Gazeta Valeparaibana

 

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Maio de 2016

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Ano VIII - Edição 102 - Maio 2016 Distribuição Gratuita Vale do Paraíba Paulista - Litoral Norte Paulista - Região Serrana da Mantiqueira - Região Bragantina - Região Alto do Tietê RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site - Boa música Brasileira Cultura Educação Cidadania Sustentabilidade Social Agora também no seu www.culturaonlinebrasil.net Baixe o aplicativo IOS Recomendados EDITORIAL EXPECTATIVAS PARA NOVOS RUMOS E o Brasil acordou estremecido diante das injustiças inaceitáveis que atravessam nossas vidas com posturas sem ética pelos que vem comprometendo nosso futuro. A Natureza e a Música Muitos de nós já não nos percebemos parte da Natureza. Talvez por termos construído fortalezas nas quais fazemos quase questão de mantê-la afastada. Página 4 PORQUE NEM SEMPRE UM CANDIDATO BEM VOTADO ASSUME? Os cálculos realizados na eleição proporcional, sistema pelo qual são eleitos os representantes da Câmara Federal, das Assembleias Legislativas e também das Câmaras Municipais, consistem em uma das principais dúvidas dos eleitores. Página 5 A vida une as pessoas por algum motivo. E só por isso os encontros já valem a pena, pelo menos a maioria. Não importa se foi um mês ou dois meses ou 10 anos. Aprendendo a nos conhecer Imagem:Mídia NINJA Organizações populares e dos trabalhadores prometem não ser o dia do trabalho um dia de festa e sim um dia para se iniciar a luta contra o Estado de Exceção, pelo respeito à Democracia e na defesa dos direitos trabalhistas e da democracia. Segundo os organizadores deve-se respeitar o voto e a democracia e, se não teve crime não tem impeachment! Página 11 E muito mais... Confira! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial EXPECTATIVAS PARA NOVOS RUMOS E o Brasil acordou estremecido diante das injustiças inaceitáveis que atravessam nossas vidas com posturas sem ética pelos que vem comprometendo nosso futuro. O povo ergueu-se num brado retumbante e foram às ruas colocando-se frente à Nação demonstrando que não estavam alienados, mas, insatisfeitos, “de ambos os lados”, com a falta de ética dos gestores políticos que nos colocaram nesse paredão emplacados pela discordância e divididos entre si, enquanto quem nos rege, politicamente, sempre estão “juntos e misturados” e de acordo com seus interesses e corporativismo. Unidos, donas de casa, aposentados, crianças e intelectuais, todos atraídos pela energia que fluía com toda força por todo território brasileiro num incentivo ao “basta de corrupção e descaso”, foram para as ruas. No entanto, invadidos pela indução do mau caráter da “mídia” e divididos como que em facções, os “contra o golpe” e os “contra a Dilma”, se atacavam e a democracia,covardemente aplacada por jargões ofensivos,provocou um “divisor de água” coibindo os cidadãos de se unirem nessa luta contra a sujeira acumulada embaixo de nossa bandeira e ir contra o cinismo dos políticos, como se a essa altura, fosse possível separar o joio do trigo. Mediante esse quadro que se assolou em 2016 pelo impeachment, pergunto: será que ainda há expectativas favoráveis para as próximas eleições? Os políticos corruptos seguem tranquilamente a mesma trilha favorecidos pela impunidade e os que ainda não corruptos são apenas candidatos aventureiros que só continuarão aplacando nossos sonhos. Devemos desistir? Não, temos que resgatar a verdadeira voz da nação para seguir munidos de verdadeiros anseios democráticos sem perder as expectativas e buscar novos rumos,combatendo até aniquilar, todos aqueles que intencionalmente nos barram e nos impedem de crescer. Avante a retomar o que é nosso e que a justiça avante a favor da pátria contra a corrupção “seja de que lado for” e prove ao cidadão brasileiro que ela tarda, mas não falha. Gabriel Garcia Marques Sinto que a conheço menos quanto mais a conheço. (Do amor e outros demônios). ****************** A pior forma de sentir saudades de alguém é estar sentado ao seu lado e saber que nunca poderá ser seu. ******************* O primeiro sintoma da velhice é que começamos a nos parecer com nossos pais. ******************* A vida não é mais que uma sucessão de oportunidades para sobreviver. ******************* O amor se faz maior e mais nobre na desgraça. Genha Auga – Jornalista – MTB: 15320 Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net CONHEÇA - BAIXE www.gazetavaleparaibana.com Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste projeto nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Editor: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J CULTURAonline BRASIL Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 3 Desigualdades REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA QUE VENCEU CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES Tema: ” Como vencer a pobreza e a desigualdade” Autora: Clarice Zeitel Vianna Silva UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ “PÁTRIA MADRASTA VIL" Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições. Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil, está mais para madrasta vil. A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira.' Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso? Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos. Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho? Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel Vianna Silva, 26 , estudante que termina Faculdade de Direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade.' A redação de Clarice intitulada 'Pátria Madrasta Vil',foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO. Calendário Principais datas comemorativas 01-Dia do Trabalho 01-Dia da Literatura Brasileira 03-Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 03-Dia do Parlamento 03-Dia Internacional do Sol 03-Dia Mundial do Solo 03-Dia do Sertanejo 05-Dia da Língua Portuguesa e da Cultura 05-Dia Nacional do Líder Comunitário 05-Dia Nacional das Comunicações 05-Dia do Marechal Rondon 08-Dia das Mães 10-Dia do Campo 13-Abolição da Escravatura 13-Dia da Fraternidade 15-Dia Internacional da Família 18-Dia Internacional dos Museus 20-Dia do Pedagogo 22-Dia Internacional da Biodiversidade 22-Dia do Abraço 25-Dia Nacional da Adoção 25-Dia Internacional das Crianças Desaparecidas 25-Dia Nacional do Respeito ao Contribuinte 26-Dia Nacional de Combate ao Glaucoma 27-Dia Nacional da Mata Atlântica 27-Dia do Serviço de Saúde 27-Dia Mundial dos Meios de Comunicação www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 4 Fala maestro A Natureza e a Música, parte I Outono: 1ª parte: Festa da colheita, alguns se entusiasmam e acabam dormindo de t a n t o beber vinho… 2ª parte: Esquecemos nossas preocupações Vivaldi era violinista, maestro e padre, e por com cantos e danças. O prazer está no ar. motivos de saúde originalmente passou a dar 3ª parte: Época de caça. Trompas, espingaraulas em orfanato de meninas. Era um pro- das e cães. A caça é um sucesso. fessor dedicado e compôs inúmeras obras para suas pupilas. A maioria delas escrita pa- Inverno: 1ª parte: O frio é intenso. Todos trera cordas. Uma de suas séries mais famosas mem e batem os dentes. foi chamada de Il cimento dell’armonia e 2ª parte: Na sala aquecida descansa-se endell’invenzione (A luta entre a harmonia e a quanto há chuva lá fora. invenção). Um conjunto de 12 concertos para 3ª parte: Anda-se no gelo com cuidado mas violino e cordas dos quais os primeiros quatro acaba-se caindo e escorregando. O inverno ganharam fama por sua criatividade. São su- é frio mas tem suas delícias. as famosas Quatro Estações. Piazzolla foi um compositor e exímio bandoVivaldi se baseou em quatro sonetos de auto- neonista. O bandoneon é um instrumento que ria desconhecida, mas que muitos autores de- é característico da música argentina com pafendem ser de sua própria autoria. O incrível pel fundamental no tango, típico do país. A é ouvir a música acompanhando os sonetos e formação eclética de Piazzolla fez com que perceber a capacidade do “Padre Vermelho” ele criasse uma maneira particular de tocar o de descrever a natureza com sua música. Vi- tango, bastante polêmica em sua terra, mas valdi era ruivo e padre, por isso o apelido de adorada no mundo inteiro. Quem já ouviu ‘A d io s n on in o ’ (h t tp s: // yo ut u. be / “Il prete rosso” (O padre vermelho). VTPec8z5vdY) tenho certeza que concorda comigo que ele é um gênio! Quatro obras de suas obras, Verano Porteño (1965), Otoño Porteño (1969) e a Primavera e Invierno Porteño (ambas de 1970), foram agrupadas e rearranjadas para que fossem executadas em conjunto em um paralelo emocionante com a obra de Vivaldi. (https:// youtu.be/1-g8TzkrDFU). Muito interessante ouví-las depois de se ouvir as de Vivaldi. Há inúmeras versões desses concertos na internet. Só procurar Vivaldi - The Four Seasons (as quatro estações). Cada um dos concertos tem três partes (que chamamos movimentos). Não tenho espaço para publicar os 4 sonetos mas faço um resumo para que nossos leitores possam se divertir ouvindo a música. Primavera: 1ª parte: Ouçam os pássaros, riachos, relâmpagos e canções festivas 2ª parte: O pastor cuida de suas cabras que dormem no campo ao lado de seu cão. (Dá para ouvir “au, au” que se repete durante o movimento) 3ª parte: Dança de ninfas e pastores ao som da gaita de fole. Esses dois exemplos podem mostrar a força e emoção que a Natureza provoca em nós humanos e que foram maravilhosamente transformados em música por esses dois grandes artistas de épocas e regiões tão distantes. Seguiremos falando de Natureza e música nos próximos artigos. Um grande abraço musical Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais. tonio Vivaldi e Astor Piazzolla. De épocas e regiões bem diferentes. Vivaldi, italiano de Veneza, nascido em 1678 e morto em 1741, e Piazzolla, argentino de Mar del Plata viveu entre 1921 e 1992. 