O Campo - 14ª edição

 

Embed or link this publication

Description

Revista O Campo - publicação do departamento de comunicação da Coopermota.

Popular Pages


p. 1

Edição 14 • maio | junho • 2016 Manejo Integrado NEMATOIDE SOB ANÁLISE Dia de Campo analisa desenvolvimento do milho Motocultivador facilita plantio de abacaxi

[close]

p. 2

Agora somos: COOPERMOTA Cooperativa Agroindustrial

[close]

p. 3

Carta ao leitor MANEJAR DE FORMA INTEGRADA “Eu vou falar sinceramente para você: se não fosse a insistência da Embrapa em trabalhar aqui nesta área eu já tinha transformado em pasto”. O produtor já ameaça “jogar a toalha” frente às dificuldades que encontra no manejo do nematoide em sua propriedade. Depois que o verme se multiplica, as dificuldades ainda são maiores para a obtenção de produtividade e lucros nas áreas afetadas. Estas e outras situações são muito comuns entre os produtores que possuem reboleiras de nematoide de grandes proporções em suas propriedades. Embora seja um tema que vem sendo discutido há algum tempo, ainda existe muitas dúvidas entre os agricultores sobre a melhor maneira de conviver com este verme ao ponto de reduzir a sua população a uma situação em que não traga tantos danos. Diante disso, a pesquisa com dados específicos de cada região se torna cada vez mais importante para ajuda-los nesta ação. Em uma área de Assis, na Estância Água Rica, a Embrapa iniciou um estudo com diferentes ensaios que mesclam os manejos genéticos, culturais, químicos e biológicos, com a utilização de rotação de cultura com forrageiras e milho, uso de variedades resistentes, além de produtos químicos e biológicos em diferentes fases de desenvolvimento da soja. A pesquisa foi iniciada com as forrageiras em fevereiro deste ano e deve apresentar resultados a médio e longo prazo com dados precisos sobre os resultados de diferentes medidas em análise, no que se refere ao solo e clima do local. O solo arenoso da propriedade pesquisada facilita a multiplicação do nematoide e, segundo o produtor, é um desafio que vem sendo enfrentado por ele há alguns anos. Além deste assunto, esta edição do bimestre de maio e junho, também aborda algumas análises do milho em fase de finalização de ciclo, para aqueles que realizaram o plantio no início de outubro do ano passado, bem como também traz reportagens de plantios alternativos como o da batata-doce e do abacaxi. Uma série de outras notícias você irá encontrar na revista O Campo, com uma leitura leve e construtiva. Aproveite. Boa leitura! Vanessa Zandonade Expediente Publicação da Coopermota Cooperativa Agroindustrial EDIÇÃO, REPORTAGENS, FOTOS E REVISÃO Vanessa Zandonade Mtb 43 463/SP COLABORAÇÃO E FOTOS Bruna Reis Mtb 55 404/SP MENOR APRENDIZ Lilian da Silva de Oliveira ARTE E DIAGRAMAÇÃO NOVAMCP Comunicação IMPRESSÃO Magraf TIRAGEM 3000 exemplares ANÚNCIOS Departamento de Comunicação Coopermota 18 3341.9436/ 18 99163.0985 REPRESENTANTE COMERCIAL Guerreiro Agromarketing - Maringá Agromídia - São Paulo REVISTA O CAMPO Av. da Saudade, 85 Cândido Mota - SP ocampo@coopermota.com.br PRESIDENTE Edson Valmir Fadel VICE PRESIDENTE Antônio de Oliveira Rocha DIRETOR SECRETÁRIO Silvio Ap. Zanon Bellotto maio | junho 2016 O CAMPO 3

