Confrades da Poesia75

 

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Poesia Lusófona;

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VII | Boletim Bimestral Nº 75 | Março / Abril 2016 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 8,13,16 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneiros: 4 Retalhos Poéticos: 5 Confrades Letristas: 6 Tribuna do Poeta: 7 Contos e Poemas: 9 Bocage: 10,24,25,26,27 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Asas Poéticas: 20 Obreiros da Poesia: 21 Magia da Poesia: 22 Pedestal da Poesia: 23 Ponto Final: 28 EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Eugénio de Sá Carmo Vasconcelos Pedestal da Poesia pág. 23 Simone Pinheiro Nesta edição colaboraram 90 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lauro Portugal | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vó Fia | Zzcouto | …

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2 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril 2016 «A Voz do Poeta» Évora Cidade Museu Évora teve apogeu Já no tempo dos Romanos E Sertório a elegeu Capital dos Lusitanos !… Por Visigodos e Mouros Mais tarde fora ocupada E com cercos duradouros Aos Árabes conquistada. Forte a cidade resiste Difícil de conquistar Mas El-Rei nunca desiste Dela à c'roa vir parar !… Nosso Rei promete dar Ao Geraldo liberdade Se o "Sem Pavor" triunfar Tomando toda a cidade… E sem medo conquistou As chaves com tal proeza E a cidade entregou À Coroa Portuguesa … Évora hoje dá brado Da história que ocorreu P´las relíquias do passado Hoje é Cidade Museu !… Papa Francisco Primavera Bucólica Papa Francisco é o Pastor Dum rebanho global, Todos trata com amor E carinho sem igual. Do rebanho, sou ovelha, A Jesus que é meu Padrinho, Com fervor, eu ajoelho, Pelo Pastor rezo baixinho, Tu tocas o coração , Com tua simplicidade, Abominas a vaidade, Intercede pois, então, Por mim com muito fervor, Junto a Deus Nosso Senhor… António Boavida Pinheiro Lisboa As serras, os vales e os montes, Sacodem o manto do inverno frio, Descongelam as águas nas fontes E na impetuosa corrente do rio… Urzes, giestas e rosmaninhos, Florescem na beira dos caminhos, Vão renascendo os verdes prados, Que o inverno deixou sepultados… Dissipam-se as diáfanas neblinas, Impregnadas com aromas de resinas, O céu mais azulado faz-nos sonhar… É a chegada da bucólica primavera, A espalhar luz e cor sobre a terra, As aves rejubilam com seu gorjear! Conceição Tomé (São Tomé) Amora / Portugal PRIMAVERA dói-me a alma estou disperso mesmo assim amor prometo mandar-te a alma num verso e o coração num soneto. Jorge Cortez (edgar paimôgo) Suíça Estás certa no que dizes, que é finda a estação severa, e os rosais se abrem felizes aos beijos da primavera... Vestidas de roxo e alvo já abriram minhas orquídeas, e eu as ponho sempre a salvo se o vento ao passar agride-as. Já sorriem lá na varanda, vivas, alegres, facetas, em formato de guirlanda, minhas mimosas violetas. Mesmo belas uma a uma, por mais que eu nelas repare, em beleza não há nenhuma que contigo se compare! Humberto Rodrigues Neto SP/BR Euclides Cavaco - Canadá A GUERRA E AS CRIANÇAS Deambulam tristes, as crianças, na dor que as envelheceu! Vagueiam apáticas pela vida onde a esperança já morreu! Gritam os escombros, a cor vermelha do sangue inocente! Espreita a morte impiamente, ceifando vidas...inclemente!... Choram as ruas subterradas pelo peso! Pedaços de tudo! Agonizam os parques vazios, pelo silêncio quedo! Mudo!... Soçobram hediondas, as casas, pelos sorrisos já calados… Gemem os jardins suas flores, seus perfumes sepultados… Filomena Gomes Camacho - Londres Telmo Agradeço: Pela paz, pela harmonia espiritual, e pela beleza extasiante do Universo, que os livros me transmitem. Telmo Montenegro Arrentela / Seixal

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Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril l 2016 | 3 «Olhos da Poesia» Sobre saltos De saltos de saltos altos prende a atenção solta a tensão em valores altos. São pés humanos ou pés divinos? Levantam hinos vêm sopranos tenores, contraltos... E as pernas sobem aos olhos descem à alma. Meu coração, entre os escolhos de tal paixão, te desgovernas em sobressaltos. Acalma, acalma! É uma ilusão! Céu? Isto é terra, lá longe, a serra, aqui, as casas com chaminés, na rua, os pés, pés sobre saltos, onde vês asas! São pés bem feitos que andam direitos (atenta nisso!) só se o passeio não tem ressaltos e tem asseio (milagre é isso). Tenores, sopranos, não há, nem hinos. Há pés tiranos pés que te pisam sem compaixão. Não são divinos, são pés humanos, pés que precisam do chão. Do chão! Oh, coração, como os poetas, tão frágil és, que te inquietas só por uns pés! Lauro Portugal – Lisboa Duas palavras Duas palavras Religião, em nome dela Falam e fazem atrocidades... Religiosidade, por causa dela Os corações falam E Deus sorri. Edson Gonçalves Ferreira   FAZER OU NÃO FAZER EIS A QUESTÃO O que há que fazer tem de ser feito no tempo que nos é dado fazer, se durante esse tempo não for feito bem feito nunca mais poderá ser!... S’uma causa provoca um efeito cujo fim é urgente conhecer a solução é seguir a direito assumindo o que tem de se fazer!... É preferível sofrer pelo defeito de algo que era mister cometer não ter surtido o desejado efeito, que viver a dor de se arrepender de não ter tido coragem no peito pra tentar o que havia que fazer!... Adelina Velho da Palma - Lisboa CHEGOU A PRIMAVERA Sol radioso, eis a Primavera!... Demorou, que o Inverno não largava O decrépito trono que ocupava, Sem querer aceitar que seu não era. Curioso!… Enquanto isto pensava, Lembrei-me que este povo também espera Cumprimento do que nos prometera Quem apenas o trono desejava… Com tantas "andorinhas" no poleiro, Não é fácil cumprir o prometido, Depois de alimentar o bando inteiro! O nosso pão, por eles é comido E nós é que pagamos ao padeiro E comemos restolho…mal moído! Carlos Fragata - Sesimbra A FÊNIX Adormecida no tempo Para o tempo se entregou. Esquecida no relento No relento assim ficou. Passava despercebida Aos pobres olhos vulgares, Parecia já sem vida Para os críticos olhares. Mas ao rufar dos tambores, Poetas e poetisas Nos seus poemas em flores, Com seus versos, bravamente, Fazem ressurgir das cinzas, A “Fênix” imponente! Ivanildo Gonçalves – Brasil Dor…sofrida! É uma angústia incontida, sem limites, quando se ama e se vê sofrer; é uma súplica impessoal, desesperada, de transferência; é um todo, um muito, um nada que repare o que o sentimento transforma em tudo; fiapos de desespero amontoados em cofres abertos de culpas, e desenganos, e tecidos com as grossas agulhas dos erros; são olhares despertos, são miragens, são pesadelos, são mitos de passados esquecidos e tornados presentes pelo sabor do sal das lágrimas retidas nos diques do esquecimento, pelos anseios, pelas esperanças dum corolário de pensamentos dispersos; desejos de rodar os frágeis ponteiros do relógio no sentido dum retorno ao que já foi. Quando se ama e se vê sofrer, apenas se escuta, chorando, o silêncio negro do espaço, numa mente estiolada de tristeza, com o coração a bater apressado. Amar e ver sofrer… …é morrer devagarinho... António Barroso - Parede SONHO DE UMA NOITE Gaivota voando sobre minha loucura; Gaivota dizendo versos que não digo; Gaivota ritmo da palavra; Gaivota em liberdade, Poisando aqui e ali, Na areia molhada, Na pedra parada, Na falésia enxuta, Na mais recôndita gruta, Na madrugada azul, Na noite de lua escondida, No seio do mar infinito. Vai, Vem, Plana, Faz círculos no espaço... Aqui estou, Olhando a gaivota, Perdendo-a de vista, Querendo ser gaivota Neste diminuto espaço. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Divinópolis / BR 

