Amor, Luto e Solidão

 

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Como construir e preservar o amor, que trilhos adotar na separação e divórcio, como superar a solidão.

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José Eduardo Rebelo AMOR, LUTO e SOLIDÃO Como construir e preservar o amor, que trilhos adotar na separação e divórcio, como superar a solidão.

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AMOR, LUTO E SOLIDÃO Preservação da felicidade conjugal e caminhos do pesar na viuvez e no divórcio

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José Eduardo Rebelo AMOR, LUTO E SOLIDÃO Preservação da felicidade conjugal e caminhos do pesar na viuvez e no divórcio 2ª edição revista

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ISBN © José Eduardo Rebelo Edição de autor eletrónica Direitos autorais concedidos a: Espaço do Luto Rua do Canto, 10A 3800-122 AVEIRO Telef.: 234 047 507 Email: geral@espacodoluto.pt 1ª edição: fevereiro de 2009 2ª edição: julho de 2016

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Índice Prefácio à 2ª edição ...................................................................................... 5 Introdução - Os afetos: construção, manutenção e perda ..................... 6 O Amor: como edificar e conservar a felicidade? .................................... 11 Que laços estabelecem as pessoas?.............................................................. 12 Como funcionam as relações de afeto? ....................................... 16 Como funcionam as relações de vinculação? .............................. 18 Como se concretiza o amor? ....................................................................... 38 É o amor apenas uma emoção? ................................................... 39 É possível definir o amor? ........................................................... 41 Como amamos? ........................................................................... 42 De que depende a quantidade e harmonia do amor? .................. 50 Há várias formas de amar? .......................................................... 52 É o casamento a expressão da felicidade? .................................................. 56 Porque casamos? ......................................................................... 57 Quando nos desencanta o casamento? ........................................ 59 O que anuncia o fim do casamento? ........................................... 62 Como se dissolve o casamento? .................................................. 64 O Luto: que trilhos seguir para esvaziar o pesar? .................................... 69 O que é o luto? .......................................................................................... 71 Como o definimos? ..................................................................... 71 Só os humanos o vivenciam? ...................................................... 73 Porque necessitamos de fazer o luto? ......................................... 74 Quais as vivências do luto? ........................................................................ 79 Choque emocional ....................................................................... 81 Descrença na perda e inquietação emocional .............................. 82 Reconhecimento da perda e desorganização emocional ............. 92 Aceitação da perda e reorganização emocional ......................... 104

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Porque nos desgasta o luto?...................................................................... 110 A visão e a conduta revelam-se distanciadas? ........................... 110 Há uma cisão entre a razão e a emoção? ................................... 111 Como flui a energia da vida durante o luto? .............................. 112 Que dúvidas surgem na viuvez? .............................................................. 119 É necessário sofrer no luto? ...................................................... 119 Faz sentido insistir na ligação à pessoa perdida? ....................... 122 É o luto uma saudade?............................................................... 125 Todos os viúvos vivem o luto com igual intensidade? .............. 128 Quanto tempo dura o luto? ....................................................... 137 Quais as alterações no quotidiano dos viúvos? ......................................... 140 Que dificuldades sentem os viúvos idosos? .............................. 142 Que dificuldades sentem os viúvos jovens? .............................. 143 É a viuvez uma doença? .......................................................................... 147 O que preocupa quem rodeia os viúvos? .................................. 149 Poderá o luto converter-se em doença? .................................... 149 Como apoiar os viúvos no luto?................................................................ 153 A Solidão: é inevitável e definitivo o isolamento?................................. 157 O que é a solidão? ................................................................................... 159 Será uma depressão? .................................................................. 159 Será o luto? ................................................................................ 160 Será uma ascese? ........................................................................ 160 Há só uma solidão?................................................................................. 161 Solidão emocional ...................................................................... 161 Solidão social ............................................................................. 167 Nota Final - A placidez da incansável afeição ...................................... 174 Renovação perene do amor?...................................................................... 175

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O LUTO: que trilhos seguir para esvaziar o pesar?

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Estivemos até ao momento a abordar o relacionamento entre duas pessoas, com ênfase particular para o amor conjugal, que sustenta o essencial da vida emocional, e a sua mais frequente expressão social, o casamento. Ao longo da vida, investimos muito de nós na construção e na manutenção das diferentes componentes dos afetos por sentirmos que elas suportam todo o arquétipo de sensações em que assenta o que de mais genuíno somos na realidade. Mas, como reagimos quando somos confrontados com a quebra súbita dos laços por separação do cônjuge, em virtude da sua morte, do divórcio, da sua emigração ou encarceramento? Partindo da análise global ao luto elaborada em Desatar o Nó do Luto: Silêncios, Receios e Tabus, serão de seguida abordados os detalhes deste tipo particular de privação do ente querido, tentando encontrar respostas satisfatórias para o processo de luto por viuvez. 73

