Jornal Perspetiva

 

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Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas João de Araújo Correia, Peso da Régua

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Caros leitores No final do ano letivo, apresentamos mais uma versão do jornal do Agrupamento de Escolas. Tentando constituir uma montra das capacidades dos grupos profissionais que constituem a nossa comunidade, publicamos textos de opinião, resultantes da investigação e da criatividade dos nossos alunos, assim como textos noticiosos da vida escolar e outras tipologias. Não tem sido fácil concretizar o projeto, que tem sofrido condicionalismos de vária ordem, nomeadamente em termos horários e de articulação entre as várias unidades orgânicas do Agrupamento. No entanto, não quisemos deixar de assumir o compromisso, pelo que vimos agora fazer-vos chegar uma panorâmica do trabalho desenvolvido. A equipa deste jornal agradece a todos os colaboradores que tornaram possível esta publicação. Peso da Régua, maio de 2016 A equipa responsável 1

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA O amor Desde a pré-história que o ser humano tem sentimentos por alguém ou por coisas que têm um valor sentimental específico. Este sentimento, que costumamos apelidar de amor, será apenas um fenómeno sentimental ou terá também influências biológicas e químicas? Existe atualmente uma ciência, chamada de Neurociência, que tem vindo a explicar o “amor” sob uma perspetiva química. A doutora Helen Fisher, professora de antropologia na Rutgers University e investigadora do comportamento humano, tem vindo a estudar a atração romântica e impessoal há cerca de 30 anos e afirma que, quando vemos a pessoa amada ou o nosso objeto de desejo, o corpo liberta substâncias como a oxitocina, que é uma hormona, e a serotonina e a dopamina, ambos neurotransmissores. Quando a pessoa vê o ser amado, ocorre uma ativação no nosso sistema límbico (o sistema límbico compreende todas as estruturas cerebrais que dizem respeito às emoções, memória, inteligência, etc.), fazendo com que o cérebro segregue substâncias como a dopamina e a serotonina, que provocam reações muito fortes. Ao ver o objeto de desejo, a produção de dopamina e serotonina aumenta, associando-se a primeira à energia excessiva, euforia e atenção focada no ser amado, enquanto a segunda se associa ao aumento da felicidade que a pessoa sente consigo mesma. Será o amor um vício? Uma pergunta que vários investigadores se têm colocado. Sim, o amor pode ser considerado um vício, pois a produção de dopamina, quando aumenta, pode provocar dependência, euforia e interesse, que são sintomas muito parecidos aos de um vício. Portanto, do ponto de vista científico, o amor é um fenómeno neurobiológico complexo, baseado em atividades cerebrais denunciadoras ou ilustrativas de confiança e prazer, atividades estas que envolvem um número elevado de neurotransmissores químicos. Concluindo, o amor é definitivamente um sentimento que predispõe o bem de alguém, é um sentimento de afeto ou extrema dedicação, um sentimento que nos impele para o objeto dos nossos desejos e uma adoração por alguém ou alguma coisa, mas essa adoração e esse afeto têm uma explicação científica e biológica. Ana Novais – 12.º B 2

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Felicidade “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.” Érico Veríssimo São inúmeras as designações de felicidade com as quais nos vamos cruzando por aí e dando de caras no nosso quotidiano. Mas afinal, qual será o verdadeiro significado da palavra felicidade? Originária do latim felicitas, felicidade quer dizer “estado de satisfação; estado de contentamento; sorte; êxito; bem-estar…”. Será esse o verdadeiro sentido da palavra? Na minha opinião, a felicidade é de facto o bem-estar e a satisfação presente na vida de qualquer pessoa, embora existam muitas opiniões que vão contra esta maneira de pensar. A partir daqui, podemos ter em conta dois tipos de felicidade, tipos que são os mais comentados e argumentados por toda a sociedade. De um lado temos a felicidade partilha. Quer isto dizer que se considera que a felicidade só é verdadeira, caso seja partilhada. Situação que, a meu ver só ocorre dado que a pessoa em questão se vê incapacitada de alcançar a felicidade por conta própria, ou seja, está dependente de uma outra pessoa para se sentir completamente realizada e em pleno bem-estar. Podemos verificar este tipo de situação, por exemplo, em jovens raparigas e/ou rapazes que vêm o amor como a única saída para se sentirem bem com eles próprios e, por conseguinte, agem somente em função de encontrar alguém que permaneça junto deles no dia-a-dia. Do outro lado temos a felicidade por conta própria. Quer isto dizer que, não descartando a primeira ideia de felicidade partilhada, considera-se que a felicidade pode e deve também ser construída com base nos feitos pessoais, sem depender de qualquer força exterior para atingir o maior estado de satisfação. Ou seja, devemos dedicar-nos e trabalhar sobre aquilo que é realmente importante para nós e tentar sempre fazer o melhor possível, mas aqui sem procurar os outros para isso. Por exemplo, no trabalho, devemos ter em conta apenas o nosso esforço e não tentar suportarmo-nos noutra pessoa para atingir o lugar desejado. Com efeito, podemos verificar realmente que existem vários tipos de felicidade, mas o verdadeiro é e será sempre aquele que consta no dicionário… A partir dele é que podemos criar os nossos próprios conceitos. Relativamente ao que eu penso, vejo-me dividida entre os dois ‘conceitos’ referenciados acima, agindo sempre em função dos dois, dependendo da situação com que me deparo. Ana Isabel Almeida, 12º D 3

