Gazeta Valeparaibana

 

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Junho 2016

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Ano VIII - Edição 103 - Junho 2016 Distribuição Gratuita Vale do Paraíba Paulista - Litoral Norte Paulista - Região Serrana da Mantiqueira - Região Bragantina - Região Alto do Tietê História da Festa Junina e tradições Boa música Brasileira Cultura Educação Cidadania Sustentabilidade Social Origem da festa junina, história, tradições, festejos, comidas típicas, quermesses, dança da quadrilha, influência francesa, portuguesa, espanhola e chinesa, as festas no Nordeste, dia de Santo Antônio, São João e São Pedro, as simpatias de casa. RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site Origem da Festa Junina Existem duas explicações para a origem do termo "festa junina". A primeira explica que surgiu em função das festividades, principalmente religiosas, que ocorriam, e ainda ocorrem, durante o mês de junho. Estas festas eram, e ainda são, em homenagem a três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Outra versão diz que o nome desta festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem apenas a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina. De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial(época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal). Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha. Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas. Agora também no seu www.culturaonlinebrasil.net Baixe o aplicativo IOS Recomendados EDITORIAL SEM LENÇO NEM DOCUMENTO GenhaAuga – Jornalista MTB: 15.320 A Cigarra e a Formiga Maestro Luís Gustavo Petri Festas Juninas no Nordeste Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura. Além de alegrar o povo da região, as festas representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos que chegam ao Brasil para acompanhar de perto estas festas. Página 4 Luta de classes A História é cíclica? João Paulo E. Barros Página 5 O preconceito e a competência Mariene Hildebrando Comidas típicas Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural de milho verde, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bom-bocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais. Página 6 Crônicas e Poesias Genha Auga Principais tradições As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam. No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros. Já na região Sudeste é tradicional a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse. Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão. Fonte: suapesquisa.com Página 7 COMO TRABALHAR COM O LIVRO DIDÁTICO? Ivan Claudio Guedes Página 9 E muito mais... Textos selecionados Confira! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial SEM LENÇO NEM DOCUMENTO GenhaAuga – Jornalista MTB: 15.320 O Sol desponta cedo, seu calor e brilho chega ao auge e quando parece que sua força não tem fim, cai a noite. Comparado a isso, está nossa trajetória política que quando parece ganhar força vem a queda e cada vez mais viramos escoras petrificadas num passado sujo num futuro onde o relógio parece girar seus ponteiros para trás. A intenção de todos é sempre boa, mas o sentido na prática difere. Enquanto o objetivo do homem na sociedade é de constituir família, ganhar dinheiro para suprir a prole e alcançar posição social para garantir cultura e educação, na realidade conta com pouco e hoje quase nenhum retorno do seu próprio país ao qual se doou com suor e dedicação carregando uma falsa ilusão de que haveria um futuro melhor. Esses pais que colocaram nos filhos o maior sentido de suas vidas veem-se num abismo acompanhado da realidade de que não há receitas antigas e nem exemplos para mostrar. Repudiados pelas novas gerações, ironicamente, sentem-se atingidos pela mesma enganação sentindo na pele quase que a mesma imposição de uma ditadura que apenas ouviram falar.Mesmo assim, a sociedade procura afastar os obstáculos incentivando os jovens não abandonarem a luta para não terem que assistir, ainda mais, essa “descida”. Convencidos disso, brasileiros agarraram-se à ideia de encontrar a cada sucessor de um governo a esperança. A enganação tem feito carreira em nosso país e num jogo dissimulado, a cada dia, revelam-se delatores que apontam recebimento de propinas em todos os meios que cerceiam nossa segurança e nossos direitos, cada vez mais tolhidos por políticos, responsáveis pela justiça, imprensa que ao longo da história vem nos presenteando com doses fortes de imposições, fazendo os cidadãos rodopiarem impregnados por essa falta de ordem moral que abala a sociedade com poderosos que nos fazem ajoelhar a essa falta de caráter para atender às conveniências deles. A falta de confiança impera juntamente com a indignação. Mesmo os que ainda se salvam com sólida formação moral, acabam por verbalizar sentimentos de repúdio à classe dirigente cristalizando boa parcela da população aflita que, cada vez mais, “aperta o cinto”. Nesse contexto onde prevalece o bem material acima do valor moral desenhado pela miséria que afeta aceleradamente a maioria que acreditou em quem votou e que se revelam numa terrível corrosão de caráter que se propaga como uma metástase em função das mazelas que se desvelam a cada dia. Isso nos torna descrentes das instituições e agentes públicos, pois num país onde leis não são obedecidas, justiça que quase sempre age em favor da impunidade, violência extrema, improbidade na cobrança dos impostos. Pelo que nos devem moralmente, por um futuro que nos foi roubado e pela falta de zelo a tudo que nos pertence, o ânimo nacional amorteceu e estamos cada vez mais inertes e doentes moralmente. Quando se poderia imaginar que na pátria idolatrada o eleitor seria representado por engodos e mistificados pela propaganda mentirosa de tantos políticos que manifestaram o mau-caratismo com tantas falcatruas como às do sigilo de provas, desvio de verbas da merenda escolar, o desvirtuamento do esporte, obras superfaturadas, líderes de sindicatos financiados por partidos políticos, “mensalão”, implicados na “lava jato” “petrolão”, sucateamento da saúde, educação, cultura. Por aí vai e muito ainda deve estar por vir. Uma nação que sempre foi unida por festas, futebol, samba e carnaval, dividiu-se politicamente iludida em prol de grandes mentirosos. Conta-se nos dedos os poucos idôneos e éticos. É... Assim a vida do brasileiro virou um tormento, sem lenço nem documento. Responsabilidade Social - Estar em evolução é se sentir mudado e conectado, mantendo o que a atividade física propícia e compensando-a com um entendimento evolutivo e mental cada vez mais atual. - Muitas vezes é melhor viver errando, pois isso é quase sempre sinônimo de quem tenta fazer. A grande formação é derivada da quantidade e valorização diante dos obstáculos desafiados, enfrentados e que persistentemente poderão ser superados e vencidos. - Se o mundo foi contaminado pelo individualismo quando das oportunidades, classificando-se em blocos, de ricos e pobres, desenvolvidos e em desenvolvimento, resta-nos um caminho que não depende tanto do se enquadrar nesse ou naquele sistema, mas do se adequar unindo o que se quer com o que de melhor pode se fazer para ser parte disso no plano real. - O exercício da lógica, enriquece a produtividade e por conseqüência a qualidade evolutiva das nossas ações, fazendo-nos dar credibilidade e confiança aos próprios objetivos, que se iniciam sempre quando criamos manobras para solucionar ou contornar obstáculos. Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net CONHEÇA - BAIXE www.gazetavaleparaibana.com Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste projeto nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 3 Ecologia Saiba o que é, definição, importância dos estudos, seres vivos e o meio ambiente, conceito Definição e objeto de estudo Ecologia é uma ciência (ramo da Biologia) que estuda os seres vivos e suas interações com o meio ambiente onde vivem. É uma palavra que deriva do grego, onde “oikos” significa casa e “logos” significa estudo. Esta palavra foi criada no ano de 1866 pelo biólogo e naturalista alemão Ernst Heinrich Haeckel. A Ecologia também se encarrega de estudar a abundância e distribuição dos seres vivos no planeta Terra. Importância Esta ciência é de extrema importância, pois os resultados de seus estudos fornecem dados que revelam se os animais e os ecossistemas estão em perfeita harmonia. Numa época em que o desmatamento e a extinção de várias espécies estão em andamento, o trabalho dos ecologistas é de extrema importância. Através das informações geradas pelos estudos da Ecologia, o homem pode planejar ações que evitem a destruição da natureza, possibilitando um futuro melhor para a humanidade. Principais ramos Por se tratar de uma ciência ampla, a Ecologia apresenta vários ramos de estudo e pesquisa. Os principais são: Autoecologia, Sinecologia (Ecologia Comunitária), Demoecologia (Dinâmica das Populações), Macroecologia, Ecofisiologia (Ecologia Ambiental) e Agroecologia. - Teofrasto, botânico e filósofo grego do século III a.C., é considerado o primeiro ecologista da história. Ele foi o primeiro a pesquisar as relações entre os organismos e suas relações com o meio ambiente. CHUVA ÁCIDA O que é chuva ácida É um tipo de precipitação pluviométrica com presença de gases poluentes (derivados da queima de combustíveis fósseis) misturados com água, formando compostos ácidos (ácido sulfúrico e nítrico, por exemplo). Formação e efeitos Ela é formada por diversos ácidos como, por exemplo, o óxido de nitrogênio e os dióxidos de enxofre, que são resultantes da queima de combustíveis fósseis. Quando chegam à terra no formato de chuva ou neve, estes ácidos danificam o solo, as plantas, as construções históricas, os animais marinhos e terrestres etc. A chuva ácida pode até mesmo causar o descontrole de ecossistemas, ao exterminar algumas espécies de animais e vegetais. Causando a poluição de rios e fontes de água, a chuva pode também prejudicar diretamente a saúde das pessoas, provocando doenças do sistema respiratório. Este fenômeno tem crescido significativamente nos países em processo de industrialização como, por exemplo, Brasil, Rússia China, México e Índia. A setor industrial destes países tem crescido muito, porém de forma descontrolada, afetando negativamente o meio ambiente. Nas décadas de 1970 e 1980, na cidade de Cubatão (litoral de São Paulo) a chuva ácida causou muitos danos ao meio ambiente e aos moradores. Os ácidos poluentes lançados no ar pelas empresas, estavam causando muitos problemas de saúde na população da cidade. Foram relatados casos de crianças que nasciam sem cérebro ou com outros problemas físicos. A chuva ácida também causou desmatamentos significativos na Mata Atlântica na região da Serra do