3ª parte: A plantação foi arruinada pela chuva Muitos de nós já não nos percebemos parte da Natureza. Talvez por termos construído fortalezas nas quais fazemos quase questão de mantê-la afastada. Não permitimos a entrada da luz do sol em nossa casa, fazemos que o ar que entre em nossos ambientes seja recondicionado, subvertemos o dia e a noite com a luz elétrica, substituímos os sons da Natureza por sons artificiais. Uma rejeição completa à nossa Mãe, da qual muitas vezes esquecemos que fazemos parte. Isso não foi sempre assim. Há algum tempo, e não faz muito tempo não, nossa vida era regida pelos grandes e pequenos ciclos do nosso ambiente. Antes da luz elétrica as pessoas aproveitavam o dia e descansavam à noite, o ciclo anual das estações ditava a maneira de vida das pessoas. As grandes forças da Natureza, o vento, a chuva, o sol, a neve, o mar, os animais sempre foram respeitados e venerados pelos homens. Não é surpresa, portanto, que grandes compositores se rendiam à sua beleza e essa força os levava a criar obras primas inspiradas por ela! Nesses próximos artigos tratarei de algumas delas. Vamos falar por exemplo das quatro estações do ano: Primavera, Verão, Outono, Inverno. Para nós que vivemos em um país tropical elas não são tão diferentes como para quem vive na região subtropical ou temperada. É o caso da Europa ou de nossos hermanos sul americanos que vivem abaixo do Trópico de Capricórnio, como Chile, Paraguai ou Argentina. Para esses povos as quatro estações são (ou eram, antes do aquecimento global) bem definidas. O Verão, símbolo de luz, calor, descanso, o Outono, época de colheita, de limpeza, de estocagem, de beleza dourada, o Inverno, frio, tons de cinza e branco, escassez, recolhimento, solidão e a Primavera, renascimento, a volta das cores, do sol e da vida. Verão: 1ª parte: Calor e preguiça. Ouvimos o “cuco" e as canções dos pássaros m a s de repente a tempestade e os ventos estremeMuitos compositores se inspiraram nesses cem tudo! sentimentos particulares de cada estação pa- 2ª parte: Medo dos trovões estragam o desra compor, mas vou destacar dois deles: An- canso de todos. Moscas voam furiosamente www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania QUOCIENTE ELEITORAL A escolha dos deputados, sejam estaduais ou federais, só é concretizada após a aplicação das fórmulas que regem o sistema proporcional de eleições, cujo cálculo se inicia com a obtenção do número total de votos válidos. Esse número é então dividido pelo número de vagas em disputa. Essa divisão é conhecida como Quociente Eleitoral. O numero total de votos para a Câmara Federal será dividido por oito, que equivale ao número de vagas que cada Estado tem direito, naquela Casa de Leis. Os votos destinados aos candidatos e partidos políticos que concorrerão à Assembleia Legislativa serão divididos por 24, número de vagas para deputado estadual. Como o resultado dessa divisão nem sempre é exata, a legislação brasileira determina que caso a fração sejam igual ou menor que 0,5 ela será desprezada. Sendo maior que 0,5 somamos um voto ao quociente eleitoral final. QUOCIENTE PARTIDÁRIO Para chegar aos nomes dos candidatos eleitos, é preciso determinar o quociente partidário, dividindo-se a votação obtida por cada partido (votos nominais + votos na legenda) pelo quociente eleitoral. Neste caso, despreza-se a fração, qualquer que seja. O número obtido dessa divisão, desprezando as frações, é o número de deputados que ocuparão, em nome do partido/coligação, as cadeiras do Poder Legislativo. O mesmo cálculo se faz para as eleições das Câmaras Municipais. Os mais votados serão os titulares do mandato, que neste caso foram eleitos pelo quociente eleitoral. PREENCHIMENTO DAS VAGAS PELO CÁLCULO DAS MÉDIAS Realizado o cálculo para definir quem ocupa as cadeiras do Poder Legislativo por meio do quociente partidário, é comum restarem vagas não preenchidas, porque a divisão nem sempre resulta em números inteiros. Paras as vagas não ocupadas, realiza-se um novo cálculo. O cálculo para ocupação das vagas remanescentes, ou cálculo das sobras, como é conhecido nos ambientes de apuração, é definido pelo artigo 109 do Código Eleitoral Brasileiro, e é talvez um dos cálculos que mais provocam dúvidas nos candidatos e eleitores. O artigo determina que vagas não preenchidas pelos quocientes partidários devem ser ocupadas considerando o desempenho médio dos partidos, que é calculado da seguinte forma: 1 - Divide-se o número de votos obtidos pelo partido ou coligação pelo número de vagas obtidas pelo quociente partidário, somando-se mais uma vaga ao número obtido pelo quociente partidário. Com soma de mais uma vaga ao número final de vagas obtidas pelo partido, evita-se que o partido/ coligação que tenha obtido apenas uma vaga seja automaticamente contemplado, pois a divisão dos votos obtidos pelo número 1 não geraria um quociente médio. 2 - O cálculo das médias deve ser aplicado a todo partido coligação. Aquele que possuir o maior quociente médio é contemplado com a primeira vaga remanescente. 3 - Distribuída a primeira vaga remanescente, refaz-se o cálculo, agora considerando a vaga já ocupada pelo partido, que terá que somar ao divisor a vaga conquistada. Assim, o partido contemplado pelo primeiro cálculo terá que somar vagas ao total conquistado pelo quociente partidário, sendo uma delas referente ao determinado em lei, e outra referente à vaga conquistada pela média. 4 - Esse cálculo é refeito até que sejam preenchidas todas as vagas que ainda estavam abertas e que não haviam sido contempladas pelo quociente eleitoral. Aplicadas as fórmulas, define-se os titulares das vagas. Os demais candidatos dos partidos e coligações que elegeram candidatos, serão todos suplentes, sem exceção. O quociente eleitoral é o primeiro limitador para os partidos políticos com baixo desempenho, pois a agremiação partidária que não obter uma quantidade de votos igual ou superior ao quociente eleitoral não poderá eleger candidatos para o Poder Legislativo. A legislação brasileira ainda permite que, a cada eleição, os partidos se unam e formem uma coligação partidária que, para efeitos dos cálculos inclusos no sistema proporcional, será tratada como um único partido político. As coligações são formadas a cada eleição, se dissolvendo após a realização do pleito. PORQUE NEM SEMPRE UM CANDIDATO BEM VOTADO ASSUME? Os cálculos realizados na eleição proporcional, sistema pelo qual são eleitos os representantes da Câmara Federal, das Assembleias Legislativas e também das Câmaras Municipais, consistem em uma das principais dúvidas dos eleitores. Quociente eleitoral, voto em legenda e quociente partidário são assuntos não dominados até mesmo por aqueles que participam ativamente das campanhas políticas. O eleitor muitas vezes não entende por que um candidato bem votado não consegue uma vaga no Poder Legislativo, enquanto outro que tenha recebido menos votos, acaba eleito. Ou seja, neste caso é eleito o candidato que esteja no partido que recebeu o maior número de votos. Esse fato ocorre porque, nas casas legislativas (Câmara Federal, Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais), as vagas são distribuídas de acordo com a votação recebida por cada partido ou coligação. Ao escolher o candidato para esses cargos, o eleitor está votando, antes de mais nada, em um partido. É por isso que o número do partido vem antes do número do candidato. Se o eleitor quer votar apenas na legenda, sem especificar qual dos candidatos daquele partido ele quer eleger, é preciso digitar apenas os dois primeiros números. Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! DESIGUALDADES Os contrastes sociais são responsáveis por todas as desigualdades raciais, étnicas e interculturais. Mesmo em tempos pós emancipação quem tem muita melanina, na maioria das vezes, é olhado de canto, é temido. Julgado e culpado. Prostrado à marginalização e banalidade. Jogado à sorte do destino. É triste ver que muitos são obrigados a sobreviver com pouca coisa, enquanto poucos riem e fazem de tudo um circo, vivendo bem e muito bem, "com muitas coisas" O problema da desigualdade social não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso na mão de poucos. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 6 Educação acha? Mas, quais são as chances reais dessa nossa personagem conseguir superar todo e qualquer obstáculo que se coloque no camiUm dos pontos defendidos por alguns progra- nho para alcançar uma vida mais digna e conmas (Políticos, e não de tv!), a meritocracia é a fortável, para dizer o mínimo? concessão de benefícios calcada no mérito, no merecimento. O nosso sistema é baseado na Por esse motivo, quando alguém vem falar crimeritocracia, desde a pontuação nas provas à ticamente das cotas e dos programas de inpromoção no trabalho. Mas, o que ela tem a gresso em universidades com frases genéricas ver com educação? e preconceituosas, a primeira coisa que tenho vontade de perguntar é: "você estudou em esQuando uma pessoa é agraciada com benefí- cola pública?", seguida por: "conviveu com alucios ou promoções, a leitura que se faz é que nos cotistas?". Essas pessoas que projetam ela mereceu, devido a seu esforço e dedica- frustrações em frases aleatórias e sem fundação, por ter se destacado frente a um grupo de mentam parecem não refletir sobre as dificuliguais, que, comparados a ela, não obtiveram dade que Matheus teve em alcançar um nível resultados tão relevantes. Ou seja, trata-se de universitários em comparação com Ana. Isso ser melhor que os demais, o que é medido a- sem mencionar que Ana teria ainda outras través de provas, concursos, processos seleti- muitas dificuldades durante sua graduação vos, e, que por isso, tem tudo a ver com em- que Matheus, com sorte, não precisará passar. Meritocracia, cotas e educação Nelson Rodrigues Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe. ******* O adulto não existe. O homem é um menino perene. ******* O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos. ******* O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda. ******* O asmático é o único que não trai. O biquíni é uma nudez pior do que a nudez. ******* O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele. ******* O Brasil é muito impopular no Brasil. O brasileiro é um feriado. ******* O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte. ******* O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: – dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses. ******* O casamento é o máximo da solidão com a mínima privacidade. ******* O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota. ******* prego e educação. Uma pessoa se destaca nessas provas e é beneficiado com empregos bons, bem-pagos, posições, bolsas estudantis, vagas em universidades públicas... Enquanto isso, os outros, aqueles que não são inteligentes o suficientes ou não são estudiosos o suficiente ganham o que "merecem". No entanto, quem são os outros e o que eles merecem? Imagine um rapaz, o Matheus, nos seus 17 anos, que cresceu em uma família estruturada, de economia estável, que depois de estudar em escolas consideradas boas por serem voltadas para a aprovação no vestibular, passe para o concorrido curso de Medicina da Universidade Federal. Ele mereceu essa vaga com seu esforço e estudo, certo? Como dizia minha mãe "se tirou 8 não fez mais que sua obrigação!" Agora imagine uma moça, a Ana, nascida em ambiente hostil, de violência banalizada e uma família legal, porém instável e sem muitas condições econômicas, que estudou em escolas estaduais, essas em que faltam professor, não possuem biblioteca, ou infraestrutura. Quais são as chances dessa moça passar para Medicina? Nenhuma, certo? A não ser que ela seja muito genial, consiga obter em sua casa um ambiente silencioso para o estudo, o que ela provavelmente não tem, já que tem que ficar com seus irmãos menores enquanto a mãe e o padrasto trabalham fora. Então, ela adia o sonho de ser médica e decide cursar enfermagem que é menos concorrido. Termina o curso já casada, morando com a sogra e o marido em uma casa maior que aquela em que foi criada. Engravida logo em seguida do jovem marido. Com esforço consegue trabalhar e ser mãe, e ainda ajudar a sogra que é exigente. Porém, meses depois de nascida a criança é abandonada por um pai inconsequente, e a moça fica sem o marido e sem