Revista Corresponde - Ed. 35

 

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A REVISTA DAS PROMOTORAS E CORRESPONDENTES NO PAÍS

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O que a Aneps tem feito pelos correspondentes

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d i t o r i a l E Divulgação/Aneps Mais união e fôlego para novas batalhas D Edison Costa, presidente da Aneps A cobertura do movimento que reuniu correspondentes de diferentes pontos do país na Aneps, em defesa dos interesses comuns, está presente nesta edição, que também divulga a nova composição da diretoria da associação e os projetos em andamento, novidades sobre a certificação e sobre outros assuntos e forma alguma o primeiro semestre de 2015 transcorreu pacífico para os correspondentes. A entrada em vigor do diferimento na remuneração da categoria, no âmbito do crédito consignado, se somou a medidas anteriores, como a da portabilidade do crédito, e a ameaças, como a do Projeto ECO, para convulsionar esse mercado. Em abril, mais de 200 correspondentes de todo o país se reuniram em São Paulo, em dois momentos, para, junto com a Aneps, avaliar as medidas mais adequadas para reverter uma situação que está produzindo demissões em massa e o fechamento de empresas, sem que os órgãos governamentais demonstrem qualquer sensibilidade diante dos fatos. Esses encontros levaram à contratação de assessorias – jurídica e econômica – especializadas e a uma ampla campanha de filiação, para respaldar a associação tanto do ponto de vista financeiro quanto político. E, para ampliar a participação dos correspondentes na vida da Aneps, no processo de renovação da diretoria foi dada especial importância à formação de núcleos regionais de discussão e atuação. Para isso, foi estimulada a escolha de diretores, com atuação específica em diferentes áreas do crédito, em cada local do país. A questão do crédito imobiliário e o novo sistema de remuneração imposto pela Caixa Econômica Federal aos correspondentes também integra a matéria de capa deste número. Além de abordar esses temas, a edição traz o ponto de vista de correspondentes sobre a situação econômica do país e as perspectivas do setor e a entrevista exclusiva com Clive Botelho, diretor financeiro do BMG, que avalia o cenário atual, expõe o leque de produtos oferecidos pelo banco e fala da relação entre este e os correspondentes. A terceirização da mão-de-obra e a proposta que tramita em Brasília (DF) são analisadas pelo economista José Pastore, diretor da Fecomércio/SP, na seção Análise Setorial. Outro assunto veiculado nesta edição refere-se a outra iniciativa da Aneps, que tem início nesse semestre: sua campanha institucional, cujo tema A Aneps é Você! e tem propositalmente intenção ambígua. A Aneps é o que seus integrantes fazem dela; o mesmo vale para os ausentes: se não é o que querem, é porque se omitem, não se manifestam. Portanto a Aneps é o que cada um faz dela. Ainda que seja impossível agradar a todos (pois esse seria um bom caminho para a estagnação e o fracasso), é possível, sim, ter uma agenda em todas as instâncias reguladoras com vistas a obter um ambiente institucionalmente estável, amparado por normas, regulamentos, leis claras, inequívocas, equilibradas, imparciais, e dessa forma criar bases sólidas, para que todos prosperem, baseados unicamente na própria dedicação e competência para seus negócios. Para finalizar, há ainda a nova certificação em crédito agrícola e para agronegócio da Aneps. Conheça, também, nessa edição, o novo sistema digital que trará mais segurança e confiabilidade às provas remotas de certificação da associação. Mas tem mais, muito mais. Folheie as próximas páginas e informe-se. Boa leitura. Revista Corresponde 3

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Associação Nacional das Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País Rua XV de Novembro, 269 – 2º and. – Cj. 201/205 São Paulo/SP – 01013-001 Tel.: 11 3104-5168 /3104-5169 www.aneps.org.br – aneps@aneps.org.br DIRETORIA Presidente Edison João Costa  Vice-Presidentes Antônio Mario Rinaldini (Relações com Entidades de Mercado) Douglas Freire Navarrette (Comunicação e Marketing) Eloy Câmara Ventura (Assuntos Jurídicos) Frederico Perecin (Relações Fiscais e Tributárias) João Ricardo Villas Bôas (Formação e Certificação) José Roberto Della Rocca (Relações Sindicais) Roberto de Farias Lamacier Ferreira (Relações Transacionais) Rocco Spina Neto (Expansão e Relação com Associadas Promotoras)  Diretor Secretário Clóvis Junqueira Espindola  Diretor Tesoureiro Manuel Magno Alves Diretores Alberto José Gaio Miranda Joaquim Fernandes de Mello José Ângelo Vergamini Júnior Karla Bragança Pinheiro Zaccarelli Leonardo Gonçalves de Araújo Marcelo Scalet Araújo  Diretores Regionais Augusta Maria Mendes Mota (Triângulo Mineiro-Alto Paranaíba Centro-Oeste Mineiro/MG) Bérgson Arrais (CE) Elza Duarte Silva (RJ) Fauzi Taha (Ribeirão Preto/SP) Gilson Velásquez Santos (Crédito Imobiliário – Belo Horizonte/MG) José Jorge Pedreira Paniago (Goiânia/GO) Juvêncio Bispo Ferraz Pereira Júnior (São Luiz/MA) Luciano Costa (Crédito Imobiliário – RJ) Luiz Varesqui (Crédito Imobiliario – PR) Patrício Darvisson Carvalho de Almeida (BA/SE) Raniery Barbosa Queiroz (Cuiabá/MT) Wanderley Pardo da Silva (DF)  Diretor Superintendente João Batista Marques Revista Corresponde – Redação/Produção Palavras & Afins Jornalista Responsável Cristiane Collich Sampaio (MTb 14.225/SP) imprensa@aneps.org.br/collichc@uol.com.br Colaboradora Silvana Coelho Publicidade Tel.: 11 3104-5168/3104-5169 – aneps@aneps.org.br Produção Editorial First Way Comunicação um ár i o S E d i t ori a l E n t revi s t a Clive Botelho, diretor do BMG, avalia o cenário atual da indústria do crédito 3 6 8 10 E s p a ço An ep s Eleições, campanha de filiação e Fórum Aneps Cap a Encontros nacionais unem os correspondentes, fortalecem a Aneps e definem, democraticamente, os caminhos para enfrentar os grandes desafios do setor Cert i fi cação Nova certificação da Aneps e balanço 14 16 19 20 22 Con s u mi d or E m Temp o Impactos das medidas do Governo, na visão de correspondentes 5º Fórum de Inovação do Igeoc e as próximas reuniões da diretoria da Aneps A n ál i s e S et ori al Tecn ol og i a e Ges t ão Garantia digital para as certificações da Aneps O projeto de terceirização na visão do economista José Pastore 4 Revista Corresponde Revista Corresponde 5

