Revista Comando Rock 112

 

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Revista com entrevistas, resenhas e muito mais sobre rock e heavy metal

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Editor Marcos Filippi Repórteres Antonio Rodrigues Junior Paula Fabri Renan Marchesini Traduções Paula Higa Jornalista Responsável Marcos Filippi (MTB 24.477) Correspondentes Londres Denis Augusto Fabrício Tramontin Miguel Freitas Barcelona Mauricio Melo Colaboradores Alexandre Macia André Fiori Adriano Coelho Bruno Juliano Fernando Guilherme Ferreira Heverton dos Santos Márcia Helena Naldinni Marcio Carlos da Silva Marcos Franke Roberto Nartes Sandro Walterio Fotógrafos Aline Messias Flávio Hopp Vivi Carvalho Wanderley Perna Editor de Arte Wanderley Perna www.wanderleyperna.com.br Publicidade E Anúncio comandorock@comandorock.net Tel.: 11 5093-9490 Assinatura comandorock@terra.com.br Impressão e Acabamento Print Express _______________________________ Comando Rock – A Revista + Rock do Brasil é uma publicação mensal da Editora 9 de Julho Ltda. Todos os artigos aqui publicados são de responsabilidade dos autores, não representando necessariamente a opinião da revista. Proibida a cópia ou reprodução (parcial ou integral) das matérias, transcrições e fotos aqui publicados. Ninguém está autorizado a vender assinaturas da revista, a não ser diretamente com nosso Departamento Administrativo, respondendo à mala direta da editora ou acessando diretamente nosso site. Redação e Correspondência: Rua Arizona, 729 – Brooklin – São Paulo/SP – CEP: 04567-002. Tel.: 11 3895-2029 Curtas do Rock ....................................................4 Excomungados ....................................................8 Aquiles Priester & Gustavo Carmo.....................12 Marillion .............................................................16 David Gilmour ....................................................18 Amon Amarth ......................................... 20 Bullet ...................................................................22 Sebastian Gava ...................................................24 Independentes...Por Enquanto ..........................26 Guia de Lançamentos CDs .................................28 Estivemos Lá ......................................................34 COELHINHO DA PÁSCOA, QUE TRAZES PRA MIM? Olá roqueiros. Um pouco antes da Páscoa, estava em uma grande rede varejista fazendo umas compras quando surgiu ao meu lado um casal e uma criança de aproximadamente uns cinco ou seis anos. Mesmo sem querer, não pude deixar de ouvir a conversa entre o filho e seus pais, que perguntaram o que ele gostaria que o coelhinho trouxesse-lhe de Páscoa. Sem hesitar, o garotinho (vestindo uniforme de um dos melhores colégios de São Paulo) respondeu prontamente: um Playstation! O pai, então, disse que ele já tinha ganhado o videogame do Papai Noel no Natal. “Então um ovo gigante de dinossauro de chocolate!”, respondeu o menino. O pai achou graça da espontaneidade e da sinceridade do menino (assim como eu) e retrucou: “como você é um bom menino, educado e estudioso, o coelhinho vai trazer um ovão enorme pra você!”. Depois disso, a família foi para um lado e eu para o outro, continuando minhas compras. Quando saí da loja e fui pegar meu carro para ir embora, não pude deixar de notar outra cena “parecida, mas totalmente oposta”. Duas crianças – um menino e uma menina, aparentemente irmãos, com idades que deveriam ser entre quatro e seis anos – brincavam sentados na calçada. O garoto empurrando um caminhão de plástico sem rodinhas e a menina com o que um dia havia sido uma boneca. Um pouco mais adiante, uma mulher de no máximo 20 anos, provavelmente a mãe das duas crianças, tentava convencer de todas as maneiras os motoristas para que a deixassem lavar o vidro de seus carros em troca de umas moedas. Peguei meu carro para voltar a minha casa, mas as duas cenas não saiam da minha cabeça. Como este mundo é injusto. Por que o coelhinho, assim como o Papai Noel, só entrega seus presentes para certas crianças e para outras não? Por que as duas crianças que estavam sentadas do lado de fora da loja não tiveram, com certeza, a mesma Páscoa que o garotinho que sonhava com um ovo de chocolate de dinossauro teve? Evidente que no mundo todo existem ricos e pobres. Seria uma utopia enorme de minha parte desejar, ou mesmo imaginar, um mundo totalmente igual. Mas, queria realmente que o coelho da Páscoa não fosse tão injusto. Que, se ele não pudesse entregar ovos de chocolate para todas as crianças, que pelo menos fizesse uma “mágica” e arrumasse um emprego para a mãe daquelas duas crianças. Provavelmente, a moça que lavava os vidros dos carros foi uma entre os quase um milhão de brasileiros que perderam o emprego desde que a crise econômica e política começou no ano passado. Trabalho este que, talvez, tenha sido cortado de uma das inúmeras empresas que fecharam suas portas e, consequentemente, acabando com o sonho de um empreendedor honesto, gerador de empregos e pagador de quilhões de impostos. Possivelmente aquela mulher trabalhadora, que faz o que pode para sustentar seus filhos, não tem onde deixar as crianças enquanto tenta arrumar alguns trocados nas ruas. As dezenas de creches prometidas há quatro anos não foram construídas. Assim como os hospitais e as escolas. Vários dos remédios do projeto “Farmácia Popular” já não estão mais disponíveis devido ao corte de gastos prometido pelo governo federal. Ou mesmo aqueles remédios de suma importância para milhares de doentes crônicos que eram fornecidos em postos de saúde sumiram há meses das prateleiras e não tinham previsão de chegada. Mesmo que os dois filhos daquela mulher que lava os vidros dos automóveis estivessem (ou mesmo que estejam) matriculados em alguma escola estadual, estariam passando necessidades. Não apenas no (péssimo) aprendizado oferecido, mas também em relação à alimentação. Enquanto vários colégios da capital e da Grande São Paulo ofereciam “achocolatado e bolacha” como refeição, um enorme escândalo surgiu envolvendo desvio de verba na merenda escolar. Ah, coelhinho da Páscoa... Poderia fazer outra “mágica” e equipar os hospitais deste imenso Brasil com aparelhos simples como, por exemplo, aquele de Raio-X. Se não desse, pelo menos algo bem barato como seringas descartáveis, dipirona ou mesmo um básico Band AID estão faltando nos hospitais públicos. Acho que poderia fazer a mesma “mágica” que nossos governantes fizeram para arrumar dinheiro e construírem vários “elefantes brancos”, digo, estádios para a Copa do Mundo (aquela mesma que perdemos por 7 a 1 da Alemanha). Ou mesmo aquela verba um pouco mais “modesta” que está sendo desperdiçada... Quero dizer, investida... Para a realização das Olimpíadas. Bem que você, coelhinho, e o Papai Noel poderiam unir forças para derrotar um zika de um aedes aegypti e sua dengue chikungunya. Pelo aumento alarmante do número de casos destas doenças (inclusive o de mortes causadas por elas), ao contrário do que a presidente bradou aos sete ventos, “o mosquito está provando que é mais forte que toda uma nação”. Que bom coelhinho se todos nós (eu, você que está lendo a Comando Rock, aquele casal com seu filho dentro da loja e a mulher com suas duas crianças na rua) tivéssemos a mesma “sorte” que nossos políticos têm. Que pudéssemos gastar quase R$ 10 mil em um único jantar com a nossa família nos Estados Unidos como certo político investigado pode. Ou, se não fosse possível isso, que pelo menos todos tivéssemos ao mínimo arroz e feijão em nossas casas e ninguém passasse fome neste rico País. Que cada um de nós também tivesse “amigos” mais que