condições de pagar a obra da casinha em que eles planejavam morar e que, a essa altura, está com um custo altíssimo. Volta para a casa dos pais, aonde ainda moram os irmãos mais novos e agora, ela e o filho. Acumula mais um emprego só para sanar as dívidas, o bebê fica com a avó aposentada com um salário mínimo para alimentar toda a família. Se ela conseguir sair dessa, pagar o fim da reforma, o mérito será todo dela. Ela é esforçada, ela merece um pouco de tranquilidade. Não Quando há um benefício concedido a algum setor minoritário sob a tutela das cotas, o que está implícito é a tentativa historicamente atrasada de equilibrar a desigualdade de condições de emprego e estudo extirpada desses grupos há muitas gerações. Nota-se com esses exemplos que a tal meritocracia seria justa em se tratando de indivíduos em igualdade de condições, o que, sabemos, não é o que ocorre, por desníveis educacionais, principalmente. Enquanto não se olhar o problema da discrepância social e econômica de frente, vamos continuar repetindo besteiras sobre projetos de inclusão - no sentido mais superficial da palavras - que tentam tapar o sol com a peneira em vez de tratar das raízes doentes que promovem tamanhos desníveis na sociedade. Portanto, tentando evitar que pessoas estudadas cometam a ignorância histórica de repetir asneiras só por constatarem que algum privilégio seu ou dos seus está sendo reduzido (Atenção: reduzido e não extinto!), perceba que o grupo beneficiado pela educação de base, pelo acesso à informação, pela escolha de qual carreira seguir, em suma, pela alegria de tomar as rédeas da própria vida não varia. Em compensação, são gerações consecutivas em famílias que exercem subempregos por falta de opção, ou ganhando mal, ou não conseguindo seguir a carreira dos seus sonhos. Portanto, a meritocracia é uma "gracinha" quando as oportunidades são dadas em proporções iguais ou semelhantes para todos os grupos e regiões e não pode ser tomada por possibilidade real. Não dá para defender a meritocracia em um país tão desigual. O que se pode defender é uma educação forte, integral e integrada para todas as crianças e adolescentes. Você consegue imaginar que sociedade construiríamos se o melhor colégio que você conhece fosse a média das escolas públicas de toda a sociedade brasileira? GICA POLINA www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 7 Contos, Poesias e Crônicas DIA DAS MÃES! Mãe! Ícone que deveria ser valorizado por sua importância. Alicerce da família! Cuida e zela a qualquer custo e acalenta seu bem mais precioso: os filhos. E os filhos crescem... Para alguns ela é eterna e seguem seus caminhos com a figura materna aquecida em seus corações. Outros se afastam por caminhos que as deixam desesperadas de dor. Para muitas ficam as marcas das dores do sacrifício em vão e resta o sofrimento. Poucas hoje em dia, são retribuídas pelo carinho, reconhecimento e respeito. Para algumas fica o orgulho do filho vencedor que lhe retribui com a vitória e amor. Para a mãe nunca faltou amor, apoio e perdão. É... Mas, os tempos mudaram, os filhos mudaram. Mas, a mãe também mudou? Ser mãe é um ato divino ou apenas uma escolha? Hoje me parece escolha. Quer ser mãe ou não quer. Quer ter um filho, muitos ou nenhum. Quer ser mãe independente, sem pai. Quer ter dedicação exclusiva ou dedicar-se exclusivamente ao trabalho para suprir bens materiais. Quer criar ou alguém cria. Aborto é crime, a religião, a sociedade e a família condenam. Mas mães abortam todos os dias. Foi por descuido a gravidez ou falta de informação? Hoje não há falta de informação, nem falta de como se cuidar: preservativos, contraceptivos, laqueaduras, DIUs, tanto outros meios. E depois jogam fora seus filhos. E ainda há o recurso da doação. A criança não tem escolha, mas a mãe o tem. Tantas mulheres ainda querem ser mãe. No entanto, estão sem tempo para isso. Não podem estar presentes: trabalho, academia, estudar, passear, novos relacionamentos...São suas escolhas. E a criança fica a mercê disso tudo, fica na escola, fica com a avó, fica com o irmão mais novo, fica na rua, nas “tribos”. E os filhos crescem e fazem suas escolhas... Escolhem amigos, namoradinhos, “baladinhas”, bebidas, drogas e o desapego por essas mães. E vem a discórdia, as culpas, as tragédias, famílias destruídas e as mortes. A morte que pode ser física, moral ou emocional. Ser mãe não é apenas gerar seus frutos e satisfazer seu ego de mulher, é preciso empenho, participar de tudo. Exige sacrifícios e renúncias como sempre foi, pois, o ser humano é o único animal “totalmente” dependente da mãe desde o nascimento até a morte. Não basta ser “bela, recatada e do lar”, ser ótima no marketing emocional das redes sociais. É preciso carinho físico, olhar nos olhos, ser firme, falar e firmar laços emocionais. Não basta estar “presente e ausente”, interagindo pela tecnologia e através da escola que vem cumprindo essa responsabilidade, sem competência para tanto. Atualmente a vida é bem corrida, sabemos disso, mas, o tempo do filho tem que ser designado e com qualidade. Então, esteja lá de verdade e por inteira e haverá a surpresa na resposta deles depois que crescerem, pois, estarão conectados a vocês de verdade e lhes retribuindo com muito amor. Afinal, são todos filhos de mães vivas! Que volte a pura ternura da família, que a palavra da mãe continue a ser uma sementinha no coração dos filhos para que estes possam reverenciar suas mães para que no futuro a família não dependa tanto de psicólogos e sim mais de professores. Salvem as mães, conforme, Deus projetou! Genha Auga – Jornalista MTB: 15.320 Abra caminhos com gestos de fé, em Deus estão as raízes do amor, filhos eternos, que como as músicas encantam, para “Ele”, nunca morrerão! Esse Deus que comanda o mundo e que um dia todos entenderão. Esse mistério, Allah, Jah, Jeová... Mistério de bravura e poesia, que mudará seu destino e o purificará. Coloque sua cabeça em cima do coração e tornar-se-á um imperador, desenhes o futuro com honras e gestos de fé. Seja um recriador das raízes do amor. GESTOS DE FÉ GenhaAuga EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA A educação para a cidadania significa fazer de cada pessoa um agente de transformação social, por meio de uma práxis pedagógica e filosófica: uma reflexão/ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Este é um dos objetivo do Jornal Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 8 Política Impeachment, STF e Pôncio Pilatos na Câmara dos Deputados. Conhecido como hábil ne- órgão do Ministério Público, explicitado em petição diregociador, na opinião do Governo e de alguns especialis- cionada à Suprema Corte, de que o agente em questão tas, o ex-presidente Lula teria papel fundamental nesta “tem adotado, há muito, posicionamentos absolutamennegociação. te incompatíveis com o devido processo legal, valendoO julgamento foi marcado pelo STF para o dia 20 de se de sua prerrogativa de Presidente da Câmara dos abril de 2015, mais de um mês depois do ajuizamento Deputados unicamente com o propósito de autoproteda ação e, para surpresa geral, foi adiado novamente ção mediante ações espúrias para a apuração de suas para uma data incerta. A Suprema Corte deixa, assim, condutas , tanto na esfera penal como na esfera política em aberto uma questão das mais relevantes para o atu- [...] vem utilizando a relevante função de Deputado Feal momento político do país, pois acredita-se que o Ex- deral [...] em interesse próprio e ilícito unicamente para presidente poderia auxiliar o governo na batalha para a evitar que as investigações contra si tenham curso e manutenção da Presidente da República em seu cargo. cheguem ao termo do esclarecimento de suas conduSeria ele uma importante peça neste xadrez político que tas, bem como para reiterar as práticas delitivas.”. Brasília se tornou. Some-se a isso a gravidade por que passa o país neste No longínquo 16 de dezembro de 2015, o Procurador momento no qual está em curso um processo que busGeral da República protocolou junto ao STF um pedido ca o afastamento de uma Presidente da República eleide afastamento do presidente da Câmara dos Deputa- ta pelo voto democrático. Ato excepcionalíssimo, deveridos, com o fundamento de por se tratar de réu em vá- a ser conduzido com extremo cuidado, delicadeza e rias ações criminais que tramitam naquela Suprema imparcialidade. Entretanto, o que se verificou na CâmaCorte, estaria utilizando seu “prestigioso cargo” para ra dos Deputados, sob a Presidência de um agente políinterferir no andamento das ações penais e também em tico que tem contra si um pedido de afastamento formuprocesso que tramita contra si no Conselho de Ética da lado pelo Procurador Geral da República sob a alegaCâmara. Até o momento também não há decisão do ção de utilização do cargo para “autoproteção” e desaSTF sobre este pedido. Há que se ressaltar que o presi- feto declarado da Presidente cujo cargo está sob julgadente da Câmara dos Deputados é ferrenho opositor e mento foi justamente o contrário. A imparcialidade pasdesafeto declarado da Presidente da República e foi sou ao largo do processo, assim como o STF, que instacondutor do processo de admissibilidade do impeach- do pela Advocacia Geral da União, negou pedido de ment, que restou aprovado no último dia 17 de abril. liminar em mandado de segurança para barrar o procesSabe-se que o processo de admissibilidade da denúncia so na Comissão Especial da Câmara dos Deputados contra a Presidente tramitou com uma agilidade sem que analisou a admissibilidade de denúncia de prática igual na Câmara dos Deputados, ao contrário do trâmite de crime de responsabilidade pela Presidente da Repúdo processo que analisa a quebra de decoro parlamen- blica, com a justificativa de que o juízo proferido pela tar, que corre na Comissão de Ética da mesma ágil Ca- Casa Legislativa no processamento de crime de responsa Legislativa contra o seu próprio Presidente. sabilidade é justamente de admissibilidade e não de Os magistrados são, por força do art. 35, II da Lei Orgâ- mérito, que será analisado pelo Senado. Aparentemente nica da Magistratura Nacional – LOMAN, obrigados a dá a entender que poderia julgar o mérito da causa, o “não exceder injustificadamente os prazos para senten- que parece ser pouco provável, tendo em vista os posiciar ou despachar”. Além disso, o Código de Ética da cionamentos e decisões dados até o momento sobre o Magistratura também exige que a atuação do magistra- caso. do deva se pautar pela prudência e diligência, além dos juízes serem obrigados a buscar o “fortalecimento das instituições e a plena realização dos valores democráticos[2]” (grifos do autor). Como o responsável pelo equilíbrio da balança da justiça em um país sob o império das leis, o STF não deveria deixar de apreciar e decidir sobre as ações acima mencionadas, sob pena de enfraquecimento das instituições e uma consequente quebra nos valores democráticos do Estado de Direito. Ao não decidir sobre o caso da nomeação do ex-presidente Lula para Ministro da Casa Civil, adiando indefinidamente a decisão, o egrégio Tribunal deixa de observar a prudência que se requer da mais alta