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ntr ev i sta E O que esperar da crise? O diretor financeiro do Banco BMG, Clive Botelho, avalia o cenário atual da indústria do crédito, comenta a criação da joint venture Banco Itaú BMG Consignado, os produtos de crédito que oferece e a relação de parceria que mantém com correspondentes Divulgação/BMG Nesse ambiente, o empréstimo consignado e o cartão de crédito consignado tornam-se ainda mais relevantes, dado que são créditos anticíclicos, ou seja, não sofrem influência significativa do ambiente macroeconômico, além de apresentarem altos índices de liquidez. O crédito consignado é a linha que mais cresceu nos últimos anos e a única que possui empuxo de crescimento real no cenário atual. Corresponde –  Apesar da decisão presidencial de impedir a elevação do teto do crédito consignado para 40% da renda do trabalhador na Lei nº 13.126/15, acredita que o Legislativo derrubará esse veto? Clive Botelho – Independente da aprovação, o produto é muito importante para a população brasileira. Em 2005, quando ocorreu o boom do consignado para aposentados e pensionistas do INSS, cerca de 60% da sua utilização era para quitação de dívidas e contas mais caras. Hoje, o cartão de crédito consignado tem a oportunidade de trazer esse mesmo benefício para a população, pois irá permitir, antes de qualquer coisa, acesso a uma linha de crédito em um momento que os bancos estão restritivos. Ademais, os juros são factíveis e aderentes com o orçamento das famílias e, assim, faculta a redução do comprometimento de renda das famílias com o pagamento de juros. A taxa de juros do cartão de crédito consignado varia entre 45% e 70% ao ano, dependendo do órgão público, diferença significativa se comparada com a taxa do cartão tradicional, que ultrapassa 300% a.a. A população brasileira clama por mais um produto de crédito com juros sustentáveis, especialmente produtos que permitam acesso àquela parte da população alijada pelo siste- Clive Botelho, diretor financeiro do BMG. N o cenário recessivo atual, em que a expansão da concessão de crédito não é esperada, o crédito consignado, por suas características, assume papel de destaque. Este é um dos aspectos abordados nesta entrevista por Clive José Vieira Botelho, diretor financeiro do Banco BMG. O engenheiro de Produção, administrador e especialista em Finanças, com mais de trinta anos de experiência no mercado financeiro, com passagens por instituições nacionais e internacionais, também comenta os produtos de crédito desenvolvidos pela instituição, o histórico e as vantagens geradas com a constituição da joint venture Banco Itaú BMG Consignado e, ainda, o papel de destaque dos correspondentes no mercado financeiro e no BMG. Revista Corresponde –  O que levou o BMG à formalização da joint venture com o Itaú Unibanco no segmento de consignado, no ano passado? Clive Botelho – Essa é uma operação ganha-ganha para o BMG e para o Itaú Unibanco. O BMG contribui com sua expertise comercial e operacional, e obviamente com o seu  know-how sobre o produto e o mercado de consignado. O Itaú Unibanco, por sua vez, contribui com sua capacidade econômico-financeira, acesso a linhas de captação sustentável e com custo similar aos dos grandes bancos e com a sua experiência no varejo. Em contrapartida à unificação dos negócios na área de crédito consignado, houve a elevação da participação societária do BMG no capital social total e votante do Banco Itaú BMG Consignado, então de 30%, para 40%. O Itaú Unibanco detém os 60% remanescentes.  A iniciativa trouxe uma série de vantagens ao produto e às instituições envolvidas, com consequente melhora na eficiência, melhores margens e posicionamento no mercado e maior fidelização dos correspondentes, permitindo atingir volumes recordes de originação de contratos. Além disso, o BMG passou a apresentar redução nos custos de captação, aumento no índice de capitalização, melhora nos indicadores de liquidez e desempenho e ganho significativo na alocação de capital e limites operacionais. Corresponde –  Acredita que as medidas adotadas pelo Governo Federal este ano terão efeitos mais benéficos do que negativos sobre a econômica do país no curto e no médio prazos? Clive Botelho – Este ano, 2015, será de ajustes. É crucial que a política fiscal e monetária, as contas externas e a atmosfera para investimentos voltem aos fundamentos do Plano Real para retomarmos um crescimento mais sustentável. Estamos confiantes nos esforços da equipe econômica, que já executou ajustes dessa magnitude no passado. Mas para que este ajuste seja efetivo e com credibilidade será fundamental o apoio político da base de sustentação do governo. Corresponde – Quais os reflexos do atual cenário econômico do país sobre os diferentes segmentos da indústria do crédito de um modo geral? Clive Botelho – Um quadro recessivo, sem dúvida, torna o crédito mais seletivo e, dado o aumento da taxa básica de juros (a Selic) – que deverá encerrar o ciclo de alta entre 14,25% e 14,50% –, o custo final das linhas de crédito encareceu. Em virtude disso, não é esperado que os volumes de concessão de crédito cresçam no curto prazo. Breve histórico do BMG O BMG é uma instituição privada controlada pela família Pentagna Guimarães, a qual tem atuado na indústria financeira do Brasil desde 1930, quando criou o Banco de Crédito Predial S.A. (mais tarde denominado Banco de Minas Gerais S.A.), um banco comercial com produtos para pessoas físicas e jurídicas. Até meados dos anos 90, o BMG era focado no financiamento no atacado e varejo, sendo que na década de 80 era líder no segmento de veículos leves e pesados. A partir de 1998, o banco passou a se concentrar na concessão de empréstimos consignados, tornando-se referência nacional nesse tipo de operação. Com 85 anos de sólida atuação no mer- treze anos. A estratégia para esse produto ma financeiro devido ao seu score de crédito. é de crescimento moderado e preservação Corresponde –  Diante do contexto da margem.Além dessas linhas, em 2013 o econômico atual, o BMG tem investido no banco lançou o BMG Realiza, crédito com desenvolvimento de novos produtos e na garantia de imóvel. Com ticket médio de abertura do leque de atividades? R$ 150 mil, o cliente consegue até 50% do Clive Botelho – O Banco BMG atua direvalor do imóvel em crédito e tem até 12 tamente na concessão de empréstimos para anos para pagar. pessoas físicas e jurídicas por meio de diferentes produtos. Temos o Cartão de Crédito Corresponde –  Como é a relação entre o Consignado, que é um cartão internacional, BMG e a joint venture da qual o banco faz com os mesmos benefícios dos tradicionais, parte e os correspondentes de crédito? mas com a vantagem do desconto na folha Clive Botelho – O Banco Itaú BMG Consigde pagamento e de taxas reduzidas, quannado visa a oferta, distrido comparado às taxas cobradas pelos demais “A relação entre o Banco buição e comercialização de empréstimo consigcartões de crédito. Para os convênios, o BMG e os correspondentes nado para funcionários públicos e aposentados e cartão tem margem coné uma parceira que ocorre pensionistas do INSS, exsignável exclusiva. Em clusivamente por meio do março de 2015 o banhá mais de 17 anos (...), canal de correspondentes. co possuía 118 acordos Sendo assim, o corresativos com órgãos da fundamentada nos mais pondente é fundamental administração pública nessa operação, na qual o para a comercialização rígidos princípios de sucesso depende de um desse cartão, o qual perrelacionamento de parcemanece como produto respeito mútuo.” ria e respeito. exclusivo do BMG, não   fazendo parte da unificação de negócios com Corresponde –  Qual a participação dos o Itaú Unibanco. correspondentes no total de operações de Há o BMG Empresas, direcionado ao  ficrédito formalizados pelo BMG atualmente? nanciamento para empresas de médio e Clive Botelho – A operação de cartão de grande porte. crédito consignado é realizada exclusivamenA instituição opera com cautela e conserte por meio do canal de correspondentes. vadorismo nesse segmento, construindo uma Também os produtos de financiamento de carteira de qualidade, diversificada e com um carros e motos usados e de financiamento ticket médio de originação de R$ 6,4 milhões imobiliário  utilizam como canal de venda referente ao 1T15. O BMG Empresas tem uma rede especializada de correspondentes. perspectiva de crescimento no longo prazo. Já para os produtos destinados às pessoas O banco também atua no financiamento jurídicas é usado o canal próprio do BMG. de autos e motos, focado em um nicho de   mercado de veículos com idade média de Corresponde –  Como é a relação entre o BMG e a Aneps? Clive Botelho – A relação entre o Banco BMG e os correspondentes é uma parceira que ocorre há mais de 17 anos e sempre foi cado, o Banco BMG atua diretamente na fundamentada nos mais rígidos princípios concessão de empréstimos via Cartão de de respeito mútuo. Como adiantado, o corCrédito Consignado, no financiamento de respondente é o principal parceiro do banco empresas de médio e grande porte (BMG para a distribuição do crédito destinado ao Empresas) e no financiamento de veículos. varejo. É figura fundamental para o mercado Com essa bagagem, em 2012 celebrou financeiro, pois possibilitou a inclusão no com o Itaú Unibanco S.A. um contrato de sistema financeiro de milhões de pessoas que associação para a unificação da oferta, não tinham acesso aos produtos bancários. A distribuição e comercialização de créditos nosso ver, o sucesso e a penetração atual do consignados no Brasil, formando a  joint consignado no mercado são devidos à estraventure denominada Banco Itaú BMG Contégia dos bancos de utilizar o correspondente signado S.A. Em 29 de abril de 2014, finalcomo canal de venda. mente, a joint venture passou a concentrar Nesse âmbito, a Aneps vem fazendo um as operação de crédito consignado das duas trabalho extraordinário na certificação instituições, com benefícios para ambas e dos correspondentes e na governança do para os usuários. segmento.  6 Revista Corresponde Revista Corresponde 7