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Sonho Os sonhos são sucessões de imagens, ideias e sensações que ocorrem involuntariamente no nosso cérebro, durante certos momentos do nosso sono. Ao longo dos anos, muitos cientistas tentaram responder às mais variadas perguntas sobre o sonho, como “Porquê?” ou “Como?”, mas nunca se conseguiu chegar a um consenso definitivo. Durante a história da humanidade, houve várias teorias para explicar a razão do sonho. Culturas e religiões, como a grega ou a romana, consideravam os sonhos como sinais divinatórios e que eram previsões do futuro. Sigmund Freud, que influenciou fortemente o campo da psicologia, afirmou que os sonhos eram uma representação de desejos e pensamentos inconscientes. Em A Interpretação dos Sonhos (1899), Freud desenvolveu uma técnica psicanalítica para interpretar os sonhos. Há pessoas que dizem sonhar muito, outras afirmam que, praticamente, não sonham, mas, em média, cada ser humano passa duas a três horas a sonhar, podendo ter três a cinco sonhos. Cada um de nós pode passar, durante a sua vida toda, seis anos a sonhar. O facto de muitas pessoas não se aperceberem disto é porque, passados 10 minutos de termos um sonho, esquecemo-nos de mais de 90% deste. A ciência que estuda tudo o que diz respeito aos sonhos é a onirologia. Através desta, descobriu-se que existem várias fases durante o nosso sono. Os nossos sonhos são mais intensos na fase REM (Movimento Rápido dos Olhos). Nesta parte do sono, os nossos olhos movimentam-se rapidamente e a atividade cerebral é bastante elevada, sendo semelhante à de quando estamos acordados. A única diferença é que o cérebro envia sinais para a medula espinal, paralisando, temporariamente, o nosso corpo. Um papel importante que o nosso cérebro desempenha durante o sono é descarregar o excesso de informações. Quando sonhamos, aquele tenta resolver problemas que encontramos no nosso dia-a-dia e certas regiões do mesmo usadas na aprendizagem são estimuladas. Está provado que pessoas privadas de sono REM apresentam menor capacidade de aprendizagem do que o normal. Apesar de continuarem a existir inúmeras teorias e contínuas pesquisas sobre o sonho, este tema é, ainda, um dos grandes mistérios sobre o funcionamento do nosso corpo, pois continuamos a não ter a certeza sobre a razão da sua existência. Inês Marques – 12.º B 4

