eisFluências - Revista Literária e Informação

 

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eisFluências - Revista Literária e Informação eisFluências - Literary Magazine and Information Revista de Junho de 2010 Magazine June 2010 Revista literária e informação em lingua portuguesa e eventualmente com artigos em espanhol Literary magazi

Popular Pages


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issn 2177-5761 issn 2177-5761 9 772177 576008 revista bimestral junho/2010 ano i núm v 10 de junho dia de portugal de camões e das comunidades portuguesas dia das comunidades porque neste dia se homenageiam cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo até ao 25 de abril de 1974 o 10 de junho era conhecido como o dia de camões de portugal e da raça exaltando-se a originalidade do povo português face aos outros povos europeus que por mares nunca de antes navegados passaram ainda além da taprobana em perigos e guerras esforçados mais do que prometia a força humana e entre gente remota edificaram novo reino que tanto sublimaram camões lusíadas canto i o dia de portugal é também o dia em que se tenta dignificar através da atribuição de determinados títulos e medalhas portugueses que se tenham distinguido em determinadas áreas sem distinção da opção ideológica ou da opção religiosa celebra-se neste dia o feriado em honra de camões data provável do falecimento daquele que é considerado o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da humanidade luiz vaz de camões 1524 /1580 mudam-se os tempos mudam-se as vontades muda-se o ser muda-se a confiança todo o mundo é composto de mudança tomando sempre novas qualidades continuamente vemos novidades diferentes em tudo da esperança do mal ficam as mágoas na lembrança e do bem se algum houve as saudades o tempo cobre o chão de verde manto que já coberto foi de neve fria e em mim converte em choro o doce canto e afora este mudar-se cada dia outra mudança faz de mor espanto que não se muda já como soía luiz de camões

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02 eisfluências junho 2010 as informações sobre a sua biografia são relativamente escassas e pouco seguras apoiando-se num número limitado de documentos e breves referências dos seus contemporâneos a própria data do seu nascimento assim como o local é incerta tendo sido deduzida a partir de uma carta de perdão real de 1553 a sua família teria ascendência galega embora se tenha fixado em portugal séculos antes pensa-se que estudou em coimbra mas não se conserva qualquer registo seu nos arquivos universitários serviu como soldado em ceuta por volta de 1549-1551 aí perdendo um olho em 1552 de regresso a lisboa esteve preso durante oito meses por ter ferido numa rixa gonçalo borges um funcionário da corte data do ano seguinte a referida carta de perdão ligada a essa ocorrência nesse mesmo ano seguiu para a Índia nos anos seguintes serviu no oriente ora como soldado ora como funcionário pensando-se que esteve mesmo em território chinês onde teria exercido o cargo de provedor dos defuntos e ausentes a partir de 1558 em 1560 estava de novo em goa convivendo com algumas das figuras importantes do seu tempo como o vice-rei d francisco coutinho ou garcia de orta em 1569 iniciou o regresso a lisboa no ano seguinte o historiador diogo do couto amigo do poeta encontrou-o em moçambique onde vivia na penúria juntamente com outros antigos companheiros conseguiu o seu regresso a portugal onde desembarcou em 1570 dois anos depois d sebastião concedeulhe uma tença recompensando os seus serviços no oriente e o poema épico que entretanto publicara os lusíadas camões morreu a 10 de junho de 1580 ao que se diz na miséria no entanto é difícil distinguir aquilo que é realidade daquilo que é mito e lenda romântica criados em torno da sua vida da obra de camões foram publicados em vida do poeta três poemas líricos uma ode ao conde de redondo um soneto a d leonis pereira capitão de malaca e o poema épico os lusíadas foram ainda representadas as peças teatrais comédia dos anfitriões comédia de filodemo e comédia de el-rei seleuco as duas primeiras peças foram publicadas em 1587 e a terceira,apenas em 1645 integrando o volume das rimas de luís de camões compilação de poesias líricas antes dispersas por cancioneiros e cuja atribuição a camões foi feita em alguns casos sem critérios rigorosos um volume que o poeta preparou intitulado parnaso foi-lhe roubado na poesia lírica constituída por redondilhas sonetos canções odes oitavas tercetos sextinas elegias e éclogas camões conciliou a tradição renascentista sob forte influência de petrarca no soneto com alguns aspectos maneiristas noutras composições aproveitou elementos da tradição lírica nacional numa linha que vinha já dos trovadores e da poesia palaciana como por exemplo nas redondilhas «descalça vai para a fonte» dedicadas a lianor «perdigão perdeu a pena» ou «aquela cativa» que dedicou a uma sua escrava negra É no tom pessoal que conferiu às tendências de inspiração italiana e na renovação da lírica mais tradicional que reside parte do seu génio na poesia lírica avultam os poemas de temática amorosa em que se tem procurado solução para as muitas lacunas em relação à vida e personalidade do poeta É o caso da sua relação amorosa com dinamene uma amada chinesa que surge em alguns dos seus poemas nomeadamente no conhecido soneto «alma minha gentil que te partiste» ou de outras composições que ilustram a sua experiência de guerra e do oriente como a canção «junto dum seco duro estéril monte» no tratamento dado ao tema do amor é possível encontrar não apenas a adopção do conceito platónico do amor herdado da tradição cristã e da tradição e influência petrarquista com os seus princípios básicos de identificação do sujeito com o objecto de amor «transforma-se o amador na cousa amada» de anulação do desejo físico «pede-me o desejo dama que vos veja não entende o que pede está enganado» e da ausência como forma de apurar o amor mas também o conflito com a vivência sensual desse mesmo amor assim o amor surge à maneira petrarquista como fonte de contradições tão bem expressas no justamente célebre soneto «amor é fogo que arde sem se ver» entre a vida e a morte a água e o fogo a esperança e o desengano inefável mas assim mesmo fundamental à vida humana a concepção da mulher outro tema essencial da lírica camoniana em íntima ligação com a temática amorosa e com o tratamento dado à natureza que classicamente vista como harmoniosa e amena a ela se associa como fonte de imagens e metáforas como termo comparativo de superlativação da beleza da mulher e à maneira das cantigas de amigo como cenário e/ou confidente do drama amoroso oscila igualmente entre o pólo platónico ideal de beleza física espelho da beleza interior manifestação no mundo sensível da beleza do mundo inteligível representado pelo modelo de laura que é predominante vejam-se a propósito os sonetos «ondados fios de ouro reluzente» e «um mover d olhos brando e piedoso» e o modelo renascentista de vénus temas mais abstractos como o do desconcerto do mundo expresso no soneto «verdade amor razão merecimento» ou na esparsa «os bons vi sempre passar/no mundo graves tormentos» a passagem inexorável do tempo com todas as mudanças implicadas sempre negativas do ponto de vista pessoal como observa camões no soneto «mudamse os tempos mudam-se as vontades» as considerações de ordem autobiográfica como nos sonetos «erros meus má fortuna amor ardente» ou «o dia em que eu nasci moura e pereça» que transmitem a concepção desesperançada pessimista da vida própria são outros temas dominantes da poesia lírica de camões no entanto foi com os lusíadas que camões embora postumamente alcançou a glória poema épico seguindo os modelos clássicos e renascentistas pretende fixar para a posteridade os grandes feitos dos portugueses no oriente aproveitando a mitologia greco-romana fundindo-a com elementos cristãos o que na época e mesmo mais tarde gerou alguma controvérsia camões relata a viagem de vasco da gama tomando-a como pretexto para a narração da história de portugal intercalando episódios narrativos com outros de cariz mais lírico ficha tÉcnica director victor jerónimo portugal/brasil directora cultural carmo vasconcelos portugal responsável pela redacção mercêdes pordeus brasil design gráfico e composição victor jerónimo blogue http eisfluencias.wordpress.com contacto eisfluencias@gmail.com conselho de redacção abilio pacheco brasil armando figueiredo portugal humberto rodrigues neto brasil luiz gilberto de barros brasil marco bastos brasil maria ivone vairinho portugal rosa pena brasil correspondentes revista de eventos actualidades notícias culturais político/sociais e outras mas sempre virada à directriz cultural nas suas várias facetas propriedade de mercêdes batista pordeus barroqueiro recife/pe/brasil tiragem 100 ex distribuição gratuíta divulgação via internet alemanha antónio da cunha duarte justo argentina maría cristina garay andrade bielorussia oleg almeida brasil elizabeth misciasci depósito legal lei do depÓsito legal lei n° 10.994 de 14 de dezembro de 2004 biblioteca nacional brasil

