VetScience Magazine - Número 11 | 2016

 

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ISSN 2358-5145 uma revista do Grupo TECSA Número 11, 2016 NEFROLOGIA VETERINÁRIA SOLUÇÕES E INOVAÇÕES www.vetsciencemagazine.com

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ENDOCRINOLOGIA Especialista em Veterinária ALGUMAS VANTAGENS DO RADIOIMUNOENSAIO: - Capacidade de detectar concentrações picomolares; - Maior precisão e segurança. EXAMES REALIZADOS COM CONTROLE EM 3 NÍVEIS: Dr. Luiz Eduardo Ristow Diretor Técnico - RT | CRMV-MG 3708 www.tecsa.com.br SAC: (031) 3281-0500 sac@tecsa.com.br

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EDITORIAL Estudos muito bem fundamentados pelo A importância da Certif icação em Laboratórios Veterinários maior melhoria na qualidade global em todos os serviços prestados. Desde 1999 o TECSA Laboratórios é empresa DNV – sendo então o Primeiro laboratório Veterinário certificado segurança e conseqüentemente certificado na ISO 9001 pela renomada na CAP – Colégio Americano de Patologia - aferições sistemáticas em cada instrumento ou aparelho utilizado naquela setor. São também utilizados parâmetros de garantia da qualidade com controles em 3 níveis para cada analito da rotina. Exames sujeitos apenas mostraram que, mesmo com controles muito 312 erros laboratoriais em cada 1 milhão de bem instituídos, podem ocorrer em média exames . Isto nos EUA e na linha Humana, imagine você o % de erros em Laboratórios veterinários no Brasil, sem utilização de controles internos e externos – calibrações ao olho humano são controlados por duplo América Latina – e segue assim por 17 anos, sempre ganhando a cada ano a renovação da sua certificação com absoluta conformidade voluntariamente buscando nos observador e um corsscheck sistemático. Todas as etapas do processo, da chegada de resultados, são analisados por médicos veterinários com anos de experiência em medicina laboratorial veterinária. São mais das amostras até a liberação dos relatórios – aferições diárias , além de testes de proficiência e crosscheck? Este número pode facilmente ultrapassar a casa de 10 mil erros por milhão, neste tipo de laboratório. as diversas exigências da Norma. Ingressou do Ministério da Agricultura (MAPA) excelência na realização de credenciamentos As complicações nestes casos são inúmeras: erro grave na finalização do diagnóstico pelo médico veterinário, erro na condução ou monitoramento do tratamento, diagnóstico possibilidade de propagação da doença não outras implicações jurídicas e comerciais. de 30 pontos de inspeção neste processo. Somente assim você pode ter certeza de que os resultados liberados são de fato confiáveis e seguros. exames oficiais e que envolveram mudanças estruturais de qualidade em toda a empresa desde 2001. Como se não bastasse desde tardio ou postergado por falsos - negativos, diagnosticada a tempo, dentre inúmeras Dado este panorama, uma das estratégias para minimizar os erros é a busca por programas sérios de acreditações pelo laboratório 2015 o TECSA também segue as rigorosas segmento, auditado pelo INMETRO com normas da ISO 17025, específica para nosso conformidade plena no atendimento de toda a padronização. Segurança e confiabilidade em garantia de um exame realizado em padrão qualidade mundial. que refletem para você, médico veterinário, veterinário. Ao buscar a conformidade com parâmetros para obter as certificações, o Laboratório Veterinário melhora processos, Todos os dias em cada setor técnico, profissionais super qualificados realizam manutenções preventivas, calibrações e possibilitando menor incidência de erros, Acredite, qualidade é essencial, você não pode abrir mão dela em um laboratório que lhe apóie. Mas QUALIDADE tem de ser comprovada, requer experiência, controles, certificações, acreditações e sobretudo compromisso com o resultado. Não se pode optar por aquilo que não gera absoluta segurança na sua condução diagnóstica, pois um “barato” pode lhe sair muito, muito caro depois. Luiz Ristow Afonso Perez

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Experiência + Inovação + Segurança ENDOCRINOLOGIA Nos seus 21 anos de mercado, o TECSA tornou-se referência no setor de endocrinologia. Um de seus grandes diferenciais é a metodologia de Radioimunoensaio, que consiste em detectar concentrações picomolares com precisão e segurança. ALERGIA E IMUNOTERAPIA Através da Tecnologia HESKA, líder no mercado europeu, o TECSA realiza testes alérgicos sorológicos para dosagem de IgE-específica, contra alérgenos ambientais brasileiros. Disponibiliza também o tratamento imunoterápico personalizado, realmente eficaz e sem efeitos colaterais – em formato Sublingual ou Subcutâneo. PCR REAL TIME O PCR Real Time é mais um grande diferencial oferecido pelo TECSA. O exame permite que os processos de amplificação, detecção e quantificação de DNA, sejam realizados em uma única etapa. Desta forma, potencializa-se a obtenção e precisão dos resultados, diminuindo o risco de contaminação da amostra e aumentando a sensibilidade. HISTOPATOLOGIA Uma das mais importantes divisões diagnósticas do TECSA, onde os exames anatomo-patológicos são todos realizados, em duplicata, por médicos veterinários com grande experiência na área. Além da histopatologia com colorações de rotina, realizamos exames complementares para aperfeiçoamento do diagnóstico. (031) 3281-0500 sac@tecsa.com.br www.tecsa.com.br

