Revista O Biólogo nº 37 - Drones | A serviço da Biologia

 

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Revista O Biólogo nº 37 - Drones | A serviço da Biologia

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Ano X - no 37 - Jan/Fev/Mar 2016 o Biólogo Revista do Conselho Regional de Biologia - 1a Região (SP, MT, MS) ISSN 1982-5897 A tecnologia a serviço da Biologia Drones Caminhos da profissão As faculdades preparam o Biólogo para o mercado? Taxidermia Técnica de empalhar animais ajuda a Biologia Grandes Biólogos brasileiros Conheça a vida de Bertha Luz, cientista e feminista

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Tome Nota O Biólogo ÍNDICE Revista do Conselho Regional de Biologia 1a Região (SP, MT, MS) Ano X – No 37 – Jan/Fev/Mar 2016 ISSN: 1982-5897 Conselho Regional de Biologia - 1a Região (São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) Rua Manoel da Nóbrega, 595 – Conjunto 111 CEP: 04001-083 – São Paulo – SP Tel.: (11) 3884-1489 – Fax: (11) 3887-0163 crbio01@crbio01.gov.br / www.crbio01.gov.br Delegacia Regional de Mato Grosso do Sul CRBio-01 Rua 15 de novembro, 310 – 7o Andar – sala 703 CEP: 79002-140 – Campo Grande – MS Tel.: (67) 3044-6661 – delegaciams@crbio01.gov.br Delegacia Regional de Mato Grosso - CRBio-01 Em breve novo endereço Diretoria Eliézer José Marques Presidente Luiz Eloy Pereira Vice-Presidente Celso Luis Marino Secretário Edison Kubo Tesoureiro 03 Editorial 04 Drones a serviço da Biologia 10 Ecos da Plenária 11 Arquivo do Biólogo Conselheiros Efetivos (2015-2019) Celso Luis Marino; Edison Kubo; Eliézer José Marques; Giuseppe Puorto; Iracema Helena Schoenlein-Crusius; João Alberto Paschoa dos Santos; João Sthengel Morgante; Luiz Eloy Pereira; Maria Saleti Ferraz Dias Ferreira; Wagner Cotroni Valenti. Conselheiros Suplentes Ana Paula de Arruda Geraldes Kataoka; André Camilli Dias; Edison de Souza; Horácio Manuel Santana Teles; José Carlos Chaves dos Santos; Maria Teresa de Paiva Azevedo; Marta Condé Lamparelli; Normandes Matos da Silva; Regina Célia Mingroni Neto; Sarah Arana. Grupo de Trabalho na Área de Comunicação do CRBio-01: Giuseppe Puorto (Coordenador) João Alberto Paschoa dos Santos João Stenghel Morgante Wagner Cotroni Valenti Jornalista responsável: Jayme Brener (MTb 19.289) Editor: Cláudio Camargo Textos: Edmir Nogueira, Cláudio Camargo, Silvia Kochen e Carla Itália Projeto Gráfico, Diagramação e Capa: Regina Beer Periodicidade: Trimestral Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e podem não refletir a opinião desta entidade. O CRBio-01 não responde pela qualidade dos cursos divulgados. A publicação destes visa apenas dar conhecimento aos profissionais das opções 2 O BIOLOGO Jan/Fev/Mar 2015 disponíveis no mercado. 12 Grandes Biólogos Brasileiros Bertha Lutz 14 Destaque Os caminhos da profissão 18 Em foco Taxidermia: a arte de eternizar animais 21 CFBio Notícias 22 Publicações Errata Diferentemente do que saiu na reportagem Os pombos da paz também podem matar, a orientação dos pombos urbanos é feita por eletromagnetismo natural da Terra, não pela posição do sol.

