Caleidoscópio nº 75

 

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Caleidoscópio nº 75

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Revista Nº 75 COLÉGIO SANTA MARIA “Casa comum, nossa responsabilidade” PROJETOS DO SANTA MARIA ESTÃO ALINHADOS COM TEMA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016

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EXPEDIENTE Instituto das Irmãs da Santa Cruz COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana P. da Silva B. de Freitas Adriana Tiziani Ana Cristina P. Imura Beth Costa Muriel Alves Silvio Soares Moreira Freire Sueli A. Gonçalves Gomes Vanini Andolfato Mesquita EDITORA Suze Smaniotto DIRETOR DE ARTE Marcelo Paton REVISÃO Rita de Cássia Cereser Sogi COLABORADORES Adriana Francato • Ana Claudia Florindo Fernandes • Ana Lúcia Parro • Anna Paula Dutra Rodrigues • Camila Bovolato • Cleber Teodoro Pereira da Silva • Cristiane Paulon • Daniela Caltran Pereira • Darci Garcia • Edith Sonagere Nakao • Eliane Lima • Fernanda Lugatto • Gabriela Siqueira • Karina Rodrigues • Luciana Boggi Proença • Luciana Ennes Pedro • Lucilei Spitaletti • Maíra Bedran • Maíra Nascimento • Márcia Almirall • Márcia Rufino • Maria Cristina Forti • Maria Soledad Más Gandini • Michelle Diegues • Patrícia Almeida • Rafael Zanetti Ferreira • Rosilene Moutinho Arriola • Sandra Paulos • Suzana Torres • Wallace Marante Impressão Intergraf Tiragem 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. MOSAICO AÇÃO E ATITUDE - O SANTA MARIA OFERECE UMA GRANDE VARIEDADE DE CURSOS EXTRACURRICULARES, COM OPÇÕES PARA ATENDER AOS DIFERENTES PERFIS E INTERESSES DE NOSSOS ALUNOS.’

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CARTA QUESTÃO DE PERSPECTIVA 04 NESTA EDIÇÃO Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria 06 13 ecentemente, fui assistir ao filme Star Wars e, pela primeira vez, usei óculos 3D. Ao longo da projeção, tirei os óculos e fiquei surpresa com a diferença entre a tela plana e a tridimensional. Quando comecei a ler os artigos desta edição, tive a sensação de estar colocando aqueles óculos novamente porque fui percebendo a profundidade dos projetos e não somente a superficialidade do observador que vê apenas o produto final, sem levar em conta o processo que há por trás. Os alunos são desafiados a todo momento a tirar e pôr os óculos 3D. Na monitoria, eles procuram colocá-los para enxergar a dificuldade do outro e achar a melhor forma de entrar na experiência e na percepção do colega para explicar os conceitos, ou seja, precisam trocar de função para tornarem-se educadores. O Grêmio do Ensino Médio também necessita entender a dificuldade financeira do outro para pagar o almoço e optar pela compra de um micro-ondas, uma solução de longo prazo e alto alcance, melhor do que simplesmente oferecer um vale-almoço. Nos jogos de integração, com alunos novos e classes subdivididas, foi preciso conhecer o talento do outro para organizar o jogo. Gostei de saber que uma aluna do 1º ano, ao perceber outra com necessidade de ser acolhida, tomou a iniciativa de se aproximar. Todas essas vivências em ambientes e espaços diferenciados, até com pessoas de diferentes períodos, ajudam o aluno a perceber não só a ótica do outro, mas também a dele próprio, em perspectiva e não com olhar objetivo. Nesse início de ano, tive outro momento para verificar a questão de perspectivas diferentes. Ao trazerem seus filhos pela primeira vez, à escola ou à sua nova sala, os pais mostraram diferentes atitudes: demonstravam ter apenas a sua própria ótica, buscando a sua conveniência e facilidade de conduzir o carro, ou assumiam a responsabilidade de garantir a segurança também dos outros pais. Nesse caso, sentiam-se membros de uma grande família, interessados no bem do conjunto, não apenas no de seus próprios filhos. Os outros são egoístas, ignoram a necessidade do próximo, tornam-se até violentos. Há aqui uma grande contradição: apesar de buscarem este Colégio, que ensina bons comportamentos, acabam agindo de forma diferente. Há um provérbio espanhol que diz que, no jardim, crescem mais plantas e flores do que o jardineiro tem consciência que plantou. É isso que notamos: as pessoas descrevem atividades e projetos, porém há mais coisas que efetivamente o aluno assimila. Isso fica evidente no relato da ex-aluna apresentada na seção Depois do Santa. É surpreendente saber o que os alunos extraem de cada oportunidade oferecida pela educação do nosso Colégio! 09 08 10 14 18 22 08 04 CASA QUE CELEBRA 06 CASA QUE ACOLHE 08 CASA DA TECNOLOGIA 09 CASA QUE AMPLIA 14 CASA DO PROTAGONISMO 16 DEPOIS DO SANTA 18 NOSSOS GIGANTES 20 É BOM SABER 10 CASA DO CONHECIMENTO 21 REFLEXÃO 13 CASA DA CONVIVÊNCIA 22 TÚNEL DO TEMPO

