Revista Corresponde - Ed. 37

 

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A REVISTA DAS PROMOTORAS E CORRESPONDENTES NO PAÍS

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Uma publicação ANEPS - Ano 6 - Nº 37 - Junho/2016 Modelo brasileiro de correspondentes antecipa tendência mundial

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di to r i al E Divulgação/Aneps Luz no fim do túnel I Edison Costa, presidente da Aneps Não há mal que sempre dure, diz o ditado. Mas, para que novos ventos soprem, é preciso mais do que vontade; são necessárias ações mobilizada pela disputa política, a economia brasileira definha. Nesse imbróglio, Legislativo, Executivo e Judiciário acabam por manter em suspenso a maioria das ações que poderiam neutralizar incertezas e reconduzir a economia a outro patamar, à largada para novo ciclo de desenvolvimento. Desemprego de 11,2%, que indica não parar por aí, pelo menos por um bom tempo, levando a aumento da inadimplência e restrições dos bancos para a concessão de crédito; juros altos, refreando a demanda por crédito; medo (ou prudência) contendo o consumo e alimentando o ciclo recessivo. É nesse cenário geral, no mínimo, desalentador que as empresas de correspondentes lutam para se manter no mercado. Porém, além das agruras que se abatem, ainda que com intensidade diferenciada, sobre todos os setores da economia nacional, a categoria dos correspondentes lida com infortúnios próprios. Como se não bastasse o severo desaquecimento do mercado de crédito, há o diferimento das comissões, que continua em vigor, uma verdadeira sentença de morte. Pelo sistema de diferimento, determinado na Resolução nº 4.294/2013 do Banco Central (BC), o correspondente recebe à vista somente 6% do valor da comissão sobre novos contratos; no caso da migração de contratos de um banco para outro (portabilidade), esse percentual cai para míseros 3%. O restante passou a ser diluído em até 72 parcelas mensais. Se a aplicação desse limite já foi desastrosa logo que entrou em vigor, no início de 2015, no contexto econômico atual, a condenação das promotoras passa a figurar como rito sumário. No final de 2015, depois que as tentativas de diálogo com o BC se mostraram infrutíferas, a Aneps encaminhou uma petição ao órgão, defendendo a anulação dessa resolução e o fim do teto para o pagamento das comissões. Como não recebeu resposta, a entidade não se intimidou e enveredou pelo campo judicial, para defender os interesses legítimos de seus associados. Com isso, nos primeiros meses de 2016, a Aneps acionou juridicamente o órgão regulador, para que este respondesse a seus questionamentos, e obteve uma decisão liminar, pela qual o BC foi notificado para dar explicações para os pontos levantados no requerimento administrativo proposto em 2015. Todavia, a entidade entendeu que os esclarecimentos prestados pelo órgão não resolviam o impasse; há necessidade de mudanças rápidas nas regras de pagamento dos correspondentes, para que a atividade possa se sustentar. A exemplo de tantos outros absurdos ocorridos no Brasil, legislações ou regulamentação produzidas em gabinete, sem considerar a experiência de campo, desconectam-se da realidade e, quando não se configuram inócuas, causam danos irreparáveis à economia, a segmentos de mercado, a empregos, sacrificando, no fim da linha, pessoas e famílias. Por fim, como corolário da ignorância, seus autores, por doentia vaidade, raramente ou nunca admitem o erro ou aceitam a realidade. Assim, além de investir na sua transformação em sindicato, no Sindaneps, que reforça a instituição como representante dos correspondentes no Brasil, a Aneps já se definiu por outras medidas de combate à Resolução nº 4.294/2013 do BC. Ações estão sendo colocadas em prática e espera-se que em breve a categoria já possa ver a luz no fim do túnel, com o fim do teto de 6%. Espera-se também que o nó político vivenciado atualmente no país se desfaça, para que, mais saneado, este esteja apto a mostrar todo o seu potencial, para entrar em novo ciclo de desenvolvimento econômico. Boa leitura. Revista Corresponde 3

