Revista Consciência - 123

 

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Revista Consciência - 123

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Lançamento do livro sobre Síndrome de Down, pág. 27 2016 - ANO 24 - Nº 123 www.revistaconsciencia.com.br Conheço tudo menos a mim A Língua A Espera dos Pais G∴ B∴ Loja Saber e Fraternidade n° 04 Glomaron - Ariquemes/RO

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Acesse www.revistaconsciencia.com.br e veja nossos produtos Ligue (67) 3025-6325 / 3028-3333 Em Campo Grande/MS visite nosso Show Room: R. INÁCIO GOMES, 119 - SÃO LOURENÇO - CEP 79041-231 Esq. e Comp. Vazado Dourado Ref. BT001 D Esq. e Comp. Triang. Azul com Filete Ref. BT006 A Esq. Comp. Triangular Ref. BT007 A Coração c/ Esq. e Comp. Azul Ref. BT008 A Folha de Acácia Ref. BT012 (Media) Acácia com Pingente Ref. BT013 Acácia Oval Ref. BT014 Esquadro Venerável Ref. BT024 Esquadro Venerável Ref. BT025 Águia Bicéfala 33 Verm. Ref. BT035 V Demolay Caval. e Maçom Ref. BT039 A Bode Ref. BT041 Pomba Ref. BT045 Bandeira Paz Ref. BT048 Band. Brasil x Esq. e Comp. Ref. BT049 Esquadro Compasso Strass Acácia Esq. e Compasso Esquadro e Compasso Ref. BT055 A Ref. BT 076V Ref. BT070 V Demolay Alumni Ref. BT092 Esq. e Comp. Trabalhado Grande - Dourado Ref. BT115 Coração Arco-Íris Ref. BT128 Filhas de Jó Loira Com Escrita Ref. BT133 Esq. e Comp. Oval Vermelho Ref. BT138 V Conjunto Completo Venerável Mestre para Grande Loja e Grande Oriente Avental Mestre Maçom Lisa várias cores com bordado do Esquadro e Compasso Gravatas Prendedores de Gravata Esq. e Comp. Vazado Grande PG002 Esq. e Comp. Liso Vermelho G003 V Ref. AV 01 Cavalaria + Demolay PG008 Ref. AV 08 Diversos Modelos Quant. Mínima 10 Ref. AD 01 Ref. AD 02 Ref. AD 03 Ref. AD 04 Adesivos Adesivos de Metal Dourado Prateado Esq. e Comp. Trabalhado Azul PG009 A Demolay Esq. e Comp Vermelho PG011 V Chaveiros diversos modelos Canetas Diversos modelos Chav. Malhete Dourado Ref. CH 021 D Esq. e Comp. Azul Giratório Ref. CH 023 A Esq. e Comp Red. Dourado - Verm. Ref. CH 026 V Chav. Acácia Oval - Dourado Ref. CH 028 D Chav. Demolay Recortado - Dourado Ref. CH 043 D Esq. e Comp. Vazado Frat. - Lib. - Iguald. Ref. CH 055

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Liberdade, Igualdade, Fraternidade Eis a trilogia que governa o trabalho maçônico e constitui os fins supremos da Sublime Instituição, segundo está explícito no Artigo 1” da Constituição do Grande Oriente do Brasil. Incorporada aos ideais da Ordem desde meíados do século dezenove, guarda até o dia de hoje o vigor primaveral de um brado apaixonado. Dos seus elementos, o mais romântico - a Liberdade - carrega o fardo de emoções vividas desde tempos antigos na luta dos povos por uma realidade mais brilhante, quando a beleza do sol do meio-dia possa clarear os desvãos sociais onde se escondem a opressão, a miséria e toda a coorte de vícios agregados às situações de dependência. Saliente-se, aí, o papel reservado aos meios de comunicação e à produção intelectual, anteguarda no combate contra a sujeição indevida em qualquer setor da atividade humana, principalmente nos momentos de maior tensão, quando os interesses mais poderosos tendem a submeter tudo ao seu talante. A Igualdade outra nobre proposta também de longínqua efetivação e sonhada desde passado remoto sofre o cataclismo da brutal pressão neoliberal, que rompe os liames entre ricos e pobres. Almeja-se, nesta hora, a presença de um componente nivelador, que se disponha a nortear a frágil humanidade na procura de uma verdadeira justiça social. Não importam as discussões filosóficas sobre a igualdade, a inigualdade e a equidade, enquanto as oportunidades não estiverem ao alcance de todos, e a economia permanecer alheia a esse objetivo principal. A bipolaridade, forçada pela desigual capacidade de consumo, cria um fosso que pode engolir a intelectualidade não alienada. Por fim, a Fraternidade. É propósito, é mandamento e é, além disso, sustentáculo do próprio conceito de Maçonaria tal como é conhecida. É o princípio, o meio e o fim da Ordem Maçônica. Tem o sentido transcendente de lembrar a origem comum de todas as almas que habitam a Terra e o Cosmo, e que formam a lrmandade Universal, visualizadas pelos grandes iniciados de todas as épocas. Síntese da “divisa tripla”, na designação citada por Alec Mellor, a Fraternidade abarca, dinamiza e ilumina os demais termos, e expressa a generosidade maçônica, que se fortalece no espírito do Maçom através da prestação do serviço desinteressado ao seu semelhante e da dedicação à Grande OBRA nas variadas missões confiadas a sua responsabilidade. Editorial copilado da “Revista Minerva Maçônica” Revista Cultural do Grande Oriente do Brasil Ano IV nº 09 - Nov/Dez/Jan 2000-2001 Brasília 31 de Janeiro de 2001