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4 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril 2016 «Pioneiros» PARABENS. “Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas”. Pelo vosso carinho, empenho…de promover a Poesia, quantos Poetas que, tangendo as cordas de seus corações – poetando - nos fizeram chegar, seus belíssimos acordes, através de “CONFRADES DA POESIA” !? Quantos poetas partilharam esse sentimento, que nasce da alma e transborda através dos dedos, pela divulgação que jorra através desta vossa maneira de difundir POESIA!? E, citando Fernando Pessoa, acrescento: “Porque a arte dá-nos, não a vida com beleza, que, porque é a vida, passa, mas a beleza com vida, que, como é beleza, não pode perecer”. Com carinho. Filomena Gomes Camacho - Londres Ano Novo Mais um ano a começar, Decerto nos vai brindar Com tristezas e desgostos, Pois oiço a todos dizer, Que p'ro ano vai haver Mais taxas e mais impostos. Vamos ter um ano novo Com mais miséria p'ro povo Que não ganha p'ra comer, Pois os nossos governantes, Vão-nos mentir como dantes P'ra manterem o poder. Vai haver mais aldrabices, Corrupções e vigarices, Seja com Costa ou com Passos, Qualquer deles vai roubar Aos pobres para arranjar, Tachos para amigalhaços. Este ano meu Portugal Estás a ficar tão mal, Que nem sabes p'ra onde vais, Para haver estabilidade E um pouco mais de igualdade, Falta prender muitos mais. Para o povo melhorar, Gostava de me enganar Nestas minhas previsões, Mas não vai acontecer, Porque nunca vão prender Corruptos e aldrabões. Isidoro Cavaco - Loulé OLHAR MADURO O olhar bonito de uma bela moça, Lisinha a pele qual se fosse louça, Há muito tempo já não me interessa; Agora apraz-me sempre, e me apaixona Reter nos braços uma cinquentona! Mais experiente e carinhosa à beça, Ah... Essa sim, é um fato e não promessa Dentre todas aquelas que procuro... Um sorriso de início ela rejeita, Resiste um pouco, mas por fim aceita O cintilar do meu olhar maduro. Humberto – Poeta - SP / BR Confrades - 75º Bimestral Bimestral setenta e cinco, Digo-te com todo o afinco E é já por estes dias! É de coração e alma, Que este João da Palma, Vai mandar-te poesias! Lembrei-me de imediato… Actualizar o meu retrato, Para em caso de aparecer! Desculpar-me dos atrasos, Respeitar melhor os prazos E cumprir esse dever! Os poetas também falham E é por isso que trabalham Rimando dores com festas! Assim vão mostrando ao mundo O seu empenho profundo Limando certas arestas! O poeta tem limites Por isso atira palpites, Até nos erros que faz! Por isso amigo Confrades Entre faltas e verdades, O poeta apela à paz! João da Palma - Portimão LUZES VISCERAIS Não te punas, meu irmão, a vida é breve; Torna leve esse teu fardo, joga fora Tua angústia, busca um sonho que te leve Ao amor, quando a tristeza for embora. Revigora tua luz esmaecida; A ferida só se mostra quando a dor Ilumina cada víscera atingida, Mas a vida é teu próprio esplendor. Não te iludas com chamados de sereias; Devaneias quando voas sem as asas E é nas casas das mulheres que anseias, Que te queimas no calor das próprias brasas. Respirar é diluir o oxigênio No silêncio das angústias sorrateiras; Um inseto não suporta o tungstênio Que há nas luzes mais febris e traiçoeiras. Entretanto cada voo que tu alçares Que te seja muito mais que esse fulgor Dos desejos que se soltam pelos ares, Quando amares muito mais que a luz do amor. Luiz Poeta – RJ/BR Páscoa Será que acreditamos, que “Jesus” nasceu Que viveu e andou, entre a multidão Que pela humanidade, um dia morreu E que espantou o mundo, na ressurreição Será que “Jesus” foi visão dum instante Ou que seu espírito activo, morreu ao morrer Que a palavra da verdade, não foi cativante Ou será que o maior cego é o que não quer ver Será que é o Sol, que guarda o segredo Ou nas ondas do Mar “Onde Jesus disse’’ Vai… Esse que faz a terra estremecer de medo Tal e qual o trovão que das nuvens sai Nós, pobres mortais sem rumo sem rota Vamos perguntando, será assim ou não Quando na nossa alma, já está a resposta “Somente Jesus é a salvação” Cada Páscoa que passa se renova a esperança Promessa de vida, que nos mantém em pé Por “Deus” dada aos homens, como sua herança Mas somente herdada, por ''Homens de Fé''. Rosa Guerreiro Dias - Lisboa

