Jornal Domus Nostra 2015/16

 

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Jornal Domus Nostra 2015/16

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ano 2016 2 sêlos domus nostra residência de estudantes universitárias o P os tal o Postal pág. | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal pág. 2 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal Índice Pág. Tábua Cronológica 1965 - 2015| 50 Anos Domus Nostra Editorial | Madalena Lopes 50 anos da Residência Universitária Domus Nostra | Clara Nogueira Parabéns Domus Nostra | Maria Moreira Guardo muito desses anos… | Maria Manuel Costa O que é ser Finalista | Catarina Pedro Postal| Inês Faria Um Dia | Inês Nunes Segunda Casa | Filipa Branco Obrigado! | Sofia Vaz Pinto Um Laço para a Vida | Tânia Oliveira Esta Casa que será sempre Nostra | Joana Guerreiro Festa de Natal | Daniela Espadinha A Minha Domus | Adelaide Espadinha “A vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas” | Janayna Casotti Eu e a Domus Nostra | Beatriz Garcia Residência Domus Nostra | Verónica Paulo Um Jardim à Beira Domus Plantado | Ana Pinto Querida Futura Caloira | Ana Sofia Pereira Incógnitas & Saudades | Ana Catarina Pereira Amizades para a Vida! | Beatriz Santos Primeiro Ano na Domus | Luciana Paulo O meu primeiro Ano na Domus Nostra | Rita Barros Olha para trás | Marta Arrais 2 4 5 8 8 9 9 10 11 12 13 14 16 17 18 21 23 24 25 27 28 29 30 31 pág. 3 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal  Editorial 2016, ano cheio de significado para viver na Domus Nostra. Nem mais nem menos, 50 anos de história a legar o SER à residência Universitária DOMUS NOSTRA. Ano para honrar e prestar reverência a todas e a todos quantos deram parte de si para a qualidade e segredo, de que esta casa se reveste, permitindo a coexistência e abrindo o futuro de quantas nela se dão e dela recebem. Ser finalista em 2016 é sem dúvida, no mínimo, uma coincidência única! O sentimento de quem está às portas da mudança acumula o sentido da partida e da chegada. Partida para cruzar com outros rumos; chegada para concelebrar a vida dos 50 anos do lar Domus Nostra, que serviu de alternativa ao lar familiar. Este é o tempo para reconhecer, sonhar e lutar por ir sempre mais além. Este é o tempo para compreender melhor, que vale mais ser uma pessoa de valor do que uma pessoa de sucesso, porque o sucesso é meramente uma consequência da ação, da experiência e do aproveitamento que tiramos de cada momento feito nosso. A conclusão de um curso académico é um marco importante na vida de qualquer pessoa. É um momento a apontar-nos outros momentos, como uma “porta entreaberta”, em que do presente se vislumbram os novos horizontes. O “Postal”, símbolo que as finalistas escolheram, tem a importância de revelar, desvelar e preservar imagens tanto no “real tocável”, quanto na memória, das histórias partilhadas. Terá o papel de nos fazer recordar, ligar, unir o passado, o presente e o futuro. A prosseguir, lembro as três palavras de Albert Einstein ao resumir os ideais que iluminam qualquer caminho: “a bondade, a beleza e a verdade”. Desejo a cada finalista um caminho airoso e promissor de uma sociedade mais repleta da bondade, da beleza, da verdade e da sabedoria de que uma pessoa erudita supostamente é dotada. Madalena Lopes pág. 4 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal  50 Anos da Residência Universitária Domus Nostra No dia 7 de novembro, juntaram-se 50 anos no mesmo espaço. A Domus Nostra, residência de estudantes universitárias, em Lisboa, celebrou os 50 anos de existência num dia de ação de graças, reencontros e muitos abraços. A manhã já ia longa quando a entrada da Domus Nostra se encheu de caras alegres, reencontros e sorrisos de espanto. Muitas raparigas, agora mulheres, voltavam a entrar no edifício que lhes tinha servido de casa quando a que era sua estava longe. “Tu estás a mesma!”, ouvia -se vezes sem conta. Era isso e os abraços sem fim de quem já não se via há mais do que o coração pedia. Depois dos reencontros iniciais e de tempo – sempre pouco – para saber novidades e notícias, seguiu-se a celebração da Eucaristia, na capela da residência. Uma Missa presidida pelo CardealPatriarca D. Manuel Clemente e concelebrada por