Corte nacional, além de fragilizar a segurança jurídica nas relações institucionais que tanto reclamam proteção neste momento de crise. Assim, diante de tais fatos, algumas perguntas se impõem formular. Qual o STF que possivelmente irá analisar o mérito deste processo de impeachment? O STF guardião da Constituição da República, da LOMAN e do Código de Ética da Magistratura? O STF que possui juízes com notório saber jurídico ou o Tribunal político? O STF da prudência e diligência que faltaram na celeridade de decisões importantíssimas para a estabilidade do país e sua democracia, ou o STF que alça o princípio da separação dos poderes acima dos demais? DIREITO CONSTITUCIONALTEORIA DO ESTADOPODER JUDICIÁRIOSEPARAÇÃO DE PODERES Muitos são os questionamentos dirigidos à postura adotada pelo Supremo Tribunal Federal no caso do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Há também uma insatisfação de alguns setores da sociedade com a posição pública adotada pela Corte. Muitos são os questionamentos dirigidos à postura adotada pelo Supremo Tribunal Federal no caso do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Há também uma insatisfação de alguns setores da sociedade com a posição pública adotada e propalada aos quatro ventos por alguns de seus integrantes, além da ausência de decisão, por parte da Corte Superior do Brasil acerca de ações que envolvem atores protagonistas fundamentais nesse processo de impedimento. Sob a alegação do manto do princípio da separação dos poderes, no qual um poder ordinariamente não deve interferir no funcionamento de um outro poder, o STF não tem se imiscuído em decidir questões capitais para o processo de afastamento da Presidente. Vamos a dois deles. No dia 16 de março de 2016, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil e logo sua nomeação perdeu os efeitos por força de uma sentença oriunda de um juízo de primeiro grau da justiça federal. Devido ao fato do ex-presidente ser alvo de investigações da espalhafatosa operação conduzida pelo juízo criminal da comarca da justiça federal de Curitiba denominada de “Lava a Jato”, pairam desconfianças de que o ato de nomeação correu com o vício do desvio de finalidade, para que na prática houvesse o deslocamento da competência do juízo de primeiro grau de Curitiba para o STF, pois o cargo de Ministro dá a seu ocupante o benefício da prerrogativa de foro (foro privilegiado). A desconfiança aumentou após a divulgação de um trecho de uma interceptação telefônica de duvidosa legalidade, feita pelo juízo de primeiro grau da justiça federal de Curitiba, e que obteve uma estrondosa repercussão na mídia e na sociedade[1]. Não tardou e outras ações espocaram pelo país com pedido de anulação do ato de nomeação e, já no dia 18 de março, uma dessas ações foi impetrada perante o STF, que avocou a competência sobre o assunto e por meio de uma decisão individual, suspendeu liminarmente o ato de posse até que fosse julgado pelo seu Colegiado. O Governo justifica a entrada do ex-presidente na Casa Civil não como uma tentativa de livrá-lo dos tentáculos do juízo de Curitiba, mas como uma tentativa de melhorar a relação com o Poder Legislativo e, claro, barrar o processo de admissibilidade do impeachment, em curso A história desse conturbado período ainda será escrita e o lugar que será reservado por esta velha senhora ao Supremo Tribunal Federal ainda será definido. Em um julgamento famoso na Roma antiga, um governador, após interrogar o importante réu, dirigiu aos acusadores a seguinte sentença: “não acho nele crime algum”. E, No que toca à ausência de apreciação do pedido de mesmo assim, aquele réu foi condenado à pena capital afastamento do Presidente da Câmara dos Deputados, e o governador entrou para a história como aquele que realizado pelo Procurador Geral da República em de- lavou as mãos. E o STF? zembro de 2015, o STF deixa flagrantemente de obserFelipe B. Campanuci Queiroz var a Lei Orgânica da Magistratura e o seu Código de Advogado, Coordenador técnico do Laboratório de PolíÉtica, que exigem rapidez nas decisões. Ainda mais ticas Públicas da UERJ e mestrando em Políticas Públineste caso, onde já há um juízo de valor formado pelo cas e Formação Humana da UERJ. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 9 Educação em debate POR QUE OS PROFESSORES NÃO UTILIZAM OS LIVROS DIDÁTICOS? freitas#. Mas, voltando ao assunto, o grande problema que quero trazer é: Porque os livrosdidáticos não são utilizados? O que acontece no dia a dia do “fazer docente” que resulta no desperdício de dinheiro público e no crime (sim, não utilizar o livro didático é um crime, já que o aluno tem direito ao material didático e a sua utilização também configura desperdício de dinheiro público)? Nas conversas com diferentes professores de diferentes lugares do país tenho percebido a cada dia que os colegas não sabem como trabalhar com o livro didático. Não entendem o objetivo pedagógico dos exercícios e não conseguem articular saberes, habilidades, valores e atitudes. Justamente a alta qualidade e a complexidade pedagógica que estão presentes no livro didático acabam impedindo com que o professor trabalhe em sala de aula. Os cursos de formação de professores (lembre-se, não é regra!) acabam não trabalhando com metodologias e práticas de ensino utilizando diferentes livros didáticos. Os sistemas de ensino também não investem na formação continuada dos seus professores com este foco. Infelizmente, o que se observa é que o livro didático é utilizado para servir ao professor de apoio para escrever um texto na lousa e para que seus alunos copiem. Temos como método ativo de aprendizagem a reprodução a partir das nossas referências. Por isso proponho o seguinte exercício: tente lembrar-se das suas aulas enquanto criança. Se você nasceu antes da década de 1980 vai se lembrar de que não tínhamos livros didáticos para todos. Tínhamos que cuidar ao máximo do livro para que outro colega utilizasse no ano seguinte. Encapávamos os livros e em hipótese alguma podíamos escrever nele. As aulas seguiam os seguintes passos: Cópia do texto na lousa. Explicação do “ponto” pelo professor. Exercícios de memorização. Prova. Assim, aprendemos a trabalhar com o livro didático e assim trabalhamos até hoje. Porém, essa prática não mais se aplica, uma vez que nossos alunos possuem o livro didático. Fazer a cópia do livro na lousa (além de ser plágio) perdeu o sentido. Por isso sempre frisamos que o livro didático é um subsidio a aula do professor. Ele deve ser utilizado para introduzir um assunto, realizar a leitura compartilhada e embasar as discussões em sala de aula (discussões é diferente de “explicar o ponto”). As atividades presentes no livro têm como objetivo servir de base para a avaliação do professor, não para dar nota, mas sim para acompanhar o desenvolvimento do aluno. Utilizado como ponto inicial, cabe ao professor rechear as aulas com os outros diferentes materiais ou metodologias que ele quiser (livros paradidáticos, vídeos, músicas, exposições, rodas de discussão etc.). Por isso, resolvi neste curto espaço tentar contribuir um pouco mais com o debate sobre o desperdício de dinheiro público e sobre a não utilização do livro didático. Claramente este assunto merece ser aprofundado e melhor discutido, porém, espero que lhe tenha trazido um pouco de reflexão e clareza sobre isso. Para finalizar só posso afirmar que hoje os livros são distribuídos para as escolas, o material é de ótima qualidade, salvo exceções, a infraestrutura para trabalharmos é razoavelmente aceitável, os professores possuem ensino superior (na sua grande maioria), os alunos recebem subsídios básicos para seus estudos, então o que resta é a preguiça, o não saber pedagógico e o não querer fazer. Várias hipóteses poderiam ser apresentadas, tais como: Os materiais são de baixa qualidade. O livro está fora da realidade do aluno. O livro só trabalha com a memorização de conteúdos. O livro não contempla o currículo escolar. A escola recebe outros materiais que substituem o livro didático. O professor não está preparado para trabalhar com o livro didático. Dentre essas hipóteses preliminares, O Brasil tem um dos (se não for o) maiores progravou dissertar um pouco sobre cada uma delas. mas de distribuição de livros didáticos do mundo. O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) Os materiais são de baixa qualidade. Mito! Os Litem como principal objetivo subsidiar o trabalho vros didáticos no Brasil passaram (e passam) por pedagógico dos professores, por meio da distribui- reformulações constantes. Via de regra, os materição de coleções de livros didáticos de diferentes ais são produzidos e reformulados, de acordo com editoras aos alunos da educação básica. Só para as necessidades dos professores. As editoras e os o ano de 2016 o Ministério da Educação desem- autores de livros didáticos se preocupam em manbolsou nada menos que R$ 1.255.495.989,82 para ter um diálogo constante com os professores atender 121.574 escolas e contemplar 34.513.075 (principalmente agora com o uso das redes socialunos do ensino fundamental I, ensino fundamen- ais) para discutir e reorganizar seus conteúdos tal II e ensino médio, nas modalidades do ensino apresentados. Não somente, os livros também regular e da EJA. Em comparação com o ano de passam pela avaliação do MEC que prima pela 2015, o MEC investiu R$ 1.362.618.334,01.Os da- linguagem aplicada na obra, qualidade das imados estatísticos podem ser obtidos em: http:// gens, diversidade de exercícios etc. www.fnde.gov.br/programas/livro-didatico/livroO livro só trabalha com a memorização de conteúdidatico-dados-estatisticos. Porém, de nada adiandos. Mito! A memorização deixou de ser o carro ta apresentar esses volumosos números, se o livro chefe da educação brasileira há algum tempo. Hodidático não for utilizado na sala de aula. je, os livros devem estimular diferentes habilidaO fato que queremos discutir, neste momento, é a des, competências cognitivas, valores e atitudes. não utilização dos livros didáticos obtidos pelo Pro- Basta navegar por algum livro didático e você verá grama Nacional do Livro Didático (PNLD). Obvia- que o texto, as imagens e as atividades convermente que o que vou apresentar aqui não é a re- sam entre si e cada seção do livro estimula difegra. Mas é o que tenho visto em diversas escolas rentes inteligências. e é o que meus colegas e alunos me relatam em O livro não contempla o currículo escolar. Os currídiferentes discussões. culos no Brasil são elaborados de acordo com os Muitas vezes os livros entregues aos alunos não Parâmetros Curriculares Nacionais. Esses docusão nem utilizados em sala de aula, nem como mentos norteiam os objetivos da aprendizagem de apoio aos estudos em casa. Os livros são entre- cada disciplina em cada etapa da escolarização. gues e não se toca mais no assunto. Em outras Os sistemas de ensino tem autonomia para desensituações o livro nem é entregue. Fica empoeiran- volverem seus currículos, mas sempre primando do em algum canto da escola e depois de algum pelo que a legislação aponta e sendo norteados tempo o material é descartado. Sem querer me pelos parâmetros