"O Penitenciarista" Janeiro/Fevereiro 2016

 

Embed or link this publication

Description

Jornal,Informativo

Popular Pages


p. 1

Mesmo com a arquitetura prisional sendo uma especialização respeitável, o arquiteto prisional é um projetista raro no mercado. No Brasil, para desenvolver os projetos de edifícios destinados a esse fim, o profissional deve seguir diretrizes estipuladas pelo Ministério da Justiça. Em 2011 houve uma revisão da normatização acerca da Arquitetura Penitenciária, através das Diretrizes para Arquitetura Penal (Resolução nº 9, publicada em 18 de novembro de 2011). Dentro desses rigorosos limites impostos pela esfera federal, o desafio do projetista é desenvolver um edifício o mais eficiente possível. Por ser um espaço com alta complexidade programática, já que demanda serviços de saúde, educação, trabalho, custodiamento, alojamento, serviços industriais e grande aglomeração de pessoas, a preocupação com cruzamento de fluxos, dimensionamento adequado, ventilação e iluminação suficientes, além de minimização do potencial violento da população atendida, são complicadores para a solução espacial. Também é preciso cuidar para que a própria estrutura construída não possibilite a subversão, com a produção de armas com as ferragens, que são transformadas em ‘espetos’. As especificações técnicas necessitam ter características de alta resistência antivandálica, entendendo-se que está resistência não se resume a impactos ou ao fogo. O arquiteto Casimiro de Oliveira identifica quatro grupos distintos de caracteres semelhantes em alguns partidos arquitetônicos. Para ele, o Brasil tem hoje uma arquitetura prisional própria, que teve suas raízes a partir da década de 1960. Até então, os projetos existentes obedeciam ao partido tradicional da construção da penitenciária como “espinha de peixe”, que consistia num corredor central para o qual convergiam todas as alas construídas, perpendicularmente, a esse corredor. O Modelo apresentava um grande problema, pois permitia que os focos de motins, nascidos nas alas de celas, rapidamente, tomassem as demais alas de celas, de serviços e alcançassem a administração. Condenado, pela dinâmica do fluxo dos amotinados, esse modelo evolui retirando a administração de dentro da unidade prisional, preservando-a das rebeliões, de Modelo de Penitenciária Compacta forma que ocupasse edificação isolada. No caminhar dessa evolução brasileira foi tentada também a construção de prédios, seguindo o chamado “estilo pavilhonar”, onde os estabelecimentos eram construídos em pavilhões distintos que tinham a vantagem de isolar núcleos de revoltosos, mas detinham a desvantagem de dificultar o acesso, a manutenção e a segurança desses locais. Adota-se ainda o “modelo panóptico”, idealizado por Bentham em 1800, cujo controle apresentava-se centralizado, podendo observar todos os módulos de vivência. Esses módulos, por sua vez, dispõem-se de maneira radial ou circular para facilitar a visualização do controle. No entanto, esse sistema trata de uma filosofia de controle, na qual se encaixam todos os modelos apresentados porque, de certa forma, todos apresentam a tentativa de ver tudo e controlar cada passo do usuário do espaço penitenciário. No “modelo compacto ou sintético”, os módulos são próximos e o fluxo é mais espalhado, devido à proximidade um do outro, pois essa característica permite a racionalização de fluxos, facilitando uma melhor organização dos espaços de ressocialização. Esse partido tem sido bastante utilizado com o intuito de economizar na execução da obra, contudo apresenta linhas rígidas e dificulta as futuras ampliações que fatalmente acontecem. O Penitenciarista • 1

