Guimarães mais verde #4

 

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eco-revista #04 março 2016 Esta revista é uma publicação da Câmara Municipal de Guimarães. Trimestral, de distribuição gratuita, acompanhará o processo de candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020. Personalidades debateram cidade sustentável Guimarães constrói mais cinco parques de lazer Educabicla ensina código da estrada a 1500 alunos Jane Carruthers em entrevista: Guimarães será um local ainda mais notável

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2 guimarães mais verde Nota Introdutoria Nas suas mãos tem a quarta edição da eco-revista “Guimarães Mais Verde”, uma publicação da autarquia de Guimarães, que acompanha a candidatura do município a Capital Verde Europeia 2020. Nesta edição, não deve perder a entrevista a Jane Carruthers, membro do Comité Externo de Aconselhamento, que tece rasgados elogios a Guimarães e à sua política ambiental, bem como tudo sobre a 1ª conferência internacional "Como Construir uma Cidade Verde". Os projetos Teatro Bus e Educabicla são também notícia, pela sua importância junto da comunidade estudantil. Saiba também que Guimarães terá mais quatro Parques de Lazer, num total de quase 16 hectares de área verde. Os projetos científicos do Laboratório da Paisagem de Guimarães e o sucesso do EcoPontas e do PapaChicletes são igualmente destaque nesta edição. Boa leitura! Econotícias Reunião CVE Teatro Bus Boas práticas internacionais Entrevista a Jane Carruthers I&D no Laboratório da Paisagem Parques de Lazer Teatro Bus EducaBicla Últimas 03 04 06 07 08 10 12 14 15 16 Ficha Técnica: propriedade Câmara Municipal de Guimarães / periodicidade trimestral / tiragem 20.000 exemplares impressão Gráfica Ideal de Guimarães / papel Munken Pure / distribuição gratuita (O papel Munken Pure é produzido de acordo a certificação FSC - Forest Stewardship Council. O FSC é um dos selos florestais mais reconhecidos em todo o mundo. Trata-se de uma garantia de origem que assegura a exploração florestal de forma responsável. Criado em 1993 na Alemanha, por várias instituições internacionais, o FSC tem como objetivo estabelecer princípios e critérios para conciliar a exploração da floresta e a conservação dos seus recursos).

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guimarães mais verde  3 Guimarães projeta soluções inovadoras no modelo de governança das cidades comunidade, empresas e universidades. A realização destas ações tem como objetivo fomentar a produção de soluções urbanas inovadoras, realçando temas como o desenvolvimento, a inovação, a sustentabilidade, o financiamento, a competitividade e o crescimento. O objetivo global é contribuir para melhorar a capacidade de projeção e integração europeia de projetos e iniciativas. A expansão internacional e a criação de novas ideias e parceiros são alguns dos fatores-chave para o “smart development”. «Estamos a construir uma cidade de futuro, com um modelo de desenvolvimento que passa pela economia criativa, a fim de tornar o território mais atrativo», disse Ricardo Costa, Vereador do Município de Guimarães. «A candidatura tem que valorizar o passado e acrescentar uma nova camada de inteligência e atratividade que construa uma cidade que crie oportunidades para todos», acrescentou o responsável pela Divisão de Desenvolvimento Económico da Autarquia. O evento, orientado para todos os interessados em alargar conhecimento e desenvolver capacidades nas áreas do desenvolvimento regional, criação de valor e programas internacionais, contou com a representação de Câmaras Municipais, agências de energia, Comunidades Intermunicipais, profissionais, empresas, investigadores e estudantes. As jornadas europeias sobre “Smart Cities” (Cidades Inteligentes), que decorreram no Palácio de Vila Flor, em Guimarães, no dia 26 de fevereiro, permitiram recolher novos contributos para a elaboração de candidaturas comunitárias que o consórcio europeu liderado pela Câmara Municipal de Guimarães está a preparar juntamente com mais duas cidades classificadas como Património Cultural da UNESCO, a croata Dubrovnik e a eslovena Koper, ambas com uma forte polarização universitária no contexto das cidades fundadoras, constituindo uma cooperação triangular entre Bacias de retenção são exemplo nacional Mais de 2 milhões de metros cúbicos de água foram regulados, até agora, nas três bacias de retenção construídas há dez meses em meio urbano pela Câmara Municipal de Guimarães. Só nos primeiros 48 dias de 2016, desde o início deste ano até 17 de fevereiro, choveu mais de metade do que nos últimos oito meses do ano passado. Entre maio e dezembro de 2015, passaram pelas bacias de retenção de Guimarães 1 milhão e 320 mil metros cúbicos de água, enquanto em 2016, em apenas um mês e meio, foram contabilizados 894 mil metros cúbicos de água. «Esta obra tem resolvido o problema das inundações, que eram recorre n te s » , a f i r m o u D o m i n g o s Bragança, Presidente do Município. O recurso à engenharia natural na construção das bacias teve como principal objetivo o melhoramento e a manutenção da função hidráulica da Ribeira da Costa, constituindo uma solução para evitar cheias com a criação de três bacias de retenção, com a função de redução do caudal e velocidade das águas da Ribeira de Couros, diminuindo, desta forma, a possibilidade de inundações da zona baixa da cidade. Com esta obra, a autarquia privilegiou a preservação e valorização de espaços verdes, que se encontram enquadrados na cidade, favorecendo a sustentabilidade e a biodiversidade do sistema natural, criando corredores ecológicos fluviais, além de aumentar o grau de utilização pública destas áreas naturais, criando lugares de interface entre as vivências sociais e os espaços ribeirinhos.