generosos e nos emprestassem um belo sítio para descansarmos em nossos dias de folga. Poderia ser em qualquer cidade: Petrópolis, Monte Verde, Campos do Jordão ou mesmo em Atibaia e Maricá. Ou, se não der, que pelo menos todos tivessem seu lugarzinho próprio para morar. Poderia ser um pequeno triplex do tipo “minha casa minha vida” ou um simples, mas digno, quarto e sala. Que ninguém precisasse morar nas ruas, embaixo de pontes ou nas discriminadas e ignoradas favelas que passaram a ser chamadas (como a cartilha do politicamente correto exige) de comunidades. Coelhinho, como seria bom se todo brasileiro tivesse a oportunidade de receber um salário igual à de um deputado federal que é de mais de R$ 33 mil mensais. Isso sem contar os benefícios como auxílio moradia, alimentação, ressarcimento de gastos médicos, aluguel de veículo e escritório e tantos outros... Somando tudo isso, o ganho mensal de um de nossos representantes federais (que soam a camisa em benefício do povo somente três dias por semana) chega a quase R$ 170 mil. Os 513 deputados da Câmara chegam a custar R$ 86 milhões ao contribuinte todos os meses. Isso dá a “mixaria” de R$ 1 bilhão por ano. Ah, tudo bem. Realmente é bem menos, mas muito menos, o valor que desapareceu como um passe de mágica da Petrobrás: algo em torno de R$ 21 bilhões (segundo estimativa do banco norte-americano Morgan Stanley). Segundo uma matéria publicada na revista Veja, estes R$ 21 bilhões dariam para comprar os imensos times de futebol Real Madri, Barcelona, Chelsea e Inter de Milão. Ou, se preferirem, duas fantasias de palhaço para cada um dos 203 milhões de brasileiros. Uma boa leitura e até a próxima edição. Marcos Filippi COMANDO ROCK - 3 E-mail: comandorock@comandorock.net Site: www.comandorock.net Fotos da Capa Amon Amarth (Ester Segarr) Excomungados (Divulgação) Marillion (Carl Glover)

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Em entrevista no Musink Festival, o baterista do Blink-182, Travis Barker , afirmou que o novo CD do conjunto está pronto. “Só falta escolhermos quais serão as 12 ou 14 músicas que vamos colocar no álbum. Acho que escrevemos umas 26 ou 27 canções, então estamos realmente discutindo quais são as favoritas”, disse Travis David Gilmour fará dois shows em Pompéia neste ano, confirmou um político. O ex-líder do Pink Floyd vai voltar a histórica cidade italiana após 44 anos da gravação do icônico Live At Pompeii. Mas, ao contrário de sua performance de 71, uma plateia estará presente, com a capacidade máxima de somente duas mil pessoas para cada uma das noites. O ministro da cultura italiano, Dario Franceschini, usou o Twitter para divulgar a notícia: “Conseguimos um acordo. Após 45 anos, David Gilmour vai tocar novamente em Pompéia, em 7 e 8 de julho”. Gilmour está atualmente em turnê de divulgação de Rattle That Lock, que foi lançado no ano passado Em maio, um concerto/filme do Kiss será mostrado nos cinemas do mundo todo por somente um dia. O Kiss Rock Vegas será exibido em cinemas selecionados em 25 de maio e alguns locais terão disponibilidade do Dolby Atmos áudio. O show foi gravado durante a residência da banda em 2014 no Hard Rock Hotel, em Las Vegas. Paul Stanley disse: “Venha nos assistir nas telonas com o incrível poder do som surround. Sinta como se você estivesse em Vegas e não seja tímido, grite bem alto”. O baixista Gene Simmons adicionou: “Junte-se a nós para essa louca noite em nosso cinema”. Ingressos e horários ainda serão disponibilizados através do site oficial da banda Com mais de 30 anos de estrada, o Mundo Livre S.A. (criador do movimento mangue bit ao lado de Chico Science & Nação Zumbi), se rendeu ao DVD graças ao apoio dos fãs. “Foi resultado de um enorme esforço coletivo, uma espécie de mutirão envolvendo gente de várias regiões”, disse o vocalista Fred Zeroquatro. “Tudo na base da colaboração com profissionais que, além de muito talentosos, eram fãs da banda”. Gravado em São Paulo, no Sesc Belenzinho, o DVD e CD Mangue Bit ao Vivo traz 17 faixas. Entre o repertório variado estão grandes sucessos como “Meu Esquema”, “Mexe Mexe”, “O Seu Suor é o Melhor de Você”, “Computadores Fazem Arte” (todos em novos arranjos) e a inédita “Loló Luiza”. Mangue Bit ao Vivo foi financiado primeiramente pelos fãs através da Internet (Catarse) e depois executado com apoio do Sesc Belenzinho. Será lançado através do selo Coqueiro Verde Durante entrevista ao El Liberal da Argentina, Steve Harris falou sobre o segredo do Iron Maiden se manter há tanto tempo na estrada e atuando de forma bem sucedida. E adiantou 4 - COMANDO ROCK 4 - COMANDO ROCK De acordo com o AC/DC Brasil, a apresentação que o AC/DC realizou em 15 de setembro do ano passado, no Wrigley Field, em Chicago, nos Estados Unidos, já está sendo mixada pelo engenheiro de som da banda, Mike Fraser, que informou estar trabalhando em um DVD intitulado Live At Wrigley Field. Ainda não foi divulgada oficialmente uma possível data de lançamento. Em outra nota, o site diz que, ao que parece, o grupo foi a Los Angeles ensaiar com o novo vocalista convidado, que deve ser anunciado em breve. Brian Johnson continua afastado do conjunto devido a seus problemas na audição que o fim do grupo não está longe: “Não há um segredo. No fim das contas fazemos o que as pessoas gostam, que por sorte é o que gostamos também. Somos muito afortunados. Temos fãs muito fiéis que fazem tudo pela banda, compram os discos ou ouvem no Spotify, nos veem como se fôssemos uma banda nova. Estamos nisto há muito tempo, sabemos que o fim de nossa carreira se aproxima. Foi uma longa jornada. Por sorte nossos fãs ao redor do mundo ainda nos seguem”. Falando na banda, o baterista Nicko McBrain passou por uma situação desagradável algumas horas antes da apresentação do grupo na Cidade do México, no mês passado. De acordo com informações do jornal Reforma, para relaxar antes do show, McBrain decidiu sair das dependências do hotel e em seu caminho teria encontrado diversos fãs do Iron Maiden, que o aguardavam para fotos e autógrafos. Após ser puxado de maneira brusca por um deles, o músico teria se irritado e tentou voltar a seu quarto. Mas, em vez de tomar o elevador, decidiu ir por uma escada. Em seu caminho, três seguranças do hotel o impediram de seguir em frente, pois achavam que se tratava de um mendigo. “Não me f...! Estão me perguntando quem eu sou, o que eu quero, como se eu fosse um criminoso. Eu sou um homem velho, eu sei bem o que eu quero! Não falei nada, nem que estou hospedado aqui. Eu vou reclamar!”, afirmou Nicko McBrain O projeto Brasil Heavy Metal é uma iniciativa multimídia idealizado e realizado por Ricardo “Micka” Michaelis e conta a história do estilo no País. O pano de fundo para o desenrolar do documentário é o fim da ditadura militar e o alvoroço provocado pelo Rock In Rio I, em 85. A meta proposta pelo projeto era de R$ 80 mil e foi atingida com êxito no meio do mês passado. Micka realizou mais de 80 entrevistas captadas em todo o País. Músicos, jornalistas, lojistas, radialistas, empresários, críticos musicais, fãs, imprensa especializada, fabricantes de instrumentos, todo mundo que fez parte e foi importante na cena do heavy metal no começo está no filme. O documentário se transformou um em um longa-metragem com produção caprichada e com uma música tema composta pelos integrantes da banda Stress e que será cantada por vários vocalistas importantes do cenário nacional. Entre os participantes como músicos ou como entrevistados estão Igor Cavalera, André Matos, Jack Santiago (Harppia), China Lee (Salário Mínimo), Marcello Pompeu (Korzus), Nilton Cachorrão Zanelli (Centúrias) e muitos outros. Mais informações no site www.brasilheavymetal.com Mike Portnoy (The Winery Dogs, Flying Colors, Transatlantic, Twisted Sister) postou em sua página do Facebook um comunicado aos fãs, dizendo que já está se reunindo com Neal Morse e sua banda para gravar o novo disco do multi-instrumentista. Tarja Turunen, ex-vocalista do Nightwish, vai lançar um novo álbum de heavy rock dia 5 de agosto pela gravadora earMUSIC. Descrito por ela como seu trabalho mais pesado, The Shadow Self já está disponível para préordem em vários formatos, incluindo uma edição especial em CD+DVD

