Confrades da Poesia76

 
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Poesia Lusófona;

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VII | Boletim Bimestral Nº 76 | Maio / Junho 2016 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 8,13,16 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneir os: 4 Retalhos Poéticos: 5 Confr ades Letristas: 6 Tribuna do Poeta: 7 Contos e Poemas: 9 Bocage: 10,24,25,26,27 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Asas Poéticas: 20 Obreiros da Poesia: 21 Magia da Poesia: 22 Pedestal da Poesia: 23 Ponto Final: 28 Dia Mundial da Criança EDITORIAL 1/6/2016 Dia de Raça 10/6/2016 O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fr ater nal e poético. Pr etendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono" ; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que pr aticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Rosélia Martins Anna Paes Pedestal da Poesia pág. 23 Vó Fia Nesta edição colaboraram 82 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Air es Plácido | Alber tino Galvão | Alfr edo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Bar r oso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lauro Portugal | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vó Fia | Zzcouto | …

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 «A Voz do Poeta» O motivo VENHO DO POVO Guitarras ai que saudade Se há, dentro de nós, um santuário De tantas emoções que nos percorrem, São esses sentimentos relicário De que todos os poetas se socorrem. À fantasia e ao sonho imaginário, Dedico mil poemas que me ocorrem, A uns dou vida, em forma de diário, Outros vão passando e, assim, morrem. Queres que te defina o belo, a vida, O ar que me rodeia, a dor sentida, A flor que brilha, o sonho que eu abraço! São momentos fugazes que a alma abriga, Por isso, não me peças que eu te diga A quem dedico os versos qu’inda faço. Dou aos versos importância Na métrica e no rimar, Com a beleza e fragrância, E aquela elegância Da poesia popular! Deixo que me puxe a veia… E alguma inspiração. Envolvido nesta teia… E umas dicas na ideia, Sai verso de ocasião! Digo verdades mangando… Com quem a sério me ataca Assim vou na vida andando Com as palavras versando, Mas, não sou vira-casaca! E porque “venho do povo” Com ele, abro o coração, Por isso não me demovo, Faço sempre um verso novo P’ra qualquer ocasião! Guitarras ai que saudade O vosso trinar me inspira Traz de volta a mocidade Por quem minha alma suspira. Guitarras ai que saudade Escutar-vos é sonhar Num véu de felicidade Que fica prà além do mar. Guitarras ai que saudade O vosso som despenteia Devaneio que persuade Os sinos da minha aldeia. Guitarras ai que saudade Sinto no peito conter Dor que minha alma invade E submerge o meu ser. Guitarras de sonho ledo Que ao fado emprestam vida Dizem adeus em segredo Na hora da despedida. Trinando notas dolentes Na hora calma e serena Dão gemidos comoventes Como que a chorar de pena . Guitarras a soluçar Nesta hora mais sentida Vossa ausência vai deixar Nossa noite entristecida. Guitarras ai que saudade A noite chegou ao fim Uma tristeza me invade Guitarras chorai por mim!... Euclides Cavaco - Canadá Divagação Ouvindo o chilrear dos pássaros lá fora… Imaginando ser um deles… Voando pelo mundo fora… Descobrindo novos horizontes… Contemplando a lua e as estrelas cintilantes… Anabela Gaspar Silvestre Covilhã António Barroso - Parede João da Palma - Portimão PARA AÍ NÃO VOU Laranjas da minha Terra Não me forcem a ir onde não quero! Não me indiquem caminhos que detesto! Antes ser rotulado, que não presto... Porque a hipocrisia, não tolero! Eu por aí não vou! Sereno espero, da vossa boa fé, o manifesto. A minha dignidade não empresto, a quem tudo oferece, e nos dá zero! Na vossa verborreia predilecta, não me apontem o Éden como meta, me deixem estar mal aonde estou! Aqui conheço toda a malandragem! Todos os campeões da vilanagem... Daqui não vou sair, p’ra aí não vou! Alfredo dos Santos Mendes - Lagos Doces, sumarentas, de casca fina, Com um sabor que não há igual, São assim as laranjas de Ribatua, De certeza as melhores de Portugal… Cultivadas no vale do rio Tua, Em terreno pedregoso e escarpado, Como ninho no abismo escavado, Onde o sol as cria com amor E lhes dá a doçura e o sabor… Abrigadas do frio e do vento, Quando o inverno faz sua passagem, As laranjas são um belo ornamento, A enfeitar tão rústica paisagem! Conceição Tomé – (São Tomé) Amora PT

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 3 «Olhos da Poesia» POEMA SOBRE O AEROGRAMA (Bate estradas e corta capim) Ficam na história os aerogramas Por “bate estradas” conhecidos Com promessas pesava gramas De tantos soldados entristecidos. Eram de cor amarela e azulada Por aerograma eram designados Para escrever à mãe e namorada Militares na guerra destemidos. Era a nossa correspondência Entre os amigos e familiares Escritos com tanta paciência Pelos veteranos militares. Às madrinhas de guerra enviados Também amigas e namoradas Era o escape dos soldados Que se safavam das emboscadas. Era sobre eles bem dobrados Sonhos e promessas guardavam Não eram com selos selados Mas confidências explicavam. Tantas promessas e mentiras Tantos enredos e fantasias Tantas frases e coisas sátiras Tantas paixões e alegrias. Faziam no tempo a ligação De África para o Continente Soldados que cumpriam missão Faziam-no obrigatoriamente. Eram fornecidos gratuitamente Pelo Movimento Nacional Feminino Era desta maneira antigamente Que os soldados recebiam carinho. Deodato António Paias - Lagoa Fogo posto (Em versos brancos) Um pedaço de terra... Uma pequena cova... Uma simples semente... E duas mãos que aconchegam Que a cobrem de esperança E lhe transmitem amor O tempo a seu tempo Traz a chuva e o sol, Ganha vida a semente Ganha força e raiz E o ventre da terra, Generoso e fértil, Num rasgo de amor... No tempo preciso Dá à luz nova esperança Pequeninos “braços”, Esguios e frágeis, Cobertos de verde... Vão beijando o azul Balouçando ao vento E bailando à vida Num palco de luz E o homem se benze Olha o verde e sorri! Mas... Passa o tempo e alguém Se passando por louco; Com mãos criminosas Risca o fósforo e a chama Que ele achega ao rastilho Incendeia o verde e... E a terra geme E a natureza chora Porque ardeu o tempo E se “apagou” a vida! Então... O homem se benze e chora Resignado! E o poeta... E o poeta exprime a dor Em breves versos Revoltado! Abgalvão - Fernão Ferro DOCE MÃE Introdução Venus Creations quer E nesta canção promete Prestar tributo à mulher Neste ano dois mil e sete... Refrão Mãe...Doce mãe Teu nome vai mais além Mãe...Doce mãe Joia que a vida contém Mãe..Doce mãe Não há amor Que mais nobre exista Mãe...Doce mãe És tema e canção Do Amor de Artista... Nome que o mundo ilumina Mãe é palavra tão doce Fonte de vida Divina Que a este mundo nos trouxe. Mãe é jardim da essência Que tem dimensão sagrada Origem da existência Que no seu ventre é gerada. Mãe tua pura bondade Com meiguice e tolerância Inspira a terna saudade Do nosso berço de infância. Amor de mãe é ternura Que nos embala sorrindo Nos seus braços com candura Revelando afecto infindo. Mãe é excelso esplendor E luz nos nossos caminhos Que na alegria ou na dor Nunca nos deixa sozinhos. Mãe é como uma açucena Que foi por Deus escolhida Na sua missão terrena Abrir as portas à vida. Mãezinha é esta canção Tributo à tua coragem Com eterna gratidão Nesta singela homenagem. Euclides Cavaco - Canadá Ser poeta É fazer do silêncio A alma de um poema, Da poesia, o lar profundo do amor… É lavar a esperança No rosto humano de olhar Sem lembrança Ser poeta é… Dialogar com o vento É saber jogar palavras ao tempo Fredy Ngola - Angola DIA DE SOL Num indizível frémito, d’alegria, arqueja a terra! Oferecendo-se num brinde! Ébria! Toda inteira... E, em gestos de langor, de dolência, lentidão… Vai alongando os seus dias…num pré Verão!... Filomena Gomes Camacho – Londres