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eisfluências junho 2010 03 como é o caso do da «linda inês» os lusíadas vieram a ser considerados o grande poema épico nacional toda a obra de camões de resto influenciou a posterior literatura portuguesa de forma particular durante o romantismo criando muitos mitos ligados à sua vida mas também noutras épocas inclusivamente a actual no século xix alguns escritores e pensadores realistas colaboraram na preparação das comemorações do terceiro centenário da sua morte pretendendo que a figura de camões permitisse uma renovação política e espiritual de portugal amplamente traduzido e admirado é considerado por muitos a figura cimeira da língua e da literatura portuguesas são suas a colectânea das rimas 1595 obra lírica o auto dos anfitriões o auto de filodemo 1587 o auto de el-rei seleuco 1645 e os lusíadas 1572 cronologia 1524 ou 1525 datas prováveis do nascimento de luís vaz de camões talvez em lisboa 1548 desterro no ribatejo alista-se no ultramar 1549 embarca para ceuta perde o olho direito numa escaramuça contra os mouros 1551 regressa a lisboa 552 numa briga fere um funcionário da cavalariça real e é preso 1553 É libertado embarca para o oriente 1554 parte de goa em perseguição a navios mercantes mouros sob o comando de fernando de meneses 1556 É nomeado provedor-mor em macau naufraga nas costas do camboja 1562 É preso por dívidas não pagas é libertado pelo vice-rei conde de redondo e distinguido seu protegido 1567 segue para moçambique 1570 regressa a lisboa na nau santa clara 1572 sai a primeira edição d os lusíadas 1579 ou 1580 morre de peste em lisboa pesquisa e composição de carmo vasconcelos ciberneteca e biblioteca pessoal da autora interagir com a nobreza poética de camões parecendo uma ousadia não é mais do que uma humilde homenagem à memória do maior dos maiores poetas portugueses ainda que outros grandes lhe tenham sucedido ele permanecerá sempre no nosso imaginário como o mestre dos mestres desde quando jovens estudantes até agora e para sempre na nossa mira de aprendizes de poetas carmo vasconcelos amor É fogo que arde sem se ver luiz vaz de camões amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer É um não querer mais que bem-querer É solitário andar por entre a gente É nunca contentar-se de contente É cuidar que se ganha em se perder É querer estar preso por vontade É servir a quem vence o vencedor É ter com quem nos mata lealdade mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade se tão contrário a si é o mesmo amor se amor É carmo vasconcelos se amor é fogo que arde sem se ver e senti-lo se faz contraditório sendo ou não fogo-fátuo e ilusório por que tanto queimamos de o querer se é ferida que dói e não se sente por que insistimos nessa dor sarar vendo apenas recobro nesse amar daquele que de amor nos faz contente se tal contentamento é descontente por que alegria tamanha lá se afunda nos meandros da tristeza que a alma inunda se é dor que desatina sem doer que eu frua do controverso amor em mágoa e extinga-se o meu fogo ao fluir-lhe a água amor que o gesto humano n alma descreve luiz vaz de camões amor que o gesto humano n alma escreve vivas faíscas me mostrou um dia donde um puro cristal se derretia por entre vivas rosas e alva neve a vista que em si mesma não se atreve por se certificar do que ali via foi convertida em fonte que fazia a dor ao sofrimento doce e leve jura amor que brandura de vontade causa o primeiro efeito o pensamento endoudece se cuida que é verdade olhai como amor gera num momento de lágrimas de honesta piedade lágrimas de imortal contentamento o amor serÁ cego alfredo dos santos mendes dizer que o amor é cego e nada vê É não acreditar no que está vendo É se imolar de amor ficar sofrendo e apenas perguntar porquê porquê maldito coração não antevê que há chama germinando corroendo não quer sentir a dor que está sofrendo evitando as rasteiras que prevê caminha sobre o fogo convencido que nunca sairá como um vencido chama que não existe nunca arde e ama por amar só por amar jamais haverá chama p ra o queimar seu coração é forte e não cobarde!

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04 eisfluências junho 2010 sangue derramado jorge cortás sader filho com aniversário chegando quando completará 85 anos rubem fonseca mostra que não existe idade para escrever publicou em 2009 o seminarista sucesso de vendas aos oitenta e quatro anos de idade e não parou dedica-se ao seu diário se parar sucumbe escritor mais do que realizado ganhador do prémio camões de 2003 o maior da língua portuguesa rubem é o escritor do quotidiano do verdadeiro do que acontece nos mais sofisticados bairros e nas piores sarjetas do rio de janeiro agosto sua obra mais conhecida mostrada na televisão dá as indicações da trama que levou vargas ao suicídio foram os generais mais próximos do então presidente que armaram o atentado da rua tonelero onde morreu o major da aeronáutica rubens florentino vaz que fazia a segurança de carlos lacerda o alvo pretendido tenho muita identidade com o autor não o seu ofuscante brilho estou longe disto mas gosto como rubem da realidade nua e crua sem proselitismos enquanto ele foi comissário de polícia longos anos também enfrentei o perigo das selvas da serra dos Órgãos pisando onde acredito que nunca outro fez o mesmo escalei muitas montanhas participei de inúmeros fogos do conselho reuniões que fazem escoteiros e bandeirantes onde se reza bebe-se chocolate quente toca-se violão e canta-se em torno de uma bem armada fogueira sangue derramado valeu a pena não faço mais nada disso mas ainda tenho toda a tralha de montanhismo inclusive a colt 45 registrada no exército parabéns rubem fonseca e obrigado o poeta foi preso jorge cortás sader filho na época do regime militar os centros acadêmicos eram acompanhados de perto por agentes infiltrados alguns deixavam-se conhecer para que os colegas permanecessem no sigilo sai no jornal da faculdade uma discussão sobre professores que não davam aula mas seu assistente no meio do artigo a citação pois como já diz luiz carlos pedradas não atingem os justos prisão tão logo avistado o articulista os colegas procuram rápido um amigo que já se sobressaía advogado novo quando terminou de ouvir o caso foi para a rua barão de mesquita onde era o quartel da polícia do exército no rio de janeiro entrou sem muita dificuldade além de conhecido fizera amizades e namorava a irmã de um segundo-tenente foi levado até o oficial de dia que mandara executar a prisão conversou amistosamente com o major explicou o engano e o senhor está pensando que sou algum idiota doutor de modo algum deixa mostrar tirou de dentro da pasta um livro lá estava a poesia de luiz carlos que não era o prestes como imaginou o major e as pedradas que não eram contra nem pessoa nem prédio oficial era a poesia exortação de luiz carlos da fonseca um fulgurante talento entregou-a o oficial que leu silencioso exortação sofre mas não declines da confiança que sereno puseste no futuro se és bom tens o caminho mais seguro o bem é uma subida que não cansa sofre que o sofrimento é uma esperança em quem deseja revelar-se puro que fora o claro se não fora o escuro sem sofrimento a glória não se alcança não te assustem pedradas olha o mundo com os olhos virgens dos relances da ira vê que o solo ferido é mais fecundo e se tens na alma o céu por que temê-las as pedras que o homem contra deus atira ao contato do céu tornam-se estrelas luiz carlos da fonseca as páginas amareladas do livro com um solene pedido de desculpas e a afirmação deveria ter mais leitura meu trabalho não permite foram-lhe entregues o jovem poeta-jornalista também incólume jorge cortás sader filho niterói/rio de janeiro/brasil jorge cortás sader filho nasceu em 30 de abril de 1942 É procurador do município de niterói cidade onde nasceu e habita jornalista tem coluna política no vote brasil o maior jornal do mundo socialista e escreve para o pravda sem conotação política visto ser democrata por formação É autor do romance a dura regra do jogo publicado pela seven system publica também no recanto das letras garganta da serpente blocos online e mural dos escritores http aduraregradojogo24x7.blogspot.com/

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eisfluências junho 2010 05 a sorte dos maus humberto rodrigues neto embora a misericórdia e o amor de deus sejam infinitos implacável é também a sua justiça os que foram maus como os políticos corruptos estupradores pedófilos sequestradores inquisidores torturadores etc esses permanecerão depois de desencarnados sob o guante terrível dos mais acerbos martírios daí a justificativa para o vesúvio o sunami os acidentes aeronáuticos as inundações os grandes incêndios e outras calamidades naquilo que se convencionou chamar de desencarnes coletivos pois não há efeito sem causa o pedreiro miserável que cai do andaime de um edifício em construção e deixa ao desamparo uma viúva com 4 ou 5 filhos também é uma prova do quanto deus é justo pois tudo é meticulosamente planejado na espiritualidade consoante as imutáveis leis de causa e efeito quem poderá afirmar não tenha sido ele o carrasco ou um dos assistentes assíduos que se divertiam a apreciar o pavoroso suplício de condenados que eram lançados do alto da rocha tarpéia em roma sobre os pontiagudos que emergiam de suas encostas segundo os espíritos hitler que desencarnou há 65 anos ainda se encontra em profunda letargia no além e depois acordará em estado de total imbecilidade mental devendo assim permanecer até que transcorram cerca de 2.000 anos quando lhe será facultada não a saída de lá mas a caridade de poder descer vez por outra aos centros espíritas terrestres para em prantos relatar os seus tormentos e solicitar ajuda É a situação em que se encontram Átila nero calígula gêngis kan gregório o grande que foi papa torquemada e tantos outros muitos dos quais comparecem em prantos convulsivos às sessões de desobsessão como já dissemos suplicando por ajuda ou acreditando-se ainda vivos vociferando maldições contra deus jesus e os circunstantes isso quando não agridem fisicamente os médiuns que os atendem É por tal motivo que em tais sessões é vedada a presença de pessoas comuns dela participando apenas médiuns de larga experiência e de ilibada conduta moral todos os maus também serão redimidos claro pois já dissemos que a bondade de deus é infinita e o inferno não existe mas a cada um é conferida a expiação condizente com o grau de sua maldade o próprio cristo disse ali haverá choro e ranger de dentes os cursos da doutrina ministrados nos centros explicam muito bem essas coisas que vêm fartamente descritas no livro o céu e o inferno integrante do pentateuco de kardec sobre a codificação do espiritismo claro que deus não é aquele déspota cruel vingativo e sanguinário em que o transformaram as escrituras mas não tergiversa em se tratando do corretivo que deva ser aplicado aos perversos não quero assustar ninguém mas não devemos duvidar dessas coisas pautemos pois as nossas vidas dentro de parâmetros de decência humildade e dedicação ao próximo a fim de que não sejamos conduzidos àquelas inóspitas regiões onde choram as lágrimas do martírio e uivam as maldições daqueles que nunca se interessaram em conhecer um pouco da excelsa natureza de deus mescla humberto rodrigues neto a vida é um trilho de ínvio sofrimento marginado de amarga nostalgia se raras são as horas de euforia extensos são os dias de tormento vivendo de ilusões e fantasia sequer nos passa pelo pensamento que é preciso arrostar um mau momento pra sentir o valor de uma alegria cumpramos pois a lei dessa mistura mesclando os risos que nos sejam dados aos lancinantes ais de uma amargura e hão de ver os que carpem duros fados como é doce o retorno da ventura depois de termos sido desgraçados s.paulo/brasil descrenÇa humberto rodrigues neto ao longo da existência deparamos com seres que de tudo são descrentes que passam pela vida indiferentes e avessos às verdades que aceitamos quando um desses em frases eloquentes nega a existência desse pai que amamos a lei do livre arbítrio desprezamos lançando-lhe o rosnar dos prepotentes mas se alguém numa prece os abençoa sabemos quão maviosa ela ressoa em meio aos anjos da mansão de deus presos ao vício de julgar à toa todos nós condenamos os ateus e esquecemos que é deus quem os perdoa s.paulo/brasil w w w festejando o 13 de junho com santo antÓnio de lisboa santo antónio de lisboa também chamado santo antónio de pádua nasceu em lisboa entre 1191 1195 numa casa próxima da sé de lisboa às portas da cidade no local assim se pensa onde posteriormente se ergueu a igreja sob sua invocação de seu nome de baptismo fernando de bulhões foi um doutor da igreja que viveu na viragem dos séculos xii e xiii primeiramente foi frade agostiniano tendo ingressado como noviço 1210 no convento de são vicente de fora em lisboa tendo posteriormente ido para o convento de santa cruz em coimbra onde fez seus estudos de direito tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito vivendo inicialmente em portugal depois na itália e na frança foi professor de teologia e grande pregador foi transferido depois para bolonha e de seguida para pádua onde morreu aos 36 ou 40 anos foi canonizado pelo papa gregório ix na catedral de espoleto em itália em 30 de maio de 1232 foi proclamado doutor da igreja pelo papa pio xii em 1946 que o considera «exímio teólogo e insigne mestre em matérias de ascética e mística» bastante doente faleceu a 13 de junho de 1231 no oratório de arcela os seus restos mortais repousam na basílica de pádua construída em sua memória protector dos noivos é tradição em lisboa realizar-se um casamento colectivo no dia 13 de junho na sua igreja junto à sé de lisboa e muitos festejos populares entre eles o famoso desfile das marchas populares dos bairros de lisboa carmo vasconcelos biblioteca pessoal