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ÍNDICE 06. NEFROLOGIA 06. UM NOVO CENÁRIO PARA O DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO DO DOENTE RENAL CRÔNICO 10. BIOMARCADORES DE INJÚRIA RENAL 13. ALTERAÇÕES LABORATORIAIS ENCONTRADAS EM CÃES E GATOS COM INSUFICIÊNCIA RENAL 16. BIÓPSIA RENAL EM CÃES E GATOS: ARMAZENAMENTO, ENCAMINHAMENTO E PROCESSAMENTO 19. IDENTIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS CÁLCULOS URINÁRIOS DE CÃES E GATOS 32. DERMATOLOGIA 32. CONTROLE DA DERMATITE ATÓPICA 34. BIOLOGIA MOLECULAR 34. DIAGNÓSTICO DA CINOMOSE CANINA PELA TÉCNICA DE PCR REAL TIME 37. PATOLOGIA CLÍNICA 37. A HIPERLACTATEMIA COMO IMPORTANTE MARCADOR PROGNÓSTICO EM INFECÇÕES AGUDAS POR BABESIA CANIS 39. ANATOMIA PATOLÓGICA 39. COMO SOLICITAR O EXAME HISTOPATOLÓGICO 22. PARASITOLOGIA 22. TOXOPLASMOSE 24. ENDOCRINOLOGIA 24. PARÂMETROS CLÍNICOS LABORATORIAIS DE ANIMAIS OBESOS 26. HIPERTIREOIDISMO EM FELINOS Colaboraram neste número: Membros da Equipe de Médicos Veterinários do TECSA Laboratórios: 40. ALERGOLOGIA 40. FARMACODERMIA (REAÇÕES ADVERSAS A DROGAS) EM CÃES E GATOS 28. LEISHMANIOSE 28.DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO DE LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA: EXISTE REAÇÃO CRUZADA? 30. MED. LAB. DE FELINOS 30. PANCREATITE FELINA: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Dr. Flávio Herberg de Alonso Dr. Frederico Miranda Pereira Dr. Guilherme Stancioli Dra. Isabela Azevedo Ribeiro Meirelles Carvalho Dra. Isabela de Oliveira Avelar Dr. João Paulo Fernandez Ferreira Dr. João Paulo Franco Dra. Luciana Fachini da Costa Dr. Luiz Eduardo Ristow Colaboração Especial: Dra. Daniela Bastos de Souza Karam Rosa Dr. Júlio César Cambraia Veado Dr. Luiz Eduardo de Souza Tassini EXPEDIENTE Editores/Publishers: Dr. Luiz Eduardo Ristow . CRMV-SP 5560S . CRMV-MG 3708 . ristow@tecsa.com.br Dr. Afonso Alvarez Perez Jr. . afonsoperez@tecsa.com.br Equipe de Médicos Veterinários TECSA . tecsa@tecsa.com.br CIRCULAÇÃO DIRIGIDA A revista VetScience® Magazine é uma publicação do Grupo TECSA dirigida somente aos médicos veterinários, como parte do Projeto JORNADA DO CONHECIMENTO, criado pelo mesmo. Este projeto visa a universalização do conhecimento em Medicina Laboratorial Veterinária. A periodicidade é Bimestral, com artigos originais de pesquisa clínica e experimental, artigos de revisão sistemática de literatura, metanálise, artigos de opinião, comunicações, imagens e cartas ao editor. Não é permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo desta revista sem a prévia autorização do TECSA. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista VetScience magazine. Diagramação: Sê Comunicação . se@secomunicacao.com.br Contatos e Publicidade: comunicacao@tecsa.com.br Av. do Contorno , nº 6226 , B. Funcionários, Belo Horizonte - MG – CEP 30.110-042 PABX-(31) 3281-0500 Tiragem: 5000 revistas . Publicação Bimestral Na Internet: www.vetsciencemagazine.com Grupo TECSA – 21 anos de precisão, tecnologia e agilidade. ISSN: 2358-1018

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NEFROLOGIA UM NOVO CENÁRIO PARA O DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO DO DOENTE RENAL CRÔNICO Júlio César Cambraia Veado - Professor Associado (Escola de Veterinária UFMG) Durante muito tempo o animal diagnosticado como insuficiente renal crônico, recebeu atenção somente quando passava mal, momento em que tomava soro intravenoso para melhorar o quadro de uremia em que se encontrava. Este cenário foi realidade durante décadas. Não se tinha nada para fazer para este animal. Sua doença condenava-o a uma qualidade de vida ruim e uma expectativa de vida curta. Para paciente semelhante na área humana, a evolução de técnicas dialíticas e do transplante renal, permitiu que muitos homens tivessem uma sobrevida maior e muitos viviam bem. Com o passar do tempo a sociedade mudou a sua forma de relacionamento com os animais de companhia, permitindo que muitas práticas, que até pouco 6 Introdução tempo eram consideradas impossíveis de serem realizadas, passassem a fazer parte do cotidiano do profissional médico veterinário. Por outro lado, esta permissão, associada à facilidade ao acesso da informação, pressionou o médico veterinário a qualificarse, a conhecer e oferecer recursos, exames e tratamentos, para atender a necessidade de seu paciente e a exigência de seu responsável. Com isto, a medicina veterinária evolui num curto espaço de tempo. Tudo muda, todos têm que mudar. Passamos a correr contra o tempo, temos que estudar, que nos atualizar, nos envolver de forma profunda nas mais diversas áreas do conhecimento. Evoluem na Medicina Veterinária a dermatologia, a neurologia, a oftalmologia, a cardiologia a oncologia, a nefrologia e urologia, dentre outras diversas áreas. Surgem os profissionais que passaram a deter um conhecimento específico e que realizam um trabalho brilhante, conseguindo resultados formidáveis, ajudando muitos animais e deixando muitos responsáveis extremante satisfeitos. Esta mudança de comportamento social e profissional induziu o estímulo a realização de ações que surgem para contribuir neste novo cenário. Desenvolvem-se importantes pesquisas, surgem novos medicamentos, novos tratamentos, exames diversos, a informação se difunde; o médico veterinário passa a ter inúmeros recursos e agora, o melhor de tudo, ele pode aplicá-los na sua rotina. Nada melhor do que estudar e poder aplicar este conhecimento adquirido, acreditem. Saber que você terá algum paciente para utilizar um medicamento muito