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spaç o A neps E Eleição Campanha de Filiação A Aneps é você Somente uma entidade forte tem condições de defender efetivamente a categoria que representa. Faça a sua parte, filie-se e colabore, assim, para consolidar a Aneps como representante dos correspondentes no país Cristiane C. Sampaio Aneps elege nova diretoria e democratiza escolha de diretores Edison Costa permaneceu na presidência da Aneps. A diretoria que conduzirá a Aneps até 2018 está assim composta: Os diretores regionais passam a ter papel destacado na organização dos correspondentes. Presidente: Edison João Costa Vice-Presidentes: Antônio Mario Rinaldini (Relações com Entidades de Mercado); Douglas Freire Navarrette (Comunicação e Marketing); Eloy Câmara Ventura (Assuntos Jurídicos); Frederico Perecin (Relações Fiscais e Tributárias); João Ricardo Villas Bôas (Formação e Certificação); José Roberto Della Rocca (Relações Sindicais); Roberto de Farias Lamacier Ferreira (Relações Transacionais); e Rocco Spina Neto (Expansão e Relação com Associadas Promotoras). Diretores: Alberto José Gaio Miranda; Joaquim Fernandes de Mello; José Ângelo Vergamini Junior; Karla Bragança Pinheiro Zaccarelli; Leonardo Gonçalves de Araújo; e Marcelo Scalet Araújo. Diretores Regionais: Augusta Maria Mendes Mota (Triângulo Mineiro-Alto Paranaíba-Centro-Oeste Mineiro/MG); Bérgson Arrais (CE); Elza Duarte Silva (RJ); Fauzi Taha (Ribeirão Preto – SP); Gilson Velásquez Santos (Crédito Imobiliário – Belo Horizonte/MG); José Jorge Pedreira Paniago (Goiânia/GO); Juvêncio Bispo Ferraz Pereira Júnior (São Luiz/MA); Luciano Costa (Crédito Imobiliário – RJ); Luiz Varesqui (Crédito Imobiliario – PR); Patrício Darvisson Carvalho de Almeida (BA-SE); Raniery Barbosa Queiroz (Cuiabá/MT); e Wanderley Pardo da Silva (DF). Diretor Secretario: Clóvis Junqueira Espindola Diretor Tesoureiro: Manuel Magno Alves Diretor Superintendente: João Batista Marques Membros do Conselho Fiscal – Efetivos: Antônio dos Santos; Edison Aparecido Ferreira; e João Batista Villas Bôas. Suplentes: Joaquim Fernandes de Melo e José Ângelo Vergamini Junior. Membros do Conselho de Ética e Disciplina – Efetivos: Eloy Câmara Ventura (presidente); Antônio Mario Rinaldini; Douglas Freire Navarrette; e João Ricardo Villas Bô as. Suplentes: Antônio Cordon Sobrinho; José Roberto Della Rocca; e Marcelo Scalet Araújo. Membros do Conselho de Notáveis e Superior (ex-presidentes) – Ângelo Graciano Bifulgo; Edison Aparecido Ferreira; e Luís Carlos Bento da Costa Dias. Edison Costa foi mantido na presidência da entidade na gestão 2015-2018. A novidade ficou por conta dos diretores regionais, que passam a ser indicados pelos correspondentes locais No dia 28 de abril, a Aneps realizou assembleias estatutárias para prestação de contas e para eleição da nova diretoria. Cerca de 30 associados participaram dos eventos, que tiveram início com informes sobre a criação da certificação específica para correspondentes especializados em crédito agrícola e crédito para agronegócio. Na ocasião foi anunciado que estudos conjuntos da Aneps com bancos já estavam adiantados (Veja mais informações na seção Certificação desta edição). Durante os eventos, foram atualizadas informações sobre o andamento das iniciativas da associação para assegurar o fim das irregularidades praticadas por bancos com relação à portabilidade do crédito, bem como quanto a corrigir as distorções do sistema de diferimento da comissão dos correspondentes e a impedir a aplicação do Projeto Eco. Esses assuntos e mais a atitude da Caixa em relação aos correspondentes de crédito imobiliário foram amplamente discutidos na ocasião (Veja mais nas reportagens de Capa). Também foram apresentadas e detalhadas as contas da entidade que, após esclarecimentos, foram aprovadas por unanimidade. Ponderando sobre as deficiências financeiras da Aneps, o presidente Edison Costa destacou ser necessária campanha para atrair novos associados e mudanças nos procedimentos de cobrança das mensalidades. Diretores regionais Na assembleia geral extraordinária (AGE) que se seguiu foi apresentada e discutida uma chapa única, indicando o atual presidente para o mandato 2015-2018. Os presentes concordaram com a composição da nova diretoria. Porém foram deixados em aberto parte dos cargos de diretores regionais. A proposta da diretoria – amparada nas regras estatutárias – foi a de que esses representantes – com a possibilidade de haver mais de um por região – fossem indicados democraticamente pelos correspondentes locais, de forma a estimular a aproximação desses profissionais da Aneps, contribuindo na condução das atividades. Também foi definida a elaboração de plano de trabalho para os diretores regionais, orientado pela associação, com prazos definidos e metas a serem alcançadas. Diante da informação de que no Rio de Janeiro estava em formação uma associação de correspondentes de crédito imobiliário, ligada à Aneps, voltada à solução de questões locais, foi aberta a possibilidade de agregar parte de seus membros à diretoria da entidade nacional. Foi, ainda, aberta a possibilidade para a escolha de diretores ligados a cada área de especialização em que atuam os correspondentes (como crédito imobiliário, agrícola, consignado etc.) em diferentes partes do Brasil, de forma a ampliar a discussão e fortalecer a entidade nacionalmente. Na data de fechamento desta edição ainda encontrava-se em andamento a indicação de representantes regionais à diretoria. Os nomes apresentados estão sendo referendados nas reuniões mensais da entidade. Hoje, mais do que nunca, a Aneps precisa do seu empenho, assim como os correspondentes de todo o país, em todos os segmentos de atuação, necessitam de uma entidade fortalecida que os represente perante as instâncias de decisão do governo e do setor financeiro. Os desafios que a associação tem pela frente, em defesa da categoria, exigem que tenha representação de peso, contando com expressivo número de associados. Somente assim terá as condições necessárias para obter o êxito esperado nas demandas do setor encaminhadas a parlamentares, ao órgão regulador e a outras instituições. Nas reuniões nacionais, ocorridas nos dias 1º e 8 de abril, ficou claro que as tarefas da Aneps para salvaguardar a atividade dos correspondentes são muitas: a revisão das normas de portabilidade de crédito e diferimento da comissão, redução dos valores  da tabela de Ressarcimento de Custos Operacionais (RCO) e impedimento da aplicação do Empréstimo Consignado Online (projeto ECO). (Veja mais sobre esses temas nesta edição.) Se os correspondentes querem ter vitórias nessas e em outras batalhas, preservando, assim, sua sobrevivência, precisam fortalecer ainda mais a Aneps, seja por meio da filiação imediata, seja pelo convencimento de seus pares a fazer o mesmo, seja pela participação constante nas discussões e nas atividades da associação. Associe-se e colabore na divulgação dessa campanha de filiação, por meio de seu mailing, de seus contatos, nas redes sociais etc. Não deixe para depois: aja agora! Participação No ar, Fórum Aneps Desde maio está no ar, no site da associação, o Fórum Aneps. Trata-se de um instrumento de comunicação e discussão voltada aos debate de temas de interesse dos correspondentes e promotores de crédito, tanto associados e quanto não associados. Consignado, Imobiliário, Transacional, CD Veículos, Interesses da Categoria e Outros Assuntos são os fóruns temáticos inicialmente propostos. Mas novos poderão ser criados, de acordo com a necessidade. Para participar, basta acessar o link abaixo no site e realizar o cadastro inicial: http:// forum.aneps.org.br/ucp.php?mode=register Essa ferramenta foi desenvolvida para Cadastre-se e participe das discussões que aproximam os integrantes da categoria da Aneps e entre si atender a demandas e, assim, superar as limitações impostas pelo WhatsApp. O Fórum Aneps se destina exclusivamente à troca de informações entre integrantes da categoria e ao debate de temas pertinentes ao mercado, na busca por alternativas e soluções para problemas comuns. Portanto, não devem ser postados vídeos, fotos e imagens, assim como comentários que fujam do campo a que esse espaço é dedicado. Os administradores e moderadores desse fórum têm o direito de excluir, editar, mover ou trancar qualquer tópico, no momento que julgarem necessário, sem aviso prévio. 8 Revista Corresponde Revista Corresponde 9