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Editorial Caros Biólogos, A evolução tecnológica tem contribuído enormemente para o trabalho dos Biólogos. Instrumentos que até muito pouco tempo atrás tinham utilização restrita, basicamente na área de Defesa, hoje começam a se incorporar no dia a dia dos Biólogos. O uso dos drones ou VANTs (Veículos Aéreos Não-Tripulados) a serviço da Biologia é o tema de capa desta edição de O Biólogo. Mostramos o projeto pioneiro que está sendo desenvolvido pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), com a utilização de drones para monitorar e recuperar áreas ambientais degradadas. Os pesquisadores daquela universidade também usam esses equipamentos para mapear Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e para fazer a medição da qualidade da água. E, quando a Anac – Agência Nacional de Aviação Civil – regulamentar o uso desses equipamentos, o campo de sua utilização por profissionais da Biologia aumentará muito. Outro assunto desta edição é um perfil da Bióloga Bertha Lutz (1894-1976), filha do médico epidemiologista Adolfo Lutz, formada na Sorbonne e que se destacou na pesquisa de anuros tropicais, descobrindo várias espécies como o Liolaemus lutzae. Mas Bertha também teve um papel fundamental na luta pela conquista do direito do voto da mulher, tendo sido, em 1936, a segunda mulher a ocupar uma cadeira de deputada na Câmara Federal. E, para quem quer saber mais sobre a profissão, trazemos uma matéria que tenta responder à questão de o quanto a formação acadêmica do Biólogo está acompanhando a evolução e as necessidades do mercado de trabalho. Finalmente você poderá ler uma matéria sobre o futuro de uma prática que está quase desaparecendo, mas que tem muita importância para os Biólogos: a taxidermina, a técnica de empalhamento de animais. A partir desta edição, a revista O Biólogo estará disponível prioritariamente no formato digital. É a nossa pequena contribuição para a preservação ambiental. Para acessá-la, entre em contato com o nosso site (www.crbio01.gov.br). Não se preocupe, pois sempre que sair uma nova edição da revista, você será avisado em nossa página no Facebook (www.facebook.com/ CRBio01 ) ou Twitter (@CRBio01). Boa leitura! Eliézer José Marques Presidente do CRBio-01 Antes de Emitir a ART Consulte a Resolução CFBio n.º 11/03 e o Manual da ART. CFBio Digital O espaço do Biólogo na Internet Mudou de Endereço? Informe o CRBio-01 quando mudar de endereço, ou quando houver alteração de telefone, CEP ou e-mail. Mantenha o seu endereço atualizado. O CRBio-01 estabeleceu parceria com a empresa Enozes Publicações para implantação do CRBioDigital, espaço exclusivo na Internet para Biólogos registrados divulgarem seus currículos, artigos, notícias, prestação de serviços, além de disponibilizar um Site a cada profissional. O conteúdo é totalmente gerenciado pelo próprio profissional. O CRBioDigital além de ser guia e catálogo eletrônico de profissionais, promove também a interação entre os Biólogos registrados, formando uma comunidade profissional digital.  Para acessar entre no portal do CRBio-01: www.crbio01.gov.br Jan/Fev/Mar 2016 O Biólogo 3

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Tome Nota Drones Por Edmir Nogueira a serviço da Biologia Equipamento ganha novas funções para o trabalho profissional O s instrumentos tecnológicos têm contribuído para o trabalho do Biólogo em várias frentes. O uso de Vants (Veículos Aéreos Não Tripulados), também conhecidos como drones (zangões), é um desses exemplos de inovação que veio para ficar. Ainda aplicado em poucas áreas, especialistas apontam um futuro promissor para esse equipamento voador. Ele já vem sendo utilizado com sucesso, por exemplo, pelos pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para o levantamento de imagens aéreas em um projeto pioneiro que tem o objetivo de recuperar áreas degradadas. Mas esse instrumento pode ter dezenas de outras aplicações para os profissionais da área de Biologia. Por enquanto, o uso de drones depende de autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que deve publicar regulamentação do uso dessas aeronaves não tripuladas até as Olimpíadas (confira mais sobre o assunto nesta edição). O Biólogo Jan/Fev/Mar 2016 4

