Confrades da Poesia77

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VIII | Boletim Bimestral Nº 77 | Julho / Agosto 2016 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 8,13,16,20 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneir os: 4 Retalhos Poéticos: 5 Confr ades Letristas: 6 Tribuna do Poeta: 7 Contos e Poemas: 9 Bocage: 6,10,14,22 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Pedestal da Poesia: 23 Ponto Final: 24 EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fr ater nal e poético. Pr etendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono" ; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que pr aticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 José Jacinto Telmo Montenegro António Barroso Pedestal da Poesia pág. 23 Nesta edição colaboraram 67 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Air es Plácido | Alber tino Galvão | Alfr edo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Bar r oso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lauro Portugal | Lili Laranjo | Luís Filipe | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vó Fia | Zzcouto | …

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «A Voz do Poeta» “Amarguradamente” Doce Palavra Mãe APENAS SAUDADE Às minhas netas Fizeram-te carregar Os tijolos da amargura Como escravo a trabalhar Até o ferro dobrar Vais crescendo em desventura… Tu, criança amargurada No meio da escuridão Por humanos explorada Esconderam-te a alvorada Em troca de um magro pão… Escavas a tua dor Tua sina amargurada Não sabes o que é o amor Deram-te arma e labor E um saco cheio de nada… Fizeram-te prisioneiro Exploram tua inocência No trabalho em cativeiro És escravo verdadeiro Um menino sem clemência… As meninas no tear A tecer amargamente O fio que irá tapar O corpo a desabrochar Crescendo inocentemente… És a jóia mais sagrada De todas que o mundo tem És uma musa encantada És doce palavra mãe. És estrela cintilante De insigne constelação Que ilumina meu caminho Guiado por tua mão. És mestra, és santa, és rainha Contigo aprendi a amar És parte da vida minha Que Deus de ti fez brotar. És todo o significado Que na vida faz sentido E me deixa muito honrado Só por ter de ti nascido... E a mensagem maior Que este poema contém É com ele agradecer-te Por teres sido minha mãe !... Euclides Cavaco - Canadá Fecho os olhos e vivo a minha infância E corro e salto ao eixo, lanço o pião, Jogo à bola no largo da estação, Longe da mãe e sua vigilância… Conheço bem a sua tolerância Se a casa chegar com um rasgão, Quer seja na blusa ou no calção, Venho inteiro, isso sim tem importância. Fecho os olhos e ponho no seu peito Minha cabeça, assim, do mesmo jeito Que eu punha quando era pequenino. Mas ao abrir os olhos fico triste, Desses tempos felizes nada existe Pois já não tenho mãe nem sou menino. Nogueira Pardal - Verdizela POENTE ALGARVIO Maria Eugénia - Sesimbra Terceira Juventude O VENTO. No pôr-do-sol, meus olhos de poeta Coam a luz vermelha, a fantasia, O mistério da hora, da agonia Do Astro-Rei chegando à sua meta. São aves que já voaram Por céus de amor e ternura E algumas penas deixaram Aos campos da amargura… Construíram os seus ninhos Criaram os seus filhinhos Mas esse tempo passou E nova vida aflorou… Podem de novo sonhar Bem alto ainda voar Nas asas da liberdade Em plena felicidade! Conceição Tomé – Amora Gélido esfarrapa-se o vento a ondear Da Natureza, o cenário, em tremelejo!... Cansadas…melancólicas…em desalinho… Juncam as folhas, o chão, em torvelinho. No intervalo do vento…sopra o vento! Em desacordes sinfónicos musicados Desnudando, da Natureza, a alegria Vestindo-a do cinzento a melancolia… Com rapidez radiosa de cometa, Desvanece-se em fogo o fim do dia E desse mar de sangue se irradia A profunda tristeza que me afeta. Poente algarvio. Tela de pintor Onde rubro e dourado são mais cor, O céu e o mar se fundem no carmim. Só pede a Deus minha alma pecadora Que, quando for chegada a minha hora, Me dê beleza igual para o meu fim. Filomena Gomes Camacho Tito Olívio - Faro Menção Honrosa Concurso Nacional de Sonetos - Faro/93 A Cigarra e a Formiga A Cigarra não trabalhou Ficou muito pobrezinha, Os seus desejos manejou Fez pouco da Formiguinha. Vou declamar o mais belo poema de amor Vou depois gravá-lo nas pétalas de uma flor Para quando o vento as soprar Todo o mundo poder escutar ...................... Jorge Vicente - Suíça Rogério Pires - Seixal

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 3 «Olhos da Poesia» A Bela Inês (Nos 650 anos da sua morte trágica) Mote 2 Uma grande paixão a traz insatisfeita. Sente-se injusta e má sentindo aquele amor. Decide extermina-lo à hora em que se deita, E quando acorda vê, que é cada vez maior. (Carlos Aguiar de Loureiro) Glosa Inês sente-se triste e vai rezar um dia A Santa Clara, e lá ninguém, de si, suspeita... Eis a causa real da sua nostalgia: Uma grande paixão a traz insatisfeita. Tricanas de Coimbra ao vê-la pensativa Emudecem seu canto no Choupal em flor... Inês presa a D. Pedro, e sem meio de esquiva, Sente-se injusta e má sentindo aquele amor. Faz orações contínuas a dama de Constança, E traí-la não quer, pois isso não aceita. Mas por que o afecto cresce e dia a dia avança, Decide extermina-lo à hora em que se deita, D. Pedro, enamorado, conta-lhe o que sente... Ela já vê tragédia... um fim de luta e dor. Seus sonhos são delírios... desse amor fluente, E quando acorda vê, que é cada vez maior. Clarisse Barata Sanches – Vila de Góis TERRA DA MINHA VIDA Recordo aqueles troncos imponentes, na serra onde nasci e fui menina. E nem sequer sonhava com a sina traçada sobre linhas resistentes. Fui ave nas ramadas mais ardentes e encostas maquilhadas de neblina. Ouvi vozes de brisa calma e fina falar-me de saudades já dormentes. Toquei nas rosas bravas das roseiras que trepam por memórias e ladeiras, deixando antigos cheiros no meu rosto. E vejo nesta terra mil peugadas dos beijos que não dei, nas madrugadas suspensas na agonia do sol-posto. Glória Marreiros - Portimão INÉDITO É… DAMA DO CAI-CAI Inédito é o soneto que ora leio nas linhas demarcadas do teu rosto, na fronte que te ausculto em devaneio, na boca que adivinho feita mosto. Deixara ela já de ser menina, Mas antes mulher feita, trajo à moda. Trazia um vestido. Pouca roda E curto pra mostrar a perna fina. Inédito é o teu corpo que tacteio com um prazer por mim nunca suposto, como alegre criança num recreio, a descobrir, brincando, um novo gosto. Vistoso sim, porém, alças não