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4 CASA QUE CELEBRA >>> MISSA DE RAMOS Abrindo a Semana Santa, momento forte de oração, solidariedade e respeito pela vida, os alunos do 2º ano do Fundamental I celebraram a Missa de Ramos. Dramatizaram e cantaram o momento em que Jesus foi aclamado pelo povo, que jogava ramos de árvores enquanto Ele seguia por Jerusalém e era reconhecido como Messias. Juntamente com as crianças, as famílias saíram em procissão pelo Colégio em sinal de fé e esperança pela Sua chegada. Os alunos foram preparados para esse encontro com muito entusiasmo: estudaram o significado e a importância dessa passagem para os cristãos, aprenderam cantos e vivenciaram leituras do Evangelho. Com o intuito de estimular atitudes solidárias, confeccionaram cofrinhos, nos quais, ao longo da semana, fizeram doações espontâneas em benefício do Abrigo Arco-íris, casa adotada pelo 2º ano para o projeto de inserção social. Essa ação concreta fez com que os alunos dispusessem de valores que fossem destinados a algo para o próprio consumo, abrindo mão daquela aquisição em favor dos mais necessitados. Cada sala fez o seu cofrinho e o entregou no altar no momento do Ofertório. Munidos de seus ramos, todos foram abençoados e retornaram a seus lares com alegria e fortalecidos pelo amor e pela misericórdia de Cristo. CAMPANHA DA FRATERNIDADE O tema da Campanha da Fraternidade “Casa comum, nossa responsabilidade” foi apresentado à comunidade do Santa Maria na missa preparada pelos alunos do 5º ano do Fundamental I. O lema bíblico, apoiado em Amós 5,24 e que diz: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, foi representado por meio do hino da Campanha e lenços coloridos na procissão de entrada. Os cartazes e apelos, chamando atenção para a questão do saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida para todos, levaram à reflexão sobre o principal objetivo dessa Campanha. O abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o con- trole de meios transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas. Assim, durante toda a celebração, os alunos enfatizaram que a “justiça ambiental” é parte integrante da “justiça social”. Para isso, é preciso que cada um coloque-se a serviço do outro, enxergando suas reais necessidades, como lembrou Pe. Pedro em sua homilia, referindo-se à história dramatizada pelos alunos. Jesus reconhece Zaqueu no meio da multidão, pois para Ele não existem multidões e sim pessoas, independente de cor, classe social, tamanho ou peso. Que possamos nos perguntar sempre: Qual o tamanho do nosso esforço para “subir na árvore” da vida e enxergar Jesus?

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CALEIDOSCÓPIO#75 5 HOMENAGEM A SÃO JOSÉ Nossa Casa Comum, o Santa Maria, tem em cada prédio a imagem do seu protetor ou da sua protetora: Menino Jesus, Santa Maria, Santa Teresinha, Nossa Senhora da Santa Cruz e o querido São José. No dia 18 de março, véspera do Dia de São José, os alunos do 2º e 3º anos do Fundamental I fizeram uma linda homenagem a ele, que cuidou com amor e zelo da sua família e da sua casa. Lindas flores, mensagens com pedidos e agradecimentos foram depositados aos pés da sua imagem, ao som da música “Meu Bom José”, cantada com emoção e alegria por todos os presentes. Celebrar este dia é uma maneira de os alunos vivenciarem a importância de princípios familiares passados por ele: amor, partilha, fé, doação, benevolência, resiliência e obediência. A proposta deste trabalho vai além do âmbito religioso: procura apresentar aos alunos um exemplo de amor a ser seguido, como o de José, escolhido e amado por Deus, por Maria e por nós, e mostra que somos uma grande família. Por isso devemos ter atitudes de bem querer, começando dentro de casa e transcendendo todas as esferas de convivência. CELEBRA-AÇÃO: DIA DA ÁGUA No dia 22 de março celebramos o Dia Mundial da Água. Para tornar essa data não só uma comemoração, mas o início de uma ação, os alunos do 3º ano do Fundamental I organizaram uma campanha com as famílias. Como preparação, as crianças estudaram sobre a água e descobriram a importância desse bem para todos. Aproveitando o tema da Campanha da Fraternidade, as crianças assumiram o compromisso com a Casa Comum cuidando do recurso natural essencial para a vida: a água. As classes iniciaram um revezamento no dia 18 de março, no horário da saída, para conscientizar quem circulava pelo local. Com cartazes e folhetos informativos, conversaram com diversas pessoas informando sobre atitudes para conservação desse recurso hídrico. Uma oração com as famílias também fez parte dessa ação, bem como o levantamento das atitudes de irmãos, pais, mães e até vizinhos para diminuição do consumo de água. A aluna Ana Beatriz Kurihara alertou os colegas durante a preparação da campanha: “É importante informar as pessoas para termos água limpa e para todos”. Sua colega Catarina Rahmeier destacou: “Cuidando da água, estamos cuidando da nossa Casa Comum!” E você, como está cuidando da água da “Nossa Casa Comum”? DIA INTERNACIONAL DA MULHER Mais do que uma data a ser celebrada, 8 de março convocou o 2º ano do Fundamental I à reflexão sobre o papel da mulher na sociedade. Ela ainda busca o reconhecimento do seu exercício como mãe, estudante, empresária, religiosa, dona de casa e tantas outras... Os alunos foram orientados à produção de pesquisa sobre mulheres que se destacaram em determinado momento da história. Ao apresentarem suas pesquisas, refletiram sobre o quanto lutou e continua lutando pelo seu espaço no trabalho, na educação e em outros campos de atuação na sociedade. Como exemplos de mulheres reais e próximas a nós, estão as responsáveis pelo Abrigo Arco-Íris, Gelma e Dominique, que foram convidadas para relatar sua história, seu trabalho e cotidiano. O relato da aluna Laura Gonçalez Nappo é um bom exemplo do aproveitamento da atividade: “Professora, você sabia que a Malala teve que sair do país dela? Ela queria que as crianças e as mulheres pudessem estudar, mas, no país dela, ela não poderia fazer isso”.