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3 Editorial - Liberdade, Igualdade, Fraternidade 5 Simbolismo Salvador Ferreira dos Santos 6 A caminhada do aprendiz Rafael Luiz Ceconello 7 O trabalho mais difícil do mundo Olmair Perez Rillo 8 O poder da língua Manoel Nerivaldo Lopes 10 À espera dos pais Redação do Momento Espírita 12 A Iniciação Templária Valdemar Sansão 13 A Jerusalém Celeste para além do Vale de Lágrimas By Jorge Ferraz 15 Os Tribunais da Santa Veheme José Maurício Guimarães 17 Prosperidade Antonio Felicio Netto 18 Conheço tudo, menos a mim Pedro Cellino 21 Maçons notáveis Valdemar Sansão 24 O legado de Jacques De Molay Alfonso Rametta dos Santos Netto 25 Nós perante o obscurantismo Sergio Quirino 26 A Síndrome de Down (SD) Matéria Publicada no Jornal O Estado Mato Grosso do Sul 28 Existem muitas maneiras de cuidar de si mesmo... Feng Shui 30 Maçonaria e Espiritualidade Antônio José de Souza 32 Rito de passagem dos Cherokees Trabalho colhido na Internet 33 O Maçom moderno Manoel Miguel 34 Quando Deus criou as Mães autor desconhecido Visite nosso site e veja os vários eventos Maçônicos. Conheça também nossa Loja virtual: Templo do Grau 33 dos USA CNPJ 02.586.377/0001-08 Filiada à ABIM - Assosiação Brasileira de Imprensa Maçônica com Registro N0 06 DEPARTAMENTO DE VENDAS E RECEBIMENTO DE CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 6001 - C. Grande/MS - CEP 79002-971 Fones (67) 3028-3333 / 3025-6325 / 3331-5361 Celular (67) 9984-2819 revistaconsciencia@revistaconsciencia.com.br ademir@revistaconsciencia.com.br www.revistaconsciencia.com.br • R. Inácio Gomes, 119 - São Lourenço - CEP 79041-231 DIRETOR Ademir Batista de Oliveira ademir@revistaconsciencia.com.br PRODUÇÃO EDITORIAL Ademir Batista de Oliveira ademir@revistaconsciencia.com.br COLABORADORES A colaboração na Revista Consciência não gera vínculo trabalhista • Campo Grande/MS Juvenal Cordeiro Barbosa (67) 3321-5360 / 9985-0758 Osvaldo Freitas (67) 3028-4695 / 9905-3124 • Aquidauana/MS Arlindo (67) 3241-1779 • Natal/RN Alci Bruno (84) 3234-5909 / 9101-5315 Argemiro Pereira da Cunha (84) 3231-8777 / 9401-5159 • Brasilia/DF Valfredo Melo e Souza (61) 9976-1452 • Divinópolis/MG Gabriel Campos de Oliveira (37) 3216-0808 / 9987-7633 • Santa Maria/RS Hugo Schirner (55) 3222-0536 • Sinop/MT Joel Monteiro Lopes (66) 3531-2650 / 9231-7544 • Rondonópolis/MT Cicero Belarmino da Silva (66) 3422-3006 / 9994-8533 • Porto Velho/RO Francisco Aleixo da Silva (69) 3229-1556 / 9972-1027 • Manaus/AM Janio Pessoa de Araujo (92) 3634-7703 / 91216577 • Presidente Prudente/SP Sergio Pereira Cardoso (18) 3221-5941 / 9742-4367 PROJETO GRÁFICO André da Silva Cerqueira (comp&art) 250516 www.revistaconsciencia.com.br Visite nosso Show Room em Campo Grande/MS: R. Inácio Gomes, 119 - São Lourenço - CEP 79041-231 Fones (67) 3025-6325 / 3028-3333 A Revista Consciência é um veículo independente, não vinculada a Potências ou Lojas Maçônicas. Os artigos assinados não refletem necessariamente o pensamento da direção da Revista, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.Os trabalhos enviados à redação são analisados pelo Conselho Editorial, podendo ser ou não publicados. Os originais não serão devolvidos aos autores. Atenção: Solicitamos aos nossos colaboradores que enviem seus artigos com o título, o nome completo, Loja e local. EXEMPLO: José da Silva • Loja Perfeita Luz nº 00 (Potência) • Campo Grande/MS ficha técnica SEDE PRÓPRIA www.revistaconsciencia.com.br PROJETO GRÁFICO IMPRESSÃO E ACABAMENTO www.printexpress.art.br (18) 3642-9001 comp_art@uol.com.br (67) 9983-6214 R. Inácio Gomes, 119 - São Lourenço CEP 79041-231 - Campo Grande/MS (67) 3025-6325 / 3028-3333 VEICULAÇÃO NACIONAL Tiragem 5000 Exemplares edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br 4