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C apa Encontros nacionais apontam caminhos Aneps por todos e todos na Aneps! Os correspondentes têm grandes desafios a vencer nesse momento para garantir sua sobrevivência no mercado e a manutenção de postos de trabalho. Para isso não bastam assessorias técnicas capacitadas; é essencial a união de todos em torno de sua associação nacional Cerca de 120 correspondentes participaram da segunda rodada nacional de debates. Em função de todos esses fatos, e também pela disposição manifesta em reuniões abertas da diretoria, a Aneps convocou um encontro nacional, em São Paulo (SP), no dia 1º de abril, para discutir meios para reverter o curso dos acontecimentos. Quase uma centena de pessoas compareceu. Nessa ocasião, os problemas foram apresentados e o presidente da entidade, Edison Costa, expôs o que vinha sendo feito. Diversas reuniões já haviam sido efetivadas com o BC, buscando a suspensão das regras da portabilidade e do diferimento das comissões, até que fossem encontradas alternativas para os pontos nevrálgicos. Mas não tiveram resultados práticos. A implantação do Projeto ECO estava suspensa (e assim continua) por medida liminar Fotos: Sonia Mele empresas. Em abril, a Aneps calculava que mais de 20% dos empregados do setor já haviam sido demitidos desde maio de 2014. E esse percentual estava em ascensão. O atual cenário econômico brasileiro por si só produz reflexos negativos no segmento de crédito de um modo geral. Apesar disso e das falhas do sistema de portabilidade, parte das empresas do segmento ainda pode enfrentar as dificuldades, reduzindo seus custos. Todavia a implantação do sistema de diferimento agravou acentuadamente a situação financeira dessas organizações, colocando em risco sua continuidade. No encontro de 1º de abril, diretoria da Aneps detalhou a pauta e todos os passos já dados em busca de soluções. P arcelamento das comissões (leia-se diferimento), com fixação de percentual máximo inicial; irregularidades relacionadas à portabilidade do crédito; taxas abusivas de Recuperação de Custos Operacionais (RCO); a ameaça do Empréstimo Consignado Online (Projeto ECO); e, ainda, a nova política de comissões adotada pela Caixa Econômica Federal para o crédito imobiliário. Esses elementos, juntos, colocaram o segmento dos correspondentes em pé de guerra nos primeiros meses de 2015. Tinham claro que, se algo não fosse feito em conjunto – e em curto espaço de tempo –, a evolução do quadro teria como desfecho o enxugamento drástico da maioria das empresas ou sua extinção e, com isso, o fim de grande volume de postos de trabalho. A Aneps já vinha alertando a categoria sobre o cenário que se delineava para o setor com as reformas que vem sendo aplicadas pelo Banco Central (BC), de forma gradual, há cerca de três anos. No caso específico dos correspondentes, as grandes alterações nas regras da atividade chegaram com as resoluções nº 3.954/2011 e 4.292/2013, consideradas como o ‘novo marco legal’ para o setor, mas também uma fonte de aflições. Primeiro veio a portabilidade do crédito, em maio de 2014. Imperfeições em sua aplicação e desrespeito às normas estabelecidas pelo BC por parte de bancos acabaram por dificultar sua disseminação, pretendida pelo órgão regulador para fomentar a concorrência entre as instituições financeiras, de modo a beneficiar os usuários com condições de crédito mais vantajosas. Em período posterior, o grande aumento das taxas de RCO – que deveriam ser pagas ao banco em que se originou a concessão do crédito pela instituição para a qual esse crédito foi transferido – acabou por recair sobre os correspondentes, onerando, de modo exorbitante, seus custos de operação. Esses problemas, somados à entrada em vigor do diferimento das comissões, em janeiro de 2015, levaram e ainda estão levando ao encerramento das atividades de muitas concedida à ação movida pela Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap), que foi reforçada pela adesão da Aneps, como parte diretamente interessada. Edison Costa adiantou que a associação já havia pedido um parecer jurídico sobre medidas cabíveis sobre todos os pontos da pauta, em diferentes âmbitos. Da discussão surgiu proposta de manifestação pública direcionada ao BC, para sensibilizá-lo quanto a abrir negociações. Mas ponderou-se que o melhor seria conhecer o conteúdo do parecer, para depois discutir a viabilidade de um ato desse vulto. O encontro se encerrou com o compromisso dos presentes em envolver outros correspondentes no movimento e com a fixação da data de nova reunião nacional: 8 de abril. Esse segundo encontro, também ocorrido em São Paulo, com mais de 120 participantes, deu prosseguimento às discussões iniciadas no anterior, agora com foco em medidas práticas. Antes de tudo, negociação Aloísio Zimmer Jr.: “A via administrativa, de negociação, é a mais importante agora.” O evento foi iniciado com explanação do advogado Aloísio Zimmer Jr., que atua em vários pontos do país, incluindo Brasília (DF), consultado pela Aneps. Ele apresentou parecer sobre medidas jurídicas cabíveis quanto à portabilidade e ao diferimento. Na sua avaliação, “o caminho jurídico deve ser a última alternativa, por ser um processo demorado e por fechar as portas da negociação com o órgão regulador”. O advogado afirmou que “o governo reconhece a importância do setor na inclusão social e bancária” e, por esse motivo, acredita que a negociação com o BC e as articulações políticas com parlamentares abram mais possibilidades para a satisfação das demandas do segmento. E reforçou a necessidade de união da categoria e de filiação à Aneps, para fortalecer a entidade. Aloísio sugeriu a elaboração de um estudo técnico detalhado pela Aneps, explicando o que envolve a atividade dos correspondentes e expondo seu ponto de vista, a ser protocolado no BC, para a reabertura do diálogo com o órgão. Douglas Navarrette, atual vice-presidente da Aneps, voltou a frisar: “É essencial a união da categoria, pois não é apenas o diferimento que está nos matando; há também o RCO, a portabilidade e o Projeto ECO”. Ele reforçou a necessidade de dar força à entidade, para que tenha a representatividade necessária para levar adiante as demandas dos promotores de crédito e correspondentes. Em seguida, Mário Rinaldini, também vice-presidente da Aneps, explicou o risco que o Projeto ECO representa para os correspondentes, uma vez que com sua implantação, somente os bancos nos quais aposentados e pensionistas recebem o beneficio terão acesso aos dados da margem consignável; além disso, o contrato deverá ser feito com a presença do interessado, exclusivamente nas agências bancárias. O presidente da entidade solicitou aos presentes que enviassem à Aneps cópia de documentos que provem a cobrança da taxa de RCO dos correspondentes, para encaminhá-las ao BC. Os problemas enfrentados pelos correspondentes de crédito imobiliário ligados à Caixa também foram expostos e a Aneps se dispôs a interceder, já que a instituição se recusava a discutir com os correspondentes a revisão das comissões impostas unilateralmente a seus ‘parceiros’ naquele mês.(Veja mais nessa seção.) 10 Revista Corresponde Revista Corresponde 11

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C apa Ao fim do encontro, após avaliação das propostas surgidas em ambas as reuniões e nas salas de bate-papo do WhatsApp, foi mantida a sugestão de manifestação pública. Todavia, como nas semanas seguintes o número de adesões ao ato foi pequeno, a iniciativa foi abandonada. Desdobramentos No encontro do dia 8 de abril, a Aneps se comprometeu a criar salas de bate-papo em seu site, para unificar os vários grupos que se formaram no WhatsApp durante o movimento. Assim, já em maio estava no ar o Fórum Aneps, com salas de discussão sobre diferentes assuntos ligados à categoria. Na reunião também foi enfatizada a necessidade de uma campanha de filiação ampla e muitos dos presentes se comprometeram a aderir à entidade e a divulgar a campanha junto a correspondentes de suas relações e a substabelecidos. Um mês depois, durante a reunião de maio da diretoria, a Aneps contabilizava 72 novos associados, registrando crescimento de 22,5% no total de filiados. Mas o número tende a aumentar, com a contratação de empresa especializada na condução da campanha e que também tem como meta reforçar a área de marketing e comunicação da Aneps. Depois desse encontro, Edison Costa e Mário Rinaldini se reuniram com o ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, o qual garantiu que o Projeto ECO prevê que todo aposentado e pensionista terá acesso a seus dados sobre a margem consignável, contrariando a informação recebida pela Aneps, de que estes só estariam disponíveis ao banco responsável pela conta. A entidade enviou ao ministro um ofício de agradecimento por ter sido recebida, documentando a reunião. Sonia Mele Aneps leva adiante os compromissos assumidos durante o encontro. Crédito Imobiliário Correspondentes especializados enfrentam “tempestade perfeita” Ao cenário econômico, já pouco favorável à expansão do crédito imobiliário, se alia a política dos grandes players , levando tradicionais agentes a cortaram drasticamente custos e, até mesmo, fecharem as portas formou, no fechamento desta edição estava previsto anúncio do Banco do Brasil (BB), elevando a taxa de juros para 10,79% ao ano, e o Itaú estava aumentando as restrições na avaliação de risco para concessão de crédito, descredenciando correspondentes e reduzindo sua remuneração.   Ausência de diálogo Divulgação A situação dos correspondentes que atuam no segmento de crédito imobiliário é crítica. A elevação dos juros e a restrição ao crédito, que integram as bases do pacote de medidas adotado pelo Governo para equacionar a economia brasileira, vêm causando severo impacto nesse setor. Porém esses constituem apenas uma parcela dos muitos elementos determinantes nesse contexto. “Estamos vivendo o que chamamos de ‘tempestade perfeita’, a queda acentuada na oferta de crédito imobiliário, causada principalmente pelo esvaziamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (Funding SBPE) pelos saques das contas de poupança”, revela Luciano Costa, diretor regional da Aneps do Rio de Janeiro para crédito imobiliário. Segundo ele, o setor também atravessa uma fase de diminuição da demanda, fruto do desaquecimento do setor imobiliário e da desconfiança da população quanto às decisões econômicas do Governo, características do período recessivo. Os bancos e outras instituições, por sua vez, se tornaram mais exigentes quanto à concessão de empréstimos. A Caixa Econômica Federal, que até o início deste ano foi a principal financiadora de habitações no país, reduziu em 85% o valor dos financiamentos entre abril e maio deste ano, conforme notícia do jornal Valor Econômico do dia 25 de junho. A Caixa que, em abril, detinha a liderança nesse campo, respondendo por 65,1% do valor total dos empréstimos, em maio teve participação de apenas 20,1% nesse mercado. O diretor da Aneps acrescenta que a instituição reviu sua política de  concessão de empréstimos por meio do aumento das taxas de juros (foram duas altas somente este ano), diminuição em 50% da cota a ser financiada para imóveis usados do tipo SBPE, dentre outras medidas. Ele adverte que, em função da atual situação econômica do país e da posição de destaque da Caixa no financiamento habitacional, suas decisões tendem a influenciar a conduta de outros bancos que atuam no segmento. Como in- Luciano Costa, diretor regional da Aneps do Rio de Janeiro para crédito imobiliário. Por sinal, os cortes na remuneração dos correspondentes do Caixa Aqui causaram surpresa e indignação  no setor. Isso porque, como explica Luciano, “nas linhas de financiamento que envolvem desligamentos de empreendimento e maior nível de profissionalismo por parte dos correspondentes, como nos do tipo SBPE, a redução foi de 80% e em relação aos desligamentos que utilizam o Funding FGTS, como o Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), de 50%”. Os ‘parceiros’ da Caixa– que, por contrato, são exclusivos, e não podem trabalhar para outros bancos – tiveram apenas 30 dias de prazo para se reestruturar, sem espaço para o diálogo que até então era usual em situações críticas como essa. Hoje, as únicas instituições que atuam no financiamento do PMCMV são a Caixa e o BB. A Caixa adotou a mesma remuneração praticada pelo BB há mais de três anos, de remuneração de R$ 600,00 por processo, mas com uma diferença: definiu esse valor como teto e não como processo. “Ou seja, a Caixa piorou o que já não estava bom”, conclui. Vários ofícios foram enviados para as superintendências regionais da Caixa, questionando a decisão e pedindo explicações, mas não obtiveram resposta. Somente após a intervenção da Aneps foi possível marcar uma reunião com a matriz, em Brasília (DF). A reunião ocorreu no dia 15 de junho com a superintendente e a gerente nacionais de Canais, respectivamente, Juliana Almeida e Ágata Siqueira, relata Luciano. “Na ocasião foi aberta a possibilidade de diálogo, mas elas não deram esperanças com relação à reversão das decisões unilaterais da Caixa quanto à remuneração”, expôs. A instituição estimou em apenas 5% o impacto econômico dos cortes sobre o segmento sem explicar como chegou a esse percentual, muito menor do que o real. “Fomos informados, ainda, que aos correspondentes só seria permitida uma  única avaliação de risco por CPF que atende e, em caso de uma segunda avaliação de renda, caberá a uma agência da Caixa concluir o processo, sem que o correspondente seja remunerado, mesmo que todo o trabalho tenha sido executado por esse agente especializado”, acrescentou. Depois disso, a Aneps enviou novo ofício às representantes da instituição, mas ainda não obteve resposta. Estruturas reduzidas A maioria das empresas que realizam o crédito imobiliário para a Caixa está demitindo funcionários e enxugando drasticamente sua estrutura.“Se imaginarmos o horizonte de 7 mil correspondentes imobiliários que atualmente a Caixa possui, podemos concluir que tenhamos aproximadamente 35 mil postos de trabalho ameaçados, na melhor das hipóteses”, prevê Luciano. Pelo que já se vê no mercado, construtoras e incorporadoras, que atuam com empreendimentos voltados ao segmento SBPE, já estão migrando para outras instituições financeiras, que apresentam condições de crédito mais acessíveis à população. Na visão do entrevistado, talvez abrir mão de fatia de sua participação nesse mercado seja, no momento, a estratégia adotada pela Caixa, como já se observa pelos números de abril e maio deste ano. “Se esse quadro não se alterar a perspectiva é de forte redução no número de empresas e empregados no setor, especialmente junto à Caixa e de comprometimento do atendimento e da qualidade dos serviços prestados à população”, sentencia. Para finalizar, avalia que, “a continuar no ritmo atual, também o PMCMV poderá ser comprometido. Haverá menos interessados neste tipo de serviço, dados a baixa remuneração e o alto nível de exigência e profissionalização demandados, tanto  pelos bancos, quanto pelas construtoras e incorporadoras, que contam com a realização dos processos pelos correspondentes para obtenção dos recursos em seus fluxos de caixa. Esta conta ​ atualmente não fecha!” 12 Revista Corresponde Revista Corresponde 13