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Tome Nota A inspiração para a criação dessa ferramenta surgiu nos meios militares, durante a Segunda Guerra Mundial, com o primeiro míssil moderno teleguiado, também conhecido como a bomba alemã V-1 (“Vergeltunsgswaffe-1”). E foi no setor militar que a ferramenta encontrou campo fértil para novas aplicações, principalmente em missões de alto risco para os homens. O instrumento vem ganhando novas versões, com materiais mais leves, e tecnologias embarcadas, ampliando o seu uso. Hoje, na área civil, os drones são utilizados em monitoramentos de redes de energia, na identificação de pragas agrícolas e levantamento de ocupação urbana, vigilância de fronteira e urbana, entre outras aplicações. Na Biologia, os drones têm contribuído bastante para o trabalho dos profissionais da área. Em 2012, pesquisadores da UFMT utilizaram um Vant para mapear Áreas de Preservação Permanentes (APPs) degradadas em Campo Verde, mais precisamente nas nascentes do Rio São Lourenço, um importante formador do Pantanal Matogrossense. Já em 2014 houve um mapeamento de margens de cursos d’água na região de Rondonó- As imagens captadas pelos Vants têm melhor resolução e até podem captar objetos diminutos polis. O Biólogo Normandes Matos da Silva, professor do Curso de Engenharia Agrícola e Ambiental e do Programa de Pós-Graduação em Geografia, ambos da UFMT, explica que a pesquisa envolve o uso de um drone de asa fixa, que mapeou ambientes de APP, com enfoque na regularização ambiental de imóveis rurais. A pesquisa faz parte de um projeto desenvolvido em parceria com a Promotoria de Justiça Especializada da Bacia Hidrográfica do São Lourenço, ligada ao Ministério Público de Mato Grosso. Esse projeto conta com um VANT, modelo Echar 20A, que possui CAVE (Certificado de Autorização de Voo Experimental), concedido pela Anac. “Utilizamos o Vant para a produção de imagens aéreas com alta resolução espacial, abrangendo uma área de 1,5mil hectares nas margens da Rodovia do Peixe e da mata ciliar do Rio Vermelho. A região tem alto potencial para o desenvolvimento de diversas atividades que envolvem o turismo em ambientes naturais, mas vem sofrendo com a degradação ambiental. Por isso, utilizamos o Vant para o diagnóstico e, a partir desses dados, o MP poderá propor medidas para regularização ambiental dentro do novo Código Florestal”, explica Normandes. Com os dados coletados pelo equipamento, os pesquisadores poderão traçar linhas de atuação para o desenvolvimento de projetos de recuperação das margens do Rio Vermelho, na região de Rondonópolis. “Essa é uma área de extrema importância para preservação ambiental, por ser de transição entre o Cerrado e o Pantanal”, conta o Biólogo. Segundo ele, a aeronave remotamente pilotada pesa cerca de sete quilos e tem cerca de dois metros de envergadura (distância de uma asa à ou- 6 O Biólogo Jan/Fev/Mar 2016