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Simbolismo O Ir∴ Salvador Ferreira dos Santos In memória - Cad. nº 21 AMLMS Campo Grande/MS s símbolos são tão antigos como os homens e foram a expressão manifesta dos primeiros lampejos, da inteligência, que se serviu deles para formular as primeiras idéias que se corporificaram na mente do homem. Os símbolos maçônicos, derivados dos símbolos primitivos, foram aplicados à arte de construir desde a origem dessa mesma “arte”. “A maçonaria” é a ciência velada por alegorias e ilustrada por símbolos. “Simbolismo é a alma e vida da maçonaria: nasceu com ela, ou melhor, é germe de que brotou a arvore da maçonaria e que ainda a nutre e anima”. “Em maçonaria, o símbolo é constante e latente em todas as partes. Cumpre, pois, penetra pacientemente em sua significação”. A nossa existência é uma secessão de símbolos. As nossas atividades, a nossa vida social é um conjunto de convenção, é um simbolismo. As palavras que nós utilizamos para exprimir as nossas idéias são meros símbolos, pois isoladamente, não raro elas nada exprimem. De acordo com o ambiente ou com a profissão de quem fala, os vocábulos estão sujeitos a mudar de significação, o sentido deles não tem fixidez. São símbolos e, como tal, sujeitos e interpretações. Em todas as religiões – elas não deixam de ser atividades humanas, se bem que de caráter espiritual – há uma parte simbólica, justamente a de mais difícil compreensão, a menos acessível. E existe sempre algo hermético, de que nem todos os profanos podem alcançar. E o esoterismo. Quem observa atentamente, três, quatro, cinco igrejas, concluirá que numerosas coisas comuns existem nelas. São símbolos, integram o simbolismo da religião. Nas fachadas das igrejas católicas, por exemplo, ao alto, há um triangulo. Que indica ele? Tradicionalismo, é o símbolo dos antigos maçons construtores de igrejas. As colunas, os degraus, os ogivais, a pia, os altares, as lâmpadas com azeites. Etc., tudo tem a sua explicação, a sua interpretação, são símbolos. Porque o pavimento de quase todas as igrejas católicas, como dos templos maçônicos, é um mosaico de ladrilhos pretos e brancos? Por que, nas igrejas católicas bem como nos templos maçônicos, existe uma grade separando a parte principal do restante? Por que para penetrar-se na parte principal, no lado oposto a porta, é necessários subir um escada? Há uma resposta incontraditável: esses e muitos outros pontos de similitude são conseqüência de terem sido os mesmos arquitetos ou pelo menos os maçons (pedreiros) com as mesmas concepções artísticas, os planejamentos, os construtores dos templos católicos e maçônicos. O simbolismo era um só e foi conservado. É deplorável mas e inobscurecível é que poucos são os Irmãos que estudam os temas maçônicos, que se devotam aos livros em busca do conhecimento do simbolismo. Se é sublime o objetivo principal da maçonaria, o altruísmo, a solidariedade ao próximo, o devotamento fraternal aos semelhantes, é uma grandiosidade excepcional, a edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br beleza do simbolismo. O seu estudo oferece-nos aspectos surpreendente belos e cada vez mais nos seduz, com extraordinária, insobrepujável capacidade de atração. Teimamos em dizer sem temor de contestação, poucos são os que estudam o simbolismo da maçonaria e muitos os que forjam interpretações em desajuste com a verdade. Que concepção encantadora, o simbolismo da romã ! O pelicano é dos mais belos símbolos maçônicos, a oferecer-nos lição magnífica de dedicação ao próximo, sobretudo a família que nos deve conduzir a sacrifício extremo de dilacerar as nossas próprias carnes, para dar-lhes alimento. E a pavimento de mosaicos? Na igreja católica, ele significa que os povos de todas as raças, sem distinção de cor, podem acolher-se no templo de Jesus Cristo, que serão bem recebidos. Na maçonaria há maior amplitude: serão recebidos pessoas de todas as raças, de todas as cores e de quaisquer credos religiosos. Há maior amplitude consentânea com espírito de tolerância pregado pela ordem. E os ladrilhos são do mesmo e os espaços reservados para as cores também são iguais para fazer-nos compreender que todos não só são bem recebidos como considerados de proporções idênticas. Nem a cor, nem a raça, nem a procedência social estabeleceram distinções entre os maçons e sim suas virtudes, o seu saber e a nobreza de suas ações em prol dos semelhantes, em beneficio da humanidade. 5

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Muitos profanos, com o sorriso imbecil peculiar aos ignorantes, ou por má fé, pretendem vãmentes, escarnecer dos nossos símbolos. Estão com os olhos vendados, impossibilitados de ver a beleza das lendas maçônicas, do significado de nossos símbolos. A insânia dos nossos inimigos leva-os ao esquecimento de que todas as religiões, todas as atividades humanas tem seu simbolismo. Os fanáticos, não digo os católicos, por que sou católico, desconhecem que muitos e muitos símbolos existentes em nossos templos são encontrados também nas igrejas. Caríssimos Irmãos, cultivemos a filosofia maçônica, estudemos com ardor para que possamos conhecer a magnificência, e a beleza do nosso simbolismo. A caminhada do aprendiz Ir∴ Rafael Luiz Ceconello O tema do primeiro grau maçônico é a iniciação numa nova vida, ou seja, o nascimento do profano na Arte Real. Logo, o profano deve ser iniciado nos segredos maçônicos, o que significa criar, em si, por sua vontade e pelo seu espírito, um homem totalmente novo, melhor e capaz de se elevar espiritualmente, passando a agir segundo um novo ideal de vida. A cerimônia de iniciação sugere um novo nascimento que objetiva levar o neófito a uma nova vida, para que ele aprenda que é preciso morrer para a vida profana, despojando-se de tudo que brilha enganosamente, do que traz proveitos fáceis, dos preconceitos, do orgulho e da vaidade. Neste grau, o maçom deve aprender a colocar em prática o primeiro dever do iniciado: trabalhar em si mesmo. Bem como a calar, escutar, observar e meditar. Pois, na maçonaria operativa o aprendiz era o servidor dos mestres-de-obras, ele via e aprendia, e silenciosamente seguia as obras dos mestres, obedecendo-os e cuidando de seus materiais de trabalho. Quando a Ordem maçônica tornou-se uma corporação regular o aprendiz devia submeterse ao perigo de provas físicas, que no atual Rito Escocês são em partes conservadas como um meio de exercitar a imaginação dos iniciados, para que eles sintam que os caminhos do saber são ásperos, íngremes e difíceis. Atualmente, de acordo com os ensinamentos da maçonaria especulativa, cabe ao aprendiz maçom o trabalho de desbastar a Pedra Bruta, isto é, desvencilhar-se dos defeitos e das paixões, para poder concorrer à construção moral da humanidade, que é a verdadeira obra da maçonaria. Nosso ritual assim pontua: “Para que nos reunimos aqui? Para erigir Templos à virtude, e cavar masmorras ao vício”. Assim, durante o interstício do grau de aprendiz os irmãos devem se dedicar a esses objetivos, ou seja, trilhar um caminho de observação e trabalho com o fito de obter o domínio de si próprio, com o único desejo de progredir na grande obra que empreendestes ao entrardes em nossa Ordem. edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br Para que, quando do término desse trabalho de aperfeiçoamento moral, simbolizado pelo desbastar da Pedra Bruta, tenha o aprendiz maçom conseguido pela fé e pelo esforço individual, transformá-la em Pedra Polida apta à construção do edifício social. Nas palavras de Manly P. Hall, escritor maçom: “O aprendiz maçom precisa embelezar seu Templo. Ele precisa construir dentro dele, por suas ações, pelo poder de suas mãos e das ferramentas de seu ofício, certas qualidades que tornem possível sua iniciação nos graus mais elevados da Loja Espiritual”. Assim, quando atingido esse objetivo comum, o aprendiz pode descansar o maço e o cinzel para empunhar outros utensílios e ter a consciência de que o início de seu trabalho de edificação do seu “eu interior” foi realizado. Tendo atingido esse ponto e feito o melhor que lhe foi possível, está em posição de ansiar que as forças que agem de forma misteriosa possam considerá-lo merecedor a avançar para o segundo grau no caminho do engrandecimento espiritual. 6