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ert i fi c aç ão C Aneps lança Certificação de Crédito Agrícola-Agronegócio A nova modalidade de certificação visa à capacitação específica dos correspondentes que atuam nesse segmento. A iniciativa atende a demanda do próprio mercado financeiro certificação norteia a conduta do profissional de acordo com princípios éticos; é condição fundamental para a segurança do sistema financeiro e a satisfação das necessidades dos usuários”, declara. O desenvolvimento dessa nova modalidade, realizado em parceria com o Instituto Totum, foi gerado por demanda do próprio setor financeiro. “O assunto foi pesquisado pela Aneps junto às instituições reguladoras do setor agrícola, como o Ministério da Agricultura, BNDES e BC, e também aos bancos comerciais que atuam nesse campo. O resultado dessa pesquisa foi encaminhado ao instituto para a elaboração do banco de questões para a prova de certificação”, esclarece Villas Bôas. Pedro Acácio Bergamasco, gerente executivo da Unidade de Canais Parceiros do Banco do Brasil (BB), enfatizou a participação da instituição nessa importante iniciativa da entidade. “Considerando a expressividade do agronegócio para a economia brasileira, o BB, como um dos principais agentes financeiros desse segmento, sugeriu – e obteve aprovação da Aneps – a inclusão de um módulo específico para agronegócios na grade de certificação profissional dos correspondentes”, declarou, acrescentando: “Essa certificação passa agora a constituir um diferencial para os agentes que atuam nesse mercado.” Conhecimentos específicos O Divulgação/Aneps s correspondentes já contam com nova certificação específica. Em maio, foi lançada a Certificação de Crédito Agrícola-Agronegócio Aneps, que garante a adequada capacitação dos correspondentes para exercer todas as atividades relacionadas especificamente a essa área, constituindo-se em um importante diferencial para os agentes que atuam nesse mercado. Como as demais oferecidas pela entidade, essa certificação também atende ao que dispõem as resoluções 3954/11, 3959/11 e 4294/13 do Banco Central (BC), que a tornou obrigatória para todo e qualquer correspondente em atividade no país. De acordo com declarações de João Ricardo Villas Bôas, vice-presidente de Formação e Certificação da Aneps, a entidade está investindo na profissionalização do segmento, a qual passa pela certificação dos agentes. “A João Ricardo Villas Bôas, vice-presidente de Formação e Certificação da Aneps. Além de verificar os conhecimentos dos candidatos sobre ética nos negócios, fundamentos do mercado financeiro e sistema financeiro nacional, na prova são avaliados aspectos relacionados às características dos produtos disponíveis, impostos incidentes sobre as operações, cuidados na contratação, Finame Agrícola e Programa de Sustentação do Investimento (PSI), Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), entre outros. Fernando Lopes, diretor do Instituto Totum, acrescenta que, para serem aprovados, os candidatos têm de “demonstrar conhecimentos técnicos sobre o crédito agrícola, bem como os referentes às normas e leis vigentes sobre a ética nos negócios e o papel do correspondente, sendo necessário um mínimo de 70% de acerto na prova para ser aprovado e certificado”. A nova modalidade difere da certificação completa, pois esta é direcionada aos correspondentes que prestam o atendimento a pessoas físicas e jurídicas interessadas em produtos financeiros ligados ao crédito agrícola. A certificação completa da Aneps é voltada aos profissionais que atendem a pessoas físicas e/ou jurídicas interessadas em crédito consignado, imobiliário e veículos-CDC. Lopes informa que o correspondente que obteve a certificação completa e que já atua ou que está interessado em atuar no segmento agrícola deve se certificar por meio da realização da prova específica. Segundo ele, a Aneps, que é a maior certificadora do país, com mais de 82 mil inscritos em sua base de dados, é a única a oferecer essa opção. A prova para a Certificação de Crédito Agrícola-Agronegócio da Aneps  está disponível exclusivamente na versão remota. Mais informações estão disponíveis no site www.certificacaoaneps.com.br. Incentivo à certificação Além de diversificar as modalidades, a Aneps também passou a oferecer a prova na forma remota, incentivando a profissionalização dos agentes desse tipo de avalaliação. (Veja mais na seção Tecnologia e Gestão nesta edição.) Balanço das certificações D A importância dos correspondentes e da certificação O gerente executivo da Unidade de Canais Parceiros do Banco do Brasil (BB), Pedro Bergamasco, declara que o espaço dos correspondentes nas atividades de crédito da instituição vem crescendo. “O Banco do Brasil, numa atitude pioneira e inovadora, ampliou o portfólio de produtos e serviços para atuação de sua rede de correspondentes no país, com destaque para o público da agricultura familiar”, declarou. Ele avalia que a recente inclusão das operações do Pronaf no Canal Correspondente “contribui para o incremento da geração de renda e uso da mão-de-obra familiar, fortalecendo a inclusão social e bancária, além de promover agilidade e comodidade no atendimento aos clientes”. Ainda ressalta o trabalho dos correspondentes ao destacar que “novamente reforçam seu importante papel social, identificando segmentos de públicos e disponibilizando produtos e serviços compatíveis com esses perfis”. Bergamasco explica que esse trabalho permite que as instituições financeiras alcancem, em especial, “os segmentos da população que não teriam condições de serem atendidos ou abordados nos canais de atendimento tradicionais”. Entretanto, pondera que para que essa ati- vidade atinja seus melhores resultados é necessário, além de esforço e planejamento, o indispensável preparo técnico. É nesse contexto que se insere a certificação, pois, por meio de exame, avalia o adequado nível de especialização dos profissionais da área, promovendo, assim, a melhoria na qualidade dos serviços. “A certificação profissional, vista por uma perspectiva ampliada, contribui, a um só tempo, para o fortalecimento do sistema financeiro, a mitigação de riscos operacionais e a transparência nas relações com os consumidores”, complementa. esde 2011, quando o Banco Central (BC) publicou a Resolução nº 3.954, tornando obrigatória a certificação dos correspondentes, a Aneps tem atuado ativamente para que os profissionais do setor se adequem às exigências da autoridade monetária. A entidade entende que a certificação é uma forma de autorregulação dos agentes e que contribui para a melhoria dos serviços prestados, oferecendo mais segurança tanto às instituições financeiras quanto aos consumidores, pois exige do profissional conhecimentos técnicos e conduta orientada por princípios éticos. Para isso, vem desenvolvendo em parceria com o Instituto Totum diversas modalidades de certificação com o intuito de atender às necessidades de cada segmento de crédito, como consignado, crédito direto ao consumidor (CDC), imobiliário e, mais recentemente, crédito agrícola-agronegócio (veja mais nesta seção), entre outras. Para facilitar o acesso à certificação foi criada a modalidade remota por meio da qual o candidato realiza a prova sem ter de se deslocar. Basta se inscrever e realizar o agendamento pelo site www.certificacaoaneps.com.br. A prova on line não compromete a credibilidade e a transparência do processo. De acordo com o diretor do Instituto Totum, Fernando Lopes, “o processo prevê auditoria junto ao candidato após a realização da prova. Este é um importante diferencial, que garante ao mercado contratante e ao próprio candidato a seriedade e a credibilidade da prova Aneps”. Ainda assim, com o intuito de oferecer ainda mais segurança contra eventuais fraudes, em breve será instituída a assinatura biométrica para a realização Desde que teve início o programa, a associação vem registrando crescimento no número de inscrições. Até o início de 2015 foram mais de 80 mil candidatos inscritos, dos quais em torno de 49 mil já estão certificados. Em 2015, o maior número de certificações foi de crédito consignado, com 6.050 profissionais aprovados, seguido pelo da certificação completa (2.246), de veículos e CDC (232) e de crédito imobiliário (117). Modalidade Presencial Modalidade Remota Criada em fevereiro, a prova on line já demonstrou sua importância para o aumento da demanda. Este ano, até o fechamento desta edição, haviam sido realizadas 2.999 provas presenciais e 11.715 remotas. De acordo com dados do Banco Central, atualmente cerca de 1 milhão de correspondentes atuam no mercado brasileiro. Por isso, é importante que, assim como a Aneps, também as instituições financeiras incentivem seus agentes a buscarem seu certificado, atendendo, com isso, às exigências legais, auxiliando na profissionalização do mercado e na melhoria do atendimento. 14 Revista Corresponde Revista Corresponde 15

