Frutiovinocultura consórcio entre ovinos e manga.

 

Embed or link this publication

Description

Frutiovinocultura consórcio entre ovinos e manga.

Popular Pages


p. 1

FRUTI-OVINOCULTURA – PRODUÇÃO CONSORCIADA DE MANGUEIRAS E VIDEIRAS COM OVINOS Clovis Guimarães Filho1 e José Givaldo Góes Soares1 1 Embrapa Semi-Árido, Caixa Postal 23, CEP 56 300 – 790, Petrolina, PE. E-mail: clovisg@cpatsa.embrapa.br INTRODUÇÃO - A possibilidade de integrar a criação de animais com o cultivo de espécies frutícolas, tem despertado crescente interesse, em função dos benefícios que esse tipo de consorciação pode trazer à cultura. Resultados promissores têm sido observados, principalmente em países asiáticos, em coqueirais, dendezais, seringais e mangueirais. Em Cuba, resultados animadores foram obtidos com ovinos em áreas de citrus. No Brasil, ensaios da Embrapa mostraram ser possível viabilizar esta tecnologia com ovinos em áreas de pêssego (Pelotas, RS), de coqueiros (litoral sergipano) e de mangueiras e videiras irrigadas (Vale do São Francisco). A tecnologia apresenta grande potencial e surge no momento oportuno em que a mangicultura e a viticultura irrigadas do Vale enfrentam o enorme desafio de tornar seus produtos mais competitivos nos mercados nacional e internacional. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA E SUA IMPORTÂNCIA – A maior parte da produção dos cerca de 22 mil hectares de mangueiras e 4,3 mil hectares com videiras, em produção, no Vale do São Francisco é direcionada para o mercado externo. Em 2001, a exportação alcançou mais de 100 mil toneladas, sendo 82 mil de manga (86% das exportações nacionais) e 19,6 mil de uvas (95% das exportações nacionais), gerando uma receita superior a 60 milhões de dólares. Os agronegócios dessas frutas são, ainda, responsáveis por cerca de 64 mil empregos diretos na região. Os problemas que o setor começa a enfrentar estão associados a tendência de queda nos preços dos produtos, embora os volumes comercializados cresçam a cada ano. A situação se agrava a medida que novas áreas irrigadas vão entrando em produção (40 mil hectares em implantação apenas no polo Petrolina-Juazeiro). Outros problemas são as crescentes barreiras fitossanitárias impostas pelos mercados, especialmente os externos (a partir de 2003 toda fruta exportada para a Europa terá que ser produzida no sistema de Produção Integrada de Frutas - PIF). Assim, paralelamente à busca do incremento nas qualidades mercadológicas dos produtos, impõe-

[close]

p. 2

se um esforço imediato visando a redução dos seus custos unitários de produção, estimados em R$ 0,25 a R$ 0,30/kg para a manga e R$ 0,40 a R$ 0,60/kg para a uva de mesa. A tecnologia aqui apresentada pode se constituir em valioso instrumento auxiliar nesse esforço. VANTAGENS EM RELAÇÃO A SITUAÇÃO ATUAL - A principal vantagem para o produtor é a redução no custo de produção da fruta, através da conjunção dos seguintes benefícios potenciais do sistema: (1) maior eficiência no uso da terra, pelo aproveitamento da mesma área com duas atividades, incorporando mais uma fonte de renda e atenuando o problema da sazonalidade do fluxo de ingressos da fruteira; (2) eliminação ou redução de custos capinas manuais e roçagens mecânicas e com aplicação de herbicidas, já que o trabalho é feito pelos ovinos; (3) redução, à médio e longo prazos, nos custos com adubação química, face à deposição contínua e concentrada dos dejetos animais, com melhora simultânea da estrutura do solo; (4) redução ou atenuação de problemas ambientais através da eliminação do uso de herbicidas e da redução dos problemas de compactação do solo em áreas intensivamente mecanizadas; (5) redução da incidência de pragas e doenças, via consumo pelos animais, de quase todo o material decomponível que favoreça sua disseminação de microorganismos patógenos. Essas vantagens credenciam a fruti-ovinocultura como um instrumento de alto potencial para o sistema PIF, bem como para a produção de frutas orgânicas, cujo mercado se encontra em acelerada expansão. DESCRIÇÃO DA SOLUÇÃO TECNOLÓGICA PROPOSTA - A base do sistema é a subdivisão da área do pomar em parcelas, que são pastejadas pelos ovinos, em rotação, agrupados em um piquete móvel de cerca eletrificada (Figura 1). O piquete é facilmente transferido (estacas facilmente “arrancáveis” e “enterráveis” no solo) de um espaço já pastejado para outro seguinte a pastejar. Simulando uma “roçadeira viva”, o sistema percorre toda a área do pomar, permitindo a liberação seqüencial dos espaços pastejados para as demais operações demandadas pela fruteira (Figura 2). Nesse trajeto, os animais, além de distribuírem sistematicamente suas dejeções por toda a área do pomar, vão se alimentando das ervas daninhas, de folhas e caules finos oriundos das podas e desbastes, de frutos caídos e, eventualmente, de um pouco da folhagem inferior das fruteiras. Este comportamento, como comprovado nos ensaios experimentais (Tabela 1) não afeta a produtividade das fruteiras, controla eficientemente as ervas daninhas e proporciona um razoável ganho-depeso, mesmo utilizando-se ovinos mestiços comuns. Tabela 1. Síntese dos resultados de ensaios de consórcio de fruteiras com ovinos ______________________________________________________________________________