[close]

p. 4

Olhar Cooperativo Sumário 57 anos plantando e colhendo boas parcerias Completamos em maio 57 anos de cooperativismo desenvolvido na região do Médio Paranapanema. Nos últimos anos, especialmente, ampliamos nossa atuação para além destes limites, com unidades também no sudoeste do estado de São Paulo e Alto Paranapanema. Neste tempo todo buscamos alcançar a excelência no trabalho realizado, buscando ser referência em agronegócio para o produtor. Avaliamos positivamente os rumos que tomamos e acreditamos estar no caminho certo de apoio à agricultura regional e de sustentação para o crescimento do nosso cooperado como também da própria cooperativa, seu patrimônio. Nesta última década quase duplicamos a quantidade de Unidades de Negócios da Coopermota, chegando a cidades que se estendem de Ipaussu, na região sudoeste do estado, até Teodoro Sampaio, na outra ponta do Vale Paranapanema, percorrendo uma distância aproximada de 300 quilômetros de atuação. Tal expansão foi acompanhada de uma remodelação no modelo de negócio da cooperativa, com o olhar voltado para estruturas modernas de trabalho e de relação com o mercado. Continuamos, no entanto, caminhando nesta linha de crescimento, apoiados por nossos cooperados, com novas unidades já em fase avançada de negociação. Estamos agora quase concluindo mais um ciclo da segunda safra de milho e esperando sempre por bons resultados. A expectativa é que eles nos auxiliem nesta alavanca de impulsão para o desenvolvimento constante da agricultura como um todo. Passamos por um período preocupante de seca em uma das fases de desenvolvimento do milho e o momento ainda é de incerteza sobre quais serão de fato os resultados desta produção regional, porém nos mantemos confiantes em resultados que ainda sejam favoráveis ao agricultor. 05 09 14 21 26 29 32 36 Embrapa faz ensaio sobre nematoide. Dia de campo avalia milho no final do ciclo de produção. Motocultivador auxilia plantio de abacaxi. Cultivo de batata-doce como alternativa de cultura. Treinamento capacita profissionais na classificação de grãos. Projeto de formação de publica atinge quase 3 mil estudantes. Entrega de cota parte agrada cooperados. A cultura do cinema chega a Iepê. Edson Valmir Fadel Presidente da Coopermota 4 O CAMPO maio | junho 2016

[close]

p. 5

Capa - Assis Manejo integrado no controle do nematoide Pesquisadores da Embrapa analisam resultados de controle do nematoide com o uso de manejo integrado na região s amostras são coletadas dos talhões e analisadas em laboratório. O resultado é considerado para a constatação da quantidade de vermes por centímetro cúbico e, posteriormente projetado para a presença de nematoide em alqueires. Nas extensões da propriedade afetada pelo verme foram realizados testes laboratoriais para a detecção da espécie presente na área, com a constatação de uma grande população de fêmeas reprodutoras. O local em questão está localizado na Água do Matão, em Assis, Estância Água Rica, onde serão realizadas análise de resultados do controle de nematoides por meio de um manejo integrado que envolve aspectos genéticos, culturais, químicos e biológicos. A iniciativa é da Embrapa com o apoio da Coopermota e do produtor. A pesquisa foi iniciada no ano passado, porém as primeiras culturas de forrageiras foram cultivadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), em fevereiro deste ano, contando com o apoio do cooperado da Coopermota, Paulo Sérgio Rosa. Atualmente a área está cultivada com milho, milheto, crotalária e braquiária. As aplicações práticas da pesquisa vêm sendo conduzidas pelo pesquisador Dr. Geraldo E. de Souza Carneiro. Rosa comenta que chegou a considerar a área como perdida economicamente para o cultivo de soja. Diante disso, avalia que a pesquisa realizada na sua propriedade será muito importante para que se possa ter valores reais da eficiência de todos os procedimentos a serem tomados a partir de uma análise sem tendências comerciais sobre as diferentes variedades cultivadas na região. “Faz uns 15 anos que nos aproximamos da Embrapa quando eles vieram para cá para fazer pesquisas de resistência do nematoide no sitio, mas estes ensaios com manejos integrados será a primeira vez. Se não fosse a insistência da Embrapa com estes ensaios na tentativa de controle do nematoide já tinha transformado tudo em pastagem”, diz. Segundo o produtor, a presença do verme na área em estudo aumentou muito depois do cultivo de uma variedade suscetível à sua multiplicação. “Havia aquela variedade com um teto produtivo bastante alto e me empolguei em plantar essa semente mesmo sabendo que possuía nematoide no solo de minha propriedade”, lembra. Comenta que já fez testes relacionado ao uso de mais de 10 nematicidas, mas constata que o controle químico não surte o efeito A Paulo Sérgio Rosa mostra a braquiária cultivada na área. maio | junho 2016 O CAMPO 5