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onsum i do r C O mar não está pra peixe. Porém... O ajuste econômico realizado pelo Governo este ano está promovendo uma reviravolta na indústria de crédito do país. Mas há a esperança de que já em 2016 o cenário comece a melhorar Divulgação/Aneps S ubida gradual e contínua da taxa de juros, dólar em alta, inflação tentando fugir ao controle, poupança esvaziada comprometendo linhas de crédito e restrições à concessão de empréstimo são alguns dos fatores que, junto com o temor sobre o futuro, têm levado à redução do consumo – e, com ela, da cadeia de produção e de comercialização. Além disso, um panorama mundial ainda recessivo, tímido quanto importações, agrava a situação interna. É sobre esse imbróglio econômico que correspondentes que atuam em diversas áreas arriscam análises, sem se esquecer de abordar o saldo negativo das medidas que, aplicadas desde o ano passado pelo Banco Central (BC), vem prejudicando os protagonistas da ampla inclusão bancária ocorrida na última década. Cenário econômico Para Marcelo Scalet Araújo, da Credflex-Promotora e Serviços de Crédito (SP), as medidas de ajuste adotadas pela nova equipe econômica demonstram o retorno a ortodoxia no combate a inflação. “O aumento da Selic e a restrição ao crédito têm como objetivo principal atacar a taxa de inflação que saiu do controle no primeiro governo Dilma. Obviamente, por se tratarem de medidas que buscam diminuir a demanda agregada, estas têm efeito de reduzir a atividade da economia no curto prazo. A partir do momento em que as expectativas sobre inflação futura começarem a baixar, estas medidas deverão ser flexibilizadas para permitir que a atividade econômica retome o seu fôlego”, avalia. João José Ferreira Neto, da Fontes Promotora de Crédito (SC), tem opinião semelhante, mas destaca que o pacote atinge justamente o campo que favoreceu a expansão econômica do pais nos últimos anos. “Esse crescimento se deu em cima do endividamento das famílias, estimulado com taxas de juros mais atrativas para um publico cada vez maior”. Segundo ele, “as mudanças nesse cenário devem reduzir a oferta de crédito e, consequentemente, o crescimento”, declara. Tais restrições ao crédito ainda podem gerar um ‘freio’ adicional economia, por comprometer investimentos na produção, que têm reflexos no nível de empregos. Falta foto Já Luiz Varesqui, da Varesqui Despachante Imobiliário (PR), acrescenta que como o crédito está no inicio da cadeia de consumo, alterações nesse patamar contaminam todos os demais elos: “Sem crédito, o consumo diminui; sem consumo ‘sobrarão’ empregos; sem emprego a população não compra e, assim, sucessivamente.” Essa é também a opinião de Augusta Maria Mendes Marcelo Scalet Araújo, da CredflexPromotora e Serviços de Crédito (SP). João José Ferreira Neto, da Fontes Promotora de Crédito (SC). Luiz Varesqui, da Varesqui Despachante Imobiliário (PR). Mota, da Mota Serviços (MG), para quem “há um recuo natural; as pessoas resistem em efetuar compras, fazer negócios, investir, receando o futuro”. Para Varesqui, o momento pede incentivo ao consumo, para garantir o fluxo da economia, como o Governo fez no passado recente, por meio da redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre veículos e eletrodomésticos. Reflexos sobre o mercado Na esfera dos correspondentes, o ajuste econômico não tem repercutido de forma linear. “A indústria de crédito, em geral, sofre diante do quadro econômico atual com aumento da inadimplência, dos custos para os tomadores de empréstimos e maior parcimônia dos agentes de crédito em liberar novos recursos”, expõe Scalet Araújo. Porém, nesse quadro, o consignado, por se tratar de uma modalidade com garantia do repasse ao credor das parcelas descontadas diretamente em folha de pagamento do devedor, a situação é diferente. “Existe uma tendência natural de os bancos buscarem por ativos de menor risco em períodos de crise e o consignado, dentro do varejo brasileiro, vem se mostrando a modalidade mais atraente no quesito risco x retorno. Desta forma, essa modalidade continua robusta e bastante disputada pelos grandes players do mercado”, esclarece. E acrescenta: “Para os consumidores, com o cenário de Selic alta e baixa oferta de crédito em outras modalidades, o consignado nunca foi tão atrativo.” Ainda porque não foram alterados os tetos de juros nos principais convênios, mantendo inalterados os custos para os tomadores de crédito. Augusta Mota, que se dedica especialmente ao campo do consignado, partilha dessa avaliação. “Pessoas que nunca tomaram empréstimos, estão agora procurando por essa modalidade, motivadas pelas taxas que, mesmo com aumento da Selic, ainda são as mais em conta no mercado”, constata. Ela ainda destaca que o novo cenário nacional acirrou ainda mais a concorrência entre os playes. Bancos maiores, que antes não davam importância ao consignado, hoje brigam por uma fatia desse bolo. E o mesmo se verifica entre os correspondentes especializados nesse tipo de crédito: “Nunca se viu concorrência tão grande, às vezes até desleal, com empresas pagando comissões em valores que o mercado não comporta, que tendem a fechar as portas por não poder cumprir esses compromissos.” João Neto também observa o aumento da demanda por crédito e da concorrência entre correspondentes e bancos, mesmo com a diminuição de players em ambas as EM TEMPO Ampliação do limite do consignado N o dia 13 de julho entrou em vigor a Medida Provisória nº 681 (MP 681/2015), sancionada no dia 10 de julho, que elevou de 30% para 35% o limite do crédito consignado. Mas esses 5% são destinados, exclusivamente, à amortização de dívidas do cartão de crédito. Embora a MP 681/2015 tenha reduzido o adicional previsto na proposta original – e largamente defendida pelos correspondentes – de 10% para 5%, a medida é aplaudida pelos profissionais e empresas que atuam nesse segmento de crédito, já que representa um estímulo aos negócios, sendo benéfica também para os clientes. Marcelo Scalet, por exemplo, vê no adicional exclusivo para o cartão “uma forma inteligente de os clientes endividados no cartão tradicional quitarem suas dívidas do rotativo”. Para Augusta, da Mota Serviços, o adicional “beneficiaria o trabalhador que estaria trocando um crédito caro, com taxas altíssimas, por outro, de valor acessível”. Esses argumentos são reforçados por João Neto: “Sem dúvida esta medida vai alterar o cenário atual positivamente, tanto para correspondentes quanto para o consumidor”. Mas, a seu ver, a ampliação do limite de endividamento deveria ser seguida de campanha de educação financeira, de conscientização, junto aos clientes. Além dos benefícios ao consumidor e para a própria economia, Scalet ressalta que “o adicional de margem para o cartão representa uma nova oportunidade de negócios para os correspondentes, que certamente terão incremento de vendas” Se seu produto interessa aos promotores de crédito e correspondentes, aqui você terá os resultados que espera! Além da versão impressa, a versão digital da revista Corresponde é pública, disponível no site da Aneps, e divulgada a todos os empresários do setor no país. Para anunciar, entre em contato pelo email aneps@aneps.org.br ou pelos telefones 11 3104-5168/5169. 16 Revista Corresponde