sacerdotes amigos da casa, entre eles D. António Carrilho, Bispo do Funchal e antigo capelão da residência. pág. 5 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal Em busca da sabedoria que é Deus Partindo das Bodas de Caná, D. Manuel lembrou que “aquele primeiro milagre de Jesus é para agora, para quem vive e convive nesta casa”. O Cardeal destacou a atualidade do sinal, garantindo que “Jesus se dispõe a resolver os problemas mas que não os quer resolver sozinho”. O Patriarca de Lisboa apelou, por isso, à busca da “verdadeira sabedoria” e à aspiração de uma “sabedoria mais completa do que a sabedoria humana”. E garantiu que só “Deus é a sabedoria completa”. “Sabedoria é saber e sabor. Saber não só de prática mas de saborear o que se conhece. A sabedoria já é divina tal é a sua proximidade com Deus”, sublinhou D. Manuel Clemente. “Para atingir a sabedoria toda a nossa água é necessária, toda a nossa correspondência é exigida para que as nossas talhas de água fiquem bem cheias”, observou depois. E a Domus Nostra existe também “para que cada uma parta dali com a sabedoria da relação pessoal com Jesus Cristo”. A solidão acompanhada É a ser apoio nessa busca que a residência universitária se propõe na sua missão. Nascida em 1965, e localizada muito perto da Cidade Universitária, a Domus Nostra é animada pelas Filhas do Coração de Maria. A proposta é a mesma há 50 anos: colaborar na formação, atenuar a dor da separação e fazer do edifício uma verdadeira casa para quem lá vive. “Fazer da residência a nossa casa”, repete, vezes sem conta, Madalena Lopes, a atual diretora. “É assim desde o início. O futuro vai ser igual”, garantiu. Agora são 87 as residentes que ali vivem. 87 estudantes que “partilham a solidão”, explica Madalena ao Jornal VOZ DA VERDADE. “Estão sós mas acompanhadas. Tudo está pensado para cada pág. 6 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal uma ter o seu espaço e o seu silêncio”, mas ao mesmo tempo “ter alguém com quem possa contar”. E aqui nada se impõe. Há espaço para que todas “sejam livres e façam as suas escolhas”, garante Madalena. “Mas claro, estamos sempre disponíveis para conversar”, frisa. Deus vai-se fazendo notar no dia-a-dia da casa. Na capela, nos momentos em que O celebram. “Deus não impomos. O lugar já fala muito por si”, conta Madalena. Amigas para a vida Prova disso são os sorrisos e boas recordações de Margarida, Joana, Teresa e muitas outras. Viveram ali no início dos anos 90. Entre uma garfada e outra, estão numa roda -viva de risos e recordações. Suspiram de espanto quando contam que já foi há mais de 20 anos que fizeram daquela a sua casa. Lembram a cumplicidade, a camaradagem, os incontáveis momentos caricatos. “Estávamos sempre acompanhadas, fizemos amigas para a vida”, garantem, entre muitos sorrisos. O banquete, que tinha começado com a Eucaristia, continuou de outra forma. No jardim, no refeitório e um pouco por toda a parte, gerações, estudantes e alunas diferentes partilharam a mesma refeição para celebrar 50 anos de uma casa que um dia foi de todas – a residência universitária Domus Nostra. texto por Clara Nogueira Clara Nogueira, in Voz da Verdade | Patriarcado de Lisboa 15 Novembro 2015  Parabéns Domus Nostra "Lar é onde o coração do Homem cria raízes." Henrik Ibsen Orgulho, é a palavra que me vem à cabeça quando penso nesta residência. Orgulho nas centenas de jovens mulheres que, como eu, "aterraram" na capital sozinhas e cheias de sonhos e expectativas na bagagem e que por aqui passaram antes de mim ao longo destes 50 anos. Orgulho nas extraordinárias mulheres que aqui se formaram. Orgulho nas amizades que aqui construi e continuarei a construir. Orgu- pág. 7 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal lho no passado glorioso, no presente maravilhoso e no futuro promissor. Orgulho em fazer parte desta numerosa família, que continuará a crescer por muitos e muitos anos. Orgulho em chamar a esta casa um lar. Muitos parabéns Domus Nostra! Maria Moreira | Bioquímica UNL | 2º Ano  Guardo muito desses anos... "...voltar ao local que foi casa quando a que era minha estava longe", obrigada Filhas do Coração de Maria. Foi bonita a festa, Fiquei contente E ainda guardo renitente Um velho cravo para mim A