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NEFROLOGIA eficaz, porém de custo elevado; um exame fundamental, porém de alto valor, para realizar um prodecedimento sofisticado e caro, é uma satisfação profissional. Áreas do conhecimento como a nefrologia veternária evoluiram muito nestes últimos poucos anos. Profissionais vêm se interessando por uma determinada área, se envolvendo nela e criando a figura do médico veterinário especialista, mesmo que não detenha o ´´título de especialista``. Para o momento o que importa é que este profissional detém um conhecimento específico e pode ajudar muito o seu paciente. Com o estímulo a criação da área de nefrologia veterinária, médicos veterinários, em reunião realizada em um congresso realizado em Viena na Áustria em 1998 (8th Annual Congress of the European Society of Veterinary Internal Medicine), resolveram criar a entidade, que hoje é a mais respeitada por todos no mundo inteiro na área da nefrologia, a International Renal Interest Sociaty (IRIS). Esta sociedade tem como um de seus objetivos, propor diretrizes para conduta de doenças conhecidas. Uma das diretrizes propostas pela IRIS é o conhecido Estadiamento da Doença Renal Crônica (DRC). Este estadiamento trata-se de uma classificação da DRC e, com base nesta classificação e as alterações que estão presentes no animal, propostas de tratamento. Conhecida como insuficiência renal crônica durante muito tempo, passou a ser chamada de doença renal crônica (DRC), principalmente pelo fato de que o paciente, portador desta afecção, pode ser diagnosticado antes que os sinais de insuficiência sejam identificados. Definida como lesão renal irreversível e perda progressiva das funções renais, a doença renal crônica é alteração que não tem cura e que deve, ao ser diagnosticada, tratada com base em tratamento conservador. Doenças congênitas ou hereditárias, como a displasia renal, comum no Yorkshire, Shi Tzu e Lhasa Apso e a doença renal policística, comum no 7 Doença Renal Crônica

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NEFROLOGIA felino da raça Persa, causam perda importante de néfrons, suficiente para causar, nestes animais, DRC. Doenças diversas podem causar lesões irreversíveis em glomérulos e túbulos, destruindo glomérulos e túbulos e, também, causar DRC. Assim, animais podem ser classificados como portadores de DRC de origem congênita ou hetereditária, ou adquirida. Pode-se identificar o paciente DRC a partir do momento que se observa sinais de lesão renal irreversível e, por este fato, a imagem de ultrassonografia é, a princípio, o exame que é capaz de identificar uma perda importante de néfrons, porém, não tão grande para comprometer funções renais. Portanto, animais podem ter a imagem de um rim com alterações morfológicas importantes e terem as funções renais preservadas. A incapacidade de exercício de uma ou mais funções, situação comum da DRC, exige que o animal seja tratado de forma especial, com dieta apropriada, a chamada dieta renal, além de medicamentos que visam controlar a pressão glomerular, comum neste paciente, além de associações com potencial antiinflamatório como os omegra 3 e antioxidantes. Alguns podem apresentar anemia, excesso de fósforo sérico, de uréia, proteinúria devido à hipertensão, condições passíveis de serem controladas. A identificação destes problemas é feita, principalmente, através de exames laboratoriais. A IRIS propõe uma classificação para a DRC em quatro estágios distintos, com base em valores de creatinina sérica de animal hidratado e em jejum alimentar 8 a 12 horas. O estágio 1 refere-se aos animais que foram diagnosticados como portadores de DRC (por imagem de ultrassom alterada, e/ou densidade urinária diminuida, e/ou proteinúria de origem renal e/ou exame histopatológico alterado) e que estão com valores de creatinina em faixa de normalidade (até 1,4mg/dL em cães e até 1,6mg/dL em gatos). Estes animais, normalmente não apresentam alterações clínicas, que seriam no DRC, poliúria, polidpsia e emagrecimento. Para este 8 estágio a IRIS não propõe tratamento conservador. Os demais estágios 2, 3 e 4, são determinados, também pelo valor de creatinina. Além de avaliar o estágio deve-se avaliar a pressão sanguínea sistêmica e a proteinúria (pelo resultado de relação proteina creatinina urinária), para averiguar a necessidade de tratamento. Esta classificação, também conhecida como estadiamento IRIS, visa separar os animais de acordo com a gravidade e permitir tratamento específico e para cada estágio da doença. Detalhes podem ser vistos no site da sociedade (www.iris-kidney.com). Existem, na verdade, duas formas de abordar o paciente portador de DRC. Uma quando ele está descompensado, em quadro de uremia e outra, quando ele está bem. Quando está em quadro de uremia, ele exige cuidados especiais pois está em quadro tóxico, com desequilíbrio de eletrólitos e até de seu estado ácido/base. As amostras enviadas

