Revista Fácil - Edição 165

 

Embed or link this publication

Description

Mercado Pet: Bem longe da crise

Popular Pages


p. 1

ANO XX - 2016 - Edição 165 - R$ 8,00 - www. revistafacil.net Nordeste Aposentadorias e pensões Mudanças à vista Bem longe da crise Crise econômica Energia eólica Carro & Cia Mercado Pet A luz que vem dos ventos Avaliação S10 FÁCIL 2017 | Lazer e Negócios NE Nem tudo está perdido 1

[close]

p. 2



[close]

p. 3

Expediente PREVIDÊNCIA 10 ECONOMIA 12 TURISMO 16 38 INTERNACIONAL Edição 165 | Ano XX | 2016 www.revistafacil.net | FÁCILTV - www.faciltv.tv Mercado Pet 04 Sumário Saúde 24 Nutrifácil 25 Carro & Cia 26 Coluna PB 28 Coluna Abrajet 29 Gastronomia 30 Evento 34 Decoração 36 Internacional 38 Última Página 42 Opinião 07 Gestão 08 Previdência 10 Econômia 12 Business 15 Turismo 16 Educação 18 100 95 75 Fábula 20 Presidente Fernando La Greca Diretora de Negócios Nilza Guerra Diretora de Produção Ana La Greca Gerente Comercial Manoel Marques Projetos Especiais Roberto Nóbrega Editor de Turismo Luiz Felipe Moura Colaboradores de Fotos Evaldo Parreira Ivaldo Régis Roberto Souza Colaboradores André Dantas Bento R. P . de Albuquerque Carlota Aymar Gilson B. Feitosa Horácio Abiahy Yluska Regina Quesado de Almeida Jaques Cerqueira José Cláudio Pires de Souza Leandro Ricardo Leopoldo Albuquerque Loy Longman Luiz Felipe Moura Marcos Alencar Marco Polo Mariana Trajano Ney Anderson Roberta Monteiro Silvio Romero Rogério Almeida Colaborador São Paulo Renato Cury Fone: 11 2864.1636 Administração Rua D. Maria Vieira, 88-E - Ilha do Retiro Recife-PE - CEP 50830-020 Tel. 55 81 3039.0594 | 0596 Redação Tel. 55 81 3039.0595 | redacao@ revistafacil.net Comercial Tel. 55 81 3039.0594 | comercial@ revistafacil.net Projeto Gráfico e Capa Contorno Ideias e Soluções Tel. 55 81 3031.6987 | www.contornoideias. com.br Assinaturas Tel. 55 81 3039.0594 Auditada por Baker Tilly Brasil Ceará Sucursal Fortaleza Diretor Mario Pinho Rua Coronel Manuel Albano, 900, torre V, Sl. 405 Maraponga - Fortaleza - CE Tel. 85 32 98 1506 | 85 98856 5149 OI 85 99764 4290 TIM | 11 96031 2011 OI/SP Brasília | Rio de Janeiro | São Paulo Linkey Representações e Publicidades LTD. (61) 3202-4710/ 9984-9975/ 8423-0318 linda@linkey.com.br Contato São Paulo: Maria Marquezini (11) 99701-5278 | 97284-1919 | 982881919 mmarquezini@linkey.com.br A Fácil Lazer e Negócios é uma publicação da EBI - Editora Brasileira de Imprensa Ltda Opinião dos colunistas não reflete a opinião da Revista Proibida a reprodução total ou parcial de matérias ou fotos sem a autorização da Revista. Cultura 22 Sociologia 23 25 5 0 FÁCIL | Lazer e Negócios NE 3

[close]

p. 4

CAPA Por Jaques Cerqueira Mercado Pet O Brasil é mesmo um país de contrastes. Em meio a uma das mais graves crises econômicas de sua história, alguns segmentos da economia torcem o nariz para o cenário que preocupa os brasileiros. O mercado pet é um deles. Só no ano passado, o setor movimentou R$ 16,7 bilhões de reais e suas empresas registraram um crescimento de 12%, em relação a 2014. E não fosse a elevada carga tributária que incide sobre o setor, o crescimento do mercado pet seria bem maior. De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), José Edson Galvão de França, o Brasil tem uma demanda calculada em 7,3 milhões de toneladas de pet food, mas só consegue abastecer o mercado com 2,5 milhões de toneladas, 34,5% do total ideal. Por isso, há uma demanda não atendida de consumo de 4,8 milhões de toneladas. “A cada R$ 1 pago, R$ 0,50 correspondem a tributos como IPI, ICMS-ST, Pis/Cofins. Isso faz com que os impostos abocanhem metade do faturamento do setor”, desabafa Galvão de França. Mesmo assim, o segmento vai se diversificando e crescendo a cada dia. Hoje, no chamado Mundo Pet há negócios de toda espécie. São hotéis com direito a suítes de luxo, feiras Bem longe da crise de adoção, serviços e desfiles, além de centros de estética e butiques de vestuários, acessórios e brinquedos. Isso sem falar em sofisticadas clínicas veterinárias e padarias-pet, bem como lojas especializadas em alimentos e bebidas. Isso mesmo. Há até sucos e cervejas para cães e gatos. No segmento de rações, existem hoje mais de duzentas marcas com o que há de melhor nesse item. Faturamento- No mercado pet brasileiro, a maior fatia do faturamento nacional continua em poder do Pet Food (alimentos, snaks e bifinhos), que chegou à marca de 67,3%, seguido pelo Pet Serv (serviços), com 17%, 8% de Pet Care (equipamentos, acessórios e produtos de higiene e beleza) e 7,7% de Pet Vet (serviços e produtos veterinários). Estudos revelam que cada animal custa R$ 350,00 em média, por mês, aos seus donos. Essas despesas incluem vacinas, rações, vermífugos, banhos, tosas e consultas veterinárias. Para a dona de casa Luiza Fonseca, que cria Mel, uma cadela Yorkshire, “essa é uma despesa boa porque em troca a gente recebe muito amor e carinho. Mel afasta da gente o estresse do dia a dia”. Todo esse otimismo entre o empresariado do setor se justifica. Hoje, no Brasil, existem mais cães de estimação do que crianças. Levantamento feito pelo IBGE, em 2012, aponta- 4 FÁCI L | Lazer e Negócios NE