banda sonora destes anos passados no Domus Nostra foi feita de MPB (música popular brasileira) e hoje veio-me a memória esta canção de Chico Buarque, entre tantas que se ouviam nos corredores vindas dos quartos de portas sempre abertas. Guardo muito desses anos… o acolhimento nos primeiros tempos fora de casa... as amigas que hoje são de sempre e das partilhas do que a vida sempre nos desafiou... e sim, as contestações de quem luta pelo que acredita. Queridas FCM, muito muito obrigada pela vida dedicada a este caminho que se cruzou com as nossas vidas para sempre. Bem hajam e essa para mim será sempre a Domus Nostra! Maria Manuel Costa (Ex-aluna) pág. 8 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal  O que é ser Finalista Ser finalista não é acabar. É começar. É não ter limites. É querer ser grande e não apenas gente, Ter o mundo inteiro pela frente! É ter medos escondidos mas muitos já vencidos. É ter perguntas mas também algumas respostas, Sentir a responsabilidade a pesar nas costas. É ser todas estas memórias. A menina e a mulher. É chorar o que não volta, A ânsia pelo que aí vem. É ser uma história. É ser futurista. Isto é ser finalista! Catarina Pedro | Medicina FMUL | Finalista  Postal A vida começa com aquele pequeno choro de sentirmos o ar a entrar nos nossos pulmões, com aquele sorriso seguido de lágrimas de alegria da nossa mãe, com as gargalhadas e abraços da família, com a euforia de quando dizemos a primeira palavra ou quando damos o primeiro passo. Nos primeiros anos de vida as pessoas que mais nos rodeiam são a família. E com eles aprendemos a rir, a chorar, a ser teimosos quando precisamos de o ser, a partilhar, a aproveitar o melhor da pág. 9 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal vida, a sermos caridosos e acima de tudo a sermos nós mesmos. E é assim que, com a família ao nosso lado, damos o primeiro passo para a nossa aventura de uma vida. Entramos para a creche e criamos aquela amizade que na altura nem fazemos ideia que nos ficará para vida enquanto as outras se vão perdendo. Os anos vão passando, assim como o mudar de escola, o conhecer novas pessoas, adquirindo uma nova mentalidade, uma nova maneira de ser e de ver o mundo. Até que o grande passo se dá. Escolher para onde vou. O alívio que é saber que podemos seguir em frente, o stress de fazer as malas porque não sabemos muito bem que levar, três a quatro horas de viagem e muita ansiedade, antecipação e expectativa. A vontade de nos tornarmos maiores e provarmos que conseguimos vencer os desafios do mundo para, quando chegarmos, percebermos a saudade que fica de saber que durante três anos os fins-de-semana em casa vão-se tornar uma raridade. O jantares em família, os cafés com os amigos, o ir almoçar à avó todas as semanas, as festas de aniversário e as festas, por tudo e por nada, só porque nos apetece. Portanto para diminuir a distância e a saudade porque não um postal? Um postal que contenha a minha alegria. Um postal que contenha uma surpresa. Um postal que fale sobre o dia. Um postal que deseje felicidades. Um postal que, apesar de não passar de um pedaço de papel, contém toda a saudade e gratidão de me terem dado esta oportunidade e acompanhado nesta fase da minha vida. Inês Faria | Escultura | Finalista  Um Dia Acordou... Vestiu uma camisola com uns bonecos que ela gostava, calçou as sapatilhas e agarrou no casaco. Olhou-se ao espelho. A miúda que aparecia no reflexo tinha um longo dia pela frente. Tinha uma missão a cumprir, missão de certa forma desconhecida, num lugar desconhecido e com pág. 10 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal gente desconhecida. Lá foi, um pouco à nora, mas assim tinha de ser. Chegou… Rapidamente se cruzou com imensas caras novas. Foi-se instalando, foi-se ambientando, foi-se familiarizando, foi calmamente começando a trabalhar na sua missão, e quando se apercebeu, já estava na hora do almoço! Na parte da tarde, as coisas complicaram. Que missão! Até choveu, e para ajudar, trovejou! Mas como a mãe sempre lhe dissera, os trovões acalmam a tempestade, e o sol lá voltou a surgir, deitado sobre o horizonte, a indicar que se aproximava o fim do dia, o fim da missão. Voltou… a casa, finalmente. O dia tinha sido realmente longo e