tinha. Havia luz nos ombros descobertos, Desejos tais nos meus olhos abertos, Que viam só dançar cada maminha. E porque sem tabus nos entregamos, és como relva fresca em mês de Agosto, e inédito é o meu sonho ao teu encosto. A dama joga as mãos, puxa pra cima E aquele cai-cai inda mais me anima, Pois é vê-lo cair que o homem sonha. E olhando o azul do céu que nos recobre, A par vem o marido, cão de guarda, inédita é a paixão que nos envolve, Fitando, irado, a minha cara parda, e sob o sacro manto nos amamos! Pois, só eu, afinal, tive vergonha. Carmo Vasconcelos - Lisboa Epitáfio para uma certa “Amizade” Lá jaz a Amizade em campa rasa Nem sequer chegou a adolescente Precoce aneroxia logo a arrasa Melhor foi a morte para a doente Um calor humano que não abrasa Gélido até que a deixa descontente Sem ter apoio, abrigo ou até casa Amizade sucumbiu precocemente Por ela até rascunho num cardápio Um sentido e dolorido epitáfio Que vou esculpir em mármore de Carrara Não tenhas pena poeta, qual arara Teu poema já dourou a tua Vida Por ele ganhaste a Terra Prometida. Tito Olívio – Faro clamo a alma na floresta densa onde o teu coração leveda... amanso o cavalo espavorido que roubou as pétalas de asa ao pássaro doce dos pinhais cerrados... no regaço do vento enferma o silencio doente da medusa... estou vivo... ...sem mim Jorge Cortez - Suíça Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau Olhar O Rio Tua leva as minha mágoas, E as penas deste meu triste penar... Eu escondo as lágrimas nas águas, Pelas muitas saudades de lá voltar! Silvino Potêncio - Natal/BR (in ; "POESIAS SOLTAS”) Olhar doce... Dá segurança... Olhar meigo... Ajuda a superar... A vida... A tristeza... A solidão... Mas... Ao ver os olhos... De verdade... E de Amor... Sentimos... Que os olhos... São mesmo... O espelho da alma... Lili Laranjo - Aveiro

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Pioneiros» A FAMILIA NO SEU MELHOR O que é uma família senão o mais admirável dos governos? Henri Lacordaire Um rouxinol!...E na hora do jantar a família reunida. Buson A família é como a varíola: A gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida. Jean Paul Sartre O símbolo familiar é, a união completa, Sem mexericos, invejas e…mais quês e porquês… Sempre que possam sentados à mesa d’uma vez, Conjugando pacificamente prá mesma meta! Seja família rica ou pobre, isto é lucidez, É bonito, exemplar, é mesmo ideia recta A prole, quando junta aprende logo directa, Como no futuro – bem próximo—pai e mãe fez A ventura está nestas alegrias familiares, Passeios! Almoços, planos são coisas ímpares, Que no meu ver é digno, certo e, auxilia… Tudo isto custa pouco, só compreensão, Entre todos, prestar ao pai e mãe a atenção, A paz é a verdadeira riqueza d’uma família! Nelson Fontes - Belverde / Portugal COMO O ROUXINOL! De quando em vez, cantei sempre o meu fado Sem treino antecipado dos compassos… Cantei como hoje canto, sem embaraços, Tal como o rouxinol, sem ter treinado! Faço o gosto ao bichinho, mais reservado, Sem me preocupar com certos traços… Eu vou seguindo a regra dos meus passos, E assim eu vou cantado ao meu agrado! Embora os instrumentos acatando, Tal como o rouxinol, eu vou cantado, Nunca segui no cante outra bitola… Quando o meu coração pedir que cante, Dedilho as minhas cordas, e avante… Respeitando a guitarra e a viola! João da Palma - Portimão Versos que choram somente Anestesiando a sua dor Colhem ais de toda a gente Nos versos do trovador Pinhal Dias - Amora Excerto do poema “Trovas Divinais” (In: “Uma semente de Vida”) Sem Fim Quanto tenho andado... Quanto tenho buscado... Não sei responder! Onde te escondes? Onde te mostras? São outonos? Verões? Vidas, Sem fim ou Um simples .............fim? Anna Paes – Brasília Uma Trova de Ademar Lágrimas... Águas em fugas, que de maneira inclemente, deixam escritas nas rugas, os sofrimentos da gente... Ademar Macedo – RN/BR (Saudoso Confrade) O silêncio dos ofendidos Viver acompanhado, e todavia Sentir-se só na casa que é de dois É comum nestes tempos, e depois De tristeza se vive o dia-a-dia E este sentimento de impotência Vai macerando a alma, e assim Cada um se pergunta; que há em mim Que mais não sou que uma transparência? E eis que chega a vez de responder Com o silêncio que há nos ofendidos Deixando ao outro vez de se doer E o que ao silêncio não quis dar ouvidos Um dia escutará a porta, que ao bater Com o fragor, abafa alguns gemidos! Eugénio de Sá – Sintra "Poeta é aquele que" com letras esculpe versos lhes dá vida e cor aos olhos de quem os lê transformando-os num jardim de mil flores dispersas que salpicam a natureza das mais belas sensações. "Poeta é aquele que" fala de amor e saudade mas também de dor e felicidade gravando da vida as emoções que embalam os corações. "Poeta é aquele que" desperta sentimentos escondidos no âmago do nosso ser e transforma a poesia em fraternidade ou liberdade para cantar e encantar e dá forma à vida até ela findar. Natália Vale - Porto Rei idoso, sem ter trono, vivendo um sossego terno, sinto passar meu Outono, mas à espera do Inverno. Tiago - Parede

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“Terceira Juventude” São tão belos e formosos estes rostos feitos de traços marcantes da vida que não morreu... Nestas linhas tão precisas no semblante cheias de sabedoria num tempo que se viveu... São tão doces e tão meigos estes rostos o amor e a bondade que a vida assim modelou... e no peito a verdade e a coragem superadas com ardor no seu pranto e na dor. São histórias envolvidas de tristezas num tempo de frustração… E os olhos de emoção onde fala o silêncio e a saudade a recordação à solta dum tempo que já não volta. Terceira Juventude não são peças de museu por isso há Natal no teu peito e no meu. Joaquim Maneta Alhinho Qtª do Conde A Aniceto Carmona Caricaturista Lápis e papel, arte. Uma figura à frente, e como um raio de sol tudo tão naturalmente... o lápis segue p´la direita ruma na horizontal, mete por viela estreita aparece na vertical. surge a meia altura em minutos apareceu a minha caricatura e de perfil como eu. parece tudo tão fácil porque a mão do artista, tem uma flor entre os dedos sublime golpe de vista. Airesplácido - Amadora Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Retalhos Poéticos» 5 MEU RECADO MOTE Que feliz o meu destino Desde a hora que te vi Julgo até que estou no céu Quando estou ao pé de ti (António Aleixo) GLOSAS Vou deixar-te o meu recado P’ra que possas perceber Como é tão bom viver Quando nada é um