberto de barros brasil marco bastos brasil maria ivone vairinho portugal rosa pena brasil correspondentes alemanha antónio da cunha duarte justo argentina maría cristina garay andrade bielorussia oleg almeida brasil elizabeth misciasci revista de eventos actualidades notícias culturais político/sociais e outras mas sempre virada à directriz cultural nas suas várias facetas propriedade de mercêdes batista pordeus barroqueiro recife/pe/brasil tiragem 100 ex distribuição gratuíta divulgação via internet depósito legal lei do depÓsito legal lei n° 10.994 de 14 de dezembro de 2004 biblioteca nacional brasil

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eisfluências agosto 2010 03 tudo se encaixa humberto rodrigues neto conforme cita o espírito rochester no livro herculanum psicografado por wera kriganowski o soldado romano quirilius cornelius fora deslocado da gália para servir em jerusalém onde ficou vivamente impressionado com as descrições sobre os ensinamentos e as curas de jesus resolveu então ir visitá-lo no cárcere onde o encontrou em prece fervorosa comoveu-se ao ver-lhe a face esquálida os olhos fundos e macerados e o corpo extremamente debilitado pelos sofrimentos atrozes a si infligidos dirige-lhe então as seguintes palavras mestre não posso conformar-me em que sendo tu tão bom e tão puro pereças assim de morte infamante deixa-me salvar-te toma a minha armadura este manto e esta chave abre a portinha que ali vês a qual dá para um corredor ao final dele encontrar-te-ás numa viela deserta dali irás à minha casa onde moram pessoas dedicadas que te facilitarão a fuga da cidade deixa-me morrer em teu lugar porque a vida de um soldado obscuro não vale a de quem como tu é providencial e benéfica aos enfermos e desgraçados jesus recusa a proposta mas promete aceitar-lhe o sacrifício não naqueles dias mas em futuro distante nas chamas de uma fogueira vamos agora a outro fato john huss teólogo notável nasceu em 1369 em husinec na checoslováquia tendo sido ordenado sacerdote em praga em 1395 desde logo simpatizou com as idéias de wycliffe reformador religioso inglês que negava o dogma da transubstanciação ou seja a transformação do pão e do vinho no corpo e sangue de jesus durante os sermões feitos na sua língua pátria apoiava a tese de wycliffe verberava a vida imoral da prelazia a ostentação do luxo e a simonia dos papas pregando o retorno do clero à vida simples honrada e dignificante praticada pelos discípulos do cristianismo primitivo na defesa de suas teses dirigiu-se a roma onde foi acoimado de herege e excomungado pelo papa alexandre v que considerou interdita a cidade de praga onde exercia o sacerdócio sem que isto o demovesse de suas convicções em 1413 foi intimado a comparecer ao concílio de constança para salvaguarda de sua integridade física e de sua liberdade ali compareceu munido de um salvo-conduto de segismundo rei da hungria e imperador do sacro império romano instado a reconhecer suas heresias e a abjurá-las afirmou que só o faria se provassem que eram contrárias aos ensinamentos da bíblia de nada valeu-lhe o salvo conduto que portava pois foi conduzido à fogueira no dia 6 de julho de 1415 sendo suas cinzas lançadas no lago de constança ao ser-lhe conferida a sentença olhou fixamente para segismundo que se encheu de vergonha ante a violação premeditada do salvo conduto que lhe dera caminhando para as chamas com invulgar serenidade e firmeza de ânimo dizendo estou preparado para morrer na verdade do evangelho que ensinei e escrevi john huss que é venerado como santo pelo povo checo nada mais era que quirilius cornelius aquele soldado romano que se oferecera ao sacrifício perante jesus e que renasceria em l804 quase 389 anos depois na pessoa de hippolyte león denizard rivail ou allan kardec conforme nos assevera o cronista kleber halfeld da revista reformador na edição de maio/2000 fontes enciclopédia barsa ­ 1969 moderna enciclopédia de consultas d.c.l ­ 1972 dicionário lello universal ­ 1964 delÍrio humberto rodrigues neto pressinto algumas vezes que me elevo a alcandorados cimos majestosos a uma bizarra região de gozos à qual em êxtase também te levo talvez lembrando algum viver primevo à mente vêm-me sonhos vaporosos de um tempo em que juntinhos e ditosos nós já vivemos e do qual me enlevo e é-me tão nítido esse tempo lindo luas auroras posso até retê-las nas mãos o seu tamanho comprimindo e vão meus dedos logo após contê-las revérberos de sóis em ti esparzindo e em teus cabelos debulhando estrelas s.paulo brasil sombra sou À minha esposa in memorian humberto rodrigues neto mera sombra ora sou do que fui antes nos meus constantes risos de euforia quando inda ouvia as notas fascinantes dos farfalhantes guizos da alegria meus tempos de ouro são saudade agora que não vai embora e fica aqui comigo como um castigo que me desarvora e no qual chora a dor que ao peito abrigo ontem sorrindo hoje a curtir a dor só vejo horror por onde a vista pousa só a fria lousa me restou do amor daquela flor que foi a minha esposa s.paulo brasil a natureza das vicitudes e das provas que suportamos pode também nos esclarecer sobre o que fomos e o que fizemos como neste mundo julgamos os fatos de um culpado pelos castigos que lhe infringe a lei allan kardec

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04 eisfluências agosto 2010 ser poetisa ©maría cristina garay andrade© muchas veces nos cuestionamos quienes nos dedicamos al arte por vocación de servicio asumiendo la realidad de un mundo materialista de consumismo frívolo y exasperado si realmente vale la pena consagrarnos a ser artífices de la cultura en lo personal y en carácter de escritora de género ensayista y finalmente poetisa el interrogante ¿para qué escribimos es frecuente porque me siento habitando en un mundo incompatible con el que en realidad convivo creando aislada un ambiente propicio para el despertar de las musas alejadas de ese infernal enjambre cosmopolita invadido por guerras hambre violencia trivialidades de estereotipos y bastante insubstancial visto bajo mi franqueza de criterios algunos conceptos vertidos creo que un poco erróneos ser artista es tildado como una conducta bohemia y reprochable no se lo ve entonces como un trabajo de construcción intelectual de amplia contribución a la cultura tal vez resulte de llevar una vida nocturna que optamos la mayoría de las/0s protagonistas admito que adoro las noches para concentrarme en ese estímulo especial que hace brotar espontáneamente en sortilegio el enlace entre la inspiración y la rima es mejor visto ir a trabajar tras un escritorio por dar un mero ejemplo que sentarse a escribir sobre el amor como utopía y sin embargo que grato nos resulta leer a amado nervo las rimas de bécquer alfonsina storni y otras/os en todas las épocas siempre resultó difícil la gestión artística por eso siempre existieron y existen aun los llamados mecenas impulsores del arte en la actualidad no falta el buen consejo de un facultativo que como relax y para quitarnos el estrés resulta óptimo leer un libro que beneficie nuestra autoestima visitar una exposición de cuadros o admirar esculturas como las fuentes de las nereidas de lola mora en mi país como haríamos para aprender si no hubiera quien escribiera libros de enseñanza como haríamos para evolucionar la ciencia si no hubiera científicos que documentaron sus descubrimientos o sus hipótesis ¿existiría la filosofía si aristóteles no hubiera dejado por escrito sus tratados es evidente que el arte genera progreso en la humanidad pero le falta ese reconocimiento planetario para darle la misma solvencia a quien quiera desarrollarse como artista científico investigador etc es lamentable pero finalmente los gobiernos darán mas presupuesto para fabricar misiles o armas químicas que para editar un libro de poemas en la historia de las antiguas sociedades lo que se ha hecho imperecedero y podemos llegar decir que resulta hasta inmortal es el arte en todos sus oficios pues a través del genio creador hemos podido vislumbrar culturas milenarias estampadas en piedra de esculturas pinturas y escrituras que nos da en conclusión que el mensaje a perpetuidad fue dado invariablemente a través del arte los avances en la actualidad siguen buscando antecedentes de pasados que hayan dejado marcados vestigios de la humanidad más remota hasta nuestros días y no hay nada más asombroso que eso suceda con los descubrimientos en excavaciones arqueológicas en busca de esos