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Associação Nacional das Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País Rua XV de Novembro, 269 – 2º and. – Cj. 201/205 São Paulo/SP – 01013-001 Tel.: 11 3104-5168 /3104-5169 www.aneps.org.br – aneps@aneps.org.br DIRETORIA Presidente Edison João Costa  Vice-Presidentes Antônio Mario Rinaldini (Relações com Entidades de Mercado) Douglas Freire Navarrette (Comunicação e Marketing) Frederico Perecin (Relações Fiscais e Tributárias) João Ricardo Villas Bôas (Formação e Certificação) José Roberto Della Rocca (Relações Sindicais) Roberto de Farias Lamacier Ferreira (Relações Transacionais) Rocco Spina Neto (Expansão e Relação com Associadas Promotoras)  Diretor Secretário Clóvis Junqueira Espindola  Diretor Tesoureiro Manuel Magno Alves Diretores Alberto José Gaio Miranda José Ângelo Vergamini Júnior Leonardo Gonçalves de Araújo Marcelo Scalet Araújo  Diretores Regionais Augusta Maria Mendes Mota (Triângulo Mineiro-Alto Paranaíba Centro-Oeste Mineiro/MG) Bérgson Arrais (CE) Elza Duarte Silva (RJ) Fauzi Taha (Ribeirão Preto/SP) Gilson Velásquez Santos (Crédito Imobiliário – Belo Horizonte/MG) José Jorge Pedreira Paniago (Goiânia/GO) Juvêncio Bispo Ferraz Pereira Júnior (São Luiz/MA) Luciano Costa (Crédito Imobiliário – RJ) Luiz Varesqui (Crédito Imobiliario – PR) Raniery Barbosa Queiroz (Cuiabá/MT) Wanderley Pardo da Silva (DF) Superintendente João Batista Marques Revista Corresponde – Redação/Produção Palavras & Afins Jornalista Responsável Cristiane Collich Sampaio (MTb 14.225/SP) imprensa@aneps.org.br / collichc@uol.com.br Publicidade Tel.: 11 3104-5168/3104-5169 – aneps@aneps.org.br Produção Editorial First Way Comunicação um ár i o S Edi t o ri a l En t rev i s t a Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da CNC, fala sobre conjuntura e o futuro da economia brasileira 3 6 8 10 14 16 18 20 21 22 Espaç o A n eps Mais um passo na direção do Sindaneps e da profissionalização da entidade. Registro de fatos e eventos do mercado Capa Com correspondentes, Brasil antecipa uma tendência mundial: a da disseminação do banco sem agência. Mas há obstáculos a superar Ed uc a ç ã o Fi n an c ei ra Te c n o lo g i a e Ges t ão Pa n o ra ma S et o ri al Cert i fi c a ç ã o Le g i s la ç ã o dívidas do cartão de crédito A educação financeira passou a ser uma política do Estado brasileiro, que envolve o setor público e o privado, e inclui promotoras e correspondentes Aneps profissionaliza sua área de marketing e comunicação. A remodelação do site é somente uma pequena parte dentro de um projeto mais amplo Adesão a consórcios cresce, inclusive nos segmentos de veículos e imobiliário, contrastando com o arrefecimento da demanda por crédito A Certificação Aneps pode fazer toda a diferença na seleção de candidatos para vagas de trabalho no setor de promoção de crédito Servidores federais têm limite de consignado elevado em 5% para pagar Co n s umi do r O número de trabalhadores com carteira assinada continua em queda, mas, em contrapartida, aumenta o número de empresas 4 Revista Corresponde

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nt r ev i sta E Incertezas arrefecem a intensidade da retomada econômica Ainda que haja queda na taxa de juros em 2016 e os sinais de reaquecimento da economia comecem a se fazer sentir, o desempenho do país no próximo ano ainda deverá ser tímido compras, investimentos e contratações. Dessa forma, a falta de definição na conjuntura política tem agravado a conjuntura econômica e contribuído para queda mais acentuada da atividade econômica. Corresponde –  Balança comercial, déficit público, dívida interna, inflação e PIB. Qual o cenário econômico atual e as perspectivas para 2016 e 2017, levando-se em conta o comportamento dessas variáveis? Carlos Thadeu – As perspectivas para 2016 não são animadoras. Espera-se uma contração do PIB de magnitude próxima à observada em 2015. A forte retração da atividade econômica por dois anos seguidos agrava ainda mais a situação fiscal e deveremos ter déficit público pelo terceiro ano consecutivo. A falta de perspectiva de retomada da estabilidade fiscal no médio e longo prazo, somada à instabilidade política, tem afetado negativamente os prêmios de risco, causando grande volatilidade no câmbio e nos preços de diversos ativos. Com o ajuste do câmbio, o setor externo passa a contribuir positivamente para o PIB. No entanto, isso se deve muito mais à substituição dos produtos importados – já que os produtos domésticos ganharam competitividade com a desvalorização cambial – do que devido ao avanço das exportações. Por outro lado, finalmente podemos ver os efeitos do aperto da política monetária e a recessão sobre os preços, o que pode abrir espaço para a queda nas taxas de juros ainda esse ano.  Espera-se que certo grau de afrouxamento monetário permita uma recuperação cíclica em 2017, ainda que tímida.   Corresponde –   Qual a importância da reforma fiscal para a recuperação e estabilidade da economia? Quais os pontos essenciais a serem observados em um novo modelo tributário? Carlos Thadeu – Um modelo tributário mais simples, que não penalize o produtor e elimine os impostos em cascata, e que promova a redução da carga tributária seria benéfico para o desenvolvimento econômico de longo prazo. No entanto, para que esses avanços sejam viáveis, é necessário que as mudanças tributárias sejam acompanhadas por mudanças fiscais e, principalmente, por mudanças no sistema previdenciário, que garantam sua sustentabilidade no longo prazo. Corresponde – A seu ver, a elevação da taxa Selic alcançou seu objetivo, de frear a escalada inflacionária? Acredita que, com a manutenção do índice de 14,25% a.a. a ascensão da taxa de juros tenha chegado ao teto, com tendência à estabilização e/ou queda? Carlos Thadeu – A inflação tem se mostrado persistentemente alta, mesmo com a alta dos juros e a queda da demanda. Nos últimos meses, se somou à correção dos preços de tarifas públicas os efeitos da desvalorização cambial sobre os preços. Diante da magnitude da queda da demanda, o Banco Central mudou de estratégia, admitindo inflação ainda elevada no médio prazo e adiando o retorno da inflação para uma trajetória de convergência para o centro da meta de 4,5% ao ano. Recentemente, surgiram alguns sinais de arrefecimento de preços que já se refletiram nas expectativas de inflação no curto e médio prazo e, caso se concretizem, podem possibilitar uma redução das taxas de juros ainda esse ano.   Corresponde – A seu ver, a ressurreição da CPMF – ou a criação de novo imposto – seria a melhor saída para reequilibrar o caixa do Governo e garantir a retomada do investimento público e a manutenção dos programas sociais? Haveria caminhos alternativos? Carlos Thadeu – A visão do governo Dilma era de que a manutenção dos programas sociais forma um colchão para amortecer os efeitos da crise sobre a parcela mais vulnerável da população. Na verdade, o corte desses programas isoladamente não solucionaria a questão fiscal. São necessárias reformas significativas para equacionar as contas. No curto prazo, a CPMF, apesar de ser um imposto de baixa qualidade, apresenta algumas vantagens: tem uma base de arrecadação ampla e é dificilmente sonegado. Entretanto, não soluciona a questão fiscal atual, como não o fez no passado. P ara Carlos Thadeu de Freitas, atual economista chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e diretor do Banco Central (BC) por dois mandatos, a indefinição da conjuntura política tem agravado cenário econômico. Na avaliação do economista, as previsões para 2016 não são animadoras, pois o PIB deverá se manter próximo ao de 2015, com forte retração da atividade econômica, e não se espera retomada da estabilidade fiscal no curto e médio prazos. Apesar disso, ele avalia que os efeitos das medidas adotadas pelo governo e da recessão podem possibilitar queda na taxa de juros ainda em 2016 e, ainda que tímida, a retomada econômica a partir do próximo ano. Carlos Thadeu é mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tendo sido professor nessa e em outras instituições superiores de ensino do país. Autor de livros e de diversos artigos publicados em jornais e revistas especializadas, atuou na área financeira de várias empresas e bancos, tendo sido diretor financeiro e membro do Conselho de Administração da Petrobras. Revista Corresponde –   De que forma a instabilidade política afeta o contexto econômico do país? Carlos Thadeu de Freitas – As incertezas em relação ao funcionamento das instituições, à validade dos contratos e ao ambiente econômico no futuro próximo e no longo prazo reduzem a confiança de consumidores e investidores, que adiam suas decisões de 6 Revista Corresponde