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NEFROLOGIA para análise devem estar apropriadas para o exame e os resultados devem ser avaliados de forma crítica: animais desidratados apresentam aumento dos valores de uréia e creatinina séricas, por exemplo, podendo mesmo, caracterizar o animal como azotêmico (aquele que tem aumento de resíduos nitrogenados no sangue), sendo que ele pode não ser. Lembre-se que a análise de bioquímica sérica é feita em amostras de plasma e se o animal estiver desidratado seu plasma estará com menos água, ou seja, mais concentrado, e o aparelho que fez a medida não sabe disto! Deve-se monitorar neste paciente, principalmente, uréia, creatinina, urinálise, RPC, albumina sérica e hemograma, dentre outros a critério. Exames repetidos a intervalos de, por exemplo, 72 horas podem revelar a evolução do processo, ajudando, inclusive, no prognóstico do caso. Por outro lado, o DRC estável, aquele que está bem, alimentando normalmente, com boa atividade física, sem histórico de vômito recente e em jejum alimentar de 8 a 12 horas encontra-se no momento ideal para coleta de amostras de sangue e urina para exames e, portanto, avaliação de seu estado de normalidade. Deve-se realizar os seguintes exames neste paciente: ureia e creatinina séricas, fósforo sérico, hemograma e contagem de reticulócitos, urinálise, RPC. Caso julgue necessário peça albumina sérica. Com o valor da creatinina, no quadro de estadiamento IRIS, classifica-se a DRC do paciente. Veja que com estes exames podese, não só monitora o paciente como também, tratar possíveis alterações. Para ureia aumentada (valores acima de 150mg/dL) pode-se prescrever cetoanálogos; para animais anêmicos eritropoetina recombinate humana e suplementos que ajudam a proteger células sanguíneas; para hiperfosfatemia quelantes; proteinúria inibidores de enzima conversora de angiotensina (IECA). Além disto, para melhorar os processos inflamatórios intrarenais, comuns deste paciente, omega 3 e antioxidantes. A pressão sanguínea sistêmica deve ser avaliada e, se necessário, tratada. Estes animais devem consumir dieta apropriada, a ração renal, que contribui sobremaneira para a manutenção de uma vida equilibrada, controlando os compostos que, quando em excesso, podem trazer prejuizo ao animal, como proteína, fósforo, sódio, sendo acrescidas, normalmente, de ácidos graxos essenciais (omega 3 e 6), vitaminas lipo e hidro solúveis, além de outras propostas importantes a este animal especial. Estes animais, quando em estágio inicial da doença, devem ser avaliados a intervalos de aproximadamente 6 meses. Se estiverem em estágio mais avançado (III e IV), devem ser examinados a cada 3 a 4 meses, visto que podem apresentar, com maior frequência, alterações como anemia, hiperfosfatemia, proteinúria e hipertensão. Devido à mudança da forma como a sociedade vem se relacionando com os animais de companhia, devemos propor tratamento conservador para pacientes portadores de doença renal crônica, doença sem cura, irreversível, degenerativa e progressiva. A dieta especial, a ração renal, é o ponto de partida deste tratamento. Importante recomendá-la sob a forma de prescrição, em receituário, respeitando a recomendação do fabricante para quantidade e peso do animal. Lembrese: se a dieta for dada a vontade, ela se torna uma dieta comum, onde as restrições não mais existirão. Na medicina humana o uso de inibidores da ECA aumentou a expectativa de vida de homens portadores de DRC que era de 2 a 3 anos, para 8 a 10 anos, por permitir o controle da hipertensão glomerular. A hipertensão glomerular, comum do DRC, se controlada, evita a glomeruloesclerose e a proteinúria, os dois fatores principais relacionados a progressão da DRC. Estudos vêm comprovando que esta conduta também pode favorecer cães e gatos DRC. Ainda para o tratamento conservador, omega 3 e antioxidantes têm mostrado efeito antiinflamatório intrarenal, diminuindo a espessura do glomérulo, melhorando a filtração glomerular, a excreção e conservando melhor glomérulos e túbulos. Como visto, não existe mais razão para os doentes renais crônicos ficarem abandonados no fundo do quintal. Não devem ser atendidos somente quando descompensados, quando na maioria das vezes, recebem cuidados com práticas simples e pouco eficazes. Estes animais, com doença sem cura, precisam de atenção, merecem cuidados e, como visto, podemos oferecerlhes longevidade com qualidade de vida, que é o que seu responsável, e ele mesmo, esperam de você. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS Considerações Finais CÓD - EXAME PRAZO/DIAS 572 - RELAÇÃO UREIA/CREATININA (CHECK UP GLOBAL) 837 - PERFIL RENAL COMPLETO 324 - PERFIL BIOQUÍMICO 788 - CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES COM HEMOGRAMA 114 - UREIA 98 - CREATININA 234 - URINA ROTINA 272 - FAN FATOR ANTI- NUCLEAR VETERINARIO 253 - ANTICORPO ANTI NUCLEAR (ANA) 443 - ALBUMINA 102 - FOSFORO 1 1 1 1 1 1 1 4 4 1 1 9