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 «Pioneiros» Hino à Mãe MÃE, poesia Num poema de versos de amor Mãe, sintonia Das palavras com doce sabor MÃE, carinhosa És suave e sorris sem mentires MÃE, generosa Tu dás tudo sem nada exigires. Refrão MÃE, luz divina meu doce bem Como tu não há mais ninguém Serás sempre minha mãe querida MÃE, eu por ti Irei mais além Palavra mais bela que o mundo tem Tu és todo o sentido da vida. MÃE, com candura O meu rosto em teu peito descansa MÃE, só ternura E afecto me deste em criança. MÃE, mãe infinda Serás sempre por mim muito amada MÃE, rosa linda Num jardim a mais delicada. MÃE, minha aurora És a jóia mais bela que existe MÃE, protectora Só tu sabes quando eu estou triste MÃE, minha guia Tu és vida e esperança sem fim MÃE, que alegria Era ter-te sempre junto a mim !... Refrão TROVAS Coração mal tratado, Que procuras conforto. Deixa o teu ser amado, Foge, que ele está morto. Dizem que amar é viver, Eu morro de tanto amor. É prato que deves comer, Que tem sempre bom sabor. Guarda no teu coração, Amor que dentro existe. Pode servir de doação, Pra quem na vida resiste. AMOR, estado nobre, O mais caro do Mundo. É acessível ao pobre, Este bem mui fecundo. Jorge Vicente - Friburgo Desencanto Porquê este desencanto, Que me deixa tão prostrada, Com a alma trespassada Por um profundo desalento? Será pela chuva que demora Que teima em não cair Impedindo os campos de florir? Será pelo gélido vento da madrugada, Que vem assobiar no meu telhado Para deixar o meu sono agitado? Será pelo despontar do novo dia Com o sol sem quer brilhar A deixar o céu carregado de nostalgia? Ou pelo sol de inverno Que se esgueira para a outra rua E deixa a minha rua sombria? Ou pelo silêncio dos inocentes Conformados, indiferentes Que não ousam clamar por justiça? Serão os valores das novas gerações E o fanatismo exacerbado das religiões, Que matam e exploram humildes crentes? É apenas desencanto com a realidade De ver a humanidade passiva Perante tanta iniquidade! Conceição Tomé (São Tomé) Amora PT “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Silvais – Alentejo Euclides Cavaco - Canadá NOSTALGIA. Somos propensos à nostalgia, ao que nos magoa!… Tudo o que é lancinante causa-nos, paradoxalmente, um mal que nos faz bem! Sentir tristeza, estranhamente, é um elixir que nos fortalece! Filomena Gomes Camacho - Londres Ainda, e sempre... A Liberdade! Na realidade geo-politica - que se quer global - do mundo dos nossos dias, mesmo no espaço dito da "civilização ocidental", ainda persistem bolsas onde a liberdade individual e os direitos humanos são tratados como coisas de menor importância. Sei do que falo, porque a maior parte da minha própria vida foi passada sob o estigma austero e coator de uma ditadura politica. Facto é que, volvidos dois séculos sobre o desaparecimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage - o maior poeta de lingua portuguesa do Século XVIII e um dos maiores de sempre - ainda se fala em liberdade como um sacrosanto desidério do ser humano. Pode ser que haja, mas eu não me lembro - ou não conheço - ninguém que sobre ela haja dito tão bem o que um poeta pode e deve dizer. Eugénio de Sá - Sintra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 5 «Retalhos Poéticos» As origens da Matemática – A Influência da Matemática na Poesia e da Poesia na Matemática A Matemática é a ciência da verdade e a poesia é a Verdade. Ambas utilizam analogias, a matemática no seu raciocínio, a poesia na descrição dos sentimentos. Com a Revolução Neolítica surgem as primeiras civilizações, Os Caldeus descobrem os signos, Os Egípcios, os Indus e os Chineses descrevem problemas em verso. É no entanto na Grécia que surge a visão do conhecimento, como emanação, da beleza associada ao esplendor da verdade racional. Os primeiros vestígios de descrição de pensamento racional surgem com Homero. Racionalidade essa que está associada à Filosofia e à Matemática. Com os Pitagóricos surge a ideia de que o universo se rege por leis Matemáticas. Surge então a demonstração, génese do pensamento Matemático. A Matemática torna-se uma ciência. No Renascimento com Descartes surge um novo Método, a Geometria Analítica, abrindo as portas ao Cálculo Infinitesimal e Integral para o qual trabalharam grandes vultos como Fermat, Newton , Lagrange, Rieman, Lebesbeque, Stilidges. Ao longo da História grandes Matemáticos foram também grandes escritores e poetas como José Anastácio da Cunha, Bento de Jesus Caraça, Rómulo de Carvalho. Filipe Papança - Lisboa O QUE SÃO AS CRIANÇAS: “As crianças acham tudo em nada, Os homens não acham nada em tudo." Giacomo Leopardi "A criança é a consagração da vida." S. Poniazem “A criança é alegria como o raio de sol e estímulo como a esperança." Coelho Neto ♥ São beija-flores que adejam Sobre os nossos corações, E com magia os transforma De gelados em vulcões! São rosas de odor suave: São jardins d’arte e primor, Aos quais zelam um jardineiro, Que tem um nome de…Amor! São gotas de puro orvalho Brotadas pelos santos céus, São arbustos delicados, Que protege a mão de Deus! São painéis bem decorados Co’a mais graciosa matriz, E fazem que a vida humana, Seja muito menos infeliz! O tempo Desvendar o tempo, Esse moço ditador,é uma Tarefa para os deuses, Ele é senhor,envelhece Tudo, passa a borracha, Apaga as memórias.o Relógio é seu aliado As pessoas e as coisas Seus cativos. Divino Ângelo – MG/BR São astros de uro brilho Que reflectem sobre nós Têm encantos de ventura E sua argentina voz! São estrelas matutinas Que a aurora nos vem trazer, Dissipando as negras trevas, Da tristeza e do sofrer! São fadas que nos encantam Com invisível condão, E nos guardam sabiamente, As chaves do coração! São anjos que vêem à terra, Pra os mortais animar; São as crianças as que ensinam, Os nossos peitos amar! Os aniversários não são iguais. São vários. E geracionais. Mas quando as velas são apagadas pelos filhos(as) As lágrimas de contentamento são divinais. Vale a pena a Vida transmitida. E não há Quem seja mais feliz que as Mães e os Pais. Como é triste o céu nublado, E sem flores um jardim! Pois sem crianças este mundo, Seria também assim!” Vivei entre nós anjinhos, Vivei pra nós remir: O vosso amor nos adoça, O mais amargo porvir! Nelson Fontes Carvalho Amora Portugal Obrigado Minha Mãe Minha mãe quanta bondade Há nos gestos de amizade, Das tuas mãos calejadas; Que sem luvas nem pintura Transmitem tanta ternura, Como muitas bem tratadas. As tuas mãos são de santa, E a sua bondade é tanta Que ao vê-las eu adivinho; Que essas mãos calejadas Mesmo sem unhas tratadas, Dão sempre amor e carinho. Para mim são as mais belas, Eu sinto orgulho ao vê-las, Quando me afagam o rosto... Transmitem paz e amor, São mãos de trabalhador, São aquelas que eu mais gosto. És a mais bela do mundo, Sinto orgulho profundo, Da minha mãe adorada, Quero dizer-te: Obrigado, Por sempre teres trabalhado, Para não me faltar nada! Isidoro Cavaco - Loulé José Jacinto “Django” Casal do Marco