enfado Se, se é apaixonado. Pressenti-o como um hino Apelo quase divino Desde o tempo que nasci Porque esta vida escolhi! Que feliz o meu destino Assim que p’ra ti olhei O coração disparou Minha garganta secou E quase que desmaiei Pensei fugir…mas fiquei E, já dali não parti No momento decidi Que serias meu caminho Percebi que eras meu ninho Desde a hora que te vi Porém eu confesso, em suma Por muito tempo que passe No nosso amor, nosso enlace, Não há dúvida nenhuma A verdade ela é só uma Esqueço a negrura, o breu Quando te dizes só meu Deixo de sentir pavor Quando me falas de amor Julgo até que estou no céu Como este sonho nasceu Eu, bem ainda me lembro Nesse dia de Setembro Malhas que a vida teceu Quando tudo aconteceu Sonhei-te quando te vi Ao teu amor converti E não penso na saudade, Sou tão feliz de verdade Quando estou ao pé de ti Maria da Encarnação Alexandre Santarém Mais do que o que tu dizes, Considera o que tu fazes. Tem cuidado com os deslizes Que acontecem nos loquazes. CMO – Qtª do Conde Pesadelo Noite terrosa, úmida, que o frio Como um carrasco - ser covarde e duro Num gesto bruto, empurra-me aos baixios Olhos da noite. Sinto-me em apuros! Dois gelos negros trazem à retina, Auroras boreais abandonadas, Um tempo sem direito a travessia, Estrelas que não brilham. Valem nada! Olhos da noite, quais as direções Ao revelar aos céus teus embriões, Te voltas com as pálpebras abertas? Para mim? Me sucumbo à madrugada Como eu fora, tão só, cinza soprada Ao vento, que se agita e diz: Desperta!!!! Eliane Triska – Canoas / BR Ter saudade Ter saudade, é um estado de alma Que na vida, às vezes nos procura. É viajar num deserto sem vivalma, É viver num colo cheio de ternura. Se às vezes nos embala e acalma, Outras há, que nos rói com tortura. É como as flores daquela palma... Que podem ter espinhos e doçura! Ter saudade é termos o sentimento Que na vida há sempre o momento, Em que a soma dos anos - a idade, Nos põe na lembrança, as imagens De ternas, belas e longas viagens!... E transforma o amor em saudade! José Maria Gonçalves – Fernão Ferro SE a mentira se vendesse em qualquer supermercado haveria quem crescesse só por não ficar calado Falo de economia certamente que engloba os governantes é ouvir o que mais mente ... hoje muito mais que antes. Mente o ministro e o presidente e toda a assembleia naquele palácio tudo mente e nós a vê-los na plateia. Vitalino Pinhal - Lisboa

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» A Luís Vaz de Camões (lembrando o seu exílio na linda vila de Constância ) Prouvera eu não ousasse, mas ousei Alevantar meus olhos para aquela Que prometida estava por meu rei A fidalgo mais nobre e digno dela E assim, aceito este triste desterro Onde por régia ordem me verei Na contrição ditada por meu erro Que me sirva o castigo e aqui serei Mas este casario é tão formoso; Constância resplandece docemente Do Ribatejo é canto esplendoroso Contemplando dois rios, alegremente Neles me atenho pois c’o pensamento Posto na corte e na minha cidade Da primeira não choro o afastamento Mas de Lisboa, ah, quanta saudade! Vejo o passar das águas caudalosas Desta janela banhada plo sol Passam também as moças graciosas E a fronte se lhes banha d' arrebol E vou escrevendo versos ao meu Tejo Que daqui onde estou vejo passar A eles me dou como se fora um beijo Que as suas águas levassem pro mar Eugénio de Sá - Sintra Mulher e Mãe Mulher e mãe, foi junto do teu seio Que abri a porta mágica da vida. Tu foste para mim terna guarida, Serás eternamente o meu enleio. O calor do teu beijo sempre veio Nas horas da minha alma sucumbida. Quer no céu ou na terra, mãe querida, És a mão que me ajuda, és firme esteio. Mulher com diadema de luar Num castelo de amor, o nosso lar, Rainha que vestiu de pano-cru. Tua alma de cetim foi esse trono Onde eu, hoje, coloco o meu outono Pedindo a Deus que seja como tu. Glória Marreiros - Portimão ENCANTAMENTO Outono da Vida Há neste meu sentir, como que um freio, um não poder versar com precisão, porque habituada a pena a ler-me o seio, se vê ora impedida pla emoção. Foi como se um feitiço, estranho enleio, me tomasse da mente a vastidão, enredou-me a palavra de permeio, e deixou mudo o verso, inerte a mão. Enfeitiçado, o verbo fez-se encanto, bolbo informe que espera pra romper a terra madre donde o irei colher. Tal como a mãe Natureza Temos também com certeza O nosso Outono da vida Que vemos lesto chegar E podemos comparar A cada folha caída. O tempo sempre avançando Vai-nos enfim transformando Revelando a nossa idade Diminuindo o vigor E a grande força interior Que havia na mocidade. Sereno, aguarda o poema em gestação, pendente dessa mágica eclosão que me fará cantar todo o meu espanto! Carmo Vasconcelos - Lisboa Se não for interrompida Antes do Outono, a vida Nele viveremos mais Duma forma inteligente Muito mais intensamente Nossos dias outonais. EU QUERIA PEDIR AO TEMPO Eu queria pedir ao tempo Para ele voltar pra atraz Para eu reviver um momento Do meu tempo de rapaz Recordando a minha infãncia Alegro o meu pensamento Mantendo uma vã esperança Eu queria pedir ao tempo Não sei se ele vai ouvir Este meu pedido audaz Pois eu queria-lhe pedir Para ele voltar pra traz Este meu sonho impossivel De realizar, que lamento Voltar atraz era incrivel Para eu reviver um momento Voltar atraz sei que não O tempo não volta atraz Mas fica a recordação Do meu tempo de rapaz. Chico Bento Dällikon - Suiça Os dias são mais doirados E por nós apreciados Duma forma enternecida Depois serão sempre assim Até chegarmos ao fim Do nosso Outono da vida. Euclides Cavaco - Canadá GENTIL Não colhi a flor, Só aspirei o seu perfume... Não cortei a árvore, Só deitei-me a sua sombra... Não sequei o rio, Só me saciei das suas águas... Não fiz filhos, Só me deitei contigo por amar demais... Não só te amei Imortalizei nosso amor em poesia! Edson Gonçalves Ferreira Divinópólis -é escravo por profissão… (até quando ?) Tem de ouvir (a todo o momento) -a mesma “rela-rela”… segurando nos dentes o copo (para a esmola…) Ao fim do dia vai dormir (para o tapete) e no novo dia (continua o frete…) Santos Zoio. Paço de Arcos