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Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril l 2016 | 5 «Retalhos Poéticos» Cacilheiro Continuamente abanado Pelo Tejo encapelado Vê as pessoas a passar Apressadas sem parar O velho cacilheiro Já não pode navegar Mas estrebucha e braveia Solavancando sem cessar Quer partir as amarras Sonhando poder amarar Ou voar como as gaivotas Que lhe pousam no convés E que alando asas ao vento Ondeiam pelo firmamento Mas continua amarrado Velho, sujo e enferrujado Com a tinta a descascar Já não voltará a zarpar Nem vai conseguir voar Como a gaivota atrevida Que dele faz sua dormida Mas sonha; sonha que talvez um dia Sobrevenha tão grande temporal Que force e quebre as grilhetas Que o ligam ao cais do Ginjal Então partirá com as gaivotas Forçando as exaustas cambotas Numa derradeira viagem homérica Motores rugindo de forma colérica Sulcando o rio que tão bem conhece E de cuja fúria escarnece Chegado ao Cais do Sodré Atracará de marcha à ré O velho marinheiro chorará E extasiado gritará: “Venham; venham ver” “O velho cacilheiro voltou” Rogério Pires – Seixal Formiga Tem hora que a inspiração Como formiga E me tira da cama E me faz siririca A flutuar na feitura dos versos. Edson Gonçalves Ferreira Divinópolis/BR Breve Passagem A efémera vida que vivemos Do tempo existência mal medida Inicia no dia em que nascemos E termina quando a morte leva a vida. Quem foi que inventou tão curto espaço? E deu em tempo, à vida desvantagem? Que apenas mal se vê no tempo escasso E fez dela uma tão breve passagem. Para quê um viver tão curto assim? Restrito p´ra colher algum sabor Mal surdiu logo em breve chega ao fim. Carente de alegria e maior dor Interrogo o vazio que existe em mim Porquê? Nos fez assim o Criador!... SOCIEDADE (Acróstico) São os filhos de um povo Oprimidos na madrugada Condicionados pelo poder Intimados pela amargura do ser Escrutínio da pacificidade pérfida Doença afetada ao sabor do não-ter Ao mísero cidadão comum Dói-lhe a revolta escondida Em luta de uma força perdida… Ana Alves - Melgaço Euclides Cavaco - Canadá Ter saudade Ter saudade, é um estado de alma Que na vida, às vezes nos procura. É viajar num deserto sem vivalma, É viver num colo cheio de ternura. Se às vezes nos embala e acalma, Outras há, que nos rói com tortura. É como as flores daquela palma... Que podem ter espinhos e doçura! Ter saudade é termos o sentimento Que na vida há sempre o momento, Em que a soma dos anos - a idade, Nos põe na lembrança, as imagens De ternas, belas e longas viagens!... E transforma o amor em saudade! José Maria Gonçalves - Fernão Ferro LEMBRANÇAS Falaste de ti. Escreveste nas linhas do tempo passado com sonhos presentes. Nem tudo disseste daquilo que sentes em noites sem lua, mas onde te aninhas. Gostei do que li. Reparei que mantinhas saudades das horas douradas e quentes. No peito guardaste carinhos ausentes que soltas na estrada por onde caminhas. Tentei escrever minha vida, também. Lembrei mocidade, mas vi o desdém rolando comigo, em enorme declive. Recordas auroras de vida tão calma, abrindo a janela do limbo da alma; eu só abro a porta do céu que não tive. Glória Marreiros - Portimão ONDE ESTÁS Oiço-te.. Mas não te vejo Caminhas longe Tão longe...!! Que não sei onde fica O caminho por onde vais Sinto a tua presença No vento que sopra Tão forte que me arrasta Enrolada nas rajadas Tal qual Os teus braços me envolvem Quando em sonhos me abraças... Sinto o cheiro do teu perfume Na água da chuva Que cai silenciosa Na vidraça da minha janela Saio para rua Para que ela caia sobre mim E eu... Me perfume de ti.... Maria da Encarnação Alexandre Santarém Se com Deus não há aceção, Porque fazes tu divisão? Nosso Deus promove a união; O diabo a separação. CMO - Qtª do Conde

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6 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril 2016 «Confrades Letristas» O Zé caçador Dizem que o amigo Zé É um caçador afamado Ninguém pode estar ao pé Ela atira p’ra todo o lado É filho de boa gente E até é bom rapaz Aponta a arma p’rá frente E ás vezes dispara atraz Ele diz que caça muito Nisso eu ponho reserva Só o vejo comer presunto Ou sardinha de conserva Refrão O Zé caçador Faz suas proezas Ele é o melhor Lá nas redondezas Truz, truz, truz Lá vai pelos campos Do seu arcabuz Os tiros são tantos Caçou um librão * Foi a correr mostrá-lo Vejam este bichão Parece um cavalo Um coelho apanhou Que era cego e coxo Com um tiro acertou Nos cornos dum mocho. * librão é o macho da lebre. Zé Bento - Suíça Janeiras de Arrentela Metáfora da Vida Velha roda abandonada De vida pouco lhe resta Ali num canto deixada Como algo que já não presta. Hoje em avançada idade É marca do tempo ido Já não tem utilidade É ferro velho perdido. Mas aos olhos do poeta A roda nunca morreu Hoje embora obsoleta De si muito ao mundo deu. O poeta deu-lhe a mão E com ela conversou Em jeito de confissão A sua história contou. Dei zelo ao que fui e fiz Sempre com muita humildade Minha missão foi feliz Por servir a humanidade. Disse num tom comovida: Fazer bem não se condena. Para quem faz bem na vida Viver vale sempre a pena !... Euclides Cavaco - Canadá POEMA SENTIDO Eu vou escrever um poema diferente, Deixar fluir este meu sentimento, Rimas ao alcance de toda a gente, Mensagem contra a guerra e desalento. Por palavras exactas vou dizer O que me dói na alma ferozmente, Poema que o mundo possa entender, Onde quero expressar-me livremente. Há palavras que não quero escrever Neste meu poema que é diferente. A palavra de ordem será viver, Poema dedicado a toda a gente. Mergulhei na realidade do mundo, Cheguei a uma certa conclusão. Voar, cair no mar, ir ao fundo, Não é, nem nunca será solução. Neste poema eu quero enaltecer A vida, o amor e a partilha, Com firmeza irei sempre dizer, Que no final de cada noite, o sol brilha. Eu quero que todos possam ouvir Os gritos e ais deste meu poema, E o mundo inteiro venha a sentir Que existe uma mensagem neste tema. Em cada um dos versos está impresso Profundo sentimento do amor, Qual medalha diferente, sem reverso, Com a simplicidade de uma flor. No meu peito pulsa o teu coração! Pulsações do meu poema diferente, Poema escrito pela minha mão, Ofertado, por mim, a toda a gente. Telmo Montenegro - Arrentela DESTINO Fiquei louco e preso a ti, Desde essa hora em que vi, O teu olhar cristalino; Minha vida então mudou, Quem eu era já não sou, Tu mudaste o meu destino!... Apenas só por te ver Tudo eu perdi sem qu’rer, Num momento repentino; Por amor ou por magia, A partir daquele dia Tu mudaste o meu destino!... Por amar-te loucamente Sigo-te constantemente, Como triste peregrino; O coração que era meu Com força a ti se prendeu, E mudou o meu destino!... Sem teres na tua mão A varinha do condão, Ou qualquer poder divino, Apenas com teu olhar, E a tua forma de estar Tu mudaste o meu destino!... Isidoro Cavaco - Loulé Refrão Nós somos de Arrentela com amor, dedicação no peito trazemos paz essa paz de coração. Somos filhos de um só Deus nosso Pai, fiel e guia as Janeiras cantarei até ao raiar do dia. Cantamos aos Magos Reis que ao Menino Salvador levaram as oferendas como prova de amor. Refrão Devemos louvar a Deus por este lindo momento cantaremos as Janeiras com todo o nosso talento. Refrão Letra: Joaquim Maneta Alhinho Música: Albano Gonçalves Interprete: Grupo Coral e Instrumental «Flamingos» UM DIA MAIS Mais um dia Um dia diferente Mais igual Queria fazer tanto... E não faço nada Queria partilhar E nada partilho E o mundo... Assusta-me... Sinto que ao meu redor Tanto se sofre... E gostava... De ter uma varinha Varinha de condão... E ver toda a gente a sorrir... Mas quero... Penso... E sonho... E vem a realidade... Acordo e... Foi apenas mais um dia... E o amanhã continua igual!... Lili Laranjo - Aveiro