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 «Confrades Letristas» A FOLHA Eu sou uma de muitas folhas Que esbo aço por aí à deriva, À espera que me recolhas, De minha mãe estou caída, Éramos mais de mil irmãs, Quase todas da mesma idade, Éramos frescas pelas manhãs, Todas cobertas de humidade, Depois veio a linda flor, Que gostoso fruto gerou, Minha mãe com amor, A todas nos alimentou, Mas dias houve veio calor, Tanto que o meu pé secou, Então o vento destruidor, Para o chão me atirou, Por algum tempo sou errante, Para num canto apodrecer, E é neste ciclo constante, O nosso efemero viver, António Martins S.Salvador do Campo - Porto Imaginações. Poetas de emoções: - Eles bebem na fonte Salvé os Iluminados de inspiração Veia continuada, fixa no horizonte Fluída num elo imaginário de acção A musa que entra sempre no imaginário Com os valores éticos a coadjuvar Poetas de emoções, selados no diário Cultiva e adjectiva o seu cativar Guitarra e viola a doar voz ao cantor Dísticos de fulgor, doseados de amor Vão rompendo as fronteiras por vibrações P’los horizontes cintilam olhos de brio Onde realçam as lavadeiras no rio Num mundo paisagístico de imaginações Pinhal Dias (Lahnip) PT (In: “Memórias Vivas”) És tu…Sou eu! Pára…E vem dizer amor Pára…E deixa de sofrer Vê…Olha dentro de ti Sonho…Cá dentro de mim Tempo…É tempo de dizer Tempo…É tempo de cantar Vem…Agora é a vez de encontrar a certeza que nos fez. És tu…Sou eu! amanhã seremos mais talvez pra cantar aquilo que nos fez embalar a nossa vida amor! És tu…Sou eu! Somos nós vivendo a vida a dois somos nós cantando até depois de cantar o nosso amor. Os anos passam… Aos dez anos és um garoto, Ainda em casa dos pais, Mas aos quinze, seu maroto, Já pensas em coisas tais… Quando aos vinte mais afoito, Pensas saber para onde vais, Aos trinta, aos trinta e oito, Aos cinquenta muito mais. Aos sessenta te reformas, E aos setenta já não tornas A fazer uns grandes planos, E se aos oitenta chegares, Já com poucos dos teus pares Tu serás um “veterano”… António Boavida Pinheiro - Lisboa Alguém e Ninguém Quando partilhei com alguém, Meus segredos de Amor De certo não pensei Que me causaria tanta dor. Um acto bem pensado Totalmente me levou Ao abraço apaixonado Dele e de mais ninguém, Naquele momento de amor. Natália Vale - Porto FEIRA DA LADRA Na mais típica feira de Lisboa Famosa pelas suas velharias Põem-se ali à venda quase à toa As coisas que são hoje nostalgias. Ali naquela feira singular Onde se vende apenas o passado Há vozes de emoção a apregoar Relíquias que são pedaços de fado. Ali nesse recinto se enquadra O que um dia serviu mas já não presta Vendido por fim na Feira da Ladra Destino derradeiro que lhe resta. A que outrora foi preciosidade É hoje com desdém ali vendida Apenas pelo preço da saudade Do valor que um dia teve em vida !... Euclides Cavaco - Canadá Intérprete: Jorge Miguel Primavera Há ninhos nos beirais e nas arcadas beijinhos e chilreio de andorinhas... há cachos de quimeras penduradas nos seios de amoreiras e de vinhas Há vida em terras secas, não aradas, brotando alegremente e maneirinhas... há plantas, erva e flores bem variadas que atraem borboletas e abelhinhas Há sol por sobre as eras, madrugando, azul e verde mar embriagando os olhos de quem vê não só por ver mas sim por puro amor à natureza respeito e gratidão pela beleza de ver a Primavera acontecer! Abgalvão - Fernão Ferro Letra e Música: Joaquim Maneta Alhinho Interprete: Zaga Carreira