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tra). Produzido com material muito resistente, composto por fibras de aramida, o Kevlar (utilizado em coletes à prova de balas), esse Vant pode alcançar até mil metros de altitude e, dependendo das condições climáticas, pode voar por aproximadamente 90 minutos. A cada dia de trabalho, o Vant tem potencial para mapear entre 2 a 3 mil hectares. Satélite x Vants A chegada de uma nova tecnologia não quer necessariamente dizer que a outra será imediatamente substituída. Assim, Normandes acredita que o uso de imagens de satélite não será aposentado com a chegada da tecnologia oferecida pelos Vants. A resolução temporal e espacial das imagens geradas pelos drones representa pontos positivos em relação aos satélites. As imagens dos Vants podem retratar objetos diminutos com dimensões de cinco centímetros, por exemplo, sendo bem superiores àquelas produzidas por satélites, que alcançam no máximo uma resolução de 30 cm por 30 cm por pixel. “É muito mais detalhe da superfície terrestre. Muitas vezes, existem restrições de ordem legal (autorizações), e de ordem ambiental (local de decolagem e pouso ou condições climáticas, por exemplo), que podem inviabilizar, num determinado período, o uso do Vant. Por isso, para cada estudo, o pesquisador precisa definir qual ferramenta usar. Pode até mesmo utilizar imagens das duas fontes. Se o estudo é para encontrar uma colônia de formigas que está atacando minha plantação, por exemplo, as imagens suborbitais dos Vants são muito mais indicadas”, explica o pesquisador. Para ele, se a intenção é fazer um mapeamento de uma área maior, abrangendo Gabriel Klabin acredita que o uso de drones vai oferecer novas tecnologias embarcadas e ampliar a análise de dados Uso múltiplo ajuda pesquisas O uso de produtos derivados de Vants tende a crescer substancialmente nos próximos anos, analisa o Biólogo Normandes Matos da Silva, professor do Curso de Engenharia Agrícola e Ambiental e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFMT. Segundo ele, o equipamento vai viabilizar projetos ligados ao monitoramento de fauna silvestre e exótica, recursos hídricos, paisagismo, saneamento urbano e rural, monitoramento de rodovias onde há muitas ocorrências de atropelamentos de animais, dentre outras aplicações: “O pesquisador poderá trabalhar com um maior volume de informações, contribuindo para alcançar os resultados almejados da sua pesquisa”, diz. Para Gabriel Klabin, presidente da Santos Lab, as novidades não param apenas com a produção de drones com materiais mais leves e resistentes, além da ampliação de autonomia: “É na tecnologia embarcada e na análise de dados que vamos avançar nos próximos anos”, afirma. Segundo Klabin, lentes com melhor precisão ou adequadas para cada uso e softwares para análise de dados captados permitirão um avanço excepcional para o setor. “As empresas brasileiras avançaram nas soluções tecnológicas e devem ampliar as novidades”, afirma Klabin. Com mais de 10 anos de atuação no mercado de drone, a Santos Lab iniciou suas atividades fornecendo esses equipamentos para a Marinha do Brasil. Em 2016, a empresa vai lançar novos produtos para outros mercados. (EN) Jan/Fev/Mar 2016 O Biólogo 7

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Tome Nota A operação com Vants devem seguir protocolos de operação do sistema, regras de segurança e as normas da Anac A operação com Vants deve seguir protocolos de operação do sistema, regras de segurança e as normas baixadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que ainda realiza audiências públicas para regulamentar o uso desses equipamentos vários municípios, necessitando de imagens com uma resolução espacial mais grosseira, provavelmente os dados derivados de satélite serão os mais indicados. O incentivo do uso de Vants na UFMT surgiu em 2010, a partir de um simpósio realizado em Rondonópolis sobre o assunto. Desde então, os pesquisadores incluíram a ferra- menta para dar suporte ao curso de pós-graduação na área de Recursos Hídricos da instituição. As pesquisas nessa área contam com parceiros de diversas instituições, como a UFMS e USP. O Vant vem ganhando espaço na área agrícola, mas também tem se tornado um importante instrumento de controle ambiental. “Ele não apenas pode produzir imagens de áreas degradadas, mas também já utilizamos para a área de saneamento básico rural, com projetos de geração de resíduos domésticos”, explica o professor. Segundo ele, a UFMS, em parceria com a UFMT, está desenvolvendo um trabalho sobre qualidade da água a partir de imagens com Vants que deverá, em breve, ser um capítulo de uma tese de doutorado a ser apresentada neste ano. Para utilizar essa nova ferramenta, os Biólogos ou demais usuários devem passar por treinamentos específicos, que incluem protocolos de operação do sistema, regras de segurança e as normas da Anac. Normandes explica que a compra de um Vant vem acompanhada de um kit que contribui para o trabalho do profissional. O material traz um software para preparar o voo e outro para a análise da missão executada, funcionando como uma espécie de caixa-preta do instrumento. Além disso, o pesquisador contará com um software para análise de imagens aéreas e geração de diversos produtos, tais como mosaico de imagens georreferenciados e modelos digitais de superfície. “A nossa pesquisa poderá ficar muito mais enriquecida com a combinação de imagens de satélites antigas, imagens novas e imagens dos Vants”, conclui o professor Normandes. ¤ 8 O Biólogo Jan/Fev/Mar 2016