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 7 Confrade desta Edição «José Chilra» Aerograma Mote Meu, mensageiro aerograma Não te demores por favor Vai a aliviar o drama No peito do meu amor I Longe de ti pátria querida, Meu pedaço de papel Levas aos meus olhos de mel A minha lágrima caída. Diz ao amor da minha vida Que a saudade, por si chama E o meu coração clama Paz e amor nesta terra Diz-lhe que aqui não há guerra Meu, mensageiro aerograma II Aqui na Guiné Bissau Não lhe digas que morreu Ontem um amigo meu Foi metralhada a sua nau. Diz-lhe que o clima é mau E que uma mulher de cor Lava-me a roupa, é um favor Por dez pesos semanais. Dá notícias aos meus pais Não te demores por favor III Não deixes subentender Que tive com paludismo E que ando a fazer turismo Com as melgas, prás entreter. Diz-lhe que não pode ser Dormir com elas na cama. A comida tem má fama A água não é tratada Bebo cerveja enlatada Para aliviar o drama IV Meu mensageiro confidente Contigo, já são uns mil Que envio desta guerra hostil Quase diariamente. O regresso ao continente É um sonho multicor Tenho á espera uma flor. Com o coração em estilhaços Para os juntar com abraços No peito do meu amor José Chilra (Tiago Neto) - Elvas Águas de todo o ano Sonhos Incolores * O Sonho é uma janela Ontem, vi passar uma formosa camponesa Com uma vidraça partida Caminhava com destreza, na via do encanto Mas, eu debruço-me nela Colhia flores do campo; bendita natureza Para ver passar a vida. Deixou-me a ela presa, ao caule do palanco * Debaixo dos meus cabelos Trazia Papoilas rubras, soltas, no cabelo Os dedos, com zelo, desfolhavam um malmequer Vão os meus sonhos brincando Às vezes com pesadelos Na garganta, um nó que fere, dito um novelo Deixam os meus olhos chorando. Quiçá, sem paralelo a formusura de mulher * Não me entendo com os sonhos Nos pés, trazia o barro negro da charneca Nem de noite nem de dia O rosto, tez de boneca com perfume de rosas Na boca, lindas prosas salivadas da seca E letras dum poeta com rimas cetinosas Porém, é com os mais risonhos Que me ligo à utopia. * Os sonhos Incolores Trazia espigas de oiro na fita do chapéu Fazem parte meu “SER” No bolso, um escrito meu, duma palestra São as saudades maiores No lenço, trazia a cor da giesta, feito véu De alguém que amo e quero ver. No alto do céu , vi a estrelas em festa! * A fala, tinha a rouquidão do cante negro O coração, batia a medo, por baixo do pano No colinho da demência Embalo sonhos profundos Para acordar a ciência Do seu amor, alentejano, guardava segredo Dividida entre dois mundos. E no olhar, um trevo , águas de todo o ano! Meus sonhos são pombas brancas Tiago Neto – Elvas Que voam no mesmo sentido Amor à poesia Trazem-me saudades, tantas Nas penas que tenho vivido. Os meus versos de calções Amigos de palavrões José Chilra - Elvas SOU COMO UM RIO Diz o poeta operário: Nas crianças nada é feio São alunos no recreio Brincando com o dicionário! Um dia, o destino tingiu a minha vida Com tinta diluída no meu peito aberto Como um rio liberto escorreu desmedida Quando sigo a emoção Palpita o meu coração De negro vestida tão longe e tão perto! À perda dum grande amor sobrevivi Por amor à poesia Porquanto estou aqui pela metade Ergue-se o ego e levita Por esta coisa bonita Que se chama literacia Resistindo com verdade sem álibi Só sei que já morri preso à saudade. Já li versos bem bonitos E até muito bem escritos Os anos passaram porém, está presente Esse amor latente, amor de criança Coração balança; olhar de quem sente Mas nenhuns iguais aos meus Não sou omnisciente Esse amor dolente que a visão alcança Vou dizer a toda a gente: Tive a ajuda de Deus! Não sou fingidor, se bem me conheço Tenho o que mereço a vida é assim Meus versos ameninados São elos interligados Agora por fim, já sou quem pareço Contudo, não esqueço esse amor de mim Por um cordão umbilical O sol de Agosto congelou-me em lugar frio Quando natos, dou-lhes vida A alma fica rendida Á poesia universal! Muito sombrio vislumbrei o horizonte Hoje, como ontem, neste meu lugar vazio Sou como um rio que chora na vazante! José Chilra - Elvas José Chilra (Tiago Neto) - Elvas

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ SOFRIDA AUSÊNCIA É DE SILÊNCIO O NOME… Folha seca Lembro dias d’alegria, dias de tristeza, Vividos a teu lado, ó doce Amada! É assim a nossa vida nesta jornada: Nem tudo são rosas, nem tudo é beleza. Passaram muitos anos, alguns já sem ti, Dolorosa passagem, dura realidade! Sofre meu coração de profunda saudade, Lamentando todo o tempo que não vivi. Porque te não tenho hoje, junto a mim, Ó meu doce e eterno Amor, minha vida, Se foste tu a minha verdadeira paixão? Quis o cruel Destino que fosse assim, Levando-te de mim, minha mulher querida, Para martírio de meu pobre coração. JGRBranquinho - “Zé do Monte” Quinta da Piedade, 25 de abril de 2016 Porque me abandonaste!? Certo que por ti fui sempre um cão mimado E com horas felizes e muito agradáveis Senti em teu lar que era cão desejado E também brindado por pessoas amáveis Cresceu, em adulto, perdeu as atenções Ser meigo! Não arraçado de nota mil… Que sofre na pele o mundo das ilusões Na rua…do que ser abatido no canil! Foi criado para ser companhia vital… Cão por criação, vivente e sentimental! Agora!? Solidão, sem porta e sem abrigo Do nosso lado!? Um fiel guia de caminhos Cão ressentido pela falta de miminhos… Porque me abandonaste, se fui teu amigo… Pinhal Dias (Lahnip) PT É de silêncio o nome que te chamo meu amor sem nome conhecido dum silêncio que grita em meu ouvido esta ânsia dor com que te amo! É de sede o beijo que te ofereço desta imensa sede que é tortura esta falta de água esta amargura pela falta dessa boca que reclamo! É de fome o abraço que te peço da fome de quem vem doutras paragens dessa de quem fez tantas viagens é de fome o abraço que te peço! É de sonho a vida que procuro do sonho de quem busca e ousa e quer do sonho que é mais sonho na Mulher é de sonho a vida que procuro! É de silêncio a força com que te amo esta força trovão à flor da pele esta força que cresce e que me impele e é de silêncio o nome que te chamo! Maria Mamede – Porto Durante anos fui folha seca que o vento afastou para longe embatendo em muitas paragens forçadas. Fui perca e ganho principio e fim cantar e amar navegando em mim. Venho do sul do meu povo e trago os ventos roubados à natureza onde vivem os camponeses cansados. Hoje, contigo sinto-me estrada onde tu caminhas sem atalhos onde as manhãs são auroras num percurso sem horas marcadas. A beleza do rio do meu canto a mulher do meu colo a beleza do teu olhar a doçura da tua pele no teu corpo escultural fazem de mim um anjo sem asas. Já não sou folha seca que cai no Outono sou a Primavera onde já repouso descansado onde o vento já não me afasta para longe de ti, amor! Joaquim Maneta Alhinho Qtª do Conde Tranquilamente …escrevo Arco-íris De noite sonho contigo