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esferas. Porém, diz que o setor “esbarra em uma readequação do mercado, devida a novas regras de concessão de credito, principalmente, de controle”. No entanto, como adiantado, quem se dedica a outras modalidades de crédito, amarga uma fase delicada. Dados divulgados pela Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea) registram que as vendas de veículos novos em 2015 até maio foi a menor em oito anos. Na comparação entre maio de 2014 e maio de 2015 a queda foi de 27,5%. Esse resultado é em parte devido ao cenário econômico do país; a política de restrição à concessão de financiamento para a compra de veículos, adotada pelos bancos, responde pela outra parte. E, logicamente, isso se reflete na seara dos correspondentes que atuam nesse segmento. O crédito imobiliário igualmente se ressente desses elementos, conforme constata Luiz Varesqui, que atua nessa área. “Está havendo redução na demanda fora do programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), devido às novas políticas de crédito. As mais afetadas são as linhas SPBE e SFI, com taxas de juros maiores, voltadas a imóveis com valor mais elevado”, afirma. Pela sua avaliação, a oferta insuficiente para atender a demanda atual acirrou a concorrência entre os bancos. Ele acredita que somente em 2016 a situa- Áreas nevrálgicas Augusta Maria Mendes Mota, da Mota Serviços (MG). ção começará a se normalizar. “O ano de 2015 será o ano de ajustes tanto para construtoras quanto para correspondentes”, prevê. Previsões Apesar se seu declarado otimismo, Augusta Mota não acredita, assim como a maioria de seus parceiros e dos economistas, que a situação econômica do país se normalize no curto prazo, com retomada gradual do crescimento somente no próximo ano. Para João Neto, “o governo precisa passar confiança ao empresariado brasileiro, investir em infraestrutura e dar condições para a retomada do crescimento”. Para a correspondente da Mota Serviços, “quem conseguir se ajustar e passar por esta turbulência sairá fortalecido, assim como o setor”. Ela avalia que “o segmento do consignado entrou em uma fase de maturação e até mesmo de depuração, pois o mercado exige hoje profissionalização e cumprimento de resoluções do BC. Estamos saindo da informalidade para nos tornamos profissionais, com todos os ônus e os bônus de qualquer categoria.” E sentencia: “Não haverá mais espaço para aventureiros e amadores.” O representante da Fontes Promotora, partilha desse ponto de vista e prevê que, no segmento, a expansão devera acontecer naturalmente, “porém de uma forma diferente, mais dinâmica e profissional, da que se viu até agora, pois a demanda consciente de crédito deverá ser cada vez maior”. Para Scalet, da Credflex, um elemento importante não deve ser ignorado nos prognósticos do setor. Ele salienta que a situação dos empresários deverá se definir muito mais em função da regulação do que pelos rumos da economia. Em sua opinião, as últimas alterações nas regras do setor promovidas pela Resolução nº 4.294 do BC modificaram radicalmente a forma de remuneração dos correspondentes. “A velocidade das empresas em se adaptar a este novo ambiente, bem como o entendimento do BC quanto a flexibilizar alguns pontos da resolução, delinearão o futuro do segmento”, opina. E m Te mp o Indústria de crédito e cobrança discute inovações Entre os destaques, temas como perspectivas da terceirização, inovações nos meios de pagamentos digitais e as transformações dos negócios na era das mídias sociais Em palestra, Patrick Morris, presidente da Associação dos Profissionais de Crédito e Cobrança, analisou o contexto da cobrança nos Estados Unidos. Eduardo de Sousa/Igeoc Divulgação/Aneps N Sistema de consórcios mantém crescimento, apesar da crise Enquanto diversos setores da economia brasileira patinam, o segmento de consórcios tem apresentado crescimento, inclusive o de veículos P esquisa recentemente divulgada pela Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac) apontou que o sistema de consórcios seguiu em alta nos cinco primeiros meses desse ano, em relação a 2014, com novo recorde de participantes. Os destaques ficaram para os segmentos de imóveis e veículos, que apresentaram crescimento. Os consórcios de imóveis tiveram grande procura em maio, elevando o percentual de crescimento nos cinco primeiros meses deste ano para 25,4%. Foram comercializadas 84,5 mil novas cotas em 2015 contra 67,4 mil em 2014. No segmento de veículos automotores – que inclui veículos leves, pesados e motocicletas – o volume de contratos comercializados foi de R$ 24,87 bilhões de janeiro a maio deste ano; no ano anterior foi R$ 23,14 bilhões, equivalentes a tíquetes setoriais de valores maiores, representando uma elevação de 3,2%. Em razão do maior número de contemplações, houve aumento de 13,1% nos créditos disponibilizados ao mercado. Ainda de acordo com a pesquisa, o indicador de participação dos consórcios no total de valores destinados para financiamento, leasing e consórcios fechou os cinco primeiros meses de 2015 com R$ 14,13 bilhões, contra R$ 12,49 bilhões no ano anterior, representando 26,6% de participação sobre o volume geral de R$ 53,22 bilhões, segundo dados do Banco Central. Na comparação com o mesmo período de 2014 houve aumento de 4,4%. o dia 16 de junho, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo (SP), foi realizado o 5º Fórum de Inovação, voltado aos profissionais do segmento de crédito e cobrança. Promovido pelo Instituto Geoc (Igeoc), o evento abordou temas relevantes para o segmento e apresentou novas ferramentas para o aprimoramento de processos nas áreas de tecnologia, recursos humanos, qualidade, planejamento, MIS e jurídico. De acordo com os organizadores, o fórum contou com número recorde de inscritos: 680 participantes, entre formadores de opinião, prestadores de serviços, clientes e potenciais clientes. Na abertura, Jefferson Frauches Viana, presidente do instituto, ressaltou a importância do segmento para a economia do país. “Diante do momento em que o Brasil se encontra, com a desaceleração de praticamente todos os setores, mais do que nunca precisamos digerir as transformações, ‘reinventar’ processos, sempre em busca dos caminhos mais curtos e eficientes”. Na avaliação de Wikerson Landim, analista de conteúdo sênior dos sites TecMundo e Baixaki, que apresentou a palestra de abertura do Fórum, inovação não depende de alto investimento e grande infraestrutura. “Se você tiver uma grande ideia ou observar seu negócio e colocar coisas pontuais para melhorar processos já está inovando”, afirmou. E foi além: “Não tenha medo de testar. Observe, aprenda, troque experiências com outras pessoas que tenham problemas comuns ao seu e saia da zona de conforto”, aconselhou. Inovação, terceirização e redes sociais O Projeto de Lei nº 4.330 – que regulamenta a terceirização para qualquer atividade das empresas – foi um dos temas mais esperados pelos participantes. O advogado e professor universitário Carlos Pereira lembrou que não existe legislação que regulamente atividade fim e meio. “A jurisprudência não consegue entender e esclarecer qual seria efetivamente a atividade fim bancária. Precisamos mostrar para o judiciário e para toda a cadeia que regula o setor trabalhador a licitude da terceirização”. E destacou que atualmente o Brasil possui 35 mil empresas de terceirização, sendo que o setor de crédito e cobrança representa 1% deste montante. Hoje mais de 68 milhões de brasileiros acessam a internet por meio de  smartphones, segundo o Ibope. Para a consultora de mídias sociais Carolina Terra, “é fundamental traçar uma estratégia de conteúdo para estar presente nas redes (sociais) e usar a linguagem certa para cada tipo de público. As empresas precisam oferecer serviço aos usuários, pensar em textos otimizados para a internet e utilizar linguagem fácil”, aconselhou.  Reuniões da diretoria da Aneps: programe-se e participe! A diretoria da Aneps convida a todos os correspondentes para participar de suas reuniões mensais, que usualmente se realizam na segunda quinta-feira de cada mês, às 10h, na sede da entidade, em São Paulo (SP). As próximas estão agendadas para as seguintes datas: Agosto Setembro Outubro 13 10 8 A Aneps conta com sua presença e colaboração no debate de questões de interesse dos correspondentes. Participe! 18 Revista Corresponde Revista Corresponde 19