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O trabalho mais difícil do mundo E Ir∴ Olmair Perez Rillo Loja Verdadeiros Irmãos nº 669 Oriente de São Paulo/SP ncontramos, no YouTube, um vídeo da American Greetings  relatando uma entrevista de emprego, aqui reproduzido de forma livre, com o devido crédito ao autor. O anuncio publicado em um jornal de grande circulação era pouco revelador, pois além do título “Procura-se Gerente Geral” indicava apenas a data, o endereço do hotel no qual as entrevistas aconteceriam e a obrigatoriedade de se chegar, pontualmente, às oito horas da manhã, em absoluto jejum. Mesmo estranhando esta estranha condição, alguns candidatos se fizeram presentes e, assim que iam chegando, eram levados ao restaurante onde lhes foi servido um belo café da manhã.  Assim que o período de refeição terminou, seguiram para a sala de reuniões na qual outra surpresa os aguardava, pois lhes informaram que, apesar de ser uma entrevista para emprego, seriam devidamente remunerados pela presença. Para facilitar os trabalhos, todas as exigências necessárias à função seriam explicadas de uma só vez, ficando claro que todos poderiam interagir com o entrevistador, perguntando ou contestando algumas das propostas. De início foi dito que não era um trabalho qualquer, mas um dos mais importantes e difíceis realizados em todo o mundo. Nós decidimos chamá-lo Gerente Geral, mas as responsabilidades e os requisitos vão muito além do que possam imaginar, começando pela exigência de se locomoverem, constantemente, de um lugar ao outro.   O contratado deverá, também, ter condições para trabalhar em pé praticamente todo o tempo, curvar-se várias vezes durante o dia, fato que exigirá a manutenção de um alto nível de preparo físico.  Isto acontecerá por pelo menos cento e trinta e cinco horas semanais, ou seja, praticamente 24 horas por dia, sete dias na semana. Uma vez que lhes foi permitido, um dos candidatos indagou se o contratado teria, pelo menos, a oportunidade de poder sentar-se de tempos em tempos, no que foi esclarecido que não haveriam muitos intervalos disponíveis para tanto. Diante da pergunta se isto seria legal, o entrevistador respondeu que sim e em nednhum momento alguém havia reclamado de agir assim, da mesma forma que não houve reclamações por se verem forçados a efetuar suas refeições apenas quando um dos associados já tivessem se alimentado. Isto valeria tanto para um simples lanche como para as refeições principais. Outra coisa importante continuou explicando, é que serão exigidas excelentes condições físicas e mentais para trabalhar em um ambiente absolutamente caótico, possuir um excelente poder de negociação, muita habilidade interpessoal, elevado índice de tolerância, além de certos conhecimentos de medicina, finanças e gastronomia. Terá, também, que ficar disponível para atender o associado durante a noite, obrigatoriedade esta que exigirá, caso possua uma vida social, desfazer-se dela. Isto fará, ainda, com que tenha pouco tempo edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br para dormir, não tenha férias, festejos de natal ou ano novo, pois as cargas horárias seriam aumentadas gradualmente ao longo do tempo. Desculpe-me, mas isto é uma crueldade, uma exploração sem limites e eu até estou achando que isto é uma pegadinha ou uma piada de muito mau gosto, expressou-se com indignação outro candidato.   Claro que não tem nada de desumano, pois estas atividades, com certeza, irão proporcionar vínculos de união e um sentimento de felicidade interior em poder estar prestando tais serviços. E é exatamente por permitir essa sensação prazerosa de bem servir, que pagaremos absolutamente nada pelo trabalho. Mesmo porque, se quiséssemos pagar, não teríamos como mensurar, em termos financeiros, o valor desta importante missão. O que? Disseram os entrevistados quase a uma só voz. O senhor deve estar brincando, pois não há ninguém no mundo que se prontifique a realizar uma função tão desgastante sem ganhar um centavo sequer para tanto.   Mas é claro que não estou de brincadeira, e pergunto: qual seria a posição dos senhores se eu lhes afirmar que, neste exato momento, existem milhões de pessoas desempenhando estase outras atividades semelhantes sem reclamar pela falta de remuneração, não com título de Gerente Geral, mas de MÃE? Como sempre acontece em situações inusitadas como esta, o silencio que tomou conta da sala provocou um barulho ensurdecedor. 7