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 7 Confrade desta Edição «Rosa Branco» AMOR DE MÃE Dizer que foste a melhor Mãe do Mundo É pouco. Dizer que soubeste amar teus filhos como ninguém, Não chega. Dizer que lhes transmitiste princípios e valores fundamentais, Não é suficiente. Dizer que os consolaste nas horas tristes, Não basta. Dizer que os incentivaste em momentos decisivos, Não é nada. Dizer que lhes ensinaste o caminho da Felicidade, É pouco. Dizer que os guiaste com coragem e determinação, Não chega. Dizer que não te poupaste a sacrifícios, Não é suficiente. Dizer que viveste em função dos teus filhos, Não basta. Dizer que foste um exemplo de sabedoria e abnegação, Não é nada. Diga eu o que disser, Fica tudo por dizer... As palavras são insuficientes Para te enaltecer... Rosa Maria Bonito - Cruz de Pau TRÊS VIVAS… Três vivas à lua e ao luar Benfazejo e lindo No seu manto de luz Põe tudo a brilhar Três vivas às estrelas Que brilham no céu Cintilantes e belas Nas noites de breu Três vivas ao sol Que é fonte de vida Forte e prazenteiro Nos dias de verão E no ano inteiro Rosa Branco – Cruz de Pau SEI SERES ESPERANÇADOS Corpo embebido em cânticos Tornados fruto em noite ardente De silêncios feitos música Num dizer nunca renegado A alturas controlado Fizeram de nós Homens que somos E seres que seremos Infinitamente esperançados Rosa Branco – Cruz de Pau In POESIA SEMPRE, abril de 2013, Chiado Editora O POETA O Poeta é um ser divino Libertador da palavra Construtor da linguagem Inventor do Mundo Beija-lhe Deus as mãos Três vezes ao dia Para que ele possa Dar forma e conteúdo À letra original Rosa Branco – Cruz de Pau OBRIGADA, AMIGO No meio da noite Quando a solidão se torce e contorce A voz de um amigo soa Sussurrando num tom de harmonia A canção do vento perdido lá longe Nos ermos da foz do estio É como se o mundo inteiro Desabasse de estrondo E as estrelas do céu viessem Quase pé ante pé segredar ao ouvido O que o mar lá no fundo encerra de mistério É então que ergo os olhos Fixos no infinito e te digo: OBRIGADA, AMIGO. Sei de inchaços de satisfação Tão importantes na afirmação do ego. Sei de crostas, carapaças e conchas Tão desejadas na proteção contra o mal. Sei de discursos inflamados Tão retóricos, tão vazios, tão nulos. Sei de silvos agudos e finos Tão incomodativos como desejados. Sei de um contra-baixo desafinado Tão corajoso como desprezado. Sei de rios límpidos e transparentes Tão apreciados como preservados. Sei de mentiras ocas e vãs Tão utilizadas no dia a dia. Sei de traições e de mentiras feias Tão ignóbeis como odiosas. SEI… NÃO SEI… TALVEZ SAIBA… NÃO QUERO SABER… Rosa Branco - Cruz de Pau Rosa Branco - Cruz de Pau

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 «Confrades» QUE IMPORTA?... Que importa os tempos negros já passados, os foscos dias, sem sol ou réstia dele… Se com lágrimas foram já lavados e em versos sepultados no papel? Que importa os ais, sustidos, engasgados, os arrepios revoltos pela pele, se todos se aplacaram desbastados p’la douta lei da vida e seu cinzel? Perfeita a mão da sábia natureza que nos modela ao traço estrutural que exige pormos n’ alma mais nobreza passo a passo na viagem oscilante, polirmos nosso cerne existencial, e a pedra lapidarmos em diamante! Carmo Vasconcelos - Lisboa http://www.osconfradesdapoesia.com/ Minha Mãe Minha mãe, céu, meu amor Torno a pôr os olhos no esplendor Dizendo por ti com esta dor Minha mãe, meu céu, meu amor Meus dedos terão de escrever O que eu não posso esquecer Paterno sentimento atroz… Canta hoje a minha voz Como tudo um dia aconteceu Eu vi na luz do céu Estrela cadente, dar-me sentido Ao meu lado tão conhecido Que eu qualifico sem torpor O meu dom de amar profundo Vive no meu coração a cor Daquilo que ficou esquecido Minha mãe, meu céu, meu amor Eu trago a minha alma vestida Da luz para ver bem florida Torno a pôr os olhos no esplendor Para meditar num altar risonho Comigo trouxe versos de sonho Cheios de amor, no sonho da vida Gostaria de ver a família unida! Luís Filipe N. Fernandes – Amora QUADRA GLOSADA Mote O NOVO ANO está à porta, Devemos abrir nosso coração, A esp’rança que nos exorta, Novo Ano, nova ambição! == Quadra dos poetas PINHAL DIAS E A genial CONCEIÇÃO TOMÉ == Glosa Ano Novo qu’entre com Fé, Porque inda não está morta, Tens a CONCEIÇÃO TOMÉ O Novo Ano está à porta! Não negar abraços a ninguém, Esquecer qualquer confusão, Que a todos chegue por bem, Devemos abrir nosso coração! Se temos que levar até ao fim, Esta situação tão torta, Nem tu estás tão mal assim, A esp’rança que nos exorta! Pra vencer é bom ter garra, Fugir às tacadas de ser ancião, Tu sabes tocar bem guitarra, Há o Novo Ano, nova ambição! Nota EXTRA; Todos CONFRADES DA POESIA; Vão vencer as “tolas” leis, Co’o PINHAL e TOMÉ têm guia Capaz pra este novo 2016! Nelson Fontes – Belverde / Amora Com luz no horizonte. A luz que irradia e que alarga horizontes Efeitos de mansão de astros cintilantes Refrescando poetas de todas as fontes Num filo de mãos atentas e confiantes Correntes de pensamento de infiltração Pela cura de males, ao seu Agapito E mistificam estátuas de adoração Viram adormecer os deuses do Egipto O amor realçou com poetas românticos Com assento no mundo, de versos balsâmicos Glorificado Jesus no Sermão do Monte! Luz do dia com iluminados escritores… Suas mãos que operam e desdobram valores A poesia avança, com luz no horizonte Pinhal Dias (Lahnip) – Amora PT (In: “Memórias Vivas”) Nobre Povo E foi Abril nas faces confiantes De um punhado de jovens capitães Foi também um sorriso em tantas mães Que estremeciam tristes e errantes Foi a glória nas ruas e nas gentes Ao ver tombar o ferrete odioso Sem que uma gota de sangue valoroso Fosse em vão derramada a sangue-quente Depois foi liberdade desfraldada Com alegria, com cravos, com palmas Até esgotar-se o dia noutra madrugada Descansou o país sob o dever cumprido Pois que jamais vencida se conheça A nobreza de um povo de sonhar antigo Eugénio de Sá - Sintra Sesimbra Mergulhar em Sesimbra Ver o Sol o dia inteiro Desfez o ódio da fimbra Concerne Mário Pinheiro MJP - Amora Imagem - Mário Juvénio Pinheiro Cabrito do monte Se gostam de bem manjar Não precisam que vos conte; Tem Melgaço paladar, Com seu cabrito do monte! Arménio Domingues Melgaço “Tudo cresce! Tudo florescerá em Seara da Cultura! Juntos Expandimos e Edificamos a Cultura Poética!” - Pinhal Dias - (Lahnip)