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NEFROLOGIA Júlio César Cambraia Veado – Professor Associado Escola de Veterinária (UFMG) Luiz Eduardo de Souza Tassini – Mestre em Medicina Veterinária (UFMG) Daniela Bastos de Souza Karam Rosa – Médica Veterinária O néfron, a unidade funcional do rim, é estrutura formada por porções vasculares e porções celulares. Quando afecções atingem os rins, podem causar danos ao seu parênquima, lesando glomérulos ou túbulos. Se a agressão for muito grave pode comprometer funções renais e até causar a morte do animal. Pelo fato de que somente após um comprometimento de cerca de 66 a 75% dos néfrons é que as funções renais se mostram alteradas, sendo normalmente o momento que identificamos esta afecção do sistema, vem se estimulando realização de ações que possam ser tomadas em fase anterior ao da insuficiência, identificando da injúria que causam a insuficiências. Doença periodontal, piometra, leptospirose, hepatite infecciosa, leishmaniose, erlichiose, doenças autoimune, dentre outras várias afecções podem causar dano glomerular e, em muitos casos, as funções renais, mesmo com danos glomerulares graves, ainda estão preservadas. Em várias situações observa-se dano tubular, como do uso de medicamentos, nos casos graves de hipotensão, nos cardiopatas, nas anemias e desidratações. Células dos túbulos morrem e ocorre destruição tubular. Da mesma forma, nestas circunstâncias, ocorre injúria, potencial causador de insuficiência renal. Identificar injúrias portanto é a ação que protegem os rins, é ação de “renoproteção”, que muitas vezes impede a instalação de insuficiência funcional renal. As células que compõem o arcabouço dos túbulos renais contêm enzimas em diferentes partes de sua estrutura. Por serem originadas de organelas celulares específicas, o aumento na atividade urinária destas enzimas, indica a ocorrência de lesão em sua célula de origem, o que garante sua especificidade como marcador. Como grande parte das enzimas séricas, 10 BIOMARCADORES DE INJÚRIA RENAL possuem peso molecular que impede que sejam filtradas pelos glomérulos, garantindo que, se sua atividade estiver aumentada na urina, esta relacionada a lesões locais, das células tubulares. Em situação normal estas enzimas estão presentes em baixa concentração na urina. O aumento em sua atividade urinária, acima de um valor de referência para normalidade, permite a identificação de uma injúria ou mesmo, avalia o grau de lesão tubular renal. Por sinalizar injúria às células renais, ou seja, aos túbulos renais, a avaliação da atividade urinária das enzimas Gama-glutamil-transferase (GGT) e da N-acetyl-β-D- glucosaminidase (NAG), são consideradas precoce em relação aos métodos de avaliação de função renal, como, por exemplo, o de dosagem sérica de uréia e creatinina. GGT e NAG são, portanto, capazes de fornecer informações sobre o início da lesão, assim como de sua progressão. Em cães, as enzimas urinárias têm sido primariamente utilizadas na avaliação de nefrotoxicidade aguda, por serem testes sensíveis e não invasivos para o diagnóstico de lesão tubular renal. Glomerulonefropatias são afecções de ocorrência comum na clínica veterinária e possuem grande potencial de evolução para insuficiência renal aguda (IRA) ou para doença renal crônica (DRC), levando ao comprometimento da vida do paciente. Doenças infecciosas como leishmaniose, erlichiose, babesiose, leptospirose, piometra; estados inflamatórios crônicos como dermatites, doença periodontal, artrites, pancreatites, distúrbios endócrinos (hiperadrenocorticismo), afecções vasculares, algumas neoplasias, intoxicações, hipertensão arterial sistêmica são afecções com potencial para desencadear glomerulonefropatia, Introdução Glomerulonefropatias pois, podem causar alterações na permeabilidade seletiva dos capilares glomerulares. Esta alteração na permeabilidade seletiva ocorre, na maioria das vezes, devido a lesões no capilar glomerular (glomerulonefrites imunomediadas), gerando solução de continuidade em seu endotélio (permitindo a passagem da albumina para o filtrado) e ou devido a processo de hipertensão glomerular (“forçando” a passagem da albumina para o filtrado), gerando com isso, a presença de proteína na urina (proteinúria). Esta proteinúria de origem renal (albuminúria) é o que caracteriza o quadro de glomerulonefropatia, sendo um achado comum na clínica veterinária, porém, muitas vezes, ignorado ou negligenciado. A principal glomerulonefropatia em cães é a glomerulonefrite imunomediada. Ocorre devido ao depósito, nas paredes dos capilares glomerulares, de imunocomplexos circulantes ou formados in situ, estimulando toda uma reação inflamatória a qual provoca desenvolvimento de lesão glomerular. À medida que a lesão progride, são produzidas hialinização e esclerose, gerando danos glomerulares irreversíveis, com perda da capacidade funcional do néfron. Outras causas, menos frequentes, são a amiloidose e a glomerulonefropatia primária (hereditária e rara). As glomerulonefropatias apresentam sinais clínicos muito variáveis, dependendo da severidade da proteinúria e da doença primária causadora do problema. Podem ser assintomáticas, ou apresentarem os sinais relativos à doença primária, como também podem apresentar-se na forma de sinais de IRA (anorexia, apatia, vômito, oligúria ou anúria, úlceras na cavidade oral) ou ainda como sinais de DRC (emagrecimento, apatia, inapetência, vômito, poliúria, polidipsia, pelo sem brilho). Independente do grau de também podem ocorrer é