Mar. Estudos feitos pela WWF (Fundo Mundial para a Natureza) indicaram que nos países ricos o problema também ocorre. No continente europeu, por exemplo, estima-se que 40% dos ecossistemas estão sendo danificados pela chuva ácida e outros tipos de poluição. Ecologia Calendário Principais datas comemorativas 01 - Semana Mundial do Meio Ambiente 01 - Dia da Imprensa 05 - Dia da Ecologia 05 - Dia Mundial do Meio Ambiente 08 - Dia Mundial dos Oceanos 09 - Dia Nacional de Anchieta 11 - Dia da Marinha Brasileira 12 - Dia dos Namorados 12 - Dia Mundial Combate ao Trabalho Infantil 13 - Dia de Santo Antônio 14 - Dia Mundial do Doador de Sangue 17 - Dia Mundial de Combate à Desertificação 18 - Dia da Imigração Japonesa 19 - Dia do Migrante 20 - Dia do Refugiado 20 - Início do Inverno 21 - Dia do Profissional de Mídia 23 - Dia do Desporto 24 - Dia de São João 24 - Dia do Caboclo 25 - Dia do Imigrante 29 - Dia de São Pedro e São Paulo www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 4 Fala maestro A Cigarra e a Formiga "Existe arte à minha volta?" Tenho certeza que quando vocês o fizerem à primeira vista pode parecer que não há ou que há muito pouca arte em redor. Vamos exercitar um pouco. Falemos primeiro de pintura, desenho, ilustração. Olhem à sua volta e procurem um quadro. Acharam? Ótimo, aí está uma obra que foi imaginada, e executada por algum artista. Seja este quadro bonito ou feio ele é uma produção que demandou horas, talvez dias e muito conhecimento técnico do pintor ou desenhista. Não há um quadro perto? Talvez uma revista, um cartão ou mesmo uma nota de 20 reais. Em todas elas há um desenho, uma escolha de cores, um recorte. Nos seus celulares há ícones de seus aplicativos, há efeitos visuais, emoticons “fofos”. Tudo isso foi imaginado, criado e executado por artistas. A moldura daquele quadro, foi desenhada e executada por alguém. A estampa de suas camisetas, o formato de seus óculos, o desenho da letra que vocês estão lendo agora, o formato de seus sapatos, o enfeite do cabo de uma colher, a capa de um CD que vocês gostem, ou qualquer embalagem de qualquer coisa que vocês tenham adquirido há pelo menos um desenho, algo que foi criado por um artista. Falando de música, de sons. Música, onde ouvimos música? Hoje em dia podemos ouvir música em qualquer lugar. Qualquer que seja o gênero de música que você ouça ela existe pelo esforço, dedicação e talento de vários artistas. O poeta que escreve a letra, o compositor que escreve a canção, o arranjador que escolhe quais instrumentos e quando eles devem tocar, os músicos que a interpretam. Todos artistas… Ah! Vocês não estão ouvindo música? Olhem seus celulares! Cada toque diferente que vc escolhe para identificar seus amigos foi composto e executado por alguém, em cada joguinho com o qual vocês se divertem na sua pequena tela há uma música, cada novela, filme ou série que você assiste possui uma trilha sonora, cada jogo de futebol que você ouve usa uma música de abertura, ou uma micro-música que toca quando o locutor nos conta o tempo e o placar do jogo. Cada uma dessas pequenas obras são criadas por artistas. artista não é só a celebridade, há uma infinidade deles em lugares que vocês nem imaginavam. Para se tornar qualquer um desses artistas, que proporcionam a vocês diversão em todos os sentidos, cada uma dessas pessoas usou grande parte do tempo de suas vidas se dedicando a aprender o ofício da arte. Abriu mão de parte da seu convívio com a família, com amigos para se dedicar horas diariamente para saber manejar um pincel, tocar um instrumento, dançar, cantar, escrever, desenhar, entalhar na madeira, esculpir em mármore. Para proporcionar a vocês conforto visual, provocar as mais diversas emoções, para deixar sua casa confortável, decorar sua vida. Olhe em volta! Aguce os ouvidos! Aposto que você está um pouco surpreso pela quantidade de pequenas e grandes obras de artistas que estão à sua volta. Será que agora quando eu lhes faço a seguinte pergunta: Arte é trabalho? Precisamos de profissionais de arte? Fica a reflexão para vocês! Na fábula a Formiga repreende a Cigarra e a deixa sofrer as consequências de seu “erro” que foi cantar durante o verão. Uma vez eu li uma versão com o final diferente. A Formiga recebia a Cigarra e quando esta última agradeceu a hospitalidade da Formiga esta retrucou com um sorriso: “Eu que agradeço por seu canto, pois com ele meu trabalho ficou mais leve e quase nem percebi o tempo passar. Obrigado pelo seu trabalho”. Abraços musicais! Eu prometi a vocês que seguiria com os artigos sobre a Natureza e a Música, porém neste último mês alguns acontecimentos envolvendo a Cultura de nosso país me lembraram aquela famosa fábula de La Fontaine que todos nós conhecemos: a Cigarra e a Formiga. Resolvi então interromper a série para refletir sobre o conto que a maioria de nós certamente ouviu na infância. A Cigarra, que durante o verão passou cantando e quando da chegada do inverno se vê com fome e frio, pede ajuda à Formiga que passou o verão trabalhando e que estocou comida e cuidou de sua moradia. O conto procura passar a ideia do valor do trabalho acima da diversão, e do preço que se paga quando se coloca a diversão acima do trabalho. Lembrei-me da história devido à questão que se levantou nesses últimos meses com a discussão sobre a lei Rouanet, de incentivo fiscal para a Cultura, culminando com a extinção e ressurreição de seu Ministério. A questão era justamente sobre o valor de quem trabalha oferecendo diversão às pessoas: os artistas. Afinal trabalhar com arte é realmente trabalho? Arte e cultura merecem mesmo um Ministério? Qualquer profissional de arte alguma vez na vida ouviu a seguinte pergunta: “Você é artista? Que legal! Mas você trabalha com o quê?”. Quando respondemos que trabalhamos com música, ou dança, ou pintura ou qualquer outro tipo de manifestação artística recebemos um sorriso meio sem-graça, geralmente disfarçando um sentimento de pena “coitado, deve passar fome, mas pudera, não trabalha…, no fundo, um vagabundo…”. Por incrível que pareça essa impressão de que trabalhar com arte não é trabalhar é muito mais comum do que pareça, e, se você leitor compartilhar dessa opinião, não se envergonhe, é compreensível e vou tentar aqui mostrar alguns aspectos dessa classe de profissões que talvez possam fazê-lo mudar de opinião. Peço que cada um de vocês pare em alguns momentos de suas vidas e olhem ao redor: Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de No fundo em quase tudo que tocamos, ouvi- concertos importantes, participações em mos, lemos há um trabalho de um artista. O shows, peças de teatro e musicais. O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas. William Shakespeare www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania naram absolutamente a república romana até que, em 494 a.C., os plebeus decidiram reagir aos abusos que sofriam por parte dos patrícios. Naquele ano, houve uma guerra com tribos vizinhas e, os plebeus marginalizados da participação do poder se recusaram a lutar por Roma e migraram para o monte Aventino, momento conhecido como a Revolta do Monte Sagrado. A plebe havia decidido fundar uma nova cidade ali, e deixar Roma para os patrícios “se virarem sozinhos”. A forte dependência que os patrícios tinham dos plebeus fez com que os patrícios cedessem às exigências plebéias e, foram criadas duas novas magistraturas, a do tribuno da plebe e a do edil da plebe. O tribuno da plebe tinha poder de vetar as decisões dos senadores patrícios que prejudicassem a plebe. O edil Luta de classes: a História é cíclica? era um magistrado judiciário e policial. Com as concessões dos patrícios, os plebeus conNesta segunda década do século XXI, estacordaram em voltar a lutar por Roma. mos testemunhando no Brasil mais uma manifestação de luta de classes sociais. Muito O curioso é que, na antiguidade, não existiparecido com a antiga Roma, patrícios contra am as tecnologias que existem hoje em dia. O nível de alfabetização e de erudição era plebeus. consideravelmente mais baixo do que o nível Como muita gente sabe, a democracia não é atual. Mas o Brasil atual tem uma elite tão uma invenção recente. Na Atenas da antiguiintransigente quanto aos patrícios romanos dade, a democracia começou a surgir com as da antiguidade. É claro que Roma era apereformas de Sólon em 590 a.C., quando os nas uma cidade, o Brasil é um conjunto de comerciantes e artesãos começaram a exigir 5.570 cidades num território de 8dos aristocratas, compartilhamento de poder, .515.767,049 km2, o que faz uma gigantesca o que também deu estímulo à parcela mais diferença, é obvio. A população do Brasil atupobre da população ateniense a protestar al é muito maior do que a da antiga Roma contra as desigualdades sociais. A democrarepublicana. Mas a grande lição histórica é cia ateniense foi melhorada por Clístenes a que, no dia em que os plebeus se cansaram, partir de 507 a.C.A democracia grega antiga no dia da “gota d’água”, em que os plebeus foi fruto da luta de classes de sua época. decidiram deixar os patrícios à própria sorte, Também na Roma antiga, foi criado o concei- por sua própria conta e risco, os patrícios deto de república. A república romana teve vi- cidiram fazer concessões. Os antigos plegência entre 509 a.C. e 27 a.C. Foi um perío- beus de Roma não criaram sindicatos de trado em que a aristocracia controlou o Estado balhadores, não criaram partidos comunistas, diretamente através do Senado em vez de socialistas ou trabalhistas. Eles simplesmenum monarca. O governante era chamado de te pararam de colaborar com uma elite que Cônsul em vez de Presidente, e os romanos lhes recusava cidadania e foram formar a sua com direito a cidadania elegiam dois cônsu- própria o sociedade civil alternativa tentando les com mandato provisório. Os senadores fundar outra cidade-estado em outro local. E tinham mandato vitalício. Os patrícios domiporque o método dos plebeus da Roma antiga funcionou? Porque os plebeus realmente eram unidos. O que foi feito naquele momento foi uma reforma política. Se fôssemos comparar com algo no modo de produção capitalista, seria algo como os operários dizerem ao dono da fábrica para ele mesmo trabalhar sozinho no maquinário e todos os funcionários boicotarem o patrão tanto na condição de mão-de-obra quanto na condição de consumidor dos produtos daquela fábrica e fundarem a sua própria fábrica, ou os camponeses dizerem ao dono da fazenda para ele mesmo ir trabalhar nas plantações e no curral pessoalmente e todos os empregados boicotarem aquele fazendeiro tanto na condição de mão-de-obra quanto na condição de consumidor dos produtos daquela fazenda e irem trabalhar nas suas próprias plantações e currais. E os bancários dizerem ao banqueiro para ele mesmo fazer pessoalmente todo o trabalho do banco, e todos os bancários boicotarem aquele banqueiro tanto na condição de mão-de-obra quanto na condição de clientes daquele banco e irem fundar o seu próprio banco cooperativo ou comunitário. Foi algo parecido com isso que os plebeus fizeram aos patrícios, e que realmente deixou os patrícios sem saída. Eu entendo que o problema é o método que a classe trabalhadora atual recorre é que não funciona para fazer a elite conceder às massas. É o método de luta por direitos que deve ser mudado. Enquanto a elite puder contar com a rivalidade entre os pobres e pobres e, mesmo entre a classe média e classe média, a elite não vai sentir necessidade de ceder. Não existe necessidade de violência, de agressividade. O que existe, é a necessidade de inteligência, e de união. Ninguém precisa machucar ninguém. É necessário colaboração, cooperação. João Paulo E. Barros Porque precisamos fazer a Reforma para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! DESIGUALDADES Os contrastes sociais são responsáveis por todas as desigualdades raciais, étnicas e interculturais. Mesmo em tempos pós emancipação quem tem muita melanina, na maioria das vezes, é olhado de canto, é temido. Julgado e culpado. Prostrado à marginalização e banalidade. Jogado à sorte do destino. É triste ver que muitos são obrigados a sobreviver com pouca coisa, enquanto poucos riem e fazem de tudo um circo, vivendo bem e muito bem, "com muitas coisas" O problema da desigualdade social não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso na mão de poucos. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 6 Educação O preconceito e a competência Preconceito. Ideias pré-concebidas. Já falei a respeito, e volto a falar quantas vezes achar necessário. Raça, cor, sexo, gênero.. Tentar enquadrar a competência e a inteligência das pessoas, pela cor, sexo, ou orientação sexual é discriminar. O que chama a atenção é que algumas pessoas acham que isso qualifica alguém para o que quer que seja. Não é a cor da pele, a orientação sexual ou o gênero, que dizem quem é competente. A competência e o discernimento de uma pessoa, não passam por aí. Interessa o que a pessoa é, o que ela pode fazer. Que contribuição ela pode dar ao mundo. Como ela pode fazer a diferença. Os Direitos Humanos são princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidade. O respeito ao ser humano é fundamental para termos uma sociedade com igualdade para todos, e para que exista essa igualdade, é preciso haver respeito às diferenças. O preconceito está sempre nas conversas, na mídia, e infelizmente acontecendo em todos os lugares a todo instante. O Direito à igualdade é um direito humano fundamental. As desigualdades raciais e de gênero são históricas, envolvem inferioridade e superioridade entre grupos. O preconceito racial se solidifica, interioriza-se por gerações. As transformações sociais, a era tecnológica e todo o progresso da humanidade, não são capazes de eliminálo. Ele continua latente, resistente, e nos deparamos com ele a todo o momento. A discriminação continua nos dias de hoje, tanto a nível mundial como a nível nacional.O Brasil é um país multirracial, que tem em suas raízes os negros escravos. A sua formação foi baseada na escravidão, de onde surgiram as práticas racistas que ainda hoje continuam a existir. A discriminação racial é uma realidade que preocupa e continua afetando milhões de pessoas. . A nossa constituição reconhece que a discriminação existe e a repudia quando estabelece, por exemplo no art. 5º, XLII, da CF, que "a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei". É preciso levar a sério e respeitar os Direitos Humanos e fundamentais. A Constituição Federal consagra no artº 1 inc.III a dignidade da pessoa humana, tem como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa, solidária, bem como a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, cor, ou de qualquer outra espécie (art. 3º, I e IV CF), e consagra a igualdade como direito fundamental (art. 5º, caput, da CF). A discriminação racial é condenável e em nada acrescenta ao ser humano. sermos homens ou mulheres já possuímos uma identidade, mas a pergunta é: Nascemos assim, com essa divisão de gênero, ou nos tornamos homens e mulheres? No caso de nós mulheres, o gênero já nos confere um lugar na sociedade, isso pode nos trazer certas limitações, uma vez que nossa sociedade tem uma história que é baseada na sociedade patriarcal. No entanto o gênero mulher sofre discriminação ainda em pleno século XXI. A desigualdade de gênero fere princípios e direitos básicos do ser humano. Fere o princípio da dignidade humana. É sobre a liberdade e a igualdade que está fundamentada a dignidade da pessoa humana. Desrespeitar e desvalorizar alguém, tratar de maneira diferenciada, humilhando e discriminando em função de gênero, é tratar com desigualdade e ferir a dignidade do ser humano. Por fim, um assunto que já falei muitas e muitas vezes a respeito, que é a Homossexualidade. A pessoa simplesmente é homossexual, não opta por isso. Ninguém conscientemente opta por ser rejeitado, sofrer com a discriminação, sujeitar-se a humilhações e brincadeiras de mau gosto. Não é opção, tão pouco pode ser considerada doença, embora tenha sido até 1993, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS), retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais, o que significou um grande passo, mas que não diminuiu o preconceito por parte daqueles que acham que o mundo ‘correto’ é o mundo heterossexual. A melhor maneira de combater o preconceito seja ele qual for ainda é a Educação. Ensinar sobre a diversidade. Mostrar que todos somos iguais, nem melhores nem piores. Apenas seres humanos vivendo, tentando ser feliz. É necessário o comprometimento de todos, no sentido de entender esse cenário que se apresenta de maneira mais frequente, de lutar pelo respeito às diferenças, sejam elas de que ordem for. Afinal o que importa não é a nossa cor, ou nossa sexualidade, ou ser homem ou mulher. Importa o que penso e o quão competente sou, a minha contribuição para o mundo. Somos todos iguais, absolutamente iguais. Seres humanos querendo aprender, querendo ser feliz. Há uma necessidade urgente de a sociedade repensar a maneira como lida com as diferenças sociais,com as discriminações de todos os tipos e com os preconceitos. Existe a necessidade de alterar esse pensamento, de sair do comodismo e se tornar agente desse modelo de sociedade que necessita de mudanças urgentes. Nelson Rodrigues O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota. ******* O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual. ******* O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas. ******* O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade. ******* O morto esquecido é o único que repousa em paz. ******* O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca. ******* O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento. ******* O ônibus apinhado é o túmulo do pudor. ******* O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes. ******* O sábado é uma ilusão. ******* Promover um novo jeito de pensar e agir que inclua o respeito a todo ser humano, é um caminho para se viver melhor. Precisamos deixar de lado o egoísmo de pensarmos apenas individualmente e agirmos no bem comum, na coletividade. O fortalecimento dos direitos humaAssim como o gênero a que pertencemos não nos depende de nós. nos define como melhores ou piores, mais ou menos inteligentes, mais ou menos competen- Mariene Hildebrando tes, melhores ou piores seres humanos. Por E mail: marihfreitas@hotmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 7 Contos, Poesias e Crônicas NUVENS Genha Auga Estou avistando uma nuvem densa e tão branquinha que parece uma bola de algodão arrepiada e iluminada por uma luz sutil do sol que ameaça surgir para iluminar o meu dia. Tomara que ela entre pela minha janela e venha me abraçar e que o vento a sopre levemente até mim para me entregar seu carinho com uma candura que aquece minha alma Nela, está a alegria do meu acordar e em mim o sonho secreto que sonhei. Continuei a olhar pela janela e abri meu coração para esse cenário tão belo e iniciei o dia cantarolando versos: REFLEXÃO PARA NAMORADOS Genha Auga e Aberto Shiesari Vida mansa e tranquila, vivo nas nuvens como os pássaros que voam em direção a elas Sinto o cheiro do carneirinho desenhado no céu pela nuvem branquinha... Lembrança da infância: deitada ao chão seguindo o correr delas, admirada pelas formas que rapidamente tomavam: Cachorrinhos, carinhas, elefantes, até Deus nas formas de nuvens eu via. Rapidinhas elas corriam, mal acompanhava essa correria. Em dias claros pareciam algodão de tão fofas e branquinhas, em dias nublados, pesavam, cinzentas e carregadas que me assustavam, mas, a água que caía era limpa e fecundava minha alma de alegria e leviandades divinas. Nuvens de qualquer forma tornam-se sempre poesia de algodão. O sol aquece as nuvens e com elas meu coração, Frequentemente o homem toma decisões inadequadas e, portanto, age de forma inadequada, para conquistar o sexo. Em geral ele quer o momento e não quer as decorrências. Frequentemente a mulher toma decisões inadequadas e, portanto, age de forma inadequada, para conquistar o pai de seus filhos. Não raro ela quer as decorrências e não o momento. São opções com origem na mentalidade existente na sociedade ocidental atual, e certamente destroem vidas quanto no caso de casamentos arranjados, que acontecem independente do amor. Na verdade, hoje os fatores preponderantes que determinam um casamento são o tesão e a paixão, e não o amor e a doação. Quando elas choram, deságuam água em mim e lavam minha alma agradecida aos céus por tantas nuvens todo dia ele me dar. Abrem caminhos quando chegam, tenho nuvens no coração E curo minhas dores com esse algodão. Nuvens não tem lar, moram em qualquer lugar, Mas, tem nelas o mapa do céu onde mora Nosso Senhor e asas grandes que irão me amparar quando eu acordar e lá das alturas cair no colo da minha amiga gorda e branca nuvem que vem e me amparar. EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA A educação para a cidadania significa fazer de cada pessoa um agente de transformação social, por meio de uma práxis pedagógica e filosófica: uma reflexão/ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Este é um dos objetivo do Jornal Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 8 Democracia Liberdade de Expressão A liberdade de expressão, sobretudo sobre política e questões públicas é o suporte vital de qualquer democracia. Os governos democráticos não controlam o conteúdo da maior parte dos discursos escritos ou verbais. Assim, geralmente as democracias têm muitas vozes exprimindo idéias e opiniões diferentes e até contrárias. Segundo os teóricos da democracia, um debate livre e aberto resulta geralmente que seja considerada a melhor opção e tem mais probabilidades de evitar erros graves. A democracia depende de uma sociedade civil educada e bem informada cujo acesso à informação lhe permite participar tão plenamente quanto possível na vida pública da sua sociedade e criticar funcionários do governo ou políticas insensatas e tirânicas. Os cidadãos e os seus representantes eleitos reconhecem que a democracia depende de acesso mais amplo possível a idéias, dados e opiniões não sujeitos a censura. Para um povo livre governar a si mesmo, deve ser livre para se exprimir — aberta, pública e repetidamente; de forma oral ou escrita. O princípio da liberdade de expressão deve ser protegido pela constituição de uma democracia, impedindo os ramos legislativo e executivo do governo de impor a censura. A proteção da liberdade de expressão é um direito chamado negativo, exigindo simplesmente que o governo se abstenha de limitar a expressão, contrariamente à ação direta necessária para os chamados direitos afirmativos. Na sua maioria, as autoridades em uma democracia não se envolvem no conteúdo do discurso escrito ou falado na sociedade. Os protestos servem para testar qualquer democracia — assim o direito a reunião pacífica é essencial e desempenha um papel fundamental na facilitação do uso da liberdade de expressão. Uma sociedade civil permite o debate vigoroso entre os que estão em profundo desacordo. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não é absoluto, e não pode ser usado para justificar a violência, a difamação, a calúnia, a subversão ou a obscenidade. As democracias consolidadas geralmente requerem um alto grau de ameaça para justificar a proibição da liberdade de expressão que possa incitar à violência, a caluniar a reputação de outros, a derrubar um governo constitucional ou a promover um comportamento licencioso. A maioria das democracias também proíbe a expressão que incita ao ódio racial ou étnico. O desafio para uma democracia é o equilíbrio: defender a liberdade de expressão e de reunião e ao mesmo tempo impedir o discurso que incita à violência, à intimidação ou à subversão. distinguem o governo democrático de outras formas de governo. Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos, diretamente ou através dos seus representantes livremente eleitos. Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade. A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a vontade da maioria, protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias. As democracias protegem de governos centrais muito poderosos e fazem a descentralização do governo a nível regional e local, entendendo que o governo local deve ser tão acessível e receptivo às pessoas quanto possível. As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade. As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas, abertas a todos os cidadãos. As eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais se escondem ditadores ou um partido único, mas verdadeiras competições pelo apoio do povo. A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que todos os cidadãos recebam a mesma proteção legal e que os seus direitos sejam protegidos pelo sistema judiciário. As democracias são diversificadas, refletindo a vida política, social e cultural de cada país. As democracias baseiam-se em princípios fundamentais e não em práticas uniformes. Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos, têm o dever de participar no sistema político que, por seu lado, protege os seus direitos e as suas liberdades. As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso. As democracias reconhecem que chegar a um consenso requer compromisso e que isto nem sempre é realizável. Nas palavras de Mahatma Gandhi, “a intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático”. O principal mecanismo de responsabilidade política é eleições livres e justas. Mandatos por período determinado e eleições obrigam as autoridades eleitas a responder pelo seu desempenho e a dar oportunidades aos opositores de oferecerem aos cidadãos escolhas políticas alternativas. Se os eleitores não estiverem satisfeitos com o desempenho de uma autoridade pública, podem não votar nela quando o seu mandato chegar ao fim. O grau em que as autoridades públicas são politicamente responsáveis depende de ocuparem uma posição para a qual foram eleitas ou para a qual foram nomeadas, de quantas vezes podem ser reeleitas e de quanto mandatos podem ter. Os mecanismos de responsabilidade legal incluem constituições, medidas legislativas, decretos, regras, códigos e outros instrumentos legais que proíbem os atos que as autoridades públicas podem ou não realizar e como é que os cidadãos podem agir contra essas autoridades cuja conduta é considerada insatisfatória. Um poder judicial independente é um requisito essencial para o sucesso da responsabilidade legal, servindo como um fórum onde os cidadãos levam as queixas contra o governo. Os mecanismos de responsabilidade legal incluem: Estatutos de ética e códigos de conduta para as autoridades públicas, descrevendo práticas inaceitáveis; Leis sobre conflitos de interesses e divulgação financeira, exigindo que as autoridades públicas revelem as suas fontes de rendimento e os seus bens para que os cidadãos possam avaliar se as ações dessas autoridades podem ser erradamente influenciadas por interesses financeiros; Leis que dão à imprensa e ao público acesso às atas e reuniões do governo; Requisitos de participação dos cidadãos que dizem que certas decisões do governo devem ter em conta a opinião pública; e Revisão judicial, dando aos tribunais o poder de rever decisões e ações das autoridades e agências públicas. Os mecanismos de responsabilidade administrativa incluem gabinetes dentro das agências ou dos ministérios e práticas nos processos administrativos que têm como objetivo assegurar que as decisões e ações das autoridades públicas defendem os interesses dos cidadãos. Os mecanismos de responsabilidade administrativa incluem: Agências encarregadas de ouvir e responder às queixas dos cidadãos; Auditores independentes que verificam o uso dos fundos públicos para detectar sinais de uso incorreto; Tribunais administrativos, que ouvem as queixas dos cidadãos sobre as decisões da agência; Regras de ética protegendo os chamados informantes - aqueles dentro do governo que falam de corrupção ou de abuso da autoridade oficial — de represálias. Da redação Responsabilidade do Governo Responsabilidade do governo significa que as autoridades públicas — eleitas e não eleitas — têm a obrigação de explicar as suas decisões e ações aos cidadãos. A responsabilidade do governo é alcançada através do uso de uma variedade de mecanismos — políticos, legais e administrativos — com o objetivo de impedir a corrupção e de assegurar que as autoridades públicas continuem responsáveis e acessíveis às pessoas a quem servem. Na ausência desses mecanismos, a corrupção pode florescer. O Que É a Democracia? Democracia vem da palavra grega “demos” que significa povo. Nas democracias, é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo. Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias, certos princípios e práticas www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 9 Educação em debate COMO TRABALHAR COM O LIVRO DIDÁTICO? acontecendo. Vale lembrar que o livro não é “do aluno”. Sua entrega deve ser realizada no início do ano e a devolução no final do ano. Ao final do terceiro ano de uso ele poderá ficar com o aluno.Se a escola faz a distribuição e não recolhe no final do ano, realmente não haverá para todos. Os alunos não trazem o livro para a escola e reclamam que é pesado: Entendo que é possível se organizar de duas formas: 1. A escola pode montar a grade horária permitindo aulas duplas para que o aluno traga, no máximo, 2 ou 3 livros por dia; 2. A escola pode manter uma certa quantidade de livros volantes para que sejam utilizados no dia a dia e manter os livros dos alunos em casa para consultas e lições de casa. Fica aqui um desabafo: em todos os colégios particulares em que trabalhei os alunos levavam e traziam seus livros diariamente, quase nunca ouvia reclamações por causa do peso, muito pelo contrário, eles reclamaram quando passava uma ou duas aulas sem utilizar o livro didático (o que entendo que cabe o planejamento para saber quando ou não trazê-los). A pergunta é: será que a valorização perante o livro se dá por causa do valor pago pelos pais? (cada livro didático custa em torno de R$ 120,00). Não há tempo para planejar a aula: De acordo com a Lei 11.738/2008 (Art. 2º § 4º) “Na composição da jornada de trabalho, observar-se-á o limite máximo de 2/3 (dois terços) da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos”. Vale lembrar que muitos dos nossos políticos são contra essa lei, creio que cabe uma intensa fiscalização e acompanhamento dos professores para que prefeitos e governadores cumpram com a lei, bem como acompanhar as movimentações no congresso para evitar lobby que podem derruba-la. Os alunos rasgam os livros e jogam fora: Muitas vezes quando não entendemos o significado de algo, não damos valor para ele. Assim funciona com muitas coisas (sobretudo públicas). No início do ano letivo é extremamente importante ensinar como se deve utilizar o livro didático, deixar claro que ele não é de graça e que será um suporte às aulas. É sempre preciso retomar essa discussão. O processo de conscientização não é simples e não será em uma ou duas conversas que aqueles que não respeitam o patrimônio público vão demonstrar valor pelo livro didático. Muitas redes trabalham com apostilas para os alunos e não permitem o uso do livro didático: Realmente, algumas redes trabalham com o caderno do aluno. Entendo que esses cadernos (como o das redes públicas estaduais de São Paulo e do Paraná) apresentem exercícios explorando algumas competências dentro do que estabelecem sobre seu “currículo mínimo”, porém, longe de defender a ideia de “currículo mínimo”, devemos pensar que não podemos nivelar nossos alunos e nossas aulas pelo “mínimo”. É direito de o aluno ter o “máximo”, ou seja, precisamos aprofundar as discussões de forma com que consigamos desenvolver as competências cognitivas nos nossos alunos, e não somente realizar as atividades dos “caderninhos” (já que as respostas estão todas na internet). No mês passado, nessa mesma coluna do jornal Gazeta Valeparaibana, apresentei uma discussão sobre a não utilização do livro didático. Devo dizer que essa discussão rendeu muitos frutos, muitas opiniões e muitas críticas. O foco principal daquele artigo era o de problematizar o desperdício de dinheiro público com a não utilização dos livros didáticos. Muitos colegas afirmaram que realmente não fazem uso do livro didático, adquirido via PNLD, por diferentes razões. Muitos colegas