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4 guimarães mais verde Personalidades nacionais e mundiais debateram cidade sustentável Ao longo de cinco dias, decorreu em Guimarães um programa subordinado às temáticas que decorrem da estratégia de sustentabilidade definida pelo Município e enquadradas na candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. O Conselho Consultivo, que reúne um total de 101 personalidades, da qual fazem parte representantes de todos os partidos políticos com representação na Assembleia Municipal de Guimarães, os diretores dos agrupamentos de escolas e das escolas secundárias, os Presidentes de Junta de Freguesia e um conjunto de entidades, associações e instituições que exercem a sua atividade no âmbito dos indicadores previstos na candidatura, reuniu-se pela segunda vez. Esta reunião, presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança e pelo Reitor da Universidade do Minho, António Cunha, marcou o arranque dos trabalhos de uma semana intensa de discussão, mas acima de tudo de partilha de conhecimento. Presente igualmente na reunião, esteve o Comité Executivo, constituído pelos vereadores da Câmara Municipal de Guimarães Amadeu Portilha e Ricardo Costa. “Um novo amanhã | Uma nova maneira”, foi o título escolhido para o relatório que fez o balanço das principais atividades relativas ao segundo semestre de 2015 e que foi apresentado durante a reunião onde foram também analisadas algumas das principais linhas de ação a que o Município se propõe para 2016. Na manhã seguinte, o Laboratório da Paisagem promoveu a 10ª sessão do ciclo de tertúlias mensais "Café com Ambiente” subordinada ao tema 232 dias de Guimarães Mais Verde - A história continua... O tratamento e gestão de água, o programa de educação ambiental PEGADAS e a reconstrução de uma cidade virada para o futuro, mas que não esquece o seu passado, foi o mote da discussão da habitual tertúlia informal onde marcaram presença Armindo Costa e Silva (Presidente do Conselho de Administração da Vimágua), Miguel Frazão (Diretor do Departamento Serviços Urbanos - Município de Guimarães), Isabel Loureiro (Coordenadora Executiva da candidatura a Guimarães Capital Verde Europeia 2020) e Jorge Cristino (Coordenador do Programa de Educação Ambiental PEGADAS). ················································································································ CONFERÊNCIA COM PERSONALIDADES MUNDIAIS ················································································································ Cientes da importância da partilha de conhecimento, foi também promovido um primeiro seminário de um ciclo de conferências que se pretende manter sobre implementação de boas práticas na área do ambiente. A primeira conferência, "Como Construir uma Cidade Verde", foi realizada no Laboratório de Paisagem, no dia 25 de janeiro e contou com a presença de várias individualidades internacionais ligadas ao Ambiente: Gunnar Söderholm, Director do Departamento de Saúde e Meio Ambiente de Estocolmo, que realizou uma apresentação sobre o desenvolvimento urbano sustentável, Luiz Andres, Diretor do departamento Ambiental de Vitoria-Gasteiz que se debruçou sobre a importância do investimento nas Áreas Verdes e Miguel Anxo Lores que apresentou o projeto premiado internacionalmente de mobilidade sustentável implementado em Pontevedra. Jane Carruthers prestigiada investigadora da Universidade de África