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NEFROLOGIA o tromboembolismo e a hipertensão arterial sistêmica secundária. Muitos animais portam glomerulonefropatia com proteinúria sutil, que permanece por longo tempo, sem sinais clínicos significativos e, na maioria das vezes, são diagnosticados acidentalmente, durante avaliações de rotina, onde aparece a proteinúria. A presença de proteína na urina é, portanto, um sinalizador precoce de injúria renal, e pode estar presente como a única alteração nos exames laboratoriais, antes que ocorra o comprometimento da função renal (ureia e creatinina aumentados) ou qualquer outra alteração em exames laboratoriais. A detecção da proteinúria em estágios iniciais (subclínicos) do processo de injúria renal permite que se institua uma pesquisa pela causa do problema e tratamento adequado, antes que o quadro se agrave, evitando uma insuficiência renal aguda ou sua persistência que pode evoluir para uma condição irreversível a DRC. O método mais simples de identificar a proteinúria é através do exame de urina rotina, devendo-se sempre correlacionar o valor da proteinúria à densidade urinária. Um mesmo valor de proteinúria é tanto mais preocupante quanto menor for a densidade da urina. Identificada a proteinúria, outro teste importante, para quantificar, melhor avaliar a magnitude da proteinúria, é a relação proteína creatinina urinária (RPC). Análises seriadas de RPC são importantes, em intervalos adequados a cada caso, a fim de confirmar a persistência da proteinúria e se obter uma análise mais acurada da sua magnitude. Quanto maior e mais persistente a proteinúria, maior é o grau de ”agressão” ao glomérulo e mais urgente se faz a necessidade de diagnóstico e tratamento da doença primária. Resultados de exames complementares, muitas vezes negligenciados ou subestimados, são a chave para a identificação da glomerulonefropatia. O exame de urina rotina, neste caso, é fundamental. A correlação entre resultados de urinálise, perfil bioquímico e hemograma pode ser ferramenta valiosa no diagnóstico e identificação da causa do problema glomerular. Quando, por exemplo, a proteinúria é acompanhada de hipoalbuminemia e hiperglobulinemia é necessário buscar uma causa imunomediada para a glomerulonefrite. Muitas vezes, o hemograma não mostra alterações, e, quando mostra, pode auxiliar na descoberta da doença primária. O clínico deve, portanto, estar atento a pequenas variações de resultados, que podem sinalizar o início de graves problemas, antes que ocorram alterações na ureia e creatinina, permitindo uma intervenção rápida com interrupção do processo da glomerulonefropatia antes que se agrave. Enzimas são compostos orgânicos importantes no metabolismo e que se armazenam em diferentes células. Quando a quantidade de uma enzima se encontra aumentada em uma amostra 11 Enzimas Urinárias

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NEFROLOGIA orgânica, pode sinalizar uma lesão celular. Túbulos renais, como visto, são constituídos por células e nelas, estão armazenadas diversas enzimas. A identificação do aumento da atividade de certas enzimas na urina pode sinalizar lesão a células tubulares renais. cães hígidos, assim como a estabilidade urinária da enzima já estão disponíveis. ou à maior longevidade observada nos pacientes. Vale considerar que, além da pesquisa de proteína, visando identificar lesão glomerular, das enzimas urinárias, visando identificar lesões tubulares, ainda existem outros biomarcadores que já vem sendo utilizados no homem, ou ainda em estudos tais como NGAL (Lipocaína Associada à Gelatinase Neutrofílica), Cistatina C, dentre outros, os quais têm se mostrado eficientes para a detecção de injúria renal. A possibilidade de utilizar um método de diagnóstico de injúria pode ser a ferramenta capaz de evitar que o paciente progrida ao estágio de insuficiência renal aguda ou doença renal crônico. A gama-glutamil-transferase GGT, é uma glicoproteína cujo peso molecular está entre 90 e 120 kDa. A molécula é isolada de vários tecidos do organismo. Nos rins ela é observada com maior atividade e está localizada nas microvilosidades da parede do túbulo proximal, sendo liberada na urina pela desintegração fisiológica ou como resultado de lesão, mesmo que superficial, das células tubulares. Devido ao seu peso molecular, a GGT não é filtrada através do glomérulo, portanto sua presença na urina reflete perdas a partir das microvilosidades das células do túbulo proximal. Aumentos da atividade urinária normalmente indicam lesão do epitélio tubular, sendo assim, considerada um marcador de injúria, precoce a estados de insuficiência. Além disso, fornece informações importantes sobre a progressão da lesão tubular. Como esta enzima se encontra armazenada na parede das células, aumentos importantes de sua atividade podem ser aceitos, sem que se instale, no animal, quadro de insuficiência renal. Em estudos em medicina e medicina veterinária, a GGT urinária apresentou alteração em seus valores de atividade urinária antes de haver alterações em ureia e creatinina. Tal observação permite considerar este marcador como sendo precoce em relação à avaliação de função renal. Pode ser usado quando se realiza alguma prática causadora de nefrotoxicidade, quando se suspeita de lesões tubulares, como nas situações de albuminúria, dentre outras. A realização do exame de GGT urinário está disponível para a maior parte dos laboratórios de análises clínicas em medicina veterinária, sendo um exame que apresenta uma boa relação de custo e benefício. Os valores de referência para 12 Gama-GlutamilTransferase Urinária A N-acetyl-β-D-glucosaminidase – NAG, é uma enzima lisossomal presente em altas concentrações nas células epiteliais dos túbulos contorcidos proximais. Quando há maior excreção de proteínas nos túbulos renais, ou há lesão profunda com liberação de conteúdo intracelular, há aumento da atividade lisossomal e consequente liberação de NAG. Seu peso molecular de 140 kDa não permite filtração glomerular, assim sua atividade urinária aumentada é um dos indicadores mais sensíveis de injúria renal. A NAG se mostra como marcador de injúria e específico para o monitoramento durante terapia com fármacos potencialmente nefrotóxicos, como aminoglicosídeos. Seu uso permite ao clínico ajustar a terapia da melhor e mais segura forma possível. Em situações de proteinúria secundária à glomerulonefrite ou em pacientes diabéticos, o aumento da atividade urinária de NAG reflete a perda da seletividade glomerular, a estimativa da função renal tubular e de sua integridade. Dessa forma, é possível identificar e monitorar indivíduos em risco de desenvolver quadros de insuficiência renal. Em humanos, o monitoramento da atividade de NAG tem sido aplicado em pacientes em unidades de terapia intensiva como recurso para predição de necessidade de hemodiálise, transplante renal e óbito, apresentando resultados confiáveis e satisfatórios. Estudos desse tipo ainda não foram descritos em medicina veterinária. Apesar de ainda não existir um kit comercial para análise disponível no mercado, a metodologia do ensaio foi determinada recentemente para cães hígidos, assim como o intervalo de confiança de sua atividade urinária e seus valores de estabilidade urinária. As injúrias renais fazem parte da rotina da clínica veterinária de pequenos animais, seja associadas às doenças, procedimentos, medicamentos N-AcetylB-D-Glucosaminidase EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME PRAZO/DIAS 572 - RELAÇÃO UREIA/CREATININA (CHECK UP GLOBAL) 837 - PERFIL RENAL COMPLETO 324 - PERFIL BIOQUÍMICO 788 - CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES COM HEMOGRAMA 114 - UREIA 98 - CREATININA 234 - URINA ROTINA 272 - FAN FATOR ANTI- NUCLEAR VETERINARIO 253 - ANTICORPO ANTI NUCLEAR (ANA) 443 - ALBUMINA 102 - FOSFORO 1 1 1 1 1 1 1 4 4 1 1 Considerações Finais