a dormir! Já acordada, continuo a sonhar, com o momento que há-de vir e meu amor, contigo partilhar... Sonho que planamos de mão dada, sob o arco-íris no céu, desenhado ... tu és apenas meu e eu a tua amada, o tempo, a distância, tudo anulado... São apenas nossos, os momentos, o lugar, o tempo, os sentimentos, nesse círculo mágico, encantador... ternura, amor e paixão, alimentos de almas solitárias, somos alentos, para sustentar o futuro, promissor! Obrigada, Primavera Irás pôr no jardim dos meus sentidos Branca como a cambraia, a bela rosa Eu que vira meus sonhos proibidos Agradeço minha esperança radiosa. Não só diviso os campos coloridos Mas algo que antevejo, gloriosa Sentimentos demais enternecidos Viverão a benesse preciosa. Cantarei, Primavera um doce hino Meu coração será tal qual um sino Que espalhará dulcíssima alegria. Essa flor será pois nossa Matilde A neta duma avó louca e humilde E que a impregnará de fantasia. Entusiasmo, muita alegria Elementos de boa escrita Sendo esta, pura fantasia Passará, muito bem, por erudita. Que cantem com brilho e bonomia Baladas e uma canção inaudita Pois com elas chegaremos um dia A atingir a poesia infinita. Força, poetas desta nossa era Escrevam pois com mais ou menos rima Seja ela como a primavera. Tal como as aves em liberdade Criem com gosto uma obra prima Com muita beleza e sinceridade. Amadeu Afonso - Amora Arlete Piedade - Santarém Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Contos / Poemas» 9 Pedaço de terra e mar Para além de mim só existe o mar. É lá que a sapiência das palavras vou buscar. É lá que abro o coração e me recolho no silêncio que só os puros conseguem escutar. A minha mente é uma torrente de águas famintas entaipadas em baías serenas. Carrego na alma a singeleza dos dias simples. É no seu regaço que me recolho e é na sua humildade que me embalo nas noites de dúvidas insidiosas. É na simplicidade das coisas que rio e que choro. É ali o porto de águas mansas onde ancoro. Onde me refresco e me acaloro. Para além de mim só existe o mar. Nestas escarpas alcantiladas ouço dele todas as melodias naturais que os meus ouvidos conseguem escutar. São pedaços. Excertos de momentos que não passaram de instantes. É nos meus bolsos que guardo os fragmentos de todas as manhãs que vivi. São minúsculas gotas de orvalho que pingam e molham as pétalas das flores que florescem nas húmidas madrugadas consagradas ao amor. Eu existo nesta falésia sobranceira ao mar. Sou a razão de existir pensamento. Sou um andarilho do tempo. Sou o vento que canta com o mar. Sou a voz das marés, sou a vaga altaneira. Sou todo e cada grão de areia. Para além de mim só existe o mar. Para além do mar só existe a serenidade. Para existir serenidade tem de existir amor. Rogério Pires – Seixal Dhiogo e o Amor Suprimindo os princípios de início e fim. Amor incondicional. Transcendental arte de amar. Extraordinária conjuntura. Amor ingênuo amor. Uma atmosfera que preenche o ser. Uma fusão dos sentimentos. Um abcd das minúcias da prática de amar. Amor além do sexo. Um amor sem requisição. Um amor além da abrangência humana. Amor ultravida. Amor cósmico. A universalização do amor. Um amor além do aqui e do agora. Um amor sem exterioridades. O amor esculápio do tempo. Um feitio que desveste as comiserações humanas. Um amor conhecido por poucos. Aquele amor que cura a alma. Em melodias metricamente harmoniosas, o germinar deste amor. Na sutileza nasce este amor. Amor libertador. Inarrável amor. Imortal amor. Dhiogo J. Caetano - Professor e jornalista Uruana- Go - BR O linchamento virtual A vingança com a máscara da justiça. A lei do “olho por olho”. O desejo de aniquilamento do outro. O ódio ecoando na vastidão virtual. A sede por destruição. O prazer em ver o outro sofrer. A difusão das ações belicosas. O materialismo patológico. A perseguição ideológica. O preconceito generalizado. A proclamação da violência. A banalização dos recursos telecomunicativos. O linchamento viral. A onda de egoísmo conectada por um fio tecnológico. O lamentável primitivismo coletivo. A ausência de sabedoria e tolerância. O movimento dos ditadores da “verdade”. Os alienados do essencialismo existencial. Os difusores da bestialização. Meros seguidores da guerra ideológica. Até quando viveremos a Era Egoica? Dhiogo J. Caetano - Professor e jornalista Uruana- Go - BR

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» Meus Amigos Não TE diremos adeus! RENDER-SE À POESIA Meus Amigos, estou em Lisboa No Hotel Ibis, onde procuro Que este meu dia seja feliz! Só Deus nos abençoa... E cura o mal de raiz! Hoje nova cirurgia da minha Bela Espero que lhe corra bem... No sofrimento que o mal contém! Nesta procela... Sofre o nosso coração Amanhã... um novo dia Quero ver o Sol raiar! São horas de emoção... Que uma mãe fica a rezar! Beijos meus amigos Desse carinho que minha alma conforta Desses amigos que batem... À nossa porta! Portal de Amor! Portal de Carinho Quem ama e sofre sabe o caminho! Maria José Fraqueza – Fuzeta Poema escrito em Lisboa 29/6/2016 SOU A NOITE Sou a noite de saudade Entre sonhos, e a lembrança Com o bem, e a maldade A tristeza, e a esperança ah, como dava gosto ouvir o teu riso solto! escutar o humor nas tuas palavras ainda que fossem argutas e certas a quem as merecia mas neste dia sem suspeita nem aviso o teu coração decidiu ser flor....e abriu! de dentro dele saiu um enorme pássaro branco que se lançou no abismo levando o teu riso levando o teu siso em todas as palavras as ditas e as que ficaram por dizer.... levou-as o pássaro enorme e branco do cume do abismo subiu, subiu tão alto até se imbuir no céu os anjos devem ter vindo ajudá-lo no impulso de te encontrares com Deus nós guardamos a tua memória cheia de cantos e contos e história guardamos-te bem fundo no peito ....não te diremos adeus! Maria Petronilho em 15/03/2016 Homenagem a Nicolau Breyner, no dia da sua partida. (Serpa, 30 de julho de 1940 – Lisboa, Haver a ideia concisa Do verso que vai nascer Ao pegar com mão precisa Na pena para o escrever Não parece concebível, Se a poesia é sentimento De um coração sensível A inspirar o pensamento, Como carícia de amor Ou lágrima de saudade, Angústia de amarga dor Ou abraço de amizade. O cérebro assim recebe As sensações transmitidas E as palavras que concebe São as nossas preferidas. Com cuidado encontradas Para o sentir revelar São por isso muito amadas E pra com carinho usar. O poema não termina Com o querer do poeta, Conhece bem sua sina De alma sempre inquieta. O