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Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril l 2016 | 7 Confrade desta Edição «Anabela Silvestre» Dia Mundial da Poesia – Acróstico Declaro que gosto e gostarei Intensamente de ti, hoje e sempre, Admirável POESIA! Mil caminhos percorremos. Unidas, superámos Numerosos contratempos, Deambulando em afetos Intensos e verdadeiros! Agora mereces ter um dia Liberto, feliz e encantador! Dia em que todos devem Acolher-te, ler-te e dizer-te! Peço então que me continues Obviamente a Escolher e a inspirar para Saber segredar-te os meus sentimentos, Incessantemente, nos meus poemas! Anda comigo! Vamos espalhar doces palavras pelo mundo! Anabela Gaspar Silvestre AS GAIVOTAS ETERNAMENTE O amor permanecerá entre o sol e a lua, entre os vales e as montanhas... Girassóis reluzentes, que abrilhantam a noite estrelada, são pura emoção, em noite de solidão! Cigarras cantadoras ouvem-se à distância, num campo de oliveiras envelhecidas pela saudade! Verdes prados envolvem águas azuis, brilhantemente sossegadas, onde duas mãos se entrelaçam dando voz ao coração! Anabela Gaspar Silvestre NUVENS Cheias de poesia e brancura, que invadem a minha ALMA e desbravam o meu coração, intenso de emoção! Passam, passam, pela cidade, pelo campo, pelo mar, pela serra, de encontro aos meus olhos, que verdadeiramente sentem a minha e a tua emoção, ao vislumbrar as belas nuvens tão cheias de poesia! Anabela Gaspar Silvestre ESSÊNCIA FEMININA Sorriso encantador, olhar profundo e sedutor, meiguice acentuada, voz carinhosa… assim é a doce e delicada menina mulher! O seu jeito Conquista, feito borboleta multicolor… Exala de si um suave aroma a frutos silvestres que conquista os mais desatentos. Assim é eternamente a essência feminina: liberta e terna! É bem verdade… parece mentira mas não é! As gaivotas surgiram na minha cidade, depois de serem avistadas na serra. Algo muito raro! Sempre que penso em gaivotas fecho os olhos e sou transportada para o mar, para a praia, aquele intenso odor a maresia e as gaivotas a voar no ar, a pisar a areia quando não avistam ninguém ou a boiar sobre as ondas do imenso mar salgado… […] São extremamente bonitas com as suas penas pretas e brancas […] Tudo muda… agora deixaram o seu longínquo mar azul para virem assentar arraiais numa pitoresca cidade serrana, localizada no interior do nosso país. Dizem que por causa da escassez de comida desceram à cidade e já há alguns dias que são avistadas! E não têm medo do vento e da chuva que pairam na cidade! […] Sem dúvida que matei as saudades que tinha destas aves tão livres e serenas para o meu olhar! Anabela Gaspar Silvestre - Covilhã Anabela Silvestre - Covilhã

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8 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril 2016 «Confrades» Segredos Os enterrados para além dos muros, Das cidadelas e dos vozerios, Oh! Estão vivos! Ouçam! São murmúrios! Também a noite fala assim aos rios... Velhos madeiros, duros de abater! A noite os sela por temer visitas. Será desastre tudo se romper E abrirem-se as clausuras carmelitas? Ó vida, diga a mim tudo o que sabes! Que pedra sobre si aceita outra, Mais outra, sem que um dia tudo acabe? Prometo te entregar tudo o que é meu. Mas ao final se vai gerar a conta De tu me responderes: que é Deus? Eliane Triska - Canoas / BR http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Mulher tem... A mulher tem tudo o que de bom o homem sabe que ela tem e que por interesse ou cinismo por vezes lhe confessa, mas acima de tudo, tem tudo o mais que o homem sabe que ela tem e por machismo e hipocrisia o não confessa! Abgalvão – Fernão Ferro Nesta Vida! Preciso Preciso Preciso Preciso morrer para ressuscitar gente nascer para ver o nascer do sol de aprender para poder viver de ser chefe para poder mandar Preciso ser mestre para poder orientar Ser carpinteiro para fazer o meu caixão Preciso de ser coveiro para fazer A minha própria sepultura Quando eu morrer! Não desejo ser político Nem ser amigo de políticos Para não ser confiado Quero ser este rafeiro que sou Pelo menos não machucarei a ninguém Quando a chefia acabar, preciso Da reforma para continuar gente Ser gente no meio de gentes Eu o coitado dos homens. Sanjo Muchanga Maputo/Moçambique Dia Internacional da Mulher Neste Dia da Mulher Ser ativa, esposa e mãe Mais qualidades requer P´la crise que se mantém. Deus lhe deu grande coragem, É o ser que dá à luz, E quantas vezes a imagem Prá família que conduz. Não está fácil viver, Nesta época presente Cabe à mulher resolver Dia a dia, olhando em frente. Luta p'la sua missão, Encara os seus problemas Com vigor e decisão E não cede a estratagemas. Não quer perder a esperança, Procura espalhar o bem, Transmitir a confiança Que o Senhor lhe deu também. Agora tem mais direitos, Mas sujeita a mais perigos, Há que respeitar preceitos E afastá-la de inimigos. Maria da Fonseca Lisboa - Portugal POESIA EM LINHA É, Malanje é muito bonita. Esta saudade lixada faz-nos voltar todos os dias à Terra. É mesmo. Malanje tem esta Beleza, tem esta Grandiosidade. E cada dia que passa, cada lembrança, cada recordação é uma novidade. A distância e o tempo lutam contra nós, para que esqueçamos, para que esqueçamos…, mas Malanje está para além da Geografia e do Tempo. Está dentro do nosso presente, na forma de passado permanente, que molda o nosso futuro e que nos faz sempre seguir em frente. Malanje é aquela Terra distante e ao mesmo tempo esta Gente Diamante. A que está cá, a que ficou lá, não interessa o local da residência, da permanência, da dificuldade, da prosperidade, da ausência, da independência… O importante, é que está onde a sua Gente está. O constante é a sua permanência em cada um de nós, vá para onde vá. As galáxias até podem mudar de sítio, mas para nós, o início, onde começou a correr o nosso sangue, onde se deu o nosso Big-Bang, foi lá, no centro do Universo, Malanje, a Quem peço que não se esqueça de Nós, os que ainda não chegaram. Mas estão a caminho… não pararam! José Jacinto "Django" Casal do Marco “Tudo cresce! Tudo florescerá em Seara da Cultura! Juntos Expandimos e Edificamos a Cultura Poética!” Pinhal Dias - (Lahnip)