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NEFROLOGIA ALTERAÇÕES LABORATORIAIS ENCONTRADAS EM CÃES E GATOS COM INSUFICIÊNCIA RENAL Os rins são órgãos responsáveis por uma série de funções, como excretar substratos gerados pelo organismo, auxiliar na homeostase dos líquidos corporais e a produção e liberação de hormônios controladores da pressão sanguínea e produção de hemácias. A alteração em seu funcionamento pode ter origens pré-renais (insuficiência cardíaca congestiva, hipovolemia grave e/ou baixo fluxo renal), renais (nefrotoxidades, eclampsia, glomérulo nefrite, pielonefrite) ou pós-renais (obstruções). Além disso, fatores iatrogênicos também podem estar Introdução relacionados a quadros de insuficiência renal (IR). A IR ocorre devido à perda de funções renais e a tentativa de compensá-las, o que se dá por meio da reserva funcional, com ativação dos mecanismos de hipertrofia e hiperplasia dos néfrons. Quando esta perda de função acomete de 65 a 75% dor rins, considera-se que o animal está em um quadro de azotemia, tendo como consequência o acumulo de compostos nitrogenados não proteicos no sangue (ureia e creatinina). Alguns estudos constataram que as Insuficiência Renal principais doenças que causam lesões nos rins são: nefrite (50%), diabetes (25%), infecções, hipertensão arterial grave, doenças hereditárias (rim cístico), cálculos e obstruções. Em casos onde a lesão renal não é detectada precocemente e progride, a mesma pode causar lesões definitivas e irreversíveis nos rins, culminando em insuficiência renal crônica (IRC). Segundo a Sociedade Internacional de Interesse Renal (IRIS), a doença renal em cães e gatos podem ser classificadas em quatro estágios de evolução: 13 Classificações da IR

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NEFROLOGIA Estágio I: estado não azotêmico, com inabilidade de concentração urinária, proteinúria renal e alterações em exames de biopsia e imagem. Estágio II: azotemia discreta, animal pode apresentar perda de peso. A creatinina sérica pode apresentar valores em torno de 1,4mg dL-1 a 2,0mg dL-1 (cães) e 1,6mg dL-1 a 2,8mg dL-1 (gatos). Estágio III: aumento moderado da azotemia. A creatinina sérica pode apresentar valores em torno de 2,1mg dL-1 a 5,0mg dL-1 (cães) e 2,9mg dL-1 a 5,0 mg dL-1 (gatos). Estágio IV: aumento significativo da azotemia, com possíveis alterações gastrointestinais, neuromusculares e cardiovasculares. A creatinina sérica apresenta valores superiores a 5,0mg dL-1 tanto em cães quanto em gatos. Os sinais clínicos mais encontrados em animais que apresentam IR são: oligúria, hematúria, poliúria, anuria, prostração, algia abdominal, êmese, diarreia, melena e ulceração oral. Outros sinais também podem ser encontrados, como mucosas congestas, polidipsia, hipertermia, dispneia, ascite e edema periférico. Animais que possuem mais de 75% dos rins afetados ou afuncionais tendem a perder a capacidade de reabsorver a água nos túbulos renais e gerar desidratação, anorexia náuseas e vômitos. Existem inúmeros exames laboratoriais que são usados para o diagnóstico e acompanhamento de animais com injúrias renais. Dentre os exames existentes pode-se citar: - Dosagem de ureia e creatinina; - Mensuração de fósforo sérico; - Amilase e lipase pancreática; - Urinálise; - Hemograma completo; - Microalbuminúria. 14 Sinais Clínicos Exames Laboratoriais