[close]

p. 2

JEREMY BENTHAM - MAQUETE - ARQUITETURA - P A JEREMY BENTHAM No século XIX, Jeremias Bentham (1748-1832) e seu modelo arquitetônico panóptico (ótico=ver + pan=tudo), caracterizado pela forma radial, uma torre no centro e um só vigilante, o qual pelo efeito central da torre, percebia os movimentos dos condenados em suas celas. A primeira prisão panóptica foi construída em 1800, nos EUA. O panóptico constitui um aparelho arquitetural, onde os detentos são vistos e vigiados, sem, no entanto, ver quem os vigia. O detento nunca deveria saber se estava sendo observado, mas deveria ter certeza de que sempre poderia sê-lo. Portanto, observa-se também a utilização do Panóptico na tentativa de visualização geral das unidades por um ambiente de controle central, que não segue os padrões radiais. No dia 18 de fevereiro, teve início a oficina de canto na sede do MPP. Os alunos apreciaram o primeiro dia de aula. As oficinas ocorrem por meio de uma parceria entre a SAP/MPP e as “Oficinas Culturais do Estado de São Paulo” realizadoras de atividades gratuitas de formação e difusão cultural em diferentes linguagens artísticas: Artes Plásticas • Audiovisual • Circo • Performance • HQ • Dança • Fotografia • Literatura • Música • Teatro • Gestão Cultural. São cursos, palestras, oficinas, workshops, espetáculos e exposições para todos os públicos que ocorrem por meio do vínculo entre o Museu Penitenciário e a Oficina Cultural Juan Serrano. Fique atento para as próximas oficinas do MPP. A Bolívia enfrentava uma grande crise financeira em 1986. Para resolver a situação, o país aceitou ajuda de economistas de Harvard e também da Escola de Economia de Chicago. As duas instituições aconselharam o governo boliviano a instituir a chamada “terapia de choque”. Basicamente, a medida privatizou todas as instituições públicas e diversas medidas de austeridade foram adotadas, alterando a legislação de diferentes maneiras. O fato é que a terapia de choque afetou o país inteiro, mas talvez o sistema prisional tenha sido atingido ainda mais. O que acontece no presídio de San Pedro é que existe uma espécie de aluguel. Aqueles que têm condições de pagar pelo mês de estadia (entre US$ 1.000 e US$ 1.500) vivem bem, dormem em celas espaçosas e bem equipadas, podem receber visitas frequentemente, comem muito O Penitenciarista • 2

[close]

p. 3

PLANTA - PANÓPTICO - PAVILHONAR - COMPACTA bem e são tratados como se estivessem em uma espécie de hotel. Já os presos pobres, que não conseguem custear a mensalidade do presídio, vivem em celas superlotadas, dormem uns sobre outros, fazem as necessidades em baldes de uso coletivo e comem apenas o que conseguem dos presos ricos – para terem o que comer, roubam os outros reclusos ou aceitam “trabalhos” que ninguém topa fazer. Há relatos de prostituição, inclusive. Por mais bizarro que pareça, o local é conhecido por atrair turistas à procura de cocaína. Eles sabem que a droga é apreendida frequentemente e têm noção de que é possível comprá-la na própria penitenciária – a substância é muitas vezes vendida pelos mesmos policiais que trabalham no local. O Penitenciarista • 3

[close]