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06 eisfluências junho 2010 o conselho de redacção tem o prazer de lhe apresentar o seu mais novo correspondente na alemanha antÓnio da cunha duarte justo antÓnio da cunha duarte justo nasceu em várzea-arouca portugal professor de língua e cultura portuguesas professor de Ética delegado da disciplina de português na universidade de kassel publicaÇÕes chefe redactor de gemeinsam revista trimestral do conselho de estrangeiros de kassel em alemão com secções em português italiano turco françês grego editada pela cidade de kassel tiragem 5 000 exemplares editor da brochura bilingue pontes para um futuro comum ­ brücken in eine gemeinsame zukunft editada na caritas kassel editor de o farol jornal de carácter escolar e social em colaboração com alunos pais e portugueses das cidades de bad wildungen hessisch lichtenau kassel bad arolsen e diemelstadt de 1981 a 1985 editor de boletim da fracção portuguesa no conselho de estrangeiros de kassel 1984 autor da brochura kommunalwahlrecht für ausländer ­ argumente editada pela câmara municipal de kassel fevereiro de 1987 co-autor da brochura ausländerbeiräte in hessen aufgaben und organisation editada pela agah e hessische landeszentral für politische bildung wiesbaden 1988 colaborador de vários jornais e do programa de rádio semanal de português de hamburgo consulte o blogue do escritor em http antonio-justo.blogspot.com É membro do conselho consultivo da área consular de frankfurt alemanha http blog.comunidades.net/justo w w w alemanha apoia a grÉcia mas sem convicÇÃo portugal poupado na acção de apoio antónio justo encontramo-nos numa crise financeira inédita numa odisseia política sem fim a alemanha um país com grande responsabilidade na eu não podia apressar-se na decisão de apoio à grécia porque sabe que o vírus a eliminar se encontra no sistema bancário mundial e na eu no parlamento alemão a lei de apoio à grécia foi aprovada com 390 votos de deputados a favor 72 contra e 139 abstenções a chanceler Ângela merkel lamentou o facto do spd não ter apoiado a acção a alemanha depois de hesitar em fazer de bombeiro votou a lei que autoriza o empréstimo de 22.400 milhões de euros à grécia nos próximos três anos a primeira prestação de 8.400 milhões será já disponibilizada os estados com maior crise na eu poderão suspender o pagamento do seu empréstimo à grécia a legislação votada no parlamento alemão prevê no caso dos credores terem custos de juros de refinanciamento superiores aos juros que os devedores pagam no âmbito do contrato de empréstimo podem requerer a não participação no pagamento da próxima prestação portugal pode optar pelo não pagamento da próxima prestação dado ter de pagar no mercado bancário internacional uma taxa de juro superior aos 5 que receberia do crédito à grécia em contrapartida sócrates terá de renunciar a projectos que só iriam aumentar a crise portuguesa portugal tem de empenhar-se mais em investimentos produtivos o preço do euro desce no mercado internacional os produtos importados de fora da zona euro encarecem a gasolina torna-se mais cara isto parece não preocupar o estado porque em cada litro de gasolina recebe 86 cêntimos de imposto e quanto mais cara a gasolina mais o estado recebe a alemanha tem sido criticada internacionalmente pela mora no apoio à grécia em nome da humanidade acusam o vice-campeão mundial de exportações a alemanha de agravar a situação não acudindo logo à catástrofe esta opinião parece ignorar que as chefias bancárias é que têm orientado a política e a população alemã exige em contrapartida mais rapidez nas reformas de regulação do mercado financeiro neste sector a eu ainda se tem mostrado mais temerosa que os estados unidos da américa falta ao euro uma visão europeia a eu não pode acusar o made in germany de proteccionismo se a eu não tem o controlo do sector financeiro e permite às direcções dos bancos o abuso com antes da crise e por outro lado subvenciona os produtos agrícolas europeus contra a concorrência exterior o ressentimento contra a alemanha é uma moeda de mau pagador os políticos estão interessados no continuar como até agora a alemanha precisa mais tempo para a decisão não só por razões de grupos especuladores mas especialmente porque o cidadão alemão exige muita discussão pública ao contrário do cidadão latino sócrates zapatero berlusconi não são tão controlados e não precisam de sofrer grandes consequências pelas decisões que tomam não há bombeiros capacitados para apagar o fogo que começou na grécia e se alastrará por toda a europa e com ela às nações industriais que continuam a subsidiar os abutres das finanças internacionais É um escândalo que estes ainda não paguem um imposto de transacção e ganhem com as crises que provocam o povo grego protesta e com razão porque tem de pagar a factura enquanto que os especuladores e as grandes multinacionais se safam safam-se porque têm os governos como reféns e o povo à disposição o turbo-capitalismo precisa de quem lhe faça frente antónio da cunha duarte justo alemanha