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NEFROLOGIA Alterações Laboratoriais bilirrubinúria e mioglobinúria, podem ser observadas cores avermelhadas, amarronzadas e negras. Densidade urinária: O primeiro sinal da doença renal é a perda da capacidade do rim em concentrar a urina (isostenúria), que por sua vez ocorre quando mais de 66% do parênquima renal está afetado. pH: o valor de pH urinário pode sofrer alterações devido a vários fatores, sendo a dieta um dos principais. Urinas alcalinas podem indicar quadros de alcalose metabólica ou respiratória e infecções das vias urinárias por microorganismos que utilizam a ureia (Proteus e Pseudomonas sp.). Já urinas ácidas estão relacionadas a acidose metabólica, perda de potássio, infecções das vias urinárias por Escherichia coli e em casos de febre. Proteínas: A proteinúria pode ocorrer por motivos pré-renais (febre, convulsão, exercício intenso), renais (doenças glomerulares e tubulares) e pós-renais (infecções e inflamações do trato urinário). Cilindros: Animais sadios podem apresentar uma pequena quantidade de cilindros, porém, números maiores podem indicar patologia renal, como a doença tubular aguda. Quadros inflamatórios ou hemorrágicos também podem resultar na formação de cilindros. Os rins são órgãos vitais para o bom funcionamento do organismo, sendo que a diminuição ou a perda de suas funções acarreta em importantes alterações na saúde do animal. Por isso, o diagnóstico precoce da doença através de exames laboratoriais e sinais clínicos são fundamentais para um prognóstico favorável. O TECSA Laboratórios possui uma equipe de médicos veterinários prontos para auxiliar no que for preciso para a realização do diagnóstico. Entre em contato conosco para maiores informações, teremos prazer em atender e esclarecer possíveis dúvidas. Em animais saudáveis, os rins são capazes de retirar substratos gerados pelo organismo através da filtração glomerular. Dessa forma, dosagens séricas de ureia e creatinina são parâmetros utilizados para avaliar se os glomérulos do animal estão comprometidos ou não. Valores elevados destes parâmetros indicam que o rim não está sendo capaz de excretar essas substâncias, com possíveis lesões estruturais do tecido renal e diminuição da taxa de filtração glomerular. De forma semelhante, o fósforo também é excretado pelo rim em condições normais. Assim, nas lesões renais, a elevação sanguínea do fósforo acontece antes mesmo da elevação da ureia e creatinina, o que faz do parâmetro um marcador precoce da lesão renal. O exame de microalbuminúria também pode ser utilizado para detecção precoce de lesões renais. Em alguns animais acometidos pela insuficiência renal, podem ocorrer casos de pancreatite urêmica, elevando os níveis de amilase e lipase sérica e agravando quadros de depressão e anorexia. De forma rotineira, a insuficiência renal é secundária a pancreatite, porém, o inverso também ocorre. Por sua vez, o exame de hemograma completo irá avaliar uma possível diminuição da eritropoietina e a existência de infecções, além de analisar o quadro geral paciente. Já a urinálise é um exame simples e não invasivo, capaz de indicar vários parâmetros, como densidade, cor, turbidez, pH, glicose, cetonas, proteínas, bilirrubina, hemoglobina, cilindros, células e cristais. Dentre esses parâmetros, diversas alterações podem ser encontradas, dentre eles podemos citar: Alteração de cor: A urina concentrada possui coloração âmbar, já a menos concentradas apresentam coloração amarelo clara. Inúmeros pigmentos (tanto endógenos quanto exógenos) podem alterar a coloração da urina. Em casos de hematúria, hemoglobinúria, EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME PRAZO/DIAS 572 - RELAÇÃO UREIA/CREATININA (CHECK UP GLOBAL) 837 - PERFIL RENAL COMPLETO 324 - PERFIL BIOQUÍMICO 788 - CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES COM HEMOGRAMA 114 - UREIA 98 - CREATININA 234 - URINA ROTINA 272 - FAN FATOR ANTI- NUCLEAR VETERINARIO 253 - ANTICORPO ANTI NUCLEAR (ANA) 443 - ALBUMINA 102 - FOSFORO 1 1 1 1 1 1 1 4 4 1 1 Conclusão TOZZETTI, D.S. Insuficiência renal crônica em cães e gatos revisão de literatura. PEREIRA, T.S. Insuficiência renal aguda em pequenos animais. OLIVEIRA, R.F. Pancreatite aguda canina. Clínica médica e cirurgia de pequenos animais. DAMONLIN, M.L. Urinálise no diagnóstico de doenças renais. FARAONE, M. Classificação em estágios da doença renal crônica em cães e gatos. Abordagem clínica laboratorial e terapêutica CAMARGO, M.H.B. Alterações morfológicas e funcionais dos rins de cães com insuficiência renal crônica. Referências Bibliográficas 15

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