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Projeto de terceirização da mão de obra aguarda aprovação no Senado Medida poderá melhorar a competitividade das empresas e trazer benefícios aos empregados terceirizados ná li se S eto r i al A Divulgação/Fecomercio-SP D Aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto ainda deve aguardar pelo aval do Senado e pela sanção presidencial para entrar em vigor. epois de muita  polêmica e críticas por parte das centrais sindicais,  a Câmara dos Deputados aprovou em abril a emenda ao Projeto de Lei nº 4.330, que regulamenta a terceirização da mão-de-obra – assunto que se arrasta desde 2004 –, incluindo nesta regulamentação a possibilidade de terceirização das chamadas “atividades-fim” (aquelas que caracterizam o objetivo principal da empresa).  Até agora, apenas as atividades-meio (como serviços de limpeza e segurança) podem ser terceirizadas. Mas para entrar em vigor, o texto ainda precisa ser  aprovado no Senado e sancionado pela presidente da República, que poderá vetá-lo ou não. Anteriormente, quando se falava em terceirização, o entendimento imediato era de terceirização das atividades-meio, que funcionavam nas empresas em geral, inclusive junto ao Poder Judiciário. Entretanto, com o passar do tempo, como sinal de progresso, esse leque de atividades se ampliou para muitas outras: call center, serviços técnicos de comunicação, de engenharia etc.  A terceirização, ao menos em tese, pode melhorar a competitividade do país, reduzir encargos trabalhistas, sem causar qualquer prejuízo ao trabalhador, e promover a formalização e a geração de mais vagas, além de reconhecer e regulamentar os direitos trabalhistas previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), por exemplo, teme que a aprovação do PL 4.330 torne ainda mais precárias as condições de trabalho, reduzindo salários e aumentando o desemprego.  Em entrevista à Revista Corresponde, José Pastore, que é presidente do Conselho das Relações do Trabalho da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), Ph.D. em Sociologia pela University of Wisconsin (EUA), professor titular da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e autor de diversos artigos sobre o tema, “a redução dos custos das empresas é um dos objetivos. Mas os principais são a especialização dos terceiros Divulgação José Pastore, professor titular da FEA-USP e presidente do Conselho das Relações do Trabalho da Fecomercio-SP. e o uso de mão-de-obra pelo tempo estritamente necessário”.   Fenômeno mundial  Polêmica à parte, a terceirização é uma realidade incontestável no mercado de trabalho e transformou-se em fenômeno mundial a partir do final dos anos 1980 e início dos 1990. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), existem no país mais de 12 milhões de trabalhadores terceirizados atuando em diversos ramos de atividade.  Segundo Pastore, a terceirização no Brasil começou com a chegada da indústria automobilística, no fim da década de 50. “Os primeiros serviços comprados foram de alimentação e transporte. Nas décadas seguintes, o processo se intensificou e sofisticou. Bancos, indústrias e comércio passaram a terceirizar as atividades de apoio (limpeza, alimentação, segurança etc.).” Ele relata que na década de 90,  o Brasil deu um grande salto. A Volkswagen criou um consórcio modular em 1996, do qual passaram a fazer parte, em regime de parceria e muita coordenação, inúmeros prestadores de serviços especializados, ligados à produção. Várias empresas passaram a trabalhar no site da montadora. A iniciativa foi pioneira e logo seguida por outras empresas. “Na sua fábrica de Resende (RJ), a Volkswagen introduziu a terceirização na base de um consórcio modular: cerca de 80% dos empregados que trabalham pertencem às prestadoras de serviços contratadas nas atividades de pintura, montagem de motores e rodas, suspensão etc. Os empregados diretos (20%) cuidam da administração, inspecionam processos e veículos e tomam decisões estratégicas”, explica. Entretanto, argumenta-se que em virtude da lacuna legal, que, por exemplo, jamais definiu claramente o que é atividade-meio e atividade-fim para efeito de terceirização, criaram-se distorções, que se pretende eliminar com a nova regulamentação. “O maior problema é a insegurança jurídica para quem contrata. Por exemplo, em fábrica de refrigerantes, a decisão de usar os serviços de uma transportadora para entregar o produto nos supermercados, bares e restaurantes é julgada por muitos magistrados como ilícita porque veem nisso uma atividade-fim. Para outros é lícita porque consideram que a atividade-fim da empresa é produzir refrigerantes e não transportá-los”, destaca o professor. Outro artigo importante aprovado pelos parlamentares refere-se à possibilidade de terceirização da atividade-fim; em emenda, diminui de 24 para 12 meses o período de quarentena que o ex-empregado de uma empresa deve cumprir para que possa oferecer serviços a essa mesma empresa no âmbito de uma contratada de terceirização. José Pastore entende que “12 meses é um tempo suficiente para evitar a ‘pejotização’ (contratação de pessoas jurídicas, pj) desenfreada”. Benefício aos trabalhadores Sobre os reflexos da regulamentação da terceirização sobre o número de empregos e sobre a renda dos trabalhadores, ele ressalta que é difícil dizer com certeza. “De modo geral, a terceirização amplia o emprego e eleva os salários dos terceirizados ao longo do tempo. Mas, no caso em tela, acho que o PL 4.330 vai encarecer tanto a terceirização e criar enormes responsabilidades para a contratante que pode ocorrer um pequeno avanço ou até redução da terceirização”, observa. O projeto aprovado no Congresso Nacional garante os direitos trabalhistas para o empregado de uma empresa contratada, que terá a empresa contratante como respaldo, mas poderá causar algum desestímulo à terceirização. “Penso que assegurar os direitos que estão na lei é justo e necessário. Não deveria ser motivo para desestimular os contratantes bem intencionados. Além disso, a expansão da terceirização, de modo geral, tenderá a aumentar a produtividade e a competitividade das empresas e dos empregados”, analisa Pastore.  O setor financeiro é um exemplo de que é possível transferir para empresas contratadas diversos serviços (oferta de cartões de crédito, recebimento de cadastro, empréstimos, entre outros) que os bancos hoje não têm condições de atender, especialmente nas regiões mais afastadas do país onde não há agências bancárias.  Todavia, o entrevistado destaca que uma empresa nunca transferirá para terceiros suas funções estratégicas. “Jamais um banco terceirizará a função de caixa porque isso requer confiança ilimitada. Afinal, os caixas têm acesso a informações confidenciais dos clientes e lidam com o dinheiro destes clientes. Não há como partilhar informações restritas e sigilosas com um funcionário terceirizado; isso se restringe somente a funcionários dos bancos. Quem fizer isso perde os clientes na hora”. Correspondentes  O advogado Eloy Câmara Ventura, diretor de Assuntos Jurídicos da Aneps, pondera que “a nova legislação, passou a ser analisada e discutida em um momento delicado do país”. Segundo ele, “os trabalhadores foram cercados por toda sorte de garantias, o que é de todo louvável, mas sem que haja exageros, para não resultar em desestímulo à terceirização, dado que o projeto de lei já prevê a proteção ao terceirizado”. Eloy Ventura explica que, “a definição das relações de trabalho, salário e benefícios deverá ocorrer por meio das entidades sindicais da representação da categoria de base desses terceirizados, com autonomia para poder reivindicar, pleitear e sancionar o que for do interesse da tutelada”. 20 Revista Corresponde Revista Corresponde 21

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ecnologia e Gestão T Biometria digital: mais segurança para as certificações da Aneps Divulgação/BWSTEC A nova tecnologia traz segurança adicional ao processo e torna ainda mais confiáveis essas certificações, impedindo que as provas remotas sejam realizadas por outra pessoa que não o candidato A indústria de concessão de crédito no Brasil apresenta, em resumo, uma estrutura que envolve as Instituições Financeiras, os Correspondentes e os Agentes de Correspondentes. O Agente de Correspondente representa o contato direto com os Clientes, garantindo a capilaridade da indústria. A Certificação Profissional de Agentes de Correspondentes da ANEPS (Certificação ANEPS) envolve não somente um exame de certificação, mas também o atendimento ao Código de Ética e Conduta e a atuação de sua Ouvidoria. Isto é autorregulação da nossa indústria. O melhor investimento para sua Certificação: 4Certificação Completa 4Crédito Imobiliário Gabriel Manzano, diretor de Desenvolvimento da Alfama Web/BWSTEC. 4Veículos e CDC 4Crédito Consignado P ara garantir a legitimidade das certificações Aneps, a associação está investindo em novas tecnologias digitais para agregar segurança adicional à aplicação das provas no formato on line. As biometrias mais utilizadas atualmente no mundo incluem impressões digitais, reconhecimento de face, íris, assinatura e até a geometria das mãos. Porém, diversas outras modalidades estão em diferentes estágios de desenvolvimento. Assim, após ampla pesquisa de mercado, a entidade optou pelo sistema de identificação biométrica da BWSTEC, por sua eficiência comprovada, por atender plenamente a suas necessidades e também pela relação custo-benefício oferecida. Trata-se de uma tecnologia para reconhecimento biométrico que envolve dois sistemas, o Biostroke e o Biomotion, desenvolvidos por professores da Universidade Federal de Sergipe. O primeiro trabalha com o ritmo de digitação que cada pessoa imprime no teclado de um computador, que é único, como uma impressão digital, uma “assinatura biométrica”. Cabe ao Biomotion validar esse ritmo de digitação, essa “assinatura”. “Estávamos em busca de uma solução eficaz e de baixo custo para biometria, encontramos o Biostroke e Biomotion, compramos seus direitos e formamos a BWSTEC, uma startup especializada em segurança digital”, explica Gabriel Manzano, diretor de Desenvolvimento da Alfama Web/BWSTEC. Simples e seguro Para ilustrar o mecanismo dos sistemas, Manzano usa um exemplo simplório, de alunos que “desenham” as assinaturas dos pais nos boletins. Segundo ele, tal artimanha torna-se impossível de ser realizada com o Biomotion, e garante que a ferramenta “pode ser usada com segurança para validar transações bancárias e funções importantes de sistemas de gestão”. No caso da Aneps, a princípio esse sistema será utilizado exclusivamente na identificação dos candidatos a obter a Certificação Aneps, nas provas aplicadas no formato on line (remoto). Para a entidade, essa tecnologia tem papel essencial para a prevenção de eventuais fraudes: ela permite detectar se outra pessoa, que não o candidato, esta tentando realizar a prova com login e senha alheios. ✓ A 1° Entidade e única a ter o programa de certificação COMPLETO (desde 07/2011); Diferenciais ✓ Milhares de Agentes de Correspondentes certificados em todo território nacional; ✓ Possibilidade de realizar exames apenas para os seus funcionários (turmas fechadas); ✓ O único serviço de certificação que atende em qualquer localidade do Brasil; ✓ Canal de Ouvidoria através de 0800; ✓ Emissão da Carteira de Certificação Profissional do Agente de Correspondente, que pode ser utilizada como Identificação Profissional*. atendendo ao Capítulo IV, ART. 11, item II, da Res 3954/2011 do Banco Central. Para mais informações: www.certificacaoaneps.com.br (11) 3104-5168 ou (11) 3104-5169 22 Revista Corresponde Revista Corresponde 23

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