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eisfluências junho 2010 07 correntes migratÓrias antigamente a escravidão hoje a emigração antónio justo emigração e colonialismo andam de mãos dadas numa história de conquistas destruição e exploração a sociedade produz vencedores e vencidos ricos e pobres o território de portugal e espanha foram primeiramente colonizados pelos fenícios gregos e romanos assumindo até a língua dos colonizadores para mais tarde passarem a ser colonizadores no século xv e xvi o desejo de domínio e de libertação andam de mãos dadas a colonização é feita pelas elites e a emigração dá-se no seio do povo a pobreza o clima as catástrofes e a má política põem o povo em marcha no sentido do norte o direito de emigrar deve ser um direito humano na emigração o povo procura saídas da carência na busca de melhorar a qualidade de vida a ânsia de libertação e a demanda de novas oportunidades é uma constante na humanidade como vemos já no êxodo do povo hebreu levam consigo costumes ideias e o gene rompem assim as fronteiras de países raças e culturas quem está bem não abandona a terra satisfaz o seu espírito aventureiro indo de férias ao estrangeiro a má política é castigada com a emigração cada sistema económico e político têm as mesmas estruturas embora com ligeiras adaptações antigamente a escravidão hoje a emigração não conhece mudanças qualitativas apenas quantitativas a dor e a felicidade não são quantificáveis mantêm-se constantes tal como a elite e o povo na discussão política o tema da emigração não deveria ser aproveitado para tirar dele dividendos todos os partidos se forem honestos terão de confessar o mea culpa em vez de atirarem pedradas aos telhados dos outros a emigração por necessidade é a grande calamidade dos nossos tempos tal com outrora a escravidão e a servidão só uma discussão académica distante poderá ignorar as tragédias humanas que se escondem sob o rosto levantado duma casa construída na terra para os da terra saíram sem casa e morrem longe da casa e da terra os factores de emigração são complexos e os problemas humanos que ela encobre também discurso sobre emigração com diferentes conotações ideológicas como uma discriminação latente conota a emigração com populacho muitos académicos não suportam que se fale duma cultura dos senhores doutores e subserviência cunhal para não dizer cunhada portugal sempre foi hipócrita no trato das questões de emigração a má consciência da nação a inveja de muitos e a irresponsabilidade política que vê saldadas muitas dívidas do estado com as remessas dos emigrantes têm o descaramento de conduzir um discurso leviano e enganador baseado nas diferenças entre a emigração dos anos 60/70 e as de hoje como se a emigração de ontem fosse uma emigração de necessidade e a de hoje uma emigração de liberdade como se os erros de onm desculpassem os mesmos erros de hoje vive-se dum discurso abusador dos emigrantes entre miserabilismo e eufemismo o perfil dos novos emigrantes comunga da mesma realidade do dos anos 60/70 a necessidade usam-se argumentos de mau pagador e confundem-se alhos com bugalhos ao colocar-se no mesmo panelão emigrantes luso descendentes funcionários do estado e contratados especiais de universidades ou de grandes empresas o portugal progressista parece só conhecer especialistas que saem do país os emigrantes auswanderer da alemanha em portugal são também eles emigrantes /imigrantes só que com um outro estatuto que não o dos emigrantes portugueses não foi a necessidade económica mas a mais valias do lazer de sol e do coração português que os levou a ir para portugal gozar da sua reforma no entardecer da sua vida na alemanha quando a opinião pública fala dos seus emigrantes fá-lo manifestando pesar pesar por ter alimentado e formado os seus cidadãos e os ver sair quando deveriam ficar para produzir para a nação na alemanha em assuntos de emigração assiste-se a um discurso de cidadania e de interesses de povo quando em portugal nos ambientes oficiais se fala não de cidadãos mas de emigrantes de cara suja e de emigrantes de cara lavada aos acomodados do sistema é-lhe incómoda a tecla da necessidade e da má administração mas muitos dos que falam com eufemismos sobre a emigração de hoje são aqueles que se ganham bons honorários em projectos e seminários blablabla para ou sobre emigrantes o ideário português sobre os emigrantes desmascara-se a si mesmo quando emigrantes de hoje se sentem na necessidade de se distanciarem dos seus antigos companheiros de destino afirmando que têm melhores qualificações que os de ontem quando em grande parte vêm substituir os emigrantes de ontem nos mesmos trabalhos antigamente respondia-se não vá o sapateiro além da chinela em linguagem mais democrática talvez seja mais adequado dizerse não vá a chinela além do sapateiro os nossos emigrantes hoje como ontem são vulneráveis no mercado de trabalho não falo naturalmente dos destacados do estado e de muitos da segunda e terceira geração integrados na vida social do país de imigração a ilusão e a miopia impedem-nos de reconhecer a realidade precária em que se encontram É uma dor de alma assistir-se ao esvaziamento de portugal o esforço de portugal feito na formação escolar não é eficiente se ao mesmo tempo não cria lugares de emprego que lhes dê saída para a vida É verdade que o ensino universitário em portugal duplicou nos últimos dez anos sem que o mercado de trabalho lhes dê saída vão então para o estrangeiro ocupar lugares as mais das vezes não correspondentes à sua qualificação o contribuinte pagou a sua formação e vê-o sair para ir enriquecer outras economias há alguns académicos altamente qualificados que são contratados pelo estrangeiro como fazem grandes empresas internacionais junto das universidades dos vários países seriam necessários pactos entre universidades nacionais e estrangeiras entre universidades e empresas nacionais e estrangeiras para que portugal não só exporte mão-de-obra mas tenha contrapartidas não há espaço para projectos profissionais nem familiares os finalistas de cursos ficam à deriva a situação obriga a necessidade manda e cada qual safe-se como puder a emigração para países de expressão portuguesa deveria ter prioridade alta para o país de envio e de acolhimento o português é dos poucos povos no mundo que mais se adapta e integra no país de acolhimento sem criar problemas atacar a emigração de ontem e justificar a de hoje é cumplicidade com os exploradores do povo demagogos da palavra deveriam apostar menos no orgulho balofo colectivo para apostar no orgulho da produção colectiva e individual da nação precisa-se dum portuguesismo de obras e não apenas de garganta empertigada o orgulho nacional é de facto o pouco que ainda resta a muitos que para desviarem a vista de si mesmos olham para a incompetência política nacional com um sentimento indeciso de saudade masoquista uma mudança de paradigma face à diáspora portuguesa não se alcança com medidas centradas apenas em aspectos estatísticos como é o caso do observatório da emigração para informar sobre fluxos migratórios de seminários de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres de iniciativas formativas/informativas e de sensibilização por vezes mais preocupadas em aplicar fundos da união europeia e em dar ajudas de custo aos soldados do partido os dinheiros bem aplicados no apoio a associações seriam mais rentáveis antónio da cunha duarte justo membro do conselho consultivo da área consular de frankfurt alemanha

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08 eisfluências junho 2010 contos breves abílio pacheco porre de chopp conheciam-se já há algum tempo amigos de labuta e de bebedeiras drinques de tequila triscos em vodka goles de caipirinha amargores de campari mas nunca haviam tomado um porre de chopp quando isso aconteceu chopps e mais chopps a gosto de água em noite de novembro desestrelada olhos desvendados restrições poucas nenhumas ah dosagem despótica a convergirem rumos de amizade extrapolada atlântida sempre que voltava ao trabalho após o almoço adormecia e quando o ônibus avançava pela avenida em direção ao mar passava-lhe um pensar à-toa que aos poucos tornou-se um sonho recorrente depois progressivo o coletivo passaria direto ao fim da avenida mergulharia e no fundo do oceano todos iriam viver sem desejar mais a superfície e ele se casaria com uma sereia como um dia no parque uma festa de fim de ano um presente de aniversário a lembrança dessa esposa o acompanhava e o agradava mais que isso ansiava por ela até que acordou submerso e à visão reconfortante da cauda enorme alegrou-se abílio pacheco belém pa brasil http abiliopacheco.com.br a demanda do pássaro azul abílio pacheco escritura a eliton moreira e ademir braz abilio pacheco tecer versos é por força fazer sulcos em penedos singrar as pedras todas do mar de si ao avesso derramar suores em gotas no fero vigor do remo É ferir à quilha da fragata as artérias espumosas das altas internas vagas É navegar por entre as rochas e extrair exangues lascas vergões por dentro e por fora É talhar a cerrados pulsos as pedras finas mas duras e lapidar relevos pulcros em fendas pouco profundas É um árduo trabalho infruto que só lega palmas sujas mas é preciso fazê-lo alguém deve abrir as ostras abismadas em seu peito para juntá-las a outras iguais na casca e no meio mesmo que estejam ocas por fim crer que vale a pena mineralizar as lavras como fulcros ao poema e inertes todas deixá-las inativas pelas fendas palavras amortalhadas para que tu só tu possas sugar o cerne dos versos acumulados em poças pelos teus olhares tétricos que desmineram as horas e se desmentem eternos in mosaico primevo pela floresta de grutas e rochedos noite a dentro vida a fora ambas inteiras comigo meus cães meus gatos meus medos e desejos e do candeeiro a luz em corpo esguio de mulher onde o pássaro azul no cemitério no vale nalgum arvoredo a coruja sábia silente os mortos sonsos sabentes o pássaro em canto algum da floresta ou da noite ou da vida sequer uma dica sequer uma pista e durante a noite toda a busca vã mas pela manhã bem à vista no lugar de sempre ­ engaiolado e tímido o pássaro ­ em casa in mosaico primevo sonambolibro abilio pacheco toda madrugada o vizinho chegava do trabalho com o som do carro ligado em volume muito alto perturbava a todos acordava a vizinhança às vezes queixavam-se ao síndico de nada adiantava chamado à atenção deixava o som do carro ligado até às três às quatro às cinco há mais de dois anos ninguém reclamava mais a música sempre assustava o rapaz que levantava da cama caminhava pela casa ia para o cômodo onde ficavam os livros e de luz acesa percorria os dedos pelas prateleiras nos cortes superiores dos livros em busca daquele que havia deixado com o marca-página na noite anterior depois continuava a narrativa interrompida quase até a hora d alva quando algo alarmes de relógio buzinas de carro cantos de galo cortava-lhe o fio da história e ele voltava ao quarto deitava-se para em seguida despertar para um dia sem letras e livros durante madrugadas assim entraram em sua convivência quixote ulisses gregor samsa hamlet santiago lucíola bovary quem quer que o visse entre livros sabia que dali não poderia extraí-lo no início todos da casa cuidavam para que nada lhe despertasse da leitura depois relaxaram nas noites em que o vizinho barulhento tornava a madrugada altissonante e a leitura inviável ou quando alguém inadvertidamente retirava o marca-página da leitura de então o rapaz amanhecia com melancólico transtorno ontológico um efeito colateral um dia entretanto o quarto amanheceu vazio a cama desalinhada confirmava que dormira as primeiras horas normalmente e depois levantara a irmã afirmou não encontrá-lo em cômodo algum da casa nem na biblioteca a mãe tranqüila passava café deve estar entre os livros e estava havia virado personagem de borges ou cortázar in pacheco abílio deurilene sousa org antologia literária cidade poemas contos e crônicas ­ volume iii belém l&a editora 2009 pág 11.