complicado. Por um lado sentia -se cansada, por outro, tinha cumprido o suposto. Das pessoas com que se foi cruzando, algumas só as viu de manhã, outras viu-as durante todo o dia, e outras só as conheceu à tarde, mas ainda bem. Olhou-se ao espelho. A miúda que aparecia no reflexo, até que era a mesma. Mas, já não calçava as sapatilhas, nem tinha a camisola dos bonecos. Tinha uns botins de camurça, vestia uma camisa branca com riscas pretas, e em vez do casaco, tinha uma bata branca sobre os ombros. Tal foi o espanto, que arregalou de tal forma os olhos, que se desenharam na testa, umas linhas a querer imitar as da mãe, como que se o dia tivesse querido deixar assinatura. Assim se apercebeu que um dia tinham sido 6 anos… Deixou fugir uma lágrima, que foi deslizando calmamente pela face, e se desfez num grande sorriso. Inês Gonçalves Nunes | Medicina FML | Finalista  Segunda Casa Não demorou muito tempo até que me sentisse parte integrante desta casa que é a Domus. Do meu ponto de vista, esta casa carrega consigo boas energias que envolvem todas as pessoas que nela residem, proporcionando assim um ambiente agradável e equilibrado, o qual contribui para que todas nós possamos usufruir da melhor maneira possível a nossa experiência académica. Este é um lugar de estudo, principalmente, mas acaba por se tornar num espaço onde se festeja a alegria de pág. 11 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal viver e se partilha cultura e sabedoria. Aqui dentro sinto uma energia benéfica, genuína e libertadora de tal modo que me permite ser eu própria. Aqui dentro sinto-me como se estivesse numa segunda casa, pois o ambiente que se sente é acolhedor e envolvente, fazendo por isso jus ao próprio nome – Domus Nostra. Filipa Branco | Estudos Europeus FLUL | Finalista  Obrigado! Parece que foi ontem que entrei pela primeira vez na Domus Nostra! Cheguei com alguns medos e inseguranças, com a incerteza se me iria adaptar ou não à minha nova casa… Mas rapidamente percebi que a Domus era o sítio certo para mim e que me iria ajudar muito neste longo percurso. Guardarei para sempre recordações muito felizes destes seis anos… Agradeço todas as amizades que construí, tudo o que aprendi e cresci e toda a tranquilidade e segurança que a Domus Nostra sempre me transmitiu… O meu muito obrigado! Sofia Vaz Pinto | Medicina FMUL | Finalista pág. 12 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal  Um Laço para a Vida “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” Antoine de Saint-Exupéry Nunca esta frase me fez tanto sentido. Quando penso nestes últimos cinco anos na Domus Nostra penso em trabalho, esforço, dedicação, muitas noites mal dormidas, programas e saídas recusados para ficar a estudar mas acima de tudo, penso no melhor que ganhei durante este tempo: as grandes amizades que aqui construi. Amizades conservadas e fortalecidas ao longo deste período, a par com todas as dificuldades e alegrias que surgiram no meu caminho. Juntas partilhámos tudo: conquistas (mesmo as mais pequeninas e insignificantes), gargalhadas mas também dificuldades e preocupações. Lembro-me do meu primeiro ano, o mais difícil, aquele que mais me desafiou. Foi uma grande mudança para mim, sair de casa dos pais aos 18 anos, “atravessar o Atlântico” para estudar numa cidade tão diferente daquela em que eu sempre vivi, separar-me da minha família e saber que só os podia ver de 2 em 2 meses, custou-me horrores! Ainda hoje quando penso nisto sinto um aperto no coração, e pergunto-me como fui capaz de me separar deles? Dos meus pais? Do meu irmão que na altura tinha apenas 5 anos e perder todo o seu crescimento? Na realidade, agora sei como é que consegui superar tudo isto, foi graças à segunda família que construi aqui. Quando falo em segunda família não estou a exagerar muito menos a florear o assunto, estou mesmo descrever aquilo que sinto quando penso nas minhas amigas. Sei que é a mais pura das verdades quando passar três meses sem elas custa tanto quanto passar três meses sem a minha família de sangue. pág. 13 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal Acabo de regressar de uma das melhores experiências da minha vida, um estágio de três meses em Milão. Elas sabem que passei um ano falar disto e a