[close]

p. 6

econômico e produtivo esperado quando feito de maneira isolada, além disso, enfatiza que esses produtos são muito caros. “Dizem que o nematicida precisa de um tempo de uso para ter resultado, mas eu já usei por três safras seguidas, com aplicação no sulco e isso não surtiu efeito. A única medida em que tive melhores resultados foi com a adoção de uma variedade resistente, mas por outro lado, estas variedades possuem teto produtivo baixo, têm ciclo mais tardio e também são suscetíveis à proliferação da ferrugem”, enfatiza, com base nas experiências que realizou na sua área. A extensão com maior incidência de nematoides na Estância Água Rica representa aproximadamente 30% de toda a propriedade. “O problema é que a gente mesmo espalha o verme pela propriedade a partir da nossa circulação com implementos e máquinas. Nos últimos tempos adotei a prática de lavar tudo antes de usar”, cita. Além disso, o produtor tem adotado a postura de partir para culturas que não oferecem alimentos para o nematoide como a mandioca, por exemplo. “Quando você planta uma variedade resistente ela nasce bonita porque a cultu- ra anterior em que houve o ataque do nematoide não consumiu os nutrientes que foram colocados no solo, mas ela não resiste a nenhum veranico e as perdas são grandes. Há uns quatro anos, nesta área não colhi nem 40 sacos de soja por alqueire”, diz. Embora a adoção de variedade resistente tenha sido a melhor iniciativa para que se possa conviver com o nematoide, o agricultor comenta que tem encontrado dificuldade em ter acesso a uma semente desenvolvida pela Embrapa e que vem sendo cultivada em Mato Grosso e Goiás. “As notícias sobre esta variedade são boas, mas está difícil encontrar por aqui. Tenho um irmão que mora em Rondonópolis e vou tentar comprar esta variedade por lá”, afirma. Além de avaliar a eficiência da adoção do manejo integrado, o estudo também pretende analisar o tempo que os resultados obtidos pelo cultivo de forrageiras continuam a ser constatados no solo e considerados eficientes. “A gente sabe que dá certo plantar uma crotalária por exemplo, mas o que se quer saber é por quanto tempo os benefícios serão mantidos”, comenta. Paulo mostra etiqueta que indica toda a previsão de cultivos no local } OS ENSAIOS A área que vem sendo analisada pela Embrapa quanto aos nematoides foi semeada em fevereiro com milheto, milho, crotalária e braquiária. O espaço foi separado em faixas de quatro metros com o cultivo de cada uma destas forrageiras com critérios de localização definido por sorteio. Após a incorporação das coberturas vegetais no solo, cada parcela receberá uma variedade diferente de soja. As faixas de quatro metros serão subdivididas longitudinalmente a cada quatro metros, de forma que uma mesma variedade esteja plantada sobre regiões de solo que recebeu diferentes tratamentos de cobertura vegetal, em talhões de 4x4m. Uma mesma combinação de cobertura de solo e variedade será repetida pelo menos 40 vezes. “Quando a soja está plantada os pesquisadores visitam esta área toda semana. Acompanham o desenvolvimento da planta de perto”, diz. 6 O CAMPO maio | junho 2016