também deixaram bem claro que utilizam e apresentaram, inclusive, seus métodos e potencialidades em sala de aula. O que mais me chamou a atenção neste debate é que aqueles que se dizem de “esquerda” afirmam que o livro didático é um instrumento de dominação capitalista, que tem como único objetivo formar mão de obra para o mercado. Já os de “direita” afirmam que os livros didáticos são instrumentos de “doutrinação marxista”, e que precisam ser “combatidos”. Desculpas a parte, volto a afirmar que falta uma análise profunda sobre os livros didáticos, com o objetivo de derrubar mitos e extrair desses materiais o que eles possuem de melhor. Já discuti sobre isso no mês passado, mas volto a afirmar, atualmente o mercado de livro didático oferece opções para todos os “gostos e sabores” e cabe ao professor, juntamente com sua equipe escolar, escolher corretamente. Basicamente o livro didático deve servir de material de apoio ao professor. É a partir dos pressupostos do Projeto Pedagógico da escola e do currículo escolar que o professor vai fazer uso desse instrumento. É importante destacar que o livro didático por si só não apresenta todos os recursos desejáveis à aula. Sendo assim, cabe ao professor planejar sua aula (dentro do tempo disponível) selecionando aquilo que ele vai extrair dos livros (gráficos, mapas, tabelas, figuras, infográficos e/ou textos curtos de leitura compartilhada) e acrescentar o que pretende desenvolver com os alunos (debate, discussão em grupos, atividades práticas, exibição de vídeos, etc.). É importante destacar que o professor deve ter total autonomia sobre sua aula. Deve ter a liberdade de escolher os melhores métodos que lhe cabem e oferecer o melhor da sua aula. Porém, não se deve negligenciar o uso do livro didático, uma vez que se trata (muitas vezes) da única literatura que o aluno possui para realizar procedimentos de leitura. Sempre que tenho a oportunidade procuro ler o manual do professor. Essa parte é essencial ao professor para que conheça melhor os pressupostos teóricos que embasam o livro. Nessa parte do livro (pouco consultada) podemos entender a linha de pensamento do autor tanto no que se refere à sua concepção pedagógica, quanto da disciplina em si que está tratando. Muitos livros trazem também (no decorrer da obra) indicações didáticas e dicas para chamar a atenção dos alunos para o que é discutido (isso já me ajudou e ajuda muito até os dias de hoje). Voltando à primeira discussão apresentada no mês passado, posso destacar os seguintes problemas elencados pelos colegas: Entendo que a partir das orientações e sugestões dos livros didáticos podemos potencializar as aulas trazendo maior significado ao aluno. Claro que alguns pontos merecem ser destacados como, por exemplo, a prática da cópia! A cópia do livro didático não tem sentido algum e essa sim é uma prática que não ajuda em muita coisa. Já as sugestões de livros, filmes, sites e reportagens de jornal que o livro apresenta ajuda o professor a trabalhar com diferentes linguagens e trazer diferentes perspectivas à sua aula. Caso discorde de algum ponto tratado no livro (o que é comum) pode ser utilizado, inclusive, como ponto de apoio para desenvolver um debate sobre o tema. Por fim, mas sem querer esgotar o debate, é preciso lutar para que tenhamos horas de planejamento individual e coletivo. É preciso que tenhamos tempo para escolher bons livros que possam nos ajudar e é preciso (principalmente) estudar e conhecer diversas outras formas de trabalharmos em sala de aula. E você? O que acha dessa discussão? Como é sua experiência na escola? O que você acha do livro didático? Como podemos juntos, Principais problemas destacados com o uso do livro didático: O MEC não distribui a quantidade necessária para todos os alunos: melhorar a nossa prática sobre ele? Neste caso, o mais indicado é entrar em contato com o próprio MEC, Ivan Claudio Guedes através do número 0800-616161 e informar o que está acontecendo. Geógrafo e Pedagogo. De acordo com as orientações do Ministério, as escolas recebem reivanclaudioguedes@gmail.com serva técnica e as secretarias de educação também. Caso não esteja recebendo é importante entrar em contato, pois algo de errado está www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 10 Cultura simbólica O BRASIL NUNCA FOI UMA COLÔNIA! PARTE IV - FINAL “A expansão portuguesa não foi, nem fruto do acaso, nem um feito político da Coroa ou de cortesão esforçados, antes a missão de uma Ordem iniciática.” (artigo continuado) Consigna Tito Lívio (1980, p. 57) sobre o nome Terra de Vera Cruz atribuído ao Brasil: “Alí não foi hasteada a bandeira do Rei, a bandeira da Coroa Portuguesa, mas, a bandeira da Ordem de Cristo, porque esse patrimônio lhe fora adjudicado pelos Papas Martinho V, Nicolau V e Calisto III, no século XV. […] O fato de a terra descoberta em 1500 receber o nome de Província de Santa Cruz está explicado”. Estes breves traços são suficientes para se verificar que a matéria que envolve a palavra “colônia” aplicada ao Brasil não é matéria dispicienda e “dá panos para a manga”, segundo o dito popular. Este fio de Ariadne perpassa toda a Dinastia de Avis e dos Bragança para desembocar nos dias de hoje. Assim, constitui matéria de alta relevância os acontecimentos históricos envolvendo a Ordem do Templo e sua sucedânea, a Ordem de Cristo no tocante as matérias respeitantes à história do Brasil. Suprimi-las, ou antes, delegar exclusivamente à Portugal tal herança, é uma fórmula bem eficaz de escamotear a história. Fernando Pessoa (Mensagem), de modo lapidar, diz: Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal. Vaticina a poetisa e folclorista brasileira Anna Maria Dutra de Menezes de Carvalho (in: As Brasilíades), entendendo ser chegada a hora de quebrar o silêncio: É difícil atingir o mistério sagrado que envolve o Brasil em oculta intenção perguntar qual Missão, intuir qual mestrado ilumina o futuro desta nossa nação. E quando este gigante de repente acordar vão rugir pororocas, vão cantar minuanos e os mitos secretos e os tesouros do mar surgirão nos espaços, sagrados, profanos, e será revelado em seu credo abismal o silêncio de Deus, pela voz da verdade e o Brasil transmutado, paraíso ideal será Ele, só Ele, por toda a eternidade! taram assumir o seu papel no desempenho do ideal sinárquico. Este documento elucida os estragos e ruínas que a Companhia de Jesus fez ao Reino e aos templários. Não sem razão, Gandra afirma que D. João II ao mudar o destino nacional o transforma numa questão de “Secos e Molhados”, ou seja, numa mera questão de finanças, de procura por riquezas materiais, caminho diametralmente oposto ao perseguido pela Ordem do Templo e sua sucedânea a Ordem de Cristo. O início da decadência de Portugal, com claras repercussões para a futura história brasileira. No tocante à questão do referido desempenho do ideal sinárquico dos jesuítas em solo brasileiro, Wilson Martins (in: Historia da inteligência brasileira (1550-1794), vol. I. São Paulo: T.A. Queiroz, 1992, p.13-14), afirma que os dados da Companhia de Jesus revelam algumas singularidades, onde percebe-se um plano de “conquista espiritual”, refletido na estratégica instalação e disseminação geográfica dos colégios jesuítas, que rejeitavam tudo que viesse a ser profano. Alerta para o fato de o fundador português da Companhia de Jesus, o Pe. Simão Rodrigues ser também o “implacável e encarniçado denunciador de Damião de Góis perante os tribunais da Inquisição”. Damião de Góis, comendador da Ordem de Cristo, guarda-mor da Torre do Tombo, cronista-mor do Reino, embaixador de Portugal nas cortes da Europa, foi um dos maiores pensadores portugueses. Personagem importante para os planos do rei D. Sebastião, que em 1572, tinha conseguido do Papa Pio V a autorização para (ré)-reformar os estatutos das ordens religiosas e militares de Cristo, Aviz e Santiago. Pretendia o rei fazer renascer a antiga força militar destas ordens. Neste quesito, Damião de Góis era um personagem central. O jovem rei afastava-se do seu tio, Cardeal-Inquisidor (futuro rei de Portugal) e dos dois padres jesuitas que o haviam educado. Damião de Góis foi assassinado. Tito Lívio (op. cit.,1980) apresenta a personalidade “ressentida” e a “sede de poder” que apresentava o Pe. Simão Rodrigues. Manuel J. Gandra POR: Loryel Rocha Longe ser uma coincidência, é no seu reinado, em 1529, que frei António de Lisboa levou a cabo a reforma da Ordem de Cristo, destruindo e queimando todos os arquivos da Ordem, praticamente dissolvendo-a e, transformando-a numa ordem de clausura. D. João III é tido como pai-fundador e protetor da Companhia de Jesus, a quem confia a missão de “irradiar a fé cristã”, um contraponto ao ideal templário de dilatar Fé e Império. D. João III nomeia o Pe. Manoel da Nóbrega primeiro Secretário da Educação do Estado do Brasil para estabelecer a rede espiritual da educação luso-brasileira, fazendo com que, durante longos anos o ensino público de Humanidades só se ministrasse nos Pátios da Companhia de Jesus. Os jesuítas eram professores pagos pela Coroa Portuguesa. É também deveras sintomático os seguintes fatos: o episódio das Bandeiras e dos Bandeirantes envolvendo jesuítas portugueses e os jesuítas espanhóis; o fato de estar a Companhia de Jesus diretamente envolvida nas questões da mineração do Brasil “colônia”; o envolvimento dos jesuítas com a revolta de Amador Bueno, episódio separatista que arrolava à São Paulo separação da Coroa Portuguesa. De todos estes episódios, o dos Sete Povos da Missões constitui o caso mais emblemático e trágico envolvendo jesuítas, portugueses e índios. Muito embora Tito Lívio (A Ordem de Cristo e o Brasil) distingua sobremaneira a atuação dos jesuítas portugueses dos jesuítas espanhóis, Frei Bernardo da Costa (in: Inéditos da Crónica da Ordem de Cristo) apresenta um Compêndio Histórico sobre os jesuítas e a Ordem de Cristo que contém denúncias graves. No entanto, embora tenha havido uma quebra de harmonia, o ideal sinárquico dos templários pode ser vislumbrado nos reis seguintes à D. João II, notadamente em D. Afonso V, D. Manuel I, D. Sebastião I, D. João IV e D. João VI. Dos Descobrimentos Marítimos (1500) até a proclamação da Independência do Brasil (1822) Portugal teve 12 Reis, suprimindo-se o Cardeal-Rei D. Henrique (1580) e a Dinastia Filipina (1640). Sendo o Brasil Província de Loryel Rocha Frei Bernardo acusa os jesuítas de se apos- Portugal, estes reis também pertencem a his- Email: culturaseidentidades@gmail.com sarem não só do patrimônio templário perten- tória brasileira, pois, são igualmente reis do Site: http://www.imub.org/o-instituto/ cente a Ordem de Cristo, bem como, de inten- Estado do Brasil. Mantido o texto original em português de Portugal www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 11 Brasil - Desenvolvimento Potência mundial: O Brasil? Nos anos em que o tradicional mundo ocidental/desenvolvido esteve em crise, a partir de 2009, um grupo de países teve um período de crescimento econômico, entre eles, o Brasil. A União Soviética era um país socialista, marxista. Tinha um pensamento econômico antagônico ao dos Estados Unidos e Europa Ocidental. Não tinham quase nada em comum quanto a crenças econômicas e políticas. Mas os americanos e soviéticos é que tinham a maioria das armas nucleares, dos equipamentos e veículos militares mais avançados, e a tecnologia de exploração espacial mais avançada. FRASES SOBRE MENTIRAS E MENTIROSOS Um período parecido com o milagre econômico brasileiro entre 1968 e 1973, com a diferença de que neste mais recente, houve Foram os soviéticos de ideologia antiredução da desigualdade. Em ambos os capitalista que criaram o satélite artificial e períodos, houve a propagação do senticolocou o primeiro ser humano no espaço. mento ufanista de “Brasil potência mundial”. O que os americanos e soviéticos tinham em comum? Os melhores cientistas do O tempo de vida do ser humano é curto, mundo à sua disposição. E alguns deles então passa-se a sensação de que é um serviram a Alemanha nazista, inclusive. grande crescimento. Mas, se considerarmos o contexto “tempo” segundo a História, Ser exportador de bens em estado bruto são ciclos curtos, comparáveis a “voo de não faz nenhum país ser potência mundial. galinha”, assim como o contínuo cresciNo mundo a partir da Revolução Industrial, mento chinês é comparável a “voo de áo que faz um país ser potência mundial é guia”. ter capacidade de produzir tecnologia avançada. Mesmo que apenas tecnologia civil. O Japão é considerado uma grande potência no mundo, e o crescimento japonês aO caminho que o Brasil tem que percorrer pós a Segunda Guerra Mundial foi consepara ser uma potência mundial é de crescicutivo de 1950 à 1990. A China, que tammento contínuo durante décadas (isto é, a bém é considerada uma grande potência longo prazo), e ter em abundância mão-deno mundo, o crescimento chinês começou obra capaz de produzir tecnologia avançanos anos 70 durante o governo de Deng da. E, para que consiga produzir tecnologia Xiaoping, e foi consecutivo por décadas. avançada, o país tem que investir pesado em educação e em pesquisas científicas. A Alemanha Ocidental pós-Segunda Guerra Mundial teve crescimento contínuo des- Enquanto a sociedade brasileira como um de os anos 50. E a Alemanha reunificada todo não entender isso, o Brasil país do fuem 1990 é atualmente a potência hegemô- turo vai ser um sonho distante. Qualquer nica da Europa. Enfim, uma potência mun- governo que não assuma a responsabilidadial é um país que cresceu continuamente de por melhorar a educação escolar e, propor décadas, e não por alguns anos. mover pesquisas científicas intensivamente Outro detalhe de uma superpotência mundial. Voltamos aos anos da Guerra Fria, especificamente nas décadas de 50, 60 e 70. Os Estados Unidos eram o que é hoje, uma economia capitalista. Tinham uma inclinação mais keynesiana e menos liberal, mas eram um país capitalista. mas, discursa que quer fazer do Brasil uma potência global, ou o governante é desinformado, ou está enganando os eleitores. Eleitor, exija que os governantes cuidem bem do ensino escolar e universitário. Pois é isso que realmente dá base ao desenvolvimento de um país. João Paulo E. Barros *** “Mentir demanda trabalho, esforço de imaginação, engenho agudo. Quem mente é obrigado a mentir mais, a mentir sempre”. Galeão Coutinho *** “Não mentir é talvez a forma mais rara de heroísmo “ Francisco de Bastos Cordeiro *** ”Que vantagem têm os mentirosos? A de não serem acreditados quando dizem a verdade”. Aristóteles *** “É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade quando você sabe que mentiria se estivesse no lugar dele”. Henry Mencken *** “As pequenas mentiras fazem o grande mentiroso”. William Shakespeare *** “Com o engodo de uma mentira, pesca-se uma carpa de verdade”. William Shakespeare *** “O sucesso tem sido sempre um grande mentiroso”. Nietzsche *** “As mentiras mais cruéis são frequentemente ditas em silêncio”. Robert Stevenson *** “E, afinal de contas, o que é uma mentira? É apenas a verdade mascarada” George Lord Byron *** “Nem todas verdades se podem dizer”. Josué de Castro www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 12 Nossas crianças lar e consequentemente ao despreparo para o mercado de trabalho, tendo que aceitar subempregos e assim continuarem alimentando o ciclo de pobreza no Brasil. a entrar na prostituição, na servidão doméstica, no casamento precoce e contra a sua vontade, ou em trabalhos perigosos. Embora não haja dados precisos sobre o tráfiSabemos que hoje em dia, a inclusão digital co de crianças, estima-se que haverá cerca (Infoinclusão) é de extrema importância. Além de 1.2 milhões de crianças traficadas por ano. da conclusão do ciclo básico de educação, e O que é o trabalho infantil da necessidade de cursos técnicos, e da continuidade nos estudos, o computador vem se Trabalho infantil é toda forma de trabalho etornando fundamental em qualquer área de xercido por crianças e adolescentes, abaixo da idade mínima legal permitida para o trabatrabalho. lho, conforme a legislação de cada país. O Desde que entrou em prática, no final de no- trabalho infantil, em geral, é proibido por lei. vembro de 2005, o projeto de inclusão digital Especificamente, as formas mais nocivas ou do governo federal, Computador para Todos - cruéis de trabalho infantil não apenas são proProjeto Cidadão Conectado registrou mais de ibidas, mas também constituem crime. 19 mil máquinas financiadas. Programas do Governo Federal juntamente com governos A exploração do trabalho infantil é comum em estaduais, pretendem instalar computadores e países subdesenvolvidos,e países emergenacesso a internet banda larga em todas esco- tes como no Brasil, onde nas regiões mais las públicas até 2010. Com isso esperam que pobres este trabalho é bastante comum. Na o acesso a informações contribuam para um maioria das vezes isto ocorre devido à necesmelhor futuro às nossas crianças e adoles- sidade de ajudar financeiramente a família. Muitas destas famílias são geralmente de centes. pessoas pobres que possuem muitos filhos. Perfil do trabalho infantil no Brasil Apesar de existir legislações que proíbam ofiComo já era de se esperar, o trabalho infantil cialmente este tipo de trabalho, é comum nas ainda é predominantemente agrícola. Cerca grandes cidades brasileiras a presença de de 36,5% das crianças estão em granjas, sí- menores em cruzamentos de vias de grande tios e fazendas, 24,5% em lojas e fábricas. No tráfego, vendendo bens de pequeno valor moNordeste, 46,5% aparecem trabalhando em netário. fazendas e sítios. A Constituição Brasileira é clara: menores de 16 anos são proibidos de trabalhar, exceto como aprendizes e somente a partir dos 14. Não é o que vemos na televisão. Há dois pesos e duas medidas. Achamos um absurdo Conhece alguma criança nesta situação? ver a exploração de crianças trabalhando nas Denuncie !!! lavouras de cana, carvoarias, quebrando pedras, deixando sequelas nessas vítimas indefesas, mas costumamos aplaudir crianças e bebês que tornam-se estrelas mirins em novelas, apresentações e comerciais. A UNICEF declarou no Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil (12 de junho) que os esforços para acabar com o trabalho infantil não serão bem sucedidos sem um trabalho conjunto para combater o tráfico de crianças e mulheres no interior dos países e entre fronteiras. No Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, a UNICEF disse/referiu com base em estimativas que o tráfico de Seres humanos começa a aproximar-se do tráfico ilícito de armas e drogas. Longe de casa ou num país estrangeiro, as crianças traficadas – desorientadas, sem documentos e excluídas de um ambiente que as proteja minimamente – podem ser obrigadas Apesar de os pais serem oficialmente responsáveis pelos filhos, não é hábito dos juízes puni-los. A ação da justiça aplica-se mais a quem contrata menores, mesmo assim as penas não chegam a ser aplicadas. Trabalho Infantil O trabalho infantil no Brasil ainda é um grande problema social. Milhares de crianças ainda deixam de ir à escola e ter seus direitos preservados, e trabalham desde a mais tenra idade na lavoura, campo, fábrica ou casas de família, em regime de exploração, quase de escravidão, já que muitos deles não chegam a receber remuneração alguma. Hoje em dia, em torno de 4,8 milhões de crianças de adolescentes entre 5 e 17 anos estão trabalhando no Brasil, segundo PNAD 2007. Desse total, 1,2 milhão estão na faixa entre 5 e 13 anos. Apesar de no Brasil, o trabalho infantil ser considerado ilegal para crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos, a realidade continua sendo outra. Para adolescentes entre 14 e 15 anos, o trabalho é legal desde que na condição de aprendiz. Crianças que trabalham O Peti (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) vem trabalhando arduamente para erradicar o trabalho infantil. Infelizmente mesmo com todo o seu empenho, a previsão é de poder atender com seus projetos, cerca de 1,1 milhão de crianças e adolescentes trabalhadores, segundo acompanhamento do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos). Do total de crianças e adolescentes atendidos, 3,7 milhões estarão de fora. Ao abandonarem a escola, ou terem que dividir o tempo entre a escola e o trabalho, o rendimento escolar dessas crianças é muito ruim, e serão sérias candidatas ao abandono esco- Fonte:br.guiainfantil.