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Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril l 2016 | 9 «Contos / Poemas» HOMENAGEM Diz um provérbio africano: “Quem educa uma mulher educa um povo.” Deveras, a Mulher Africana, tem uma incumbência de grande relevância! Ela zela, cuida, providencia…mesmo quando no solo a seca desfavorece!... Governa a casa, cuida a criança. Ao jovem, idoso…o seu cuidado oferece. Apesar de não exigir seus direitos, ela é sublimada a um trono de poder! Não priorizando nunca os seus sonhos, são os seus desejos veementes: Chuva a fertilizar a terra; abundância de provisão, fartura de paz, de amor… Multiplica a esperança! Subtrai o sofrimento! Divide alegria! Soma o valor! Mulher Africana, muita vez esquecida! Desvalorizada! Cidadã sem voz!… Mulher sábia que une a Família numa ligação forte, coesa, indissolúvel… Que alarga os laços de sangue! Que une núcleos com maior conotação! Mulher, símbolo do resgate! Da coragem! Esperança! Cultura! Reflexão!… Mulheres valorosas! Nacionalistas! Embaixatrizes! Princesas! Rainhas!… Mulheres de continentes gigantes! De cultura! Resistência! Fortaleza!… Mulheres pontes, marcos…dum Passado e grande cunho no Presente! Mulher Africana! O mundo te homenageia. Serás sempre eloquente!... Filomena Gomes Camacho - Londres Mudar o Mundo Cabe aos humanos com todas as suas capacidades e ajuda de Deus, fazer as mudanças necessárias à preservação do Planeta Terra e da própria humanidade. Só eles vão conseguir transformar em luz, a escuridão em que o Planeta se encontra envolto. É preciso urgentemente despoluir o ar, os rios, os mares, plantar mais florestas e cortar menos árvores. Deixar de produzir tantos lixos, que destroem o meio ambiente. Acabar com as guerras inúteis, que só servem os interesses financeiros dos políticos e dos poderosos. Educar as crianças para que elas sigam o caminho da luz e da verdade, sem preconceitos religiosos ou raciais. Ensiná-las a cuidar e respeitar a Terra, como a uma mãe extremosa, pois dependemos dela para viver! Que adianta ir à Lua, a Marte, explorar todo o Universo, se estamos a destruir o nosso próprio habitat? Conceição Tomé (São Tomé) – Amora / Portugal Poema soberbo Sou mais sensual que Adão, Eva e a serpente E mais saboroso que a maçã proibida E sou um animal pensante Refletindo o majestoso como o Deus que me criou Não sejam imprudentes perto de mim Meu olfato é tão aguçado E percebo todos os cheiros E, assimilando-os, parto em busca da caça Minha visão de mundo é descomunal Graças à sensibilidade que Ele me deu Não temam o poeta que há em mim Ele prefere a santificação dos versos Que o fogo da carne insana Embora seja humano e carente como todos E tenha boca de fruta E mãos feitas como galhos de árvores frutíferas Sempre prontas para saciar quem tem fome Com a ventura de quem sabe Esta vida é assim Linda e passageira E todos precisam do néctar do amor Venham para a primavera desta vida Não aguardemos o outono das paixões. Edson Gonçalves Ferreira - Divinópolis/BR Viver solidão Eu nasci ainda há pouco E o meu corpo como um louco Ergueu-se qual um cipreste. A noite ficou calada E a janela então fechada Ergueu-se com o vento agreste. Nascia o sol e em breve Gélidas chuvas e a neve Destruíram o meu dia. Cansado de estar assim No mar profundo e sem fim Afoguei minha alegria. Minha alma ficou perdida E as agruras da vida Fustigaram-me a razão. Perdi-me no meu viver E agora sem querer Vivo só em solidão. Victor de Deus - Barreiro De que cor será sentir!!!???... A pergunta fica no ar!,... Tal e qual, como bola de sabão, ao sabor da imaginação. O poeta a fez, ... e não encontrou resposta. Nem a esta, nem tão pouco às outras muitas, E muitas outras que a vida nos coloca. Sentir com cor ou sem cor, pouco importa. O sentimento se nos apresenta da cor da nossa imaginação; Está dentro do coração! Silvino Potêncio – Natal/BR

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10 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» UM AMOR PARA A ETERNIDADE Comunhão de almas identificadas Sem necessidade de aval ou fiança. O olhar garante de imediato A sintonia vibrante que os une. Sem imaginar o mal ou ardil Entregam-se, amam-se, intensamente. Amor de romance, laços indestrutíveis Cegos de paixão e ardor dantescos. Entrega imediata apadrinhada pelos astros Consumada no fogo ardente do sentimento Inominado e indestrutível pelo homem Pois transcende ao físico, identificação sobrenatural. Pobres amantes crédulos e enganados Acreditaram-se acima de toda maldade Só queriam o amor eterno almejado, vivido Consumado, irrenunciável, infinito. Inveja cega e desmedida capaz de horrores Eternizou o ódio em ato amaldiçoado Para quem o pratica sob os auspícios demoníacos. Para todo sempre permaneceram amando-se A eternidade os elevou ao céu celestial Onde prevalecerá a união espiritual e o amor. Para o dia do Teu aniversário 26 de Março minha filha que eu tanto amei filha minha que eu tanto amava até do teu filho com amor cuidei com carinho com ele eu brincava já passaram tantos dias e anos desde que te amei a primeira vez felizes os dias ora desenganos ao longo da via que a vida fez percorreste então ínvios caminhos com ternura junto a ti ,te amparei mas fugiste aos maternos caminhos e dessa filha querida já nada sei um sumiu outro fugiu e tu também já nenhum recorda aquele desvelo do coração de esposa e terna mãe com muito esforço, mas tao belo nesta hora ,neste dia , , recordo em lágrimas minha face inundada aquele dia em que, feliz, á luz te dei hoje nada existe, não sou lembrada as voltas que deste nesta louca vida te deixou assim, tao transtornada no meu serás sempre a filha querida ainda que viva triste e desolada aprende amar que sempre te amparou aprende a viver em plenitude que seja sã não te desvies da rota , a outra passou olha que a vida é só uma, hoje, amanhã...? aquele abraço que se perdeu ao longo de longos meses sem fim tenhas um feliz dia muito teu neste dia 26 de março, feliz assim a tua mãe , do filho também do pai de quem nunca se esqueceu de todos que eram meu bem a quem a saudade não feneceu. Rosélia Martins – P.Stº Adrião Ressurreição A luz cobriu as trevas. O poder de Lúcifer terminou. O mundo acabou. Isabel C S Vargas - Pelotas/RS/Brasil MOMENTOS DE AMOR Despertei numa primavera florida, onde o sol foi carinho e foi doçura. Beijos e desvelos foram mel da vida, que em mim despontou laivos de ternura. Cresci na luta, despertando no sonho, no canto que trauteei e livros que li. Fui vencendo o que de louco e medonho me tocou ; sem baixar os braços digeri. Floresci como nenúfares lá no lago onde o amor me colheu e encantou. Foi meu um advento; uma flor brotou. Momentos d'amor geraram novo fado. Esse rebento é luar que prateia meu trilho d'avó, sorte que me premeia ! Virgínia Branco - Oeiras Natal… JARDINEIRO Jesus, Tu És o luzeiro Deste espaço universal, Ilumina o mundo inteiro Nesta noite de Natal… escreve poemas com Flores! e em cada canteiro Sorriem seus Amores! Santos Zoio - Paço de arcos Tudo está consumado. No sangue do cordeiro resgatado. Agora tudo está n’Ele. Eis a nova Jerusalém sonhada! A Criação renovada. O Alfa funde-se com o Ómega. O tempo findou. A Eternidade germinou! Filipe Papança - Lisboa António Boavida Pinheiro Lisboa