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Por vezes sentimos dificuldade em controlar o curso da nossa mente. Quando se analisa ou reflete sobre determinada situação, hipotética ou real, esse determinismo é muitas vezes efémero. Por possuírem semelhanças ou serem opostas, a uma ideia segue-se outra, e outra, e outra ainda. Tratar-se-ia de um raciocínio se fosse organizado – mas o problema reside na desenfreada correria em que o pensamento se pode tornar, tal como afirma a psicóloga Isabel Leal. Parecem rebentos a brotar uns dos outros, rivalizando, qual deles o mais súbito, largo e espaçoso. Penso que todos passámos por isso nalgum momento, mesmo que não nos tenhamos apercebido, porque a mente não se fixou ou direcionou para temas menos comuns à nossa reflexão. No entanto, se isso acontecer, os rebentos vão alastrar a uma velocidade tal que é impossível não reconhecermos que a liberdade de pensamento está a trair-nos, levando-nos para temas mais recônditos, que receamos mostrar e ponderar. Àquilo que inconscientemente escondemos até de nós próprios. É nessas ocasiões que mais damos pelo que se considera “pensar de mais”, embora eu não concorde que em situação alguma o pensar está em demasia. Acredito que possa não estar orientado, contudo, e que constantes exercícios de reflexão e introspeção podem dar cabo da sanidade de qualquer um – o que não significa, todavia, que não se deva refletir com determinados limites. Impor limites a uma incontrolável onda de pensamentos parece impossível, pelo menos da maneira como foi agora descrita. Talvez seja quase incontrolável, afinal. Há quem sofresse por não conseguir controlar o pensamento, mas também não fazia nada para melhorar isso. Há que saber pensar. Existe uma miríade de métodos, cada um mais natural que o outro, para encaminhar o foco da mente. Tirar um tempo para a deixar vaguear, percorrer tudo o que bem lhe apetecer e inventar todas a possibilidades - os temas dolorosos também merecem a devida e oportuna reflexão. Meditar, eliminando qualquer vestígio de pensamento. Treinar a concentração, dedicando-nos a atividades que exijam toda a nossa atenção. Quantos outros adequados a cada um não existirão. E pensar que estamos, tu e eu, a pensar sobre o pensar as coisas quotidianas e mundanas. É só tomar iniciativa: se o pensamento é inerente ao ser humano e faz de nós quem somos, os dois têm de aprender a coexistir. Isabel Gonçalves/nº14/12ºB 5

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Vida para além da morte Todos vivemos neste mundo com um objetivo e com uma dávida: viver! Mas, antes de tudo, porque morremos? Porquê parar a nossa felicidade? E a troco de quê? Morrer é ridículo, é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. E, acima de tudo, será que existe vida para além? Será que podemos reiniciar a nossa vida? Para alguns, vida para além da morte era e é apenas em filmes científicos, mas hoje em dia torna-se cada vez mais real e há provas verídicas que o confirmam. Pensemos assim: se todos havemos de morrer um dia, como estaremos nesse além da vida? Porque, sejamos sinceros, ninguém irá ficar cá de semente. Será que vamos ficar armazenados? Ou diante de um trono divino, em adoração, pela eternidade afora? Ou até mesmo sentados num beiral de uma nuvem branca brilhante tocando harpa e a falar com os nossos amigos? E será que a natureza dinâmica, como a do ser humano, iria suportar um estado de inatividade, inócuo e vazio para todo o sempre? Acho que ninguém fica vagueando no espaço como uma alma penada. Todavia, é certo que cada um escolhe o seu destino. O nosso corpo físico permanecerá sempre na Terra, e essa energia é libertada para o Universo, mas a nossa alma irá persistir sempre connosco, cabendo a cada um de nós fazer o mais acertado ao longo do percurso da nossa vida. Ou seja, depois de morrermos, viajamos para um plano subtil de existência como o Céu, o Purgatório e até mesmo o Inferno, dependendo dos nossos méritos, dos pecados, do nível espiritual e da nossa crença. Ninguém sabe o que realmente nos acontecerá quando partirmos, e esperemos que seja para um mundo melhor, sem maldade e a cor-de-rosa, em que possamos fazer tudo o que nos apetecer sem termos restrições. Acaba por ser uma incógnita, da qual não obtemos resposta, que se prolongará até a nossa vida se apagar de vez e descobrirmos o que realmente se irá passar. Ana Margarida Maduro – 12.º B 6