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O poder da língua Manoel Nerivaldo Lopes C onta-se que certa vez um mercador grego, rico, ofereceu um banquete com comidas especiais. Chamou seu escravo e ordenou-lhe que fosse ao mercado comprar a melhor iguaria. O escravo retornou com belo prato. O mercador removeu o pano e assustado disse: -Língua ?!! Este é o prato mais delicioso? O escravo, sem levantar a cabeça, respondeu: - A língua é o prato mais delicioso, sim senhor. É com a língua que pedimos água... ...dizemos “mamãe”, fazemos amigos, perdoamos. Com a língua reunimos pessoas, dizemos “meu Deus”, oramos, cantamos, dizemos “eu te amo”... O mercador, não muito convencido, quis testar a sabedoria de seu escravo, e o mandou de volta ao mercado, desta vez para trazer o pior alimento. O escravo voltou com um lindo prato, coberto por fino tecido. O mercador, ansioso, retirou o pano para conhecer o pior alimento. -Língua, outra vez?!!, disse, espantado. -Sim, língua, respondeu o escravo. É com a língua que condenamos, separamos, provocamos intrigas e ciúmes, blasfemamos. É com ela que expulsamos, isolamos, enganamos nosso irmão, xingamos pai e mãe... Não há nada pior que a língua; não há nada melhor que a língua. Depende do modo que a usamos. Muitos males têm sido causados por uma só palavra ou frase proferida. Diz um ditado que “falar é prata, calar é ouro”. Palavras ferem, matam, magoam, semeiam dúvidas, fazem pecar, geram ódio... e muitas vezes quem diz o que quer, ouve o que não quer. Uma palavra, uma frase, podem doer mais que a dor física. A dor física pode cessar com um medicamento, mas a dor provocada por uma palavra ou frase, muitas vezes nem o tempo apaga, e, quando apagada, costuma deixar cicatrizes. O pecado da língua é tão sério que ocupa todo o capítulo 3 e parte do capítulo 4 da epístola de Tiago, no Novo Testamento. A Bíblia nos ensina que “os lábios do justo apascentam a muitos, mas por falta de senso, morrem os tolos” (Provérbios 10:21) Jesus, censurando os fariseus, disse-lhes que “a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34), e advertiu: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo; porque pelas tuas palavras serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado” (Mateus 12:36-37). O piloto de um navio dirige-o para qualquer direção controlando um pequeno leme. Da mesma forma um cavalo é dirigido por nós quando lhe pomos freios na boca Sejamos vigilantes sobre o uso da língua, e,“deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Efésios 4:25). Que possamos usar nossa língua para dizer o quanto amamos nossos entes queridos e amigos; para perdoar a quem nos ofende, para pedir perdão a quem ofendemos, para oferecer ajuda ao necessitado, para elogiar, para ensinar, para proclamar a paz, para repelir a guerra, as fofocas, as intrigas, a inveja, a maledicência.. Que nossos lábios louvem, sempre, ao nosso Deus! Créditos Manoel Nerivaldo Lopes 24/05/2006 Seja um consultor da Revista Consciência em sua cidade. 63 (67) 3025- 33 33 ia.com.br 8 2 0 3 staconscienc (67re)vist vi re @ ia nc .br aconscie sciencia.com acon www.revist Ligue 25

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Grande Loja do Estado de Mato Grosso do Sul Campo Grande Loja Raul Sans Matos nº 38 O Ven\ Mest\ Ir\ Silvio Elabras Haddad, da Loja Raul Sans Matos nº 38, recebeu o Ir\ Francisco de Assis Ovelar, Sub Comandante da Polícia Militar, para proferir em uma sessão pública a palestra sobre segurança. Presentes na Sessão o Grão-Mestre Adjunto Hugo de Oliveira, representando o Sereníssimo Grão-Mestre Ir∴ Sebastião Nogueira Faria, Delegado Geral do Grão-Mestre juntamente com delegados distritais, vários VVen\ MMest\ e IIr\ visitantes de outras Potências, Cunhadas e convidados da nossa cidade. Loja 8 de Agosto nº 08 Foi realizada uma sessão de Elevação dos IIrs∴ Luciano Fernandes, Mauro D`Agostino Vergueiro e Wellington Matsumoto, pelo Ven\ Mest\ Ir\ Wilson dos Anjos, que ficou agradecido da presença do Grão-Mestre Adjunto Ir\ Hugo de Oliveira, do Delegado Distrital e Obreiro daquela Oficina e muitos IIr\ visitantes. Grande Oriente do Mato Grosso do Sul - COMAB Campo Grande Loja Fraternidade e Segredo nº 02 O Ven\ Mest\ Ir\ Erno Suhre, recebeu o Eminente Grão-Mestre Ir\ Amilcar da Silva Junior, e vários IIr\ , para assistirem a cerimônia de Reafirmação Conjugal do Ir\ Alírio de Moura Barbosa e da nossa Cunh\ Eva Faustino da Fonseca de Moura Barbosa, esta realização aconteceu para reafirmar o Matrimônio do casal de 23 de Janeiro de 1987, parabéns ao casal qual deu um exemplo de Companheiros e Amizade nestes anos de vida conjugal. edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br 9