leitor que compreende A palavra apaixonada À poesia ele se rende, Arte linda, abençoada! Sou o pó que leva o vento Na escuridão, da ausência A leveza, o pensamento O abstrato, da presença Em todas as minhas horas Abraço os sonhos em silêncio Pergunto ao sono, demoras Mas só há um vazio imenso Sou do tempo a caricia Tudo o que resta de mim A sensatez, sem malicia Nesta noite, sou o fim Amelia Ferreira – Santarém A PETECA Menina alegre na flor da idade Feliz se diverte menina sapeca Na rua brincando rindo de felicidade Com suas amigas batendo peteca. De um lado e de outro Pulando faceira sorrindo sempre Leve feliz como um sopro Para a frente para o lado alegre contente. Lá vai a menina de saia rodada Jogando a peteca sem pensar Que a vida passa sem tempo sem nada Logo a peteca tem de deixar. Os anos passaram e a antiga menina sonha Com o tempo que era menina sapeca Agora chegou a velhice tristonha Olhando os netos batendo peteca. Maria da Fonseca Lisboa - Portugal ALMA DE POETA Poeta, é com tu' alma despida Que nos fala com teus versos A cantar para todo o universo De teus regozijos ou desditas Poeta, é tua pena tão professa Que consegue curar todas feridas Causadas pela dor das despedidas Pelo tudo o que não terá regresso Poeta, de tua dor és réu confesso Das tuas angústias desmedidas Pelas vicissitudes que te impõe a vida Poeta, é de todos os teus adversos Que a inspiração é por ti acolhida Quando a percebes, jaz, adormecida Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais Brasil Maria Luiza Bonini - São Paulo/Brasil

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Tempo de Poesia» 11 O vento Por mera brincadeira entrei num jogo, Que o Humberto Poeta se lembrou. Usou o tema “VENTO,” e então brincou, Com algo atiçador, de tanto fogo! O Vento tem poderes de demagogo. Nunca ninguém o viu ou apalpou. Mas das suas rajadas já levou, Quando irado nos mostra o desafogo! Embora seja assim tão poderoso, Todos os consideram precioso, Por ajudar o mundo em seu sustento! Em terra, os moinhos vão rodando. No mar, lá vão os barcos navegando. O meu muito obrigado, amigo “VENTO”! Alfredo dos Santos Mendes - Lagos Viagem Ah! Se águia eu fosse, Como alto voaria E no tempo viajaria De coração insuflado, Em direcção ao passado. Então, de novo veria Com esfuziante alegria, Os campos da minha infância Que ficaram na distância. Campos verdes, matizados E sempre iluminados Com laivos de poesia Como o sol do meio-dia. Cachos dourados na ramada, A ladear as longas veredas. Sobre a minha pedra alada, Colhia as folhas das azedas. Depois, rodopiando e gargalhando De pés descalços sobre a terra, Eu e o vento, inseparáveis companheiros, Como índios na dança de guerra, Ao som das copas dos pinheiros! Conceição Tomé (São Tomé) - Amora PT Recordar Quantos gostos merece? Toda de branquinho, lembra uma noiva. É como se fosse amor Recordação De quem trago no coração. Aires Plácido - Amadora NEGRA FACE! OBRA PRIMA Moldou-se em argila, a face negra que a erosão das lágrimas sulcou pelas chuvas e sóis do momento, bem mais que o cinzel da vida a talhou... O sonho feito de sonhos passou sem existir, como o sol que rompe a vidraça sem mesmo a partir... Amarás o amor como a vejo, face pura rubra de desejo, onde o sentimento se espelha claro, preciso, no palpitar da vida, na alegria de teu sorriso... Salve 20 de Novembro! Dia da Consciência Negra! ZzCouto – RJ/BR Antes que a Terra fosse um dia construída, Deus ajuntou uma coleção de prendas belas, para que fosse de igual modo repartida, desde as mais ricas regiões à mais singelas. E apanhou serras, verdes mares, céus de anil e olentes flores em sutis, milhões de maços; níveas manhãs, cascatas, fontes e aves mil... E o rico acervo, em ascensão, levou nos braços. Mas como a carga fosse imensa, parte dela precipitou-se para a Terra em grande alarde... Mas, previdente, Ele pensou: "Pois bem, aquela fração perdida eu voltarei buscar mais tarde". Chegado ao céu e examinando o que trouxera, o Ser Supremo a contragosto percebeu que a melhor parte fora aquela que perdera, e pra reavê-la em vôo à Terra Ele desceu. Mas convertera-se o local em rico estojo de tantas jóias, que o Senhor se arrependeu de cometer sobre a região qualquer despojo, e embevecido à sua mansão feliz volveu! E o ninho pródigo ali foi da fantasia, do céu, do mar, da floração mais bela e rara! Mas eis que o Homem, afinal, num belo dia, tonteou de pasmo: descobrira a Guanabara! Humberto Rodrigues Neto - SP/BR (Humberto Poeta) Repentista Eu amo improvisar Escrita de repentista Ela vem sem avisar E faz-se de alquimista. Quando atinge a razão Na mente não se aloja E se cai no coração Todo o seu valor despoja. Ó gente que de mim gostas E gostas da minha escrita Com o dom que arrebita... Jamais lhe vires as costas, Dá-me o gosto e o prazer De amar o que sei fazer. Rosa Silva ("Azoriana") ETERNAMENTE O amor permanecerá entre o sol e a lua, entre os vales e as montanhas... Girassóis reluzentes, que abrilhantam a noite estrelada, são pura emoção, em noite de solidão! Cigarras cantadoras ouvem-se à distância, num campo de oliveiras envelhecidas pela saudade! Verdes prados envolvem águas azuis, brilhantemente sossegadas, onde duas mãos se entrelaçam dando voz ao coração! Anabela Silvestre - Covilhã

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Trovador» QUEIXA DA ÁRVORE Árvore sou. Deus criou-me como um dom da natureza, pra dar-te sombra e ar puro, e à vida menos tristeza. Eu sou a mesa onde comes um regalo ou simples pão; o leito, mesmo, onde, à noite, recitas a tua oração. Sustento o teto em que assentam as telhas da tua morada; meu destino é dar-te tudo e em troca não pedir nada. Eu sou, nas grandes cidades, pelo fumo enegrecidas, o beijo da natureza no asfalto das avenidas! Sou discreta testemunha dos sonhos dos namorados, que gravam sobre o meu tronco seus nomes entrelaçados. No entanto, o destino deu-me dos fados o mais rasteiro: fazer que o Cristo morresse cravado no meu madeiro! Humberto Rodrigues Neto SP/BR Amar Se fosse para escolher Um verso do meu rimar Na certa ouço dizer Aquele do verbo amar. Amar é querer o bem De bem só faço o que posso Na vida pouco se tem De tão pouco que é nosso. Amar é verbo inteiro Sempre com duas vertentes Amor quando é verdadeiro Faz sorrir as nossas gentes. Quando se vê um sorriso No planalto do olhar No vale do improviso É mote do meu rimar. Rosa Silva ("Azoriana") TRISTEZA Que triste sina a minha neste amor Por um homem repleto de ciúmes; E nesta descoberta de terror, Somava com