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA ESTADO ISLÂMICO Podia ter sido apenas mais uma noite de sexta-feira, na qual as pessoas aproveitavam para descansar após uma longa semana de trabalho ou então para se divertirem num bar, num passeio pela praça, num concerto ou a assistir a um jogo de futebol… Assim se vivia em França, mais precisamente na capital, Paris. Conhecida como sendo a cidade do amor e das luzes, esta caracterizava-se também pela sua movimentação. No dia 13 de outubro do ano corrente, o relógio marcava as 21 horas e 20 minutos quando se acabava de instalar o terror na capital de França... O som da banda Eagles of Death Metal havia sido abafado pelo barulho ensurdecedor das armas que disparavam sobre dezenas de pessoas que assistiam pacificamente a mais um concerto, no reconhecido café-bar Bataclan. 80 mortos e mais de uma centena de feridos, foram os resultados caóticos deste atentado por parte do Estado Islâmico sobre pessoas inocentes e que em nada interferiam com a sua religião. Como se não bastasse, para aumentar ainda mais a dor daqueles que acabavam de perder os seus entes queridos, este foi só o primeiro de muitos dos ataques que estavam planeados por parte do ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) que, infelizmente, atuou em mais uns quantos países. Mais homens-bomba, mais granadas, mais atiradores… Quer isto dizer que se sucederam mais atentados, mais mortos, mais feridos, mais dor, mais tristeza e menos luz… A Torre Eiffel apaga as luzes em memória daqueles que acabavam de partir e aquela que era a cidade do amor e das luzes passava a ser a cidade do terror, do medo e da agitação. Precisamente uma semana depois, as pessoas continuam a acender velas e a colocar flores por aqueles que já não se encontram entre nós, e usam este gesto como forma de combater aqueles que nada sabem sobre amor ao próximo e se baseiam em meras futilidades para a concretização destes atos. Este problema não afeta só a França, nem a Europa, mas sim todo o mundo. Vai de encontro a todos os valores, normas e princípios pelos quais a sociedade ocidental se rege. Por isso, devemos pôr termo à estupidez humana, ou seja, ao Estado Islâmico. Lutemos, juntos, pela liberté, egalité, fraternité! Por todos os países, por todos os continentes, lutemos por um mundo melhor. Ana Isabel Almeida – 12.º D 7

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA O que eu faria com os 10 mil euros da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira no município do Peso da Régua A aproximadamente 150 quilómetros da nossa localidade, existe uma cidade, com relativamente o dobro da nossa população, que aposta nos jovens, colocando-lhes em mãos as decisões a tomar acerca do meio que os envolve, a fim de promover a actividade juvenil e desenvolver as capacidades dos mais novos… não fossemos nós os responsáveis pelo futuro que irá marcar a nossa história. Deste modo, a Câmara Municipal da cidade pertencente ao distrito de Aveiro disponibiliza anualmente, há mais de 2 anos, um orçamento de 10 mil euros sob a tutela de um(a) autarca eleito(a) a partir de uma votação. É, de facto, uma prática sobre a qual devemos reflectir pois, para além da confiança depositada nos jovens por parte deste órgão de governação autárquica, é ainda de admirar a coragem, empenho e força de vontade de que são portadores estes jovens com idades que rondam os 16 anos. Mas… O que é que eu, aluna do curso Científico-Humanístico de Línguas e Humanidades, de 17 anos, faria com esta verba? Tendo em conta a localização de que beneficiamos, o processo de implementação deste montante seria, antes de tudo, apostado na exploração desta que é caracterizada como a capital internacional do vinho, criando atividades e/ou postos de emprego que apelassem à criatividade dos mais novos e que despertassem o interesse e a vontade de conhecer aquilo que desenha a cidade da qual fazemos parte. O objectivo de tudo isto seria alargar a predisposição para o empreendedorismo, a fim de nos tornarmos jovens autónomos no caminho para a vida adulta. Uma outra medida passaria pela disponibilização de meios de transporte regular que circulassem não só pela cidade, como em todas as freguesias que a delimitam. Isto com o propósito de fomentar o convívio entre os adolescentes, na medida em que os níveis de interacção fariam aumentar a comunicabilidade e o progressivo aumento de bem-estar e consequente ânsia de fazer mais e melhor em prol de todos. Surgiriam mais oportunidades para debater e discutir aquilo que cada um pensa e idealiza e quiçá a própria concretização das suas ambições. A reabilitação e criação de espaços, como por exemplo, o cinema ou um centro cultural desempenharia um papel igualmente significativo, visto que vivemos no tempo das tecnologias e descortinar conhecimentos além das quatro paredes que formam o nosso quarto tornar-se-ia uma clara vantagem, aumentando a visão que temos sobre o mundo. Em conclusão, não pondo de parte a preservação dos espaços verdes e de áreas rurais, estes seriam os principais pontos sobre os quais me debruçaria e investiria os 10 mil euros disponibilizados pela minha Câmara Municipal. Posto tudo isto, apelo à reflexão acerca desta temática, a fim de demonstrar que até as cidades pequenas são feitas de sonhos grandes e possíveis de realizar. Ana Isabel Almeida 12.º D | número 3 8