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guimarães mais verde  5 do Sul, professora catedrática e autora de importantes livros sobre sustentabilidade ambiental analisou o potencial de Guimarães enquanto Candidata a Capital Verde Europeia e Estelita Vaz, Diretora da Escola de Ciências da Universidade do Minho explicou a maisvalia da participação da Universidade do Minho nesta candidatura. ················································································································ COMITÉ EXTERNO REUNIU-SE PELA 2ª VEZ ················································································································ Na segunda reunião do Comité Externo de Aconselhamento, que tem por missão acompanhar a implementação do plano global, bem como validar cientificamente a preparação da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia, Mohan Munasinghe, Will Wynn, Mauro Agnoletti e Jane Carruthers reuniramse com os seus pares, os Presidentes das Escolas da Universidade do Minho e deixaram contributos importantes na construção do caminho da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. O Comité de Aconselhamento foi ainda convidado a participar numa visita por alguns pontos importantes no Município de Guimarães no que respeita a bons exemplos na área da sustentabilidade: Centro para a Valorização de Resíduos, Minas da Penha (Vimágua), Centro de Ciência Viva e Laboratório da Paisagem. Também durante a sua visita puderam participar numa apresentação em contexto, do sistema de recolha de Resíduos PAYT - Pay as You Throw (Pagar pelo Produzido), implementado no Centro Histórico de Guimarães. Conferência "Como Construir uma Cidade Verde"

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6 guimarães mais verde Reunião do Comité Externo de Aconselhamento Visita ao Centro Ciência Viva de Guimarães Mohan Munasinghe e Domingos Bragança Visita ao Reservatório das Minas da Penha Visita às Minas de água da Montanha da Penha Visita ao Centro para a Valorização de Resíduos Reunião do Conselho Consultivo

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guimarães mais verde  7 Estocolmo Em 2010, Estocolmo foi eleita como a primeira Capital Verde Europeia. Um título que se percebe facilmente em números. Ora vejamos: a capital da Suécia tem uns impressionantes 750 quilómetros de ciclovias, utilizadas diariamente por cerca de 150 mil pessoas como meio de transporte. Estocolmo conseguiu reduzir o tráfego automóvel em 18% em menos de quatro anos, com a introdução de uma taxa, que proporcionou ainda uma redução em 25% nas emissões de gases com efeito de estufa. Esta taxa anti-congestionamento, de dois euros diários, imposta em 2007, permitiu ainda diminuir o tempo despendido no trânsito para metade. ··············································································································· livre de combustíveis fósseis até 2040 A primeira Capital Verde Europeia ··················································································································· ··················································································································· Mas o caminho para uma para uma cidade ainda mais sustentável está longe de terminar. Um dos objetivos da capital sueca é que em 2040 esteja livre de combustíveis fósseis. Para que isso seja possível foram realizadas intervenções que melhoraram a qualidade das águas, deixando-as apropriadas para a pesca e lazer, além de modificar o sistema de aquecimento a partir da bioenergia, que aquece já 80% da cidade. Na hora de escolher Estocolmo como Capital Verde Europeia, o júri composto por representantes da Agência Europeia do Ambiente e de outras organizações europeias e internacionais, disse ter ficado “particularmente impressionado” com o vasto programa municipal para melhorar a já de si enorme qualidade de vida dos seus cidadãos. 95% dos habitantes de Estocolmo moram a 300 metros de uma área verde ··············································································································· Outro número a reter é o da percentagem de pessoas que todos os dias entram na cidade utilizando transportes públicos, de 35%. Igualmente impressionante são os 70% de habitantes – de um total de mais de 800 mil -, que circulam dentro da cidade de metro ou de autocarro. Mais: 95% das pessoas moram a 300 metros de uma área verde; a cidade aloca 2700 indústrias de tecnologia limpa; 100% do esgoto da cidade é tratado; 80% do aquecimento da cidade é produzido por bioenergia; todos os sinais de trânsito utilizam tecnologia LED o que permitiu reduzir a necessidade de energia para os semáforos em 95%; todos os transportes públicos da cidade utilizam combustíveis limpos e são acessíveis para pessoas com deficiência.

