Revista EasyCOOP - Márcio França, vice-governador

 

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Nova edição da revista EasyCOOP

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EASYcoop C o o p e r a t i v i s m o e m r e v i s ta No cooperativismo, oportunidades iguais Embu se orgulha de seus guardadores cooperados Pág. 09 MÁRCIO FRANÇA Págs. 4 a 6 Reciclagem depende de catadores organizados Pág. 11 É o caminho do meio, diz José Luiz Tejon Pág. 14 w w w. e a s y c o o p . c o m . b r Easycoop | 1

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Índice 04 | 07 | 08 | 09 | 10 | Ato cooperativo sem tributos Easycoop Tiragem 20.000 exemplares Editorial “Cooperativismo permite o meio termo entre os ricos e os pobres” Em Embu das Artes, cooperativa de guardadores é porta para o futuro Cooperativa de Proteção Animal ganha simpatia e apoiadores em cidade do RJ Maria de Fátima reergue a Repescar e leva Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 11 | 12 | 13 | 14 | 16 | 17 | 18 | 19 | Sucesso da reciclagem está nas mãos de catadores organizados Cai taxa previdenciária para cooperativas Cooperativismo pode comemorar Cooperativismo, ferramenta para dignidade FETRABRAS acelera diálogo sobre o fim do ISS para todas as cooperativas Ato cooperativo e não cooperativo e o ISSQN Coopernotas Galeria de Fotos A Revista EASYCOOP é uma publicação do Instituto Nacional de Desenvolvimento e Valorização do Ser Humano Os exemplares são distribuídos gratuitamente, não podendo ser vendidos sob nenhuma hipótese. As reportagens e artigos não podem ser reproduzidos para nenhum fim sem a autorização prévia dos seus autores. Editora Chefe - Sandra Campos Redator Chefe - Daniel Wendell Jornalista Responsável - Manoel Paulo - MTB 48.639-SP Redação - Manoel Paulo e Carlos Dias Fotos - Manoel Paulo Editoração, Projeto Gráfico e Finalização - Carlos André Silva Expediente Olá amigos! É com grande satisfação que publicamos mais uma edição da nossa querida Revista EasyCoop. Desta vez, fomos conhecer de perto o vice-governador de São Paulo, o Márcio França. A entrevista foi ótima. Na verdade, me pareceu um bate-papo entre amigos, pois ele estava muito à vontade. Falou de sua carreira e sua trajetória política e também de sua admiração pelo governador Geraldo Alckmin, que é um grande cooperativista. Márcio foi oficial de justiça e é advogado. O que me deixou muito feliz foi constatar que ele conhece muito bem como funciona o cooperativismo. Confira a entrevista e veja por si só que momento bacana. Nossa edição conta com artigo do Dr. Edu Monteiro, advogado do SINCOTRASP (Sindicato das Cooperativas de Trabalho no Estado de São Paulo), a respeito da não incidência tributária sobre o ato cooperado. Ainda na área tributária, trazemos a aprovação pelo Senado do fim da contribuição previdenciária sobre a contratação de serviços de cooperativas, com comentários da Dra. Juliana Oliveira de Lima e do Dr. Josmar Ferreira de Maria. Fizemos ainda uma reportagem com a cooperativa de Guardadores de Carros que é um case de sucesso na cidade de Embu das Artes. Foi idealizada pelo então prefeito Geraldo Cruz, atualmente deputado estadual. Ele tem o cooperativismo no seu DNA e sempre lutou pela inclusão social como forma de geração de trabalho e renda. Como é bom trazer coisas boas! Um exemplo disso é o nascimento da Cooperativa de Proteção Animal, que deve virar referência nacional. Por falar em bons exemplos, temos também a Cooperativa Repescar, que ganhou o prêmio SEBRAE Mulher de Negócios. E visando aumentar o fomento à reciclagem no Brasil trazemos mais uma importante matéria sobre esse tema, com um levantamento bem rico em detalhes. Nessa edição tem tanta coisa que só o editorial já dá uma revista. Conseguimos uma matéria pra lá de especial que só pelo título mostra a riqueza de seu conteúdo -“Cooperativismo cresce como ferramenta para a dignidade” -, elaborada por José Luiz Tejon, que dirige o núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM. A história de vida de Tejon por si só bastaria, pois é uma história de superação, luta, garra e determinação, que tem que ser difundida para que nos sirva como exemplo de vida. Bom, a luta continua. A FETRABRAS e o SINCOTRASP abrem diálogos com a Prefeitura para debater o tratamento tributário adequado do ISS para as cooperativas de trabalho, a exemplo das cooperativas de trabalho no setor cultural e de táxi. Esse diálogo é importantíssimo para fomentar novas cooperativas. E para fechar com chave de ouro nossa edição, trazemos um artigo do Dr. Paulo Vieira, nosso parceiro especialista em direito cooperativo e direito tributário. Eles nos fala sobre o Ato Cooperativo e não cooperativo e o ISSQN. Bom é isso, mais um bebezinho nosso que nasceu! Beijos e até a próxima edição! Sandra Campos Editora-chefe Instituto Nacional de Desenvolvimento e Valorização do Ser Humano Alameda dos Jurupis, 1005 - 10º andar Moema - São Paulo - CEP 04088-033 - Telefone: +55 11 5533-2001 Easycoop | 3