tesoros culturales que terminan siendo una noticia destacada por el hallazgo con gran resonancia ¿como hubieran hecho las sociedades prehistóricas para dejar sus huellas si no hubiere sido a través del arte esculpido en la roca no hubiéramos podido conocer nada de nuestros antecesores pareciera entonces que incursionar en el arte es un trabajo de oficio dedicar a la cultura la facultad que por naturaleza y disciplina intentamos de diferentes formas legar al mundo es perpetuidad de civilización adquirir fama o renombre internacional no estaba fijada en mi mente como un objetivo final ni pretendo llegar a ser un best sellers o mucho menos un premio nobel de literatura escribo sencillamente porque me nace espontáneamente y me cautiva hacerlo desde muy jovencita a estas alturas de mis acumuladas primaveras es determinación disfrutarlo como consagración exclusiva por el resto de mis días resulta a consecuencia de esta decisión alegar al ver hoy que soy reconocida internacionalmente según marcan los mapas que definen mis blogers en forma creciente en muchas partes del mundo la mayoría de habla hispana pero así también en otros países de disímiles idiomas sorpresa que reconforta mi espíritu e incrementa el estimulo de seguir por este camino a todas esas personas mi profunda gratitud por el empleo de su tiempo en leerme quiero remarcarles que no significan un puntito rojo en el mapa virtual del blog imprimiendo frías estadísticas de visitas sino todo lo contrario representan almas que entran en mi frecuencia y por tal concordancia deseo que les llegue mi fraternal amor por esa dedicación especial a quien les esta escribiendo ¿qué es ser poetisa entonces ser poetisa es en cada mujer tener un estilo propio una marcada personalidad y una formación filosófica en un horizonte de infinitos matices verbales ser poetisa tiene innumerables percepciones casi imposible de describirlas todas es como si un ángel a nuestras espaldas nos cubriera de sensibilidad los sentidos potenciando lo sublime que tiene el amor ser poetisa es el símbolo de la feminidad del alma dando su opinión bajo otros conceptos de ver la vida ser poetisa es libertad de pensamiento ingenio y talento ser poetisa es capacidad de creación y habilidad para hablarle al mundo sin temores ni condicionamientos ser poetisa es autonomía práctica diaria es constancia y es introspección rimarle al amor es una de mis grandes pasiones esas musas diosas inspiradoras de la música y las letras hacen la delicia de mi vida tal como le escribo al amor así lo concibo monte grande ­ buenos aires ­ argentina http mariacristinadesdemissilencios.blogspot.com http www.agregarte.com/salas/maria_cristina_garay_andrad e_1.php http mariacristinadiccionario.blogspot.com ser poetisa ©maría cristina garay andrade© nace en el alma la musa creadora de la poesía rodeada de arpas y liras le establecen sintonía vibra la esencia en su cualidad mas sentida ser poetisa es expresar percibiéndote poseída la pluma en el papel al amor le concede forma su imaginación con voces en realidad la transforma notas fluidas en rima el canto mágico asoma la tinta que apresurada velocidad del viento toma percibes la profecía tu vocación de ser poetisa las musas en el olimpo te bautizan como pitonisa con señales de sabiduría encienden estrellas las sibilas dotando de virtual seducción el mensaje que perfilas principio de autonomía energía cósmica divina nubes doradas te cubren el verbo que te domina el anochecer te envuelve de una dúctil melancolía y por inspiración te hallas pariendo una poesía monte grande ­ buenos aires ­ argentina

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eisfluências agosto 2010 05 meus tempos de criança rosa pena eu daria tudo que eu tivesse pra voltar aos dias de criança eu não sei pra que a gente cresce se não sai da gente essa lembrança ataulfo alves o cursinho de admissão que fazíamos para enfrentar o ginasial nos colégios da rede pública instituto de educação pedro ii colégio de aplicação nessa época eram os mais visados puxadíssimos a aula de história da bela professora marisa cabelos longos e negros estilo perla cantora de sucesso na época dava o maior ibope entre a garotada não só pela sua beleza mas por suas aulas ricas em informações lembro-me como se hoje fosse o dia em que ela começou a falar dos piratas após explanar o que definia pirataria começou a nos contar histórias sabíamos muito pouco somente das proezas do capitão gancho e olhe lá então o assunto ficou interessante tínhamos um colega de sala que adorava holofotes nele acha-se o poderoso dentro da nossa galera constituída essencialmente de classe média pois seu pai tinha um carrão bento em outras aulas já havia sido parente do marquês de pombal por parte de mãe do visconde do rio branco por parte de pai desta vez resolveu que alguns de seus antepassados haviam sido poderosíssimos piratas roubou a cena e com uma enorme euforia começou a narrar aventuras incríveis de seus primos em vigésimo grau cometendo mil maldades afinal todo flibusteiro tem que ser muito mau segundo o conceito peter pan a professora tentou com seu jeito meigo voltar à pauta da aula mas bentinho não permitia e extrapolou geral persistindo em falar da coragem e audácia dos seus primos caribenhos muitos roubos inúmeros assassinatos crueldade exposta como vantagem rios de tesouros legados a sua família nós com nove ou dez anos acreditávamos em quase tudo bobinhos graças a deus num certo momento afirmou que corsários não choram jamais mesmo ficando meses isolados do mundo em alto-mar Ó dó tão cedo e já com o conceito ou melhor preconceito contra as lágrimas masculinas dona marisa tranqüila aproveitou o gancho não o capitão e disse os piratas por viajarem muito tempo e conviverem somente entre homens muitas vezes acabam por praticar a homossexualidade a sala destacou-se pelo silêncio não se ouviram risos mesmo porque a professora conduziu o assunto com seriedade se fosse hoje teria dito ao bento com ironia se piratear já é crime olha mais um motivo para não fazê-lo acho que não teria dito nada não pois tenho certeza de que o menino naquele dia aprendeu muito mais do que ele imagina aprendeu que basta ser bento da silva e que homem pode chorar o quanto quiser chorar até porque não se é mais criança quando ainda se é do livro pretextos www.rosapena.com sara_mago rosa pena o mago não sarou emudeceu o escritor jamais sua obra não cala louvores a michelangelo eliane couto triska a torre luz em seus rendais dourados no alto os sinos cantam no beiral a criação a saga os pecados epopéia nas mãos do tribunal atrás do mundo na alma das dores os salmos oram no calar da hora maria ergue os mantos protetores e vai mais alto tu nossa senhora Ó homens são os ventos a ruína castelos muito além quem vai erguê-los se tombados da paixão que alucina só a beleza num gesto de louvor na capela sistina a absolvê-los pelas mãos prodigiosas de um pintor canoas junho/2009 sobre a autora escrever é minha liberdade e minha resistência eliane triska autora do livro os tempos e sua voz divulgação de rosa pena notÍcia argentina será el país invitado de honor en arles 2010 3 de julio al 19 de septiembre ­ francia la argentina asistirá como país invitado de honor al prestigioso festival internacional de fotografía artística de arles en francia entre el 3 de julio y el 19 de septiembre en esa ocasión los famosos les rencontres d´arles celebran su 50° aniversario realizando un homenaje a los 200 años de la revolución de mayo y exhibiendo la cultura argentina con prestigiosos artistas la presentación es organizada conjuntamente por la unidad bicentenario de presidencia de la nación la cancillería argentina y la embajada argentina en francia los artistas argentinos que presentarán más de un centenar de obras y fueron seleccionados por francois hebel director del festival de arles son león ferrari artista invitado de honor de les rencontres d´arles oscar bony marcos lópez gabriel valansi leandro berra sebastián mauri augusto ferrari david lamelas y marcos adandia la participación argentina se exhibirá en tres pabellones la capilla neo-románica de sainte anne desacralizada albergará la muestra especial de león ferrari en la cual se mostrarán obras fotográficas collages e instalaciones artísticas es la primera vez que ferrari expone en francia a su vez dos pabellones del conjunto arquitectónico parc des ateliers se destinarán a los demás artistas argentinos el ministro de cultura y comunicación de francia frederic miterrand inaugurará el evento donde las arenas del antiguo circo romano de arles serán el escenario de la noche donde se agasajará a los artistas argentinos figuras de la cultura personalidades y autoridades francesas en sus recientes viajes a buenos aires francois hebel destacó la imaginación y variedad estética de la cual hacen gala los artistas argentinos quienes reflejan la memoria inmediata argentina y la identidad latinoamericana la actividad forma parte de la agenda abierta propuesta por la presidencia de la nación que incluye a todos los actores sociales políticos y económicos se convierte así en un festejo descentralizado y federal los famosos encuentros de arles generan un gran número de eventos artísticos teatrales y musicales que se desarrollan en simultáneo y que atraen ­en pleno verano europeo a numerosos turistas de diversas procedencias unas cien mil personas visitan anualmente les rencontres d´arles fuente agenda de colectividades argentina ­ maria gonzalez rouco prensa bicentenário divulgacion de maría cristina garay andrade argentina