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Foram publicados na revista Frontiers In Human Neuroscience (respeitada publicação dedicada a entender os mecanismos do cérebro) os resultados de uma pesquisa em conjunto com a Universidade de Queensland (Austrália) com a seguinte conclusão: ouvir metal pode deixar as pessoas mais inspiradas e calmas. Fizeram parte da pesquisa 39 fãs de metal com idades entre 18 e 34 anos. Enquanto eles eram expostos às músicas seus batimentos cardíacos eram monitorados por aparelhos. Ao final das sessões, os participantes deveriam responder algumas perguntas dos pesquisadores sobre momentos em que já sentiram muita raiva (brigas, discussões, etc.). Segundo os coordenadores da pesquisa, Genevieve Dingle e Leah Sharman, os diferentes tipos de estilos de metal despertaram nos participantes durante as sessões emoções positivas como confiança, calma e, consequentemente, felicidade. Porém, na hora de responder aos questionários com as perguntas, os participantes se mostraram mais irritados e inquietos. A conclusão dos pesquisadores foi que a música extrema (termo usado por eles) ajuda a descarregar as emoções negativas vivenciadas no dia-a-dia Durante conversa com a Alternative Press, Kirk Hammett confirmou quem será o produtor do novo álbum do Metallica, o sucessor de Death Magnetic, de 2008. “Não tenho ideia do que será o resultado final disto. Não trouxemos nenhum outro produtor e dificilmente contaremos com algum outro. Na verdade, o título de produtor é algo um tanto quanto ambíguo, muda de pessoa para pessoa. Você pode dizer que Rick Rubin é um produtor, mas ele não é o mesmo tipo de produtor que é o Bob Rock, que está ali em cima checando nota por nota. Greg Fidelman (que foi engenheiro de som de Death Magnetic) é um tipo diferente de produtor, pois fica o tempo todo com o engenheiro de som trabalhando para o projeto seguir adiante. Se formos para o hip-hop, temos o exemplo do Dr. Dre, que é o tipo de produtor que na verdade cria as bases e compõe. Se formos considerar o que se espera tradicionalmente de um produtor, estamos produzindo intensamente com Greg (Fidelman), com quem é um prazer imenso trabalhar. Embora ele seja meio centralizador, ele ouve o que você tem a dizer, é superflexível e sabe como contornar as coisas sem irritar as pessoas” Mari Kawaguchi, namorada de Keith Emerson, foi quem encontrou o corpo do lendário tecladista do Emerson, Lake and Palmer morto na sexta-feira, 11 de março, após retornar para o apartamento que eles dividiam em Santa Monica, na Califórnia. O caso está sendo investigado como um suicídio cometido com arma de fogo. Mari contou ao Daily Mail o suposto motivo do ato cometido pelo músico: “Sua mão e braço direito vinham apresentando problemas há anos. Ele fez uma cirurgia para tentar reconstruir os movimentos, mas a coisa estava piorando cada vez mais. Ele tinha shows marcados para o Japão 6 - COMANDO ROCK 6 - COMANDO ROCK Durante participação em evento televisivo em Birmingham, Tony Iommi disse que gostaria que o Black Sabbath, que está fazendo sua derradeira turnê chamada de The End e deverá passar pelo Brasil em dezembro, fizesse a última apresentação da carreira na cidade natal da banda. “Seria muito bom se pudéssemos terminar aqui em Birmingham, que representa muito para nós. Foi onde tudo começou, embora a gente sempre fique um pouco nervoso de tocar aqui”. O guitarrista ainda confirmou a possibilidade de ser lançado um trabalho ao vivo, pois está sendo filmada muita coisa desta atual turnê, e disse ainda que continuará tocando, apenas não consegue mais fazer longas turnês. Por falar na banda inglesa, uma petição on-line está tentando transformar o clássico “War Pigs” no novo hino dos Estados Unidos. De acordo com o autor da campanha, Shannon Madden, a faixa reflete o atual estado da nação. Até o meio do mês passado, quase duas mil assinaturas já haviam sido recolhidas e, apesar de contar com um tecladista extra para ajudá-lo, ele estava muito preocupado. Lia as críticas online e se influenciava com isto. No ano passado ele fez shows e fizeram comentários como ‘acho que ele deveria parar de tocar’. Ele se atormentava com a ideia de não ser bom o suficiente, tanto que planejava se aposentar depois desta turnê pelo Japão. Não queria decepcionar seus fãs, ele era perfeccionista e saber que não poderia tocar mais tão bem o deixava depressivo, nervoso e ansioso” Ainda em meio às comemorações dos 20 anos de seu primeiro e autointitulado álbum, o Garbage anunciou (por meio de seu Twitter) que seu sexto trabalho, chamado Strange Little Birds, chegará às lojas em 10 de junho. A vocalista Shirley Manson disse, através de um comunicado de imprensa, que “este álbum tem mais a ver com o primeiro álbum do que qualquer um dos outros”. A ruiva também descreveu Strange Little Birds como um disco “romântico”. Ela esclareceu: “não acho que qualquer um dos outros álbuns seja romântico. Eu de fato nunca pensei no termo romântico, mas este disco é provavelmente o mais próximo que cheguei deste termo”. O grupo também anunciou uma turnê, entre maio e agosto, onde, deverá apresentar as canções do novo álbum Quando Lita Ford gravou seu álbum Dancin’ On The Edge (84), em Nova York, Jon Bon Jovi e Richie Sambora estavam gravando por perto e passavam por lá com frequência. Depois de uma noite na casa noturna Traxx – com a melhor amiga de Ford, Toni, e o tecladista Aldo Nova também no meio – Ford levou todo mundo para seu quarto no Broadway Plaza Hotel. Lita e Bon Jovi estavam se pegando em uma cama e Sambora e Toni em outra, enquanto Nova “assistia, bebendo vinho tinto, enquanto tentávamos encaixá-la no meio também”. O vinho afetou Bon Jovi, que “começou a vomitar no canto do quarto, bem em cima do carpete da suíte”. Naquela altura, Toni teve um ataque de generosidade. “Toni saiu de cima de Richie”, escreve Ford, “tipo dizendo ‘aqui, Lita, prova o meu’. Então fui para a cama com Richie”. O quarto então virou uma cena do filme Calígula. “Richie Sambora é o rei do swing, eu devo dizer”, escreve Lita em seu novo livro de memórias, Living Like a Runaway. “Jon recuperou-se do vômito e entrou no meio da festa. Virou uma farra de mulher com homem no Broadway Plaza Hotel” Roger Glover disse, em postagem online, que após 13 dias de pré-produção e 13 dias de gravação, o Deep Purple tem 13 músicas prontas, faltando apenas o vocal. “Coincidência ou o quê? Quantas estarão no álbum ainda é difícil de dizer. Não vou descrever a música, algo impossível de minha parte. O que posso dizer é que estou ouvindo as bases ainda cruas com sorriso no rosto. Bob Ezrin e a equipe fez um trabalho fantástico como sempre. O próximo passo será Gillan e eu passarmos uma semana trabalhando nas letras antes de gravar os vocais em Toronto, no mês de abril”