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Anac regulamenta o uso de VANTs A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) colocou em audiência pública uma proposta de regulamentação para utilização de Vant (Veículos Aéreos Não Tripulados) não autônomos, também conhecidos como Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPA) e aeromodelos. As contribuições foram recebidas até o dia 2 de novembro de 2015. Segundo previsão da Agência, a regulamentação deve ser publicada até os Jogos Olímpicos. Atualmente, a Anac informa que só é permitido operar quem tiver uma autorização expressa da Agência ou um Certificado de Autorização de Voo Experimental (CAVE). Pela proposta de regulamento apresentada, serão possíveis algumas operações sem autorização expressa da Anac, relacionadas a esporte e/ou lazer. Shailon Ian, engenheiro aeronáutico e sócio presidente da Vinci Aeronáutica, analisa a proposta da Agência: “A regulamentação trata dos aspectos da operação comercial de drones. Acredito que ela vem em boa hora. A FAA (Federal Aviation Administration), nos Estados Unidos, já emitiu regulamentação própria, assim como a Organização de Aviação Civil Internacional já emitiu recomendações, que servem de guia para os países membros”, explica. Engenheiro Aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e com carreira anterior em órgãos reguladores como Anac e Força Aérea Brasileira, Shailon lembra ainda que a aviação civil, em todos os seus aspectos, precisa ser regulamentada para que os padrões mínimos de Para o engenheiro Shailon Ian, a regulamentação contribuirá para a aplicação de padrões mínimos de segurança segurança da operação fiquem estabelecidos. “Um drone compartilha o espaço aéreo com aeronaves civis; portanto padrões mínimos de segurança operacional devem existir para que o voo de ambos, do drone e do avião tripulado, ocorra com segurança”, analisa. “A regulamentação deve estabelecer regras mais restritas para operações que ofereçam mais perigo à vida humana, como por exemplo, o monitoramento de cidades, contra regras mais simples para operações onde os perigos à vida são menores como em voo de plantações e áreas desabitadas”, finaliza Shailon. (EN) Visite e curta a fan page do CRBio-01: www.facebook.com/CRBio01 Jan/Fev/Mar 2016 O Biólogo 9

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ECOS DA PLENÁRIA A 173ª Sessão Plenária do CRBio-01 foi realizada em 29 de janeiro de 2016, em sua sede, na cidade de São Paulo. Na Ordem do Dia: foram homologadas 144 inscrições de pessoa física, sendo 17 na modalidade de registro provisório e 127 na modalidade de registro definitivo. Foram reativados 25 registros e cancelados 72, a pedido. Expedientes da Secretaria: dois biólogos solicitaram transferência de registro pra outra Regional; cinco solicitaram transferência de registro para o CRBio-01; 16 solicitaram Registro Secundário no CRBio-01 e um que solicitou licença. Também foram homologadas 15 inscrições (registro/cadastro) de Pessoas Jurídicas e 15 Termos de Responsabilidade Técnica (TRTs). Ainda foi apreciada uma solicitação de concessão de TRT, com aprovação, a concessão de uma TRT e cancelados dois registros de Pessoa Jurídica/TRT e quatro Termos de Responsabilidade Técnica. Por fim, dos quatro Títulos de Especialista solicitados, foram aprovados todos .¤ ANUNCIE NA REVISTA O Biólogo ATENÇÃO BIÓLOGOS! PAGAMENTOS AO CRBio-01 Todos os pagamentos a serem efetuados ao CRBio-01 (anuidades, recolhimentos, taxas de eventos e outros) devem ser pagos EXCLUSIVAMENTE por meio de BOLETO BANCÁRIO, e não de depósito em conta, pois não é possível a identificação do mesmo, ficando, assim, o débito a descoberto. Consulte tabela de preços no Portal do CRBio-01: www.crbio01.gov.br 10 O Biólogo Jan/Fev/Mar 2016

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aRQUIVO DO BIÓLOGO A fotografia faz parte da rotina de muitos Biólogos. Esta seção da Revista publica fotos curiosas, interessantes, significativas e inusitadas da fauna, da flora e de paisagens, captadas por Biólogos. Predação de barata (Periplaneta americana) por uma lagartixa De Americana, São Paulo Biólogo Luiz Fernando Leal Padulla Mariposa, da espécie Cyclopis caecutiens De Valinhos, São Paulo Biólogo Felipe Brocanelli Apis mellifera na flor de Manjerona De São Paulo, São Paulo Biólogo Luiz Eduardo Gabanella Jan/Fev/Mar 2016 O Biólogo 11