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06 eisfluências agosto 2010 notÍcia uma iniciativa inovadora na educação brasileira 1º congresso internacional de educação e espiritualidade 4 5 e 6 de setembro de 2010 centro de convenções rebouças são paulo ­ sp esse evento histórico inédito no brasil pretende discutir a inserção da espiritualidade na educação de maneira plural e interreligiosa os três eixos temáticos do congresso são saúde e espiritualidade educação e espiritualidade educação e reencarnação convidados internacionais drª.antonia mills universidade da nothern british columbia-canadá dr claude robert cloninger universidade washington saint-louis eua dr jim tucker universidade de virgínia eua profª laura lippmann diretora do education and data development child trends washington-eua drª marian de souza universidade católica da austrália dr przemys³aw grzybowski universisdade de bydgoszcz ­ polônia convidados nacionais prof alessandro cesar bigheto abpe dr alexander moreira-almeida universidade federal de juiz de fora ufjf-mg rabino alexandre leone usp judaísmo dr alysson leandro mascaro usp drª ana szpiczkowski usp dr andré andrade pereira uff ­ universidade federal fluminense dr andré luiz peixinho ufba universidade federal da bahia monja coen sensei budismo drª.dora incontri abpe/unisanta dr franklin santana santos usp dr frederico leão hospital joão evangelista/proser-usp dr joão francisco régis de morais unisal/unicamp dr juarez tadeu de paula xavier unicid tradições afro-brasileiras dr julio peres usp dr leonildo silveira campos universidade metodista protestantismo prof luis augusto beraldi colombo abpe dr luiz jean lauand usp catolicismo prof ney lobo prof tiago pires tatton ramos universidade federal de juiz de fora ufjf-mg programação completa inscrições e valores www.pedagogiaespirita.org.br abpe@uol.com.br 11-4032 8515 11-8155 8005

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eisfluências agosto 2010 07 o lanÇamento de uma antologia para a cidade natal marco bastos e maria inez masaro com muita alegria registramos o lançamento no dia 09/07 da antologia andradina prosa e verso que teve a coordenação de maria inez masaro alves e que reuniu trinta e três escritores que têm com a cidade vínculos de nascimento ou de moradia nas palavras dela no evento foram vividos momentos mágicos e isso seria mesmo assim raras são as oportunidades de associar um momento cívico o aniversário de uma pequena cidade com o reencontro afetivo e literário de vários amigos de infância e de adolescência que em busca de seus caminhos hoje se encontram em vários estados brasileiros e também em outros países não se tratava de uma reunião de textos e de autores mas tratava-se de ofertar à cidade o nosso presente de aniversário trazíamos lembranças saudosas sim mas tínhamos a consciência da importância do reatamento dos laços queríamos dizer que não ficamos estagnados mas que cultuávamos as nossas primeiras letras um dia registradas naquela singela antologia editada no tempo do ginasial confiávamos na qualidade dos textos na pertinência e acuidade dos conteúdos conhecíamos a escola as experiências e as trajetórias por outros livros publicados de quem vivenciou um mesmo tempo e/ou um mesmo espaço e modelamos a antologia para ser interessante diversificada e bela para que refletisse no limite das até vinte páginas de cada autor a criatividade que sabíamos existir os andradinenses natos não teriam uma temática pré-definida e demarcando a geografia contando trechos da história os andradinenses por opção de moradia abordariam coisas da cidade maria inez andradinense cidadã italiana cidadã serrana doutora em sociologia mestre em educação e pedagoga pela universidade de campinas criadora do círculo de leitura de serra negra professora universitária aposentada hoje faz pesquisa como pesquisadora colaboradora no centro de memória da unicamp no campo das ciências sociais é a conterrânea e contemporânea autora de pulseira de berloques ed 2009 que agora prossegue e lhes escreve nascemos em andradina cidade do noroeste do estado de são paulo população em torno de sessenta mil habitantes completa nesse mês de julho setenta e três anos minha família imigrantes italianos com a decadência do café já tinha lá seus representantes quando moura andrade fundador da cidade mandou erguer o cruzeiro e rezar a primeira missa para lá também acorreu a nossa dona cora a cora coralina de todos os brasileiros dona cora como a chamávamos adquiriu uma gleba de terra na zona rural e uma pequena casa na cidade situada na colônia das primeiras residências construídas na rua quinze de novembro pelo fundador assim os chegantes encontrariam abrigo e acolhida no povoado que se formava entre o plantio e a promessa da colheita dadivosa dona cora montou uma pequena loja de armarinhos loja borboleta e alugou uma porta do prédio de comércio que meus pais visionários do progresso da cidade rapidamente construiram na rua paes leme rua que seria a artéria por onde passariam lavradores boiadeiros tropeiros médicos advogados estudantes tropas de animais charretes caminhões com imensas toras jardineiras com muita gente carros e caminhonetes alguns luxuosos em 1945 andradina já tinha o curso ginasial para os filhos das primeiras famílias na década de cinquenta o ginásio se transformou em colégio estadual de andradina ceena e foi lá sob a orientação de professores formados em sua maioria pela usp e selecionados nos primeiros concursos públicos que nossa geração aprendeu o amor pela literatura quando nos propusemos a organizar a antologia fizeram-se presentes em nossas memórias as figuras das professoras de português que nos ensinaram a expressar nossas idéias sara ortiz e brasilina de souza vinicius calvoso o professor de latim que apresentou a origem vernácula de nossa língua e dos professores que nos obrigavam a pensar e a gostar da dialética da história maria anita nascimento e antonio nascimento de geografia e a da diretora professora neusa palo jurema que possibilitava tudo isso eram presenças constantes e inesquecíveis em nossa prosa e verso da primeira colônia onde morou dona cora resta apenas uma casa essa que fotografei na rua que hoje é dr orensy rodrigues da silva a presença de sua moradora a figura miúda de olhos vivos que se autodenominava roceira a doceira inigualável a cidadã ativa a poeta que começava a aparecer deixou marcas eternas em quem como eu teve o privilégio de ser sua contemporânea naquelas vermelhas terras de andradina andradina que deixamos em sua juventude como barcos aventureiros que jovens íamos à busca de novas promessas e nos espalhamos pelo mundo afora seja da coréia da bélgica dos estados unidos do canadá de salvador e de tantos lugares mais não nos esquecemos de nossa terra natal e voltamos para ela em sua maturidade não a reconhecemos em seu progresso dinâmico e agitado mas ela como mãe generosa soube ver em nós não a aparência física transformada pelas marcas do tempo mas o coração traduzido em palavras que voltou prenhe de agradecimento e de desejo de perpetuar sua história através do registro dos feitos de sua gente nossa antologia andradina prosa e verso foi o nosso presente entregue em um momento de festa reencontros saudades música e poesia como deve acontecer nas comemorações de aniversário daqueles que amamos e cultuamos.