nacionais. Sendo assim, o livro alongar, posso sugerir três reportagens que tratam deve ter uma abordagem ampla, permitindo se encaixar em qualquer currículo. deste assunto: Mais de 3 mil livros didáticos novos são jogados fora em Santa Catarina. Nesta reportagem de 2014, o desperdício de dinheiro público ocorreu com a chamada de um catador de material reciclado, que foi denunciado pelo próprio catador. A notícia pode ser acessada neste link: http:// g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/08/maisde-3-mil-livros-didaticos-novos-sao-jogados-foraem-santa-catarina.html. Livros didáticos são jogados no lixo seletivo em Caxias do Sul. A notícia de 2015 conta basicamente a mesma história acima. Os livros não foram utilizados e foram para o lixo. http:// pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/ noticia/2015/12/livros-didaticos-sao-jogados-nolixo-seletivo-em-caxias-do-sul-4925850.html. Livros didáticos jogados fora revoltam moradores em Teixeira (11/01/2016). Como diz o velho jargão: “A história nunca é nova, ela só se repete”. E foi assim que em Teixeira de Freitas-BA aconteceu. Os livros novos, embalados e sem uso foram parar no lixo: http://liberdadenews.com.br/ index.php/policia/14696-denuncia-livros-didaticosjogados-fora-revoltam-moradoresem-teixeira-deA escola recebe outros materiais que substituem o livro didático. Meia verdade! Muitas redes de ensino acabam optando pelo uso de outros materiais. A rede estadual de São Paulo, por exemplo, trabalha com o projeto Ler e Escrever, no Ensino Fundamental I e o caderno do aluno no Ensino Fundamental II e Médio. Porém, esses materiais não substituem o livro didático. Eles são materiais complementares que aprofundam alguns temas e habilidades. No planejamento do professor, ele pode (deve!) considerar o uso desses dois materiais dosando o que vai utilizar em cada aula. Outros sistemas acabam optando pela aquisição de apostilados. Aqui sim isso se configura um problema, uma vez que, de posse dessas apostilas de sistemas, o professor não consegue utilizar esses dois materiais. Neste caso, o correto a se fazer é a escola (e a Secretaria de Educação) não adquirir os livros didáticos (justamente para evitar o desperdício de dinheiro público). O professor não está preparado para trabalhar com o livro didático. Verdade (lembrando que isso não é regra!), e é aqui que vou me aprofundar um pouco mais. Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo. ivanclaudioguedes@gmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 10 Cultura simbólica O BRASIL NUNCA FOI UMA COLÔNIA! PARTE III “A expansão portuguesa não foi, nem fruto do acaso, nem um feito político da Coroa ou de cortesão esforçados, antes a missão de uma Ordem iniciática.” (artigo continuado) ram ainda quem, numa perspectiva global, sistemática, sustentada (quer tradicional, quer documentalmente) e lusíada se aventurasse a resgatar a sua história, projeto, práxis e patrimônio. A utilidade do empreendimento chegou a merecer, convém recordá-lo o reconhecimento de autoridades como Pedro A. de Azevedo ou Jaime Cortesão, o qual sublinharia ainda a necessidade de conduzir tal estudo ponderando o quanto do tesouro templário (espiritual, mas também material) terá sido investido na preparação e concretização da expansão marítima, bem como na consolidação do Império português (Gandra, op. cit., 2013, p.22). cançável, garantem-no escritos espirituais medievos como o Conto do Amaro, a Navegação de são Brandão, o Livro de José de Arimatéia e o Orto do Esposo, pelo nauta audaz que, em demanda do seu destino, embarque nas naus da iniciação e empreenda a travessia do Oceano da Alma, modelo dos oceanos do mundo, para dilatar Fé e Império (Manuel J. Gandra, 2013). Manuel J. Gandra POR: Loryel Rocha No entanto, mesmo após o assassinato do Grão-Mestre da Ordem de Cristo, o Projeto Templário continua a subsistir, haja visto que as palavras MORE e MROE, tantas vezes presentes na eclíptica da esfera armilar de D. Manuel, com o significado de Manuel Orbis Rex est e Manuel Rex Orbis est, claramente reinvindicam um estatuto imperial, cuja tradição remonta à cristofânia de Ourique, com inequívocas ligações com o Rei do Mundo e a profecia do Quinto Império. Compele acorrer que numa sequência tradicional, Vasco da Gama (1497) e Pedro Álvares Cabral (1500) receberiam das mãos de D. Manuel I a bandeira da Ordem de Cristo, como estandarte das navegações. Ressalve-se que a cartografia portuguesa ostenta bandeiras da Ordem de Cristo pelo menos desde a carta de Pedro Reinel em 1500. Mas, que ideal perseguem os Templários? “Não são de todo subreptícias, nem dispiciendas, as conotações entre o ideal sinárquico dos templários, isto é, a sua demanda da equanimidade universal ( no seio de uma hierarquia de competências), com o corpus doutrinal derivado do pensamento do cisterciense Joaquim de Fiori e popularizado pelos espirituais franciscanos. De outro modo, como justificar que os mesmos monarcas que protegeram os templários se tivessem empenhado na difusão do joaquimismo, cujos princípios religiosos, éticos e políticos se baseavam na ideia de que, sob a influência sucessiva de cada uma das três pessoas da Trindade, as criaturas se haviam de tornar puras, como os meninos, para ganhar o Reino dos Céus. Foi este ideário que, como é público, imortalizou Santa Isabel e Dom Dinis. […] A expansão portuguesa não foi, nem fruto do acaso, nem um feito político da Coroa ou de cortesão esforçados, antes a missão de uma Ordem iniciática. “Dilatar Fé e Império”… o engenho e arte decantados por Camões está na contramão da tese que perfila atribuir uma má gestão e descaso da Coroa Portuguesa na chamada tomada de posse definitiva do Brasil depois de 1500. O tema dos Templários portugueses, salvo raras e honrosas excessões, tem sido Essa parece ser a aspiração que tanto Tito ignorado, omitido ou subvalorizado. Lívio quanto Manoel R. Ferreira tinham em Consigna Silva que a historiografia registra, mente quando se propuseram a pesquisar sodesde muito cedo, os precoces e estreitos la- bre as conexões entre a Ordem de Cristo e o ços entre a Ordem do Templo e os círculos Brasil. Apelam incessantemente para a imporaristocráticos portucalenses. A Ordem do tância do “eixo templário” na construção da Templo desempenhou papel fundamental tan- totalidade da visão que norteia o Descobrito na formação da nacionalidade portuguesa mento do Brasil, indo buscar o início de um tal quanto na expansão urbana portuguesa, ocor- projeto com a Ordem de Cristo. Nisto reside rida ao longo dos séculos XII e XIII. Acrescido sua virtude. a isso, a Ordem do Templo teve papel decisi- Contudo, cabe acrescentar mais algumas vo nas guerras de Reconquista da Península considerações para encerrar esse assunto. Ibérica, exerceu poderosas influências em vá- As obras de ambos os irmãos não tratam da rios reinos da Europa e foi decisiva para as decadência nacional portuguesa propiciada Cruzadas. Vale frisar que, no tocante a este pelo enfraquecimento da Ordem de Cristo, último item, vinculou-se de tal modo a ima- que tem como marco basilar o assassinato do gem Templária às Cruzadas que sua vital im- Grão-Mestre da Ordem por D. João II, o portância e presença em Portugal foi abafada. “Príncipe Perfeito”. Uma vez que o ideal naEvidentemente que os Templários tem muito cional imbuído de um sentido missional precoa ver com as Cruzadas. No entanto, os Tem- nizado pela Ordem de Cristo (e assumido inplários portugueses configuram um tipo muito tegralmente pela Coroa até D. João II) se arparticular de templário. E a própria Ordem do refece ou transmuta, de resto, sofrem as conTemplo em Portugal se desenvolve de modo sequências todo o planejamento do Projeto bastante específico. Templário, incluso o Descobrimento do Brasil Relações extremamente complexas se teceram entre os reis portugueses e a Ordem do Templo, onde apesar de documentado, impera o véu de silêncio sobre a relação da Coroa Portuguesa com os Templários e, da Ordem de Cristo com o Brasil. Isso não só porque o tema sobre os Templários é carregado de estigmas. Reações bipolares acontecem no trato dessa questão, que oscila entre a admiração incrédula, a discrição da ignorância, o preconceito pretencioso e a negligência erudita. Mas, sobretudo, porque, ainda se ausentam das pesquisas historiográficas o diálogo e os novos horizontes que a transdisciplinaridade estará mais habilitada a fornecer que a engessada hermenêutica positivista. e a forma como a Coroa conduzirá suas ações e decisões em todo o império ultramarino. Motivada por expectativas milenaristas e messiânicas coletivas, sincreticamente compendiadas no Auto do Império, a gesta marítima “De facto, salvo algumas monografias e conlusa resolve-se na demanda do Paraíso Per- tributos pontuais com direito a destaque, as POR: Loryel Rocha dido, esse Centro Espiritual supremo só al- Ordens do Templo e de Cristo não conhece- Email: culturaseidentidades@gmail.com Site: http://www.imub.org/o-instituto/ Mantido o texto original em português de Portugal Para o contributo do enfraquecimento da Ordem de Cristo e, por conseguinte, da decadência de Portugal, está D. João III que sucede o pai D. Manuel I em 1521, aos 19 anos. D. João III manteve a equipe governante do pai, mas, abandonou seu projeto Imperial (que seria retomado por seu neto D. Sebastião I, (projeto de Império decantado por Fernando Pessoa). Dividiu o Brasil em Capitanias -Hereditárias. Era extremamente religioso (católico) e subserviente à Igreja de Roma a ponto de permitir a entrada da inquisição em Nesta conformidade, uma vez alienada a pre- Portugal. sença e a participação da Ordem de Cristo no Descobrimento do Brasil, espargido o seu dinamismo específico e perdidas as chaves destinadas à sua leitura e interpretação, abreCONTINUA NA se inexoravelmente um vazio histórico que só PRÓXIMA EDIÇÃO pode ser transposto uma vez que se recupere e se esclareça o que foi efetivamente o Projeto Templário. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 11 Autoconhecimento Aprendendo a nos conhecer mos nosso tempo sofrendo por coisas que dependem exclusivamente de nós, falo de nossas atitudes frente às situações que a vida nos apresenta. Errar todos erramos. Estamos aqui para aprender. Mas puxa vida, às vezes aprendemos da pior maneira, do modo mais dolorido. Porque não ouvimos nossa intuição, ou simplesmente não estamos atentos aos recados que a vida está nos mandando. O universo não perdoa. Não quer ver? Vai aprender da maneira mais difícil. Acredito nisso, todos já vivenciamos algumas experiências desse tipo. Então alguns irão dizer, falar é fácil. Verdade! Nós temos dificuldade de aplicar algumas das coisas em que acreditamos, tropeçamos, caímos, levantamos e nos damos conselhos que não conseguimos seguir, sabemos tudo que devemos fazer para sair de situações desgastantes, unilaterais e egoístas, mas não fazemos. Alguns de nós tem essa tendência, de quebrar a cara várias vezes e custar a aprender, mas a esperança é a última que morre, sempre! Como podemos nos preparar para ser melhores? Para não precisarmos sofrer tanto? Entendendo-nos, nos amando mais, nos conhecendo. Sabendo o que precisamos e o que queremos. Não entrar em qualquer experiência quando nossa alma diz que aquilo não é pra nós. Porque fazemos isso então? Porque estamos perdidos. Queremos nos iludir que vai ser diferente, isso em todas as situações da nossa vida. Temos que ser sinceros com nós mesmos, quando mudamos o jeito de agir com a gente , todo mundo percebe, melhoramos e os outros melhoram também. Tenho que saber o que eu quero pra mim, o que eu quero que melhore. O que eu preciso. Usar o bom senso às vezes ajuda. Olhar para nós mesmos com mais carinho e mais generosidade também. Vamos procurar o que de bom há em nós. Ouvirmo-nos mais, silenciar um pouco a mente e ouvir nossa intuição. Temos muito a aprender com ela. E não vamos desistir de relacionamentos, seja de que tipo for. Vamos colocar mais amor e poesia, mais sentimento e vontade em tudo que fazemos. Vamos nos focar naquilo que nos fortalece, que nos dá ânimo, que nos impulsiona, causa um friozinho na barriga de tão bom que é. Vamos nos focar no que importa nessa vida que é o amor. Só ele nos cura de tudo. Só nele que nos fortalecemos, e só através dele conseguimos nos regenerar, tentar mais uma vez, e outra e quantas vezes for preciso. Isso é vida! Isso é viver. Mariene Hildebrando Professora e especialista em Direitos Humanos FRASES SOBRE MENTIRAS E MENTIROSOS A vida une as pessoas por algum motivo. E só por isso os encontros já valem a pena, pelo menos a maioria. Não importa se foi um mês ou dois meses ou 10 anos. Através dos relacionamentos nós nos conhecemos mais. Desenvolvemos-nos, evoluímos com o outro. Frente ao outro, aprendemos sobre nós. Quando estamos num relacionamento é a nós que enfrentamos, é com a gente que temos que lidar. Com a consciência dos nossos limites. Um relacionamento tem que ter ternura, tem que ser gostoso, espontâneo. O carinho está presente. Os relacionamentos são sempre lições. Não importa de que tipo seja. Relacionamentos perfeitos não existem. O que acontece é o melhor pra nós. Ah que lição difícil enfrentar a dor do fim de um relacionamento amoroso, ou do fim de uma amizade. Me pergunto: O que não estamos querendo ver, o que não estamos querendo aprender, o que a vida quer nos mostrar e fingimos não saber. Não percebemos que quando estamos num relacionamento queremos que o outro aja como nós agiríamos, queremos moldar o outro, quando não conseguimos, nos tornamos intolerantes, impacientes, cobradores. E quando achamos que estamos fazendo tudo certo? Afinal estamos nos doando, apostando, querendo que dê certo, que funcione, porque acreditamos no outro, no que ele nos diz, no que nos passa, achamos que estamos começando a construir algo, de repente, não era nada do que havíamos imaginado. Tudo se desfaz de um jeito que nos deixa perdidos e perplexos, pensando: fui eu ou foi o outro? Vamos tentar organizar os pensamentos. Se estou investindo, me doando e querendo que dê certo, então porque não funcionou? Não sabemos, apenas podemos especular a respeito. Não acho que quando apostamos em algo, estamos errados. Isso é para tudo na vida. Estamos tentando, experimentando, vendo até onde podemos ir, e gosto de pensar que o céu é o limite. O que não podemos fazer é ter medo. O medo nós já sabemos, nos paralisa e nos faz perder oportunidades incríveis. Assis Chateaubriand: “Só o real é contraditório”. *** Vicente Avelino: “A verdade é o meu ponto de vista” *** Sabino de Campos: “A mentira repassada de comicidade e humor é um tônico do espírito”. *** Sabino de Campos, de novo: “A mentira que diverte é um bálsamo para os males crônicos da humanidade”. *** Medeiros e Albuquerque: “Os fracos e perseguidos precisam da mentira como de uma defesa”. *** Aristóteles Onassis: “Não ser descoberto numa mentira é o mesmo que dizer a verdade”. *** Ieda Graci: “A mentira é uma ilusão dos infelizes”. *** Machado de Assis: “A mentira é muita vezes tão involuntária como a respiração”. *** Mário Quintana: “A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”. *** Mário Quintana, de novo: “Do bem e do mal / Todos têm seu encanto: os santos e os corruptos. / Não há coisa na vida inteiramente má. / Tu dizes que a verdade produz frutos… / Já viste as flores que a mentira dá?”. *** Paula Nei: “A mentira é um passo em falso – desequilibra; escorregando na primeira é depois um trabalho para um homem restabelecer o aprumo”. *** Galeão Coutinho, de novo: “Toda mulher tem horror à mentira… pregada pelos homens”. A vida é muito preciosa para desperdiçar- E mail: marihfreitas@hotmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 12 Opinião Por que não o Neoliberalismo no Brasil? Qual é o problema? O que tem de errado no Neoliberalismo? Por que tem gente rejeita essa redefinição do Liberalismo clássico, essa corrente de pensamento, essa ideologia, essa forma de ver e julgar a economia e a sociedade que rejeita a participação estatal na economia, e que quer o mercado absolutamente livre? Há um argumento atribuído a Adam Smith, autor do livro “A Riqueza das Nações” que eu concordo com a maior parte. O argumento é “todo ser humano é movido pelo interesse próprio e suas decisões são ditadas por um cálculo racional de custos e benefícios, seus atos num mercado livre tendem a servir o bem comum. Ambas partem do mesmo princípio de que o homem é um ser essencialmente egoísta”. A parte que eu discordo é “tendem a servir o bem comum”, porque não foi isso que eu percebi na História. Outra frase atribuída a ele, "não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu "auto-interesse". O perigo da ausência do Estado está justamente na tendência egoísta de auto-interesse do ser humano. Isso não tem garantido o bem comum da humanidade. É o que a História relata. É incontestável que o Capitalismo, a partir da Revolução Industrial, trouxe benefícios a humanidade. Benefícios como inovação e desenvolvimento tecnológico, permitiu a muitos indivíduos adquirir riqueza e propriedades para si, pessoas que eram pobres se tornaram ricas, em alguns casos, impulsionou a educação escolar e as pesquisas científicas. É claro que o Capitalismo e a Revolução Industrial trouxeram benefícios. Contudo, o mesmo Capitalismo trouxe também malefícios, assim como muitos enriqueceram, muito mais gente foi mantida na pobreza e excluída dos prazeres proporcionados por esse modo de produção, sem falar nos graves problemas ecológicos no planeta. O sistema capitalista não é algo perfeito, sem defeitos. O capitalismo promove benefícios sim, mas promove malefícios também. E, se aplicando ao Brasil, há uma resistência justamente de muitos empresários. No meio político brasileiro, há muitos indivíduos da elite econômica e financeira, ou ligados a ela, que são vereadores, deputados e senadores. E lobistas também.E,o que eles realmente pretendem quando defendem adotar o Neoliberalismo é, como dizia Adam Smith, é promover o seu próprio interesse. Sim. Porém, jamais os interesses dos consumidores ou dos empregados assalariados deles. Eles não querem livre-concorrência de verdade, competitividade de verdade. Mesmo porque, não têm condições de competir com empresas dos EUA, Japão, China, Alemanha, etc. Eles querem obrigar os empregados a serem muito competitivos na disputa por baixos salários. Eles querem funcionários que sejam baratos, de baixo custo para eles. Se eles realmente acreditassem no conceito de meritocracia como afirmam, nós veríamos nas ruas das cidades, ônibus de boa qualidade, confortáveis e com espaço para todos os passageiros sentarem, nem veríamos passageiros de pé. Mas o que vemos, é ônibus velhos e desconfortáveis lotados de gente, trafegando pelas cidades. Outro exemplo, serviços de telecomunicações. Se eles fossem verdadeiramente liberais, várias operadoras disputariam o mesmo mercado com serviços de ótima qualidade de telefonia e internet. Mas, o que há na prática é um monopólio de algumas empresas que são campeãs de reclamações feitas por clientes. O ensino escolar, as escolas públicas têm péssima qualidade, salvo louváveis exceções. Porém, as escolas particulares, principalmente no ensino médio, são meros cursinhos prévestibular, salvo também louváveis exceções. As pesquisas científicas no Brasil, a maioria das pesquisas, são feitas por universidades estatais, públicas. As universidades particulares não se interessam em incentivar cientistas, estão preocupadas com oferta e demanda do mercado e só. A mentalidade empresarial que predomina no Brasil é o Paradoxo de Garschagen. O “Neoliberalismo” que a maioria dos grandes empresários brasileiros e dos grandes empresários estrangeiros no Brasil querem é que o Estado pare de proteger os empregados, os funcionários. Eles querem é o fim dos direitos trabalhistas. Porém, eles querem que o Estado permaneça protegendoos, protegendo o monopólio deles. A evidência do que eu digo é a reação dos taxistas ao Uber e das operadoras de TV a Cabo ao Netflix. Eles não querem competitividade entre eles mesmo. Mas querem empregados muito competitivos e mais baratos para os bolsos deles. Eles lutam com unhas e dentes por reserva de mercado, por monopólio. Aqui no Brasil, o Neoliberalismo não vai funcionar por motivos de mentalidade social. Nos Estados Unidos, se você leva o carro para o mecânico consertar, ele vai lhe dizer: “-I will do maybest. (Vou fazer o meu melhor)”. No Brasil, o mecânico vai lhe dizer: “-Vou ver o que dá para eu fazer.”Apesar de ouvir-se muito sobre a satisfação do cliente ser prioridade, na prática, deixar o cliente satisfeito não é prioridade, no Brasil. É um problema cultural. Eu sei que o Estado presta serviços de péssima qualidade ao público, no Brasil. Eu sei que o aparato* estatal brasileiro (União, Estados e Municípios) não atende corretamente as necessidades da sociedade, principalmente da classe menos favorecida. Mas o problema do Estado no Brasil é o sistema no qual ele funciona e o tipo de gente que o comanda, que o controla. O problema no Brasil e em muitos países neste mundo, é de mentalidade. A esmagadora maioria dos políticos brasileiros tem mentalidade patrimonialista, ou seja, tratam o patrimônio público como propriedade particular deles. Já houve Liberalismo no Brasil e no mundo em geral. As consequências do Liberalismo clássico foram o advento do Marxismo e do Fascismo, que foram reações ao Capitalismo liberal do passado. Convido você que lê, pesquise sobre o Taylorismo, sobre os Trade Unions na Inglaterra, sobre o Cartismo e o Ludismo. Assista ao filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin. O problema do Estado, do Poder Público no Brasil é o tipo de gente que nele está, que o faz funcionar como funciona, e as regras de f u n cio n a m e n t o do Poder P ú b lic o (Presidencialismo de Coalizão). Os eleitores têm pouco poder e as pessoas eleitas para o Congresso Nacional têm poder demais, quanto a relação eleitor-eleito. Além do problema da pseudo-representatividade política. Eu não sou contra pessoas serem ricas. Eu não sou contra pessoas terem propriedade privada. Eu não sou comunista. Eu não sou petista, apesar do meu discurso. O que eu sou é keynesiano e também contra a sacanagem com a maioria, que é o que se passa no Brasil e em muitos países pelo