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eisfluências junho 2010 09 a festa internacional da poesia fez-se em coimbra/portugal vii encontro internacional de poetas coimbra de 27 a 29 de maio de 2010 subordinado ao tema as línguas da poesia inconsciÊncia vitor de vasconcelos figueiredo a inconsciência é o fundamento da vida o coração se pudesse pensar pararia livro do desassossego ­ bernardo soares heterónimo de fernando pessoa são cinco da manhã ­ morreu o hoje e nasce um novo dia quero dormir mil angústias vazio sem emoção sem querer pensar e sentir que o coração se pudesse pensar decerto pararia É como se fosse um estado de demência uma hipnose o fim de toda a utopia dormir sem sentir a decadência e não deixar que o coração a pense ­ pararia mas pensando melhor o que dizia fernando pessoa em seu desassossego parando o coração apenas pararia o corpo exangue mas continuaria vivendo a alma cumprindo o desapego ainda bem que o coração só sente e jamais pensa como a nossa vida é fútil e vazia permite-nos viver numa inconsciência imensa pois se o coração pensasse a vida então morria de qualquer modo morremos qualquer dia conscientes ou não de haver sentido num destino que tem de ser vivido na evolução do ser com alegria se o coração pudesse pensar isto pararia vítor de vasconcelos figueiredo lisboa 24/06/2000 http akhnaton.spaces.live.com biblioteca joanina ­ universidade de coimbra/portugal organizado por um grupo de docentes de estudos angloamericanos da faculdade de letras da universidade de coimbra realizou-se de 27 a 29 de maio em coimbra o vii encontro internacional de poetas cumprindo uma tradição de quase vinte anos o vii encontro reuniu uma vez mais poetas de portugal e do mundo em lugares aprazíveis da universidade e da cidade de coimbra ouviram-se as línguas muitas da poesia num encontro este ano subordinado ao tema geral justamente de as línguas da poesia foram convidados entre outros charles bernstein próspero saíz e ntozake shange dos estados unidos da américa marlene nourbese philip de trinidad y tobago/canadá ch´aska eugenia anka do peru régis bonvicino wilmar silva camila do valle dona nice-quebradeira-de-coco e martinho da vila do brasil moya cannon da irlanda liana sakelliou da grécia stephanos stephanides de chipre ana blandiana da roménia amina saïd da tunísia/frança uxue alberdi e miren artetxe do país basco/espanha manuel rui de angola delmar gonçalves de moçambique maria teresa horta ana luísa amaral helga moreira pedro sena-lino cristina nery e ana b de portugal as tardes e as noites destes três dias foram ocupadas com leituras e performances de poesia as manhãs com mesas-redondas para discussão das tendências da poesia contemporânea e problemas de tradução entre as diferentes línguas o evento encerrou com um jantar na quinta das lágrimas fados de coimbra e peter evans trompetista de jazz eua/usa w w w mulher madura ® fahed daher há sim fulgor na primavera é linda no alvorecer no anoitecer no aroma cheia de cor na nova vida assoma a graça do vibrar da vida infinda mas é o verão a vibração assim da exaltação da luz na rubra coma no colorido que ao nascente toma lábios de cio e em seu sabor nos brinda você mulher você a plena aurora na adolescência toda a vida aflora numa ansiedade à busca de ventura você mulher é mais mulher mas quando sua emoção ao tempo sazonando se faz no doce amor mulher madura do livro pureza pecado poesia fahed daher médico 16/12/2000 14,15 horas quinta das lágrimas ­ coimbra/portugal fontes http www1.ci.uc.pt/poetas/eventos/encontro7.htm e http encontrosinternacionaispoetas.blogspot.com carmo vasconcelos directora cultural academia de letras de londrinacentro de letras do paraná curitiba presidente da academia de letras centro-norte do paraná apucarana união brasileira de trovadoressociedade brasileira de médicos escritores vice presidenteparaná

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10 eisfluências junho 2010 pousada luiz poeta ­ luiz gilberto de barros às 17 h e 27 m do dia 19 de maio de 2010 do rio de janeiro ­ brasil chuva da janela observava o tempo as nuvens escureceram rápido engolindo a montanha mais próxima o vento varria o capinzal sacudia as árvores invadia o avarandado arremessava gotículas prateadas na parede frontal do casarão alheia às momentâneas intempéries divagava deixava-se molhar pelos respingos era agradável perceber-se vulnerável cada gota escorrida era como um dedo molhado acariciando-lhe a epiderme solitária de afetos o vento aumentou de intensidade a chuva agora era um chicote cristalino de infinitas pontas cerrou as básculas acendeu a lamparina dirigiu-se ao quarto na intenção de ressonhar a fantasia interrompida reparou uma monótona e repetitiva goteira caindo do telhado pôs sob ela uma bacia estendeu a mão buscando senti-la lá fora a água descia morro abaixo em grossas torrentes barrenta impetuosa saltava o barranco e explodia na terra o barulho da chuva descendo nas calhas o rumor do vento assobiando carências e medos a goteira intermitente no recipiente improvisado a cascatinha explodindo prata na solidão das pedras e os úmidos e avassaladores respingos deram-lhe um súbito prazer fizeram-na comprimir os seios sôfrega num louco suspiro de posses não possuídas sonhava-o caboclo queimado pelo sol rural olhos sedutoramente amendoados felinos espreitando a presa garras afiadas quentes nas suas coxas na varanda boca vulcânica língua de chama no seu pescoço réptil sem veneno acariciando-lhe os ouvidos trôpegos de murmúrios ardentemente dislálicos sentiu todos os tremores num só arrepio lanhou o travesseiro como se fora as costas dele apertou-o entre os seios ventre e perna com volúpia olhos cerrados embevecida pela improvável possibilidade de tê-lo bateram pôs-se de pé num salto ajeitando-se cobrindo o peito seminu mexendo nos grampos ­ um na boca mordida tentou recompor-se abriu a porta do quarto quase refeita do êxtase solitário dissimulando uma trôpega naturalidade disfarçando a prazerosa tontura provocada por uma incontrolável carência afetiva o que foi perguntou sonolenta alguém lá fora ­ respondeu a irmã mais velha ­ pede pousada até a chuva passar quem ­ não conheço disse que veio de longe a cavalo espera que eu vou ver encaminhou-se à sala entreabriu a janela os cabelos soltos no ombro nu sob a camisola o moço aguardava abriu a minúscula portinhola de vidro olhou-o cautelosamente perscrutou-lhe o perfil com atenção tremeu dos pés à cabeça impossível mas aquele homem era o caboclo que sonhara naqueles instantes pregressos filhos de uma nebulosamente passional eternidade entreabriu a custo a porta de madeira maciça moça galopei a noite inteira na chuva estou com muito frio será que a senhora poderia o homem não completou a última frase a jovem e sôfrega mulher não disse e nem poderia dizer nada o ímpeto não deixaria num átimo apenas deixou-se mergulhar na sedução do abismo daquele peito molhado pela chuva que súbita e providencialmente aumentara e a noite chuvosa seria longa maravilhosamente longa espontaneamente luiz poeta ­ luiz gilberto de barros especial e carinhosamente para eisfluências como uma flor espontânea tu surgiste de repente invadiste meus instantes diluindo-te em poesia e foste tomando conta do meu ser serenamente com teu riso com teus gestos teu amor tua fantasia como uma estrela longínqua tu brilhaste mansamente e foste dizendo coisas que só meu silêncio ouvia amiga fraterna doce sutil generosamente sem teu corpo sem teu riso e até sem fotografia e não me cobraste nada nem um verso me pediste distinta de tantas flores que habitam meus sentimentos e invadem constantemente o espaço do meu jardim e assim como chegaste solenemente partiste como um pássaro que canta e depois some no vento sutil espontaneamente ficaste dentro de mim rio de janeiro/brasil encantamento luiz poeta ­ luiz gilberto de barros Às 10 h e 27 min do dia 05 de novembro de 2004 se eu te esqueço lembro que fui teu um dia se eu te lembro é vão o esquecimento se eu te perco encontro a fantasia se eu te encontro perco o encantamento amo te amar e isto me arrepia sinto teu corpo no toque do vento mas tua imagem é tão arredia que se dissolve inteira num momento se fecho os olhos vejo-te mais clara se firmo a vista onde estás fugiste o teu amor é uma flor tão rara que só o perfume mostra que ela existe no fundo eu amo a ausência minha cara se és tão concreta por que tu partiste rio de janeiro/brasil