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6 CASA QUE ACOLHE >>> R E V I V N O C M E R E Z A PR Alunos do 6º e do 7º ano do Fundamental II participaram de Jogos de Integração, momentos de socialização e convívio com as demais turmas e professores nas novas séries. As turmas do 7º ano trabalharam critérios importantes, como senso de participação, de integração, a competição saudável e o espírito de coletividade. “O gostoso foi estar nos jogos com outras pessoas, novos professores, competindo e nos divertindo, praticando atividades físicas”, comentou Beatriz Fujii Mia- moto, aluna do 7º B. “As atividades levaram em consideração valores como fraternidade, solidariedade e a convivência harmoniosa e pacífica entre os participantes”, explica o professor Cleber Teodoro Pereira da Silva. A arbitragem foi realizada por alunos do 9º ano. Já o 6º ano buscou inspiração nos jogos olímpicos. A preparação começou nas aulas de Educação Física, obedecendo a um processo de organização, treinamento e análise tática e técnica nas modalidades disputadas, que culminou, no dia do evento, em disputas leais e imbuídas do espírito de integração, união e parceria entre as diferentes turmas. “O evento fez parte das atividades responsáveis pela criação de identidade e sociabilização tão importantes no início do ano letivo”, comenta o professor Wallace Marante. Por meio da linguagem do esporte, os alunos colocaram em prática valores e virtudes presentes no Santa Maria e também nos ideais olímpicos, como competição sadia e respeitosa, valorização do adversário e dos companheiros de equipe, persistência, planejamento e execução de planos táticos, fair play, solidariedade e acolhida dos alunos novos. No segundo semestre tem mais. Preparem-se! ESCOLA NOVA: O QUE ME ESPERA? São muitas as inseguranças e os questionamentos apresentados pelos alunos que ingressam no Colégio, uma comunidade já estruturada com integrantes adaptados, movimentando-se com segurança pelos ambientes. É por isso que, no 1º ano do Fundamental I, quando há um grande contingente de alunos novos, realiza-se a acolhida com a tutoria individualizada dos alunos que já frequentam o Colégio, preparando-os para integrar os novos, formar laços de amizade, apresentar os espaços físicos onde estudam e brincam e, assim, construir um grupo. Eles são os anjos. Ana Carolina Giantomaso Pereira, do 1º ano J, quando viu Sofia Lee Chen chegando, com uma carinha assustada, logo pensou: “Vou com ela ao parque. Será que ela gosta de brincar de pega-esconde?” Sofia pensou: “Não deve ser difícil fazer amigos nessa escola”. Hoje, ela já tem 22 amigos. Até já foi almoçar no restaurante com o João Almeida! O projeto inicial de integração inclui atividades conjuntas em pequenos grupos, no contexto simbólico de histórias da literatura infantil em torno da amizade. Cada anjo tem a missão de apresentar os amigos e iniciar o reconhecimento dos novos colegas, contando sobre sua experiência no Colégio, o que sente em relação a ele, aos professores, aos espaços e às atividades.