[close]

p. 3

Tipo de consórcio Controle da (cab/ha) Mangueira-Ovinos Videira-Ovinos zero 15 zero 20 Taxa de lotação (kg/cab) (kg/ha) 0,052 0,061 1,220 - Ganho diário da fruteira 130,0 kg/planta 0,780 130,9 kg/planta 25,4 t/ha 24,7 t/ha Produtividade vegetação eficiente eficiente ______________________________________________________________________________ Os períodos de uso de cada piquete variam em média de dois a oito dias de pastejo e de 30 a 40 dias de descanso. A taxa de lotação inicial deve ser arbitrada em função do tipo de vegetação espontânea existente no pomar. Na região, este número varia, comumente, de 10 a 20 cabeças/hectare/ano. Na consorciação com mangueiras (Figura 3), o sistema deve vedar a entrada dos animais no pomar nos 60 dias anteriores a colheita. Na consorciação com videiras (Figura 4), os animais podem permanecer no pomar durante todo o ciclo. A ocorrência de danos nos sistemas de irrigação é praticamente nula. A produção do ovino deve ser encarada como atividade complementar à produção da fruta. Cada fruteira tem um sistema peculiar de cultivo, exigindo, portanto, um sistema específico de consorciação. Na prática, isto significa que cada propriedade deve moldar um sistema próprio de manejo dos animais que se adeqüe às práticas de manejo da fruteira requeridas pelo modelo de produção da fruteira empregado. Com relação a raça devem ser usados, preferencialmente, puros ou mestiços Santa Inês. Cruzados de raças mais especializadas, como a Dorper, proporcionarão ganhos diários superiores a 0,10 kg/cab, porém exigirão suplementação ou pastos de melhor qualidade. Deve ser dada preferência a animais de engorda sobre ovelhas de cria, já que as parições constituem um complicador do manejo e as ovelhas necessitam, como no caso da mangueira, área adicional de pasto para onde possam ser transferidas no período pré-colheita. O sistema inclui ainda um rigoroso controle higiênico-sanitário dos animais. PÚBLICO-ALVO – Grandes, médios e pequenos produtores envolvidos com o agronegócio da mangicultura e a viticultura irrigadas. IMPACTOS – Os principais impactos que uma adoção significativa da tecnologia pode trazer são de natureza econômica (redução do custo unitário de produção das frutas em cerca de 4 a 8% e incorporação de uma receita líquida adicional não inferior a R$ 200,00/hectare/ano) e de natureza ambiental (eliminação completa do uso de herbicida, altamente contaminante, e melhoria gradativa nas condições do solo). Projetando-se as vantagens econômicas para um pomar de mangueiras de 50 hectares, o uso do sistema proporcionaria ao fruticultor uma economia média superior a R$ 20.000,00/ciclo de produção nos seus custos de manutenção, além de uma receita adicional da ordem de R$ 10.000,00/ano, com a venda dos animais. A extrapolação desse resultado apenas para os 22 mil hectares de mangueiras em produção no polo Petrolina-Juazeiro, dá uma clara dimensão do potencial dessa tecnologia.

[close]

p. 4

COMO ACESSAR A TECNOLOGIA - A tecnologia pode ser acessada através de publicação específica, Circular Técnica no52, editada pela Embrapa Semi-Árido. Informações sobre a tecnologia podem, também, ser obtidas via consulta direta ao site www.cpatsa.embrapa.br ou via e-mail (sac@cpatsa.embrapa.br). Seminários técnicos e treinamentos de curta duração sobre o tema podem também ser oferecidos pela Embrapa Semi-Árido, mediante demanda de organizações de produtores. Figura 1- Eletrificador com painel solar Figura 2 – Piquetes pastejado e a pastejar (Faz.Nova fronteira, Curaça,BA) Figura 3 – Ovinos em pomar de mangueiras (Faz. Caminho Verde, Petrolina,PE) Figura 4 – Ovinos em pomar de videiras (Faz. Vale das Uvas, Petrolina,PE)

[close]

p. 5



[close]

Comments

no comments yet