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08 eisfluências agosto 2010 galhos verdes de mamona mauro pereira da silva te mando café moído cheiro de capim cortado onze-horas abrindo sob o sol de setembro arrebol cor de sangue tendo ao fundo uma revoada de andorinhas alegres te mando arroz batido em pilão saco de mexericas goiaba da boa melão vermelhinho açúcar mascavo um pouco de areia da rua por onde andaste em pequeno descalço e feliz te mando rosas azaléias mamão de vez suco de gabiroba e de tamarindo verde galhos verdes de mamona um céu roxinho um redemoinho vespertino de quando voltavas da escola o Álvaro guião e o asfalto até derretia de tanto calor te mando algo que hoje não tens algo que sentes ,que falta algo que o dinheiro não compra mando a ti mesmo a imagem daquele que se foi para sempre http www.youtube.com/watch?v wlqtnmaa6y moÇÕes de aplauso congratulaÇÕes e incentivo outogardas pela cÂmara municipal de andradina no evento de lanÇamento da antologia andradina prosa e verso maria inez masaro alves membro do conselho editorial da antologia andradina prosa e verso marco antonio de sousa bastos membro do conselho editorial da antologia andradina prosa e verso e criador do blog andradina.ning.com vicência brêtas tahan por sua contribuição à educação como professora na década de 50 walter ramalho miranda por sua contribuição como pioneiro do ensino superior em andradina neusa palo jurema ­ por sua atuação como diretora do ceena e pelas obras assistenciais na década de 50 divulgação de marco bastos poetas e prosadores jorge cortás sader filho são ambos os encarregados de manter a literatura viva poetas e prosadores salve interessante quando lemos um ou outro o poeta é sim um sonhador veja a sua produção quase a totalidade é sonho devaneio tristezas e exaltações amores que se formam amores que já não mais existem saudade exortação dizem que o poeta nasce não se faz acredito tem o dom de ver a pequena planta que nasce no muro velho e deste fato aparentemente tão comum transformar num poema celestial puro sonho mas a vida autoriza acaso você já olhou a mirrada flor que aparece entre tijolos procure vai ter uma surpresa É como se fosse um milagre não se sabe quem plantou não foi regada senão pela chuva o poeta vê e contempla depois passa para o papel muitas vezes parte para tarefas que são quase impossíveis de serem feitas cesse tudo o que a musa antiga canta que outro valor mais alto se alevanta camões os lusíadas pois bem e os prosadores costumam sonhar menos mas nem sempre são comuns os romances e contos que partiram de fatos ocorridos onde a fantasia entra como elemento catalisador seria cansativo enumerar obras e nomes que escrevem em português aliás tarefa quase impossível os cronistas estão sempre fantasiando a verdade já ouvi dizer que são os repórteres de fraque e cartola a elegância no escrever transforma a maldita e sanguinolenta briga no botequim num desentendimento num bar não sofisticado assim eu vejo os escritores estarei errado creio que não http aduraregradojogo24x7.blogspot.com/

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eisfluências agosto 2010 09 do nosso correspondente oleg almeida que coisa mais esquisita esse inverno tropical um sol deslumbrante que atesta a proximidade do equador fazendonos transpirar e um vento glacial que nos lembra por sua vez que não distamos tanto assim da antártida e as noites mal dormidas devido ao frio que passa através das finas cobertas e causa arrepios mesmo a quem conhece os álgidos invernos europeus vem aí meus caros leitores uma poesia escrita ao cabo de uma dessas noites e fraternamente dedicada aos habitantes do sul brasileiro pululam nas páginas de nossos jornais É a atena que caberia talvez enfrentá-la a brevidade é irmã do talento disse o famoso escritor russo anton tchékhov além de luminosos os versos de paula cajaty são concisos mas isso não quer dizer que a mulher moderna apenas corre de manhã corre no almoço e no cair da tarde corre até parada na esteira correndo pelo mundo e levada pela roda-viva do cotidiano negligencia o lado poético dele ou pior ainda não tem nada a contar sobre a sua vida seus sonhos suas angústias e aspirações eis a poesia uma noite aliás uma das menores do livro chega a noite e eu sozinha no quarto o sereno é meu amante o escuro me compartilha na cama qual a essência destas quatro linhas que apesar de sua aparente simplicidade valem um extenso poema ­ saudade do amor que foi embora premonição do amor que está por vir solidão existencial insônia crônica inalcançável felicidade e que fonte de inspiração as originou experiências vividas ou conjeturas verossímeis pois é a exuberância do conteúdo ombreia frequentemente a sobriedade da forma como se diz a bom entendedor meia palavra basta mesmo que se revele nela uma imensidão de causas e consequências todo escritor conhece aquelas inúmeras dificuldades que acompanham em regra o início de uma bem-sucedida carreira literária precisa-se de muita coragem para superá-las uma por uma chegando ao sucesso e reconhecimento quando um pássaro quer voar ­ diz paula na sua poesia primeiro voo ­ ele não testa não é na marra tem que acertar de qualquer jeito tem que se jogar de lá de cima e pegar o jeito na asa e ele só faz isso só se joga no vazio porque precisa voar quando sente a certeza do voo dentro de si e esses versos significam que sua fase de aprendizagem poética já terminou que está na hora de alçar altos voos tenho plena certeza de que o novo livro de paula cajaty lançado pela mesma editora 7letras que publicou afrodite in verso comprovará a maturidade criativa de sua autora a dona-branca se nossa vida fosse uma grimpa quem ousaria predizer as voltas dela em fins de julho meu irmão o sol divino assoma lá no céu abrasador e do inverno nós nos despedimos até indica tudo as calendas gregas contando já com a chegada dos calores mas o verão costuma demorar enquanto duas estações se enfrentam na luta pela primazia não merece nenhuma previsão do tempo confiança e para si puxando o cobertor ao cabo duma noite mal dormida resmunga a gente contra a dita dona-branca que de cristais gelados cobre novamente os trêmulos arbustos do jardim ainda bem que logo caia fora sem resistir ao nosso clima prazenteiro É desse jeito que se faz o que chamamos de lances do destino em geral não há glamour que seja infindável nem desventura que perdure vida adentro os anos passam diferentes um do outro mas cada um nos serve de lição portanto se ficar preocupado com um problema a mais não te contristes mano que tal você o comparar à dona-branca que vem apenas para se mandar mudando de assunto que tal falarmos sobre uma obra poética que li e resenhei com muito prazer afrodite in verso por paula