[close]

p. 5

Galvão de França: Só abastecemos 34,5% da demanda de pet food no Brasil, por conta da carga tributária para gatos e cachorros vam que 44,3% dos domicílios do País possuíam pelo menos um cachorro. Essa estimativa representava há quatro anos 52,2 milhões de cães criados em casas ou apartamentos. E se forem incluídos aí outros bichos de estimação, a exemplo de gatos, aves, peixes e até répteis, chega-se rapidinho a 132,4 milhões de animais, número que coloca o Brasil como o segundo maior mercado pet do mundo. “Estamos atrás somente dos Estados Unidos e bem à frente da Inglaterra, que ocupa a terceira posição nesse ranking”, comemora Galvão de França. Esses números expressivos têm uma razão de ser. Segundo o presidente da Abinpet, os animais de estimação, com o tempo, passam a ser tratados como membros da família. E é justamente por conta disso que, em meio à crise econômica que virou o País de cabeça para baixo, o brasileiro faz malabarismos para manter as contas em dia e garantir a alimentação e o conforto de seus “filhotes”. Para isso, deixam de lado produtos supérfluos, abrem mão de uma sessão de cinema ou de uma balada, vão menos aos shoppings, para priorizar as despesas com os bichos. O mercado de produtos para animais de estimação não para de surpreender. Agora, por R$ 12,90, donos de gatos podem adquirir uma garrafa de 355 ml da Cat Beer, a primeira cerveja destinada exclusivamente aos felinos. O produto foi lançado pela Dog Beer, empresa pioneira no país a lançar a primeira cerveja para cachorro. Sem conter álcool e CO2, prejudiciais à saúde dos pets, a Cat Beer tem na sua fórmula níveis recomendáveis de taurina, aminoácido essencial para a visão e função reprodutiva dos gatos. De acordo com a empresa, o sabor é diferenciado da Dog Beer porque contém extrato de peixe, para dar maior palatabilidade à bebida. Segundo o empresário Marco Melo, a ideia surgiu após o lançamento da cerveja canina, que faz o maior sucesso. Cerveja Crematório para animais Já está em funcionamento o primeiro crematório para animais do Rio Grande do Norte, o Vila Pet. O empreendimento foi erguido no cemitério Parque da Passagem, Zona Norte de Natal, com a proposta de atender tendência que predomina em diversos países e em algumas regiões do Brasil.

[close]

p. 6

A ideia do Grupo Vila, empresa responsável pela iniciativa, é proporcionar uma despedida digna aos animais de estimação que, para muitas pessoas, são como membros da família. O Vila Pet foi desenvolvido com base em pesquisas que constataram a grande dificuldade que as pessoas possuem hoje em dia de resolver trâmites quando seu animal de estimação morre. “O serviço é inovador e conta com o padrão de qualidade, respeito e credibilidade que são marcas do Grupo Vila”, assegura o diretor Ibsen Vila. Ao contrário do que ainda acontece hoje no Brasil com a cremação de humanos, a cremação de cães e gatos tem sido a opção mais adotada entre os proprietários que perderam seus animaizinhos. Segundo o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep), ainda não há dados exatos sobre o setor voltado para os bichos. Um exemplo do tamanho deste mercado é o Pet Memorial, crematório de animais localizado em São Bernardo do Campo (SP). Primeiro crematório pet do Brasil, começou sua atuação em 2000 realizando uma média de 30 cremações mês. Hoje, o crematório já realiza 500. Banho & tosa O segmento pet cresceu tanto que, no Recife e em outras grandes cidades, há profissionais especialistas em banho e tosa de cães atendendo em domicílio, uma ou duas vezes por semana. Lourival Júnior, um dos mais requisitados desses especialistas no Recife, atende hoje a 42 clientes, com mais de 50 cães de grande e pequeno portes e de diferentes raças. A qualidade do serviço é tão boa que Júnior mantém clientes desde que entrou nesse ramo, há quatro anos. Isso sem falar que os animais se apegam a ele com facilidade. O material utilizado nos banhos, a exemplo de xampus e condicionadores, pode ser fornecido pelo profissional ou pelo próprio dono dos animais. Mas isso fica a critério de cada cliente. Lourival Júnior (98797.1217) Foto RafaelaMelo Lourival Júnior: banho e tosa de Mike com muito cuidado 6 FÁCI L | Lazer e Negócios NE