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“No cooperativismo desaparece a relação patrão-empregado; vale a lógica em que todo mundo é patrão e todo mundo é empregado.” “Cooperativismo permite o meio termo entre os ricos e os pobres” Márcio França, vice-governador paulista, diz que os êxitos da gestão Geraldo Alckmin podem ser levados para todo o Brasil O Brasil e muitos brasileiros se espelham muito no capitalismo norte-americano. Afinal, os Estados Unidos são muito ricos e lá estão os maiores milionários do mundo. E quem não quer ser rico? Esse talvez seja um dos motivos de o cooperativismo no país ser visto com certa desconfiança, pois quem não quer ser empregado quer ser o único e absoluto dono de seu próprio negócio. Sem meio termo. O vice-governador do Estado de São Paulo, Márcio França, discorda. Ele prefere ver outros modelos, como o europeu e de outros países. “A grande vantagem não é não ter gente pobre – pois em muitos países da Europa não há pobres – mas o interessante é que não existem pessoas muito ricas”, afirmou França em entrevista exclusiva à EasyCoop. “É um meio termo, que é o suficiente para a pessoa viver feliz”, acrescenta o vice-governador, que acumula o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (veja texto na página 6). O problema de ficar rico no capitalismo é que não é para todo mundo, e que o risco faz com que pouquíssimos atinjam esse objetivo. França – que é do Partido Socialista Brasileiro (PSB) – diz que o cooperativismo é uma ótima forma para que haja o suficiente para todos. “Não cabe numa cooperativa que todos os cooperados fiquem ricos juntos”, explica o vice-governador. “Mas cabe todo mundo vivendo bem, sem ninguém pobre”, acrescenta. Segundo ele, esse convívio do meio-termo é o que todos procuram – desde que haja oportunidades iguais. “E o cooperativismo permite isso.” Ele acrescenta que no cooperativismo desaparece a relação patrão-empregado, passando a haver uma lógica em que todo mundo é patrão e todo mundo é empregado. Ele ressalva, porém, que nenhum sistema é perfeito, que sempre pode haver falhas, porque depende das pessoas. “Mas, em funcionando, é um sistema extremamente socialista, extremamente igualitário”, acrescenta França. O vice-governador cita como exemplo de modelo de cooperativismo a Nova Zelândia, um país do qual pouco se fala no Brasil, mas que ostenta índices entre os mais altos do mundo de renda, saúde, educação, liberdade econômica e qualidade de vida. “É um país fenomenal, que controla 27% de todo o sistema lácteo do mundo, leite e seus derivados”, conta. “Quem é dono disso é uma cooperativa, a Fonterra, que tem mais de 10 mil cooperados”, conta França. De fato, a Fonterra é a maior empresa neozelandesa, e seus cooperados controlam quase um terço de toda a produção de laticínios do mundo – isso num país um pouco menor que o Rio Grande do Sul e com uma população de 4,5 milhões de pessoas, razoavelmente menos que a metade de gaúchos. 4 | Easycoop

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O vice-governador diz ainda que o governador Geraldo Alckmin, tem grande simpatia pelo cooperativismo – mesmo porque seu pai e outros familiares tiveram forte relação com cooperativas – e acha que é preciso prestigiá-lo. Ele também considera o modelo de administração de São Paulo, de estabilidade, algo que precisa ser colocado no Brasil. “Vamos nos preparar “Alckmin é exemplo de de fé e simplicidade; é extremamente idôneo e engraxa seus sapatos” para que o governador tenha chance de fazer o movimento mais impor- tante da vida dele e do Brasil, de ter essa mesma modelagem esse mesmo formato”, diz ele, que considera Alckmin “extremamente idôneo”, muito mais que outras pessoas que já conheceu. “Ele engraxa os próprios sapatos. É um exemplo de simplicidade e fé. É preciso que as pessoas admirem quem os governa e acho que o governador tem toda a chance de fazer isso para o país inteiro.” “Foi a vocação que me levou à política” Só a vocação pode explicar por que Márcio França tornou-se político. Ele tinha tudo para passar longe disso. Neto de médico, filho de mé dico e irmão de médicos, a lógica era que ele não escaparia ao destino de vestir branco pelo resto da vida. Mas algo o levava por outro cami nho, e ainda muito jovem disse ao pai que queria ser político. “Você não vai se meter nisso porque aqui em casa todo mundo é honesto”, disse o pai quando o garoto contou seus planos. “As pessoas costumam fazer a associação de que político não é honesto”, sorri ao comentar o hoje vice-governador de São Paulo. O conselho paterno foi congelado, e o garoto foi estudar advocacia e línguas estrangeiras a fim de se preparar para uma carreira relacionada, ligada ao governo, mas com uma imagem mais bem-acabada: a diplomacia. A vocação, no entanto, foi mais forte. Na universidade, ele começou a se envolver com atividades políticas estudantis. “Logo que cheguei, já entrei na comissão de trote, depois na associação atlética, em seguida no diretório acadêmico, até chegar ao movimento estudantil, que me levou ao mundo eleitoral”, recorda França, prestes a completar 53 anos. No PSB (Partido Socialista Brasileiro) desde sua eleição para vereador até hoje, Márcio França deu adeus à Márcio França (dir.) conversa com Eduardo Campos, morto em acidente aéreo carreira diplomática e não saiu mais da política partidária. Foi vereador por dois mandatos, deputado federal por mais dois e prefeito de sua cidade natal, São Vicente, no litoral paulista, também duas vezes. Foi em São Vicente que ele implantou um ambicioso programa voltado ao resgate da autoestima de jovens carentes (leia texto na página 6). Em 2010, foi convidado pelo governador Geraldo Alckmin para ser secretário do Turismo e, na reeleição, integrou a chapa como candidato a vice. Entre outros grandes desafios, par- ticipou ativamente das campanhas presidenciais de Anthony Garotinho, em 2002 (como coordenador), e de Eduardo Campos, em 2014 (como tesoureiro). Campos morreu em trágico acidente aéreo em Santos, em 13 de agosto de 2014. Mas, se Márcio não puxou ao pai na vocação para a medicina, não se pode dizer o mesmo de seu filho, Caio França. Também estudou direito e aos 20 anos foi eleito vereador por São Vicente e tornou-se o deputado estadual mais jovem eleito em 2014, aos 26 anos – e no mesmo partido do pai. Nossa entrevista A entrevista com o vice-governador Márcio França foi realizada na manhã do dia 7/6 por Sandra Campos, presidente da Fetrabras, e por Donay Neto, presidente municipal do PSB de Santo André (SP), com formação superior em Logística. Atua nas questões do transporte escolar no Estado de SP e é um dos coordenadores do PSB na região do Grande ABC. Donay Neto, Sandra e Márcio França Easycoop | 5