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Na língua de Camões Os museus estão fechados, as salas de cinema esvaziam-se, os livros empoeiram-se nas prateleiras. Publicada em 1572, a obra Os Lusíadas conserva a atualidade e a agudeza das críticas que nela se vão deslindando. Não temos só louvores no discurso épico de Camões; está latente um lamento de um poeta que não encontra eco da obra que faz, obra essa que coroa de louros o país que condena à morte a sua própria cultura. Ensinamos os nossos jovens a olhar para a arte como algo acessório, bastante agradável para distrair o espírito dos verdadeiros assuntos, dos problemas a sério, daquilo que, no fundo, se diz como importante e útil para a sociedade. Pouco a pouco, deixamos o quotidiano digerir-nos, o tempo foge-nos, não estica para ler um livro ou até para ouvir um álbum do princípio ao fim, agora podemos comprar faixas avulsas de coisa nenhuma. E, claro, já damos mais valor às obras públicas do que às obras-primas. Somos herdeiros de uma cultura grandiosa e, todavia, estamos continuamente a boicotá-la. Porque Portugal continua a contar sobretudo naquilo que é contabilizável. A arte não se pode medir em números e é por isso que ela merece um respeito especial. E a arte nunca foi tratada como sendo especial em Portugal, no entanto, sempre o foi, sempre levou ao mundo o nome desta nação que se apequena quando o assunto é apoiar os embaixadores da alma. É hora de trocar a televisão por teatros e cinemas, exposições, museus, galerias, porque afinal não podemos amar o que não conhecemos. Margarida Almeida 12.º C 9

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA “Descobrir mais palavras, quer palavras novas, quer palavras caídas em desuso, torna mais poderosa a nossa capacidade de comunicar.” Vantagens de conhecer cada vez mais palavras, importância de usar um vocabulário diversificado Um vocabulário diversificado, bons hábitos de leitura, um dicionário à mão... são tudo coisas que, infelizmente, faltam, e muito, aos jovens de hoje em dia. Há palavras que estes nem conhecem e, consequentemente, fazem cara de espanto quando aparecem numa frase ou num texto. Isto porque estão muito reduzidos ao vocabulário corrente e das redes sociais (“tipo”, “bué”, “tás a ver”) e esquecem-se, quase por completo, das palavras que são realmente ricas e importantes. Hoje em dia parece que os adolescentes nunca querem adquirir conhecimento sobre nada, contentam-se com o seu vocabulário reduzido e recusam qualquer tipo de ajuda como, por exemplo, uma boa leitura. Contudo, querendo ou não, estes pupilos irão precisar, e muito, de um vocabulário mais abrangente, pois terão de ler inúmeras obras, desenvolver respostas, fazer apresentações orais e, como é óbvio, não vão encontrar (nem nenhum bom professor aceitará) a linguagem que falam e se vê cada vez mais nas redes sociais. Mas, felizmente, nem todos os jovens pensam desta forma. Ainda há quem acredite que as obras fantásticas que nos foram legadas são um bom estímulo ao conhecimento do vocabulário português! Cabe também aos pais incutir estes valores nos seus filhos, desde pequenos. Não os deixem em casa a jogar no quarto, quando os podem levar a uma biblioteca para requisitar um livro. Deixem-nos ter o “bichinho” dos debates para, assim, serem obrigados a explorar outras palavras, as “boas” palavras. Enfim, um vocabulário diversificado abre-nos as portas para o mundo do trabalho e o mundo da imaginação, ao mesmo tempo. Além disso, facilita a nossa capacidade de comunicação. Nós jovens, somos o futuro, Que nunca nos deixemos acanhar pelas “pobres” palavras que ouvimos e utilizamos, procurando saber e ler cada vez mais...e mais. Ana Fernandes, 9.º D 10