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O grupo paulistano Excomungados, que já ganhou a alcunha de ser a pior banda de rock do Brasil, está com um trabalho novo no mercado. Excomungados no Nirvana, o quarto álbum de estúdio da banda, chega às lojas depois de pouco mais de dois anos de Expulsos do Purgatório. No mais perfeito estilo punk (seja musicalmente seja na forma de agir), Gabriel Sossai, Xines, Fabio Sarjeta e Pekinez Garcia – que saiu recentemente do quarteto para se dedicar a Igreja Punk (uma espécie de continuidade dos Excomungados) – mostram neste novo trabalho que a banda continua sendo ácida e polêmica, principalmente em suas letras. Ataques à religião, educação pública, corrupção e problemas do cotidiano são abordados no CD. “Vivendo no Kaaos” retrata o que “Pastor” Pekinez viveu morando nas ruas, onde invadia casas para dormir. “A Escola É uma Gaiola” é contra a escola atual oficial. Entre os convidados especiais do álbum estão Spaghetti (ex-baterista do Ratos de Porão), Miro de Melo (365 e Lixomania), o humorista Rick Regis (o gaguinho “Sá Silva”, da Escolinha do Gugu) e Dud (Herdeiros do Ódio e Junk Terror). Mas, o Excomungados não é apenas punk na música. Seus integrantes seguem a linha pregada pelo movimento surgido nos anos 70. Ou seja, protestam contra tudo e contra todos que acham de errado na sociedade e, muitas vezes, acabam sendo perseguidos por vários setores e até mesmo por seus “compatriotas” punks. Aliás, polêmica é o que não falta na história do conjunto. Desde detenções por arruaças, porte de drogas e envolvimento em manifestações digamos, pouco pacíficas contra o governo, a performance pouco “ortodoxa” de Pekinez nos shows, quando se apresenta pelado, faz discursos contra a Igreja e o governo, rasga Bíblias e acaba cuspindo e jogando cerveja no público. Nesta entrevista exclusiva a Comando Rock, os quatro integrantes falam sobre o novo álbum e das polêmicas que cercam a banda. 8 - COMANDO ROCK

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Comando Rock: Como foi o processo de composição e gravação de Excomungados no Nirvana? Frei Gabriel Sossai: Foi muito louco, igual a gravação do Expulsos do Purgatório. Bispo Xines: Bêbados, sujos e drogados se juntavam, ensaiavam e gravavam em duas horas cada música. Composição e ensaio na primeira hora. Na segunda, gravação. Tudo a base de álcool e drogas. Após as gravações, garotas, drogas, álcool e punk rock nas caixas (risos). Pastor Pekinez Garcia: Fiz a música “Vivendo no Kaaos” falando sobre uma experiência pessoal. E “Ao Capital e Seguidores”, em forma de carta aberta. Algumas fizemos na hora e outras foram novas versões de canções do Excomungados tocadas desde os anos 80. Padre Fabio Sarjeta: Pensava numa base, mostrava a levada para o baterista, ensaiava uma vez e REC. As músicas que participei duraram uma hora para compor e gravar. A mágica mesmo é por conta do Ricardo, o cara que produziu. Colocar tudo no tempo certo, para uma banda que não canta no tempo certo e que não sabe nem afinar instrumentos, é coisa de gênio. Quais as principais diferenças entre Expulsos do Purgatório (2013) e Excomungados no Nirvana? Frei Gabriel Sossai: Esse disco teve mais energia e espontaneidade. Pastor Pekinez Garcia: Acho que o último ficou mais agressivo e a participação do Falcão foi fantástica, algo que faltou no anterior. Padre Fabio Sarjeta: Quase nenhuma. Só mudaram as letras, arranjos e participações. Na verdade, os dois CDs foram gravados no mesmo período. Primeira Vez no Paraíso, o 2º tempo era Pela Última Vez no Inferno e o 3º tempo viria com o Expulsos do Purgatório. Depois da trilogia iríamos acabar com a banda. Mas aí veio esta “prorrogação”. O nome Nirvana tinha tudo a ver com o histórico dos nomes dos discos. Para mim foi o último trabalho na banda. Não estarei presente na “disputa de pênaltis”. Queria que falasse sobre as letras do novo álbum. Frei Gabriel: Falam desde o movimento punk até o movimento sem cueca. Tem música que fala da escada rolante da galeria que vive quebrada... Bispo Xines: Falam de caos, loucura, cotidiano dos punks, do centro da cidade. Em “Vivendo no Kaaos” o Pastor Pekinez retrata o que ele viveu morando nas ruas, onde ele invadia casas para dormir e jantava drogas. “Me Exportem” é uma versão nova e mais pesada do que a gente gravou no começo dos anos 80. “A Escola É uma Gaiola” escrevi contra a escola atual oficial, que é horrível, tipo uma cana para alunos. Padre Fabio Sarjeta: Sobre o cotidiano, desde convicções ideológicas punks até a tiração de onda e provocações de punks bêbados e drogados. O novo álbum contou com a participação de alguns convidados especiais como Spaghetti (ex-baterista do Ratos de Porão), Miro de Melo (365 e Lixomania), o humorista Rick Regis (o gaguinho “Sá Silva”, da Escolinha do Gugu) e Dud (Herdeiros do Ódio e Junk Terror). Como surgiram os convites para eles participarem do CD? Bispo Xines: Pessoas conhecidas e legais. Todos os participantes desse disco e os do Expulsos do Purgatório ficaram muito loucos juntos no centro da cidade. Por outro lado fizemos um role inesquecível com os finlandeses do Lama, mas ficamos tão loucos que nos esquecemos de convidá-los (risos). Padre Fabio Sarjeta: Chamei o Falcão e o Marcos Rossini, ambos são da formação original da banda. O Rafael e o André trabalharam comigo na banda Sarjeta, participaram porque estavam no estúdio no dia da gravação. Excomungados é uma banda coletiva e precisamos de alguém que saiba tocar, pois nós somos um fiasco. A banda paulista punk “mais punk” do País, que consegue se envolver em mais polêmicas do que políticos brasileiros, está lançando seu novo álbum Excomungados No Nirvana BRUNO JULIANO Por que escolheram Excomungados no Nirvana como título do novo CD? Bispo Xines: A verdade é que queria ver se vende mais e realmente está funcionando. Falo que é o ultimo do Nirvana e a turma dá risada e compra. Também porque no fim de semana todo mundo quer estar no seu Nirvana. E é meio que uma homenagem mesmo, uma homenagem zumbi. Pastor Pekinez Garcia: Eu tinha pensado no nome Caixa de Pandora, daí o Bispo Xines apresentou essa outra ideia. Daí optamos por No Nirvana. Padre Fabio Sarjeta: A ideia durante anos A arte da capa do novo disco traz uma era fazer uma trilogia: O 1º tempo era o Pela foto do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, morto em cima de uma mesa e, ao seu redor, zumbis vestidos de padres e freiras. Qual a intenção desta capa e qual mensagem quiseram passar com ela? Frei Gabriel: A ideia é que a humanidade está chegando a um estado decadente. O ser humano está passando por uma metamorfose onde acabará chegando ao próprio lugar de onde ele veio e esse lugar é chamado de “O Homem Animal”. Bispo Xines: Vivemos em uma sociedade zumbi, de mortos vivos e viciados no mundo tela. A religião é um delírio coletivo e, para mim, as freiras têm sempre um clima sensual ou sadomasoquista. A capa faz uma homenagem ao nosso projeto paralelo Igreja Punk, onde acredito que só a Igreja Punk salva. Padre Fabio Sarjeta: Nirvana significa a ausência de insatisfação atingida após a morte do corpo físico e a capa ironiza tudo: desde crenças religiosas até a famosa banda de Seattle, mesmo que por incrível que pareça respeitemos o budismo e até alguns aqui curtem Nirvana. Marcelo Januário é nosso gênio das capas de nossos CDs. Ele acompanha a banda e consegue fazer com que a arte nos encartes possa traduzir nossa insana forma de pensar e agir. Durante as gravações do novo CD a banda teve problemas internos, com desavenças entre alguns integrantes. O que ocorreu de fato? Bispo Xines: Foi um mal entendido entre as partes. Excesso de álcool e drogas por dias e noites consecutivas ajudou no clima caótico. Uma vez estávamos saindo do estúdio e uns caras levaram uma com a gente e, quando vimos, o Pastor Pekinez estava enforcando um cara no chão. O Frei Gabriel teve que dar socos na cara dele para ele largar o cara e não passar dos limites. O Henrique estava correndo atrás COMANDO ROCK - 9