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Em São Vicente, olhar para os jovens carentes Quando Márcio França assumiu seu primeiro mandato como prefeito de São Vicente, em 1997, tinha pela frente administrar uma cidade que ostentava havia seis anos seguidos o incômodo título de cidade mais violenta do Estado de São Paulo e com muitos outros problemas. “São Vicente não possui indústrias, vive do comércio e da prestação de serviços, há muitas favelas e tem o menor PIB per capita do Estado”, descreve França. Ele conta que a ci dade deixou de aparecer no ranking das cem cidades mais violentas após a implantação de um projeto, sem similar no país, que foi batiza do de Jepom (Jovens em Exercício do Programa de Orientação Muni cipal). “Tratava-se de um programa de alistamento civil, uma injeção de disciplina para jovens de 18 anos”, resume o vice-governador. O pro grama incluía todos os jovens em situação de vulnerabilidade, o que no caso de São Vicente girava em torno de 800 pessoas – um número maior que o de PMs e guardas civis metropolitanos. “Pretendemos im plantar o mesmo programa em nível estadual. No Estado de São Paulo serão uns 80 mil”, afirma. “Deve mos começar no segundo semestre um piloto com dois mil jovens na Zona Sul da capital e ir aumentando aos poucos.” Geralmente, esses jovens não têm pais presentes – presos ou incapa citados por dependência química, Jepom beneficiou em torno de 800 jovens na cidade de São Vicente por exemplo – e ficam expostos ao crime. Com o programa, passaram a receber um salário mínimo proporcional ao número de horas trabalha das, farda, rádio e um treinamento de prestação de serviços à comu nidade – fosse para ajudar alguém a atravessar uma rua, dar informa ções ou prestar socorro em caso de acidente. Cada grupo de 30 jovens era coordenado por um tutor, um sargento da Polícia Militar. A condição para participar era vol tar aos estudos e fazer um curso téc nico ao longo do período de dura ção do programa, um ano. O Jepom previa quatro horas de trabalho por dia, e o jovem recebia da Prefeitura uma bicicleta para ir e voltar para casa todo dia. Ao final do período, conta França, as chances de conse guir um emprego aumentavam dra maticamente para esses jovens. “Anúncios de emprego passaram a mencionar o Jepom como diferen cial para a contratação”, diz o vi ce-governador. “Se antes a mãe da moça não queria que a filha namo rasse aquele garoto, passou a que rer que namorasse com ele. Se an tes ninguém queria estar perto dele, passou a procurar estar sempre do lado”, exemplifica França, acres centando que o maior benefício do programa era o empoderamento do jovem, algo que dava a chance de uma mudança real de vida. Certa mente, esse foi um dos fatores para a reeleição de França com formidá veis 93% dos votos. Ações firmes na Secretaria de Desenvolvimento Não bastasse o posto de vice-go vernador, Márcio França também é o secretário do Desenvolvimen to Econômico, Ciência, Tecnolo gia e Inovação – uma das maiores do governo paulista e uma das que mostram melhor a pujança de São Paulo. Ela é responsável, por exem plo, por três grandes universidades – USP, Unicamp e Unesp e pelo Centro Paula Souza, que coordena as escolas técnicas. Só esse sistema abrange 430 mil alunos em rede pú blica e gratuita. “É o maior sistema público de ensino gratuito do mun do”, diz França. A secretaria responde também por vários centros tecnológicos e de pesquisa, entre os quais se destacam o centenário IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares). “Tudo o que sai de avanço em medicina nuclear sai de lá”, afirma o secretário. Uma das joias da coroa da secretaria é a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a maior do gênero na América Latina. Seu orçamento é de R$ 1,3 bilhão, provenientes de 1% do ICMS. “Não por acaso, São Paulo responde por 72% de toda a pesquisa do país”, diz França. A secretaria abarca ainda outras instituições para a implementação de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda e ao aumento do empreendedorismo e da competitividade do setor produtivo. Sob a responsabilidade de França estão, por exemplo, a Junta Comercial, o Investe São Paulo (que visa trazer novas empresas para se instalar no Estado) e o Desenvolve São Paulo, que é um banco de fomento. “Isso ajuda a explicar por que o Estado é tão diferente dos demais da União”, diz França. “Se fosse um país, estaria entre os 15 maiores do mundo. O PIB de São Paulo é o dobro do da Argentina.” 6 | Easycoop