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eisfluências junho 2010 11 trilogia marco bastos o filósofo sentado a mão no queixo a verdade é a que eu percebo e penso É a construção que faço e aqui a deixo tese não há verdade pura vaidade humana a percepção da verdade não é a verdade o pensamento do filósofo engana antÍtese a verdade na humanidade percebo e penso É a afinidade que tenho e conheço com o universo desconhecido e denso sÍntese uma das outras na convivência que se supõe decorrer da harmonia grávida de virtudes e se pensares que a experiência humana do rio se faz apenas com as canelas pobre de ti repara na apalpação das pedrinhas que teus pés fazem quando vais e quando vens sentes cada pedra sabes o tamanho de cada uma sua cor sua forma sabes nada saberás acaso quais as pedras que pisaste quando foste e quais as que estás a pisar agora que retornas na nova experiência do rio certamente não e não é só com a sola dos pés e as canelas anuecidas que se experimenta o rio senão que também com a bunda atente para isso quem te garante que teus pés não escorregarão nessas idas e vindas e quando vês estás lá estatelado no meio daquele corguinho que é o rio mas não é todo o rio e tuas nádegas lanhadas te ensinarão coisas do rio que nem o frescor da água na canela nem o confundir-se ele com a cor da poeira dourada que o sol lhe derrama nem o cheiro bom da água não lhe haviam ainda proporcionado a você e aquilo ali é rio mas não é todo o rio É rio porque ali há água mas não há toda a água há peixes mas não há todos os peixes há pedregulhos mas não são todos os possíveis pedregulhos que ali estão naquele trecho que tuas canelas e teu corpo todo experimentaram na vadeagem e na revadeagem nas idas e vindas a vau que é tua pálida experiência do rio e como juntar todos os peixes e toda a água e todos os pedregulhos para que saibas como é efetivamente o rio como ver ao mesmo tempo o nascimento do rio seu caminhar por leitos planos e pedregosos ora calmos ora cascateiros límpidas aqui sujas ali suas águas sua espuma e sua planície e o seu findar quando se finda quanto mais subas ao espaço para buscar essa visão de pássaro mais longe estarás do rio e tudo o que verás será sempre um pálida imagem do rio em sua inteireza uma fotografia sem vida nem cheiro quase uma caricatura e haverá quem diga que aquilo é um rio que inocência pensa em tuas pernas jovens e fortes a pisar firme o chão daquele solo líquido que tua experiência agora perfura tal como já fizeste um dia outrora será o pisar de hoje tão forte como o foi o de ontem será a correnteza de hoje menos calma do que era a de ontem e como ficarás quando o titubeio da incerteza te atrasar os passos por não teres reparado que as pernas já não são as mesmas e de fato não no são nem as águas já não são as mesmas como de fato também não são És o mesmo mas não és mais o mesmo mesmas são as águas mas as mesmas águas já não são as mesmas repete-se a mesma experiência que já não é a mesma experiência tudo tão velho e conhecido mas também tão novo e desconhecido ainda segunda idéia a experiência de deus é a travessia diária sem saber se o atrevimento do afoito ou a fragilidade das pernas não fará daquela a derradeira travessia a travessia que não se completará e tropeçarás como todos um dia tropeçamos e cairás e serás envolvido pelas águas e talvez te levantes e etomes a caminhada para concluir mais esta travessia ou talvez não seja mais o caso de te levantares e como os peixes e os pedregulhos te confundirás com as águas que te levarão e farão do destino delas o teu destino e o rio que agora caminha é apenas rio embora nele estejam os peixes os pedregulhos e estejas também ali tu tudo indistinto e o rio chegará ao seu fim que não será propriamente um fim mas um despejar-se num rio muito maior oceânico e eterno e agora que chegamos onde estão os peixes quais as pedras que se acamaram que é feito do rio onde estás tu dr adauto suannes é um magistrado paulista com vários livros publicados seu site http www.circus-do-suannes.com material enviado por marco bastos a experiência do rio dr adauto suannes ­ são paulo brasil a verdade é que apenas deus pode conhecer deus joseph campbell as religiões orientais geralmente não se atrevem a definir deus ao contrário do que ocorre com os ocidentais menos cerimoniosos menos humildes mais atrevidos e mais racionais falar d ele diretamente nem pensar tudo são imagens parábolas e coisas assim como o caso de alguém que perguntasse ao sábio que é a lua e tudo o que o sábio fizesse fosse estender seu dedo indicador dele sábio ali diante dos nossos olhos curiosos que lhe vêem os pelos do sobredito dedo seu tarso mais o metatarso a unha e sua eventual sujidade coberta ou não por providencial esmalte sangüíneo ou de cor outra mais atrevida mas a lua mesmo nada que é da lua mestre e o dedo continua a apontar e o sábio diz vai e vê e quando nós olhamos adiante do dedo que nos indica o caminho lá está uma foice sem cabo que se vai esvaindo até ficar o nada lunar no céu de nossa indagação ignorante que é da lua mestre vai e vê mas se não vejo nada guarde pacientemente que ela lhe ressuscitará primeira idéia crer é ver a lua que não está lá e olha eu agora mirando o rio ali defronte riacho heraclitano que se atravessa a vau e onde o sol despeja aqueles ouros lá dele e nós sem saber qual a cor do rio nem o sabor do rio a não ser atravessando com as águas batendo-nos nas magras canelas meio e modo de conhecer deus quer conhecer deus diznos o sábio banhe-se nele e agora que vadeaste de cá para lá certamente pensas que conheces o rio conheces nada que as águas então vadeadas não mais estão ali senão lá mais embaixo cem ou duzentos metros talvez quilômetro sendo atravessada agora por outras pernas talvez de nossos netos que também pensarão que já experimentaram suficientemente deus tanto quanto nossos tios e avós que cruzaram o sempre rio lá perto do seu nascedouro tempo faz e se vadeares de lá para cá descobrirás que tuas canelas já enriquecidas e satisfeitas da experiência anterior do rio talvez não se abram à nova experiência que é experimentar esse novo rio pois as águas agora são outras não vê que aquelas antigas já lá estão longe sem falar que o rio não são só águas senão que peixes muitos dúzias e dúzias e mais aquelas pedrinhas mais de centena talvez milhar que o passar do rio no rio e através do rio e a decorrente experiência que elas assim façam vai delas aparando as arestas do egoísmo e da irritação da indiferença e da impaciência e lá vão elas se casando umas com as outras roliças de virtudes e paciência respeitando o modo de ser pensamento o homem só é verdadeiramente humano quando se dá isto é quando perde os seus limites roger garaudy do seu livro apelo aos vivos

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12 eisfluências junho 2010 desbravando horizontes À conversa com o escritor e poeta oleg almeida por carmo vasconcelos c.v prazer em tê-lo connosco amigo oleg almeida como reconhecido escritor e poeta e também como nosso prezado correspondente da bielorrússia sua amada pátria sabedores que somos de parte do seu notável percurso vivencial e literário gostaríamos de aprofundar um pouco mais os seus aspectos criativos e pessoais o.a ­ muito obrigado pelo seu amável convite É a primeira vez que uma revista internacional se dispõe a conversar comigo e eu tenho muita coisa a dizer aos nossos leitores c.v ­ É verdade que antes de se instalar no brasil fazia versos em russo o.a ­ É sempre tive interesse pela literatura e comecei a escrever ainda menino com 9 ou no máximo 10 anos de idade meu primeiro poema foi lançado quando estava com 17 lembro-me até hoje da pueril alegria que experimentei ao vê-lo impresso numa coluna literária junto dos versos de alguns autores já consagrados ao longo das décadas de 80 e 90 publiquei várias obras nos jornais de gômel minha cidade natal revistas e coletâneas de poesia bielorrussa na verdade esse período era muito propício às revelações artísticas a tal da cortina de ferro acabava de esfacelar-se e novos poetas surgiam segundo um ditado russo feito cogumelos depois da chuva não só apoiados pela mídia cultural como também recompensados por ela pois é na época dava pra viver de poesia risos c.v ­ como nasceu o poeta lusófono oleg almeida que factores e circunstâncias fizeram com que abrindo mão do seu idioma materno passasse a escrever em português o.a ­ gostaria de frisar desde logo que os motivos da minha mudança para o brasil onde moro há cinco anos não foram econômicos nem muito menos políticos mas puramente sentimentais vim para casar-me com uma brasileira e construir nova vida ao lado dela l amor che move il sole e l altre stelle é que me fez atravessar o atlântico o mesmo se refere ao meu romance com a língua portuguesa se não a amasse de coração usá-la-ia para exprimir as minhas ideias e emoções todo amor é espontâneo e por conseguinte inexplicável quanto ao idioma russo que assimilei como se diz com o leite materno em momento algum deixei de venerá-lo digo-lhe mais ele me sustenta aqui no brasil já que além de poeta sou tradutor profissional c.v ­ podemos então deduzir que se deu bem com a sua mudança para o brasil o.a ­ a imigração tende a desvalorizar qualquer pessoa o fato é notório quem muda de país adulto vê-se obrigado a enfrentar imensas dificuldades de certo modo voltando para trás e recomeçando a vida do nível zero nesse sentido a minha experiência pessoal não foi das mais árduas por um lado tive a sorte de encontrar um bom emprego na área de traduções técnicas que subsidiou a minha estreia literária no brasil por outro lado a família de minha esposa me tem tratado com toda a cordialidade ajudando a resolver aqueles problemas que atormentam creio eu todos os imigrantes pelo mundo afora e adaptar-me pouco a pouco à realidade brasileira tanto assim que eu acrescentei ao meu sobrenome ­ andréev ­ o do sogro finado ­ almeida dessa forma oleg almeida não é pseudônimo mas sim o nome real que consta hoje em dia da minha cédula de identidade c.v ­ parece-nos que a sua trajectória literária se assemelha à do seu conterrâneo e grande escritor vladimir nabókov fale-nos um pouco a respeito disso o.a ­ oxalá tenha ao menos um terço do talento dele risos falando sério nabókov é um dos meus autores preferidos tendo em vista principalmente seus livros escritos em russo e sobre a rússia o público lusófono conhece antes de tudo lolita romance impactante polêmico e talvez por isso mesmo traduzido para a maioria das línguas mundiais enquanto as demais obras do grande mestre ­ a defesa de lújin e convite para o suplício por exemplo ­ muitas vezes lhe são inacessíveis devido ao hermetismo do original russo no que respeita às semelhanças biográficas que a amiga tem observado elas existem sim ainda que sejam bastante superficiais vladimir nabókov escreveu seu primeiro romance em inglês com mais ou menos 40 anos e eu terminei o memórias dum hiperbóreo um pouco mais novo aos 36 ele ensinava as letras russas na universidade cornell eua e eu durante algum tempo dava aulas num instituto particular de brasília felizmente a minha situação no brasil é bem diferente da de nabókov nos estados unidos e outros países que ele percorreu ao sair da rússia por causa da revolução comunista nabókov tinha tanta saudade dela que chegou a cogitar no auge da guerra fria a remota possibilidade de visitá-la à sorrelfa com passaporte falso eu nunca me afastei por completo da bielorrússia e mesmo que nem sempre me entusiasme com a fase que ela está vivendo de uns anos para cá faço de tudo para aproximá-la do brasil minha casa nova c.v ­ qual a sua opinião sobre a poesia brasileira contemporânea e como avalia a sua actual situação o.a ­ há quem declare a poesia brasileira morta e enterrada mas para mim os sinais vitais dela estão normalíssimos risos basta citar alguns nomes de projeção nacional antonio cicero marco lucchesi e antônio carlos secchin no rio de janeiro cláudio willer Álvaro alves de faria e izacyl guimarães ferreira em são paulo antonio miranda e anderson braga horta em brasília bom encerro a lista por medo de omitir alguém conheço vários outros poetas ­ paula cajaty no rio e abílio pacheco no pará cristiane sobral em brasília e marcelo ariel em são paulo ­ que hão de conquistar seu espaço nas almas dos leitores assim como nas estantes das livrarias e os projetos editoriais da câmara brasileira de jovens escritores rio de janeiro da ong paulista celeiro de escritores e do baiano valdeck almeida de jesus que promovem novos autores por meio das antologias impressas e virtuais não graças à criatividade inata e ao otimismo do povo brasileiro a poesia continua viva neste país o que lhe falta a ela é a divulgação sei que é utópico mas em vez de ruminar dia após dia os detalhes chocantes da violência urbana corrupção e desvios psíquicos a imprensa poderia dar mais atenção à literatura tomando por norte digamos o famoso suplemento dominical do jornal do brasil que nos anos 1950 era um verdadeiro porta-voz das artes brasileiras É pena os tempos terem mudado