[close]

p. 7

OPINIÃO Por Osvaldo Matos de Melo Júnior Publicitário, sociólogo e especialista em marketing e comércio exterior. Já nasceu o ser humano que vai viver 500 anos. Poucos sabem, mas muitos cientistas financiados por empresas e organizações do mundo inteiro, estão investindo pesado em pesquisas e experiências na busca de modificar o nosso DNA e aumentar a expectativa de vida por até 5 vezes. A tecnologia chegou em descobertas e inovações que há 15 anos achávamos impossíveis de realizar e habitavam os filmes e livros de ficção. Nesse ponto, saltos tecnológicos aconteceram sempre que as necessidades e vícios humanos falavam mais alto. Será que os nossos pais, acreditavam que conseguiríamos criar nanorrobôs que levam medicamentos diretamente para células doentes? Que um médico poderia operar um soldado no Iraque estando em Paris? Que uma bexiga novinha poderia ser produzida em laboratório com células tronco? Que a vovó poderia falar e ver o netinho através de um celular fininho, ela aqui e ele no Japão? Que os carros poderiam dirigir sozinhos? E os alimentos pudessem ser modificados geneticamente para melhorar a produção e oferecer mais saúde? Ou uma bomba que não mata nem derruba nada, pode destruir toda economia mundial? Que uma guerra pode ser assistida ao vivo através da transmissão de drones? A cada dia novas soluções de medicamentos e alimentos são encontradas pelos cientistas aumentando, a cada ano, o tempo de vida do ser humano. Em recente entrevista, o presidente do Google Bill Maris disse acreditar que a expectativa de vida humana está prestes a dar um grande salto. “Se você me perguntar hoje, é possível viver até os 500 anos? A resposta é: sim”, disse à Bloomberg recentemente. Ele investiu 425 milhões de dólares em pesquisas. “Na verdade, temos ferramentas nas ciências da vida para conseguir qualquer coisa que você tem a audácia de imaginar”, disse à Bloomberg. “Eu só espero viver o suficiente para não morrer.” O Google Ventures já financiou alguns projetos bem conhecidos no passado, incluindo o programa SpaceX, de Elon Musk. Maris é ambicioso sobre o futuro dos cuidados de saúde, e deixa isso claro na entrevista à Bloomberg. Veja um trecho: Há 20 anos, sem genômica, você só poderia tratar o câncer com um veneno. Isso é muito diferente. ‘Nós podemos curar seu câncer com a engenharia reversa uma célula-tronco’. Agora você pode legitimamente investir em uma empresa que pode curar o câncer. Em 20 anos, a quimioterapia vai parecer tão primitiva que será como usar um telégrafo. Existem empresas especializadas em congelar corpos de pessoas vítimas de doenças que hoje não têm cura, para que no futuro possam ser ressuscitadas. Outras empresas financiam cientistas doutores que já vão começar a testar a transferência da memória cerebral de um corpo morto para outro vivo. Muitos acham isso uma absurdo, pois o homem não pode brincar de Deus, mas esquecem de levantar uma hipótese importante: Será que o homem só avança quando Deus permite? Geralmente os grandes saltos tecnológicos aconteceram diante de fatos negativos. Foi assim com o deslocamento do homem no mundo, com as batalhas entre os primeiros clãs por melhores territórios de caça e água, as grandes variações climáticas, ao aprimoramento da caça, defesa e armazenamento, a descoberta do fogo, a necessidade de se comunicar e entender os sons, as lutas e conquistas imperiais, as grandes epidemias, as lutas religiosas, o poder, as guerras civis, as doenças, a produção em escala, o domínio da força, a revolução industrial, o combustível das máquinas, as armas de destruição em massa, as grandes guerras mundiais, os espaços escassos nas metrópoles, a conquista do espaço, a guerra fria, o poderio econômico internacional, o mercado globalizado, violência interna, o terrorismo, necessidade de produção de alimentos, a rede mundial, a qualidade de vida, a biocomputacão, a vitória sobre os fenômenos naturais, o cyberterrorismo, a sobrevivência da raça humana com a iminência do fim da terra e a necessidade de viver mais e melhor. No momento o grande propulsor desses avanços é o dinheiro e poder, e cada vez mais esses poderosos estão preocupados em resolver seus problemas de extensão da vida e também de usar isso como instrumento de domínio, prazer e riqueza. Imagina um mundo onde quem tiver dinheiro viverá muito mais. Chegamos ao ponto que tudo pode acontecer, não podemos mais duvidar de nada. Com o domínio do DNA e a mistura da biologia com a informática o homem vai conseguir o seu maior salto tecnológico. Tomara que dessa vez possamos melhorar mais no sentido de renunciar à violência, ao preconceito, à intolerância, ao individualismo, ao egoísmo, à corrupção, à falta de solidariedade e compaixão e principalmente à fome pelo poder. Ou será que adianta existir 500 anos ou eternamente, sem viver intensamente a verdadeira essência do ser humano, que é o amor? FÁCIL | Lazer e Negócios NE 7