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Entrevista Jane Carruthers Investigadora da Universidade da África so Sul “Guimarães está extremamente bem posicionada para se tornar Capital Verde Europeia” Investigadora da Universidade de África do Sul, Jane Carruthers, é professora catedrática e autora de importantes livros sobre sustentabilidade ambiental, que lhe valeram reconhecimento por todo o mundo. É também membro do Comité Externo de Aconselhamento da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. O que é uma cidade Património Mundial da UNESCO e ambientalmente sustentável? A designação de Património Mundial da UNESCO é rara e uma grande honra. O título é baseado na Convenção do Património Mundial, de 1972, que, após um processo complexo, rigoroso e detalhado, reconhece um local como sendo de importância internacional e uma herança a ser estimada por toda a humanidade. Em 2001, o Centro His- tórico de Guimarães foi inscrito na lista de Património Mundial, porque foi o lugar a partir do qual Portugal surgiu, porque é bem conservado e por causa da riqueza e distinção da sua arquitetura. A melhor maneira de definir uma cidade sustentável é usar os critérios da Capital Verde Europeia, iniciativa que começou em 2008. Melhorando, conservando e fazendo uma boa gestão dos elementos ambientais básicos, “Os vimaranenses abraçaram o projeto de uma forma entusiástica e comprometida".