cajaty na terceira parte dos célebres cantos de bilítis de pierre louÿs 1894 há um trecho maravilhoso ­ o mar de kypris a protagonista cortesã e poetisa grega bilítis vê o sol nascer sobre o mar mediterrâneo o mesmo que segundo um mito bem conhecido presenciou o advento de afrodite e de repente fica arrebatada com o vislumbre de mil lábios pequenos de luz sorriso da grande deusa multiplicado pelo constante vaivém das ondas e evoca um dos nomes sagrados dela kypris-que-gostade-sorrisos exatamente essa impressão ­ uma intensa luz que ilumina as imagens poéticas por dentro ­ surge com a leitura de afrodite in verso livro de estreia da carioca paula cajaty uma luz forte que todavia não queima a pele nem cega os olhos em sua maioria as obras de paula cajaty não geram tanto impacto quanto por exemplo as da autora brasiliense cristiane sobral ou melhor seu impacto é outro em vez de explodir a realidade com sua furiosa energia de contestação elas exploram-na sutil e delicadamente preciso de um doce que me dê prazer prefiro saborear pra esquecer do frio da vida ­ confessa paula na poesia delicatessen otimista por vocação ela deixa as mazelas sociais ­ pobreza violência amoralidade ­ fora do seu universo ensolarado esse é seu imperativo estético seria estranho se afrodite deusa de amor beleza e harmonia aparecesse no meio de uma saraivada de balas perdidas e denúncias de corrupção que voltemos por fim às nossas divagações hibernais esta foto representa um dos lugares mais pitorescos de gômel minha cidade natal o majestoso palácio dos príncipes paskiewicz situado num lindo parque bicentenário faz uma eternidade que não sinto a neve se derreter efêmera como a rápida juventude na palma da minha mão oleg almeida http www.olegalmeida.com/

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10 eisfluências agosto 2010 manoel fernandes filho luiz poeta luiz gilberto de barros ­ às 10 h e 29 m do dia 26 de junho de 2010 rio de janeiro ­ brasil especialmente para a revista eisfluências estamos na academia pan-americana de letras e artes no rio de janeiro onde farei uma palestra sobre o poeta baiano gregório de matos minha mulher me acompanha aguardamos a abertura oficial do sodalício sentados nas poltronas do auditório entre os convidados notamos que um homem nos observa nos olhos uma estranha bondade encabulados fitamo-lo dissimulada e discretamente repentinamente quebrando a angústia da troca de olhares suas intenções são timidamente reveladas ele nos chama e solicita com terna educação que apreciemos alguns livros que traz consigo tratase de um homem simples de gestos espontâneos e roupas aparentemente modestas para uma reunião acadêmica quanto custam ­ minha esposa pergunta apenas dois reais e cinqüenta centavos ela folheia um deles cauteloso detenho-me na análise do baixíssimo valor cobrado as obras são suas são todas de minha autoria todas ­ admiro-me que bênção É escrevi há muito tempo o preço é simbólico serve mais para a minha passagem ­ diz-me num sorriso tão simples quanto sua imagem observo o material pego um dos livros todos os volumes inclusive o dela são pequeninos de poucas páginas ­ umas trinta e pouquíssimas amareladas algumas folhas soltando-se manchadas pela ferrugem que se desprende dos grampos envelhecidos olha só que interessante ­ minha mulher mostra-me o dela ­ há poesias que contêm versos monossilábicos você certamente vai gostar interesso-me mais ainda diferentemente do exemplar escolhido por denise opto por outro com um título atraente malabarismos poéticos pagamos por que será que cobra tão barato pago para adquirir e para saber ­ será que o conteúdo é pobre o senhor poderia autografar para nós por favor com muito prazer sinto-me honrado com se chama o casal luiz poeta e denise o registro é simples como o escritor ao distinto casal luiz poeta e denise com os meus agradecimentos a letra é bem distribuída legível firme a assinatura entretanto é um pouco incompreensível mas o frontispício define o autor manoel fernandes filho ele agradece com o mesmo sorriso de pouquíssimos músculos um desses risos que parecem exprimir uma análise do ser humano que há na pseudo-onipotência dos pseudoimortais a presidenta convida os diretores para ocuparem seus lugares à mesa componho o grupo a seguir executa-se o hino nacional perfilamo-nos cantamos juntos meu olhar pousa nos olhos do homem que me fita perenemente da plateia ele faz coro connosco numa quase meditativa emoção fixando-se em mim com o mesmo sorriso tímido desconcentro-me erro a letra disfarço finjo ajeitar o bigode e a barba minha mulher diverte-se com o meu embaraço a canção termina sentamo-nos na mesa da presidência volto a folhear o livro que adquiri enquanto a pauta do dia e a leitura da ata da reunião anterior são discutidas Ávido recorro imediatamente à biografia quem é esse homem manoel fernandes filho nasceu na cidade de três rios ­ rj ­ a 17 de março de 1929 faço as contas 81 anos possui os seguintes certificados e títulos primário bacharel em ciências e letras pelo colégio pedro ii internato cirurgião dentista pela faculdade nacional de odontologia odontólogo 15 diplomas de cursos no liceu literário português e no real gabinete português de leitura 18 obras literárias publicadas membro de 8 academias brasileiras de letras e artes afins afins e afins e o livro custa apenas dois reais e cinqüenta centavos avanço preciso saber mais sobre o teor da obra trata-se de umacompetente síntese literária onde o escritor demonstra trovabecedário versos sem vogais ou sem consoantes textos de expressões monossilábicas quadras haicais sonetilhos livremetrismos afins ainda estou divagando tinha aberto aleatoriamente numa página em que um soneto de manoel iniciava-se assim amo esta vida sem temer a morte como cristão na morte vejo a vida sentindo que sem fé a vida é morte e crendo que com ela a morte é vida reflito sobre a antítese da estrofe e analiso a fugacidade do homem ante a perenidade do artista procurando entender a metáfora de uma suposta imortalidade acadêmica tão comemorada pelos vivos estou tão fascinado que meu enlevo só se quebra quando a presidenta benedita da silva o interrompe neste momento temos a honra de receber o nosso acadêmico e vice-presidente da apala luiz poeta que nos brindará com uma belíssima palestra sobre o grande poeta gregório de matos gregório de matos ué não era sobre manoel fernandes filho cada mulher que me beijou luiz poeta luiz gilberto de barros ­ às 23 h e 18 min do dia 8 de maio de 2010 do rio de janeiro ­ marechal hermes cada mulher que me beijou deixou comigo bem muito mais que só um beijo apaixonado um coração que um dia amou e fez de abrigo a sensação de ser feliz e ser amado cada mulher que traz de volta essa ternura