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Carlos Thadeu de Freitas, economista chefe da CNC “Na medida em que os juros aumentam, a demanda por crédito se reduz, com impactos negativos sobre a demanda e, por consequência, redução dos preços.” Corresponde –  Acredita que medidas de estímulo ao consumo – e, como consequência, à economia – sejam colocadas em prática em 2016? Quais poderiam ser os efeitos de eventuais iniciativas nesse sentido? Carlos Thadeu –   É possível que sejam criadas medidas pontuais de estímulo. No entanto, essas medidas não terão o mesmo efeito que tiveram no período pós-crise (internacional), entre 2008 e 2011. A capacidade de endividamento das famílias diminuiu e medidas de estímulo excessivo ao crédito devem interferir no funcionamento da política monetária, que já está sendo penalizada por certo grau de dominância fiscal. Corresponde –  De que forma o estabele­ cimento de metas – e seu cumprimento – no tocante a crescimento do PIB, inflação e endividamento do Estado interfere nas decisões econômicas do Governo? Carlos Thadeu – Metas fiscais e metas de inflação garantem certo grau de disciplina aos formuladores de política econômica. A experiência internacional mostra que a utilização de metas promove a estabilização macroeconômica, ancorando as expectativas dos agentes econômicos. Também pode reduzir a interferência dos ciclos políticos sobre os ciclos econômicos. Contudo, sempre teremos menos instrumentos de política econômica do que metas que se deseja alcançar. Muitas vezes as metas representam objetivos conflitantes no curto prazo, como, por exemplo, o crescimento do PIB e a redução da inflação. Corresponde – Quais os “efeitos colaterais” da elevação da taxa de juros, seus impactos na indústria do crédito, na atividade econômica e no consumo? Carlos Thadeu –   A política monetária atua por meio de diversos mecanismos de transmissão dos juros para os preços. Nos últimos anos, cresceu a importância do crédito como canal de transmissão. Na medida em que os juros aumentam, a demanda por crédito se reduz, com impactos negativos sobre a demanda e por consequência, redução dos preços. Com aumento das taxas de juros também há redução dos investimentos produtivos, com impactos negativos sobre a demanda. Um importante canal de transmissão da política monetária é o câmbio. A elevação dos juros deveria, por meio do aumento do diferencial entre os juros internos e externos, aumentar os fluxos de capitais e promover a valorização do câmbio, reduzindo a inflação dos produtos importados. No entanto, o aumento dos prêmios de risco tem mantido o dólar em tendência de alta e o câmbio tem apresentado grande volatilidade, interferindo no funcionamento da política monetária. Corresponde – No atual cenário econômico a elevação das taxas de juros, que, por si só, já desestimula a tomada de crédito, convive com medidas restritivas à concessão de empréstimos pelas instituições financeiras, cuja imposição pode ser creditada ao aumento do desemprego e do risco (inadimplência). Somente com a redução da taxa Selic o mercado de crédito (e o consumo) voltará a florescer ou há alternativas? Poderia comentar o tema? Carlos Thadeu –   O crédito funciona de maneira pró-cíclica. Isso significa que o desempenho do mercado de crédito acompanha as flutuações dos ciclos econômicos, crescendo nas fases de ascensão e recuando nas fases de contração. Além disso, a relação entre crédito e crescimento econômico, ou seja, o nível de emprego também tem causalidade reversa, uma vez que retrações no crédito, como a que está ocorrendo no momento, intensifica a retração da atividade econômica. O governo tem instrumentos para interferir nesse mercado, por meio dos bancos públicos como foi feito no período pós-crise internacional. No entanto, o crescimento excessivo do crédito pode até estimular o crescimento econômico no curto prazo, mas no longo prazo, devido às restrições de oferta, tem um custo inflacionário corretivo. Corresponde – A expectativa inflacionária tem gerado aumento de preços em alguns setores e redução em outros. Poderia explicar o que tem determinado esses comportamentos distintos? Carlos Thadeu –  Na verdade, a alta de preços em alguns setores é para compensar o aumento dos custos dos insumos. Em contrapar tida, diversos outros estão diminuindo suas margens, para não perder seus consumidores para concorrentes em um ambiente de redução de vendas. Serviços, em geral, têm mais espaço para aumento de preços, pois são mais difíceis de serem substituídos. Corresponde – Em sua opinião, a retomada econômica poderá ter início ainda este ano? Carlos Thadeu –  Uma parte importante do ajuste já foi feito e seus efeitos devem começar a se dissipar a partir do segundo semestre. Houve ajuste na política monetária, na taxa de câmbio e realinhamento dos preços administrados. Os impactos da redução dos investimentos da Petrobras também já foram sentidos. Após queda significativa da demanda, haverá espaço para retomada no segundo semestre que reduza parte da ociosidade criada na estrutura produtiva. No entanto, muitos problemas continuam sem soluções críveis, e a incerteza elevada impede uma retomada mais forte do crescimento. Carolina Braga/CNC Revista Corresponde 7