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A SABEDORIA DOS PROFESSORES EM FICAR AO LADO DAS CRIANÇAS A recepção aos alunos do Jardim I, no início do ano letivo, é preparada sob o ponto de vista do acolhimento. “Consideramos e respeitamos as individualidades, oferecemos o aconchego, o bem-estar, o amparo, o conforto físico e emocional”, resume a professora Karina Rodrigues. O planejamento evidencia que o ato de educar não está separado do ato de cuidar. A qualidade desse cuidado garante o sucesso da adaptação dos nossos “pequenos”. Tudo é planejado para que crianças e seus familiares sintam-se acolhidos e seguros nessa nova casa, a escola. Casa que acolhe, educa, celebra, desenvolve, proporciona novos amigos, novos saberes, novas descobertas. A chegada à escola é recheada de novidades e as crianças precisam de um tempo para se apropriar de tudo isso. Para ajudar nessa acolhida, preparamos um início de ano muito especial: passeios para conhecer os espaços da escola, piqueniques, muitas brincadeiras nos parques, no bosque, histórias e atividades. As famílias são acolhidas e participam ativamente, ensinam seus filhos a dizer tchau e a confiar que o Santa Maria foi a melhor escolha que fizeram para eles. “Nesse processo, em uma relação de confiança e parceria, garantimos a construção de novos vínculos, ficamos ao lado das crianças para que se sintam acolhidas e seguras nesta nova etapa que é a chegada à escola”, finaliza. CALEIDOSCÓPIO#75 7 SOLUÇÃO COLETIVA Em conformidade com a política humanitária da instituição, o Santa Maria oferece um sistema de bolsas para alunos que se destacam em escolas públicas. Esses, apesar do auxílio financeiro que recebem, ainda sofrem com algumas disparidades dentro do espaço escolar, como o sentimento de desajuste causado pela mudança repentina de ambiente e a impossibilidade de custear as refeições oferecidas pelos restaurantes da região.  É, portanto, um dos objetivos do Grêmio Estudantil tornar o âmbito escolar inclusivo para todos; antes mesmo do início do ano letivo, os integrantes da Chapa Ágora II, em gestão atualmente, participaram de uma reunião com os alunos bolsistas do primeiro ano com o objetivo de dar-lhes as boas-vindas e explicar o funcionamento do grêmio, para que esses já começassem a se sentir membros efetivos do corpo estudantil.  Sensibilizado com a necessidade dos alunos bolsistas de economizar dinheiro nas refeições, o Grêmio instalou um micro-ondas em sua sala, o que permite que seus utilizadores tragam sua própria merenda de casa. O sucesso do eletrodoméstico é notável: diversos estudantes utilizam-no todos os dias, comprovando os benefícios de sua instalação. Dessa forma, percebe-se que o Grêmio Estudantil apresenta um papel essencial para a integração dos alunos, sempre buscando maneiras de fazer com que todos se sintam acolhidos.

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8 CASA DA TECNOLOGIA >>> O T N E M A D AN STANTE N O C M E O ATUALIZAÇÃ U pgrade e Update são termos muito utilizados nas áreas de tecnologia. O primeiro, tão necessário, não pode ser desprezado, já que manter infraestrutura atualizada é imprescindível nos dias atuais. No entanto, quando falamos em tecnologias educacionais, o mero avanço nos recursos de hardware não é suficiente para que a aprendizagem seja de fato impactada. É preciso um olhar que procure a evolução constante dos métodos e práticas envolvidas no uso dos aparatos atuais como ferramentas de aprendizagem. É a hora do Update. Ano a ano as atividades – que são planejadas entre o NETi, professores e orientadoras - passam por atualizações baseadas na avaliação dos resultados obtidos. O foco não está no equipamento e nem mesmo no conteúdo, mas no desenvolvimento de habilidades e competências. É isso que orienta a necessidade de mudanças e avanços. É o caso, por exemplo, das aulas que ocorrem no 5º ano do Fundamental I. Até pouco tempo atrás, desenvolvíamos um projeto de Edição de Vídeo junto aos alunos. Atualmente trabalhamos com a Produção de Vídeos. Se num momento ensinávamos apenas como inserir imagens e legendas sobre o conteúdo pesquisado, hoje a criança é levada a organizar, planejar e produzir um documentário frente às câmeras, desenvolvendo, dentre outros aspectos, a expressão comunicativa e criativa. Assim como em outras séries, outro exemplo bem-sucedido ocorre no 4º ano do Fundamental I. Enquanto no meio educacional muito se fala em oficinas que ensinam a criar games, temos enveredado por um caminho que busca a implantação cada vez mais ampla desse conceito nas aulas curriculares, aproveitando a motivação que os jogos exercem nas crianças para alavancar habilidades como raciocínio, pensamento sistemático, criatividade e protagonismo. Enfim, estamos sempre atentos às necessidades de implantação de novas tecnologias, como tablets, netbooks ou laboratórios de informática, mas muito além disso, assumimos o desafio de garantir que seu uso seja significativo. Afinal, Upgrade sem Update não faz sentido.