p. 4

COM: Sou arquiteto do Departamento de Engenharia existem projetos dos diferentes tipos de unidade, da Secretaria de Administração penitenciária e os projetos devem prever a necessidade de reavisto algumas obras de unidades prisionais em lizar os atendimentos de saúde, de alimentação, de almoxarifado, contanto inclusive com galpão todo Estado de São Paulo. de serviços de trabalho, algumas precisam Quando eu era estudante eu tinha um pende lavanderia como o caso dos CPPs, e das samento sobre prisão apenas como retriunidades femininas então tem toda essa buição a um ato criminoso, como castigo. estrutura dentro de uma unidade. Então se eu fosse fazer um projeto naqueNo caso das unidades femininas, difela época, elaboraria um projeto apenas de rencial das é que a área de celas é de dois unidade muito segura, com áreas superioandares. Contam com uma planta res onde quem controla a cela consegue diferenciada também por ter a ver os raios sem ser visto. Um local lavanderia, por ter a área de onde o detento não teria direito a convívio com as crianças e nada, mas quando comecei a vias áreas para as grávidas, ver o dia a dia das unidades prios recém-nascidos. Toda sionais percebi que o detento essa estrutura tem dentro precisa coisas como: de banho da unidade feminina. de sol, que ele precisa receber Das obras que fazemos a família, etc. hoje, em termo arquiteAtualmente, o senso cotônico eu gosto bastante mum prega que “o cara errou do CPP. O de Rio Preto e tem que ficar lá, tem que paMaximiliano Nascimento de Brito foi o primeiro nesse novo gar e tem que sofrer” e não pensa na Arquiteto SAP modelo, logo depois Jardinórecuperação, quando eu era estudante eu tinha essa ideia, mas com a vivência adquiri polis e na sequência Porto Feliz. Apesar de ser uma obra grande, gosto da estrutura deles, do conhecimento do que é necessário. Para construção de uma nova unidade existe um desenho, da funcionalidade, pois atende aquilo estudo de demanda. Muitos prefeitos vêm pro- que o detento que está no semiabercurar a Secretaria propondo que seja construída to precisa, com galpões de trabalho, em sua cidade. Já outras cidades não querem e área de lazer, com área para receber fazem campanha contra, isso é interessante né?! família. Então eu acho este tipo de Na Companhia Paulista Obras Serviços – CPOS, unidade formidável. Titulo: PENA, PRISÃO, PENITÊNCIA — A ARQUITETURA PRISIONAL NO BRASIL Autor: ÉRIKA SUN Editora: Categoria: ARQUITETURA PRISIONAL O futuro da arquitetura prisional no Brasil só pode ser definido com uma boa compreensão do que foi o passado e de como é a atualidade. Numa investigação técnica, a arquiteta e advogada Érika Sun observa inúmeros estabelecimentos penais no Brasil, verificando suas falhas e acertos, trazendo neste trabalho uma reflexão de problemas estruturais que colocam em risco todo o sistema penitenciário. Para permitir as mudanças necessárias é necessário, antes de mais nada, conhecer a verdadeira situação. Envie sua opinião, fotos ou histórias relacionadas ao sistema penitenciário para a próxima edição do informativo “O Penitenciarista” Agende sua visita por e-mail ou telefone E-mail: comunicampp@gmail.com Telefone: (11) 2221-0275 Endereço: Av Zaki Narchi, 1207. Visite nossos Blogs: www.museupenitenciario.blogspot.com.br www.penitenciariapraqueblogspot.com.br PROGRAMA DE DIFUSÃO CULTURAL “O PENITENCIARISTA” 1984, Londres. O Reino Unido está sob o regime socialista, sendo controlado com mão de ferro pelo partido. Há em todo lugar telas de TV, que servem como os olhos do governo para saber o que os cidadãos fazem. No intuito de controlá-los são exibidas constantemente imagens através destas mesmas telas, relatando as batalhas enfrentadas pela Oceania em outros continentes. Winston Smith (John Hurt) vive sozinho e trabalha para um dos departamentos do governo, manipulando informações de forma que as notícias sejam positivas para a população. Até que, um dia, ele passa a se interessar por uma colega, Julia (Suzanna Hamilton), que o leva até os arredores da cidade. Eles passam a ter um relacionamento, algo proibido pelo partido, que deseja eliminar a libido na população. Duração: 1h52min Gênero: Drama/Romance Ano: 1984 Direção: Michael Radford EQUIPE SAP/MPP: Sidney Soares de Oliveira, Edson Galdino, Josinete Barros de Lima. ESTAGIÁRIOS: Eduardo Sandes Fernanda Milani Guilherme Aguiar Hyan Yatsushi Luma Pereira Marcos Rabelo COLABORADORES: MAXIMILIANO REVISÃO: Jorge de Souza APOIO: IMPRENSA SAP Filme: 1984 Filme O Penitenciarista • 4 Acompanhe-nos:

[close]

Comments

no comments yet