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spaç o A neps E Da teoria à prática A consolidação das estratégias de desenvolvimento e estruturação da Aneps não é pontual, mas algo contínuo. Assim, as metas delineadas para os próximos anos continuam sendo perseguidas e executadas. Cada uma no seu tempo, as etapas do planejamento são colocadas em prática O s aspectos políticos, que envolvem a constituição do Sindaneps, e medidas de cunho administrativo e jurídico, que buscam preservar as condições de trabalho das empresas do setor e sua evolução, não são os únicos a serem contemplados no planejamento estratégico da Aneps. A entidade continua investindo nessas frentes, que são sua razão de ser, mas também se dedica a estruturar, no campo prático, os meios de viabilizar suas ações. Assembleia ratifica constituição do sindicato No dia 13 de abril, os associados da Aneps, reunidos em assembleia geral extraordinária na sede da entidade, em São Paulo (SP), rati- REGISTRO N Hilgo Gonçalves, presidente da Acrefi 8 Revista Corresponde Manuel Guimaraes/ Divulgação Acrefi o dia 27 de abril, em São Paulo (SP), Hilgo Gonçalves assumiu a presidência da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), que tem quase 60 anos de história. Com mais de 40 anos de experiência no mercado financeiro, com atuações no Unibanco, HSBC e como diretor executivo da Losango, Hildo foi eleito pela diretoria da instituição, sucedendo Érico Ferreira (presidente da Omni Crédito, Financiamento e Investimento S.A.), que conduziu a Acrefi nos últimos anos. “Como entidade, temos o dever institucional de fomentar o crédito como ferramenta de desenvolvimento econômico. A partir do seu bom uso, por parte das empresas e do consumidor, construiremos valor para a sociedade. Vamos defender iniciativas de disseminação do conhecimento sobre a prática de utilização do crédito”, ressalta o novo presidente. A escolha de Hilgo Gonçalves também está voltada para uma ‘gestão profissional’, uma vez que a associação passa a ser conduzida por um executivo que não está ligado a nenhuma instituição financeira. Acrefi tem novo presidente  

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ficaram a fundação do Sindaneps, Associação e Sindicato Nacional das Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País, entidade sindical patronal, de abrangência nacional, de representação das empresas dessa categoria. Na data também foi ratificada pelos associados presentes a aprovação do estatuto social, bem como da eleição, apuração dos votos e posse da diretoria executiva e conselho fiscal da nova entidade para o biênio de 2014/2016. A realização da assembleia de ratificação foi uma exigência do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para dar prosseguimento ao processo de constituição do Sindaneps, impetrado há mais de um ano pela Aneps. A demora na conclusão desse processo, para homologação da nova entidade, se deve à sucessiva troca de ministros durante esse período. Um sindicato, vale lembrar, alia força política a maior abrangência de representação jurídica. Nesses aspectos reside sua importância para as empresas de promoção de crédito e correspondentes. Hoje não há um sindicato ou federação que represente, de fato, a categoria, diante de situações conflitantes com outros segmentos do setor financeiro, por exemplo. No campo judicial Ainda que tenha limitações legais, a associação tem conseguido vitórias, como no caso do Projeto ECO. O processo movido pela Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap) contra o INSS e a Dataprev (autores do projeto), no qual a Aneps figura como parte interessada, continua suspenso. Vale esclarecer que a entidade tem acesso a toda movimentação desse processo. Quanto à revisão da Resolução nº 4.294/2013, que trata do diferimento das comissões pagas às empresas do setor pelos bancos, a Aneps adianta que todas as medidas necessárias para reverter seus efeitos já foram tomadas e que os processos seguem agora seus cursos regulares. No caso dos questionamentos à Caixa, sobre alterações unilaterais nos critérios de remuneração aos prestadores do Caixa Aqui, a entidade informa que, uma vez que a negociação entre a Aneps e a instituição não surtiu o efeito esperado, o departamento jurídico da entidade estuda alternativas para definir novas bases para o diálogo. Mas a associação não se move apenas nesse campo. A comunicação com o associado é fundamental para fortalecer a entidade e a categoria, também perante o mercado. O novo site, aliado à instituição de uma coordenação de marketing, já começam a trazer resultados positivos no campo da transparência. (Veja mais na seção Tecnologia e Gestão desta edição.) Todas essas iniciativas e outras mais, que estão em gestação, fazem parte do planejamento estratégico que pretende ampliar o número de associados e o respeito que a Aneps já desfruta perante o mercado e os órgãos do setor financeiro e, com isso, resguardar os direitos e lutar pelos interesses legítimos da categoria. EVENTOS 2016 • CIAB/Febraban 2016 21 a 23 de junho Transamérica Expo Center – São Paulo/SP – http://www.ciab.org. br/pt • 9º Edição Crédito e Cobrança 9 de agosto Hotel Golden Tulip Belas Artes – São Paulo/SP – http://creditocobranca. • C4 – 11ª edição Cartões, Canais de Pagamento e Crédito ao Consumidor 7 e 8 de outubro Centro de Convenções Frei Caneca – São Paulo/SP – http://www. corpbusiness.com.br/ congressoc4.com/ • CMS – 12º Congresso Nacional de Crédito, Cobrança e Contact Center 21 e 22 de novembro Expo Center Norte – São Paulo/ SP – https://www.cmspeople.com/ eventos/2016/brasil/business-revolution/ Presidente da Unicred na direção do FGCoop O   Léo Trombka, vice-presidente do Conselho de Administração do FGCoop. Divulgação/FGCoop médico Léo Trombka é o novo vice-presidente do Conselho de Administração do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop). Trombka, que preside a Unicred, foi eleito em março em assembleia do FGCoop, para mandato que se encerra em agosto de 2019. “É uma honra muito grande fazer parte do conselho de uma das instituições mais renomadas e importantes para o cooperativismo de crédito no Brasil”, disse o médico. Na ocasião também foram aprovadas alterações pontuais no estatuto e no regulamento da cooperativa, dentre elas a redução de 1,5% para 1% do limite do patrimônio social em relação ao volume de contas garantidas, a partir do qual o FGCoop poderá iniciar operações de assistência e de suporte financeiro (em dezembro, este percentual era de 0,45%). As modificações deverão ser ratificadas pelo Banco Central. Revista Corresponde 9