tristeza meus queixumes. E meu sonho desfeito me entristece E a afronta inesperada, o desafio... Deixando minha casa com estresse De retorna à casa do meu tio. E aquele amor bonito desmorona Pelas intrigas de quem o queria. Descontrolado e violento ele abona Com ação praticada em vilania. Comovida eu os via destruindo Minha família, pois tínhamos filhos. O amor e o casamento já ruindo Neste tão pouco tempo, já sem brilhos. Tão grande o sofrimento me aniquila E ainda se quisesse não podia, Ficar longe dos filhos intranquila, Sem meus filhos viver não poderia! Benedita Azevedo São Luís – MA, 14 de maio de 1964 Primeira poesia guardada escrita em um caderno. Dias Felizes A rosa que hoje te envio, Colhida ao raiar do dia, Está nela o meu fascínio, Pra te dar muita alegria. Tem ela uma cor de rubro, Que seduz minha ternura, O amor com que te cubro Na minha nova aventura. Vamos ter dias felizes, Ao ar dos ventos, marés, Ligados nas nossas vidas! Vamos curar cicatrizes, Tomar o nosso convés E com as almas unidas! Jorge Vicente - Suíça Se sonhar nunca é de mais, Eu qu’ria ser pequenino, Ter o amor de meus pais E voltar a ser menino. Isidoro Cavaco - Loulé A CONSCIÊNCIA Deus é juiz do sacrário O Rei de toda a ciência O mais belo relicário A consciência da consciência A consciência é santuário Onde Deus é seu juiz Tu escreves no teu diário O que a consciência não diz! Num santuário sagrado A consciência é a razão Um segredo bem guardado Mostra a tua discrição! Num macio travesseiro A consciência se acalma Quando o amigo verdadeiro A tiver dentro da alma! Nas páginas do meu diário A consciência tem lugar O mais belo dicionário Que tu deves consultar! Grande livro de moral Saído do coração A consciência é sem igual Combatente da razão! Por mais que se proclame Sem pôr os pés num altar Deves fazer um exame… Que a Santo não vais chegar! Onde tens a consciência? Se os teus falsos testemunhos Na falta de inteligência Vão p’ró lixo – são rascunhos! Combatente da razão Esclarecendo a Verdade Das pancadas que nos dão No lixo da Humanidade! Põe a mão na consciência... Se é que tens bons sentimentos Pois falta-me a paciência P'ra quem nos causa tormentos! Maria Fraqueza – Fuzeta O mais belo sentimento, Que sempre diz a verdade, Não obriga o juramento E tem por nome amizade. Nelson Fontes Carvalho Belverde

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/ 13 SONHO DE UMA NOITE Gaivota voando sobre minha loucura; Gaivota dizendo versos que não digo; Gaivota ritmo da palavra; Gaivota em liberdade, Poisando aqui e ali, Na areia molhada, Na pedra parada, Na falésia enxuta, Na mais recôndita gruta, Na madrugada azul, Na noite de lua escondida, No seio do mar infinito. Vai, Vem, Plana, Faz círculos no espaço... Aqui estou, Olhando a gaivota, Perdendo-a de vista, Querendo ser gaivota Neste diminuto espaço. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Acabou-se ! Eu faço meus poemas faço neles desabafos, de alegrias, de tristezas, de ilusões, de tempos idos, mas se quero ser feliz, não posso ser aprendiz Recuso mais frustrações. Se vierem desilusões já me encontram couraçada, não quero ser boazinha para quem não me merece, aprendi a dizer não! de lado a ilusão vou ser o que eu quiser! Acabou-se! vou ser EU! só para quem o merecer. Dulce Saldanha - Lisboa Não Sei mais o que fazer Não sei mais o que fazer Para ter de volta o teu amor. A tua procura, já perambulei, sem rumo fiquei Caminhei por todos os nossos espaços Gritei o teu nome para que me ouvisses, Escutei apenas o eco do meu grito. Eu estou aqui, em silêncio, atordoada... E não consigo mais ver nossa estrela, Que se escondeu entre as nuvens densas, Nem sequer, sei interpretar esta letargia Que abateu o meu coração ! Foram-se as esperanças, E a tristeza tomou conta do âmago ! Não sei mais o que fazer Para nosso amor outra vez renascer. Restaram apenas as lembranças Que ficaram presas ao coração E vai vivendo da ilusão. Socorro Lima Dantas – Recife / BR O QUE EU SOU? AMANHECER AH, UM SONETO! Eu sou o absoluto do nada Sou caminho que não direciona nada Sou gota d'água no mar da vida Sou grão de mostarda na esperança de vir a ser. Árvore que os pássaros abriga Sombra para o homem refrescar a fadiga As mãos que ajudem na caminhada Buscando a direção acertada. Sou gente, sou pessoa Não à toa, pois quero ser boa Buscando o canto que entoa A canção que trás a emoção Para dentro do coração Ser eu, ser pura doação; Angélica Gouvea - Luminárias-MG extasio-me nos verbos quentes do teu semblante em brasa. beijo-te e os teus olhos vibram desejosos. penetro-te fundo e docemente te chamo meu amor... João Cortez - Suíça Cedo nasceu o dia A luz embriaga o olhar A brisa matinal!…Que delícia… Quer brincar! Provoca-me!… Roça-me suavemente Com um beijar delicado Uma carícia sedosa Doce!... Envolvente É bom o amanhecer! O acordar das flores O som do dia a romper As borboletas multicores Num bailado ritmado O sono está teimoso! Foi interrompido Mas um café cremoso De cheiro forte!... saboroso Desperta os sentidos Hoje! O dia é diferente Não te vejo…Mas estou contigo Sinto-te comigo! O cheiro…A essência… Um querer de mulher Alguma inocência Um constante esperar… Um deixar acontecer Conceição Carraça Torre da Marinha Como se fosses hoje – e fosses aqui Presença, chamada à lembrança –, Recordo-te, num banco de jardim, Como se fora a luz, em tua trança. Como se fosses agora, ao pé de mim, E fôramos dois como numa dança, Então não serias mais lembrança aqui, Ó doce Mimi, ó minha terna criança. Ó minha terna criança, ó minha ternura, Como se fôssemos um grito nos céus, Como se fosses, uma claridade de alvura, E fosses tu, aqui e hoje, só pra mim; Como nos sonhos, que são só meus... Como ao Acordar, seria assim: ASSIM!!! Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia Desejo Quero voar, Tento levitar-me, A liberdade é cárcere Lapido minhas asas Pego o papel, aponto O lápis, conheço a Solidão da vida, a Liberdade permite o embaraço Deixa as armadilhas na Estrada, dá nó nas asas De quem quer voar. Divino Ângelo – MG/BR