tão indizível expressiva e tão fugaz me faz feliz quando a saudade me procura trazendo flashes de momentos passionais minha saudade é de cada uma delas e cada abraço cada afago e cada beijo tornou-se o sonho que o amor criava nelas quando a ternura misturava-se ao desejo todas as vezes que uma delas como eu sente saudades de um tempo sedutor imortaliza cada sonho dela e meu e eterniza cada instante desse amor cada mulher mais solitária que me quis e foi feliz com todo amor que eu pude dar beijou meus lábios com a ternura de uma atriz mas nunca viu meu coração representar bebendo ausÊncias luiz poeta luiz gilberto de barros Às 14 h e 25 m do dia 26 de março de 2010 do rio de janeiro marechal hermes tu bebes minha cara uma ausência que paira num silêncio desses tantos onde o olhar se fecha à insistência de um pranto que repousa em desencantos teus lábios saboreiam dessa taça etérea um delicado vinho branco que brindas com a saudade que não passa e sempre te sorri de modo franco a música convida-te o bolero transmuta-te enlaça-te ao teu par que diz com o olhar também te quero através de exemplos oriundos da sua própria verve um fazer poético ímpar em que mescla uma talentosa construção com estudos poéticos especiais abundantes em neologismos e sonhas num abraço sedutor mas quando tu começas a dançar teu filme se desfaz no teu amor http www.luizpoeta.com/

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eisfluências agosto 2010 11 aa anÔnimos anÔnimos marcelo pirajá sguassábia central de atendimento do aa ­ anônimos anônimos boa tarde com quem eu falo pergunta besta É lógico que não vou dizer ah é um dos nossos qual o problema alguma recaída claro por que acha que estou ligando pra ficar falando de mim que eu sou o máximo que eu faço e aconteço se telefonasse pra isso seria um indício de cura e conseqüentemente não precisaria ligar para o plantão na verdade não é bem uma recaída É uma reclamação ok senhor pode falar vou falar mas o mínimo necessário o suficiente pra que você me entenda e aconselhe na última reunião do aa vocês vieram com uma conversa que eu tinha de passar por uma prova de fogo tirar minha carteira de identidade bom num esforço sobre-humano saí pra providenciar aí o sujeito lá do poupatempo apareceu com um formulário que era um verdadeiro inquérito pra cima de mim queria saber meu nome endereço local de nascimento disse que precisava tirar foto imagina o absurdo tirar fotografia depois de 54 anos incógnito mas o senhor tem 54 anos e até hoje não tem identidade meu anonimatismo é severo grau 5 ­ quase 6 minha filha sim prossiga estou anotando anotando anotando o quê exijo que rasgue imediatamente seus apontamentos se alguém lê pode identificar o problema relatado com a minha pessoa e aí eu me torno conhecido respeite meu direito ao anonimato não se esqueça que essa regra consta no código de ética dos anônimos anônimos de fato senhor desculpe a indiscrição É bom que me respeite mesmo meu avô foi um sicrano inveterado meu pai foi um beltrano de marca maior e eu sou um fulano com f maiúsculo três gerações de gente que graças a deus passou despercebida por este mundo de pessoas que só querem aparecer uma célebre dinastia de desconhecidos da qual nunca ninguém há de ouvir falar tudo bem sr fulano pode continuar contando o seu problema alto lá um anônimo que se preza não conta coisa nenhuma a quem quer que seja ainda que a senhorita seja também uma anônima para mim sabe como é as paredes têm ouvidos os telefones têm grampos e há poucos lugares no planeta não esquadrinhados por uma câmera de segurança talvez estejamos ambos no momento sendo vigiados por um terceiro quem sabe um quarto quiçá um quinto só de falar já me apavoro mas senhor é preciso convir que anonimato tem limite limite só se for pra você o anonimato é a liberdade extrema é justamente a ausência de limite ninguém me cobra nada ­ nem deveres nem favores nem prazos nem satisfação de coisa nenhuma mas o senhor não tem amigos não trabalha trabalho numa sociedade anônima não tenho a menor idéia de quais são os meus sócios e tudo vai muito bem assim do jeito que está até pouco tempo atrás só aparecia lá na empresa pra assinar o pró-labore ia disfarçado de mulher mas desconfiei que estavam me reconhecendo agora arrumei um testa-de-ferro que cuida de tudo se passando por mim para que eu continue passando em brancas nuvens igualzinho o cara que assina este texto pra quem não sabe ele não existe É pseudônimo © direitos reservados o dedÉ marcelo pirajá sguassábia foi revendo forrest gump que lembrei do dedé o sumido porém inesquecível dedé estava ao seu lado no cinema na época do lançamento do filme quando num rompante inspiradíssimo ele lavrou a versão tupiniquim da filosofia do anti-herói americano a vida é como uma empadinha de rodoviária a gente nunca sabe o que vai encontrar nada do que o dedé dissesse era levado a sério por mais sérios que fossem seus enunciados e máximas consta que foi por volta de 1978 que o dedé cismou que o tempo estava passando mais rápido alardeava aos quatro ventos a singular constatação dispunha-se a chamar a comunidade científica pra comprovar por a+b a sua tese tinha toda uma teoria amparada por equações complicadíssimas cálculos quânticos e dízimas periódicas porém mais rápido ou não o tempo passou e a coisa ficou por isso mesmo uma figura o dedé pelo seu jeitão aloprado muitos o chamavam de lelé que maldade líder nato amava palavras de ordem e gritos de guerra adivinha no colégio quem era o presidente do grêmio o chefe da fanfarra o representante de classe o orador da turma lógico o dedé na faculdade estampava e vendia nos intervalos das aulas camisetas do che da plantinha de cannabis e contra o imperialismo ianque se havia alguém perito em arrumar uma confusão esse alguém era o dedé sem querer espalhava boatos e insultos difamantes semeando a discórdia por onde passasse aprontava todas e quando o tempo fechava escafedia-se em meio à turba se estapeando o dedé sumia com a leveza e a rapidez de um ninja aquele monte de amigos batendo e apanhando por causa dele e ele lá rindo e guardando distância segura do qüiproquó o dedé era também um diletante gastronômico e suas panelas assistiam às combinações mais esdrúxulas ­ macarrão doce sorvete de queijo com cobertura de azeite de oliva e polvilhado com orégano pato ao molho de fanta uva são muitas as recordações devia ter umas duas semanas de casado praticamente ainda em lua de mel e quem me aparece em casa de mala e cuia adivinhou de novo leitor o dedé disse que ia ficar só uns dias e uns dias para o dedé eram muitos mais exatamente 94 assaltava a geladeira sem cerimônia nenhuma esparramava-se no sofá da sala para ver televisão e urinava com a porta do banheiro aberta.