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Não incidência tributária sobre o ato cooperativo As sociedades cooperativas foram criadas a fim de prestar serviços, e constituídas em conformidade com as disposições legais da Lei nº 5.764/71, e, posteriormente, dissociadas dos demais ramos do cooperativismo as sociedades cooperativas de trabalho pela Lei nº 12.690/12, que, inobstante, não retirou da norma anterior a essência e os princípios fundamentais do cooperativismo. Ao se associarem às cooperativas, os profissionais colocam sua atividade profissional à disposição da Sociedade, para que a prestação de serviços oferecida por seus cooperados venha a ser ofertada coletivamente a eventuais interessados. Sendo assim, são as cooperativas meras intermediárias, mandatárias de seus associados, posto que a atividade que exercem é de proveito comum, sem finalidade lucrativa. Assim, a Sociedade Cooperativa de Trabalho é instrumento que viabiliza a contratação global da atividade dos seus sócios, relacionando o trabalho destes, em conjunto, aos usuários dos seus serviços, de sorte que esse trabalho não perca sua individualidade e autonomia e não gere qualquer tipo de lucro de intermediação. Não há como se confundir os atos da Cooperativa com os atos dos profissionais que a compõem. Os atos da Sociedade-Cooperativa visam exclusivamente organizar e planejar o labor de seus sócios, representando-os na sua contratação. Esta é sua atividade fim, para a qual a Cooperativa nada aufere, pois apenas propicia aos seus membros a oportunidade de operar autonomamente, oferecendo o objeto da contratação que a sociedade realiza em seu nome. Assim, seus objetivos, simplesmente, se limitam a organização, planejamento e a instrumentalização dos contratos entre seus sócios e os eventuais contratantes, não interferindo no objeto da contratação e execução, que são responsabilidade dos Cooperados. Já estes cooperados, por força de Lei, efetuam o recolhimento de seus tributos, sobre a mão de obra que locam a terceiros, não ultrapassando ao limite de suas pessoas a responsabilização tributária daí decorrente. Daí que, como a finalidade da cooperativa é promover a aproximação da atividade profissional de seus sócios (cooperados) ao usuário final do trabalho, esta atividade-fim da cooperativa se resume na prestação de serviços AOS PRÓPRIOS COOPERADOS e é realizada SEM FINS LUCRATIVOS, ou seja, sem receita, não transcende os limites da cooperativa e, como tal, NÃO É SERVIÇO, PARA COMO TAL SER TAXADO. Sabe-se que referidos tributos incidem apenas sobre as atividades comerciais com repercussão econômica, e, assim, O INSS E O ISSQN É LEGALMENTE TAXADO DOS PRESTADORES AUTÔNOMOS COOPERADOS, não podendo sê-lo também às cooperativas, quer por elas não prestarem serviços, strictu sensu, quer porque, sobre os serviços de seus cooperados, este tributo já é devidamente arrecadado, representando esta cobrança autêntico bis in eadem. Não há, assim, como antever-se neste ato de aproximação, e não de intermediação, ato mercantil sujeito à tributação. É ele ATO COOPERATIVO, e, como tal, isento de qualquer tributação, por força do real espírito do artigo 79 e parágrafo da Lei nº 5.764/71. Por fim, merece registro que este entendimento tendencia a concepção da matéria pelos Tribunais Superiores. No recente julgamento do Recurso Especial nº 1.164.716, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, acompanhando unanimemente o voto do relator, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, declarou a não incidência tributária sobre os atos cooperativos. Na interpretação do relator, o artigo 79 da Lei nº 5.764/71 traz uma hipótese de não incidência tributária, tratando o ato cooperativo típico como uma atividade fora do mercado e não sujeita às incidências próprias das empresas mercantis. O voto dos demais ministros também seguiu o entendimento do relator. * Dr. Edu Monteiro é advogado do SINCOTRASP – Sindicato das Cooperativas de Trabalho no Estado de São Paulo Easycoop | *Por Edu Monteiro Não há como confundir os atos da Cooperativa com os atos dos profissionais que a compõem 7

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Em Embu das Artes, cooperativa de guardadores é porta para o futuro Uniformizados e com crachá, os guardadores atuam no centro expandido da cidade, transmitindo segurança aos moradores e turistas A cidade de Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, chamavase apenas Embu até setembro de 2011. Afinal, a cidade é famosa há muito tempo por causa do seu artesanato. Mais recentemente, no entanto, outro fenômeno tem feito a cidade merecer o apelido de “Embu das Cooperativas”. Sucessivas administrações municipais vêm investindo na associação de trabalhadores nos mais variados setores sob a forma de cooperativas. A criação da primeira incubadora de cooperativas populares no Brasil, em 2001, promoveu uma enorme transformação na cidade. É claro que o artesanato fez parte dela, mas não foi o primeiro caso – mas sim os guardadores de carro, popularmente chamados de flanelinhas, que criaram sua cooperativa no ano seguinte. A Cooperativa de Guardadores de Embu das Artes comemora 14 anos de existência, com 65 cooperados, em um bemsucedido projeto de inclusão social e de geração de renda. O fato de estarem organizados em cooperativa, porém, não muda as regras do mercado – ou seja, os clientes remuneram os trabalhadores se quiserem e com quanto acharem que devem. Na prática, isso garante uma renda média de apenas R$ 800 por mês, mas traz outras vantagens intangíveis para os cooperados. “Segundo dados da prefeitura, o número de reclamações na ouvidoria caiu drasticamente e muitos conflitos são evitados graças ao caráter profissional da cooperativa”, disse à EasyCoop o hoje deputado estadual e na época o prefeito da cidade que criou a incubadora, Geraldo Cruz. A cooperada Vilma Regina concorda. Filha e irmã de guardadores, ela diz que a cooperativa viabilizou o seu trabalho. “Houve tempo em que era preciso dormir no ponto [de trabalho] para não perder o lugar”, conta. “Havia muitas brigas, mas com a cooperativa cada um passou a ter seu posto para trabalhar, com horário de trabalho”, acrescenta. “Isso também trouxe mais confiança e [sensação de] segurança para quem visita a cidade.” Treinados, uniformizados e com crachá, os guardadores atuam no centro expandido da cidade e em eventos específicos, transmitindo segurança aos moradores e aos cerca de 20 mil turistas que passam pela Estância Turística de Embu das Ar- tes nos finais de semana. Mesmo com resultados satisfatórios, os cooperados são incentivados a ter a função de guardadores como uma fonte extra de renda e não como única opção. Para que isso seja possível, os cooperados devem seguir regras semelhantes às de um ambiente empresarial, com horário e local de atuação pré-definidos, além de participarem de constantes formações sobre trânsito, turismo e também de palestras e seminários ministrados pelo Sebrae. Isso tudo aumenta a qualificação do cooperado e permite que ele aumente suas chances de crescimento profissional em outras áreas – uma porta para o futuro. Uma iniciativa pioneira de Geraldo Cruz Geraldo Cruz nasceu em 1954 em Olho d’Água, Piancó (PB) e concluiu o ensino fundamental já em São Paulo, onde chegou no início da década de 1970. Ingressou na vida pública em Embu das Artes, onde foi vereador em três legislaturas (entre 1982 e 2000) e prefeito em dois mandatos, a partir de 2000. Conquistou o 1º lugar nacional no Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor 2005-2006. Deixou o cargo com 75% de aprovação e, em 2010, foi eleito deputado estadual, pelo PT, com 131.206 votos. Duas conquistas como prefeito foram marcantes: a redução em 76% dos índices de violência e a queda do analfabetismo para aproximadamente 1% e a criação da Incubadora de Cooperativas de Embu das Artes, a primeira do Estado de São Paulo e a segunda do Brasil – em parceria com o Sebrae e a Acise (Associação Comercial, Industrial e de Serviços). A incubadora é hoje responsável pelo gerenciamento de sete cooperativas em Embu das Artes, com mais de 300 cooperados, entre elas a dos Guardadores de Carros. 8 | Easycoop