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Fala-lhes de batalhas de reis e de elefantes Mathias Énard nasceu em França em 1972, estudou persa e árabe e viveu largos períodos no Médio Oriente. É professor de árabe na Universidade de Barcelona, cidade onde vive atualmente. Mathias, para além de escritor, é também um ator e tradutor. Mathias é autor de cinco romances, como por exemplo La perfection dutir, Zona e Fala-lhes de batalhas de reis e de elefantes. Finalista e vencedor do Prémio Gouncourt, publicou também dois livros de ensaio. Comecemos por falar um pouco sobre a obra que eu li: Fala-lhes de batalhas de reis e de elefantes. Nesta obra, Mathias apresenta um pouco da bibliografia de Miguel Ângelo no ano de 1516, entre maio e julho. Ao desembarcar em Constantinopla, Miguel Ângelo sabe que enfrenta o poderio e a cólera de Júlio II, papa guerreiro. Mas servir o sultão de Constantinopla? Ora ali estava uma bela maneira de se desforrar do belicoso pontífice que o pusera na rua como a um indigente. E a soma oferecida pelo Grão-Turco é fantástica. O equivalente a cinquenta mil ducados, ou seja, cinco vezes mais do que o papa lhe pagara por dois anos de trabalho. Um mês. É tudo o que lhe pede Bayazid. Um mês para projetar, desenhar e iniciar a construção de uma ponte sobre o Corno de Ouro, que já tinha sido pedido por Leonardo da Vinci. Nesta obra, verifica-se a ocorrência de características que estudámos ao longo do ano no âmbito da disciplina de Português, no 10.º ano. Primeiramente, é notória nesta obra a existência de expressões relativas a Deus e à sua presença nas vivências do escritor, o que relacionei com a poesia trovadoresca, ilustrativa de uma época teocêntrica, nomeadamente nas cantigas de amor, onde encontramos este aspeto, por exemplo em “rogu’eu a Deus, que end’á o poder, /que mha leixe, si lhe prouguer, veer”, ou em “se Deus mi perdom” ou, ainda, em “Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal”. Já na obra de Mathias encontram-se alusões a Deus em expressões como “a sombra de Deus na terra” e “Meus Deus, tende piedade” (páginas 105 e 108). Podemos, ainda, associar este livro com Crónicas de D. João I, de Fernão Lopes, pois, no livro de Mathias, conseguimos visualizar que o autor mostra narra com uma minúcia reveladora, ou seja, dá relevância às características pormenorizadas, como é visível em “Dezoito pilares dos mais belos mármores, lajes de serpentina, embutidos de pórfiro, quatro arcos de volta inteira a sustentar uma cúpula vertiginosa”, “velas, candeia, duas moedas pequenas; caldo (hortaliça, temperos, pão, azeite) outro tanto; peixe frito, dois pombos, um ducado e, meio”, entre outros exemplos (páginas 37 e 41). Na Crónica de D. João I, utiliza-se o visualismo para dar importância a determinado assunto, apresentando pormenores que se destaquem. O diálogo é outro aspeto que se destaca, oferecendo movimento à narração e conferindo credibilidade. A mesma obra apresenta também diálogo, que confirma as duas coisas referias a cima. 11

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Esta produção de Mathias Énard pode ainda aproximar-se das Rimas, de Camões, de medida nova ou renascentista. Num capítulo da narração, constatamos a descrição da arte renascentista: “Quatro arcos curtos de um lado e do outro de um central com uma curva tão suave que é quase impercetível; assentam em fortes pilares cujas saliências triangulares rasgam as águas como bastiões.” No início da minha leitura, foi-me difícil entender o livro, devido ao facto de a narrativa ser um pouco confusa, mas após algumas páginas lidas, incrivelmente a obra tornou-se mais simples e comecei a entender o que tentava perpassar, embora não tenha muita ligação com o título, que me cativara para a escolha deste livro. Mesmo que no início tenha pensado em deixar de ler, ainda bem que não o fiz, pois, mesmo que a obra tenha uma narrativa emaranhada e tenha sido um pouco pesada, a princípio, depois a história torna-se agradável e recompensa o tempo gasto nela. Após ter de pesquisar tantas palavras que não sabia que existiam, apercebi-me de que ler um livro não é assim tão mau. Basta não desistir na primeira página, onde já se pode julgá-lo como chato. Não podemos desistir com facilidade, e isso foi algo que este livro me mostrou. E, claro, qualquer que seja o livro, pequeno ou grande, infantil ou mais “adulto”, isso não importa, pois todos têm algo a dizer, algo a mostrar-nos. Então, por que razão desperdiçar esta oportunidade? Gostei bastante do livro, embora tenha perdido vários dias nele, mas como tudo tem uma recompensa, isto não foi exceção. Inês Teixeira, 10.º C 12