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de outro cara e eu estava ali tentando entender aquilo tudo. Não lembro agora onde o Padre Fabio estava. Mas, no final, a briga incluiu até mendigos e camelôs. Teve alguns mal entendidos também como, por exemplo, quando o Pastor Pekinez saiu na Revista Vip com o Toninho do Diabo e rolaram alfinetadas de todos os lados. Mas isso foi somente uma desculpa para o excesso de loucura e autodestruição. Pastor Pekinez Garcia: Teve um lado engraçado também. Uma vez fomos tocar na semana do Natal, no Interior de São Paulo, em Santa Gertrudes, e, após o show, brigamos por causa do cachê e a discussão foi hardcore. O Gabriel e eu saímos do posto de gasolina onde paramos para discutir e comer e encontramos um Papai Noel inflável gigante. Pegamos o canivete do bolso e descontamos a raiva nele. Voltamos em seguida ao carro e, quando olhamos para trás, o Papai Noel estava murchando e parecia um bonecão do mal morrendo como se fosse num filme de terror. Olhamos todos uns para os outros e caímos na gargalhada. Tinha miado a treta (risos). Os Excomugados sempre tiveram problemas em manter a mesma formação. Por qual motivo? Frei Gabriel: Porque ninguém está a fim de tocar no Excomungados. Essa é a real. Bispo Xines: Achamos dificuldades em encontrar quem aguente viver na loucura. E também o baterista é sempre o mais complicado de lidar e de arrumar. Aliás, o Henrique Morgan saiu da banda no show retrasado. Pekinez Garcia: Recentemente entrou um outro baterista chamado Charlie Morgan, que se apresentou falando em inglês e que era baterista do Elton John. Ele teve uma chance e estreou no dia da gravação de um videoclipe da banda. Procure por ele na Internet, principalmente nos noticiários e páginas policiais e descubra mais (risos). Padre Fabio Sarjeta:Esta sempre foi a proposta da banda: uma banda comunitária. Todos podem chegar e participar. strip, outros não gostaram dele comer e rasgar a Bíblia. Porém, algumas minas punks gostaram... Num show anterior, o Pastor Pekinez estava pelado e jogou uma garrafa de cerveja no público. Por pouco um caco não cortou o pé da mina de um cara de uma gangue. A garota chegou a mim após o show e disse: “Sorte que ele tem o p... bonito”. Acho que ele causou polêmica. É isto. Pastor Pekinez Garcia: Lembro apenas que estava deitado no palco enfiando a cabeça no bumbo da bateria. Quando me virei eu vi o Fabio bloqueando uns caras e me protegendo. Eu ia tomar nas costas. Só tenho a agradecer ao Fabio Sarjeta. Em 2013, Pekinez e Bispo Xinês fundaram o coletivo Igreja Punk. Queria que falassem um pouco sobre este projeto e o que ele realiza? Pastor Pekinez Garcia: Surgiu como coletivo libertário para nos identificarmos nas manifestações. Depois virou uma banda, uma espécie de Excomungados dois, devido às brigas internas nos Excomungados. Agora é as duas coisas. quem se envolve. Para mim, a música e a arte são armas poderosas e devem ser usadas, não apenas nos palcos ou nos estúdios, mas também nas ruas, nos becos, nos porões e nas assembléias. Padre Fabio Sarjeta: Eu fui a dois destes famosos protestos de 2014. Um estava cheio de nazistas, o outro tinha um otário com um cartaz escrito “menos tarifa, mais ...” se referindo ao órgão sexual feminino. Machismo entre outras bizarrices, bandeira do Brasil para todo lado. Sou internacionalista, não tenho simpatia por esta bandeira, muito pelo contrário. Achei uma micareta reacionária, modinha pura, mas achei muito interessante a ação dos Black Blocks. Eles me representam. Fiquei sempre ao lado deles e dos punks e bem longe das “famílias de bem” que tiravam selfies com policiais militares. Fiquei na dúvida se era um protesto libertário ou um protesto pró-fascismo. Apesar de estes protestos terem ficado na história do País, pouca coisa mudou em relação à corrupção no Brasil. Na opinião de vocês, por que as manifestações de dois anos atrás não resultaram em nenhuma (ou quase nenhuma) mudança neste sentido em nosso País? Bispo Xines: Moramos na cidade e participamos sim. Por que não mudou? Sempre muda algo, houve conquistas. Pastor Pekinez Garcia: Mudou a forma de se organizar, onde acrescentamos as redes sociais como meio de comunicação e divulgação. Mas, por outro lado, isso é usado pelos dois lados. Mudou que agora o povo discute mais sobre política, alguns a favor do governo, outros contra. Porém, as pessoas agora discutem algo que não acontecia antes. Mas, em termos de mudança no cenário geral, referente à governança, não adianta mudar de governo. Tem que mudar para uma organização sem governo, mas esse caminho parece longo. Padre Fabio Sarjeta: Somos controlados por tudo que não presta: cristianismo, mídia, partidos políticos etc. O País surgiu de católicos e jesuítas saqueando este território, dizimando os nativos, escravizando negros. Pouca coisa mudou. A alienação e comodismo é o pior fator. Nunca iremos obter melhoras significativas enquanto estivermos presos a estes conceitos arcaicos. Para mim é daqui para pior. Em um dos protestos em que participaram, Bispo Xinês e Pekinez foram até a Catedral da Sé e penduraram uma bandeira da Igreja Punk nos anjos que adornam o templo cristão. Muitas pessoas, estudantes e integrantes de grupos sociais acabaram lotando a Praça da Sé e houve tumulto com a polícia. O que ocorreu naquele dia? Pastor Pekinez Garcia: Tínhamos avisado pelas redes sociais que estaríamos lá. A ideia de subir nos anjos surgiu na hora. A polícia tentou dispersar e haviam jagunços infiltrados. Como sabíamos que tinham infiltrado jagunços contratados para causar tumulto e invalidar o nosso direito de expressão, tentamos juntar apenas conhecidos e conhecidos de conhecidos. Começamos a molhar lenços no vinagre e cobrir o rosto, prevendo que eles jogariam gás de pimenta. Então a polícia Durante as gravações de Excomunga- tentou tomar os lenços e as garrafas de vidos no Nirvana, Pekinez Garcia sofreu nagre e aí começou a confusão. uma tentativa de esfaqueamento por parte de alguns integrantes de gru- Vocês também participaram ativapos punks contrários à performance mente dos protestos contra o governo da banda nos palcos (quando Pekinez e a corrupção em 2014. Qual a importoca pelado e rasga Bíblias). Conte tância de um grupo musical punk se um pouco sobre este atentado. envolver nestas manifestações? Bispo Xines: Foi um mal entendido. Al- Pastor Pekinez Garcia: Quem não se Na opinião de vocês, o que poderia ter guns punks tradicionais não gostaram do envolve com a política é manipulado por sido feito diferente ou ainda pode ser 10 - COMANDO ROCK