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Cooperativa de Proteção Animal ganha simpatia e apoiadores em cidade do RJ Esperamos que a CPA tenha mais cooperados e vire referência, diz a presidente Maria Celina Uma cooperativa costuma ser uma excelente alternativa para unir a força do trabalho de várias pessoas para gerar renda e melhorar a vida de quem, sozinho, como uma andorinha, não faz verão. Mas não necessariamente. A cooperativa também é um caminho para fortalecer pessoas que trabalham não para si próprias, nem por renda, mas para defender uma causa – e ajudar quem precisa mais do que elas. Esse é precisamente o caso da Cooperativa de Trabalho de Proteção Animal (CPA), da cidade fluminense de Nova Friburgo, a pouco mais de 130 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro. A presidente da CPA, Maria Celina Muller, e mais seis protetores, acreditam que a união de forças pode ser maior que a soma das partes na luta contra o abandono e maus-tratos de animais, um problema grave que no Brasil atinge 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos (leia abaixo), entre outros motivos por falta de políticas públicas. Celina tem razão. A causa animal no país tem milhares de protetores. A imensa maioria, no entanto, atua sozinha – sem apoio sistemático a não ser o de suas relações pessoais, construídas à custa de abnegação em um trabalho quase sacerdotal. “Esperamos que a CPA tenha muitos cooperados, que ela seja uma referên- Membros da CPA atuam em bairros de Nova Friburgo em trabalho voluntário cia de que juntos, unidos, possamos ajudar mais os animais”, afirma Celina. “Queremos ter uma central de donativos, ração, medicamentos, verba para castração, vacinas, vermífugos, cirurgias ortopédicas, quimioterapia e muito mais”, acrescenta a presidente da cooperativa, que já faz bastante com poucos recursos. “Fazemos ações em diversos bairros, aplicando medicamentos e vacinas, gratuitamente, com um trabalho totalmente voluntário, além de feiras de adoção”, conta. Celina, porém, não deixa de frisar que a CPA não conseguiria nada disso sem a ajuda de instituições e empresas, como o Laboratório Virbac, que fornece vermífugos e antiparasitários, a Universidade Federal Fluminense, a OAB, por meio de consultas jurídicas e espaço para as feiras de adoção. O Projeto Amicão Amicat, que também depende de doações, ajuda com veterinários em casos delicados. “Estamos nos consolidando com muito sacrifício e nosso lema passou a ser: primeiro fazemos, depois quem sabe as empresas, prefeitura nos apoiam”, diz Celina. Brasil tem 20 milhões de cães abandonados, diz OMS O homem, definitivamente, não é o melhor amigo do cão. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem cerca de 20 milhões de cães abandonados nas ruas – com procriação descontrolada e morte precoce por doenças, atropelamentos e frio, entre outros motivos. É grande o número de pessoas que acham que os cachorros suportam tudo, mas o asfalto quente queima as patas, só tomam água suja pelo desespero da sede e têm muito medo da vida. Em cidades de grande porte, para cada cinco habitantes há um cachorro. Deste universo, 10% estão abandonados. Somente a prefeitura de São Paulo estima que o número de cães e gatos abandonados na maior cidade do país pode chegar a 1 milhão. Apesar disso, o Brasil não tem leis efetivas para defender os animais principalmente de maus-tratos. A lei federal atualmente em vigor estabelece prisão de três meses a 1 ano para quem pratica atos de crueldade contra animais. Por ser considerado crime de baixo potencial ofensivo, de acordo com a Lei 9099/98, o infrator paga sua pena com cestas básicas e é beneficiado com a suspensão condicional do processo. Easycoop | 9

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Maria de Fátima reergue a Repescar e leva Prêmio Sebrae Mulher de Negócios Cooperativa de Vera Cruz, na ilha de Itaparica (BA) é formada por 250 cooperados – 90% deles mulheres; fornece peixe, siri e ostra para restaurantes de Salvador Da Redação, com a Agência Sebrae de Notícias rantes de Salvador. A cooperativa também é fornecedora do Programa Nacional de Alimentação Escolar Não faltam cooperados que não sa(PNAE), do governo federal. bem do que são capazes. Acham que Mas nem sempre foi assim. Antes de cooperativa é a última saída para virar referência em processamento quem não tem saída. Perseverantes, de pescado na região, a cooperativa não desistem, mas nem por isso deificou anos sem poder operar, devido xam de se abater com as dificuldaa entraves burocráticos. Graças ao des – reais, é verdade, como falta empenho de Maria de Fátima e de de recursos, de reconhecimento e de outros pescadores, o negócio prosapoio, entre vários outros obstácuperou. los. E se resignam se conseguem o Ela conta que, por ser mais comumínimo para sobreviver. nicativa, viajou o estado inteiro à Pois conheçam Maria de Fátima procura de parcerias para o projeFreitas Paiva, que desafia todos os to. “Tínhamos barcos e redes, mas argumentos negativos. Para começo não podíamos trabalhar”, relembra. de conversa, é mulher. Em segun“Começamos a vender gelo de uma do lugar, não é nenhuma mocinha, fábrica para conseguir pagar contas cheia de ilusões. Tem 53 anos. Em de luz e água. Notávamos que várias terceiro, não vive em um grande cenestruturas no Brasil estragaram, mas tro urbano, como São Paulo, onde o não queríamos deixar nossa instituidinheiro está. Sua cooperativa está ção morrer. Todo mês limpávamos na pequena Vera Cruz, na ilha de Maria de Fátima Freitas Paiva tudo e ligávamos os equipamentos”, Itaparica, Bahia. Em quarto, ela não contou ela ao Sebrae. ganha a vida com todo o turismo do Para chegar ao prêmio, porém, não local – mas com a pesca, historicabasta trabalhar. É preciso estudar. mente o meio de vida da região e não Todos os trabalhadores da Repescar uma fonte de negócios. passaram por uma capacitação e coO perfil é de perdedora. Mas apesar nhecem cada uma das etapas de prode tudo isso, é uma vencedora. Ao cessamento dos produtos. pé da letra. Em março, à frente da Nesse aspecto, o Sebrae foi fundaCooperativa Repescar, Maria de Fámental, pois ensina que trabalhar tima venceu o Prêmio Sebrae Mulher bem não é o suficiente para o sude Negócios deste ano, na categoria cesso de uma cooperativa. É preciso Produtora Rural. O estudar para aprender projeto já conquistou como administrá-la. inclusive o Prêmio O controle de qualide Competitividade dade, por exemplo, é para Micro e Pequerigoroso. E é preciso nas Empresas (MPE saber como se faz esse Brasil), edição 2014. controle. Sem isso, a “Esses prêmios mucooperativa não teria dam a forma como conquistado o Prêmio nós somos vistos pelo de Competitividade cliente, passa maior para Micro e Pequenas credibilidade e é um Empresas de 2014. incentivo para os co“O selo do MPE Brasil operados”, disse ela mudou nosso relacioao portal G1. A Renamento com os clienpescar conta com 250 tes e outras instituicooperados – 90% ções. É um incentivo mulheres – e fornepara nós e os coopece peixe, siri e ostra rados”, destaca Maria tratados para restau- Repescar é fornecedora do Programa Nacional de Alimentação Escolar de Fátima. Não basta trabalhar. É preciso estudar. Os trabalhadores da Repescar passam por capacitação 10 | Easycoop