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>>> CASA QUE AMPLIA 9 VISITA AO PLANETÁRIO A partir do tema da Campanha da Fraternidade “Casa comum”, os alunos do 2º ano do Fundamental I aprofundam as descobertas relacionadas ao Sistema Solar e ao Planeta Terra. “O estudo vai além dos muros da escola, pois tem como intenção refletir sobre as atitudes individuais e as mudanças que podemos ter no nosso comportamento, visando o bem comum e a qualidade de vida das gerações futuras”, explica a professora Anna Paula Dutra Rodrigues. “É possível notar nos alunos um grande interesse e vontade em fazer a diferença”, completa a professora Maíra Be- dran. Em adição ao trabalho, as crianças são incentivadas a participar da OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia). Uma das iniciativas para ampliar o estudo é a visita ao Planetário do Ibirapuera, Aristóteles Orsini, onde as crianças, acompanhadas de suas famílias, tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o Sistema Solar. Sobre a experiência, a aluna Maria Clara Brito Martins, do 2º ano D, relata: “Eu achei que ir ao Planetário foi uma aventura porque eu descobri coisas que eu não sabia e agora eu posso ensinar para os outros. Eu achei muito interessante aprender que, às vezes, não vemos as estrelas por três motivos: nuvens, poluição e luzes da cidade. Eu vou tentar poluir menos nosso planeta Terra, para poder ver as estrelas. Vou falar para minha mãe para andarmos menos de carro e gastarmos menos água.” VISITA AO PATEO DO COLLEGIO – MUSEU ANCHIETA Em meio aos arranha-céus e à efervescência de negócios que ocorrem em São Paulo, o centro guarda o Pateo do Collegio, berço de uma das maiores metrópoles do mundo. Foi o local em que a cidade nasceu, a partir da construção de uma pequena cabana de pau a pique, onde se reuniam padres jesuítas, entre eles José de Anchieta e o Pe. Manoel da Nóbrega, empenhados em catequizar os nativos. Para ampliar o estudo sobre a cidade de São Paulo, o 3º ano do Fundamental I visitou esse importante local. Os alunos puderam ver que o Colégio da São Paulo de Piratininga foi construído no alto de uma colina, cercado dos rios Tamanduateí e Anhangabaú, e compreenderam que esta era uma opção estratégica de segurança. Os alunos visitaram o Museu Anchieta, composto por sete salas, viram a exposição de coleções de arte sacra, uma pinacoteca, objetos indígenas, uma maquete de São Paulo no século XVI, a pia batismal, antigos pertences de Anchieta, uma parede feita de taipa de pilão e observaram a cidade através do mirante. Uma vivência única que contribuiu muito para os estudos realizados em sala!

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10 CASA DO CONHECIMENTO >>> VEJA ALGUMAS ATIVIDADES QUE EXEMPLIFICAM COMO ALUNOS ADQUIREM CONHECIMENTOS VARIADOS COM MÉTODOS CRIATIVOS E ADEQUADOS A CADA FAIXA ETÁRIA; PROFESSORES DO SANTA MARIA TAMBÉM CONTINUAM ESTUDANDO APRENDIZADO PAI, VOCÊ SABIA? e t n a t s con A chegada dos portugueses em terras brasileiras e o encontro com os nativos fez da aula de Ciências Humanas uma nova aula de Ciências Naturais. Ao descobrir que os índios se preocupavam com o saneamento básico, os alunos do 3º ano do Fundamental I aprofundaram o assunto com questionamentos interessantes para a construção de novas aprendizagens. A discussão cresceu relacionando-se ao tema da Campanha da Fraternidade 2016, “Casa Comum, nossa responsabilidade”, e também com o seu lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). Antes mesmo do início do período colonial, os indígenas armazenavam água doce para o consumo em vasos de argila ou barro, e deixavam um espaço reservado nas aldeias para ser usado para as necessidades fisiológicas. Os alunos chegaram à conclusão de que era preciso cuidar da água como recurso essencial à sobrevivência dos seres vivos. Perceberam também que, com seus questionamentos, a importância da despoluição do córrego Zavuvus, subafluente do rio Tietê que passa pelo Colégio, seria uma boa alternativa para melhorar a qualidade de vida dos moradores próximos a ele. Os pais relataram a preocupação dos seus filhos e ficaram contentes que eles possam fazer a diferença num futuro promissor. GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS IMPLICAÇÕES ÉTICAS E MORAIS DA AÇÃO HUMA ZOOBOTÂNICA INTEGRAD A À ECOLOGIA GEOMETRIA DO SAGRADO NA O ROMANTISMO Os alunos do 9º ano do Fundamental II têm a oportunidade de frequentar uma disciplina eletiva presente no Currículo Diversificado, cuja aula é ministrada às sextas-feiras. O componente permite ao aluno o aprofundamento de estudos em temas específicos ampliando as áreas do conhecimento propostas no Currículo. As disciplinas são apresentadas aos estudantes no 8º ano, quando  optam por duas  possibilidades. Após a definição, a disciplina é incorporada à sua grade horá- ria fazendo parte do histórico escolar. Os cursos têm frequência obrigatória e o processo de avaliação é o mesmo dos demais componentes curriculares. As disciplinas são: Geometria do Sagrado (estudos dos princípios históricos e filosóficos da Matemática e da Geometria Sagrada), Geopolítica e Relações Internacionais (discussão de assuntos internacionais da atualidade), Implicações Éticas e Morais da Ação Humana (fundamentos filosóficos norteadores de atitude responsável perante o mundo), Química e Física do Cotidiano (inserção dessas ciências em outras áreas do conhecimento), Releitura de Contos de Fadas – Rereading Fairy Tales (estudo de histórias originais, em inglês), Sarau Literomusical: Suspiros Poéticos e Saudades, um encontro com o Romantismo (resgate da história e cultura nacionais a partir de obras de autores do Romantismo) e Zoobotânica Integrada à Ecologia (elaboração e execução de experimentos ligados aos conteúdos de Ecologia, Botânica e Zoologia). QUÍMICA E FÍSICA DO COTIDIANO REL EITURA DE CONTOS DE FADAS – REREADING FAIRY TALES SARAU LITEROMUSICAL: SUSPIROS POÉTICOS E SAUDADES, UM ENCONTRO COM