mundo afora. Para que o Liberalismo, ou melhor, o Neoliberalismo realmente funcione em favor da maioria, a população tem que estar muito bem alfabetizada e principalmente em educação financeira. E uma ética muito elevada. E a responsabilidade por isso, na minha opinião, é do Estado que é um patrimônio comum da sociedade civil. O cidadão comum que não é rico, não aguenta ter que correr atrás de tudo sozinho, é muito caro para o bolso dele ter que bancar tudo por conta própria. Então, o cidadão comum que não é rico necessita do apoio do Estado para ser bem alfabetizado. No meu ponto de vista pessoal, o que defendo não é Socialismo, nem Comunismo. Sou adepto do Estado do Bem-Estar Social democrático, que una propostas capitalistas e socialistas. Considero como questão de bom senso e de responsabilidade social. Em que tipo de sociedade civil queremos viver? Numa sociedade de pessoas passando fome? Numa sociedade onde as pessoas precisem cometer crimes para sobreviver? Ou numa sociedade segura e civilizada em que as pessoas respeitem umas às outras e sejam produtivas para a coletividade, ainda que sejam motivadas por interesses pessoais? O interesse é de cada brasileiro. Cada um tem a liberdade de optar por aquilo que achar ser o correto ou a melhor opção. Eu apoio o direito de livreiniciativa do capitalismo, apoio que cada cidadão deva ter direito de liberdade individual e, entendo que o Estado não pode cometer excessos, não deve ser autoritário. Porém, o indivíduo convive com uma sociedade, então os direitos sociais/coletivos também devem existir. Acho o Liberalismo econômico ruim? Não! O que eu acho é que a sociedade não está preparada para o Liberalismo econômico. João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 13 Sobre maiorias Quem disse que a maioria tem a razão? Como é confortável para grande parte das pessoas estarem de acordo com a maioria, e como é desconfortável ter uma opinião própria ou defender posições minoritárias, afinal “a maioria sempre tem razão”. E seria quase irracional não estar do lado do mais forte, mesmo que isso tenha sido alimentado por decisões muito mais emocionais do que lógicas, ou mesmo construída ocultamente para simplesmente conduzir o rebanho, tendencialmente a escolha da maioria parece absolutamente correta e democrática, em alguns casos mesmo sendo meramente emocional parece tornar-se lógica. E muitos sentam em frente à televisão nos programas jornalísticos destinados as massas e sentem-se muito bem informados, donos da verdade, simplesmente passam a defender a opinião da maioria, a mesma maioria que por muitos séculos considerou a Terra plana. Lembremos o teimoso René Descartes que, recusava-se a acreditar em qualquer coisa até que a tivesse verificado pessoalmente, um São Tomé da nossa filosofia. Apesar de ter vivido a mais de trezentos anos, sua filosofia merece ainda muita atenção, nela, ele duvida de tudo literalmente, inclusive da existência de Deus, do homem e de si próprio. Naquela época causou um alvoroço na França religiosa e teve que fugir para a Holanda, porém recusando o que os outros buscavam vender-lhe como sendo a verdade, e usava dos seus sentidos e experiências para tentar buscar a verdade, até formular o: ‘’Cogito, ergo sum’’, ou seja: ‘’Penso, logo existo.’’ Deixando de ser um espectro fantasmagórico, continuou a comprovar ou rejeitar inúmeras verdades postuladas, a jogar e a beber vinho caros. Neste processo deixou muitas contribuições a matemática e abriu novos caminhos para a filosofia, insistindo em descobrir a verdade por conta própria. certeza isso fez dele um cidadão arrogante e certamente solitário naquela época. Na nossa era democrática, no nosso democrático lado do mundo, tendemos a aceitar sem críticas a opinião da maioria. Se um monte de gente diz que é assim, tudo bem, assim seja. É como nós pensamos. Se não temos certeza de alguma coisa, vamos contar os votos. Desde pequenos somos ensinados que a maioria está sempre com a razão. A maioria deve estar certa, mas as probabilidades são contra eles. Costumamos ter o hábito de achar que todas as afirmativas muito repetidas são a verdade. Afinal Hitler comentava em seu Mein Kampf, que um dos preceitos judaicos era de que “uma mentira dita mil vezes tornar-se-ia verdade”. Assim: “A previdência vai quebrar antes de me aposentar”, ‘’Estamos diante de uma possível bolha imobiliária’’, “O Brasil é o país do futuro”, “Vale mais um pássaro na mão que dois voando” afinal quase todo mundo diz isso. É verdade? Talvez sim, talvez não. Descubra você mesmo. Tire suas próprias conclusões. Não engula o que te dão mastigado. Não seja manobrado pela maioria, seja você. Quanto ao aforismo “a voz do povo é a voz de Deus“, me pergunto, será que Deus faria tão péssimas escolhas? Prefiro pensar como Descartes, em que “é mais provável que a verdade tenha sido encontrada por uns poucos do que por muitos”. No entanto não é possível descartar a voz do povo em certas situações, mas nunca podemos negar a irracionalidade muito mais frequente do que se imagina em decisões coletivas, afinal, Pascal cunhou que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”, mas será que múltiplos corações são capazes de compor um verdadeiro coração? Sem dúvida, numa perspectiva histórica, a maioria nem sempre tem razão. Portanto levar em consideração a voz do povo significa, metaforicamente, prestar atenção aos sinais de fumaça representados pelas manifestações coletivas. Não se pode ignorálos, por arrogância ou leniência, mas não nos é permitido abdicar do exame de consciência e do juízo fundado na integridade pessoal. Se um livro, um programa de tv, ou um filme são lidos ou vistos por milhões de pessoas, isso não constitui atestado de qualidade em hipótese alguma, nem pode fundar um juízo de valor, principalmente se estão aí inseridos governos e mídias. O fenômeno merece ser estudado e a mensagem deve ser interpretada. Freud dizia que “às vezes um charuto é apenas um charuto”. E, rigorosamente, tudo o que se pode concluir da visão da fumaça é que onde há fumaça, há fumaça. Para Descartes, o truque que ele deixava evidente em seus textos, é o de rejeitar o que lhe dizem, até ter pensado tudo pela própria cabeça. Duvidar das verdades afirmadas por autoproclamados especialistas, e recusar até a ouvir a opinião da maioria. Registrou, ele que: ‘’Não existe praticamente nada que tenha sido afirmado por um sábio e não tenha sido contraditado por outro.’’ E também: ‘’Contar votos não serve de nada. Em qualquer questão difícil, é mais provável que a verdade seja descoberta por uns poucos do que por muitos.’’ Com Fonte: http://ajudese.com.br/ DESIGUALDADES Os contrastes sociais são responsáveis por todas as desigualdades raciais, étnicas e interculturais. Mesmo em tempos pós emancipação quem tem muita melanina, na maioria das vezes, é olhado de canto, é temido. Julgado e culpado. Prostrado à marginalização e banalidade. Jogado à sorte do destino. É triste ver que muitos são obrigados a sobreviver com pouca coisa, enquanto poucos riem e fazem de tudo um circo, vivendo bem e muito bem, "com muitas coisas" O problema da desigualdade social não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso na mão de poucos. O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis. Platão www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 14 Um conto (matéria continuada) Ao fundo uma oliveira (FINAL) - Para a próxima, tem de parar em frente à caixa amarela, carregar no botão e agarrar num cartãozinho que ela lhe vai dar. Depois, à saída da autoestrada, entrega o cartãozinho ao portageiro e paga o valor correspondente. Dentro do carro, estacionado com zelo junto ao passeio da repartição, Edite sorria e abanava a cabeça em direcção ao senhor do concessionário, agradecendo e voltando a agradecer a informação. José voltou a colocar a boina e virou costas sem uma palavra, humilhado. Por muitos anos que o acompanhasse, por muitas vidas que vivesse a seu lado e por muitas vezes que o visse falhar, aquela mulher jamais compreenderia o que significava para o seu homem que agradecessem por ele - que lhe afagassem a cabeça com um olhar tolerante e depois sorrissem nas suas costas para o cavalheiro do outro lado da barricada, com um trejeito cúmplice de quem diz: "Não ligue". Edite não o fazia por mal, José sabia-o, mas fazê-lo por ignorância parecia ainda pior aos olhos do marido, o sinal derradeiro de que de nada haviam valido trinta e oito anos em conjunto se, feitas as contas, tudo voltava sempre ao princípio - tudo tinha de voltar eternamente ao princípio, a estupidez como a única condição que nunca muda, instalada como uma ténia no intestino mais estreito do medo. José voltou ao carro, sentou-se com estrondo no banco da esquerda e puxou de repelão o cinto de segurança. Era o seu sinal de desagrado, a bofetada que mais uma vez adiaria, evitando aborrecimentos impróprios para o seu estado de velho demasiado velho. Edite lançou-lhe um olhar de desprezo, respirou fundo e fez menção de deixar clara a inconveniência daquela reacção. Ainda esboçou uma frase sentenciadora, mas ele lançou depressa o indicador ao rádio, percorreu as primeiras seis estações memorizadas e deixou-se ficar nas notícias - notícias e mais notícias, palavras e mais palavras que se sobrepusessem ao que quer que aquela mulher pudesse dizer, comitivas de Estado que continuassem a chegar às margens do rio e corpos que permanecessem sem aparecer e homens que chorassem as suas perdas mais do que José chorava os seus falhanços. Edite conteve o rubor das faces, cruzou os braços e olhou pela janela, onde ao fundo uma oliveira mirava impávida a marcha lenta do auto- junto ao ouvido esquerdo e a seguir um baldeio violento, provocado pelo seu próprio susto, com móvel. - Olha, ainda andam à procura do autocarro - dis- torção sistemática do volante, para a direita e para se Edite ao fim de um longo silêncio, para refazer a esquerda e novamente para a direita. Um camião passou veloz, prolongando a buzinadela e lias pazes. gando os faróis de emergência, numa manifestaJosé consultou o relógio: quase meio-dia. Três ção de ódio. O separador lateral ameaçou precipivozes sobrepunham-se agora na rádio, interromtar-se sobre o Volkswagen, os pneus chiaram sopendo-se sem pudor, num frente-a-frente acalorabre as bandas sonoras da escapatória, a oliveira do sobre a localização da "mais trágica das três lá ao fundo parecia ir e vir com o vento, o carro viaturas acidentadas", como lhe chamava insistodo num estertor de imperícia, Edite esticando os tentemente o moderador. No terreno, em vários braços nas beiras do assento, com o rosto desfipontos do rio assassino, as buscas digladiavamgurado do pânico. se com extraordinárias dificuldades, originadas pelo mau tempo, as fortes correntes e o estado Em desespero, José meteu de súbito o pé ao tralodoso da água. Em Lisboa, o Governo anunciara vão, acompanhou com o tronco o impulso da paa criação de uma Comissão Parlamentar de In- ragem inesperada e foi bater com a cabeça no quérito, para "apurar rapidamente as responsabili- "VW" do volante, deixando-se cair de novo para dades da catástrofe", como exigira o Presidente trás ao