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Reciclagem de latas de alumínio atinge 97,9%, mas somente 3% dos resíduos sólidos são reciclados no país; em São Paulo, apenas 2,5% do lixo é reciclado O Brasil, não é novidade para ninguém, é um país de muitas contradições. Não é de se estranhar, portanto, que isso se aplique também à reciclagem de resíduos sólidos. De um lado, alguns números podem impressionar. Na reciclagem de latas de alumínio, por exemplo, o Brasil é líder mundial desde 2001. De acordo com o estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), divulgado em junho do ano passado pelo IBGE, o índice atual é de 97,9%. Por outro lado, apenas 3% dos resíduos sólidos são reciclados no país – um índice que é menos da metade dos Estados Unidos há 50 anos. Os recordistas mundiais de reciclagem – Suíça, Áustria, Alemanha e Holanda – já reciclam pelo menos 50% do lixo que geram. Embora o Brasil tenha avançado, o passo tem sido de tartaruga. Mas como é possível que o país tenha perto de 100% do alumínio reciclado, mas o total de resíduos aproveitados não passe de insignificantes 3%? A resposta é a integração dos catadores. “O Brasil foi o primeiro país a integrar catadores, por meio de suas cooperativas, a sistemas de gestão de resíduos sólidos municipais e o primeiro a adotar uma Política Nacional de Resíduos, reconhecendo as contribuições de catadores e proporcionando um enquadramento jurídico para permitir que cooperativas de catadores sejam contratadas como provedores de serviço”, afirma Martha Chen, professora de políticas públicas na Universidade Harvard, uma das melhores e mais respeitadas do mundo. “Um contrato para limpar os estádios durante a Copa do Mundo do Brasil foi concedido ao movimento nacional de catadores”, exemplifica ela em artigo publicado no site do Banco Mundial. Para o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS), que foi o relator da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305), a monta- Sucesso da reciclagem está nas mãos de catadores organizados As latas de alumínio estão entre os resíduos sólidos mais disputados pelos catadores gem das cooperativas de reciclagem deve ser mais rápida. “O trabalho na reciclagem dos resíduos sólidos também precisa de incentivos fiscais e tributários”, afirma. A Lei 12.305, de 2010, determinou que todos os lixões do Brasil deveriam ser fechados até 2014. Mas, no final daquele ano, 40% dos 5.570 municípios brasileiros ainda tinham lixões. Um dos entraves é a falta de conhecimento da população que ainda joga lixo nas ruas Em outras palavras, só há sucesso efetivo na reciclagem quando as mãos de catadores organizados fazem um formidável esforço para procurar e separar os resíduos. O problema é que apesar dessa importância, que as latinhas comprovam, eles são invisíveis na sociedade. “Os catadores são raramente reconhecidos pelo importante papel que desempenham na criação de valor a partir dos resíduos gerados por outros e na contribuição para a redução das emissões de carbo- no”, afirma Martha Chen. A falta de conhecimento de uma população que ainda joga lixo na rua é um dos entraves para a conscientização necessária para que essa situação mude. A maior e mais rica cidade brasileira, por exemplo, conseguiu mais do que dobrar a reciclagem de lixo entre 2013 e 2016 – saiu de um desprezível 1% para pífios 2,5%. Poderia ser mais. São Paulo tem hoje duas centrais mecanizadas para o processamento dos resíduos, mas às vezes ficam ociosas por causa da baixa adesão da população à separação do lixo doméstico, mesmo com recolhimento feito pela prefeitura. Mas há cidades que sequer parecem preocupadas com essa questão ambiental. A cidade do Rio, por exemplo, informa que coleta cerca de 10 mil toneladas por dia, mas não tem ideia de quanto é reciclado. “O futuro de milhões de catadores em todo o mundo está em jogo, dependendo em grande parte das políticas e práticas dos governos municipais”, adverte a professora. “Integrar os catadores na gestão de resíduos sólidos é a opção mais vantajosa para todos.” Easycoop | 11