[close]

p. 8

GESTÃO Por Jaques Cerqueira jaquescerqueira@gmail.com Fotos: Divulgação Magazine Luiza nos aeroportos No mundo do e-commerce, a Magazine Luiza, uma das maiores redes varejistas do Brasil, fez uma jogada de mestre. Está disponibilizando internet grátis em nove aeroportos internacionais do País. A estratégia da empresa é oferecer descontos para quem baixar o aplicativo da loja enquanto estiver conectado ao wi-fi. Navegando pela plataforma enquanto espera seu voo, o cliente vai encontrar produtos com preços exclusivos. Os aeroportos beneficiados são Guararapes/Gilberto Freyre (Recife), Congonhas (São Paulo), Santos Dumont (Rio), Afonso Pena (Curitiba), Salgado Filho (Porto Alegre), Hercílio Luz (Florianópolis), Luiz Eduardo Magalhães (Salvador), Pinto Martins (Fortaleza) e Viracopos (Campinas). A Hands, empresa focada em mobile advertising, criou para o Magazine Luiza um conceito de loja virtual focado no projeto. FRASE “A cidadania se fortalece a partir da sala de aula. E aí começa o combate à corrupção” Promotor de Justiça Aguinaldo Fenelon em palestra para professores da rede pública de ensino Cédulas falsas A partir de agora, por determinação do Banco Central, os bancos terão de fazer a troca imediata de cédulas de legitimidade duvidosa que tiverem sido entregues a seus clientes no momento de saques em terminais eletrônicos ou transações presenciais, segundo o Banco Central. Antes, os bancos não eram obrigados a fazer a troca imediata. Os clientes agradecem. Mobile banking em alta O uso dos canais digitais no segmento bancário segue em consolidação no Brasil, com destaque para a forte expansão registrada no ano passado pelo mobile banking, que registrou 11,2 bilhões de transações bancárias, um crescimento de 138% em relação a 2014, quando 4,7 bilhões de operações foram feitos pelos clientes. Os dados são da Febraban. Colchões gaúchos no Agreste O grupo gaúcho Herval Móveis e Colchões inaugurou em Bezerros (no Agreste pernambucano) sua primeira fábrica fora do Rio Grande do Sul. Com investimento de R$ 88 milhões, a indústria vai produzir estofados, colchões e espumas para abastecer os mercados do Norte e Nordeste. O projeto inicial era investir R$ 25 milhões, mas o projeto cresceu. ParkMe chega ao Recife Numa cidade carente de estacionamentos, o Recife acaba de ganhar um sistema de serviços digitais, que permite localização, reserva e pagamento antecipado de estacionamento via celular. Trata-se da ParkMe, rede de estacionamento com 100 mil locais em 4 mil cidades de 64 países. No Brasil são 6 mil locais em seis cidades. Entre elas São Paulo. Mudanças na CLT O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, já avisou que a reforma da Previdência deve ser aprovada até dezembro, com uma parte das mudanças entrando em vigor a partir de 2017. É que o presidente interino Michel Temer quer mexer na Consolidação das Leis do Trabalho que está em vigor há 73 anos. Portanto, vem aí mais uma confusão das grandes. Rombo no Bolsa Família O Ministério Público Federal detectou uma série de indícios de fraudes no programa Bolsa Família. Mais de 580 mil servidores públicos, 49 mil beneficiários mortos, 318 mil microempresários e 89 mil pessoas que fizeram doações de campanha estão na lista de fraudadores. Os desvios descobertos entre os anos de 2013 e 2014 somam R$ 2,5 bilhões. De Goiana para o mundo A Vivix, indústria de vidros planos do Grupo Cornélio Brennand, estreou no mercado americano. O empreendimento de R$ 1,2 bilhão, instalado há dois anos em Goiana, já exportava, via Suape, para Argentina, Bolívia e Paraguai vidro incolor, verde, cinza, espelho e laminado. Os próximos mercados serão México, Colômbia, Uruguai e Angola. 8 FÁCI L | Lazer e Negócios NE

[close]

p. 9

FÁCIL | Lazer e Negócios NE 9

[close]

p. 10

PREVIDÊNCIA Aposentadorias e pensões Texto: Fernando La Greca Mal o Governo interino do presidente Michel Temer começou, as turbulências no mercado de trabalho se intensificaram. Principalmente por conta do anúncio feito pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, sobre a necessidade urgente de se promover a reforma previdenciária. Isso tirou o sono de milhões de aposentados e trabalhadores prestes a se aposentar. As centrais sindicais já bateram o pé e avisaram que as coisas não vão andar do jeito que o Governo quer. Por sua vez, os políticos que costumam jogar para a plateia, principalmente em tempos de eleição, também vão tentar atrapalhar o processo. Não querem nem saber que a Previdência Social corre o risco de quebrar de vez e deixar aposentados e pensionistas sem ter o que receber no início de cada mês. O quadro é crítico e se agrava a cada mês. Principalmente em meio à grave recessão que sufoca o País, um contingente de 11 milhões de desempregados e a consequente diminuição das contribuições previdenciárias que já chega a R$ 3,5 bilhões. De acordo com o economista Paulo Tafner, especialista em Previdência Social, “se nada for feito, pode acontecer aqui no Brasil o que já aconteceu na Grécia: faltar dinheiro para pagar aos pensionistas e aposentados”. Os números explicam melhor essa preocupação de Tafner e de milhões de brasileiros. Os gastos do INSS, que beneficiam cerca de 28 milhões de pessoas, somaram R$ 436 bilhões no ano pasPaulo Tafner: Ou se muda a Previdência agora ou vai faltar dinheiro para os aposentados Mudanças à vista sado, com receita de R$ 350 bilhões e déficit de R$ 85,8 bilhões, o que corresponde a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2016, estima-se que esse déficit possa atingir a gigantesca cifra dos R$ 131,7 bilhões (2,1% do PIB). Mas se o cenário atual não mudar para melhor, esses números negativos tendem a crescer ainda mais. Legitimação- Essa conta é resultado de uma operação matemática onde o INSS arrecada menos do que tem a pagar. E aí a conta não fecha. Mesmo assim, Eliseu Padilha prefere apostar no otimismo e acreditar que a reforma da Previdência Social será aprovada até dezembro para que as mudanças implementadas passem a valer já em 2017. “Se andarmos com velocidade, a meta é aprovarmos neste ano e terá efeito ano que vem”, afirmou. O ministro está coberto de razão quando diz que “o Estado brasileiro precisa garantir ao cidadão que ele vai ter a aposentadoria”. Daí estar buscando a legitimação dessas mudanças com a construção coletiva. Uma construção, diga-se de passagem, que não será nada fácil. Especialistas estão assustados com a velocidade do aumento do rombo nas contas da Previdência Social. Na avaliação do professor José Pastore, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), se nada for feito logo para conter a sangria de recursos, os beneficiários do INSS correm o risco de ficar sem receber o que têm direito. Eliseu Padilha: O Estado brasileiro precisa garantir ao cidadão que ele vai ter a aposentadoria 10 FÁCI L | Lazer e Negócios NE