[close]

p. 7

Raiz de crotalária cultivada na área. } NEMATOIDES A quantidade de nematoides que atacam a cultura da soja passam de 100 no que se refere às espécies, entre mais de 50 gêneros. Contudo, os mais comuns e que têm apresentado danos mais severos à cultura são conhecidos por nematoides de galha (Meloidogyne javanica ou incógnita), de cisto (Heterodera glycines), de lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) e o reniforme (Rotylenculus reniformis). Na região de Assis, onde está localizada a área em estudo, o verme mais comum é o da galha, como também os das lesões radiculares, em algumas localidades. O agrônomo pesquisador da Embrapa, Dr. Waldir Pereira Dias, destaca que as áreas em que o nematoide já se alastrou, o produtor precisa aprender a conviver com o verme, reduzindo sua população a índices que não comprometam a produção da soja. Diante disso, alerta os agricultores para que não façam a compra das sementes que serão cultivadas em sua área apenas pelo preço do produto, mas sim para atender a sua realidade. “O nematicida ajuda, mas não resolve. Uma ferramenta só não resolve. O que precisa ser feito é um manejo integrado por diversas ações, seja por rotação de cultura, plantio de variedades resistentes ou tratamento de sementes, entre outras medidas”, afirma. Ele alerta que se o verme se alastra pode ficar sem controle. maio | junho 2016 O CAMPO 7

[close]

p. 8

Dr. Geraldo em palestra realizada em Mirante do Paranapanema } DE PASTAGENS PARA SOJA Fora dos limites da região do Médio Paranapanema, em Assis, no início de maio, pelo menos 50 produtores da região do Distrito Costa Machado, em Mirante do Paranapanema, estiveram reunidos no salão da capela São José daquela cidade para buscar mais informações sobre este verme. Os pesquisadores Dr. Waldir Pereira Dias e Dr. Geraldo E. de Souza Carneiro, da Embrapa/Londrina, conduziram as orientações aos produtores durante o evento. O gestor da Unidade de Negócios da Coopermota, Clóvis Doná, destaca que a maioria do público presente na palestra deve iniciar o plantio de soja nas próximas safras e buscam informações preventivas contra este verme que tem poder de danos bastante efetivos na cultura da soja. “A maioria dos produtores que está aqui hoje planta capim e está ligado à pecuária, mas muitos deles querem entrar na área de grãos nesta região também”, diz. Paulo em meio ao milheto, a crotalária, a braquiária e o milho 8 O CAMPO maio | junho 2016

[close]

p. 9

Cândido Mota MILHO EM ANÁLISE HÍBRIDOS, QUÍMICOS E MANEJO CORRETO Dia de campo realizado em Cândido Mota em três localidades distintas avalia híbridos em fase de colheita e final de ciclo O s híbridos começam a ser colhidos nos últimos dias de maio. As amostras já analisadas demonstraram boa capacidade de desenvolvimento e, além disso, um melhor desempenho em situações de estresse hídrico, como ocorreu na região, se comparado com a realidade da soja. No final de maio e início de junho, os resultados do milho de segunda safra ainda eram incertos e a procura por informações atraiu dezenas de produtores no dia de campo realizado pela Coopermota em áreas da região de Cândido Mota. A iniciativa foi realizada em parceria com a Basf, Coodetec e KWS, com demonstrações de desenvolvimento de híbridos e o uso de fungicidas, bem como manejo adequado para a busca de melhores resultados. O graduando em agronomia, Paulo César Antunes (Gamarra), comenta que foram cultivadas diferentes variedades de híbridos na região e cada um respondeu diferente no que se refere ao seu desenvolvimento. “Em alguns locais temos áreas que estão excelentes no ponto de vista de produtividade, com mais de 200 sacos por alqueire”, avalia. Ele cita que muitos ficaram desanimados com as condições do clima, mas salienta que aqueles que fizeram maio | junho 2016 O CAMPO 9