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C apa O futuro da atividade de correspondente L evantamento da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), realizado em conjunto com a TNS Brasil (empresa global de pesquisa de mercado) nos primeiros meses de 2016, mostrava 82% dos brasileiros sem intenção de obter empréstimos este ano, temendo assumir dívidas diante da situação política nebulosa e de um cenário econômico recessivo, com juros na estratosfera e desemprego. A exceção se restringia ao crédito imobiliário e à compra de novo automóvel, apenas. O segmento de correspondentes de crédito também tem sofrido desaquecimento acentuado nesse conturbado período que o país atravessa, em que a taxa básica de juros supera o patamar 14% e ainda está distante a perspectiva de queda. Acompanha, em certa medida, o movimento da economia nacional, ainda que com agravantes, representados especialmente pelo diferimento nas comissões, em virtude do sistema desarrazoado imposto pelo Banco Central (BC) ao setor (e que, vale destacar, está sendo questionado juridicamente pela Aneps). Raniery Queiroz, da MTCred, promotora especializada em crédito consignado, que possui 25 lojas espalhadas pela maior parte dos estados do Centro-Oeste e do Sudeste e, ainda, Bahia, Maranhão e Rondônia, revela certa preocupação com a evolução da atividade no presente e no futuro mais próximo. “Acredito que no curto prazo, temos alguns Apesar de o presente indicar cautela do consumidor na tomada de empréstimos, o modelo adotado no Brasil, com sucesso, para a inclusão financeira antecipou uma tendência mundial, do banco sem agência. Mas há gargalos a serem resolvidos bancária, o que se apresentava como um grande problema para a Caixa, a instituição pagante”, revela. É assim que em 1999 se inicia o desenvolvimento do atual modelo de ‘correspondente bancário’, e permite a expansão dessa atividade, inicialmente em municípios desprovidos de agências bancárias, restrição que caiu logo depois, ampliando a rede de correspondentes inclusive nas grandes cidades. No mesmo ano de criação do Bolsa Família, nova regulamentação para os correspondentes, viabilizou a modalidade do substabelecimento, em que contrato e risco são divididos entre as partes. Outra mudança importante neste mesmo ano permitiu que financeiras, cooperativas e outras instituições Linha do tempo o abordar a questão dentro de uma perspectiva histórica, o professor Eduardo Diniz afirma que a expansão da atividade de correspondente se deu em função de uma situação política específica e por conta do poder do Programa Bolsa Família (PBF). “Este seria somente mais um programa se não fossem os correspondentes. Foi seu precursor, o Bolsa Escola, que determinou que o benefício do programa fosse pago no município de domicílio do beneficiário. Mas, então, cerca de 1/3 dos municípios brasileiros não tinha agência A 10 Revista Corresponde