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Senado aprova o fim da contribuição previdenciária sobre contratação de serviços das cooperativas de trabalho O ano de 2016 será sempre lembrado pelas cooperativas de trabalho como o ano em que uma injustiça foi corrigida - uma amarra que se arrastava desde 1991 foi finalmente revista. No dia 30 de março, foi derrubado o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, que estabelecia a obrigação do recolhimento da contribuição previdenciária por parte do tomador de serviços das cooperativas de trabalho. A taxa era de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura da prestação de serviços. Na ocasião, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), promulgou a resolução nº 10/2016 (veja boxe). O cooperativismo pode comemorar. A conquista dá um alívio para o setor e devolve a competitividade às cooperativas, afastando o risco de muitas delas perderem contratos de trabalho, com prejuízos para a renda de seus cooperados. O percentual de 15% era sempre recolhido quando uma empresa contratava uma cooperativa de trabalho para algum tipo de serviço. As cooperativas poderão respirar e desenvolver suas atividades com muito mais competência. “Ao contratar uma cooperativa de trabalho, as empresas estavam obrigadas ao recolhimento de 15%, a título de contribuição ao INSS, sobre o valor total da nota fiscal ou da fatura de serviços. Ao contratar o mesmo serviço de uma empresa comum, a contratante não incorria nesse custo. Tal ônus sobre as cooperativas as onerava ainda mais, prejudicando -as por perderem contratos de prestação de serviços e deixarem de ser atrativas no mercado”, explica a advogada do Sindicato das Cooperativas de Trabalho no Estado de São Paulo (SINCOTRASP), dra. Juliana Oliveira de Lima. A tramitação da mudança na Recolhimento pelas empresas contratantes de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal tirava competitividade das cooperativas; taxa nunca incidiu em contratos com outras prestadoras de serviços Resolução do Senado amplia competitividade de cooperativas diante de demais empresas Lei 8.212/91 no Senado começou com o debate do parecer do senador Álvaro Dias (PR) sobre o Ofício “S” 25/2015, que comunicou à Casa a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a inconstitucionalidade da cobrança. O parecer aprovado primeiramente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sugeria a apresentação de Projeto de Resolução. Mais tarde, a Comissão apresentou e aprovou o Projeto sugerido pelo relator, o próprio senador Álvaro Dias. Com a medida, a competitividade das cooperativas diante das demais empresas irá crescer, visto que essas empresas nunca tiveram tal custo. O advogado Josmar Ferreira de Maria comemora a decisão do Senado. “Podemos afirmar na prática que as cooperativas de trabalho terão mais competitividade, pois não há mais o que se discutir sobre INSS incidente nas faturas de serviços, assunto Faço saber que o Senado Federal aprovou, e eu, Renan Calhei- este completamente sanado ros, Presidente, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regi- com aplicação da inconstimento Interno, promulgo a seguinte: tucionalidade pelo Senado Federal” (confira na página RESOLUÇÃO Nº 10, DE 2016 13 o artigo do Dr. Josmar, detalhando ainda mais o asO Senado Federal resolve: sunto). Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constitui- Por outro lado, desde maio ção Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 2015, a contribuição prede 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão videnciária para o cooperadefinitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do do subiu de 11% para 20%, Recurso Extraordinário nº 595.838. e esta taxa permanece. O Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. que muda para o cooperado é que antes tinha os 15% do Senado Federal, em 30 de março de 2016 tomador, mais os 20% dele. Agora tem somente os 20%, SENADOR RENAN CALHEIROS, o que lhe permite auferir um Presidente do Senado Federal rendimento maior. A decisão do Senado 12 | Easycoop

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Cooperativismo pode comemorar Por Josmar Ferreira de Maria O segmento cooperativista pode comemorar com mais ênfase a já esperada eficácia da inconstitucionalidade da cobrança do INSS de 15% sobre nota fiscal de cooperativa de trabalho. Enfim, o Senado Federal promulgou no dia 30 de março de 2016 a Resolução nº 10, de 2016. O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838. Art. 2º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Publicado no DOU em 31/03/2016. Diante deste novo cenário, as contratações de cooperativas de trabalho não mais estão sujeitas ao recolhimento previdenciário de 15% sobre o valor total da nota fiscal emitida pela cooperativa. Por outro lado, o Fisco também já antecipou, através da Receita Federal do Brasil, pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 05, de 26/06/2015 (publicado no DOU de 26/05/2015, seção 1, pág. 15), o seguinte - dispõe sobre a contribuição previdenciária devida pelo contribuinte individual que presta serviço a empresa por intermédio de cooperativa de trabalho: O secretário da Receita Federal do Brasil, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos III e XXVI do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 21 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal - nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838/ São Paulo, com repercussão geral reconhecida - da contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da mesma Lei, recurso no qual, com base no art. 19, inciso IV e § 4º da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional não mais contestará e recorrerá, conforme Nota/PGFN/ CASTF nº 174, de 2015, declara: Art. 1º - O contribuinte individual que presta serviço a empresa por intermédio de cooperativa de trabalho deve recolher a contribuição previdenciária de 20% (vinte por cento) sobre o montante da remuneração recebida ou creditada em decorrência do serviço, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Art. 2º - A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá Soluções de Divergência emitidas antes da publicação deste ato, independentemente de comunicação aos consulentes. Por consequência das mudanças acima, operacionalmente para os contratos envolvendo Cooperativas de Trabalho teremos a seguinte situação: Tomador de Serviços: Não existirá mais o recolhimento de INSS sobre a nota fiscal. Cooperado: A cooperativa será responsável por reter e recolher o INSS sobre a alíquota de 20%, tendo como a base de cálculo o valor crédito tributário decorrente da contribuição de que trata o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003, que instituiu contribuição adicional àquela prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, para fins de custeio de aposentadoria especial para cooperados filiados a cooperativas de trabalho. Art. 3º - Ficam modificadas as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em auferido pelo sócio cooperado, respeitando o piso e teto conforme tabela vigente do segurado. Podemos afirmar na prática que as cooperativas de trabalho terão mais competitividade, pois não há mais o que se discutir sobre INSS incidente nas Faturas de Serviços, assunto este completamente sanado com aplicação da inconstitucionalidade pelo Senado Federal. * Josmar Ferreira de Maria é advogado Easycoop | 13

