Cartilha sistema Vosin

 

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Produção gráfica Emater - Capa Marlene Suely Ribeiro Chaves REFERÊNCIAS AGROECOLÓGICAS PASTOREIO RACIONAL VOISIN

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REFERÊNCIAS AGROECOLÓGICAS PASTOREIO RACIONAL VOISIN (PRV) Cícero Teófilo Berton 1 Evandro Massulo Richter 2 Nucleo de Pastoreio Racional Voisin - UFSC3 Curitiba, 2011 1 2 Cícero Teófilo Berton – Mestre em Agroecossistemas, UFSC Evandro Massulo Richter – Médico Veterinário, CPRA/Instituto Emater 3 Núcleo de Pastoreio Racional Voisin - UFSC 1

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GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ Carlos Alberto Richa Vice Governador Flávio Arns Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento Norberto Anacleto Ortigara SEAB – Diretoria Geral Otamir César Martins CENTRO PARANAENSE DE REFERÊNCIA EM AGROECOLOGIA – CPRA Diretor Presidente – João Carlos Zandoná Diretor Adjunto – Márcio Miranda AUTORES: Cícero Teófilo Berton – Mestre em Agroecossistemas, UFSC Evandro Massulo Richter – Médico Veterinário, CPRA/Instituto Emater Núcleo de Pastoreio Racional Voisin - UFSC 2

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SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ...................................................................... Por que usar o PRV ..................................................................... MANEJO EM PRV ..................................................................... UTILIZAÇÃO DO EXCEDENTE DE FORRAGEM ............. O SOLO E A MATÉRIA ORGÂNICA ...................................... A ÁGUA ........................................................................................ Bebedouros .................................................................................... Piqueteamento e sistema viário ..................................................... Arborização ................................................................................... MANEJO ANIMAL EM PRV .................................................... Manejo do rebanho nas pastagens ................................................. Movimentação dos animais ........................................................... REFERÊNCIAS .......................................................................... EFEITO DE DIFERENTES TEMPOS DE REPOUSO SOBRE A PARTE AÉREA, SISTEMA RADICULAR E COMPORTAMENTO DE PASTOREIO DE VACAS LEITEIRAS EM UMA PASTAGEM POLIFÍTICA ................ 05 06 08 13 14 15 16 17 19 20 20 20 22 23 3

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APRESENTAÇÃO Desde os primórdios da humanidade, através dos pastores, o homem vem mantendo uma relação íntima com seus animais e pastagens, conduzindo os seus rebanhos mantendo o equilíbrio entre a oferta e a necessidade. O Pastoreio Racional Voisin (PRV) resgata esta intimidade entre o produtor, seus animais e sua pastagem, a necessária vivência diária com os animais, a observação acurada do desenvolvimento das pastagens e a necessária compreensão da essência das quatro leis universais do PRV permitem um aumento da produtividade sem que com isso seja necessário degradar os recursos forrageiros, ao contrário, com a aplicação fiel do PRV obtém-se um aumento progressivo da fertilidade do solo. Este material é resultado da experiência de várias pessoas, além dos autores citados. PRV não se faz sozinho. Foi fundamental a contribuição de técnicos e produtores comprometidos com uma produção ética e sustentável. Em especial, gostaríamos de agradecer a Ilso Aperone da Silva Gomes (in memorian), pela dedicação e contribuições criativas para a implantação de vários sistemas de PRV e a Luis Carlos Pinheiro Machado , o Mestre. O QUE É PRV? O Pastoreio Racional Voisin (PRV) é um método racional de manejo do complexo solo-planta-animal, proposto pelo cientista francês André Voisin, que consiste no pastoreio direto e em rotações de pastagens. A intervenção do homem se dá através da subdivisão da área em piquetes, permitindo o direcionamento do gado para aqueles que apresentam o pasto no seu tempo de repouso adequado. Isso possibilita aos demais piquetes que o pasto recupere suas reservas para crescer novamente. Esses períodos variam de acordo com as espécies do pasto, estação do ano e as características climáticas da região e a fertilidade do solo. O PRV está vinculado a fatores de produção que são indispensáveis para o sucesso do projeto, para os quais sanidade e alimentação são aspectos básicos. 5

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Um animal só está saudável quando está bem nutrido, e só estará nutrido se tiver saúde. POR QUE USAR PRV? Analisando a situação da cadeia produtiva do leite e da carne, sabese que apenas sobreviverão os produtores que tiverem baixo custo de produção com produtividade. A alimentação dos ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos) é feita à base de pasto que é produzido através da energia solar pelo processo de fotossíntese e pelos nutrientes existentes no solo. O manejo correto implica atenção ao bem-estar animal que promove o aumento da capacidade produtiva e a qualidade do produto final. O confinamento e o concentrado agridem a saúde e, consequentemente, o bem-estar além de aumentar os custos de produção. 6

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Animais estressados produzem menos! Para ter bons lucros, o produtor deve depender cada vez menos de insumos/produtos externos à propriedade e isso só é alcançado quando a alimentação dos seus animais for baseada apenas em pasto. Além disso, a implantação e o manejo correto do projeto de PRV beneficiam o solo pelo aumento da concentração de esterco e urina que promovem elevação na quantidade de matéria orgânica. Isso permite que insetos (como o rola-bosta), anelídeos (como as minhocas) incorporem o esterco no solo, incrementando sua fertilidade. A diminuição das populações desses seres vivos ocorre quando utilizamos produtos químicos nos animais e no ambiente e, ainda, quando o solo é agredido com arado e grade. Em PRV não se usa adubos químicos porque os animais já fazem a adubação! 7