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 9 «Contos / Poemas» CAMINHAR… Que não haja razão para perdermos o alento de caminhar… Que não haja razão para não prolongarmos as distâncias… No precário da vida - quando esbarramos com a imperfeição…e o cepticismo nos agasalha o coração - exerçamos a capacidade de amar! Não importa que a luz - que emana dos nossos gestos - não seja notada! O que importa…é que ela não deixe de refulgir! Filomena Gomes Camacho - Londres O diário de uma mãe No ventre de uma jovem mulher, eu era uma obra-prima arquitetada pelo criador. Na infância, eu era a pupila dos olhos dos meus pais. No meu tempo de meninice, adorava comer o bolo de fubá feito pela minha avó. Na adolescência vivi os conflitos da identidade. Na juventude descobri os efeitos da paixão. O casamento foi o voto que fiz em nome do amor. Tornei-me mulher! Conquistei o meu espaço no campo profissional. No meu ventre o fruto do meu amor, o amor incondicional. O ciclo da vida se inicia nos olhos de Maria, a minha amada filha. O tempo, mestre do destino, deixou marcas das vicissitudes na minha face. A minha filha tornou-se mãe, a minha amada mãezinha se foi no barco do destino, guiada pela paz rumo à eternidade. Os meus netos correm pela casa. Na memória, os belos dias, as recordações que nunca esquecerei. Sou uma mulher realizada, sou uma mãe convicta! Aos 98 anos, vejo a minha vida se esvair pelo ralo do existir. Para as mulheres deixo a seguinte mensagem: Ser mulher é romper com os limites da vida, ofertando a possibilidade da vida para os homens, sensibilizando o mundo, perpetuando um olhar poético e amamentando o progresso da humanidade. Um salve pra todas as mães! Dhiogo J. Caetano - Professor e jornalista - Uruana, Go - BR Pés no chão Filho da terra. Criatura campestre. Em tuas mãos o orvalho das manhãs. No teu rosto a luz do astro rei. Em teus lábios o doce mel que cativa os beija-flores. Dos teus olhos vibra a energia da mãe natureza. Ecos ecoam de teus ouvidos. Um aroma energizador exala de teus cabelos. O teu corpo sinergiza os fluxos do cosmo. A tua fala equilibra a flora. O teu toque restabelece a fauna. O vibrar dos teus passos, equaliza as frequências da vida. Dhiogo José Caetano - Uruana - Brasil - Professor e jornalista.