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» A INFÂNCIA E O TEMPO O grande homem é aquele que não perdeu a candura de sua infância (Prov. Chinês) "Só os operários sabem o preço do tempo e fazem-se pagar por ele. Voltaire Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons Carlos Drummond Depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim. Boileau Quem me dera voltar à linda primavera, Dos verdes anos, aos doces sonhos d’infância, Pra a vida sonhar, com desmedida ânsia, Como outrora a sonhei já, na remora era! Embora a sonhar seja uma pura quimera, Vã fantasia que se perde na distancia, Qu’ria sonhar a Vida, outra vez, com jactância, Pra viver tal qual como um sonho tivera! Mas, ai!... A vida é breve; e a quadra florescente, Como candeia que se apaga lentamente, Vai, aos poucos, perdendo a força criadora… Só, no volúvel tempo, a meiga primavera, Vai e volta a ser, sempre, o que já dantes era… E a infância jamais volta a ser o que antes fora! Nelson Fontes Carvalho - Belverde A M A R ...! Amar-te meu amor foi meu destino. Talvez sublime partida de cupido. Misto fluir dos reinos da ilusão e dos mares da loucura e da paixão. Sem te amar eu nunca saberia como gostosa e sofrida é a química e a atracção. Amar é olhos nos olhos, mão na mão ! É alimentar a chama, onde o fogo ardente clama, pelos bailados da sedução. Abraços e beijos de lábios selados sorvendo o mosto da vindima, acariciam os frutos desnudados. Amor é escola d’afeição, por esse alguém que noite e dia, não nos sai do coração ! E DEPOIS DOS SETENTA… Quando os setenta passares, Nesse tempo que perdura, Estás com teus familiares, Na idade da ternura . . . E se aos oitenta chegares, Boa idade, quem diria? Já com poucos dos teus pares, Idade é sabedoria… Mas aos noventa, pois bem! Bate ainda o coração? Idade da santidade… Pois que se passares dos cem, Coisa rara… pois então, Caminhas para a eternidade… A um aluno no seu primeiro dia de aulas Tu, que aí sentado me contemplas Olhando-me surpreso, com temor… Deixaste há pouco ninho d’ amor Sem que da vida inda pouco entendas. Deixaste no sossego do teu lar Uma vida que passavas descuidada. Deixaste os teus e à casa amada Eu sei que é teu desejo regressar. P’ra Escola vens sabes lá porquê! Na sacola trazes saibas lá o quê! Ó tímida e confusa criatura. A vida que hoje a medo começaste Dar-te-á, verás, o que nem sonhaste Em teus anos inocentes da candura. JGRBranquinho - “Zé do Monte” Qtª da Piedade FLAGELAÇÃO Nesta gare, cega estação, Muro agonizante e distorcido, Há carne a definhar, em podridão, Num canto qualquer, perdido. Houve enlevos de reconciliação! Mas, o olho lânguido, abatido, Nunca clamou, sua rendição: Repreendeu mesmo, qualquer sentido. E o cheiro agridoce do recanto, Mostra a saliva fria, do desencanto, O ardil que consumou, a tua vil trama. Por isso, vagabundo, a tua sina É uma doença, que te mina Que termina contigo na cama. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia (In Saiu A Fera De Mim) O sabe tudo não nasceu E nunca chegou a nascer Vai pedir perdão a Deus Ainda antes de morrer Silvais - Évora Virgínia Branco - Oeiras António Boavida Pinheiro - Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 77 - Julho / Agosto 2016 15 «Faísca de Versos» A cidade está mudada, De sair tenho receio, Andam peões na estrada E automóveis no passeio. Isidoro Cavaco - Loulé VÃO-SE EMBORA! A GUERRA E AS CRIANÇAS Deambulam tristes, as crianças, na dor que as envelheceu! Vagueiam apáticas pela vida onde a esperança já morreu! Gritam os escombros, a cor vermelha do sangue inocente! Espreita a morte impiamente, ceifando vidas...inclemente!... Choram as ruas subterradas pelo peso! Pedaços de tudo! Agonizam os parques vazios, pelo silêncio quedo! Mudo!... Soçobram hediondas, as casas, pelos sorrisos já calados… Gemem os jardins suas flores, seus perfumes sepultados… Filomena Gomes Camacho - Londres POEMA SOBRE OS MENTIROSOS DOIS DIAS NUM SÓ? (1º de Maio e 08 de Dezembro?) Trocam o dia da Mãe, Sem se lembrarem porém Nas trocas, desta maneira! Quem seria o “chico esperto” Que ao trocar um dia certo, Tratou mal a Padroeira? Até quiseram transpor… Este… do Trabalhador Que é sempre no mesmo dia! Metem dois num dia só Esta gente, mete dó, Com trocas à revelia! Podem fazer mil promessas, Que eu nunca acredito nessas De quatro anos, a cortar… Podem fazer mil campanhas E entre tantas artimanhas, Que eu sei, onde não votar! Podem prometer o mundo, Neste país moribundo… Nestes anos, sem sentido! Podem mentir cegamente, Porque votar nesta gente, É dar o ouro ao bandido! Podem fazer palhaçada… Nesta pequena coutada, Com essa seita maldita… Podem, nessa ânsia louca, Deitar espuma pela boca, Que o povo não acredita! Bem podem pedir desculpas, E a dar aos outros as culpas, Que a mudança está na hora! Em vez dessa propaganda… Melhor seria a desanda… Para sempre, vão-se embora! João da Palma, (Amlapad) Os compulsivos mentirosos Que nunca falam verdade Problemas misteriosos Que são hoje uma realidade. O que é agora verdade Logo passa a ser mentira È uma grande realidade Onde verdade não se respira. Quando chegam atrasados A culpa nunca é sua Arranjam outros culpados Se calhar o trânsito na rua. Sempre algo aconteceu Falam sempre num inesperado Mas o descuido não é seu Estava o trânsito emperrado. Nunca vi tanta mentira Mentem totalmente à vontade Tantas vezes até dá ira Parece que a mentira é realidade. Hoje toda a gente mente Mente a mulher ao marido Até a verdade se desmente Quando não fizer sentido. E assim, vai o mundo andando Com mudanças, baralhando Aselhices e engenhocas… Com padrinhos e madrinhas… Cavando coisas mesquinhas, Nestas trocas e baldrocas! E para a festa seguir, Eles terão que dividir O dia em dois, mas que raio… De manhã Mãe por favor! À tarde o trabalhador, O seu dia certo em Maio! João da Palma - Portimão 1º De Maio, 2016 Política da fava. Malabaristas!? Eles andam por aí – Quem? - As sanguessugas venenosas do sistema E com bandeira cuspida, por mais alguém… No euro!? Essa moeda nos deu problema Favores enriquecidos do compadrio Cartilha política, que anda viciada Por uma roupa suja, lavada no rio Nossa voz se levanta, já muito cansada Depressa se apanha o mentiroso Ele ou ela diz a verdade É como aquele que é vaidoso Que não responde à verdade. Carlos Cruz deu voz à radiotelevisão Homem inocente, nas grades da prisão Deixai o Paco Bandeira cantar ao povo. Na Segurança Social O desequilíbrio é tal… Com milionárias reformas. Enchem os bolsos uns quantos, À espera ficamos tantos, Que um dia, entre nas normas! João da Palma - Portimão Deodato António Paias – Lagoa Fatalismo De nada adianta desancar o pau no ladrão, no venal, neste ou naquele, que nem pro inferno irá, pois sendo mau, a própria vida se encarrega dele! Humberto Neto - SP/BR Política da fava, a corrupção fervilha Com artistas cercados por essa matilha Escritor Alhinho…que bate o pé de novo. Pinhal Dias (Lahnip) PT

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