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feito para que estas mudanças ocorram? Bispo Xines: O passado é imutável, o presente é incerto e o futuro imprevisível. Pastor Pekinez Garcia: Falo sobre isso na letra “Ao Capital e Seguidores” onde o que tem que ser mudado é a organização social. Hoje somos organizados em pirâmide. Só haverá justiça social quando nos organizarmos de igual para igual, na horizontal, onde todos lideram sem líderes. Sobre o passado, erramos ao não evitar que bandeiras e partidos se infiltrassem nas manifestações. Agora eles usam essa participação clandestina, pois não foram convidados nem são bem-vindos. Eles usam uma indignação real e uma manifestação popular pura em seus discursos, em seus patéticos programas políticos na tevê e nas rádios. Eles manipulam dando entender que foram eles que organizaram, porém sabemos que são apenas aproveitadores. Esse é o erro que não deve ser novamente cometido. Padre Fabio Sarjeta: Temos que plantar a semente libertária. Autogestão é o único meio existente com dignidade. Direitas e esquerdas são campos corruptíveis de controle, miséria, concentração de poder e capital. Esta é a maior função do punk: conscientizar e protestar sendo apartidário. Não existe honestidade em nenhum tipo de governo, seja esquerda ou direita. Durante os protestos de 2013 Pekinez foi detido pela polícia e depois internado novamente em um hospício (sendo esta sua segunda passagem pelo mesmo tipo de local). Por que você foi parar novamente em uma clínica de reabilitação? Pekinez Garcia: Na verdade as notícias que saíram na época são um pouco controversas. Em 2013 fui internado duas vezes por porte de cocaína. Tive que optar entre ser preso e ir a uma clínica. Optei pela segunda. Nas manifestações fui levado por porte de vinagre, possuir panfletos anarquistas e a letra “Fodam-se e Morram” que foi tida como subversiva e intolerante religiosa. Fui liberado no final do dia. Em 2014 troquei vinagre por Redoxon debaixo da língua. Os shows dos Excomungados são sempre polêmicos, principalmente devido à performance de Pekinez que se apresenta pelado, faz discursos contra a Igreja e o governo, rasga Bíblias e acaba cuspindo e jogando cerveja no público. Você acha que os Excomungados resgatam, de certa forma, o espírito punk que existia nos shows nos anos 70 e hoje isso não existe mais? Frei Gabriel: Lógico que existe. Tem várias e várias bandas punks tocando por aí que resgatam os anos 70, só que cada um O que acham da participação dos Bla- é de um jeito diferente. ck Blocs nos protestos? Bispo Xines: Eles querem participar de Muitos, porém, acham este tipo de uma forma ou de outra. A Igreja Punk é performance ofensivo e puramente pacifista, porém entendemos que as pes- apelativo. Qual a opinião de vocês sosoas têm o direito de autodefesa. bre isso? Pastor Pekinez Garcia: Black Bloc é uma Pastor Pekinez Garcia: Apelativo para tática e não uma organização. É usada mim é pastor aparecer na tevê e pedir graquando não sentam e discutem com a po- na chorando porque quer comprar uma pulação os rumos e decisões. É algo como rádio enquanto nas fotos ao fundo apare“se você não me escuta então vou te que- cem arrobas e arrobas de gado de propriebrar”. Foi e é usada para chamar a atenção para uma causa, pois é muito difícil você disputar atenção com futebol, funk carioca, novela, religiosos direitistas, reality show... Chega uma hora onde o que resta é fazer um barulho maior. Padre Fabio Sarjeta: Acho lindo a manifestação de rua em bloco. Surgiram na Alemanha na década de 80 para defenderem suas ocupações contra ataques da polícia e de grupos neonazistas e vêm só crescendo desde então. Isto me representa, protesto bom é protesto anarquista. O resto é apenas aproveitadores querendo um lugar ao sol da corrupção. dade do mesmo. Ofensivo é uma empresa ficar bilionária colocando a vida das pessoas em risco com uma barragem de lama, deixando submersa a cidade de Mariana e, após a catástrofe inevitável, pagar apenas R$ 1 bilhão e ainda parcelar. Padre Fabio Sarjeta: Em dezembro de 2001, os Excomungados tocaram em um grande festival em Taboão da Serra, que teve cobertura para uma matéria em um programa da TV Cultura. Toquei pelado em protesto contra a falta de liberdade individual e comecei a bolar um baseado. Quando percebi que chamaram a polícia joguei fora a maconha e coloquei a cueca (risos). Mesmo assim passei a noite num corró da delegacia do Taboão. Nunca nenhum punk achou ofensivo nada disso. O fato de a banda ser boicotada por punks que antes eram nossos seguidores não tem nada a ver com nudez e sim com atitudes nada punks como, por exemplo, mentir, tocar ao lado de um candidato do PSDB como Toninho do Diabo ou mesmo frequentar igreja fascista. Em janeiro de 2014 vocês reuniram a formação original dos Excomungados e tocaram na íntegra o álbum Pela Primeira Vez No Paraíso. Bispo Xinês (vocal), Falcão (vocal), Marco Lagonegro (guitarra), Marcos Rossini (bateria) e Fábio Sarjeta (baixo) – que substituiu o falecido baixista Mineiro – não tocavam juntos desde 91. Como e onde foi aquele show e qual a sensação de reunir novamente a formação original da banda? Gabriel: Foi um show no Zapata e achei magnífico. A melhor experiência da minha vida. Gosto muito dos Excomungados. Padre Fabio Sarjeta: Foi lindo demais, um dos melhores shows de minha vida. Vi muita gente chorando e eu também me emocionei. COMANDO ROCK - 11

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E m 2001, o baterista Aquiles Priester e o guitarrista Gustavo Carmo se conheceram. Na época, Aquiles era baterista do Hangar, enquanto Gustavo trabalhava com sua banda Versover, que lançara até então um disco, Love, Hate & Everything In Between. Os dois começaram a pensar em um disco instrumental, mas Aquiles foi chamado para assumir a bateria do Angra e a ideia acabou engavetada. Depois disso, muita coisa ocorreu na carreira destes dois excelentes músicos. Aquiles ficou sete anos no Angra, tornou-se um dos bateristas mais respeitados do planeta, hoje acompanha nomes como Tony MacAlpine e Vinnie Moore, continua mantendo o Hangar na ativa, faz parte do Noturnall e tem seus projetos solos. Gustavo manteve o Versover por mais alguns anos e, em paralelo, iniciou até uma carreira como violonista clássico, chegando a se apresentar tanto no Brasil quanto na Europa. Em 2008, mudou-se para Seattle, onde passou a fazer parte do grupo The New Futures. Numa de suas vindas ao Brasil, Gustavo reencontrou Aquiles e ambos chegaram a fazer um show juntos com o Versover e tocar juntos no House Of Bones, banda que Gustavo montou mais recentemente. Este reencontro fez com que a ideia de reativar o projeto do álbum instrumental reacendesse. O resultado, após 13 anos de “separação” entre o baterista e o guitarrista, é o álbum Our Lives, 13 Years Later. O disco, contendo dez canções (sendo duas faixas bônus), segue basicamente a linha do rock progressivo, mas há influências de vários estilos musicais devido à experiência adquirida por ambos durante todos esses anos. Devido à distância que separa fisicamente Aquiles (que mora em São Paulo) e Gustavo (residente em Seattle), a forma encontrada para gravarem o disco foi o uso da Internet. O baterista gravava suas partes e as enviava para Gustavo complementar com o uso da guitarra distorcida. E Our Lives, 13 Years Later contou com a participação de convidados mais que especiais: Tony MacAlpine (guitarra e teclados), Vinnie Moore (guitarra), Greg Howe (guitarra), Kevin Moore (teclados), Nili Brosh (guitarra) e Seda Baykara (violino). Nesta entrevista a Comando Rock, Gustavo Carmo e Aquiles Priester falam do reencontro após 13 anos, da gravação do álbum, das participações especiais dos convidados e de seus projetos futuros. Comando Rock: Como surgiu e quem teve a ideia de fazer este o projeto envolvendo vocês dois? Gustavo Carmo: Em torno de 2001, o Hangar, a banda do Aquiles, e o Versover, 12 - COMANDO ROCK