[close]

p. 11

Especialista em Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Caetano levanta uma outra questão: o envelhecimento acelerado da população. “Os gastos da Previdência vão crescer ainda mais porque o número de idosos está aumentando no Brasil”, explica. Para promover mudanças no sistema previdenciário, o Governo Michel Temer precisa mexer na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), uma legislação caduca e cheia de remendos aprovada em 1943. Nessa linha, Eliseu Padilha já avisou que embora seja uma das prioridades do atual governo interino, não há ainda uma proposta pronta de reforma trabalhista. Mas, será necessário mexer na CLT. O que o ministro deixou a entender é que nunca se promoveu mudanças nos direitos básicos do trabalhador, a exemplo da jornada de oito horas, previsão de férias remuneradas, salário mínimo e 13º salário, entre outras normas que regem até hoje os contratos de trabalho. Reforma- Padilha defende, no entanto, a ideia de que há alternativas para facilitar e diminuir custos da contratação de pessoal. “Tem muita coisa que ainda segura um pouco a geração de emprego. Se mantivermos regras conservadoras, o investimento vai para outros países, a economia é globalizada”, afirmou. De acordo com o ministro, a meta do governo é aprovar também uma reforma trabalhista até o fim deste ano, aproveitando o tamanho da base aliada na Câmara, que ultrapassa, em tese, os 350 deputados. “Eu não sei se aprova até o final do ano, mas a ideia é aprovar as duas reformas até dezembro para entrar em 2017 com uma nova perspectiva econômica”, disse. Em contraponto ao discurso da oposição e das centrais sindicais de que não se deve mexer na CLT, o ministro faz uma indagação: “Se a Constituição é mudada aqui da forma que tem sido mudada, por que não se pode mudar também a CLT?”. Esse posicionamento do ministro, no entanto, não significa dizer que o governo esteja se negando a negociar com os trabalhadores e a “construir alternativas”. Afinal, esse é o único caminho para que a mudança das regras possa ser implementada. Nessa espécie de cabo-de-guerra com a classe política e as centrais sindicais, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, entra no jogo para também defender que se estabeleça uma idade mínima Henrique Meirelles: Estamos estudando as regras de transição para aposentadorias para aposentadoria pelo INSS. De acordo com ele, a medida é fundamental para garantir o financiamento da Previdência Social. “Estamos estudando quais as regras de transição e temos grupos com estudos bastante avançados sobre essa questão da idade mínima”, completou. “O que precisa é uma determinação de governo. Vamos fazer. E apresentar uma proposta factível para sociedade. Idade mínima com uma regra de transição.” Transição- O que se discute hoje para os novos trabalhadores é a fixação da idade mínima entre 65 e 67 anos para homens e mulheres, dos setores público e privado, incluindo as categorias que têm aposentadoria especial, como os professores, por exemplo. Já para os trabalhadores que se encontram na ativa, a ideia do governo é fixar idade mínima de 63 anos para mulheres e 65 para homens. Como os ativos são muito diferentes - uns estão mais perto da aposentadoria e outros começaram a trabalhar agora estudam-se regras de transição para acomodar as diferenças por tempo de serviço. Dentro dos itens previstos na reforma da Previdência Social, a aposentadoria rural merece um capítulo à parte. Como apenas 9% da população ainda vive na zona rural, a proposta do governo é tornar mais restritiva a forma de acesso e atender apenas a quem vive e trabalha em áreas mais arcaicas do campo. Como se trata de uma aposentadoria que tende a desaparecer, os especialistas acreditam que o passo seguinte é transformá-la em benefício social. O acúmulo de benefícios é outra questão que tem merecido atenção toda especial do grupo de estudos que trata da reforma. O que está sendo discutido no momento é a redução progressiva da acumulação integral de pensão, caso o beneficiário já receba aposentadoria. A mudança valeria apenas para as novas pensões, preservando-se as já recebidas. Com relação aos múltiplos sistemas previdenciários - INSS e as previdências federal, estaduais e municipais - estão em discussão as bases para integração de todos os trabalhadores em um só sistema. Como muitas mudanças são traumáticas, embora necessárias, a reforma da Previdência Social não será diferente. Vai desagradar a milhões de trabalhadores, principalmente aqueles que estão bem perto do sonho da aposentadoria. Mas, ou se promove a reforma previdenciária, ou depois será tarde demais. Marcelo Caetano: Os gastos da Previdência vão crescer ainda mais porque a população está envelhecendo