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» ANOITECER. Reflectem diluídos, em leveza, Fluxos do poente a desmaiar! Soluça, magoada, a Natureza, Pla ausência do sol a fulgurar... Emerge a noite, com subtileza, Cobrindo ao cenário, o matizar! Soçobram árvores com tristeza, Lançando, ao vento, seu pesar... E, no risonho afluído matutino, Resplandece o orvalho cristalino, Em miríade madrugada colorida! Tudo ressurge, pelo sol nascente, Num mágico êxtase, sorridente... Túmida, a Natureza, arfando vida! Filomena Gomes Camacho -Londres ALGUÉM DIFERENTE Encontrei, na vida, alguém diferente Motivo de meus versos, meus anseios! Por ela, em cada dia, meus receios, Obsessão constante em minha mente. Sua imagem em mim é tão presente, Sentindo seus olhos como esteios! Sonhando luas como devaneios!... Nesta dor enorme de a ter ausente. Viajo consigo nesta fantasia! Minha nau quer fugir desta razia Baloiçando ao sabor da tempestade. Sinto-a mais perto, quase a tocar-me… Como se ali estivesse fixa a olhar-me, Realizando, enfim, minha vontade. JGRBranquinho - Monte Carvalho Nem Sempre Nem sempre, deverás pensar com tanta certeza que eu serei tua eternamente. Hoje, o meu coração está perdido, desnorteado, naufragado, sem rumo ! Amanhã, pode ser que eu não esteja mais aqui, na espera por tua decisão, sem fim. Talvez, eu não me encontre comigo mesma e não consiga definir o meu infinito. Socorro Lima Dantas – Recife / BR Palavras Vivas São os meus lugares cimeiros Junto à pequena serra Outrora entre nevoeiros E hoje dão brilho à terra. Nesse lugar pitoresco Que gosto de visitar Há sempre algo de fresco Para a rima me acertar. Cada passo que eu dei Neste primeiro de maio Foi como novo ensaio. Vi datas que confirmei Na Despensa e no Império Tapa-vento e cemitério. Rosa Silva ("Azoriana") Mulher Afinal, quem és tu mulher? Nesta longa caminhada, Galgas os degraus da vida, Mas murchas como uma flor, Quando és incompreendida. Tu que és só dedicação, Só ternura, só amor, Quantas vezes prisioneira, De tiranos sem pudor; És esposa, mãe, amiga, Teu ser grita igualdade; És às vezes foragida, Da própria identidade. Inda diz o dicionário, Que és da classe inferior? Mas como fêmea do homem, Geraste filhos com dor, E no teu ser mais profundo, Vibraste com a alegria, De teres parido poesia, E de amamentares o mundo. Não... não és fraca... tu és forte Tem orgulho em ser quem és; Vive a vida... saboreia-a... Vê bem onde pões os pés; Foste feita para amar, E também para servir, Tens o Céu no teu olhar, Choras quando queres sorrir. Ser mulher é estar presente; Deixarás de ser mulher. Se vives num mundo à parte: Ser mulher é ser diferente, É ter fé constantemente, Orar ao Omnipotente, E viver com engenho e arte. Anabela Dias – Amora LEMBRANÇAS As lembranças povoam a mente De todo ser humano vivo e sadio. Há quem só lembre de coisas boas E procurem deixar as ruins no passado. Esta é uma forma sábia de viver Para não reavivar dores e ressentimentos ruins. É saudável lembrar das coisas boas Para ter sempre um sorriso no rosto. De minha infância lembro de minha vó, A matriarca da família Que chegou aos noventa anos cega Sem uma queixa ou lamento. Da adolescência guardo as descobertas De uma nova forma de viver, Deixando as bonecas de lado E buscando um amor para viver. Ao encontra-lo comecei nova etapa Que serei grata a Deus, eternamente. Tive meus quatro filhos Que serão sempre a razão de meu viver. Neste outono da vida, O que mais almejo é viver Para deixar lembranças boas No coração de cada um de meus netos. Isabel C S Vargas - Pelotas/RS/Brasil PARA OS OUTROS SEMPRE Nem sempre serei para mim o melhor conselho quantas bastas vezes sou algo de sozinho não me encontrando sei que me olho no espelho mas que razão me assiste se nem sei se há caminho? Mas é aí que me estudo no discreto desenho entre o vidro oblíquo e o que me está mais vizinho. Porque por essa altura vai-se todo o desdenho e eis quando me fica o que almejei: o secreto amigo. E é para ele daí em diante eis todo o meu esforço quando me procura expõe-me seus medos e o obscuro e é então que lhe digo: é preciso saltar o muro! Ir daqui para o outro lado, onde está o conforto que diga-se é lá que está o novo mundo que fará do inseguro ir buscar a si o mais profundo. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 11 «Tempo de Poesia» “O AMOR ME ESCUTA!” Olha à minha volta meditando, Que a vida sem amor não vale nada! É como uma flôr sem ser regada, E aos poucos sem cuidados, vai murchando! Olho à minha volta perguntando Ao vento e à noite, à madrugada… Aos meus passos, às pedras da calçada, E a quem não me responde, vou esperando! Confio no amor, esse me escuta! Que eu esteja bem ou mal, vamos à luta… É meu esse alicerce, um desafio! Contra marés e ventos, vou gritando… Silenciosamente confirmando, Que a vida sem amor é um vazio! João da Palma (Amlapad) Portimão NAÇÃO PORTUGUESA * Nação é a comunidade de afetos E carinhos entre filhos, pais e netos. Quem tem o carisma de ensinar Deve ensinar E, quando for tempo de aprender, Que aprenda. Mesmo numa corrente universal E harmoniosa de direitos e deveres Sempre existirá o confronto geracional… Qualquer que seja a tua idade, Não queiras a falsa liberdade Que não te consentem as leis… Prepara-te para o imprevisto, Abrindo, rasgando, janelas de esperança, No acreditar inocente de criança, Em ecos proféticos Para que se vença a crise, mal mundial, E a judia ganância dos juros, num sistema Sem limites éticos. Não permitas, honrando memória de pais, A sobrevivência desta não civilização, Que está no fio do seu limite. Tantos tormentos! Há que despertar, sem receios do sentir nacional, Entorpecidos e históricos sentimentos, Que não se conseguiram apagar numa geração. Vamos a isto, meu irmão?! Não deixemos morrer Portugal! No dia da Poesia - Agradeço aos poetas Que me emprestaram o aroma da sua poesia, Que fizeram correr a sua inspiração nestas veias, Que deixaram que respirasse o ar dos seus encantamentos… - Agradeço aos poetas O testemunho da dor que consolida a tristeza, A sabedoria da expressão dramática dos sentimentos, O jeito que me dota a mão desta força imensa da comunicação metafórica, A capacidade de saber reconhecer a beleza numa palavra, num gesto, numa intenção… - Agradeço aos poetas O pregão da justiça, o louvor ao amor, o apelo ao perdão. - Agradeço aos poetas Terem-me feito um deles. Eugénio de Sá - Sintra Rosto de África… No rosto Envelhecido Da lágrima De África Pernoitam Palavras Choradas, Há séculos Ecoam Terras De gritos Infinitos De dor, Vidas No calor De verdades incolores Fredy Ngola - Angola In: “VOZ DA MINHA ALMA” MINHA MÃE Tu foste, mãe, na treva a claridade, na dor meu riso e na tormenta o norte, a minha companheira e a consorte das minhas horas de infelicidade. Que anjo não foste toda vez que a sorte não me sorriu e com que enormidade de amor, ternura e angelical bondade tu me ensinaste a ser paciente e forte! Hoje a alegria anda a sorrir nos ares, é o dia das Mães numa porção de lares e eu vou fingindo que inda o comemoro... Finjo, mãezinha, até que em doce jeito vens doer tão suavemente no meu peito, que escondo o rosto, pendo a fronte e choro! Humberto Rodrigues Neto – SP/BR Mar calmo e sedutor (Ana Santos - Vilar de Andorinho) Caminhar sobre areia molhada E, chover em dia de sol É acreditar que a vida é uma flor abençoada A despertar na beleza de um girassol. Milagre da vida é sentir a Natureza É vivê-la em plena gratidão É admirar toda a sua grandeza E respeitá-la com profunda emoção. O mar envolve as minhas atribulações Espalhando pelas rochas ternas ilusões Á espera de um mar calmo e sedutor. O vaivém das ondas adormecidas Deslizam pela praia meias esquecidas Na esperança de conquistar um novo Amor. Pára-quedistas de Portugal Que nunca por vencidos se conheçam, Estes bravos heróis de Portugal. Quando as suas bravuras começam, Nada tem haver com o emocional. João Coelho dos Santos - Lisboa *Homenagem ao grande amigo, Professor Adriano Moreira Jorge Vicente - Friburgo

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 «Trovador» Nos braços da noite Dormi no colo da noite Meu amor, contigo ao lado E sonhei como se fosse Nos teus braços muito amado. Deitei-me na lua nova Quando o sol se escondeu Acordei na lua cheia Estive pertinho do céu. Namorei com uma estrela Em lençóis de pano-cru Tiveste ciúmes dela Mas essa estrela era tu. A tua voz meiga e quente Sussurrou ao meu ouvido Amar demais, é urgente De menos, não faz sentido! Tocou o despertador Quando ainda levitava Nos braços do meu amor Nos beijos que ela me dava. José Chilra - Elvas AS QUARENTONAS São agora as quarentonas Que controlam a natalidade Sobem e descem montanhas Até sentirem a necessidade. Gostam dessa experiência Cada vez têm filhos mais tarde Novas não têm paciência E põe a maternidade de parte. Desfrutam o nascimento Antes desfrutaram a vida Com mais idade e entendimento Sobre os problemas da lida. O pico da sua fertilidade Era dos vinte aos trinta anos Agora ultrapassam a realidade Já não há tantos enganos. São mudanças da sociedade Que trazem essas alterações A mulher vive a sua mocidade E não se mete em confusões. No tempo da minha mocidade Tudo era mais complicado Comprar a pilula não havia à vontade O aborto era proibido e censurado. Hoje graças a grande evolução A mulher tem outra capacidade Prefere a sua estabilização E só mais tarde a natalidade. Hoje não têm de nada necessidade No namoro tudo é permitido Namoram e fazem tudo à vontade No meu tempo até o beijo era proibido. Há na verdade medo e expectativa Os anseios são uma realidade Os casamentos sem perspectiva Parece não encorajar felicidade. Deodato António Paias - Lagoa Coerência. Filo defesa da Palavra Pela consciência luzente Numa vida rural se lavra Raiz! De carácter coerente À beira da calçada Desprezo tuas preces em miseráveis doações, tens as dores que mereces em teus podres corações. Ignoro os teus olhares de pena sem devoção, detidos em seus lares ou ocultos na multidão. Cansado dessas campanhas que nunca me dão nada, estou cheio de vergonha dessa gente desalmada. Nem juiz, nem acusador sou figura ignorada. Sofro a fome de amor nessa beira de calçada. Não sou fim nem esperança nessa escura estrada. Sou gente, sou criança Esquecida, abandonada! Ivanildo Gonçalves Volta Redonda /RJ/Brasil A FLÔR CRIADA NO CAMPO Eu tentei, mas no entanto Com tristeza digo assim A flôr criada no campo Não se dá bem no jardim Colhi no campo uma flôr Que gostava tanto tanto Pô-la no jardim com amor Eu tentei, mas no entanto No campo era tão viçosa Mas murchou no meu jardim Por gostar daquela rosa Com tristeza digo assim Flôr de branca raiz Criada assim no entanto Fora dele não é feliz A flôr criada no campo Por muita sorte que tenha No amor, eu digo assim Flôr que do campo venha Não se dá bem no jardim. Chico Bento Dällikon - Suiça Dia dos Poetas “A Verdade e a Vida” 1º Ser poeta ou ser artista É dever de qualquer louco Porque é um ser altruísta Dá sempre muito e tem pouco 2º O meu cérebro não é oco Também não é pedra dura Nem salinas do Samouco Porque tem uma veia pura 3º Existe em mim a lisura E também a honradez Mas vivo com amargura Por ver tanta mesquinhez 4º Vou vivendo e tu não vês Que luto pela verdade Tu passas com altivez Distribuindo a maldade 5º Eu tenho a Dignidade E tu a pouca Vergonha De não teres a humildade És uma ovelha com ronha! Manuel Carvalhal – Évora Pinhal Dias (Lahnip) – Amora PT (In: “Memórias Vivas”)