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desafios relacionados à alta taxa de juros, que ocasionou queda de até 50% nas comissões e a questão do diferimento das comissões é o que mais preocupa.” Apesar desse quadro sombrio (que se espera temporário) e de eventuais imperfeições do sistema, há quem aposte na evolução atividade de correspondentes para manter e expandir a inclusão financeira. O professor Eduardo Diniz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp), que há dez anos estuda o tema, é um entusiasta dos correspondentes bancários, mas reclama a necessidade de aperfeiçoamento no modelo em alguns pontos críticos. Caixa eletrônico mais barato Um desses pontos críticos é a necessidade de maior proximidade dos bancos com os correspondentes. A relação, que é meramente comercial e operacional, precisa evoluir para uma parceria mais produtiva de negócio para ambas as partes. Em suas pesquisas, o professor Diniz chegou a ouvir de correspondentes que os bancos os tratavam como “caixas eletrônicos mais baratos”, e não se sentiam numa relação de parceria. O professor avalia que o correspondente muitas vezes tem elevado grau de resiliência para poder manter seu negócio e muito do seu sucesso depende de sua relação próxima com a comunidade em que atua, especialmente quando fora de grandes centros urbanos. “As pessoas o procuram para pedir orientação e, por não valorizarem esse parceiro, os bancos perdem muitas oportunidades de negócio”, constata. “O pequeno correspondente, que por vezes não sabe sequer fazer gestão do caixa, necessitaria de apoio e orientação dos bancos. Dar mais atenção e oferecer benefícios a esse parceiro, além de explorar melhor essa relação, seria benéfico para os bancos”, reflete. Essa é também a opinião de Raniery Queiroz, da MTCred, que aponta a “melhoria da relação entre banco e correspondente, para maior segurança para ambos os lados”, como determinante para o desenvolvimento do segmento.  Segundo Eduardo Diniz, “pela regulação atualmente existente, o BC divide a responsabilidade de controle do correspondente com o banco”. Ele explica que o órgão regulador “força os bancos a criarem mecanismos de controle dos correspondentes. Ou seja, o BC controla os correspondentes por meio de informações prestadas pelos próprios bancos, já que não seria viável fazer a fiscalização diretamente”. Para ele, “num país tão diversificado quanto o Brasil, deveria haver mecanismos de incentivo para melhorar as relações dos bancos com correspondentes, inclusive com melhores critérios de remuneração”. Estudos realizados a partir dos dados dos correspondentes podem contribuir para embasar melhores políticas para esta atividade econômica. Tendências Eduardo Diniz, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp) Ao avaliar o futuro da atividade, Raniery, que conhece o cotidiano do mercado, diz que a tendência é de concentração. Para ele, “haverá centralização das operações, com união de pequenas empresas em busca de redução de custos, pois a queda nas comissões e o diferimento afetam diretamente o faturamento e, consequentemente, a busca pela eficiência torna-se fundamental para a sobrevivência no mercado”. E também aborda a importância da constituição do Sindaneps nesse contexto: “Há muitos anos buscamos a criação do nosso sindicato. Imagino que uma categoria econômica só se fortalece por meio de um sindicato próprio e, portanto, a constituição do Sindaneps é importantíssima.” De outra perspectiva, Diniz mostra a transformação da sociedade, de seus valores e comportamentos, e a necessidade de se acompanhar essas mudanças. “Como integrar o uso do celular no atual modelo de correspondente? Se o cliente puder pagar boletos e receber benefícios pelo celular, que é o que se espera para os próximos anos, o correspondente vai ter de se adaptar e agregar novos serviços a seu portfólio.” Essa provocação do especialista está no bojo dos desafios que em breve deverão ser enfrentados pelo setor. Ele avalia que o modelo de correspondente não é algo passageiro, não vai acabar porque melhora o acesso ao sistema financeiro, sendo uma forma de o banco estar em todos os locais, melhorando o que ele chama de ‘finanças da proximidade’. E, mais: “É a gênese de um novo modelo de banco, sem agência. Em 10 anos o correspondente não será apenas o ‘banco para pobre’, mas um modelo adequado a todos os tipos de cliente.” Ele também acredita que a grande mudança de modelos de negócio ocorrida no sistema de telefonia, em que o pré-pago passou a ser dominante, vai influenciar os modelos de negócio no sistema financei- do sistema financeiro também participassem do modelo, auxiliando na expansão da atividade pelo país. “Hoje cerca de 60% do benefício do PBF são pagos por correspondentes. Os bancos conseguiram chegar aonde não chegavam até a criação do sistema de correspondentes. Este, por sua vez, colocou a população em contato com o sistema financeiro que, junto com o crescimento da economia nesse período, expandiu sua rede por todo o país, cobrindo localidades antes não assistidas”, relata. Esse fenômeno ocorrido no Brasil passou a ser referência internacional para o modelo de banco sem agência ( branchless banking ), no qual o correspondente atua em nome de uma instituição Divulgação/FGV financeira, sem a necessidade de uma agência tradicional. Ao comentar o papel do correspondente na inclusão financeira, ele lembra que antes não se sabia o quanto custava pagar uma conta para quem morava distante de agências bancárias. A expansão da eletrificação do território brasileiro foi um benefício que veio junto com uma conta para o cidadão pagar. Mas, onde pagar essa conta? Em muitos casos, era preciso viajar apenas para pagá-la. Estudos feitos pelas companhias de energia elétrica nos anos 90 indicavam que a inadimplência no pagamento das contas tinha um componente relacionado ao elevado custo do deslocamento necessário para quitá-las, especialmente para a faixa de renda mais baixa. A ampliação da rede de correspondentes minimizou esse problema e também ampliou o impacto até mesmo de benefícios que já existiam há muito mais tempo, como a aposentadoria rural, por exemplo. O professor Diniz conta que, “com a rede de correspondentes, a aposentadoria rural, que tem valor superior ao do benefício do Bolsa Família, passou a fazer a diferença para muitas pessoas”. Até então muitos aposentados tinham muita dificuldade para retirar este benefício, pois a cidade ou a zona rural em que moravam não contava com agências bancárias. Revista Corresponde 11