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guimarães mais verde  9 “Guimarães será um local notável e com um ambiente urbano extremamente feliz, onde os seus cidadãos poderão viver e prosperar”. como ar puro, águas residuais, energia, transportes, parques urbanos e a biodiversidade. Só assim se garante que uma cidade sustentável evolui e a saúde dos cidadãos é assegurada, com um reduzido impacto humano. E como se consegue alcançar esse objetivo? e proporcionar orgulho e identidade. Além disso, a importância histórica continuará e não será corroída. Com estas realizações, Guimarães vai cimentar a sua posição como uma cidade líder em Portugal, com um perfil internacional elevado e uma distinção extraordinária. Quais são os benefícios práticos da parceria entre o Património Mundial da UNESCO e uma cidade sustentável? Curiosamente, e talvez surpreendentemente, apesar de Património Mundial significar preservar o passado e uma cidade cidade sustentável olhar para o futuro, ambos exigem metas e dedicação. E isso tem de vir dos cidadãos e dos autarcas. Tem de haver uma visão, e isso está muitas vezes ligado ao orgulho cívico e criatividade. O trabalho duro, a investigação multidisciplinar, sendo inovador, é também tomar decisões políticas e económicas difíceis. A educação também é importante, como é o entusiasmo da comunidade e uma vontade de aprender com outros exemplos. Contudo, fundamentalmente, ambas as realizações assentam numa parceria entre os responsáveis municipais, instituições como a Universidade do Minho, e os cidadãos, a fim de preservar o melhor do passado e alcançar o melhor para o futuro. Por que são esses dois títulos importantes para Guimarães? Existem alguns benefícios práticos muito evidentes. Em primeiro lugar, com uma cidade sustentável, haverá um ambiente para o futuro em que a eco-inovação se presta ao emprego sustentável e será um orgulho para os cidadãos, não só do local onde vivem, mas também de como eles vivem. Em segundo lugar, o Património Mundial será preservado e valorizado num ambiente planeado, limpo, saudável, em crescimento económico e na vanguarda da resiliência num momento de mudança global. Em terceiro lugar, haverá um crescimento do investimento adequado e um crescimento do turismo. Mas o mais importante, Guimarães será um local notável e com um ambiente urbano extremamente feliz, onde os seus cidadãos poderão viver e prosperar. Quais são as potencialidades que Guimarães tem para ser Capital Verde Europeia? “Tendo já o estatuto de Património Mundial alcançado, a sustentabilidade é muito importante para proteger esse património, mas também para garantir que Guimarães não é um museu, mas um espaço urbano vibrante". Tendo já o estatuto de Património Mundial alcançado - e com planos para expandir a extensão do local - a sustentabilidade é muito importante para proteger esse património, mas também para garantir que Guimarães não é um museu, mas um espaço urbano vibrante. Os dois reforçam-se mutuamente. Uma cidade sustentável significa que a cidade será habitável, irá desenvolver-se economicamente Penso que Guimarães está extremamente bem posicionada para se tornar Capital Verde Europeia. Os aspectos individuais do património mundial e sustentabilidade - juntamente com uma rica história ambiental – diferencia-a de outros candidatos. A autarquia tem um plano estratégico bem estruturado, com um painel de especialistas e consultores da universidade e de outros lugares, e há vontade política para conquistar o título. Tão importante quanto isso, os vimaranenses abraçaram o projeto de uma forma entusiástica e comprometida. Este é o tipo de parceria urbana que é muito raro e será, penso eu, suficiente para ganhar o prémio.

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10 guimarães mais verde I&D no Laboratório da Paisagem Após o sucesso dos projetos científicos realizados no último ano no Laboratório da Paisagem, novos projetos serão agora lançados em 2016 nas três áreas de investigação da instituição: Ecologia, Geografia e Hidráulica & Ambiente. Em 2015, e num projeto de investigação que mereceu rasgados elogios por parte da Agência Portuguesa do Ambiente – “A Ribeira e a Cidade” - e que permitiu a caracterização do estado ecológico da Ribeira Costa/ Couros, o Laboratório da Paisagem contribuiu para identificar focos de poluição e apontar soluções para uma das linhas de água com mais problemas no concelho. Para além deste, o Laboratório da Paisagem deu também início a um projeto científico que tem como objetivo principal a redução e valorização de resíduos no concelho e que permitiu a instalação de novas estruturas de mobiliário urbano – EcoPontas e PapaChicletes – em Guimarães. Neste ano de 2016, o Laboratório da Paisagem e paralelamente com a sua missão de promover a educação e a consciencialização ambiental, quer continuar a posicionar-se como um centro de investigação científica de excelência com diversos projetos nas suas três grandes áreas de intervenção: Ecologia, Geografia e Hidráulica & Ambiente desenvolvidos pelos investigadores Francisco Carvalho, Ricardo Martins e Nuno Silva. Na senda do primeiro grande projeto da instituição, e num projeto multidisciplinar, o Laboratório da Paisagem alargará a caracterização do estado ecológico e qualidade das linhas de água do concelho iniciado na Ribeira Costa/Couros, estendendo-a à Ribeira do Selho e a outros cursos de água que apresentam graves perturbações hidromorfológicas e elevados níveis de poluição, comprometendo assim estes recursos hídricos e os seus ecossistemas bem como a qualidade de vida das populações. ·················································································································· HIDRÁULICA & AMBIENTE sagem pretende analisar e avaliar o regime de caudais das massas de água, a influência dos fenómenos de precipitação e alterações climáticas, permitindo desse modo que o desenvolvimento do referido projeto possa permitir a sugestão de medidas interventivas associadas à integração de sistemas naturais de retenção e tratamento de escorrências urbanas associadas ao concelho de Guimarães. Para além disso, será continuado o projeto que visa a redução e valorização dos resíduos de pontas de cigarro e pastilhas elásticas, e cujos próximos passos possibilitarão o estudo sobre as possibilidades de valorização dos respectivos resíduos em colaboração com o CVR-Centro para a Valorização de Resíduos e também o estudo do impacto social e ambiental da instalação do EcoPontas e do PapaChicletes em Guimarães. ··············································································································· ECOLOGIA ··············································································································· Na área da Ecologia, e paralelamente ao projeto de caracterização do estado ecológico das linhas de água, será iniciado um projeto científico que visa a monitorização e ação para a eliminação de espécies vegetais na encosta da Penha e que possa posteriormente ser alargado para outras zonas de interesse do concelho. As espécies invasoras são hoje em dia uma das maiores ameaças à biodiversidade, sendo apontadas como uma das cinco maiores causas de extinções de espécies, sendo que também em Guimarães foi já descrita uma grande mancha de ocupação de espécies vegetais invasoras nomeadamente na Encosta da Penha. Este será mais um projeto que pretende, pois, responder de forma direta a um dos problemas ambientais com que se depara o concelho de Guimarães. A criação de uma base de dados da biodiversidade do ·················································································································· Na área de Hidráulica & Ambiente, o Laboratório da Pai-