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eisfluências junho 2010 13 c.v ­ como encara a poesia no global da literatura mundial dos nossos dias e por que a poesia continua a ser no mercado livreiro um produto de vendas reduzidas preferida apenas por um número restrito de leitores o.a ­ do ponto de vista comercial a poesia fica cada vez mais marginalizada cedendo lugar aos livros de autoajuda que mais nos assombram do que auxiliam esta é nossa atualidade que não tem feitas as contas nada de atual quantas pessoas lá na roma antiga liam catulo ­ umas dezenas de românticos e intelectuais que pelo menos sabiam ler e quantas assistiam às batalhas de gladiadores ­ uma multidão infinita praticamente toda a nação romana e o que foi que aconteceu no decorrer dos séculos os nomes dos guerreiros mais aclamados caíram no total esquecimento suas vitórias se tornaram pó e os versos de catulo continuam lidos e apreciados no mundo inteiro a poesia é por natureza imaterial não é dedicada à eternidade ela não dá outro proveito senão um indefinível prazer estético será que se enquadrariam nos nossos padrões de consumo o raio de sol que entra de manhãzinha pela janela o vento que balança a ramagem de uma bela árvore ou o sorriso da mulher amada claro que não a poesia não se vende porque não tem preço c.v ­ na sua opinião acha que a publicação virtual tem ou não vantagens em relação ao livro impresso o.a ­ depende como leitor prefiro os livros tradicionais ou seja impressos contudo o meu trabalho rotineiro se baseia em numerosos textos específicos e para consultá-los eu simplesmente não posso prescindir da internet então é uma questão de preferências pessoais fora isso pouco importa que o pai meio careta leia bocage no papel e o filho mais pop na tela do computador bocage é sempre bocage c.v ­ fale-nos um pouco sobre a antologia stéphanos que mantém na sua página virtual o.a ­ montei a stéphanos com o fim de reunir numa espécie de enciclopédia virtual as mais variadas correntes da poesia lusófona contemporânea no início do ano apenas 6 poetas participavam desta antologia e agora 44 autores luso-brasileiros evidenciam seu potencial criativo nas páginas dela o projeto ainda está longe do seu término mas acho que em traços gerais ele deu certo aliás é só conferi-lo no meu sítio c.v ­ quer deixar-nos os seus planos literários para um futuro próximo o.a ­ o que mais quero hoje é escrever e na medida do possível publicar os meus versos tenho quatro livros inéditos as versões portuguesas dos pequenos poemas em prosa de charles baudelaire e dos cantos de bilítis de pierre louÿs que fiz em homenagem ao ano da frança a versão russa da peça teatral tu país está feliz de antonio miranda e o meu novo livro de poesia intitulado quarta-feira de cinzas e outros poemas espero que consiga ­ se deus quiser ­ editá-los todos c.v ­ muito obrigada amigo oleg a revista eisfluências fica-lhe grata pela gentileza desta entrevista e para terminarmos qual a sua visão crítica/literária em relação a esta nova publicação o.a ­ a meu ver a eisfluências ­ igual às outras mídias alternativas ­ está fazendo o que a imprensa oficial deixa de fazer por essa razão é que me solidarizo plenamente com as suas nobres atividades não é fácil preencher as lacunas culturais de que acabei de falar mas vale a pena tentarmos http www.olegalmeida.com w w w nota de falecimento faleceu no passado dia 30 de maio o grande poeta paulo monti divulgador da cultura letras e artes que esteve entre nós por anos consecutivos um grande pacifista e humanista queremos nos unir a sua família neste momento de dor o poeta partiu mas não morreu ele está entre nós através do seu incansável trabalho pela paz cultura e literatura É através deste legado que permanecerá vivo entre nós bom amigo que deus o tenha ao seu lado e que você seja uma estrela a mais na constelação dos poetas paulo querido amigo não é sua partida que vai fazer com que esqueçamos de você e de todo seu empenho empenho este sobre o qual conversámos por inúmeras vezes deus te abençoe querido amigo À família enlutada a eisfluências apresenta os mais sentidos pêsames mercedes pordeus chefe de redação e proprietária da eisfluências breve biografia paulo monti era natural de itaqui-rs e residia em porto alegre rs poeta escritor e ativista cultural participou de concursos no centro de estudios poéticos madrid espanha desde 2004 era mensageiro da paz através do programa manifesto 2000 criado pela unesco www unesco.org que nomeou a década de 2001-2010 como a década internacional por uma cultura de paz e não violência contra as crianças no mundo inteiro atualmente participava como colaborador ativo com poesias em português e espanhol do programa poesía y algo más através da rádio arinfo http www.arinfo.com.ar o qual é produzido e apresentado por maria elena sancho e que se difunde somente pela internet desde a província de buenos aires aos sábados das 20:00h às 21:00h miembro del comitê poyecto .c.del sur la habana cuba www.proyectoculturalsur.org membro correspondente da academia itaperunense de letras corresponsal literário de la delegación avellaneda de la sade seccional sur bonaerense argentina membro da casa do poeta rio-grandense em porto alegre-rs membro da casa do poeta latino-americano em porto alegre-rs participou há alguns anos atrás de concursos nacionais como o prêmio nestlé de literatura de jornadas de poesia no centro de ensino unificado de brasília [ceub e tantos outros obteve menção honrosa no concurso internacional de poesia livre sol vermelho prêmio celito medeiros 2004 vindo a participar da antologia impressa promovida pelo concurso também participou da antologia de poetas brasileiros contemporâneos 12 da câmara brasileira de jovens escritores primeira edição novembro de 2004 editor e diretor da revista literária paralelo 30 em http geocities.yahoo.com.br/paralelo_30/index.htm recordando um dos seus poemas aurora ­ paulo monti um sono profundo marcado no velho sapato corrompido pelo tempo aprisiona o ruflar das asas sonolentas da manhã o passeio noturno liberta antigas canções e em coloridos poços sonoros vivem suaves mas tristes criaturas antigos humanóides num grito isolado e quase sufocado algumas tímidas borboletas ameaçam o primeiro vôo o primeiro vôo e nas contrações azuis da minha sombra transformo-me em anjo sonoro e musifico faço-o até a última pena até que a primeira estrela da manhã bruscamente poligonize-se em minha janela.

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14 eisfluências junho 2010 leituras uma história de mulheres para mulheres de que os homens também gostam foi no dia 20 de maio no centro nacional de cultura em lisboa o lançamento de mais esta obra ímpar da escritora deana barroqueiro a revista eisfluências esteve lá representada pela nossa directora cultural carmo vasconcelos depois de termos publicado na nossa edição de fevereiro o êxito que foi o lançamento de o espião de d joão ii com entrevista à autora não resistimos a trazer-vos este novo lançamento de deana barroqueiro uma escritora cuja criatividade literária jorra em qualidade e abundância o romance da bíblia é agora a reedição revista e reorganizada como um romance histórico num só volume dos contos e novos contos eróticos do velho testamento da mesma autora e publicados em 2003 e 2004 a razão que me levou a escrever sobre um tema tão delicado capaz de ferir ainda algumas susceptibilidades em muitos quadrantes deste nosso mundo foi talvez a percepção de que as lendas parábolas e histórias exemplares do antigo testamento com as sua personagens sacralizadas e durante milénios intocáveis nunca tinham sido olhadas e escrutinadas do ponto de vista feminino e focando particularmente a condição da mulher era um desafio irresistível para uma amante de causas perdidas deana barroqueiro «o romance da bíblia possui o riso que acontece debaixo da palma da mão entreaberta sobre a boca mas igualmente o desfrute do gozo ambiguamente trocado tomado pelo gosto do outro no tactear da língua um livro de memórias ancestrais que nos mostra o despertar da mortal e venenosa serpente das seitas religiosas do obscurantismo do sexismo com a sua rancorosa face mas o romance da bíblia é ainda a beleza trabalhada cinzelada com um bom gosto literário inusitado eu diria mesmo raro na ficção portuguesa o livro de deana barroqueiro traz consigo a visão da mulher lúcido olhar que ao longo dos séculos tem faltado à visitação deste universo da bíblia velho testamento moralista repleto de anciãos preguiçosos libidinosos e lascivos de brutamontes ignorantes e violadores convocados por um deus irado frente à própria incompetência e à própria imagem segundo a qual teria criado o homem de quem afinal não gosta e castiga e é precisamente no enredamento deste dilema que se abrem as páginas do primeiro dos dezanove textos que fragmentariamente irão formar um todo literário uno falando de noé e de jacob de isaac e de sansão de asmodeu e dos circuncisos de labão e de abraão arrancando-os do seu pedestal de heróis divinos com uma habilidosa crueldade implacável.» teresa horta crítica literária especialmente para vós um dos textos do livro as nÚpcias de asmodeu sara lembrou-se de como a sua revolta fora castigada quando pela primeira vez orara a deus para que a livrasse do noivo idoso escolhido pelo pai era ela ainda uma menina raguel vira apenas o seu proveito no casamento de sara com o velho e rico parente um acréscimo de património para a sua família e não olhara à felicidade da filha nem atendera aos seus choros e súplicas para não ser dada a um marido cinquenta anos mais velho do que ela então a moça desesperada prostrara-se no chão do seu quarto com a face por terra e invocara as forças divinas em sua ajuda mas os céus permaneceram surdos e o casamento não fora cancelado como não havia lugar para a rebeldia em casa de raguel sara recalcou dentro de si a dor o desespero e o ódio enquanto mostrava ao mundo o sorriso triste da resignação como se no seu corpo habitassem dois espíritos distintos as primeiras regras tinham-lhe aparecido poucos meses antes e sara contemplava com maravilhada surpresa as transformações do seu corpo os seios a arredondarem-se como os pomos da macieira do quintal a cintura estreita acentuada pela curva graciosa das ancas o triângulo escuro e sedoso do sexo por onde se escoava o fluxo impuro mas vivo da sua fecundidade sobretudo espantavam-na as sensações novas que lhe faziam palpitar o coração o sangue fluir mais rápido e quente nas veias o ventre intumescer como um fruto sumarento e a pele arrepiar-se de gozo sempre que avistava chilad o moço pastor mais disputado pelas mulheres da sua casa devido à sua formosura de noite no aconchego do leito quando a sara obediente e submissa depois de muito chorar o seu destino de noiva de um velho consentia ao sono consolador cerrar-lhe as pálpebras cansadas uma sara rebelde e enfurecida tomava o seu lugar e deixava a imagem do moço pastor escorregar para debaixo das mantas e tocar-lhe o corpo que se revelava todo outro diferente e assustador fonte de prazer e de remorso.