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CALEIDOSCÓPIO#75 11 MATEMÁTICA EM JOGO Desvendar os “segredos e mistérios” da Matemática é um desafio vivido por muitos alunos ao longo de sua escolarização. Mas que tal realizar tão grandiosa tarefa por meio de jogos? É assim que a equipe do 5º ano do Fundamental I tem pensado a metodologia de ensino na área da Matemática e proposto ações didáticas que utilizam jogos durante as aulas, a fim de explorar habilidades essenciais para a construção da Numeralização, ou seja, as práticas que envolvem os números, a relação entre eles e os seus registros como situações que regem e orientam os modos de pensar e agir do sujeito da aprendizagem. “Além de serem de total interesse dos alunos, os jogos promovem reflexões que não seriam feitas por meio de uma listagem de exercícios tradicionais ou da resolução de uma situação-matemática convencional”, explicam as professoras Ana Cláudia Florindo Fernandes e Sandra Paulos. Num primeiro momento, o aluno aprende a lidar com as novas informações e a se apropriar das regras do jogo; numa outra rodada, que pode ocorrer em um breve intervalo de tempo, planeja a sua ação e estabelece estratégias para aprimorar o próprio desempenho; em seguida, resolve problemas relacionados ao contexto das jogadas experimentadas e sistematiza sua participação produzindo um texto sobre o que aprendeu. Entre os games aplicados estão “Avançando com o Resto”, que exercita o cálculo de divisões simples, e “Contig 60”, desenvolvido nos Estados Unidos, que envolve resolução de problemas, as quatro operações, raciocínio lógico e geométrico/espacial. SAINDO DA CAIXINHA Ao estabelecer que o fio condutor do trabalho no Ensino Médio é a construção da competência acadêmica necessária para ingresso no mundo de educação superior e do trabalho profissional, corre-se o risco de reduzir as experiências e aprendizagem dos estudantes ao chamado “núcleo duro” do currículo, centrado em componentes curriculares tradicionais como Matemática, Biologia, História ou Literatura. No entanto, a competência almejada exige experiências diversificadas quanto à sua natureza, integradas quanto aos conhecimentos envolvidos e alinhadas às necessidades dos jovens, permitindo que construam seu repertório tendo em vista necessidades e desejos individuais. Assim, a escola, em todos os níveis, é desafiada a realizar mudanças significativas na estrutura curricular, marcadas pela flexibilização e diversificação. Nessa perspectiva, o Ensino Médio mobiliza recursos de todas as áreas do conhecimento de forma articulada e progressiva ao longo das três séries, oferecendo aos estudantes a possibilidade de escolher alguns cursos e optar, livremente, por seis componentes curriculares para cursar ao longo dos três anos de finalização da Educação Básica. Esta base curricular diversificada, em permanente diálogo com a base comum, traduz intencionalidades específicas para cada série. “Novos arranjos e propostas são possíveis e desejáveis a cada ano, conferindo dinamismo e flexibilidade ao desenho curricular que, dessa forma, está em constante transformação”, declara Maria Soledad Más Gandini, orientadora da 2ª série e coordenadora da área de Ciências da Natureza e Matemática. Informe-se sobre a rica lista de disciplinas disponíveis na secretaria do Ensino Médio.