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guimarães mais verde  11 concelho é também um dos projetos em que o Laboratório da Paisagem estará empenhado, contando para isso com o envolvimento de toda a comunidade vimaranense, no âmbito do conceito "citizens science” (ciência cidadã). ··············································································································· geografia EcoPontas e PapaChicletes são um sucesso Cerca de 10 mil pontas de cigarros, equivalentes a mais de 3,5kg, e perto de 900 pastilhas elásticas, num total aproximado de 1 Kg, foram recolhidos durante o primeiro mês pelo EcoPontas e pelo PapaChicletes, duas novas estruturas de mobiliário urbano instaladas em Guimarães, cujo objetivo é contribuírem para a redução de chicletes e pontas de cigarro atiradas para o chão, dois dos resíduos mais encontrados nas praças e ruas da cidade. A primeira fase de instalação das novas estruturas já terminou com a colocação de nove EcoPontas e nove Papa-Chicletes, que estão agora espalhados por vários locais da cidade. A característica da colocação de um inquérito atualizado periodicamente tem permitido, igualmente, que os fumadores possam dar a sua opinião sobre os mais variados temas. «Todas as questões foram agora alteradas para criar uma motivação acrescida para a sua utilização», referiu o investigador do Laboratório da Paisagem, Nuno Silva, autor das estruturas, num trabalho de parceria entre o Município de Guimarães e a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020. ··············································································································· Na área da Geografia, será dado início a um projeto de investigação científica que compreenderá a identificação de Unidades de Paisagem cada uma definida através do seu carácter, que resulta da integração das componentes naturais (quadro geológico, o relevo, a hidrografia e a presença de planos de água, solo e biodiversidade) e das suas componentes culturais (o contexto histórico, o povoamento, o cadastro de propriedade rústica, e o uso do solo), tornando Guimarães num seguidor de boas práticas já realizadas por exemplo em território ibérico, considerando a paisagem como garante da qualidade e sustentabilidade do ambiente natural e construído e como recurso da cultura e da cidadania. Para além disso, o Laboratório da Paisagem manterá a sua ambição de continuar a contribuir para o cumprimento da Convenção Europeia da Paisagem, através da execução de outros projetos que incluem a realização de um Seminário Internacional de Arte e Paisagem e também de outros eventos que permitam uma manifestação interventiva na paisagem através de instalações artísticas em vários pontos do concelho. Ao longo do ano de 2016 e ainda dentro desta área o Laboratório da Paisagem continuará a promover atividades junto dos mais novos que permitam que através do desenho e da pintura em forma de postais ilustrados descubram novas perspectivas de paisagem, elaborem novos sentidos de lugar e proponham a existência de uma outra cidade sobre a retratada.