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MANEJO EM PRV Existem quatro leis chamadas de Leis Universais do Pastoreio Racional que devem ser seguidas para garantir o sucesso do PRV. As duas primeiras garantem a perenização das pastagens e as duas últimas, o incremento da produção animal. a. Lei do repouso – para que um pasto cortado pelo dente do animal possa dar sua máxima produtividade, é necessário que, entre dois cortes sucessivos a dente, haja passado tempo suficiente, que permita ao pasto: - armazenar nas suas raízes reservas para um início de rebrote vigoroso; - realizar a sua “labareda de crescimento”, ou grande produção de pasto por dia e por hectare. O tempo ótimo de repouso é variável de acordo com: - a espécie vegetal; - a estação do ano; - as condições climáticas; - a fertilidade do solo. No inverno esse período é maior que no verão, pois as plantas se desenvolvem mais lentamente. 8

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A altura do pasto não pode ser tomada como referência para estabelecer o tempo de repouso da parcela, mas sim o estado de desenvolvimento da planta. Pastos pastoreados em seu ponto ótimo de repouso garantem a maior produtividade da pastagem e são de ótima qualidade. b. Lei da ocupação – o tempo de ocupação de uma parcela deve ser suficientemente curto para que um pasto, cortado a dente no primeiro dia do tempo de ocupação, não seja cortado novamente, antes que os animais deixem a parcela. 4 a 6 UGM/ha Sistemas manejados em PRV: é possível dobrar ou até triplicar a carga animal sem a necessidade de suplementação com ração. 9

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A segunda lei complementa a primeira. Somente um tempo curto de ocupação permite que o gado não corte o rebrote do pasto durante essa ocupação. O essencial é que o gado não coma o pasto rebrotado, porque esse é o primeiro passo para a degradação da pastagem. Na prática, para que isso não ocorra, o período de ocupação não deve exceder 1 ou 2 dias, utilizando-se alta carga animal. c. Lei do rendimento máximo – é necessário ajudar os animais de exigência alimentícia maior para que possam colher a maior quantidade de pasto e que o pasto seja da melhor qualidade possível. A qualidade nutricional do pasto varia quanto: - às espécies; - ao estádio fenológico; - às partes da planta. Estádio Fenológico: fase de desenvolvimento da planta. As vacas gostam mais das folhas mais novas que são de mais fácil digestão e apresentam valor nutricional maior E não gostam dos talos que são mais fibrosos e de menor qualidade. 10

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Se os animais de maior exigência nutricional, como as vacas em lactação, consumirem somente o estrato superior da pastagem, obterão um máximo consumo de alimento, com máxima qualidade. Os animais de menor requerimento nutricional podem pastar o estrato inferior da pastagem. Esse manejo, chamado “desnate” e “repasse”, permite maximizar a produção, já que está aliado a uma alta carga animal, que resulta em alta produtividade por área, e ainda, possibilita alto desempenho individual do grupo desnate. Esse manejo só é possível se houver água em todos os piquetes. Desnate 1° lote – Animais de maior exigência nutricional. Repasse 2° lote – Animais de menor exigência nutricional. d. Lei do rendimento regular – um animal alcança o máximo desempenho no primeiro dia de pastoreio, e os rendimentos vão diminuindo na medida em que o tempo de permanência na parcela aumenta, pois o animal vai pastoreando mais a fundo, colhendo menor quantidade de pasto e com menor valor nutritivo. A cada vez que o gado entra em uma nova parcela o ganho será maior no primeiro dia de ocupação, diminuindo nos dias subsequentes, 11

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até trocar de parcela. Nessa nova parcela o ganho inicial será maior, diminuindo logo depois. A “arte de saber saltar” O uso dos potreiros não está, de nenhuma forma, relacionada a sua localização, mas sempre ao ponto ótimo de repouso. Assim, o próximo potreiro a ser utilizado não é aquele próximo ao potreiro em uso, mas o que apresentar o pasto em ponto ótimo de repouso, mesmo que este esteja a uma grande distância. Esse manejo é denominado a “arte de saber saltar”, sendo um dos pilares do manejo de PRV. Nesse sentido, nunca haverá uma ordem prédeterminada a ser seguida quanto à escolha do piquete, sem considerar o estado fenológico da planta. Quando os piquetes adjacentes são utilizados seguidamente podese afirmar que o PRV está sendo mal manejado, gerando a degradação da pastagem por “aceleração fora de tempo”. Se os piquetes têm a mesma aparência, o projeto está sendo mal manejado; se apresenta coloração irregular, uns mais claros, outros mais escuros (“efeito xadrez”), então o projeto está sendo bem manejado. Observe as diferentes tonalidades do pasto. É possível identificar os diferentes estágios de desenvolvimento da pastagem. 12

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UTILIZAÇÃO DO EXCEDENTE DE FORRAGEM Em algumas épocas do ano há excesso de pasto e, em outras, falta. Assim, esse excedente, deve ser transformado em feno ou silagem para manejo correto das pastagens. No corte da forragem para feno ou silagem devese, sempre, respeitar o ponto ótimo de repouso. Nesta modalidade a forragem conservada deve ser dada aos animais diretamente no pasto, para que deixem na pastagem os seus excrementos (esterco) e urina), ativando a vida do solo (biocenose) e incrementando a sua fertilidade natural. 13

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O SOLO E A MATÉRIA ORGÂNICA O solo é um organismo vivo, quando tem uma boa cobertura, evita a erosão. As minhocas sobrevivem apenas em ambientes nos quais não são utilizados produtos químicos do grupo das avermectinas. 14

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