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12 CASA DO CONHECIMENTO >>> PROFESSOR TAMBÉM ESTUDA tação teórica e as estratégias já produzem êxito em sua classe ajudando os alunos a relacionar, comparar, associar e aplicar a linguagem matemática de forma mais ágil e compreensiva. Já o professor Enrico Mazzini se deu conta do alcance dos exercícios corporais musicados que planejou para os alunos, ao estudar a música sob a ótica da Neurociência com o Me. Carlos Eduardo Vieira. Enrico faz também o curso de Psicomotricidade com Vânia Ramos e programou uma parceria com os professores de Educação Física para atuar em conjunto, nos desafios corporais ritmados. Uma disciplina ajuda a outra nas oportunidades de exercitar as habilidades motoras dos alunos com propostas diferenciadas, porém, relacionadas. A professora Renata Fonseca, também neste curso, enfrenta com maiores recursos as questões da preensão e tônus manual na escrita dos alunos. Pensando em ampliar as habilidades e aprimorar ainda mais o trabalho com a alfabetização, grande parte da equipe do 1º ano estuda com o professor Rodnei Pereira os impactos dos estudos da Neurociência e a contribuição da Fonologia. Nas discussões na sala dos professores, Roberta, Rita, Elaine, Cristiane, Débora e Andreia, as aprendizagens do curso tomam forma na troca de experiências. Cada uma, com os diferentes desafios que cada grupo de alunos traz, programa estratégias e partilha as intervenções que obtiveram êxito. É a teoria se fazendo prática, a materialização dos estudos, na busca da excelência no ofício de professor. “Talvez essa seja uma das grandes satisfações dos professores: estudar em conjunto, partilhar saberes, aplicar e reavaliar sua prática constantemente na busca do êxito dos alunos. Participar de uma verdadeira comunidade de aprendizagem”, finaliza Sueli. Aprender não tem limite: é a necessidade que move o ser humano. Ainda mais para quem trabalha com o ensino, mantendo contato diário com alunos curiosos, desafiados pelo contexto social e cultural, com condições de acessar todas as mídias. “Estudar sempre é o lema”, diz a orientadora da 1ª série do Fundamental I, Sueli A. Gomes. As leituras e estudos encaminhados nas reuniões semanais são recursos abertos aos professores para a formação continuada, assim como os cursos do Prisma, Centro de Estudos do Santa Maria. Atualmente, muitos educadores do 1º ano tornam-se alunos nos cursos de Alfabetização, Matemática, Fluência Leitora, Consciência Fonológica, Psicomotricidade, Neurociência, entre outros. Eles se dividiram para garantir que todos pudessem participar e trocar as descobertas. Os conceitos adquiridos são aplicados em sala de aula. A professora Ana Cecília Aguiar, por exemplo, já conseguiu intervir nas dificuldades expressas pelos alunos quanto à construção do conceito de número depois de participar das propostas do curso de matemática de Luzia Faraco Ramos. A fundamen- SÃO MUITOS OS ALUNOS DO PRISMA, CENTRO DE ESTUDOS DO SANTA MARIA: PAIS E MÃES, AVÔS E AVÓS, EX-ALUNOS E PROFESSORES. “O COLÉGIO SE TORNA UMA COMUNIDADE APRENDENTE, ROSTO VIVO DO PLURALISMO QUE NELA FERVILHA, E O PRISMA ACABA POR SER METÁFORA DO DESEJO DE VIVERMOS UMA COMUNIDADE APRENDENTE, EM QUE UMA PROFESSORA MUITO JOVEM ENSINA UMA MAIS IDOSA E UMA PROFESSORA JÁ IDOSA ENSINA OUTRAS MAIS JOVENS”, RESUME SUZANA TORRES, COORDENADORA DO PRISMA.

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>>> CASA DA CONVENIÊNCIA 13 ESPORTE, INTEGRAÇÃO E APRENDIZADO ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR USA COMO TEMA OLIMPÍADA EM MOMENTO DE INTEGRAÇÃO COM TURMAS DO 3º AO 5º ANO DO FUNDAMENTAL I N A ABERTURA DO EVENTO, OS ALUNOS CONHERAM o significado do termo Olimpíada e dos valores olímpicos, ressaltando a importância da integração entre os povos e os símbolos que a representam: a tocha e os arcos olímpicos. “Eles encenaram a volta olímpica e o acendimento da pira, com a transmissão da tocha de um atleta a outro”, explica o professor de Educação Física, Cleber Teodoro Pereira da Silva. Em seguida, vivenciaram uma atividade corporal ao som de uma música e de comandos em inglês e, após o aquecimento, foram divididos em dois grandes grupos. Cada um participou de duas oficinas: “Fitas em Movimento” e “Espírito Olímpico”. Na oficina “Espírito Olímpico”, foi preparado um jogo de lançar e receber. Sob a orientação dos professores de Educação Física, Artes, Inglês e Música, foram divididos em dois grupos: um preparou a torcida, usando gritos e faixas em homenagem aos times e o outro realizou o jogo. Depois, os grupos trocaram de função. “ACENDER A TOCHA FOI MUITO IMPORTANTE PARA MIM, POIS TEVE UM SIGNIFICADO DE PAZ NO ESPORTE, DE CONFRATERNIZAÇÃO E DE RESPEITO ÀS REGRAS” - CLAUDIO SOARES DOS REIS (3º ANO) Na oficina “Fitas em Movimento”, os integrantes puderam vivenciar a criação de uma coreografia para a música “We are the Champions”, da banda Queen, usando fitas coloridas. Nela, aprenderam a cantar a música, trabalhando com as professoras de Inglês e Música, acompanharam uma coreografia em duplas, quartetos e octetos para essa canção, numa integração entre Música e Educação Física. “Depois desse desafio, os alunos foram convidados pela professora de Artes a criarem mandalas, espalhando o material utilizado em grandes círculos presentes no chão das quadras”, lembra a professora de Música, Adriana Francato. A dança de encerramento contou com a participação de todos os alunos presentes nas duas oficinas, numa explosão de alegria e colaboração. “EU AINDA NÃO TINHA CONVIVIDO COM O PESSOAL QUE ESTUDA EM OUTRO PERÍODO, ISSO FOI MUITO BOM” MIGUEL NASCIMENTO MAGALHÃES (4º ANO)