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12 guimarães mais verde Guimarães constrói mais cinco parques de lazer O objetivo para 2017, é que 80% da população tenha acesso a áreas verdes. Guimarães terá em breve mais cinco parques de lazer. A Câmara Municipal de Guimarães já iniciou a obra na quinta de Ardão, na freguesia de Silvares. Seguirse-ão Candoso Santiago, Ronfe, Sande S. Clemente e S. Torcato, num total de 16 hectares. Em Silvares o novo parque será implantado numa área com 10 hectares, que o tornará no segundo maior de Guimarães. Um projeto ambicioso, que deverá estar concluído em junho, e que irá permitir requalificar e rearborizar aquele espaço, bem como recuperar a linha de água ali existente. Para além da requalificação das margens do Rio Ave, que banha toda aquela área, o projeto prevê a construção de parques infantis e zonas cicláveis, sempre com cuidados especiais com a manutenção e consolidação da biodiversidade existente. Tratamento semelhante terão os futuros parques de lazer de Candoso S. Tiago (3 ha), Ronfe (1,5 ha), Sande S. Clemente (1 ha) e S. Torcato (0,7 ha), que nascerão no decorrer do presente ano. Para 2017 o objetivo é que 80% dos cidadãos tenham acesso a áreas verdes. Um caminho importante e que em muito contribuirá para o sucesso da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. Para isso, as freguesias do concelho de Guimarães terão espaços multifacetados e multidisciplinados, com um conjunto de valências para que as pessoas possam utilizar em comunidade e em segurança. De acordo com o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Guimarães e responsável pela pasta do ambiente, Amadeu Portilha, a Autarquia vai prosseguir a aposta na “construção de um território em harmonia com a natureza, recuperando para as pessoas aquilo que estaria abandonado ou que está degradado. Somos um território dotado de uma mancha substancial de floresta, de terrenos de aptidão da mancha ecológica mais natural, digamos assim, e é nosso objetivo consoante as disponibilidades de terrenos e também orçamentais dotar todo o território com parques de lazer com qualidade, até porque um dos objetivos fundamentais da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia é ter parques de proximidade, para que os seus cidadãos possam desfrutar deles". Recorde-se que em 2015 foram executados quatro projetos, em Lordelo, Silvares, Urgezes e Polvoreira, num total de 4,6 hectares, aos quais se junta o Pomar das Maçãzinhas, com meio hectare, na Horta Pedagógica e Social de Guimarães.

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guimarães mais verde  13 ·········································································· ONDE SERÃO CRIADOS OS NOVOS PARQUES DE LAZER? ·········································································· 1  Ardão, Silvares (10 ha) 2 Candoso Santiago (3 ha) 3  Ronfe (1,5 ha) 4 Sande S. Clemente (1 ha) 5 São Torcato (0,7 ha) Planta do Parque de Lazer e Desporto de Ardão, freguesia de Silvares

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Peça “A Viagem” com mensagem ambiental Teatro sobre rodas percorre todas as escolas de Guimarães Assistir a uma peça teatral a bordo de um autocarro não acontece todos os dias, mas é uma probabilidade muito forte em Guimarães. Um palco sobre rodas leva teatro e ambiente a todo o concelho. Um universo superior a oito mil crianças que frequentam 82 estabelecimentos de ensino do concelho de Guimarães vai assistir à peça de teatro “A Viagem”, uma representação com uma mensagem ambiental pedagógica, que decorre no interior de um autocarro que percorrerá todas as escolas vimaranenses, com apresentações a todos os alunos do ensino básico até ao final do próximo ano letivo. Durante trinta minutos, três atores da companhia vimaranense Teatro Oficina convidam os passageiros a conhecer diferentes “acidentes” que o ser humano provoca no seu meio ambiente. "Qualquer mudança de paradigma ou alteração daquilo que é o estatuto de uma cidade em termos de desenvolvimento implica tempo! O que queremos é transmitir essa mensagem às crianças e aos jovens de Guimarães. Neste caso, a peça fá-lo de uma forma divertida, pedagógica e muito interativa, passando uma mensagem de sensibilização e de conhecimento de todo este processo", referiu Amadeu Portilha, Vice-Presidente com competências delegadas na área do Ambiente. A coordenação teatral do projeto está a cargo da Oficina e o seu diretor artístico, Marcos Barbosa, confessa-se um entusiasta da inovação, com um autocarro a ser adaptado para a função de um palco ambulante, onde nada foi deixado ao acaso, desde o som à decoração interior. "Procuramos criar uma história divertida, com interação, sem ser demasiado explicativa", um texto intuitivo e de fácil perceção para as crianças, até porque, como disse, "também se aprende a brincar".