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 13 «Confrades» O lobo solitário que vive em nós http://www.osconfradesdapoesia.com/ CIGARRO OU CONCHA? Que concha foi essa Que ninguém abriu? Nem sentiste o mel Que nunca saiu! Nem tão pouco, fel Porque não havia! Não te amargou, Não houve magia! Quem por ti passou Que tu não amaste? Perdeste a razão, Assim te tramaste! Tu, sem coração! Eras um cigarro? Não davas amor Pois! Eras de Barro! Bento Tiago Laneiro Lisboa FICA EM MEUS BRAÇOS Fica em meus braços Fecha docemente os olhos Faz com que o tempo Decidisse atrás voltar Fica, volta a dormir Enquanto eu fico a olhar E vejo o infinito Na cor da tua pele E nada é tão bonito Como no sonho...estás comigo Até meu pobre coração Desafia…enfrenta o perigo E luta com a emoção Tu és a eterna calma Que eu nunca terei Mais que tudo Muito mais que sonhei Fica em meus braços Te quero para sempre Consigo imaginar A sentir-me tua Que chegue muito tarde Essa noite sem lua Para romper meu coração Tenho medo de ser feliz De tocar o céu, com a mão Não será para sempre Bem o sei, meu amor Por isso eu quero Esta noite eterna Antes que venha a dor Que nunca saia o sol Fazer o sonho, em pedaços Fica, em meus braços Amelia Ferreira – Santarém A viagem pela vida pode ser dura para quem viaja sozinho. Durante largos períodos da nossa vida temos a ilusão de que estamos verdadeiramente acompanhados. Todavia, é a solo que tomamos as grandes decisões, as que mais nos condicionam a existência. Na realidade, poucos são os espíritos que um dia partilharam os seus dias no silêncio do entendimento absoluto com o companheiro. E esses terão de agradecer a Deus por lhes haver mitigado a sua solidão. Lembremo-nos que a própria morte é um acto solitário. Quantas noites acordada, os olhos presos ao teto! Pensa nos filhos, coitada, na dor, na falta de afeto. Benedita Azevedo AI QUE SAUDADE!... * Ai que saudade Tenho eu da minha aldeia E do sol que ponteia Para lá do serro ao sul. Ai que saudade Tenho eu da lua cheia E das estrelas em cadeia Em pano de fundo azul * Ai que saudade De beber água nas fontes, Cear e dormir nos montes Na casinha dos ganhões. Ai que saudade Tenho eu das sementeiras, Do trigo loiro; das ceifeiras Cantando lindas canções! * Ai que saudade Tenho eu de ser rapaz, Dos silêncios e da paz Que o campo por si encerra. Ai que saudade Tenho eu da vida animal, Do eco solto no vale E do cheiro que vem da terra * Ai que saudade Tenho de pisar o orvalho, Do tilintar do chocalho E do aroma do gado Ai que saudade Tenho eu da minha infância, O tempo não tem distancia Percorrido por atalho! José Chilra - Elvas Eugénio de Sá - Sintra DOM QUIXOTE DE MIM MESMO Dom Quixote de mim mesmo, cruzo a estrada, Sancho Pança não é mais meu escudeiro Percebeu, na minha saga tresloucada, Que um moinho não agride um cavaleiro, Sou poeta, minha pena é minha lança, Minha espada, meu escudo e armadura, Sigo o sonho e onde minha vista alcança, O amor move a esperança... com ternura. Meu enredo é muito simples: sou herói De mim mesmo, busco ser original E até quando uma dor qualquer me dói, Faço dela uma nova alegoria, Onde ponho o meu sonho ideal E transformo um Dom Quixote... em poesia. Luiz Gilberto de Barros – Luiz Poeta SP/BR Terceira Juventude São aves que já voaram Por céus de amor e ternura E algumas penas deixaram Aos campos da amargura… Construíram os seus ninhos Criaram os seus filhinhos Mas esse tempo passou E nova vida aflorou… Podem de novo sonhar E bem mais alto voar Nas asas da liberdade Em plena felicidade! Conceição Tomé (São Tomé) Amora