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GRANDES BIÓLOGOS BRASILEIROS Bertha Lutz Filha do epidemiologista Adolfo Lutz, ela soube unir o amor à ciência à luta sufragista, pelo direito da mulher de votar e ser votada Por Cláudio Camargo 12 O Biólogo Jan/Fev/Mar 2016 Fotos: Banco de Imagens Ex Libris

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Pesquisadora renomada, tendo se destacado no estudo de anuros tropicais como o H. squalirostris e Paratelmatobius lutzii, Bertha Lutz foi também uma incansável batalhadora na luta pela conquista do direito do voto feminino o 1º Congresso Feminista do Brasil e representou o Brasil na Liga das Mulheres Eleitoras, nos EUA, tendo sido eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana das Mulheres. Em 1932, organizou a Liga Eleitoral Independente. Ao mesmo tempo, participava ativamente da organização do acervo científico do Museu Nacional, representando o órgão no Congresso da Educação. Graças à sua articulação, garantiu o ingresso de meninas no Colégio Pedro II, até então exclusivamente masculino. Ela ainda se formaria em advocacia, em 1933. O sufrágio feminino foi introduzido no Brasil pela Constituição de 1934 e Bertha chegou à Câmara dos Deputados dois anos depois, com a morte do titular Candido Pessoa, de quem era suplente. Fez projetos de lei propondo a igualdade salarial entre mulheres e homens, a criação da licença-maternidade, a redução da jornada de trabalho e o combate ao trabalho escravo. Morreu em 1976. ¤ Jan/Fev/Mar 2016 O Biólogo 13 Fotos: Banco de Imagens Ex Libris N ascida em São Paulo em 1894, a Bióloga Bertha Maria Júlia Lutz – filha do grande médico epidemiologista Adolfo Lutz – destacou-se tanto pelo seu pioneirismo na atividade científica e profissional quanto pelo seu ativismo, tendo sido uma das primeiras militantes feministas do Brasil. Formada em ciências naturais pela Sorbonne em 1918, Bertha ingressou, naquele mesmo ano, no Instituto Oswaldo Cruz, como tradutora. Foi a forma que ela encontrou para ajudar o pai como auxiliar de pesquisa. No ano seguinte, Bertha prestaria concurso para o cargo de “secretário” do Museu Nacional, classificando-se em primeiro lugar, à frente de dez candidatos homens. Assim, ela se tornaria a segunda mulher a ocupar um cargo público no país. Em 1924, foi designada pelo diretor do Museu Nacional para auxiliar os trabalhos da Seção de Botânica. Depois da morte de Adolfo Lutz, em 1940, Bertha deu continuidade às pesquisas do pai, além de ter-se qualificado como zoóloga especialista em anuros neotropicais. Na pesquisa zoológica, descobriu várias espécies anfíbias brasileiras, entre as quais a Liolaemus lutzae (lagartixa de praia) e várias Hylas, como H. squalirostris e perpusilla. Ela foi a principal autora da publicação que descreveu o Paratelmatobius lutzii, também chamado de Lutz’s Rapids Frog. Ela é citada várias vezes em um trabalho clássico de John D. Lynch em Novitates, publicado em 1980 pelo American Museum of Natural History. Escreveu Estudos sobre a Biologia Floral da Mangífera Índica L, tese para o Concurso de Botânica do Ministério da Agricultura. Também publicou vários artigos sobre a coleção de anfíbios anuros de Adolpho Lutz, bem como organizou o primeiro herbário dele. Mas a pesquisadora de anuros teve que engolir vários sapos em razão da sua militância política em defesa dos direitos da mulher. Foi alvo de críticas tanto de conservadores católicos quanto de progressistas como o escritor Lima Barreto. Bertha foi uma das fundadoras da Federação Brasileira do Progresso Feminino em 1919; em 1922 organizou

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Destaque 14 Shutterstock O Biólogo Jan/Fev/Mar 2016

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Os caminhos da Biólogos discutem se a formação escolar é suficiente para enfrentar o mercado de trabalho profissão Por Silvia Kochen Jan/Fev/Mar 2016 O Biólogo 15

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