[close]

p. 10

investimentos mais expressivos provavelmente também terão os melhores resultados caso não haja mais interpéries climáticas espressivas. Ele acrescenta que o milho de segunda safra deste ano deve apresentar uma variação inferior relacionada ao potencial de produtividade dos híbridos, mas lembra que no ano passado a cultura resultou em produções consideráveis, que estimularam muitos produtores. Dessa forma, incentiva os agricultores a fazer os investimentos necessários à produção. Na ocasião, o produtor Eliseu Martins ponderou que a realidade do milho na primeira localidade em que visitaram não correspondia com a maioria das plantações regionais, já que enquanto a área visitada foi plantada em 17 de janeiro, a maioria dos agricultores da região fez o plantio até a primeira semana de fevereiro. Na primeira propriedade visitada, região de Frutal do Campo, o milho já estava em fase de colheita e a produtividade média era de 270 sacos por alqueire, tendo o talhão onde a visita fora realizada com uma produção estimada em 300 sacos. “É necessário que se faça a rotação, não só de cultura como também das moléculas utilizadas na composição de fungicidas e outros produtos utilizados no manejo do milho. Se o produtor usar sempre a mesma molécula, o fungicida perderá o seu efeito”, alerta Antunes. Em maio deste ano, por exemplo, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) suspendeu o uso de 67 marcas de fungicidas então utilizados para o controle de ferrugem na soja devido aos baixos índices de eficiência contra este fungo. Conforme dados da agência, o defensivo só é recomendado pela entidade se apresentar uma eficiência avaliada em 80% no controle da praga ou doença para a qual é designado. Embora estes sejam produtos destinados a soja, o mesmo ocorre com os agroquímicos indicados para o milho. De acordo com publicações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esta ineficiência de controle ocorre diante da repetição do uso repetido de fungicidas que são compostos pela mesma molécula. Produtores na primeira área visitada

[close]

p. 11

Milho onde a colheita foi iniciada no final de maio. } PLANTAR SOJA “CEDO” A demonstração de bons resultados no milho de segunda safra na visita à primeira propriedade do dia de campo é citada por Antunes como um incentivo aos produtores para que também cogitem o plantio da soja na primeira janela de cultivo possível. Segundo ele, é necessário considerar também esta opção, levando em conta, no entanto, as condições climáticas e particularidade das propriedades. maio | junho 2016 O CAMPO 11

[close]

p. 12

Agricultores durante orientação apresentadas na segunda área visitada } INVESTIMENTOS SEGUNDA SAFRA NO MILHO DE de campo, o milho não havia recebido aplicações de fungicida, tendo apenas sido cultivado com a cobertura de solo. “Este milho suportou 32 dias de estresse hídrico e, como vocês podem ver, ainda apresenta um bom resultado de desenvolvimento”, afirma um dos representantes da Coodetec que também conduziram o evento. Quanto à incidência de pragas, o refúgio foi defendido pelos agrônomos e técnicos responsáveis pelo dia de campo como a alternativa mais eficiente para o seu controle. O vigor de arranque dos híbridos é também citado por Paulo Antunes, técnico da Coopermota, como uma importante ajuda no controle do percevejo, já que o desenvolvimento rápido do milho supera o período de maior dano que a praga pode causar na planta. Pelo menos até 2008, o uso de fungicidas no milho de segunda safra era bastante raro de ser realizado pelos produtores. O consultor técnico da Basf, Alexandre Carvalho, comenta que naquele período era possível contar nos dedos quem aplicava fungicidas no milho de segunda safra. Porém, compara que atualmente são poucos os que não adotam esta prática. “É preciso manejar o milho da mesma forma que se maneja a soja. Cada híbrido responde de uma forma diferente aos investimentos realizados. Esta segunda safra será diferente em relação ao que normalmente temos como resultado diante das adversidades climáticas, mas os híbridos que vêm sendo utilizados na região já comprovaram que compensa investir no milho na segunda safra”, diz. Na outra propriedade visitada durante o dia 12 O CAMPO maio | junho 2016