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14 CASA DO PROTAGONISMO >>> NOVAS GERAÇÕES PEDEM UMA NOVA AULA Atualmente, em que recursos tecnológicos devastam a dupla lousa e giz, alunos e professores deparam-se com um novo cenário na escola: a procura por novas propostas e estratégias para encantar e atender às necessidades de seu novo aluno. Os papéis se alternam: ora aluno traz a função condutora do saber, ora avalia sua habilidade a partir de um desafio proposto. Sendo assim, aluno e professor partilham uma via de mão dupla, sem perder a essência do ensinar, que é APRENDER. “A equipe de professores que atua e planeja as oportunidades de aprofunda- mento deve, obrigatoriamente, aprimorar seus estudos e práticas, revisitando sua ação para extrair do aluno interesse e motivação para conhecer e questionar o mundo que o cerca”, declara Márcia Almirall, orientadora do 4º ano do Fundamental I. A equipe docente do Colégio Santa Maria confirma os resultados de investimentos em mudanças importantes, seja na ambientação da sala de aula (disposição de mobiliário ou ausência dele) seja na articulação de conhecimento entre os componentes curriculares, em busca de justificativas e análises de cada assunto tratado por meio de dife- rentes registros e explanações. E o papel do professor nessa história? Ele narra, constrói, reconstrói, contra-argumenta, media o que está bem longe de se dizer “rotina” e descrições de aulas como obra fechada literária. Ele é o ouvido de seus alunos e o eco de seu trabalho. Enfim, mesmo sem dizer claramente que ele agora não carrega sozinho o conhecimento e passará o “ponto” na lousa, faz-se presente de maneira fundamental para que o seu aprendiz sinta-se confiante de que não sairá exatamente como quando entrou na sala de aula naquele dia.

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CALEIDOSCÓPIO#75 15 O PROTAGONISMO ESTUDANTIL E O GRÊMIO Protagonismo estudantil significa que o estudante participa como ator principal em ações que não dizem respeito à sua vida privada, familiar e afetiva, mas a problemas relativos ao bem comum, no colégio, na comunidade ou na sociedade mais ampla. O Santa Maria acredita que educar para a participação é criar espaços para que o estudante possa empreender por meio de práticas e vivências. O Grêmio Estudantil, uma das expressões do protagonismo juvenil, continua apresentando-se como uma das possibilidades de inserção e atuação dos alunos na vida da escola e como meio de aprendizagem política para os estudantes. Hoje, o Grêmio do Santa possui um estatuto que estabelece a sua forma de organização e define como deve ocorrer a eleição dos seus membros. Anualmente, os alunos escolhem, entre as diferentes chapas concorrentes, aquela que dirigirá a entidade para a gestão de agosto a junho do ano posterior. Neste período, o grupo promove campeonatos, festivais de música, cursos, jornais, debates, festas e muito mais. A diretoria eleita participa também de encontros com a direção do Colégio e equipe de professores para discutir questões de interesse de todos os alunos. A atuação do jovem no Grêmio Estudantil pode ser entendida como um lugar concreto de prática social onde ele pode exercitar suas experiências participativas e de atuação coletiva e, portanto, social: o convívio com opiniões diferentes, a discussão em público nas reuniões, a resolução de problemas e proposição de soluções e até mesmo o exercício do pensar e discutir questões concernentes à escola e aos estudantes. “Através do Grêmio, o protagonismo juvenil pode ajudar na formação do cidadão, inclusive no sentido de posicionamento político, baseado nas suas experiências práticas e vivências concretas diante da realidade”, declara Silvio Freire, diretor do Ensino Médio. MÉTODOS DE ESTUDO E MONITORIA Assim como todo o Fundamental II, o 7º ano do Santa Maria vem trabalhando o desenvolvimento de metodologias de estudo que objetivam ajudar o aluno a criar procedimentos para a apropriação dos conteúdos trabalhados nos diferentes componentes. A proposta é estimular a formação do “bom estudante”: aquele que consegue organizar a sua rotina; que opta por formas de estudo que se encaixam melhor ao seu perfil; que consegue transpor o conhecimento da sala de aula para o mundo que o cerca e que é capaz de trilhar o caminho inverso, trazendo o conhecimento externo para aplicá-lo em sala de aula; que identifica suas fragilidades e as ataca, assim como verifica suas facilidades e as lapida. “Em resumo, a disciplina quer ajudar a indicar o caminho, ofertar as ferramentas e auxiliar nossos estudantes a realizarem as melhores escolhas, dentro das suas individualidades, desenvolvendo sua autonomia”, explica Márcia Rufino, orientadora da série. O curso também atua por meio da monitoria, que exige o trabalho em grupo, a valorização da coletividade na construção dos saberes e estimula, emocionalmente, o senso de comunidade: todos podem ser monitores, todos podem ser monitorados, o que abre espaço para que os estudantes valorizem suas qualidades e não se envergonhem de suas dificuldades. A adoção da monitoria como metodologia favorece, portanto, a aprendizagem de forma horizontal e autônoma, na medida em que privilegia a troca de saberes, procedimentos e métodos entre os próprios estudantes.

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