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA O Nome da Rosa , de Umberto Eco No âmbito do projeto de leitura da disciplina de Português, a minha escolha recaiu sobre o autor Umberto Eco, nomeadamente na obra O Nome da Rosa. O Nome da Rosa, de Umberto Eco, tem como assunto principal as mortes que aconteceram num mosteiro, sendo estas misteriosas e indesvendáveis. O romance trata as mudanças económicas, sociais, políticas e religiosas ocorridas na Idade Média, época cujo pensamento era dominado pela Igreja. O autor do livro nasceu a 5 de Janeiro de 1932, em Itália, e morreu neste ano com 84 anos, em 19 de Fevereiro. Além de escritor, Eco era também filósofo, linguista e semiólogo. Em 2009, presidiu à Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha. Podemos mesmo afirmar que Umberto Eco foi uma das mais importantes figuras intelectuais da Europa. As suas principais obras foram O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault e O Cemitério de Praga, romances lançados em 1980, 1988 e 2010, respetivamente. Na sua obra mais mediática, O Nome da Rosa, Umberto Eco retrata a história de um mosteiro da Idade Média, onde aconteciam várias mortes misteriosas, assustadoras e estranhas, que tornavam o lugar assombrado. No meio dessa situação, estava William, um monge franciscano coadjuvado pelo seu aprendiz Adso, sendo estes chamados para solucionar todas as insólitas mortes de sete monges, em sete dias e sete noites. Na chegada à abadia beneditina, o monge e o seu aprendiz deparam com o corpo de um jovem numa circunstância que poderia indicar tanto assassinato quanto suicídio. Os investigadores encontram resistência dos demais membros do mosteiro, inclusive do Abade, o que torna todos os monges suspeitos de praticar os homicídios. William e Adso acabam por não encontrar o culpado, deixando assim o mistério das mortes por desvendar. Numa reflexão intertextual com uma obra do programa de Português, relacionei o livro O nome da Rosa com Crónica de D. João I, de Fernão Lopes. Ambas as obras tratam temáticas e tempos medievalizantes, sendo do género da tradição historiográfica. Tanto a crónica como o romance apresentam visualismo, dinamismo e coloquialismo, isto é, permitem ao leitor viver os acontecimentos, colocando-o perante o desenrolar das acções, e cativam-no com os factos narrados. Alem destes aspetos, podemos verificar a existência de pormenorização, marcada pelas várias figuras de estilo, sobretudo pela enumeração, mas também pela comparação, pela personificação, pela metáfora, pela antítese, entre outras. Recapitulando, O Nome da Rosa fala sobre várias mortes terríveis e indesvendáveis num mosteiro da Idade Média. O romance, tal como na crónica lopeana, apresenta um estilo visualista, dinâmico e coloquialista. O Nome da Rosa pode ser interpretado como tendo um caráter filosófico, próximo do metafísico, pois nele também se busca a verdade e a solução do mistério, a partir da investigação. Os crimes propagaram-se a partir da biblioteca do mosteiro, cuja riqueza ajuda a explicar o título do romance, O Nome da Rosa, uma expressão usada na Idade Média para demonstrar o infinito poder das palavras. Tendo em conta o exposto, aconselho toda a gente a ler esta obra, particularmente aqueles que apreciam tramas policiais, pois certamente, tal como eu, todos irão também gostar. João Ricardo Borges, 10.º C 13