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À espera dos pais Redação do Momento Espírita, com base em palestra de Divaldo Pereira Franco A dama da alta sociedade costumava desfilar, em sua carruagem de luxo, pelas ruas de São Francisco, sob olhares de admiração e inveja. Um dia, os jornais publicaram o falecimento de uma tia e ela, obedecendo às convenções sociais, teve que permanecer no lar por uma semana. Indignada por ter que ficar sete dias dentro do enorme palácio, buscou o marido, então Governador do Estado, e esse a fez lembrar-se de que poderia passar os dias brincando com o filho. Ela gostou da idéia. Adentrou a ala esquerda do palácio, que tinha sido liberada para o pequeno príncipe, que vivia rodeado por profissionais de diversas nacionalidades, a fim de lhe ensinarem idiomas e costumes de outros povos. Quando o pequeno Leland avistou a mãe, exultou de felicidade e lhe perguntou por que ela estava ali, naquele dia e hora não habituais. Ela lhe contou o motivo e ele, feliz, lhe perguntou quantas tias ainda restavam. Leland estava ao piano tocando uma balada que aprendera com sua babá francesa. A mãe, impressionada, ficou ouvindo, por alguns instantes, aquela balada que lhe pareceu um tanto melancólica. Pediu ao filho que cantasse, ele cantou. Falou-lhe para que a traduzisse e ele a traduziu. Era a história de um menino que era levado pela sua mãe todos os dias até à praia, de onde ficavam olhando o pai desaparecer na linha do horizonte, em seu barco pesqueiro. Todos os dias a cena se repetia, até que um dia, o barco do pai não retornou. A mãe conduziu o filho novamente à praia e lhe pediu que ficasse esperando, pois ela iria buscar o marido. Adentrou no mar e o filho ficou esperando na praia, pelo pai e pela mãe, que jamais retornaram. A balada comoveu a grande dama. Falou ao filho que era muito triste. Ele respondeu que cantava porque se identificava com o menino da praia. A mãe não entendeu em que consistia a semelhança e retrucou ao filho: Você tem tudo. Não lhe falta nada. Tem mãe e pai e é herdeiro de um dos homens mais importantes deste Estado. Leland respondeu com melancolia: Mas o papai adentrou há muitos anos no mar dos negócios e nunca o posso ver. Você o seguiu e eu fiquei aqui à espera de um retorno que nunca acontece. Como você pode perceber, minha história é muito semelhante à do menino solitário da praia. Daquele dia em diante, a dama passou a conviver mais com o filho de onze anos a quem não conhecia e, por esse motivo, aprendeu a amá-lo. A convivência estreita com a mãe trouxe a Leland um brilho novo. Por algum tempo a vida lhes permitiu desfrutar da alegria do afeto mútuo, das experiências vividas, um em companhia do outro. Fizeram uma longa viagem de navio e Leland adoeceu. A mãe fez tudo o que podia para lhe salvar a vida, mas foi tudo em vão. O navio retornou e Leland não pode mais contemplar a mãe com os olhos físicos. Todavia, naquele breve tempo de convívio, o menino ensinou à mãe outros valores. Ela construiu orfanatos e outras obras de assistência para a comunidade carente. Leland não herdou a fortuna dos pais, mas a fortuna rende frutos até hoje, junto à sociedade daquele Estado. Dentre elas, a Universidade Stanford.   ***  Não há motivo que justifique o abandono dos filhos por parte dos pais.   Não há filhos que aceitem, de boa vontade e em sã consciência, trocar o afeto dos pais por qualquer outro tesouro. Pensemos nisso! edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br 10

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A Iniciação Templária P Ir∴ Valdemar Sansão São Paulo/SP elo costume da cavalaria medieval, aos 21 anos o jovem escudeiro era investido como cavaleiro na presença de um nobre que o apadrinhava. A iniciação na Ordem do Templo era algo posterior à investidura do cavaleiro. Não existia nenhum tipo de investigação da vida do candidato ou “futuro templário”, mas no momento da solicitação do ingresso, é possível considerar que o alto comando fazia uma “sabatinada” do candidato, podendo até mesmo vetar o ingresso do mesmo na Ordem. O novo templário era admitido em uma cerimônia chamada de “Recepção”, composta por 12 cavaleiros presididos pelo Grão-Mestre ou seu representante legal na Ordem, que na ocasião respondia pelo nome de “Receptor”. Essas iniciações eram feitas em “fortalezas-conventos”, ou até mesmo em uma Igreja. A reunião era chamada de “Capítulo”. O jovem que desejava entrar para a irmandade era chamado de “noviço” (quando de origem mais humilde) ou “aspirante”. Ele ficava do lado externo do “Capítulo” e batia de qualquer modo à porta para mostrar que não sabia a forma correta para ser recebido. Então o “Receptor” perguntava a todos os presentes se existia alguma objeção para a entrada do “aspirante” na fraternidade. Caso não houvesse, o cerimonial continuaria. Por três vezes eram enviados dois irmãos templários que faziam indagações sobre as intenções do “aspirante”. Na terceira vez as perguntas eram feitas à porta aberta, para mostrar que o “Capitulo” aceitaria aquele que pedia ingresso. Agora, dentro da reunião do “Capítulo”, o “aspirante” ouvia o “Receptor” apresentar as tribulações da vida dos “Milicianos de Cristo”, que podem ser resumidas nos seguintes aspectos: • Nunca discutir as ordens de seus superiores; • Privar-se de descanso ou sono quando as necessidades de batalha se impuserem; • Ser devoto ao Senhor e a Nossa Senhora; • Guardar-se do pecado; • Fazer voto de pobreza e de penitência; • Manter-se saudável; • Nunca matar um cristão; • Nunca negociar com muçulmanos. Sempre após as falas do “Receptor”, o “aspirante” deveria dizer: “Sim Senhor, se Deus quiser”. Após essa apresentação, o candidato era levado à Bíblia para prestar o juramento. Antes de fazer esse ato solene, ele declarava que não era casado ou estava noivo, que não possuía dívidas, que não participava de nenhuma Organização similar aos Templários, que estava em boa edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br saúde, que não havia subornado nenhum templário com o objetivo de entrar na Ordem e que não era excomungado pela Igreja. Logo após o ato do juramento da fraternidade era colhido do iniciado os votos de pobreza, de castidade, de fidelidade à Igreja, aos seus superiores e à defesa da cristandade na Palestina. Sempre ao final de cada voto, o iniciado dizia: “Sim Senhor, se Deus quiser”. Depois de assumir seus compromissos, o novo templário era revestido com o manto branco com a cruz rubra, característico dos cavaleiros do Templo. Após isso o “Receptor” garantia ao novo irmão os benefícios da “Casa do Templo”: pão, proteção, um teto seguro e a salvação da alma enquanto fosse fiel aos seus juramentos como cavaleiro. Todos então se voltavam para o Capelão, que entoava o Salmo 133 e fazia a oração do Espírito Santo. Antes de encerrar a reunião, o “Receptor” advertia o novo templário sobre os possíveis castigos em caso de transgressão de seus votos. A reunião era encerrada quando o “Receptor” dizia: “Vos dissemos o que deveis fazer e do que deveis vos resguardar; e se não vos dissemos tudo, é porque dizer não podemos até que no-lo soliciteis. E que Deus vos faça agir bem. Amém”. Assim então estava encerrada a iniciação do novo irmão. ORA ET LABORA Bibliografia: CAMINO, Rizzardo da. Jacques de molay. Rio de Janeiro: Editora Aurora, [198-].  HAYWOOD, H. L. A história da vida e da época de Jacques DeMolay. ORDEM DeMOLAY, 1925. Ilustração: Darren Tan 12