dizer que não queria ir porque tinha receio de não me adaptar, de não gostar da cidade, dos professores e dos colegas. Elas insistiram sempre e deram aquele “empurrão” que faltava, que falta sempre na altura em que temos de tomar uma grande decisão nas nossas vidas. Lembro-me perfeitamente da despedida, lembro-me que disfarçado entre sorrisos e desejos de boa sorte estava uma pequena mágoa por deixá-las, eu diria até uma ligeira saudade que foi crescendo e crescendo ao longo destes últimos meses. Mas foi aí, nesse preciso momento, que percebi como estas amigas eram As Amigas, aquelas pessoas que conseguiram preencher a falta da minha família e que sem me aperceber tornaram-se minhas irmãs de coração. Aquelas pessoas a quem eu contava o meu dia ao jantar quer fosse bom ou mau, a quem eu contava as novidades até os “escândalos máximos”, que ficam felizes com as minhas vitórias mas também me consolam quando alguma coisa corre menos bem, são o meu amparo! As pessoas a quem eu posso recorrer e confiar de olhos fechados! E por isto agradeço à Domus Nostra, por construir este laço que nos vai unir para sempre, por me ter dado amizades que vão durar uma vida! Sim, uma vida, porque nos imagino senhoras muito giras de 70 anos e cabelo grisalho a tomar chá e a contar as peripécias dos netinhos. Por tudo isto e muito, muito mais, Obrigada! Tânia Oliveira | Farmácia FFUL | Finalista  Esta Casa que será sempre Nostra Seis anos de Domus Nostra. Um deles, no 312, e os restantes na porta ao lado, o 313. Foram mesmo seis? Sim, seis. Multiplicados por dezenas de rostos e por centenas de histórias. Seis ricos anos que, não fosse esta Casa, não teriam sido tão fartos. Todas nos recordamos daquele nervoso miudinho que começa a despontar, no momento em que nos deparamos com a porta daquele que será o nosso futuro quarto – o nosso e o de mais duas desconhecidas. Estacamos o passo. Será que está lá alguém? Respiramos fundo, colocamos o nosso me- pág. 14 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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o P os tal lhor sorriso e entramos, confiantes. “A confiança que temos em nós mesmos, reflete-se, em grande parte, na confiança que temos nos outros.” (François de La Rochefoucauld) Poucos minutos depois, já tinha um batalhão de veteranas a entrar quarto adentro: “Caloira, apresente-se! Queremos papéis! Um cada uma! Nome, curso, etc. até amanhã! Está à espera de quê para escrever!?”. Entravam e saiam, umas atrás das outras. Ao jantar, o mesmo corrupio: “Mas onde é que se vai sentar? Nada disso, tem de vir para aqui. Onde houver lugar, é onde se senta, seja ao pé de veteranas, de híbridas ou de caloiras”. A verdade é que, por entre atividades, jantares e pequenos-almoços, em poucos dias, já conhecia quase toda a gente. Raramente estava sozinha. E, sem me aperceber, o ano já ia a meio. “O sinal da juventude talvez seja uma extraordinária vocação para as felicidades fáceis”. (Albert Camus) Hoje, seis anos e três direções depois, guardo com saudade as idas a meio da noite ao “outro lado” – e as bolachas que lá havia…; a passagem “secreta” na sala da cave; o cheiro das torradas (por vezes, mais torradas que o desejável) do pequeno-almoço; o entusiasmo com as pistas para as afilhadas; as buscas desesperadas por alguém que quisesse sair na mesma noite, porque só abririam a porta a determinada hora da madrugada, se reuníssemos, pelo menos, oito a dez pessoas; as partidas “inocentes” com despertadores a tocar, noite fora, no quarto do fundo; os convívios a comer gelado no terraço; as idas aos aviões; as idas ao Cup na 6.ª feira à noite; as idas ao Modelo/Continente Bom-Dia; os sustos à D. Júlia; a “amiga secreta” no Natal; o dia da sobremesa! – e a desilusão quando era gelatina… Enfim. Estes e outros são pequenos tesouros: momentos felizes, genuínos, desinteressados, espontâneos, que fluíram na vida de cada uma, com maior ou menor intensidade, na passagem demasiado breve por esta Casa que será sempre Nostra. “Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante.” (Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho) Joana Guerreiro | Mestrado Direito FDUL pág. 15 | www.domusnostra.net 2015/16 |

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