[close]

p. 12

ECONOMIA Crise econômica Nem tudo está perdido Texto: Jaques Cerqueira - Fotos Divulgação O Brasil, principal economia da América Latina, encontra-se mergulhado na pior crise econômica do século. Uma crise que se vê agravada pela conjunção de três fatores agravantes: forte queda no preço das commodities (matérias-primas), crescimento irrefreável da dívida pública e um escândalo de corrupção na Petrobras, sem precedentes na história do País. Disso todo mundo tem consciência. Mas, com a posse do presidente interino Michel Temer, chega-se à conclusão de que nem tudo está perdido. De outra coisa todo mundo está cansado de saber: não há fórmula mágica para recuperar a economia brasileira num estalar de dedos. E não é preciso ser nenhum economista ou analista de mercado para chegar a esta conclusão. Mas Michel Temer começa a despertar a confiança entre os principais atores do desenvolvimento nacional. Isso ficou muito claro após uma série de reuniões promovidas pelo presidente interino com alguns dos maiores empresários brasileiros. Tudo com base no diálogo franco e aberto, coisa que faltou durante o governo da presidente Dilma Rousseff, que fez ouvidos de mercador aos apelos do empresariado nacional nos últimos anos. Assim, de nada adiantou os empresários terem repetido à exaustão a necessidade de se criar um ambiente mais propício à competitividade, a urgência de se promover a redução das taxas de juros e a queda gradual da carga tributária. Esses três ingredientes destravariam os investimentos e estimulariam a geração de postos de trabalho. “Com a volta da confiança no Governo, o mercado reagirá automaticamente e a roda da economia voltará a girar”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, logo depois de uma reunião a portas fechadas com Temer. Desde seu primeiro mandato, a presidente Dilma demonstrou dificuldade em dialogar com os mais diferentes setores da economia. O cenário agora é diferente. Temer desponta como uma espécie de ponte entre o Palácio do Planalto e o setor produtivo. “Ele tem a habilidade de fazer as costuras que precisam ser feitas”, declarou o CEO do Frigorífico Minerva, Fernando Galletti. Especialistas de mercado afirmam que existe investimento represado que pode ser acelerado com mais confiança. E essa confiança está sendo retomada pelos empresários, a partir da disposição demonstrada por Temer em dialogar cada vez mais na busca de saídas para a crise. Além disso, em diversas ocasiões, Michel Temer liderou missões comerciais mundo afora. Na última delas, em abril do ano passado, o então vice-presidente da República esteve ao lado de quarenta empresários em Dubai, nos Emirados Árabes. Como resultado, houve investimentos de mais de US$ 860 milhões em novos negócios nos segmentos de calçados, alimentos e montadoras de veículos, entre outras empresas. “A habilidade de Temer em negociar, seja no campo político, seja no campo dos negócios, é inegável”, atestou o empresário Carlos Wizard Martins, fundador do Grupo Multi Holding. As diretrizes traçadas por Temer para seu Governo - que deve ser mantido até o julgamento definitivo da presidente afas- 12 FÁCI L | Lazer e Negócios NE

[close]