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O QUE É O LUTO? Perante a perda do marido ou da esposa a quem nos sentíamos profundamente vinculados, entramos num processo que é denominado por luto e que tem por principal função promover a extinção dos laços que nos uniam ao consorte, promover a paz espiritual e criar espaço para uma nova vinculação. Como o definimos? No intuito de sintetizar numa frase este tipo de pesar, com a simplicidade possível, poderemos enunciar o luto por viuvez como o período de tempo que necessitamos de viver após a perda do cônjuge para que os belos momentos com ele partilhados se convertam em doces e suaves memórias. Esta definição considera alguns aspetos que convém desde já fixar, muito embora venham a ser alvo de uma atenção mais pormenorizada algumas páginas mais adiante. A primeira noção a reter é a do prazo que este processo exige, uma demora sempre considerada demasiada para a urgência do anseio de reestruturação emocional e da pacificação interior com o passado e o presente. O tempo é um dos 75

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fatores mais difíceis de gerir dado o hábito de o controlar de modo rigoroso através do adereço com que ornamentamos o pulso, numa era em que perante a queixa persistente da sua falta, nos afadigamos a correr insistentemente contra ele ou no seu encalço. A segunda ideia subjacente ao luto é a memória do ente querido, um complexo sistema de transferência elétrica entre milhares de células nervosas cerebrais que evoluem durante o processo provocando diferentes sentimentos. No início, será confusa ou ficará mesmo bloqueada a imagem da pessoa amada, sendo aflitiva a sensação de não restar nada dentro de nós de um passado maravilhoso. Posteriormente, à medida que reunimos alguns fragmentos da débil energia de que dispomos, algumas recordações dispersas assaltam o pensamento e com elas a angústia de viver sem quem nos conferia a segurança emocional. Todavia, os dias correm e com eles ocorre a distância em relação ao cada vez mais longínquo instante terrível da perda, aprendendo a aquietar no coração as lembranças dos bons momentos que significaram a partição do quinhão de felicidade que soubemos realizar a dois. Finalmente, concluímos que se encontram realizadas as tarefas do desapego, enfrentados que foram todos os fantasmas e libertados que estamos de ressentimentos e outras sensações muito negativas. Atingido o fim do processo, o indivíduo encontra-se disponível para novos envolvimentos emocionais, particularmente uma nova vinculação indispensável à estabilidade física e mental. Por isso, não concordamos que a designação de viúva tenha de ser mantido no bilhete de identidade do ex-enlutado para além da conclusão do seu luto. Só os humanos o vivenciam? Diversos autores pioneiros no estudo de várias áreas da evolução e do comportamento animal e humano, como Charles Darwin, Sigmund Freud e John Bowlby, estiveram de acordo em considerar que a ausência do ente querido em consequência do seu falecimento exige a 76

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quem a vive um decurso mais ou menos alongado, onde são expressos sentimentos de tristeza por vezes muito intensos. Referem ainda que estas reações não são um exclusivo do homem, uma vez que certos animais, como aves e mamíferos, também exibem estados de abatimento muito característicos, sendo clássicas as descrições referentes a gansos, avestruzes e golfinhos, para além dos cães domésticos. Uma vez que a conduta subsequente à morte é alargada a outros animais superiores, admite-se que, fruto de um demorado e complexo sistema evolutivo, alguns seres vivos tenham desenvolvido um mecanismo muito intenso de resposta à perda do parceiro com a finalidade de o recuperar. O homem, no topo da cadeia evolucionista, face à privação súbita de uma pessoa que lhe concedia um elemento tão fundamental quanto a vinculação, reconhecido como um instinto que ao longo de toda a vida proporciona fatores básicos à sobrevivência do indivíduo e da espécie, reage igualmente de forma violenta contra a extorsão de algo que é imprescindível à sua existência e tenta, com todas as suas forças, resistir ao desprendimento dos nós de afeto que foram sendo enlaçados durante o período de partilha. Começamos a ficar um pouco mais esclarecidos sobre como se define o luto. Contudo, muitas questões ainda bailam na nossa mente. Detenhamo-nos, por ora, nas seguintes: o que pode originar o luto? É obrigatório, para nós, fazê-lo? Tentemos, neste capítulo, encontrar respostas que possam satisfazer a nossa curiosidade em relação a estes temas. Porque necessitamos de fazer o luto? Quando a morte nos arrebata a única pessoa da família que escolhêramos e por quem acalentávamos um amor profundo, somos acometidos por sensações muito diversas pautadas pela confusão emocional e racional. Façamos um esforço por retroceder até aos momentos em que bem lá atrás, quando nos encontrávamos na sua presença, parafraseando o Poeta, havia fogo que ardia sem se ver, ferida 77

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