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C ap a ro, principalmente por causa da grande oportunidade de migração dos serviços de pagamento para os celulares. “Não é uma transformação simples, mas o correspondente também terá de se preparar para isso.” O professor cita dados da Febraban que apontam que quase 40% da população ou não é atendida ou é mal servida pelos bancos. Por essa mesma pesquisa da Febraban, o ritmo recente de inclusão financeira tem sido de 3% a 4% ao ano. Isso aponta para um cenário de mudança demográfica importante no perfil dos clientes bancários. Mantido esse ritmo de inclusão, em 10 anos, cerca de 30% dos novos clientes de serviços bancários será parte deste grupo de emergentes sociais, com demandas específicas de serviços financeiros. Além disso, dentro de 10 ou 15 anos o mercado será dominado pela geração Y, altamente conectada e também com outras expectativas sobre os serviços financeiros. “Em 2025, esses dois grupos, os jovens do milênio e os emergentes sociais, representarão 60% do público bancário”, prevê Diniz.   Há cautela para tomada de crédito, mas comportamento não é linear N o dia 14 de abril, a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) em conjunto com a TNS Brasil, empresa global de pesquisa de mercado, divulgaram pesquisa trimestral que mostra que os brasileiros estão muito cautelosos para contratar linhas de crédito em 2016: 82% não estão dispostos a tomar crédito neste ano. O universo da pesquisa foi composto por mil entrevistados, com idade entre 18 e 65 anos, dos quais 52% eram mulheres e 48% homens. O percentual de pessoas que pretendem contrair empréstimos indica estabilidade em comparação com os resultados da pesquisa anterior. Todavia, 43% dos entrevistados revelaram a intenção de contratar o crédito imobiliário (alta de 10 pontos percentuais em relação à anterior). Quando questionados sobre outras linhas de crédito, 33% mostraram disposição de contratar crédito consignado, 33% automotivo e apenas 24% optaram pelo crédito direto ao consumidor (CDC). Quanto à intenção de obter financiamento este ano, o percentual subiu um ponto, para 19%. Para os consumidores que podem fazer empréstimos, o automóvel aparece como primeiro item na lista de intenções (58%), seguido por imóvel (54%), empréstimo pessoal (21%), eletrodoméstico (20%) e consignado (9%). Neste quesito, a classe alta (A/B) aparece como a menos inclinada a buscar um financiamento, 18% – redução de oito pontos percentuais em comparação ao ano anterior. A pesquisa – cuja íntegra está disponível no link http://tamer.com.br/ftp/PesquisaAcrefi. Pesquisa da Acrefi/ TNS Brasil mostra que, este ano, 82% dos brasileiros preferem evitar crédito. Apesar disso, há tendência de crescimento na intenção de contratar financiamento imobiliário pdf – ainda aborda mudanças no comportamento dos entrevistados, impactos da inflação no consumo e expectativas quanto ao futuro econômico do país. Érico Ferreira, da Acrefi “Nosso problema é político” Às vésperas da divulgação da pesquisa, o então presidente da Acrefi, Érico Sodré Quirino Ferreira, não escondia seus temores diante da conjuntura brasileira. Segundo ele, o mercado apresentava dois problemas quanto à oferta e à contratação de crédito: “De um lado, a falta de confiança do público em tomar crédito, em virtude do crescimento do desemprego, e, de outro, a preocupação de quem vai ofertar crédito com a situação do país, com o recebimento do pagamento.” Para ele, a definição da situação política do país era considerada como “ponto fundamental para a recuperação da economia e do cré- dito”. Sua análise descartava a possibilidade de investimento público em infraestrutura, de forma a estimular a economia, por não haver dinheiro disponível, e situava a crise no campo político: “Nosso problema não é econômico, é político. E para resolvê-lo os políticos precisam enfrentar a população, mas não querem fazer isso.” Isso porque, segundo o ex-presidente da Acrefi, “a situação econômica só vai se resolver com o sacrifício da população”. Em sua visão, “é preciso haver a união dos políticos para, afastando interesses pessoais e partidários, trabalhar para o bem do Brasil”. * No dia 31 de março, quando ainda ocupava a presidência da Acrefi, Érico Ferreira concedeu essa rápida entrevista exclusiva à revista Corresponde. Veja, nesta edição, nota sobre a mudança na direção da entidade. 12 Revista Corresponde Divulgação/Acrefi

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E ducação financeira Projetos visam a aprimorar a capacidade dos cidadãos nas decisões sobre tomada de crédito Com a instituição da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), a educação financeira passou a ser uma política de Estado Edison João Costa, presidente da Aneps N os últimos dez anos, o Brasil registrou forte crescimento no acesso a crédito e a serviços financeiros, o que contribuiu para que houvesse ampla inclusão social, abrangendo as classes C, D e E. Isso fez com que mais de 40 milhões de brasileiros passassem a fazer parte do que passou a ser conhecida como “nova classe média”. Porém, sem a devida orientação, essa parcela da população começou a consumir produtos e serviços que até então não faziam parte de seu dia a dia, contraindo empréstimos e entrando em dívidas acima de sua capacidade de pagamento. O resultado foi o crescimento da inadimplência, intensificado mais recentemente pela crise econômica, que vem provocando desemprego. Como o nível de endividamento vem se mantendo alto nos últimos anos, tanto o Governo Federal quanto as empresas do setor financeiro passaram a se preocupar com a educação financeira do consumidor e a oferecer orientação adequada antes da concessão de crédito. e municipal, o tema adquiriu no Brasil status de política de Estado. O objetivo da iniciativa é promover a educação financeira e previdenciária e, com isso, elevar a capacidade do cidadão para realizar escolhas conscientes e contribuir para a eficiência e a solidez desse mercado. Adriana Teixeira de Toledo, coordenadora da Comissão Permanente de Apoio ao Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef ), explica que “a estratégia é desenvolvida por meio de programas transversais, que se constituem em um conjunto de ações com a finalidade de promover o letramento financeiro da população, coordenado, de forma centralizada, pelo Conef; e os setoriais, que são iniciativas dos órgãos ou entidades integrantes do comitê que estão alinhadas com as diretrizes e os objetivos da Enef”. Segundo ela, no âmbito da Enef, as ações podem ser oferecidas por instituições públicas ou privadas. Elas devem ser obrigatoriamente gratuitas e não podem ter por objetivo venda ou recomendação de produtos ou serviços financeiros. Crianças, mulheres e idosos Os membros do Conef desenvolveram diversas iniciativas voltadas a públicos distintos, como o Programa Educação Financeira nas Escolas, destinado à educação básica, na formação de crianças e jovens. “Já houve a distribuição de material didático a escolas do país, e estamos agora focando no treinamento dos professores que poderão aplicar este material”, destaca a coordenadora. Ainda de acordo com Adriana Toledo, em relação aos adultos foram eleitos dois grupos prioritários: os aposentados e as mulheres beneficiárias do Bolsa Família. Os primeiros foram alvo de um pacote de tecnologias sociais prontas para serem aplicadas com o objetivo de passarem conhecimento e informações sobre o tema, enquanto as mulheres foram envolvidas na construção mais participativa e coletiva de tecnologias sociais. Em ambos os casos, cabe à Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil) concluir as metodologias para aplicá-las ao público-alvo. Essa entidade, que não tem fins lucrativos e é classificada como ‘de interesse público’, se propõe a disseminar esse conhecimento entre a população, por meio de projetos, parcerias e desenvolvimento de tecnologias. Entre as iniciativas da Enef também está a instituição da Semana Nacional de Educação Financeira. Inspirada em evento internacional “Podemos dizer que os correspondentes e promotores de crédito têm oportunidades conhecidas como ´momentos de aprendizagem’.” Política de Estado Consumidores educados nesse campo demandam serviços e produtos ajustados às suas necessidades. Por meio do Decreto nº 7.397, de 22 de dezembro de 2010, com a criação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), envolvendo instituições públicas e privadas, de âmbito federal, estadual 14 Revista Corresponde