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A Jerusalém Celeste para além do Vale de Lágrimas D ecididamente não nos assenta bem a boa saúde, o estado provisório qui n’annonce rien de bon, a caricatura da paz e de bem-estar que durante tantos milênios de planeta ainda não aprendemos a usar. [Gustavo Corção, “Na Casa de Saúde”] Leiam na íntegra esta bonita crônica do Corção, que me foi mostrada por um amigo e da qual foi retirada a frase em epígrafe. É um excelente material de meditação para a Campanha da Fraternidade deste ano; ou melhor, para nos indicar os caminhos errados pelos quais nos pode conduzir a Campanha da Fraternidade durante este precioso tempo quaresmal que estamos vivendo. Eu já devo ter repetido diversas vezes o quanto eu gosto da oração da Salve Rainha e, mais especificamente, o quanto me apraz a parte em que suspiramos à Santíssima Virgem entre gemidos e choros “in hac lacrimarum valle”, neste Vale de Lágrimas. Porque uma parte importante do Cristianismo é a consciência do Pecado Original, esta percepção de que existe algo de intrinsecamente errado no mundo que nos rodeia: só assim nós podemos aspirar às coisas mais elevadas. O Paraíso foi perdido e, junto com esta perda, foi-nos estabelecida a radical impossibilidade de construirmos por nós próprios um novo Paraíso Terrestre. A esperança cristã é a de Novos Céus e Novas Terras. É nisto que devemos ter os olhos fitos: na Jerusalém Celeste que (só!) se encontra para além do Vale Ir∴ By Jorge Ferraz Materia colhida e enviada pelo Ir∴ Julio Cezar Rios Midon Loja De São João - GLEMS Campo Grande/MS de Lágrimas! A terra “maldita” por causa do pecado é um excelente elemento da pedagogia divina. Afinal de contas, se vivêssemos em um mundo perfeito ser-nos-ia muito fácil deixar esmorecer o nosso desejo por um outro mundo melhor. Após o Pecado, foi a Misericórdia de Deus que fez a terra produzir espinhos e abrolhos. Se fosse dado livre curso a Satanás, ele com certeza faria, após a Queda, um mundo que fosse composto exclusivamente por palácios de ouro e do qual não desejássemos jamais sair. Querer um mundo perfeito é uma utopia, é uma quimera que nos desvia daquilo que é realmente importante. O afã de construir um mundo perfeito é pernicioso porque nos distrai da nossa peregrinação rumo à Pátria Celeste – em última instância, a única que interessa. E esta parece ser precisamente a tônica das Campanhas da Fraternidade. Temos o “que a saúde se difunda sobre a terra” do ano corrente e, olhando o histórico disponível na página da Conferência dos Bispos, temos muitas outras cantigas se utilizando desta mesma nota. Temos um “Levanta-te, vem para o meio!” em 2006, um incrível “Por uma terra sem males” em 2002, um “Novo Milênio sem Exclusões” em 2000. A idéia subjacente (às vez mais explícita, às vezes menos) é sempre a mesma: deseja-se um mundo perfeito. Um mundo onde o homem e a natureza vivam na mais perfeita edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br harmonia romântica (“Fraternidade e Vida no Planeta”, 2011), ou onde não exista mais avareza entre as pessoas e todas socorram generosamente às necessidades de seus semelhantes (“Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”, 2010), ou onde não haja mais violência entre os seres humanos (“Fraternidade e Segurança Pública”, 2009), etc. É sempre a mesma coisa: sempre uma cenoura na frente do burro, sempre uma utopia inalcançável e inútil apresentada como importante meta a ser buscada, sempre uma distração daquilo que é verdadeiramente importante no tempo da Quaresma. Porque nós, cristãos, somos chamados a coisas muito mais sublimes e infinitamente mais elevadas do que um novo milênio sem exclusões ou uma terra sem males: ainda que estas coisas fossem possíveis (o que é óbvio que não são), seriam infinitamente menores do que as coisas que Deus nos reservou – que, como nos diz São Paulo, são aquilo que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração humano sequer imaginou. Durante a Quaresma nós somos chamados a perseguir o Reino de Deus, e não quimeras; que mal causam aos fiéis brasileiros estas campanhas diabólicas que levam os homens a correrem atrás de utopias! Contra esta insídia que desgraçadamente já há tanto tempo assola o nosso tempo quaresmal, que primor está o texto do Gustavo Corção! Leiam-no, volto a recomendar. 13