último abanão da manobra. Durante muito da República. Mas a oposição queria mais. Num tempo, ficou ali, sem acção, uma mão dentro da debate de urgência, o líder de uma bancada mino- boina, indecisa entre a verificação de ferimentos e ritária arriscou um elogio à reacção do ministro da o castigo pela sua própria incompetência de pilotutela, que se demitira no momento da desgraça, to. Edite, de boca muito cerrada e respiração difíe o partido caíra-lhe em peso em cima, acusando- cil, tinha os braços muito esticados na vertical, as o de intrujice com o fito de salvaguardar a sua po- mãos alongadas até aos coses do banco, onde se sição para as eleições seguintes, certamente mais ajustava a inclinação do passageiro. Carros e capróxima do Executivo. Os deputados do Governo miões e motos e camionetas circulavam furiosos, aproveitaram a embalagem e, mesmo dali, de ci- em direcção ao sulco que bordava o outeiro adima de uma tribuna a mais de três horas de distân- ante, e alguns apitavam repetidamente, em sinal cia do acidente, atiraram-se ao autarca com juris- de desprezo por aquele velho infeliz que nem udição sobre a margem meridional do rio, eleito por nhas tinha para o seu próprio carro novo. Um idouma cor hostil, lembrando que, depois das lágri- so a bordo de um Fiat antigo afrouxou de guincho, mas vertidas na televisão, defronte de milhões de abanando o braço direito em oferta de auxílio, portugueses, já nem era precisa campanha para mas José esticou o indicador e fez-lhe que não, assegurar a reeleição no mês de Dezembro. José que estava tudo bem consigo e com a mulher e que a viagem prosseguiria em breve, assim o sol cerrou as frontes: abrandasse. - Filhos da puta! Edite olhou o marido, colocou uma mão no peito e Edite voltou o rosto para ele, levou a mão esquerconteve as palavras. José consultou de novo o da sobre a consola central e deixou-a suspensa relógio e olhou para a mulher, despojado: no ar, reprimindo um carinho. Depois, virou de novo o olhar para a oliveira lá longe, ainda em - Vamos antes pela Estrada Nacional. Devagar, o Volkswagen arrancou, piscando com guarda pela segurança da viagem, e arriscou: cuidado os faróis da esquerda, vogou por alguns - Cabrões de merda, digo eu! minutos, em silêncio, e apontou à primeira saída à José arregalou os olhos, deixou de repente escordireita. Edite pôs a mão sobre a do marido, repouregar o sapato sobre o acelerador, engoliu em sesada em cima da alavanca das velocidades: co e sentiu o carro estrebuchar debaixo dos pés, tremendo de dúvida perante a estrada que se a- - Cabrões de merda! longava até uma curva larga no cimo de um mor- Joel Neto ro. Foi questão de segundos. Primeiro sentiu o Lisboa tremor do automóvel, depois um apito prolongado joel.neto@oninet.pt Mantido o texto original em português de Portugal Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Maio 2016 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) estrategicamente mais importante para os ingleses e para o imperialismo em geral. Em Sociólogo, é nascido no Brasil, formado abril de 1944, os partidos monarquistas em Ciências Sociais na Universidade de formaram, tardiamente, um governo grego no São Paulo, e vive em Paris desde 1969. exílio no Cairo, sob os auspícios dos aliados Diretor emérito de pesquisas do Centre ocidentais. Este governo não foi reconhecido National de la Recherche Scientifique pela resistência grega, “mais eficaz do que os (CNRS). Homenageado, em 1994, com a movimentos de resistência existentes na medalha de prata do CNRS em Ciências França e na Itália (que eram mais conhecidos Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso que o movimento grego) – apenas em 1943de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a 1944 a resistência grega matou o feriu mais dialética da totalidade (2009), A teoria da de seis mil soldados alemães”. revolução no jovem Marx (2012) e Em maio do mesmo ano, representantes dos organizador de Revoluções (2009) e outros partidos políticos gregos e dos grupos Capitalismo como religião (2013), de de resistência se reuniram no Líbano, visando Walter Benjamin chegar a um acordo sobre um governo de nacional”. Apesar da EAM acusar às Capitalismo e democracia “unidade outras forças gregas de colaborar com o inimigo nazista, e apesar das acusações na Europa contra a EAM-ELAS de cometer PARTE V assassinatos, roubos e banditismo (o que era Grécia ficava reservada para o imperialismo a verdade, havida conta da direção stalinista inglês, como potencial plataforma de ataque das forças irregulares, que semeavam o terror militar ao Oriente Médio, dividido ainda em nas aldeias e vilarejos gregos), foi alcançado mandatos britânico e francês, obtidos depois um acordo formando um governo de união da Primeira Guerra Mundial. As pretensões nacional. Dos 24 ministros designados, seis do imperialismo norte-americano ao aceitar a eram filiados à EAM. O acordo foi possível Europa Oriental como uma zona de influência graças às instruções dadas pela URSS ao soviética ainda não eram claras. E tampouco KKE para que evitasse ameaçar a “união dos as de Stalin. aliados”, ou seja, defender um programa de Os objetivos e as certezas foram se revolução social. No verão de 1944, já era desenvolvendo aos poucos e, certamente, o evidente que os alemães logo estariam fora esmagamento da revolução na Grécia foi um da Grécia, pois as forças militares soviéticas momento ch a ve , pois a co n t e c e u já avançavam pela Romênia em direção à precisamente quando os EUA decidiram Iugoslávia. O governo grego no exílio, retornar à Europa. Foi exatamente quando liderado por George Papandreou, transferiuHarry Truman expôs a teoria de contenção se para Caserta, na Itália, preparando-se para (containment) da União Soviética, que deu voltar à Grécia. Conforme o “Acordo de Caserta”, firmado em setembro de 1944, início à “guerra fria”. todas as forças da resistência grega ficariam Entre 1941 e 1944, durante a ocupação sob o comando do general Ronald Scobie, nazista na Grécia, haviam surgido vários comandante das tropas inglesas. Na Bélgica, grupos de resistência de diferentes filiações na Noruega e na Grécia, os “governos reais”, políticas – de monarquistas até comunistas – as monarquias, exilados em Londres, com predomínio da Frente de Libertação retornaram a seus países junto com as tropas Nacional (EAM), organizada pelo KKE aliadas. (Partido Comunista Grego). A burguesia grega se agrupava em torno do rei George II, Após a evacuação alemã de Atenas a 12 de que se encontrava no exílio, enquanto as outubro de 1944, a ELAS se apossou do país organizações de esquerda haviam formado em nome do governo Papandreou, que um governo clandestino, apoiando-se sobre a chegou a Atenas no dia 18 seguindo o bem-sucedida organização da ELAS, que exército britânico de Scobie. Em dezembro de tinha o maior peso militar na resistência 1944, após o fim da ocupação nazista na antifascista. A EAM, controlada pelo KKE, Grécia (em alguns casos, como em Creta e contava com aproximadamente dois milhões outras ilhas do Mar Egeu, guarnições alemãs de membros em 1944. A ELAS, seu braço permaneceram sob o controle até maio e até junho de 1945, quando Alemanha já havia militar, fora fundada em fevereiro de 1942. assinado a capitulação em Berlim), o governo Devido a isso: “No início de setembro de monárquico no exílio retornou. Apesar da 1943, Churchill visualizou a possibilidade de forte inserção da EAM na Grécia, os uma intervenção das tropas britânicas para monarquistas, com a ajuda do Reino Unido, impor um governo que entrasse em acordo conseguiram manter sob o seu controle as com os desejos e interesses ingleses. Mas, cidades de Atenas e Tessalônica. Os para realizar este plano, Churchill precisava comunistas controlavam praticamente todo o da concordância de seus dois parceiros na restante do país. Logo depois da derrota e da guerra, Roosevelt e Stálin. Oferecendo evacuação (expulsão) nazista do país, na concessões a Stálin em outras partes dos Grécia foi gritante a contradição entre as Bálcãs, particularmente na Romênia, decisões tomadas pelos aliados e as tomadas Churchill tentava manejar a Grécia pela ELAS (Exército Democrático da Grécia), livremente”.[13] Grécia, chave e porta de que aqueles se esforçavam em aniquilar. Em acesso ao Mediterrâneo oriental, era vez de integrar a ELAS no novo exército, Por: Michael Löwy Papandreou e Scobie exigiram o desarmamento das forças de guerrilha “irregulares”. Os seis membros da EAM do novo gabinete demitiram-se em protesto. Houve confrontos violentos em Atenas depois de 200.000 marcharem contra essas exigências. A Lei Marcial foi declarada a 5 de dezembro, dois dias depois do massacre de Syntagma. O general Scobie, em superioridade militar, aceitou um cessar-fogo em troca da retirada da ELAS de Atenas. Finalmente chegou-se a um acordo, o “Pacto de Varkiza”, assinado pelos partidos políticos gregos, em fevereiro de 1945, sob a pressão britânica e da URSS. O acordo previa a completa desmobilização da ELAS e de todos os grupos armados resistentes, a anistia para crimes políticos, a realização de um referendo para decidir o futuro da monarquia e eleições legislativas: “A resistência grega teve o mesmo caráter revolucionário da iugoslava e adquiriu um vigor comparável ao desta. Em finais de 1944, era praticamente a senhora do país. A direção do PC grego, porém, não soube ter a mesma firmeza, diante das pressões de Moscou, dos iugoslavos. Fez graves concessões à política de ‘união nacional’ e aceitou compromisso com os aliados que facilitaram o êxito da intervenção armada inglesa contra a revolução grega. O acordo Churchill-Stálin, de outubro de 1944, encarregou-se do resto”. Enquanto os aviões ingleses ainda metralhavam a população ateniense, “o governo soviético nomeava um embaixador junto ao governo monárquico grego. E, na Conferência de Yalta, mal terminado o combate entre os intervencionistas e os resistentes, Stálin declarava: ‘Confio na política do governo britânico na Grécia’. O acordo de Varkiza foi utilizado pelos imperialistas ingleses e a reação grega para restabelecer o poder monárquico e desencadear uma repressão terrorista contra as forças operárias e democráticas”. O regente da Grécia, Arcebispo Damaskinos, e os monarquistas, concordaram em realizar as eleições legislativas sob a supervisão das tropas aliadas. O KKE continuaria legal. Em abril de 1945 seu líder, Nikos Zachariadis, retornou do campo de concentração de Dachau, na Alemanha, e declarou que o objetivo do KKE era uma “democracia popular” a ser obtida por meios pacíficos. O Pacto de Varkiza, imposto por Stalin, significou uma grande derrota política, mais do que militar, para o KKE. Segundo o pacto, só os crimes políticos seriam anistiados. Muitos atos de resistência cometidos durante a ocupação alemã foram considerados crimes comuns e, portanto, excluídos da anistia. Em consequência, 40 mil comunistas ou antigos membros da ELAS foram presos: muitos partisans veteranos esconderam suas armas nas montanhas e cinco mil deles escaparam para a Iugoslávia. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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