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a minha banda, eram do cast da mesma gravadora, a Die Hard Records. Na época gravávamos as nossas participações para o Hamlet, um projeto da gravadora que contava com vários grupos da cena metal underground brasileira. Nos conhecemos durante essas gravações. Nessa mesma época a Die Hard queria lançar um disco instrumental chamando eu e o Aquiles, portanto a ideia inicial foi da gravadora. No entanto, logo em seguida, o Aquiles entrou no Angra e foi impossível levar o projeto para frente. Nem chegamos a tocar juntos na época. Foi tudo muito embrionário, não deu tempo de acontecer nem o primeiro ensaio e o projeto perdeu tração e foi engavetado. Aquiles Priester: Na verdade eu estava louco para fazer o disco, pois toda a minha formação musical vem dos discos instrumentais do Tony MacAlpie, Vinnie Moore, Joey Tafolla e Marty Friedman. Mas, infelizmente naquela época, fui obrigado a declinar o projeto por causa do empresariamento do Angra. Desde que tiveram a ideia de fazer este álbum instrumental muita coisa ocorreu. Cada um seguiu seu caminho na música e voltaram ao projeto somente 13 anos depois. Como e onde vocês se reencontram e pensaram em reativar o projeto? Gustavo Carmo: Trocamos alguns e-mails informais no meio tempo, mas tudo extremamente esporádico. Em 2008, depois que o Aquiles saiu do Angra, o convidamos para fazer um show com o Versover e foi aí que voltamos a interagir. Durante as gravações do EP do House of Bones, em 2011, pedi ao Aquiles me passar umas linhas de bateria sobre as quais eu tentaria fazer algumas músicas. Depois de uns meses ele ouviu o resultado, gostou e sugeriu retomar o projeto fazendo inteiro neste modelo, ou seja, começando pelas partes rítmicas e depois as harmonias, temas, bases e solos. A princípio ele não levou a sério, mas depois que enviei as duas primeiras músicas ele se animou e aí tudo tomou forma. Aquiles Priester: Durante todo esse tempo que passou ainda mativemos contato e, antes de fazermos esse trabalho com o House of Bones, eu fiz alguns shows com a antiga banda do Gustavo e o Rodrigo (irmão do Gustavo), o Versover. Quando fomos gravar as músicas do EP do HOB, tivemos um tempo livre e o Gustavo veio com essa ideia de fazer pelo menos uma música nova. Pensei que ele fosse pegar a guitarra e que fossemos tocar juntos, mas ele queria algumas levadas de bateria para criar a música. Achei interessante, mas não achei que poderia dar certo. Mordi a língua. Tempos depois, todas as vezes que eu ia gravar alguma coisa em estúdio, eu reservava um tempo para tocar durante uma hora totalmente livre em um dos andamentos que fazem parte do disco. Vocês acreditam que Our Lives, 13 Years Later sairia com a mesma sonoridade que agora caso tivessem gravado este CD em 2001? Gustavo Carmo: Seria certamente diferente. São muitos anos de experiências acumuladas, em todos os aspectos. São 13 anos tocando com outras pessoas, fazendo shows em lugares diferentes, ouvindo e aprendendo músicas diferentes, estudando novas técnicas dos instrumentos, gravando vários outros discos, acumulando mais conhecimento técnico de gravação e produção. O Aquiles não tinha a mesma bateria e eu não tinha o mesmo equipamento de guitarra. As nossas agendas eram diferentes do que são hoje. Os músicos que tocaram no disco seriam outros, as participações seriam outras, pois a nossa rede de contatos na época era outra. E, além de tudo isso, o processo de composição teria sido presencial, pois além de morarmos mais perto, a tecnologia da época não permitia fazer como foi feito agora. Isso mudaria o jogo e tudo soaria diferente. Foram justamente essas mudanças e diferenças que inspiraram o título do disco. Aquiles Priester: Treze anos muda muita coisa num músico e, possivelmente, se o disco tivesse saído naquela época, não teríamos a aceitação que tivemos mundialmente com o disco agora. Fora isso, as participações especiais também não teriam rolado, pois não teríamos contato com essa galera. Naquela época éramos apenas fãs deles e mais tarde tivemos a chance de gravar e excursionar com alguns deles. Nada como um dia atrás do outro trabalhando em busca do seu objetivo. Aliás, falando da sonoridade, Our Lives, 13 Years Later segue basicamente a linha do rock progressivo (apesar de ser nítida a presença de outros estilos nas músicas). Pelas bandas pelas quais passaram e tocam hoje em dia, muitos poderiam esperar um som mais voltado ao metal. Por quer optaram pelo rock progressivo? Gustavo Carmo: Pelo fato de ser difícil O ex-baterista do Angra e o guitarrista do Versover estão lançando o álbum instrumental Our Lives, 13 Years Later, cuja a ideia inicial do projeto ocorreu há mais de uma década atrás Marcos Filippi fazer um disco de puro metal que seja instrumental e que seja interessante o suficiente para manter a atenção do ouvinte o disco todo. É difícil imaginar um disco de metal sem voz. Se pegarmos qualquer bom álbum de metal e tirar a voz, o disco fica mais chato, mesmo que a carga cativante esteja espalhada pelos outros instrumentos, com riffs de guitarra ou baixo e linhas de bateria por exemplo. No entanto, tem disco de progressivo que, se tirarmos a voz, ficaria até mais legal (risos). É simplesmente a natureza do tipo de música e quais os sinais que cada abordagem usa para prender a atenção e agradar quem ouve. Essa é a explicação técnica e formal. A explicação informal é que simplesmente aconteceu do jeito que aconteceu. Não teve nada planejado neste aspecto. Nunca decidimos fazer um disco de rock progressivo, mas sim um disco instrumental. É por isso que temos tantas influências no disco, includindo o bom e velho metal. Aquiles Priester: Na verdade a gente nem parou para pensar nisso, pois o disco foi composto de forma totalmente diferente. Mas, foram poucas coisas que o Gustavo me enviava que eu não gostava harmonicamente e melodicamente. Depois das duas primeiras, fomos no vácuo, pois escutamos e gostamos de muitas coisas parecidas e isso facilitou muito o nosso trabalho. COMANDO ROCK - 13

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Vocês gravaram o álbum distante um do outro. Aquiles registrou suas partes em São Paulo enquanto Gustavo fez as dele em Seattle. Como foi o processo de composição e gravação de Our Lives, 13 Years Later? Gustavo Carmo: O processo de composição foi bem peculiar. Tudo começou pela parte rítmica. O Aquiles ia ao estúdio e gravava levadas, viradas, padrões e enviava para mim e eu desenvolvia em cima delas. Não houve a interação usual em que cada músico joga ideias um para o outro e a coisa se desenvolve. Ele criava tudo de sua cabeça e depois eu criava tudo em cima do que eu tinha da parte rítmica. Depois que a música estivesse mais concreta, fazíamos os ajustes para poder dar a cara final. O processo todo demorou dois anos e meio. Quando novas composições começam a partir das partes rítmicas, são necessárias várias iterações e rearranjos até que uma estrutura se torne coesa. Mas, de uma forma geral, tudo começa de improviso, tanto as partes de bateria, quanto as partes de guitarra depois que as partes rítmicas foram enviadas. É um processo exaustivo de tentativas até que algo interessante apareça. Estava tudo muito claro de que esse projeto só aconteceria se fosse virtualmente, por causa da distância e das agendas. Eu moro em Seattle, o Aquiles mora em São Paulo, e eu não vou ao Brasil com tanta frequência que desse para nos encontrarmos o suficiente em estúdio para fazer um disco inteiro assim. Logo percebemos que isso seria possível virtualmente através do modelo que escolhemos para compor. Aquiles Priester: Outra coisa que tem sido bastante interessante é o trabalho que estou tendo para reaprender a forma 14 - COMANDO ROCK que toquei nesse disco. Como foi basicamente o Gustavo que juntou minhas partes, eu sabia que seria bastante desafiador tocar todos os padrões e arranjos em sequência durante o tempo real da música, mas está sendo muito mais difícil do que eu imaginava. Ainda tenho medo de algumas músicas… O álbum contém oito músicas e mais duas faixas bônus. Por que colocaram “Jubilation/Sunburst” (apenas com um violão de nylon) e “Psychoctopus” (única que não tem guitarra) como canções extras e não como um CD de dez faixas? Foi uma ideia de ter um solo de cada? Gustavo Carmo: A ideia era ter uma faixa de cada um fora do projeto. A minha intenção foi de mostrar versatilidade. Já que tinha tocado guitarra