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A melhor forma de tratar o tema “saúde” na Quaresma é, precisamente, sob a ótica da falta dela. Não meramente através de um (obviamente legítimo) desejo de cura, mas algo mais: como um indicativo permanente da miséria humana, como um espinho na carne a não nos deixar esquecer o Vale de Lágrimas no qual estamos exilados. Porque, afinal de contas, o verdadeiro anseio cristão é pela Jerusalém Celeste, o anelo legítimo dos que estamos exilados é o retorno à Pátria Celeste. Nosso Senhor veio ao mundo para nos tornar cidadãos do Céu; o nosso dever é sair do Vale de Lágrimas, e não transformá-lo em um lugar perfeito até nos esquecermos de que Algo maior nos espera para além das montanhas. Gosto do Salmo 136, que fala do exílio. “À margem dos rios da Babilônia nós sentamos e choramos, com saudades de Sião”. E penso que esta temática é recorrente na história de Israel; p.ex., quando os judeus no deserto passaram a sentir falta “das cebolas do Egito” [cf. Nm 11, 5]. Acho que isto não é sem motivo. Há a tentação permanente de “nos esquecermos” da nossa dignidade e da – imerecida, mas real! – glória a que somos destinados; há a tentação permanente de querermos ficar “por aqui mesmo”. No referido salmo sobre o exílio há fortes maldições contra o esquecimento da Pátria: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que minha mão direita se paralise! Que minha língua se me apegue ao paladar, se eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias”. Isto é uma coisa séria que merece toda a nossa preocupação. E, levando os fiéis católicos a se esquecerem da Jerusalém Celeste à qual pertencem, tudo o que a Campanha da Fraternidade consegue é se transformar no alvo destas imprecações bíblicas. Ai daqueles que, promovendo-a, afastam de Deus o Seu povo. SPINOZA BARUC OU BENETIDO “[...] uma criancinha acredita apetecer, livrementre, o leite; um menino furioso, a vingança; e o intimidado, a fuga. Um homem embriagado também acredita que é pela livre decisão de sua mente que fala aquilo sobre o qual, mais tarde, já sóbrio, preferiria ter calado. Igualmente, o homem que diz loucuras, a mulher que fala demais, a criança e muitos outros do mesmo gênero acreditam que assim se expressam por uma livre decisão da mente, quando, na verdade, não são capazes de conter o impulso que os leva a falar. Assim, a própria experiência ensina, não menos claramente que a razão, que os homens se julgam livres apenas porque são conscientes de suas ações, mas desconhecem as causas pelas quais são determinados. Ensina também que as decisões da mente nada mais são do que os próprios apetites: elas variam, portanto, de acordo com a variável disposição do corpo. Assim, cada um regula tudo de acordo com o seu próprio afeto e, além disso, aqueles que são afligidos por afetos opostos não sabem o que querem, enquanto aqueles que não têm nenhum afeto são, pelo menor impulso, arrastados de um lado para outro. Sem dúvida, tudo isso mostra claramente que tanto a decisão da mente, quanto o apetite e a determinação do corpo são, por natureza, coisas simultâneas, ou melhor, são uma só e mesma coisa, que chamamos decisão quando considerada sob o atributo do pensamento e explicada por si mesma, e determinação, quando considerada sob o atributo da extensão e deduzida das leis do movimento e do repouso [...]” Spinoza, Ética, parte 3, prop 2 esc. Adquira seu livro visitando nosso Show Room em Campo Grande/MS R. INÁCIO GOMES, 119 - SÃO LOURENÇO - CEP 79041-231 Fone (67) 3025-6325 / 9600-3636 edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br 14

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Os Tribunais da Santa Veheme Q uem cursou o ensino médio sabe o que foi a Santa Veheme, também chamada “Corte Sagrada”. Apesar dos estudos do Grau 31 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria, ninguém precisa ser maçom para conhecer bem essas coisas. A “Liga da Corte Sagrada”, como também era conhecida, funcionava como supremo tribunal secreto na Vestfália (região da Alemanha, em torno das cidades de Dortmund, Münster, Bielefeld, e Osnabrück) durante a Idade Média, período da história da Europa entre os séculos V e XV. “Quanto menos as pessoas sabem do passado e do presente, tanto mais impreciso será o juízo que farão sobre o futuro”, escreveu Freud em 1927. Freud explica... mas parece que a história tem que se repetir, pois ninguém gosta de estudar e refletir sobre o que acontece. Principalmente no passado século XX e no atual e miserável século XXI, a expiação dos erros se dá pelas chibatadas de repetirmos os mesmos equívocos de sempre. Os tribunais “santas vehemes” podem não ter desaparecido. Permanecem como brasas adormecidas sob as cinzas, aguardando a oportunidade de um sopro, uma fagulha, para incendiarem novamente a civilização. O primeiro tribunal Santa Veheme começou quando ocorriam migrações e invasões dos Exerço o livre pensamento e a busca constante da Verdade, pois não tenho compromisso com o erro. Ir∴ José Maurício Guimarães povos bárbaros para o território de Roma. Qualquer semelhança com o que hoje ocorre com a onda de refugiados é mera coincidência. Tribunais como esse visavam coibir, principalmente, os delitos cometidos contra a Igreja Católica, daí o termo “Santa”. Dizem que o vocábulo “vehme” vem do alemão e significa “condenar”; mas não encontrei fundamentos para essa etimologia. O Império Romano, assim como acontece com as culturas de hoje, entrou em decadência entre 476 d.C. e o final do primeiro milênio. Além do declínio econômico e cultural, o Cristianismo, enquanto religião institucionalizada, contribuiu para a queda do Império no Ocidente. A mudança de paradigmas, tal como hoje, abalaram todo o sistema: os estatutos, instituições edição 123 • 2016 • www.revistaconsciencia.com.br e formas de administrar a sociedade começaram a esfarelar.  Em muitos lugares se espalhou a criminalidade, a desordem, a liberação desenfreada dos costumes sexuais, a corrupção e a ilegalidade. Foi então que a Santa Veheme “tornou-se necessária” aos olhos do conservadorismo radical, pois mudanças extremas acarretam reações exageradas. O tribunal do terror, organizado através de um conjunto de ligas secretas, nasceu, quase que da noite para o dia, com o intuito de reprimir as desordens dos bárbaros (os que pertencessem a outras civilizações ou falassem outras línguas) ou as perturbações da ordem por parte dos cidadãos. Transcorria o reinado de Carlos Magno (Carolus Magnus ou Charlemagne, 768 d.C. a 814 d.C.), monarca guerreiro filho de 15

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