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 13 Sobre maiorias IMIGRANTE E REFUGIADO – QUAL A DIFERENÇA? DIREITOS DOS REFUGIADOS No Brasil, o assunto imigrante ou refugiado também esteve em alta Você sabe a diferença? com a chegada de 40 mil haitianos no país após o terremoto ocorrido em 2010. Com a chegada de um contingente grande de pessoas que necessitavam de proteção internacional foi preciso rever os direitos que essas pessoas tinham. Confira quais são os direitos dos refugiados no Brasil e no mundo: Ao chegar ao país, o imigrante pode pedir o refúgio. Após a formalizar a solicitação formal de refúgio regulariza a permanência do solicitante no país, garantindo-lhe o direito ao trabalho (até nove meses após sua chegada) e o acesso aos serviços públicos de saúde e educação e a um abrigo em um centro de recepção, mesmo que temporariamente. Mesmo os estrangeiros que se encontram em situação irregular, devem ter sua integridade e dignidade respeitadas de acordo com os princípios internacionalmente reconhecidos de direitos humanos. Refugiado é a pessoa que foge de seu país para escapar de alguma Ele tem o direito de não ser mandado de volta ao seu país. guerra local ou perseguição que esteja sofrendo em sua terra. É preciso provar a existência desse tipo de situação que justifique uma fuA SOLUÇÃO QUE A EUROPA ESTÁ BUSCANDO ga para ser considerado um refugiado. Há muitos anos os países que compõem a União Européia tentam De acordo com a Convenção dos Refugiados, realizada após a se- entrar em acordo quanto à política de asilo, o que tem sido algo muito gunda guerra mundial, um refugiado é uma pessoa que por medo de complicado. Defender os direitos dos imigrantes pobres está difícil em ser “perseguida por motivos raciais, religiosos, de nacionalidade ou um ambiente econômico sombrio. Muitos europeus estão desemprepor fazer parte um grupo social ou ter determinada opinião política gados e temem a concorrência com os trabalhadores estrangeiros e não está disposto a se colocar sobre a proteção daquele país”. os países da União Europeia não se entendem sobre como dividir o Imigrante é uma qualquer pessoa que muda de um país para outro problema dos refugiados. para fixar residência, essa mudança só não pode ser caracterizada A intenção da União Europeia é propor um plano que estabelece cocomo a fuga de uma guerra ou perseguição – pois assim é um refugi- tas para o abrigo de refugiados por parte dos países-membros. A inado, como já foi dito. Os imigrantes podem estar fugindo de condi- tenção é aliviar a pressão dos países na costa do Mar Mediterrâneo, ções de vida difíceis como a pobreza, ou simplesmente estar em bus- que recebem o maior contingente de imigrantes. A ideia é tentar disca de uma vida melhor, de novas oportunidades. Há muitos imigran- tribuir de forma mais igualitária, já que apenas 5 países abrigam 2/3 tes que mudam de país também para se juntar a seus parentes. dos pedidos de asilo. O novo sistema que se está tentando estabelecer iria enviar o máxiEM CASOS EXTREMOS mo de refugiados para cada país, baseado no tamanho da poupança, Existe um debate atual sobre a situação de pessoas que mudam de PIB e níveis de desemprego. Ainda não há número de refugiados país para fugir de condições extremas de mudanças climáticas – codestinado a cada país. mo a desertificação da região africana de Sahel, por exemplo, ou a inundação de uma ilha costeira em Bangladesh. Há especialistas que PARA ONDE OS REFUGIADOS DA EUROPA ESTÃO SENDO defendem que essas pessoas devem ser também consideradas refu- ENVIADOS? giados e outras que acham que são imigrantes, ainda não há um consenso. O CASO ATUAL DA EUROPA – SÃO IMIGRANTES OU REFUGIADOS? De acordo com as Nações Unidas, a maior parte das pessoas que chegaram nas embarcações precárias à costa da Europa em 2015 são refugiados, pois vieram de países em guerra. A Itália e a Grécia, aqueles que mais receberam pessoas durante esse ano, vieram de países que são considerados “produtores de refugiados”, e são pessoas que necessitam de proteção internacional. No entanto, não são todas. Uma pequena parcela dessas pessoas que chegam à Europa em busca de refúgio vêm de países que não estão em guerra e portanto podem corretamente ser classificados como imigrantes. COMO DIFERENCIÁ-LOS EM SOLO EUROPEU? É preciso, na chegada à Europa, provar sua nacionalidade e residência para mostrar que vem de um país em guerra ou provar que sofre perseguição e que sofreriam risco de vida se mandados de volta ao seu país. Dentro das embarcações, os traficantes de pessoas não estão preocupados em separar aqueles que serão considerados imigrantes ou refugiados e, na chegada ao velho continente, há discórFonte: e-konomista.com.br/ dias e revoltas quando essa distinção é feita. O país que mais tem recebido pedidos de asilo político é a Alemanha, que tem a previsão de receber cerca de 800 mil refugiados só esse ano. Rastreamentos recentes mostram milhares de pessoas tentando alcançar a Alemanha e outros países da UE por meio da Grécia e pelo oeste dos Bálcãs. Ainda não estão definidos quantos refugiados serão enviados a cada país, mas além da Alemanha, a Grécia, Itália e Malta são os que mais têm recebido pedidos de asilo. DESIGUALDADES Os contrastes sociais são responsáveis por todas as desigualdades raciais, étnicas e interculturais. Mesmo em tempos pós emancipação quem tem muita melanina, na maioria das vezes, é olhado de canto, é temido. Julgado e culpado. Prostrado à marginalização e banalidade. Jogado à sorte do destino. É triste ver que muitos são obrigados a sobreviver com pouca coisa, enquanto poucos riem e fazem de tudo um circo, vivendo bem e muito bem, "com muitas coisas" O problema da desigualdade social não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso na mão de poucos. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 14 Meio Ambiente DESMATAMENTO E DESERTIFICAÇÃO Causas do desmatamento A redução de grandes florestas em consequência de corte ou queimadas leva à perda de muitas espécies animais e vegetais e, em decorrência disso, a um empobrecimento da biodiversidade. Causa também uma diminuição de nutrientes na biomassa e nos solos, já que, não existindo a proteção da cobertura vegetal, o substrato é arrastado por escoamento. Além disso, o desmatamento faz com que diminua a capacidade de regulação climática que as grandes superfícies florestais exercem com a evapotranspiração. Calcula-se que, atualmente, o ritmo de perda de florestas pluviais seja aproximadamente de 1.200 a 1.800 ha por hora. Consequentemente, várias dezenas de espécies animais e vegetais extinguem-se todos os dias. Apesar de, no final do séc. XX, ter diminuído a taxa de desmatamento, o problema é ainda grave. Assim, entre 1990 e 1995 perderam-se 65 milhões de hectares de florestas pluviais, segundo um relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) de 1997. As zonas mais prejudicadas encontram-se na Ásia, nas ilhas do Pacífico e na África equatorial. • A exploração madeireira A exploração florestal é a causa principal da perda de florestas. Concentra-se num único recurso, a madeira, especialmente as madeiras nobres (teca, mogno, etc.) de procura internacional. Para muitos países em desenvolvimento, a exportação desta matéria-prima é uma fonte de ingressos importante que permite reduzir a dívida externa. O problema acentua-se quando os recursos explorados não são restabelecidos. • A obtenção de lenha A obtenção de combustível doméstico é outra das causas do desmatamento. Envolve lugares com uma alta densidade demográfica, como as florestas da Índia, da China e da África subsaariana. • Os movimentos de população Alguns governos promoveram a migração para as florestas com o intuito de resolver a superpopulação de algumas áreas urbanas e, assim, melhorar as condições de vida da população. Para sobreviverem, a única opção dos migrantes era cortar as árvores e queimá-las para plantar as suas lavouras. No entanto, o rendimento dessas terras dura apenas alguns anos. Com efeito, os solos tropicais não são adequados para a agricultura intensiva de longo prazo, já que se degradam rapidamente depois que as árvores são cortadas. Deste modo, os novos habitantes das florestas tornaram-se trabalhadores rurais sem terra. • A pecuária A terceira causa do processo de degradação florestal, depois do corte das árvores e da agricultura temporária, é a pecuária. Avalia-se que, no começo, seja possível manter uma vaca por hectare, enquanto cinco anos depois são precisos cinco hectares para uma única vaca. Passados dez anos, deve-se transferir o rebanho para novos pastos. • Os recursos do subsolo Quando na floresta pluvial existem jazidas de petróleo, o desmatamento produz-se devido à construção de vias de acesso e aos trabalhos de prospecção. A exploração de petróleo contamina a região com sulfatos, cianetos e mercúrio, entre outras substâncias poluentes. O Equador é um dos países que perderam mais massa florestal por esta razão. Neste caso, o desmatamento ocorre antes dos trabalhos de extração dos minerais, ainda que, cada vez mais, esteja previsto o reflorestamento depois das extrações. A construção de estradas de acesso facilita a penetração de colonos, atraídos pela elevação do nível de vida na zona de mineração. A atividade mineradora tem como consequência a poluição, especialmente dos rios. As zonas do planeta mais afetadas pelas explorações mineradoras são a bacia amazônica, a Guiné, as Filipinas e a Indonésia. • As infraestruturas As barragens e os canais são algumas das grandes obras de infraestrutura causadoras do desmatamento. O impacto ecológico não se limita às florestas inundadas pelas águas. Uma grande quantidade de espécies adaptadas às flutuações sazonais dos rios desaparece ou se reduz. Além disso, diminui o solo aluvial, muito rico para a agricultura. Do desmatamento à desertificação A redução da cobertura vegetal conduz à erosão. A força com que as gotas de chuva chegam ao solo é muito maior no solo sem cobertura, cuja capacidade de erosão pode chegar a multiplicar-se por 50. As perdas de água por infiltração aumentam e os rios e as torrentes tornam-se violentos ao carecerem de vegetação que os refreie. O arrastamento de pó e a rápida drenagem do solo desprotegido fazem com que as plantas fiquem enterradas num substrato cada vez mais instável. Após os cortes, as queimadas, o cultivo e o pastoreio, a produtividade das terras exploradas se iguala à de um deserto. A situação piora ainda devido à pobreza, que aumenta a pressão humana sobre os recursos naturais. • Bacia amazônica e Caribe A bacia amazônica contém a mais extensa superfície de florestas pluviais, de cerca de 600.000 ha. No entanto, só na década de 1980 esta zona sofreu uma perda de massa florestal equivalente a mais de 10 % da sua superfície total. O fenômeno está relacionado à distribuição desigual da propriedade. Como consequência, um grande número de trabalhadores rurais sem terra se instala na floresta para conseguir espaço para a agricultura. A situação nas ilhas do Caribe é ainda mais grave. O Haiti, por exemplo, perdeu mais de 95 % das suas florestas primitivas e atualmente 30 % do seu território são improdutivos. Em países como o Peru, o Equador e a Colômbia, o tráfico de drogas faz com que as florestas sejam devastadas para em seu lugar cultivar coca ou papoula. • África e Madagascar O ritmo da perda de massa florestal nesta região é estimado em 4 % ao ano. Uma das principais causas de desmatamento é a exploração madeireira. Madagascar é uma das zonas que sofre maior impacto devido fundamentalmente ao crescimento exponencial da sua população (a qual, provavelmente, ainda duplicará nas próximas décadas). Na década de 1980, a ilha conservava metade das suas florestas pluviais. • Ásia meridional Myanmar, Tailândia e Malásia apresentam as taxas de desmatamento mais elevadas do planeta, devidas, por um lado, às necessidades de terras agrícolas para uma população em crescimento e, por outro, à exploração de madeiras nobres para exportação internacional. Exploração sustentável das florestas tropicais Nos últimos tempos estão sendo aventadas algumas opções para uma exploração sustentável das superfícies de floresta pluvial e para evitar o corte em grande escala da mata primária (mata virgem). Uma melhor gestão do setor florestal, outros usos da terra e políticas governamentais adequadas constituem a base para um novo tipo de desenvolvimento. Desertos em expansão O fator comum entre desmatamento e desertificação é a situação de pobreza em que se encontra a população das zonas afetadas por ambos os fenômenos. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a desertificação priva anualmente os países afetados de cerca de 42 bilhões de dólares. • As causas da desertificação O termo desertificação designa o processo de transformação de terras em deserto. A eliminação da vegetação natural acelera os processos de erosão hídrica e eólica e favorece o processo de desertificação. Atualmente, os desertos encontram-se em expansão como consequência das atividades humanas. Os cientistas calculam que eles avançam a um ritmo de 60.000 km2 por ano. As principais causas da desertificação são as seguintes: — Pecuária extensiva: com a utilização irracional da vegetação para a pecuária. Esta é a causa de mais de uma quarta parte das terras que se desertificam todos os anos. — Agricultura em situações-limite: em muitas zonas semi-áridas corta-se ou queima-se a vegetação lenhosa ou arbustiva para arar e semear a terra. A eliminação da vegetação nativa e o cultivo de espécies pouco adaptadas aos ambientes áridos aceleram o processo de desertificação. Este tipo de agricultura é responsável pela metade das terras que se desertificam anualmente. — Recolhimento de combustível doméstico: o consumo de lenha é muito importante nas zonas pobres da África e da Ásia. Calcula -se que uma única pessoa consome mais de 2,5 t de lenha por ano, o que equivale (em ambientes áridos) a toda a biomassa existente numa zona de cerca de 4 ha. — Secas prolongadas: a seca provoca a diminuição do número e do tamanho das árvores, assim como queda na produção da vegetação natural e dos cultivos. Dentro do vasto conjunto de fatores que contribuem para a desertificação, encontram-se também a salinização do solo causada por um excesso de irrigação, a erosão eólica, a urbanização, a construção de obras de infraestrutura e o turismo. Fonte: http://mario-mascarenhas.blogspot.com.br/ Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Junho 2016 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Os comunistas aceitaram a decisão, mas exigiram a retirada da Brigada de Montanha, Sociólogo, é nascido no Brasil, formado e em seguida pediram sua demissão do em Ciências Sociais na Universidade de governo. Em dezembro, o PC grego e o EAM São Paulo, e vive em Paris desde 1969. organizaram uma greve geral e Diretor emérito de pesquisas do Centre manifestações que o exército britânico e a National de la Recherche Scientifique polícia reprimiram violentamente. Iniciaram-se (CNRS). Homenageado, em 1994, com a então os combates entre a ELAS e as tropas medalha de prata do CNRS em Ciências britânicas, assistidas pelos corpos gregos Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso regulares e os antigos “colaboradores”. de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da Em seu discurso à Câmara dos Comuns, Churchill anunciou: “Trata-se de um combate revolução no jovem Marx (2012) e de três ou quatro dias destinado a prevenir organizador de Revoluções (2009) e um massacre horrendo no centro de Atenas, Capitalismo como religião (2013), de cidade onde todas as formas de governo Walter Benjamin foram varridas, e onde há o risco da de um trotskismo nu e Capitalismo e democracia instalação triunfante” (grifo nosso). A obsessão de Churchill com o trotskismo (um governo na Europa operário e das massas) era perfeitamente PARTE VI consciente, não um recurso retórico. Depois O premiê inglês Winston Churchill viajou de 33 dias de combate, a ELAS, derrotada pessoalmente para Atenas, quando obtidas apenas em Atenas, assinou um armistício sob garantias de segurança, a fim de coordenar a pressão do Partido Comunista, em 12 de pessoalmente a repressão britânica contra a fevereiro de 1946, fixando as modalidades do esquerda e os setores que resistissem à desarmamento da ELAS, o adiamento das “nova ordem”, tendo como testemunha de eleições e a não participação da EAM no suas reuniões com as autoridades gregas o governo; os acordos foram assinados com o próprio embaixador da URSS. Gangues de governo Plastiras. Em 31 de março de 1946, direita mataram mais de 1.100 civis nas ruas, realizaram-se eleições para o parlamento deflagrando a guerra civil; forças militares do grego – boicotadas pelo KKE – formando-se governo começaram a combater o Exército um novo governo, de centro-direita. Em Democrático da Grécia (DSE), organizado seguida, um referendo, realizado em 1º de pelo KKE e composto majoritariamente por setembro, permitiu a restauração da antigos soldados da ELAS. O monarquia, e o rei George II voltou a Atenas. descontentamento social e político se A EAM, que controlava a maior parte da propagou: a economia capitalista grega se Grécia, ainda tentou tomar o controle da encontrava em situação terminal, o governo capital, mas foi derrotada. A derrota das protegia os colaboradores do nazismo e forças da EAM significou o fim da sua conservava os sinistros “Batalhões de primazia política: a ELAS fora desarmada, a Segurança” das antigas autoridades EAM continuou como uma organização colaboracionistas. Prevendo um iminente multipartidária. choque militar, uma guerra civil, Churchill enviou do Egito a Brigada de Montanha, uma Finalmente, no final de 1946, apesar das tropa inglesa de contra insurgência. A Grécia reticências do PC grego (KKE), como reação se viu assim envolvida em uma longa e defensiva ao “terror branco” e sem dúvida sob sangrenta guerra civil interna, que culminou a pressão do PC iugoslavo, um exército de com a derrota das forças irregulares por volta partisans gregos foi reconstituído nas de 1949, forças que enfrentaram uma montanhas sob o comando do general coalizão político-militar de todas as forças Markos, beneficiado da ajuda iugoslava. A vencedoras da guerra mundial (URSS guerra civil grega foi travada entre 1946 a incluída), o que levou o premiê inglês Winston 1949, envolvendo as forças armadas do Churchill a declarar na Câmara dos Comuns: governo monárquico grego, apoiadas pelo “Acredito que o trotskismo defina melhor o Reino Unido e pelos Estados Unidos, contra o comunismo grego e de outras seitas do que o KKE e seu braço armado, o Exército termo habitual. E tem a vantagem de ser Democrático da Grécia (DSE), juntamente também repudiado na Rússia (risos com a Frente Nacional de Liberação (EAM) e seu braço armado, a ELAS, com o apoio da prolongados)”. Bulgária, Iugoslávia e Albânia. O mortífero O Kapitanios Aris Velouchiotis, chefe militar gás napalm foi usado pela primeira vez no da ELAS que condenava os acordos pós-guerra pelas Forças Armadas dos EUA patrocinados pelos aliados como uma na guerra civil grega; aldeias inteiras foram capitulação política, foi expulso do PC grego destruídas e queimadas, junto com seus e denunciado como traidor; logo depois, foi habitantes. No total, houve 158.000 mortos caçado pelos “brancos” protegidos pelos durante o conflito, e um milhão de pessoas britânicos e assassinado no dia 16 de junho foram “realocadas” durante a guerra. de 1945; sua cabeça foi exposta em praça pública. A guerra civil grega, no entanto, não A situação grega configurava uma crise fazia senão começar. Em 28 de novembro, internacional: “Na reunião soviético-búlgaroPapandreou anunciou a dissolução de todos iugoslava de Moscou, o problema da os grupos armados da resistência antinazista. federação balcânica e danubiana apareceu Por: Michael Löwy ligado à questão grega. Pouco antes da reunião de Moscou, o governo albanês havia solicitado do governo iugoslavo o envio de duas divisões da fronteira greco-albanesa. Belgrado deu uma resposta favorável, mas Molotov comunicou aos iugoslavos que o governo soviético se opunha resolutamente, ameaçando em tornar pública sua atitude se os governos de Tirana e Belgrado não anulassem as medidas previstas. Na reunião de 10 de fevereiro, Stálin afirmou energicamente que a luta armada na Grécia não tinha o menor futuro e que os iugoslavos deviam interromper a ajuda aos comunistas gregos. Evidentemente, dados os meios militares que o imperialismo americano estava usando na Grécia, as forças revolucionárias não podiam vencer sem uma assistência militar soviética adequada, e Stálin não queria se comprometer nesse terreno. O informe de Zdanov na reunião do Kominform foi suficientemente significativo a esse respeito. A indecisão da Grécia no projeto de federação balcânica equivalia a proclamar publicamente que o movimento comunista estava disposto a intensificar a ajuda aos combatentes gregos. Era um desafio para Washington inconciliável com a estratégia stalinista”. O Partido Comunista Grego, tendo rejeitado o resultado das eleições de 1946, levantou-se nas montanhas da Macedônia e na região de Épiro, onde estabeleceu um governo paralelo na cidade de Konitsa. O governo monarquista pediu ajuda aos britânicos, os que, por sua vez, pediram reforços ao presidente dos EUA, Harry Truman. Os comunistas tinham apoio político e logístico dos recém fundados Estados “democrático-populares” do Norte (Albânia, Iugoslávia, Bulgária). Apesar do fracasso militar das forças governistas de 1946 até 1948, o aumento da ajuda norteamericana ao governo monárquico grego, a diminuição do recrutamento de voluntários para o DSE e os efeitos da ruptura Tito-Stalin levaram à derrota dos insurgentes; os monarquistas conseguiram se impor militarmente. O projeto de Federação dos Bálcãs naufragou junto com os antares gregos na sua guerra contra a aliança monárquico-burguesa-inglesa-americana. Em janeiro de 1948, o veterano dirigente da Internacional Comunista Georges Dimitrov deu a conhecer um projeto de Confederação Balcânico-Danubiana, englobando a Polônia, a Tcheco-eslováquia e a Grécia. Algumas semanas depois, a Pravda de Moscou se manifestou contrária a esse projeto. Em fevereiro, a imprensa de Belgrado reproduziu o comunicado da Pravda, sem comentários. Dimitrov se retratou publicamente.[21] Na Grécia, por sua vez, o DSE sofreu uma derrota militar catastrófica no verão de 1948, com quase 20.000 baixas. E, em julho de 1949, Tito fechou a fronteira iugoslava com a Grécia, negando proteção ao DSE. Um cessar-fogo na Grécia foi finalmente assinado a 16 de outubro de 1949. Era o fim da guerra civil grega, e também a derrota da revolução. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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