distorcida o disco todo, acabei fazendo uma faixa de violão clássico. O Aquiles fez o seu solo de bateria que já era uma marca registrada em suas apresenta- Em relação aos convidados: vocês manções ao vivo. Precisava ser registrado e esse daram as faixas selecionadas para disco foi uma ótima oportunidade. combinar com os respectivos estilos de cada um ou eles podiam criar a vontade Para auxiliar na gravação, vocês cha- em cima das canções, não necessariamaram o baixista Bruno Ladislau, os mente “respeitando” o gênero que os tecladistas Juninho Carelli e Francis tornaram mundialmente conhecidos? Botene, e um verdadeiro timaço de con- Gustavo Carmo: As partes em que cada vidados como Tony MacAlpine (guitar- convidado tocou foram cautelosamente ra e teclados), Vinnie Moore (guitarra), selecionadas para combinar com os resGreg Howe (guitarra), Kevin Moore pectivos estilos. Para o Greg Howe, uma (teclados), Nili Brosh (guitarra) e Seda parte mais fusion. Para o Vinnie Moore, Baykara (violino). Queria que falassem uma parte mais rock and roll; para o Tony da participação destes músicos, princi- MacAlpine uma parte mais progressiva palmente de Tony e Vinnie. com harmonias alternativas e por aí vai. Gustavo Carmo: Desde o início imagináva- Obviamente não colocamos nenhuma mos que esse disco seria uma ótima opor- restrição, mas pensamos sim de antemão tunidade para incluir vários nomes de peso. o que seria mais natural em cada caso. Acabou acontecendo e cada um tem uma his- Aquiles Priester: O que fiquei mais fe- tória. Para o time fixo do disco, os convidados eram todos amigos. O Bruno é um monstro no baixo e um grande amigo, toca com o André Matos. Fez um trabalho incrível. O Juninho toca com o Aquiles no Noturnall e eu tocava com o Francis Botene no Ceremonya há muitos anos. Então foram contatos imediatos. Para as demais participações, rolou assim: eu e o Aquiles já havíamos tocado com o Vinnie Moore em sua tour no Brasil, então ele já conhecia o nosso trabalho. O Aquiles tocava com o Tony MacAlpine e com a Nili Brosh, então foi assim que eles chegaram até o disco. O Greg Howe foi meu professor, ficou mais fácil de fazer o convite, pois ele já me conhecia. O Kevin Moore foi mais ousado. Eu mandei o material para ele e ele curtiu. Aí aproveitei a oportunidade para convidá-lo e rolou. A violinista Seda Bayakara foi meio inusitado, pois a encontramos na Internet. Foi muito bom contar com a estampa de cada um deles.

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liz foi que todos adoraram as partes que o Gustavo selecionou para eles tocarem e todos acharam as músicas harmonicamente e “guitarristicamente” muito interessantes. Isso se deve ao trabalho impecável que o Gustavo fez nesse disco. As redes sociais também ajudam bastante. O Aquiles tem uma exposição muito grande e isto facilita bastante a divulgação. Aquiles Priester: Estou muito surpreso com a aceitação do disco no mercado norte-americano e também em alguns lugares da Europa. Com certeza as minhas Pretendem fazer shows ou este foi turnês com o Tony têm ajudado muito na apenas um projeto de estúdio? disseminação desse nosso trabalho. Gustavo Carmo: Sim, shows vão acontecer. Mas ainda não sabemos as datas. Gustavo, você está voltando com Tudo deve ser extremamente bem plane- o Versover (que havia acabado em jado. Além da complicação logística por 2011). Fale um pouco sobre esta volmorarmos tão distantes, as nossas agen- ta, qual a formação e quando pretendas são bem turbulentas. Em breve tere- dem gravar um novo CD. mos novidades. Gustavo Carmo: Depois de muitos anos, em uma conversa informal entre eu e meu Pretendem gravar um DVD ou fazer irmão Rodrigo Carmo, percebemos que um novo álbum de estúdio? Caso este- seria uma boa ideia fazer mais um álbum jam planejando um novo CD, já estão de estúdio com o Versover. O último disco compondo material? completo de estúdio foi lançado em 2003 Gustavo Carmo: Estamos nos planejamen- (House of Bones). Tivemos outros trabalhos tos iniciais do DVD, que vai acontecer este no meio tempo, mas sentimos a necessidaano, mas ainda não estamos pensando no de de ter músicas novas. Queremos regispróximo disco, pois o enfoque é no DVD. trar esse momento como músicos, nossas Aquiles Priester: Esse é o próximo passo, influências e experiências atuais. Leandro mas vamos fazer algo novo, que ainda não Moreira vai ser responsável pelos baixos. Já foi feito na gravação de um DVD instru- estávamos tocando juntos há muitos anos mental. Para isso vamos além de tocar as na banda House of Bones, que também conmúsicas. Vamos falar também sobre a con- tava com o Aquiles na bateria. O Leandro cepção de cada uma delas e descrever toda também tem uma banda de covers com meu a parte criativa de cada groove, riff até os irmão, o Bernadeaf. Além disso, ele fez parte arranjos finais que foram para o disco. do Versover em 2005. Muitas histórias em comum e muita amizade... Então não tínhaO rock instrumental tem um espaço mos dúvida. Logo que pensamos em voltar, menor perante o público do que aque- entramos em contato com Maurício Magalle feito com vocais. Como fazer para di, que foi baterista da formação original da superar essas dificuldades e levar o banda. O Maurício é um grande amigo e um CD ao maior número de pessoas? músico extremamente criativo. Com ele arGustavo Carmo: Lançar um disco de rock rematamos a formação e logo começamos a instrumental é de fato um desafio grande compor. A interação está sendo através da em termos de público. Felizmente temos a Internet, mas o ambiente lembra muito a Internet. Fizemos o lançamento mundial época do início da banda, muita amizade e do disco em formato digital e físico. Os dois diversão. Começaremos a gravar as baterias estão indo bem. Não é difícil atingir o públi- no final de dezembro e certamente lançareco, ainda que restrito, tendo esses recursos. mos o disco este ano. Aquiles, apesar de ter ocorrido há vários anos, uma dúvida ficou na mente dos fãs do Angra: quais os reais motivos para você ter deixado a banda? Surgiram informações de que seria pela falta dos recebimentos dos royalties. Isso é verdade? Se sim, como ficou esta situação? Aquiles Priester: Sim, digamos que tivemos diferenças na parte administrativa e financeira e isso nunca foi resolvido. Fora isso, outros problemas pessoais que nem vem ao caso mais tocar no assunto, pois já faz muito tempo. Recentemente tivemos contato no backstage do Rock in Rio e eles disseram que têm interesse em resolver o assunto dos royalties num futuro próximo. Mas, resumindo, está tudo igual e nada ainda foi resolvido! Você está gravando o novo álbum do Hangar. O que pode falar sobre ele, como título, a sonoridade, quando e por quem será lançado, tema das letras etc... Aquiles Priester: Começamos o disco de forma descompromissada e sem pressão nenhuma para compor ou ter uma data para finalizar, mas acho que cutucamos um monstro com a vara curta. Quando o assunto é Hangar, existe uma paixão e dedicação incrível e agora que já estamos iniciando as gravações dos baixos. Posso dizer sem dúvida que esse disco será um grande passo na carreira da banda. Não dá para dizer se estamos seguindo a linha do The Reason of your Conviction ou do Infallible, mas posso dizer que estamos assustados com o resultado até então. O disco é muito brutal, rápido e tem umas partes técnicas muito progressivas que, com certeza, foi influência do disco que gravei com o Tony MacAlpine. Ainda não temos data para lançamento, mas já temos duas músicas com letra e melodia e estamos cada dia mais felizes e orgulhosos desse novo capítulo da banda. COMANDO ROCK - 15

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