p. 13

tada Dilma Rousseff pelo Senado, em até seis meses - também levaram a classe empresarial a reagir de forma positiva. Principalmente com a sinalização do presidente interino de reduzir o tamanho do Estado na atividade econômica, a partir da privatização de tudo o que for possível privatizar na infraestrutura estatal. E aí, os setores que dependem, diretamente da modernização de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias se animaram com a possibilidade desses setores estratégicos atraírem investimentos privados e estrangeiros em curto prazo. Por falar em aeroportos, a aviação comercial brasileira é um dos setores que merecerá atenção toda especial de Temer. E essa expectativa é compartilhada pelos executivos das grandes companhias aéreas. O presidente da GOL Linhas Aéreas, Paulo Kakinoff, por exemplo, reconhece que “o cenário macroeconômico e político brasileiro ainda está incerto”, mas acredita que tudo isso “será equacionado daqui em diante”. Na verdade, as companhias em operação no País vêm fazendo voos com muita turbulência em meio à alta do dólar e acentuada queda no número de passageiros. Situação que não deve demorar por mais tempo. É que, diante desse cenário preocupante, o presidente interino já sinalizou com a possibilidade de dar sinal verde para elevar a participação de capital estrangeiro nas empresas aéreas nacionais dos atuais 30% permitidos pela legislação brasileira para até 100%. Nos planos de Temer também constam mudanças para o sucateado setor portuário. De olho neste segmento, o diretor-superintendente da Hamburg Süd, maior conglomerado de logística marinha do mundo, Julian Thomas, está avaliando investimentos em portos no Nordeste e em iniciativas como um segundo terminal de contêiners no Porto de Suape, em Ipojuca. “Com o Governo Temer surge um cenário político mais favorável e a expectativa de acelerar esses projetos”, adiantou Thomas. Um sem número de outros empresários também demonstra igual pensamento. Mas, para levar o País a retomar os caminhos do crescimento econômico, Temer precisará segurar firme as rédeas de um Produto Interno Bruto (PIB) em grave recessão, com uma queda prevista antes de sua posse em 4% neste ano. Além disso, deverá reverter a redução acentuada nos índices de emprego, que equivalem hoje a 10,9% da força de trabalho, com o fechamento de 11 milhões de vagas. De janeiro a abril deste ano, 1,8 milhão de estabelecimentos fecharam as portas, segundo levantamento da Neoway. Por sua vez, o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já deixou bem claro que a medida mais importante a ser tomada pelo Governo Temer será conter o aumento das despesas públicas. Segundo ele, é necessário controlar as despesas para evitar o crescimento real dos gastos públicos. “Estamos trabalhando em um sistema de metas de despesas, onde não haja crescimento real de despesas”, afirmou. Destacou, ainda, que o governo irá estabelecer o “nominalismo para que as contas sejam mantidas em termos nominais.” Meirelles fez ainda uma advertência: anunciadas e implementadas as medidas, elas serão mantidas. “Não podemos tomar uma decisão hoje, outra amanhã, anunciando uma terceira na semana seguinte”, enfatizou. Suas declarações deixaram o mercado mais seguro. Outro problema a ser encarado pelo Governo Temer está na retração do consumo, que é um dos fatores de crescimen- Gestão integrada com empresariado Em plena sintonia com o pensamento do presidente interino Michel Temer, o novo ministro de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Marco Pereira, diz estar convicto de que pode contribuir no resgate da confiança e na recuperação econômica do Brasil. Horas depois de ter sido empossado no cargo, o ministro começou a conversar com as principais forças do setor no País aos quais está propondo uma gestão integrada, com base no diálogo. Por sua vez, Temer convidou o empresariado nacional a apoiar o novo ministro, “contribuindo com uma agenda de desenvolvimento que certamente poderá ser construída a quatro mãos”. Advogado e presidente licenciado do PRB, Marcos Pereira, é workaholic por natureza. Sua capacidade de trabalho e disposição para o diálogo impressionam quem o conhece de perto. Sem perda de tempo, ele já conversou com o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Sistema Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, e com players do setor. Além disso, já decidiu intensificar a agenda de encontros com outras lideranças empresariais. Como primeiro resultado desses contatos, a Firjan divulgou nota manifestando apoio ao novo ministro. “Para que os empresários brasileiros se mostrem à altura dos desafios que o País enfrenta, é importante apoiar o ministro Marcos Pereira e se apresentar para contribuir com uma agenda de desenvolvimento que certamente poderá ser construída a quatro mãos”, diz um trecho da nota. FÁCIL | Lazer e Negócios NE 13

[close]

p. 14

to econômicos. Com as famílias endividadas e o fantasma do desemprego rondando a economia, o consumo deve chegar ao fim deste ano no mesmo nível de 2010. Isso representa um retrocesso de seis anos, se descontada a inflação. Nesse período, o mercado consumidor brasileiro encolheu R$ 1,6 bilhão, valor que se aproxima, em dólares, do PIB da Argentina. A expectativa para este ano é que o total de gastos dos brasileiros com produtos e serviços chegue a R$ 3,9 trilhões, segundo projeções da IPC Marketing. da começou a cair e continuou estimulando a capacidade de produção”. No mercado automobilístico a crise parece mais séria. Após nove anos de crescimento contínuo, o mercado de carros novos freou em 2013 e, desde então, vem acumulando retrações. Neste ano, pelas projeções do setor, as fábricas devem comercializar no país perto de 2 milhões de veículos, o que significará retroceder ao mercado de dez anos atrás, quando havia nove fábricas a menos do que hoje. “A capacidade ociosa cresceu muito e, mesmo que ocorra uma recuperação do mercado, vai levar pelo menos uma década para o setor recuperar a plena capacidade”, diz João Morais, economista da Tendências Consultoria, especialista em setor automotivo. “A queda que houve em 2015 e a que é esperada para este ano anulam o crescimento que ocorreu entre 2011 e 2014”, comentou Marcos Pazzini, responsável pelo estudo e diretor da consultoria. Mas, na prática, o consumidor já percebeu isso. Afinal, o carrinho de supermercado não é mais o mesmo, o plano de trocar Ele lembra que o ambiente de de carro ou de comprar um imóinsegurança tem afugentado vel foi adiado e as férias no exo consumidor de bens de alto terior voltaram a ser uma meta valor, como o automóvel. “O de longo prazo, comenta Renato Meirelles, do Instituto Data Po- Henrique Meirelles: Precisamos conter o aumanto das des- que o governo de Michel Temer precisa fazer é gerar um pular. “Uma das diferenças dessa pesas públicas cenário de maior previsibilidacrise é que, agora, o brasileiro de.” Não faz muito tempo o cenário era outro. Os anos de tem uma sensação de perda muito maior”, observou. bonança, regados a crédito farto, incentivos fiscais, aumenPor quatro anos consecutivos, de 2011 a 2014, a taxa de to da renda e queda do desemprego elevaram o mercacrescimento do consumo das famílias superou o desempedo brasileiro de um patamar de vendas de 1,57 milhão de nho do PIB. No ano passado, pela primeira vez, o consumo carros e caminhões em 2004 (um ano após o ex-presidente caiu 4% e superou a retração do PIB, de 3,8%. Para 16 de Luiz Inácio Lula da Silva assumir a presidência da República) 22 categorias de produtos analisadas, o consumo é ainda para 3,8 milhões em 2012 (também um ano após a posse mais baixo que o nível de 2010. Entre elas, estão despesas de Dilma Rousseff, afastada recentemente do cargo). Em com vestuário, recreação e cultura, mensalidades escolaquanto tempo o mercado consumidor como um todo vai res, alimentação em domicílio e gastos com viagens. O que se recuperar é uma previsão que os economistas ainda não aconteceu no setor automotivo é emblemático para entenconseguem fazer. Para a economista chefe da XP Investider esse processo de ascensão e queda do consumo, diz mentos, Zeina Latif, essa recuperação será lenta porque as o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da famílias estão muito endividadas. “Primeiro, terão de pagar MB Associados. “O governo não entendeu que a demansuas contas para depois voltar a consumir”, assegura. Banqueiros reagem bem à posse A posse de Michel Temer, como presidente interino, despertou reação positiva do mercado e até de banqueiros. Desde janeiro, quando o processo de impeachment ganhou força no Congresso, até o dia da oficialização do afastamento de Dilma Rousseff, a cotação do dólar caiu 12,5% e a bolsa subiu 36,7%. Por quê? Para o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, a renovação no Palácio do Planalto é o que tem gerado uma melhora no humor dos investidores e da economia. “Não podemos ceder à inércia da desesperança. Há pilares que nos dão ânimo”, afirmou Brandão. Na opinião do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, “o Brasil não pode mais ficar aprisionado a esse feitiço do tempo, no qual os dias apenas se repetem. Temos a expectativa de que o governo de Michel Temer direcione o Brasil a um novo tempo de solidez, um País pensado para fluir.” Assim como o mercado e os bancos, outros setores com representatividade no PIB receberam com otimismo a notícia de que Temer está, oficialmente, no comando. Uma das atividades que mais sofreram com o revés da economia foi a construção civil e as empresas que, direta ou indiretamente, dependem do ramo imobiliário. 14 FÁCI L | Lazer e Negócios NE