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guimarães mais verde  15 EducaBicla 1500 alunos vão saber as regras do código da estrada e serão avaliados pelos conhecimentos adquiridos. No final, recebem o Cartão de Ciclista Urbano, uma espécie de carta de condução. A Câmara Municipal de Guimarães , em parceria com a empresa vimaranense Get Green, deu início em janeiro ao programa EducaBicla, destinado a 1500 alunos de turmas do 6º ano de escolaridade do concelho, com o objetivo de ensinar os jovens a andar de bicicleta cumprindo as regras de segurança. O projeto pretende também sensibilizar a comunidade estudantil para a adoção de comportamentos amigos do ambiente. Incluído no programa ambiental PEGADAS, o EducaBicla “contempla uma componente teórica, abordando os principais benefícios da utilização da bicicleta como meio de transporte, bem como regras e sinais de trânsito para uma condução segura, uma componente de mecânica na ótica do utilizador, uma componente prática, com um percurso devidamente sinalizado, onde os alunos podem pedalar e testar os conhecimentos e por fim uma sessão teórica, onde realizam um teste e têm espaço para tirar dúvidas e debater o tema da mobilidade ciclável”, referiu Teresa Silva da Get Green. Cada ação contempla uma vertente teórica, abordando os principais benefícios da utilização da bicicleta como meio de transporte, bem como regras e sinais de trânsito para uma condução segura. Haverá ainda uma componente de mecânica na ótica do utilizador e uma formação prática, com um percurso devidamente sinalizado, onde os alunos poderão pedalar e testar os conhecimentos. No final de cada ação, o participante recebe o Cartão de Ciclista Urbano, como reconhecimento da aprendizagem e objeto que o faça lembrar de todos os cuidados a ter enquanto pedala. No final de cada ação o aluno recebe o Cartão de Ciclista Urbano e o Manual de Boas Práticas de Condução, como reconhecimento da aprendizagem. "Um objeto que o faz relembrar de todos os cuidados a ter enquanto pedala." Toda a comunidade pode ainda no site www.educabicla. pt, fazer testes, avaliando os seus conhecimentos e sensibilidade para as temáticas, ecologia, mobilidade, mecânica, segurança e cidadania. O projeto tem tido uma grande recetividade por parte dos alunos, professores e encarregados de educação. “Os alunos têm gostado e mostrado interesse em toda a matéria. Algumas regras muito importantes e alguns sinais são exemplos de coisas que a maioria dos jovens não sabem e que são imperativos para uma condução segura na estrada. Por isso, e por haver ainda jovens que nunca tiveram a oportunidade de aprender a pedalar efetivamente, se criou este projeto que, de forma lúdica e dinâmica, consegue fazer chegar estes ensinamentos a miúdos e graúdos”, sustenta a responsável da Get Green. Ainda numa fase inicial, o EducaBicla vai chegar a todas as escolas do concelho, tendo cada turma três sessões. Para uma maior eficácia, prevê-se, de acordo com Teresa Silva, a sua continuidade nos próximos anos letivos, por forma a tornar esta iniciativa acessível ao maior numero de cidadãos.

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