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA O encontro que durou para além da vida Já há algum tempo me tenho perguntado sobre o que é um encontro e a sua finalidade, pois este dito cujo é uma coisa diária, porque nos encontramos todos os dias com algo ou alguém. Portanto, decidi definir “encontro” como uma reunião entre algo ou alguém, tendo em conta a sua finalidade. E a finalidade só pode ser boa, visto que muitas vezes a partir destes encontros podemos rever pessoas que já não víamos há muito e podemos também resolver problemas. O que me permitiu chegar a esta definição e ao seu objetivo foi uma história que me foi contada recentemente, sem sinais de veracidade mas, assim mesmo, gosto de pensar que tem uma pontinha de verdade. A história remonta para vários anos atrás e começa da seguinte forma: Num belo e calorento dia de verão, pelas oito e meia da manhã, uma menina de estatura média, de pele clara e com olhos verdes que faziam contraste com o seu longo e ondulado cabelo de cor castanha, despedia-se da sua mãe e do seu pai, entrando, de seguida, para o autocarro que tinha como destino a escola. Esta menina tinha o nome de Emma. Ela era estudiosa, carinhosa, inteligente, adorada por todos e tinha acabado de completar 16 anos. Emma nunca tinha namorado antes, pois era muito tímida e muito dedicada à escola e à sua comunidade, já que adorava ajudar os outros. Mas, já há algum tempo, ela começava-se a sentir diferente em relação ao seu companheiro de mesa, o alto e moreno John. Ele era um rapaz adorável, cavalheiro, inteligente e adorado por todos, especialmente as raparigas, e tinha também 16 anos. Eles começaram a passar mais tempo juntos e a partilhar mais informações um sobre o outro. Até que um dia John pede Emma em namoro. Sendo cavalheiro como ele era, preparou um belo jantar, com uma maravilhosa paisagem para realizar o seu pedido. Emma aceitou tão rápido como o acender de uma luz. John e Emma viveram felizes e apaixonados momentos. Cada dia que passava, eles amavam-se mais. Tudo estava a correr bem, até ao dia em que Emma e seus pais sofreram um acidente de viação, levando toda a gente a acreditar que todos tinham morrido. Quando John soube ficou destroçado e sem forças para viver. Vinte anos mais tarde, John tinha-se tornado dono de uma grande e sucedida empresa de advogados. Passado um tempo, uma mulher morena, de olhos verdes aparece na empresa para uma entrevista de trabalho. Quando John vê aquela mulher, as lembranças de Emma vêm à sua cabeça. A mulher cumprimenta John e é aí que ele percebe que a mulher com quem estava a falar era a única que ele tinha amado e que ainda hoje ama. Emma demorou um pouco a reconhecer John mas, quando viu que aquele homem era o seu John, saltou-lhe para os braços. Depois de perceberem que ambos se tinham reconhecido caíram em grande alegria. Eles conversaram durante horas e, nessa conversa, Emma diz-lhe que nunca teve coragem de voltar à sua terra natal, pois era muito doloroso reviver os trágicos momentos que tinha passado, e que o corpo que encontraram era de outra rapariga. Depois de uns dias, eles retomaram a sua história de amor, casaram e foram pais de dois lindos filhos. Eles amaram-se até ao último suspiro, literalmente, porque o amor deles era tão forte que ambos fecharam os olhos ao mesmo tempo, e foram enterrados lado a lado. Há quem diga que o seu amor ainda permanece e que, até hoje, não houve um amor tão forte e tão puro como o deles. Foi graças a esta história, que consegui entender o que é o encontro e aquilo que ele nos dá. Sei que é bom encontrarmo-nos. Sei que os encontros mudam as nossas vidas. Mariana Isabel Correia - N.º 25 – 11.º E 14

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Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, Peso da Régua _____________________________________________________________________________ Jornal PERSPETIVA Liberdade A liberdade pode ser vista como a independência do ser humano, representando a autonomia e a espontaneidade do indivíduo. No entanto, põe-se em causa aquilo que muitos entendem por liberdade e questiona-se, muitas vezes, se a liberdade poderá ser ilimitada quando vivemos em sociedade. A meu ver, é algo de que devemos desfrutar em toda a sua plenitude: a liberdade de escolher segundo a nossa vontade, a liberdade de agir desta ou daquela maneira, a liberdade de ser feliz. Pensemos no caso no caso de alguém a quem surge a oportunidade de ir realizar um dos seus sonhos, de partir para longe. Isto poderá implicar o sofrimento de outras pessoas. Porém, se esta pessoa estiver a pensar nas consequências dessa opção, não poderá seguir o seu sonho e ter a liberdade de ser feliz. Trata-se, então, de um exemplo de como a liberdade pode ser limitativa, uma vez que nem todas as consequências de agir livremente são positivas. A liberdade não pode ser encarada como algo que não tem limite e da qual podemos usufruir sem qualquer tipo de respeito, como, por exemplo, a liberdade de expressão. Nos meios de comunicação social levanta-se uma série de questões éticas acerca do que é publicado e das afirmações que são feitas. Por isso, é indispensável que o uso da liberdade de expressão seja feito de uma forma consciente, para que não haja difamação nem a chamada “invasão de privacidade”. Em suma, é importante que cada indivíduo respeite a liberdade alheia para que a sua seja igualmente respeitada. Para além disso, cada um tem de impor limites às suas próprias ações para que seja possível viver em comunidade. Como se diz vulgarmente: “a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros”. Carolina Monteiro N.º 7 – 12.ºA 15

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