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Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril l 2016 | 11 «Tempo de Poesia» Café da manhã. MULHER Mulher é encantadora Quando solta sua voz acariciadora Ou derrama lágrimas doridas, salgadas. Cada braço seu é asa protetora. Ora encanta com a alegria das flores, Ora oculta lastro de tristeza na voz. Tem feitiço cruel, sedução e encanto. Mesmo que atordoada, Segura o leme E afoga o pranto. Qual naufrágio passam as coisas e os instantes. Mulher embala felicidade, derruba muros, Constrói pontes reais ou de fantasia. Imbatível e audaciosa, seu mundo É encantado, enfeitiçado, Pelo feitiço de seu encanto. Cansaços e frustrações não afogam O delírio de ser e de viver da mulher. Tem esperança em qualquer espera E, com meigo sorriso envolto De oníricas melodias e melancolias Esparge carinho e desfolha o malmequer; Voam pétalas nas ondas do vento. Sabe que, por vezes é pesada E dura a mão do destino. Coragem, não descreias, Continua a lutar! Afasta o cansaço da vida, Não feches a janela ao sonho! Mesmo na desarmonia do silêncio. Tu, és a fonte da vida, Tu és Mulher! João Coelho dos Santos - Lisboa IDOLA TEATRI NÓS, ARGUMENTISTAS, ACTORES CÉNICOS, ARTISTAS DO TEATRO QUE VIVEMOS E AMAMOS, SOMOS SOMBRAS ANQUILOSADAS, MALTRATADAS PELA VIDA BOÉMIA QUE LEVAMOS! Café da manhã, apraz leitura diária! Apontamentos d’uso, no bloco de notas Conversam os amigos da sexagenária Deixam mesa humorada, com anedotas Praxe de amigos: “Vamos tomar cafezinho” Se o tema é desportivo!? É casa cheia… - Zé…Tu dizes que o teu clube joga limpinho!? - Ó totó…árbitro caseiro não chateia!... À mesa do café, se invertem os papéis Rascunham os jornalistas como sabeis Criando a notícia bombástica!? Pois é! Vibram telemóveis, com troca de mensagens Cumprimentam os amigos de outras paragens Café da manhã saboreado p‘lo Zé Pinhal Dias (Lahnip) – Amora PT Lembras-te? Ah, ainda te lembras, rapariga, de como era a vida, quando o tempo corria devagar? E o azul era mais azul (aquele que o mar gera o outro que o céu cobria) e só nos guiava o olhar? Lembras-te? E lembras-te ainda como era quando a espera tinha espera (dum sonho a divagar numa lembrança de inda agora), de como era o tempo, de um tempo, que tinha tempo para amar? E quando o sol abria um sorriso no ar e os namoradinhos passeavam-se no jardim era como um exercício musical a solfejar… Hoje, que lembras tu, rapariga, se nem soletrar lembras mais, quando éramos tão assim e a vida era a vida, com que sonhamos um dia alcançar? Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia E AQUI NOS QUEDAMOS, CRÍTICOS VORAZES, DEPENDENTES E EXPECTANTES, À ESPERA DA VOSSA MEMÓRIA... QUE NOS DIGA DO QUE FOMOS CAPAZES, QUEM SOMOS OU POR ONDE VAMOS! Sento-me na pedra fria, sobre um céu azul e quente. Debito ao horizonte, versos que me assolam a mente. Imagem - Mário Juvénio Mário Juvénio - Amora MAS UM DIA, DENTRO DE MESES OU ANOS, HAVEMOS DE NOS ENCONTRAR, TALVEZ.. NO INFERNO DOS PROFANOS! Joaquim Evónio – (no Eterno) (Saudoso Confrade)

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12 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril 2016 «Trovador» Universidade da Vida As coisas que o povo diz Do seu saber popular Têm tal força motriz Que faz o sábio pensar. A sua filosofia Do empírico saber Tem toda a sabedoria Que o sábio queria ter. O erudito conhece E disso ninguém duvida Mas quantas vezes carece Das lições da própria vida. Saber do povo é produto De vivida experiência Na sua essência é o fruto De pura reminiscência. Não são na vida doutores Mas dela o ensinamento Sem livros nem professores Dotou-lhes conhecimento. Nestes versos resumida Transparece esta verdade Asseverando que a vida É uma universidade!... Euclides Cavaco - Canadá POBREZA A pobreza não é indolor Ela provoca enorme dor Que ninguém sabe nem vê E ninguém pergunta porquê A pobreza não é cor-de-rosa É matreira como a raposa Ataca quando não se espera Deixa qualquer um em cólera Pobreza não tem só uma face É de aparência multiface Arrasta-nos no seu caminho Sem ter piedade nem carinho A pobreza não tem barreiras Entra de todas as maneiras Não existe grade que a impeça De fazer o que lhe interessa Pobreza não vive no nevoeiro É visível no mundo inteiro Só não a vê quem não quer ver Ou não lhe interessa saber Sonho Azul I Tive um sonho colorido Viajei de norte a sul Acordei e fez sentido Chamar-lhe de sonho azul. II Foi um sonho tão bonito Com uma franja garrida Foi tão pobre e foi tão rico Que me falava da vida. III Lembrava-me a aventura A bonança e a tempestade Namoros, tempos de loucura E muita cumplicidade. IV Ciúmes e confissões Abraços, beijos trocados Cartas escritas, aos milhões Traições, namoros acabados. V Arrufos e maus humores Preconceitos ancestrais Jovens belos sonhadores Mulheres lindas de aventais. VI Já do meu sonho esvaído Com tanta meia verdade Acordei comprometido Na onda de uma saudade. VII Por fim o sonho me disse O amor é um martelo Se bate pouco, é tolice Se bate muito, é mais belo! José Chilra - Elvas UMA MOSCA SEM VALOR MOTE Uma mosca sem valor Poisa, co’ a mesma alegria, Na careca de um Doutor Como em qualquer porcaria. (António Aleixo) GLOSA “Uma mosca sem valor” Sendo, até, tão pequenina, Por ninguém sente rancor, E é uma gentil dançarina... Viram já que, na folgança, “Poisa, co’a mesma alegria” No velhinho e na criança, Que nem gostam da folia... Beija todos com fervor, Vê-se, até, num pergaminho... “Na careca de um Doutor” E na mão de um pobrezinho. É como a sina da gente, A cair, sem teoria... Numa vida aurifulgente, “Como em qualquer porcaria”. Clarisse B. Sanches - Vila de Góis BATE BATE CORAÇÃO O amor girando o mundo Com sentimento emoção Não há nada mais profundo Que dar voz ao coração Um doce afago na mão Um abraço, um sorriso Para mexer com o coração É tudo que é preciso Nas manhãs quero cantar Uma canção ao ouvido Que me ensine a te amar Tu és meu amor querido O amor na nossa vida É uma doçura um tormento Com ele vamos ao céu E inferno ao mesmo tempo Amor queima como fogo Mas dá esperança emoção Para viver sempre de novo Loucuras do coração Quando o amor acontece Na vida de qualquer um Ganha cor rejuvenesce Sem ir a lugar algum Amor é estar presente Chegar perto na distância É a emoção que se sente Mesmo que seja na ausência É uma vida sem valor Mesmo te guardando da ferida Mas sem a emoção do amor Será uma vida...sem vida Amélia Ferreira - Santarém A MINHA MUSA Por ti a minha alma sofre, És a musa que eu amo. Guardo teu amor num cofre, Agora, o teu corpo clamo! Nas tuas faces rosadas, Sinto amor que por mim tens. São belas e delicadas, Do amor, nós somos reféns. Tenho tua imagem presente, Fui o ser que mais te amou. Enquanto estive ausente, Em fumo se transformou! São versos que se exalam, Perfume que a Musa tem. Poeta e Musa se abraçam, Amor que o poema contém! São eles estados dum poeta Que dentro de si nasceram. E com tristeza completa, Seus versos se dissiparam. Jorge Vicente - Suíça Maria da Encarnação Alexandre Santarém