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12 eisfluências agosto 2010 o ecletismo era sua marca registrada no âmbito profissional chegou a gerenciar simultaneamente um bingo para a terceira idade um serviço de telemensagem e um quiosque de tapioca há cerca de dois anos aconteceu aquela que seria a grande guinada de sua vida com a pompa que a circunstância exigia abriu as portas do hair fashion by dedé portas que foram fechadas antes mesmo da tesoura de cabeleireiro cortar a fita inaugural por não ter sido expedido o alvará da prefeitura nunca testemunhei tão retumbante fracasso mais de 150 convivas entre autoridades convidados e representantes da imprensa local degustando sidra vagabunda e assistindo o fiscal lacrar o natimorto salão de beleza o sucesso do dedé com as mulheres era inversamente proporcional à sua desenvoltura como empreendedor tinha todas as que punha em sua alça de mira incluindo a filha de um promotor de justiça com a qual chegou a noivar e a quem dedicou uma canção de relativo sucesso na época finalista de um festival em santa rita do passa quatro e terceiro lugar num outro em ijuí não obstante essas heróicas conquistas o pai da moça se opunha ao relacionamento subestimando seus feitos e julgando-o indigno da filha afrontado e ávido por um revide dedé foi à luta e um mês mais tarde esfregou na cara do promotor uma medalhinha de menção honrosa no 12º pic piraporinha in concert e o cheque de r 75,00 a que fez jus convertido a uma seita pentecostal passou a levar uma vida regrada e produzia em sociedade com um cunhado pesos de porta com grandes figuras bíblicas como maomé isaac e matuzalém mas foi à bancarrota ao ter um contêiner de isaacs devolvidos o comprador alegou que os isaaquinhos rechados de areia trajavam suspensórios artefatos que ainda não estavam em voga naqueles idos distantes assim era o dedé esse ser que não existe © direitos reservados humor nonsense e sátira junte a isso algumas incursões no universo onírico e um tiquinho de prosa poética É este mais ou menos o meu estilo o não-estilo definido sou redator publicitário pianista diletante beatlemaníaco desde sempre e amante de filmes e livros que tratem de viagens no tempo blogs www.consoantesreticentes.blogspot.com www.letraemeredacaocriativa.blogspot.com elegia a alegria da vida essa alegria d oiro a pouco e pouco em mim vai-se extinguindo vai melros alegres de bico loiro Ó melros negros cantai cantai ando lívido arrasto o pobre corpo exangue que era feito da luz das claras madrugadas rosas vermelhas da cor do sangue rosas abri-vos às gargalhadas limpidez virginal graça d anacreonte mimo frescura força onde é que estais não sei Ó águas vivas águas do monte Ó águas puras correi correi eu sinto-me prostrado em lânguido desmaio e a minha fronte verga exausta para o chão cedros altivos sem medo ao raio cedros erguei-vos pela amplidão guerra junqueiro in poesias dispersas divulgação de victor jerónimo elegia 1938 trabalhas sem alegria para um mundo caduco onde as formas e as ações no encerram nenhum exemplo praticas laboriosamente os gestos universais sentes calor e frio falta de dinheiro fome e desejo sexual heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas e preconizam a virtude a renúncia o sangue-frio a concepção À noite se neblina abrem guarda-chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra e sabes que dormindo os problemas de dispensam de morrer mas o terrível despertar prova a existência da grande máquina e te repõe pequenino em face de indecifráveis palmeiras caminhas entre mortos e com eles conversas sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito a literatura estragou tuas melhores horas de amor ao telefone perdeste muito muitíssimo tempo de semear coração orgulhoso tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva aceitas a chuva a guerra o desemprego e a injusta distribuição porque não podes sozinho dinamitar a ilha de manhattan carlos drummond de andrade in sentimento do mundo divulgação de victor jerónimo

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eisfluências agosto 2010 13 o sol da bola brilha sobre a pÁtria campo de futebol ­ o altar da nação antónio justo o futebol expressa o sentimento das nações todos içam a bandeira e em cada cidadão rejubila a nação inteira nesta altura até a esquerda é patriota em nome da selecção enquanto a corrida para o título dura acabam-se as discórdias entre os clubes e as sobrancerias de classes e posições no reino do futebol a nação une-se por um momento e até a política consegue passar ainda mais desapercebida a nação deita-se a pensar em futebol e levanta-se a sonhar futebol no canto chão da rua encontra-se o chão da nação com o campeonato a mente popular estimula-se dando lugar à perdida memória colectiva da nação não fosse portugal futebol e o brasil carnaval e futebol por onde andaria a consciência de povo e a fama da nação porquê tanto interesse tanto entusiasmo tanta admiração em torno do futebol o homem não é de pau e precisa de festa precisa de ritos e liturgias precisa de pontos altos que o eleve da banalidade do quotidiano a liturgia profana da política é muito circunscrita e reservada só para alguns no futebol o campo torna-se no altar da nação aí a vítima é imolada à imagem dos ritos religiosos dominicais cada adepto levanta a sua prece ao seu ídolo de forma ordenada e recolhida nas bancadas no olimpo das nações os seus deuses continuam a comportar-se à maneira dos deuses gregos a nação vitoriosa paraguai até chega a dedicar um dia sabático para que o fervor do acto seja depois prolongado em acto de memória e como acção de graças aos deuses do poder a divindade da nação sacrificada nigéria e ofendida troveja do alto do seu olimpo castigos e actos de reparação para os seus sacerdotes com o futebol na orgia dos sentimentos ganham todos os contentes e os descontentes ele integra sentimentos e normaliza as tensões permite também picar sem fazer doer os jornalistas satisfeitos especulam em torno de jogadores e adeptos quando a equipa da nação perde chegam até a ir ao arsenal da história procurar motivos para aliviar o desconsolo da derrota uma sociedade ainda não desquitada procura pessoas com quem possa sofrer em conjunto e com quem estar orgulhosa no canto da rua apenas uma desafinação árbitros com atitudes desconformes mancham o azul do céu esperanças desiludidas as vítimas da canelada e da febre-amarela que por vezes chega mesmo ao rubro e das equipas castigadas com apitos arbitrários ou com golos oportunistas dos habituais espertos que jogam bem mas fora de jogo afinal também esta liturgia festiva mostra as suas limitações apontando para as carências do dia a dia banal enfim vive-se de gozos precários mas sempre à procura da felicidade também os políticos com a sua táctica procuram a proximidade do futebol e dos futebolistas num passe de jogo de alegria selecta baralhada na alegria popular espontânea a política serve-se louvando instigando comentando chama-lhe um figo em campanha da promoção neste momento todo o mundo é solidário oprimidos e opressores cantam a mesma canção o banho ocasional dos políticos nos sentimentos positivos do povo só traz vantagens além da certeza de serem citados nas notícias e mostrados no telejornal.o espectáculo torna o governo mais amado e o jugo esquecido desvia do dia a dia as elites das rasteiras têm mão no jogo e o jogo na mão em campo não há crise todo o mundo joga e ganha a guerra doce serve a globalização contribui para a identidade da nação alivia do saber que faz doer e serve a bolsa da promoção para os críticos resta a demarcação de s mateus que dizia nem só de pão vive o homem de resto a nação cumpriu a sua função de trabalho e de distracção se faz a ração 2 de julho de 2010 antónio da cunha duarte justo alemanha o motor da uniÃo europeia em dificuldades abismo entre pobres e ricos cada vez maior na europa antónio justo segundo um estudo do instituto alemão para investigação económica diw que acaba de sair na alemanha cada vez há mais pobres e estes são cada vez mais pobres ao mesmo tempo aumentam os ricos e a classe média diminui o estudo refere-se à média do vencimento mensal líquido disponível por pessoa no orçamento do agregado familiar o estudo constata que de 2000 até 2009 a percentagem de pobres passou de 18 para 22 cfr soep berechnungen diw tendo o seu rendimento médio descido de 680 para 677 euros por pessoa a percentagem dos ricos aumentou de 15,6 para 16,6 da população os ricos contam no seu orçamento familiar com 2.672 euros líquidos por pessoa a classe média de agregados familiares com vencimento médio passou de 64 para 61,5 da população a classe média usufrui dum vencimento em média de 1.311 euros por membro do agregado familiar como orientação para a