[close]

p. 13

Valorização da agricultura e do trabalhador, respeito e compromisso cooperativista. Fortalecimento do Agronegócio UNIDADE DE NEGÓCIOS E SILOS COOPERMOTA março | abril 2016 O CAMPO 13

[close]

p. 14

Teodoro Sampaio TROQUEI O BURRO PELO MOTOCULTIVADOR Novas formas de trabalho no trato diário do assentamento em Mirante, próximo a Teodoro Sampaio, facilitam a capina e a incorporação de adubo na propriedade de três alqueires de Paulo Nogueira burro, mascote da família, agora está numa boa!!!! “Tomou o porre”! O trabalho para ele era bem mais pesado. Agora o animal fica só com o transporte de ração, capim e outros. A “lida” no pedaço de terra conquistado era bem mais difícil. A capina no roçado era feita com um arado puxado por tração animal. Sob sol forte, o agricultor demorava semanas para concluir o trabalho. A compra do motocultivador, também conhecido por “tratorito”, fez com que algumas coisas mudassem no sitio Monte Moriá, lote 85, do Assentamento Dona Carmem, localizado em Mirante do Paranapanema, a poucos quilômetros de Teodoro Sampaio. O agricultor Paulo Nogueira dos Anjos lembra que resistiu à compra do equipamento por não ter certeza que seria bom para o seu trabalho diário, mas destaca que sua vida mudou com o tratorito. “Quando chove o animal no entra do roçado e prefiro não eliminar o mato com herbicida. Prefiro o mais natural possível. Com o tratorito agora consigo manter o abacaxi no limpo”, diz. São cerca de três alqueires de terra divididos em áreas de cultivo para a sua subsistência e parte INOVAÇÃO NO ASSENTAMENTO O para venda no comércio de Teodoro Sampaio, que embora seja outro município, está bem mais perto do seu sítio, na comparação com Mirante do Paranapanema. Nos dias de colheita do abacaxi, Paulo acumula parte de sua produção e vai até às ruas de Teodoro para a venda no varejo. Tal prática é bastante comum na cidade, com a presença de diferentes tipos de produtos sendo vendidos informalmente. “Vendo tudo o que levo”, comenta. Outro montante do abacaxi colhido é absorvido por programas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção do abacaxi começou tímida, com apenas 500 pés e atualmente já reúne mais de 10 mil pés. “Estas lavouras daqui têm um ano e meio, mas também tenho outras de dois meses. Mantenho plantações em diferentes fases de desenvolvimento para manter a produção sempre em fase de colheita. Se planto a muda que brota do pé da planta, esta demora um ano para produzir, já a que sai na folha do abacaxi demora mais, precisa de dois anos para produzir”, conta. 14 O CAMPO maio | junho 2016

[close]

p. 15

Paulo prepara a área onde quer plantar hortaliças. No sítio Monte Moriá o trabalho é coletivo e familiar, tendo cada um a sua função no trabalho diário, com alternâncias conforme a necessidade. Paulo Nogueira, de 45 anos, normalmente fica com as atividades de ordenha manual das poucas vacas leiteiras, as quais são responsáveis por suprir o consumo de leite da família. Logo em seguida já começa a trabalhar nas produções de alimentos que possui no local. Já Maria do Carmo Firmino dos Anjos, também de 45 anos, é quem cuida da casa e da alimentação de todos, tendo ainda a função de auxílio na lida agrícola, com a ajuda dos filhos Claudinei Firmino dos Anjos, 22 anos, e Clarice Firmino dos Anjos, de 18. Outros três filhos se ocupam das atividades escolares, já que ainda são pequenos. “É difícil falar o que é função de um ou de outro. Sei que minha esposa é responsável por pelo menos 50% da sustentação da nossa família”, avalia. O trabalho no sítio começa cedo, e por volta das 6h, Paulo e sua família já está de pé e se aplicam nas várias frentes de atuação de uma propriedade rural. maio | junho 2016 O CAMPO 15

[close]

Comments

no comments yet