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Cooperativismo cresce como ferramenta para a dignidade No mundo atual, em que tantas pessoas estão sofrendo, seja por fome, guerra ou outras questões, percebemos que aqueles conhecidos capitalismo e comunismo não permitiram que as pessoas pudessem ter uma vida mais digna, com mais humanidade. Nas várias vertentes do budismo, fala-se sobre o caminho do meio, o caminho que levará, não somente a pessoa, mas todos, à plena felicidade e realização. Mas, se o capitalismo e o comunismo não funcionaram, qual seria o possível caminho do meio? Nesse momento entramos com o cooperativismo. José Luiz Tejon, que dirige o Núcleo de Estudos de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que o cooperativismo é a ferramenta que trará a dignidade humana, pois é “a organização do trabalho, sua valoração e uma filosofia educadora, realista e assentada em valores.” A cooperativa tem como alicerce buscar o progresso de todos os seus cooperados O cooperativismo nos traz grandes exemplos quando falamos sobre dar dignidade às pessoas. Por exemplo, as cooperativas que têm como finalidade ter em seus quadros egressos do sistema prisional, já que eles não terão oportunidade em nossa sociedade. Essas pessoas aprendem valores que darão um significado na vida de cada um, aprendem valores que antes não foram aprendidos. Tejon vai mais a fundo ao dizer que as cooperativas não deixam nenhum cooperado para trás. “A cooperativa tem como seu valoroso alicerce procurar não deixar cooperados para trás, ou seja, lutar para que todos possam progredir. Isso permite propor para a grande maioria a chance do sucesso, e não apenas a tradicional Lei de Pareto, onde apenas os 20% mais vocacionados ou adaptados vencem. E, conforme as circunstâncias, não mais do que 2% ou 5%. Essa luta real para dar dignidade a todos é de fato uma marca espetacular das cooperativas que são bem lideradas”, diz Tejon. O sistema cooperativista em todo mundo é norteado por sete princípios, entre eles, José Luiz Tejon dirige o Núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM o da “preocupação pela comunidade”. Mas, como o cooperativismo pode efetivamente mudar o ambiente onde está inserido? Simples. Onde existe uma boa cooperativa e com bons seres humanos na liderança, a comunidade em seu entorno será muito melhor, como confirma Tejon: “A qualidade de vida será superior. O impacto sobre tudo na cidade e na região ficará favorecido. Esse efeito já ocorre, basta prestar atenção. Creio no modelo cooperativista como uma proposta fundamental de qualquer governo.” dade e dando dignidade às pessoas por todo o planeta. Por outro lado, não se deve esquecer das crianças. Elas são o futuro e se, desde cedo, aprenderem sobre o cooperativismo, poderão dar um novo rumo para o país, pois serão difundidos valores como honestidade e integridade. “Trabalho, educação, visão de longo prazo; expulsar o assistencialismo e o populismo; buscar a ciência, a tecnologia, o conhecimento, o treinamento para fazer dentro das melhores práticas; mostrar como os melhores atuam e buscam imitar os mais vocacionados e bem-sucedidos” - essas são algumas das qualidades das cooperativas apontadas por José Luiz Tejon. Além disso, carregam o poder do diálogo e da participação de todos nas decisões. Sem dúvida, o cooperativismo é o caminho do meio, é a ferramenta que dará não somente renda e oportunidade de trabalho, mas trará a dignidade humana de forma igualitária. Não se deve esquecer das crianças; elas são o futuro e poderão dar novo rumo para o país O cooperativismo no Brasil tem muito a crescer e a comunicação é essencial para que possa ser apresentado como a ferramenta que está mudando a socie- 14 | Easycoop

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Entenda o que é o Princípio 80/20, a Lei de Pareto Também conhecida como Princípio 80/20, essa lei foi criada pelo cientista político, sociólogo e economista Vilfredo Pareto com base na constatação de que 80% das consequências - seja na organização socieconômica, seja em um negócio ou processo empresarial – advêm de 20% das causas. Vilfredo nasceu em 1848, em Paris, e morreu em 1923, em Céligny, na Suíça. Ele desenvolveu sua teoria ao observar que 80% da riqueza da Itália pertenciam a 20% da população, o mesmo ocorrendo na Inglaterra. Obviamente, a relação entre causa e efeito não é exatamente 80/20, mas algo próximo dessa proporção. O Princípio 80/20 pode ser usado em muitas situações, como na constatação de que 80% da poluição são causados por 20% dos países ou de que 80% do faturamento de um negócio provêm de 20% dos clientes. Para o engenheiro e professor Julio Battisti (www.juliobattisti.com. br), o Princípio 80/20, ao afirmar que “existe um forte desequilíbrio entre causas e efeitos, entre esforços e resultados e entre ações e objetivos alcançados, pode ser um auxiliar valioso para nossa carreira pessoal”. Ou seja: “uma minoria de ações leva à maior parte dos resultados e, em contrapartida, uma maioria de ações leva à menor parte dos resultados”. Julio Battisti elenca várias outras situações para ilustrar o Princípio 80/20: 80% do total de vendas estão relacionados com 20% dos produtos; 80% dos lucros de uma empresa estão relacionados a 20% dos produtos; 80% dos lucros estão relacionados com 20% dos clientes; 80% dos acidentes de trânsito são causados por 20% dos motoristas; 80% dos usuários de computador usam apenas 20% dos recursos disponíveis; em 80% do tempo usamos 20% de nossas roupas; 80% das pessoas preferem 20% dos sabores ou cores disponíveis; 80% dos resultados são obtidos por 20% dos funcionários. Tejon, uma vida de sofrimento e superação O jornalista e publicitário José Luiz Tejon, nascido no Brasil, é descendente de espanhóis. Sua mãe estava grávida quando desembarcou em nosso país. Antes mesmo de nascer, enfrentou dificuldades. A família não teve condições de cuidar dele e José Luiz foi adotado por um casal de imigrantes que não poderiam ter filhos. Isso tudo na cidade de Santos. Aos quatro anos sofreu uma terrível queimadura, que destruiu sua face. Sobreviveu por um milagre, mas nesse acidente danificou os pulmões numa mistura de cera e gasolina. Até os 15 anos se submeteu a inúmeras cirurgias plásticas. Tejon mostrou desde pequeno como superar as dificuldades e daí pode ter surgido sua apaixonada defesa de oportunidades para todos através do cooperativismo. Hoje, além de renomado palestrante, dirige o Núcleo de Estudos de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Entre outros títulos, está doutorando em Ciência da Educação pela Universidad de La Empresa, no Uruguai (vai defender sua tese em junho de 2016), e mestre em Arte e Cultura pela Universidade Mackenzie. Ganhou diversos prêmios, como o Top of Mind de RH do Estadão. Em 2015, Tejon passou a integrar o Hall da Fama pela Associação Brasileira de Marketing – ABRAMARK - e foi eleito prêmio Destaque Imprensa pela AEASP (Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo). Entre os seus 32 livros de autoria e coautoria publicados está “O Código da Superação” (Gente Editora), lançado em 2012. Easycoop | 15

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