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Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril l 2016 | 13 «Confrades» As Armadilhas da Vida Era uma linda menina criada como princesa, cresceu com princípios de uma certa realeza. Mas a vida às vezes, por certo, tem das suas armadilhas e os pais não estando por perto, caem em cima, os cães em matilha. E de repente, a pobre menina em más companhias andava, achando que adrenalina era tudo o que precisava. Quando chegou a perceber a fria em que ela estava, não deu o braço a torcer, dizia que controlava. Mas no fundo ela sabia que seu fim se aproximava, pois nem bem amanhecia e ela já se drogava. À sua volta tudo desmoronava. Amigos, família, tudo enfim. Mas a menina não ligava, só esperava seu fim. Os pais em total desespero, tomaram a decisão, internaram a menina que ficou em reclusão. Mas o destino estava traçado. Os pais não tinham como lutar com o horário marcado, da morte que ia chegar. No último dia de vida, no leito de morte chorava, a mãe compadecida com a triste sina estava. E lá se foi a filha amada, deste mundo descabido, partiu sem saber nada, sem nunca ter vivido! Palavras http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm DANIEL TEIXEIRA D -De Cabo Verde ilhas no atlântico semeadas A -As condolências para um amigo nobre N -Não o conheci pessoalmente mas na net I -Imaginamos e juntos sonhamos E -E criamos... Mais vezes utopia que realidade L -Levantamos sentados e gritamos "WE CAN!" T -Tive, no momento inicial, apoio e incentivo E -Errei não poucas vezes e por Daniel foi ajudado I - Importantes momentos eles me proporcionou X - Cheguei a ser jornalista por fugaz momentos E - E ele gostou e publicou no RAIZ ONLINE I - Infelizmente a vida com seus desvios R - Reclamou outras estradas e outros sonhos A -Amizade continuou virtual e resta deseja R.I.P. QUE A TUA ALMA DESCANSE EM PAZ ! João Furtado - Praia Palavras pensadas Para o papel passadas. Palavras sentidas Gozadas ou sofridas. Palavras minhas Palavras tuas. Já um pouco esbatidas Quiçá algo atenuadas Pelo peso da saudade No desgaste Do tempo Entretanto decorrido. Palavras que descrevem E nos dizem O que foi mau O que foi bom. E foi o que ficou Desse passado Que solto ao vento Cavalgou o tempo E no tempo A nossa história gerou. Carmindo Carvalho Suíça Algumas mudanças, nenhuma mudança VEJO MARIA No ocaso do infinito universo Vejo Maria, estrela maior da minha Fé, A quem peço me ajude a desvendar Mistérios e segredos do amor. Socorro Lima Dantas Recife / BR Noite de inverno Sinto a noite de inverno, seu ar frio refrigera meus pulmões, na poeira da estrada escrevo meus desejos e meus encantos, a estação passa a vida voa nas asas onduladas do vento. Eu não deveria estar aqui! Mas estou! De pé diante de ti Com o olhar indignado! Mudo & Calado! Sem nada para te dizer... *** Eu não devia estar aqui! Deveria estar por lá fora! A gritar por liberdade. Da minha gente Do meu povo. *** Deveria estar na rua Em qualquer lugar E em todos os lugares. Mas não estou Estou diante de ti Mudo calado Sem nada para te dizer. Samuel da Costa Itajaí - Brasil O mentiroso Triste sina de quem tem Um mentiroso por perto Não tem paz nem vive bem Porque o parvo diz que é esperto - Dá um passo em frente Nesse teu amar, mesmo que penses ser Uma forma de amar sem fé. Lembra-te que a fé não é Um seguro de vida eterna, Que os tempos do Espírito Santo Não são os dos Homens, E que não existe sono no céu. Deus eterno, é o primeiro e o último. É o amor! Solta bocados sentidos de uma oração. Que ninguém a oiça, além de Deus. Bastará uma lágrima pura e sentida Para redimir o pecado! São de amor cânticos e aleluias Que vibram e tremem no ar. Sei que me falas no teu silêncio; Silêncio que é também oração de amor! João Coelho dos Santos – Lisboa Amor fugiu O Amor é tão cego; Passou não me viu. Gritei-lhe bem feio, Com medo fugiu.! Arménio Domingues Melgaço Divino Ângelo – MG/BR Poeta Silvais - Évora