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eisfluências junho 2010 15 as suas mãos guiavam os dedos calejados de chilad nessa viagem de descoberta e iniciação tacteando e entreabrindo os lábios macios que se ofereciam num beijo tocando a língua quente e húmida percorrendo a linha esbelta do pescoço e da garganta até à brancura arredondada dos seios onde os dedos se atardavam afundando-se na espessura da carne para volverem à tona do prazer com os mamilos aprisionados numa carícia a endurecerem num arrepio de pele que a fazia gemer mas as mãos ansiosas não se demoravam aí desciam impacientes até à cintura buscavam o nó do umbigo o ventre liso e doce o interior das coxas que estremeciam ao toque inábil e se contraíam aprisionando os dedos contra as virilhas como se quisessem impedir a violação do tesouro o mistério do amor guardado no vértice macio do seu corpo cuja exploração lhe trazia o êxtase onde se deixava submergir abafando um grito contudo se não lograram tocar as divindades do céu a súplica e rebeldia de sara encontraram eco nos numes do inferno pois asmodeu ouvira-a acorrera em seu socorro e apoderara-se dela para sempre nessa noite mesmo entrou-lhe nos sonhos de menina apanhando-a indefesa e desprevenida com carícias que lhe devoravam o corpo num prazer doloroso e a faziam contorcer-se como uma serpente e morder os panos da cama para abafar os gemidos e os gritos na garganta dessa vez não era chilad o pastor simplório que costumava acariciá-la com dedos apressados mas um amante desconhecido que tomava posse da sua vontade lhe forçava as mãos e os dedos às carícias mais lascivas sujeitando-a a uma perversidade e luxúria de gestos e posições que lhe punham o corpo em brasa e a inebriavam como o suco fermentado das uvas quando exausta e suada rolara no leito quase desfalecida uma voz soara-lhe aos ouvidos rouca e áspera murmurando-lhe um segredo terrível ­ eu sou asmodeu nomeado em segredo entre os que me veneram por aquele que faz morrer ­ a voz baixou ainda mais num arremedo quase humano de ternura quando acrescentou ­ mas podes chamar-me asmoday ou acheneday se preferires pois a tua beleza achou graça aos meus olhos e eu elegi-te para minha esposa sara estremecera de horror ao ouvir a criatura diabólica que se apossara da sua carne e do seu espírito nomear-se a si própria por asmodeu o senhor dos shedin os demónios com garras de galo nos contos ouvidos às segadoras de seu pai nas noites de ceifa e debulha ele aparecia como o pior de todos os demónios com três cabeças diferentes ­ uma de touro outra de homem com hálito de fogo e a terceira de carneiro um fornicador um porco sujo tinham afirmado as mulheres mais velhas cuspindo para a fogueira e fazendo uma breve oração de esconjuro contavam casos de mulheres possuídas pelo ser maligno fornicadas até à morte e um frémito de terror e de ansiedade percorria a roda das mulheres mais moças ou formosas silenciando os risos e fazendo-as deitar olhares furtivos e inquietos aos lugares mais sombrios da eira primeiro julgara sonhar um dos muitos pesadelos que nos últimos tempos lhe povoavam os sonhos de medo e violência à mistura com estranhos desejos que nem à amiga mais querida ousava confiar rezara com muita devoção jejuara mesmo a fim de afastar os maus pensamentos e o doce formigueiro do seu corpo e não mais voltara a escutar a voz terrível dos seus demónios porém a sua perdição começara verdadeiramente na noite das primeiras núpcias depois de uma cerimónia onde todos menos ela festejavam e se alegravam com a ventura de raguel pois a noiva tinha o coração negro de tristeza como se assistisse ao seu próprio funeral à morte de todas as ilusões e sonhos de amor da sua adolescência quando depois de a prepararem e deitarem no leito as mulheres abandonaram o quarto com risos e chistes maliciosos sara ficou só com a sua angústia e a sua raiva à espera do marido que haveria de acercar-se dela nessa noite para a conhecer e assegurar a sua progenitura se ela não fosse estéril como poderiam pedir-lhe que amasse aquele velho parente austero e sem graça já com alguns netos da sua idade o medo do que a esperava a revolta e a ira que a sufocavam esmagavam-na queria sair dali fugir para muito longe antes que as mãos enrugadas e gastas lhe tocassem no corpo a boca desdentada se apoderasse da sua o sexo o marido entrou um pouco cambaleante com os olhos brilhantes e um sorriso de bem-estar despiu as roupas no canto sombrio do quarto enfiou a veste de dormir e abeirou-se do leito para se deitar foi o momento escolhido para asmodeu se apoderar do espírito de sara com a violência de um vendaval enchendo-o de imagens de violência ódio e morte vozes soaram dentro da sua cabeça ora persuasivas ora ofensivas e hostis incitando-a à revolta e à vingança de todas as humilhações até haver nos seus olhos de menina um brilho de demência o velho afastou as mantas subiu para o leito e inclinou-se sobre o delicado corpo adolescente um jorro de obscenidades soltou-se da boca de sara ao mesmo tempo que o seu torso se arqueava as mãos agarravam os cabelos do atónito marido puxando-lhe a cabeça para baixo prendendo-a entre as coxas com o rosto esmagado contra o sexo as suas pernas cruzaram-se por trás do pescoço do homem com uma força sobre-humana impedindo-o de se soltar não lhe permitindo senão pequenas convulsões e uma respiração ofegante que se assemelhavam a carícias e a faziam apertar as coxas com maior violência e morder os lábios até sangrarem quando o seu corpo se abriu em espasmos de deliciosa agonia sara libertou finalmente a cabeça do esposo que rolou sobre o leito sem vida depois pela lei do levirato sara fora dada sucessivamente aos seis restantes parentes com direito de resgate sobre ela e a cada goel ou libertador da sua viuvez asmodeu dava a morte para que nenhum homem se abeirasse dela e conhecesse a sua nudez que o enamorado demónio da luxúria reclamava para si escute trechos do livro na voz de luíz gaspar do estúdio raposa http www.estudioraposa.com/index.php/09/05/2008/poesia-erotica-25-as-nupcias-de-asmodeu saiba mais em http deanabarroqueiro.blogspot.com e http romancedabiblia.blogspot.com material gentilmente cedido pela autora à revista eisfluências e compilado por carmo vasconcelos w w w notícias museu evita em buenos aires argentina el 26 de julio de 2002 exactamente cincuenta años después de la muerte de evita su sobrina nieta cristina alvarez rodríguez inauguró el museo evita en buenos aires evita una figura de una importancia histórica que abarca dos siglos ahora tiene su propio museo el museo evita reside en una casona construída para la familia carabassa durante la primera década del siglo veinte el arquitecto estanislao pirovano le dio su imagen formal que combina elementos de los estilos plateresque y del renacimiento italiano este hermoso edificio fue declarado monumento histórico nacional en 1999 en 1948 la fundación eva perón compró restauró y dedicó la casa como hogar de tránsito nº 2 un refugio temporario para mujeres y niños sin recursos el 18 de julio de 1948 evita inauguró el hogar con estas palabras el hogar de tránsito ampara al necesitado y al que momentáneamente no tiene hogar todo el tiempo que sea necesario hasta que la ayuda social le encuentre trabajo y vivienda evita ofreció a las mujeres y los niños una puerta abierta una mesa tendida una cama limpia y también consuelo y estímulo aliento y esperanza fe y confianza en sí mismo alguna vez los muros de este edificio hicieron eco de la voz apasionada de evita y de las voces alegres de las mujeres y niños que encontraron refugio adentro ahora es la sede del museo evita un museo vivo donde las personas que lo visitan pueden conocer entender y apreciar la vida de la mujer más importante de la historia argentina ubicado en la calle lafinur 2988 en palermo el museo evita forma parte del circuito turístico de la ciudad de buenos aires junto con el museo de arte decorativo el museo nacional de bellas artes el palais de glace y el museo de arte latinoamericano da nossa correspondente em buenos aires maria cristina garay de andrade http mariacristinadesdemissilencios.blogspot.com/

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