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 «Poemas saídos do Baú» ESCREVI Escrevi Enquanto despreocupado Corria o frio rio E no sopro de uma aragem Voava feliz a consciente liberdade Desprezando a prima libertinagem. Escrevi Que no aquietar de ânsias revoltas Florescem vazios e ausências Sem saber se um dia voltas E que triste é a criança Que não nasce criança Nem nunca falou de esperança. Escrevi Que mais além te levará o sonho E que, repetidos, sem acaso, Sempre surgem o ocaso E fingidos luares sem lua. No esvoaçar da negra andorinha E na espera da risonha primavera Sem dor no cair da pétala Chora a flor. Chora, chora! João Coelho dos Santos - Lisboa Do livro NA ESQUINA DA VIDA Lançamento 25 de maio 2016 Cinema S. Jorge - Lisboa VOLTO Volto à terra de meus anos perdidos Encontro nela, agora, menor beleza! Só um pouco da retida em meus sentidos Com laivos de saudade e de tristeza. Volto e não encontro amigos queridos Da minha infância, melhor certeza! Oh! quão distantes tais tempos idos Quão lembrada, hoje, tal riqueza. Juventude pujante! Vida! Alegria! Felicidade que a cada passo sentia De meus dias, grata recordação. Que saudades, do tempo de ser novo! Esse tempo em que aqui no meu povo Com os amigos, jogava o meu pião. JGRBranquinho - Monte Carvalho Cá vai a Joanita 1 De cabelo ao vento E perna ao léu O que Deus lhe deu É para se ver A todo o momento Quando ela passa Tão cheia de graça Sempre a dizer ... Refrão 2 Só usa mini saia Ou um curto calção Para mostrar então O que ela quer Que linda catraia Tão bem torneada Miuda encantada Sempre a dizer ... Refrão 3 Todos os rapazes Ao vê-la passar Na boca vão ficar Com água a crescer São muito audazes Olhando p’ra ela Se está á janela Sempre a dizer ... Refrão Refrão Cá vai,cá vai,cá vai A linda Joanita Cantando ó i ó ai A moça mais bonita A moça mais bonita A filha do meu pai A linda Joanita Cá vai, cá vai, cá vai. Chico Bento - Suíça BOTÃO DE ROSA Havia ali no meu canteiro Uma linda rosa em botão Ao longe sentia-se o cheiro Que me enchia de emoção Hesitei muito quando a olhei Sem saber que lhe fazer E neste dilema fiquei Se devia ou não de o colher Gosto daquela rosa em botão Que me deixa apaixonada Tem a forma de um coração A minha rosa abotoada Decidi-me..! Deixei-o ficar Seria um crime cortá-lo Está ali bem, no seu lugar Mas não vou abandoná-lo Visito-o todos os dias Dou-lhe sempre o meu carinho Falo com ele das alegrias Com que cruzo pelo caminho Maria da Encarnação Alexandre Santarém A infiel memória O seu nome é Memória, Minha namorada infiel!... Conta-me cada história, Todas amargas como o fel! A sua infidilidade Magoa, e cada vez dói mais... Pois, ao aumentar a idade Acentuam-se os maus sinais! Já não gosto da companhia, Porque me rouba alegria, Ao tentar reviver lembranças! E até me zango com ela, Dado que não vem à janela Nem sequer me dá esperanças! José Maria Caldeira Gonçalves Fernão Ferro Canto suspenso …se tu ficasses poderia ensinar-te o cantar das fontes pela manhã e tu, feliz saberias de cor os amarelos d’ alegria os rosas do amor os azuis da amizade os roxos da despedida os cinzas da partida. Se ficasses oferecer-te-ia palavras de açucena e beijos de jasmim num eterno enlevo d’ alma onde o amor seria perene estado de graça! Maria Mamede - Porto

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 76 - Maio / Junho 2016 15 «Faísca de Versos» Pelas mãos do homem… Matam-se sonhos nas estradas da vida… Plantam-se esp’ranças em campos estéreis… Cortam-se árvores sem conta e medida Sacrificando o ar por lucros mais férteis Tornam-se impróprios os leitos dos rios… Secam-se as águas nos ventres das fontes… Lixeiras se fazem de velhos baldios Em cinza e negrume o verde dos montes Semeia-se fome nas vastas colinas Adubando a terra com chumbo e dejectos… Poluem-se os lagos, praias e salinas, Com esgotos fantasmas vazando secretos Troca-se a paz pelo estrondo da guerra Que arrasta e sufoca o homem de bem… Prende-se a fé na cela que encerra A esp’rança de vida que a criança tem Come-se pão já cheirando a transgénico… Fruta, sem cheiro, madurada a químicos… Peixe e bivalve com sabor a fénico E gado criado por processos cínicos Somos o homem! … Esse bicho invulgar Que pelo poder no lodo s’emporca… Somos o homo sapiens que teima em armar Os laços da corda que aos próprios enforca Abgalvão - Fernão Ferro POVO O povo tem sempre razão, Políticos bem o sabem. Eles vivem em bom casão, O povo, onde quer cabem. O Passos disse ao Costa, Que lhe retirou o poder. Afirmando que aposta, Que qualquer dia o vai vender. O Costa respondeu-lhe: Vade retro satanás. No fim, ofereceu-lhe Um bom sumo de ananás. Os Burros do Parlamento, Deviam comer mais palha. Talvez num certo momento, O povo ganhasse a batalha! Zé povinho massacrado, Só podes contar contigo. Já aconteceu no passado, Hoje, continuas mendigo. Políticos nada fazem, Olham para sua barriga. Em nada te satisfazem, Povo, não vai na cantiga. A vida sem “política”, Seria melhor para o povo. Fariamos autocrítica, Haveria, sim, cíclo novo! Jorge Vicente - Friburgo “SABE LÁ O QUE É A VIDA” Não se fazem com “mezinhas” As reformas dum país, Nem com falsas palavrinhas Fazem o povo feliz! “Sabe lá o que é a vida” Jerônimo de Sousa disse… Numa passada…atrevida Ao “Passos” da vigarice! A todos… falta saber E, ele…também não sabia! Como se fará crescer Então a economia! Parou a agricultura No campo restam os pastos A indústria, em rotura… E as pescas estão de rastos! Estes “Passos” que se dão De quem não sabe o caminho, São sempre “Passos” em vão A pisar o “Zé Povinho”! João da Palma – Portimão Aduladores de Patrões É boa a sopa de pão se na mesa houver flores, mas já não presta o faisão se na mesma houver traidores Dilacerada de mil dores está a minha humilde alma quem pode manter a calma na presença de tais senhores são bufos e aduladores instrumentos do patrão mais vale a sopa de pão se na mesa houver flores, mas há outros com valores, mas com pouca inteligência põem de lado a consciência se na mesa houver faisão e porquê têm bom coração passa-lhes toda a intransigência derivado á minha aparência não sou de muita beleza, mas não me sento á mesma mesa se nela houver traição bem sei que tenho razão em tomar tais atitudes sei bem que não tenho virtudes sou um grande pecador porém sei que não sou traidor sou justo como a razão não me sento á mesma mesa se nela houver traição Vitalino Pinhal - Lisboa Eu não plantei flores Eu não plantei flores E nunca vou plantar Para não vê-las morrerem Cruelmente Pisoteadas pelas botas enlameadas Dos soldados que descompassados E uniformizados passam em marcha *** Eu não vou plantar Flor alguma Para não vê-las arrancadas Tiranicamente Pelas mãos inumanas Em fúria Para serem vendidas Ali na esquina da minha rua *** Eu não vou plantar flores Para não me desumanizar Para não ter que leva-las Até campo-santo Em homenagem para os que partiram. Samuel da Costa – Itajaí / BR 38º Sextilha Semanal, 2012. Passos quis dar aos patrões Um lucro de cem milhões, Tirando aos empregados! Com esta farsa montada, Aferrava outra dentada… Aos pequenos reformados! João da Palma - Portimão

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