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14 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril 2016 «Poemas saídos do Baú» Sorriso de papel Eternamente enclausurada nas masmorras duma moldura fina, com a imagem colada num pedaço de papel queimado pelo fogo do tempo, o teu sorriso límpido lança promessas de marfim acetinado. Acordo, estremunhado, mas logo sinto os bons dias dissiparem as trevas da noite fechada; envio inúmeras mensagens de esperança à sombra que deambulará comigo ao longo do dia. Por vezes, a ira expele lavas incandescentes que rolam pelas encostas enruguecidas. então, revejo esse sorriso tão doce e logo sinto a quietude plena da paz interior, a que uma leve brisa junta odores de satisfação íntima. Quando os passos da raiva me empurram para negros precipícios, a imagem desse sorriso encarcerado, mas sempre aconchegante, estende-me escadas de salvação no pedregoso caminho de retorno. Se as visões alimentam o caleidoscópio da consciência, e se projectam no plasma do pensamento, mergulho no reino das insónias. liberto-me nesse sorriso vestido de branco, eterno pretérito mais que perfeito, e beijo o sorriso… …sorrio também… …e adormeço. Não quero ver-te Deixo ficar na minha memória O teu olhar meigo que suaviza A minha fúria, sempre inglória Sob o teu assopro de brisa. Retenho na lembrança o teu amor Ainda recordo o ciúme sem pudor Que me cegou o entendimento Potente para filtrar sentimento. Agora fotografo atrás da porta Algumas tralhas, e, não importa Que têm relevância afetiva A parte que fica aqui cativa. Lembro-me do que enfiei nos buracos Olvidando o oco daqueles sacos O que coloquei atrás da porta, por fora Porque não quero ver-te na desforra. Sim, disse que não quero ver-te nunca mais. A minha memória abarrotada demais Explode pelos meus olhos, soltando o miolo Espatifado por paixão e zelo e falta de colo. Amália Faustino – Praia / Cabo Verde Noite Vazia Se abrir a janela na noite vazia, Para ver na rua quem passa a cantar, Talvez um morcego por mim vá roçar Ou entre um inseto que o vento trazia. Se abrir a janela na noite vazia, Duendes e fadas entram de roldão, Uns trazem roupetas e outros roupão, Gelados os corpos, que a noite está fria. Se abrir a janela na noite vazia, Não entram estrelas, que estão bem coladas Ao céu de negrume, cobrindo as fachadas Da cor que eu adoro e são fantasia. Se abrir a janela na noite vazia, Quem sabe o que entra pra meu desespero! Não entra decerto por quem tanto espero, Mas era uma bênção prà minha agonia. Tito Olívio - Faro SAIR É BOM Só saindo é que Conhecemos melhor o que deixamos, Foi no caminho da Lua Que ficámos a conhecer melhor a Terra José Jacinto "Django" António Barroso - Parede (…) Se eu pudesse com o vento falar E nele minha intimidade revelar Se eu pudesse com palavras Exprimir ao certo o que sinto por dentro Aí…! Se eu pudesse ser poeta… E ver letras correr nas veias E esta trava no peito poder revelar Talvez saberias Do amor não amado Da dor do segredo jamais revelado Do som do sentimento desconhecido E das falas surdas do âmago, em gemidos de desapego Por ti mulher Fredy Ngola - Angola

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Confrades da Poesia | Boletim Nr 75 | Março / Abril l 2016 | 15 «Faísca de Versos» A VIOLÊNCIA MUNDIAL Políticos tenham mais cuidado Que se vai alterando o cenário Da má política o resultado Que trás de novo comentário. A vaga de descontentamento Com a economia e desemprego Agora refugiados são lamento A insegurança o maior enredo. O sentimento de insegurança Dado aos assaltos registados Trazem cada vez menos esperança Nos seus demorados resultados Numa tentativa desesperada É preciso haver muito cuidado Com tanta coisa mal pensada Nunca poderá haver resultado. Agora a morte indiscriminada Com tanto fundamentalismo Traz toda a gente amedrontada Para quê tanto egocentrismo. Sem políticas mais estruturais Com medidas de descentralização Que devem ser a níveis mundiais Para ver se conseguem alteração. Mundo de vigaristas e assaltantes Com tantos corruptos em acção São medidas muito importantes Acabar com a violência e corrupção. É fácil acabar com a corrupção Acabem de vez com a imunidade Deixem a polícia fazer investigação Com imparcialidade e legitimidade. Deodato António Paias - Lagoa MAIS ELEIÇÕES Por vezes nos calamos por receio. Da ira que as palavras possam ter. E tememos que quem as receber, Nos faça sua presa, em seu enleio! De certas criaturas, eu descreio, Que alguma lealdade possa haver. Seu linguarar balofo, é, podem crer, Como se diz na gíria: só paleio! Discursos estudados a rigor! Alguns prometem tudo, até amor, Aos mais carenciados do país! Mas quando se aboletam no poder, É só sacar, sacar o mais que houver… Zé-povinho caiu, em seus ardis! Alfredo dos Santos Mendes - Lagos CARNAVAL Vim pela vida, sem querer, aos trambolhões, Gastei-me nas farras em imundas tascas , Dancei nos mais belos dos salões E fiz amor nas pensões mais rascas. Nada tendo fui muitas vezes rico, Pelo menos com os ricos convivendo, Dava-me então ares de mafarrico E tudo o que podia ia comendo. Eles julgavam-me bobo e eu gostava De parecer assim um Zé Ninguém, Com a certeza que nenhum deles imaginava Que por baixo daquele ar havia alguém. E quando me diziam com vaidade “Aqui amigo tens tudo o que quiseres!” Eu sorria-lhes com muita maldade E depois possuía-lhes as mulheres. Algumas recordo hoje com tristeza, Tão ricas mas tão pobres no amor, Carentes de carinho e de certeza Escondendo do mundo a sua dor. Como era pobre e pobre com orgulho Vivia naquele mundo contrafeito E logo que deixava aquele entulho Procurava os amigos a meu jeito. E nas tascas mais pobres, pois então, Onde os homens do esforço descansavam Enchia-se-me de luz o coração Ao sentir a amizade que me davam. Pagava-lhes um copo, se podia, E dizia-lhes os versos que inventava E era tão bom sentir a alegria Com que aquela malta me escutava. Depois, alguns tristes, iam embora Porque amanhã o trabalho e o sofrer, Eu despedia-me e ia noite fora Em busca de qualquer forma de prazer. Lá nas ruas mais esconsas da cidade, Onde há casas ditas de má vida, Onde resistem mulheres sem idade E a miséria mais miséria tem guarida. Encontrava finalmente algum sossego Dando um pouco de carinho e de ternura, Não lhes comprava sexo, tinha medo De lhes aumentar ainda a amargura. Madrugada alta é que chegava Aquela pensão de tão má fama, Sabendo que a filha da dona se encontrava A aquecer os lençóis da minha cama. Bocage destes tempos, quem diria Que o louco poeta renasceu… É carnaval amigos e a poesia Mascarou-se dum tempo que morreu. JNP (José Mineiro) - Verdizela INJUSTIÇAS A minha escrita, é de revolta. O porquê, não sei dizer, Talvez, por ver tanta coisa torta, E eu sem nada poder fazer, Mundo cão, como ficastes, Que a tantos fazes sofrer, Para melhor, nunca mudastes, Para pior está:-se a ver, És comandado pela ambição, Sustentada na hipocrisia, E há quem diga, que juntas são, O progresso do dia-a-dia, Eu insulto essas gentes, Paciência, não dá para mais, Ao ver tantos delinquentes, A sair impunes dos tribunais, A minha revolta é tão velhinha, Habituada que está ás injustiças, Mas já não a considero só minha, Outros já a trazem, à liça, Mas muitos mais, é que convinha A,guilhermemartins S.Salvador,do Campo A PROPÓSITO DE ABRIL Mil promessas nos fizeram Mas as gentes desesperam Esperando em vão Um tal Sebastião Que após o nevoeiro Nos traria o "soalheiro" O Povo crédulo, infantil Acreditou naquele Abril. Desejado em longa espera Visionando no fundo da cratera o momento da erupção De Libertadora Revolução, A qual se deu "naquele dia" Em que reinventámos a Alegria Disto, daquilo e da Liberdade, Mas que e abono da verdade Foi um Sol de pouca dura Pois, mesmo vencida a Ditadura Lenta e progressivamente Se castiga, ainda, A Nossa Gente! Orlando Fernandes - Lisboa

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