[close]

p. 15

BUSINESS Por Leopoldo de Albuquerque Presidente da ADVB-PE e do Instituto Smart City Business América A verdade é uma questão de ponto de vista O jornalista e crítico social norte-americano, H. L. Mencken, morto em 1956, cunhou uma das frases mais emblemáticas sobre a mentira: “É difícil acreditar que um homem diz a verdade quando você sabe que mentiria se estivesse no lugar dele”. O que dizer, pensar ou concluir da enxurrada de denúncias, acusações e culpas atribuídas aos políticos de todos os partidos, decorrentes das operações Lava Jato e Acrônimo? E dos argumentos utilizados pelas defesas dos investigados? Parece consubstanciado o trabalho realizado pelo Ministério Público e pelos juízes responsáveis pelas duas Operações. Um farto material documental, depoimentos, delações e evidências que tornam razoáveis e plausíveis as acusações a cada um dos investigados. Entretanto, quando ouvimos as argumentações de seus defensores, podemos perceber sutis manipulações da verdade, jogos de palavras que confundem e põem a verdade e a mentira na mesma vala comum, embaçando a visão da sociedade. O que você diria se estivesse no lugar deles? Confessaria tudo e assumiria as consequências pelos seus atos ou repeleria veementemente todas as acusações, dizendo que provará ao final do processo a sua inocência? E quando a investigação chegasse ao seu final e você fosse condenado, também não continuaria mentindo descaradamente e repetindo que é inocente e que está sendo injustiçado por perseguição política? O tempo todo convivemos com notícias plantadas, tendenciosas ou mentirosas, com objetivos escusos, criminosos ou simplesmente de manipulação. Muitas delas têm poder de destruição incomparável, especialmente aquelas que deixam os cidadãos confusos e alheios aos assuntos de interesse social e que envolvem seus representantes nas diversas instâncias do executivo e do legislativo brasileiro. Desde cedo o ser humano aprende a mentir, seja para se livrar de pequenos problemas, de alguma punição ou para levar alguma vantagem. O fato é que na tenra idade as crianças já percebem que a mentira pode lhe ser útil na convivência interpessoal. Está muito difícil, no Brasil atual, diferenciar quem é inocente ou culpado e quem é sério ou malandro, especialmente porque os culpados envolvem, deliberadamente, nomes de eventuais inocentes para confundir as investigações e a opinião pública, pois, se há inocentes acusados, ele, o culpado, também poderia estar sendo acusado indevidamente e se beneficiar dessa dúvida. Precisamos de um nível de discernimento apurado, além de ponderação e análise crítica ao ouvirmos as notícias e comentários, evitando consumirmos informações manipuladas e distorcidas. Talvez, a melhor receita seja a empatia, que é a capacidade para sentir o que sentiria outra pessoa, caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. A mentira se agarra aos detalhes para gerar artifícios e criar o benefício da dúvida; o mentiroso usa o geral para fugir do específico, apegando-se a um ou dois pontos dúbios e com argumentações genéricas que se distanciem ao máximo dos fatos. H. L. Mencken estava certo em sua afirmação: só precisamos ouvir as mentiras sob outro ponto de vista. FÁCI L | Lazer e Negócios NE 15

[close]

Comments

no comments yet