qualificação de pobre ou rico o diw partiu da média do orçamento familiar single que é de 1.229euros isto é ganha menos de 50 do que os ricos e mais do que 50 do que os pobres assim pobre é quem dispõe de menos de 70 daquela quantia 1229 euros isto é menos de 860 euros mensais rico é quem dispõe mais de 150 daquela quantia isto é mais de 1.844 euros por mês as medidas de poupança do governo agora apresentadas vêm aumentar os contrastes sociais poupando os ricos a classe média cada vez se encontra mais confrontada com o medo de descer para o grupo dos pobres um sistema que desestabiliza a classe média ameaça a estabilidade social a quem acompanha o desenvolvimento da sociedade alemã e dos países mais potentes da eu constata que os governos fomentam as empresas fortes com as poupanças efectuadas na classe média e pobre para aqueles poderem investir no estrangeiro em nome da globalização fomentando assim um turbo-liberalismo à custa da classe produtora a economia depois da grande guerra fomentou a imigração trazendo os migrantes para as suas fábricas o turbo-liberalismo a partir do da introdução do euro passou a mobilizar o capital para o estrangeiro investindo junto das potenciais massas consumidoras principalmente na Ásia o sistema económico vigente deixou os países sós com os potenciais conflituosos de guetos de imigrantes e agora leva o dinheiro dos trabalhadores deixando atrás de si um vácuo com desemprego e uma crise catastrófica que irá provocar grandes convulsões sociais uma economia irresponsável para com as pessoas e as nações não pode continuar a assegurar o seu futuro à custa da exploração do homem e dos países menos desenvolvidos as pragas que acompanham o sistema económico são possibilitadas por um sistema político que à margem do cidadão e dos países corre atrás do dinheiro baseando-se no pragmatismo egoísta 16 de junho de 2010 antónio da cunha duarte justo http antonio-justo.blogspot.com

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14 eisfluências agosto 2010 bolero de ravel por elizabeth misciasci uma enorme poltrona de balanço num canto da sala aonde ao repousar seu corpo cansado alimentava a recordação de fatos passados o imenso cômodo que alojava inúmeras peças de arte naquele momento tornava-se apenas um refugio que de forma aconchegante acolhia uma mulher e seus pensamentos com uma taça de ca bianca barolo nas mãos e impulsionando um balançar suave podia contemplar seus dias observando a garoa fina que pela fresta da janela despia-se aos seus olhos prevendo o fim daquele tempo temendo adormecer ana que só tocava bolero de ravel ousou chopin e retornou aos seus imperiosos pensamentos lá estava um corpo e um coração hospedados em um cobiçado vison francês se delatando em fantasias imbuída no tinto vinho que lhe adoçava o paladar inclinou o olhar e passou a fitar diante de si um oculto ser que lhe retirando a taça das mãos convidoulhe a uma dança por onde entrou pra onde iria estava bem longe de um mérito a ser julgado bem como sem poder precisar se tratava de um imaginoso sonho ou emane fantasia deixou-se levar tentou desvendar quem seria o enigmático ser a acompanhá-la naquela estonteante aventura mas fazendo-se nublada visão desistira apenas se permitindo as lembranças que a levaram no início da noite aquela poltrona de balanço já se faziam fortuito passado e entre gargalhadas rodopiava atrevendo-se a compor letra já sob a quinta sinfonia eis que o soar insistente da campainha forçava ana a recobrar os sentidos o perfume de grama molhada era substituído por um forte cheiro de álcool predominante por todo o ambiente desperta com a presença de mais uma vizinha que chegava para visitá-la defrontou-se com sua dura verdade naquela humilde cama centralizada no quarto do barraco em que vivia passou os dedos por cima da colcha de retalhos que lhe encobria do frio e pressentindo a presença mórbida e ao mesmo tempo perigosa do companheiro que embriagado dormia num colchão ao lado chorou ana havia surtado agora queria morrer quisera eu elizabeth misciasci quisera eu ter a sabedoria dos mestres para entender o sentido do que se faz intangível por conveniência e presunção sendo apenas privilégio de poucos quisera eu ter o poder de aniquilar a desigualdade o preconceito o desancar e o abandono que acompanha os miseráveis impiedosamente desajudados quisera eu ter a supremacia para exterminar a luta armada recomeçando do nada resgatando tantas perdas que a memória não perdoa reescrevendo a história quisera eu ter a perseverança do insigne que se torna altivo quando em desagravo não se omite conscientiza e aplica sendo o mister pra fazer e distribuir justiça quisera eu ter o dom da envolvente palavra que adoça e acalenta sem a pugna desgastante a desviar-me dos imorais conflitantes extinguindo dores e desafetos enfim quisera eu ter a perfeição da fala fazendo me entender e se estender com excelsa maestria e assim agir em cada linha em toda frase feito uma sublime magia á resgatar o que se perde pela vida transformando letras e versos na mais pura poesia todos os direitos autorais reservados à autora www.eunanet.net www.eunanet.net/beth www.revistazap.org absinto elizabeth misciasci fui além dos sonhos caminhei em terra firme mas fiz do alto parada plainei nas nuvens levitei em melodias bradando aos quatro cantos do universo pedi paz falei de amor aos surdos de emoção fui além dos segredos e selando laços silenciei perpétuos serão os dias que entre confidencias estive perto presente que de tão distante fez parceria cúmplice do fascínio arrastei madrugadas editei meu tablóide recontei outros contos entreguei o corpo e a fala aquém dividi uma taça de vinho e o cálice de absinto amante provei lábios amargos mas sem recusas deixei pousar os doces beijos de outras bocas fui além das palavras resguardando a razão tornei abrasivo o poder de solver as dores da alma dei razão e guarida ao desejo do querer ardil permissiva trocando sangue por mel deixei sugar até a última gota fui além do olhar que tantos poetas declamaram incitando o verter de lágrimas não contidas e apaixonadas que derramei fui além muito além!

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eisfluências agosto 2010 15 sinfonia abilio pacheco por conta de crescente aperto nas finanças pouco a pouco tiveram que se desfazer dos móveis e utensílios a começar pelos menos essenciais até que venderam o piano de gabinete que ocupava espaço mas preenchia o tempo vão com ledos solfejos e suaves sustenidos no lugar puseram uma mesa sem graça de madeirite a esgarçarse nela a pianista se punha como antes nos mesmos horários deslizava os dedos ­ com a costumaz habilidade ­ pela superfície de teclas imaginárias inclinava a cabeça fechava os olhos balançava o corpo às vezes cantarolava mas na mesa não resvalava tocava ou triscava os demais da casa mantinham a mesma rotina punham-se calados ao chá ou café ao tricô ou crochê ou apenas folgavam deveras ao som do instrumento ausente não custa que logo logo empolgada e distraída a moça tocou mais forte o teclado a melodia inebriou mais ainda os presentes as notas trouxeram não sei que contentamento preencheu espaços da casa e transbordou pela confusa e incrédula vizinhança in pacheco abílio deurilene sousa org antologia literária cidade poemas contos e crônicas ­ volume iii belém l&a editora 2009 pág 12 ouça a entrevista concedida a cleiton cesar durante o programa o liberal cbn belém falámos sobre o prêmio literacidade sobre a antologia literária cidade e sobre meu mosaico primevo para ouvir a entrevista acesse http abiliopacheco.com.br/2010/06/17/entrevista-no-liberalcbn-belem abilio pacheco erínias abilio pacheco fatigado escrevo em transe imerso em denso sono entre alaridos e vozes e sob luzes vertiginantes escrevo mas só não basta garatujo esgaravato no tártaro do tinteiro o sono das trevosas fúrias tremo e temo porém teimo que perigos reservados para quem avança em vão na tarefa de acordá-las entretanto insisto escrevo e elas por meus esgaravos soltam gritos ensurdantes uivando injúrias infames aborrecidas e em garras levantam-se as justiceiras avançam-me sem retardo e roubam-me de toda voz tento ainda um verso à toa mas de mim despertas dizem que nenhum mortal como eu tem direito de invocá-las in pacheco abilio mosaico primevo belém ed do autor 2008 pág 13-4 saudações literárias eis o convite para o lançamento da antologia literária cidade volumes iv v e vi dia 02 de setembro de 18:00 às 21:00 local estande do escritor paraense durante a xiv feira panamazônica do livro em belém notÍcia 80º aniversário do conservatÓrio de mÚsica de pernambuco durante o mês de agosto entrada gratuita informações 81-3183-3400 www.conservatorio.pe.gov.br

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