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Fernando Lopes, do Instituto Totum Adriana Toledo, coordenadora da Comissão Permanente de Apoio ao Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) de conscientização sobre as questões ligadas ao dinheiro, neste ano, a terceira edição da Semana Enef aconteceu entre 16 e 22 de maio. Foram realizadas aproximadamente 1,2 mil ações de educação financeira em todos os 26 estados. “Temos de preparar os correspondentes, pois o mercado vai crescer e se consolidar.” no consignado? Qual seria a vantagem?” Em sua opinião, esses profissionais não apenas podem, mas devem se envolver com a educação financeira, “atuando com a máxima transparência ao prestar todas as informações ao consumidor sobre o produto ou serviço que estão contratando e as respectivas alternativas, sempre que disponíveis”. Na mesma linha, “também devem oferecer linhas de crédito adequadas ao perfil de cada um, educando o consumidor, inclusive, quanto ao risco de superendividamento, fazendo-o mais consciente”. A Aneps se preocupa com a capacitação da categoria que representa para atender esse público, que precisa entender como lidar com questões financeiras. A certificação oferecida pela entidade aos profissionais é uma forma de fazer com que o agente de crédito se habilite para trabalhar com essa nova realidade. “Temos de preparar os correspondentes, pois o mercado vai crescer e se consolidar”, destaca o presidente da associação, Edison João Costa. De acordo com Fernando G. Lopes, diretor Correspondentes em destaque Os correspondentes também têm um papel importante na disseminação da educação financeira, uma vez que atuam diretamente com o consumidor que está em busca dos serviços de crédito. A coordenadora da Comissão Permanente do Conef avalia que esses profissionais têm grande responsabilidade nessa campanha, pois oferecem uma série de serviços financeiros aos clientes e usuários do sistema financeiro. “Realizam recebimentos, pagamentos e transferências eletrônicas, intermediam concessões de crédito e a abertura e o fechamento de contas, captam depósitos em nome da instituição financeira com a qual operam etc. Nesse sentido, podemos dizer que os correspondentes e promotores de crédito têm oportunidades conhecidas como ´momentos de aprendizagem’ (ou teachable moments, no inglês). Ou seja, são as ocasiões em que os usuários de serviços financeiros estão mais dispostos a se educarem financeiramente.” Ela explica que é nessas situações que surgem perguntas tais como: “E se eu pagar à vista, que descontos terei? E se eu optar pelo cartão de crédito, ao invés de um empréstimo do Instituto Totum, responsável pelas provas de certificação da Aneps, o tema educação financeira está inserido de forma multidisciplinar dentro do programa de certificação, estando implícito nos aspectos técnicos das operações, no Código de Defesa do Consumidor e de Ética.  Com a expansão do crédito no Brasil, mais pessoas tiveram acesso a recursos financeiros por meio dos correspondentes. Mas, apesar de representar um avanço, a facilidade na obtenção de crédito trouxe um risco: o superendividamento. “Daí a importância do crédito responsável”, destaca. Para ele, “o correspondente que aplica esse conceito junto aos seus clientes (tomadores de crédito), certamente estabelecerá relações de longo prazo, evitando que estes fiquem inadimplentes e viabilizando demandas futuras de crédito”. A certificação de correspondentes está prevista na Resolução nº 3.954/11 do Banco Central. Para Adriana Toledo, esse pré-requisito é extremamente positivo para o aperfeiçoamento do sistema financeiro e de sua relação com o consumidor: “Na medida em que a certificação se operacionaliza, por meio de exames organizados por entidades de reconhecida capacidade técnica, vejo o processo como benéfico para qualificar o prestador de serviço ao cliente final de produtos e serviços financeiros, capacitando-o para atuar também nas melhores oportunidades para introduzir a educação financeira.” Revista Corresponde 15 Roberto Nociti Maciel/BC Cristiane C. Sampaio Divulgação

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